BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.

Com galhardia, tem na sua frente a enviada de Deus para salvar a escola. Não é, de facto, um "Picoto" qualquer. É uma Doutora. Também não é uma Doutora qualquer, é a Doutora Maria de Lurdes Rodrigues. Uma espécie de Branca de Neve que de entre os seus 7 anões se destacam 2: Valter Lemos e Jorge Pedreira.
Estamos portanto, no País das Maravilhas. Palavras para quê? São artistas portugueses!!
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NIB PARA O PARECER DE GARCIA PEREIRA

NIB: 0018.0003.20167359020.29

IBAN: PT50.0018.0003.20167359020.29

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

LEGISLATIVAS 2009 - A MENTIRA (AFINAL) COMPENSA

Esta é daquelas eleições que dá para dizer que TODOS ganharam. A ideal.
Ganhou o PS porque ... ganhou, foi o primeiro.
Ganhou o PSD porque aumentou ligeiramente, ... mas aumentou
Ganhou o CDS porque passou para terceira força política e aumentou substancialmente o nº de deputados.
Ganhou o BE porque duplicou o nº de deputados.
Ganhou a CDU porque também, tal como o PSD, aumentou ligeiramente.

Mas, a verdade é que o PS perdeu a maioria absoluta, perdeu a arrogância e o insulto às diferentes classes sociais, ficou com menos 25 deputados. É, de facto, um derrotado.
O PSD quase consegue o resultado das anteriores eleições. Depois de 4 anos e meio de disparates, MENTIRAS e desgoverno, não foi capaz de cativar o povo português. Perdeu, e perdeu bem.
A CDU, passou para último lugar no parlamento. De facto, não ganhou nada mas agarra-se a pequenas coisas como se de uma tábua de salvação se tratasse. Uma campanha e uma ideologia fechada e a falar para dentro.
Quem de facto ganhou verdadeiramente? O CDS e o BE porque cresceram em percentagem e em deputados. E não cresceram pouco.



E Sócrates?
Os portugueses continuaram a votar nele como continuam, a votar em Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais, Avelino Ferreira Torres ou até, Ana Cristina Ribeiro, do Bloco de Esquerda, partido que gosta muito de se fazer passar por puritano mas na única câmara municipal que detém, a sua presidente é arguida.

Continuam a votar nele mesmo sabendo que o seu passado não é RIGOROSAMENTE NADA TRANSPARENTE (Independente, registos biográficos, CM da Covilhã, projectos na CM Guarda, freeport, Offshores ... querem mais?) não está RIGOROSAMENTE NADA ESCLARECIDO e continua a MENTIR DESCARADAMENTE. E mais, NINGUÉM NEGA OS DOCUMENTOS mas ... fazem parte de "uma campanha negra contra o Sócrates". Imagine-se !!

Poderia pensar ou dizer que apenas perseguiu com ódio os professores, mas não. Não há quase classe social que não tenha sentido a sua ira. Diria que foi uma loucura quase transversal às classes sociais portuguesas. O que era preciso era ... MALHAR ! MALHAR !!
As pessoas sentiram, estão desempregadas, passam dificuldades, têm os salários congelados mas, ... andam com alzheimer.

Atirou-se a quase TODAS as classes sociais e depois? ... andam com alzheimer.
Afrontou a Escola Pública e espezinhou os professores e a Educação melhorou? NÃO ... PIOROU !!
Afrontou e "qualificou" os Magistrados, e a Justiça melhorou? NÃO ... PIOROU !!
Afrontou e vexou os funcionários públicos e o funcionalismo mehorou? NÃO, ... PIOROU !!
Afrontou e humilhou a polícia, e a segurança melhorou? NÃO, ... PIOROU !!
Afrontou e desprezou os médicos que lhe fizeram frente e a saúde melhorou? NÃO, ... PIOROU !!
E por aí em diante ... mineiros, farmacêuticos, enfermeiros, funcionários judiciais, pilotos ... etc., só os jornalistas não fizeram greves e percebe-se PORQUÊ. São os "meninos de oiro".

E assim estamos nós, neste Portugal que tem o que merece, que chafurda na MENTIRA e na CORRUPÇÃO, que gosta da FALTA DE TRANSPARÊNCIA e OPORTUNISMO como quem alinha com prazer e em fila indiana para o toque rectal com um sorriso de orelha a orelha.

No final, vendo bem as coisas, até pode ter sido uma dádiva de sinal oposto à "crise" que tanto o favoreceu. É que agora, vai ter de trabalhar com o estado miserável em que deixou Portugal desde o déficit de 6% até às promessas que (re)prometeu e NUNCA cumpriu nem cumprirá.

Resta saber se depois os portugueses continuarão com alzheimer.

Admiram-se ???



LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO NACIONAL


LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO EM AVEIRO


LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO NA FREGUESIA DE ESGUEIRA


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009: LISTA DOS DEPUTADOS ELEITOS PELOS DIVERSOS PARTIDOS

.
PS - Partido Socialista

Açores
Ricardo Manuel Amaral Rodrigues
Luiz Manuel Fagundes Duarte
Luísa Santos

Aveiro
Maria de Belém Roseira
Afonso Candal
Sérgio Sousa Pinto
Rosa Maria Albernaz
Vítor Fontes
Filipe Neto Brandão

Beja
Luís António Pita Ameixa
Fernando Medina

Braga
António José Seguro
António BragaT
eresa Venda
Luís Miguel Laranjeiro
Fernando Moniz
Sónia Fertuzinhos
Laurentino Dias
Ricardo Gonçalves
Isabel Coutinho

Bragança
José Carlos Correia Mota de Andrade

Castelo Branco
José Sócrates
Fernando Serrasqueiro

Coimbra
Ana Jorge
Victor Manuel Bento Baptista
Horácio André Antunes
Maria Antónia Moreno Areias de Almeida Santos

Évora
José Carlos das Dores Zorrinho

Faro
João Soares
Miguel Freitas
Isilda Gomes

Guarda
Francisco Assis
José Albano Pereira Marques

Leiria
Luis Amado
José Miguel Medeiros
Maria Odete João
João Paulo Pedrosa

Lisboa
Jaime Gama
Alberto Costa
Inês Medeiros
José Vera Jardim
Vitalino Canas
Celeste Correia
Miguel Vale Almeida
Miguel Coelho
Manuela Augusto
João Serrano
Pedro Farmhouse
Manuela Melo
Ramos Preto
Duarte Cordeiro
Custódia Fernandes
Rui Pereira
Rui Prudêncio
Teresa Damásio
Marcos Sá

Madeira
Bernardo Trindade

Portalegre
Júlio Francisco
Miranda Calha

Porto
Alberto Martins
Teixeira dos Santos
Ana Paula Vitorino
José Lello
Augusto Santos Silva
Rosario Carneiro
Manuel Pizarro
Renato Sampaio
Isabel Oneto
Jorge Streche Ribeiro
Manuel Seabra
Maria José Gamboa
José Magalhães
Marques Júnior
Luísa Salgueiro
Fernando Jesus
José Manuel Ribeiro
Glória Araújo

Santarém
Jorge Lacão Costa
Idália Moniz
João Galamba
António Ribeiro Gameiro

Setúbal
José António Vieira da Silva
Eduardo Arménio Nascimento Cabrita
Eurídice Maria Sousa Pereira
Pedro Manuel Dias Jesus Marques
Ana Catarina Veiga S. M. Mendes
Catarina Marcelino Rosa Silva
Osvaldo de Castro

Viana do Castelo
Rosalina Maria Barbosa Martins
Defensor de Oliveira Moura
Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão

Vila Real
Manuel Pedro Cunha Silva Pereira
José João Pinhanços Bianchi

Viseu
José Junqueiro
Acácio Pinto
Elza Pais
José Rui Cruz

PSD - Partido Social Democrata

Açores
João Bosco Mota Amaral
Joaquim Ponte

Aveiro
Fernando Couto dos Santos
Ulisses Pereira
Maria Paula da Graça Cardoso
Amadeu Soares Albergaria
Paulo Cavaleiro
Carla Maria de Pinho Rodrigues
Luís Filipe Montenegro

Braga
João de Deus Pinheiro
Miguel Macedo
Maria Francisca Fernandes Almeida
Fernando Nuno Fernandes Ribeiro
Emídio Guerreiro
Maria Teresa Machado Fernandes

Bragança
José Ferreira Gomes
Adão Silva

Castelo Branco
Carlos Costa Neves
Carlos São Martinho

Coimbra
Paulo Mota Pinto
Pedro Saraiva
Maria do Rosário Águas
Nuno Encarnação

Évora
Luís Capoulas

Faro
Jorge Bacelar Gouveia
José Mendes Bota
Antonieta Guerreiro

Guarda
António Carlos Peixoto
João Prata

Leiria
Teresa Morais
Fernando Marques
Paulo Baptista Santos
Maria da Conceição Bretts Jardim Pereira

Lisboa
Manuela Ferreira Leite
Luís Marques Guedes
José Matos Correia
Maria José Nogueira Pinto
Pedro Lynce
Arménio Santos
Clara Carneiro
António Preto
José Matos Rosa
Helena Lopes da Costa
Duarte Pacheco
António Leitão Amaro
Celeste Maria Amaro

Madeira
Alberto João Jardim
Guilherme Silva
Vânia de Castro Jesus
Filipe Correia de Jesus

Portalegre
Cristóvão Crespo

Porto
José Pedro Aguiar Branco
Miguel Frasquilho
Raquel Coelho
Agostinho Branquinho
Jorge Costa
Luísa Roseira
Sérgio Vieira
Luís Filipe Valenzuela Menezes
Margarida Almeida
Adriano Rafael
Pedro Duarte
Carla Barros

Santarém
José Pacheco Pereira
Vasco Cunha
Carina Oliveira

Setúbal
Fernando Negrão
Luís Filipe Rodrigues
Maria das Mercês Borges

Viana do Castelo
José Eduardo Martins
Luís Álvaro Campos Ferreira

Vila Real
António Montalvão Machado
António Monteiro Cabeleira
Isabel Maria Sequeira

Viseu
José Luís Arnaut
António Almeida Henriques
Teresa Santos
João Carlos Figueiredo

CDS - Partido Popular

Aveiro
Paulo Sacadura Cabral Portas
Raul Mário Carvalho Camello de Almeida

Braga
Telmo Augusto Gomes Noronha Correia
Altino Bernardo Lemos Bessa

Coimbra
João Manuel de Serpa Oliva

Faro
Artur José Gomes Rego

Leiria
Maria da Conceição O. Cristas Machado da Graça

Lisboa
Teresa Margarida Vasconcelos Caeiro
Luís Pedro Russo da Mota Soares
João Guilherme Nobre Prata Fragoso Rebelo
Isabel Maria Mousinho de Almeida Galriça Neto
Pedro Manuel Brandão Rodrigues

Madeira
José Manuel de Sousa Rodrigues

Porto
José Duarte Almeida Ribeiro e Castro
João Rodrigo Pinho de Almeida
Cecília Felgueiras de Meireles Graça
Michael Lothar Mendes Seufert

Santarém
Filipe Lobo d’Ávila

Setúbal
Nuno Miguel Miranda de Magalhães

Viana do Castelo
Abel Lima Baptista

Viseu
José Hélder do Amaral

BE - Bloco de Esquerda

Aveiro
Pedro Filipe Gomes Soares

Braga
Pedro Manuel Bastos Rodrigues Soares

Coimbra
José Manuel Marques da Silva Pureza

Faro
Maria Cecília Vicente Duarte Honório

Leiria
Heitor Nuno Patrício de Sousa e Castro

Lisboa
Francisco Anacleto Louçã
Ana Isabel Drago Lobato
Luís Emídio Lopes Mateus Fazenda
Helena Maria Moura Pinto
Rita Maria Oliveira Calvário

Porto
João Pedro Furtado da Cunha Semedo
José Borges de Araújo de Moura Soeiro
Catarina Soares Martins

Santarém
José Guilherme Figueiredo Nobre de Gusmão

Setúbal
Fernando José Mendes Rosa
Mariana Rosa Aiveca Ferreira

CDU - Coligação Democrática Unitária

Beja
José Mestre Soeiro

Braga
Agostinho Lopes

Évora
João Oliveira

Lisboa
Jerónimo de Sousa
Bernardino Soares
Rita Rato Araújo FonsecaJ
osé Luís Teixeira Ferreira
Miguel Tiago Crispim Rosado

Porto
José Honório Novo
Artur Jorge da Silva Machado

Santarém
António Filipe Rodrigues

Setúbal
Francisco LopesPaula Santos
Heloísa Apolónia
Bruno Dias


Domingo, 27 de Setembro de 2009

VOTAÇÃO NAS LEGISLATIVAS 2009

.

Voto nulo, voto em branco e a abstenção,

são perfeitas NULIDADES


Sábado, 26 de Setembro de 2009

PAULO PEDROSO E A PERSEGUIÇÃO AO JUIZ RUI TEIXEIRA

A propósito da perseguição ao Juiz Rui Teixeira

Só para que eles saibam que nós sabemos. É só para recordar...

É uma boa altura para recapitular e tentar descobrir onde estará afinal O TAL erro grosseiro.

É para que todos saibam e para eles saberem que nós nos lembramos e sabemos!!!!

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

SONDAGENS LEGISLATIVAS 2009

Oiço sondagens que não me cheiram
Ando pela rua e falo com as pessoas.
Ou eu estou doido ou o povo português é hipócrita.
Também podem andar com medo de dizer em quem votam, com este governo já nada me admira.
A minha previsão é esta:

PS - 33-34%
PSD - 31-33%
BE - 11-13%
PP - 11-13%

CDU - 9-10%

ANA PAULA SANTOS - A BRIGADEIRA

Ana Paula dos Santos promovida a Brigadeiro na reserva enquanto militares apodrecem à espera de um simples reconhecimento da sua condição de combatentes . . .



A primeira Dama, Ana Paula dos Santos terá sido promovida ao grau militar de brigadeiro na reserva, em circunstâncias nunca tornadas publicas.
Em 2001 havia sido promovida a Coronel, a quando as autoridades atribuíram patenteamento alargado a algumas figuras como Silva Mateus e José Fragoso, conotados ao movimento “27 de maio”. Ambos haviam sido elevados a generais na reserva.

São mesmo desconhecidos os critérios ou passagem da mesma em alguma academia militar no país. Em geral, as primeiras damas, antes de os esposos tomarem posse são remetidas a um treinamento ou instrução com bases elementares acerca da própria segurança e em manterias de inteligência no sentido da gestão de informação de assuntos do Estado.

É provável (embora sem certeza) que a primeira dama tenha recebido alguma instrução militar ou de segurança. Uma das evidencias esta na forma como se comunica em “gestos” ou “sinais” com os seus seguranças quando deseja abandonar um local publico onde se encontra (cinemas, festas e etc).

A AGRICULTURA DO PS

Jornal de Negócios – 24 de Setembro - Olival biológico avança na Beira

DN – 24 de Setembro - CAP acusa Jaime Silva de falsificar cifras de apoio aos agricultores

Jornal de Notícias – 24 de Setembro - Portugal perdeu 71 milhões de euros

SIC – 23 de Setembro - Portugal foi o país da UE que mais fundos perdeu em 2008

Comunicado da CAP – 23 de Setembro - Comissão Europeia e OCDE desmentem Jaime Silva e a propaganda do governo contra os agricultores

Comunicado da CAP – 23 de Setembro - CAP acusa ministro de falsificar quadro de execução de fundos comunitários

Comunicado da CNA – 23 de Setembro - Desperdício de verbas comunitárias é fruto das más políticas agrícolas e financeiras

Agroportal – 23 de Setembro - A Propósito de asfixia democrática … ANEFA afastada do Conselho Florestal Nacional

JOSÉ SÓCRATES PROVINCIANO


Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

MAIORIA ABSOLUTA DO PS

MAIORIA ABSOLUTA

O que é que o PS fez com a maioria absoluta que lhe foi dada?

Ofereceu-nos um primeiro-ministro “não-socialista”, trapaceiro, narcisista, oportunista, autoritário e arrogante, destituído de cultura, de perspectiva histórica e de ideologia;

Um primeiro-ministro que alega desconhecer a lei, que ele próprio fez aprovar, para fumar, às escondidas, num avião;

Um primeiro-ministro que, no plano pessoal, mostra um carácter pouco recomendável, ao usurpar o título profissional de engenheiro, quando na realidade não o é ( independentemente das trapalhadas da sua licenciatura na Universidade Independente) pelo simples facto de a Ordem dos Engenheiros não reconhecer aquele curso daquela universidade;

Ofereceu-nos um governo de inaptos, com ministros sem opinião própria, acobardados face à arrogância do chefe;

Aumentou-nos a carga fiscal (excepto à Banca, relativamente à qual a diminuiu), contrariamente ao anunciado no seu programa eleitoral, de forma brutal e sem qualquer laivo de consciência social;

Reduziu o défice, à custa desse aumento da carga fiscal, sem qualquer melhoria palpável na eficiência do Estado e com significativa redução das regalias sociais;

Promoveu, em todas as entidades estatais, o espírito da caça à multa, em detrimento da pedagogia e da prevenção, numa atitude de gananciosa obtenção de receitas;

Hostilizou vários sectores da nossa sociedade, sem que daí adviesse qualquer benefício para o funcionamento das instituições e respectivas actividades;

Empenhou-se na destruição do Estado Social e na precarização total do emprego, impondo uma nova Lei do Trabalho, que acaba com a necessidade de haver “justa causa” para despedir, instalando a insegurança total no emprego;

Criou sérios problemas na prestação de cuidados de saúde;

Desautorizou os professores e empenhou-se em falsear as estatísticas do aproveitamento escolar, promovendo o facilitismo, dando origem à criação de uma geração de analfabetos com “computador e doutoramento”;

Mostrou-se um falhanço total, no plano da economia do país, tendo aumentado as falências, as deslocalizações de empresas nacionais e estrangeiras, o desemprego e, genericamente, as dificuldades de todos os sectores da nossa actividade produtiva;

Falhou em todas as promessas eleitoralistas, com particular destaque para a de “não aumento de impostos” e a da criação de um “aumento líquido de cento e cinquenta mil postos de trabalho”;

Não conseguiu captar investimento estrangeiro de forma sustentável, dado que não foi capaz de tornar o País atractivo e competitivo;

Mendigou, em nome da “real politic” junto de líderes estrangeiros pouco recomendáveis, devido às atrocidades que cometem reiteradamente, elogiando nomeadamente o governo de Angola, de forma escandalosa, ao dizer que aquele tem desenvolvido um “trabalho notável” (talvez por lidar com muitas notas!...) mostrando, claramente, já não haver lugar para princípios;

Fez com que, em 2008, atingíssemos o recorde absoluto de endividamento em relação ao estrangeiro – 100% do PIB – coisa nunca antes ocorrida;

O grau de pobreza aumentou, de forma generalizada, em todo o País – quase metade dos portugueses está vulnerável à pobreza;

Aumentou a emigração de pessoal com qualificações superiores, empobrecendo, assim, o lote de aptos e disponíveis para integrarem os quadros dirigentes do País;

Foi complacente com escandalosas retribuições e benesses de gestores públicos e privados;

Foi incapaz de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, aquando da insurreição dos camionistas, mostrando que apenas era forte relativamente aos fracos, sendo medroso em relação aos fortes, caindo, assim, por terra, a imagem propagandeada de firmeza;

Nada fez para contrariar o aumento da criminalidade, não sendo capaz de dar resposta ao crescente sentimento de preocupante insegurança, que se instalou no país;
Tem, pois, sido fraquíssimo quando e onde deveria ser forte (ex.: na luta contra a corrupção e contra as corporações e os interesses lautamente instalados) e tem sido fortíssimo onde deveria ser fraco (ex.: na intromissão na vida privada e social dos cidadãos);

Falhou na União Europeia, patrocinando o chamado “Tratado de Lisboa”, cuja ratificação pelos estados membros veio a fracassar, por falta de democraticidade do processo e reprovação das manobras de bastidores, o que o transformou no “Destratado de Lisboa”;

Negou aos portugueses o direito de se pronunciarem sobre este tratado, não promovendo o referendo, com o qual se tinha comprometido no seu programa eleitoral;
Recebeu em Portugal Robert Mugabe, apadrinhando, assim, um criminoso tirano;

Não foi capaz de prevenir a crise dos combustíveis, mediante a definição atempada de uma estratégia energética para o país, continuando à deriva nesta como noutras matérias, demitindo-se das suas responsabilidades e remetendo-se à cobarde posição de atribuição de todas as culpas às instâncias internacionais e ao funcionamento do mercado-livre e à especulação, no que é contrariado pelo Fundo Monetário Internacional FMI) que veio dizer, claramente, que a crise em Portugal se deve a razões internas;

Apadrinhou o comportamento da Galp, a qual se aproveitou da subida ( em dólares e não em euros ) do preço do petróleo para aumentar discricionariamente o preço dos combustíveis, não os baixando na mesma proporção sempre que o preço do petróleo entrava em queda;

Criou um sistema de controlo da informação e de propaganda, essencialmente preocupado com a ocultação das enormes debilidades e com a gestão da imagem, digno de fazer inveja ao anterior regime;

Criou as “Novas Oportunidades” – uma enorme encenação de “formação”, que apenas se limita a atribuir “canudos” a nulidades, que nada aprenderam de útil para a sua integração na nossa economia real, iludindo, apenas, as estatísticas do nosso atraso cultural e tecnológico;

No caso BPP, não assumiu as responsabilidades do Estado, inerentes à falta de supervisão. Discriminou clientes no próprio BPP e em relação aos clientes do BPN, não pautando as suas decisões por critérios de justiça, mas sim pela avaliação da existência ou não de risco sistémico, não contribuindo, em nada, para a credibilização da banca;

Reagiu mal e tardiamente à crise, tentando disfarçá-la com um optimismo
estúpido.

Os sacrifícios, que a grande maioria dos portugueses vêm suportando e aos quais os gestores, os políticos e os respectivos afilhados se eximiram, foram em vão, tendo servido apenas para uma redução do défice, não sustentada!!! Este um magro resultado para um governo com tanta propaganda de eficiência!!!

A avaliação de um governo faz-se olhando para os resultados alcançados no quotidiano dos cidadãos e, no caso do governo de maioria do Iiiingiiiiiiiinheiro
Sócrates, eles foram:

Maus na Educação
Maus na Saúde
Maus na Economia
Maus na Justiça
Maus na Segurança Interna
Maus no Ambiente
Maus na Agricultura
Maus na decência e no exemplo para com os cidadãos
Maus na credibilidade e liberdade da informação

“Bons” na demagogia, na mentira, no compadrio e na roubalheira!


É por isso que chegou a hora de dizer BASTA!

Votem em qualquer outro partido!
No PS (que deixou de ser socialista…) NÃO!

Com maioria absoluta, o PS mostrou ser uma fraude!
É tempo de castigar a mentira, a incompetência, a arrogância, a ditadura de uma maioria, o favoritismo, o despudor, a subserviência rastejante de um partido face ao seu chefe, a irresponsabilidade, a incoerência, o autismo e a vaidade pessoal…

Estes são os principais atributos do PS, enquanto partido político, e dos seus membros que pactuaram com as diatribes do seu líder e do governo que patrocinaram!

Não são estas as qualidades que o País precisa para os seus dirigentes e, de uma
forma geral, para os seus cidadãos.

Quem não se revê nestas “qualidades” vai, certamente, RECUSAR O VOTO NO PS!

“O país jaz morto e arrefece nas mãos socialistas”
Não queiras colaborar no enterro do país!
Vamos ressuscitá-lo, banindo do poder os falsos
socialistas!

NÃO TE ABESTENHAS!
VOTA NOUTRO PARTIDO!
OU VOTA “NULO” COMO PROTESTO!
MAIORIAS ABSOLUTAS NUNCA MAIS!

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

SÓCRATES - UM MENTROSO COMPULSIVO

Veja AQUI

Para a opinião pública, continua a MENTIR insistindo que os professores NÃO ERAM avaliados nem o querem ser. A prova de que é MENTIROSO está AQUI ou AQUI

E continua a MENTIR.

José Sócrates, justificou a sua entrada no PSD referindo que o fez pela designação do mesmo - ser um Partido SOCIAL DEMOCRATA. Aconteceu, segundo el mesmo em 1974 e saiu em 1975 ... apenas 1 ano depois .

Ora, acontec que o nome do partido nessa altura era PPD (Partido POPULAR DEMOCRATA) desde 1974 e apenas adoptou a designação PSD (Partido SOCIAL DEMOCRATA) em 1977, isto é, 1 ano após a sua saída.

Faz lembrar toda a ALDRABICE que engendrou para justificar a su licenciatura a um domingo em engenharia.


.

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

CORRER COM SÓCRATES !!!!


Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

VOTO ÚTIL NAS LEGISLATIVAS 2009 (2)

No sistema eleitoral português muitos votos são perdidos, uma vez que não são convertidos em mandatos de deputados. Esta situação ainda é mais grave nos distritos com pouca população. Por isso, os eleitores destes distritos têm de pensar muito bem onde vão colocar a sua cruz. Donde, devemos concentrar os nossos votos para derrotarmos o PS de Sócrates.

Nos distritos mais populosos os cinco maiores partidos portugueses (Bloco, CDU, PS, PSD e CDS) vão eleger deputados, casos de Lisboa, Porto, Braga e Setúbal. Por isso, nestes distritos os eleitores devem votar no partido com o qual se identificam, sem estar condicionados pelo voto útil (dentro da lógica deste texto).

Noutros distritos, um pouco menos populosos, alguns partidos não elegerão possivelmente deputados:

- a CDU em Aveiro;
(voto inútil)
- o CDS em Coimbra; (voto inútil)
- a CDU e o Bloco em Leiria; (voto inútil)
- o CDS em Santarém; (voto inútil)
- o Bloco e a CDU em Viseu; (voto inútil)

No entanto não irei apresentar previsões nem indicações do voto útil para estes distritos, pois é uma tarefa muito arriscada, uma vez que a subida de três ou quatro pontos percentuais de um partido pode ditar a eleição de um deputado.

Nos distritos menos populosos a situação é bem diferente. A maioria dos partidos não vai eleger deputados e por isso devemos concentrar energias. Este texto não é muito simpático para os pequenos partidos, mas há uma dura realidade que não podemos esconder. Nos distritos com pouca população o Bloco, a CDU e o CDS teriam de duplicar muitas vezes os seus resultados habituais para terem hipóteses de eleger um deputado. Facto que não é previsível. É verdade que nestes distritos o PSD é quase sempre indicado como a solução óbvia de voto útil, por vezes conjuntamente com outro partido. Esta situação resulta do facto de com base nos resultados eleitorais anteriores e em função das sondagens, apenas um mandato estar em dúvida. Sendo o PS e PSD os partidos mais votados em quase todos os distritos, não votando no PSD está-se a dar vantagem ao PS, pois os pequenos partidos não vão eleger deputados nesses distritos.

É óbvio que o cenário que aqui traçamos é a de um PS com ligeira vantagem. É esta vantagem que queremos combater. Não queremos uma maioria absoluta do PSD. Aquilo que queremos é que o PS perca as eleições!

O Distrito de Beja apenas elege três deputados. Tradicionalmente um deputado é da CDU e outro é do PS. Apenas está em disputa o terceiro deputado. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de tomar duas opções. Ou votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado, ou votar CDU pensando que este partido ficará à frente do PS, ficando com o terceiro deputado. Nas eleições europeias a CDU ficou à frente do PS, pelo que se tivesse os mesmos resultados nas eleições legislativas de 2009 elegeria o terceiro deputado. No entanto, olhando para os resultados de 2005 (21036) verificamos que a CDU teve quase o mesmo resultado de 2009 (18018), fruto de ter eleitores mobilizados e fiéis. É previsível que a CDU tenha nas legislativas de 2009 um número de votos semelhante à de 2005 e que o PS suba em relação às eleições europeias de 2009. Já o PSD terá de ter mais 2000 ou 3000 votos do que nas eleições anteriores para aspirar a obter o terceiro deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco ou no CDS (votos perdidos em Beja), têm de fazer um sacrifício votando na CDU ou no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Bragança apenas elege três deputados. Perdeu um deputado em relação às eleições de 2005. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. O terceiro deputado é disputado entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria o terceiro deputado, mas nas legislativas de 2005 o PS ficou à frente do PSD, pelo que a manter-se este resultado, obteria o terceiro deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Bragança), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Castelo Branco apenas elege quatro deputados. Perdeu um deputado em relação às eleições de 2005. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O terceiro e o quarto mandato são disputados entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro e talvez o quarto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria dois deputados, mas nas legislativas de 2005 o PS elegeu quatro deputados e o PSD apenas um. Este é um distrito especial, pois concorrem José Sócrates e Valter Lemos nas listas do PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Castelo Branco), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates. O PS pode perder aqui 2 a 3 deputados em relação às eleições de 2005.
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O Distrito de Évora apenas elege três deputados. Tradicionalmente um deputado é da CDU e outro é do PS. Apenas está em disputa o terceiro deputado. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de tomar duas opções. Ou votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado, ou votar CDU pensando que este partido ficará à frente do PS, ficando com o terceiro deputado. Nas eleições europeias de 2009 a CDU e o PSD tiveram um resultado que lhes permitiria eleger deputados se as eleições fossem legislativas. No entanto, olhando para os resultados da CDU em 2005 (20246), verificamos que teve quase o mesmo resultado de 2009 (17079), fruto de ter eleitores mobilizados e fiéis. É previsível que a CDU tenha nas legislativas de 2009 um número de votos semelhante à de 2005 e que o PS suba em relação às eleições europeias de 2009. Já o PSD terá de se aproximar dos 20000 votos para aspirar a obter o terceiro deputado. A hipótese mais plausível é o PSD eleger o terceiro mandato.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco ou no CDS (votos perdidos em Évora), têm de fazer um sacrifício votando na CDU ou no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Faro elege oito deputados. Três deputados estão garantidos para o PS e outros três para o PSD. Estão em disputa mais dois mandatos. O Bloco de Esquerda devido à sua subida de 2005 para 2009 elegerá possivelmente um deputado e a CDU tem poucas hipóteses de eleger um deputado. Nas eleições europeias de 2009 os partidos tiveram um resultado que nas legislativas lhes permitiriam eleger os seguintes deputados: PSD três deputados; PS três deputados, Bloco de Esquerda um deputado; CDU um deputado. A CDU tem tradicionalmente eleitores mobilizados e fiéis, pelo que terá uma subida menor que os outros partidos entre as europeias e as legislativas. Por isso, é provável que nas legislativas de 2009 o PSD eleja três deputados, o PS três deputados e o Bloco um deputado. O último deputado (oitavo) será disputado entre o PS, PSD e CDU. Nas legislativas de 2005 o PS elegeu seis deputados e o PSD dois. Podemos retirar três deputados ao PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no CDS e talvez na CDU (votos perdidos em Faro), têm de fazer um sacrifício votando no PSD e no Bloco (votos na CDU podem não ser convertidos em mandatos) para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Guarda apenas elege quatro deputados. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O terceiro e o quarto mandato são disputados entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro e talvez o quarto deputado (pouco provável). Nas eleições europeias de 2009 e nas legislativas de 2005 o PSD e o PS tiveram resultados que lhe dariam para dividir os mandatos (dois a cada um).

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos na Guarda), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Portalegre apenas elege dois deputados. Tradicionalmente um deputado é do PS. O segundo deputado é disputado entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o segundo deputado. Nas eleições europeias o PSD teve um resultado que lhe daria o segundo deputado, mas nas legislativas de 2005 não conseguiu, sendo o segundo deputado atribuído ao PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Portalegre), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Viana do Castelo elege seis deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O quinto e o sexto mandato são disputados entre o PS, PSD e CDS. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD ou no CDS pensando que estes partidos poderão alcançar o quinto e sexto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 apenas elegeu dois deputados. Nestas eleições o PS elegeu três deputados e o CDS elegeu um deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco e na CDU (votos perdidos em Viana do Castelo), têm de fazer um sacrifício votando no PSD ou no CDS para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Vila Real apenas elege cinco deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois são do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o quinto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu dois deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Vila Real), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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Os Açores elegem cinco deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois são do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o quinto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu dois deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos nos Açores), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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A Madeira elege seis deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e três do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o sexto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria cinco deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu três deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos na Madeira), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
Para consultar os quados, veja aqui:
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VOTO ÚTIL NAS LEGISLATIVAS 2009 (1)

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Face às medidas tomadas pelo governo de José Sócrates contra os professores, conjugadas com as ofensas constantes da sinistra ministra da Educação e seus maquiavélicos secretários de Estado, urge, da parte dos docentes portugueses e seus familiares a tomada de uma posição radical nas eleições legislativas de 27 de Setembro: não votar no PS.
Com efeito, independentemente da ideologia de cada um de nós, existem, à direita e à esquerda, várias alternativas à actual maioria socretina. Contudo, face ao sistema eleitoral português, nem todos os votos contribuem para eleger deputados, em especial nos círculos mais pequenos.
Por esse motivo, é importante que o nosso voto, em 27 de Setembro, seja o mais eficaz para derrotar o PS nos 22 círculos eleitorais (20 no território nacional e 2 da emigração).
Com esse objectivo, analisei os resultados das eleições legislativas de 2005 e das europeias de 2009: as primeiras por serem as anteriores eleições da mesma natureza; as segundas, por serem bastante recentes.
Para uma maior facilidade de análise, considerei as europeias como se de legislativas se tratassem, com os mandatos (virtuais, obviamente) que cada partido teria obtido em cada círculo eleitoral. Por seu turno, na análise dos resultados de 2005, considerei os mandatos atribuídos de acordo com a distribuição dos deputados a eleger em 2009 (mais um em Braga, Porto e Aveiro e menos um em Lisboa, Castelo Branco e Bragança).
Para que o estudo seja mais fácil de entender, vou explicar, de forma sucinta, como funciona o método de Hondt, utilizado em Portugal para transformar os votos em mandatos. Assim, o número de votos de cada partido é sucessivamente dividido por 1, 2, 3, …, n, sendo n igual ao número de deputados a eleger no círculo. Os mandatos são atribuídos aos maiores quocientes dessas divisões sucessivas. Por comodidade de análise, podemos utilizar as percentagens de votos em lugar dos números absolutos.

Eis um exemplo hipotético:
Num círculo onde há 10 mandatos a atribuir, concorrem 5 partidos. Os resultados são os seguintes:
A – 38%
B – 30%
C – 14%
D – 8%
E – 6%
Brancos e nulos – 4%

Daqui resulta seguinte distribuição de mandatos:
A – 5 mandatos
B – 3 mandatos
C – 1 mandato
D – 1 mandato
Analisando a tabela, verificamos que o último mandato é o 5º do partido A (cujo quociente corresponde a 7,6% dos votos). Por seu turno, o primeiro a ficar de fora é o 4º do partido B (quociente de 7,5% dos votos). O partido E (que obteve 6%) não elege nenhum deputado.
Ou seja, para que um partido eleja um deputado por este círculo necessita de obter, no mínimo, 7,6% dos votos.
Como se pode verificar, este método favorece os maiores partidos, especialmente nos círculos mais pequenos. Assim, enquanto que, em Lisboa (que elege 47 deputados), um partido necessita de cerca de 1,9% para eleger um deputado, em Portalegre (onde apenas são eleitos 2), 25% podem não chegar. Já em círculos de média dimensão, como Leiria e Coimbra (que têm direito a 10) são necessários entre 7,5 a 8% dos votos, aproximadamente.
Os limiares mínimos para um partido obter representação num dado círculo eleitoral variam de eleição para eleição, dependendo de vários factores. Como se pode observar na folha de Excel anexa, na maioria dos círculos ele é maior nas legislativas de 2005 que nas europeias de 2009. Isto deve-se ao facto de, nestas últimas, o número de votos brancos, nulos ou em pequenos partidos ter sido bastante elevado (cerca de 12% contra pouco mais de 5% em 2005). Nas legislativas deste ano, é provável que, em conjunto, somem 7-8%, o que baixa ligeiramente esse limiar relativamente a 2005, embora não tanto como nas europeias.
É com base neste estudo e tendo em conta o nosso objectivo declarado (derrotar o PS) que considero cinco níveis prováveis de utilidade do voto num determinado partido em cada distrito, de acordo com o resultado daqueles actos eleitorais:
Nível 5 (Voto certamente útil) – Partido que elegeu deputados pelo círculo em 2005 e que subiu a sua votação nas europeias, o que lhe permitiria eleger novamente, e sem problemas, deputados nesse círculo. É um voto que permitirá, normalmente, eleger um ou mais deputados da actual oposição;
Nível 4 (Voto previsivelmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas que registou uma significativa subida nas europeias, o que lhe permitiria eleger, sem problemas, um ou mais deputados nesse círculo. É um voto relativamente seguro e que, em princípio, também permitirá a eleição de um ou mais deputados da actual oposição;
Nível 3 (Voto eventualmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas cujo resultado nas europeias lhe permitiria eleger, com dificuldade, um deputado nesse círculo. É um voto já com algum risco, mas que poderá permitir eleger alguém se o partido mantiver, sensivelmente, a votação das europeias;
Nível 2 (Voto dificilmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas cujo resultado nas europeias o colocaria próximo da eleição de um deputado pelo círculo. É um voto de grande risco, que só permitirá eleger alguém se o partido subir um pouco a votação das europeias;
Nível 1 (Voto só para protestar) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 e cujos resultados nas europeias o manteriam longe de eleger qualquer representante. Um voto que não serve para eleger ninguém. Aqui se incluem, igualmente, os votos brancos e nulos.
Nível 0 (Totalmente inútil) – Abstenção. Equivale a demissão cívica.

CONCLUSÃO-SÍNTESE

NOTA – O CDS em Viana do Castelo constitui um caso especial: o partido elegeu um deputado pelo círculo nas legislativas de 2005 e continuaria a eleger se as europeias de Junho fossem legislativas. Mas a sua percentagem desceu ligeiramente, pelo que optei por baixar a utilidade desse voto para o nível 4.

É certo que nem sempre o que parece é. Assim, poderá ser interessante votar num partido que está à beira de eleger um deputado pelo círculo (por exemplo, o CDS em Santarém ou a CDU em Faro) em lugar de votar noutro que tem a eleição assegurada e deixar esses partidos com uma boa percentagem mas sem eleger ninguém. O que mostra que tudo isto é bastante contingente e, portanto, difícil de prever.
Claro que cada um é livre de votar da forma que entender: por convicção ou de forma estratégica.
Este estudo destina-se apenas a fornecer informação sobre os efeitos mecânicos do seu voto (ou seja, aqueles que estão ligados à mecânica do sistema eleitoral) a todos aqueles que desejem votar com o objectivo supremo de derrotar Sócrates, Milú e Cª.
Por mim, desde que não votem no PS, tudo bem!

Jorge Martins (Professor de Geografia da Escola Secundária Rodrigues Lobo, em Leiria, membro dos órgãos sociais da APEDE e mestrando em Ciência Política na Universidade Nova de Lisboa)

Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

CAMPANHA DO PS: OS OUTDORS









DEBATE SÓCRATES vs SÓCRATES

Olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço.

O seu grande amigo e ditador Hugo Chavez, não passa de um
verdadeiro aprendiz de MENTIROSO. Corja de ALDRABÕES

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

HÁ 35 ANOS A SERMOS ROUBADOS

ASSIM SE GANHA(RA)M CAMPEONATOS

08-09-2009

"Meti a bola lá dentro e pirei-me para trás do bandeirinha"


Muitos ainda escrevem que o golo foi «limpo», alguns acreditam nisso. Quase 35 anos depois, o verdadeiro autor do golo do nevoeiro, num célebre FC Porto-Sporting, José Maria Ferreira de Matos, explicou ao jornal Sporting como tudo aconteceu naquela tarde de nevoeiro.
Actualmente a trabalhar em Lisboa, o ex-apanha-bolas da formação «azul e branca» e árbitro amador, mostrou-se arrependido pelo seu acto irreflectido.

JORNAL SPORTING – De que se lembra desse dia?

JOSÉ MARIA FERREIRA DE MATOS – Lembro-me do intenso nevoeiro que estava. Antes do jogo, o «chefe» dos apanha-bolas, o Valter Leitão, distribuiu-nos pelo campo e mandou-me para trás da baliza. Recordo-me que o Sporting começou a ganhar. Na segunda parte, a vantagem continuava do Sporting, mas nunca pensei em fazer o que acabaria por fazer. Eu era conhecido pelas asneiras que fazia, mas também nunca ninguém pensou que fizesse o que fiz.

– Como foi o lance?

– Não sei bem como a bola chegou a mim, mas sei que ela veio ter comigo e vi o Gomes a pôr as mãos na cabeça. Sem pensar, dei uns passos e fui até ao canto da baliza, meti a bola lá dentro e fugi para o mais longe possível. Então, vejo o Damas a ralhar comigo, mas eu pirei-me para trás do ‘bandeirinha’; ele já tinha a bandeirola no ar a assinalar o golo. Foi quando os jogadores do Sporting correram para o árbitro, a reclamar. Aí o juiz, que julgo não ter visto bem o lance, começou a mostrar cartões.

– Porque razão meteu a bola na baliza?

– Foi tudo muito rápido. O FC Porto estava a perder, a bola estava na minha mão e então pensei: vou metê-la lá para dentro e vou-me pirar. Foi um daqueles momentos em que se faz, ou não se faz; optei por fazer e já não dava para voltar atrás. Aconteceu numa fracção de segundo.

– Depois de meter o golo, o que pensou?

– Eu só queria que não me «topassem». Felizmente, ou infelizmente, o árbitro marcou e eu saí impune. Tenho pena do Damas, que não teve culpa nenhuma e sofreu um golo ilegal.

– E se visse o árbitro desse encontro?

– Não sei… Gostava de estar com ele para lhe confessar que fui mesmo eu a marcar o golo e não o Gomes. Eu tenho quase a certeza de que ele não conseguiu ver o lance como realmente aconteceu, pois estava um nevoeiro muito intenso. Também gostava de falar com o fiscal de linha; foi ele quem assinalou o golo e foi para trás dele que eu «fugi» depois de fazer o que fiz.

– Acha mesmo que o árbitro não viu nada?

