Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Desânimo outonal
Escutas/ Cafunés
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Extraordinário, pá!
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Cocó na Sic Mulher
Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Hoje
Finalmente a menina! (???)
- Olá...
- Então? Já nasceu? (diz a pessoa, olhando para a Madalena, ao meu colo)
- Sim...
- Uma menina, hein?
- Sim...
- Finalmente! À terceira foi de vez!
Ora bem. Porque raio acham as pessoas que eu ando em busca de uma menina desde o primeiro filho? Porque é que dizem isto, como se eu estivesse desiludidíssima com os meus primeiros dois filhos, olha que chatice saiu-me um Manel, olha que maçada saiu-me um Martim, olha que alegria, finalmente uma Madalena? Porque será que imaginam que só tive o terceiro filho para ver se me saía a gaja???
É claro que estou contente por ter uma miúda, é giro, gajos, gajas, há de tudo cá em casa, como na farmácia. Mas daí até pensarem "ufa, ainda bem que a menina veio agora senão a coitadinha ia continuar a tentar" vai uma grande distância. É que é bem possível que ainda venhamos a querer mais um! (Vá, mãe, podes parar de hiperventilar, vai lá tomar um ansioliticozinho, anda)
Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Um café com vista
(Vá, Ricardo, não te zangues. Eu não estou a olhar para o senhor. Estou a escrever, muito concentradinha)
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Martim, o rebelde sensível
O Martim está triste e eu fico a olhá-lo, a dormir com a cara cheia de lágrimas, e penso em como gostava de o poupar, de os poupar a todos, destes e de outros sofrimentos. Seja como for, amanhã vou marcar uma reunião com a nova professora. Não sou daquelas mamãs frenéticas que não deixam os professores imporem regras e limites, que entram em histeria porque a professora se zangou. Nada disso. Mas acho que preciso dizer-lhe que ele está sensível, que o nascimento da irmã ainda não é um assunto completamente resolvido na sua vida, e que talvez seja bom zangar-se devagarinho com ele, até que esteja mais forte, mais seguro de que o amor que sentimos por ele não foi minimamente beliscado com a existência da Madalena. Se ele soubesse como gosto dele... se ele soubesse... se ele soubesse que até dói, dói mesmo, fisicamente, se ele soubesse que dói no peito este gostar... se ele soubesse amanhã ia para a escola muito confiante, e feliz. Mas não sabe. É preciso dizer-lhe, mostrar-lhe, exibir esse amor, e estar aqui, com um colo maior que nunca. Ter irmãos é um grande ensinamento para quem os tem. Uma verdadeira travessia. Mas estou segura de que se sai deste caminho uma pessoa muito melhor.
Bons sonhos, Martim.
P.S: Apesar de, por vezes, termos algumas dúvidas de que o Tim gosta da irmã, este sábado tivemos uma amostra de que sim. Os nossos amigos fingiram que iam levar a Madalena e ele começou num pranto e só parou quando eles pousaram o ovo. Isto vai devagar, mas vai.
SOS Suicídio

Fernando Lima, o homem-sombra do Presidente, verdadeiro emplastro de Cavaco Silva, deve estar à beira de cortar os pulsos. Há anos que Cavaco era a sua luz, o seu farol, o seu sol. O modo enlevado como o olhava dizia tudo. E agora, traído pelo DN, jornal de que já foi director, acabou demitido. A sério. Teme-se o pior. O homem é bem capaz de não passar de amanhã.
Domingo, 20 de Setembro de 2009
Natal em Setembro


Ontem fizemos um jantar cá em casa. Uma feijoada feita aqui pela cocó para os seus amigos recém casados. E o que é que eles trouxeram para sobremesa? O quê? Pois bem, além do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, trouxeram de presente para a cocó este lindo notebook pequenino, HP Vivienne Tam, com apenas 1 quilo, uma bolsa de cetim maravilhosa, um teclado vermelho chiquérrimo, todo ele lindo, lindo, lindo de morrer. É tão fofinho que me apetece dar-lhe beijinhos (ridículo mas verdade). Um presente especial de uns amigos tão especiais, mais conhecidos cá em casa por pais Natal. Já estou a escrever nele, esta é a primeira de muuuuuuuitas prosas que hão-de sair deste grande querido. Espero não desiludir, amigos. Mas cá para mim, com um mimo destes só posso ficar muito inspirada. Obrigadaaaaaa!!!!
Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Prémio
Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
Patrick
Pois é. Estou em falta. Eu ainda não disse nada do desaparecimento deste senhor. E o que veu gostei dele! Este filme marcou-me porque, na altura, namorava com um rapaz que era igualzinho. E que também era rebelde, e os meus pais também não aprovavam (e tanto chatearam que acabei a namorar 8 - OITO! - anos com ele). Depois deste filme, adorei vê-lo na série Norte Sul. Não perdia um episódio.
E agora morreu. É mesmo como se um pedacinho de mim, daquela que eu era aos 15 anos, tivesse morrido também. Ver este pedaço do Dirty Dancing fez-me recuar tanto, tanto... Adeus Patrick Swayze. Que porra termos de quinar.
Dias felizes
%5B1%5D.jpg)
Ontem tive um dia tão bom, tão bom que no regresso a casa até estava com medo de me enfaixar numa carrinha de caixa aberta, tal é o peso da nossa educação judaico-cristã que nos faz sempre pensar: espera lá, se isto correu tão bem, agora vem o castigo, que não há bela sem senão, pensas que é só curtir, não? Era o que faltava.
Por enquanto ainda não me enfaixei em veículo algum e continuo a recordar o dia de ontem. Levei os rapazes à escola às 9h e depois segui com pequena Mada para o meu querido e eterno Pão de Canela. Sentadita na esplanada, abri o meu portátil, consultei o meu email e, voilá, muito boas notícias. Sorri apatetada e comecei a trabalhar. Escrevi dois textos, dei de mamar, almocei com o meu homem que, roído de inveja, foi lá ter. A miúda, sempre embalada pelo meu pé na roda do carrinho, dormiu todo o santo dia. E eu ali fiquei, na esplanada, a pensar, a escrever, a olhar as pessoas que passavam. A Sónia, gerente super eficaz do Pão de Canela e amiga já de longa data, mostrou-me uma tomada que não sabia existir, cá fora, para dar energia ao meu querido computador quando a bateria se foi. Hummmm...
Depois, no final do dia, fui aos Francisquinhos visitar a querida enfermeira Cristina Flores, que ainda não conhecia a pequena Mada. Conversámos, arrancou crosta láctea da cabeça da miúda (não se aguenta sem meter as mãos na massa, aquela querida), foi dando instruções a grávidas e puérperas.
Finalmente, depois do jantar já em casa, foi tempo de ver mais um genial Gato Fedorento esmiúça os sufrágios. Sobre isto escreverei em breve. Para já, dizer que pela terceira vez consecutiva, pequena Mada é deitada no berço aos gritos - e por lá fica, gritando, com as portas fechadas - para que o resto da família consiga ouvir aquela preciosidade. A pequena fedorenta trocada pelo Gato Fedorento. Indecente mas... irresistível.
P.S: Obrigada a todos pelos "tão linda!" com que brindaram a minha filha. Fiquei, obviamente, num estado de vaidade insuportável.
Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
A pedido de muitas famílias...
... é a loucura. Eu prometi a mim mesma que não poria aqui fotos dos meus filhos. As minhas amigas avisam-me contra o mau-olhado, a inveja e eu sei lá o que mais. Mas pronto. Não resisto. Já pus alhos atrás das portas. E a cara dela vai mudar e ninguém vai saber que ela era ela. Pronto. Esta é a minha princesa Madalena, a curtir nas suas férias. Um miminho da Cocó para os seus fiéis.
Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Um amor em que acredito



Eles conheceram-se há pouco mais de um ano. Ela estava mal, tão mal que nós, as amigas, tememos o pior quando ele a foi buscar e ela se entusiasmou toda, tão depressa, como um incêndio ateado em dia de vento.
Desconfiámos dele, torcemos o nariz, fizemos jantares para comentar a velocidade com que ela tinha ido de um estado a outro. Quando o conhecemos, analisámo-lo dos pés à cabeça, à procura de sinais que provassem que se tratava de um malfeitor, a aproveitar-se da fragilidade da nossa querida amiga.
Não foi por mal, Nuno. Só não queríamos vê-la no chão, outra vez. E, sim, duvidámos que pudesse haver um príncipe encantado à espreita para a resgatar, tão depressa. Como disse a João, no casamento, a verdade é que parece que temos medo de acreditar na bebedeira do amor.
Amigos: a vossa bebedeira foi linda e queremo-vos para sempre bêbados.
Os meus amigos Sónia e Nuno casaram na Herdade da Malhadinha no dia 5 de Setembro e, tirando o meu, foi o casório mais fantástico a que já tive a honra de assistir (com o privilégio acrescido de ser uma das madrinhas). De sexta a domingo, os convidados tiveram toda a Malhadinha à disposição. E a cerimónia propriamente dita foi inesquecível, com as emoções todas à flor da pele (até o padre estava comovido, caramba!). No final, os textos escritos pelas madrinhas (a máfia de saltos altos mais a madrinha do noivo) foram amarrados a balões de hélio e voaram pelos ares. Como voaram! Alto e longe. Se alguém os encontrar... acredito que será bafejado por um amor assim, como o deles.
Parabéns, meus queridos. Como vos disse: cá estarei, daqui a 50 anos, para brindar à vossa felicidade. Assim permita o reumático.
Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Já salvaram uma vida hoje?
Pessoas que lêem o cocó e que ainda não são dadoras de medula, peço-vos. Pela irmã da Vanessa, a Nídia, ou por qualquer pessoa que amanhã venha a precisar e que posso ser eu, ou um de vocês: inscrevam-se como dadores! Eu já estou inscrita há uns anos e a minha maior pena é não ter sido ainda compatível com alguém que pudesse salvar.
Ser dador de medula não tem nada de complicado. Se se der o caso de ser comparível, é como dar sangue, não implica cirurgias, riscos, dores nem dramas. É só uma picadinha... que pode salvar alguém. Neste caso... a Nídia.
