Fico aqui a pensar com os meus botões o que seria importante deixar reflectido neste diário. Que os dias correm sem grandes surpresas? Que as preocupações são as de tantos outros portugueses em momento de crise? E se o emprego se esvai? E se a saúde sofre algum percalço? Depois de dito, fica a velha sensação: para quê escrever estas banalidades se nada acrescentam à felicidade de alguém. Sinto falta daquela necessidade de ter que dizer qualquer coisa sobre tudo quanto acontece. Sinto falta do fervilhar de opiniões. Assim que a disposição mudar tentarei deixar a impressão dos tempos que correm.
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
9 meses
Fico aqui a pensar com os meus botões o que seria importante deixar reflectido neste diário. Que os dias correm sem grandes surpresas? Que as preocupações são as de tantos outros portugueses em momento de crise? E se o emprego se esvai? E se a saúde sofre algum percalço? Depois de dito, fica a velha sensação: para quê escrever estas banalidades se nada acrescentam à felicidade de alguém. Sinto falta daquela necessidade de ter que dizer qualquer coisa sobre tudo quanto acontece. Sinto falta do fervilhar de opiniões. Assim que a disposição mudar tentarei deixar a impressão dos tempos que correm.
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Mentira
Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
Tempos
Sábado, 27 de Outubro de 2007
Planos
Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Isto vai lindo
*
Haverá alguém, em Portugal, com ou sem autoridade, que possa dizer: eu sei que não sou ou fui escutado?
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Capturado pedófilo
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
Fotografia de família e excite
A única pergunta parece ser: os cidadãos dos vinte e sete já adormeceram ou ainda abrem os olhos de quando em vez para opiniar?
Os avisos de Shimon Peres
"Many times in history it was too late to prevent horrors and bloodshed, for instance with Stalin and Hitler. We are nearing a similar turn of events with Ahmadinejad. We must not ignore Iran's aspiration to become a religious, extremist Persian empire that would rule the entire Mideast," Peres said in a special statement issued by his office.»
Texto integral na Y net news.
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
A pressa
«A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) está a dar instruções aos serviços para que efectuem penhoras de imóveis através de procedimentos que constam da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2008, antecipando assim a sua eventual aprovação.
(...)
Acontece que no CPC, mais concretamente no seu artigo 838.º, onde se regula "a realização da penhora de coisas imóveis" admite-se a possibilidade de a penhora poder ser realizada "por comunicação electrónica", mas obriga a que antes de a penhora se tornar efectiva seja realizado um auto de penhora que terá de ser afixado "na porta ou noutro local visível do imóvel penhorado, de um edital, constante de modelo aprovado por portaria do ministro da Justiça". Estas obrigações vão também ao encontro do que está estabelecido na redacção actual do artigo 231.º do CPPT, uma vez que também aqui há referência à necessidade de um auto prévio para que a penhora se torne efectiva. Este auto será substituído por uma comunicação electrónica "emitida pelo órgão de execução fiscal à conservatório do registo predial competente" na redacção proposta pelo Governo no OE 2008.»
Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
E se
Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
Até já
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Aleluia
Método
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Chama-se
Alguns problemas reais de Portugal
A independência do Kosovo.
«Apoiado pela Rússia, o governo de Belgrado quer manter a soberania, proponde uma autonomia alargada. Com o apoio dos Estados Unidos, e países da União Europeia, os representantes da maioria albanesa do Kosovo ameaçam voltar à guerra, se não obtiverem a independência e a separação definitiva da Sérvia.»
O Nobel e a química.
«Gerhard Ertl, o segundo alemão laureado com um Nobel este ano, foi um dos primeiros cientistas a perceber o potencial da química de superfícies e a sua importância para a indústria química.
Os seus estudos permitem perceber, nomeadamente, processos químicos como a oxidação do monóxido de carbono, uma reacção produzida nos catalizadores dos veículos para limpar as emissões dos tubos de escape. Entre as aplicações industriais das suas investigações destaca-se a compreensão do processo químico da ferrugem ou a produção de fertilizantes.»
"As reacções químicas sobre as superfícies catalíticas jogam um papel vital em numerosas operações industriais, como a produção dos fertilizantes", sublinhou a Academia sueca na justificação do prémio. "A química das superfícies pode mesmo explicar a destruição da camada de ozono", revelou.»
Será
Em entrevista à agência noticiosa Lusa, esta tarde, Joaquina Madeira afirmou: «Garanto que não tenho indícios de que existam abusos sexuais nesta casa». Jornal Sol.
*
Será que se vai abrir mais um daqueles inquéritos intermináveis, que deixam tudo em águas de bacalhau?!
Espaço para respirar
Se bem me lembro, media, nos bares e discotecas, os metros quadrados de ar que podia respirar. Estou a exagerar e vou exagerar, mas antes de reparar nas caras da gente que está lá porque gosta e é habitual lá estar, era natural que eu reparasse em pormenores como: as caras dos músicos, o tipo de música, os decibéis das música, o pé direito do recinto ou a sua a área, a porta, as caras dos porteiros, as caras de pessoas que não agradam, enfim, uma data de coisas que acho triviais, mas outras pessoas são capazes de achar estranhas. Outra razão são os batimentos, segundo consigo ouvir, percebo em quase toda a música apenas dois batimentos, havendo de vez em quando uma variação; por isso mesmo a acho insuportável.
Só me veria dentro de um bar curto de espaço respirável, com algumas cervejas bebidas, um Whisky ou uns Vodka limão, e plena de consciência. Em saídas à noite a bares ou discotecas sempre fui das comedidas, salvo excepções que se contam pelos dedos de uma mão. Ser muito parca em bebidas significa - apurando as médias do passado, dois Vodka limão - uma bela bebida -, por noite, isto em noites que saía, que eram também elas parcas. Quando escolhia cerveja - bebida que aprendi a gostar -, era muito mais inteligente pela quantidade de dinheiro que poupava e pelo imediato efeito diurético da dita. Mais uma vez uma questão de qualidade. É como vinho, pouco, raramente e bom.
Falta ainda falar da mensagem que passa a música. Vou ter que ouvir outra vez, noutro dia, para ver se percebo: é de certeza um qualquer exorcismo que me escapa. Faço uma comparação: a certa altura, lá para os 18 ou 19 anos fui assistir a um desfile de moda, onde participavam estilistas que mais tarde vieram a ter muito sucesso e visibilidade. Sei que a páginas tantas, no meio de um desfile, saí. A música e a agressividade da música estavam a incomodar-me, aquilo não me dizia rigorosamente nada. Para vestir, gosto de qualquer coisa cómoda, onde caiba e que não tenha fibras que me incomodem, e só por algum erro de casting é que uso roupa de marca, fica caríssimo e nunca tive feitio para estar na moda.
Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
As crianças e adolescentes
Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
Vai a subir
A verdade vai subindo e, mais cedo ou mais tarde, chegará à cidade de origem: Braga.
Casa Pia
Diário à moda do Fora do Baralho
Naturalmente
Registo
Quase vinte anos depois a falta de discernimento continua. O ódio a judeus por parte de miúdos, ou graúdos mal formados é bem representativa do que se pode conhecer, na internet, através de discursos anti-semitas inflamados. Conheci a realidade há 18 anos e acho que um dos erros em Portugal é considerar os portadores de tais discursos, gente pouco informada. Se a organização continuar semelhante, têm mentores normalmente com um discurso articulado sobre a portugalidade, sobre intolerância aos judeus e negros. E têm executantes, os skinheads. Os líderes falam em imigração como ameaça à dita portugalidade, são antidemocráticos e vêem judeus como uma praga. Pode tratar-se de gente com leitura, que gosta de se impor e tem facilmente seguidores, entre gente que se distingue pela maneira de vestir, pela agressividade e pela marginalidade ao sistema político vigente. Diria que são mais anarquistas do que outra coisa. Eles vêem-se como salvadores da pátria e da raça. O que sempre me levou a pensar: que raça? Em Portugal, quais raças? Em nome de quê? Por mais que puxe pela cabeça não consigo perceber ou aderir a sua linguagem, nem as suas convicções. Por mais lidos que sejam, a afeição ao grupo, i.e., o carácter de gueto em que vivem impede-os de ver o mundo com abertura. Uns lêem demais, e vêem “demenos” aos outros falta mundo. Numa sociedade democrática, que não aceita, maioritariamente, insultos a negros, viram-se agora novamente para os judeus. É-lhes fácil encontrar argumentos numa sociedade pouco respeitadora do judaísmo.
Já não me lembro do teor dos jornais de extrema-direita que li aos catorze ou quinze anos. Sei que eram publicados e que os li. Também sei que me dei bem com um líder local, era um amigo. Sei que fui a uma reunião, dizer mais ou menos que os skinheads faziam parte da organização, o que não era do agrado dos líderes locais presentes. Sei que arrumei os jornais e continuei a ser como era, uma democrata um tanto marginal, por gostar de conhecer tudo quanto vê à volta.
Pessoalmente tolero a existência de um partido de direita, mais radical, à direita do CDS-PP. Não me reveria nele com toda a certeza, mas a democracia portuguesa deve amadurecer e ouvir ou ler quem não é democrata. Penso, por isso, que o art. 51º, n.º 3, - Os partidos políticos não podem, sem prejuízo da filosofia ou ideologia inspiradora do seu programa, usar denominação que contenha expressões directamente relacionadas com quaisquer religiões ou igrejas, bem como emblemas confundíveis com símbolos nacionais ou religiosos -, não faz sentido num Estado democrático. Se o é, admite a sua própria negação, sob pena de se transformar o país numa sociedade antidemocrática. É pena que assim seja, mas é.
Domingo, 7 de Outubro de 2007
Promessas
Prometi a mim mesma que o faria. Por essa razão vou publicar parte da carta que escrevi ao Director do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social do Porto, em Agosto último. Carta essa que obteve resposta no início de Setembro, conforme solicitado.
Exmo. Sr.
Director do Centro Distrital de
Solidariedade e Segurança Social do Porto
Assunto.: Dívida e crédito
Data.: 11 de Agosto de 2007
Exmo. Sr.
Venho expor o seguinte:
(...)
Dívida
Solicito que seja apurado o montante em dívida à Segurança Social. Peço o favor de não ter que voltar a preencher formulários. A opção por trabalho independente e todas as especificidades que constavam nos dois formulários disponíveis à data em que me dirigi às Doze Casas são perfeitamente ultrapassáveis com os sistemas informáticos operacionais.
Entre 2 de Outubro de 2006 e 2 de Abril de 2007 não fiz descontos por inércia. Ainda não me foi enviada qualquer notificação para liquidação desse valor, o que significa que quando o fosse, teria que liquidar um valor com juros. Isto não é sério. Isto é o que em Direito Penal se chama: furto. Para não correr o risco de eu mesma interpor uma acção ao Estado por furto, o que acharia um exagero, solicito aos serviços jurídicos que procedam à averiguação do montante em dívida e comuniquem esse valor para a seguinte morada:
[retirada a morada]
(...)
Crédito
Resolvida a questão da dívida, cuja solução espero muito breve, solicito que seja apurado o montante a crédito. Por lapso administrativo da Segurança Social e desatenção minha paguei uma quantia muito superior ao valor efectivamente em dívida. Liquidei 1.046,89€. Desse montante constam valores correspondentes ao período que decorre entre Outubro de 2006 e Abril 2007. Ao valor pago há que descontar 479,48€ relativo ao tempo em que não trabalhei e foi contabilizado, resultando um erro no valor de 567,41€.
Junto os seguintes documentos:
Dívida
1. a) Documento comprovativo de cessação de actividade, no dia 14-10-2005;
b) Declaração de dívida de 1.046,89€, recebida em 01-03-2006;
c) Quatro recibos, datados de 09-03-2006, de liquidação em meses que não estava a trabalhar;
e) Comunicação, por escrito, de assinatura de contrato de contrato de trabalho temporário, entre dia 10 e 30-2006, ponto fim a um período de desemprego/Centro de Emprego Porto Ocidental.
Crédito
2. a) Documento comprovativo de Declaração de Reinício de Actividade, no dia 31-10-2006
b) Declaração comprovativo de cessação de actividade, no dia 02-04-2007.
(...)
Com os melhores cumprimentos,
*
Em Setembro recebi uma declaração de dívida, no valor de 298,61€, que reflectia o encontro entre valor a crédito e valor em dívida. Paguei. Assunto resolvido.
Como nota final, acrescento que gostava que o Estado, no caso a Segurança Social, não estivesse à espera que os cidadãos fizessem as contas que o Estado tem obrigação de fazer.
Erros
Adenda: os dezassete textos, escritos neste difícil Verão, passaram para o blogue Forasteirices.
Por lapso apaguei a mensagem "Peixe para Nuestros hermanos". O que estava em causa era o abrir excepções a empresas espanholas, quando é sabido que os pescadores e armadores portugueses têm dificuldade em colocar o seu produto no mercado.
