A CDHOA lamenta e repudia veementemente o triste e precipitado espectáculo de violência bárbara e humilhação escusadas que foi a execução, por enforcamento, de Saddam Hussein. A pena de morte é própria de povos ou de governos incivilizados e desrespeitadores do mais sagrado bem universal: a vida humana. Conheça a carta enviada no passado dia 28 de Dezembro, pelo Presidente da CDHOA, ao Embaixador do Iraque.
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Exmo SenhorEmbaixador do Iraque
Rua da Arriaga, nº 9 (à Lapa)
1200-608 LisboaLisboa, 28 de Dezembro de 2006
Ass: COMUTAÇÃO DAS PENAS DE MORTE APLICADAS NO IRAQUE
REF: 274/2006
Exmo Senhor Embaixador
Gostaria de citar aqui um grande poeta português, Miguel Torga, o qual escreveu que “Portugal há um século que aboliu a pena de morte. O civismo liberal dum pequeno povo, sem esperar por outros exemplos, adiantou-se corajosamente na senda do espírito, e pôs termo à negra tarefa das balas, do baraço e do cutelo. Pôs termo ao único gesto absoluto que o homem pode fazer, e não deve nunca fazer. Ao gesto que o transforma num grotesco Deus de arremedo que, quando fulmina, se fulmina”.
Vossas Excelências que legaram à civilização humana o primeiro Código de Direitos do Homem conhecido – o Código de Hamurábi; poderão agora, mais uma vez, dar ao Mundo uma lição de sabedoria, humanidade e respeito.
Não querendo personalizar o presente pedido, mas não podendo olvidar também a grande carga simbólica que terá a decisão final do caso Saddam Hussein, venho solicitar que transmita a Sua Excelência o Chefe de Estado do Iraque o apelo da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados para que todas as penas de morte entretanto e no futuro aplicadas possam ser comutadas até que se alcance, pela via legislativa, a abolição definitiva da pena de morte no Iraque.
Com respeitosos cumprimentos
Carlos Pinto de Abreu
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados