Terça-feira, Setembro 29, 2009

S.O.S. Cabedelo 

(Publicado no portal Esquerda.net)

Unidos no protesto contra os efeitos do prolongamento do molhe norte à entrada do Porto Comercial da Figueira da Foz, reuniram-se no passado fim-de-semana na praia do Cabedelo algumas centenas de surfistas, jovens, membros de associações nacionais, associações internacionais e cidadãos anónimos. Numa cidade em que o carneirismo e o conformismo são regra este foi um acontecimento raro e excepcional de mobilização cidadã. O ponto alto desta manifestação foi o desenhar no mar do logótipo humano S.O.S. por cerca de 230 pessoas.

O objectivo do movimento SOS Cabedelo é preservar a Onda da referida praia, que outrora permitiu que ali se disputasse por quatro ocasiões uma etapa do World Championship Tour, e impedir a erosão da costa a sul do Mondego. Aos objectivos ambientais e ligados à prática do surf junta-se a manutenção de uma pequena mas florescente economia ligada à prática de desportos náuticos e ao lazer. Num país com uma extensa costa, é desejável a aposta em actividades económicas deste tipo que respeitam o meio ambiente e que surgem por uma iniciativa local, sem recurso a grandes obras envolvendo a betonização de extensas superfícies de solos. Além do mais estas actividades criam emprego que não é deslocalizável.

Apesar de o S.O.S. Cabedelo reconhecer o valor da obra em curso para o Porto Comercial da Figueira da Foz - melhora a segurança das grandes embarcações e permite a entrada de navios com sete metros de fundo em vez de 5 metros - pretende que sejam realizadas obras suplementares que impeçam a degradação da costa e o desaparecimento da Onda do Cabedelo. Uma das soluções já implementada noutras latitudes (África do Sul, Austrália e EUA) é o sistema de bypass que permite a areia transitar entre os dois lados de molhes. Esta solução tem dado bons resultados e os custos envolvidos na sua implementação são comparáveis aos custos de manutenção do molhe depois da sua extensão.

Uma nota curiosa sobre a política local. O actual Presidente de Câmara da Figueira da Foz que se gaba neste cartaz da construção do molhe, rejeitou em 1997 a ideia de que o prolongamento do novo molhe poderia aumentar a erosão costeira nas praias a sul da Figueira da Foz. Ao ser confrontado com recentes protestos não só acabou por admitir a efectiva erosão da costa como afirmou não ter qualquer poder sobre a realização da obra, aparecendo de t-shirt do S.O.S. Cabedelo na manifestação do passado fim-de-semana como se não fosse nada com ele...

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Segunda-feira, Setembro 28, 2009

9,9 

Ultrapassámos o beneficio da abstenção e do voto do descontentamento. Mais alguns tijolos bem assentes no nosso crescimento, sem as pressas das sondagens. Nos próximos quatro anos (ou serão dois?) vamos ter que discutir mais a Europa, a energia, a economia e o emprego, naquele espírito de diversidade que são o segredo do crescimento do Bloco.

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Sábado, Setembro 26, 2009

Une femme de couleur 



Bom fim-de-semana!

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Como se financia uma campanha "independente" 

Pedro, como eu compreendo a tua indignação da campanha de 2005.
As campanhas independentes, aquelas dos outdoors gigantescos, financiam-se através de empréstimos bancários. Faz-se uma estimativa dos votos que se poderão obter e como a cada voto corresponde uma quantia de cerca de 12€ paga pelo Estado, é só multiplicar um valor pelo outro e obtém-se a quantia do empréstimo. Mas para obter um empréstimo é preciso um "padrinho" em quem a banca tem confiança. E é aqui que a candidatura passa de independente a "independente" porque um dia o "padrinho" vai querer uma contrapartida, sobretudo se os "independentes" ganharem. O resto da história tem um final previsível, o país é o mesmo e por detrás dos novos rótulos as pessoas são as mesmas.

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Quinta-feira, Setembro 24, 2009

O novo de Michael Moore 

O novo de Michael Moore chama-se "Capitalism: a love story". Ver aqui o anúncio.