Como fazer:
Inscrição como dador
http://www.chsul.pt/inscricao_inq.html
COLHEITAS
LISBOA:
Centro de Histocompatibilidade do Sul
Hospital Pulido Valente, Alameda das Linhas de Torres, 1171769-001 LISBOA
Telf:: 21 750 41 00
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Segunda a Quinta-feira das 8 às 16 horas
Sexta-feira das 8 às 15 horas
COIMBRA:
Centro de Histocompatibilidade do Centro
Praceta Prof. Mota Pinto
Edifício S. Jerónimo - 4º piso - Apartado 9041
3001-301 COIMBRA
Tlf: 239 480 700
PORTO:
Rua Dr. Roberto Frias
Pav. Maria Fernanda
4200-467 Porto
Tlf: 225 573 470
Horário:
Aberto das 9 às 17 de 2ª a 6ª feira.
Já viram se vos calha a sorte de poderem salvar uma vida? Já pensaram bem nisso?
Boa sorte, Nídia. Fico a torcer.
Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Fotos de férias II
Fotos de férias I
Madalena contemplando a piscina, devidamente trajada com um fato de banho oferecido pela tia Rute e com um chapéu oferecido pela tia Pipoca.
:(
...
diferentes.
Primeiro foi a adaptação a umas férias sonoras, que a Madalena quando grita não brinca; depois foi habituar-nos a não ficar o dia inteiro a tostar na praia, nada disso, só um bocadinho de manhã e outro bocadinho à tardinha, quando fazia mais frio que calor; a seguir foi preciso que nos acostumássemos a estar separados uns dos outros, um vai para a piscina, o outro fica em casa com a gritadora, um mergulha, o outro fica em seco, um pega ao colo, o outro brinca com os rapazes...
Mas não só. Na segunda semana, o Ricardo recebeu um telefonema. Do outro lado da linha veio uma promoção mas, a par com a dita, veio também o pedido para que o meu homem antecipasse o regresso. Uma facada no coração da gente. Ele não antecipou mas foi três dias para Lisboa (TRÊS), deixando-me com três (TRÊS) crianças, uma das quais super rebelde, outra com um mês de vida e com vocação para a ópera. Sugeri à minha irmã que viesse fazer-nos companhia, mais para ela se divertir um bocado do que por achar que precisava de ajuda. Oh engano! Se não fosse a minha irmã estou em crer que teria dado em doida: a Madalena aos guinchos em permanência, os dois rapazes à pancada, o difícil que é encaixá-los no carro, anda despacha-te, veste um, depois outro, dá banho a outro, mais o jantar, mais o farnel para a praia, o chapéu, os baldes, a bola, a caminha da bebé, quero água, quero ir aos carrosséis, quero o papá... chiiiiiiiiça!
Ainda o Ricardo não tinha voltado e... eu adoeci. 40 graus de febre, dores imensas na garganta, toda pintalgada de branco, dores no corpo. A minha irmã, que ia embora nessa tarde, já não foi. Eu insisti para que fosse, que me aguentava, que o Ricardo devia estar a chegar. Ela não foi e eu, uma vez mais, agradeci. Sentia-me tão mal que quase não me podia mexer. O meu homem chegou e deu com três crianças e uma enferma, de modo que o dia do regresso dele foi passado no centro de saúde, na despistagem da Gripe A, na farmácia. Não, a Cocó não tem a gripe dos porcos, a Cocó só tinha amigdalite à séria. Depois da Cocó foi a vez da minha irmã, coitada. E agora é o Ricardo que está a antibiótico.
A terceira semana foi a melhor de todas. Saímos da nossa casinha em Tavira e fomos para um hotel espectacular em Vilamoura. Mas isso fica para outro post.
Agora... vou ali respirar fundo a ver se me passa esta dor no peito. É que apesar destas férias atribuladas, estamos de rastos porque acabaram. Hoje o Ricardo voltou para dentro do fato, estrangulado pela gravata, para dentro do trabalho, para longe da gente. Saiu de casa há duas horas e eu já estou a morrer de saudades dele. Ridículo? Sim. Sobretudo porque não tarda vamos fazer 10 anos de casados. Já nos devíamos ter deixado destas mariquices.
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Família aos bocadinhos
Este ano as férias são feitas a três, mais raramente a cinco. A Madalena tem 1 mês e a sua pele delicadíssima não se compadece com a nossa vontade de torrar ao sol, de modo que nos revezamos e estamos menos juntos que o costume. É esquisito porque somos muito lapas uns dos outros mas, como disse o meu homem há bocado, antes de sair de casa para ir com os rapazes ver A Idade do Gelo 3, "é um pequeno passo atrás para depois podermos continuar a dar os nossos bons passos para a frente".
A verdade é que me orgulho cada vez mais de nós, da nossa descontracção, da nossa maneira de dar a volta ao texto, do modo como nos adaptamos e readaptamos, camaleónicos como só nós. Chamem-me convencida, cagona, quero lá saber. Gosto de nos ver com uma bebé de 1 mês à beira da piscina, vestida com um fato de banho lindo oferecido pela R., perante o olhar pasmado de todos os veraneantes, gosto quando ela dorme e nos deixa dar abraços debaixo de água. Gosto do modo descontraído com que dou de mamar ao mesmo tempo que janto ou almoço. Gosto quando saímos à noite com ela, porque não há melhor que a acostumar a dormir em lugares diferentes, com barulho, movimento, e porque a vida não tem de parar só porque um bebé aterrou numa casa onde já vive tanta gente.
Agora espero pelas 17.00, hora a que eles vão chegar do cinema, contar o filme, e depois vamos todos à pisicna, rezando para que ela não grite, para que possamos mergulhar todos, como uma família, enquanto ela dorme sossegadita no seu carrinho com vista para o nosso banho. Se ela gritar, também já tenho solução, graças às minhas amigas do departamento comercial e de marketing da Time Out! É verdade, minhas lindas: o sling cála-a, mas cala mesmo. É enfiá-la lá dentro e vê-la a adormecer. Depois só é preciso um cuidado extraordinário na passagem do sling para o carrinho ou para o berço. Se a transfega for feita em câmara lenta e sem respirar é bem possível que ela não acorde e que a vida seja bonita. Obrigada Cris, Rita, Ana e Vani. O silêncio aqui em casa é de ouro, de modo que o vosso presente vale... ouro! Bem, e por falar nisso, já oiço um choro ao fundo. Aí vou euuuuuu..
Domingo, 9 de Agosto de 2009
Raúl Solnado: 1929-2009

Ele foi o meu primeiro entrevistado. Em 1996 ou 1997, já não sei precisar. Sei que ia nervosa mas pouco depois de me sentar no sofá de sua casa descontraí. Eu tinha 22 ou 23 anos e escolhi-o como primeiro entrevistado de fundo, no DNA, por causa da obra, claro, mas também porque achei que um homem com aquele olhar e com aquele sorriso só podia ser boa pessoa. E quis-me estrear com uma boa pessoa. Fiz bem. A intuição não me enganou. Raúl Solnado foi doce, deslumbrou-me com as histórias que contou, com a forma humilde como desvendou a uma miúda a sua vida tantas vezes desvendada. Abriu a alma e falámos umas 3 ou 4 horas. Trouxe muitas cassetes (meu deus, cassetes!) e entrei na redacção feliz.
Quando a entrevista foi publicada, Raúl Solnado ligou-me. Estava emocionado, agradeceu, disse que se revia ali. E isso, para mim, foi tudo. Mas ele foi ainda mais longe. Convidou-me para almoçar e transformou-se no primeiro homem a levar-me ao Gambrinus. Almoçámos, saímos de braço dado pela Rua das Portas de Santo Antão e eu, com 22 ou 23 anos, soube que estava na presença de um homem raro.
Ontem morreu o Raúl Solnado, o actor, o homem que escolhi para a minha estreia nas entrevistas. Ontem, ao ouvir a notícia, senti um aperto no coração como se me tivesse morrido alguém da família. Ser jornalista é também isto: ver desaparecer gente que crescemos a admirar, que tivemos a oportunidade de conhecer, e que, por isso mesmo, se tornam também os nossos mortos. Resta-me o consolo de saber que ele morreu depois de muito ter vivido. Resta-me a esperança de que não seja nunca esquecido. Até sempre, Raúl.
(Quando chegar a Lisboa vou à procura dessa entrevista e ponho-a aqui, para quem tiver vontade de ler)
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Chorar como uma... Madalena (eu sabia que lhe devíamos ter chamado Maria)
Agora, se não se importam, vou só até ali desmoronar.
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Vaquinha obediente

A minha empregada bem me avisou:
- Não diga muito isso! Não ande a dizer a toda a gente que a menina é boazinha, que a menina não chora... há por aí muita gente má, invejosa. Faça o que lhe digo.
Eu ri-me com o aviso contra a inveja alheia e espalhei aos sete ventos que a menina era porreira, que comia, dormia e pouco mais. Pronto. Lixei-me. A menina ganhou goela e agora passa longas temporadas aos gritos, chiça! como consegue uma coisa tão pequena gritar desta maneira, como se todos lhe devessem e ninguém lhe pagasse.
Eu, por mim, pago-lhe em leite e não é pouco. A bicha chega a não ficar mais de duas horas sem comida no bucho, na verdade não sei se é de fome que ela chora, sei que chora e que tenho o que é preciso para a calar mesmo debaixo do pescoço, de modo que levanto a camisola e pumbas, espeto-lhe com a refeição pela boca abaixo, sempre é uma meia hora que tenho de silêncio pela frente.
A maior parte das vezes, porém, é fácil perceber o que tem a pobre. Cólicas, pois então, essas miseráveis que atormentam os pais. Ela encolhe-se, geme, faz-se grená e depois dá corda ao pulmão e grita. E quando resolve gritar, senhores, grita com uma competência de se lhe tirar o chapéu. O que me vale é que dorme de noite como um anjo, ai, chiça!, lá estou eu a gabar o cesto e depois sai-me o cesto furado.
