Isto também merece estudo: Chávez e Kadhafi, em Caracas, pedem para «acelerar uma conferência internacional para definir o conceito de terrorismo».

Este é um caso para estudo: cumprem-se hoje 60 dias de censura pública e oficial sobre o Estado de São Paulo. Desde 31 de Julho que o jornal está proibido de dar informações sobre a operação policial em que estão implicados José Sarney e Fernando Sarney. Há sempre um juiz que faz um jeitinho.
Olha quem defende a restauração da monarquia no Afeganistão.
De acordo: a chavização da direita na América Latina. E o referendo para o terceiro mandato de Uribe.
Cerca de dez milhões de europeus podem ficar surdos se continuarem a ouvir música com o volume demasiado alto nos “fones”. Considerando que há cerca de 100 milhões de europeus que diariamente ouvem música em leitores de mp3, e que se venderam cerca de 240 milhões desses aparelhos no ano passado, os números nem são muito aterradores. De qualquer modo, a União Europeia prepara legislação sobre o assunto para obrigar os fabricantes a reduzir a os decibéis à partida e para impedir que sejamos agredidos diariamente pelo som dos outros. Por um lado, parece uma preocupação justificada; por outro, não sei, não sei: a ideia de esses 10 milhões de patetas ficarem surdos é muito atraente. Pode ser perverso e cruel (e é), mas seria uma maneira de os impedir de ouvir aquela gritaria.
[Na coluna do Correio da Manhã]
Parece que o primeiro-ministro Zapatero tinha feito um acordo com a imprensa para que não fossem publicadas fotografias das suas filhas. Legítimo. Porém, Zapatero foi a Nova Iorque e levou-as, juntando toda a prole num retrato com Obama e mulher. A fotografia foi parar à net e disponibilizada no sítio oficial da Casa Branca. Zapatero não gostou e pediu para retirarem a foto quando ela já andava pela net, mostrando a família, incluindo as duas filhas, góticas e com botas Doc Martens. Uma coisa é proteger a família, e o primeiro-ministro espanhol tem todo o direito de o fazer; outra, diferente, é ser fotografado com Obama e impedir que a imprensa transcreva o ato público. As raparigas ficam bem: góticas, de negro, limpam a imagem de boneco de plástico de Zapatero.
[Na coluna do Correio da Manhã]

[Actualização.]
1. O Partido Socialista ganhou as eleições porque foi o partido mais votado, ainda que tenha descido em relação a 2005. O argumento de que perdeu a maioria absoluta é bom para discutir a seguir, mas não vai além disso para efeitos práticos. No restante, perdeu votos e não foi «a vitória extraordinária» prometida ou anunciada.
2. José Sócrates teve uma máquina eleitoral a funcionar em pleno, bem alimentada e impecável para ganhar eleições. O PSD desprezou a sua e desperdiçou pontos. Longos dias têm cem anos, mas até chegar lá há muitas contas a ajustar. Depois das autárquicas, e com toda a legitimidade.
3. O PSD começou a descer mal a campanha eleitoral começou. O que significa que a vida é como é, e que para ganhar eleições é preciso ir disputar votos. Dito assim, soa mal; mas não há volta a dar-lhe.
4. O CDS, se não correr a pedir juros, pode transformar-se no partido essencial da direita. Não pode desperdiçar esses votos com a tentação de chegar ao poder a qualquer custo. É justo dizer que foi um dos vencedores claros destas eleições. Acho, aliás, que foi o principal vencedor da noite.
5. O BE cresceu mais (duplicou os votos); o PS não pode esquecê-lo. Podem afinar as canetas nas redacções, porque o BE vai deixar de estar acima de qualquer suspeita. Depois de ouvir o discurso de Louçã, convém estar atento.
6. A CDU manter-se-á.
7. Pacheco Pereira está invisível até agora. Não se percebe porquê.
8. Um governo minoritário é bom para o país.