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Quarta-feira, Setembro 23, 2009

A ostentação das campanhas locais 

Não são apenas os bonés, canetas, porta-chaves, t-shirts, são sobretudo os outdoors gigantescos para candidatos às juntas de freguesia, repito às juntas, são carrinhas com publicidade móvel a debitar música da boua e carros decorados com as cores e a cara do candidato. Sinceramente, gabo a paciência das pessoas que são massacradas durante horas por esta panóplia infernal de propaganda cujo o conteúdo político é quase nulo. No concelho da Figueira é pornográfico assistir à ostentação dessas campanhas (PSD, PS e 100%), cujo o orçamento é de largas dezenas de milhar, em feiras rurais onde um micro-crédito de 1/10 desse valor poderia fazer a diferença para retirar uma família inteira da pobreza.

Está mais que na hora de impor limites a este desperdício. Em países mais ricos (França, Itália, Bélgica, etc.) os partidos têm espaços restritos para cartazes e em alguns deles são proibidos os outdoors. Nós nas campanhas autárquicas estamos ao nível daqueles parolos que se endividam para comprar um BMW, para a ostentação de braço de fora e música a fundo (música da boua).

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Debate com Daniel Oliveira na Figueira da Foz 

Amanhã, terça-feira pelas 21:30 no Hotel Ibis (rua da Liberdade, nº20) da Figueira da Foz, eu, o Daniel Oliveira e o José Manuel Pureza participaremos um debate ligado à temática da política autárquica, corrupção, grupos de interesse, construção civil, ordenamento do território, etc. Apareçam!

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Domingo, Setembro 20, 2009

Outras cidades: BedZed um bairro ecológico 



BedZED é um curioso bairro ecológico experimental construído em Wallington no sul de Londres cuja concepção permite atingir impressionantes taxas de economia nos consumos domésticos. No BedZED atingem-se taxas de redução de 88% no aquecimento, 57% na utilização de água quente e 25% no consumo de electricidade, em comparação com a habitação média britânica. A sua construção foi realizada utilizando materiais existentes num raio de 50 km, diminuindo substancialmente a emissão de gases de efeito de estufa durante essa fase. 15% dos materiais utilizados na construção são reutilizáveis ou recicláveis. O bairro é habitado desde 2002, seguindo uma filosofia de composição heterogénea dos seus residentes: cerca de 1/3 dos habitantes pertence às classes mais desfavorecidas, 1/3 pertence à classe média e o outro terço à classe alta, entre os quais se encontram alguns dos que projectaram e financiaram o BedZED. Os resultados têm sido excelentes, com as populações mais desfavorecidas a assimilarem em pleno a vida social e a filosofia ecológica do bairro.
Por cá ainda estamos a anos-luz destas boas experiências, continuamos na idade do betão.

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Sábado, Setembro 19, 2009

A Fotocópia do BI sempre comigo! 

As listas do BE Figueira foram aprovadas pelo TC (Tribunal Constitucional) durante um processo em que os juízes locais não consultaram lei e acórdãos do TC, não fundamentaram argumentação e não se preocuparam em tentar afastar um partido das eleições. Esquecendo estes detalhes sem grande importância, foi para mim uma revelação o pedido de fotocópias do BI (bilhete de identidade) para validação de listas da parte dos juízes do Tribunal Judicial da Figueira (seguindo fielmente o juiz Ataíde). Eu julgava que as fotocópias do BI não tinham um grande valor jurídico, mas depois do pedido das referidas fotocópias toda a minha teoria geral e restrita sobre a fotocópia do BI caiu por terra. Afinal a fotocópia do BI é um documento de uma fiabilidade inigualável. Se pensarmos bem o tribunal tem razão. Todos nós já ouvimos falar em falsificadores de passaportes, de notas, de diplomas, de BI's, mas em falsificadores de fotocópias do BI nunca. Isso diz bem do poder da fotocópia do BI. A partir de agora tenho sempre comigo uma fotocópia do BI na carteira. A próxima vez que for à China ou aos EUA e me exigirem passaporte, visto ou impressões digitais de todos os dedos da mão, responderei: "meus amigos, oh para a fotocopiazinha do BI!"

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Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Barroso entusiasma a Europa... 