– Julgo que não. Tenho ideia de ver o fiscal de linha levantar a bandeirola e validar o golo do FC Porto. Depois, lembro-me de ver o Damas e outros jogadores a correrem para o árbitro e sei que houve cartões mostrados. Nessa altura, já eu estava «escondido» atrás do fiscal. Só aí é que percebi o que tinha feito, mas pensei,"já está, já está!" Não havia nada que eu pudesse fazer.

– Alguma vez falou com o Fernando Gomes sobre a autoria do golo?

– Sim, uns anos depois encontrei-o num Centro Comercial do Porto. Perguntei-lhe, sem ele saber quem eu era, se tinha sido ele a marcar o golo; ele disse que sim e cada um seguiu o seu caminho. Mas acontece a mesma coisa quando o jogador mete a bola com a mão; se lhe perguntarem, ele dirá, quase sempre, que foi com a cabeça. Neste caso, eu sei que não foi o Gomes que a meteu. Digo-lhe isso nos olhos dele, ou nos olhos de quem quer que seja.

– Como se sente, agora que «confessou» o seu «feito» ao nosso jornal?

– Muito aliviado. Muito mesmo. Era uma coisa que eu tinha de contar mais cedo ou mais tarde. Queria ter falado com o Damas, mas não consegui. Agora, fica a faltar falar com o sr. Alder Dante e com o presidente do Sporting. Quero agradecer ainda a oportunidade que o jornal ‘Sporting’ me deu, ao poder de ter entrado no Estádio José Alvalade. Quando pisei o relvado, senti um calafrio; as minhas mãos e as minhas pernas tremeram como há muito não tremiam.

– Não tem receio de ter contado a história desse golo?

– Não. Eu sou um homem correcto. Quando as pessoas quiserem, que me procurem. A falar é que as pessoas se entendem.

– Nunca pensou falar com Victor Damas?

– Sempre tive o desejo de ir ter com ele. Tentei, várias vezes, mas nunca o consegui apanhar. Na altura, cheguei a vir do Porto a Alvalade, mas nunca tive a oportunidade de o encontrar. Não era fácil falar com ele, pois um humilde apanha-bolas não chega facilmente à fala com um jogador, para mais sem conhecer ninguém do Sporting. É das coisas que me dá mais pena. Era um sonho falar com ele. Nunca me esquecerei do Damas; pelo guarda-redes que foi e por nunca ter conseguido falar com ele. Sempre que via jogos do Sporting, em que o Damas participava, pensava sempre na malfeita bola do nevoeiro.

– O que lhe diria se o tivesse chegado a encontrar?

– Dizia o que lhe disse hoje e, com toda a certeza, pedir-lhe-ia muitas desculpas.

Leia a entrevista na íntegra, na edição de jornal ‘Sporting’

Domingo, 6 de Setembro de 2009

1 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

«Isto é selva e na selva só sobrevive a lei do mais forte e, por isso, não vale a pena estarmos para aqui com fantasias e cada um procurará armar-se o mais possível; até no campo político o sucesso depende muito do factor força».
Do arvorado a almirante Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola em 1974 citado pelo general Silva Cardoso no seu livro “Angola Anatomia de uma Tragédia”.

«Acabaram-se os sonhos. Agora só nos restam as pataniscas e as rabanadas».
De um “retornado
” ao desembarcar no fervilhante aeroporto de Lisboa, fugido de Angola, no Verão de 1975.

Antes de 1960 não existia a palavra descolonização. Ela apareceu para explicar a debandada dos europeus de África. Como já afirmámos, o termo mais correcto seria "descolonialismo" uma vez que, exceptuando a Argélia, Angola, Moçambique e Rodésia (actual Zimbabué), não havia colonos nos restantes países de África. O termo descolonização só se pode aplicar aos três primeiros. No Zimbabué não houve descolonização porque o país se auto- proclamou independente em 1966 com um regime dominado pelos colonos. Posteriormente estes abandonaram o país. A África do Sul nunca passou pelas agruras do colonialismo mas acumulou pesares também muito graves, originados pelo apartheid que ali vigorou até 2000.
Portugal nunca considerou que Angola se pudesse tornar independente, por isso sustentou uma guerra, contra as correntes nacionalistas angolanas, durante 13 anos (1961/1974). Era inevitável a emancipação de Angola mas o governo metropolitano convenceu os colonos de que tal não se verificaria. E estes, ingénuos e mal informados, acreditaram. E aquele tentou “segurar” a colónia até onde fosse possível, na esperança de que tudo poderia melhorar com o tempo.
Devido a vários factores, já enumerados em artigos anteriores , Angola em 1974 estava bem estruturada administrativamente mas anulada nos aspectos mais importantes para uma nação: político, diplomático, comércio internacional,cultural , jurídico e militar. Este ultimo era o mais importante para uma independência endógena ou seja de dentro para fora. Na independência teria que ser um exército, genuinamente angolano e coeso, a assumir, posteriormente, a segurança e a defesa, permitindo e assegurando referendos e eleições. E sobretudo não permitindo abusos. Mas isso não sucedeu porque toda a estrutura militar em Angola em 1974 era primordialmente metropolitana. Diz-se que os efectivos militares em Angola já dispunham de mais de 50% de angolanos, mas a verdade é que não os havia no topo da hierarquia militar. Foi pungente ver estes angolanos atarantados, procurando um nicho nos três exércitos que entraram em Angola, referentes aos Movimentos de Libertação. Em resumo: teria que haver um "descolonialismo" porque os colonos também estavam sujeitos aos caprichos de Lisboa. De certo modo estavam colonizados.
Por outro lado as forças militarizadas da Metrópole estavam inquietas após 13 anos de guerra, sem uma solução à vista. A maioria dos jovens em Portugal estava a emigrar, fugindo a uma guerra injusta e despropositada e que, em essência, não lhes dizia respeito. Portugal queria entrar na Europa mas as colónias eram um empecilho.
Em 25 de Abril de 1974 uma parte dos oficiais e sargentos do exército português, após treze anos de operações militares, o período que nós designámos por O Tempo Extra (1961 a 1974), resolveu dar um basta à guerra da independência, ou guerra colonial ou guerra em África, conforme o ponto de vista da cada um. A causa próxima do poisar das armas teve contornos de corporativismo. Durante o período culminante do colonialismo, de 1930 a 1960, o corpo de oficiais do exército português era de elite.O ingresso na Academia Militar estava sujeito a filtros,mais ou menos apertados, conforme as circunstâncias e as vagas. Os ultramarinos, ou seja os naturais das colónias, podiam esperar um filtro tipo chapa de aço. Os oficiais saídos daquelas academias eram de absoluta confiança do governo. Gozavam de prerrogativas elitistas e regalias materiais. A Academia Militar, antes de 1961, destinava-se inteiramente para os metropolitanos e, mesmo estes, passavam por uma rigorosa selecção.
Podemos supor que Salazar alimentava a secreta esperança de que, in extremis, irromperia um qualquer acontecimento internacional que pudesse reverter o quadro “de aguentar” para um quadro a seu favor, menos implicante internacionalmente. Já tinha havido ameaças, em épocas anteriores, e ele sabia disso. Eis algumas dessas situações, já aqui indicadas (no livro), mas que repetimos para frisar a sorte que sempre tinha acompanhado os governos de Lisboa:
-Após o ultimato de 1890 a Inglaterra acabou por proteger as colónias de Angola e Moçambique da cobiça da Alemanha, da Bélgica, e da França. Portugal sempre era um velho aliado e, sobretudo, não tinha indústrias que absorvessem os minérios de África. Portugal era um empecilho às pretensões dos alemães, dos belgas e dos franceses , mas não fazia sombra à Inglaterra. Neste aspecto até convinha aos ingleses a posição portuguesa, esta evitava o predomínio de qualquer outra potência europeia. A viagem do rei inglês Eduardo VII a Portugal, em princípios do século 20, acabou por apagar todos os azedumes provocados pelo Ultimato em 1890.
-Após a guerra 14/18 as colónias continuaram intactas devido à cooperação de Portugal no conflito. Quando chegou a altura do rateio, entre os vencedores, Portugal lá estava entre eles. E, para desenvolver o território, conforme se preconizou na Sociedade das Nações após o conflito, lá foi para Angola, outra vez, Norton de Matos. Foi demitido logo que passou o perigo. Um costume que se repetiria mais tarde. Os ardores desenvolvimentistas passavam logo que o horizonte político internacional se desanuviava.
-Durante a década de 20 Portugal foi acusado de praticar trabalho forçado. Foi publicado o Relatório Ross, em 1925, que provocou comentários acres na imprensa mundial. Chegou a insinuar-se que a Sociedade das Nações deveria intervir. O craque da Bolsa de Nova Iorque em 1929 acabou por desviar as atenções.
-Em 1935 novo sobressalto: Hitler começou a mostrar apetites coloniais, chegou a referir-se às antigas colónias alemãs em África. Angola foi mencionada, como pátria de acolhimento, para os judeus que estavam a ser expulsos da Alemanha nazi. A grande guerra 1939-1945 acabou por salvar, mais uma vez, a presença portuguesa em África. Esta ficou, desta vez, com prazo.
-Durante a guerra 1939-1945 o fim do colonialismo foi preconizado pelo presidente Roosevelt mas a sua morte em 1945 lançou tudo no esquecimento.
-Em 1961, quando houve necessidade de intervir militarmente em Angola, Salazar alimentava a esperança de que ia haver uma terceira guerra mundial e, neste caso, a colónia de Angola permaneceria, como despojos, como sucedeu após a guerra 1914-1918. É dele a seguinte frase, citada por Franco Nogueira(159):«Não entrámos na guerra 39/45 mas de certeza que entraremos na próxima». No fundo talvez ele alimentasse a secreta esperança de um novo conflito mundial, que seria devastador, não tenhamos dúvidas, mas que alteraria profundamente o estado do mundo e do qual talvez se pudesse tirar partido como sucedeu após a guerra de 1914-1918.
Sabe-se hoje que o conflito esteve muito perto de acontecer com os atritos relativos à instalação de misseis em Cuba, em 1962, pela União Soviética.
Antes das guerras africanas iniciadas em 1961, na admissão para a Academia Militar em Portugal eram mais os candidatos do que as vagas. A selecção era rigorosa. A partir do início da guerra colonial em 1961 começou a reversão: eram mais as vagas do que os candidatos. Em termos práticos significa que a guerra iria ser comandada “sempre pelos mesmos”. A situação foi-se agravando e acabou por ficar insustentável. Solução: admitir milicianos como candidatos à Academia Militar. Em alguns casos a guerra acabou por apontar para milicianos com mais atitude militar do que os eleitos segundo as regras anteriores, o que confirmava o elitismo vesgo que existia na admissão àquela Academia.
As vagas na Academia Militar, antes de 1961, eram reservadas só para metropolitanos, e para as famílias privilegiadas. Gilberto Freyre, quando visitou Portugal em 1952 apercebeu-se disso, tendo escrito, a propósito, quando esteve na Índia portuguesa(95):«Só os comandantes e oficiais são metropolitanos e brancos. Outra restrição aos direitos de plena cidadania portuguesa sentida pelo luso-indiano. Desde Cabo Verde que ouço à prática portuguesa de impedir-se ao português nascido no Ultramar ocupar cargos de responsabilidade político-militar e de tornar-se oficial do Exército ou das Forças Armadas; e também a discriminação entre português da Metrópole e português do Ultramar, quando funcionários públicos, para efeitos de licenças ou de viagens a Portugal».
Era inevitável o choque. O Ministro da Defesa, que promulgou os Decretos 353/73 e 409/73, que abriam a inacessível porta da Academia Militar aos oficiais milicianos, era o General Sá Viana Rebelo que tinha sido Governador Geral de Angola de 1956 a 1959. O decreto banalizava o curso de oficiais do Quadro, uma situação injusta e desagradável para quem a Academia era emblemática.
Era a causa próxima para o eclodir de uma revolta. Estavam fartos de comissões todos os oficiais do Quadro e, como prémio, recebiam a desvalorização do curso, com o consequente rebaixamento do status e o atraso em promoções.
A opinião pública mundial não alinhava com as razões apresentadas por Portugal, em querer manter as suas colónias. Até o Brasil, embora nunca tivesse sido hostil, punha as suas reticências quando Portugal “era chamado à pedra” nas instâncias internacionais. O ostracismo do país era mais um motivo para o descontentamento dos oficiais e dos portugueses em geral. Ninguém, no mundo, alinhava com os agonizantes imperialismos, nascidos no fim do século 19. Os jovens na Metrópole estavam a ser castigados com incorporações que lhes obstruíam o futuro.
O governo, nos fins de 60, argumentava que a incorporação de Angola era constituída por mais de 50% de naturais da colónia, mas não elucidava que não existia um único oficial subalterno e, muito menos, um oficial superior africano. Até 1961 nem sequer havia sargentos africanos no Exército português. Só “soldados indígenas”. A incorporação militar angolana era acéfala. Quando foi necessário assumir a defesa das populações, porque o Exército Português se desobrigou “de um dia para o outro”, verificou-se uma insólita debandada geral. Os angolanos militarizados não possuíam uma hierarquização de topo nacional. Obedeciam a uma estrutura superior metropolitana e absentista. Na independência do Brasil isto não sucedeu. Mesmo em Angola até 1947, provindo da 1ª república em Portugal, ainda Angola tinha um exército próprio, com oficiais que ficavam a residir em Angola quando se aposentavam, muito embora centralizado sob um comando metropolitano. Em 1947 o governo de Salazar desmantelou toda a ainda incipiente estrutura militar de Angola e centralizou tudo em Lisboa.
Em 1974 o governo já tinha institucionalizado a guerra. A situação militar na Guiné agravava-se de ano para ano. Aquele país africano é pequeno, mas Portugal continha com dificuldade os focos de insubmissão. Volvidos quase 40 anos, quem lê sobre a guerra na Guiné pergunta-se, perplexo: mas qual o interesse de Portugal em relação à Guiné? Salazar temia o desfecho dominó, pois já existia um precedente na Índia Portuguesa.
Os guineenses eram mais unidos e organizados naquela guerra do que hoje, independentes e em tempo de paz. A guerra é sempre mais fácil de fazer do que a paz. Destruir é facílimo.Agora, construir...
O general Spínola, quando foi governador na Guiné, tentou uma aproximação com os nacionalistas, chegou a dialogar com o Presidente do Senegal Leopold Senghor. Mas esbarrou com a intransigência de Marcelo Caetano ( substituiu Salazar em 1968) que insinuou que era mais honrosa uma derrota militar, como já tinha sucedido em 1961 em Goa, Damão e Diu na Índia. Parece que aceitava a derrota como um fatalismo, tal como sucedera com o seu antecessor Salazar no caso da Índia Portuguesa em 1961.
Logo que Marcelo Caetano assumiu o cargo de primeiro ministro em Portugal em Setembro de 1968, devido à precária saúde de Salazar, começaram as desavenças. Spínola e Costa Gomes, dois generais bem conceituados, queriam mudanças mas Caetano era um irresoluto. Tinha medo de tomar qualquer decisão para o Ultramar, embora tivesse apresentado um Parecer sobre uma federação, em 1962, quando não estava no governo.Não teve coragem de o assumir. Depois, no governo, era contrário às ideias então defendidas (uma federação de estados) e, segundo dizem, não queria que se falasse no tal Parecer. A sua desculpa era a de que o Parecer estava ultrapassado.

2 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Há uma velha fábula que relata que um gato enorme e façanhudo aterrorizava uma pacífica comunidade de ratos. Quando o gato aparecia, silencioso como só os felinos o sabem ser, era um pânico geral pois, às vezes, nem havia tempo para fugir. Os ratos resolveram fazer uma reunião geral. A proposta, feita por um velho rato político já aposentado (com três reformas acumuladas, a caminho de uma quarta e sempre “à coca” de mais prebendas), uma espécie de senador caga-sentenças,foi aprovada por unanimidade: alguém tinha que colocar um guizo, barulhento, no pescoço do gato. Assim, quando ele se deslocasse, por causa do tlim tlim agudo, dava tempo para “cavanço”. Alguém tinha que afrontar o gato. A seguir foi apresentada outra moção: quem iria desafiar o felino, quem iria pôr o guizo no pescoço do gato ? Também unanimidade geral: ninguém se ofereceu. A proposta caiu logo a seguir, e todos concordaram: o melhor era, cada um, manter-se em forma para poder correr rápido.


António de Spínola resolveu “pôr o guizo no gato”, neste caso Caetano, cuja mentalidade de adiamento estava criando embaraços aos militares, fartos das guerras coloniais. O guizo foi o livro “Portugal e o Futuro” saído em 1973. Segundo muitas opiniões, era um desafio a Caetano.
O regime caetanista estava tão sensível que o livro lhe provocou um abalo. Não apareceu logo à venda, foi barrado pela censura, a sua primeira aparição foi no Brasil. Depois acabou por circular a princípio só em Portugal, e finalmente em Angola muito mais tarde, quando já não interessava e todas estruturas desabavam diariamente. O livro de Spínola, quando entrou em Angola, estava mais desactualizado que um balancete de 1920, quando ainda se faziam escritas comerciais de modo a detectar-se qualquer alcance que era a palavra então usada para a hoje vulgar roubalheira.
A ditadura estava tão fechada a mudanças que o livro causou um abalo. Li a edição brasileira em 1973, quando eu estava completamente desinformado (para não dizer tapado), e achei-a pouco concisa, com frases demasiado complicadas, com uma solução escondida e capciosa (denunciando medo) e, especialmente, fora das realidades e do tempo. Propunha uma pálida solução, favorecendo só os metropolitanos, com soluções extraídas do pequeno universo da Guiné. Esta colónia, em área, equivalia à de um pequeno distrito em Angola.
O livro é um exercício de contorcionismo político, com medo de afrontar a dura realidade e, principalmente, de abordar as independências das colónias. Ainda hoje não percebo o afã da DGS (polícia política da ditadura que substituiu a PIDE ) em não deixar a sua livre circulação. Poucos portugueses terão a pachorra de o ler e, menos ainda, facilidade em o entender. Diz-se que se venderam 100 000 exemplares. Talvez, mas que tenham sido lidos integralmente, arrisco um numero 100 vezes menor. Como dizem os brasileiros era prosa “para boi dormir”.


Mais de metade do livro(212) estende-se por considerações filosóficas, que nada tinham a ver com os complexos problemas com que se debatia Angola. Vejamos algumas passagens: «Os homens não se constituem em sociedades por reconhecerem estas como valores transcendentes a preservar; antes, as sociedades é que se constituem por atitude volitiva dos seus participes, que a ela aderem na medida em que reconhecem beneficiar da sua integração na comunidade».
E, mais adiante « Toda a super-estrutura deve, pois, para permitir a subsistência e a prosperidade da sociedade que serve, harmónica e harmonizante, isto é, deve reger-se pelo equilíbrio individual, em ordem a que de troca entre o que cada um dá e recebe resulte um excedente pessoal que permita a satisfação das necessidades crescentes de cada um».
E depois: “A intransigência na defesa de controversas convicções não pode conduzir à adesão das partes contrárias; e os apelos à coesão só resultam quando se afasta o que desune e se procura o que é de facto agregador».
E esta: « Mas não se ignora que, em qualquer arquitectura política, a consistência que lhe advém da existência de um poder em exercício se radica no binário “finalidade a atingir –força prossecutora”, factores que, pela geral adesão que provoquem, produzem a obediência voluntária que por sua vez gera o poder autêntico em termos de vida política e social. Somos, por esta via, conduzidos ao cerne do problema, que se situa no quadro das “ideias prosseguidas-força prossecutora”, pedra angular da sobrevivência das nações».
E toma lá mais prosa narcoléptica:« Não se trata de um quadro estático, pois que o limiar das necessidades mínimas sobe de nível a um ritmo cada vez mais acelerado, tendendo cada vez mais a ampliar-se a gama destas necessidades e a reduzir-se o leque das necessidades e solicitações complementares - isto é, daquelas cuja insatisfação, proporcionando mal-estar relativo, não constitui todavia problema social».
E continuando a prosa hipnoléptica:« São valores essenciais permanentes, embora de conteúdo mutável, o respeito dos direitos humanos que não podem ser feridos pela integração dos indivíduos na vida social: a harmonização do interesse geral entendido como somatório e resultante dos interesses particulares que o conformam; a construção de um Estado em que o poder se subordine aos fins assim definidos e se revista da autoridade legítima que lhe advém dessa subordinação; e a participação dos cidadãos na gestão dos seus destinos, tornada cada vez mais imperativa pela permanente elevação do seu nível cultural e do seu grau de consciencialização».
E mais prosa: «Primeiro, do ponto de vista lógico há que estabelecer uma certa correspondência entre os factos passados e futuros, integrados numa linha de sequência que se traduz na evidência de o futuro ser história no amanhã. Assim o futuro, tal como foi o passado, surge numa sequência de factos que só terão sentido desde que ligados por relações de nexo. E aqui apenas se apresentam duas alternativas: ou essas relações são deixadas a leis naturais, que as encadearão ao sabor das reacções de fortuna, ou se pretende controlar os factos eliminando zonas de incerteza, influenciando as suas determinantes e comandando as suas consequências, o que obviamente pressupõe a definição prévia de uma lógica de concatenação que afinal não é mais do que a definição de uma estratégia».


Conteúdos chatos, mais para impressionar do que para elucidar, encontradiços em qualquer manual de sociologia enfatuada, mas inadequados para o momento grave, que exigia uma profunda e realística reflexão sobre os verdadeiros problemas que afligiam os residentes das colónias.Tinha que se discutir frontalmente, preto no branco ( a frase vale, até, pelo seu duplo significado), qual a saída para uma situação provocada, essencialmente, por um torpor histórico a que não faltou displicência, arrogância, egoísmo, incompetência e muita preguiça. Conteúdos difíceis de entender, numa fase em que tinha que se usar uma linguagem popular, compreensível por todos.
Naquela altura, o que nos interessava que « Toda a super-estrutura deve, pois, para permitir a subsistência e a prosperidade da sociedade que serve, harmónica e harmonizante, isto é, deve reger-se pelo equilíbrio individual, em ordem a que de troca entre o que cada um dá e recebe resulte um excedente pessoal que permita a satisfação das necessidades crescentes de cada um»?
O livro perde-se em 2/3 do seu conteúdo com divagações sociológicas do tipo atrás apresentado. Só no último capítulo intitulado “Uma Hipótese de Estruturação Política da Nação” é que é, finalmente, apresentada uma hipótese de solução para o fim das guerras coloniais. Mas neste capítulo volta o mesmo pendor que é o de não se abordar os problemas com frontalidade, ou, como diz o povo, “ não se dá o nome aos bois”.


Este capítulo começa usando o estilo anterior, de tudo explicar para que ninguém entenda coisa alguma. O que interessa é manter um estilo intelectual um tanto incompreensível. Vejamos:«Seguindo um processo mental puramente analítico, tem-se vindo a equacionar o problema nacional no quadro dos factores que o condicionam, agrupados quanto possível segundo as suas múltiplas dependências. E, como a complexidade que hoje caracteriza a fenomenologia político-social vem determinando uma crescente gama de interligações entre esses factores, os diversos campos de análise deixaram de encerrar-se em compartimentos estanques, sendo assim inevitáveis certas repetições de conceitos, em ordem a que a análise não resulte incompleta em dado plano, pelo facto de determinado argumento, que também lhe é próprio, ter sido já expendido noutro ponto. E, entre imperativos opostos de simplificação e clareza, prevaleceu este último por motivos evidentes. Por outro lado, sendo o trabalho de análise essencialmente decompositivo, impôs-se desmontar os factos à luz de um espírito realista que, por extrapolação dos seus efeitos, nos conduziu a uma conclusão de impossibilidade; e por aí poderíamos ter ficado se apenas nos animasse uma intenção meramente crítica, deixando a outros a tarefa de construir soluções».
Lendo mais este pedaço de prosa ocorre perguntar: qual era o medo do Governo em publicar-se este livro ? Eu confesso a minha ignorância: não percebo a maior parte destes conceitos, apesar de ter visto todos os filmes do Cantinflas. Mas Marcelo Caetano ficou magoado com o tom e o desafio de Spínola. Que tom e que desafio? Não restam dúvidas de que o regime, o Estado Novo, estava em fase terminal, em tudo viam fantasmas. Pelo contrário, o governo deveria ter autorizado este livro com fins terapêuticos. Era um grande remédio, sem efeitos colaterais, para todos os portugueses que sofressem de insónias.


Finalmente a páginas 196 vislumbra-se qual a solução política que Spínola preconiza para as colónias: « a tese federativa, para a qual somos assim impelidos, não deixa, é certo, de comportar aspectos negativos que devem ser acautelados».
A favor desta tese Spínola pergunta :« Será porque o portuguesismo da nossa gente africana desapareceria por encanto perante uma mudança da Constituição?» Mas ele acredita: « Somos dos que crêem firmemente no portuguesismo da nossa gente africana. E, porque assim é, defendemos a tese federativa como a única que permite real expressão ao País plural que idealizamos. Porque, se não acreditássemos nesse portuguesismo, não teria sentido o empenhamento pessoal na mais firme defesa do Ultramar».
Em síntese, o livro “Portugal e o Futuro” não apontava os “cancros” da dominação colonialista, fáceis de enunciar, impossíveis de “curar” depois de dezenas de anos sem quaisquer reformas:
Apropriação, pela Metrópole, das divisas comerciais, e outras, de Angola. A colónia produzia, então, mais de 40 artigos de exportação, cada um com valor superior a um milhão de dólares;
Clivagem propositada entre as comunidades africana e europeia de modo a não se verificarem entendimentos sociais e, muito menos, políticos;
Obstrução quase total dos lugares de topo, políticos ou outros, para os angolanos quer fossem de ascendência europeia ou africana, mais agravada para estes últimos;
Exaltação,a toda a hora , de um portuguesismo exacerbado induzindo a ideia de que quem não concordasse com ele era “um traidor à Pátria”; o portuguesismo aliás é o grande trunfo de Spínola imbuído, como estava, com as suas pequenas, e algo artificiais, experiências sociais na Guiné;
Ensino com anos de atraso: só depois 1961, a partir do governo de Venâncio Deslandes, é que o ensino primário foi encarado a sério; com muitos bons resultados posteriores, acrescente-se;
Também a partir de 1961 foi instituído o ensino universitário mas com três lacunas: não havia os cursos de direito, arquitectura e sociologia.
Censura obstinada nos jornais, na rádio, no cinema e na literatura;
Dificuldades em viajar para o estrangeiro, era difícil tomar conhecimento das democracias;
Ausência confrangedora de televisão;
Grande incorporação de angolanos nas Forças Armadas mas comandados sempre por metropolitanos.


A moeda circulante em Angola era fictícia sem qualquer valor internacional inclusivé na própria Metrópole. Na pré-independência deixou de ter valor até em Angola.
Capacidade decisória totalmente centrada em Lisboa.
Volvidos quase 40 anos confunde-nos a ingenuidade política de Spínola: quantos na Guiné, em Angola, em Moçambique, até em Portugal tinham a noção do que era uma constituição? Quantos sentiam a nacionalidade Portuguesa?


Alguém escreveu que os portugueses são os chineses da Europa. Quando querem dizer verdades fazem mil e um rodeios, a maioria das vezes acabam por não concretizar o essencial.E as verdades nunca são paridas, desculpem este termo, devido aos circunlóquios e subterfúgios que enfeitam, e acabam por mascarar, qualquer verdade em Portugal exasperando os ouvintes os tele-espectadores e os leitores. Os portugueses têm medo de dizer, frontalmente, uma verdade!
Respeitando o patriotismo de Spínola e a sua boa vontade, melhor dizendo a sua ingenuidade, entendemos que a sua solução, na realidade bem intencionada, mas só isso, apresentava-se fora do tempo, se é que, alguma vez, esteve dentro do tempo. E fora da realidade, também. Talvez que na década de 50, quando Portugal ainda não sofria as asfixiantes pressões internacionais , quando os africanos “ainda não tinham aberto os olhos” e não tinham enveredado pela luta armada, fosse possível encarar a hipótese de uma federação de estados, mas para isso teriam que se fazer reformas arrojadas para a época. Muito ousadas, enfatizamos. A velha frase latina tem sempre acuidade: ubi bene, ibi patria, a minha pátria é onde me sinto bem. Ora para que os africanos se sentissem portugueses, como argumentava Spínola, era necessário que se tivessem feito reformas muito ousadas a tempo e horas. Era necessário que eles usufruíssem, em pleno, da cidadania e da civilização moderna.O que não sucedeu.

3 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Um caso que serve de exemplo é a Guiana Francesa. Situada ao norte do Brasil ainda hoje pertence à França, apesar de se terem feito referendos e de haver movimentos independentistas. Por que se mantém francesa? Resposta simples: porque um referendo assim o confirmou. Por que ganhou o “sim”? Resposta: a segurança social francesa e outras regalias são extensíveis à Guiana! Há lá muitos naturais (mas franceses de facto e de direito) nos lugares da governação. O velho lema cínico acaba por se confirmar: “pátria e a tripa escrevem-se com as mesmas letras”!

O livro de Spínola, de que saíu uma edição serôdia em 2004, acabou por ser emblemático para o golpe de estado em 25 de Abril de 1974 . Mas volto a perguntar: quantas pessoas conseguiram lê-lo? E conclue-se: o regime estava mesmo no fim, um livro entediante e codificado foi o suficiente para abalar as estruturas que provinham do longínquo ano de 1926. Salazar foi derrubado por uma cadeira e Marcelo por um livro enigmático e fastidioso. Spínola foi condecorado, para quando a condecoração do carpinteiro ?
Marcelo Caetano não era indicado para conduzir o processo histórico angolano. Todo o seu passado estava ligado ao Acto Colonial, era um dos ideólogos do regime, pelo menos sob o aspecto ultramarino. Opositor da miscigenação, e muito mais da aculturação, mostrou estes pendores em inúmeras conferências e escritos. Embora, modernamemte, tenha corrigido rapidamente determinadas ideias. Mas já não servia para resolver a situação colonial porque, como é óbvio, tinha escritos comprometedores. E deu mostras de que continuava aferrado ao elitismo racista, não lhe passava pela cabeça ver um africano em um alto cargo de governo. Diz-se, e já é tempo de se confirmarem as suposições, que lhe foram propostos vários nomes de africanos para ocuparem lugares de topo. Recusou tudo.

Fig Um cédula de Angola com a efígie do Presidente da República Portuguesa. É de 1962. Este dinheiro nunca valeu nada fora de Angola e isso ficou amargamente provado quando se deu o êxodo para Portugal principalmente.
Estas cédulas eram meras “fichas de casino” mas com a agravante que, depois no próprio casino, não eram trocáveis. Um autêntico jogo de batota política, social e até histórica. Foi em 1951 que Angola, até então designada oficialmente como Colónia,passou a designar-se como Província Ultramarina. Esta mudança filia-se nas pressões internacionais iniciadas com a independência da Índia em 15 de Agosto de 1947. Até 1953 a moeda em Angola era o angolar; a partir daquele ano passou a ser o escudo, mas só nas notas porque, na realidade, nada tinha a ver com o escudo que vigorava em Portugal. Era mais uma maneira de tentar convencer de que Angola era uma província portuguesa.


Conforme escreveu Orlando Ribeiro (182)« Marcelo Caetano representa a visão monolítica do problema do Ultramar, tal como Salazar a concebeu e impôs...embora hoje alguns (e ele próprio) pretendam mitigar essa visão».
No governo de Caetano, ironicamente, registaram-se os maiores índices de progresso, tanto em Angola como em Portugal. Paradoxalmente, nunca em Portugal se respirou tanto optimismo e nunca no país houve tantos empregos (postos de trabalho, com se diz hoje), como nos seis anos de governo de Marcelo Caetano. Contradições da história. Foi um tempo em que ficou evidenciado que Angola tinha todas as condições para ser um grande país, ultrapassadas que estavam algumas barreiras de outrora: indigenato e contrato extintos, doenças tropicais praticamente erradicadas, boa rede de estradas asfaltadas, bons aeroportos, telefones entre cidades, ensino em roda livre instalado em bons edifícios incluindo o universitário, trabalho fiscalizado, não mais os grandes abusos patronais de outrora, bancos comerciais, emfim todas as acções que deveriam ter sido impulsionadas a partir de 1950. Pelo menos a partir de 1950. Mas que, infelizmente, só foram iniciadas em 1961.
E, sobretudo, havia uma maior abertura económica. Mas ficou uma barreira bem difícil de ultrapassar: a clivagem entre as comunidades europeia e africana. Uma clivagem que nunca foi resolvida, apesar dos esforços, infelizmente tardios, do governador geral Silvério Marques e dos seus sucessores. Foi esta barreira que provocou todas as irresoluções de Marcelo Caetano. Que ele não soube ultrapassar, talvez porque tinha contribuido para ela.
Angola, ao contrário de qualquer país, entrou em convulsão devido a problemas políticos, e não económicos como é o normal. É dos poucos países, se não for o único, que desmoronou apenas por assimetrias sociais e ideologias estranhas, e não por problemas económicos. Os problemas económicos são, sempre, a causa da queda de governos e até do colapso de civilizações. Às vezes são quase impossíveis de resolver, especialmente quando um país não tem meios de sobrevivência. Não era o caso de Angola e Portugal. Ambos estavam em bom ritmo económico.
A esmagadora maioria das crises nacionais funda-se na economia.Os colapsos civilizacionais, ao longo dos séculos, fundaram-se, todos, na economia. Em Angola tudo desmoronou, só devido a ideologias. Ou seja morreu com saúde!


Marcelo Caetano apresentou um parecer em 1962 (em anexo no livro) em que previa uma federação de estados autónomos dentro de uma Comunidade Lusíada. Quando tomou posse, como primeiro ministro, ficava irritado quando lhe falavam no seu parecer. Evitava falar sobre ele.
O que podemos pensar, então, sobre a sua tentativa de « finalmente desembaraçar-se da África», isto é, provocar um “grito do Ipiranga” forjado em Lisboa. De acordo com o que vem exarado no livro de Silvério Marques “ Marcelo Caetano Angola e o 25 de Abril “(136) era em Massangano em 15 de agosto de 1974 que se ia dar o “grito do Ipiranga”, tudo engendrado por e em Lisboa. Para tomarmos conhecimento deste episódio, afinal nós não éramos os ultimos a saber, nós éramos sempre os únicos que nunca chegávamos a saber, basta ler o livro de Silvério Marques, publicado em 1985, que se baseou em depoimentos de Franco Nogueira, de Santos e Castro (último governador geral) e de outros. O historiador Veríssimo Serrão manteve uma quente polémica com Silvério Marques sobre a veracidade da “tentativa” de Marcelo Caetano.
Como se tem enfatizado ao longo deste livro os angolanos não eram, nem nunca foram, “tidos nem achados”, para nada. O facto de existir a SEDES, um organismo extra governamental que Caetano ouvia e apoiava, que preconizava o abandono puro, rápido e simples, do Ultramar, e abertura ampla para a Europa, contribue para que façamos fé na “tentativa” descrita por Silvério Marques. O 25 de Abril inviabilizou esta tentativa de forçar a história, de se querer impor uma independência tipo Rodésia, de se tentar recuperar, atabalhoadamente e com um futuro comprometido logo de início, um tempo perdido.


No referido livro(136) lê-se: «...para o Chefe do Governo (Marcelo Caetano) afigura-se claro que, se conseguisse finalmente desembaraçar-se da África, teria ultrapassado as dificuldades internas...então pensa em organizar ou impulsionar um cenário que libertaria o Governo do problema ultramarino e não o responsabilizaria pela solução. A um círculo muito restrito de altas personalidades, desempenhando funções civis ou militares, Marcelo Caetano sugere a possibilidade de ser suscitado, sob qualquer pretexto, um conflito entre o Ministério do Ultramar e um Governo Ultramarino local. Agravado o dissídio, propositadamente o Governo Central fingiria intervir e resolver o conflito; mas não tinha sucesso; e o governo local, apoiado nos elementos locais, assumiria um estado de rebelião que o Governo de Lisboa se confessaria impotente para dominar, e que conduziria à separação e à independência».
Esta atitude de abandono colide com uma frase escrita a Salazar quando Marcelo Caetano era Ministro das Colónias em 1946:« O português não tem têmpera para suportar demorada e pacientemente contrariedades. Há que assisti-lo a cada passo, sobretudo quando longe da terra natal. É um dado que o Governo tem de ter sempre presente».
Mas a guerra colonial tinha-se transformado num labirinto aparentemente sem saída. Talvez houvesse uma ou duas saídas hábeis, mas teriam que ser “a tempo e horas”. Saídas que nem sequer foram admitidas por Caetano. Ele achava que não havia condições para uma transição pacífica. Deixou o tumor chegar à supuração. E o golpe aconteceu na madrugada de 25 de Abril de 1974.


Em Portugal o golpe de 25 de Abril levantou um onda de alegria. Mas não sucedeu o mesmo em Angola onde a população ficou fortemente apreensiva. Mesmo a minoria que fazia parte dos Movimentos de Libertação ficou receosa do futuro. As assimetrias de Angola, se fossem convenientemente exploradas, poderiam transformar o país num inferno. Infelizmente foi o que sucedeu.
O regime deposto tinha tanta imobilidade, a tal “habitualidade” de que gostam os portugueses e a que Salazar se referia com frequência, e que justificava a inércia do regime, que só dois dias depois, em Angola, é que se começaram a notar, mas ainda timidamente, o início das alterações. Que se iriam suceder, depois, com uma alucinante velocidade, um contraste com os lerdos 40 anos do colonialismo salazarista.
Só através da rádio é que no interior, no mato, se tinha uma ténue percepção do que se estava a passar. O Secretário Geral, segundo na hierarquia superior de Angola e que substituiu o Governador Geral, leu uma proclamação destinada a acalmar os ânimos. A desinformação, a má informação,os silêncios capciosos e as mentiras deslavadas que caracterizaram o salazarismo mantiveram-se. Mas, agora, as mentiras eram mais danosas e iriam provocar situações trágicas, e mais rápidas, porque já ninguém tinha mão no sistema.
Um militar, obviamente metropolitano,completamente alienado dos problemas de Angola (e imbuído da ideologia em moda o marxismo), encarregou-se da manutenção da já existente censura à imprensa, apesar de o novo regime apregoar a liberdade de imprensa. Agora era mais apertada e tendenciosa! Uma censura desde o tempo de Paulo Dias de Novais (1575), passe o exagero!





Fig Rosa Coutinho rodeado por Agostinho Neto (que viria a ser o primeiro Presidente de Angola) e por Jonas Savimbi. O outro líder Holden Roberto está ausente, explicável, em parte, devido à aversão pessoal de Rosa Coutinho pelo líder da FNLA. Uma tal animosidade não era conveniente num processo político tão complicado, não era a pessoa indicada para um tal momento histórico.

Em Lisboa o general Spínola dirige-se ao país prometendo “garantir a sobrevivência da Nação soberana no seu todo pluricontinental”. É um discurso bafiento, fora do tempo, recebido com cepticismo sarcástico pelos angolanos. Para Angola é nomeado o general Silvino Silvério Marques que tinha sido Governador Geral de 1962 a 1966. Só aguentou um mês, o país já estava todo politizado, o ódio instalara-se por todos os cantos. É substituido, em fins de Julho de 1974, pelo capitão de mar e guerra, arvorado em almirante, Rosa Coutinho presidente de uma Junta Governativa.


Este oficial de marinha governou até 27 de Janeiro de 1975, sendo substituido por outro militar o general Silva Cardoso, devido às pressões exercidas pelos movimentos FNLA e UNITA. Os cinco meses de Rosa Coutinho foram suficientes para desmontar o país. Foram tantas as tontices
deste governante que é difícil arranjar comparações com outras situações históricas.
Desde que Rosa tomou posse que o seu objectivo estava definido: entregar o poder ao MPLA, o movimento que controlava a capital, de feição moscovita, constituído, em maioria, pela burguesia urbana africana, que tinha resistido á sua aniquilação, desde tempos longínquos. A entrega do poder ao MPLA obedece à lógica da história universal: a burguesia urbana africana que a Metrópole espezinhou sempre e que, a partir de 1930, foi ainda mais subalternizada, era a que tinha mais vínculos com Portugal, entre os dois houve (e há ) sempre uma relação ódio-amor. O próprio Rosa Coutinho confessou em um programa de televisão que“os do MPLA escrevem poesia em português e gostam de bacalhau”.


Havia várias Angolas, mesmo entre os europeus. Durante o governo colonial a comunidade europeia foi considerada como uma tribu: “é branco, portanto tem amor à Metrópole, gosta de mandar nos pretos, é contrário a qualquer movimento autonomizante”.
Durante A Virada (1974-1975) verificou-se que havia diferenças notórias dentro da comunidade europeia. Diferenças que se podem filiar nas dicotomias que começaram no século 19: litoral/mato, clima quente e humido/clima frio e seco, comerciantes/aviados, pombeiros/ carregadores, calcinhas/matumbos. Não é por acaso que alguns europeus do interior eram pró-Savimbi e alguns europeus do litoral eram pró-Agostinho Neto. Era o século 19 a impor-se.
Lembramos aqui a reacção dos comerciantes de Benguela, quando pressentiram que iam perder o monopólio das importações, porque ao longo da linha do CFB, em 1929, os comerciantes do mato (aviados) já não precisavam das praças do litoral. O porto do Lobito e a ferrovia tinham acabado com os monopólios dos comerciantes de Benguela!
As diferenças eram mais notórias entre os comerciantes do sul e os fazendeiros do norte, os donos do café. No sul o sistema dos contratos era abominado, não só pelo esvaziamento demográfico reflectido nas quedas de produção agrícola, como especialmente pelas situações de opressão e injustiças verificadas no angariamento de pessoal, o célebre contrato.No norte apoiava-se o contrato, única razão de ser das fazendas. Não há máquinas para colher café, tem que ser à mão.No sul repudiava-se o contrato, o comércio apoiava-se na produção nativa.