Caro João: pela parte que me toca, acho que tenho de agradecer-te a nota sobre a estupidigentsia. Não sei o que é pior nela: se o que dizes, se o ressentimento. A quantidade de livros publicados em 2004, e que tu registaste, deve ser assombrosa a avaliar pelo cuidado com que vigias a estupidigentsia, à espera que ela se entusiasme com qualquer coisa. Se a estupidigentsia se atira a um livro e se o acha bom, estás aí disponível para o combate, porque os outros, sejam quantos forem, não passam de idiotas ao pé de ti. Há livros de há dois ou três séculos que espero descobrir ainda, mas suponho que isso não te comove, uma vez que não passaram pelo teu crivo, que eu sei que é culto, atento e minucioso (não estou a fazer ironia). O ressentimento é o pior dos motivos, mas acredito que não te faça diferença. Compreendo que a «unanimidade» (ou uma «percentagem» próxima disso) te incomode, mas isso não justifica tudo, nem serve de critério. É verdade que antes de ler este livro existem milhares de outros que já estão disponíveis nas estantes há muito tempo, mas não se pode fazer grande coisa a esse propósito. Talvez publicá-los entretanto, quem sabe. De vez em quando aviso-te.
Dois posts: este e este. Masson no melhor do pódio.
(Apenas trocaria a posição de melhor tv e pior tv.)

Quando penso neles,
há um livro que abre as suas páginas.
Uma persiana desce,
o pássaro das lezírias parte para longe das
palavras.
Há palavras que matam.
Há um livro onde os amigos vivem para
sempre,
emoldurados pela luz cega das orquídeas.
Há dez mandamentos sobre a evocação dos
seus dias.
Há um martelo que golpeia os cravos da sua cruz,
um machado de pedra negra que reflecte a sua mágoa.
Quando penso neles,
parece que chove.
Chove sempre nas praças vazias e é domingo
outra vez.
Então os cães dormem nas quintas ao abandono.
Todos partiram.
Só os amigos me esperam do outro lado do céu.
Quando penso neles,
há um rasto de ternura sobre a neve e sobre a lava,
há um anel de aço que aperta a garganta,
as suas cordas de som,
e a neblina é mais densa.
Há um cântico, um segredo que recomeça nas
vogais do nome, e já não é nada.
José Agostinho Baptista
Esta Voz é Quase o Vento
Assírio & Alvim, 2004

Ler um livro e voltar a lê-lo, não há coisa mais perfeita. Tirando tudo o que tem a ver com a vida que não pode repetir-se.
As coisas que aprendes sobre o género humano quase nunca são sobre o género humano. São sobre o Manuel Germano.


É hoje, sexta-feira, o lançamento de 2666, de Roberto Bolaño – a partir das 23h00, na Livraria Ler Devagar (Lx Factory, em Alcântara, Lisboa).
O livro será posto à venda a partir da meia-noite, juntamente com uma tiragem especial, em papéis diferentes para cada caderno do livro (ou seja, nenhum exemplar destes 150 – que ficarão «fora de mercado» – será igual) e com uma sobrecapa.
Haverá margaritas, «acepipes mexicanos», shots de chili con carne e música (uma banda sonora com mariachis, corridos, polcas e boleros). E extractos do livro serão lidos por Soraia Chaves, Carla Bolito, António Pedro Vasconcelos, José Eduardo Agualusa, José Mário Silva, Tiago Gomes e Carlos Vaz Marques.
Depois da 01h30, a festa continuará no MusicBox, ao Cais do Sodré, com o DJ Irmao Lucia, que escolhe rock afinado por 2666.
O governo português decidiu, certamente por razões elevadas, apoiar Farouk Hosni para diretor-geral da Unesco. Esperava-se isso de toda a gente menos de Luís Amado, embora também não se esperasse de Luís Amado que fosse à Líbia abraçar um protetor e financiador do terrorismo. Os negócios a isso obrigam. Mas convinha sabermos que razões levam o nosso governo a apoiar para tão alto cargo de cultura um homem que prometeu queimar livros na biblioteca de Alexandria, censor encartado, mentiroso, além de cúmplice em várias prisões arbitrárias e ilegais. Enquanto o chefe da nossa diplomacia não prestar esclarecimentos públicos sobre as misteriosas razões deste surpreendente apoio a Farouk Hosni, temos não apenas o direito mas o dever de desconfiar dele. Há limites para quase tudo.
[Na coluna do Correio da Manhã]
Afinal, o mundo continua reconhecível.
A propósito do Acordo Ortográfico, Miguel Sousa Tavares diz que “o Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz”. Sinceramente, não vem daí grande mal ao mundo. Portugal maltratou a sua língua durante anos e anos, desinteressando-se da sua gramática, do seu ensino e da sua correcção – além de pensar que se tratava de uma espécie de “doação” concessionada ao resto do mundo. Não é. A língua (ortografia incluída) é de quem a fala, de quem a usa e de quem a transforma diariamente. Se o Brasil tomou a dianteira, pergunte-se o que Portugal fez em prol da Língua, que agora parece ser “um bem estratégico”. E os escritores? Não lhes cabe, evidentemente, defender acordos ortográficos. Cabe-lhes escrever – bem, se possível.
[Na coluna do Correio da Manhã]