A cola e as novas tecnologias
Adenda de 7 de Outubro: se decidir colocar fotografias ou memórias de viagens que fiz, tenciono fazê-lo no blogue Perípla
Sábado, 6 de Outubro de 2007
Vistas rapidinho
Suíça e Portugal
Teria a sua graça a Suiça dar a mais pequena lição de honestidade a Portugal sobre branqueamento de capitais. Não é a mais valia económica daquele País? Branquear capitais, acolhendo as fortunas de quem quer que seja, incluindo ditadores. Não é a especialidade da Suiça?
Angola e Portugal
As boas relações entre Estados passa por estas dificuldades. O que é preciso é que a União Europeia não governe as relações entre Portugal e Angola. Esse seria o mal maior para ambos os países.
José Eduardo dos Santos
espoliou a população de Angola de democracia e riqueza. Os angolanos sabem-no. De qualquer forma é bom que a União Europeia não tenha a veleidade de imitar a acção dos E.U.A. nestes casos, imiscuindo-se em assuntos de Soberania de Estados. Isto não invalida que eu ache, em nome da democracia, que o homem já devia ter sido posto fora da Presidência pelos seus compatriotas. Mas eu não sou angolana. Só nasci lá.
À segunda vista
lembro que Angola é um País de riquezas naturais, nomeadamente, diamantes e petróleo. Lembro que houve guerra civil até há quatro anos, quando assassinaram Jonas Savimbi, líder da UNITA, e recordo que havendo guerra civil há sempre quem enriqueça com o negócio das armas, dentro e fora dos países em causa. Tal como o enriquecimento com diamantes e petróleo, as alturas de guerra em países ricos, além de mortante são propícias ao esbulho.
À terceira vista
digo que o princípio da legalidade/Estado de Direito é muito elástico. Permite que os Países mais contributivos achem que podem ditar a legalidade de países da própria União - a cada tratado Portugal vai cedendo mais - e começa agora a achar que pode ditar a legalidade de países terceiros, por exemplo, como os países africanos. São caminhos perigosos: o do federalismo e o da reafirmação da Europa no mundo. Mas diz-se que é esse o desígnio deste continente.
Angola, Suiça e branqueamento de capitais
"Suíça ameaça cleptocracia mundial"
"Bloqueados 100 milhões de dólares do presidente angolano.
Que se passa na banca portuguesa, neste como noutros casos de branqueamento de capitais?"
TRANSCREVENDO NOTÍCIA SOBRE O SR. JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS e sua volumosa FORTUNA.
SEM COMENTÁRIOS DA MINHA PARTE! PONDO À CONSIDERAÇÃO DOS LEITORES O ASSUNTO.
"Há dez anos que os tribunais suíços iniciaram um longo processo para bloquear os fundos depositados nos seus bancos por ditadores e políticos corruptos de todo o mundo, cujas fortunas, por vezes colossais, foram obtidas através da espoliação de bens públicos pertencentes aos povos que governam, usando para tal os mais diversos expedientes de branqueamento de capitais. O processo começou em 1986 com a devolução às Filipinas de 683 milhões de dólares roubados por Ferdinando Marcos, bem como a retenção dos restantes 356 milhões que constavam das suas contas bancárias naquele país. Prosseguiu depois com o bloqueamento das contas de Mobutu e Benazir Bhutto. Mais tarde, em 1995, viria a devolução de 1236 milhões de euros aos herdeiros das vítimas judias do nazismo. Com a melhoria dos instrumentos legais de luta contra o branqueamento de capitais, conseguida em 2003 (também em nome da luta contra o terrorismo), os processos têm vindo a acelerar-se, com resultados evidentes: 700 milhões de dólares roubados pelo ex-ditador Sani Abacha são entregues à Nigéria em 2005; dos 107 milhões de dólares depositados em contas suíças pelo chefe da polícia secreta de Fujimori, Vladimiro Montesinos, 77 milhões já regressaram ao Peru e 30 milhões estão bloqueados; os 7,7 milhões de dólares que Mobutu depositara em bancos suíços estão a caminho do Zaire; mais recentemente, foram bloqueadas as contas do presidente angolano José Eduardo dos Santos, no montante de 100 milhões de dólares. É caso para dizer que os cleptocratas deste mundo vão começar a ter que pensar duas vezes antes de espoliarem os respectivos povos. É certo que há mais paraísos fiscais no planeta, mas também é provável que o exemplo suíço contagie pelo menos a totalidade dos off-shores sediados em território da União Europeia, diminuindo assim drasticamente o espaço de manobra destas pandilhas de malfeitores governamentais.
No caso que suscitou este texto, o bloqueamento de 100 milhões de dólares depositados em contas de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola há 27 anos, pergunta-se: que fez ele para se tornar o 10º homem mais rico do planeta (segundo a revista Forbes)? Trabalhou em quê para reunir uma fortuna calculada em 19,6 mil milhões de dólares? Usou-se o poder para espoliar as riquezas do povo que governa, deixando-o a viver com menos de dois dólares diários, que devem fazer os países democráticos perante tamanho crime de lesa humanidade? Olhar para o outro lado, em nome do apetite energético? Que autoridade terá, se o fizerem, para condenar as demais ditaduras e estados falhados? Olhar para o outro lado, neste caso, não significa colaborar objetivamente com a sobre-exploração indigna do povo angolano e a manutenção de um status quo antidemocrático e corrupto que apenas serve para submeter a esmagadora maioria dos angolanos a uma espécie de domínio tribal não declarado?
Na Wikipedia lê-se:
"Os habitantes de Angola são, em sua maioria, negros (90%), que vivem ao lado de 10% de brancos e mestiços. A maior parte da população negra é de origem banta, destacando-se os quimbundos, os bakongos e os chokwe-lundas, porém o grupo mais importante é o dos ovimbundos. No Sudoeste existem diversas tribos de boximanes e hotentotes. A densidade demográfica é baixa (8 habitantes por quilometro quadrado) e o índice de urbanização não vai além de 12%. Os principais centros urbanos, além da capital, são Huambo (antiga Nova Lisboa), Lobito, Benguela, e Lubango (antiga Sá da Bandeira). Angola possui a maior taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) e de mortalidade infantil do mundo. Apesar da riqueza do país, a sua população vive em condições de extrema pobreza, com menos de 2 dólares americanos por dia."
O recente entusiasmo que acometeu as autoridades governamentais e os poderes fáticos portugueses relativamente ao "milagre angolano" (crescimento na ordem dos 21% ao ano) merece assim maior reflexão e, sobretudo, alguma ética de pensamento.