(Le Soir)

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Terça-feira, Setembro 15, 2009

Outras ondas 

Tal como é descrito no sítio do SOS Cabedelo existem soluções para preservar as ondas para o surf e a erosão da costa em caso de construção de molhes. Uma delas é o sistema de bypass que permite a areia transitar entre os dois lados de molhes. Aqui uma solução encontrada pelo do governo de Queensland e aqui a solução de Gippsland, ambas na Austrália. Aqui o exemplo de Delaware nos EUA. E aqui outro exemplo, a da Baía Mandela, na África do Sul.
Estes exemplos mostram a solução do bypass já não se pode classificar de ficção científica. Agora só falta é vontade política para a avaliar a exequibilidade do bypass na Figueira, dado que não é uma solução perfeita. É muito importante evitar perder a Onda do Cabedelo e toda a actividade económica, social e de recreio que lhe está associada. Aquilo não é um golfe, que se pode contruir em quase todo lado, ondas daquelas há poucas. Apesar terem mão humana, fazem parte das especifidades do nosso concelho, matá-la significa contribuir para que o concelho se assemelhe a outro qualquer em vez de se destacar pela diferença.


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Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Hoje o BE, amanhã a Figueira 

(Artigo publicado no jornal O Figueirense)

Um dos princípios basilares da democracia é a separação entre poder judicial e poder político. A interferência da política na justiça foi prática corrente dos regimes totalitários fascistas e comunistas do século XX. Embora teoricamente a democracia garanta essa separação de poderes, é obrigação de políticos e magistrados velar por uma efectiva separação de poderes.
Em democracia são conhecidos casos de juízes que se envolveram na política, como o caso do Ministro Rui Pereira, ex-juiz do Tribunal Constitucional (TC), ou como a candidatura do juiz italiano Di Pietro a Presidente do Conselho. Estes casos são sempre polémicos, dado o receio de que os órgãos judiciais possam ser condicionados pelas suas antigas funções, colocando em causa os princípios mais básicos da democracia. Por este motivo a candidatura de um juiz a um cargo político não pode ser vista como uma candidatura qualquer num país democrático.
Este ano o candidato à Câmara Municipal da Figueira da Foz pelo PS é um juiz que passou pelo Tribunal da Figueira. Manda a prudência que o Tribunal da nossa cidade e o candidato do PS evitem criar qualquer suspeita de promiscuidade entre as partes. No entanto, a actuação do tribunal durante a análise das listas dos diferentes partidos esteve longe de se considerar prudente. Por exemplo, a candidatura do juiz João Ataíde entregou em tribunal as fotocópias do bilhete de identidade de todos os elementos, documento esse que não é exigido por lei para validação de listas. Dois dias depois, o mesmo tribunal pediu as referidas fotocópias às outras listas, deixando a sensação que não é a lei a servir de referência ao tribunal, mas sim a candidatura de um juiz que curiosamente foi orientador de estágio de alguns dos profissionais deste tribunal. Foi neste clima que as listas do BE da Figueira da Foz foram rejeitadas por não preenchimento das listas de suplentes aos respectivos órgãos. Esta é uma decisão muito grave, da qual recorremos ao TC que se tem pronunciado variadas vezes sobre o assunto e sempre da mesma forma.
O acórdão n.º 690/93 do TC diz "as listas que não disponham de candidatos suplentes no mínimo previsto pela lei não podem ser censuradas por esse simples facto". No mesmo texto lê-se: "Não se vê motivo para alterar esta jurisprudência que, aliás, tem vindo a ser uniforme e constantemente seguida por este tribunal". Do mesmo modo, e seguindo essa uniformidade do TC, em todo o país, (ex: Nazaré, Estremoz, Pombal, Condeixa, etc.) foram aceites listas sem o número de suplentes previsto na lei, algumas aceites de imediato, outras após reclamação ao tribunal local.
Tanto quanto é do nosso conhecimento, a Figueira é caso único onde se manteve a rejeição pelo referido motivo. E o único caso em que houve um telefonema maroto para a TVI a informar da rejeição das listas antes da decisão definitiva do tribunal.
Neste quadro, Vítor Batista, o presidente da Distrital do PS também não foi prudente ao ter apelado publicamente na Figueira para que se não vote no Bloco de Esquerda, durante uma intervenção recente.
Apesar de não termos dúvidas de que as nossas listas serão validadas pelo TC, tememos pelo futuro da Figueira. Tememos que uma vez o juiz Ataíde eleito como vereador ou presidente de câmara, e independentemente da sua isenção, o Tribunal da Figueira tome como referência os actos do juiz antes de se debruçar sobre os textos da lei, o que poderá ser muito grave para a democracia e para a já tão pobre transparência política no nosso concelho.

