Pequeno artigo para a edição de hoje do jornal I, com as vírgulas no sítio certo, que alguém andou a mexer nelas, logo na primeira frase.  ;)  

As expectativas eram muitas, por vezes irrealistas, e a ansiedade também. O maior desejo da generalidade da classe docente, para lá da sua filiação partidária, era que os resultados eleitorais terminassem com as políticas desastrosas do anterior governo no sector da Educação e para com os professores.

A noite eleitoral começou de forma desanimadora com as primeiras projecções de resultados, mas com o passar das horas o cenário suavizou-se. A termos fé na dignidade da política e das promessas dos seus protagonistas – vamos fazer esse esforço e ter esperança por uma vez – qualquer solução maioritária de governo implicará fortes mudanças neste sector da governação.

Por vezes as vitórias não são óbvias ao primeiro olhar.

Seja qual for a solução governativa, encontra-se no Parlamento uma larga maioria de deputados de forças partidárias que se comprometeram com o fim do conflito aberto entre o anterior governo e a classe docente.

Mais do que um interesse corporativo, esse é um interesse nacional.

A bem de todos, é bom que se pacifique a Educação em Portugal e que as reformas sejam feitas de forma participada e mobilizadora.

Afinal, é essa a essência da democracia.

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Estou só a antever…

Porque, a menos que o PR faça inversão de marcha, como é que vai ser a partir daqui? Pior que nos tempos Eanes/Balsemão, Eanes/Soares e Soares/Cavaco?

Vejamos a evolução do peso eleitoral do PS e das forças partidárias À sua esquerda no Parlamento desde 1987:

PS

1987: 22,2%
1991: 29,1%
1995: 43,7%
1999: 44,1%

2002: 37,8%
2005: 45,0%
2009: 36,6%

CDU/BE (desde 1999)

1987: 12,2%
1991: 8,8%
1995: 8,6%
1999: 9,6%
2002:11,3%
2005: 13,8%
2009:17,8%

Agora reparem na proporção do peso da esquerda mais à esquerda relativamente ao PS (CDU+BE/PS):

1987: 54,5%
1991: 30,2%
1995: 19,7%
1999: 25,6%
2002: 25,4%
2005: 30,7%
2009: 48,6%

As conclusões são simples: se exceptuarmos o descalabro socialista de 1987 (faltam aqui os votos do PRD), repara-se que de 1995 a 2002, o guterrismo e mesmo Ferro Rodrigues mantiveram os partidos à sua esquerda a confortável distância. Com Sócrates e a sua forte guinada para o centro, as esquerdas alternativas floresceram. No domingo em grande força.

Esquerda do PS recusa acordos com o CDS/PP

Ferristas do PS admitem, no limite, um entendimento com o PSD, mas excluem em absoluto qualquer acordo de legislatura com o CDS. Mas a pressão sobre Sócrates não está limitada ao Largo do Rato. Ontem mesmo, os patrões exigiram ver a esquerda fora do Governo, sob pena de um adiamento dos investimentos. Exactamente o contrário do que pede a CGTP

A ala esquerda do PS já começou a pressionar publicamente José Sócrates para que este evite governar na base de entendimentos com o CDS. Os resultados das eleições de domingo ditaram que só há duas alianças maioritárias bipartidárias passíveis de serem formadas no Parlamento: ou do PS com o PSD ou do PS com o CDS. Todas as restantes passarão, necessariamente, por mais do que duas formações. Por exemplo: PS + BE + PCP.

Ontem, quase a terminar o Prós e Contras, um Santos Silva suave dizia que a dramatização empolada na campanha eleitoral deveria dar lugar a uma maior responsabilidade por parte de todos.

Por acaso acho que essa deveria ser a norma, não o recurso em tempo de vacas, digo, maiorias magras.

Ou seja, da verdadeira essência da democracia que a tantos assusta, não se percebe sempre bem porquê. Será que é porque, deste modo, se nota mais a falta de qualidade de muitos dos parlamentares eleitos para votarem como e quando as lideranças o mandam fazer?

Sócrates repete estratégia de governação à vista de António Guterres

Com um governo de minoria e sem coligações formais, o Parlamento terá o papel principal na próxima legislatura.

Por Ana Sá Lopes:

PS à janela. Quem quer casar com a carochinha?

A política florentina no seu esplendor: Sócrates até admite as coligações impossíveis. A oposição vigia-se.

Kings of Leon, Charmer

A anfitriã, com semblante preocupado ao ouvir as primeiras projecções que chegavam a dar 111 deputados ao PS (excesso de zelo da TVI?)

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A equipa multipartidária de convivas, fazendo publicidade nada encapotada.

Quase-V

Eu a fazer contas à quadratura dos deputados, enquanto uma Fátima Freitas virtual falava com a Teresa. O meu ar interrogativo acho que se ficou a devera sucessão de branco seco, corona, lambrusco rosé, com escassos sólidos pelo entremeio. Depois a Maria Ema apareceu e ajudou-me na contabilidade parlamentar.

