Terça-feira, Setembro 29, 2009

Belém ensaia missil de longo alcance!

Numa comunicação surpreendente, 'chamando os bois pelos nomes', Cavaco Silva arrasou governo e partido socialista, dando razão a todos aqueles que se queixam da asfixia democrática. Os comentadores de serviço, normalmente tão afoitos, estavam confusos, não perceberam o conteúdo da mensagem.

Os partidos reagiram à sua maneira - os comunistas tocaram no essencial, no fosso quase intransponível entre São Bento e Belém. O Bloco de Esquerda, qual menino de coro, achou lamentável! O CDS passou ao largo, não quis nem quer chamuscar-se. O PSD produziu a declaração mais inteligente da noite - lamentou apenas que Cavaco não tivesse falado mais cedo. Para esclarecimento dos eleitores. O PS manteve-se mudo durante tempo demais. Silva Pereira tentou rebater a intervenção presidencial, mas nem os indefectíveis convenceu.
E os dados estão lançados, Cavaco atravessou o Rubicão.
É preciso reabilitar a política, moralizar o país, dar esperança às pessoas. Uma pedrada no charco não chega.
Estamos fartos de mentiras.
E por falar em mentiras, adivinhem qual era notícia do dia?! A candida procuradora anda no encalço dos submarinos... do Portas!
Nem de encomenda!

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Escutas e inventonas

Curiosidade, coincidência, e se Cavaco cumprisse a promessa de falar ao país sobre o caso das escutas, um dia depois das eleições? O que sucederia?
Justamente hoje, aniversário de um outro 28 de Setembro, o de 1974, o princípio do fim do primeiro presidente desta terceira república - o general Spínola!
Tudo começou com uma manifestação convocada por alguns partidos de direita para apoiar Spínola, impotente para travar a escalada de comunistas e afins. E que estavam desejosos de entregar as colónias portuguesas aos seus amigos soviéticos. À boa maneira leninista, a manifestação foi rápidamente aproveitada para um golpe de esquerda, baseado numa 'inventona' - a invenção de que a 'reacção' (o clássico inimigo imaginário) preparava a contra revolução!
O resto sabe-se - Spínola resignou e a esquerda apoderou-se definitivamente do aparelho de estado executando então a famosa 'descolonização exemplar'! Timor incluído, e incluído também o tardio arrependimento socialista!
Valeram entretanto os 'Comandos' de Jaime Neves para, no 25 de Novembro de 1975, reporem alguma ordem no país e evitarem uma guerra civil. Porque a ideia comunista era transformar Portugal num paraíso albanês!
Mas, regressemos à pergunta inicial - que sucederá quando Cavaco Silva vier explicar o que de facto se passou (ou não passou) no caso das escutas?!
Porque das duas uma - ou trata-se de uma inventona com origem em Belém; ou há mesmo fumo e fogo e então o caso é gravíssimo, pondo mesmo em causa, a formação do próximo governo.
A ver vamos.
Foi por tudo isto que me lembrei do 28 de Setembro.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Votar na direita