O movimento FNLA tinha as suas raízes na República Democrática do Congo e não havia afinidades com os europeus. Rosa Coutinho empenhou-se em ressaltar o reacionarismo dos europeus que não aceitavam a entrega do poder sem referendos. Como se esta reacção não fosse mais do que legítima! Quem é que gosta de ver os seus problemas resolvidos por estranhos, ainda por cima incompetentes e fanatizados por uma ideologia estranha e já com muitos maus resultados!
Rosa chegou a dizer, a propósito de um pretenso “grito do Ipiranga”(42): « Os colonos tinham condições económicas e força para isso, o que, como na Rodésia, não iria resultar mas arrastaria o processo de descolonização por mais cinco ou dez anos». O que é apenas um conclusão precipitada que merece os comentários que já fizemos acima, a propósito de uma independência forjada em Lisboa. Quais os europeus, ou descendentes, que ficariam em Angola formando “o quadrado da resistência” e defendendo o quê? E com que material de guerra? Com as Kropatchecks, espingardas do tempo da guerra franco-prussiana em 1870? Quando eu “fiz a tropa” em 1957 o fardamento era igual ao do tempo da rainha Victoria na Índia.Ainda se usava capacete colonial! Onde estavam as “condições económicas e demográficas e a força para isso”? Os colonos estavam desinformados de tudo, mas instintivamente, sabiam distinguir a situação política em Angola, como ficou, inexoravelmente demonstrado, com o exodo total.


Onde estava o poder económico dos colonos? Em Angola não havia super fortunas como as que existiam em Portugal. Em Angola 60% dos europeus viviam “chapa ganha chapa batida” eram os remediados; 20% viviam muito mal, 15 % viviam bem e 5% viviam muito bem. Esta última franja era constituida pelos metropolitanos em comissão, à qual o almirante pertencia. O grande capital de Angola, obtido à custa do trabalho compelido, estava todo em Lisboa, era sempre transferido. Em Angola o único palacete, digno desse nome, pertencia ao eng. Brognon, director da empresa petrolífera que estava em prospecções. Só conheci um único colega de liceu que tinha enriquecido: saíu-lhe a sorte grande ou 6 000 contos. Com este dinheiro ele comprou uma fazenda e começou a criar gado de raça. Perdeu tudo, como é mais que óbvio.

4 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Voltamos a enfatizar: sem exército, sem força aérea, sem marinha, sem magistratura, sem diplomatas, sem encaixe monetário ouro, com o comércio de exportação totalmente nas mãos dos metropolitanos, sem fortunas, em flagrante inferioridade numérica, com clivagens internas graves, somatório de centenas de anos de injustiças, contra toda a opinião pública mundial, quais eram as chances de uma independência unilateral ? Os europeus de Angola estavam desinformados, optavam pela Metrópole por uma questão de sobrevivência, mas nunca embarcariam no barco furado, que era a independência pensada em Lisboa e montada pelos militares metropolitanos desejosos de abandonarem a colónia. Pensada em Lisboa, indiciando um oportunismo deslavado e descarado. Talvez imaginando que depois, se tudo corresse bem, poderiam voltar, que os grandes privilégios seriam mantidos, afinal “somos todos portugueses!”
Como um dique que rebenta, assim começou o êxodo, perante a estupefação dos líderes do Movimento das Forças Armadas. Estes julgavam que as pessoas se agarrariam aos seus bens. Pensavam que “ia ser igual ao Brasil”. Tinham como certo que os colonos usufruíam de uma vida insubstituível. Que não havia mais mundo para eles! Que não sabiam “fazer pela, vida fora de Angola”! “Que só sabiam explorar os pretos!” “Que não iam deixar o seu património de imóveis”. Mas qual era esse património? Apenas casas modestas ou apartamentos (cochichos copiados dos de Lisboa, sem garagens, com um sanitário por apartamento, as mais das vezes tipo “câmara de expurgo” sem janela). Recordamos, de novo, a frase de Marcelo Caetano:« O português não tem têmpera para suportar demorada e pacientemente contrariedades. Há que assisti-lo a cada passo, sobretudo quando longe da terra natal». O que não funcionou neste caso! Marcelo Caetano abandonou-os.

Em Angola a maioria da população europeia pertencia ao C.F.A. ou seja comércio, funcionalismo e administrativos, habituada a constantes mudanças de residência, as célebres e inopinadas transferências, eram autênticos caracóis sempre com a casa às costas. O apego à terra era reduzido. Só as actividades agro-pecuárias, de dezenas de gerações, criam o sentimento telúrico, abordado na literatura universal de que nos lembramos em “E tudo o vento levou”, “O tempo e o vento”, “Guerra e paz”, “ Dr. Jivago”, “Os Cisnes Selvagens” e outros. Só o somatório de muitas gerações a viverem e trabalharem em uma terra, é que cria o amor telúrico. Quase ninguém, entre a população europeia, tinha vínculos seculares à terra, porque a sua presença era apenas de pouco mais de meio século. A colonização europeia começou em 1848 mas só tomou expressão em 1920. Quase toda ela se cingiu ao comércio. Havia pouco contacto com o “mato”, na maioria das pessoas, o que pode filiar-se na ausência do cavalo e, posteriormente, do jipe cuja aquisição não era fácil.

Mais de 90% das cidades, vilas e povoados, em termos urbanos europeus, só apareceram depois de 1920, coincidindo com a difusão do automóvel. A maior parte dos europeus vivia nas cidades em actividades terciárias. E isso pesou muito quando eles resolveram partir. Abandonaram Angola, cada um deixando para trás apenas uma casa(a maioria das vezes alugada) e alguns haveres e, infelizmente, muito tempo perdido que mais se não conseguia recuperar. Ao contrário dos haveres, que facilmente se repõem. E até melhores.E em menos tempo.
Ninguém em Angola deixou para trás uma Tara, a fazenda dos O´Hara do filme “E Tudo o Vento Levou” carregada de força telurica. Os donos das boas fazendas, com sedes luxuosas, viviam em Lisboa. As sedes das fazendas dos que residiam em Angola eram modestas e muito recentes. Viviam do seu trabalho. Exceptuando as regiões do café, no resto não eram fazendas, apenas chitacas que não enriqueciam os donos.
Eu só me apercebi disto quando visitei fazendas no Brasil com instalações opulentas. E foram muitas as boas fazendas que visitei no Brasil onde viviam permanentemente os donos. Não viviam no Rio de Janeiro nem em S.Paulo. Ficavam vigiando a manada porque o “melhor pasto é o olho do dono”. Não é sem razão que a cidade de S.Paulo ostenta, orgulhosamente, a divisa:”mando, não sou mandado”. A cidade nunca esperou por decisões vindas de fora! Eles é que decidiam!

Hoje as saudades, exteriorizadas por alguns desangolanizados, são mais sentimentais do que epidérmicas. Já passaram trinta anos. A maioria já tem mais anos de Europa ou estrangeiro do que de Angola. A vida em África era dura, cheia de privações e de muitas frustrações. Por muito mal que se passe em Portugal, no Brasil, nos E.U.A, no Canadá e na Finlândia (até há “retornados” neste país) dispõem-se de muito mais oportunidades e facilidades do que em Angola. Em Portugal há algumas contrariedades: as filas no trânsito, as esperas nos hospitais que, apesar de tudo, são de melhor qualidade do que em África, as escandaleiras do dia a dia, as politiquices de baixo nível, os políticos profissionais e preguiçosos, as constantes ameaças de que o nível de vida vai baixar “nestes próximos anos”, as inconcebíveis derrotas internacionais em futebol, as incríveis peripécias nos tribunais onde até se roubam máquinas multibanco etc.
No tempo do “marsupialismo colonial” tudo era feito pelos angolanos, mas nada era decidido por eles. Ficava-se sempre à espera das decisões e ordens de Lisboa. Depois da independência, tudo é decidido em Luanda, mas os angolanos, agora, podem esperar eternamente. Tudo é feito pelos doadores, pelas ONG´s, e, ultimamente, pelos chineses. Quando é que Angola começa a “carburar”como país deixando de lado tantos cooperantes ? Alguém acredita que há benfeitores dispostos a ajudar, desinteressadamente, os angolanos ? Alguém acredita que os estrangeiros vão ensinar as suas tecnologias?

Uma das desculpas do descalabro final :“era a descolonização que era possível”. Não concordamos. É certo que, devido à intransigência de Salazar e, depois, às irresoluções de Marcelo Caetano, tinha-se atingido um “no return point” ou seja um ponto de não retorno.
Politicamente era uma situação muito complexa agravada pela permanente inacção política, em que se encontravam as gentes de Angola. Inacção filiada na ignorância.E que caracterizou, também, a postura do exército. O exército, em 13 anos de guerra, nunca pensou em soluções políticas, apesar de os militares já estarem saturados de acções no terreno. Infelizmente nunca pressionaram o governo para arranjar uma saída política para o “saco de gatos” em que se tinha transformado o Ultramar.
O exército mantinha-se afastado dos civis, não dialogava com eles, os militares ficavam confinados às suas messes, restaurantes, casões e casulos. Os militares do Quadro só intervinham na vida civil quando “ abichavam um tacho”. E os civis em Angola desinteressaram-se da guerra, “isso é com os militares” dizia a maioria. Mas alguns, com fanfarronices, diziam”qualquer dia vamos nós resolver o problema”. Estes, possivelmente, já tinham comprado sapatos de maratonas, ou até sapatilhas de corridas de 100 m. E tinham um “apartamentozito” em Portugal.

Apesar de Marcelo proclamar que o comboio da autonomia progressiva estava em andamento, a realidade era diferente. Não havia comboio, andava-se apenas em um tapete rolante. Em 1974 Angola não apresentava nenhuma RN ( referência nacional )ou, se quiserem,uma RP (referência provincial ). Ninguém com expressão para aparecer como representante das gentes angolanas, do povo que residia permanentemente em Angola. Mas no estrangeiro eram às dezenas os nacionalistas angolanos, alguns conhecidos internacionalmente e com grande prestígio, como é o caso de Viriato Cruz, Gentil Viana,Agostinho Neto, Mário de Andrade, Joaquim de Andrade e outros.
Portugal nunca encarou uma independência endógena, isto é, de dentro para fora (feita pelos residentes angolanos) e o resultado viu-se. Foi uma independência exógena, de fora para dentro, desastrada, em que forasteiros, sem qualquer vínculo com Angola, “esgaravataram”, perante a impotência, a tristeza e muita raiva, dos filhos de Angola. Onde estão agora, e o que fazem, as centenas de “barbudinhos portugueses” que caíram em Angola, como enxames de marimbondos (que me desculpem estes simpáticos ,e úteis insectos, pela comparação), e espalharam o ódio e a discórdia ? E, depois, desapareceram como tinham chegado: sorrateiramente. Será que ainda são marxistas?

Angola era um campo fértil para todos estes aventureiros “salvadores do mundo”, que iam implantar a justiça social (que nunca existiu no mundo), porque os governos coloniais sempre persistiram em não ceder qualquer espécie de governo ou de representação aos angolanos. Fazia parte do folclore angolano: o governo central, na década de 50, desviou para Macau o prestigiado director das finanças , filho da Huíla, Simões de Abreu, porque ele era natural de Angola. Mas Simões de Abreu, dotado intelectualmente, nunca tinha mostrado qualquer pendor político.
O governo central via fantasmas na própria sombra. Marcelo Caetano não se cansava de falar na autonomia progressiva que estava em marcha. Em teoria. Em 1972 foi designado para Presidente da Câmara de Luanda um metropolitano, sem qualquer consulta aos luandenses. Não desmerecendo do ilustre presidente, mas, deste modo, onde é que estava a tal autonomia progressiva? O mesmo se passou em outras Câmaras de Angola. E em quase todos os governos de distrito! Só quando o colonialismo estava agonizante é que houve alguns governadores de distrito angolanos, mas de ascendência europeia.

Para tratar da descolonização foi nomeada uma troica, que, à boa maneira portuguesa, era composta por quatro elementos. Tomaram posse mas nada resolveram. Deixaram tudo ao sabor dos acontecimentos. Por ignorância ? Por maldade ? Por preguiça ? Por pragmatismo que, levado ao extremo, é acomodação ? Por ideologia ? Só os futuros historiadores poderão responder, mas para nós fica a impressão de que foi uma mistura de todas estas interrogações. Mas podem-se fazer, desde já, algumas conjecturas. Os “troiquianos” chegaram a pensar que Angola era um novo Brasil, que as pessoas não deixariam os seus bens. Nos discursos iniciais transparece uma certeza misturada com um optimismo patético e um irrealismo atroz: os europeus não abandonariam a colónia, inicialmente haveria alguns confrontos que se iriam amortecer com o tempo. É sintomática a frase do Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho(42): «...eles sabem que vão perder privilégios mas vão ganhar noutros campos...» Estes militares, apesar dos inúmeros altos estudos que faziam (ou seriam estudos por alto?), estavam altamente por fora de tudo o que fosse sociologia ou geo-estratégia mundial, estavam confrangedoramente ausentes das realidades.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em uma conferência de imprensa do general Costa Gomes, em que este fez um discurso tranquilizador (e mentiroso, também ), um jornalista perguntou se o governo garantia o transporte das “bicuatas” (imbambas, trastes ou tarecos) de quem quisesse partir. O que ele foi dizer! Foi brutalmente deblaterado, tudo sob o efeito das patriotadas que acompanharam a vida de Angola ao longo de meio século. As pessoas, e os governantes, refugiavam-se em cenários continuistas, do género “isto aqui é diferente”. Quem assim falava, repetimos, já era dono de um apartamento nas avenidas novas em Lisboa.
Mas a “troica” de quatro elementos, um autêntico cavalo de Troia (ou um cavalo da Troica ?), dois dos quais com comissões militares em Angola, tinha obrigação de sentir o problema e ver que, pelos factos negativos, acumulados em centenas de anos, apontados ao longo deste livro, e pela acção nefasta dos comunistas em Lisboa, haveria que acautelar os interesses dos angolanos envolvidos neste furacão africano. O que teria então que ser feito? Com uma transição de alguns anos dar tempo a uma retirada com dignidade, salvaguardando os haveres, as economias e, principalmente, os documentos pessoais. A própria ONU perfilharia uma transição de, no mínimo, 5 anos. O então Secretário Geral da ONU Kurt Waldheim esteve em Lisboa em Agosto de 1974 e ofereceu os seus préstimos ao sugerir uma transição. Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Melo Antunes não aceitaram a oferta de Kurt Waldheim, achavam que era desprestigiante para Portugal. Mas aceitaram os milhões de dólares doados pelos Estados Unidos e outros países. O dinheiro foi todo desbaratado. Este dinheiro obstou a que o turismo em Portugal não entrasse em falência. Facto nunca visto, os desalojados foram aboletados em hotéis de cinco estrelas, mas o tratamento era o de um quartel.

Isto na pior das hipóteses, porque haveria outras soluções menos radicais que até poderiam passar por um entendimento.Difícil mas possível. O “status quo” da África do Sul era bem pior e conseguiram-se plataformas de conciliação.
Um entendimento para o qual era necessário muito pragmatismo, mas dentro de parâmetros realistas, a ser encarado por políticos excepcionais. O que infelizmente não foi o caso. A clivagem entre as duas comunidades, a europeia e a africana, foi intencionalmente exagerada com o fim de entregar o país ao bloco soviético. Para quê, afinal? Para descambar no impensável: centenas de multinacionais, os tais “cães imperialistas”, que eles apontavam nas suas arengas, instalaram-se em Angola, onde continuam, com a maior das calmas, a explorar todas as riquezas sem que o estado lhes imponha obrigações, ou as fiscalize,como é norma nos países mais evoluídos onde, também, se encontram instaladas. Mas nestes com obrigações trabalhistas.
Em abono da verdade, o que poderiam fazer os angolanos que ficaram, sem quadros e com o país esfrangalhado, face à invasão dos oportunistas e das multinacionais?
E o que fez a Troica ? Nada. Ingenuamente, ou por maldade porque queriam ver-se livres deles, acreditaram que “os brancos não saiem” e limitaram-se a viajar de cidade em cidade, de Alvor para Nakuru, de Nakuru para Lusaca e, nos intervalos, para Nova Iorque, Paris e outras cidades. As agências de viagens podem confirmar. Negociações? Assina-se tudo o que puserem à frente. O chic era aparecer na primeira página da Time, Newsweek, L´Express, Pravda e outros. Mas, já naquela altura, qual era o interesse em aparecer no Pravda ?
Um dos componentes da “Troica” chegou a pronunciar uma frase histórica, uma óbvia conclusão lapaliciana: «Emoção à parte, só não vê quem não quer que a posição de Angola é substancialmente diversa». Mas, pelos vistos, ele não enxergou. O processo foi igual ao da Guiné, sem desmerecimento por este país.

E chegou-se a este extremo: quem saísse de Angola com dinheiro ou haveres era preso no aeroporto. E em pleno governo ainda português. Dinheiro ganho no labor do dia a dia, ao longo de duros anos! Era proibido levar quaisquer valores, uma proibição que deixaria Lenine, Estaline e Hitler completamente embevecidos.
Comigo passou-se um caso hilariante. Tive que sair pelo terminal normal em Agosto de 1975. Apesar de ainda subsistir a autoridade portuguesa fui revistado de alto a baixo, apreenderam-me todos os escudos angolanos, mas consegui sair com 500 dólares, debaixo do saco, onde um apalpanço se torna embaraçoso. Mas o mais hilariante desta revista foi o facto de me terem apreendido um frasco que continha terra de Silva Porto e de Malanje. Desconfiados, julgando ser pó de ouro ou diamantes escondidos. Deve ter sido a primeira terra expropriada e nacionalizada.
A queima de etapas era inevitável. O entusiasmo pela independência atingiu níveis de intolerância difíceis de conter mas, pelo menos, tinha-se que garantir as vidas e os haveres dos angolanos que repudiavam a índole marxista de que se rodeou todo o processo, e a situação caótica que se instalou no dia a dia. Não eram só os colonos que iam ser abandonados. Milhões de africanos estavam na mesma situação e estes não tinham onde se refugiar. Porque o governo português recusou-lhes a nacionalidade, apesar de estar expresso nos seus bilhetes de identidade que eram portugueses. E de se ter afirmado, sempre, “Portugal do Minho a Timor”.
E foi surpreendente. A maioria dos europeus e descendentes resolveu partir, perante a estupefação dos militares que estavam convencidos que Angola era um novo Brasil. E resolveram partir, também, perante a estupefação ainda maior, milhares de africanos, receosos pelo futuro. E como tinham razão. O tempo mostrou-o, sobejamente.

5 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Foi tudo ao contrário do Brasil, ou não tivesse sido uma independência de fora para dentro, uma independência imposta. Na independência do Brasil só saíram os que estavam comprometidos com a realeza, que os brasileiros denominavam de “reinóis”, os militares (muitos ficaram) e alguns fidalgos. E logo a seguir o Brasil começou a receber fornadas de imigrantes portugueses, numa onda que perduraria até à década 60 do século 20. Uma onda que, ironicamente, ainda mais atrasou o desenvolvimento das terras de África. Os portugueses preferiam o Brasil onde havia emprego imediato e sem ser com a parker de 9 libras (enxada).
E em Angola ? Saíram milhares de angolanos, e continuam saindo, sem que se vislumbre uma maneira de travar esta hemorragia angolana. Se se está à espera dos doadores e dos cooperantes, podem arranjar uma boa poltrona porque vai demorar muito tempo. Vai ser um tempo medido em anos luz. E, entretanto, os angolanos mais capazes emigram e assumem empregos para os quais estão sobre dimensionados, como por exemplo ajudantes nas obras. Empregos abaixo das suas habilitações!Os angolanos na Diáspora parece que carregam a maldição que persegue a sua terra há mais de 500 anos, continuam a viver uma vida ingrata, uma vida que não merecem.
Rosa Coutinho governou, ou melhor dizendo, desgovernou Angola de Julho de 1974 a Janeiro de 1975. Gostava de frases de efeito, subestimando a inteligência dos angolanos.

Do livro “Anatomia de uma tragédia”(42) do general Silva Cardoso transcrevemos: « Rosa Coutinho, após ter tomado posse em Lisboa, chegou a Luanda ao fim da manhã no dia 25 de Julho. Como sempre, estava bem disposto, cheio de energia e afável. Das suas declarações merecem realce os seguintes esclarecimentos: tenho o prazer de informar, em nome do senhor Primeiro Ministro, que em breve a Província gozará de um estatuto administrativo que lhe permitirá governar-se sem ser a partir do Terreiro do Paço ou do Restelo e, portanto, satisfazendo uma ambição que Angola há muito tempo manifesta. Conjuntamente, quero também asseverar-lhes que faremos tudo, e com inteiro apoio do governo da Província, para que Angola passe a dispor do seu banco emissor aqui localizado, tendo aqui as suas reservas».
Se há uma frase que melhor defina este abominável cinismo, essa é: tarde piaste. Não se deve ter passado um único dia em que os angolanos não tenham suspirado pelas prerrogativas de autonomia, palavra mágica no imaginário colonial angolano, sugeridas pelos velhos tempos do governo Norton de Matos (1921/1924) em que houve um princípio de autonomia e correu dinheiro, única época em que foi permitido sonhar e em que as leis não permitiam o trabalho compelido. A promessa de autonomia era uma velha arma secreta com que os governos em Lisboa julgavam poder acalmar as pessoas ou resolver situações complicadas. Os tempos eram outros. Fico pensando se os governantes abrileiros pensavam sério, julgando que os angolanos acreditariam nesta miragem, num tempo em que toda a gente arrumava caixotes para o êxodo.
Como se explica que Portugal, que esteve na formação de um país multirracial, onde se verificam os menores atritos sociais, e onde a miscigenação era comum há mais de quatro séculos (Cabo Verde), tenha fracassado tão redondamente em Angola ?

Como se explica que estando Portugal na génese do Brasil, um país miscigenado que agora está a ser copiado até pelos países colonizadores (a selecção francesa de futebol, campeã do Mundo em 1998 e da Europa em 2000, mais parecia o Brasil devido à interessante mistura de povos), tenha falhado, tão rotundamente em Angola?
Como se explica que, sendo Angola um país cheio de riquezas naturais e com um povo pleno de diversidades, de criatividade e de potencialidades, tenha recebido uma independência éxogena, ou seja, inteiramente congeminada no exterior ?
Como se explica que os angolanos que viviam no país, e que o domaram com grandes sacrifícios, não tenham tido os seus direitos garantidos e, pior, não tiveram, sequer, o direito de exprimir as suas opiniões? Aliás, nunca tiveram!
Como se explica que Angola tenha soçobrado, repentinamente, quando acusava elevados índices de desenvolvimento, indicativos de grande fulgor económico e de um futuro sustentável?
Como se explica que tenham sido unicamente os militares portugueses a resolverem um problema que só aos angolanos dizia respeito? Quem lhes passou procuração? Por que se meteram numa guerra em 1961, que comprometeu milhões de angolanos (e em que se comprometeram eles próprios!), quando sabiam que estava condenada, logo à partida, e que exigia uma solução rápida? Por que esconderam a verdade, aos angolanos, até ao ultimo segundo do processo histórico? Por que envolveram milhões de africanos em uma luta fratricida, sabendo que o desfecho lhes seria adverso e, com isso, os deixariam à mercê dos novos governantes, e completamente incapazes de se oporem às multinacionais? E, principalmente, por que abandonaram povos, dando a entender de que o assunto “era entre eles”? E, por último, se estavam fartos da guerra, empreendida unicamente por eles, por que não entregaram o processo à ONU, a pessoas descomprometidas, não facciosas e desejosas de ajudar? Por que não desapareceram da cena angolana no dia 26 de Abril de 1974, providenciando substitutos descomprometidos?

Uma maneira simplista de tudo explicar é culpar a descolonização por todo o descalabro. È vulgar ouvir-se: “o Mário Soares foi o culpado”. A história não vive de acontecimentos isolados, mas sim de todo um encadeamento de factos. Uma frase estereotipada é a de que “era a descolonização que era possível...” repetida até à exaustão pelos descolonizadores. Mas os colonialistas argumentam “ foi a descolonização mal feita, porque Angola estava imparável em desenvolvimento...” “...eram precisos mais dois anos”!!
O governo colonial de Lisboa governou, como quis, durante quase 500 anos; O desgoverno descolonial, após a queda da ditadura na Metrópole, desgovernou Angola em apenas ano e meio; vinte anos depois estava tudo destruído, primeiro com uma insensata guerra pelo poder e depois, a partir de 1992, por uma guerra civil que destruiu as próprias ruínas. “Etiam periere ruinae” (Até destruíram as ruínas) é uma frase latina que pode ser inscrita em uma futura bandeira da cidade do Cuito, quando esta for reconstruída.
O sótão da história colonial portuguesa tem dois grandes armários o do colonialismo e o da descolonização. Armários grandes com trinta esqueletos no total. No primeiro, o do colonialismo, jazem quinze esqueletos, todos começados por C que é a primeira letra de colónia: cidadania, contratados, centralismo, cultura, comunicações, conhecimento científico da colónia, crédito, centrifugação do capital, consumo, castigos corporais, censura, colonatos, cartas de chamada, carências de energia, e compadríos (concessões, comissões, condicionamentos e cunhas).

Erros espessos, que persistiram até ao início do” Tempo Extra”, e alguns até ao “arriar do glorioso pendão das quinas”. Erros que deixaram estes quinze esqueletos que atestam as causas de todas as tragédias que viriam a seguir e que, infelizmente, perdurarão durante umas boas (ou más se persistirem as condições actuais) dezenas de anos. Estes erros já foram descritos em um anterior ensaio (Os ossos do colonialismo).
No armário da descolonização jazem, também, quinze esqueletos, erros crassos cometidos em apenas um ano e meio. São eles, todos começados por I, que é a primeira letra de independência:ignorância,irresponsabilidade,intolerância,ideologia,imposição,ingenuidade, indisciplina, insensibilidade,imprudência,imediatismo,ignomínia,imolação,impunidade,inferno e inveja.
Façamos, resumidamente, porque eles serão dissecados exaustivamente ao longo destas mucandas, a exumação destes últimos quinze esqueletos, uma vez que os esqueletos do colonialismo já foram exumados em escritos anteriores, como afirmámos atrás.

O primeiro esqueleto da descolonização é o da ignorância. Ignorantes estavam os habitantes de Angola, desinformados e crédulos em tudo quanto aparecia nos jornais ou era captado pela rádio.Tudo censurado. Sempre, anos e anos, com informações falsas ou distorcidas. Ignorantes eram os membros da comissão liquidatária portuguesa encarregada de conduzir o processo da descolonização. Estavam imersos em um oceano de ignorância.
A palavra descolonização, como afirmámos acima, não existia antes de 1960. Em qualquer dicionário, anterior àquele ano, ela não existe. Foi arranjada, às pressas, para justificar a fuga precipitada de África dos países europeus que a ocuparam, e onde tinham cidadãos nacionais, em quantidades tão pequenas, e com tão pouco tempo de permanência, que não se poderiam denominar colonos, mas antes residentes, ou moradores como se dizia no século 19 . Nos Estados Unidos, no Brasil, na Austrália, no Canadá, etc não houve descolonização, porque havia colonos. Que se independentizaram a tempo e a horas. Ninguém fugiu. E as metrópoles não concederam as independências, não tiveram outra atitude senão aceitá-las. Contrariadas, mas aceitaram!

A comissão liquidatária da descolonização era uma Troica constituída, à boa maneira portuguesa, por quatro pessoas, três actuantes e um “fiscal”. O chefe era um advogado (Mário Soares) que nunca tinha estado em Angola. O único conhecimento que ele tinha sobre o país era através de um atlas histórico-geográfico, por sinal muito ruim. E espanto: interveio em todo o processo descolonizador sem nunca ter posto os pés em Angola. Igualzinho a Oliveira Salazar, confirmando aquela máxima: os extremos tocam-se.

O segundo membro era outro advogado (Almeida Santos) que conhecia Angola através de uma viagem folclórica, quando acompanhou o Orfeão Académico de Coimbra em 1949, era o orador oficial da Embaixada Académica, cantou alguns fados e perorou sobre patriotismo.


O terceiro era um oficial do exército (Melo Antunes) que tinha conseguido ler as obras de Karl Marx, o que é uma grande proeza, especialmente em Portugal em que só se lêm os jornais desportivos e, agora, os jornais gratuitos distribuídos nas viagens de comboio e metropolitano. A estes jornais presto a minha homenagem, se não fossem eles o panorama literário seria arrasador.
Melo Antunes, imbuído das suas leituras recentes de marxismo-leninismo, que levou os jornais a apelidá-lo de ideólogo, chegou a elaborar um programa económico para Angola. Dá para sorrir!

O quarto elemento ( Pezarat Correia) era um fiscal do Movimento das Forças Armadas. Major do exército português, era um oficial de topo no exército colonial que desenvolvia a guerra em Angola. Ele gosta de reinventar a história e contar tudo à sua maneira. E que desempenhou a missão como se fosse imparcial e não tivesse actuado na guerra colonial
Este senhores “arrumaram” o problema de Angola, com que direito?

O director de uma multinacional reune todo o pessoal e diz: amanhã vamos receber um grupo de colegas franceses. Gostaria que confraternizassem com eles. Quem, entre vós, sabe francês? Fez-se um silêncio, depois quebrado por um sabichão, daqueles que gosta de se intrometer e tem propostas para tudo: francês, francês, não sei, mas tenho uma prima que toca viola francesa.
Finalmente, ignorantes eram os representantes dos três movimentos de libertação que não se aperceberam de que o que existia em Angola não eram só opressão, injustiças ou humilhações. Existia todo um passado utilizável, um passado regado com o suor de milhões de angolanos. Um passado utilizável que sobrepujava, e muito, o somatório das injustiças. Se o país exportava alimentos e não havia fome, se o país apresentava uma invejável balança de pagamentos, se o país apresentava uma boa situação sanitária com as terríveis doenças já controladas e algumas erradicadas, se o país apresentava uma boa rede de estradas asfaltadas, se o país apresentava uma rede hoteleira, a segunda melhor em África, se o país tinha já uma razoável rede de ensino básico e secundário, se o ensino era gratuito para todos e o número de vagas era ilimitado, se o país tinha já uma interessante base industrial , se o país estava bem organizado em termos administrativos e, fundamentalmente, se o país estava em paz,nem tudo era mau! Antes pelo contrário, algumas coisas eram más, mas o saldo aproveitável, positivo em linguagem contabilística, era enorme. Quantas situações, muitíssimo piores, existem por esse mundo fora, até mesmo em países altamente civilizados? Quantos países, com séculos de independência, apresentavam a pujança económica de Angola em 1973?

Ao se des-sacralizarem as leis do regime salazarista, porque se admitia que eram todas“fascistas”, ao se atropelarem as hierarquias e, principalmente, o mérito, criou-se um vazio propício para todos os graus de irresponsabilidade, agravados com as incompetências dos novos mandantes ungidos de presunção e auto convencimento.
A descolonização foi feita para entregar o país à União Soviética e um dos pontos mais sensíveis era explorar as assimetrias sociais, e as injustiças, tão ao gosto do comunismo, pelo menos quando se pretende a sua implantação. É a tal luta de classes. Depois a conversa é outra. Criar uma atmosfera de intolerância, entre as duas comunidades foi um dos objectivos. Com a intolerância vieram a ideologia comunista e a sua consequente imposição.Ideologia foi outro esqueleto deixado pela descolonização. O comunismo acabou por querer ser uma religião e com isso punha-se a ideologia acima da economia, tal como na Idade Média se punha a religião acima da economia. Com resultados, a longo prazo, catastróficos. Deve ter passado pela cabecinha daquela gente que era fácil implantar sovietes em Portugal e em Angola. Em Portugal logo verificaram que não ia ser fácil, tanto mais que o país era mais antigo do que a União Soviética. Mas em Angola, explorando bem as assimetrias, as injustiças, a extrema ignorância e detendo o poder, não era difícil, pelo menos aparentemente, a implantação do marxismo, melhor dizendo do estalinismo. O que de facto conseguiram, mas numa altura em que a própria União Soviética já não conseguia disfarçar o seu próprio colonialismo.


O comunismo em Angola foi uma ideologia efémera que durou apenas 15 anos. Em termos históricos nada ficou. Serviu apenas para criar “esquemas”. Quando ele se implantou já trazia os germes da sua própria destruição.Mas que provocou estragos de difícil reparação. Quem os provocou vive hoje repatanado em Portugal beneficiando das delícias da democracia egoísta implantada em 1974. E vivem garimpando no tesouro nacional. Impuseram o marxismo em Angola e depois ficaram assobiando para o lado. Redunda em tragédia sempre que se quer sobrepor a ideologia à economia. Razão teve o escritor brasileiro Jorge Amado quando lhe perguntaram o que achava de ideologia. A resposta foi curta e lapidar: “vocês querem saber o que é ideologia? É uma merda”

6 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Imposição era a directriz trazida de Lisboa. Nada de consensos.Nada de referendos. Tudo estava já resolvido. Ingenuidade foi uma das facetas da população. Os angolanos de ascendência portuguesa e os europeizados, habituados a serem sempre conduzidos, ingenuamente acreditaram que os novos governantes saberiam honrar as suas promessas e que o exército “sabia o que estava a fazer”. Ingenuidade foi, também, a da população autóctone que acreditou que a nova era traria, finalmente, a felicidade que tanto esperavam. Ingenuidade foi, também, a dos futuros donos que se convenceram que as suas novas doutrinas facilmente seriam implementadas, e que eram a chave da felicidade universal. Exemplos da felicidade universal: a ex-União Soviética e os dois relictos comunistas Coreia do Norte e Cuba, paradigmas de modernidade , e exemplos dos direitos humanos. Mas o pior da ingenuidade dos angolanos foi o facto de aceitarem, como normal, o abandono perpetrado por Portugal, de aceitarem como normal o facto de Portugal não querer assumir as suas responsabilidades históricas, de aceitarem como normal o facto de um exército bandear-se para o lado contrário, para o inimigo (ou “in” como era mencionado nos comunicados militares). Esta ingenuidade funda-se na falta de informação e, sobretudo, na falta de cultura política.

Indisciplina foi a principal característica do exército português, ressalvando umas poucas, mas honrosas, excepções. O exército português que conseguiu dominar toda uma guerrilha, com poucos recursos e muita competência, de repente desbundou. A disciplina esvaiu-se, a autoridade conferida pela hierarquia – um pilar indiscutível em um exército- escorregou para os escalões mais baixos e, então, viu-se o inimaginável: cabos mandarem em oficiais, capitães darem ordens a generais.
Em Angola sucederam casos que foram testemunhados por pessoas que, ainda hoje, os recordam com amargura. Em Cabinda um grupo de capitães prendeu um general numa pequena sala, no Moxico um batalhão foi desarmado e posto em cuecas, por isso ficou conhecido como a "batalhôa". Desarmado, só faltou desfilar por uma Avenida das Forças des-Armadas. Eu vi um soldado de suspensórios vermelhos, o que não deixa de ser lógico, era a cor da revolução. Só faltou pôr um cravo na orelha.
O episódio de Cabinda foi tragi-cómico. O general governador do distrito acumulando com o cargo de comandante em chefe das forças armadas foi preso, com o seu staff, por um bando de revoltosos. Foram trancafiados numa pequena sala. É um caso gravíssimo de indisciplina que, num exército a sério, conduz a fuzilamentos. Abriu-se um rigoroso inquérito. Nesse ano a frota pesqueira portuguesa, que ia para a Terra Nova pescar bacalhau norueguês, vendido depois como português, não precisou de se fazer ao mar alto, aproveitou as “águas de bacalhau” em que se transformou o tal rigoroso inquérito.
O general Silva Cardoso (42) conta que uma reunião na fortaleza de S.Miguel em Luanda, onde compareceram oficiais generais, foi dirigida, com a maior “cara de pau”, por um major (Pezarat Correia), neste caso seria o major “cara de pau”.
Kapuscinski, um repórter-escritor polaco, recentemente falecido (Janeiro 2006), presenciou o seguinte(122) em Angola: « Regressei num camião que transportava soldados portugueses.Eram tropas num estado de total dissolução.Tinham barba comprida e não usavam bonés nem cinto. Vendiam as suas rações no mercado negro e arrombavam carros. Tinham ordens para se manterem neutros, não dispararem, não se envolverem.Estavam a carregar os navios com tudo. A última unidade partiria daí a uma semana».

Insensibilidade foi o que se instalou nas mentes dos portugueses na Metrópole. Uma bem urdida campanha, de descrédito e de falsas culpabilidades, instilou na alma generosa dos portugueses a noção de que os problemas coloniais diziam respeito, exclusivamente, a quem vivia nas colónias. Talvez a frase mais demolidora tenha sido: “nem mais um soldado para as colónias”, numa situação em que era fundamental proteger as populações indefesas, era mais necessário garantir a ordem nas cidades, era premente salvaguardar um património feito por milhões de angolanos. É conveniente lembrar que em Angola, durante os 13 anos de guerra, não se registou um único acto de violência dentro de cidades, ao contrário, por exemplo, da Argélia ou do Vietname onde os actos de barbárie nas cidades atingiram níveis incomportáveis. Qual foi a causa de se não terem registado actos violentos nas cidades? Humanismo dos movimentos ? Inépcia dos movimentos ? Segurança eficaz feita pelas forças armadas portuguesas ? Ou um sentimento de paz bem instalado nas populações ? Perfilho esta última hipótese.
O geógrafo Orlando Ribeiro(182) escreveu: «A exigência de mais nenhum soldado para o Ultramar mostra que não ocorreu à multidão e aos políticos que, para garantir uma correcta transferência de poderes, seria preciso reforçar ou render algumas guarnições. Angola mergulhou no caos e abriu-se à intervenção estrangeira. Sob o sorriso imperturbável de um governador português inepto. O Governo, que ainda parecia decidido a negociar, seguiu logo o caminho mais fácil da abdicação total. Bens materiais, influência cultural, acção espiritual, de tudo se abriu mão. O destino dos que, noutro lugar, chamei “africanos brancos” não foi acautelado, nem lá, nem cá, deixado aos azares de uma trágica debandada».
Onde a infeliz frase,” Nem mais um soldado para as colónias” deixou um rasto de horrores foi em Timor. A fuga da autoridade, baseada na tal frase, deixou um vazio que acabou por ser preenchido, a contra-gosto, pela Indonésia. O Governador de Timor protagonizou uma fuga caricata, para uma pequena ilha, abandonando o cargo e as populações que nele confiavam.
Há um contraste entre a independência do Brasil e a de Timor. Quando perguntaram ao Imperador Pedro I o que faria se Lisboa o mandasse regressar, a resposta foi: fico. Quando perguntaram ao Governador de Timor qual seria a sua atitude se Lisboa o mandasse ficar, a resposta foi: fujo.

Outro esqueleto foi a imprudência. Ao fim de 13 anos de guerra existiam milhares de armas e munições nos quartéis em Angola. E de que se lembrou o Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho? Nada mais nada menos do que distribuí-las pelos três movimentos, reforçando, deste modo, o poder bélico e a vontade de “atirar por tudo ou por nada” e “atirar antes de conversar”. O Presidente da Junta acabou por satisfazer a velha vontade de Salazar(159): «pôr os brancos contra os brancos em África, e os pretos contra os pretos, e brancos e pretos uns contra os outros...». E, para piorar, foram oferecidas milhares de granadas que contribuíram para uma diminuição drástica do peixe nos rios de Angola e para a morte de milhares de crocodilos e hipopótamos. Além dos horrores em pessoas e bens. Igual razia sucedeu com os elefantes.
Norton de Matos em 1921 apaziguou Angola e lançou-a no caminho da paz e do progresso, culminado com o aumento surpreendente de todas as produções, ao desarmar as populações. Rosa Coutinho e outros, imprudentes e irresponsáveis, tiraram o descanso merecido à alma do grande general, e abriram o caminho para uma longa e medonha guerra civil e para uma delapidação da fauna e da flora. E, mais grave, alguns militares portugueses tornaram-se, depois, agentes de venda de armas e de recrutamento de mercenários. Alguns chegaram a participar em combates. Não há dúvida de que “não queriam mais guerras”!

Imediatismo foi outra das facetas da descolonização. A frase de Mário Soares diz tudo: «Quanto mais depressa nos virmos livres das colónias, melhor». Resolver tudo de imediato, e, depois, justificando com a estafada frase: “fez-se o que era possível”. Um pouco seguindo a lei Belungas. Esta historieta passou-se no futebol. Vindo dos bicanjos (berças em Portugal, grotão no Brasil) chegou Belungas um beque (defesa) com a fama de limpador de área. Dizia-se que onde ele assentava a chuteira nunca mais nascia capim. O que se confirmou em parte, pois os campos eram pelados. O capitão do time recomendou-lhe várias vezes: a bola não pode entrar na grande área, o objectivo numero um é “afastar o perigo”, chutão para a frente. Minutos decorridos vem uma bola por alto e o nosso beque aplica-lhe um chuto de voleio (ou seja sem deixá-la tocar no chão). Em que direcção ? Para a própria baliza, golo contra. O capitão, espumando de raiva, interpela-o, mas a desculpa dele deixa-o imobilizado de espanto: Ó sr. Jaime, pelo menos eu “afastei o perigo”.

Intrujice foi a palavra sempre presente em todos os actos da descolonização. Intrujice do exército português que teve sempre medo de dizer a verdade. Intrujice do colonialismo onde nunca campeou a verdade. Intrujice dos movimentos de libertação que traziam uma conversa, mas actuavam ao contrário. Intrujice dos descolonizadores ou visão curta em geopolítica e estratégia histórica?

Fig Debandada do exército português. Ele não soube (ou não quis?) arranjar uma solução política para uma guerra que estava, à partida, perdida. Todas os exércitos que lutam contra a história estão condenados à derrota. Se o exército Português tivesse formado um irmão mais novo (um exército Angolano com quadros superiores angolanos e integral capacidade de decisão) Angola hoje não apresentaria uma tal magnitude de destruição.

O que levou os militares a entrarem na guerra colonial quando se sabia, pela própria história universal, que o desfecho lhes seria adverso? E após terem passado por uma humilhação colonial na Índia em 1961? Por que não coadjuvaram o desastrado general Botelho Moniz que quis destituir Salazar? Porquê tantos altos-estudos militares, em que se estudavam todas as espécies de guerrilhas e os seus desfechos? Por que, durante os 13 anos de guerra, não forçaram o Governo a arranjar uma solução política, que teria sido fácil, como depois se verificou, quando se viram as fragilidades dos movimentos de libertação e a boa vontade da ONU, dos E.U.A. e de muitos países, até africanos? Como se pode explicar a atitude estática das forças armadas? Como pode um exército ser tão despolitizado, e reagir tão tarde? Como pode a população civil ser tão despolitizada e acomodada?