Mais coisas: já voltei ao peso que tinha antes de engravidar, hoje que a Madalena faz um mês de vida. Seria uma grande alegria se fosse um peso bonito, levezinho, mas como já engravidei farta de carnes tenho ainda um longo caminho pela frente. Mas sim, é já um grande feito ter o peso de origem, se bem que, diga-se a bem da verdade, o mérito não é meu. Durante a gravidez nunca tive fome - acho que a miúda estava de dieta já na barriga - e agora que amamento continuo sem apetite. Na maior parte das vezes nem janto mais do que uma peça de fruta. O meu único mérito são as caminhadas, umas feitas antes do parto, e as outras feitas agora, todos os dias, pelo menos uma hora e meia em passo rápido. O próximo passo serão os abdominais, esses odiosos, mas como de quando em vez ainda me dói a costura por dentro acho que ainda vou ficar uma semana longe de tais movimentações de pança.
E pronto. Já está na hora outra vez. Já vou! Já vou, patroa! Aqui a vaquinha-ao-serviço-de-Sua-Majestade está só a postar, que este blog anda uma vergonha! Mas já vou servi-la. Ufa! É mais exigente que qualquer editor que já tive. Até aqui não tenho admitido que me gritem. Agora é o que se vê. Ela guincha e eu obedeço. JÁ VOU, CANÁRIO!!! Tenho de ir. Adeus.
Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Nós, os cinco

Dou de mamar de três em três horas e sinto-me uma vaquinha. A minha filha, às vezes, acaba de encher o bandulho e, cheia como uma bola, começa a mamar-me nos dedos, no pescoço, na cara. Como se já se tivesse esquecido que acabou de comer. É por isso que a rebaptizámos de Dori, a peixinha do Nemo que se esquecia de tudo.
A Dori seria o bebé perfeito se não fossem as cólicas. Às vezes a barriga fica dura como uma pedra e a miúda entra em histeria. Mas eu não me importo muito, desde que continue a dormir 5 e 6 horas de noite, para depois acordar num gemido, mamar e tornar a dormir. Linda, Dori. Linda.
Os manos tiveram diferentes reacções à irmã, como se esperava. O Manel está louco por ela, beija-a e revira os olhos; o Martim... o Martim foi mais complicado.
Na noite em que a Madalena nasceu, a avó e os tios levaram-nos ao hospital. O Manel apaixonadíssimo pela bebé. O Martim em histeria. Não era preciso ser psicólogo para ver como estava descompensado: falava alto, trepava à cama, à mesa, dizia parvoíces, recusava-se a chegar perto daquela coisa minúscula, e nem olhava nos meus olhos. A família entreolhava-se, aterrada com tão exuberante reacção. Nos primeiros dias foi doloroso ver como sofria, o meu reguila. Demorou a dar-lhe uma festinha, demorou um pouco mais a dar-lhe um beijinho, demorou pouco a dar-lhe o primeiro murro na cabeça. Foi preciso esperar e dar-lhe muita atenção, processo que continua. A minha amiga Anabela contou, de resto, uma história maravilhosa. Um casal estava a contar ao pediatra como o filho mais velho estava a reagir mal ao nascimento do irmão. O casal não entendia, afinal tinham preparado tudo tão bem... O pediatra disse uma coisa genial. Virando-se para a mãe, explicou: "Imagine que o seu marido chega a casa e diz: Querida, a partir de agora vem cá para casa uma rapariga mais nova. Continuo a gostar muito de ti, mas pronto. Ela vem e temos de ser muito queridos com ela'. Está a imaginar? Pois bem, é exactamente isso que o seu filho sente." É ou não é perfeita, esta comparação? :)
Não é fácil gerir isto tudo. Nas três semanas em que o pai ficou comigo em casa (bendita nova lei da parentalidade!!!), fomos buscar os rapazes várias vezes ao colégio, e o Martim gostou de mostrar a irmã aos amigos. Numa das vezes, decidimos levá-los ao Funcenter. E se a vida já me mostrou (vezes e vezes sem conta) como não devemos julgar os outros sem saber exactamente como as coisas são, naquele dia tive mais uma prova disso mesmo. Se eu tivesse visto um casal com um bebé com 3 semanas no carrinho, dentro do Funcenter, teria provavelmente pensado o pior. "Que gente maluca, esta". Mas a verdade é que aquele bocadinho no Funcenter foi super importante, sobretudo quando me meti na montanha russa com o Martim, eu que ODEIO montanhas russas e afins, para lhe mostrar que, apesar do nascimento da irmã, eu continuo a ser a mãe fixolas que o acompanha nas cenas dele. Fui o tempo todo de olhos fechados, a fingir que estava muito divertida, mortificada pela bicharoca que dormia no carrinho lá em baixo, apesar do barulho e do mau ambiente, eu a sentir uma súbita hemorragia que me apavorou (o que é que esperava, toda costuradinha, a pegar nos putos ao colo e a enfiar-me em montanhas russas?), mas a verdade é que ele saiu do Funcenter e deu-me a mão, coisa que não fazia espontaneamente desde que a irmã tinha nascido, e à noite quis que ficasse deitada ao lado dele, um bocadinho, antes de adormecer.
Agora, o Tim já dá beijinhos à irmã, e festinhas, e vai sempre à procura dela. Claro que há momentos em que se nota que, se pudesse, o Martim apertava a irmã com mais força que a desejável. Mas, enfim, é um processo. Um processo lixado sobretudo para mim, porque é comigo que o Tim está zangado, e é por isso que tento ao máximo brincar, correr, dar banho à bebé a horas em que eles possam ajudar para lhes gabar o jeito e a ajuda, ir buscar à escola, dar festinhas e elogiar imenso. Não é fácil gerir isto tudo. Sobretudo desde ontem, que o pai Ricardo voltou ao trabalho. Mas que somos uma família divertida, lá isso somos.
E ainda...
Para mim e para o pai foi um momento único, ver a gominha sair da toca. À terceira foi de vez. Obrigada, Cuf Descobertas. Não só por mim, mas por todos os pais.
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Um médico na trouxa da cegonha
Eu até podia ter tido a ideia e não ter encontrado uma rádio que achasse graça e quisesse avançar com o programa.
Eu até podia ter feito o programa na Antena 1 (onde fiz), ele até se podia chamar A Viagem da Cegonha (como chamou), mas podia não ter sido a Ana Rodrigues a grávida que acompanhei. Ou podia ela ter escolhido outro obstetra.
Eu até podia não ter engravidado três meses depois de ter começado a fazer o programa.
Eu até podia ter engravidado e continuado com o meu obstetra de sempre, não fora ele ter-me desiludido cinco vezes em pouco tempo.
Eu podia ter procurado outro médico mas, depois das entrevistas que fiz ao médico da Ana, para o programa de rádio, senti-me próxima o suficiente para lhe ligar com dúvidas e sustos. E ele, claro, solícito e impecável como é, disse que me via, aconselhou-me, ligou no dia seguinte a perguntar como estava.
Se não tivesse valido a pena por mais nada (e valeu, valeu muito a pena por tudo e mais alguma coisa), o programa A Viagem da Cegonha teria valido a pena pelo Dr. Fernando Cirurgião, médico como já não existe outro, trazido na trouxa da cegonha juntamente com uma amiga nova, uma "sobrinha" linda e até uma filha feita por embalo de um programa sobre gravidez.
Que médico é este? Passo a explicar:
Ele seria capaz de acalmar a mais neurótica das neuróticas em crise. Fala devagar, baixo sem ser em surdina, e porém com firmeza. Ele dá segurança e a gente tem a certeza que sabe exactamente do que fala.
Ele parece não ter mais nenhuma consulta depois da nossa e quando nos recebe parece que fomos os primeiros a chegar. E no entanto, não é impossível ser recebido às três da madrugada, tendo as consultas começado logo às nove da manhã. Às vezes, sai do consultório para um parto, volta, segue para um banco no hospital, e continua com um duche de intervalo, como se não precisasse de dormir. E sempre com a mesma serenidade e um sorriso para cada mulher que chega.
Ele sabe ouvir e percebe. Explica o que pode acontecer sem nunca nos alarmar ou sem se deixar cair em alarmismos. Ele defende o parto natural e, no meu caso, foi o único a dizer que sendo difícil não era impossível tentar. E quando me encontrou no bloco operatório, antes da cesariana que teve de ser feita, olhou-me com uma pena sentida. Eu sei que ele estava genuinamente triste por mim, naquele momento.
Ele preocupa-se, ele telefona a saber como estamos, ele está sempre disponível.
As enfermeiras da Cuf disseram que ele era "tão querido", o pediatra dos meus filhos sublinhou que eu estava "em muito boas mãos" quando lhe disse que tinha mudado de obstetra, e basta fazer uma pesquisa no Google para ver como há bandos de mulheres gratas para todo o sempre.
A Viagem da Cegonha podia não ter valido a pena por mais nada. Porque ter encontrado um médico assim já seria recompensa mais que suficiente. Obrigada, Dr. Fernando. Do fundo do coração.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
O parto
Saímos do consultório com a sensação de que ele sabia que alguma coisa ia acontecer. Eu, por outro lado, sabia o que ia acontecer mal chegasse a casa: ia calçar os ténis e andar até cair para o lado. Estava obstinada, é verdade. E quem me conhece sabe que quando obstino... fica difícil fazer-me mudar de ideias.
Assim, saí de casa e andei. Andei, andei, andei. Mais: ao longo do percurso, fui subindo e descendo uns murinhos baixos, subindo e descendo, subindo e descendo. Mais: subi e desci a escadaria do Pavilhão Atlântico 20 vezes. São 27 degraus.
O meu passeio durou duas horas. Agradeci a chuva que me refrescou à chegada a casa. Sentei-me com o meu homem e os meus dois rapazes à mesa e almocei bacalhau com natas. Não comi quase nada, não tinha fome. Na última garfada tive a primeira contracção. Cinco minutos depois outra. Cinco minutos depois mais uma. Deitei-me. Não porque me sentisse melhor deitada mas porque queria ficar quieta a olhar para o relógio na mesa de cabeceira. Não havia dúvida. De cinco em cinco minutos, com uma pontualidade britânica, o meu útero apertava e eu respirava superficialmente, para controlar a dor.
