
Uma exposição organizada por Mário Venda Nova, autor do blog de fotografia O Elogio da Sombra (que há muito faz parte dos meus favoritos), dá a conhecer um trabalho de Fernando Guerra. É uma oportunidade para descobrir uma das suas reportagens mais pessoais, fora do campo estrito da arquitectura, oferecendo um registo da vida dos Trabalhadores na Praia do Calhau em São Vicente, Cabo Verde.
A exposição está patente na Galeria Colorfoto e faz-se acompanhar do lançamento do livro Entre Reportagens, para o qual tive o prazer de contribuir com um breve texto.
Para ver até 17 de Outubro, na Rua Sá da Bandeira, 526, no Porto.
Cape Verde workers collecting basalt for use in local constructions – photography by Fernando Guerra on display in Oporto at Galeria Colorfoto, until October 17th. Exhibition catalogue available online - Entre Reportagens.

Imagino agora o que ela terá pensado, por detrás daqueles olhos verdes, ao ver-me invadir o território sagrado da sua vida partilhada com aquela que por certo tinha como sua única companheira. Quem será este? Com que intenções se apodera do nosso lugar, do nosso tempo de aconchego, quando a noite cai e o mundo pertence apenas a nós duas?
Dediquei à pequena Cinza o mesmo desprezo que ela me dirigia. Não por desgosto ou falta de afeição. Pelo contrário, porque nestas coisas dos gatos devemos sempre respeitar os seus tempos e os seus espaços.
Passaram por certo duas semanas. Pensei que estaria para mim perdida aquela gata que a tantas doçuras se entregava pela mulher com quem um dia eu haveria de casar. E estava eu sentado, rodeado sei lá que afazeres, quando ela chegou por cima de tudo como quem atravessa o mundo. Assim me dedicou o seu primeiro beijo áspero, delicioso como se nada fosse, a maravilhosa Cinza.
Sabe quem alguma vez conviveu com gatos ou cães que todos são diferentes. Não apenas no temperamento mas no grau de evolução intelectual. Sim, eu disse intelectual. A Cinza foi, e porventura sempre será, a gata mais inteligente que eu já vi. Assim lhe dedicámos o cognome de “gato-pessoa”, pelo brilho, pelo afecto profundo, pela carência, pelo ciúme, por tudo aquilo que fez dela a mais luminosa presença da nossa casa durante os anos que agora julgaremos sempre tão curtos. E, no entanto, se as probabilidades mandassem, a Cinza já devia ter morrido há muito.
Quando a tristeza se apoderou das nossas vidas, no tempo suspenso de uma frágil gravidez perdida, foi ela quem sentiu mais fundo a dor que nos atingiu. Acolheu-a como sua, deixou de comer e assim se abeirou da morte. Duas novas palavras entraram na nossa casa: lipidose hepática. O estado clínico da Cinza disparava em valores dez vezes para lá de todas as esperanças. Diversos dias de internamento deixavam-na agora prostrada para a encontrarmos, mais um dia passado, à beira do fim.
Podíamos ler-lhe nos olhos: a Cinza desistiu de viver. Se aqui fica, morre. Falámos com os veterinários explicando porque tínhamos de levá-la para casa. Os médicos alertaram-nos para a complexidade do tratamento, com muita medicação e alimentação regular, por um tubo esofágico, de três em três horas, sem excepção. Sim, numa situação normal, levá-la para casa seria uma loucura. Mas nós não somos pessoas normais.
A Cinza viveu um mês em cima da nossa cama. Uma capa impermeável esticada, com cobertas por cima. Uma caixa de areia ao fundo, assim mesmo. Quase não se movia e a nada reagia. Mas foi sobrevivendo, dia-a-dia, àquela rotina desesperada. De quando em vez a indisposição sobrevinha para se perder em espasmos. Ficava desfeita. E a rotina recomeçava mais uma vez.
A pouco e pouco a medicação, a comida e o amor foram curando aquele frágil fígado doente. E regressou um dia, como se nada fosse, para o meio de nós, cumprimentando-nos com um novo primeiro beijo. Para mais uma vida.
A Cinza deixou este mundo, suspensa nas minhas mãos, no Domingo passado, juntando-se à nossa pequena cadela branca que morreu há cerca de dois meses. Todas as vidas começam encharcadas em dor e talvez uma nova vida tenha começado ali mesmo. Uma vida de que a Cinza já não fará parte, mas em que a lembrança dos seus gestos, dos seus abraços, dos seus beijos, do seu cheiro, fará sempre parte de nós. Possam todos conhecer, uma vez na vida, a bênção da devoção mais pura como a da nossa pequena Cinza, a gata mais extraordinária que alguma vez existiu.
I wonder now what she must have thought, behind those green eyes, as I invaded the sacred territory of a life shared with the one she deemed to be her only companion. Who is this man? What brings him to our place, invading our time of cuddling, when the night falls and the world belongs to just the two of us? I ignored Cinza just as she ignored me. Not for contempt or lack of affection. It was, in fact, the opposite, for when it comes to cats one should always respect their own time and space. [+/-]

HoCo – Density Housing Construction & Costs is a new book from a+t architecture publishers.
A indústria de habitação é a área de produção arquitectónica mais vulnerável aos efeitos da crise económica. Isto tem, como consequência, a redução do volume de trabalho à disposição das firmas de arquitectura, bem como o encerramento de empresas na área de construção em todo o mundo. A capacidade de inovação é agora uma necessidade absoluta, não apenas para responder aos requisitos contemporâneos de eficiência e sustentabilidade ambiental mas também para cumprir exigências de racionalidade custo-benefício nas soluções para estes novos problemas.


MVRDV: Celosia Residence, Madrid, Spain, 2009. Image credits: Ricardo Espinosa (photos).
HoCo – Density Housing Construction & Costs é um novo livro que reúne uma vasta selecção de edifícios de construção recente. Trata-se do terceiro volume na série Density produzida pela editora de arquitectura a+t, e dá a conhecer uma análise comparada dos projectos baseando-se em definições relevantes como contexto urbano, capacidade residencial, modelo de promoção (público ou privado) e, mais curiosamente, custos de edificação. Cada projecto é apresentado com recurso a um conjunto de fotografias, desenhos e detalhes técnicos que permitem obter um entendimento aprofundado dos sistemas construtivos aplicados.
HoCo procura ainda estabelecer um debate em torno da sistematização na indústria da construção. Ainda hoje este sector preserva características próprias de metodologias artesanais, através da congregação de artífices de especialidades segmentadas reunidos no tecto de um mesmo empreendimento. No entanto, as exigências para estabelecer soluções viáveis no desenho material, eficiência energética e sustentabilidade global da produção arquitectónica são cada vez maiores, bem como as obrigações de manter todas essas tarefas dentro dos orçamentos estipulados. Os arquitectos têm assim de conjugar duas realidades aparentemente opostas: a eficiência linear da produção industrial com a imaginação própria de um artífice. Este livro apresenta um conjunto exemplar de projectos que revelam esse brilho criativo, propondo associações materiais atípicas e soluções de design capazes de obter os melhores resultados, colocando a inovação novamente no centro do debate arquitectónico do nosso tempo.
Dosmasuno Arquitectos: Carabanchel Housing, Madrid, Spain, 2007. Image credits: Miguel de Guzmán.
BIG+JDS: Mountain Dwellings, Copenhagen, Denmark, 2008. Image credits: Jens Lindhe.
The house building industry is the area of architectural production that’s more vulnerable to the effects of the economic crisis. It means that, all around the world, architectural studios are being downsized and construction companies are shutting down. Innovation is therefore needed not only to address the needs of contemporary life, merging the requirements of efficiency and environmental sustainability, but also to meet the demands for rational, budget-wise solutions to these new challenges.
HoCo – Density Housing Construction & Costs is a new book that gathers a wide selection of recently built housing projects. This is the third volume in a+t’s Density Series, presenting a comparative analysis of several key issues like urban insertion, dwelling capacity, promotion model (public or private) and, most interestingly, construction costs. Each project is featured with a comprehensive set of photos, drawings and building details that allow for a better understanding of the technical systems applied in its construction.
HoCo raises a debate on the issue of systematization within the construction industry. The building industry remains, to this day, a large-scale multi-disciplinary work of craftsmanship. But we now face the need to establish viable solutions regarding material design, energy efficiency and overall sustainability in architecture, and keep it on budget. Architects have to merge two opposing realities: the lean efficiency of industrialized production with the imaginative mind of a craftsman. This book presents an exemplary set of projects that reveal that creative spark, materializing atypical associations of components and design solutions to meet the finest results, and placing innovation, once again, at the heart of the architectural debate of our times.
Visit a+t architecture publishers for additional information on this book and other publications.