Treze anos é tempo mais do que suficiente para se ter compreendido que tinha que se arranjar uma solução política e pacífica. E, sobretudo, o exército já tinha uma triste experiência de rendição na Índia Portuguesa. E tinha o conhecimento sobre Dien Bien Phu na Indochina (tratado mais adiante neste livro) e sobre o êxodo da Argélia.
Os militares convenceram-se de que o processo ia ser pacífico ou quiseram imolar as populações que nunca se revoltaram contra a ditadura ? A primeira hipótese é pouco abonatória da sua percepção política da história; a segunda hipótese, a imolação, revela maldade própria de quem se quer ver livre de um problema de que foi o principal causador, mas do qual quer sair como imparcial. Se possível levando vantagens. E levaram-nas, mas a história, aos poucos, vai repondo as verdades.


De início o propósito do MFA era passar todo o ónus de 500 anos para os colonos, e abandoná-los, uma espécia de imolação que pode ser comparada com a fuga da tripulação de um barco, não deixando baleeiras ou salva-vidas. Era uma espécie de naufrágio do Lusitanic.
O MFA, denotando uma confrangedora perspectiva da História, esperava uma reacção independentista dos colonos, tipo Rodésia. Mas enganaram-se. Os colonos, muito sabiamente, resolveram partir em bloco. Um independência dos “brancos” era um rematado suicídio. Angola não era, nem de longe, um Brasil! Felizmente que houve unanimidade, os angolanos não eram tão ingénuos como supunham os militares descolonizadores. Há um limite para as mentiras e para a insensatez!


Houve actos da parte do presidente da Junta governativa (Rosa Coutinho) que nos levam a acreditar que ele tentou “empurrar” os “brancos” para uma independência tipo Rodésia. Assim viam-se livres de um pesado ónus histórico! De uma penada livravam-se do pesadelo originado pelo êxodo de meio milhão de pessoas.Nas arengas quotidianas de Rosa Coutinho transparece claramente a alusão, e o desejo de uma independência rodesiana.


Impunidade é outro esqueleto da descolonização. Os militares que empreenderem todo o processo revolucionário cometeram excessos que nenhum sistema judiciário deixaria passar em claro. E o que fizeram para “limpar o caminho” ? Nada mais nada menos do que forjarem, aproveitando a revolução, leis que isentavam de culpa os desmandos que eles próprios tinham feito. Mas com essas leis que eles forjaram admitiram implicitamente as culpas, chegando a denominá-las de crimes nos laudos das novas leis descriminalizantes.


Em 25 de Abril eclodiu o golpe de estado seguido de um vale tudo. Quebraram-se juramentos de lealdade, saltou-se por cima das leis, espezinharam-se regulamentos, ignoraram-se direitos e tradições. Em tempo de paz social estes desmandos são punidos com tribunais comuns ou cortes marciais, mas nada se verificou. Apareceram leis, feitas pelos próprios contraventores, isentando-os de qualquer culpa. Em 1979, quando ainda estava muita poeira no ar, os próprios revoltosos fizeram leis para limpar todas as áreas.Em 23 de Novembro de 1979 saíu a Lei 74/79 cuja alínea 1 do artigo 1º exarava:«São amnistiadas as infracções criminais e disciplinares de natureza política, incluindo as sujeitas ao foro militar cometidas depois de 25 de Abril de 1974, nomeadamente as conexionadas com os actos insurreicionais de 11 de Março de 1975 e 25 de de Novembro de 1975». Uma autêntica auto-faxina em cima de atropelos e desmandos, em alguns casos atingindo níveis criminosos. Um revoltoso, que se auto isenta de ter atropelado as leis, é marxismo puro. Não de Karl Marx mas sim de Groucho Marx. Este cómico de Hollywood ficou famoso pela suas tiradas de “non sense”. Num dos seus filmes um interlocutor diz-lhe:”Vou propô-lo para sócio do meu clube.” Responde-lhe Groucho: “Não posso aceitar essa oferta, porque eu não quero ser sócio de um clube que me vai aceitar como sócio”.

7 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Inferno é outro esqueleto. O pânico apoderou-se das pessoas ludibriadas por aqueles que ficaram anos e anos alimentando falsas esperanças e prometendo uma quimera. Infernal é o facto de uma guarnição militar fugir de madrugada, abandonando tudo e todos e sem avisar as populações. Infernal é um exército aliciar os nativos, ingénuos e puros, fazendo-os passar para o seu lado, e depois abandoná-los à sorte, sabendo que o mínimo que lhes iria suceder seriam os campos de reeducação cujos manuais foram redigidos pelo “grande pedagogo educador das massas” Pol Pot.
Na Guiné foram fuzilados mais de 500 comandos africanos portugueses porque cometeram o erro de acreditar em Portugal. Infernal é assistir à desmontagem de um país e à arrogância de militares que achavam que estavam no palco da história desempenhando um grande papel. Infernal é assistir-se a estes militares oferecerem-se, posteriormente, como mercenários ou traficantes de armas, aos três movimentos inimigos, como eles os classificavam, querendo assim perpetuar-se nas guerras. Mas diziam antes, com ênfase, que estavam fartos de guerra. Aliás não sabiam e não sabem fazer mais nada! Infernal é ver militares, que afirmavam que queriam a paz, passarem posteriormente a intermediários de armas destinadas a uma guerra fratricida. Nesta foram enterradas muitas minas anti-pessoal que originaram (e infelizmente ainda originam!) milhares de estropiados. E deixaram vastas zonas do país, ainda hoje (2005), com perigos de morte enterrados no chão.



Uma guarnição militar, altamente conceituada, melhor dizendo estimada, entre os angolanos, recebeu ordem para evacuar a população civil. Abandonou-a, à sorrelfa, de madrugada. O povo dizia que eles cumpriram as ordens mas trocaram os artigos gramaticais: em vez de evacuarem a população eles “evacuaram” na população.

Inveja é a última palavra dos Lusíadas e é o último esqueleto deixado pela descolonização. Ficou intolerável para os militares e para os oligas africanistas a ideia de uma Angola com um ritmo de desenvolvimento acima das médias mundiais e, especialmente, com um fabuloso horizonte originado pelos enormes recursos naturais. E, fundamentalmente, uma Angola livre das amarras colonialistas que tudo inviabilizavam, que se opunham ao progresso material e, principalmente, humano. Tudo em Angola era grande, o país ia ter um exército com oficiais angolanos, o país iria ser um exemplo mundial. Não mais haveria obstruções ao progresso!

Para os militares portugueses acabavam as comissões, as sinecuras, o bem bom “de um pé cá e outro lá”, as viagens, os casões onde se comprava tudo por metade do preço, as chorudas aplicações de escudos metropolitanos no mercado negro, a compra de uma segunda casa. Para eles restavam, de futuro, os comandos de esquadras de polícia, não seriam mais comandantes em chefe, em áreas com mais de 100 000 km², mas apenas mandariam numa jurisdição concelhia com 50 ou menos quilómetros quadrados. Iam comandar num quintal, não mais numa região. Em síntese, almejavam uma situação futura com Angola mergulhada no desgoverno. Para eles, triunfantes, argumentarem “estão a ver, nós saímos, ninguém se entende, não sabem dirigir seja o que fôr”.


É óbvio que apenas nos referimos a alguns militares da oligarquia, aos que se bandearam para o”in”, não nos referimos à maior parte dos militares, com destaque para os milicianos, verdadeiras vítimas em toda a desaustinada guerra. Vítimas que estão à espera de serem indemnizadas.Os civis portugueses, os milicianos que foram integrados no exército que combateu em África, que pouco ou nada tinham a ver com Angola,foram os mais sacrificados em todas estas desgraças, uma desdita igual à dos “indígenas” que também foram abandonados pelos novos senhores de Angola. Os portugueses que “serviram a Pátria” foram vergonhosamente abandonados pelos “revolucionários”. Ainda hoje, em 2009, se arrasta o processo de reparações morais e monetárias a que os milicianos têm direito. Os oligas estão à espera que todos morram. Mas, entretanto vão-se conferindo pensões chorudas para quem nunca descontou!
Em 1999 festejou-se em Portugal o 25º aniversário do golpe de estado. Fez-se um filme e desenrolaram-se muitas cerimónias. O ponto alto destas comemorações foi a petição de alguns “capitães de Abril”, agora coroneis, pleiteando a promoção a general. Motivo: tinham sido prejudicados com a revolução que eles próprios tinham desencadeado. Era o regresso ao marxismo do Groucho Marx! Vamos resumir: eles fizeram o golpe porque estavam a ser ombreados com oficiais milicianos que não tinham feito “academia”; agora queriam ser generais sem terem feito os “altos estudos necessários” e sem terem um único dia de quartel! O que eles condenaram serviu depois de pretexto para as suas serôdias ambições carreiristas.

O mais pungente, impróprio de um país europeu, é o numero brutal de deficientes, completamente abandonados pelos governos, sob a alegação de que “não há verba”. Mas há-a para 124 generais. Rácio em Portugal: um general para 322 soldados.
Os assimilados, os colonos e os indígenas edificaram, a partir praticamente do nada, um país com infrastruturas fundamentais, com uma interessante organização e com um mais que aproveitável sistema de produção de alimentos e bens. Os militares portugueses e os militantes angolanos estraçalharam todas as actividades, infrastruturas e sistemas construídos ao longo de mais de 60 anos.

A história é constituída por factos inter-ligados, onde o passado é o factor preponderante que explica o presente. Angola não fugiu a esta regra. Em 25 de Abril de 1974 os militares que perpretaram o golpe de estado que derrubou uma ditadura de 40 anos, estavam cientes desta regra ou ,pelo menos, deveriam estar. O processo histórico colonial angolano estava eivado de injustiças mas também de sacrifícios e de dedicações. Em meio século os colonos e os africanos erigiram um país, um dos mais bem estruturados do continente africano, augurando uma grande nação próspera. Infelizmente tudo correu mal, acabando no processo que conduziu à independência. Esta foi resolvida pelos militares portugueses e por três movimentos de independência que nunca se entenderam. Uma emancipação exógena (de fora para dentro) ao contrário dos variados países colonizados que se independentizarem endogenamente.

Entre os chamados retornados está arreigada a crença de que “o Mário Soares foi o unico culpado”. Não foi. Era difícil a resolução do processo histórico angolano tal como ele se apresentava. Séculos de dominação implacável e depois 40 anos ininterruptos de ditadura surda e cega às modificações que se geraram em todo o mundo conduziram a uma independência precipitada de que poucos dirigentes metropolitanos anteviram as consequências. O facto de não haver uma cultura democrática em Portugal, e muito menos em Angola, foi o principal motivo do desentendimento geral. Todos se guerrearam num processo niilista, difícil de entender.
Havia alternativas menos piores do que aquela que se verificou? Ou, utilizando a frase predilecta dos descolonizadores, “foi a descolonização que era possível”, isto anos depois, porque inicialmente eles proclamavam “urbi et orbi”, com um ridículo orgulho, de que foi “uma descolonização exemplar”. Tão “exemplar” que todos foram despojados dos seus bens e dos seus direitos! Tão “exemplar” que ninguém foi indemnizado, ao contrário de outros países que tiveram colónias. Tão exemplar que precipitou Angola em lutas fratricidas cujos resultados foram desastrosos em todos os sentidos.

Mário Soares, por estar mal elucidado, por não ter qualquer conhecimento das realidades africanas , e não estava interessado em conhecê-las( corre a fama de que “não lê os dossiers”), por alimentar uma incontida má vontade contra os “ultramarinos”, mesmo assim não pode receber todo o ónus de políticas anteriores seculares e desastrosas. Mário Soares, com aquela ligeireza com que aborda qualquer assunto, com aquela empáfia de ser laico, republicano e socialista (embora tenha como passatempo a acumulação de reformas, subvenções e subsídios) e com aquela facilidade de “ceder os trunfos” sem pensar,não estava, minimamente, à altura de um processo histórico tão complexo e tão melindroso.

No Brasil, na gíria, diz-se para uma pessoa que não se está apercebendo da sua incompetência, do ridículo, da ignorância, da vaidade ou da má vontade : si manca. Entre os jovens esta frase significa: cai na real O dicionário Aurelião consigna: « mancar- capacitar-se de que está sendo inoportuno,inconveniente ou está cometendo erro, engano». Em Portugal diz-se “que não se dá conta” a propósito de não estar à altura ou a ser inconveniente.O fantástico humor brasileiro criou o xarope “Simancol” que deve ser tomado por todos aqueles que “não se mancam”, ou seja de que se não dão conta, que não caiem na real. Em 1974 as farmácias portuguesas deveriam ter este xarope à venda, teriam evitado milhões de desgraças! Foi enorme a quantidade de gente incompetente que “se não mancou”, de pessoas que não cairam na real.Hoje estão mudos e quedos!

Fig Reunião no célebre Acordo de Alvor. Em primeiro plano da esquerda para a direita Melo Antunes, Rosa Coutinho,Agostinho Neto,Costa Gomes,Holden Roberto,Jonas Savimbi,Mário Soares e Almeida Santos. Em 8 intervenientes 5 são portugueses sem quaisquer interesses em Angola.Um destes (Mário Soares)“nunca lá pôs os pés”.Dos mais de 5 milhões de residentes em Angola ninguém está representado. Estranha forma de se exercer democracia, agravada com o facto de que o Movimento dos militares portugueses tinha como ponto de honra um referendo e eleições em Angola.


Fig Arriar da bandeira portuguesa e hasteamento da nova bandeira. Nenhum alto-representante (Presidente da República)do governo português.O novo governo em Portugal,saído de um golpe de estado em 25/04/1974, ficou inquinado com ideologias marxistas e com ideias mirabolantes sobre a nova ordem e justiça a implantar em Angola.Os três movimentos independentistas entraram armados em Angola,e depois receberam mais armas do exército português. Em pouco tempo estava instalado o caos, com terríveis consequências em bens e pessoas. O governo de Lisboa teve vergonha de conceder a independência: a quem? Numa breve cerimónia na fortaleza de S.Miguel, restrita apenas aos militares,sem qualquer elemento da imprensa, foi arriada a bandeira portuguesa,« dobrada, colocada em bandeja de prata e entregue ao alto-comissário».Os três movimentos proclamaram, cada um de “per si”, a independência. Na gravura vê-se a cerimónia que decorreu em Luanda somente com o MPLA. Angola merecia uma liturgia mais consentânea com o seu passado e com os seus povos. Como afirmamos mais adiante isto não foi mais do que a cereja ácida no bolo amargo(feito com farinha de quina) do colonialismo.

Era possível uma descolonização menos traumatizante? Era. Bastava terem entregue todo o processo à ONU. Se os militares portugueses estavam fartos de guerra e se “nem mais um soldado para África”, a solução era a ONU. O próprio secretário-geral ofereceu a opção ONU que foi recusada pelos militares portugueses. Aliás não se compreende que, sendo os militares portugueses a parte mais preponderante da guerra, tenham intervindo como imparciais. Nestas circunstâncias temos que admitir que, na recente independência de Timor, a Indonésia (ocupante) também tivesse interferido naquele processo. O Brasil estava pronto a ajudar no processo da descolonização angolana, estava disposto a enviar quaisquer tropas requeridas pela ONU. Estas tropas garantiriam a segurança de pessoas e bens. Infelizmente, “orgulhosamente sós” no colonialismo e “orgulhosamente sós” na descolonização


Fig Retirada da bandeira americana de uma urna, para depois ser entregue à família de um militar morto em combate. Há todo um cerimonial de recolha onde imperam a honra, o rigor, o orgulho, o respeito, o patriotismo.A fotografia transmite emoção!


Fig Recolha da bandeira portuguesa por um´” barbudinho”. Ela é levada debaixo do braço, como qualquer melão. As mãos estão sem luvas, as mangas arregaçadas, não se vislumbra qualquer escolta!. Ocorre-nos a pergunta: não havia um regulamento para a dobragem e transporte da bandeira? O que transmite esta fotografia?

Se os militares portugueses estavam fartos de guerra, o que até é verdade, por que quiseram levar o processo até ao fim, conduzindo-o afinal para piores confrontos, agravados com ideologias importadas e, convenhamos, a caminho de estas próprias se tornarem também ultrapassadas?

8 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Em 1962, em plena guerra diplomática entre Salazar e Kennedy, os Estados Unidos propuseram planos para a independência de Angola, todos eles tendentes a estabelecer um governo de maioria africana, de absoluta confiança de Washington. Prazo: dez anos. Os interesses e haveres dos que quisessem abandonar a colónia teriam sido levados em conta, como uma das prioridades. Os americanos comprometiam-se a indemnizações, a garantia de direitos, e previam grandes êxodos.
Apareceram vários planos, todos eles feitos por “especialistas”, dos quais os mais importantes eram o Plano Sakwa e o Plano Anderson. O Plano Sakwa foi preparado por Paul Sakwa funcionário da CIA e preconizava o seguinte: em troca da alienação das colónias, Portugal receberia uma compensação financeira, de tal modo avultada que era suficiente para que o país “ levantasse a cabeça”. O dinheiro recebido permitiria que o país duplicasse o seu rendimento por habitante, em cinco anos. Em Angola era acelerado o ensino de modo a preparar as populações para um auto-governo. Seriam feitas em 1967 eleições locais (autarquias?), em 1969 seriam feitas eleições regionais (distritos ?) e em 1970 seria o coroamento dos planos com eleições nacionais e proclamação da independência. Estavam previstas indemnizações para todos os que quisessem abandonar Angola.


O Plano Anderson apareceu mais tarde, em 1964, e propunha que Portugal aceitasse a autodeterminação das suas colónias num prazo de 8 anos. Em troca receberia várias compensações e indemnizações. Anderson era o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, substituto de Elbrick o embaixador que ajudou e incentivou Botelho Moniz para a efectivação de um golpe de estado, infelizmente fracassado, conhecido depois como Abrilada.
Em 1974, e uma vez que a continuidade da leuco-comunidade em Angola estava seriamente comprometida, podia-se ter reavivado o Plano Sakwa, adaptando-o aos tempos actuais, de modo a defender os muitos interesses: as pessoas que quizessem abandonar o território seriam indemnizadas e colocadas, pacificamente, em qualquer país que as quizesse receber.

Mas tudo se fez estouvadamente. O país recebeu, de muitos países, milhões de dólares e toneladas de donativos que foram distribuidos sem “rei nem roque”. Os fugitivos de Angola- mais de metade não conheciam a metrópole- receberam o nome de retornados e foram alojados em hoteis de turismo (3, 4 e 5 estrelas). Estas unidades hoteleiras estavam a caminho da falência pois os turistas já não suportavam mais os arroubos revolucionários de uma minoria de portugueses. O aboletamento dos “retornados” nos hoteis foi a forma miraculosa de evitar um colapso na então recente estrutura turística de Portugal.


A descolonização não foi mais do que a cereja ácida em cima do bolo amargo(feito de farinha de quina) do colonialismo, como já foi afirmado. Uma e outro completam-se, têm muitos pontos de contacto. Foi intitulada de revolução mas a grande verdade é que os protagonistas da descolonização (militares portugueses) estavam seriamente comprometidos com o colonialismo, alguns foram figuras-chave nos dois processos. Acabaram por beneficiar de promoções, e até condecorações, nos dois sistemas. E, cúmulo dos cúmulos, ainda se acham prejudicados porque “a revolução do 25 de Abril “ atrasou as suas carreiras militares”. No mínimo, é bizarro querer ser recompensado dos próprios erros cometidos! Mais bizarro, ainda, é exibir condecorações recebidas em dois sistemas antagónicos!


A descolonização foi tão atabalhoada que o colonialismo ficou esquecido. As pessoas que perderam os seus haveres, para não citar os anos perdidos, culpam a descolonização por todos os males que dela advieram. Mas a verdade é que as maiores culpas recaiem sobre o colonialismo e algumas, também, sobre a colonização. O colonialismo, incluindo nele os militares que aguentaram a guerra da independência (e o regime ditatorial também), não soube encontrar uma solução para o impasse político que persistiu ao longo de treze anos (1961-1974). Os governos de Lisboa, apesar de terem atenuado algumas injustiças, não souberam, ou não quiseram, arranjar uma saída de acordo com o bom senso, ou seja acompanhando o “main stream” mundial (corrente dominante). Depois da guerra 1939/1945 as colónias passaram a ser olhadas, mundialmente, como anacronismos incómodos. Nenhum país concordava com o colonialismo, alguns deblateravam-no cruelmente.


Fig As pessoas que viviam em Angola ficaram aturdidas com tantos acontecimentos em tão pouco tempo, um contraste com 40 anos de modorra colonial. E mais ainda com a cobardia e a falta de caracter de todos aqueles que “mudaram de clube” de um dia para o outro. Subitamente aqueles que serviam a “ditadura de direita” passaram-se para a” esquerda”.Em 24 horas praticamente já não existiam pessoas que tivessem servido Salazar. Aqueles patriotismos exacerbados que nos acompanharam durante dezenas de anos esfumaram-se em poucos meses.Em Angola tudo dasaguou em um período “Caixotesco”.




Fig Contrariamente ao que se afirma correntemente ninguém em Angola fazia fortuna. Basta folhear um qualquer jornal de Angola (Provincia de Angola,Diário de Luanda, A Voz do Planalto, O Lobito, O Intransigente, Notícias da Huíla etc) para nos depararmos com notícias do género”morreu na miséria o velho colono Fulano de tal”). Um colono que não tivesse filhos morreria na miséria no fim da vida. Depois do Acto Colonial de 1932, todo o capital estava em mãos metropolitanas.Todas as fortunas feitas em Angola estavam sediadas na Metrópole.Aleatoriamente, porque foram muitas as notícias sobre este assunto, transcrevemos de “A Voz do Planalto” de 01/02/1951 a propósito da morte do velho colono Cristiano de Miranda no Bailundo:«Deixa a viúva na miséria, ultimamente vivia do auxílio de muitas pessoas. Que mocidade tão inutilmente desbaratada e que fim triste e pungente»
A partir de Abril de 1974 já não eram mais silenciosas as quase sempre estreladas e maravilhosas noites de Angola: passou a ouvir-se a Sinfonia dos Caixotes onde sobressaiam os metais, (alicates, torquezes, serrotes) as cordas( de sisal), a percussão (martelos e marretas) e os sopros (um colono bufando depois de uma martelada num dedo).

A partir de 1961, quando se registou uma promissora descompressão, tinha que se arranjar uma solução política e ela só poderia ser a de uma rápida e ousada ascensão dos africanos ao topo da governação, a par de uma notória melhoria nas condições de vida deles. Isto foi proposto por alguns militares mas nem Salazar, nem Caetano estavam dispostos a ceder. Qualquer deles já tinha demonstrado uma intransigência que não se ajustava ao tempo presente, tudo agravado com o facto de Angola já possuir RN (referências nacionais) em nível mundial: o comboio da independencia já estava em marcha e nada o poderia deter. A única saída era uma descolonização, com o apoio da ONU e dos países amigos, facilitando a saída dos europeus. Infelizmente nem isso sucedeu. O tempo era escasso, já não havia tempo para se esbaterem os grandes erros históricos.


Fez-se uma descolonização atabalhoada e vergonhosa, a reboque da ideologia marxista-leninista, ela própria a caminho da auto-destruição. Sem qualquer descolonização nunca se teria chegado a tão desastroso resultado.Pior do que esta descolonização era impossível.


Uma palavra para definir a descolonização feita por um “escol” das Forças Armadas Portuguesas: esculhambação.


Luiz Chinguar
Agosto 2009


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo


Fim

Sábado, 5 de Setembro de 2009

"JORNAL NACIONAL" DA TVI CENSURADO

Este "spot" de promoção do "Jornal Nacional" é que esteve na origem da censura efectuada.

José Sócrates pôs-se a jeito, utilizou o Parlamento e o palco do Congresso do PS para aproveitar e dizer o que lhe convinha para desacreditar e criar animosidade contra a TVI.

Agora que tudo aconteceu como ele verdadeiramente desejava, queixa-se e arma-se em vítima. Em grande vítima.

Os portugueses são todos parvos. Devem ser.

Para trás ficam os vários processos a jornalistas e recadinhos que ele foi dando a vários redacções de jornais e rádio (Publico, RR ...) de cada vez que publicavam alguma coisa que ele não gostava. A TVI noticiou factos, não inventou nada, tal como o Jornal Publico e RR não inventou as habilitações de engenheiro ao domingo do sr. Sócrates.

SÓCRATES E A TVI

Até parece que José Eduardo Moniz estava a prever.

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

«JORNAL NACIONAL DE SEXTA», e MANUELA MOURA GUEDES

Vigília pela Liberdade de Imprensa


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Quem puder, participe na Vigília pela Liberdade de Imprensa, amanhã, sexta-feira, 4-9-2009, pelas 20 horas, em frente à TVI, na Rua Mário Castelhano, n.º 40, Queluz de Baixo.
E divulgue a inicitiva nos blogues, redes sociais e mail.

DOSSIÊ SÓCRATES: O ATRIBULADO PERCURSO ACADÉMICO DE QUEM SE TORNOU ENGENHEIRO DE UM DOMINGO PARA O OUTRO

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Um documento oportuno de António Balbino Caldeira

do blogue: doportugalprofundo

PARABÉNS ANTÓNIO


Para download gratuito: clique aqui, grave o ficheiro e só depois abra*..
Para comprar o livro impresso: clique aqui.
Com factos novos e documentos inéditos descobertos, publico em livro "O Dossiê Sócrates".
Este livro contém o revisto trabalho de investigação publicado no blogue Do Portugal Profundo sobre o percurso académico do primeiro-ministro José Sócrates - e ainda uma introdução sobre o contexto da investigação e um epílogo onde são revelados factos e documentos novos (não publicados no blogue), entretanto destapados. São ao todo 405 páginas, das quais 251 correspondem aos posts revistos publicados no blogue e o resto a material novo.
Trata-se de um trabalho que comecei após o período de nojo do inquérito judicial aberto por queixa do "primeiro-ministro enquanto tal e cidadão" José Sócrates, que terminou em Janeiro de 2008, como se sabe, com o arquivamento da queixa e a não apresentação, pelo queixoso, de acusação particular contra mim. Reuni os posts que publiquei sobre o caso e, pacientemente, fui explorando novos caminhos de pesquisa para descobrir e esclarecer novos factos, que me pareceram ser importantes do conhecimento público, sobre o percurso académico (que constitui vida pública) do primeiro-ministro de Portugal.
Por ser importante, revelo abaixo a saga da publicação de mais um livro proibido e a necessidade de recurso à publicação nos EUA (na Lulu.com) para vencer os bloqueios da publicação em Portugal.
Comunicado ao o grupo editorial Leya o meu propósito de edição do livro, recebi no próprio dia a manifestação do interesse na publicação. Apresentei o conjunto de posts que compôem a II Parte do livro e o interesse da editora manteve-se - e cresceu quando depois entreguei a I Parte (a Introdução) na qual contava o contexto da pesquisa e as vicissitudes do afrontamento do poder quase-ditatorial do Governo. Paralelamente, trabalhei ao longo de meses no desenvolvimento do livro, e investigando os novos factos. Até que, em 27 de Fevereiro de 2009, entreguei à Leya uma versão preliminar da III Parte (a Conclusão) do livro, com a descrição de alguns factos novos e a interpretação de documentos inéditos. A insistência constante da editora para que eu terminasse o livro foi substituída por um silêncio absoluto: nem mais um pio. Nunca mais se atendeu o telefone, nem se respondeu aos mails, nem às mensagens. Nem, estranhamente, sequer se correspondeu ao pedido legítimo e formal de devolução do material entregue. Nada.
Contactei outras editoras, mas também não tive êxito na edição do livro. Uma delas - aparentemente insuspeita... - nem sequer respondeu ao mail que lhe enviei. E outra também recusou. Finalmente, já no final de Julho de 2009, uma editora mostrou-se interessada, oferecendo-me a possibilidade de colocar o livro para download pago e eu fazer o co-financiamento da edição impressa (co-financiamento que se destinava a prevenir o risco do bloqueio da distribuição e venda em prazo útil). Alguém, do meio, explicou-me depois a dificuldade e receio de, no Portugal socratino, uma distribuidora fornecer, e as cadeias de livrarias e superfícies comerciais exporem e porem à venda, um livro intitulado... "O Dossiê Sócrates"...
Frustrada a tentativa de edição tradicional em tempo útil, sem meios para o co-financiamento da edição impressa, sem interesse numa versão digital paga, e sem a difusão natural e distribuição corrente nos pontos de venda, decidi contornar o obstáculo da edição, distribuição, exposição e venda, com a publicação integral gratuita do livro em linha e a possibilidade de compra para os leitores que queiram ler e ter o livro impresso.
O valor de compra do livro impresso cobre apenas o custo da edição, e com os portes, não é superior ao preço de edições similiares no mercado. Escolhi propositadamente um tamanho de papel mais longo, o qual permite um custo baixo (14,95 euros). Podia cobrar também pela edição digital; porém como o meu objectivo não é económico, mas político, o livro fica disponível para o download gratuito dos leitores. As duas modalidades estão disponíveis na Lulu.com. Creio que a alternativa que escolhi responde à máxima difusão possível e conveniência dos leitores.
Recomendo aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...
O livro, como explico na Introdução, é o produto do trabalho desinteresseiro de muitos cidadãos que colaboraram na investigação e apoiaram o esforço e ousadia. Estou obrigado a todos os que ajudaram nesta missão e contribuiram para este projecto. Portugal vale bem os nossos riscos. Deus vos abençoe.
* Se não gravar o ficheiro após o download, a sua abertura pode ser mais difícil. Por isso, primeiro grave o ficheiro no seu computador e só depois abra o ficheiro para o ler. Por condcionamento da Lulu.com, a versão digital deste livro é igual à versão em papel.

Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

A FALTA DE DELICADEZA PARA COM OS PROFESSORES ...

Talvez Sócrates ache que os professores sejam TODOS PARVOS.
Sócrates é um MENTIROSO e a Maria de Lurdes tem um bom professor
Estes vídeos não enganam.
Deviam era ter VERGONHA NAQUELAS CARAS.

Ministra admitiu problemas de comunicação com professores mas nega críticas ao seu trabalho e
Sócrates admitiu que, da parte do Governo, "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores"

"Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores" - disse o ALDRABÃO!




APITO DOURADO

Clique em cima para aumentar a imagem
As coisas que nós vamos (entretanto) sabendo melhor. (Semanário Privado de 26.08.2009)
No carrossel da corrupções, andavam todos os árbitros.
Pinto da Costa sabia muito bem QUEM escolhia, POR QUE escolhia, QUANDO escolhia e, COMO escolhia.
E no final, toda a gente sabe como as coisas se faziam e aconteciam, os telefonemas EXISTIRAM, DE FACTO, mas ... NÃO ACONTECEU NADA.
Como não acontecerá nos processs Casa Pia e Freeport.
A justiça portuguesa ao melhor nível.
A JUSTIÇA DOS RICOS !!

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

AGORA? AGORA É TARDE !!!

Mas porque não se cala este homem? Acho piada.
Mas então este senhor pensa que os professores têm todos uma memória curta?
Se diz que vai melhorar, Porquê que não melhorou quando teve oportunidade para isso?
Porquê que quando falava dos professores, falava sempre com ÓDIO, com DESPREZO e com MENTIRA, referindo várias vezes que os professores NÃO ERA AVALIADOS, sabendo ele que estava a MENTIR com o objectivo único de lançar a população CONTRA os portugueses, que foi assim que a ministra sempre governou: CONTRA OS PORTUGUESES.
De nada lhe vale agora vir com falinhas mansas, armar em Madalena arrependida, lançando os maiores elogios aos professores quando se trata de elogiar as estatísticas do "sucesso escolar"
NÃO, NÃO E NÃO.
Comigo vais de carrinho, NÃO ME ENGANAS.
Sócrates que esclareça lá melhor as suas habilitações e a forma como se "licenciou", as falsificações na Assembleia da Republica, os projectos das casas na Guarda, os offshores das casas dele e da mãe, o Freeport ... Etc.!!
Não dá para acreditar naquilo que ontem os portugueses ouviram da boca deste MENTIROSO sobre os professores. Nem queria acreditar:

"Acredito que exista crispação" e "um sentimento especial em relação às medidas que o Governo tomou", mas "farei tudo o que puder e o que estiver ao meu alcance para que esse ambiente não subsista".

Sócrates admitiu que a sua personalidade tenha contribuído igualmente para o ambiente de crispação. "Não posso pôr isso de parte, mas não gostaria que isso acontecesse. Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores",

Sou professor, felizmente ainda tenho memória e não acredito que os restantes docentes que verdadeiramente estiveram na defesa da escola pública não estejam atentos. Saberão dar a devida resposta a todo este chorrilho de mentiras, hipocrisias e falsidades.

Estamos FARTOS DE OUVIR MÚSICA !!!


Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

PERMUTA DE PROFESSORES

Por solicitação de uma colega deixo aqui o seguinte pedido:

"Sou de Aveiro e fui colocada em Alpiarça (Santarém) na Escola EB 2/3 S José Relvas no grupo 620 de Educação Física. Pretendo fazer permuta com colega que tenha sido colocado(a) em Aveiro, Coimbra, Pombal ou em qualquer outra escola em concelhos na linha de combóio até ao Porto e pretenda ir para a zona de Santarém"

Resposta para este "post" ou tlm 934252263

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

CAROLINA PATRÍCIO - MANDATÁRIA DA JUVENTUDE DO PS

A Staples adoptou para campaha do seu "Regresso às aulas" a figurinha de uma batoteira assumida. Uma figurinha que prefere fazer batora a perder e, só come cerejas se for a empregada a tirar-lhe os caroços. (Correio da Manhã de 24.08.2009)
Carolina Patrocínio escolheu o partido certo.
Com esta vocação para a batota, terá certamente um futuro político muito promissor.




COMUNICADO DE JOSÉ SÓCRATES

MUITO IMPORTANTE:

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro

Faz o Governo saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.
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Domingo, 9 de Agosto de 2009

FÉRIAS DOS POLÍTICOS

Clicar em cima da imagem para a aumentar
Entretanto ... também entrei de férias!

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

O SPORTING E OS CROMOS DA TVI COM AZIA!

Jogámos 94 minutos contra os locutores da TVI e ... GANHÁMOS. Rui Patrício com a cabeçada de Jesus, calou 6 milhões de portugueses


Domingo, 2 de Agosto de 2009

SÓCRATES SEM VERGONHA

O antes e o depois de ser primeiro ministro
A cara de um é o cú do outro!

Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

ESTÁ PARA NASCER UM PRIMEIRO MINISTRO MAIS MENTIROSO"

E também ainda "está para nascer um primeiro ministro que se tenha ´licenciado`a um domingo, por FAX e entre amigos".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que não tenha na Assembleia da República uma ficha biográfica a dizer que é engenheiro civil e licenciado e outra a dizer que não passa de um "bach" em engenharia".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que diga que assinou mas que verdadeiramente não projectou casas e currais".

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

HISTÓRIA DE AVEIRO - SINTESES E PERSPECTIVAS


Na próxima sexta-feira, dia 17 de Julho, pelas 18.30 horas, no plenário do edifício da Antiga Capitania, será lançado o Livro “História de Aveiro – Sínteses e Perspectivas”, coordenado por Amaro Neves e Delfim Bismarck Ferreira.

No âmbito das comemorações do 250.º aniversário da elevação de Aveiro à categoria de Cidade, a presente obra pretende reunir num volume os mais recentes trabalhos de investigação produzidos por aveirógrafos, ou seja, por autores que se dedicam ao estudo dos mais diversos aspectos relacionados com o passado e evolução de Aveiro.

Este desafio, difícil de materializar, só foi possível graças à participação de cerca de duas dezenas de autores, constituindo-se, assim, a História de Aveiro - Sínteses e Perspectivas, onde o leitor poderá vislumbrar uma “viagem” por muitos dos aspectos marcantes da evolução de Aveiro, da sua Geologia e Geografia ao Turismo, passando pela Arqueologia, História, Arte, Heráldica e Património.

Em suma, uma síntese desde as suas mais remotas origens até à contemporaneidade, abordando os seus mais distintos aspectos e principais actividades artísticas, económicas e sociais.

Naturalmente, uma obra deste género não pode abarcar todo o passado de uma comunidade, constituído certamente de grandes momentos de glória mas também de longos períodos de sofrimento, ao longo de milhares de anos de existência.

Os Autores das investigações são:

Amaro Neves; Ana Clara Correia; Armando Teixeira Carneiro; Artur Jorge Almeida; Clara Sarmento; Delfim Bismarck Ferreira; Énio Semedo; Fernando L. Ladeira; Francisco Messias Trindade Ferreira; Francisco Teixeira Homem; Hugo Calão; Inês Amorim; João Gonçalves Gaspar; Luís M. Ferreira Gomes; Manuel Barreira; Manuel Fernandes Thomaz; Paulo Morgado; Rosa Maria Oliveira; Saul António Gomes e Sónia Filipe.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

MAGALHÃES? MELHOR AINDA ...

Eu também tive um Salazagalhães

CONTOS PROIBIDOS, de RUI MATEUS

Um livro que desapareceu do mercado

PODE-SE FAZER AQUI O DOWNLOAD DO LIVRO.

E TEM DE SER RÁPIDO, ANTES QUE O TIREM. EU JÁ O GUARDEI, POIS É MUIIITO LONGO E TEM FOTOS ...TUDO BONS RAPAZES.

Dizem que a Fundação Mário Soares comprou os exemplares quase todos. mas aí está a verdade nua e crua escrita por uma pessoa muito próxima de Mário Soares - o seu conselheiro e amigo RUI MATEUS

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

CONCURSO DE PROFESSORES 2009/2010 - A GRANDE FARSA !

Confirmam-se resultados que são dos piores de sempre: Mais de 99% dos candidatos não entrou nos quadros

Numa profunda e inaceitável manifestação de desrespeito pelos professores, o Ministério da Educação, em vez de tornar públicas as listas de colocação dos docentes, para 2009/2010, decidiu, antes, manipular os números para fazer crer o que não é verdade, pois a verdade, usando os números que o ME hoje mesmo tornou públicos, é que:
- 99% dos docentes que concorreram para ingressar em quadro não o conseguiram (apenas entraram 417 dos cerca de 50.000 candidatos que apresentaram 65.464 candidaturas – menos de 1%);
- 11.836 docentes que já pertencem aos quadros (40,9% do total de docentes dos QZP) não obtiveram colocação no novo quadro criado (Quadro de Agrupamento).

Perante estes números, pode dizer-se que este é um dos piores concursos de sempre, o que só consegue ser disfarçado pela manipulação de números, a um ponto que é de todo inaceitável. Por exemplo, nos quadros que o ME divulga no seu site, é indicado que entre Quadros de Agrupamento e de Escola, a relação vagas positivas / vagas negativas é a seguinte:

2005 – 4.430 / 7.358;
2006 – 6.303 / 5.969;
2009 – 20.896 / 2.660.

Ora bem, estamos perante uma grosseira manipulação de números, com o intuito de enganar a opinião pública.

De facto, se o ME considera todas as vagas abertas para os novos Quadros de Agrupamento, que vieram substituir os QZP (que incluíam 28.926 docentes), não pode apenas considerar como negativas as do Quadro de Escola (as 2.660 referidas), mas acrescentar-lhe as que faziam parte do quadro que se extingue – o QZP – e essas são, segundo o Ministério, 28.926.

Isto é, no cômputo global, não há 18.236 vagas positivas este ano, mas, se a este número, forem subtraídas, também, as 28.926 que correspondem a docentes dos QZP que foram obrigados a concorrer para o Quadro de Agrupamento, e nele deveriam ser colocados, então o saldo é negativo, correspondendo a 10.690 vagas a menos.
Não se compreende, também, como pode o ME afirmar que, numa segunda fase, serão colocados mais 38.000 docentes dos QZP e contratados, quando as escolas ainda não fizeram o levantamento de necessidades após esta primeira fase de colocação. O que há são cerca de 38.000 docentes por colocar, entre QZP’s e contratados de primeira prioridade, e outros tantos que são identificados pelo ME como “Outros candidatos”.

Após uma análise mais detalhada das listas definitivas, pronunciar-se-á de forma ainda mais precisa, analisando a situação grupo a grupo, mas denuncia, desde já, a manipulação que o ME pretende fazer dos números e reafirma que estamos perante o concurso mais negativo dos últimos anos, que fará crescer, como nunca, as situações de instabilidade para docentes dos quadros e remeterá para o desemprego muitos milhares de docentes que aguardavam o ingresso em quadro ou, pelo menos, uma contratação.

Nota final: Numa primeira observação, verifica-se que a maior parte dos docentes que ingressou em quadro são dos grupos 350 (Espanhol) e 550 (Informática). Na Educação Pré-Escolar, no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no grupo 910 da Educação Especial ou na generalidade dos grupos do 2.º Ciclo não houve qualquer colocação que correspondesse a entrada em quadro.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

É UM BENFIQUISTA NORMAL !


O Senhor da fotografia acerca de CR9:

"Ele sai do melhor clube do mundo em Inglaterra, e do meu clube em Inglaterra, para o melhor clube do mundo em Espanha, e toda a gente sabe que em Espanha o meu clube é o Real Madrid.."

in A Bola, 06/07/2009, pg 4, 4ª e 5ª colunas

Há com cada cromo ...

Domingo, 5 de Julho de 2009

SIADAP - DO OPORTUNISMO À POUCA VERGONHA

Grupo de Trabalho para a revisão do sistema integrado de avaliação de desempenho da Administração Pública (SIADAP)
  • Dr. Carlos Joaquim Pedro Fernandes, que preside, funcionário já aposentado no ano de 2006 - remuneração total pela realização do SIADAP de 14.400 € + reforma de 4.800 € + …….;
  • Prof. Doutor Luís Augusto de Carvalho Rodrigues, funcionário aposentado em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Maria do Rosário Pablo da Silva Torres, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Maria Joana Bento da Silva Santos, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Ana Paula Vicência dos Santos Francisco, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Elda Maria Correia Guerreiro Morais, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma.