Passou uma hora e decidi ligar para o médico. Ainda hesitei porque as dores não me pareciam tão intensas como outras que senti durante a gravidez e como as que senti no dia do parto do Manel. Eram fortes mas passavam depressa. E mesmo quando estavam no auge eu estava porreira... e feliz. De qualquer modo, resolvi ligar e ele mandou-me para a Cuf. "Soninha, ligue-me assim que for chamada".
A partir daí, entrámos em modo apatetado. Os dois miúdos de repente recambiados para a avó (que mora em frente e acenou da janela), mais uma contracção, as malas vão ou não vão?, Não vão, deixa lá, se for preciso depois vens buscá-las, e outra contracção, o livro de grávida, as últimas análises, e mais uma contracção. Sou franca. Cada aperto do útero era uma alegria. De tal modo que o pai Ricardo nunca acreditou que tivesse chegado o momento. "Não te vejo assim muito aflita... Será que são contracções para valer?" Eram. Mas cada uma era uma esperança renovada de que a Madalena talvez ainda nascesse de parto natural.
A caminho da Cuf (a 1 minuto de carro da nossa casa) disse ao Ricardo: "Então? Não pões os piscas e buzinas? Era o nosso sonho! Agora podemos!" E ele riu-se e buzinou e rimo-nos com o disparatado da cena.
Entrei para as urgências, subi imediatamente para o 2º piso, fui vista por um médico que me fez o toque: "colo mole mas fechado". E foi então que começou a saga: "O quê? Já fez duas cesarianas? Ah, então esta também é, claro!" Expliquei que sabia que era o que tinha de mais certo. Mas que talvez não tivesse de ser, que o meu médico tinha dado o benefício da dúvida à natureza. "Acho que você anda a ler coisas a mais! Isso são americanices!" Tive vontade de lhe dizer que talvez ele é que andasse a ler coisas a menos, mas achei mais prudente calar-me, até porque as contracções estavam cada vez mais fortes. Veio outro médico e novamente a mesma conversa: "O quê? Depois de duas cesarianas só pode ser cesariana!" Ao que eu retorqui: "Se o colo estivesse aberto e a miúda estivesse mesmo a nascer, o que é que fazia? Empurrava-a para dentro só para me poder abrir a barriga?" O médico perguntou se eu sabia o risco que corria, que o útero podia rebentar. Passei-me: "O risco é de 0,5%, e se quiser assino um termo de responsabilidade". Ao mesmo tempo, ia arfando. E fui internada.
O Ricardo foi buscar as malas e sempre que olhava para ele via como estava perdido. Parecia uma barata tonta, ele que é sempre o meu porto seguro. Eu, pelo contrário, tinha o meu momento de euforia. Continuei a acreditar que o colo ia abrir num instante e que quando o Dr. Fernando chegasse a Madalena ia nascer pela porta e não pela janela, como os manos. Vieram as enfermeiras, meteram-me o soro, ligaram-me ao CTG, chegou o Ricardo e, nisto, ele passou-me o telemóvel com uma mensagem. Era o meu querido Fernando Cirurgião, a dizer que com o colo fechado e contracções de 5 em 5 minutos, o mais prudente seria mesmo optar pela cesariana, pelo risco de ruptura na zona das anteriores cicatrizes. Foi um balde de água fria. De repente, as contracções passaram a doer. Não as queria. Se não era para um parto natural, de que me serviam? Tive tanta vontade de chorar. Tinha lutado tanto. Andado tanto. Tinha comigo o único médico que parecia acreditar que era possível e que fez de tudo para me concretizar esse sonho. E afinal...
A equipa estava um pouco histérica. Todos a ligar para o Dr. Fernando, que era urgente, que ele tinha de vir a voar, que nem iam esperar o tempo necessário entre o meu almoço e a anestesia, que o útero ia rebentar, ai de certeza que ia. Anestesiaram-me às 19h. Ele chegou pouco depois ao bloco, olhou para mim com um sorriso triste e disse: "Soninha..." Tive de ser muito forte para não chorar. Consegui. Muito à custa de forçar o cérebro a pensar: "Vais ter a tua filha, vais ter a tua Madalena, não interessa por onde sai, o que importa é que corra tudo bem e que daqui a nada a tenhas nos braços, vá, calma, não estejas assim, triste neste momento, onde é que já se viu, hein? Vá, tanta gente que não pode ter filhos, isso sim são problemas, paciência se não nasce de parto natural... o que importa é que está a chegar a tua filha".
Entretanto, perguntei pelo Ricardo e ele apareceu, todo vestido de verde, com uma máscara. Sorri e esqueci o resto. Paciência. A minha filha, a nossa filha vinha aí. Que se lixasse o como. Importante é que vinha. A Madalena.
Às 19.39, o anestesista baixou o pano verde, inclinou-me a cabeça e olhámos para a nossa menina, enroscada e roxa, a sair da minha barriga. Depois, os nossos olhos cruzaram-se, o tempo parou, e a felicidade foi outra vez tão grande, tão avassaladora, tão perfeita. A Madalena tinha nascido. A Madalena era linda.
Só saí do bloco perto das 21.00. Tinha entrado às 19.00. Tudo porque o Dr. Fernando esteve a costurar laboriosamente o meu útero. Explicou-me depois que fez uma bainha, uma prega, que puxou daqui e esticou dali, tudo para reforçar a casa onde já viveram três para - quem sabe - ainda viver mais um. Tinha-lhe explicado, numa das consultas, que não estava nos nossos planos ter quatro filhos. Mas... e se nos saísse o Euromilhões? E se, de repente, começassem a pagar as minhas reportagens a peso de ouro? E se o Ricardo começasse a ganhar como o Ronaldo? Aí gostávamos de repetir a proeza. O querido obstetra percebeu. Percebeu e costurou, costurou, costurou. Por vontade do outro cirurgião, que o assistiu, tinham-me laqueado as trompas. Lamento. Só a ideia dá-me arrepios. É-me insuportável. É como deceparem um bocado de mim. Não. E assim fiquei, duas horas no bloco, a ser costurada. O anestesista só brincava: "Ó Dr, assine lá esse bordado inglês que isso ainda vai valer dinheiro!"
Depois, fui para o recobro e trouxeram a minha menina.Ficámos a olhar uma para a outra, num namoro quente de quem já se conhece e se ama mas só agora se vê, se olha, se cheira. Esses momentos não deviam nunca sair da nossa lembrança. O meu parto pode não ter sido natural. Mas o amor pela Madalena nasceu natural, animal, brutal. Era domingo. Dia 28 de Junho. E a nossa família ficou (ainda) mais bonita.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Este post é só o primeiro de uma série de posts apaixonados
A Madalena é linda e eu estou louca por ela. Tem umas pestanas longas, uma boquinha muito desenhada e nasceu de sobrolho carregado, zangada para caraças de a terem ido buscar. Nasceu no domingo, dia 28 de Junho, às 19.39, e durante a primeira hora de vida fez jus ao nome que lhe demos. Chorou verdadeiramente como uma Madalena. Eu, que fiquei praticamente duas horas no bloco operatório (porque o meu querido Dr. Fernando Cirurgião esteve a fazer bainhas no meu útero transparente, a reforçá-lo com pregas e a cosê-lo o melhor que pôde, tudo para que a possibilidade - remota - de ter outro filho não nos ficasse vedada), podia ouvi-la berrar e cheguei a desabafar um "Estou tão lixada..." que fez rir o anestesista.
A Madalena é linda e cheira bem. Tem muito cabelo e uma pele clara, o que é uma novidade já que os irmãos nasceram bem castanhinhos. A Madalena tem uns pés enormes com uns dedos enormes. E eu gosto tanto dela que sinto o coração apertado. E beijo-a tantas vezes e esfrego a minha cara na cara dela e nessas alturas sinto-me um bicho a lamber a cria. É incrível como o coração consegue ter tanta gente lá dentro, como uma casa, uma mansão enorme, cheia de assoalhadas.
A Madalena porta-se bem, ao contrário do que o berreiro inicial fazia prever. Dorme e come e só chora quando as malditas (posso dizer putas, se faz favor?, só desta vez?) das cólicas a atacam. E quando atacam ela chora e guincha sem parcimónia, até ficar roxa. Mas eu não me importo porque ao terceiro filho tudo se leva com outra calma e outra descontracção. E porque ela é linda. Já tinha dito?
A Madalena... é a terceira criança cá de casa mas eu podia perfeitamente ficar todo o dia a olhar para ela, sem me cansar.
Os manos estão contentes, o mais velho completamente apaixonado, o mais novo ainda a gerir emoções, ambos aos gritos para ver quem empurra primeiro o carrinho, quem ajuda primeiro no banho, quem pega primeiro nela ao colo.
A Madalena nasceu há uma semana. Parece mesmo que foi há bocadinho que o anestesista baixou o pano e ficámos os dois - eu e o pai - a olhar para o momento em que ela saiu da minha barriga para o mundo inteiro.
A Madalena nasceu há uma semana e já nos é impossível imaginar a vida sem ela.
* A todos os (tantos!) que deixaram comentários no post do pai, muito, muito obrigada. Vocês conseguem comover-me sem eu vos conhecer, o que é esquisito.
Aos amigos que mandaram mensagens e nos visitaram na maternidade e em casa: vocês são lindos! Um beijo especial à Sónia e ao Nuno, que apareceram às onze da noite, no dia do nascimento, com uma garrafa de Moet & Chandon. E ao Gonçalo, grande maluco, que apareceu esbaforido nessa mesma noite, como se fosse um mano feliz da Madalena. Mas os outros todos são queridos na mesma.
Obrigada pelas flores (tantas!), que me fizeram sentir a Amália. E jarras para as pôr? Foi um vê se te avias!
Um grande obrigada à Ana B., de Londres, que sem nos conhecer enviou um medicamento especial contra as cólicas, que já está a resultar.
Um emocionado obrigada aos meus vizinhos de cima, que me apareceram à porta com um inesperado presente para a Madalena. Ela gosta muito da musiquinha de embalar.