Nos próximos dias, por aqui.
O mundo fica irreconhecível. Daqui a alguns anos esperamos o livro.
Vi-os no sábado à noite, no lançamento do livro de Afonso Cruz, na Ler Devagar (Lx Factory), e acho que todos ficámos perplexos — com a simplicidade, qualidade do som, a voz (e a versatilidade de Afonso Cruz, claro, entre o banjo, o ukelele, o kantele, a guitarra e a harmónica). Corram a ouvi-los.
Hans Magnus Enzensberger escreveu um livro intitulado O Labirinto da Inteligência. Guia para Idiotas. A primeira parte trata de analisar como a palavra ‘inteligência’ deixou de significar uma virtude humana para se transformar num termo relacionado com espionagem (de ‘intelligence’). Vale a pena ler todo o livro, que bem nos ajudará a compreender como as multidões podem ser ludibriadas – desde que com ‘inteligência’. Essa ‘inteligência’ é hoje mais valorizada do que a sensatez ou a honestidade, coisas da Idade Média e dos romances de cavalaria, anteriores ao D. Quixote. As campanhas eleitorais são um período especialmente fértil para recolher exemplos de distorção da inteligência. Qualquer burlão de antigamente seria mais apresentável do que os palradores em campanha.
[Na coluna do Correio da Manhã]

Por que razão Samuel Johnson é tão importante e por que se deve retirá-lo do limbo?
William Dalrymple sobre literatura de viagens. «What is to become of travel writing now that the world is smaller? Who are the successors to Chatwin, Lewis and Thesiger?»

Excelentes ideias, como esta, no Geração de Oitenta.
O Diário de Notícias quis ser o provedor do Público. Não conseguiu. Só entregou a encomenda, queimando a reputação.
O novo livro de Afonso Cruz já está nas livrarias e é lançado hoje, pelas 22h00, na Ler Devagar | Lx Factory, com apresentação de José Mário Silva e concerto da banda The Soaked Lamb - a banda do autor, que também é músico.
5770.

O novo livro de Dan Brown, O Símbolo Perdido (a publicar em Portugal em finais de Outubro), conseguiu estabelecer um novo recorde: um milhão de exemplares vendidos num só dia, nos EUA. É um número animador e ainda não entrou em cena a polémica que, certamente, virá a caminho, uma vez que o tema é uma sociedade secreta, a Maçonaria. Mas é necessária uma informação adicional – a maior parte dos exemplares vendidos não se refere ao exemplar em papel mas em formato digital, o ‘e-book’. É a primeira vez que isso acontece num livro com este impacte, o que inaugura uma nova era nas nossas vidas. Daqui a dez anos, tanto o mercado como o mundo do livro estarão irreconhecíveis. Isso não é uma boa notícia para os que têm transformado o mercado do livro numa feira de misérias.
[Na coluna do Correio da Manhã]

Oh, não, ele está de volta. Pior do que isso, ele promete cantar «Moonshadow» e «Father & Son». Está próximo de um concerto dos Delfins.

Como vivi junto da fronteira durante anos, comecei a falar espanhol desde cedo. Em Espanha comprávamos jeans, Coca Cola (proibida no salazarismo) e a Playboy, além de outras utilidades que não vêm para o caso, como cigarros mais baratos e bons vinhos. Além disso, havia a arte, as universidades, o estilo de vida – tudo melhor do que aqui. Grande passado, grande literatura. Quando Espanha nos interessava, íamos a Espanha. Quando deixava de nos interessar, eles que viessem. Foi assim durante anos. A verdade é que, desde há muito tempo, precisamos de Espanha para nos compararmos com alguém e para mantermos a nossa desconfiança histórica. Espanha é picante. Espanha separou-nos da Europa e aproximou-nos dela. Está ali, ao lado. É bom, por isso, que se mantenha ali, ao lado.
[Na coluna do Correio da Manhã]
O trágico regressa à nossa vida; esperamos por ele com o Outono e damos-lhe um nome: Gripe A. Podem reler-se as páginas de ‘A Peste’, de Albert Camus, para compreender como a ameaça é real – tanto para o corpo como para a relação com os outros. Lavar as mãos, usar desinfetantes e arejar as casas são recomendações que soam a pouco, mas inevitáveis. O perigo é mais autêntico a partir desta semana, com o regresso às escolas e a “normalização” da vida das famílias, que não podem deixar de evitar nem o vírus nem o medo, que ainda são invisíveis a olho nu. Nestas circunstâncias, o debate sobre o pessimismo e o otimismo não tem razão de ser; vivemos debaixo da ameaça, do risco iminente. A nossa civilização desconhece a ideia de “perigo iminente”; aprende a viver com o trágico.
[Na coluna do Correio da Manhã]