Estes são aqueles fizeram o SIADAP e que como já sabiam as consequências negativas da sua implementação, foram para a Reforma (alguns deles até já eram pensionistas da CGA e outros já estavam a pensar nisso em 2006), e agora riem-se à tua custa por seres avaliado(a) pela porcaria deste modelo que inventaram e lucraram …

Formação do grupo de trabalho

e ... passado um ano ... a reforma!

Remunerações do grupo de trabalho

SÓCRATES - MILITANTE DO PPD

Mentiras e cambalhotas ... é um artista português!
Palavras para quê?

A NOVA FAMÍLIA PORTUGUESA


LAMENTÁVEL PAR DE CORNOS

O país que temos é este, não nos podemos lamentar.
Este bom par de cornos (qual chifres? qual corninhos?) é o espelho do à vontade com que o governo passeia a sua arrogância e a sua altivez. A superioridade dos ministros e principalmente do primeiro ministro. Aquele que mais mente e fica com a mesma cara de aldrabão como se nada tivesse dito. Só o nariz lhe cresce!
Mas, desta vez correu mal.
... já era demais.

Sábado, 4 de Julho de 2009

A HISTÓRIA DO SOCIALISMO


A IRONIA DE UMA CARTA AO CONSELHO PEDAGÓGICO


Ao Conselho Pedagógico

Ser-se avaliado em Professor Excelente não é a mesma coisa que ser-se um excelente professor.
E não é fácil, um professor ser avaliado em EXCELENTE!
É difícil, muito difícil mesmo e, numa escala de valores, ser EXCELENTE é ainda mais do que ser-se MUITO BOM. Eu disse mesmo M-U-I-T-O–B-O-M; não disse BOM.
Ser-se portanto EXCELENTE é o mesmo que ser-se perfeito, distinto, notável, admirável, brilhante, magnífico, óptimo. São sinónimos que o qualificam extraordinariamente, que o qualificam como O MELHOR de entre aqueles que já são MUITO BONS.

Tal como o Ministério preconiza, os professores titulares têm obrigação de ter as maiores responsabilidades nas escolas porque os considera melhores que os outros; então, também deve caber aos professores EXCELENTES serem os mais responsáveis em todo o processo ensino/ aprendizagem e em todas as funções e tarefas do contexto escolar.
E se um professor titular, de acordo com o ministério, já é do melhor que existe numa escola, então, um professor Titular Excelente é muito mais! Além de distinto, perfeito, admirável, notável, brilhante, magnífico e óptimo, ainda tem mais um atributo: ser TITULAR. Este título não é para muitos!

E, mesmo, ser-se apenas EXCELENTE já haverá poucos, muito poucos!

Posto isto, gostaria de propor para análise aos colegas deste Conselho Pedagógico o seguinte: aos professores que, nesta fase, forem avaliados em EXCELENTE, sejam eles titulares ou não, deverão, a partir do próximo ano lectivo, leccionar as turmas mais «difíceis» da escola, bem como direcções de turma e cursos que só eles, pelas suas reconhecidas qualidades evidenciadas neste rigoroso processo que tem sido a avaliação de desempenho docente, serão capazes de resolver ou minimizar problemas da melhor forma, contribuindo, assim, para que a escola seja também melhor.

O rigor desta avaliação deu-lhes esse direito. É por isso que vão ser beneficiados na pontuação para concursos, no concurso para titulares, em prémios pecuniários, … É por serem EXCELENTES, por serem os MELHORES DOS MELHORES, por serem perfeitos, distintos, notáveis, admiráveis, brilhantes, magníficos e óptimos que devem mostrar aos outros como se deve fazer.

Não é pois justo nem razoável que a escola deixe escapar este capital de conhecimentos mantendo os restantes professores com turmas difíceis e funções e tarefas complicadas, aparentemente bons professores, é verdade, mas incapazes de evidenciar os dotes que, em rigor, os professores EXCELENTES foram capazes de demonstrar nesta avaliação criteriosa dirigida ao desempenho de cada docente.

Certo da melhor atenção dos colegas e consciente da importância desta análise, solicito que, após reflexão devida, esta proposta baixe aos Departamentos e deles seja considerado o conjunto de opiniões formuladas.

Francisco Teixeira Homem, professor titular

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (1)

“O que é importante é a história. Porque quando todos nós formos pó,- dentes e pedaços de pele- quando estivermos a dançar com os nossos próprios esqueletos- as nossas palavras poderão ser tudo o que restará de nós.” Alexandra Fuller em Scribbling the Cat-Travels with an african soldier.London 2005 Picador. (edição em inglês)

Em um ensaio anterior estabelecemos a diferença entre colonialismo e colonização. E exumámos os esqueletos do colonialismo. Agora vamos analisar os esqueletos da colonização: não estão em armários, como os do colonialismo, mas espalham-se por toda a Angola, sob o olhar desconsolado dos angolanos que sonharam sempre com uma melhoria que, infelizmente, tarda em aparecer. Por que perdeu Angola, em três dezenas de anos, todo um património em que se empenharam milhares de pessoas?
Ressalvando alguns aspectos negativos dos colonos, abordados em anteriores artigo(Os ossos do colonialismo) (A utopia de um novo Brasil em África), a colonização dos portugueses foi positiva, decorridos mais de 30 anos sobre o seu fim, com a poeira histórica já muito assente. Sobre os colonos, em uma manobra hábil da descolonização feita pelos militares portugueses , foram descarregados todos os anátemas do colonialismo. Mas este foi idealizado, normatizado e dirigido, sempre, sem um minuto de descanso, por Lisboa. Para os colonos foi descarregado o fardo desse colonialismo oco e antiquado, totalmente gizado e dirigido por Lisboa, embora eles não saiam isentos de culpa, por terem mantido uma passividade colaborante e de se terem aproveitado de leis injustas, especialmente as referentes ao trabalho compelido. Infelizmente o hábito de injustiças acaba por legitimizá-las, mas só para os que delas usufruem. Os colonos construíam, os oligarcas obstruíam, estes mentiam, aqueles acreditavam.
Foi o exército português, pela força das armas, que instituiu a soberania portuguesa em Angola. E ele viu-se obrigado a fazê-lo, pressionado por outros países europeus, sob a ameaça de “ se não queres, avanço eu”. À medida que as regiões iam sendo subjugadas, o exército consolidava a autoridade através do capitão-mor, sargentos que aceitavam permanecer em Angola. Cumpria-se, assim, o principal mandamento da Conferência de Berlim (1885): a ocupação efectiva. Mas militar, apenas. A ocupação civil só se efectivaria especialmente a partir de 1920.
Em 12 de Outubro de 1920 o major Norton de Matos tomou posse em Lisboa do cargo de Alto-Comissário de Angola. Este oficial de engenharia já tinha estado em Angola, em 1912, como Governador Geral. Esta posse foi o dealbar de uma nova era, que apelidámos de O Grande Salto, porque Norton de Matos, neste segundo governadorado, imprimiu uma tal dinâmica que transformou Angola de feitoria em colónia. A sua posse desencadeou uma onda de entusiástica emigração para Angola.
O capitão-mor que era a autoridade em uma região, logo que estivesse pacificada, deixou má fama em Angola, onde ficou conhecido quer pela violência de que se cercava, quer pelas extorsões que praticava. Norton de Matos, em 1921, acabou com esta predominância militar e instituiu o Quadro Administrativo Civil que perdurou até à independência.
O Quadro Administrativo Civil foi preenchido com pessoal formado na Escola Superior Colonial, sediada em Lisboa e por angolanos escolhidos por concursos públicos. Houve uma substancial melhoria nas relações humanas, pese embora alguns episódios desagradáveis.
Os maiores pecados do Quadro Administrativo foram o de ter colaborado com o negócio dos contratados, e o de ter exorbitado, algumas vezes, na autoridade. O contrato foi uma maneira hábil que o governo de Lisboa encontrou para se continuar a utilizar a mão de obra barata, uma atenuada reminiscência da escravidão. Dela beneficiava a oligarquia de Lisboa (detentora das grandes fazendas e de inúmeros privilégios e monopólios), mas o ónus recaía sobre os administrativos e sobre os colonos. Eram os administrativos que tinham que cumprir as ordens absurdas e iníquas, era sobre eles que recaíam todas as acrimónias das injustiças praticadas. Mas as mais valias económicas e financeiras deste mau proceder ficavam para os oligas. Que nunca deram a cara. Até na independência ficaram “assobiando para o lado”.
A parte pior do contrato sobrou para o Chefe do Posto. Dizia-se que alguns recebiam comissão por cada “contratado” que conseguissem arranjar para S.Tomé, para as fazendas do litoral de Angola, para as fazendas de café no sub-planalto, ou para as pescarias. Os donos da maioria das fazendas viviam em Lisboa, em um execrável absentismo mas com um total poder de decisão.
Corria por Angola a fama de que os administrativos da Baixa de Cassanje e da Lunda recebiam um segundo salário pago pelas ANG`s Cotonang e Diamang. Mas a figura principal, em todo este negócio, era o angariador de pessoal, detestado pela população, já por estar a esvaziar demograficamente a região,o que prejudicava a produção e consequente comércio no interior, já pelo tipo de transacção, já por alardear fartura de dinheiro aliás uma pecha típica dos portugueses quando ganham dinheiro fácil.
Como se pode classificar a actuação do Quadro Administrativo, sem cair em excessos de linguagem ou em maniqueísmos? Depois de 1974, em Portugal, não se procura a verdade, ou melhor, as verdades. Apenas o que é politicamente correcto e que não vá pôr em xeque “as conquistas do 25 de Abril”.Para ocultar o passado nada como manter, através de uma imprensa controlada e ignorante, as consagradas “verdades” definitivas e oficiais.
Angola começou a pulsar como nação, infelizmente governada superior e politicamente por um absentismo colonialista, a partir de 1920, no início do segundo consulado de Norton de Matos, com a instituição do Quadro Administrativo. Foram eles, os Administradores, os Secretários e os Chefes do Posto (estes designados, a partir de 1961, por Administradores de Posto), que instituiram o poder em Angola, foram eles que desarmaram a população, foram eles que incentivaram a agricultura de subsistência, foram eles que garantiram a paz em Angola, um bem que lá não existia desde tempos imemoriais, Foram eles que estabeleceram as fronteiras nacionais e entre províncias, foram eles que dirigiram a construção das primeiras estradas, foram eles que garantiram a circulação de pessoas e bens, por todo o país, foram eles que apoiaram fortemente as acções tendentes a erradicar ou atenuar as seculares doenças , foram eles que incentivaram e protegeram a agricultura tradicional, punindo extorsões ou roubos,foram eles que tornaram possível o entendimento entre povos diferentes.
Infelizmente houve injustiças e até alguns actos de brutalidade, que se repercutiriam até aos dias da independência, e que ficaram com o maior peso, porque foram aproveitados para as sementes da discórdia e separação. As poucas acções negativas do Quadro Administrativo, de muito menor volume do que as acções positivas, ficaram com muito maior peso para a posteridade. E para a história recente. Terão que passar muitas décadas até se reconhecer, também, o papel positivo dos administrativos. A actual Angola, nação consolidada una e próspera, não teria sido possível sem o braço vigoroso do Quadro Administrativo nos seus primórdios.
Em mais de meio século, porque a colonização só começou na década de 20, os colonos conseguiram implantar e transformar Angola nos seguintes pontos:
1.-População sem armas e portanto sem violência. Um latrocínio (assassinato para roubar) era severamente punido. Instalou-se um clima de paz e de trabalho, visíveis em poucos anos: a colónia passou a ter desafogo económico ou, para ser mais moderno nas palavras, adquiriu uma situação de sustentabilidade. A fome, com presença constante em séculos anteriores, passou a ser apenas uma má recordação.
2.-Erradicação das terríveis doenças que faziam de Angola uma das piores regiões do mundo. Há historiadores modernos que apoucam o incontestável sucesso da supressão das doenças mortíferas argumentando que”fizeram isso porque queriam trabalhadores sãos para as roças e fazendas”. É provável que isso tenha passado pela cabeça de algum governante alinhado com alguns africanistas de Lisboa. Mas o espírito em Angola, nos médicos, nos enfermeiros e em todas as pessoas que contribuiram para o enorme sucesso da erradicação de quase todas as doenças tropicais, e não só, nunca foi esse. O objectivo dos agentes de saúde em Angola, e eu conheci muitos e muitos, nunca foi o de “contribuir para a saúde dos trabalhadores das fazendas”. Foi unicamente o de orgulho profissional, de competência,de brio de generosidade e de honradez. Ninguém gosta de viver em uma terra cercado de doenças e miséria. Ninguém gosta de viajar “com os vidros fechados” numa terra de calor.
O quadro de saúde em Angola deixou um rasto de sucessos devido à abnegação, ao entusiasmo e altruísmo dos seus elementos. Podemos aqui citar grandes médicos, não só no sentido académico, mas especialmente no sentido humano. O Dr.João Pessoa, que morreu quase na miséria em Nova Lisboa, o Dr. Pinto da Fonseca, que mesmo canceroso, continuou a dirigir as brigadas da “Doença do Sono”, o Dr.Garcez Palha que gostava da profissão e que não tinha horários, o Dr.Ricou empenhado em erradicar a lepra,o dr.Strangway da Chissamba, os drs Parsons, pai e filho da Missão do Bongo etc. E, também, grandes enfermeiros, “verdadeiros médicos” quando não os havia nos bicanjos longínquos (interior), que chegaram a fazer milagres. Eles actuavam, porque gostavam da profissão, eram competentes e ambicionavam melhorar o terrível quadro clínico que existia em Angola. E conseguiram-no. Conheci enfermeiros que se deslocavam de bicicleta pessoal, paga do seu bolso, em percursos longos e difíceis, só para vacinarem populações isoladas.
3.-Um orçamento geral equilibrado, em que tudo era pago dentro dos prazos e não havia lugar para desvios de dinheiro e, muito menos, para falcatruas. Todos pagavam os impostos justos em tempo devido. Havia uma confiabilidade mútua nos negócios.
4.-Um sistema de produção e comercialização de alimentos, que tornaram o país auto sustentado. Os excedentes, cada vez maiores, eram exportados. Produção quase toda feita pelos africanos. Em todos os pontos de Angola encontravam-se os artigos de primeira necessidade, baratos e cujos preços não sofriam inflação: pão, peixe seco e em conserva, enlatados de peixe e carne, farinhas de bombó e milho, sal, azeite dem-dem, feijão, fósforos, petróleo, sabão, tintura de iodo, tintura de mercuro-cromo, creolina, resoquina e outros anti-palúdicos, aspirina, sulfamidas, bananas, cambriquites (cobertores), D.D.T. (chamado pó mata-piolhos) etc. E não eram provenientes de doações de países estrangeiros. Eram produzidos em Angola e adquiridos através do trabalho honrado dos angolanos.
Nenhum angolano estava à espera de receber doações.Nas transacções comerciais não havia intermediários ( comissários ou parceiros) parasitas. O sistema de produção de alimentos foi instituido por Norton de Matos, governador geral de Angola em 1912/1914. O país produzia em 1973 mais de 40 artigos comerciáveis, quase todos produzidos pelos camponeses africanos, ostentando uma balança comercial invejável ou, usando novamente os jargões de hoje, uma economia sustentável. Infelizmente o colonialismo metropolitano aproveitou-se das divisas relativas às exportações e mantinha os africanos, por regra, sob salários vergonhosamente baixos.
Durante a guerra de 1939-1945 houve casos escandalosos de apropriação das divisas de Angola feitas pelos colonialistas da Metrópole. Estes chegavam a ter lucros escandalosos até nos próprios transportes marítimos monopolisados! As tarifas nos barcos belgas, franceses e ingleses eram mais baratas do que nos transportes portugueses. Mas era obrigatória a utilização destes últimos!
A agricultura em Angola era difícil devida a vários factores: solos pobres, facilmente erosionáveis, pragas violentas especialmente quando se agricultavam grandes áreas contínuas, transportes deficientes, escasso poder de compra por ausência de moeda-uma manobra cavilosa dos governos de Lisboa- , ausência de crédito agrícola, doenças no pouco gado de tracção, etc.
Os solos eram pouco férteis, mas qual a explicação para o facto de a produção nativa encher todos os silos, ao longo das ferrovias e também ao longo das estradas ? A resposta tem várias componentes. Era essencialmente, uma agricultura de subsistência, tradicional, sustentável, itinerante, apoiada pelos orgâos oficiais, financiada pelos comerciantes ( com todos os atropelos que lhes são, a maioria das vezes sem razão, imputados), supervisionada pelas autoridades. Fazia-se dentro de uma economia fora de todos os parâmetros ocidentais ( capital, juros, taxa de retorno, amortizações etc. ), era uma agricultura livre ( uma das poucas liberdades que os camponeses angolanos usufruiram). O sucesso da produção nativa apoiava-se em cinco cês: camponeses, comerciantes, chefes do posto, camionistas e capatazes agrícolas dos serviços oficiais.
Era uma agricultura de subsistência porque garantia aos camponeses as condições mínimas de alimentação e aquisição de bens primários. As fubas de mandioca e milho, o feijão, a batata doce, o arroz, juntamente com peixe seco do litoral ( muito barato) ou alguma carne que compravam ,ou obtinham da caça, complementados com azeite de palma, eram a base da alimentaçã. O excedente era trocado por comida (o pão era vulgar) roupa e outros artigos, nas lojas dos comerciantes do mato ou na cidade, se estivessem próximas. As sementes eram distribuídas pelos orgãos oficiais, Junta dos Cereais ou Serviços de Agricultura e Florestas que também ofereciam ajuda técnica. Eram os únicos subsídios do Estado, mas não eram em dinheiro. Nada de subsídios!
As sementes recebiam um corante, que os orgãos que as distribuíam diziam ser venenoso, a fim de evitar que fossem utilizadas na alimentação. Os serviços oficiais faziam qualquer desinfecção, se fossse necessário, e combatiam as pragas muito frequentes. Muitas vezes os comerciantes vendiam sementes, às vezes ofereciam-nas, e comprometiam-se a comprar as produções, foi assim que se difundiram, rapidamente, culturas de outros géneros. Géneros exóticos como por exemplo os morangos (aos milhares) grão de bico, produtos hortícolas, até espargos, frutas de clima temperado, etc.

Fig1 - Silos de milho na Caála. Esta cidade de invulgar vigor económico, apesar de não ser capital de distrito e situar-se muito próximo de Nova Lisboa (Huambo), era conhecida pelo epíteto de “Rainha do milho”.Um engenheiro húngaro, que conheci no Brasil, e que tinha trabalhado em Angola logo após a independência, perguntou-me, espantado, se os silos que bordejavam as estações do Caminho de Ferro de Benguela eram só para propaganda ( influência do regime comunista que vigorou na Hungria e que ele abominava do mais fundo da sua alma! ), ou se realmente ficavam repletos. Eu confirmei: ficavam repletos e nos lados restavam milhares de sacos, por excesso de produção. Era necessário construirem-se mais silos. Então, por que é que os europeus não tinham sucesso com a agricultura ? O húngaro baseava-se nos, já evidentes, insucessos dos cooperantes estrangeiros ao pretenderem implantar uma agricultura soviética. Estes cooperantes agrícolas estavam convencidos de que os solos negros de Angola eram “ Tchernozions”. Estes solos, que existem na Ucrânia, são os mais ricos do mundo.Os africanos tinham sucesso porque acumulavam séculos de experiência, uma sabedoria empírica que funcionava.

Como escreveu Isabel Castro (115) «... comerciantes, esses intermediários que dão valor ao que se produz, qualquer que seja a natureza dos bens propostos».
A propósito, o insuspeito geógrafo santomense, já falecido, Francisco Tenreiro, em 1962 escreveu, citado por Orlando Ribeiro(182) «Certamente como colono lançado pelo interior das savanas e anharas o português trouxe, como portador de civilização em expansão, muita perturbação às estruturas tradicionais nativas, o que sempre se dá quando lado a lado estão culturas diferentes, mas também transplantou elementos que revigoraram as mesma estruturas no campo da vida material ou económica, sistemas e princípios revolucionários àquelas latitudes. O tudo traduziu-se num enriquecimento do património agrário pela introdução de plantas que, se indiscutivelmente não erradicaram por completo a fome congénita daquelas civilizações, a atenuaram consideravelmente: lembro-me do milho americano, da mandioca, da jinguba e tantos outros produtos presentes, hoje, por toda a parte, na dieta fundamental dos africanos negros; instrumentos agrários, nem sempre utilizados com sabedoria, mas que promovem, quando aplicados devidamente, uma melhoria dos rendimentos da terra, como o uso da charrua ou até simplesmente da enxada e pás de cabo comprido; estimulou a utilização dos estrumes transformando uma agricultura ausente de gado em sistemas agrários mistos, etc. A outro nível, levou uma religião ecuménica- o cristianismo-, um sentido de unidade política e uma língua veicular- e se todos estes elementos não se encontram ainda hoje profundamente radicados nas estruturas nativas, permitem, no entanto, num mundo diverso física e humanamente, um certo caminhar em comum, um certo sentido colectivo, acentuado ainda por um ensino rudimentar e por uma salubridade que começa a dar os seus frutos. Acrescente-se a isto uma forma de viver que tende para a harmonia entre os homens que, embora de quando em quando submetida a desvios perigosos, não deixou de constituir até hoje um revelação original. Em síntese: o corpo de Angola existe porque existem portugueses- pretos e brancos».
Era uma agricultura itinerante e tradicional porque, como já se apontou, os solos eram pouco férteis e frágeis. Mais de três anos de culturas tornavam o solo infértil e obrigavam a ir cultivar outras áreas virgens ou áreas com muitos anos de pousio. Isso explica a grande transitoriedade dos povoados nativos, um dos motivos por que as suas casas não eram de construção definitiva, que utiliza pedra, tijolo e outros materiais mais duráveis. Por isso a grande complexidade da questão fundiária em Angola, em que os terrenos pareciam que não eram de ninguém, mas que eram reclamados quando alguém os pretendia utilizar. Uma agricultura itinerante precisa de todas as terras, nunca se sabe onde se vai abrir “ uma lavra”.
Os africanos sabiam, por experiência secular, quando uma terra já podia receber culturas. Um outro motivo desta agricultura itinerante era o de não se poderem estrumar as terras, aumentando-lhes a fertilidade, devido à falta de transportes com gado cavalar, asinino e bovino.
Mesmo quando tinham gado bovino, que sobrevivia às doenças, não se aproveitavam os estrumes porque os bois não eram estabulados de acordo com as práticas agrícolas sequentes. E não havia tradição no manejo de gado de tracção, embora já muitos camponeses lidassem, e bem, com esta melhoria.
A economia da agricultura itinerante sai fora da percepção capitalista, e muito especialmente, da desastrada economia dirigida que vigorou no império soviético e que foi implantada em Angola nos primórdios da independência. O capitalismo arroga-se o direito de entender que, fora do âmbito da competição e do lucro, ninguém pode sobreviver. Esta economia africana não visava o lucro e muito menos tinha contabilidade, era um trabalho de formiguinhas laboriosas, que enchiam os silos grão a grão, pouco se importando com o rendimento por hectare, com o capital investido ( era só o trabalho manual), com a taxa de retorno, com a amortização e com toda uma parafernália de termos que conduzem, regra geral, a uma febre de subsídios e concomitante falência, que depois o estado subsidia, ou melhor, distribui dinheiro sem controle. Eu gostaria de ver um agricultor europeu, que vive apoiado no estado, a produzir cereais em Angola, sem subsídios directos (dinheiro), como faziam os angolanos.
E sobretudo era uma agricultura sustentada. Os camponeses africanos, ao contrário do que se pensava e escrevia durante os primeiros tempos da presença europeia, tinham tecnologia, experiência, bom senso e sensibilidade para os problemas agrícolas, como foi observado por Livingstone, Cameron, Serpa Pinto, Capelo, Ivens, Artur de Paiva, Henrique de Carvalho, Paiva Couceiro e, especialmente, Norton de Matos, nos fins do século 19 e princípios do século 20. E por muitos agrónomos, nos tempos seguintes, quando adquiriam experiência local.
Raramente eu vi um insucesso entre estes camponeses. Discretos, como formiguinhas, não exigiam subsídios, não contraíam empréstimos, não exigiam indemnizações quando a natureza era adversa, não faziam manifestações, não culpavam o estado pelos insucessos, mas enchiam os silos e aumentavam as produções de ano para ano. E ainda alguns africanistas comentavam que “eles não gostam de trabalhar”. Em produção de alimentos Angola ocupava um lugar de destaque em África. Produzia para comer e exportava os excedentes. Nos finais dos anos 60, antes do grande desenvolvimento que caracterizou o Tempo Extra (1961- 1974) a colónia produziu, para exportação, 87 217 toneladas de café robusta ( 15% da produção africana), 58 571 toneladas de sisal, 117 116 toneladas de milho, 13 004 toneladas de óleo de palma, 11 789 toneladas de feijão, 3 846 toneladas de arroz além de bananas, laranjas, abacaxi, batata, mandioca, batata doce e outros géneros, muitos e muito géneros, alguns bem exóticos. Em anexo( no livro) apresentam-se números de produção, em cotejo com a África tropical.São números que confirmam o que escrevemos.
Bastava apenas um comerciante do mato fornecer as sementes, e comprometer-se na compra, e os resultados apareciam. Os comerciantes do mato davam valor a tudo o que se produzisse. Compravam todos os géneros, alguns com pouco interesse. O Bié, por exemplo, era farto de morangos, fruta pinha, nêsperas, goiabas, mangas,bananas, citrinos e produtos hortícolas introduzidos pelos comerciantes do mato. Quando as estradas já estavam asfaltadas os camponeses vendiam frutas e produtos hortícolas ao longo das estradas, um interessante comércio que estava tendo um crescimento exponencial e que iria originar a instituição de futuras feiras tradicionais e, até, ao aparecimento de novas cidades.
Em Fevereiro de 1953 em conferência no Palácio da Bolsa no Porto Marcelo Caetano, um dos ideólogos das doutrinas coloniais e colonialistas, desenvolveu o tema “O nativo como produtor”. A respeito eis o que disseram os jornais:
“Enumerou os principais géneros cultivados uns para consumo, outros para exportação, e deteve-se no estudo das características da agricultura angolana feita em pequenas lavras dispersas, que mudam de ano para ano de lugar (cultura divagante) com muita técnica primitiva, quase sem alfaias, trabalhada sobretudo pelas mulheres emquanto os homens permanecem ociosos. Não admira, pois, que a agricultura africana produza relativamente pouco e de má qualidade.
Mas se o ruralato indígena prende muitos braços para atingir um resultado medíocre, não será preferível aproveitar antes os pretos como assalariados das empresas europeias ? O problema é muito complexo e não pode apenas atender-se ao seu aspecto económico. Mas, sem dúvida, uma parte da população indígena tem de participar na produção, fornecendo trabalhadores de conta doutrem, enquadrados por europeus.”
Antes de mais, uma observação ao termo divagante que caracteriza um acto sem rumo certo ou sem objectivos, mais ao sabor do acaso. Não era assim a agricultura tradicional dos africanos. Já mencionámos que era uma agricultura itinerante, que seguia um planeamento baseado na experiência. Os solos, especialmente os do planalto central, perdiam a sua pouca fertilidade ao fim de 3 ou 4 colheitas e havia necessidade de os deixar em pousio. Escolhiam-se outros locais e a faina agrícola lá prosseguia. Os rendimentos, segundo a óptica capitalista não eram bons, mas era com eles que Angola exportava milho e muitos outros géneros. Foi com a tal “divagante e com muita técnica primitiva” e “relativamente pouco e de má qualidade” que Portugal se alimentou de milho, feijão e açucar, principalmente, durante a segunda guerra mundial. Interessante a maneira capciosa como se defende o contrato: « Mas, sem dúvida, uma parte da população indígena tem de participar na produção, fornecendo trabalhadores de conta doutrem, enquadrados por europeus.»

Fig 2- Nos últimos anos da monarquia e durante os 16 anos da 1ª República os governos de Lisboa olharam Angola sob uma optica de melhoria das condições de vida dos africanos. Floresceram em Luanda, Benguela, Golungo-Alto, Ambaca, Pungo Andongo e Caconda burguesias africanas ocidentalizadas e alfabetizadas, um contraste com a Metrópole.Isto já tinha provocado o espanto, em 1854, de David Livingstone, quando passou por Angola. Um dos angolanos de referência foi Luiz Sambo autodidata e sempre empenhado em obras de ajuda e cooperação com os angolanos. Na figura uma escola por ele dirigida e patrocinada pelo rei D.Carlos.

É bom frisar que a maioria dos colonos não tinha fazendas mas apenas “chitacas”. Uma loja era sempre necessária para suporte financeiro das chitacas que, normalmente, davam prejuízos.Eram muitas e desconhecidas as doenças que atacavam, especialmente, as espécies exóticas.
Os chefes do posto garantiam a segurança, reprimindo os roubos ou extorsões. Se não fosse a sua autoridade, infelizmente com alguns excessos, nunca teria sido possível instituir uma agricultura tão sustentável.
O sistema da produção de géneros alimentícios, já consolidado e em vias de sofrer uma segunda transformação com a introdução de pequena mecanização e tecnologias intermédias, recebeu em 1977, já com Angola independente, uma primeira cacetada com uma infeliz frase de Agostinho Neto:
«O camponês tem, em si, um gérmen de capitalista. O sonho de um camponês qual é? É ter uma grande propriedade ... para ter lucros. E o seu lucro aumenta à custa dos trabalhadores que ele assalariou. É um explorador». Discurso de Agostinho Neto em 1977, citado em “A indústria.em tempo de guerra (Angola 1975-91)” de Manuel Ennes Ferreira.
5.-Havia uma pacífica convivência entre os diversas povos que constituem a nação angolana. Comparável à que existia na antiga Jugoslávia, no tempo do marechal Tito. Se não fossem as barreiras impostas, subreptíciamente, por Lisboa, a convivência teria sido melhor, entre a comunidade europeia e a africana. Se deixassem trabalhar a natureza (miscigenação e aculturação), o resultado teria sido menos desastroso.
6.-Um sistema de ensino adaptado ao país. Vale repetir que este sistema, infelizmente, só foi adoptado no Tempo Extra, ou seja a partir de 1961. Os professores recebiam, dentro dos prazos, o respectivo salário. Era impressionante verificar-se a avidez dos africanos pelo ensino e cultura. Era raro um africano abandonar os estudos.
7.-Uma rede de estradas invejável, até em países do primeiro mundo. Voltamos a repetir que, infelizmente, só apareceu no Tempo Extra(1961-1974), mas isso não lhe tira o mérito. Todas as cidades estavam ligadas por estradas asfaltadas. Em 1973 Angola dispunha de mais de 8000 km de estradas pavimentadas. Vale ressaltar aqui a excelência da JAEA (Junta Autónoma de Estradas de Angola).


Fig 3 - Os lacetes da Leba. Um “ataque” à Escarpa Atlântica” no sul de Angola. Como já frisámos, em ensaios anteriores, o sistema orográfico do país é concordante com a linha litoral e atinge os 2000 m a escassos 200 km do mar. Por tal motivo Angola era quase inexpugnável. Esta estrada é um exemplo geográfico da tenacidade dos colonos e da excelência da engenharia angolana. Esta subida,infelizmente só concretizada nos anos 60, foi sempre uma velha aspiração dos colonos.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (2)

Fig 4 Uma vista geral da subida da Leba: é notória a grandiosidade da estrada e da paisagem..

8.-Os recursos naturais estavam bem preservados, em muitos aspectos até demais. Nos diamantes exagerou-se em não querer mexer, mas isto é outra conversa abordada em ensaios anteriores. Por exemplo no aspecto florestal Angola estava bem encaminhada, tudo estava regulamentado, não havia lugar para depredações, como sucede actual e infelizmente. Era um a estabilização do deserto no sudoeste do país. A conservação do solo era uma realidade, era uma preocupação quotidiana dos respectivos orgãos oficiais.
9.- Parques naturais-A colonização portuguesa protegeu 64 650 km2 de parques nacionais, 93 450 km2 de reservas naturais e 18 050 km2 de reservas florestais. Estes parques, reservas naturais e florestais estavam perfeitamente definidos e eficientemente policiados. Todas as cidades eram rodeadas de perímetros florestais destinados a cortar ventos e secar pântanos, além de proporcionarem remanejamento de massa seca para lenhas.
O maior consumo energético era feito pelos africanos através da lenha. Isto iria acarretar, à medida que as cidades crescessem, uma rarefação do combustível doméstico dos africanos. Planeava-se o fabrico em Angola de fogões “Primus” e candeiros tipo “Petromax” para evitar o desbaste da flora natural.
Contavam-se por milhares as palancas pretas (únicos exemplares no Mundo) no Parque do Luando. Havia grandes mamíferos (elefantes, rinos, hipopótamos e pacaças (búfalos) a 50 km de Luanda. Os rios de Angola estavam povoados de crocodilos e hipopótamos.
10.-Uma frota pesqueira, constituida por milhares de pequenos pescadores, que contribuía para a preponderância de Angola nas exportações de pescado. A industria de enlatados de peixe era uma bela realidade. Como já era realidade o peixe congelado. A farinha de peixe era um dos maiores produtos de exportação. O peixe seco e o de meia-cura foram um notável contributo para a alimentação dos angolanos. Além das proteínas, o peixe do mar (ombisse) reduziu o bócio para níveis insignificantes, devido à presença de iodo. Infelizmente nesta área poderia ter-se feito mais se tivesse havido crédito bonificado. Lisboa nunca quis que em Angola se instalasse uma postura atlântica, virada para o mar, é sintomático que, no século 20, só tenha surgido uma única cidade litorânea o Lobito. Portugal, um pioneiro na navegação de longo curso, e depositário de uma cultura marítima mundial, não deixou qualquer escola de ciência dos mares em Angola. Nem sequer uma mentalidade atlântica.A pesca desenvolveu-se por particulares.A orla marítima esteve, sempre, abandonada pelos governantes de Lisboa.
Fig 5 Lobito o melhor porto da África Ocidental em 1973. Era o pivot de toda a importação e exportação de mais de metade de Angola e das regiões, na altura integradas em colónias da Bélgica e Inglaterra, Katanga e Rodésia do Sul. A cidade fundada em 1903 destinou-se a ser o términus do Caminho de Ferro de Benguela. É uma língua de areia (restinga) originada pelos sedimentos dos rios Catumbela e Cavaco, pelas calemas e pela Corrente Fria de Benguela. Era motivo de comentários irónicos, entre os angolanos, devido ao seu elevado requinte civilizacional .Lobito era a porta de entrada da modernidade.Nota-se o eficiente sistema de ampliação da restinga empreendida pelo LNEC de Lisboa nos anos 70, com colaboração do LEA de Angola que os brasileiros denominavam de LNEQUINHO, por ser também excelente nos trabalhos que fazia.

Fig 6 A vermelho o percurso do Caminho de Ferro de Benguela com 1349 km desde o Lobito até à fronteira leste em Teixeira de Sousa(actual Léua).Nesta vila ligava-se com a Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e com o Katanga (actual Shaba pertencente à República Popular do Congo). E, depois, com todo o sul de África, incluindo Moçambique e África do Sul.. O traçado implantou-se na Culminação Transversal de Angola uma linha de cumeada que separa os rios do norte dos do sul, excepto o rio Cuanza como já foi descrito em um nosso anterior ensaio.

Fig 7 Oficinas Gerais do Caminho de Ferro de Benguela em Nova Lisboa (actual Huambo). A ferrovia drenava minérios do Katanga e da Zâmbia. Os comboios com minérios, nocturnos, sucediam-se uns aos outros, num afã de acordo com o lema colonial “o tempo urge”. Como qualquer peça das máquinas a vapor demorava muito tempo até chegar a Angola, logo nos primórdios (1910) a administração inglesa instalou as Oficinas Gerais, uma verdadeira fábrica. Nos anos 60, quando os comboios a vapor começavam a desaparecer estas Oficinas fabricavam peças de material circulante para todo o mundo. Embora a mentalidade do CFB até 1961 fosse anglo-saxónica com separação etnica, é justo destacar a primorosa administração desta companhia, onde tudo funcionava e onde tudo era cumprido, rigorosamente.Neste ultimo aspecto um grande exemplo,até para os tempos presentes.Os lucros desta empresa eram normais porque predominava já, naquela altura, o tripé- lucro, social e ambiental.

11 -Um cadastro de terras organizado e uma cartografia excelente. A carta aerofotogramétrica, na escala 1/100 000 e constituída por 484 folhas, era um dos bons instrumentos para o desenvolvimento do país. Em geodesia Angola estava toda triangulada. Estava montado um cadastro que, facilmente, ajudaria a uma distribuição de terras pelos camponeses. A propósito, repetimos, quando é que os angolanos terão direitos a serem donos “jure et facto” (de direito e de facto) das suas terras?
12.-Ética nas actividades comerciais e no dia a dia das populações. Quase toda a gente, apesar dos salários serem baixos, saldava os seus débitos. A taxa de letras protestadas era menor do que 5%.
13.-Meteorologia eficiente, cobrindo todo o país, com dados completos de 20 anos, ou mais (até 1973) , em todas as capitais de distrito. Se as observações não tivessem sido abandonadas hoje Angola disporia de dados meteorológicos fiáveis, com mais de 30 anos, uma ferramenta imprescíndivel em hidrologia. Com dados de 30 anos é possível obterem-se equações de chuvas, por exemplo. Mas, ainda hoje, os dados daquele tempo, absolutamente confiáveis, são de uma evidente utilidade. A partir de 1961 foi estabelecida uma rede de hidrometria; em 1974 já se dispunha de valiosos dados sobre os caudais dos rios.
14.- Laços familiares. Apesar das actuações menos felizes (os famigerados contratos) que caracterizaram o colonialismo, ainda se mantinham as bases e raízes africanas. O “quimbo” era o último refugio de um sèculo (ancião), era a sua “segurança social”.

Fig 8 – Ocupação portuguesa (em róseo) em Angola em 1905, segundo René Pélissier (História das Campanhas de Angola-Imprensa Universitária, Editorial Estampa Lisboa 1986).Só havia 2 cidades (Luanda e Benguela). Moçâmedes foi promovida a cidade em 1907, Lubango em 1923 , Malange em 1933 e Belmonte (Silva Porto, actual Cuito) em 1935. Luanda foi fundada em 1575 e Benguela em 1617.

15.-Farmácias eficientes e sérias. Os medicamentos fornecidos pelo estado eram gratuitos, genéricos e absolutamente confiáveis. Como confiáveis eram a alimentação e a água, em qualquer parte de Angola. Luanda tinha a melhor água dentre as cidades da África ocidental. A água em garrafas não fazia parte do quotidiano luandense, bebia-se, com confiança, água da torneira. Que o povo chamava de “UísqueDucano”.
16.-Parques industriais interessantes e numa explosiva expansão.Angola fabricava quase todos os artigos que eram consumidos pela sua população, como por exemplo tijolos, telhas, cobertores (cambriquites), tecidos, sapatos, pneus, fósforos, óleos comestíveis, farinhas, tubos, bicicletas etc. Nos últimos anos a taxa de crescimento industrial chegou a atingir 22% ao ano. Eram indústrias, mesmo, e não artigos industriais vindos em contentores, às vezes de países distantes, onde se pratica ainda uma semi-escravatura apoiada em degredados. Em 1944 a Lupral em Benguela já fabricava tubos para saneamento, chapas de aço, e diversos artigos de serralharia (pregos, parafusos, fechaduras etc.). Eram indústrias dirigidas por engenheiros que se preocupavam com a produção.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (3)

17.-Aglomerados populacionais com boa qualidade de vida. De três cidades e meia dúzia de vilas em 1920 Angola tinha em 1974 mais de 30 cidades, centenas de vilas e milhares de povoações. Todos os anos duas vilas eram promovidas a cidades. Hoje haveria, pelo menos, mais 60 novas cidades. Uma cidade tinha que obedecer aos seguintes requisitos: ter, pelo menos dois bons hoteis, água tratada e electricidade, colégio do ensino liceal ou técnico, hospital, ruas pavimentadas, repartição de finanças e foral.
Angola tinha uma interessante cobertura de hoteis e pensões de cariz europeu. Um engenheiro inglês, que conheci em 1974, afirmou-me que ficou surpreendido com os restaurantes e pastelarias existentes em Angola, não só pela qualidade como pelos preços praticados.


Fig 9 Os transportes foram um dos principais factores limitantes ao progresso de Angola. Paiva Couceiro(1907-1909), o governador mais esclarecido que passou em Angola, empreendeu esforços denodados para melhorá-los. Em 1908 tentou a locomóvel, um tractor a vapor puxando 2 vagões. Isto funcionou, muito precariamente, entre Lucala (onde já chegava a ferrovia) e Malanje. Durou pouco tempo porque o automóvel já se estava impondo no mundo. Apesar disso as locomóveis foram muito uteis porque foram aproveitaas para geração de energia electrica quando ligadas a um gerador. O combustível era a lenha, seria hoje uma energia de biomassa..


Fig 10 Abertura de uma estrada em 1908. O automóvel já se estava espalhando por todo o mundo. Em breve Angola começaria a ser inundada com o célebre automóvel Ford T. A Escarpa Atlântica foi um sério obstáculo à subida para os planaltos.