Um beijinho à Pipoca, que deu a notícia no seu mega blogue mega visto. E muitos parabéns pelo seu livro que ainda não comprei mas vou comprar.
Um beijo à máfia de saltos altos e aos seus posts maravilhosos (aqui, aqui e aqui).
Muito e muito obrigada à Nana e ao Bin e à minha mãe, que aguentaram as pontas com os miúdos.
Muito e muito obrigada ao meu homem. Mais bombeiro que nunca. Melhor marido de sempre.
Em breve: posts sobre o parto propriamente dito, sobre o médico maravilhoso que uma cegonha me trouxe e sobre outras ocorrências paralelas.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
24 HORAS, JÁ FOI HÁ 24 HORAS…
E apesar de tudo o fazer prever… confirma-se: o amor pelos filhos não se divide – definitivamente multiplica-se.
Já tínhamos tido essa experiência há 4 anos quando o Martim nasceu, mas foi bom existir esta espécie de comprovativo que recebemos ontem às 19h39, através de 3,345kg de uma beleza indescritível.
Eu, pai babado, aqui me confesso apaixonado.
Mais descrições e emoções logo que possível… pela mãe.
Sábado, 27 de Junho de 2009
Auch!
Hoje os planas são: andar, andar, andar. E à tarde... mais um toque, a ver se o colo, que está molinho, decide começar a abrir. E amanhã tudo de novo. Entretanto as contracções começaram, irregulares ainda, mas já é um princípio. Dormir é que... nada. Ontem acordei às 4.30 e não tornei a pregar olho. Hoje acordei às 3 e escrevo este post às 5. Ridículo.
E, sim, consegui estar presente nas duas festas dos meus meninos. Ontem o Martim fez a sua exibição, todo orgulhoso e sempre a dizer adeus à família babada na assistência. Ufff! Confesso que no final até fiquei comovida, quando pensei: Consegui, pá!
Já temos os presentes que a Madalena vai oferecer aos irmãos embrulhados, a minha irmã já foi a uma loja Bagatela comprar um saco de brinquedos pequeninos de 1,80€ cada, para que os visitantes na maternidade "ofereçam" presentes aos dois rapazes. Assim, o dia do nascimento da irmã será lembrado como um dia de festa também para eles. Quando o Martim nasceu fizemos isso ao Manel e deu um resultadão. Aconselho vivamente.
Até lá, vou caminhar pelas ruas de Lisboa, arfando e arrastando-me. Se me virem (sou uma bola com pernas) digam adeus que eu respondo, qual "senhor do adeus". Isto se ainda conseguir mexer o bracinho.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
À Espera
Ontem foi a festa de final de ano do Manel e eu consegui lá estar. A Madalena mostrou-se solidária e lá o vimos, tão fofo, de camisa de xadrez e boina verde, a cantar "Uma Casa Portuguesa" e a jogar Jogos Tradicionais com os amiguinhos. As minhas hormonas também fizeram o favor de se aquietar, de modo que consegui não verter uma lágrima pirosa por ver o petiz em cena, a água manteve-se nos olhos poupando-me ao embaraço, sendo que a única demonstração de lamechice maternal foram os óculos embaciados, por culpa dessas lágrimas ali tão bem contidas.
Amanhã é a vez do Martim. A ver se a Madalena, já agora, me deixa estar presente em mais esta exibição, que o pequenito não ia achar gracinha nenhuma a não ter a mãe a dizer-lhe adeus e a tirar fotografias e a limpar uma lagrimita teimosa, por culpa de uma irmã de quem ele ainda gosta assim-assim, e a quem não deve dar o direito de nascer num momento tão importante para ele. Porém, assim que a festa terminar, Madalena, podes pôr-te ao fresco, se fazes favor. Assim que a festa acabar vamos ter com o Dr. Fernando Cirurgião, e tu podes logo fazer um "cucu" ou apertar-lhe a mão em jeito de cumprimento, quando ele fizer o toque (que, diga-se, feito por ele não custa nada, nadinha, nadinha de nada).
E pronto. Esperar é uma ciência que não domino. Estou para aqui, meia amiba, debaixo deste tempo nublado que me troca os parafusos. Se não for antes, amanhã há notícias, lá mais para a noite. Ando a ver se convenço o super pai a vir aqui postar aquando do nascimento da criaturinha, mas ele enche-se de pudores e diz que o blogue é meu, que não, que coiso, que depois eu posto, e tal. Logo se vê. Agora vou ali ver mais um episódio do Serviço de Urgência, a rezar para que não repitam o de ontem, como às vezes fazem, mas isso dá para outro post sobre os senhores do AXN, que são uns grandes queridos mas que têm coisas que fazem trepar pelas paredes uma pobre pessoa circunscrita ao seu lar.
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Os piores minutos da minha vida
Para mim foi imediato. Deixei de ver pessoas, deixei de ter percepção do meu corpo, do meu espaço, ceguei. Comecei a correr. "Martim!"; "Martim!". O Ricardo não parecia tão desorientado como eu e pediu ao Manel que fosse de bicicleta até um pouco mais à frente, à procura do irmão. Ele foi e voltou de ombros encolhidos. Enlouqueci. Senti que o mundo girava muito depressa. Perdi-o. Nunca mais o vejo. Quero morrer. Martim! Levaram-no. Eu sei que o levaram. Nunca mais o vou encontrar. Então a carta da Torre era isto, era esta morte de que falava a bruxa. Martim!!! Algumas pessoas começaram a aproximar-se: O que aconteceu? O meu filho, perdi o meu filho! MARTIM!!!
O pai pediu ao Manel que voltasse atrás, de bicicleta, à procura do irmão. Pediu-me o telemóvel e disse: "Ele está aqui algures, não deu tempo para o levarem, calma!, vou para aquele lado, já te ligo". Martim!!!
Fiquei como louca, virando-me para um lado e para o outro, escrutinando cada metro com o olhar, Martim!, o Manel a voltar com o olhar vazio, sem vestígios do irmão e eu soube. Soube que nunca mais o via e quis morrer. A aflição não terá chegado a dois minutos mas deu tempo para tudo. Leva-me a Madalena, que eu ainda não vi, ainda não toquei, ainda não cheirei, ainda não eduquei. Mas traz-me o meu Martim!!! Não sei se falava com Deus ou com quem, sei que soube que nunca mais o via e essa certeza deu-me para pensar em tudo: como vamos voltar para casa sem ele? Como vamos sobreviver sem ele? Onde é que o procuro? Martim!!! Quem é que o levou? Que coisas lhe vão fazer, ao meu bebé? Martim!!! Não sei se havia muita gente à procura, acho que vi algumas pessoas, mas tudo girava e eu só conseguia chorar. Vi a cara da Filomena Teixeira, a mãe do Rui Pedro, desaparecido há 11 anos, vi a cara desfeita dela e soube que era assim que ei ia ficar. Louca, numa busca eterna pelo meu filho. Como é que vou viver para o Manel, para o Ricardo, para a Madalena? Como vou fazer para dormir, acordar, comer? Como é que se faz isto quando um filho desaparece? Nisto, o meu telemóvel tocou. Era o Ricardo: "Está aqui! Veio de bicicleta até aqui à frente, estamos bem, vamos já para aí."
Umas senhoras agarraram-me e eu chorava convulsivamente. Sem pudor. Alto. Como nunca chorei na vida. Quando o vi chegar abracei-me a ele e quis metê-lo outra vez na minha barriga, encrustá-lo em mim, para que ninguém, nunca, o pudesse levar de mim.
A sensação de perda foi tão grande que continuo a chorar. Às seis da manhã os meus rapazes dormiam nas suas camas e a minha angústia não passava. Acho que alguma coisa mudou dentro de mim, porque a experiência foi tão real, foi tão avassaladoramente real que é como se, de facto, ele tivesse estado desaparecido. Foram dois minutos. Os piores da minha vida, os mais compridos, aqueles que me fizeram perceber como tudo pode mudar, de repente.
Não deve haver nada mais horrível do que o desaparecimento de um filho. Não pode haver nada pior. Nem a doença, nem a morte. O não saber o que aconteceu, o sentir que foi por nossa culpa, o querer que o tempo volte atrás um minuto, o imaginar de coisas horríveis que podem estar a acontecer. Não deve haver nada pior para uma mãe, para um pai. O Ricardo nunca chegou a pensar em rapto, nem por um momento. Achou simplesmente que o terroristazinho teria pedalado mais depressa. Eu nunca cheguei sequer a pensar nisso. Tive a certeza que o tinha perdido para sempre. Porque, na verdade, acho que estou sempre à espera de perder. Perder aquilo que me é mais precioso. E sei que vai demorar até que esta dor me passe. "Já passou, não foi nada", dizem-me. Eu sei. Mas ainda não consegui voltar daquele instante em que a sensação da maior de todas as perdas me tomou.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Toca e foge ou toca e sai?
Patas no lugar dos pés
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Pumbas!
Ia gorda e feliz. Andei, andei, andei. Na volta, tencionava ir comprar os jornais, seguir para a esplanada de sempre e ficar ali, com o meu sumo de laranja natural, o meu pãozinho com manteiga e as minhas leituras. Estava contentinha e quase me apetecia saltar (o que, além de tremendamente arriscado seria perfeitamente patético). No momento seguinte, voei. Um pé posto em falso e lá foi a Maria gorda de joelhos ao chão. Sangue por todo o lado, pedrinhas encrustadas no joelho esquerdo, um dedo todo lixado, e uma mão e um cotovelo. Dores, dores, dores. A barriga safou-se do embate mas o resto estava uma lástima. Não me conseguia mexer e eis que vi um carro da polícia parar. Saíram 3 senhores agentes, amorosos, que me içaram (a palavra é mesmo essa - içaram), que insistiram para me levar ao hospital, que acabaram por me dar boleia até casa, a dois quarteirões.