As cidades da vida de David Byrne, através dos seus passeios de bicicleta. Vem aí a edição portuguesa: em Março, com a Primavera.
Atenção ao lançamento de 2666 na noite de 25 para 26 de Setembro, na Ler Devagar (Lx Factory), com direito a música (o dj é Pedro Vieira), leitura de fragmentos do livro (com Beatriz Batarda, Tiago Gomes, José Eduardo Agualusa, José Mário Silva e Carlos Vaz Marques), margueritas e shots de chili. Mas a surpresa maior está ainda guardada – bibliófilos, guardem umas moedas.
Ver aqui o documentário Bolaño cercano, com um texto de Roberto Bolaño lido pelo seu filho e um depoimento de Enrique Vila-Matas.
Afinal, é pecado trabalhar com os espanhóis.
[De resto, uma nota sobre «o passado profissional de Ferreira Leite»: podiam, por favor, desenterrar «o passado profissional» de outros políticos, no caso de o terem?]
O Luís M. Jorge pergunta: «Isso quer dizer que há um cansaço retórico (e a retórica, aqui, seria protagonizada por Sócrates) na democracia portuguesa?» As outras hipóteses podem estar igualmente correctas, Luís; mas, lamento, muito dos resultados do próximo dia 27 depende exactamente dessa premissa. Um super-povoamento do espaço tem como consequência a exigência de outra respiração. Pode ser absurdo quando o outra respiração significa qualquer outra respiração menos esta retórica. Veja bem, Luís, o nível do cansaço.

Material escolar. As lojas de material escolar cheias de gente. Entro numa para comprar «bens essenciais» para um adolescente que está em Artes. Levo a lista: pincéis isto, aguarelas, guaches, papéis tal e tal, cartolinas esta e aquela, borracha n.º x, lápis n.º tal e n.º tal, grafite, carvão, vegetal n.º y. Lembro vagamente o meu Liceu de província, de onde saíram designers, pintores, um escultor, vários arquitectos e aparecem imagens dos lápis Viarco n.º 2, normais, das borrachas Pelikan verdes ou rosa & azul, do papel cavalinho avulso, da tinta-da-china para tira-linhas com uma pontinha de ferrugem, do esquadro de madeira, um transferidor desirmanado, e pergunto-me: «Como foi possível a minha turma ter sobrevivido sem lápis Caran d'Ache?» Envelheci de repente.
Mas vi a gravação do Gato Fedorento na SIC. Manuela Ferreira Leite passou incólume e ganhou votos.
O verdadeiro hooligan é assim. Não vi o jogo, estive ocupado a falar sobre a Sra. Condessa de Gouvarinho e D. Julie d'Aiglemont no lançamento do livro de Sofia Marrecas Ferreira, com Helena Vasconcelos. Soube que o Tomás Vasques, lanço aqui a novidade, está a terminar o seu segundo romance (o primeiro levava o título O General de Todas as Estrelas Foi-Se Embora Sem Ter Bebido Um Trago de Havana Club); o Eduardo Pitta terá novo livro em Fevereiro; o Paulo prepara novidades para o segundo número da BMag. Quando saí da Casa do Alentejo, Anelka tinha acabado de marcar um golo. Fingi que não tinha percebido. Na rua, encontrei o José Luís Tavares, oportunidade para um grogue cabo-verdiano. Subindo pelos Restauradores, imaginei que o Falcao ainda conseguia marcar. Como recordação da noite, trouxe as mensagens de um amigo, que me avisava que já não tinha veias, e de outro que dizia que Hulk só tinha pernas, parecia a Beyoncé. Li-as no telefone enquanto um coral alentejano das Alcáçovas cantava «ai cegonha, põe os ovos» e por aí fora. Disseram-me que o Senhor Palomar estava na sala. Não sei onde fica Chelsea.
A imprensa brasileira especializa-se em informação literária &, digamos, amorosa. Os escritores portugueses estão na linha da frente. Há um mês, O Globo informava os seus leitores acerca do «compromisso» de Lobo Antunes. Hoje, o matutino do Rio – é a coluna de Joaquim Ferreira dos Santos – fala de Miguel Sousa Tavares e de Tatiana Salem-Levy.
[*] - Transa Atlântica, título do romance «luso-brasileiro» de Mónica Marques.
Meu caro José: completamente de acordo com o seu post. Poderemos então falar sobre quem destruiu os certificados de aforro?
Há uma vasta tradição nesta matéria. Mário Soares, por exemplo, lançou suspeitas e juízos sobre Snu Abecasis; a forma como tratou Nicole Fontaine no Parlamento Europeu também não foi simpática (mereceu-lhe uma resposta: «un soupçon de machisme»). Portanto, designar Manuela Ferreira Leite como «a outra senhora» não é bem um insulto. É mais uma tentativa de marialvismo político.
Domingos Lopes deixou o PCP. Ouvi-o na rádio queixar-se sobretudo de questões internas, relacionamento entre o partido e os militantes, pouca atenção dada aos militantes, questões de «democraticidade» (mas que «os objectivos» continuavam os mesmos) e, além do mais, a novidade – que a todos parece ter escapado – de que a URSS invadiu a Checoslováquia em 1968 e de que Jaruzelzky tomou o poder na Polónia através de um golpe. Ora, durante estes quarenta anos, Domingos Lopes conviveu com as imagens de Praga a ser invadida (em Agosto de 1968) por tanques soviéticos e (em Janeiro de 1969) de Jan Palach imolando-se pelo fogo, em protesto. Havendo estas duas datas disponíveis e simbólicas, a opção de Domingos Lopes recaiu em Setembro, em vésperas das eleições.
Por outro lado, recordo-me de, há poucos anos, ter entrevistado Domingos Lopes para um programa de livros na então RTP2, e de os acontecimentos de Praga terem sido de tal forma relativizados que cheguei a pensar que Alexander Dubcek era mesmo um traidor.