Havia toda uma herança colonial utilizável e que foi liminarmente destruída, em nome de uma ideologia marxista que só durou 15 anos. Se em Portugal tivesse prevalecido a teoria da “destruição criadora”!!!, logo após o 25 de Abril, o país teria hoje, apenas, meia dúzia de barragens, ao invés de mais de uma centena. Porque na construção das barragens em Portugal também se verificou exploração de mão de obra e houve extorsões de terras sem a devida compensação. A maior parte das barragens foi construida no regime salazarista. Em todas elas ainda lá estão as placas comemorativas da inauguração.
Quem inventou a teoria da ”destruição criadora”, implantada em Angola, de certeza que nunca pegou numa parker(passe a propaganda) de 9 libras. Angola não se fez de um dia para o outro. Como foi explanado, ao longo destas mucandas, a vida em Angola em 1974 era dura, mas muito agradável se a compararmos com o início de século 20 em que ainda não havia estradas e as doenças eram uma constante no dia a dia. A Angola de 1974 era o culminar de um esforço gigantesco de milhões de pessoas, europeus e africanos. Era todo um passado aproveitável.
Vale a pena referir aqui o exemplo da Alemanha. A prestigiada marca Volkswagen nasceu sob a inspiração de Hitler. Este ditador resolveu que todos os alemães iriam desfrutar da utilidade e do prazer de possuir um automóvel. Projectou-se um carro popular que atendia aos desejos de Hitler. Dizia-se que ele tinha dado muitas sugestões. Era o célebre carochinha ou fusquinha no Brasil, um dos carros mais populares na história do automóvel. Com um motor original arrefecido com turbina de ar. O primeiro carro apareceu em 1936 e logo começaram a sair aos milhares. A partir de 1938 apareceu um outro modelo, com um desenho menos aerodinâmico mas mais robusto. Era uma espécie de jipe que foi utilizado na guerra que eclodiu pouco depois em 1939. Assinale-se, como curiosidade, que o motor arrefecido a ar estava adaptado à guerra no deserto. Uma novidade premonitória.
Depois da Guerra Mundial (1939/1945), em que a Alemanha ficou quase toda destruída, a fábrica Volkswagem voltou a laborar em poucos anos. Em 1953 já em Angola rodavam os primeiros carros Volkswagen perante a estupefacção das pessoas. Estupefacção dupla, não só pelo pequeno e estranho automóvel diferente dos carrões americanos Ford e Chevrolet, glutões em consumo, como também pela recuperação da Alemanha. Esta em 8 anos, depois de uma tremenda guerra destruidora, já apresentava carros robustos, económicos e baratos.
Os automóveis Mercedes, ainda com as linhas características do tempo da guerra, começaram, também, a aparecer no pequeno mercado angolano em 1947. Em pequeníssima quantidade, diferente do que hoje se verifica. Os alemães, depois de uma guerra destruidora, aproveitando as tecnologias e os recursos humanos que “sobraram” da carnificina anterior, logo recomeçaram as suas vidas. Mas aproveitaram o que de bom existia no medonho regime anterior.
O mesmo se passou com os japoneses. A fábrica imperial Mitsubishi, que fabricou aviões para a máquina de guerra japonesa, de imediato recomeçou a sua actividade, agora dirigida ao bem estar dos japoneses e aos tempos de paz.
Mal iriam estes países se não aproveitassem os aspectos positivos dos dois sistemas totalitários que existiram durante a década de 30 e metade da década de 40. Não se destroe o que várias gerações demoraram a fazer, não interessa qual o regime que vigorou. O que é bom tem que ser aproveitado, não interessa quem o mandou fazer. Como disse Deng Xiao Ping “não interessa a côr do gato, interessa é que cace ratos”.
A Espanha passou por uma terrível guerra civil de 1936 a 1939, em que morreram milhões de cidadãos.. Grande parte das cidades espanholas ficou arrasada mas a reconstrução foi iniciada no dia seguinte ao fim das hostilidades. A Espanha estava pobre, com deficite de população e não tinha qualquer suporte económico. Mas não recebeu ajuda externa de qualquer espécie. Em Espanha era notória a vergonha deles quando os estrangeiros deparavam com quaisquer ruínas da guerra. Respeitando os mortos, dir-se-ia que a guerra foi um catalisador de desenvolvimento. Mas foram os espanhois que reconstruiram o país. Não ficaram à espera de chineses ou outros quejandos. Nem ficaram à espera de doações. O mesmo se passou com a Coreia do Sul envolvida em uma guerra civil em 1950, hoje uma potência industrial.
Em 1900 as fronteiras de Angola não estavam definidas o país era um puzzle de micro nações, as mais díspares, com línguas diferentes provenientes de nove grandes grupos linguísticos: Bacongos, Ambundos ou Umbundos, Lundas-Quiocos, Ovimbundos, Ganguelas, Hereros, Nhanecas-Humbes, Ovambos e Xindongas.
Não acreditamos que se formaria a actual Angola se não tivesse prevalecido a presença portuguesa. Boa ou má, conforme cada um queira interpretar segundo o seu ponto de vista, a realidade foi que o nascimento da actual nação fez-se sob a égide portuguesa. E com a colaboração de milhares de portugueses. Em 1890 apenas existiam duas cidades, ambas de raiz portuguesa: Luanda e Benguela.. No interior não existia nenhuma cidade, existiam uma vila (Dondo) e um posto administrativo (Malanje). O distrito do Bié em 1900 não tinha nenhuma vila ou cidade moderna. Mas em 1970 o Bié já tinha 3 cidades e 5 vilas em vias de serem promovidas a cidades, além de mais de 200 povoações comerciais, embriões de futuras cidades.
18.-Em Angola repetiu-se o modo português: um território imenso mas que ficou unido, como um único país. E onde vai prevalecer uma única língua. Tony Hodjes(117) observou que« O português beneficiou do seu estatuto de única língua oficial e da promoção que dele fez o Governo pós-independência como um instrumento de unidade nacional. Tem sido o único veículo de instrução nas escolas e também a língua dos militares, partilhada por sucessivas gerações de recrutas. Actualmente, é comum encontrar jovens angolanos, sobretudo em Luanda, que não falam nenhuma língua africana – uma situação sem paralelo na África Subsariana».
São comuns as lamentações de alguns angolanos: “se tivéssemos sido colonizados pelos ingleses” ou “se os holandeses tivesssem continuado em Angola”ou “se nós falássemos inglês” tudo frases que nada adiantam. Os portugueses em Angola(1),ao contrário do que se proclama, encontraram um território cheio de adversidades, na orla marítima, de clima, na orografia, de doenças (talvez das regiões mais mortíferas do mundo), de solos e de obstruções metropolitanas. Mas estas dificuldades foram todas ultrapassadas. Nasceu um país moderno que não envergonhará, nunca, os colonos. Para provar isto, basta consultar os anexos, no fim deste livro.Os colonos portugueses, ao partirem para um indesejado exílio, deixaram para trás um país , devidamente estruturado e com doses grandes de optimismo em relação ao futuro.
Em Belmonte, anterior nome de Silva Porto em 1900, residiam dez europeus,(oito solteiros e um casal). Os povoados africanos, não lhes tirando o indiscutível valor humano e social, não tinham um cariz fixo.Os motivos disto já os explanámos nos capítulos anteriores: agricultura itinerante, devido ao rápido esgotamento do solo, constante temor das razias, feitas pelos escravistas e por povos aguerridos e salteadores, epidemias de varíola, morte de um rei, etc. Os povoados africanos não se coadunavam com a modernidade, não querendo, com isto,tirar-lhes o mérito que, indiscutivelmente, detêm. A transitoriedade dos povoados já foi aqui explicada em pormenor.
Era inevitável o choque da civilização africana com a modernidade. Se não fossem os portugueses, outros apareceriam, como sucede hoje com cidadãos estrangeiros que estão em Angola, agora sob a capa não mais de governos, mas de multinacionais. Os efeitos desta “nova invasão” serão conhecidos daqui a umas décadas.
As cidades em Angola foram feitas pelos europeus e para os europeizados. Dizia-se que os africanos eram avessos às casas de materiais duráveis. Houve muitos casos de total inadaptação. Mencionámos neste livro os motivos por que os camponeses africanos mudavam, regularmente, de casa. Era um tipo de civilização nómada. Conseguiria resistir à eclosão urbana ? Seguramente que não, basta verificar o aumento exponencial das cidades em toda a África. Em menos de 30 anos a África passou de 20% de população urbana para 70%. Em Angola o interior, que já tinha um densidade demográfica muito baixa, está vazio de população. Em 30 anos Angola deixou de ser rural para se tornar urbana, mas sem posssuir estruturas para isso. E as que havia, especialmente no interior, foram destruídas. As cidades do litoral, Luanda e Benguela, ficaram hiper saturadas, no limite de colapso urbano.O mesmo se passa no interior com algumas cidades.
Vamos usar o Bié como exemplo, porque seria cansativo citarmos todo o país. O Bié, situado na região central, tem 71 870 km² (Bélgica e Holanda totalizam 71 363 km²) de área, com uma população de 1 280 000 habitantes, com taxa demográfica de 17,8 hab/km². A província tem o feitio de um coração. . Dali sai o “sangue” do país: os grandes rios que levam vida para todas as direcções. O Bié é um nó hidrográfico.Infelizmente os rios estão a ser esventrados no garimpo descontrolado de diamantes. Eles estão a ser destruidos, sistematicamente, por milhares de garimpeiros e de exploradores de diamantes. Perante a passividade, incapacidade e, em alguns casos, com a cumplicidade de alguns governantes.
Em 1973 o Bié possuia 3 cidades Silva Porto (actual Cuito), Andulo e General Machado (Camacupa), 4 vilas Chinguar, Nova Sintra (Catabola), Chitembo e Nhareia, 25 postos administrativos e 199 povoações comerciais. Os postos administrativos eram: Belo Horizonte, Cachingues, Calucinga, Cambândua, Cangote, Cassumba, Chipeta, Chinhama, Chiuca, Cuanza, Cuemba, Cutato,Gamba, Luando, Lúbia, Malengue, Mumbué, Munhango,Mutumbo, Ringoma, Sande, Silva Porto Gare, Soma Cuanza, Trumba e Umpulo.Alguns deles já candidatos a cidades.
Aqui vai a lista das povoações comerciais, com o objectivo de “ficar para a história” e, especialmente, como recordação e homenagem aos seus ex-habitantes, e para aqueles que já perderam as esperanças de poderem voltar a ver aquelas terras: Alanda, Bando, Bingendo, Bingondo,Binuco, Bolúndua, Buanga, Buende, Bunja, Caar, Cachipa, Caiei, Caingula, Caioco, Caipupa, Caiuere, Calala, Calende, Caluímbe, Calumbe, Camamba, Camarinho, Cambanda, Cambonga, Cambuta, Camera, Camué, Camunda, Candimba, Candonga, Cangala, Cangengo, Cangorangolo, Caninguiri, Capanda, Capaua, Capeça, Capeio, Capera, Capolo, Capusso, Caria, Cariongo, Cassaculo, Cassumba, Cateia, Catenga, Catota, Catundo, Caueli, Cauende, Cavambi, Cavissanda, Cavita, Cavôco,Chicala, Chicanda, Chicava, Chiculungo, Chicumbe, Chicundo, Chilau, Chilengue, Chilesso, Chilonda, Chimane, Chimbalanca, Chimbamba, Chimbe, Chimbuio, Chindemba, Chimuco, Chindumba, Chingungo, Chinquala, Chintiango, Chiombo, Chissamba, Chissira, Chissito, Chissuata, Chitane, Chitau, Chiteque, Chiti, Chiuca, Chiuco, Chivaúlo, Chivinde, Chorinde, Cohungo, Conjo, Cossulo,Cuíva, Cunje, Cupache, Cuquema, Curi, Dandau, Dando, Deca, Dondeiro, Dumba, Ecovongo, Enhuangula, Gandavira, Gando, Gango, Gimbassilile, Golungo, Hamba, Honda, Hosse, Ielele, Imbocolo, Jamba, Langala, Liezuca, Liuema, Lonundo, Lumbungulo,Lutamo, Luvalo, Malengue, Matechalo, Meticha, Mingungo, Mitecha, Moacandala, Motechiundi, Mozele, Muandoge, Muanjimbo, Muculocoto, Mucungo, Mucunha, Mundengo, Mundijinho, Mungo, Munzeia, Muondo, Mupas, Mussive, Mutota, Nambua, Nbongo, Nedejiva, Nhama, Nhongo, Nhungo, Palanca, Poto, Quibande, Quisseia, Rissosse, S.João das Mupas, Sacapi, Sacapolo, Sacavanca, Sachico, Sachinemuna, Sachissica, Salola, Salumbinja, Samajimo, Samba Gunza, Sambungo, Samuamba, Samucoco, Sande, Sangongolo, Sani, Santo António da Muínha, Sapinde, Sarinza, Satico, Satoma, Sona, Songue, Sússua, Tarala, Tchicale, Tchiengo,Tombe, Tramangolo,Tumba, Tunda do Biel, Tunda Chissocócua, Tunda Chivava, Umbale, Ungaio, Vala, Viningola, Vionga, Vissela, Vissumba, Zongo e Zundo.
Nesta imensa lista apenas seis nomes portugueses: Silva Porto, Nova Sintra, General Machado, Belo Horizonte, S.João das Mupas e Santo António da Muínha. O nome de Nova Sintra (Catabola) proveio do facto de haver uma Catabola, no distrito do Huambo, o que originava perturbações nos correios. O nome de General Machado proveio de uma homenagem a um general, acérrimo defensor do caminho de ferro, afinal um amigo de Angola. Nome merecido, embora o fundador de Camacupa tenha sido o comerciante português José Lucas da Costa.
Vale ressaltar aqui que o general Machado foi um defensor acérrimo do Caminho de Ferro de Benguela e da sua ligação com a África do Sul. Por isso a primeira estação da fronteira com Moçambique chamava-se Machadodorp. Por ser um assunto pertinente: o general Machado fez o estudo topográfico e o projecto da ferrovia que liga Maputo à África do Sul. O presidente Kruger da África do Sul quiz recompensá-lo, mas ele não aceitou argumentado que já tinha sido pago pelo governo de Portugal!
O padrinho e pai de Belo Horizonte foi um comerciante português que se instalou em uma colina, entre dois cruzamentos de estradas, e baptizou a povoação comercial, devido ao belo panorama que dali se avistava. S.João das Mupas e S.António da Muínha devem os seus nomes a comerciantes. Estes dois nomes englobam nomes indígenas. Não vejo qual o motivo de tanta iconoclastia, em 239 nomes apenas 6 nomes eram portugueses. Note-se que as crismas de Macedo de Cavaleiros para Andulo, Vila Franca para Chinguar foram rejeitadas pelos colonos.
19.-No Tempo Extra (1961/1974) fez-se uma recuperação do tempo que se tinha perdido em A Grande Soneca (1930/1960). Por exemplo, a capital Silva Porto passou a ter uma escola do magistério primário, um liceu e uma escola técnica. Passou a ter um hospital moderno e um aeroporto Além disso possuia dois colégios particulares, com regime de internato. A cidade de General Machado, só como exemplo, passou a ter uma escola técnica e as outras cidades iriam receber, também, escolas do ensino secundário.
Mas o grande triunfo no ensino foi obtido com o programa Levar a Escola à Sanzala. Todos os povoados importantes estavam apetrechados com centro de saúde, escola primária ( com carteiras, acrescente-se).E com os professores recebendo os seus salários todos os fins de mês. As povoações comerciais eram constituidas por casas de construção definitiva, eram embriões da modernidade, futuras vilas e cidades. Em 1970 o Bié tinha 200 postos escolares, com professores habilitados e salários em dia, e 400 postos escolares em missões católicas e protestantes. Todos os alunos recebiam livros e material didático usufruindo de almoço, tudo gratuitamente.
No aspecto humanístico o programa “Levar a Escola à Sanzala” foi o de melhor teor e o que mais contribuiu para a elevação do nível escolar dos africanos. Foi uma mais valia notável para os quadros que ficaram em Angola e que “aguentaram” o vácuo humano que se verificou ao ser proclamada a independência.
20.-Estava em curso o melhor programa agro-pecuário que se instituiu em Angola, levado a cabo no Bié. Era um programa de extensão rural sob a superior orientação inicial do engenheiro agrónomo alemão Herman Possinger. Este programa abrangia todas as actividades necessárias para a modernização rápida do meio rural, com incidência principal no ensino, nas práticas de conservação e fertilização do solo e nas actividades domésticas necessárias ao bem estar e progresso das populações. Mas esta modernização aproveitava as experiências angolanas. Não era um programa destrutivo de antigas práticas, antes as aproveitava, e procurava melhorar. Os resultados eram visíveis, o Bié tinha saído do marasmo em que estava mergulhado desde 1930. Estou convencido de que este programa, difundido por toda a Angola, como era intenção do governo geral,significava um salto de 50 anos em apenas 10 anos. Era um programa que usava em pleno a tecnologia intermédia, com resultados encorajantes.
Temos que recordar o esvaziamento demográfico levado a efeito durante A Grande Soneca (1930-1961). O Bié perdeu milhares de filhos para benefício das roças de S.Tomé e das fazendas de café do norte de Angola. O contrato atrasou o Planalto Central grande produtor de géneros básicos, a favor de produtos tropicais onde se destacava o café. O erro disto foi o de se arregimentarem trabalhadores contra vontade, de se praticarem salários de miséria e de ter havido alguns abusos laborais. Este trabalho sazonal sofreu uma reviravolta profunda a partir de 1961. Acabou o contrato e os trabalhadores eram livres para aceitar o trabalho que lhes era proposto. Os administrativos foram desobrigados de todas as tarefas relacionadas com o contrato (com grande alívio, acrescentamos).

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (4)

Extrapolando para o resto do país observa-se que Angola em 1973 apresentava estruturas urbanas modernas, em que sobresssaiam a organização administrativa e financeira, a boa rede de estradas asfaltadas, os eficientes caminhos de ferro, a estrutura de ensino ao nível de povoação, a permanente vigilância dos recursos naturais, um bom estado sanitário e um cadastro organizado de excepcional premência nos tempos actuais de ordenamento e regularização fundiárias. Citando o insuspeito geógrafo Orlando Ribeiro(182):«A arrumação urbana de Angola podia-se considerar razoável à escala do imenso território e da baixa densidade da população». Esta arrumação tinha apenas 50 anos.
Havia tudo para singrar, como independente, rumo a um futuro de progresso e com aspirações a ser o primeiro país de África em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Podem perguntar: e, então a África do Sul? Angola tem muito menor densidade demográfica, tem petróleo e tem maiores recursos hídricos e energéticos. Em termos de século 21, o “século da água”, o país é excepcionalmente rico. Além de já o ser ainda em plena “era petrolífera”.
Vejamos o que sucedeu. É justo adiantar que a geopolítica mundial também contribuiu, e muito, para o colapso total da promissora Angola.Mas não foi a única culpada.A União Soviética, que mal adivinhava que iria morrer de morte súbita nos princípios dos anos 90, alimentava grandes esperanças em ocupar o lugar que a Inglaterra tinha ocupado no século 19 e metade do século 20.
Os Estados Unidos não queriam perder a hegemonia mundial, apesar de estarem desanimados e envergonhados com o desfecho da guerra do Vietname. Era muito difícil para Portugal manter o “status quo” colonial, como tinha conseguido em grande parte do século 20. E era ainda mais difícil manter uma certa influência em Angola, logo que esta obtivesse a sua independência. Portugal não era uma potência económica e estava complexado com o colonialismo desenvolvido ao longo do século 20. A União Soviética convenceu-se que ia ficar em Angola, ocupando o lugar que os portugueses detiveram por mais de quatro séculos. Ilusão! A União Soviética era um modelo elaborado de colonialismo, querendo aparentar o contrário..
Mas não foi a geopolítica mundial a única culpada, repetimos, do descalabro que se instalou em Angola. A geopolítica é a desculpa dos que nada fizeram para defender os angolanos, humildes cidadãos cuja única ocupação era o trabalho no dia a dia; é a desculpa para os ineptos que se querem refugiar no determinismo. Se o país(Angola) tivesse estruturas culturais, financeiras, jurídicas, militares, diplomáticas e políticas, tão boas como as administrativas, as económicas, as de ensino (infelizmente com um injustificável atraso), de saúde, de comunicações (também com atraso) e outras, talvez tivesse apresentado resistências internas às investidas das duas potências mundiais.
Resumindo: se tivesse quadros angolanos preparados, se tivesse uma habitualidade de eleições e uma cultura de tolerância , ofereceria outra resistência às multinacionais que se queriam instalar. Elas instalar-se-iam, não vamos imaginar um quadro irrealista de obstrução ao grande capital. Só a esquerda vesga é que imagina um país sem multinacionais. Igual a Cuba e à Coreia do Norte. Como imaginaram, com elevada dose de ingenuidade e maior ainda de ignorância, os militares que derrubaram Caetano.
Mas infelizmente Angola não tinha estruturas humanas no topo , nem tinha a mínima tradição democrática de eleições para resistir a um capitalismo selvagem. Tudo estava e girava em mãos metropolitanas submetidas, ainda por cima, a uma ditadura impenetrável e avessa a quaisquer mudanças. O povo angolano estava mergulhado em um absoluto e impenetrável nevoeiro político onde qualquer oportunista encontraria campo para militâncias. Até os chamados “civilizados” detinham um analfabetismo político de proporções confrangedoras.
Vale a pena fazer-se uma retrospectiva das doenças em Angola, tanto mais que é um assunto que praticamente ocupa hoje sempre o seu espaço nos jornais e na TV, infelizmente pela negativa. As doenças foram, em séculos anteriores, um dos principais obstáculos à entrada da modernidade. Elas ceifavam, abruptamente, os europeus que se arriscavam a viver em Angola.
Até ao aparecimento do DDT em 1945 os mosquitos eram os eternos micro-companheiros em todas as casas. Portadores da malária (ou paludismo) atacavam de noite. Na verdade só atacava a fêmea que precisa da hemoglobina do sangue para poder alimentar as larvas. Antes de se ter conhecimento sobre o ciclo evolutivo do Plasmodium, de que o mosquito é um dos vectores, sendo o ser humano ou quaisquer mamíferos, o outro vector, e ainda não se ter descoberto o quinino, a mortandade causada pela malária atingiu números de hecatombe. Neste livro referimos a letalidade em S.Tomé, em Benguela e em menor escala em Luanda.
Dizia-se, com uma certa lógica, que só eram angolanos aqueles que partilhavam os mosquitos.
A fêmea do mosquito, conhecido no Brasil como muriçoca, põe os ovos em águas estagnadas de onde sairão as larvas que se transformarão em insecto perfeito com asas, é a fase “aeronáutica”. É neste estágio que saem as “esquadrilhas nocturnas” em busca de sangue fresco.
A secagem de pântanos, através de eucaliptos, o saneamento das cidades com a eliminação de quaisquer focos de água estagnadas, o uso de mosquiteiros e, posteriormente de repelentes, e o aparecimento do DDT transformaram o paludismo numa má recordação, em meados da década de 50. Deve ressaltar-se que o quinino atenuou, bastante, a letalidade da malária. Mas este medicamento, de triste memória, deixa sequelas para o resto da vida. Uma delas é a surdez na velhice!
Mas o grande mérito da erradicação da malária deve-se às severas medidas de profilaxia, complementadas com as aplicações de DDT. Os delegados de saúde e os médicos de Angola, secundados pelos administrativos, eram implacáveis nas medidas de saneamento. Foi um bom trabalho dos médicos e dos administrativos para a eliminação do paludismo, O maior amigo do mosquito, transmissor da malária, é um pneu velho. É indestrutível, é quente e não se consegue tirar, com facilidade, a água do seu interior. É uma luxuosa maternidade de mosquitos.
Até meados da década de 50 o quinino ou quina fazia parte da vida quotidiana de todos os angolanos. Era tomado em drageias (comprimidos) e em injecções. Umas e outras venha o Diabo e escolha. As drageias eram em cru, não tinham qualquer revestimento, se tocassem na língua e boca a sensação era única. Deve ser a substância mais amarga que existe. Com as injecções era pior, embora fossem de maior e rápido valor curativo. Eram dolorosíssimas e, às vezes, agravavam-se ou seja não eram absorvidas pela massa muscular e formavam um abcesso que, depois, tinha que ser lancetado e levar um dreno durante umas semanas.
Uma doença, quase sempre fatal, era a biliosa. Responsável por milhares de mortos era atribuida a uma forma terminal do paludismo. Uns atribuíam à própria degeneração do fígado e dos rins provocada pelo quinino em excesso. Uma outra teoria afirmava que era uma forma diferente da febre amarela. A doença começava pelos habituais febrões, acima de 40º C, com as urinas acastanhadas. Quando se chegava à fase de urinar sangue, era o fim. Até à década de 50 o número de óbitos era tristemente grande. Durante o meu tempo de escola primária e de liceu morreram mais de 10 alunos, nas turmas que eu frequentei, vitimados por biliosa. Na Mocidade Portuguesa a quina ( três soldadinhos- lusitos- à frente, e dois atrás, deixando vago o lugar do meio, como a quina dos dados) era a unidade fundamental da ordem unida. Nós dizíamos que na sena tinha morrido um lusito. Por isso se chamava quina, cujo nome talvez afugentasse o paludismo. Nós marchávamos em quina.
Um bichinho, que nos moía a paciência era a universal barata. Só que as de Angola devem ser as mais inteligentes do globo. Elas auto-programaram estratégias de defesa e fuga como eu não vi em outras terras por onde passei. O melhor insecticida para as baratas continua a ser o chinelo, porque não agride o meio ambiente, embora agrida a barata. Mas o ataque à chinelada exige muita concentração, boa forma física e estômago forte, porque não é agradável ver-se a massa esmigalhada de uma barata.
As baratas angolanas tinham táticas de defesa surpreendentes. Fugiam em zig-zags desconcertantes, faziam paradas e mudanças de direcção mais rápidas do que o Eusébio nos seus gloriosos e inesquecíveis dias, e acolhiam-se, quando não conseguiam um bom abrigo, nos cantos das casas onde convergem três arestas. É impossível matá-las com uma chinelada, talvez se consiga matar com os modernos sapatos pontudos. Mas exige muita pontaria.
As fábricas de insecticidas apresentaram uma arma secreta, por volta de 1950, que provocou uma devastação no mundo das baratas. Era o célebre Flit, o DDT líquido que se espalhava com uma bomba de pulverização, ainda longe dos actuais sprays. O Flit apareceu no Brasil com um anúncio onde mostravam uma dona de casa com um chinelo na mão e uma legenda por baixo: não faça isso D.Judite, use Flit. Foi uma hecatombe inicial mas, uns anos depois, as baratas adquiriram resistência. Dizia-se, por piada, que elas se alimentavam, e engordavam, com funje de farinha (pó) de DDT.
A bitacaia, matacanha, ou bicho de pé como é conhecida no Brasil, ou pulex penetrans como é conhecida pela ciência, foi outro parasita que fazia parte do dia a dia de Angola, até meados da década de 50. Medidas de profilaxia (chão cimentado e creolina) e posteriormente o DDT praticamente acabaram com este indesejável bichinho.
Supõe-se que a bitacaia entrou em Angola, via Brasil, em séculos anteriores ao século 19, e dali propagou-se para toda a África, até Zanzibar, levada pelas caravanas de escravos. No Brasil a bitacaia ou matacanha é conhecida por bicho de pé. Os africanos não se aperceberam do perigo nos primeiros tempos de ignorância. A bitacaia, um pequeno ponto preto quando penetra na pele, nas mãos e nos pés junto às unhas, começa por provocar uma agradável comichão. É o seu primeiro e último aviso. A pessoa escolhida pela pulga, mas que já esteja tarimbada, sabe logo que é uma bitacaia e imediatamente trata de a tirar. Desinfectava-se o local com alcool, na verdade lavava-se apenas, porque o alcool nada desinfecta. O meu pai uma vez expunha ao Dr.Strangway as maravilhas do alcool como desinfectante. Comentário do distinto médico: “alcool é bom, mas bebido”. Depois procedia-se à extracção da bitacaia com um alfinete de segurança, grande, previamente passado em uma chama. A extracção era uma operação rápida para quem sabia, e ainda tinha bons olhos. A pulga vinha inteira na ponta do alfinete que era levada a uma chama. Um estalido e acabou a pulga . Depois nova desinfecção com alcool ou tintura de iodo. E gritos, se fosse extraído um saco.
Se a bitacaia não fosse extraída, em dois dias começava a formar uma colónia (saco), que em menos de uma semana ficava com o tamanho de uma ervilha sem já provocar comichão, mas com o aspecto de uma ferida infectada. Depois “explodia” em pústula. O saco, um verdadeiro super mercado de infecções (tétano e septicemia), era extraído também com um alfinete, mas com muito cuidado para não rebentar.
Os efeitos da bitacaia foram devastadores porque os africanos nada sabiam sobre ela e, no panorama tenebroso da escravatura, ninguém os elucidava. John Reader (175) cita uma observação de um explorador alemão Oscar Baumann em 1894: « Vimos pessoas em Uzinza (actual Tanzânia) cujos membros estavam desfeitos. Aldeias inteiras têm morrido devido a esta moléstia». Henrique de Carvalho(48) deixou escrito que« na estrada de Dombe ao Cuio em 1876 registou-se uma epidemia de pulex penetrans (bitacaia) que causou a morte a mais de 1 000 pessoas e afugentou muita gente daquela região».
È curioso transcrever o que Livingstone escreveu (128), a respeito da bitacaia ( que ele denomina tampan como era conhecida em Zanzibar), quando passou em Luanda em 1854: «varia de uma cabeça de alfinete até um grão de ervilha. Logo que você é mordido pelo tampan, você sente uma dor ardente misturada com comichão que invade toda a perna; logo que o veneno chega ao abdomen causa vómitos e diarreia com violência; quando não há diarreia há febre como eu senti em Tete onde fui mordido mais tarde; soube de um Português inteligente que morreu após a febre. A solicitude de meus amigos de Tete manifestada em relação aos meus Zambezianos, para os preservarem dos tampans, que são comuns em quase todos os povoados, prova o terror que lhes inspira este insecto; quanto a mim, não deixei de sofrer durante oito dias com uma comichão bastante activa na parte mordida».
O folclore de Angola contava que um funcionário, ao embarcar de licença a Portugal, foi “contemplado” com uma bitacaia. Resolveu levá-la até Portugal, para mostrar aos amigos uma “fera de África”. Morreu, durante a viagem, com tétano.
No Brasil um vaqueiro diz para outro: as três melhores coisas da vida são dinheiro, muié e bicho de pé. Uai, responde-lhe o companheiro porquê bicho de pé? Uai se não tivé o bicho de pé, p`ra quê muié?
21.-As doenças. A melhoria das habitações contribuiu bastante para a erradicação da bitacaia e de outras doenças. Quando os caminhos de ferro penetraram no interior de Angola, complementados logo a seguir com o automóvel, ficou viável o transporte de cargas pesadas.O cimento entrou em Angola e passou a pavimentar todo o interior das casas, aliás tornou-se obrigatório, no segundo consulado de Norton de Matos. Foi um duro golpe nas bitacaias, mas elas ainda duraram uns anos até à chegada do DDT. As bitacaias apareciam, em grande profusão, no milho a granel. Quando começou a ser expurgado (matança de parasitas com tetracloreto de carbono em câmaras herméticas) desapareceram quase por completo.
Os oxiuros são minúsculos vermes intestinais que vivem no intestino grosso, mais propriamente no ceco dos seres humanos. Durante a noite as fêmeas ( 10 mm) alojam-se no ânus, onde já se encontram os machos (3 mm) para a desova. Isto provoca coceira e profunda irritação no hospedeiro. A transmissão é feita por infestação e através das fezes. A erradicação da “doença” faz-se através de medidas rigorosa de higiene ( banhos diários de chuveiro) e na administração de vermífugos.
Em Angola, onde as condições de higiene no século 19 e primeiros anos do século 20 eram deploráveis, esta “doença” atingia números de epidemia e casos de extrema gravidade. Silva Porto descreveu, com minúcia, a oxiuríase ou maculo como era conhecida nos planaltos de Angola. Capelo e Ivens resgataram um adolescente, escravizado por uma quibuca (caravana só de africanos), que estava a definhar com o maculo.
Esta doença desapareceu de Angola graças às medidas de higiene e de profilaxia e aos potentes vermífugos que apareceram logo a seguir à guerra 39/45. Uma outra medida, que contribuiu para a quase erradicação da doença, foi a obrigatoriedade de cimentar o interior das residências, facilitando a “creolinagem” do chão. O facto de ser cada vez maior o número de gente calçada talvez tenha também contribuido para o decréscimo da doença.
A febre das mabatas era uma doença temida em Angola porque era de difícil cura e provocava febres altas, recorrentes. O agente da doença era uma bactéria ou espiroqueta transmitida através de uma carraça. Esta agarrava-se aos mamíferos e tinha o seu habitat em antigas palhoças de adobe ou barro chapinhado em paus ( pau a pique). Existem centenas de variedades de carraças e de bactéria da mesma estirpe espalhadas por todo o Mundo. O agente em Angola era o Spirochaeta dutonni, observado em 1906. O vector era uma carraça o Ornithodorus Moubata e, daí, o seu nome mabata. A febre das mabatas era semelhante aos ataques da malária e, quando não era diagnosticada convenientemente, era tratada com quinino. Em Angola esta doença era particularmente grave.
Fig 11 Vector da febre das mabatas Ornithodorus Moubata(vista de cima e de baixo) uma carraça cuja fêmea se alimenta do sangue dos mamíferos, transmitindo uma bactéria que provoca febres recorrentes , altíssimas. Existia em casas abandonadas, de barro cobertas de colmo(capim). Norton de Matos incentivou a instalação de dezenas de cerâmicas que impulsionaram a construção de casas de tijolo, cobertas com telhas e chão cimentado. O aparecimento do DDt foi o golpe mortal na febre das mabatas, conhecida nos Estados Unidos da América como Mal de Lyme.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (5)

Antes do aparecimento dos antibióticos, um remédio drástico, para a febre das mabatas, era a administração, em injecções, do célebre 914. Constituição deste “remédio”: mercurio. Dizia-se que o nome 914 era devido ao facto de se terem feito 914 experiências até se conseguir uma fórmula de mercurio assimilável pelo organismo e que não matava o doente. As injecções eram dadas nas veias por um enfermeiro experiente. E era assim: espetava-se agulha e depois injectava-se um pequeníssimo volume e esperava-se pela reacção do doente. Se nada houvesse, injectava-se mais uma pequena dose e esperava-se. E assim até à dose total. Ou letal se houvesse infelicidade. As injecções de 914 eram o terror de toda a gente. Eram usadas, também, para combater a sifílis e as doenças venéreas renitentes. Muita gente julgava que o nome provinha da guerra de 1914.Mais tarde descobriu-se o salvarsan cujo componente era o arsenio, outro veneno.
O nome científico da “doença do sono” é Tripanossomíase Africana que é causada por um protozoário flagelado. O nome popular da Tripanossomíase Americana é “doença de Chagas”. A doença do sono caracteriza-se por febres intermitentes, inflamação dos gânglios linfáticos, inchaços generalizados e, claro, por uma sonolência incontrolável. A doença foi devastadora noutras épocas. Ironicamente foi ela que evitou a matança total dos grandes mamíferos africanos, em especial do elefante. Este animal, sentindo-se acuado, por causa da procura do marfim, refugiou-se em áreas de grande incidência da doença do sono ou em áreas com falta de água.
O mal é transmitido através de uma pequena mosca a Glossina Palpalis ou tsé-tsé como é conhecida em toda a África. Os hospedeiros do ciclo evolutivo da doença são a mosca e os mamíferos. Destes exceptuam-se os animais selvagens africanos aclimatados e com anti-corpos para a doença. O gado bovino não estava imune e morria quando se fixava em uma região com aquela mosca. Mais uma vez, ironicamente, foi a mosca que evitou a formação de pastos para os bois e, consequentemente, a devastação da flora natural. Alguns grandes parques naturais devem muito da sua existência à mosca tsé tsé. Foi só em 1910 que se correlacionou a doença com o vector mosca.
A tsé tsé ingere os tripanossomas aspirando o sangue humano ou de outro qualquer mamífero. O ciclo evolutivo na mosca é de cerca de 20 dias findos os quais o tripanossoma aloja-se na saliva. A partir daqui a transmissão dá-se com qualquer picada do insecto. O período de incubação nos mamíferos é de 2 a 3 semanas. A picada no homem fica com 2 cm de diâmetro e apresenta uma côr amarela esbranquiçada que desaparece em poucos dias. As febres são intermitentes, podendo atingir mais de 40ºC. Duram semanas. Depois começam as sonolências que conduzem à morte se a doença não for tratada. Na fase terminal o sono é tão profundo que induz as pessoas a suporem que o paciente já morreu. Existiam vários remédios que sustinham a doença na fase inicial. O mais conhecido em Angola era a pentamidina que era administrada através de injecções intramusculares. As célebres Brigadas de Pentamidinização operaram um verdadeiro milagre sanitário em Angola com a redução da doença a níveis mínimos, sem expressão estatística. Os médicos e enfermeiros eram dos melhores do continente africano.
A Tripanossomíase Americana , mais conhecida por “doença de Chagas”, tem a mesma etiologia da “doença do sono” africana. Os doentes apresentam inchaços nos gânglios linfáticos, no fígado, no baço e no coração. O agente Tripanossoma Cruzi é transmitido através de insectos da família dos Reduviidae parecidos com baratas de cor preta. No Brasil são conhecidos popularmente por barbeiro ou chupão. Esta doença ataca também os mamíferos.
Foi o médico brasileiro Carlos Chagas (1879/1934) que descobriu o Tripanossoma Americana e baptizou-o com o nome de Cruzi em homenagem ao médico brasileiro, seu mestre, Osvaldo Cruz. Sózinho Carlos Chagas fez o estudo completo da doença sob os aspectos etiológicos, patogénicos, anatómicos, patológicos, sintomáticos, suas formas clínicas, meios de transmissão, epidemiológicos, e profiláticos. Um estudo completo, caso único na história da medicina mundial. Chagas estabeleceu a correlação da doença e seus vectores. Uma história que, talvez, pertença ao folclore brasileiro narra que a criança com 7 anos de idade a quem o médico Chagas retirou o sangue, onde descobriu o tripanossoma, viveu para lá dos oitenta anos, um caso de convivência amigável com a doença.
No Brasil, como já se afirmou, o agente vector do Tripanossoma Cruzi é conhecido, popularmente por barbeiro ou chupão, devido à picada sangrenta que ele faz, geralmente, na cara das pessoas, porque o resto do corpo está tapado durante o sono. A área preferida para a picada, por ser de pele macia, é a das pálpebras.
Uma mãe leva a filha ao médico, A moça anda pálida e sem forças. O médico faz análises de sangue, chama a mãe e diz-lhe: eu já desconfiava, a sua filha foi chupada pelo barbeiro. Bem que me parecia, comentou a mãe, e o safado dizendo a toda a hora que era engenheiro civil!
A bilharzíose ou esquistossomíase é originada por helmintos (lombrigas) que se alojam nos intestinos ou na bexiga. A doença existia em águas estagnadas. Há duas variedades a africana ou bilharzíose urogenital e a americana ou bilharzíose intestinal. Em Angola a doença não estava tão generalizada como no Brasil o que se pode explicar pela morfologia fluvial: os rios de Angola são, regra geral, turbulentos com poucas águas estagnadas. O tratamento era feito à base de antimónio que, já de si, é um veneno. Eram as célebres injecções de Fuadine, temidas por todos os pacientes.
A amebiana ou amebíase é provocada por um parasita protozoário que se aloja nos intestinos, podendo invadir o fígado. O agente é a Entameba histolística. A água de alguns rios angolanos é portadora desta doença. Só a água que saía das rochas ou do solo (ressurgências) era de confiança. A característica principal desta doença era a diarreia violenta que evoluia para hemorragias. O tratamento era longo, os doentes atingiam fases dramáticas de emagrecimento. Os antibióticos contribuiram bastante para reduzir a periculosidade da doença, embora não fossem milagrosos como, por exemplo, na febre das mabatas.
Era inexistente a cólera em Angola devido ao bom estado sanitário das cidades. Nas aldeias africanas, apesar de não haver saneamento básico, nunca se verificou a mínima ameaça de tal doença, porque os aglomerados eram pequenos, e havia cuidados rudimentares de profilaxia. A unica ameaça, no século 20 no tempo colonial registou-se nos princípios dos anos 70, mas a prevenção foi tão eficaz que se registaram muito poucos casos.
O tétano era uma ameaçadora doença até meados dos anos 30, o índice mortal era de 100%. È provocado por um bacilo que resiste a altas e a baixas temperaturas. Forma esporos e fica incubado durante anos até encontrar um hospedeiro. Não tem agente transmissor mas sabe dissimular-se, geralmente está incubado em velhos ou enferrujados objectos metálicos (parafusos, pregos,facas, canivetes, garfos, arcos de barril etc). Os solos contaminados com fezes são também um habitat natural do bacilo. Quem pisasse um prego ferrujento estava sujeito, com grandes probabilidades, em contrair o tétano. A doença provoca espasmos e convulsões. As contracções espasmódicas nos maxilares são um indício certeiro da doença.Os médicos em Angola empreenderam, desde cedo na década de 30, um ataque frontal à doença: a vacina anti-tetânica era obrigatória e gratuita, o soro anti-tetânico era o primeiro a ser injectado nos feridos que apareciam nos hospitais. No fim do Tempo Extra a doença praticamente não fazia vítimas devido à boa cobertura sanitária. Sabia-se que ela continuava nos seus locais predilectos, especialmente em pregos ferrugentos. Por isso era obrigatória a vacina anti-tetânica.
Em Angola corria uma lenda: um alfaiate inadvertidamente palitou os dentes com uma crina de cavalo daquelas que se usavam antigamente nos colarinhos dos casacos para lhes dar mais rigidez. Em duas semanas morreu com o tétano.
O bócio é o aumento da glândula tireóide ( maçã de Adão), por isso é denominada hipertireoidismo. Uma característica é o aumento do pescoço formando uma pronunciada papada.A doença é também conhecida por papeira, embora este nome pertença a outra moléstia a parotidite ou inflamação das glândula salivares, no Brasil denominada caxumba. Outra característica do bócio é o esbugalhamento dos olhos. Esta moléstia é provocada por deficiência de iodo nas águas e nos alimentos. Em Angola esta doença era muito comum nos planaltos, com grande incidência em regiões típicas, como por exemplo grande parte da bacia do rio Luando, na área do habitat da Palanca Preta, e nas Lundas. O sal marinho com iodo, que se tornou obrigatório, o uso quotidiano de tintura de iodo, vendida pelos comerciantes, e a difusão do peixe seco do mar(ombisse, corruptela da palavra peixe), de Moçâmedes de Porto Alexandre e da Baía dos Tigres, baixaram drasticamente o índice desta enfermidade.
A filariose (elefantíase) era provocada por helmintos sendo o homem o principal hospedeiro, embora os macacos, os gatos e os cães estivessem sujeitos à doença. A filariose é transmitida por insectos hematófagos com especial relevância para os mosquitos. O helminto adulto circula pelo corpo onde parasita os vasos linfáticos, o tecido conjuntivo sub-cutâneo e as cavidades do corpo: as larvas circulam no sangue onde se acumulam em camadas superficiais sob a pele. Estas camadas entopem as veias e dão origem a inchaços brutais originando, quando nas pernas, a característica “pata de elefante” daí derivando o nome de elefantíase. A confirmação desta doença era feita através de observações microscópicas. Não havia cura, embora houvesse tratamentos mitigadores desagradáveis porque eram à base de substâncias venenosas. As medidas de prevenção, instituídas em Angola, baixaram bastante os indices desta doença. A prevenção era feita sobre os insectos hematófagos, em especial sobre os mosquitos. Uma variedade desta doença era a oncocercose, com as mesmas caracteríticas da filariose, mas que levavam à cegueira. O mosquito, vector da oncocercose, só vive em ambientes de água batida, ou seja, próximo de quedas de água. Por isso era conhecida por doença das mupas ( quedas de água).
Em Angola houve sempre muita aversão em viver-se próximo de rios, por isso a doença não era vulgar. O mesmo já não acontecia no Congo Belga (actual República Democrática do Congo) onde era comum encontrarem-se aldeias inteiras de cegos. Faziam uma vida normal, o que deixou completamente espantado um antropólogo belga. Apenas um único pormenor saltava à vista: caminhavam em fila, sempre que se deslocavam, o guia era o que ainda tinha uma certa visão. Mas uma pessoa menos avisada não dava pela cegueira total na região, onde os habitantes tinham controle sobre quaisquer pessoas estranhas que lá entrassem.
A febre amarela é originada por um vírus através de um mosquito o aedes aegypti que transmite a doença, por picada, depois de um período de incubação de duas semanas.A fêmea infectada, ao picar um mamífero para recolher sangue, transmite o vírus. Ela põe os ovos em qualquer recipiente húmido, como por exemplo vasos de plantas dentro das próprias casas. Só em 1926 é que várias comissões internacionais, que estiveram em estudos em África, concluiram que a febre amarela é um vírus transmitido através do mosquito referido. Os hábitos do mosquito aedes aegypti só foram conhecidos muito tempo depois e, por isso, as brigadas sanitárias desesperavam porque não conseguiam erradicar os insectos. Eles estavam dentro das habitações, em especial nos vasos de plantas.Cabe aqui a frase “dormindo com o inimigo”. Em Angola os meios de erradicação dos mosquitos e, especialmente a vacinação obrigatória extinguiram a doença.
A lepra era causada pelo bacilo de Hansen por isso é que a imprensa denominava a doença por hanseníase, tirando assim a carga negativa que aquele nome carregava desde a Idade Média. Os serviços de saúde angolanos concentraram-se, em força, na erradicação da doença. Boas gafarias, muita higiene e a administração de sulfonas estavam acabando com a doença. Estou convencido que hoje seria apenas uma má recordação do passado.
A poliomielite foi uma doença universal que infelizmente se propagou por Angola. Foi das primeiras regiões no mundo a usar a vacina Salk, depois substituida por uma vacina oral a Sabin. Em 1964 já era obrigatória a vacina quádrupla em crianças: Sarampo, tétano, difteria e poliomielite. Esta doença estava, praticamente, erradicada.
Uma temível doença em Angola era a hidrofobia, popularmente conhecida por raiva. Trata-se de um vírus, que se instala na saliva dos animais infectados, animais domésticos especialmente, e que se transmite através de mordidas. Os sintomas da doença são febre, inquietação e depressão. A inquietação acaba por se transformar em excitação incontrolável: o doente espuma e tem espasmos na garganta que o impossibilitam de beber qualquer líquido. Daí o nome hidrofobia. A morte é inevitável, não há qualquer espécie de cura, mas há o soro anti-rábico que é eficaz em quase 100% dos inoculados, desde que não haja atrasos nas aplicações.. Desde muito cedo, ainda na década de 20, que esta doença foi atacada com todos os recursos. Qualquer pessoa, em qualquer ponto do país, mordida por um animal, era imediatamente submetida a uma bateria de injecções dolorosas, na barriga. A doença nos animais era vigiada pelos Serviços de Veterinária. Estava praticamente extinta, o ultimo caso, devido a uma lamentável displicência, foi em 1964.
A doença mais terrível em África foi a varíola, de resto foi ainda mais violenta no continente americano. Recordamos que as civilizações Incas, Maias e Astecas, assim como as diversas nações nativas nos Estados Unidos, esfacelaram-se em parte devido à aterradora moléstia.
Para África a doença foi trazida da Europa e encontrou indivíduos com muito pouca resistência ao vírus. Os resultados, em toda a África foram devastadores. De uma expedição de Silva Porto ao Barotze (Zâmbia), em 1880, composta por centenas de pessoas, regressaram umas dezenas, figuras fantasmagóricas com o olhar carregado de terror. A doença começa com umas manchas vermelhas localizadas principalmente na cara, nos braços e nas pernas. Sob febres violentíssimas as manchas transformam-se em pápulas, em vesículas que se juntam umas às outros formando “tubos” que, depois, rebentam em pústulas.
O aspecto do doente é aterrador, até o pessoal médico acaba por esquecer o juramento de Hipócrates e trata de escapar com vida, segundo o velho lema “Presença de espírito e Ausência de corpo”. Jorge Amado, no livro “Tereza Batista cansada de guerra” descreve uma epidemia de varíola no interior do estado de Sergipe. O capítulo intitula-se “ABC da peleja entre Tereza Batista e a Bexiga Negra”. O abecedário é percorrido em 48 páginas de um dramatismo acompanhado de cenas picarescas descrevendo o cinismo e a cobardia dos responsáveis pela cidade de Boquim no interior do estado de Sergipe. E destacando a valentia das mulheres populares, verdadeiras heroínas dentro do pânico que se instalou na cidade. O capítulo é uma obra prima da literatura.
Uma das primeiras medidas de Norton de Matos, ainda no seu primeiro governadorado em 1912, foi a cobertura de todo o território com a vacina contra a varíola. Na década de 30 estava praticamente erradicada, mas a vacinação, obrigatória, ostensiva e gratuita só foi abolida após a Organização Mundial da Saúde ter declarado a doença como extinta em 1980. Em Angola a varíola foi extinta 40 anos antes de a Organização Mundial de Saúde ter declarado que mais nenhum caso se tinha verificado em todo o mundo.
Antes do aparecimento das sulfamidas e, depois, dos antibióticos (a penicilina como eram designados quando apareceram), era vulgar infectar-se qualquer ferimento. Qualquer ferida, mesmo “desinfectada”, tinha uma grande probabilidade de ficar infectada e, às vezes, fora de controle.
Manda a verdade que se diga que os desinfectantes (alcool, água oxigenada mercuro-cromo e tintura de iodo) não eliminavam totalmente as bactérias que nos rodeavam. Eram vulgares os panarícios, as unhas encravadas e o acne originarem infecções. Quando a infecção se tornava grave podia dar origem a uma septicemia. Esta doença é provocada pelo envenenamento do sangue com bactérias, e provocava a morte, antes do aparecimento das sulfamidas e dos antibióticos. Nas cidades havia postos médicos, abertos todo o dia, destinados a fazer curativos de feridas, a darem injecções de quinino e de pneuquinol para as bronquites,e a inocularem vacinas ( varíola, tétano, febre amarela e soro anti- rábico especialmente). Mudar o penso a uma ferida era um hábito corriqueiro. Conheci um funcionário de finanças, filósofo (infelizmente não pôde continuar os estudos) , que dizia que “ir ao posto de socorros tem o seu quê de metafísico, “porque penso, logo existo”.
Só a partir de 1920 é que os partos em Angola, das mulheres europeias, deixaram de ser um motivo de inquietação. Relatos antigos elucidam-nos sobre as parturientes europeias em Angola: quase sempre os partos eram fatais para mãe e filha. A febre puerperal, que vitimava as parturientes, não estaria relacionada com a facilidade infeccional que existia em Angola?
O herpes labial era uma afecção que aparecia, regra geral, após um ataque de paludismo.Para curar o herpes havia os três Ps: prazo, paciência e um penso para esconder a ferida.
Faziam parte da vida das pessoas os desinfectantes creolina, permanganato de potássio, mercuro-cromo, tintura de iodo e o inócuo alcool. Na higiene avultavam os sabonetes mercuriais Lifebuoy ( nada tem a ver com o actual) e Sapocian (liquido especial para relações sexuais suspeitas).