Esquerda e direita, não fujo à questão, digo apenas que votar na direita é uma tarefa difícil em Portugal!
Por várias razões. Desde logo por causa da propaganda mentirosa da esquerda que chama direita a tudo aquilo que não gosta ou acha que está torto! São mais de trinta anos de propaganda, asfixiante, quase totalitária.
Uma segunda razão, que decorre directamente da primeira, e pontua todas as outras, assenta no medo que aquela propaganda provoca num povo timorato, assustadiço, e com longo historial de adesivo.
Por isso a direita portuguesa tem andado escondida, onde pode, e vai vestindo algumas fatiotas que notoriamente não lhe servem. Pior, assim desposicionada, desfigura completamente o leque partidário, confunde e confunde-se, e sem querer, dá razão à caricatura que a esquerda inventou para si.
Ultimamente, timidamente, ouvem-se algumas vozes que se afirmam de direita, mas de conteúdo e origem suspeitas.
A ver se nos entendemos – a direita não é social-democrata; nem centrista; no primeiro caso porque (a direita) não é de esquerda; no segundo caso, porque a direita não é liberal.
A direita também não é racista ou xenófoba, terminologia de esquerda para escamotear a verdade – a direita é nacional, no sentido em que se responsabiliza pelo presente e futuro dos portugueses. Por isso tem prioridades – resolve primeiro os problemas internos. Um exemplo – a direita quer acabar com a insegurança em Portugal, e só depois se abalança a tentar resolver os problemas de segurança no Afeganistão.
Mais, a direita é abrangente, não renega o passado, e ao contrário da esquerda, não se envergonha da história, considera portanto que são portugueses ‘todos aqueles que se deixaram tocar pela aventura da descoberta’, ou seja, todos aqueles que querem ser portugueses.
A direita tem uma ideia séria sobre o Estado, uma ideia de serviço e não de emprego para familiares e amigos. Por isso responsabiliza os funcionários públicos e premeia o mérito. Acha, por exemplo, descabido que numa altura de crise generalizada, com o desemprego a subir em flecha, que aqueles que têm o posto de trabalho garantido, se dêem ao luxo de reivindicarem seja o que for! Que seria pago com os impostos de todos. E sem qualquer benefício para a comunidade.
O mesmo se diga das obras faraónicas, construídas com o suor da escravidão! E que outro nome têm os imigrantes que nelas trabalham?! Sem quaisquer garantias e que sobrevivem amontoados num contentor?! Não, a direita não constrói pirâmides nos tempos modernos.
A direita não privatiza os serviços que cabem na vocação do estado – saúde, justiça, forças armadas e de segurança. Mas porque reconhece os seus limites (coisa que a esquerda não faz ideia) nunca renegou alianças estratégicas com as instituições históricas, emanadas do povo, e que moldaram esse mesmo povo. Por isso a direita apoiou sempre as Misericórdias. Não as nacionalizou para as destruir ou domesticar em função de interesses ideológicos ou particulares. Nessa tentação caiu a esquerda.
A direita toma a Igreja Católica por aliada, e não a diminui. Muito pelo contrário, reconhece a sua importância no ensino, na saúde, na caridade.
A direita tem valores que a distinguem da esquerda – é pela vida; é pela tradição. E ser pela tradição significa respeito pelo saber acumulado. Respeito pelo passado para que possamos amanhã (quando formos passado) ser também respeitados.
Neste sentido a direita não é estúpida, não tem a presunção de fundar Portugal todos os dias. Nem quer descobrir a pólvora.
Finalmente a direita quando é governo não estimula as causas fracturantes, prefere estimular a coesão nacional.
Terá então a direita a chave para resolver a crise?
Não sabemos. Sabemos apenas que a esquerda, que há trinta anos domina os órgãos do estado, não tem condições para tal.

Posto isto, haverá algum partido de direita onde possamos votar no próximo Domingo?

Chefia de estado independente, precisa-se

Prisioneiro dos partidos, porque deles provém e só com o seu favor se candidata, o chefe de estado republicano acaba de interferir de maneira decisiva na campanha eleitoral. Mesmo que não quisesse fazê-lo, os partidos, omnipotentes e tentaculares, têm sempre a possibilidade de o chamar a terreiro para cobrar a factura da sua eleição. E como no horizonte se perspectiva nova eleição presidencial, o presidente, à semelhança do país político, não tem outro remédio senão andar em permanente campanha eleitoral. Com todas as consequências para a sua própria credibilidade e imagem. Isto não é bom para Portugal.
Como bem diz o Duque de Bragança, estes episódios das escutas, que mancham de suspeição (todas) as instituições políticas, não acontecem nas monarquias europeias. Porque insistimos então num modelo ideológico que na prática não funciona?! A quem serve afinal este regime?!
E a questão volta a colocar-se - que vamos nós comemorar no 'centenário da república?!
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. Saudações monárquicas.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Lixeira a céu aberto

Por mais aterros sanitários que se façam ele aparece por todo o lado! Mal coberto, vem à superfície e revela misérias, novas e antigas, e quando não se vê deixa o cheiro pestilento. Em se tratando de época eleitoral é pior. O país reduz-se então a um enorme eco-ponto onde cabe quase tudo. O presidente desta república do lixo dá o exemplo - mexe e remexe de acordo com as conveniências da lixeira (porque a lixeira também tem as suas conveniências) e nesse afã não poupa amigos e correlegionários! No lixo vale tudo.
Do outro lado da lixeira, na zona dos plásticos, agitam-se alguns detritos flutuantes, triunfantes porque ficaram momentânea e aparentemente por cima. É assim a vida do lixo.
O melhor é ficar por aqui, longe das urnas, por causa dos salpicos. Eu disse urnas, mas pensei em contentores... do lixo.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Farto de Manuelas

Aparecem com ar de novidade, como se aqui aterrassem pela primeira vez, mas nunca de cá saíram, andaram sempre por aí, e a receita é a mesma – produzir e poupar. Uma boa receita, pena que sejam (sempre) os mesmos a pagar a conta.
Ah, mas é melhor que Sócrates, dizem. Não sei. Ambos mentem. Sócrates prometeu baixar os impostos e não fez outra coisa senão aumentá-los! Nem os reformados escaparam. Manuela afirma que é a seriedade em pessoa, e agora é ela que promete não aumentar os impostos. Mas no seu discurso só fala de dívidas, dívidas que temos que pagar. Já agora com que dinheiro?! Com o dela não é certamente. Por outro lado ninguém se esquece do episódio das acções do Benfica – que serviram para pagar dívidas fiscais! Papéis sem qualquer valor, uma cedência ao popularucho, a dama de latão no seu melhor.
Mas aquilo que mais os identifica, chefes de fila que são de dois partidos iguais, é esta querela castelhana!
Um, por causa do TGV, a outra, por causa do Santander, acusam-se mutuamente de estarem ao serviço dos espanhóis. E desta vez, provavelmente, têm ambos razão.
Para desespero do país.