Os fundos comunitários europeus aproximam-se do fim. Os portugueses, entretanto, não foram capazes de preparar o país para o futuro difícil que se aproxima. São muito pouco competitivos no contexto europeu. As suas elites políticas, empresariais e científicas são demasiadamente fracas e dependentes do estado clientelar que as alimenta e cuja irracionalidade por sua vez perpetuam irresponsavelmente, para delas se poder esperar qualquer reviravolta estratégica. Quem sabe fazer alguma coisa e não pertence ao bloco endogâmico do poder vai saindo do país para o resto de uma Europa que se alarga, suprindo necessidades crescentes de profissionais nos países mais desenvolvidos (que por sua vez começam a limitar drasticamente as imigrações ideologicamente problemáticas): Espanha, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega... No país chamado Portugal vão assim ficando os velhos, os incompetentes e preguiçosos, os indecisos, os mais fracos, os ricos, os funcionários e uma massa amorfa de infelizes agarrados ao futebol e às telenovelas, que mal imaginam a má sorte que os espera à medida que o petróleo for subindo dos 60 para 100 dólares por barril, e destes para os 150, 200 e por aí a fora...
A recente subida em flecha do petróleo e do gás natural (mas também do ouro, dos diamantes e do ferro) trouxe muitíssimo dinheiro à antiga colônia portuguesa. Seria interessante saber que efeitos esta subida teve na conta bancária do Sr. José Eduardo dos Santos. E que efeitos teve, por outro lado, nas estratégias de desenvolvimento do país. O aumento da atividade de construção já se sente no deprimido sector de obras e engenharia português. As empresas, os engenheiros e os arquitetos voam como aves sedentas de Lisboa para Luanda. É natural que o governo português, desesperado com a dívida... E com a sombra cada vez mais pesada dos espanhóis pairando sobre os seus sectores econômicos estratégicos, se agarre a qualquer aparente tábua de salvação. E os princípios? E a legalidade?
Se a saída do ditador angolano estiver para breve, ainda se poderá dizer que a estratégia portuguesa é, no fundo, uma estratégia para além de José Eduardo dos Santos. Mas se não for assim, e pelo contrário viermos a descobrir uma teia de relações perigosas ligando a fortuna ilegítima de José Eduardo dos Santos a interesses e instituições sediados em Lisboa (1), onde fica a coerência de Portugal? Micheline Calmy-Rey, ministra suíça dos Negócios Estrangeiros, veio lembrar a todos os europeus que tanto é ladrão o que rouba como o que fica à espreita ou cobra comissões das operações criminosas."
(reencaminhado por M.M.)
Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Tratado Reformador
Indução química
Costumava dizer a amigos, que aos 40 me tornava lésbica. Fazia-o por brincadeira e por conhecer a realidade da homossexualidade a partir de fora. I. e., sou minimamente observadora dos comportamentos sexuais, dos meus e de outros, dos que o permitem. Conheço-me como heterossexual desde que tenho memória de mim e só concebo a minha futura "lesbiandade" por razões óbvias: o cansaço causado pela mentalidade dominante masculina. Sucede que estou descansada por sei que este cansaço só é superado por uma terrível falta de pachorra para a mentalidade dominante feminina.
Traduzindo para bom português para heterossexuais: gosto de homens.
Traduzindo para bom português para homossexuais: sou bicha, gosto de homens.
Do pouco que percebo, o que está em causa, na maioria dos casos, não é a educação ou factores sociais, mas a predisposição química - é o cérebro que comanda as operações -, logo na infância ou nalguns casos já na adolescência, para a heterossexualidade ou homossexualidade. Quanto a induções - manipulações -, químicas trato-as como às manipulações genéticas. No dia em que passar a ser outra, deixei de ser eu.
A praga das listas de espera
Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007
Tubos de cola
Eis um post desnecessário, daqueles que não interessa a ninguém, senão a mim. Um dia talvez digitalize algumas das fotografias para por no blogue Péripla.
O sumário dos Fora do Baralho
Comentários noutros blogues
No Blasfémias acho que não escrevi nada de relevante e não me lembro das alcunhas com que escrevi, senão a cansada. Lembro-me só de ter criticado - no meu blogue -, a defesa da tese dum Portugal mais positivo, sob o aspecto economico, no Estado Novo. Tentei - na caixa de comentários do Blasfémias - colocar uns números para demonstrar o ridículo das afirmações de Pedro Arroja, mas houve logo quem me dissesse que os números que eu colocara eram falsos.
No Do Portugal Profundo, onde costumava, na maioria das vezes, assinar como Isabel Paulos, deixei de o fazer por razões de segurança: para não ser insultada por quem lá se alojava numa defesa completamente imbecil e perigosa do Sr. Primeiro-Ministro. Também é verdade que havia excessos verbais dos que apoiavam a tese do autor do blogue. Ultrapassei a questão assinando como i e Ponto e Vírgula. Aliás já tinha assinado como Ponto e Vírgula há uns anos atrás quando naquele blogue se tratava, com maior incidência, do caso Casa Pia. Mas relativamente ao Primeiro-ministro e com relação ao que escrevi este ano, sei que fiz meia dúzia comentários e tenho memória deles:
lembro bem que disse que o Primeiro-Ministro se apresentou num comício - sobre o aborto -, na qualidade de político e engenheiro.
lembro bem de dizer que, com relação ao seu amigo Morais, estava com falta de memória, precisando de tomar ferro (queria dizer fósforo).
lembro bem que do que disse: lia diariamente a caixa de comentários e por isso realcei aquilo que era dito ou insinuado por outros. Por exemplo, realcei o facto do Primeiro-Ministro ter sido empossado, segundo Diário da República, na qualidade de engenheiro.
lembro de ter questionado as datas dos documentos que a atestam a licenciatura no fim-de-semana
lembro bem que não insultei o Sr. Primeiro-Ministro nem os seus amigos esquecidos, simplesmente acompanhei, na qualidade de i e Ponto e Vírgula as demonstração de facto que o autor de blogue e a imprensa faziam à época.
Se tivesse decidido insultar, às tantas, estaria no meu direito, quanto mais não seja em defesa da verdade, porque que eu saiba estamos num estado de direito e numa democracia. E sabendo que o bom nome das pessoas é para proteger, também sei como quem está no poder é capaz de tentar infernizar a vida de quem faz oposição às falcatruas em Portugal.
Memória do segundo Fora do Baralho
Mais coisa menos coisa, no primeiro post dizia que o Fora do Baralho teria que continuar sem lamechices, com veia ou falta dela.
No segundo, referi um assunto pessoal, afixando uma fotografia de Humphrey Bogart. Houve mais referências pessoais, nomeadamente quando afixei uma pintura de Van Gogh. Conheço o quatro da Amendoeira em flor, e ligo-o a um amigo, que passou por uma situação muito difícil há quatro anos.