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Nova eólica flutuante inaugurada na Noruega 

(Publicado no Esquerda.net)



A nova eólica flutuante inaugurada esta semana perto do fiorde Åmøy é constituída por uma turbina de 2,3 MW, uma torre de 65 metros, rotores de 80 metros e pesa cerca de 5300 toneladas. Foi instalada pela empresa norueguesa StatoilHydro, que resultou da fusão entre a Norsk Hydro, uma empresa de energias renováveis, e a Statoil, uma empresa petrolífera. Curiosamente o desenho da plataforma flutuante deste projecto resulta da experiência no sector petrolífero da referida empresa, da tecnologia de plataformas marítimas de exploração de petróleo. A Hywind é apenas uma eólica piloto que será testada durante dois anos. O objectivo dos testes será optimizar este tipo de eólicas marítimas para que no futuro possam contribuir efectivamente para uma produção significativa de energia limpa. Em particular será estudada a forma como o vento e as ondas afectarão a estrutura. Actualmente, o investimento neste projecto já se cifra em cerca de 400 milhões de coroas norueguesas (~ 45 milhões de euros).

Naturalmente, este tipo de projectos interessam um país como Portugal, que possui cerca de 800 quilómetros de costa. No entanto, o Hywind ainda apresenta algumas limitações técnicas que poderão condicionar a sua hipotética utilização e a sua viabilidade económica no caso português. Por exemplo, o intervalo de profundidade do mar adequado a este tipo de eólica situa-se entre os 120 e os 700 metros. Além disso, a distância à costa deve ser a mais curta possível para evitar perdas no transporte de energia. A viabilidade de eólicas marítimas na costa portuguesa começou a ser estudada em meados deste ano através do projecto wind@sea, financiado pela Galp Energia, com o intuito de identificar, seleccionar e caracterizar locais para a instalação de parques eólicos no mar, atendendo às restrições de ordem técnica e ambiental. O consórcio responsável por este projecto envolve ainda o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, o Instituto Hidrográfico e o Instituto Nacional de Engenharia e Gestão Industrial. Em breve, poderemos estimar com maior certeza a viabilidade de eólicas marítimas ao largo da nossa costa. Em caso positivo, restará a vontade política...

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Domingo, Setembro 13, 2009

A Origem dos Números 

Uma excelente edição da casa Science&Vie este Cahiers dedicado à origem dos números. São passados em revista os sistema numéricos utilizados nas civilizações mais antigas: Mesopotâmia, Egipto, Grécia, Império Romano, China, Índia, etc. É dada especial atenção à invenção do zero e do sistema numérico "árabe" da autoria de sábios indianos, mas depois desenvolvido mais tarde pelos árabes. Uma das minhas secções preferidas é a descrição do sistema vigesimal dos Maias, muito sofisticado em relação à europa contemporânea que só no século XII começou a adoptar o sistema decimal que hoje conhecemos. A não perder.

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Sexta-feira, Setembro 11, 2009

SOS Cabedelo 

A questão dos efeitos provocados pela extensão dos molhes da Figueira na onda do Cabedelo não é simples, ali não há soluções milagre, mas as coisas poderiam e deveriam ter sido geridas de outra maneira. Pelo andar da carruagem vamos matar o surf na Figueira e mais uma vez aniquilar uma especificidade do concelho que poderia servir de motor para o desenvolvimento económico e social. Consultar página SOS Cabedelo.
Em breve, escreverei mais sobre o assunto.