O Ricardo, coitado, acordou com a campainha e comigo do outro lado da porta, sangue a escorrer por sítios vários, a morder o lábio e a pedir desculpa. "Não te queria acordar mas... caí". No momento seguinte, lá estava ele, o meu bombeiro outra vez de serviço, com compressas e Betadine, ele que nem sabia que eu tinha saído de casa para uma das minhas caminhadas, a rogar pragas às Fly, "Mas quem é que se põe a andar, grávida, em cima de umas tamancas desta altura???"
E pronto. Agora saio de casa para andar, com as patas enfiadas nuns ténis, muito menos elegantes e giros, mas mais à prova de mulher redonda em busca do equilíbrio suficiente para se manter de pé.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Oooh, obrigadinha

Oooooooohhhh! Eu já recebi algumas vezes estes miminhos. E até já cometi a má educação de receber e não pôr aqui no blogue, não por má educação mas por manifesta falta de tempo, que isto ainda dá trabalho: copiar o ícone do prémio, escolher blogues, ler as regras, avisar as pessoas, uffffff. Mas desta vez estou de baixa, sou uma mulher redonda à espera, e com tempo livre de sobra, e quem me atribuiu este selo é uma querida! Por isso... cá está.
As regras são:
1 - Colocar o selo no meu blogue. (done)
2 – Indicar 10 blogues no feminino que eu adore:
- a gata, a pipoca, a perante o riso geral (apesar de ficar séculos sem escrever, o que é uma seca), a eterna rititi, a muxy-muxy (e quero lá saber que tenha sido ela a nomear-me, eu teria sempre que a nomear!), a coisas que tal, a luz, e estou cansada e não me lembro de mais assim de repente, e desculpem, sim?
3 – Informar os blogues indicados que receberam o selo (não peçam tanto a uma mulher rotunda, tá?)
4 - Dizer cinco coisas que adore na minha vida e porquê. Então: O meu homem, porque é a minha âncora, a minha raiz, a minha força, a minha vida. Os meus filhos, porque são a descoberta do amor mais incondicional e perturbador de toda a vida e porque nada interessa se eles não estiverem felizes. O meu trabalho. Há alturas em que o odeio, em que acho que estou farta de ser jornalista, em que juro que se me saísse o Euromilhões não escrevia nem mais uma linha. Mas depois... depois enfio-me numa história e os meus olhos brilham e eu só penso naquilo e é bom. A minha casa. Adoro o sítio onde fica, adoro passear junto ao rio, adoro meter a chave na fechadura e sentir que cheguei ao meu ninho. E é isto.
Nota: Estou rabujenta, impaciente, hormonalmente instável, irascível, chorona. Tenho sono, tenho calor, tenho fome, estou enjoada, tenho mau feitio. Obrigada pelo selo fofinho. Mas não me sinto propriamente merecedora, neste momento. Neste momento sou uma pessoa má.
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
A minha experiência com "bruxas"
Bom, dizer que a senhora acertou em tantas coisas que eu comecei a ter vontade de fugir: que andava à procura de uma casa para comprar perto da praia (eu andava à procura de casa no Algarve), que tinha acabado de mudar de emprego e que ia fazer algo que nunca tinha feito (tinha acabado de me mudar do Diário de Notícias para a Time Out, e pela primeira vez ia ser editora), que tinha dois filhos... enfim, bingo, bingo, bingo.
A páginas tantas, perguntei-lhe se iria ter mais um filho. E ela lançou as cartas e disse que sim. Mas... a carta que se seguiu significa Morte ou qualquer coisa muito bera (acho que era a Torre). A senhora ficou com uma cara crispada, titubeou que nem sempre aquela carta quer dizer morte, tossiu, engasgou-se.
Eu saí de lá bem disposta e a achar que, apesar de tudo, havia de haver ali uma marosca qualquer. Mas... desde que engravidei da Madalena que há um nózito parvo na minha garganta. E se? E se a senhora dona bruxa tinha razão e a miúda quina? E se sou eu a quinar? De modos que, agora que o parto se aproxima a passos de gigante, dou por mim um nadinha à rasca. Não penso nisso todos os dias. Mas de vez em quando dá-me para pensar. E aí fico angustiada. E é por isso que, pelo menos enquanto me lembrar deste stress, não vou voltar a senhores adivinhadores. E espero, sinceramente, que esta se tenha enganado.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Sem Título
A minha mãe acaba de se meter num avião para uma semana de férias na Croácia.
(Depois explico porque perguntei sobre as bruxas. Hoje... hoje não.)
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Que las hay...
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
O pior de estar em casa...
Entretanto, dizer que o bebé morreu porque deu um nó no cordão umbilical. E o pavor que isto deixa numa grávida? E a pontaria de ligar a televisão e ver esta porra?
Vou mas é continuar a dormir.
Domingo, 7 de Junho de 2009
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
É PÁ, A SÉRIO...
EU NÃO DISSE QUE AS CRIANÇAS HIPERACTIVAS SÃO MAS É UMAS MAL EDUCADAS!
EU NÃO DISSE QUE AS CRIANÇAS HIPERACTIVAS PRECISAM É DE PORRADA!
EU NÃO DISSE NADA DISSO!!!!
O QUE EU DISSE FOI QUE ESTA CRIANCINHA EM CONCRETO, QUE PARTE TODOS OS PRATOS DA MESA PORQUE NINGUÉM A CONTRARIA, ESTA CRIANCINHA ESPECIFICAMENTE É MAL EDUCADA E NÃO HIPERACTIVA!
O QUE EU DISSE É QUE, HOJE EM DIA, HÁ MUITOS CASOS DE MÁ EDUCAÇÃO E TRAQUINICE QUE SÃO LOGO ROTULADOS DE HIPERACTIVIDADE!!!
EU SEI QUE HÁ PAIS QUE SOFREM.
EU SEI QUE HÁ REALMENTE CRIANÇAS HIPERACTIVAS.
MAS EU NÃO ESTAVA A FALAR DESSAS!!! SIM? VAMOS TORNAR A LER O POSTZINHO? SIM?
CERTO?
HUM?
É DO TEMPO, NÃO É? PRIMEIRO CALOR, SOL, DEPOIS CHUVA...
E ESTÃO A PRECISAR DE FÉRIAS, NÃO É?
VÁ... ESTAMOS EM JUNHO... ESTÁ QUASE.
E A SEMANINHA QUE VEM, HUM? TANTO FERIADO...
PRONTO.
JÁ PASSOU.
CÁ BEIJINHO.
CÁ FESTINHA NA CABEÇA.
CÁ ABRACINHO.
(chiiiiiiiiiiiiça!)
Eu dava-te a hiperactividade
- Ah, eles coitados têm um filho hiperactivo.
Sempre que oiço isto dá-me vontade de rir. Hoje, todos os putos são hiperactivos. Não há putos simplesmente inquietos, desassossegados, traquinas. Não! São hiperactivos e têm de ser medicados, seguidos, cuidadosamente acompanhados.
Ainda assim, continuei:
- Ai sim? Então e é hiperactivo porquê?
- Acho que chega a um restaurante e pega nos pratos, de uma ponta da mesa à outra, e atira-os para o chão, estilhaçando tudo.
Interrompi a viagem que o garfo fazia do meu prato à minha boca. E assim fiquei, boquiaberta e imóvel.Só consegui responder:
- Tem piada. No meu tempo a isso chamava-se má educação. Nada que uns bons castigos ou uns bons aconchegos no rabo não resolvessem. Hoje a isso chama-se hiperactividade? Porreiro pá.
Carta aberta a S. Pedro
IMPORTAS-TE DE ME EXPLICAR O QUE É QUE TE ESTÁ A PASSAR PELA CABEÇA PARA MANDARES CHUVA EM JUNHO???? HEIN? VAMOS TER OUTRO VERÃO DE CACA COMO O DO ANO PASSADO? ESTÁS COM DIFICULDADES EM LEMBRAR-TE DO QUE SIGNIFICA PRIMAVERA E VERÃO???? CALOR, SOL, NOITES ABAFADAS, T-SHIRTS E TOPS E SANDÁLIAS, HUM??? RING A BELL?
Livra-te!
Há por aí uma estúpida expressão que as pessoas usam e que é: "Chorar como uma Madalena". Ora bem, isto não significa que TODAS as Madalenas chorem como bezerras, ok? A expressão não passa disso e não te dá nenhuma legitimidade para te pores aos gritos desde que nasces até ao primeiro ano de vida, sim???
(É que ontem ouvi a expressão e fiquei gelada. Tu queres ver que ela ainda leva isto à letra? Tu queres ver que tenho de lhe mudar o nome outra vez?)
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Madalena report... e veias a rebentar (não aconselhável a pessoas mais sensíveis)
A Madalena ainda não está apertada no seu T0. Tem muito líquido amniótico, de modo que ainda dá boas braçadas, a placenta que a alimenta está jovem, o fluxo sanguíneo e os batimentos cardíacos não evidenciam nada mais que tranquilidade na sua casinha.
Ontem soubemos isto, que a Madalena está bem e recomenda-se, e soubemos que a minha anemia chegou ao limite e, por isso, hoje tive de ir ter com o Dr. Fernando Cirurgião ao Hospital São Francisco Xavier, para levar ferro por via endovenosa. Foi uma bela porra. Eu avisei que as veias das minhas mãos rebentam. Eu avisei. Mas a enfermeira estava confiante. Virei a cara, ela espetou, doeu para caraças e... claro: a veia rebentou.
- Ah! Rebentou!
- Pois. Eu avisei.
A seguir veio outra enfermeira. Todas super simpáticas, nada a apontar, o mal é mesmo das minhas veias.
- Então vamos lá.
- Olhe que rebentam sempre.
- Agora não vai rebentar.
Virei a cara, ela espetou noutro sítio, doeu para caraças e... claro: a veia rebentou.
- Ah! Rebentou! Xiiii! Está a inchar! Mas que grande batata que aqui está!
- Pois. Eu avisei.
E lá tiveram de espetar no braço e lá fiquei quase 2 horas, de CTG armadilhado na barriga e ferro a entrar no braço.
No final, já tinha um penso no braço e guia de marcha para me ir embora quando senti a mão molhada, o braço molhado. Havia sangue no chão, na minha camisola, no braço, na mão... A última veia tinha decidido escarrapichar também. A prova de que, efectivamente, não há duas sem três.