Beyond é uma nova publicação dedicada à exploração das fronteiras entre a arquitectura, a literatura e as artes visuais. A primeira edição, dirigida por Pedro Gadanho, apresenta uma série de ensaios prospectivos que abordam a incerteza colectiva em relação ao futuro do mundo urbano.
O género de ficção científica sempre se construiu sobre a realidade do seu tempo. À medida que o mundo muda, assim mudam a nossa imaginação e os nossos medos. A ficção do mundo moderno era dominada pela opressão da ideologia e do controlo colectivo. O Admirável Mundo Novo de Huxley é um manifesto contra a ameaça da utopia absoluta. Quarenta anos depois, um jovem George Lucas projectava um lugar semelhante na sua primeira longa-metragem. THX 1138 foi produzido no auge da oposição à Guerra do Vietname, retratando um mundo desumanizado em que os sentimentos e compulsões individuais eram suprimidos através de drogas e manipulação psicológica.
É interessante notar que a ficção contemporânea não é tanto sobre controlo como sobre a perda de controlo. O pós-contemporâneo é o mundo da incerteza, de fenómenos espontâneos irreprimíveis. Se em tempos tínhamos medo daquilo que esperávamos, talvez hoje nos cause mais temor o que não se consegue percepcionar em escala e profundidade.
As histórias apresentadas na Beyond variam entre a quase-ficção e o reino da conjectura pura. No seu artigo introdutório, Taken to Extremes, Pedro Gadanho especula sobre o futuro do arranha-céus numa economia em declínio: mega-estruturas verticais tornam-se no derradeiro reduto dos privilegiados perante a decadência urbana em redor. Um futuro distópico que pode vir a pagar o seu tributo aos trabalhos ficcionais de William Gibson, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick. Um lugar onde a arquitectura se pode vir a tornar na grande barreira social da humanidade.


Beyond is a new book series devoted to the exploration of the boundaries between architecture, literature and visual arts. The first edition of Beyond, directed by Pedro Gadanho and suggestively subtitled Scenarios and Speculations, addresses our common uncertainties towards the future of the urban world through a series of prospective essays authored by European architectural writers.
Science fiction was always built upon the reality of its time. As the world changes, so does our imagination and our fears. The fiction of the modern world was dominated by the oppression of ideology and collective control. Huxley’s Brave New World is a powerful manifest against the menace of an absolute Utopia. Forty years later, George Lucas envisioned such a world in his first feature film. THX 1138 was released in the height of opposition to the Vietnam War and portrayed a dehumanized world where individual feelings and compulsions were suppressed, through drugs and indoctrination.
Interestingly, contemporary fiction is not so much about control as it is about the loss of control. The post-contemporary is a world of uncertainty, of spontaneous, uncontrollable phenomena. If we were once afraid of that which we expected, perhaps we are now more terrified of a future we cannot perceive in depth and scale.
The stories presented in Beyond range from near-fiction to the realm of pure conjecture. In his introductory article, Taken to Extremes, Pedro Gadanho speculates about the future of high-rise buildings under a declining economy: vertical megastructures become strongholds for the chosen few, surrounded by never-ending urban slums. A dystopian future that could pay tribute to the fictional works of William Gibson, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick. A place where architecture may become the greatest social divide of mankind.