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E pronto, estou cansado de ser criticado por aqui divulgar alguns eventos. Quem não gostar, mude de canal. Afinal a entrada (e saída) é livre. Sempre foi.

As fotos são do João Francisco, tirando aquela em que ele está, claro.

Deve ser o pensamento de muito(a) director(a) mediana ou excessivamente adesivado(a) que estava a aguardar por uma clarificação para avançar com a (não?) avaliação de alguns colegas.

E agora? Com esta composição, o Parlamento pode acabar com o modelo de ADD em pouco tempo e se o souberem fazer em tempo certo, com o Orçamento aprovado como vai ser por certo, o Sócrates não se pode desculpar e dizer que se demite logo.

E agora, arriscam-se a ser crucificados a breve prazo, perante aqueles que quiseram queimar?

Pensar bem, é preciso…

Na SICN das 9 às 10 tivemos Alberto Martins pelo PS – um epígono do tédio balofo em matéria discursiva – e Paulo Rangel pelo PSD.

Agora, depois das 10, temos Pedro José Silva Sócrates Pereira e José Pacheco Pereira, um dos grandes mentores do fracasso laranja.

Não há mais ninguém para convidar?

Alguém menos estereotipado e comprometido com este modelo de confronto bipolar.

Boffffff……..

Resultados desde 1987, com base ainda nos números recolhidos hoje no I, que estive preguiçoso e não os busquei nos sites oficiais.

Direita (PS/CDS)

1987: 54,6%
1991: 55%

1995: 43,1%
1999: 40,6%
2002: 48,9%
2005: 35,9%
2009: 39,6%

Esquerda (PS/CDU/BE, sem UDP e PSR antes de 1999)

1987: 34,3%
1991: 37,9%

1995: 52,3%
1999: 55,4%
2002: 47,4%
2005: 58,8%
2009: 54,4%

Se excluirmos aquele quase empate técnico de 2002, a Esquerda é claramente maioritária desde o ocaso do cavaquismo. O que há de interessante é ver qual a relação de forças dentro da Esquerda parlamentar e neste caso, como veremos daqui a pouco, a posição do PS nunca esteve tão fraca desde 1987.

Pelo novo governo. É o que acha a SIC no seu jornal da noite, mesmo antes dos problemas da Justiça, da Segurança e das questões fracturantes.

Pois.

Vou comprar pipocas. Acho que teremos filme a partir das 8 da noite. Ainda não sei de que género. Ou se acaba tudo em ópera bufa.

Os Resultados de Ontem…

Ontem, às 20 horas, fiquei desiludida com os resultados.
A primeira reacção foi de um certo desalento… mas depois o meu neurónio residente começou a trabalhar…
O ps perde, ganhando relativamente e, como li hoje na primeira página de um jornal: “negociação [terá de ser] absoluta”.
Negociação: a palavra que saiu dos dicionários nestes últimos 4 anos e meio, por imposição “absoluta” de uma das partes, regressou!
Durante este longo, tormentoso e recente passado, não se negociou: impôs-se a vontade de um (ou uns) às necessidades de quase todos.
E o regresso à negociação fez-me ver cores onde o preto absoluto se havia instalado.
As ditaduras podem durar mais do que 48 anos!
A mais recente durou 4 anos e meio… de humilhação e ofensa constantes, de vergonhas e de prepotências, de desvarios tantos e de memórias curtas, de poderes abusivos e despudorados, de falta de bom senso e de capacidade de rever as estratégias…
E se o cenário me pareceu, à partida, desconcertante, penso que não poderíamos ter tido um tão bem encomendado.
Não há maioria absoluta… e, para os que insistem em a apelidar de relativa, talvez o façam para minorar o descontentamento que lhes vai na alma (nas almas perdidas também!).
Não houve festa de vitória. Recolheram demasiado cedo às suas casas os que nos discursos de ontem ainda acusaram e ofenderam os que não lhes permitiram continuar uma política de déspotas sem vergonha.
Estão melhor nos vossos lares, reflictam no passado recente a que nos obrigaram a quase todos…
Foi a falta de oportunidade de alterar o rumo que delineram que vos remeteu à clausura de hoje?

Da varanda já assisti a muitas entradas de comícios eleitorais.
Na semana passada, apenas se realizou o do ps.
Eram muitos, mas muito menos do que em 2005. Depois de estacionarem os carros e os autocarros, podia-se circular na rua, algo impossível em 2002 (com o do psd) e em 2005 (com o do ps).
Sinais dos tempos, consequência das muitas desilusões que provocaram.

E não fomos nós professores os únicos a mostrar essa vontade de participar na construção do futuro…

O ps perdeu mais de meio milhão de votos… cerca de 20% do número obtido em 2005! São muitos votos perdidos e ganhos (dependendo do referencial em que nos colocamos).

