“Agora que te conheço tão bem, vejo-me forçado a admitir que tens toda a razão quando dizes que soubeste como envelhecer”, confesso, entre um beijo quente e outro, a M. “Mas, na realidade, prefiro aquelas que souberam como não envelhecer”, acrescento. E, delicadamente, retiro a minha língua de dentro da boca dela.
A noite eleitoral teve em Vieira da Silva o seu mais inesperado protagonista. Até este domingo, estava convencidíssimo que o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social era o que restava de uma chaimite depois desta ter vindo a rebolar desde o Monte Pico até à Manhenha. Eis senão quando me aparece para a primeira declaração do PS após a divulgação das projecções. E aquilo que se seguiu foi lindo, ou coisa ainda mais bonita. Porque fez uma declaração que foi um portento de sentimento contido. Ele estava como Buda, o qual teve de se sentar debaixo de uma árvore quando descobriu que não vale a pena continuar a viver nem vale a pena desistir da vida. Enquanto a coisa não se resolve, e sabiamente, o melhor é esperar sentado. Já o nosso Vieira tinha de estar de pé, mas em conformidade dilemática: não dava para mostrar nem para esconder o que lhe ia na alma. O resultado foi comovente. O seu espontâneo domínio das pausas e dos silêncios, em resposta aos aplausos e pontuando o que ficava por dizer, revelou o homem.
Grande Silva, este.
Nenhum comentador, escriba, analista se debruça sobre se Cavaco Silva, depois desta questão em que aparece envolvido, ainda pode ocupar o seu cargo em Belém.
Do meu ponto de vista, o actual Presidente da República está ferido de morte e devemos estar preparados para umas antecipadas eleições presidenciais.
Tanto mais que esteve envolvido numa venda de acções, a preço de favor, outorgada pelo então presidente do BPN, Oliveira Costa.
É urgente que o PS aclare a sua estratégia para as próximas Presidenciais.
Um abraço do
Acácio
__
Recebido por email, a 18 de Setembro, do nosso amigo Acácio Lima. E agora recordado porque, diga Cavaco o que disser daqui por umas horas, não há condições morais para o Presidente da República continuar a exercer depois de ter faltado ao seu juramento. Para todos os efeitos, ele interferiu nas eleições legislativas de forma inadmissível e escandalosa. Fora.
Havia que travar, não avançar. E o PSD foi travado.
«folclore íntimo » de valter hugo mãe
«Entre solidão e perplexidade» – poderia ser este o título desta recolha poética de valter hugo mãe (n. 1971) que engloba 13 anos de labor poético. Um ponto de partida possível é o Eu: «és um rapaz estranho, aí metido num amor nenhum que te magoa e espera ter lugar no mundo». A solidão desse Eu é atravessada pelas memórias de África («as mulheres excisadas alinharam-se perante eles e exigiram a morte») e da Europa: «o meu irmão dizia que havia fantasmas no sótão. eu via-os de encontro às paredes».
Perante a perplexidade do Mundo e da Morte («os homens mortos ficam a comer erva pela raiz. vi num sonho») só o Amor surge como resposta: «já reparaste na maneira engraçada como nos deixaram sozinhos. foi propositado. sabem enfim que gosto de ti e que poderemos casar, um dia, quando formos mais velhos». Apesar dos desencontros: «somos cruéis / tão imaturos no amor / que ele acaba por ir-se embora / talvez para nunca mais voltar / perdoa-me helena».
A vida («estou no enredo irrevogável da minha vida») não se esgota no quotidiano; há respostas nas artes e nas letras como no dia da morte de Mário Cesariny: «vamos levar-te para o panteão mas não sem antes surrealizar aos gritos os chatos que lá estão / traz mais dinheiro o que tenho hoje não chega para ser feliz / amanhã vendo algo e pago-te».
Entre a ameaça da Morte e o precário do Amor, a felicidade é possível: «quem deixou sobre o coração / um feixe de luz / não cega nunca».