Há mundos que se perdem. Pelo menos, para o sempre que duram as nossas vidas. Talvez o mundo perdure para lá das frequências rádio, telemóveis, internet e GPS. Mas esse mundo estará para sempre perdido no tempo que nos é dado, eternamente curto.
Em Biplane, o escritor aviador Richard Bach escreveu sobre um desses mundos. É um belo livro de viagem, daqueles para ler na edição paperback na língua original, e de que hoje me resta uma pálida lembrança com rugas e nódoas de inter-rail. É a história de uma viagem de avião, de costa a costa, num biplano Detroit Ryan Speedster, modelo Parks P-2A de 1929 – porque nestas coisas os pormenores são sempre importantes. Melhor, é a história de uma viagem a bordo de uma máquina do espaço e do tempo, aos primórdios da aviação a motor, da navegação à vista, de ventos cruzados fatais e de aterragens destemidas ao pôr-do-sol em campos perdidos da grande América. É uma viagem fascinante, de vida ou morte, como só sabem contar aqueles que viajaram para muito longe e de lá, de alguma forma, nunca mais voltaram.
Saint-Exupéry é um desses homens, perdido que andou no deserto mais profundo da Líbia e no frio mais cruel dos Andes onde padeceria a vida o seu grande amigo Henri Guillaumet. Essa grande história imortalizou o escritor francês, igualmente apaixonado pela aviação, no livro Terre des Hommes, testamento de muitas viagens e outros tantos mundos perdidos.
De certo modo, é também disso que escreve Miguel Sousa Tavares no seu mais recente pequeno livro, No Teu Deserto. Pois que nos esquecemos que o manto de tecnologia nos consome e retira mundos ao mundo, com a subtil rapidez com que os telemóveis e os GPS processam os seus automatismos para encontrar redes invisíveis. Existirá o deserto ainda, hostil e profundo, que nos reduza à dimensão humana de estar só no vazio?
Sousa Tavares descreve uma derradeira viagem ao vazio onde duas almas se podem encontrar, apenas e só. Essa viagem conhecíamos já de uma das suas crónicas do Sul, que regista exactamente o trilho da Pista para Tamanrasset. A sua companheira de aventura, Cláudia, está lá nas entrelinhas. No Teu Deserto encerra essa bela, terrível, inesquecível viagem. Ao último deserto, sem regresso.
Image credits: Bila Nina.
E agora, para um pouco de intriguice arquitectónica: o Fredy Massad escreveu algumas das coisas mais duras que eu já li sobre o Bjarke Ingels, mas, afinal, são amigos no Facebook.
And now for some architectural gossip: Fredy Massad has written some of the harshest things I’ve ever read about Bjarke Ingels, but, as it turns out, they’re actually friends on Facebook.

Ora aí está uma coincidência. Acabo de ler no Kottke que, graças a Bill Gates e ao Projecto Tuva da Microsoft Research, todos podem ver as Palestras de Física de Richard Feynman, gravadas pela BBC na Universidade de Cornell em 1964.
Well, that was a coincidence. I’ve just read on Kottke that, thanks to Bill Gates and Microsoft Research’s Project Tuva, everyone can watch Feynman’s lectures on Physics, recorded by the BBC at Cornell University in 1964.

This blog began with a quote by Richard Feynman. Today I was searching for videos in Google and his name came into my mind. Here’s what I found.
The Pleasure of Finding Things Out
Take The World From Another Point of View – Part 1
Take The World From Another Point of View – Part 2
Take The World From Another Point of View – Part 3
Take The World From Another Point of View – Part 4
Richard Phillips Feynman - The Last Journey of a Genius
It Took a Genius
There's other stuff to see out there. Don't you love the internet?

Samparkour. Uma viagem incrível na mega-metrópole de São Paulo com passagem por alguns ícones da arquitectura paulista. Sitio web oficial em samparkour.com.br.
Samparkour. An incredible journey through the megacity of São Paulo and some of its modern architectural icons. Main website at samparkour.com.br.

Recentemente apresentado no Guardian online, este guia interactivo criado pela English Heritage fornece medidas práticas sobre como melhorar o ambiente urbano na vossa querida cidade histórica. É muito tradicionalista, eu sei, mas o interface é bastante divertido. No entanto, eu deixava ficar a casa lilás. Devem ser os vizinhos mais interessantes lá do bairro.
Recently featured on Guardian online, this interactive guide created by English Heritage gives you the basics on what to do to improve the urban environment of your cherished historical town. It’s very traditionalist, I know, but the interface is really entertaining. I would leave the purple building, though. It’s the funniest house in the whole neighborhood.
An Engineer’s Guide to Cats. «When you have 3 cats you start to get to be that guy who has all those cats»... I know that feeling!

Fifty People, One Question. Uma ideia simples. Ir a um sítio. Fazer a mesma pergunta a cinquenta pessoas. Filmar as suas respostas.
Quantas vezes encontramos pessoas anónimas, os populares, questionados na televisão sobre toda a espécie de temas? E o que nos é dado a ver, afinal? Na profusão interminável dos media, como é retratado o público?
Eis um exercício cinematográfico que penetra para lá do ruído e do irrelevante para captar um vislumbre da essência destas pessoas. Visitem o sítio web em fiftypeopleonequestion.com.
Fifty People, One Question. A simple idea. Go to a place. Ask fifty people the same question. Film their responses.
There’s something delightfully interesting about this. How often do we see anonymous people questioned on television about all sorts of issues? And what do we see, really? In the profusion of the mass media stream, how is the public portrayed?
Here is a cinematic exercise that breaks through the noise and the irrelevant to catch a glimpse of the essence of these individuals. Visit the main website at fiftypeopleonequestion.com.

Não é todos os dias que o The Architect’s Journal entra em modo “geek”. No recente artigo Top 10: The architecture of Star Wars ficamos a conhecer alguns dos mais arquitectásticos exemplos da célebre saga de George Lucas, bem como os seus ecos no mundo real. Uma piscadela de olho para a comparação entre um colossal Sandcrawler e a Casa da Música.
A imagem acima é cortesia de Fernando Guerra. Os pequenos Jawas são da Wookipédia, de onde é que havia de ser?!
It’s not everyday that one witnesses The Architect’s Journal going into geek mode. The recent article Top 10: The architecture of Star Wars presents some of the most architectastic examples of the epic sci-fi saga, as well as their substitutes in the real world. One has to laugh at the comparison between a colossal Sandcrawler and Koolhaas’s Casa da Música.
The image above is courtesy of Fernando Guerra. The little Jawas are from Wookipedia, where else?!

Se gostaram do filme HOME de Yann Arthus-Bertrand não devem perder a sua apresentação no TED Talks.
Fazendo a exposição de algumas das mais graves crises ambientais do planeta – o fim da economia do petróleo, o aquecimento global, o degelo do Ártico, a escassez de água, a fome - Arthus-Bertrand refere que “não queremos acreditar naquilo que sabemos”. Com a sabedoria de uma verdade tão simples somos confrontados com a cultura de negação que teima em persistir na sociedade e no tempo em que vivemos.
Destaque inevitável para o seu projecto intitulado 6 billion Others, um retrato global da humanidade contemporânea feito de depoimentos em primeiro plano de cidadãos de todo o mundo sobre temas universais.
Num tempo por vezes dominado pelo ruído mediático e a profusão da imagem, eis um trabalho que nos convida a “ouvir o outro” no mais profundo sentido do termo. Simplesmente extraordinário.
Yann Arthus-Bertrand, creator of the movie HOME, delivers an outstanding presentation on TED Talks.
Presenting some of the direst crisis of our planet – the end of the oil economy, global warming, shortage of water, famine – Arthus-Bertrand states that “we don’t want to believe what we know”. With the wisdom of such simple truth we are confronted with the culture of denial that persists throughout our society.
He also presents his latest project titled 6 billion Others, a portrayal of the contemporary mankind composed by statements of citizens from every corner of the world about universal issues.
In our age, often dominated by a profusion of images and media noise, here is a work that invites us to “listen to the other” in the most profound sense. Simply amazing.
Este craque é meu primo! Chama-se Hugo e tem 15 anos. Apreciem! :))
This kid is a cousin of mine! His name is Hugo and he’s 15 years old. Enjoy!

Os mais distraídos não devem perder a exibição online do filme HOME, disponível em grande formato no YouTube até ao dia 14 de Junho - ver links abaixo.
HOME é um documentário realizado pelo fotógrafo e jornalista francês Yann Arthus-Bertrand, com produção de Luc Besson e Denis Carot. Um olhar diferente sobre o nosso planeta, retratando o seu momento actual feito de pequenos equilíbrios e as disrupções provocadas pela presença humana. Um filme que nos convida a reflectir sobre as nossas próprias circunstâncias e a relação próxima entre todas as formas de vida na Terra.
Sítio web oficial: HOME.
YouTube: HOME - versão integral disponível em Inglês, Francês, Alemão e Espanhol, até ao dia 14 de Junho.
Actualização: também disponível em versão portuguesa.
The movie HOME is available on YouTube until June 14th – links below.
HOME is a documentary directed by Yann Arthus-Bertrand and produced by Luc Besson and Denis Carot. It offers a different perspective over our planet, portraying the small balances of life and the disruptions caused by human activity. It’s a film that invites us to reflect on our own circumstances and the close relationship between all life-forms on Earth.
Official web site: HOME.
YouTube: HOME - full version available in English, French, German, and Spanish, until June 14th.
O entusiasta de arquitectura sentir-se-á compelido a explorar a recriação hiper-realista da cidade de Veneza de finais do século 15 presente no jogo Assassin’s Creed 2.
Pelo menos, essa será a minha desculpa…
The architecture enthusiast will likely feel compelled to explore the hyper-realistic recreation of 15th century Venice portrayed in Assassin’s Creed 2.
I know that will be my excuse…
Via GameSpot.