Escrevi pelo menos três mensagens sobre a minha opinião sobre o aborto. No primeiro questionava: "que vida" e punha em causa o espírito mais conservador português, no segundo e terceiro usei poesia - de Natália Correia -, para explicar que sou favorável ao aborto por uma questão de princípio: acho que há o direito de escolha e gosto pouco de interferências de médicos ou qualquer outra pessoa, na escolha de deixar ou não desenvolver um embrião ou um feto não desejado, por isso escrevi que a lei devia corresponder à pergunta simples que foi feita no referendo, e não introduzir nuances moralistas, a que dão azo os períodos de reflexão.
Como era habitual, escrevi mensagens e citei jornais sobre a actualidade.
Lembro-me de ter posto em causa o sistema de defesa Iraquiano, uma vez que li que as verbas destinadas à segurança teriam sido desviadas pelo principal responsável pela Segurança Interna. Referi uma sondagem de opinião que indicava que a maioria dos iraquinanos preferiam o estado de guerra actual, ao regime anterior, liderado por Saddam Hussein. Escrevi que gostava de ver a sondagem comentada por aqueles que estiveram contra a intervenção das forças aliadas e não só pelos norte-americanos. Coloquei o título: segurança iraquiana? E disse que gostava que fosse comentado, caso se trata-se de uma sondagem fidedigna.
Encontrei um sítio na net onde estavam contabilizados os satélites por país e fixei-o. Fi-lo porque a segurança dum país pode passar pelo acesso a esta tecnologia.
Citei jornais espanhóis por questões ligadas ao número de imigrantes em Espanha e à nova realidade da Europa: os números de mestiçagem. Falei sobre política interna criticando e concordando com Marques Mendes. Critiquei-o na altura em que propôs um Ministro para as Pequenas e Médias Empresa. O título nesse caso foi: "E um Ministro anti disparate não? Explique-me dizendo: "para que serve o Ministro da Economia?".
Expus as mais do que infelizes declarações do actual Procurador-geral da República, dizendo que os blogues é uma vergonha. E referi, na mensagem seguinte, uma notícia em que alguém - cujo nome não fixei -, alertava para a falta de liberdade dos blogues e as formas como os autores de blogues se deviam precaver de regimes pouco dados a respeitar a liberdade expressão. Os títulos eram, Blogues I e Blogues II. No primeiro caso a imagem estava no YouTube, limitei-me a copiá-la. No segundo citei um jornal.
Critiquei directamente o Primeiro-Ministro a propósito da questão do percurso académico. O título era "Só rindo". E comecei por criticar a questão das alterações feitas no perfil do Governo, quanto às habilitações de José Sócrates. À época, lembro-me do ridículo dessas alterações. Mais tarde informei-me através de outros blogues do que se ia passando nessa matéria e lembro que afixei mais duas mensagens jocosas. O título da primeira era: Esternocleiomastóideu e o segundo Matrioscas (as bonecas russas).
Fixei uma imagem - do youtube -, do filme Casa Blanca, mais uma vez por questões pessoais. E usei uma imagem do google earth para afixar o meu destino de férias no início de Maio: Paris. Quando regressei, com ajuda do youtube afixei uma visita ao Museu de Orsey, com o título: alegria.
No dia 25 de Abril fiz um post, com citações do Presidente da República, do deputado Paulo Rangel e do Primeiro-Ministro. O primeiro apelava aos jovens a não resignarem, o segundo falava da falta de liberdade em Portugal e o terceiro respondeu ao segundo com o termo bota-abaixismo. Esse post expoem ao ridículo o Sr. Primeiro-Ministro.
Concordei com a decisão de Marques Mendes em retirar confiança política ao então Presidente da Câmara de Lisboa. Transcrevi a declaração de Marques Mendes quase na íntegra, para que se percebesse que o que estava em causa era retirar a confiança política e não uma razão de desconfiança, em termos de seriedade, de Carmona Rofrigues. Questionei a forma embaraçada com os vereadores PS se foram "demitindo".
Falei sobre política interna criticando e concordando com Marques Mendes. Critiquei-o na altura em que propôs um Ministro para as Pequenas e Médias Empresa. O título nesse caso foi: "E um Ministro anti disparate não? Explique-me dizendo: "para que serve o Ministro da Economia?". Concordei com a decisão de retirar confiança política ao então Presidente da Câmara de Lisboa. Transcrevi a declaração de Marques Mendes quase na íntegra, para que se percebesse que o que estava em causa era: retirar a confiança política e não nenhuma razão de desconfiança em termos de seriedade de Carmona Rofrigues.
Critiquei a saída do Tribunal Constitucional para o Governo de Rui Pereira e a entrada de José Júdice como mandatário da campanha de António Costa, os títulos eram, salvo erro, Curto período de nojo.
Expus aquilo que a imprensa brasileira e portuguesa referiam sobre o financiamento do Partido Socialista no Brasil. Mais uma marosca.
Não me lembro de tudo quanto escrevi nem de todas imagens que afixei. Recordo algumas, que representam o meu gosto por pintura e pela música. Mesmo que saiba muito pouco de uma e outra.
Usando o You Tube afixei os Doze Estudos Transcendentais, de Liszt. Quando afixei os primeiros quatro não tinha intenção de ser uma crítica do Governo por causa dos inenarráveis estudos para o novo aeroporto. Mas de facto, depois fiz o paralelo. Quem trabalha tem que suar muito, para poucos ganharem com estudos inconsequentes e decisões também elas inconsequentes. E aqui a responsabilidade é dos sucessivos Governos.
Nota: não tenho acesso ao blogue que estou a tentar repor em linhas gerais. É natural que não sendo possível recordar tudo quanto escrevi que me escape qualquer coisa. Vai daí é possível que mais tarde faça uma adenda a esta mensagem.
Adenda: vou republicar aquilo que escrevi segundo Fora do Baralho, no blogue Forasteirices, aqui.
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
Descanso
Sósias/alteração de fisionomia
Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
E agora as notícias
Fico muito irritada quando atingem a polícia portuguesa a partir do estrangeiro. Chamo a isto faro e detesto demissões a pedido. Atentas as irritações não daria uma boa diplomata. Afinal quem manda na polícia portuguesa? Fico com a sensação que são os ingleses. Sim, esses que dizem são muito responsáveis etc. e tal.
Estou enojada, vou dormir para não me repetir mais vezes.
Paciência III
Ninguém a outro ama, senão que ama
O que de si há nele, ou é suposto.
Nada te pese que não te amem. Sentem-te
Quem és, e és estrangeiro.
Cura de ser quem és, amam-te ou nunca.
Firme contigo, sofrerás avaro de penas.
Ricardo Reis, 1932
*
Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul.
Ora é cinzento, negro, quase verde...
Mas nunca tem uma cor inesperada.
O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha.