Saudações monárquicas.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Medina razão!

Medina Carreira tem razão. Só que não basta ter razão é precisa a solução! E a solução é política, se o problema é económico. E a solução proposta, um conjunto de homens bons, pessoas sérias, desprendidas do poder, capazes e trabalhadeiras, não existem, ou se existem não querem participar num jogo/sistema/regime… batoteiro. A história é simples e repetida.
Aliás, a ideia do Professor fez-me lembrar outro Professor – quarenta e oito anos de união nacional, mais ditadura. E um presidente da república para inaugurar fontanários!
Talvez seja útil reavivar a memória - todos se lembram que o rei D. Carlos também quis dar uma solução ao país. Solução que passava pelo fim das manigâncias partidárias, dos governos que caíam, apenas porque isso interessava à oposição!
Foi assassinado por causa disso.
E a verdade é que existe uma grande similitude entre o chamado rotativismo monárquico e a situação actual – em ambos os casos subsiste, ou uma batota regimental, que ninguém (nem o rei) conseguiu emendar, ou uma ideologia infantil, que também ninguém quer emendar!
E não querem emendar porque isso não convém ao nacional barriguismo.
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Mas vejamos o paralelo: - no rotativismo, os dois partidos que se revezavam no poder, sabiam que destituindo o adversário era a eles que (constitucionalmente) incumbia a tarefa de prepararem as próximas eleições! Que ganhavam sempre, bastando para tal prometer lugares e mordomias à clientela habitual. Clientela que mudava de casaca e de voto consoante as conveniências do momento. Foi esta batota que arruinou o país e permitiu o assalto ao poder por parte do partido republicano.
Não havia homens bons e honestos nesse tempo?! Claro que havia, mas afastavam-se da política.
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Actualmente as coisas passam-se com outra subtileza mas o resultado é o mesmo – os partidos do arco do poder também se revezam e também sabem que as promessas eleitorais são para esquecer após a vitória nas eleições. Mas, ao contrário do rotativismo monárquico, o (partido do) governo tem possibilidades de ser reeleito, uma vez que o período eleitoral é assegurado pelo governo em funções, ainda que com reserva de gestão.
Porém, se conseguimos maior estabilidade governamental, não diminuímos o clientelismo partidário. A situação piorou, porque os partidos se tornaram omnipotentes e omnipresentes, já que nem o presidente da república lhes escapa. Pois são eles que o produzem.
Ficámos, portanto, com todos os vícios do rotativismo monárquico e perdemos um árbitro, que não dependia dos partidos e por isso mesmo, podia ser árbitro.
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Sabemos que aqui na terra não existem regimes perfeitos. Mas existem uns melhores do que os outros.

Saudações monárquicas

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

A reacção cinzenta (cobarde)

Segundo informações que posso considerar fidedignas, a polícia judiciária deteve hoje Rodrigo Moita de Deus e Henrique Burnay (elementos do 31 da armada) quando ambos se aprestavam para devolver (à Câmara Municipal de Lisboa) a bandeira da cidade. Bandeira que foi (momentâneamente) substituída no passado dia 10 de Agosto por uma das bandeiras portuguesas. A bandeira azul e branca.
Como se vê o regime republicano não mudou nada! É o mesmo que foi imposto pela força em 1910, que nunca foi referendado ou plebiscitado, que substituíu sem pedir licença a bandeira nacional, é o mesmo que sobreviveu em ditadura durante meio século, que alijou responsabilidades através de uma descolonização 'exemplar', e que tem uma justiça com dois pesos e duas medidas. Nestes regimes as forças de segurança nunca são respeitadas porque estão mais preocupadas com a defesa da situação do que com os direitos e deveres dos portugueses.
Por isso o chamado caso da bandeira, cumprido o seu papel cívico, teria ficado por aqui, se houvesse da parte do poder a sensibilidade e grandeza necessárias para perceber a mensagem e encaixar o revés. Mas pelos vistos não há.
E nem podia haver pois então estaríamos a falar de outro regime, um regime em que os monárquicos não teriam razão.
E já não peço que se regenerem, mas peço que não façam mais asneiras - soltem os prisioneiros, já.