Continua em exibição até ao dia 3 de Junho, no Cinema City Classic Alvalade, o documentário As Operações SAAL. O filme procura captar o espírito único que conduziu o processo participado de construção de habitação envolvendo arquitectos e população no período do pós-25 de Abril, momento histórico irrepetível cujo alcance extravasa para a problemática mais lata da participação democrática nos destinos da sociedade.
Destaque para a Sessão Especial a decorrer na próxima segunda-feira, dia 1 de Junho às 19h15, que contará com as presenças do realizador João Dias e do arquitecto João Luís Carrilho da Graça, recentemente galardoado com o Prémio Pessoa. A não perder.

A primeira edição da nova série do Jornal Arquitectos (n.º 234), com direcção de Manuel Graça Dias, abre com o sugestivo tema de capa «Ser Populista». O editorial inicia o debate sobre a forma como a arquitectura é discutida no espaço público, lugar tantas vezes enviesado por argumentações demagógicas que, na sua aparência, se parecem revestir da legitimidade própria das evidências indiscutíveis.
Graça Dias faz uma breve referência à polémica que rodeou a proposta do edifício no Largo do Rato, da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus. Vale a pena relembrar que, a respeito deste projecto em particular, autarcas da cidade de Lisboa utilizaram expressões como «excrescência urbana» e «ditadura da arquitectura da modernidade». No calor do momento até a intelectualmente insuspeita Clara Ferreira Alves exprimiu as suas perplexidades na sua crónica regular no Semanário Expresso: «(…) que os bairros antigos das cidades são para ser deixados em paz, reabilitados e mantidos longe das garras modernistas de arquitectos visionários que normalmente habitam bairros tradicionais, casas tradicionais, e jamais põem os pés como moradores e utilizadores nos monos que eles assinam».
A conflituosidade parece tornar-se registo recorrente do modo como se discute arquitectura, fora do meio estrito da profissão. O eco destas controvérsias repete-se em petições onde prevalece, na maior parte dos casos, o apelo à emoção sobre uma desejável busca argumentativa de base racional.
O problema que Graça Dias identifica tem, no entanto, duas faces distintas. Como o próprio refere: «(…) lutar contra todas as formas de populismo que cercam a nossa actividade, pressupõe, também, que consigamos, nós arquitectos, retirar o máximo de arbitrário que possa existir nos desenhos que propomos».
A este respeito importa dizer que, no caso do Largo do Rato, estamos perante um projecto de iniciativa privada sobre um terreno particular, cujos contornos jurídicos e financeiros são bem distintos daqueles que rodeiam as obras de promoção pública. Nesse âmbito ganham ainda mais sentido as palavras seguintes do editorial do JA. Escreve Graça Dias:
«Dito de outro modo, o populismo ganha maior amplificação e capacidade de sedução se, do outro lado, o trabalho do arquitecto não conseguir provar a fundamentação das diversas opções; se, realmente, a carga de arbitrariedade for de tal modo evidente que a defesa das escolhas fique encurralada no pântano dos “gostos”.»
O debate que se desenvolve nos vários artigos que compõem esta edição do Jornal de Arquitectos enferma da dificuldade em extravasar a discussão do plano da generalidade. É mais difícil dissecar estes problemas quando falamos de projectos específicos, nesse território ingrato onde as pessoas têm nome. Onde as palavras, mesmo se assertivas, ferem a susceptibilidade e podem magoar colegas que nos são próximos ou que sabemos serem profissionais de percurso esforçado e reconhecidamente sério.
Mais difícil se torna quando o ambiente da discussão pública que nos rodeia não é regido pelo princípio da boa fé – num exercício constante de desmontagem das intenções ocultas, mesmo quando elas não existem, do ângulo político, das invejas ou da mesquinhez de quem mais não quer do que ser ouvido. Acima de tudo torna-se impossível o debate dessa desejável «cidadania» quando tudo nos arrasta para o domínio da suspeição – esse anátema bem traduzido na frase do Gato Fedorento: «o que tu queres sei eu».