Ontem e hoje sinto-me mais leve, mas igualmente atenta.
Também voltei a sentir que a liberdade ainda mora aqui…

Não sei qual dos cenários, dos muitos avançados ontem, se segue. Qualquer que seja, será sempre diferente do absoluto degredo a que nos sujeitaram nestes 4 anos e meio.

Espero lembrar-me sempre dos momentos difíceis, para poder saborear a certeza de que até os “generais” caem… e a “História” tem tantos exemplos das suas quedas… podiam aprender com os outros, mas alguns insistem na ideia (que não sei muito bem de onde a retiraram) de que são imunes aos acontecimentos ditados pelo passado…
A única explicação que me ocorre é a de que o poder cega e distorce o real…

Hoje havia muitos sorrisos nas caras de muitos dos meus colegas… cada um pelas razões que lhes pertencem, mas os que sorriam atingiram o mesmo objectivo com opções diversas…
Também vi semblantes fechados… por coincidência, ou não, nas caras dos que depressa se apoderaram dos “tiques” do poder e das suas “vantagens” tão convenientes…
Alguns até já começaram a “rever” as suas actuações e a tentar repor a realidade de há 4 anos e meio… alguns chegam tarde nessa intenção.

Helena Cunha

Na edição impressa do I, a acompanhar este artigo surgem uns gráficos com a evolução dos resultados nos diversos partidos a concurso nas legislativas.

A conclusão é simples: nunca desde 1987 o centrão (PS+PSD) foi tão penalizado em eleições.

Repare-se nos valores:

1987: 72,4%

1991: 79,7%

1995: 77,8%

1999 76,4%

2002: 78%

2005: 73,7%

2009: 65,7%

Pela primeira vez em muito tempo, mesmo tendo uma maioria qualificada de deputados, o centrão encolheu para menos de 70% e mesmo para menos de dois terços dos votos. Embora isso até acentue uma tendência anterior.

Em 2005, os extremos parlamentares (BE, CDU e CDS) tinham somado 21%. Agora somam mais de 28%. Houve uma fuga próxima dos 8%, superior a 3% para a direita do PSD e de quase 4% para a esquerda.

Há aqui algo que deve fazer reflectir aqueles que defendem a solução pastosa como a da governabilidade.

ELEIÇÕES

As eleições de ontem esclareceram-me o seguinte:

José Sócrates venceu-as mas só  “entre aspas”. Já que perdeu votos (e muitos!) para todos os partidos.

O que significa que, em vez de apresentar ao país aquele ar convencido e triunfal, devia respeitar as pessoas e conter-se. A seguir, meditava um pouco que fosse no sucedido. E após a meditação, talvez já pudesse dizer ao país que iria mudar as políticas que irritaram quem votou contra ele.

Quanto ao PSD, devia de imediato mandar Ferreira Leite tomar um chazinho com mel. Pois os vírus que trazia com ela (a idade, Alberto João e António Preto, especialmente) espalharam-se pelo partido e constipou meio país.

O CDS não deverá vangloriar-se demais, pois será sempre um partido demasiado conservador, aos olhos dos pobres e remediados deste país. E a não ser que o país enriqueça, o que só seria possível num mundo de fantasia,  os votos que arrecadou, depressa voltarão a escorrer para o PSD, logo que surja um líder a sério, neste partido.

E o triunfal Bloco de Esquerda que não se exalte demais. Também cresceu devido aos que  em regra votam PS  (Se lá não estiver nenhum ditador, à imagem de Sócrates.). Por isso, com outro líder ao leme do Partido Socialista, a franja que engrossou Louçã e os outros logo os abandonará.

O Partido Comunista é um caso especial de continuidade da espécie, pois os genes são neste partido garantia de continuidade, sem no entanto haver o perigo (como há nos coelhos e nos gafanhotos) de haver praga ou  proliferação.

Cunha Ribeiro

Mais logo explico porque até era dos mais sorridentes esta manhã…  Mas depois de pensarmos um pouco, independentemente de fés partidárias ou ideológicas, a maioria da classe docente pode ter razões para sorrir…

Sócrates não diz se governa sozinho ou em coligação

“Centrão” enterrado na vala comum do voto útil

(…)
Pode o partido que perdeu meio milhão de votos e pelo menos 25 deputados – falta atribuir os quatro mandatos dos círculos da Emigração – ser considerado o vencedor das eleições? Pode, porque conserva o poder, embora perdendo a maioria absoluta. E porque o principal rival não mostrou ser um adversário à altura.

As eleições legislativas de ontem deram consistência aos indícios que as europeias de Junho tinham emitido. Doravante, o país terá de conviver com um quadro partidário a cinco, porque o Bloco de Esquerda veio para ficar, o CDS/PP está de regresso aos tempos áureos e até o PCP, empurrado para a cauda entre as forças com representação parlamentar, tem mais um lugar na bancada.

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