Não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar os olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussulini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com o teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
«Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela»
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...
José Ferreira Gomes, 1931
Paciência II
A paciência I
A minha vida recomeçou mais uma vez a andar. Estava suspensa no tempo e fui desafiá-lo para poder melhorar. Resumindo, vou comprar casa. A minha.
Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
PSD
Apesar de ter participado, entre os 11 e os 18 anos, em campanhas eleitorais, indo a comícios e chegando a passear-me, na adolescência, por uma sede do partido, nunca me fiz militante. Nem sei como se processa a adesão. Não sei, nem quero saber. Há 15 anos pensava como hoje.
A vida partidária traduz-se num ninho de cobras a lutar pelo poder e quem vota, fá-lo preferencialmente em quem produz mais ruído. Basta ver os antigos congressos para perceber como se produz um líder. O facto de haver directas pode não alterar rigorosamente nada. A sedução dos delegados faz-se agora, como a regras das directas, com sedução de todos os militantes. A diferença podia ou pode - para quem ainda vota e acredita que deve votar, nem que seja em branco, ser marcada por gente que tem credibilidade na sociedade portuguesa, gente em que a generalidade das pessoas confia. Mas essa gente mais credível e mais confiável pode eclipsar-se nos momentos chave com medo de: perder a credibilidade ou simplesmente perder as próximas eleições. Alguns homens e mulheres que tem algum tutano a dar ao País fogem, como o diabo da cruz, por medo do ninho de cobras e do veneno que este produz. Em vez de seduzir é preciso apresentar soluções, falar da vida real portuguesa e não de política partidária. É uma questão de mentalidade que está em causa. É curioso ver como se altera o cenário: num País real de muitos chefes e sub-chefes, e poucos empregados, todos a querer mandar, mesmo desconhecendo as suas reais capacidades de liderança, quando chega o momento de candidatar-se a chefe da oposição, seja em que partido for, algumas das pessoas mais credíveis consentem a mediania. Este é o tipo de coisas que faz de Portugal a eterna cauda da Europa. Quando está no poder um partido que põe em causa direitos fundamentais de muitos portugueses - refiro-me ao PS -, o PSD enfraquece. Dizem que é fado, que a oposição - seja que partido for que esteja no poder -, tem tendência a ser medíocre. Não é fado, é mesmo medo de mandar e assumir a responsabilidade pelo mando. E quando se tem medo de mandar, é melhor dizer à partida que não se gosta de responsabilidades nem se quer aceitar compromissos que exijam um elevado grau de responsabilidade. No blogue estafardanas insultei a mentalidade presente nos partidos - devo ter falado em mentalidade idiota ou qualquer termo semelhante, exactamente por ter algum conhecimento da vida partidária. Não fui simpática, lamento. Mas tenho mau feitio.
É importante dizer que quando refiro credível e confiável, refiro credível e confiável e não qualquer líder produzido por campanhas publicitárias ou de marketing que usam as palavras e imagens para induzir em erro os eleitores. Para ser credível e confiável são necessárias provas. Capacidades de liderança, objectivos claros para resolver problemas do País. Coisas simples que são do conhecimento de gente que sabe o que quer e o que não quer para Portugal. Gente que consegue enunciar prioridades e pensar a longo prazo. Não confundo credibilidade, confiança e capacidade de liderança com concordância pelos ideários de qualquer partido ou com concordância de gente que milita nos partidos. Mas lá que gostava que se falasse bom português, gostava. Sem fados de mediocridade.
Há que perder a mania nacional de concorrer sempre ao primeiro lugar. É que além de ouro, há prata e bronze e muitos outros metais. Na minha modesta opinião, dentro do País, temos sempre a mania que havemos de ser premiados com ouro, quando há outros lugares de pódio para ocupar e corridas por fazer.
Post à moda do blogue Estafardanas
Domingo, 30 de Setembro de 2007
Pedófilia, novo aeroporto e emprego
Pena não ser engenheira. Assim parece que não tenho voto na matéria, mas posso sempre atirar com umas bujardas para combater a inércia portuguesa para pensar no futuro longínquo.
O insulto
O programa de Governo I
1. «o Governo apresentou aqui uma visão para o futuro de Portugal e uma estratégia modernizadora para enfrentar os problemas da economia e do País.»
O que acham os portugueses? Depois de mais de dois anos de governação?
Houve modernização, por exemplo, no sector da justiça? Pergunto isto, porque sem Tribunais a funcionar bem, o investimento de privado é mais difícil. As empresas perdem valor se não puderem contar com um sistema judicial competente e célere. E a decisão de optar por uma economia aberta não é questão que se coloque: está aí. O que é preciso é estimular a economia, reduzindo ao minímo dispensável as intromissões do Estado. E o pior que podia acontecer, acontece: os tempos de espera para gerir conflitos empresariais no Tribunal não são suportáveis numa economia aberta. Se é para continuar na linha que Portugal tem vindo a seguir: a linha da lentidão, perdemos seriamente para terceiros. E os terceiros são Países com economias mais fortes e Tribunais a funcionar. O que é preciso é agilizar os tribunais, moderniza-los.
Houve modernização, por exemplo, no sector da saúde? Os hospitais e centros de saúde - e entidades intermédias, criadas ainda não percebi bem para quê -, funcionam? É necessário que se perceba que os portugueses podem viver em segurança se souberem que podem contar com um sistema nacional de saúde. Se souberem que os seus problemas de saúde têm acolhimento num qualquer espaço hospitalar. É necessário perceber que só se pode contar com a força do trabalho se a mesma estiver devidamente protegida. Há, por todo o País, hospitais e centros de saúde a funcionar correctamente? Com médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, ou estas entidades são um privilégio de alguns: os que vivem nas grandes cidades e vilas e o resto do País é paisagem? O que é preciso é que cada um dos cidadãos tenha acesso célere aos centros de saúde ou hospitais, seja nas cidades, seja no interior. A menos que queiram a desertificação de parte do País.
2. «Um projecto com uma nova política económica. Uma política que assenta num Novo Contrato para a Confiança, capaz de mobilizar a economia para o crescimento e para o emprego; num Plano Tecnológico, que seja uma resposta estruturada, integrada e coerente aos factores que condicionam o nosso desenvolvimento; e, finalmente, uma política que assume um Compromisso de rigor para finanças públicas saudáveis, como instrumento ao serviço de uma economia mais forte, mais dinâmica e mais competitiva»
Há mais emprego, em função do grau de estudos académicos? Ter o 12º anos é garantia de emprego para quem, como? Que contrato é esse? E no caso dos licenciados a mesma pergunta? Alguém em Portugal sabe que consegue emprego se estudar mais anos? O que é preciso é que cada um dos cidadãos tenha acesso célere ao emprego, seja nas grandes cidades, seja no interior. A menos que queiram a desertificação de parte do País.