Um caso paradigmático da dificuldade em travar este tipo de discussão é o procedimento em torno do novo Museu dos Coches. Valerá a pena relembrar um episódio que teve lugar na sessão de apresentação pública do projecto, nas instalações da Ordem dos Arquitectos em meados de Outubro do ano passado, em que esteve presente o arquitecto Paulo Mendes da Rocha. Aberta a fase de intervenções, um espectador ergueu-se para expor as suas críticas à proposta, sendo interrompido por um colega presente na sala que lançou essa fatídica frase: «Está na presença de um Pritzker».
Trata-se de uma demonstração exemplar da negação do diálogo, sustentada num pretenso dever de submissão para com a superioridade intelectual do autor. Fazendo caricatura, mais será dizer que não se pode criticar um novo filme de Steven Spielberg por se tratar de um vencedor do Óscar.
Esta deslocação do debate sobre a obra concreta, na complexidade das suas circunstâncias, para o plano pessoal, mais não faz do que dirigir a reacção pública para uma esfera de não-discussão. O fenómeno repete-se na forma como agentes políticos e promotores públicos utilizam o nome de arquitectos reconhecidos para legitimar à partida os projectos que dirigem, esmagando as resistências de um eventual debate público.
Mais grave se torna quando, no caso do novo Museu dos Coches, um colectivo de arquitectos de reconhecido mérito subscreve uma petição alheia ao contributo argumentativo sobre a obra para exercer a defesa do autor que, na sua pessoa e na sua obra, não está em causa. Eis uma passagem dessa subscrição: «Considerando, assim, que o novo edifício do Museu Nacional dos Coches, da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, há muito militante de uma arquitectura de causas públicas, resultará num edifício de cidade e dos cidadãos com inegável interesse público, para além do valor intrínseco da sua qualidade estética, ética e cívica.»
Podemos interrogar, com igual legitimidade, quais os argumentos de razão que ali se encontram. Podemos, afinal, questionar se as boas intenções que ali se enunciam não são tão vagas quanto as asserções dos descontentes que, do outro lado da barricada, sem pudor rotulamos de populismo.
O traço que se parece repetir nos casos mais notáveis e controversos de obra pública em Portugal é uma ausência de substância programática que torne claras as razões que sustentam os projectos e as soluções encontradas. Ainda que essas razões possam existir, os projectos são apresentados sem que se dê a conhecer o enquadramento do que se pretende realizar, dos seus objectivos, dos seus desígnios.
Temos, como exemplo mais recente, o debate sobre a proposta de reformulação do Terreiro do Paço / Praça do Comércio. Perante um dos lugares mais simbólicos da cidade temos a obrigação de discutir a nossa “visão” da cidade contemporânea. Que expectativas temos, que funções desejamos, que valores buscamos? Que vida humana queremos instituir naquele lugar – que, bem entendido, já não é um Terreiro do Paço, e também já não é uma Praça do Comércio. Que contributo tem esta geração – todos nós, afinal – neste tempo histórico, a dar à cidade de Lisboa?
Perante a grandeza do feito que ali poderá ter lugar, discutir o atrevimento dos losangos ou dos degraus é um pouco como querer discutir uma casa começando pelo papel de parede.
No fundo, no modo como a promoção pública destes procedimentos é politicamente representativa do que somos, revela-se a omissão de uma geração com medo – ou desconhecimento – da sua cultura, do seu lugar, do seu sentido. Perante a ausência de um desígnio, transposto em objectivos concretos e traduzido em conceitos programáticos, avançamos em discussões “compartimentalizadas” sobre pequenos nadas. Acabamos nós, arquitectos, a reduzir a grandeza da arquitectura na sua dimensão urbana ao papel de decorador sensível, de lirismo em lirismo, cada vez mais distante desse público que desejávamos conquistar.
Correndo o risco de me repetir, importa dizer que o processo da arquitectura começa a montante do desenho. Os intervenientes da arquitectura e do urbanismo – promotores e autores – devem compreender que o projecto não é um objecto mas um meio para materializar objectivos, conceitos, valores, em obra física. E que um mau processo, mal planeado e mal pensado, nunca resulta num bom projecto. Seja quem for o autor.