Vim para casa, toda furadinha, o braço negro, a mão negra. Pus gelo, vi um episódio da Anatomia de Grey e gemi baixinho, que também tenho direito a momentos de mariquice. O meu querido médico diz que poderei ter de levar outra dose. Espero sinceramente que não. Veias a rebentar não é a minha cena. É uma mania, pronto. Odeio - odeio muito - veias que rebentam.
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Quando os umbigos e os narizes falam
Hoje foi o nariz que triplicou.
Quer-me parecer que este umbigo e este nariz falam por si. De qualquer modo, hoje à noite temos médico. A ver se ele confirma o que umbigo e nariz parecem estar a gritar.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Spoil

Há três semanas fomos os cinco fazer uma sessão fotográfica com a Spoil. Foram duas horas super divertidas, com a fotógrafa Inês Ângelo a deixar-nos completamente à vontade, e nem os miúdos se chatearam com o veste-e-despe, nem com os sorrisos, nem com as poses, nem com nada. Fiz fotos sozinha com a minha barriga, com o Ricardo, com os miúdos, com o Ricardo e os miúdos. Mas também há fotos só deles, do pai com eles, em fundo branco, em fundo preto, de maneira que temos um portfolio espectacular (mais de 500 fotos!) e já decidimos que quando a Madalena já andar voltamos para mais uma dose.
Adoro a Spoil, a sério! Aconselho a toda a gente.
As fotos que aqui deixo foram assassinadas por mim, para não se ver o nosso palminho de cara, que a minha gente não tem culpa que me dê para ter um blogue, e nenhum deles pediu para ser conhecido. Mas posso garantir: estamos todos liiiindos!
Seja Gémeos, obrigadinha!
Sábado, 30 de Maio de 2009
Gémeos
Ora... eu não tenho uma grande impressão dos Gémeos. Quer dizer... a minha irmã, que eu adoro de paixão assolapada, é Gémeos. E eu não deixo de a adorar. E nem acho que tenha assim um feitio tão insuportável. Não é uma miúda fácil, mas a verdade é que sempre o atribuí a outras razões, mais do que ao signo. Só que não têm conta as pessoas que me reviram os olhos sempre que digo que a Madalena será Gémeos, como se a miúda me fosse sair muito próxima do demo.
Por isso, Gémeos que lêem o Cocó, por favor, digam de vossa justiça! Defendam-se. Descrevam as vossas qualidades extraordinárias. Convençam-me, no fundo, a não meter uma rolha aqui na porta de saída, para a miúda me sair só a partir de 21 de Junho e ser um dócil Caranguejo.
Afinal, os Gémeos são boa gente, ou quê?
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Secos e molhados
Este é o grande paradigma que marca a grande diferença entre mim e a minha mãe. Naquela cena ela viu falta de regras... e doença. Constipação, gripe, pneumonia, até. Eu, pelo contrário, naquela cena só vi felicidade. Liberdade. Prazer. Se não for agora, aos 4 anos, quando é que ele vai deixar-se encharcar por um sistema de rega? Às vezes acho que um dos grandes problemas dos pais é quererem que os filhos se comportem como adultos em miniatura. E confundem educação com castração. Felizmente, julgo não sofrer desse mal. E assim, deliciados, eu e o Ricardo ficámos a ver o Martim a dançar com a roupa colada ao corpo, e o Manel com as mãos na cabeça, a olhar para nós em busca de aprovação ou censura. Sorrimos-lhe como que a dizer: vai tu também, força! E ele foi, com aquele sorriso de quem está a cometer uma infracção consentida.
Que belo fim de tarde.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Querida Madalena:
Mas a natureza é realmente extraordinária. E tem tudo preparado para quem, como eu, amava à distância, num amor platónico relutante em passar à prática. A natureza sabe como dar a volta ao texto. E é assim que me encontro agora com um feitio difícil de aturar, há várias noites sem pregar olho, com fanicos sucessivos durante o dia, sem posição para estar, de pé não que me canso, sentada não que me farto, deitada nem pensar que sufoco. É assim que tudo me custa como se fosse obesa mórbida (e só engordei 9 quilos), que cada perna parece pesar toneladas, que o sono me tira discernimento e inteligência, que me falta a paciência para tudo e para todos, que me enraivece perder o fôlego só por apertar os sapatos, que me dá vontade de chorar sempre que os rapazes me pedem para saltar ou correr e eu pareço um cão asmático e tonto, um mata-borrão inútil que deita os bofes de fora só porque mexeu os olhinhos.
Não me interpretes mal. Continuo a adorar estar grávida, continuo encantada com este estado mágico, continuo a sorrir para dentro quando, a meio de uma entrevista, me dás um daqueles pontapés violentos e só eu e tu é que sabemos que, além da conversa que se ouve, há outra comunicação em curso. Continuo a sentir-me especial, continuo com a certeza que vai ser doloroso não voltar a engravidar, porque por mim repetia a dose mais não sei quantas vezes, fora eu rica e com um útero menos costurado que este.
Mas a verdade, Madalena, é que hoje eu tenho pressa de te ver. De te conhecer. De te tocar. De ver a tua cara, de procurar semelhanças comigo, com o teu pai, com os manos. Hoje, os teus movimentos na minha barriga são mais penosos que deliciosos, porque estás grande e pareces um alien que vai sair pelo umbigo fora. Hoje imagino-te aqui em casa, sim, mais um, a gente cá se há-de arranjar, e os manos, que giro, como é que eles vão reagir a ti, como é que tu vais reagir a eles? Hoje, eu sinto-me fraca, sem energia, sem capacidade para atravessar a estrada quanto mais para acumular projectos, que é coisa de que tanto gosto. Hoje, o teu quarto parece-me monótono sem ti, já chega de berço vazio e fraldas à espera e vestidinhos por estrear.
Por isso, olha... podes vir. Se os pulmões já estiverem madurinhos, se já te apetecer vir cá para casa, se te sentires com coragem de enfrentar aqui os matulões, anda. Já fazes parte da família, os rapazes não falam de outra coisa, as malas estão à porta, a Cuf escreveu hoje a confirmar que o pai pode lá estar comigo, ao meu lado, à tua espera. Por isso, olha... vem. Tens aqui vários colos bons e acho que vais gostar de nós. Nós? Nós já gostamos de ti.
Família de (pouco) acolhimento
A minha dúvida, agora, não tem nada que ver com o "caso Alexandra". É uma dúvida geral: Porque raio não podem as famílias de acolhimento acabar por adoptar as crianças que acolhem e com quem estabeleceram laços? É que não podem! Ou seja: uma família decide ser família de acolhimento. Pronto. Pensa: Ok, vamos ajudar esta pobre criança a não estar enfiada numa instituição e vamos aqui mostrar-lhe o que é uma família. Tudo começa assim, sem grandes ligações afectivas e tal. Mas depois, com o tempo, todos criam laços fortes. E esta família pensa: "é pá, e se a gente adoptasse esta criança, que é já como se fosse nossa, no nosso coração?" E depois vai-se a ver e não podem. As famílias de acolhimento não podem adoptar aquela criança que acolheram. Mas isto faz sentido para alguém? Alguém consegue explicar-me porquê, que eu não estou a chegar lá? Então é melhor para a criança ser abandonada duas vezes? Pela família de origem e pela família de acolhimento? É o quê, isto? Um jogo? O jogo do "vamos lá ver quantas vezes conseguimos destruir a vida a este puto?"
Muito agradecida a quem me guie nas teias desta lei que não entendo. Muito agradecida.
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Alexandra
Ontem eu não queria ter visto no documentário a mãe a açoitar violentamente a criança, apenas porque ela disse que queria ir ter com a irmã Valéria (de Portugal), desejo mais que compreensível e que permanecerá seguramente por muito tempo.
A Alexandra está há uma semana na Rússia e já apanha tareias. A Alexandra ainda está a aprender que aquela é a sua nova mãe e já é castigada como se as duas tivessem uma relação inquebrável. E o pior: tudo isto se deu à frente de uma câmara de televisão, de jornalistas que faziam o documentário. A pergunta é: o que fará aquela família quando não houver câmaras por perto?
Não pensei que, tão pouco tempo depois da Esmeralda, houvesse outra história em que o "superior interesse da criança" viesse assim partir-me o coração.
Correcção: A Valéria é, afinal, a irmã russa. Um anónimo feroz instou-me a ser mais correcta com a informação. E eu, cheia de medo e obediente, aqui estou. Mas tenho a dizer o seguinte: se a mamã lhe dá pancada porque a menina pede para ir ter com a irmã russa (também sua filha), o que lhe fará quando a criança lhe pedir para ver ou falar com a família portuguesa? Nem é bom imaginar.
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
O Manel
Mas há uma coisa que ele tem que eu nunca tive e que nem sei como designar. Para o irmão ficar feliz e contente, o Manel dá-lhe um comando da Playstation e faz de conta que está a jogar PES (Pro Evolution Soccer) contra ele. Até aqui, tudo normal. O que é extraordinário é que, às vezes, o computador ganha ao Manel. E o Martim, que pensa estar a jogar, acredita que venceu o irmão mais velho. E grita pela casa: "Ganhei! Ganhei! Ganhei! Toma-toma-toma!"
Se eu fosse o Manel, não creio que conseguisse aguentar. Acho que lhe dizia: "Achas? Tu achas realmente que me ganhavas a isto, puto? Cresce e aparece! Tu nem sequer tocaste na chicha, meu menino!" Mas o Manel... não. Olha para o irmão, sorri, e diz: "Boa, Martim! Boa!"
É duro admitir, mas há coisas em que o meu filho de sete anos consegue ser mais maduro que eu.
Anatomia de Sloan

Este senhor é médico, numa das minhas séries preferidas, postadas aqui em baixo. Chama-se Eric Dane, mas para mim é o Mark Sloan. E ainda bem que não é o meu médico, porque ter tensão alta é grave, sobretudo na gravidez. O meu homem não vai gostar deste post, mas hoje está um dia feio, acordei com cara de segunda-feira (apesar de estar de férias) e apetecia-me um colírio para a vista. Afinal, sou casada e feliz mas continuo a ter olhinhos na cara. E bom gosto. Pronto.