Capa de Jorge Colombo, desenhada no Iphone. E a anterior:


O espólio de Fernando Pessoa passou à categoria de “tesouro nacional” (para evitar “o risco de dispersão, deterioração ou perecimento”), como nos informa o Diário da República de ontem. Pouco há a obstar, creio eu, a esta decisão do governo – a não ser ao preâmbulo do diploma, que determina que “é essencialmente no espólio que a obra de Pessoa se materializa”. Pessoa é um dos emblemas do nosso património cultural e devia ser – e é – motivo de orgulho de todos. Um orgulho a dois tempos, uma vez que não se pode transformar Pessoa no poeta público e anódino que a sua classificação como tesouro pode supor (ou “feliz”, o que seria pior). Mesmo que seja apenas uma decisão “técnica” (para proteger o espólio), não se pode proteger Pessoa da inquietação e da perdição que o marcam.
[Na coluna do Correio da Manhã]
Não é uma paella canónica, mas é deliciosa e pecadora. E, além disso, foi com esta paella que regressou o A Cozinha da Joana.
Pedida prisão de 3 anos para o subdirector de El Mundo.
Editorial: uma represália.
Mario Vargas Llosa sobre a América Latina: «En América Latina, al contrario que en países como España, la democracia no está allí para quedarse. Siempre hay una posibilidad de dar pasos atrás. Esto se ve en la clara involución que ha habido en países como Nicaragua, Venezuela, Ecuador y Bolivia. En cambio algunos otros Gobiernos de izquierdas, como el de Brasil, se han mostrado con más sentido común [...].»
{Texto completo aqui.}

Obrigado, Quincy Jones, obrigado.

A ler o texto do Jansenista sobre Espanha:
«A Espanha evoluiu muito, mas nem sempre no sentido do progresso (naquilo que esta última expressão tem de conotação valorativa). O cosmopolitismo de viragem de século entrou mal em Espanha, o que se revela não apenas na consabida dureza de ouvido dos nossos vizinhos – que por caridade deveriam ser dispensados do esforço de falarem outras línguas – mas também no desaparecimento de muitos dos traços de uma certa nobreza de carácter que parecia altivez, mas era no fundo melancolia de um Império político e cultural não muito distante, agora domado e conservado na penumbra de museus opulentos.» (Todo o texto aqui.)
Nós temos direito a essa Espanha incivilizada.
Os espanhóis querem um mundo perfeito.
Javier Marías: La Intromisión que no pára.
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• Não há pecado a sul do eq...
• Surdez.
• Góticas.