(Editora: COSMORAMA, Capa: José Rui Teixeira sobre imagens de Nelson d´Aires e Isabel Lhano, Foto: Nélio Paulo)
- Maria de Lurdes Rodrigues continuava com a Educação.
- Santos Silva continuava com os Assuntos Parlamentares.
- Correia de Campos regressava para a Saúde.
Os portugueses estavam cheios de medo. Cheios de medo da Manela.
Soares é fixe. Mas Sócrates é bué da fixe. Repare-se como se esteve a marimbar para a anomalia protocolar de falar antes de Portas. Só ele deixaria tal acontecer. Porque só ele, dos actuais líderes, é verdadeiramente um líder por vocação e talento. Depois, voltou a reduzir Louçã ao monte de merda que Louçã é. Até Ferreira Leite esteve melhor, muito melhor, do que o Anacleto do partido dos professores. Um partido tão ao mais parolo do que o parolo do Fazenda, feito que ultrapassa o impossível. Um partido que levou com outro sermão do Louçã, desvairado com a espectacular derrota que o BE teve nestas eleições. Acontece cada vez com mais frequência: Louçã debita sentenças, numa logomaquia imparável, e a malta afunda-se nas cadeiras, acabrunhada. Os pregadores só estão bem no púlpito, castigando os males infrenes.
Há uma simetria exactamente oposta entre BE e PS. O BE aumenta votos e deputados à fartazana, e ultrapassa o PCP, mas não consegue condicionar a governação. Pior, vê um pequeno partido da direita ficar à sua frente. Fodido para quem se sonhava chefe da oposição e prestes a passar o PSD. Já o PS perde votos e deputados à grande e à francesa, ficando com um Parlamento esquisito. Todavia, o PS foi decididamente escolhido para governar. Por quem? Pelo povo unido. Cidadãos unidos contra os pulhas que tudo (mas tudo!) tentaram para emporcalhar e corromper estas eleições. Foi bonita a resposta, pá.
Sócrates, no discurso de vitória, falou várias vezes nos independentes. É por aí que se deve ir. E também chamando muitos dos que estão afastados da política por razões diversas, mas que todas radicam na falta de identificação com a comunidade. Juntos conseguimos trazê-los à Cidade se dermos sentido à sua independência. Assim juntos, em liberdade, somos Portugal.
Já podem anunciar quem ganhou em Madrid, é legal. Entretanto, voltei a cruzar-me com Jaime Gama e esposa, minha antiga professora de Português nessa mesma escola onde agora se vota. Da última vez, não lhe dei sorte nenhuma.
Mas votar é uma romaria. Tantas caras que não se vêem nem se esquecem, tantas memórias. Assim vai a nossa fome de sermos comunidade e estarmos em festa.
«Você tem-me cavalgado, seu malvado / mas não me tem posto a pensar como você»
Passam dois anos depois do escândalo do golo fantasma que ditou a vitória do Porto sobre o Sporting por 1-0 com um árbitro do Belenenses a ir à televisão explicar tudo (Jorge Coroado) pois a palavra deliberadamente é chave na interpretação da letra da lei. Um jogador caído no chão só faz cortes; não faz passes. Dois anos depois aí está novo escândalo. O responsável pelos árbitros que se calou como um rato depois do golpe do Algarve com aquele penalty fantasma que levou o Benfica ao colo na Taça da Liga, afirmou agora que esta era uma nomeação «normal». Mentiu. Este árbitro Duarte Gomes está envolvido num processo pois agrediu o treinador de guarda-redes do Sporting antes dum jogo Sporting-Setúbal depois de ter entrado pela baliza dentro dos «leões» no aquecimento. Também empurrou o «segurança». Se houvesse uma réstea de bom-senso nesse trambolho (Vítor Pereira) não teria nomeado este Duarte Gomes pois só atirou petróleo para a fogueira. Ontem ele poupou a expulsão ao Raul Meireles e foi lesto em dar dois amarelos ao Miguel Veloso em duas faltas mas esqueceu-se de mostrar cartão ao Tomás Costa quando este trambolho deu uma joelhada ao Caicedo e não mostrou amarelos aos jogadores do Porto que fizeram faltas violenta e sucessivas. Sei que isto está tudo montado pois por um lado o Porto tem que «ganhar sempre custe o que custar e doa a quem doer» e o Benfica investiu mais de 50 milhões de euros em jogadores e, tal como se viu em Leiria, esse investimento não se pode perder. Lembro-me sempre dos versos do Alexandre O´ Neill – «Você tem-me cavalgado seu malvado / mas não me tem posto a pensar como você / que uma coisa pensa o cavalo / outra quem está a montá-lo».