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Os Visitantes 



"Os Visitantes" de Jean-Marie Poiré é uma das minhas comédias preferidas. Embora entre os actores não apresente grandes talentos da comédia (confesso que não aprecio muito a Valérie Lemercier no registo comédia e esse também não é o forte de Jean Reno), "Os Visitantes" apresenta um excelente argumento e um rigor histórico invulgar para um filme do género. Começando pelo objectivo dos "Visitantes", a descendência, passando pelos pormenores da idade média contados por Reno, "durante os banquetes queimávamos árvores inteiras para assar veados", até ao choque entre passado-futuro com cenas memoráveis como aquela onde a retrete serve de lavatório, ou quando Clavier come uma sandes embrulhada em papel celofane ou ainda o caríssimo banho à base de Chanel nº 5.
O nível de maturidade de "Os Visitantes" contrasta fortemente com a ingenuidade latente das comédias americanas que partem de viagens no tempo para construir a sua narrativa, como o "Regresso ao Futuro". "Os Visitantes" é uma comédia de luxo que teve sequelas, menos conseguidas, mas nem por isso menos desprovidas de um excelente conteúdo histórico.
É a minha proposta aos caríssimos leitores para este fim-de-semana, para aqueles momentos de ócio em que nos abstraímos da outra comédia: a humana.

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Quinta-feira, Setembro 10, 2009

A recompensa da sapatada a Bush 

Muntadar al-Zaidi, o jornalista que ficará para a história pela tentativa de aplicar uma sapatada a George W. Bush, será libertado na próxima segunda-feira. Muntadar ganhou estatuto de herói e está a ser inundado de ofertas: dinheiro, carros de luxo, gado, imóveis, ofertas de casamento, etc. A higiene política que os EUA de Bush tentaram implementar à força no Iraque dá nisto. À primeira oportunidade o povo mostra de que lado está com toda a clareza (e também não está do lado de Saddam).

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

O Campo de Golfe de Marvão 


O que vêem nesta foto (clicar para ampliar) é um campo de golfe seco, castanho, como um cadáver que jaz junto as muralhas de Marvão. O golfe, tal como o conhecemos hoje, foi inventado na Escócia. Estão a ver a diferença de clima não estão? Assim sendo, o que faz com que proliferem campos de golfe na Península Ibérica, campos vazios, campos secos, campos ao abandono, onde o clima é hostil a este desporto? O documentário "Let's make money" esclarece bem para que servem a maior parte dos campos de golfe que se constroem nos nossos dias: servem para valorizar terrenos. Uma vez valorizados os terrenos em volta do golfe, estes são invadidos de apartamentos, apartotéis e hotéis, porque supostamente os clientes do golfe precisam de dormir nalgum lado. O mesmo documentário mostra que essa habitação, frequentemente luxuosa, é rapidamente vendida, mas não é habitada. Essa habitação serve apenas para criar um produto que pode ser transaccionado no mercado e é aí, no mercado, que se ganha dinheiro a sério. O preço original dos apartamentos são trocos comparado com os lucros que se obtêm nas operações de compra e venda nos mercados. Os campos de golfe podem secar, os apartamentos podem ficar vazios e os hotéis de luxo podem estar às moscas. O essencial dos lucros não passa pelo terreno passa pelo casino das bolsas mundiais.

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Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Sobre a tentativa de rejeição de listas do BE Figueira 

Ler este esclarecimento.

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Quarta-feira, Setembro 02, 2009

...braços para os alcançar 

"... Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?
"
Pedro Nunes

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Segunda-feira, Agosto 31, 2009

EUA, Islândia e agora Japão 

Três dos países que mais sofreram com a crise já fizeram a sua "limpeza" política nas urnas, penalizando os verdadeiros responsáveis ideológicos. Além disso, estes resultados eleitorais foram históricos cada um à sua maneira, da carga simbólica da eleição de Obama, passando pela estrondosa mudança do espectro político da Islândia até ao fim de 54 anos de governo conservador no Japão. Enquanto três dos países mais desenvolvidos do mundo perceberam que é urgente mudar de modelo económico, por cá o PSD de Ferreira Leite continua a sua fuga para a frente ideológica, um PSD que nega a existência da crise e se manifesta contra a perseguição dos ricos. É este obscurantismo político que nos espera caso o PSD vença.

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Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Energias renováveis no Socialismo 2009 

Estarei no Socialismo 2009 este fim-de-semana para falar de energias renováveis, sobre o seu potencial e as suas limitações. Quem se interessar pelo assunto é bem-vindo, mesmo que seja para discordar.

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Outras cidades 

Por estes dias em que o frenesim das eleições autárquicas faz renascer o debate sobre as cidades, republico este belíssimo texto do caríssimo Mário Alves, especialista em transportes.