Séries
- Anatomia de Grey
- O Sexo e a Cidade
- Serviço de Urgência
- CSI
- Balada de Hill Street
- O Justiceiro
- Modelo e Detective
- Dempsey & Makepeace
- Verão Azul
- Macgyver
- Norte/ Sul
- Miami Vice
- Fama
- Seinfeld
- Alô Alô
- Tudo em Família
Ops! Já estão 16. Cá estão eles, Gata. Com atraso mas... cá estão eles. :)
Domingo, 24 de Maio de 2009
Cum catatau!
Disto nunca eu tinha visto na televisão. E assim fiquei, de mão a tapar a boca e olhos arregalados. Muito bom! Só faltou andarem à chapada, mas não duvido que isso ainda venha a acontecer no Jornal Nacional da TVI, à sexta.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Há Ovar, há ir e voltar
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Ovar ou desovar, eis a questão
Será que acabo a desovar... em Ovar?
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
9 anos

Hoje faz nove anos que casámos.
Hoje faz nove anos que a minha vida mudou para melhor. Tão melhor.
Hoje faz nove anos que disse que sim, queria ficar contigo para sempre.
E hoje, nove anos depois, tenho ainda mais a certeza desse sim.
Ontem fomos passar a noite ao Penha Longa Hotel & Spa. Jantámos no AssaMassa, uma trilogia de sabores inesquecível. Dormimos numa suite extraordinária.
Hoje começámos o dia no Spa. Uma massagem para cada um, o corpo a agradecer, a alma a ficar leve, levezinha. O almoço à beira da piscina. E nós apaixonados, abraçados, no meio da inspiradora serra de Sintra.
É tão bom e tão raro que nove anos depois se sinta o que nós sentimos.
É tão bom e tão raro que tenhamos, ainda, a mesma vontade de adormecer a olhar um para o outro, como se nos tivéssemos descoberto ontem.
Hoje faz nove anos que casámos.
Se os próximos nove forem tão bons como estes primeiros... serei a mulher mais feliz do universo.
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Novos desafios? Sim...
Quando uma mulher fica temperada
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Vá, chamem-me piolhosa
Riam-se, vá. E os que destilam bílis contra o cocó podem, enfim, chamar-me piolhosa, que não poderão ser processados por difamação. É que, efectivamente, só o pai não atraiu bicho. Bom, e o Manel pouca coisa. O Martim era o centro do problema e eu também fui vítima desta porcaria. Riam-se, riam-se. Pode ser que um dia seja a vossa vez. E olhem que não é bonito, champôs a cheirar a creolina e pentes finos na cabeça. Confesso que tive vontade de chorar. Mas o bom comportamento do Martim, quietinho a deixar-se catar como um macaquito, ajudou a controlar-me.
Lavámos lençóis, roupas, sofás. Deitámos spray como se a casa tivesse gripe H1N1. Daqui a sete dias repetimos a dose.
Ser mãe também é isto. Ninguém disse que era fácil.
Domingo, 17 de Maio de 2009
Alô? Procura-se Sílvia Neves
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Apelo
Se sim, por favor, deixem aqui o testemunho.
NÃO, NÃO SOU EU QUE PRECISO DE SEGUNDA OPINIÃO! ISTO É PARA UM TRABALHO!!!
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Era uma casa muito engraçada...
Bom, a Madalena está boa e gorda, pesa cerca de dois quilos e trezentos gramas, e tratou de tornar a esconder a cara com as mãos, como já tinha feito na anterior ecografia, dando a entender uma personalidade filha da mãe, já que timidez não há-de ser, que um tímido não pontapeia com a convicção com que esta criaturinha, apesar de tão pequena, o faz.
Quem não está tão fina é esta que vos escreve, anémica e pardacenta, com contracções e dores no baixo ventre, e depois foi-se a ver e a ecografia mostrou que a parede uterina, na zona das anteriores cicatrizes, parece uma reles película, com 5 milímetros de espessura, de modo que não convém nem mais uma contracção, a ver se o útero não esgaça e rompe, que era coisinha que dava um bom post mas não tinha graça nenhuma.
Por isso, o amável médico pediu repouso, sugeriu umas algemas à cama, talvez, para aquietar um pouco esta alminha neurótica, e quando lhe perguntei se numa das semanas vindouras em que vou estar de férias poderia ir ao Porto fazer um trabalho rápido sorriu e respondeu, com a calma de sempre, que sim, com certeza, até porque no Porto também há excelentes instituições hospitalares, como quem diz não vás para a cama não e vais ver como elas te mordem.
Assim, a partir de amanhã vou estar de férias, deitadinha o mais possível, encharcada em magnésio e ferro, um para as contracções outro para dar força ao sangue, a ver se a casa da minha filha não desaba, que ela, coitada, é muito nova para ser sem-abrigo.
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Hoje nas bancas
A todos os que me deram mimos: muito e muito obrigada
São porras da vida, é o que é. Que me fazem lembrar os conselhos com mais de dez anos da Carmo, que dizia e repetia: "À vontade não é à vontadinha". E eu, estúpida, não aprendi. É sempre tudo muito à vontadinha e depois... lixo-me. E é muito bem feita.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
:(
Mas mesmo muitos.
Se fizerem o favor... tenho aqui a minha cabeça à disposição para receber alguns.
Obrigada.
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Obrigada
Por seres o cantoneiro, que apanha os meus cacos do chão.
Por seres o médico, que sara as minhas feridas.
Por seres o costureiro, que me cose quando me rasgo, mesmo quando ninguém diria ser possível coser tamaho rasgão num papel já tão rasurado.
Por seres o diplomata, que gere conflitos com sabedoria, o juíz das boas decisões.
Obrigada por seres o meu público, por me dares confiança, por me dares colo (e é preciso um grande colo para um corpo dois-em-um).
Espero que nunca queiras reformar-te destes empregos todos, apesar da remuneração não ser grande coisa.
Obrigada.
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
Amanhã! É já amanhã!

Amanhã sai a revista do i.
Amanhã sai a Nós, editada pelo Pedro Rolo Duarte.
Amanhã começa uma espécie de retrato de nós, portugueses.
Amanhã está lá uma reportagem minha, dois textos, duas realidades, duas histórias.
Amanhã há muitas coisas boas nesta revista.
Amanhã nós que fazemos a Nós vamos estar contentes. Orgulhosos. Expectantes.
Amanhã espero que seja só o princípio de longos tempos felizes.
Amanhã, se puderem, comprem o i. Leiam o i. Leiam a Nós.
Efeito Madalena?
E pronto. Será que já é efeito Madalena?
A família concentra-se, então, de volta do querubim. A ver se lhe colamos o coração, que é capaz de andar mais partido do que ficou o meu, quando o vi chorar à porta da escola.
:(
Hoje mais aos bocadinhos que ontem.
O Martim saiu do colégio a correr para se agarrar às nossas pernas. Com lágrimas grossas pela cara abaixo.
Ontem também chorou. Mas hoje foi mais longe e fugiu da sala, para nos ir apanhar à porta, seguido pelas aflitas auxiliares.
Diz que a professora se zangou. Não sei. Já liguei para a escola e aguardo, agora, que a educadora me ligue, para explicar o que se passou.
Provavelmente não é nada, está só a crescer, e ser contrariado faz parte do crescimento. É lixado, ninguém gosta. Mas faz parte. Provavelmente é só isso. Espero que seja só isso. Mas o meu coração está aos bocadinhos. É física, é real, a dor que sinto. É isto, também, ser mãe. É isto para sempre, até ao fim.
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
i também quero esta!!!
i está quase a chegar o dia
i espero que dure muitos e bons anos.
i estou contente por estar, de novo, ligada a um projecto que assim se i-nicia.
i força!
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Angelina e Brad, não nos f****
Ora, estas notícias têm em mim o efeito contrário. Penso eu: olha que porra. Aqueles dois, tão lindos, que parecia gostarem tanto um do outro que até faziam uma espantosa colecção de filhos, tão ricos e com casas tão grandes, cheios de amas e empregadas e ajudas da mais variada ordem, aqueles dois sentem-se desgastados pela prole e ameaçam dar o berro. Ora... se com tanto apoio eles não aguentam... COMO É QUE NÓS, QUE ACABAMOS TODOS OS MESES A CONTAR TOSTÕES, QUE NÃO PODEMOS IR DE FÉRIAS PARA A MALÁSIA A TODA A HORA... COMO É QUE NÓS HAVEMOS DE AGUENTAR?
Deixei um comentário no blogue dela e logo apareceu um anónimo que escreveu: "Desde quando dinheiro e criados trazem amor para uma família? Nem que a banheira seja a do 'tio patinhas' o amor não vem daí! AMAR, TOLERAR, RESPEITAR!"
Bom... que é verdade que o dinheiro não traz amor. Lá isso, é verdade. Duas alminhas ricas que se juntem, sem gostarem uma da outra, não vão de repente pôr-se aos saltos de paixão assolapada. Mas, minha cara pessoa, que ter dinheiro ajuda muito um casalinho enamorado, lá isso ajuda. Ah, estamos tão cansados, vamos tirar uns dias e balançar numa rede em Bora Bora. Ah, que maçada, hoje não me apetece fazer o jantar, vamos ali ao Eleven para um jantarinho romântico. Ah, e que tal uma massagem a dois num SPA? Ah, os miúdos estão tão cansativos, que tal irmos para o Algarve e levarmos a ama para estarmos a sós de vez em quando?
Quer dizer... parecendo que não, facilita. E não será por acaso que em alturas de crise o número de divórcios dispara. Cá para mim, a versão de "um amor e uma cabana" tem os dias contados. Se é que alguma vez foi realmente assim tão inspiradora.
Por isso, Angelina e Brad, por favor, não nos f****. Façam lá as pazes que aqui os pobres ficam à rasca sempre que vocês dizem: "Não aguentámos o desgaste".