Se o Plano tecnológico mobiliza o crescimento da economia e para o emprego porque é que há tanto desemprego excatamente em empresas que precisam de pessoas com conhecimentos específicos e altamente qualificados. Há acções do Estado para mobilizar gente para o emprego? Ou é só uma questão de título académico que está em jogo. Os portugueses estão dispostos a ver o desemprego aumentar paulatinamente enquanto o Governo forma pessoas para o desemprego ou emprego precário e preocupa-se com o facto de estarmos a convergir com os valores exigidos pela União Europeia? O que é preciso é que cada um dos cidadãos tenha acesso célere ao emprego, seja nas grandes cidades, seja no interior. A menos que queiram a desertificação de parte do País.
6. «forte sentido de urgência na acção que esteve presente na apresentação do Programa do Governo. O arranque imediato, já esta semana, do programa para a colocação de mil jovens formados em tecnologia e gestão nas Pequenas e Médias Empresas.»
O que pensam os portugueses? Depois de mais de dois anos? Houve, de facto, urgência em formar gente mais qualificada ou não? Os programas do Governo ajudam de facto à diminuição do emprego qualificado? Quais os números dos formadores e formandos? Podemos competir com as economias que nos têm retirado terreno de expansão/crescimento económico? Em que áreas é que surgem os programas de qualificação? Quem é que os paga? Os subsídios na União Europeias estão a ser bem utilizados? O que é preciso é gente qualificada para haver trabalho qualificado.
Sábado, 29 de Setembro de 2007
Notas de diário: visão
Os problemas de visão
Tinha cerca de 10 anos quando a Deonilde percebeu que eu via mal de um dos olhos. Na cozinha, pediu que lesse com olho de cada vez as instruções que estavam no verso da caixa da comida para os meus bicos de lacre. Assim que se apercebeu que não lia as letritas com um dos olhos, alertou os meus pais. Como não via a ponta de um corno pela direita - pode ser a forma bem portuguesa para dizer míope -, os meus pais decidiram trazer-me aos oftalmologistas ao Porto. Não sei onde param os dois primeiros par de óculos, mas sei que nas primeiras consultas me foi diagnosticada: no olho direito 4.50 dioptrias e no direito 0 ponto qualquer coisa no esquerdo, creio que era 0.75 mais ou menos. Certo é que não chegava -1,00. E lembro-me do caricato de após uma consulta, me perguntarem o que é que ia à frente do carro e eu - tapando o olho que via bem - não ver. Era simplesmente um autocarro de dois andares. Bastava destapar o esquerdo para vê-lo muitíssimo bem. E por isso mesmo não sentia a dificuldade em ler, escrever e ter uma vida normal. Via bem de um olho, o esquerdo e tenho uma única sensação anterior ao teste da comida dos bicos de lacre: de ir no carro, numa das habituais viagens a qualquer parte e sentir um nevoeiro de um dos olhos. Não achei que fosse coisa grave, por via bem. O primeiro médico aconselhou-me a comer cenouras e feijão - coisa que felizmente fazia com frequência -, e a não optar pela modernice. Na altura era de facto uma modernice, em Portugal. Não sei onde estão os primeiros óculos graduadas para óculos. Sei que usei óculos por sistema, fora algumas vezes que os metia no bolso para ficar mais gira. Isto até aos 13 anos.
Depois fui a um segundo médico, que aconselhou o uso das lentes dada a diferença entre a visão entre o olho direito e o esquerdo. Lembro-me de na consulta ver numa das máquinas que usavam -, ver um pontinho cor de laranja - que para gente que tem visão normal, era um tractor no meio de um campo. Ao começar a usar lentes soube que a correcção com óculos e lentes é de facto diferente. Quem vê mal, percebe.
As lentes modificaram a forma de ver. Recordo sair do oculista que tinha uma boa técnica e ver tudo mais nítido. Tinha colocado, pela primeira vez lentes de contacto. A sensação de ver a Rotunda - como é conhecida pelos portuenses a Praça Mouzinho de Albuquerque -, com cores bem nítidas: é uma sensação inesquecível. Retomei a compra das lentes nesse oculista há poucos anos. Houve um entretanto em as comprei noutros oculistas. Assim como fui a alguns oftalmologistas diferentes. Em geral o conselho é operar, porque o olho direito - a que chamo olho bom, ficará a 100% . Quanto ao o outro parece ser mais complicado.
Enfim, tenho que voltar a informar-me das opções, por quatro razões: não quero gastar dinheiro e acho que o sistema nacional de saúde tem a obrigação de pagar a cirurgia; subscrevi um seguro médico em que declarei a miopia, tendo ficado excluída a hipótese de ser o seguro a a custear a operação; tenho algum receio que a cirurgia ao olho esquerdo corra mal, ficando assim quase cega.
Ponho a hipótese de tratar do assunto, mas tenho adiado porque nunca o tratei como uma prioridade. Para mim, e para se perceber, a prioridade é comprar casa. Depois disso talvez me inscreva numa lista. É como marcar uma consulta no dentista. É necessária mas não prioritária, apesar das dores ocasionais.
As lentes de contacto
Como ando em arrumações vou guardar quatro frascos de lentes de contacto da Bausche & Lomb e deitar fora todos os outros (sempre da mesma marca). Fico assim com o involucro do primeiro e último par de lentes.
Há três razões para evoluir dos 0.75 e 9.0 em criança para os 4.5 e 12,50 actuais: a passagem do tempo - ou seja a pdi -; a confirmada dedicação, ocasional, à leitura massiva e por último a natural aproximação do olho bom ao mau. Tendência para as diopetrias do olho esquerdo - o bom - ir progredindo no sentido de aproximação do olho direito - o mau.
Vou agora expôr a progressão com ajuda dos frascos que vou deitar fora
1º - 1.50 - 9.00 diopetrias
2º - 3.00 -11,50
3º -12,00
4º - 3,50 - 11,50
5º - 3,00 - 11,50
6º - 3,00
7º - 3,00 - 11,50
8º - 3,00 - 11,50
9º - 3,00 - 11,50
10º - 3,50 - 12,50
11º - 4,25
12º 4.25 - 12,50
13º 4.25 - 12,50
14º 4.25 - 12,50
15º 4.25 - 12,50
O par de lentes que uso custaram este ano 14€ com IVA incluido a 21% . É também razões que os portugueses têm razões para criticar o Sistema Nacional de Saúde. Não percebo porque é que em casos como este, não há isenção de tributação ou pelo menos aplicável a taxa mínima. É que há coisas para os portugueses, tipo pão e saúde, que devem ser respeitadas. Nunca usei das descartáveis nem sei se são aconselháveis. Não usei porque saem mais caras. Mas isso é opção de cada um e presumo que dependa do tipo de doença que cada um sofra: o meu é sobretudo miopia e vontade ou mania de proteger a visão a custo suportável por quem tem pouco dinheiro para deitar fora.