Fotografia do sítio Amsterdam Bicycles.

Este conjunto de imagens e comentários convidam à reflexão. Recentemente tive a oportunidade de debater em público a questão da obrigatoriedade dos capacetes para ciclistas. Sempre a mesma ratoeira. Ao olhar para estas fotografias, parece-me óbvio que temos sempre duas hipóteses para aumentar a segurança dos mais vulneráveis: a) colocar a responsabilidade de protecção nos mais fracos, obrigando-os a usar capacetes ou negando-lhes a possibilidade de usar em plenitude as ruas que lhes deviam pertencer; b) reduzindo o número e a velocidade dos automóveis. O primeiro tipo de intenções, apesar de na maior parte das vezes bem intencionadas, continuará a espiral absurda de olhar para o problema pelo paradigma estafado que nos fez chegar até aqui. O segundo caminho, mais difícil, implica visão, participação, concertação, liderança.

Um pouco de história: em Março de 1992 foi realizado um referendo, o primeiro em Amesterdão, sobre a necessidade de restrições ao automóvel. Apesar do elevado nível de abstenção, 53% dos votantes escolheu o cenário que incluía uma drástica redução dos automóveis no centro da cidade. Depois de alguma hesitação, devido ao nível de abstenção, a câmara de representantes decidiu avançar com um polémico plano para reduzir 35% das viagens de automóvel no centro. O controlo do estacionamento foi o instrumento principal escolhido. Passado anos de restrição aos pendulares - já nos anos 90 era praticamente impossível um trabalhador encontrar estacionamento de longa duração no centro - a politica de restrição de estacionamento tentou encontrar um balanço entre o estacionamento de curta duração (considerado essencial aos serviços e comércios da cidade) e o estacionamento reservado a residentes. Depois de muita consulta e participação pública, onde a população estava muito dividida, os planos avançaram. Entre as medidas mais dolorosas, a redução de 3,000 lugares de estacionamento, num momento em que muitos clamavam por mais lugares. Nas áreas mais comerciais os lugares para residentes foram reduzidos. Neste momento, pode levar mais de 5 anos a fila de espera para ter um cartão de residente para estacionar - um cartão por fogo obviamente. Contrariamente ao que se afirmava na altura, Amesterdão continua a ter as rendas e o preço por metro quadrado mais altos da Holanda - tanto para espaço residencial, serviços ou comércio. De facto o problema é o oposto: como evitar a gentrificação do centro, apesar de existir uma politica de rendas controladas que, apesar dos seus problemas, consegue manter pessoas de baixos rendimentos no centro.

Parte desta história foi contada há mais de dez anos em Lemmers, L., 1995, ' *How Amsterdam plans to reduce car traffic*', World Transport Policy and Practice', 1 (1), pp25-28. Leo Lemmers finda o seu artigo da seguinte forma:

"To see the real effect [da politica de restrição ao estacionamento], some patience will be required. It will certainly take another ten years to see whether Amsterdam really has set an example for the rest of Europe."

Talvez agora valha a pena voltar a ver as fotografias e procurar os capacetes, as ciclovias e os lugares de estacionamento.

Mário Alves (Mestre em Transportes pelo Imperial College London e consultor de transportes e gestão da mobilidade)

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Terça-feira, Agosto 25, 2009

Dos blogues da treta aos blogues da treta II 

Este texto do João Sousa André retrata muito bem os blogues encomendados pelo PSD, PS e CDS (Jamais, SIMplex e Rua Direita, respectivamente) para as eleições que se avizinham. Destaco:

"Eu olho para aquilo e vejo 39 pessoas no SIMplex, 27 no Jamais e 34 no Rua Direita. Um redondo total de 100 pessoas (cem!!) a postar todos os dias, alguns deles até de forma bem prolífica"

"Nisto tudo o que se apanha? Ruído, nada mais. Ninguém tem verdadeira paciência para ler tudo o que estas almas publicam a não ser os próprios. Ninguém que tenha empregos, filhos, de limpar a casa, companheiros, etc e tal poderá ter sequer tempo para o fazer. Não há um verdadeiro eleitor que vá ler isto. Não há um político que o faça. Talvez os assessores, para colherem dados ou argumentações a dar aos políticos, mas é tudo."