Quando, finalmente, for possível fazer perguntas ao Presidente da República, haja algum jornalista que queira saber qual a razão para se ter anunciado a visita do Papa com tanta pressa que até a Igreja portuguesa foi espezinhada. É só o que eu gostava de saber. Quanto ao Lima, não tenho curiosidade. O Zé Manel já confirmou que Cavaco é o mandante da conspiração, não tendo sido desmentido pela Presidência, pelo que o assunto apenas espera o seu inevitável desfecho.
A presente campanha foi uma das melhores e mais entusiásticas de sempre. Eis o que há de mais revolucionário para dizer nos dias em que os revolucionários se aliam aos reaccionários e se afundam ambos numa depressão colectiva. E é também verdade nessa dimensão em que passamos por um período de convulsões inauditas na política nacional, com a decadência atroz do PSD, o crescimento imparável do BE e um PS que ousou combater o salazarento marasmo económico e social. Sócrates tornou-se o alvo obsessivo e delirante para a fúria da direita e da esquerda, que despejaram as armas que tinham, mais as que pediram emprestadas, em cima dele. Agora, até a Presidência da República se juntou à festa, cumprindo-se, para lá da conta, a profecia do Pacheco quanto a irmos viver tempos interessantes. É um rapaz bem informado, este marmeleiro.
«História das Organizações Femininas do Estado Novo» de Irene Flunser Pimentel
Os ideólogos do Estado Novo fizeram os possíveis por colocar as raparigas nas Escolas Técnicas de onde sairiam como assistentes sociais, professoras, parteiras e enfermeiras. A Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) de 1936 e a Mocidade Portuguesa Feminina (MPF) de 1937 são estudadas neste volume de 456 páginas. Apenas três breves notas. Em 1938 a delegada de Braga da OMEN reclamava contra «a crueldade de certos capitalistas que rebaixa de forma aviltante o salário em favor dos seus lucros». Em 1941 o Boletim da MPF definia a rapariga ideal no texto «O que nós queremos que as raparigas sejam» nos seguintes termos: «verdadeiras, amáveis, sãs, novas, elegantes, activas, contemplativas e boas» enquanto a revista Menina e Moça alinhava as qualidades a possuir («simplicidade, elegância, boa educação e cultura») e os defeitos a evitar: «má-língua, vaidade, desleixo, cólera, curiosidade, tagarelice, indolência e arrogância».
A Menina e Moça, muito preocupada com a moral, publicava em 1958 uma curiosa «Carta a uma rapariga» dirigida a um casal visto no cinema que concluía deste modo: «não gostei do modo como quase te abandonaste sobre o ombro. Fiquei com a impressão que se ele te pedisse um beijo lho darias (…) pensas que te vais casar com ele mas talvez isso não aconteça. Não estou a chamar-te estúpida mas é que as teorias modernas têm o condão de tornar as raparigas inconscientes do bem e do mal. Precisas de alguém que te tire dessa onda de modernismos e inconsciência. Confia tudo à tua mãe».
