Não estou preparada para o Outono. Não estou pronta para o frio de manhã e ao fim da tarde, para o céu cinzento e as chuvas teimosas. Não vale a pena tentar, hoje apetece recolher-me no meu sofá e rodear-me, ainda que imaginariamente, de uma barreira que me isola do mundo lá fora… onde já é Outono.
Tenho uma ligeira falta de paciência que mastiga-me a vontade de comer e vê passar a hora de almoçar com pensamento no jantar – na hora de sair daqui, o chegar a casa, o viver em egoísmo os caprichos do não aceitar o Outono hoje, quem sabe, talvez amanhã.
Irrita-me este alternar de sol e sombra, esse chove e não chove, e esta dor de cabeça que é e não é nas entrelinhas da minha inconstante certeza, sei e não sei.
Não estou preparada para a manta e as lágrimas de fim de tarde, depois de uma tarde de filmes de pura pieguice – que nego sempre aos outros que vejo com vergonha da minha própria fraqueza – sonegada ao silêncio da solidão que tantas vezes digo de saborosa e deliciosa.
Não sei onde pus a porcaria do carregador do telemóvel. Paro durante uns minutos a minha busca mental, em pleno praguejar da minha cabeça pouco presa à terra, e conforto-me com o não ter atendido chamadas até agora. Agora, de repente, hoje está a saber bem… não chamadas mesmo que sim Outono. Recuso-me a idiotice das coisas pequenas – eu que gosto de pormenores – porque através delas sinto-me desprovida de sentido concreto e válido. E bem, não estou preparada para o Outono.
Tenho uma ligeira falta de paciência que mastiga-me a vontade de comer e vê passar a hora de almoçar com pensamento no jantar – na hora de sair daqui, o chegar a casa, o viver em egoísmo os caprichos do não aceitar o Outono hoje, quem sabe, talvez amanhã.
Irrita-me este alternar de sol e sombra, esse chove e não chove, e esta dor de cabeça que é e não é nas entrelinhas da minha inconstante certeza, sei e não sei.
Não estou preparada para a manta e as lágrimas de fim de tarde, depois de uma tarde de filmes de pura pieguice – que nego sempre aos outros que vejo com vergonha da minha própria fraqueza – sonegada ao silêncio da solidão que tantas vezes digo de saborosa e deliciosa.
Não sei onde pus a porcaria do carregador do telemóvel. Paro durante uns minutos a minha busca mental, em pleno praguejar da minha cabeça pouco presa à terra, e conforto-me com o não ter atendido chamadas até agora. Agora, de repente, hoje está a saber bem… não chamadas mesmo que sim Outono. Recuso-me a idiotice das coisas pequenas – eu que gosto de pormenores – porque através delas sinto-me desprovida de sentido concreto e válido. E bem, não estou preparada para o Outono.