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Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Praça Velha, Praça Nova e Jardim 

A Praça Velha, a Praça Nova e o Jardim são o que resta de três bolsas que o rio Mondego formava na sua margem direita junto à foz. Foram sendo construídas casas à volta destas bolsas e quando estas foram finalmente aterradas transformaram-se em praças, mais ou menos com a mesma configuração que conhecemos hoje. Ao lado, mapas do arquivo municipal da Figueira da Foz mostram a existência das referidas bolsas até finais do século XVIII (clicar nas imagens para ampliar).
Só quando o turismo balnear se começou a desenvolver é que a cidade se aproximou da praia, tendo sido construído posteriormente o Bairro Novo, já a regra e esquadro, a pensar nas necessidades dos banhistas.
(Obrigado R.)

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Os critérios de Ferreira Leite 

Ouvi bem os critérios de Ferreira Leite sobre político arguidos. Curiosamente se aplicássemos esses critérios a Duarte Silva, candidato pelo PSD à câmara da Figueira da Foz, este seria colocado no mesmo saco que Isaltino, ou seja entre os políticos que Ferreira Leite designou como envolvidos em crimes directamente ligados ao exercício das suas funções políticas. Porque espera para agir? Ou será que quer agir?

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Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Dos blogues da treta aos blogues da treta 

Há 4 anos atrás apareceram os blogues "pessoais" dos candidatos dos maiores partidos, onde a maior parte dos textos eram escritos por "escravos" mal habituados às lides da net e a coisa não correu lá muito bem. Para estas eleições sacaram da artilharia pesada e surgiram o Simplex e o Jamais, que são uma espécie de blogues oficiais dos partidos mas formatados para o gosto bloguista. É como se desenhassem burkas fashion para o gosto dos clientes Dior ou como se a Trabant fabricasse modelos desportivos para clientes da Aston Martin.
Na coluna ali ao lado vêem alguma ligação para o Simplex ou para o Jamais? Eu também não.

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Quinta-feira, Agosto 20, 2009

A Estação Espacial Internacional às peças 

Clicar aqui para ver a montagem da Estação Espacial Internacional por ordem cronológica, módulo por módulo. (Obrigado T.)

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Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Novo romance de Frédéric Beigbeder 

Foi lançado ontem em França o novo romance de Frédéric Beigbeder: "Un roman français", edição Grasset.

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Começa a haver vergonha na cara 

É verdade que estamos a menos de dois meses de eleições, mas mais vale tarde do que nunca. O vereador José Elísio disse aquilo que a esmagadora maioria dos figueirenses pensa do executivo de Duarte Silva (fonte Notícias do Centro):

"Tem vindo no seu mandato a sucumbir a pressões e a tomar atitudes contraditórias que me levam e a outros a questionar porquê (...) Prefere os subservientes aos que tratam consigo com lealdade ou frontalidade. Tem preferido confiar em quem é arguido e até já condenado e titular de cursos que, no mínimo, suscitam dúvidas".

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Terça-feira, Agosto 18, 2009

Os horários da CP 

O primeiro comboio do dia chega à capital apenas às 8:20. No aeroporto as partidas começam às 7 da manhã (o check in faz-se uma hora antes). No resto da Europa qualquer capital começa a fervilhar de transportes públicos provenientes do resto do país a partir das 5 da manhã. Um dia, um investigador alemão indignado com os nossos horários perguntou-me "como faz um empresário para chegar a tempo a uma reunião a Lisboa?". Isto é muito culpa da apatia dos municípios da região centro e do norte. Há uma falta de sensibilidade tremenda para perceber que os transportes públicos são um factor essencial de desenvolvimento. A maior parte nossos autarcas continuam deslumbrados com os estofos de viaturas de alta cilindrada, nem sequer se apercebem do ridículo, do terceiro-mundismo que representa essa atitude.