(Editora: Temas e Debates, Capa: Fernando Rochinha Diogo)
Cardoso Pires, de súbito, numa rua da Ericeira
Na pontuação destes dias de Setembro a espuma branca das ondas na Foz do Lizandro faz com que elas pareçam parágrafos e os rapazes estrangeiros, quando passam com as pranchas debaixo do braço a caminho do mar, parecem pontos de exclamação. É o fim das férias para quem trabalha e haver mesas com menos gente na esplanada é já um sinal. Os outros, desempregados de longa duração ou sujeitos a biscates ocasionais, não podem dizer que estão de férias. Pelo contrário; eles sabem que não há nada mais sem esperança do que um recibo verde. Terminado o meu dia de trabalho frente ao ginger ale e ao livro à espera de uma nota de leitura, despeço-me da praia do Lizandro trazendo nos ouvidos o som da rebentação e no nariz a força do iodo tão comum das praias do Oeste. De súbito Cardoso Pires aparece numa placa no nº 35 da Rua (salvo erro) Francisco Granate. São estas as palavras: «Nesta casa viveu José Cardoso Pires com os seus amigos. A sua escrita e a dignidade solidária de um dos maiores escritores do nosso tempo. Maio 1999». Esta rua não faz parte das minhas voltas diárias mais voltadas para o Parque de Santa Marta e para o Jogo da Bola, para a Biblioteca Municipal e para o simpático café em frente – o Paloma. Dei por mim a pensar numa história que JCP me contou na Estufa-fria numa mesa com Maria Ondina Braga e António Torrado. Um indivíduo pede boleia ao Cardoso Pires no Porto, mete conversa, julga-o conhecido da tropa e, em Coimbra, surge a polícia de trânsito. Excesso de velocidade dá multa. O da boleia tenta convencer o polícia a perdoar. Já em Lisboa o desconhecido pára nos Olivais e entrega a JCP não só a carta apreendida pela PVT mas também o caderno completo das multas. Era um profissional.
Nota final – esta crónica integra a antologia das crónicas jornalísticas do século XX de Fernando Venâncio para o Círculo de Leitores.
Se pedes reformas mas protestas quando são feitas, se chamas arrogância à impaciência e indignação frente a mentirosos, se preferes o Portugal bacteriologicamente castiço pré-ASAE, se lamentas ir jantar fora e ter de voltar a casa sem o fumo dos outros nos pulmões e na roupa, se achas que o controlo do défice é uma tanga para te roubarem, se acreditas que a política de educação tinha como objectivo maltratar os professores, se acreditas que Sócrates insultou as professoras, se exploraste a iliteracia e a doença para boicotar o excelente trabalho de Correia de Campos, se te estás a cagar para o que foi feito na área das energias renováveis, se não percebes patavina da política externa deste Governo, se odeias o Código do Trabalho mas nunca o leste nem sabes quais os seus objectivos, se ignoras o salto tecnológico e científico que resultou do investimento estratégico nestes 4 anos, se pensas que Sócrates devia ter ficado agarrado a promessas feitas na campanha de 2005 que iriam contra o interesse nacional, se preferes que o Estado seja desleixado a cobrar impostos, se não dás valor ao que aconteceu economicamente em Portugal até 2008, se ignoras que a pobreza diminuiu e a igualdade aumentou nesta legislatura, se alinhaste com os broncos que disseram mal do Magalhães, se querias ver Sócrates preso por causa do Freeport mesmo sem ter sido arguido, se tens informações novas acerca da sua licenciatura que a investigação não chegou a descobrir, se conheces alguém que esteja em condições de provar ter havido ilegalidades nos projectos que assinou na Covilhã, se papaste a tanga de que Sócrates teve alguma coisa a ver com o fim da peixeirada na TVI, se consegues ler os editoriais do Zé Manel, se admiraste o carácter de Louçã quando disse que Sócrates telefonou à Joana para lhe oferecer jóias e peles, se tens a certeza de que Sócrates é mais trafulha do que tu (e não tens, pois conheces-te de ginjeira) ou se és o gajo armado em parvo que aparece na fotografia, não votes PS.
O Presidente da República dialoga connosco através do Público, Correio da Manhã, Sol, Expresso e alguns comentadores de televisão. Nesta semana, o esforço foi o de abandonar a tese das escutas e apostar tudo na da vigilância. Porquê? Porque as escutas de Agosto berraram, era um enorme berbicacho estar a plantar microfones falsos em Belém, mas já com as vigilâncias é uma maravilha, não tem como falhar: qualquer camurço que vá comprar pastéis de Belém é um potencial vigilante do Palácio. E então se calhar sentar-se numa mesa para onde não foi convidado, temos a ala maçónica do SIS no apertar do cerco.