O par de óculos que também uso, porque preciso descansar os olhos, custaram em 2004, 403,71 com IVA a 5% incluído.
Conclusão
Se for hiper realista direi que: com médicos retrógrados e um sistema de saúde incoerente com a nossa lei fundamental não vamos longe.
Se olhar para trás com algum humor, lembro as enumeras situações caricatas em que as mesmas sumiam, deixando-me numa situação ingrata de não ver os amigos ou colegas e de os confundir com outras pessoas A mais insólita deu-se no final dos anos oitenta quando disse num café que tinha perdido a lente e ter colocado alerta uma série de gente, para depois descobrir, volvidos alguns minutos e para minha vergonha que a sacana se tinha alojado no canto do olho.
Os problemas de visão dos outros
A Deonilde, nos últimos anos de vida, teve cataratas, doença habitual em diabéticos. E lembro-me bem de ter que entrar, com maus modos, pelo consultório da médica, para obter o flamigerado P1, necessário à cirurgia. A médica em causa adiou inexplicavelmente - senão pela incompetência - a passagem para a cirurgia e não deve ter gostado da forma de "rompante" como entrei de no consultório nem do tom em que lhe falei. Mas a Deonilde ficou a ver um pouco melhor e isso é o que interessa.
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Cópia ou reprodução - 1987

do Voo sobre campo de trigo, de Van Gogh, foi usada como separador no arquivo de problemas pendentes da segurança social. A pintura também tem utilidades que não se imagina. Neste caso, serviu para as contas e para se perceber que há necessidade de contas bem feitas. Um auxiliar de memória, que não é mais do que um trabalho de liceu.
Dave Brubeck - Take The 'A' Train - YouTube
Gosto disto,
Além do mais, o jazz permite boas leitura em simultâneo. Tenho que passar pela FNAC, mais tarde ou mais cedo, para comprar qualquer coisa. Talvez para a semana.
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Primeiras notas avulsas sobre o desfazamento em Portugal
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É prioritário recomeçar a escrever (aqui), e continuar naquela linha que sabe quem sabe o que é: teimosa com uma mula e relativamente bem informada.
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O essêncial é mesmo a nova morada. Agora vou deixar a visão de alguns assuntos abordados em blogues que apaguei:
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Futebol: não vou perder tempo com disparates, salvo se estiver em causa matéria criminal. Aí não me consigo segurar. Por crime entendo jogo viciado, seja de que forma for, a favor de qualquer clube ou benesses estatais a qualquer clube que desfavoreça outros.
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Política: gostava que alguém do PSD - e já que há candidatos como Marques Mendes e Luís Filipe Meneses -, explicassem quais são as promessas não compridas do actual Governo. Seria muito positivo que o maior partido da oposição fizesse o trabalho de casa se desse ao trabalho de ler com atenção o programa de Governo do PS (2005) e no Congresso, desfizesse uma a uma as promessas não cumpridas. Pode fazê-lo de forma cortês, mas é preciso que o diga para que todos os portugueses entendam.
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Desemprego: gostava que os partidos da oposição fossem claros na demonstração do efectivo desemprego em Portugal. Que distinguissem entre falso desemprego (refiro-me a biscates durante o período em que as pessoas gozam do direito ao fundo de desemprego), e o desemprego à séria. Qualquer um deles deve ser intolerado e o Governo fortemente criticado.
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Funcionalismo público em geral: gostava que a oposição fizesse um ponto da situação ao fim de mais de dois anos e meio de governação socialista. Há mais ou menos empregos efectivos na função pública. Se há mais parece-me que vamos no mau caminho, porque o que País precisa é de empregos no sector privado. E sobretudo um sector privado forte em todas as vertentes e não só no sector dos serviços. É preciso mais emprego na industria e mais emprego na agro-pecuária e pescas.
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Gostava que se falasse com seriedade do Salário médio na função pública e no sector privado. E Salário médio em ambos os sectores dos homens e das mulheres. Gostava que a oposição tratasse destes assuntos de forma séria, para que se consiga perceber se o Governo vai no bom ou mau caminho. É que as crises internacionais não podem justificar maus salários, sobretudo no domínio privado nem diferenças de tratamento entre homens e mulheres.
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Seria positivo que o sector da justiça – que passa por magistrados do ministério público e juízes -, se moderniza-se verdadeiramente para não termos a sensação que em Portugal se vive no século XIX. Não me enganei, quis mesmo dizer XIX. Atentas as demoras dos processos os cidadãos têm toda a razão em achar que nos momentos em que precisam de recorrer à justiça passam a viver desfasados da realidade. E pior, é justificar-se este atraso de mentalidade com: falta de pessoal, falta de tempo, necessidade de tempo para o formalismo e para que erros formais não prejudiquem as sentenças. É puro engano. O que falta é uma mentalidade de trabalho com rigor. A mesma que poderá faltar, por vezes, nas polícias que devem aprender a conhecer melhor a lei de modo a certificar-se que o seu trabalho, por mais positivo que possa ser, não caia por terra nos formalismos da justiça portuguesa.
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Pedófilia: gostava que o julgamento do processo Casa Pia fosse célere e que os culpados e cúmplices fossem presos. Acho que neste caso o Estado Português tem a obrigação de indemnizar as crianças ou adolescentes que sofreram maus tratos ou abusos sexuais, uma vez que era à guarda do Estado que as crianças estavam.
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Acharia bom que todos os que efectivamente trabalham, fizessem descontos para a Segurança Social, de forma a quem daqui a algumas décadas não nos deparemos com o descalabro. Gostaria que a Segurança Social fosse o que o próprio nome indica para todos os portugueses trabalhadores: segurança. Para isso é preciso que a redistribuição seja feita com rigor e que só obtenha essa segurança quem desconta/ou por ter estado a trabalhar.
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Acharia positivo que houvesse uma legislação simples - em código -, sobre os direitos e deveres dos cidadãos portugueses e sede de segurança social. Dos que trabalham, mas também dos que recebem subsídios.
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Parece-me muito importante controlar com extremo cuidado os subsídios ou benesses que são atribuídas em Portugal, seja em que sector for. Porque uma democracia deve ser justa da redistribuição e não permitir que os mais informados recebam verbas que outros nem sequer sonham que existem. É preciso informar os portugueses de forma não enganosa.