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Quarta-feira, Agosto 12, 2009

L'amore ritrovato 

"L'Amore Ritrovato" de Carlo Mazzacurati é uma história de infidelidade masculina clássica dos anos 30 em Itália. Giovanni reencontra Maria, uma paixão dos seus tempos de juventude. Esse encontro, quase idílico, parece prenunciar uma relação perfeita, mas cedo a revelação de que Giovanni é casado faz desabar as esperanças de Maria. Neste quadro clássico a obra de Mazzacurati destaca-se pela intensidade, pela intensidade do prazer, pela intensidade da esperança, pela intensidade da ingenuidade e pela intensidade da desilusão. Giovanni insiste na relação, ignorando tudo o resto por alguns meses. No entanto, a II Guerra Mundial aproxima-se a passos largos e a relação entre Maria e Giovanni parece seguir o rumo dramático da conjuntura internacional...
Muito boas interpretações de Stefano Acorsi e Maya Sansa.

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Domingo, Agosto 09, 2009

Felgueiras da Foz II 

Mais um artigo para ler e divulgar onde se refere o caso Galante, publicado por Paulo Morais no Jornal de Notícias.

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Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Desafio a Manuela Ferreira Leite 

Desafio Manuela Ferreira Leite a deslocar-se à Figueira da Foz para apoiar o candidato do PSD, Duarte Silva, arguido no processo do vale do Galante, um processo que envolve mais-valias astronómicas para privados após a modificação do PDM da Figueira. Depois do caso Passos Coelho acho que Manuela Ferreira deveria assumir com a mesma convicção as suas escolhas para as eleições autárquicas, ficaria tudo muito mais claro.

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Quarta-feira, Agosto 05, 2009

Observar o céu sem telescópio é uma indiscrição* 

(Artigo publicado no Diário de Notícias)

Até ao início do séc. XVII, quando Galileu realizou as primeiras observações do sistema solar graças a uma luneta, o conhecimento do universo dependia exclusivamente da observação do céu a olho nu. Depois da luneta de Galileu surgiu o telescópio que foi evoluindo até ao séc. XX, altura em que apareceram novos instrumentos de observação, telescópios capazes de observar o universo em todo o espectro electromagnético, inclusivamente em comprimentos de onda invisíveis aos nossos olhos.

A atmosfera terrestre absorve parte dos infravermelhos e absorve totalmente raios X e raios gama. Por isso, na segunda metade do século passado, o homem iniciou o envio de telescópios para o espaço com intuito de observar o Universo nestes comprimentos de onda, como o XMM (raios X) ou o INTEGRAL (raios gama) da ESA. Também foram concebidos telescópios espaciais para luz visível, como o telescópio Hubble, tirando partido da vantagem de as observações no espaço não serem afectadas pelas distorções geradas pela agitação atmosférica.

"Gasta-se tanto dinheiro na astronomia com que benefício para o contribuinte?" Este é um tipo de questão frequente que o cidadão comum ou os responsáveis políticos colocam aos astrónomos. Justamente, um dos domínios da astronomia com maior retorno e impacto na sociedade tem sido o desenvolvimento de instrumentação: telescópios terrestres e espaciais, antenas, sensores, dispositivos eléctricos e mecânicos, robôs, etc. Recentemente, a NASA criou um sítio na internet (http://www.nasa.gov/city/) onde são ilustradas as principais tecnologias empregadas no quotidiano com origem na investigação em instrumentação. Dessa investigação surgiram sistemas para evitar colisões aéreas, painéis de controlo digitais, ecrãs plasma, capacetes de ciclismo, sensores de ritmo cardíaco, sistemas de detecção remota de incêndios, fatos anti--incêndio para bombeiros, sistema de neutralização de minas terrestres sem detonação, próteses para articulações, liofilização de alimentos, electrodomésticos sem fios, fatos de competição para natação, máquinas fotográficas digitais, etc.

Em 2009 celebra-se o Ano Internacional da Astronomia cujo principal objectivo é divulgar a astronomia em todo o planeta. Em Portugal decorrem várias iniciativas desde o início do ano. A iniciativa "E agora eu sou Galileu" destina-se a recriar as principais observações realizadas por Galileu há cerca de 400 anos, destacando a importância dos instrumentos para astronomia e para o conhecimento do universo. Reproduzindo as principais descobertas de Galileu, o participante poderá observar: as fases de Vénus, os satélites de Júpiter, Saturno, as crateras da Lua, manchas solares e a Via Láctea. Seja Galileu por um dia e participe!

* Victor Hugo em "Oceano"

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