Marcelo arrisca o futuro político para salvar Cavaco. É porque o assunto é sério e nada delicado. À medida que os sinais contraditórios e caóticos se acumulam, Cavaco vê crescer a probabilidade da sua demissão ou destituição. A única saída é aquela que Marcelo está a negociar, a qual passa por restringir o caso a uma suspeita de estrambólica vigilância que não teria tido conivência, sequer conhecimento, do Presidente. Eis o que quer dizer puxão de orelhas, como explica hoje o Sol: Lima não foi demitido, foi castigado. Se tivesse sido demitido, algo de grave se teria passado. Mas assim, ficando pelo responso, não se passa nada. Foi apenas uma facécia, uma irreverência estival e estouvada de assessor com demasiada cafeína no sistema. Tonteiras. Não se fala mais nisso, ok?
Conclusões. Por um lado, o vale tudo chegou à Presidência. Vamos votar com a campanha negra em alta a 24 horas da decisão. O que deixa ficar como suspeita se o vale tudo não terá tido lá origem. Por outro lado, Cavaco não nos respeita, nem respeita a Constituição. Até a segurança nacional se vê ameaçada, difamando-se os Serviços de Informação para obter ganhos políticos. Cada português que se defina perante as evidências. Entretanto, aquelas que eram umas eleições para a escolha de um novo Parlamento, são agora também as eleições para a defesa contra o mais insidioso ataque à democracia e ao Estado de direito de que há conhecimento em Portugal após o 25 de Abril. Vindo daquele que:
Como garante do regular funcionamento das instituições democráticas tem como especial incumbência a de, nos termos do juramento que presta no seu acto de posse, “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.
O secretário-geral do PS, José Sócrates, entrou hoje no penúltimo dia de campanha com o objectivo de travar excessos de euforia em consequência das sondagens, advertindo que as eleições só no domingo podem ser ganhas.
“Há para aí muitas sondagens, mas quero dizer-vos o seguinte: nenhuma sondagem ganha eleições. O que ganha as eleições é o voto dos portugueses”.
Os resultados de início de época tem entusiasmado os adeptos, mas o técnico não tira os pés do chão. Diz que a equipa «atravessa uma boa fase», mas que «ainda tem muito para crescer». «Sou um homem satisfeito, mas nem eu nem a equipa estamos realizados. Isto não é como começa, é como acaba», reiterou Jesus.
Pela primeira vez o índice de expectativa económica revela um sentimento positivo, desde que foi criado pela Marktest em Março de 1990.
Os portugueses revelam uma confiança moderada quanto à situação económica do país e das famílias no próximo ano, mais 30 por cento durante este mês de Setembro, do que em igual periodo do ano passado.
Marcelo está a tentar negociar um armistício. Como Cavaco fez o que ele mandou, é Marcelo que põe e dispõe. É com Marcelo que devem falar.
Que quer isto dizer? Que nada mais do que Marcelo comunique aos portugueses deve merecer um grama de crédito. Dizer que o caso das escutas é uma tempestade num copo de água implica a anulação da racionalidade mesma com que o Estado se constitui. Não é possível conciliar a existência de uma provada tentativa de conspiração eleitoral com origem em Belém e o respeito pela Constituição. Marcelo, com estas declarações, acaba de comprometer a sua candidatura presidencial se ainda restar algum juízo no País.
Os conspiradores não vão parar. Quem chegou ao ponto a que chegou, e com tantos anos a fazer o mesmo, não se arrepende nem regenera, faz figas. E volta a tentar. Marcelo, ao apelar ao esquecimento e sensatez, ao atacar a vítima, escolheu o lado da corrupção da Presidência. Não se trata de uma escolha insensata, mas espero que seja punida. Não estamos condenados à pulhice e o respeito próprio, para mim, jamais será um fait-divers.






Intervenções cirúrgicas