A rede internacional de arquitectura www.world-architects.com lançou recentemente o seu novo portal: www.portuguese-architects.com.
A plataforma internacional World Architects visa a criação e manutenção de uma biblioteca de arquitectura contemporânea à escala global, reunindo trabalhos seleccionados de nomes bem conhecidos e talentos emergentes das áreas de arquitectura, paisagismo, design de interiores, fotografia de arquitectura e demais áreas relacionadas com a produção de arquitectura a nível internacional.
Actualmente estende-se através de 16 portais regionais, tendo vindo a ganhar visibilidade como ferramenta de trabalho na promoção de estúdios de arquitectura bem como na divulgação cultural do que se vai fazendo de relevante pelo mundo fora. Entre as várias funcionalidades disponíveis destacam-se a selecção de edifício do mês, a bolsa de emprego e mais recentemente a criação de uma biblioteca de materiais. Vários eventos internacionais no domínio da arquitectura, design e construção - congressos de arquitectura, bienais, exposições e prémios internacionais, feiras de construção - usam a plataforma como veículo de promoção e divulgação das suas actividades. Mensalmente, cerca de 500.000 visitantes percorrem os mais de 1.800 perfis representados nos 17 sites existentes.
A newsletter actualiza bimensalmente toda a informação e chega a mais de 80.000 subscritores.
O site regional www.portuguese-architects.com já está online e espera-se que venha a representar uma mais-valia na divulgação da arquitectura portuguesa e dos seus vários intervenientes.
The international architecture network www.world-architects.com has recently released its latest portal: www.portuguese-architects.com.
World Architects is both an internet portal and a platform for contemporary architecture, featuring a range of work from successful and emerging talents in architecture, landscape architecture and supporting design professions. It currently expands through 16 regional portals, includes a project gallery of 18.000 selected buildings worldwide and receives an impressive figure of 500.000 monthly visitors.
Visit Portuguese Architects for additional information and subscribe the world-architects newsletter to keep in touch with the newest entries and updates.
Selected posts from my web reader for your personal enjoyment.
Portuguese language blogs.
A selection of blogs I read on a regular basis.
Do you feel lucky?
Happy browsing...
December 2003 January 2004 February 2004 March 2004 April 2004 May 2004 June 2004 July 2004 August 2004 September 2004 October 2004 November 2004 December 2004 January 2005 February 2005 March 2005 April 2005 May 2005 June 2005 July 2005 August 2005 September 2005 October 2005 November 2005 December 2005 January 2006 February 2006 March 2006 April 2006 May 2006 June 2006 July 2006 August 2006 September 2006 October 2006 November 2006 December 2006 January 2007 February 2007 March 2007 April 2007 May 2007 June 2007 July 2007 August 2007 September 2007 October 2007 November 2007 December 2007 January 2008 February 2008 March 2008 April 2008 May 2008 June 2008 July 2008 August 2008 September 2008 October 2008 November 2008 December 2008 January 2009 February 2009 March 2009 April 2009 May 2009 June 2009 July 2009 August 2009 September 2009
The architecture blog A Barriga de um Arquitecto / The Belly of an Architect (written in bilingual Portuguese-English) is mainly focused on contemporary architecture and urban design, covering recent works from Portuguese architects as well as projects of international significance.
My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 4 cats – Cinza, Óscar, Matilde, Margarida – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request. I love traveling, watching movies, reading books and draining the battery from my X360 gamepad. In my lifetime I have visited the following countries: India, Nepal, China (Hong-Kong and Macau), Greece, Spain, France, Italy, Austria, Hungary, Poland, Czech Republic, Germany and the Netherlands. I have also completed many videogames.
I love feedback, so feel free to drop me a line to abarrigadeumarquitecto@ gmail.com or meet me on Facebook. I'm also registered on Twitter but I don't make much use of it.
This blog is published under a Creative Commons license.
Subscribe to this blog's content feed.
Established Dec. 2003. Thank you for stopping by.
If you ever lived with a cat or a dog you know they are all very different. Not just in temper but in regard to intellect. Yes, I said intellect. Cinza was, and probably always will be, the most intelligent cat I have ever known. And so we gave her the nickname of “cat-person”, for her clarity, profound affection, neediness, jealousy, for all the magical things that made her the brightest presence in our home for years.
Cinza left this world, as I held her in my hands, last Sunday, joining our little white dog that passed away two months ago. Every life begins soaked in pain and perhaps a new life began that very moment. A life that Cinza will not be a part of, but in which the memory of her gestures, her hugs and kisses, her scent, will always be a part of us. May everyone know, at least once in this lifetime, the miracle of love and purest devotion that Cinza blessed us with, the most extraordinary cat that ever existed.