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (6)

22.- Introdução das frutas europeias.Os sertanejos trouxeram para Angola quase todas as frutas dos climas temperados. No século 19 já eram vulgares o figo, a nêspera, o limão, a laranja , a tangerina, a romã, o marmelo, a maçã e a pera. A uva não vingou nos planaltos: chove no Verão e não há temperaturas acima de 30º C. Com a entrada dos bóeres a fruticultura ficou mais enriquecida, especialmente na Huíla, pois eles trouxeram mudas e sementes do Cabo. Na década de 20, quando se registou uma onda imigratória de portugueses e estrangeiros, a fruticultura sofreu um notável incremento. Na Huíla, onde os solos apresentam embasamentos calcários e o clima não é tão chuvoso como no planalto central, apareceram grandes pomares de frutas europeias de boa qualidade, já em fins do século 19. Na década de 20, com o caminho de ferro de Benguela totalmente desenvolvido (1929), despontaram no Planalto Central interessantes pomares de frutas de climas temperados. O morango, a maçã, a pera, o figo e a romã ficaram vulgarizados, embora sofressem condicionamentos resultantes da adaptação e da acidez dos solos. Eram frutas que podiam ser amplamente melhoradas, com investigação e tecnologia. E com dinheiro como é óbvio.
23.- As frutas das savanas. Todos os planaltos eram muito ricos em frutas silvestres, muito apreciadas pelos animais selvagens. Talvez o fruto mais característico seja a nocha,locha ou ucha cuja classificação botânica é “parinaria mubola”. Provinha de uma árvore com 10 a 15 metros de altura, de tronco grosso, folhas elípticas. O fruto era do tamanho de um kiwi, de cor amarela acastanhada, com um grande caroço e polpa amarela doce, adstrigente. Deve ser a fruta mais odorífera que existe.E, para nós, a mais deliciosa de todas. Quando está madura o chão fica completamente atapetado com frutos exalando um cheiro fortíssimo e delicioso muito semelhante ao ananás e ao abacaxi, mas muito mais intenso. Este odor, que se propaga até mais de 20 metros, atrai centenas de animais, entre os quais os elefantes que são os mais gulosos, e os macacos. O fruto, já no chão, fermenta e provoca bebedeiras. Segundo se dizia os elefantes, e os macacos principalmente, gostavam de tomar uns “pifos” de nochas fermentadas. O caroço, exageradamente grande e duro, continha duas amêndoas cujo sabor era semelhante ao das genuínas amêndoas. Os elefantes comiam toneladas de nochas e depois expeliam os caroços que eram disputados por quem encontrasse as fezes. O nome da árvore estava aportuguesado para nocheira. A árvore dá uma optima madeira, de constituição semelhante ao carvalho, o que a coloca na lista vermelha, ou seja propícia à gula dos predadores humanos. A aniquilação das nocheiras das savanas, para madeira,lenha e carvão, vai originar o desaparecimento de toda uma cadeia alimentar dos animais selvagens, especialmente dos mamíferos. A destruição das savanas e das florestas é o fim dos animais selvagens.
Outra fruta muito conhecida em todo o país era o maboque, também designado por mapole ou upole. O nome botânico é Strychnos shumannianna segundo a classificação de Gossweiler. A árvore é de tamanho médio e o fruto parece uma laranja, meio ferrujenta, embora a casca seja muito dura. Um pedúnculo bastante comprido suspende o fruto verticalmente dos ramos da árvore. O envólucro é muito duro, só com um objecto pesado se consegue quebrar. Dentro existem sementes de côr cinzenta nadando em um líquido espesso e coagulado. O sabor é agridoce. Em grandes quantidades provoca solturas. Era perigoso, para quem não os soubesse distinguir.Havia uma variedade em tudo semelhante, que era venenosa, talvez a classificação botânica tenha levado isso em conta com o termo Strychnos.
Um fruto delicioso, com o qual se faziam compotas e geleias, era o lôengo. A respectiva árvore era de tamanho médio, mas apareciam exemplares com cerca de 15 metros de altura.Assemelhava-se à ameixa preta pequena. O caroço era muito grande, deixando uma polpa vermelha muito estreita. Era mais para chupar do que para comer. Talhava os dentes de tão ácida, matava a sede e enganava a fome. O nome botânico é “Anisophyllia fruticosa”. A compota era deliciosa.
A lombula ou ombula aparecia em árvores e arbustos e o seu fruto era redondo, amarelo, do tamanho de um damasco. Era o fruto mais doce das savanas. Dentro da polpa havia quatro caroços sumarentos.. Comida em excesso provocava soltura.
Um fruto vulgaríssimo era a matúndua ou massunje. Era arbustiva e anual. Cada “bissapa” só dava um fruto, enterrado, vermelho, de casca grossa. O fruto era “arrancado”do chão, como se fosse uma cebola. A polpa era esbranquiçada com pequenas sementes pretas. Era ácida, mas dava sumos deliciosos. Matava a sede. Quando passava uma queimada, era deslumbrante ver milhares de frutos, vermelhos, emergindo no chão preto. A casca do fruto tinha propriedades medicinais. As folhas exalavam um cheiro carcterístico, fazendo lembrar os desinfectantes.O arbusto era ornamental, com folhas lanceoladas de um verde envernizado. A matúndua concentra muita vitamina C que nunca foi apercebida pelos viajantes do século 19, em especial pelo viajante inglês Cameron que chegou a Benguela atormentado com o escorbuto.O próprio botânico Welwitsch, que classificou a célebre planta do deserto de Namibe a Welwitshia mirabilis, sofreu um ataque de escorbuto.

Fig 12 Outro fruto vulgaríssimo e arbustivo era a cassússua ou matipa-tipa. O fruto está envolvido em um cápsula verde, enquanto não atinge a maturação. Quando maduro, a capa protectora fica seca. O fruto é uma” uva” isolada e rósea ou amarela, conforme a variedade. O sabor é agridoce, delicioso. É nutritivo e digestivo. É vendido em Portugal, vindo da Colômbia, com o nome de physallis. Muito caro. Em Espanha já é utilizado em culinária. Houve colonos que propuseram a comercialização deste fruto; foram escarnecidos pelo governo colonialista.
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Muito vulgar, especialmente no sul de Angola, era o mirangolo (omuniangolo), semelhante a uma uva preta. O sabor era agridoce e a planta era arbustiva. Faziam-se compotas e geleias.
Menos vulgares, mas que eram fundamentais para a biodiversidade das savanas, eram: cunucuna, árvore com 2 a 3 metros de altura, fruto parecido com a goiaba; curiungo de bagas pequenas; maravassusso arbusto de 20 a 30 centímetros, com o fruto em cachos parecido com uma romã pequena, de sabor muito agradável; longonguena arbusto de 50 centímetros, de fruto redondo, pequeno, vermelho; olomone arbusto de 50 centímetros bagas pequens, pretas, do tamanho de um grãos de milho; sangala, fruto pequeno em cachos; ussombo árvore cujos frutos pendiam em cachos; tetembula, do tamanho de um berlinde, de côr branca, e o iolo de um arbusto com 30 a 50 centímetros, do tamanho de um limão, semelhante à pinha, de côr amarela, bastante doce; lomuínho árvore média, ou em arbustos, com o fruto semelhante a um berlinde verde claro, era muito aromático, adstrigente e matava a sede. Com o lomuínho fabricava-se um bom quimbombo (aguardente).
Depois desta breve descrição das principais frutas das savanas do planalto central, ficámos a fazer uma ideia da riquíssima flora angolana. O que descrevemos abarca apenas a área referente ao Planalto Central. Em outras regiões existem mais variedades de frutas silvestres, que seria fastidioso descrevê-las. O farmaceutico Sezinando Marques que acompanhou Henrique de Carvalho na viagem às Lundas em 1890 deixou um alentado volume sobre a flora daquelas regiões.
24.-As abelhas.São milhares de plantas frutíferas cuja flores são polinizadas pelas abelhas. Angola era uma das áreas mundiais com mais abelhas, conhecidas pelo seu intenso labor. Bastava pôr uma colmeia num ponto alto e logo de seguida era ocupada por um enxame. Por isso Angola foi o primeiro produtor mundial de cera. O padrão mundial da cera, no mercado de Londres era a Cera Benguela.
O trabalho das abelhas africanas foi reconhecido mundialmente ao ponto de as teram levado para outros continentes onde não só apresentam trabalho, como também dão trabalho àqueles povos: não são nada meigas e ferram por motivos insignificantes, basta uma pessoa mexer-se. Em Angola era vulgar assistir-se à passagem de um enxame e à consequente fuga das pessoas. Vários desafios de futebol tiveram que ser interrompidos, temporariamente, devido às abelhas. Talvez elas ficassem excitadas por verem duas dezenas de pessoas correndo atrás de uma bola.
Ficou lendária uma procissão em Sá da Bandeira que foi desbaratada por dois enxames de abelhas. Com todo o respeito que me merecem todas as cerimónias religiosas, mas o caso foi hilariante. Dois enxames de abelhas huilanas andavam à procura de casa. E encontraram-na: dentro de um dos sinos da catedral de Sá da Bandeira. Nesse dia realizava-se uma procissão solene. Quando esta vinha saindo para a rua começaram a ecoar os sinos e sucedeu o previsível: os enxames despencaram da torre e “esborracharam-se” no cimento à saída da catedral. Para piorar estava muito fumo de incenso no ar. E, para piorar mais, as pessoas entraram em pânico o que deixou as abelhas furiosíssimas. Difundiram-se em todas as direcções, não poupando ninguém, ferravam à esquerda e direita, em baixo e em cima, não escolhendo situações sociais, quer fosse o bispo, ou o governador, ou o juiz da comarca ou, até, o comandante militar. A procissão ainda chegou a estar totalmente desenvolvida, segundo a liturgia do acto. A procissão ainda andou uns metros, já sob forte ataque “dos caças apícolas”, mas as pessoas ainda se defendiam conforme podiam, os estudantes com a capa que ostentavam, as freiras e os padres com as suas vestes. Mas as abelhas africanas são, no dizer dos brasileiros, enfézadas, ou seja irritadiças e, também, obstinadas e raçudas. Se houve um lado que quebrou foi o da procissão. Debandou quase tudo, em todas as direcções. Houve algumas excepções que pagaram caro a teimosia (e heroicidade), uma delas foi o representante do bispo que trazia a custódia e que ficou irreconhecível. A procissão reorganizou-se, uma horas depois. Muitas pessoas seriamente picadas, teimaram em regressar, com as caras inchadas. Foi um espectáculo hilariante.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (7)

25.- Por que tudo fracassou? Por que não conseguiram os portugueses e seus descendentes, e muitos africanos ocidentalizados, prosseguirem as sua vidas em Angola, optando, antes, por um exílio indesejado em outros países, especialmente na antiga Metrópole? Em um anterior ensaio “A utopia de um novo Brasil em Angola” desenvolvemos os vários motivos que estiveram na origem da inviablização de um novo Brasil, isto é, uma nação miscigenada com predominância dos costumes ocidentalizados. Expusemos as causas remotas e as causas próximas.
Fundamentalmente, quando Angola já dispunha de boas estruturas urbanas, apoiadas em uma administração moderna e próspera, os colonos continuavam mergulhados em um marsupialismo que foi explicado no ensaio referido. Achamos que a palavra marsupialismo explica bem a extrema dedicação deles em relação a Portugal. Os colonos não queriam largar a”bolsa marsupial” mesmo depois de ser evidente que os ventos da história apontavam para outro rumo. O pouco tempo da colonização (só a partir de 1920) explica, em parte, este apego à Metrópole.
Os colonos estavam longe de imaginar que o “grande portuguesismo” era só de fachada; ele desmoronar-se-ia perante a surpresa de quase todos e, até, dos estrangeiros.
Valeu a pena a saga dos portugueses em Angola? Eis um tema para dezenas de debates( que tardam em aparecer!), colóquios, seminários, conferências, encontros , simpósios etc. É tempo de se perderem os complexos e os recalcamentos. Não há que ter medo da história. Os fantasmas só se expulsam encarando-os.
Já expusemos que a colonização europeia em Angola só começou em 1920. Também demonstrámos, em artigos anteriores (1), por que decorreram mais de 400 anos até que chegassem os primeiros colonos portugueses. O século 20 em Angola foi de uma tal complexidade que não se pode explicar através de um modelo simples, maniqueísta e marxista, de luta de raças ou classes do tipo “branco opressor versus preto oprimido”. O tempo e os acontecimentos posteriores provaram, amplamente, que este modelo simplista não funciona mais. Só um modelo muito complexo, envolvendo dezenas de variáveis, poderá explicar tudo o que sucedeu. Chega de se apoucar a grande obra feita pelos africanos e pelos portugueses ao longo dos tempos.
E para Angola valeu a pena a presença dos colonos de 1920 a 1975 ?
Não seremos nós, tal como na dúvida anterior, a responder a esta pergunta, mas limitar-nos-emos a transcrever uma frase do esplêndido livro de Jean-Claude Barreau & Guillaume Bigot “Toda a geografia do mundo” Edição Teorema Lisboa 2007:« A Angola lusitana é uma verdadeira nação».
Fig 13 Vista de satelite de Tombua antiga Porto Alexandre. Foi um caso bem sucedido de colonização espontânea e que não teve “subsídios oficiais”.Após a fundação de Moçâmedes( actual Namibe) em 1848 “saltou à vista” que os mares do sul de África eram excepcionalmente piscosos. Alguns pescadores do Algarve (Olhão) não perderam tempo: fizeram-se ao mar com as suas traineiras e instalaram-se em Porto Alexandre. Em poucos anos já estavam exportando, para todo o mundo, produtos comerciais (enlatados e secos de inicio). A cidade está em pleno deserto de Namibe onde chove menos de 50 mm anuais.Os Serviços Agrícolas e Florestais de Angola empreenderam, a partir da década de 20, plantações de árvores resistentes ao deserto a fim de conterem as dunas e amenizarem o clima.Estas defesas contra as dunas prosseguiram até à independência, era um trabalho que despertava a curiosidade mundial. Esta parte de Angola, o sudoeste, apesar de estar inserida no deserto de Namibe, é de excepcional interesse porque tem um clima “aparentado” com o mediterrânico. A região produzia, na foz dos rios, produtos de climas temperados como por exemplo a azeitona, a uva, o pêssego, a ameixa, o melão,o figo, etc. Na fotografia ainda são visíveis as cortinas de árvores plantadas a partir da década de 30. O “pai” destas cortinas foi o engenheiro agrónomo Bento e, mais tarde o engenheiro florestal Augusto Sardinha que empreendeu outra obra idêntica, mas de muito maior dificuldade, na Baía dos Tigres( hoje uma península) mais a sul.


Fig 14 Baía dos Tigres no sul de Angola. Em pleno deserto do Namibe a vila foi das maiores realizações, no género, em Angola. Edificada na restinga ali existente abrigava pescarias aproveitando o magnífico mar piscoso. Foram estabelecidas cortinas florestais de espécies exóticas adaptadas ao clima desértico (chuvas menores do que 50 mm por ano): um trabalho que despertava a curiosidade mundial. O engenheiro florestal Augusto Sardinha,já citado, representa o imenso sacrifício, trabalho e empenhamento dos técnicos de Angola. . Na figura vê-se um “muro” destinado a abrigar as espécies florestais emquanto novas. A Baía dos Tigres foi palco de um episódio mundial em 1904 quando a esquadra russa, em rota para o Japão, ali se refugiou. Uma canhoneira portuguesa deu-lhe ordem de retirada que foi cumprida pelos russos. Quando o meu pai chegou a Angola em 1909 ainda era um grande motivo de orgulho este acontecimento.


Fig 15 O governador Geral Paiva Couceiro em 1908, a cavalo ao lado das suas tropas, atravessando a ponte sobre o rio Cunene que ele mandou construir em tempo recorde . Precária, feita de paus da flora circundante, não aguentou muitos anos. Este governador, que foi insultado e preso por Salazar em 1937, tinha a percepção do atraso de Angola e tudo fez para a alcandorar à modernidade. O seu breve governo (1907-1909) criou os alicerces de uma nação, no sentido lato da palavra. Em 1912-1914 Norton de Matos continuou a sua obra. Este ultimo regressaria em 1921-1924 e catapultou Angola para a modernidade.


Fig 16 Ponte sobre o rio Cunene em Xangongo uma grande obra de engenharia e uma velha ambição dos colonos do sul de Angola. O conjunto é constituido por uma ponte com 85,4 m de comprimento , um viaduto com 726,80 m de desenvolvimento e um aterro com 11,2 km de extensão.Com esta ponte, inaugurada em 1968, o sul de Angola, a maior região pecuária do país, conheceu um desenvolvimento explosivo.



Fig 17 Corte de eucaliptos nos polígonos florestais do CFB Caminho de Ferro de Benguela.As máquinas a vapor, que ainda funcionavam em 1974, necessitavam de muita biomassa (lenha). Nos primeiros anos (1912 a 1935) foi utilizada lenha proveniente das savanas por onde passava o comboio. O desbaste tornou-se notório. O CFB empreendeu a plantação de centenas de milhares de hectares com floresta exótica (não nativa) de crescimento rápido. O eucalipto encontrou condições excepcionais nos planaltos de Angola. Dizia-se que, quando o corte chegava a meio da área total, já as arvores anteriormente cortadas estavam em condições de corte. Uma verdadeira economia sustentável.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (8)

Fig 18 Edifício da Escola Comercial e Industrial do Huambo (antiga Nova Lisboa). Até 1961 o ensino em Angola esteve muito garrotado e as directrizes de Lisboa eram cumpridas integralmente: um ensino rigoroso e exigente, um diploma do 5º ano do liceu, por exemplo, era uma garantia de competência. Na década de 60 Angola ficou “semeada” de escolas comerciais e industriais onde se leccionavam cursos tecnicos médios (contabilistas,electricistas, serralheiros, carpinteiros, construção civil etc). Dizia-se, com muita verdade, que Lisboa não “queria doutores angolanos” o que até tinha lógica.Lisboa sentia que com massas cultivadas a independência era mais do que inevitável. Estes cursos médios, como se provou anos mais tarde, eram modernos e de grande utilidade. Foram uma mais valia para Angola independente quando ficou esvaziada de quadros.Sarmento Rodrigues, Ministro do Ultramar, um homem de larga visão ,que infelizmente não foi aproveitado nos momentos cruciais , foi o “pai”deste ensino, inegavelmente de grande valia para o futuro. Um engenheiro inglês que eu conheci em Luanda ficou espantado com o bom nível destas escolas aparelhadas com o que de melhor havia no mundo. Os ex-alunos tinham orgulho das suas escolas( dos seus professores e dos seus cursos), todas elas instaladas em edifícios imponentes.

Fig19 Edifício principal do Liceu Diogo Cão em Lubango (antiga Sá da Bandeira). Foi o único liceu no interior de Angola até 1956. Foi o nosso abrigo nos últimos 4 anos do ensino liceal.Sem ele não estaríamos a escrever este ensaio. Teve um escol de professores a quem muito agradeço por aquilo que aprendi: era uma escola de letras e ciências e, sobretudo, de integridade e formação de caracter.

Fig 20 Negage “a capital do café”. Com menos de 30 anos era já uma cidade em progresso explosivo. A cidade prestou-se a receber uma base aérea e com isso o seu desenvolvimento acelerou-se. Os habitantes eram empreendedores e com sentido de modernidade. Não era capital de distrito mas não obstou a que ganhasse os “galões” de cidade em pouco tempo após a fundação.Já nos referimos anteriormente que o eixo Uíge-Negage-Camabatela tem um grande potencial para actividades sustentáveis: bons solos, muita água (a isoieta de 1400 mm “fecha-se” nesta área), bem servida de estradas, podendo usufruir de um bom porto marítimo no Ambriz.

Fig 21 Camacupa, antiga General Machado. Fundada em 1923 em poucos anos tornou-se a “Raínha do Arroz”. Este cereal encontrou condições excepcionais nas baixadas do rio Cuanza. Os angolanos bienos dedicaram-se com afinco à cultura do arroz, introduzido em Angola pelo governador geral Paiva Couceiro(1907-1909).Na década de 50 a cultura do arroz espalhou-se por quase todo o país com relevância para Sanza Pombo e Lundas.


Fig Apesar de não ser a sede de distrito, a cidade da Gabela era o “Coração Forte do Cuanza-Sul”. Com boas fazendas de café e numa região de paisagens maravilhosas-o Amboim- a cidade estava com um grande desenvolvimento. Marcelo Caetano, quando ali esteve em 1945 como Ministro das Colónias, ficou impressionado com a paisagem, e deixou assinalado: «O Amboim é o Buçaco decuplicado».

Fig 22 A cidade do Cubal também não era sede de distrito mas tinha uma notável força económica. Grande parte da sua pujança filiava-se na presença de fazendeiros alemães que introduziram o sisal em Angola. Este produto, utilizado em cordoaria, estava bem cotado nos mercados internacionais; perdeu muito interesse com o aparecimento dos materiais sinteticos como o nylon por exemplo. Mesmo com este contratempo a cidade dedicou-se a outros géneros e à criação de g ado. Nunca perdeu o epíteto de “Raínha do Sisal”.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (9)

Fig 23 Um belo exemplo de saparalo, uma adaptação do sobrado português à arquitectura angolana.Em 1908 ainda era muito dispendioso utilizar material durável na construção de casas..A cobertura de capim tornava a casa muito confortável no aspecto térmico, mas trazia grandes inconvenientes entre os quais a atracção de insectos e ratos. E de mabatas como já aqui foi afirmado.O governador geral Norton de Matos não permitia que os postos estivessem instalados em tais casas; por isso incrementou a instalação rápida de cerâmicas.




Fig 24 O primeiro grande edifício no planalto central fruto da aragem moderna que Norton de Matos trouxe para Angola.

Fig 25 Abertura de uma estrada em 1913, durante o 1º consulado de Norton de Matos em Angola.Este governador prometia um automóvel, na altura era só o célebre Ford T, a quem fizesse 100 km de estradas.Trabalho penoso não só pela orografia desfavorável entre o litoral e o interior, como também pelo numero espantoso de rios,todos de caudal permanente, obrigando à construção de pontes.Na gravura é notória “a fuga” da linha de água. As autoridades aconselhavam os cipaios “a fugirem dos rios”para evitarem as pontes. Assim é que as estradas em Angola estão, na sua quase totalidade, situadas nas linhas de cumeada, um formidável trabalho desenvolvido pelos africanos. Fig26 Dois Ford T na fotografia. O automóvel só trouxe benefícios para Angola, acabando com os carregadores. Os carros em Angola receberam a designação de “Tuco-Tuco” uma onomatopeia do trabalhar do motor. Também eram designados, no Planalto Central por “Nena-ió-Baba” que quer dizer “Traz água”.Era comum os Ford T irromperem, fumegantes, nas aldeias africanas: deles saía um “branco”bigodudo, de chapelão, gritando:Nena-ió-Baba. Isto sucedia sempre que os Ford T acabavam de subir uma rampa da Escarpa Atlântica.
Fig 27 Barragem do Cuito primeira, e única, hidroelectrica municipal em Angola. Foi autorizada pelo governador geral Lopes Mateus em 1937. Foi financiada pelo Banco de Angola. Modesta (era a época), produzia 250 kW que chegavam para as necessidades da pequena cidade de Silva Porto (actual Cuito). Com o progresso tornou-se insuficiente, a solução foram os inevitáveis motores “diesel” de grande consumo e maior poluição. Nesta altura o governo colonial tinha-se apercebido do enorme potencial hidroelectrico de Angola que já estava monopolizado pelos oligarcas de Lisboa. Próximo de Silva Porto, no rio Cuquema havia locais para bons aproveitamentos hidroelectricos, bastante baratos porque não havia expropriações e os materiais(granito, areia e bons solos) eram abundantes e de fácil extracção) . As “forças vivas” da cidade fartaram-se de “batalhar” por uma nova barragem. Infelizmente em vão, o presidente da Câmara Municipal chegou a ser humilhado.

Em princípios de 2009 faleceu o engenheiro agrónomo Castanheira Diniz. Ele foi para Angola, em meados da década de 30, encerregado de uma diligência ingrata: estudar a cultura do kenaf e as suas possibilidades económicas. Nunca mais saiu de Angola. Passou a fazer parte do corpo técnico do Instituto de Investigação Agronómica desde a sua fundação em 1961. Foi aqui que emergiu todo o seu saber tendo publicado a maior obra de referência no género: Características Mesológicas de Angola onde estavam reunidos, sob a sua lúcida orientação, todos os estudos efectuados em Angola e que se encontravam dispersos. Depois da independência ainda publicou obras valiosas, sobre vários rios de Angola e suas potencialidades agrárias.
Castanheira Diniz é o pai da moderna geografia de Angola.


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo

Luiz Chinguar
Maio 2009

TAL CARA, TAL CU


A DERROTA DO AVÔ CANTIGAS


PROFESSOR DO ANO

PROFESSOR DO ANO

Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.

Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.

Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.

Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.

Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.

Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.

Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.

Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.

Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.

Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.

Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.

Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.

Professor do ano foi aquele que continuou a motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.

Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.

Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.

Professor do ano... tanto professor do ano.

Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.

Somos mais que professores do ano.

Somos professores sempre!

Sábado, 6 de Junho de 2009

O PERMANENTE AUTISMO DO PS COM OS PROFESSORES - SÃO SEMPRE CULPADOS


... , uma das maiores especialistas portuguesas em 'pedagogice', deu duas entrevistas ao Jornal Público, nas quais disse coisas de fugir. Esta ex deputada do PS e eventual futura ministra da educação, continua a defender com unhas e dentes a totalitária ideologia do "eduquês". Segundo ela, "há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa."

Sobre a principal tarefa que é ensinar, nem uma linha.

Depois, prossegue dizendo que "as escolas têm que ser avaliadas se resolverem os problemas e se não o fazem têm que explicar porquê." Ou dito de outra forma, se não passarem os meninos todos, serão culpabilizadas pelos chumbos, e avaliadas pelas grelhas altamente científicas do secretário de estado Valter Lemos. Sobre as medidas propostas pela actual equipa do ministério, nomeadamente sobre o ensino das línguas, a Drª Bettencourt continua maravilhada com a Finlândia (até suspeito que ela viva lá), pois refere que "na Finlândia, há alunos dessas idades [10 a 12 anos] a estudar cinco línguas, há percursos muito centrados nas línguas porque os finlandeses dizem que são um país periférico e têm que aprender. O problema não é o ensino de duas línguas, mas a consolidação da compreensão das mesmas".

Sobre a Matemática defende que "os professores têm que trabalhar mais. Não podem ser só as famílias, embora estas sejam importantes; é a escola que tem que ter muito mais responsabilidade."

Claro, a culpa é dos professores, não são as famílias que não ligam nenhuma à escolaridade dos filhos, e não são os alunos que são cada vez mais preguiçosos. Sobre o facilitismo que tem sido acusada, e acerca dos "chumbos" a linha é a mesma:

"Um aluno que chumba várias vezes é porque não foi apoiado e vai acabar por desistir, o que é mau para ele e para o país. O que defendo é que os professores compreendam as dificuldades dos alunos, insistam e trabalhem muito. Isto é muito importante, para poder resolver, porque se não, os professores dão sempre mais do mesmo. Um dos aspectos que me impressionou na escola finlandesa foi os alunos trabalharem imenso. Existem alunos com dificuldades, são apoiados e vão fazer a sua escolaridade."

Mais uma vez, a culpa é dos professores e nunca, nunca é dos alunos. Dos exames, disse que "o problema do sucesso nas aprendizagens não depende de mais exames."

Ana Maria Bettencourt personifica bem o espírito do Partido Socialista para a educação. Qualquer ministro que venha deste partido, vai defender estas ideias, que têm sido em parte responsáveis pelo tremendo falhanço que é a escola em Portugal.

Estes senhores, debaixo da capa de quererem ajudar os "coitadinhos" e os "pobres", estão com estas ideias, a prolongar-lhes a pobreza e coitadice, porque no essencial os desresponsabilizam pelos seus resultados e pelas suas aprendizagens. Ao mesmo tempo, fazem tábua rasa de tudo o que muitos professores todos os dias fazem nas escolas, passando-lhes a responsabilidade de todos os males.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

JORGE PEDREIRA - O SINDICALISTA


Quem diria ... ?

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O ARTIGO QUE MOTIVOU O PROCESSO DE SÓCRATES

OS MEUS PARABÉNS A JOÃO MIGUEL TAVARES DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt03 Março 2009

Sábado, 4 de Abril de 2009

PINTO DA COSTA BENFIQUISTA ... E FALA ELE DO LUIS FILIPE VIEIRA

O Luis Filipe Vieira tem as quotas do FCP em dia e o Pinto da Costa andou a passear e a fotografar-se com a bandeira do Sport Lucilio e Batista na mão. Mas que grande promiscuidade ...

Agora percebo melhor a CORRUPÇÃO em que o juiz António Mortágua se envolveu quando estava como presidente do Conselho de Justiça.

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

"NUNCA SE DEVE DAR PODER A UM GAJO PORREIRO"

Um texto que vale a pena ler

«No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa.

Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor. Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras. Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia.

Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomima a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro. E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo Ministério Público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados.

O Procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos... Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.»

Helena Matos, Público, 02/04/09

Sábado, 14 de Março de 2009

SÓCRATES ESCONDEU RENDIMENTOS ENTRE 1999 e 2002 E NADA LHE ACONTECEU


Manuela Moura Guedes, denunciou a situação no Telejornal da TVI e nós ficámos a saber o ... inimaginável ... só possível a alguns ... sempre os mesmos. Quem? José Sócrates, obviamente!!!!O Vídeo está AQUI

José Sócrates não revelou os rendimentos nas declarações entregues entre 1999 e 2002 no Tribunal Constitucional.

Como detentor de um cargo político, o actual Primeiro-ministro era e é obrigado a entregar a declaração de rendimentos naquele tribunal.
Na altura dos factos, Sócrates era apenas ministro e depois deputado. Nas declarações de 22/11/99, de 12/01/2001, 6/4/2002 e 12/4/2002, o campo dos rendimentos foi entregue em branco.

O decreto-lei 25/95 estabelece que os rendimentos têm de se declarados e que as omissões comunicadas e denunciadas ao Tribunal Constitucional têm de ser facultadas ao Ministério Público para proceder em conformidade.
Um representante do Tribunal Constitucional afirmou à TVI que nada foi feito porque ainda ninguém denunciou essas ilegalidades. Do gabinete do Primeiro-ministro foi garantido à TVI que as declarações de José Sócrates cumprem os requisitos da lei.

Por esclarecer está esta interpretação do gabinete do Primeiro-ministro, que permite a Sócrates não revelar o rendimento nas declarações que entrega ao Tribunal Constitucional.

Uma ilegalidade que é ajudada pelo facto de o Tribunal Constitucional e o Ministério Público não verificarem as declarações.

Experimentem então entregar as vossas declarações com o campo de rendimentos em branco e vão ver se é preciso alguém denunciar ou se vos caem imediatamente em cima. É só experimentar !!

Sábado, 7 de Março de 2009

EX-PRESIDENTE ANTÓNIO MORTÁGUA RECONHECE A "COMPRA DE ÁRBITROS"


António Mortágua:

«500 contos é uma quantia ridícula»RECONHECE QUE SE "COMPRAVAM" ÁRBITROS
Prosseguiu esta sexta-feira o julgamento do Caso do Envelope, tendo sido ouvidas as testemunhas de Pinto da Costa. Destaque para o depoimento de António Mortágua, ex-presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e da Comissão de Arbitragem da Liga. Questionado sobre a quantia (2.500 euros) que Carolina Salgado diz ter visto entregar ao árbitro Augusto Duarte disse: "Quinhentos quantos? Era pouco para a bitola que se dizia".
O procurador Augusto Sá perguntou então se os árbitros eram corruptos ou se o podem ser, ao que Mortágua respondeu: "alguns".

Mortágua recordou um Feirense-Beira-Mar, revelando que um árbitro (não disse o nome) que acabou por não dirigir o jogo, terá recebido 1.500 contos de cada equipa. "Todas as pessoas têm um preço e, repito, acho 500 contos uma quantia ridícula", frisou.
Em abono de Pinto da Costa, sustentou: "Não estou a ver que essa pessoa que eu conheço fizesse isso".
Foram também ouvidos, o antigo árbitro assistente, António Perdigão, o director geral da FC Porto SAD, Antero Henrique, e o comentador Pôncio Monteiro.
António Perdigão considerou o Beira-Mar-FC Porto "um jogo normal" e revelou que Pinto da Costa disse a Pinto de Sousa, numa conversa telefónica, que o árbitro Augusto Duarte "não deu um cheirinho".
"Recordo-me de ouvir Pinto de Sousa dizer que Pinto da Costa tinha afirmado que Augusto Duarte não tirou nada mas também não deu nada", destacou.


Denúncia
Curiosa foi a revelação de Perdigão sobre os motivos que o levaram a deixar a arbitragem.
Ficou a saber-se, no tribunal de Vila Nova de Gaia, que se ficou a dever ao facto de ter sido castigado após uma denúncia feita pelo arbitro internacional Jorge Sousa e pelo antigo árbitro assistente Domingos Vilaça (integraram a equipa de Augusto Duarte no Beira-Mar-FC Porto).
Os dois terão contado ao secretário da Comissão de Arbitragem da Liga, Carlos Pinto, um comentário que Perdigão tinha feito sobre ele durante um curso de arbitragem numa conversa informal.
VERGONHOSO !!!

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

LIEDSON . . . PORQUE OS BENFIQUISTAS NÃO GOSTAM DELE!!!

PERCEBEM AGORA??
... SÓ AGORA ???



Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

CAMPANHA NEGRA CONTRA O POVO PORTUGUÊS



Isto já começa mas é a cheirar mal. Se fosse um qualquer anónimo português, estaria por certo, e bem, a ser investigado se é que, na melhor das hipóteses já não estaria mesmo preso.
A promiscuidade na política é como no futebol. Pode-se fazer tudo, de tudo que NADA acontece. E se for do PS, ainda melhor.
Agora é Mesquita Machado que com tantas evidências consegue O MESMO que José Sócrates com os seus projectos falsificados: PARA QUÊ IR AO IGAT? PARA QUÊ SEREM INVESTIGADOS?
Do resumo desta notícia, que vale a pena lerem, fica apenas aqui um resumo de ... arrepiar e deixar incrédulo qualquer um pela FALTA DE INVESTIGAÇÃO.

Não será isto uma VERDADEIRA CAMPANHA NEGRA contra o Povo Português que paga os seus impostos e vê cada vez mais os abutres da política e deste PS MAMAREM até onde podem porque a eles TUDO é permitido?

RENDIMENTOS DECLARADOS E MOVIMENTADOS PELO CASAL E FAMÍLIA (EUROS)
MESQUITA MACHADO E A MULHER
1993
Rendimento declarado: 42 500 (bruto)
Movimentos bancários: 75 750
1994
Rendimento declarado: 44 000 (bruto)
Movimentos bancários: 73 000
1995
Rendimento declarado: 46 000 (bruto)
Movimentos bancários: 64 500
1996
Rendimento declarado: 50 000 (bruto)
Movimentos bancários: 60 000
CLÁUDIA
Rendimento declarado: 6500 (bruto)
1997
Rendimento declarado: 51 000 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 58 500
Movimentos bancários: 165 000
1998
Rendimento declarado: 53 500 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 60 000
Movimentos bancários: 230 000
1999
Rendimento declarado: 40 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 42 500 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 14 500 (líquido)
Movimentos bancários: 200 000
2000
Rendimento declarado: 46 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 59 000 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 300 000 (líquido)
Movimentos bancários: 782 500
2001
Rendimento declarado: 53.000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 55 409 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 219 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 695 480
2002
Rendimento declarado: 51 400 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 99 300 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 262 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 603 000

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

VERSÃO COMPLETA DO PARECER PRELIMINAR DE GARCIA PEREIRA

Paulo Guinote, no seu Umbigo da Educação, apresenta a
Um documento importante na nossa luta contra o descrédito a que chegámos.
.



CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO DOUTOR GARCIA PEREIRA

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EM DIRECTO,

a conferência de imprensa do doutor Garcia Pereira,

AQUI

.

A MINHA RESPOSTA À DESESPERADA DGRHE

A DGRHE mantém o assalto às caixas de correio dos professores para intimidar e pressionar numa clara situação de desespero porque já percebeu que, apesar de tudo, GRANDE PARTE dos professores mantém a sua coerência e espírito de luta por se sentir injustiçado, enxovalhado e com a sua dignidade posta em causa.
Esta permanente intimidação fazem-me sentir vítima de uma campanha negra por parte da DGRHE. Sinto-me insultado pela DGRHE.
PORQUÊ que o meu email pessoal há-de ser vandalizado por quem quer?
Não terei também o direito à minha privacidade?
Sou obrigado a abrir a porta de minha casa a qualquer um?
Porquê que a DGRHE passa a vida a "chatear" se ninguém lhe encomendou o sermão?
Por isso mesmo, assim que recebi mais uma AMEAÇA deles, respondi-lhes ... curto.
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A RESPOSTA

From: Francisco Teixeira Homem <fxxxxxxxxxx@gmail.com>
Date: 2009/2/13Subject:
Re: Objectivos individuaisTo: DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt

DGRHE
Em referência ao ponto 2, queiram fazer o favor de me transcrever no referido Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, onde está escrito que os objectivos individuais são obrigatórios.Por outro lado, surpreende-me este assédio que se começa a tornar quase diário ao meu email pessoal por causa da não entrega de Objectivos Individuais quando se eu não pagar os impostos a tempo e horas, a DGCI não me avisa, se eu não pagar as propinas do meu filho a Universidade não me avisa, se não pagar a água e telefone também ninguém me avisa.
Porquê tanta preocupação com a não entrega dos Objectivos Individuais?
Aveiro, 13 de Fevereiro de 2009
Com os melhores cumprimentos
Francisco de Barros Teixeira Homem

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O INSULTO

2009/2/13 <DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt>
Professor,
Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informar o seguinte:
1.Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer para a auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselho executivo;2.De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação;3.Da mesma forma, os objectivos individuais são elemento obrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez que só a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar o contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados no projecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com o estabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.
Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar o desempenho dos professores.Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação de objectivos individuais, que:1.O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola;2.Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências;3.No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo, tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos ao avaliado, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual de actividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro).
A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aos professores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual, uma vez que se trata de profissionais com elevados níveis de competências e de autonomia. Aliás, no SIADAP, os objectivos individuais são sempre fixados a partir de uma proposta da hierarquia.
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo os professores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participação e valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a sua avaliação.
Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para que não restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliação de desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um mero procedimento de auto-avaliação.
Lisboa, 13 de Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,
DGRHE

VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU.


Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

DE PROJECTO EM PROJECTO, ATÉ À PALHOTA FINAL

A Campanha começa a ficar negra. Agora até a Judiciária não deixa em sossego o pobre do Zézito só porque dizem que ele andou a assinar projectos que não fez, que em Portugal é considerado CRIME. A palavra do nosso primeiro ministro já não conta. A sua palavra de honra, também não. Até aprece que o "engenheiro" não tem honra ou que é mentiroso. Não há direito que tratem assim, aquele ministro que até é o primeiro. Pobre Portugal, ao que tu chegáste!!



Se José Sócrates já tinha feito o desmentido, PORQUÊ que não acreditam nele? Que maldade!

PORQUÊ que o presidente da Câmara da Guarda (PS e ex-colega de Sócrates no curso) não havia de recusar enviar para a Inspecção-Geral de Administração do Território (IGAT) o relatório da comissão interna sobre licenciamento de projectos assinados por José Sócrates nos anos 80, se já está "está tudo esclarecido"?

Façam o favor de não inventar para aí mais uma "campanha negra", tá bem? O homem é mesmo o autor dos projectos e responsável pela construção, tá bem? Puxaaaa ... tanta desconfiança nem sei mesmo porquê! É demais!!! Ainda não percebi PORQUÊ que não acreditam nele, basta olhar para a sua carinha ... ora vejam lá bem.



A FASE PRETA DE UMA DAS VÁRIAS "CAMPANHAS NEGRAS"

ATÉ JÁ COMEÇO A TER PENA DO DESGRAÇADO

PINÓCRATES - 2 ANOS DO PIOR GOVERNO

VER PARA CRER

O Pinóquio ao pé de José Sócrates era um verdadeiro menino de coro.

MENTIRAS, ...MENTIRAS, ... MENTIRAS, ... TANTA MENTIRA.

Vale a pena confirmar!!!

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

UM EXEMPLO DE UMA PCE

Depois de ultrapassado o prazo estabelecido para entrega dos Objectivos Individuais, uma Presidente de um Conselho Executivo (PCE) que eu conheço, e que se tem mostrado corajosa, foi visitada por um grupo de comissários políticos da Equipa de Apoio às Escolas do Concelho.

Depois de perceberem que a enorme maioria dos professores da escola NÃO TINHA ENTREGUE os Objectivos Individuais, já que se trata de uma escola que se tem mostrado abertamente contra este cadáver em putrefacção que é o modelo chileno de avaliação de docentes, perguntam de forma provocatória e intimidatória à Presidente o que é que ela tenciona fazer perante tal situação.
- NADA, refere esta Presidente com uma paciência de fazer inveja e uma pachorra própria de quem até acaba por ter dó de uns paupérrimos "paus mandados" que não têm onde cair nem mortos nem vivos e que se arrastam penosamente para fazer valer a voz do dono ao preço de um pacote de torresmos ou pouco menos ainda, sei lá.

E então, nesse momento, incomodados com a serenidade da resposta, um dos comissários políticos dessa Equipazeca, agarra na caneta e escreve no seu bloco de apontamentos de forma excessivamente pausada, AO MESMO TEMPO QUE IA REPETINDO EM VOZ ALTA:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ... numa clara tentativa de intimidação.

E sabem o que é que aconteceu?

Pois bem, como a Presidente continuou toda a semana seguinte a fazer NADA, eles regressaram à escola com a mesma técnica e voltaram a escrever soletrando pausadamente e em voz alta:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ...

PARABÉNS Presidente, pela "espinha" e verticalidade!

PARABÉNS a todos os colegas da escola, pela forma como têm dado a cara e lutado sem baixar os braços. A MENTIRA e a INJUSTIÇA não podem suplantar a dignidade que queremos ter como professores.




CADA UM COM O NARIZ QUE MERECE ...

Quanto mais metiroso, maior a encomenda. É bem feito!

.

Cartoon ripado daqui



OLHEM QUEM SE ESTÁ A RIR COM TUDO ISTO.



SEGREDOS E ENREDOS


Não é "insultuoso", como me retorquiu o ministro Silva Pereira, interrogar governos sobre se houve troca de favores por dinheiro. É insultuoso para todo o sistema democrático o governo não responder. (Mário Crespo)

Mark Felt, Director do FBI, morreu há poucos meses. Entrou para a história por ter sido o "garganta funda" no caso Watergate. Felt, guiou Bob Woodward, do Washington Post, com "fugas cirúrgicas de informação" até o jornal conseguir entender o que estava em causa: a Presidência dos Estados Unidos era culpada de um processo ilícito de espionagem política usando agências e dinheiros governamentais. Num livro recente, Woodward analisa quais teriam sido as motivações de Felt para fazer sair do hermético sistema do FBI para os media informações cruciais para rectificar uma ilegalidade que tinha todas as probabilidades de vir a ser encoberta e esquecida. A conclusão de Woodward é que Felt o tinha feito para honrar os valores que o Estado americano lhe tinha confiado. Felt teve a percepção de que algo incrivelmente pérfido se estava a passar na maior democracia do Mundo e que todo o sistema, FBI incluído, capturado por interesses, não ia responder. "Estavam em causa coisas como democracia, responsabilização do poder político e pura e simples honestidade", diria Ben Bradley, Director do Post.

Quando na passada semana o discurso oficial, da Procuradoria ao Governo, começou a centrar-se na "gravidade" das fugas de informação, colocando-as, em termos de importância, pari passo com a enormidade criminal do que pode estar em causa, eu interroguei-me sobre as motivações de quem divulgou os pormenores que nos permitem começar agora a compor uma imagem do escândalo Freeport.

Pensei também que se não tivesse havido fugas de informação sobre o horror que se estava a passar na Casa Pia tudo tinha continuado como sempre, na conveniência confortável dos silêncios do pecado colectivo e não tinha havido a denúncia pública de que havia crianças abusadas por pervertidos poderosos num asilo do Estado. Sem fugas de informação também não se tinha chegado ao conceito ainda indefinido de que algo está mal no Freeport de Alcochete.

Nos dois casos, as fugas, por sorte, acertaram na rara combinação de coragem e persistência que é a maneira de Felícia Cabrita estar no jornalismo. É fácil e útil para quem queira controlar mediaticamente os estragos varrer tudo para os lados "ocultos" da "força". Não se pode é excluir que haja pessoas de bem na administração pública, genuinamente ultrajadas porque um Estado pactuante com perigosas irregularidades, deixa passar anos a fio sem nada fazer até as coisas caírem no esquecimento, ou pior ainda, na habituação.

Aqui, tal como Mark Felt fez com o Washington Post, alguém passou informações para o Sol. E fez muito bem. O Freeport não é um Watergate à portuguesa. Com estes montantes e possíveis envolvimentos do executivo e justiça, é, por si só, um grande escândalo em qualquer parte do mundo. Face a isto não é "insultuoso", como me retorquiu o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, interrogar governos sobre se houve troca de favores por dinheiro. Seria insultuoso para todo o sistema democrático não o perguntar. É insultuoso o governo não responder.

Não chega repetir "deixem-nos trabalhar". É essencial saber onde chega o Freeport.

Com os valores que estão em questão, tudo o mais é menor. Até as próximas eleições.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

A RESPOSTA MERECIDA À AMEAÇA DE TRETA DA DGRHE

Em reunião geral de professores foi aprovada hoje na minha escola - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima em Aveiro - uma resposta a esta carta ameaçadora que recebemos ontem da DGRHE à laia de um suposto e camuflado esclarecimento que NINGUÉM PEDIU.
Esta respsota, será enviada amanhã mesmo para a DGRHE pelos professores subscritores.

Ex.mo Sr. Director Geral dos Recursos Humanos da Educação


Relativamente ao vosso documento “Esclarecimentos solicitados pelas escolas – Fixação de objectivos individuais” emanado pela DGRHE na segunda-feira, dia 9 de Fevereiro, os professores da Escola Secundária c/ 3º CEB Dr. Jaime Magalhães Lima vêm tecer as seguintes apreciações:

Em primeiro lugar todo e qualquer documento legal carece de assinatura individualizada e nominal do responsável, ou responsáveis, pela procedência do mesmo, sob pena de o seu valor tornar-se legalmente incipiente, o que acontece com a vossa missiva informativa, pois no final da redacção apenas aparece “A DGRHE – Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação”, a qual é tão-somente uma instituição colectiva, mas abstracta, não possuindo, por si só autonomia suficiente para desenvolver qualquer acto legal. Só os seus membros e representantes legais poderão tomar actos em nome da própria instituição de forma a esses mesmos actos serem vinculativos juridicamente.

Apesar de um elevado número de escolas terem solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais parece-nos não ter sido necessário encaminhar a resposta informativa dos vossos serviços para todas as instituições escolares, pois se algumas não o fizeram é porque entenderam, por bem, o conteúdo e a interpretação legal dos documentos jurídicos emanados pelo Ministério da Educação, do qual a DGRHE faz parte, relativamente ao assunto da fixação dos objectivos individuais.

Julgamos, deste modo, hiperbolizada a vossa função e exagerado o vosso âmbito ao contactarem as escolas que nada haviam solicitado, indiciando-nos uma prática de profunda falta de confiança para com as escolas que desenvolveram e continuam a desenvolver o seu trabalho, por um lado, e, por outro, subjazendo um reforço de cariz coactivo da liberdade e responsabilidade da acção assumida por cada docente, tal como também tem sido propalado pelos altos representantes ministeriais.

No ponto 1 do vosso documento afirmam que “os objectivos individuais são um requisito obrigatório…” sem, contudo indicarem a base legal onde está inscrita explicitamente essa obrigatoriedade, pois nos documentos legais aos quais fazem referência apenas nos pontos seguintes (não neste) não está expressa a obrigação de entrega dos objectivos individuais por parte dos docentes.

No ponto 2 do vosso documento aludem ao Artigo 16 do Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de 10 de Janeiro, afirmando que “…é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação”. Conquanto, dos diversos números e respectivas alíneas do Artigo 16 apenas se referem ao número 1 e não na sua redacção total, pois este número expressa ainda que “a auto-avaliação tem como objectivo envolver o avaliado no processo de avaliação, de modo a identificar oportunidades de desenvolvimento profissional e de melhoria do grau de cumprimento dos objectivos fixados”. Este número tem redigido “objectivos” sem, todavia explicitar claramente objectivos individuais. Deste modo os objectivos poderão ser os “objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades…” conforme está descrito na alínea a) do número 1 do Artigo 8º intitulado Elementos de referência da avaliação inserto na Secção I intitulada Princípios orientadores, âmbito e periocidade, ao contrário do Artigo 16 que pertence à Secção III intitulada Processo.
Para além disto, o número 2 do Artigo 16 afirma: “a auto-avaliação é obrigatória…”, ao contrário do que é redigido para os Objectivos Individuais que em nenhuma parte dos documentos legais afirma ser obrigatória a sua entrega, o que vem no seguimento do número 3 do Artigo 11º que apresenta a seguinte redacção: “constitui dever do docente proceder à respectiva auto-avaliação como garantia do envolvimento activo e responsabilização no processo avaliativo e melhorar o seu desempenho…”. Deste modo a auto-avaliação não só é obrigatória como também a prova cabal do envolvimento e da responsabilização do professor no processo de avaliação, o mesmo não se aplicando aos Objectivos Individuais, pois não encontramos em qualquer diploma legal este tipo de referência ou alusão aos elementos de referência individuais.
Para corroborar o acima exposto é o próprio número 1 do Artigo 9 do mesmo Decreto Regulamentar, referente aos Objectivos Individuais que expressa de forma “de modo a aferir o contributo do docente para a concretização dos objectivos constantes da alínea a) do artigo anterior”, ou seja do número 1 do Artigo 8 conforme já referimos anteriormente, que explicita “objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades…” aos quais se referirão no número 1 do Artigo 16.
O número 4 do Artigo 9 afirma que “na falta de acordo quanto aos objectivos a fixar prevalece a posição dos avaliadores”, isto é, prevalecem os objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades. Mais uma vez se constata que a relevância são os objectivos apresentados nos documentos internos do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada.

Não podemos também deixar de mencionar que os elementos de referência de capital importância para aferir o grau de cumprimento desses objectivos, conforme esclarece o Artigo 10, no presente ano lectivo, tal como aconteceu no ano transacto, “não são considerados os itens previstos nas alíneas a) e b) do número 2” do Artigo 9 do Decreto Regulamentar 2/2008, de acordo com a redacção do número 1 do Artigo 5 do Decreto Regulamentar 1-A/2009. Deste modo o Artigo 10 fica vazio e desprovido de sentido e de operacionalização concreta devido à impossibilidade comparativa imposta por este último diploma legal, pois as restantes alíneas c) até g) não podem ser comparativamente quantificáveis, ainda que possam ser avalizadamente qualifcáveis.

No que concerne ao ponto 3 do vosso documento, voltamos a destacar o supracitado vazio e desprovido sentido e de operacionalização concreta do Artigo 10 por imposição do Decreto Regulamentar 1-A/2009, tal como também acontece com a alínea C) do número 1 do Artigo 18, ao qual o vosso documento informativo faz referência, porque os resultados escolares e as taxas de abandono não são, este ano lectivo, elemento de referência para a concretização da ficha de auto-avaliação. Quanto às restantes alíneas, a saber a), b), d), e) e g) não são comensuráveis em termos quantitativos, mas, sim, em termos qualitativos, nem tampouco perspectivados individualmente pelo docente porque enquadram-se num conjunto de acções e actividades, que estarão em constante mutação e reformulação, programadas, agilizadas e reguladas pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada. Deste modo não é exequível nem justificadamente possível ter em conta os elementos de referência individuais de cada docente.

Quanto aos três pontos seguintes consideramos o seguinte:

No ponto 1, a vossa informação afirma que “o prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola”, afirmação que está incorrecta porque o calendário não é aprovado pela escola como é preconizado no número 2 do Artigo 14 do Decreto-Regulamentar 2/2008, mas sim “…fixado pelo presidente do conselho executivo ou director do agrupamento de escolas ou escola não agrupada” de acordo com o número 1 do Artigo 2 do Decreto-Regulamentar 1-A/2009 que veio alterar o primeiro diploma legal.

O ponto 2 afirma que “…deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências”. Porém, como é que o director ou presidente do conselho executivo poderá fazê-lo se nos diplomas legais – Lei 15/2007 de 19 de Janeiro, vulgo Estatuto da Carreira Docente, Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro e Decreto-Regulamentar 1-A/2009 não existe qualquer menção ou referência explícita ou mesmo implícita às consequências da não entrega dos objectivos individuais? E não existe qualquer menção ou referência porque está de acordo o pensamento jurídico dos diplomas supracitados que não estabelecem, nem impõem a obrigatoriedade de entrega desses mesmos objectivos individuais.

Quanto ao ponto 3, a vossa redacção não é coerente, nem tão-pouco extraída, idêntica ou similar à redacção do número 4, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro para o qual remetem, pois afirma o vosso documento “…poderá o director/presidente do conselho executivo… fixar os objectivos do avaliado…”, o que não é precisamente o mesmo de “na falta de acordo quanto aos objectivos a fixar prevalece a posição dos avaliadores” (número 4, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro). E mesmo que a DGRHE queira dar aquela interpretação, então os docentes que não entreguem os objectivos individuais poderão exercer o direito consagrado no número 5, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro que consta da seguinte redacção: “Verificando-se a situação prevista no número anterior pode o avaliado registar esse facto na ficha de auto-avaliação”. Este número vem confirmar a possibilidade de entregar a ficha de auto-avaliação sem consenso ou entrega dos objectivos individuais, de acordo com a vossa própria interpretação. Lamentável é que a vossa referência ao número 4, e consequente redacção, do supra mencionado artigo e respectivo decreto-regulamentar não venha, de todo, esclarecer ou clarificar, mas, sim, ainda confundir mais devido à adulteração que fizeram da própria redacção do ora número 4.

Na continuação da vossa exegese afirmam que “a avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro)…”. Conquanto, este mesmo número não afirma que a avaliação de desempenho docente se inicia com a entrega dos objectivos individuais, mas assegura que os “…objectivos individuais são fixados… através da apresentação de uma proposta do avaliado no início do período em avaliação”, portanto este número do diploma legal refere-se ao período em avaliação e não ao processo e fases desse mesmo processo de avaliação.
Por outro lado, o mesmo número do supracitado documento legal demonstra claramente que os objectivos são fixados no início do período em avaliação, o que contraria a exigência ministerial que quer obrigar os docentes a procederem à fixação dos seus elementos de referência no final do período em avaliação, ou seja, acerca de seis meses do término do período em avaliação de dois anos lectivos. No entanto a alínea a) do Artigo 15 do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008 corrobora a nossa posição porque afiança que “o processo de avaliação compreende as seguintes fases sequenciais: a) Preenchimento da ficha de auto-avaliação”, omitindo por completo a entrega dos objectivos individuais.

Parece-nos também exagerada e completamente desfasada da competência da vossa instituição a comparação da Avaliação do Desempenho Docente com o SIADAP, pois sendo a DGRHE um organismo do Ministério da Educação deveria preocupar-se em atender os verdadeiros problemas relacionados com os recursos humanos do Ministério da Educação e neste caso concreto e específico com os recursos humanos docentes, nomeadamente em esclarecer devida e competentemente as dúvidas e não proceder a comparações levianas e medíocres de cariz claramente de propaganda político-governativa, tentando demonstrar que a classe docente é privilegiada, quando no fundo a profissionalidade docente apresenta uma especificidade muito concreta reconhecida internacionalmente pelas demais instituições e especialistas de renome ao nível da investigação em educação.

A vossa conclusão retoma a famigerada e propalada impossibilidade de concretização do processo de avaliação docente devido à não entrega dos objectivos individuais, sem contudo indicarem os diplomas legais que concretizam essa vossa repetitiva informação que de tão repetitiva levanta uma sub-reptícia dúvida de propensão para pressionar os professores a realizarem um acto que o Ministério da Educação exige, mas que a lei em documento algum obriga como ficou devidamente comprovado nas linhas anteriores. Deste modo, coercivo e de propaganda autoritária, está em causa a liberdade individual de cada cidadão e consequentemente a vivência democrática de um país que é um Estado de Direito Democrático, pois num Estado livre nenhum cidadão é obrigado a fazer o que a lei não obriga.

Assim sendo os professore abaixo-assinados mantêm a sua postura e decisão de não entregar os Objectivos Individuais conscientes da sua razão de acordo com as obrigações impostas pela lei.

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

UM PAÍS DO FAZ DE CONTA E DA MENTIRA

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

MAIS UMA CHANTAGEM - A DGRHE E A VOZ DO DONO

Recebida hoje na minha escola mais uma ameaça de treta que não passa de uma treta de ameaça

Um esclarecimento recebido que NÃO PEDIMOS.

[mailto:DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt]
Enviada: segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009 10:36

Assunto: Esclarecimentos solicitados pelas escolas - Fixação de objectivosindividuais

Ex.mo SenhorPresidente do Conselho Executivo/ Director Executivo

Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitadoesclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informaro seguinte:

1. Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer paraa auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselhoexecutivo;

2. De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008,de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamentefixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a suaauto-avaliação;

3. Da mesma forma, os objectivos individuais são elementoobrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez quesó a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar ocontributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados noprojecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com oestabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de10 de Janeiro.
Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar odesempenho dos professores.

Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação deobjectivos individuais, que:

1. O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estardefinido no calendário aprovado pela escola;

2. Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deveráo director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivasconsequências;

3.No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo,tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos aoavaliado, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual deactividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º2/2008, de 10 de Janeiro).

A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dosobjectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, doDecreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aosprofessores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual.

Ao contrário do que acontece no SIADAP, em que os objectivos individuaisresultam sempre de uma proposta da hierarquia, na avaliação de desempenhodocente foi dada aos professores a possibilidade de uma participação maisqualificada na sua própria avaliação, uma vez que se trata de profissionaiscom elevados níveis de competências e de autonomia.
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo osprofessores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participaçãoe valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a suaavaliação.Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para quenão restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliaçãode desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um meroprocedimento de auto-avaliação.

Lisboa, 9 de Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,

A DGRHE - Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

FRASE DO DIA

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" FELIZ FOI ALI BABÁ,

QUE NÃO VIVEU EM PORTUGAL

E SÓ CONHECEU 40 LADRÕES !!!..."

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COMUNICADO FINAL DO ENCONTRO DE PRESIDENTES DOS CONSELHOS EXECUTIVOS, NO DIA 7 DE FEVEREIRO, EM COIMBRA

Os 212 Presidentes de Conselho Executivo reunidos em Coimbra, consideram que a base do desempenho das suas funções se rege por princípios de gestão democrática da actividade educativa das escolas.
Não estando em causa a ofensa do quadro legal em vigor, sublinha-se, porém, que o cumprimento de tal dever não exclui, antes implica, a assunção do dever cívico de garantir o bom funcionamento das Escolas no cumprimento de projectos educativos destinados à melhoria das aprendizagens dos alunos.O espírito que tem vindo a presidir à iniciativa de encontro de Presidentes de Conselho Executivo é o de, na observância dos princípios de responsabilidade institucional, transmitirem ao Ministério da Educação:
- a convicção de que este modelo de avaliação é um mau instrumento de gestão.
- a convicção de que este modelo não contribui para a melhoria do desempenho da escola pública naquela que é a sua finalidade: garantir a qualidade do ensino.
- que a insistência na aplicação do actual modelo não teve em conta e prejudica a construção de uma ferramenta de avaliação do desempenho docente justa, séria e credível, parecendo ignorar os sinais de preocupação e empenho continuadamente transmitidos pelas escolas, nomeadamente, em reuniões com o Ministério da Educação e documentos enviados pelas mesmas.
- Que as sucessivas adaptações introduzidas no modelo de avaliação, não correspondendo ao acima expresso, promoveram - sob a forma de recomendações e documentos avulso - factores de perturbação da vida nas Escolas, descentrando a atenção dos docentes daquela que é a sua tarefa principal.
- que tal insistência - desvalorizadora das diversas tomadas de posição dos docentes no uso das garantias de participação e protesto inerentes ao funcionamento do regime democrático - parece responder apenas a um objectivo político que se esgota no mero cumprimento de um calendário.
Estas preocupações, transmitidas à Sra. Ministra da Educação em audiência do passado dia 15 de Janeiro, não se alteraram e têm vindo a ser confirmadas, não se tendo dissipado o clima de instabilidade vivido nas Escolas, antes o agudizando.
Assim, é entendimento dos presentes que em relação às questões que envolvem a entrega dos OI, importa sublinhar que:
- na legislação publicada, não figura nenhuma referência à obrigatoriedade de entrega dos mesmos pelos docentes, nem à sua fixação pelo Presidente do Conselho Executivo;· os objectivos constantes no projecto educativo e no plano anual de actividades da Escola são referência adequada, em si mesmos, à avaliação de desempenho docente.
De igual modo, os presentes consideram fundamental dar continuidade ao desenvolvimento de um trabalho reflexivo e compreensivo sobre as questões essenciais da educação, da função da Escola Pública e da Carreira Docente.
Neste sentido exortam os demais Presidentes de Conselho Executivo do país a associarem-se a esta reflexão.
Este plenário reitera a posição anteriormente assumida, em Santarém, e transmitida à Sra. Ministra da Educação, no sentido da suspensão do actual modelo de avaliação como condição essencial para a defesa inequívoca da Escola Pública e da qualidade do ensino.

PINOCCHIO - A "CAMPANHA NEGRA" DE RABO NA BOCA

Pescadinha? Qual pescadinha ?


Uma pescadinha de rabo na boca:


Pinocchio -> Freeport
Freeport -> Ministro do Ambiente
Ministro do Ambiente -> José Sócrates
José Sócrates -> Grande Mentiroso e Aldrabão
Grande Mentiroso e Aldrabão -> Pinóquio
Pinóquio -> ...



SÓ PARA RECORDAR ALGUNS ALUNOS DA UNIVERSIDADE INDEPENDENTE

A história da Universidade Independente é assinalada pela presença assídua de individualidades, quer como docentes quer como alunos.

O primeiro-ministro José Sócrates concluiu ali a licenciatura em Engenharia Civil quando ainda era deputado do PS, como já toda a gente sabe, a um DOMINGO

Armando Vara, também socialista, concluiu o curso de Relações Internacionais, três dias antes de ser nomeado para a administração da Caixa Geral de Depósitos.

Pelo Centro de Estudos de Televisão, dirigido por Emídio Rangel, passaram nomes como José Alberto Carvalho, Ana Sousa Dias, Catarina Furtado, Margarida Marante, Júlia Pinheiro, Teresa Guilherme, Manuel Luís Goucha, Baptista-Bastos e ... Carlos Narciso (ex-reporter RTP e assessor de Santos Silva)

A modelo Bárbara Elias, a ex-miss Portugal Fernanda Silva e o cantor Axel passaram pelas cadeiras da UnI, como estudantes do curso de Ciências da Comunicação.

O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, deu lá aulas, tal como o assessor do ministro da Saúde, Miguel Vieira.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

ARMANDO VARA - UM PÓS-GRADUAÇÃO ANTES DA GRADUAÇÃO


Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação, fantástico estamos entregues aos bichos.

Dados pessoais de Armando António Martins Vara
Data de nascimento: 27 de Março de 1954
Naturalidade: Vinhais - Bragança
Nacionalidade: Portuguesa
Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo
Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008
Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica:

2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)

2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

Está tudo AQUI

É extraordinário ... um CV de fazer inveja a qualquer gestor que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS !

Este grande amigo de José Sócrates, conseguiu tirar uma pós-graduação ANTES da licenciatura...
Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do "Eng" Sócrates...

Recorda-se que Armando Vara teve de se licenciar 3 dias antes de tomar posse como administrador da Caixa Geral de Depósitos pela Universidade Independente porque sem uma licenciatura, esse cargo estava-lhe vedado por estatuto da instituição bancária.

Um curso e um cargo à medida, queriam melhor?

PROFESSOR ENVIOU SAPATOS A SÓCRATES E À MINISTRA

Forma de protesto inspirada no jornalista iraquiano

que atirou os seus a George W. Bush


António Morais está cansado de protestar. Habituado a percorrer o país, tanto a pé como de bicicleta, este professor da região de Aveiro não desiste de lutar e usar a imaginação como forma de atingir algum fim.
Desta vez, decidiu replicar o gesto do jornalista iraquiano que atirou os sapatos a George W. Bush, enviando os seus pelo correio (registado) ao primeiro-minstro e à ministra da Educação. «É um gesto simbólico, provavelmente a encomenda não vai ser recebida pelos destinatários, mas a indignação pelo que se está a passar neste país fica registada», explicou ao PortugalDiário.


VEJA AQUI AS FOTOS DAS ENCOMENDAS


A acompanhar os sapatos seguia uma missiva explicativa, datada de 28 de Janeiro. Os sapatos são caracterizados como algo importante, «porque palmilharam parte deste país, conhecem muitos dos meus dias, tecidos de ilusões e cansaços e, sobretudo, desespero e frustração pela degradação democrática deste país».
«Os sapatos transformaram-se, devido à acção daquele jornalista iraquiano, em símbolo de protesto contra autoritarismos desmedidos, gestão danosa dos países, manipulação e mentira como estratégia governativa das nações», explicou o prof. Morais a José Sócrates, acrescentando: «Representam o meu mais veemente protesto pela forma como tem governado este país que formalmente é democrático. No entanto, e graças a si, a palavra democracia está a afastar-se exponencialmente do seu significado original, cuja acepção etimológica era o "poder do povo" e que Abraham Lincoln definia como: "O governo do povo pelo povo e para o povo". Que longe nos encontramos deste conceito, no presente!!!»
Enviar os sapatos por correio é um acto que considera ser mais «pacífico» do que fazê-lo numa conferência de imprensa, tal como aconteceu no Iraque: «Pode estar descansado, apenas lhos envio como um gesto simbólico que remete para uma sintonia com a raiva sentida pelo autor original da acção. Com a certeza que lutarei contra este estado de coisas até ao limite das minhas forças».
A Maria de Lurdes Rodrigues, António Morais endereça uma mensagem mais consentânea, recordando que vestiu uma t-shirt negra durante 204 dias com a inscrição «Estou de luto pela educação».
Apenas de uma coisa se arrepende: não ter criticado o alegado estudo da OCDE, que afinal não foi realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento. «Aquilo que aconteceu foi uma mentira, mas este país nada faz. É algo diabólico o que está a acontecer, por isso temos de reagir, porque o medo está a perturbar o trabalho nas nossas escolas», frisou, não se cansando de assegurar que irá continuar a lutar, porque «o país está doente».

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

PINÓCRATES

E depois não quer que aquele

ranhoso nariz lhe cresça



ALDRABÃO ... MENTIROSO



Confira o que os jornais disseram do Pinócrates

Sol - Expresso - Diario Digital - Correio da Manhã - Os Rostos

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

OS ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS

1ª parte: os ossos do colonialismo

«Ah, se eu tivesses menos vinte anos! Que faria ? Havia de pôr os brancos contra os brancos em África, e os pretos contra os pretos, e brancos e pretos uns contra os outros e nós haveríamos de sair incólumes no meio de tudo». Frase proferida por Salazar em 1966 de acordo com o que vem exarado no livro de Franco Nogueira “Salazar O ultimo combate 1964-1970” 4ªedição ( 2000) da Companhia Editora do Minho S.A.

Nos Estados Unidos e na Inglaterra é comum usar-se a frase “ fulano tem esqueletos nos armários”. O que significa? É uma metáfora: quando uma pessoa fez no passado acções pouco dignificantes ou tem na família membros que envergonham, de tal maneira que não quer que se saiba, diz-se que “fulano tem esqueletos nos armários”.
Uma explicação para esta frase assenta em uma anedota. A netinha pergunta: avozinha, o que é um amante? Amante, resmunga a avó, lívida, pondo a mão na testa, como que a recordar-se, e disparando em direcção ao sótão com a presteza que os anos lhe permitem. Depois de se arrastar pelas escadas, entra no sótão, vai directa a um grande armário, abre uma das portas e fica petrificada: de dentro, muito hirto, como é óbvio, cai um esqueleto nu.
Em África só houve quatro países onde se registaram colonizações europeias: Argélia,Angola, Moçambique e Zimbabué (ex-Rodésia do Sul). Nestes países podemos afirmar que houve colonialismo e colonização. Nos restantes países africanos apenas houve colonialismo. Este verifica-se quando os metropolitanos não se fixam, apenas desempenham cargos de funcionalismo, sempre com o fito de um regresso. Há colonização quando os metropolitanos se fixam com carácter permanente, onde lhes nascem os filhos e onde procuram o “ultimo refúgio na velhice”. Edificam uma casa com jardim à frente e horta e pomar no quintal. Há que distinguir entre colonialismo e colonização; em Angola é fácil distingui-los.
Angola teria beneficiado imenso se em vez de descolonização tivesse havido um descolonialismo! Este,sim, acabava com o colonialismo, principal causador do atraso cultural, económico e, principalmente, social.
O sótão da história colonial portuguesa tem dois grandes armários: o do colonialismo e o da descolonização. Armários grandes com trinta esqueletos. No primeiro, o do colonialismo, jazem quinze esqueletos, todos começados por C que é a primeira letra de colónia: cidadania, contrato, centralismo, cultura, comunicações, conhecimento científico da colónia, centrifugação do capital, crédito, consumo, castigos corporais, censura, colonatos, cartas de chamada, carências de energia, e compadrios (concessões, comissões, condicionamentos e cunhas).
Erros cabeludos que persistiram até ao início do” Tempo Extra”(1961), e alguns até ao “arriar do glorioso pendão das quinas”. Erros que deixaram os quinze esqueletos que atestam as causas de todas as tragédias que viriam a seguir e que, infelizmente, perdurarão durante umas boas (ou más, se persistir o egoísmo actual dos dirigentes) dezenas de anos.
O “Tempo Extra” refere-se aos 13 anos finais do colonialismo (1961 a 1974) em que o governo metropolitano finalmente acabou com um cipoal obsoleto de leis e proibições e tentou desenvolver a colónia. Muito se fez, mas não foi o suficiente, as partes social e política falharam, estrondosamente.
Façamos, resumidamente, porque eles serão dissecados exaustivamente ao longo destas mucandas, a exumação destes esqueletos. Esta exumação é mais do que legítima, não é que se pretende exumar o esqueleto do D.Afonso Henriques primeiro rei de Portugal (século12)!
1º) Cidadania.- é o principal esqueleto do colonialismo Nunca os governos de Lisboa, até 1961, aceitaram que os africanos tivessem um estatuto de cidadão pleno. No fim do século 19, e princípios do século 20, os luandenses e os benguelenses estiveram perto de uma cidadania plena, especialmente quando a república foi implantada em Portugal em 1910. Talvez por inspiração dos ideais libertários dos maçons (românticos) esteve-se perto da liberdade. Fugaz, infelizmente. A influência da oligarquia colonial, residente em Lisboa-os oligas-, foi superior às boas intenções da maçonaria. Note-se que, nesta altura, ainda não havia colonos. A burguesia angolana era, fundamentalmente, africana ou de raiz africana. As fronteiras de Angola ainda não estavam definidas.
Mas as esperanças esvaneceram-se, definitivamente, com o povoamento maciço de europeus a partir de 1920, e depois, fundamentalmente, com o advento da ditadura em Portugal(1926) cuja base imperial era o Darwinismo Social. Repetimos que em Luanda e Benguela floresceram as únicas burguesias africanas em toda a África, com forte incidência de 1860 até 1920. Uma explicação para o facto de serem cidades que escaparam à senda de destruições que caracterizou a independência.Uma explicação para o facto de os seus naturais terem assumido os destinos do país. Não é sem razão que Benguela é hoje a segunda capital do país; no tempo colonial era Huambo (ex-Nova Lisboa). Uma explicação para o facto de os militares portugueses terem favorecido estas burguesias africanas. Os oligas preferiam esta burguesia "lusitanizada" aos outros africanos. Eles lá sabiam porquê, hoje entendem-se, e protegem-se fraternalmente, dando a ideia de que se odeiam. O Alto-Comissário Rosa Coutinho explica esta preferência porque acha que eles escrevem poesia em português e gostam de bacalhau. Almirantemente resumindo: 500 anos de história acabam numa bacalhoada, seguida de um sarau de poesia.
Os africanos nasciam com o estatuto de indígena. Como indígenas, não podiam viajar pelo território, a menos que fossem portadores de uma “autorização do administrador”. Posteriormente podiam ascender ao estatuto de “assimilado” caso preenchessem várias condições:
saber falar correctamente o português, saber ler e escrever e ter uma vida à europeia, ou seja um casamento monogâmico e uma família organizada.
O processo de assimilação, para os “indígenas”, era complexo, com “mil e um documentos”, todos com “assinatura reconhecida”,tão ao gosto do regime ditatorial que azucrinou os portugueses durante 48 anos. Em 1960, com estas barreiras, pouco mais de 50 000 tinham conseguido adquirir o estatuto de assimilado. O indigenato acabou, abruptamente, em 1961.
É óbvio que a falta de cidadania nunca poderia originar populações politizadas e com consciência para votarem em referendos ou eleições. É óbvio que a falta de cidadania deixou os angolanos numa terrível ignorância em todos os sectores . É óbvio que a falta de cidadania não origina empresários. È óbvio que a falta de cidadania inviabiliza uma sociedade urbana. É óbvio que pessoas sem cidadania são uma presa fácil para propagandas, mentirosas ou oportunistas, que escondem interesses inconfessáveis.
2º) Contrato.- Este esqueleto surgiu a reboque do estatuto de indígena. Como os “indígenas” não eram considerados cidadãos plenos tinham um representante, o curador, com responsabilidades em todos os trâmites do contrato. Em que consistia o regime de contrato ? Os”indígenas”, contra a sua vontade, eram sujeitos ao contrato, e transportados para as pescarias do litoral, para as fazendas do café, para as roças do litoral, e, principalmente até 1953, para S.Tomé.
Durante o contrato recebiam roupas, alimentação e um salário, em muitos casos sob abusos e extorsões que deixaram sequelas difíceis de sarar. Os que iam para S.Tomé, onde iam ganhar menos do que na sua terra, raramente regressavam. Henrique Galvão, deputado por Angola, fartou-se de verberar estas injustiças; nunca foi atendido, pelo contrário, acabou por ser preso.
Em Angola instalou-se o péssimo hábito de os colonos irem pedir aos administrativos para arranjarem pessoal trabalhador. Era um hábito arreigado desde os primórdios e que nunca sofreu alteração, salvo durante os curtos governos de Norton de Matos (1912/1914 e 1920/1923). A maioria dos administrativos abominava esta prática que era imposta pelos “de cima”. Isto acabou em 1961.
Às vezes o número de contratados era desmesurado: eram os célebres “contingentes” solicitados através das, também célebres, “confidenciais”.Como escreveu Adriano Moreira (150) havia um «...condicionamento de mão de obra indígena consagrado pela doutrina universitária racista marcelista sobre o papel do indígena na economia, o trabalho compelido, as culturas obrigatórias, o estatuto de concessionários refreavam ou anulavam a iniciativa competitiva. Além disso havia os impedimentos legais à livre circulação dos portugueses entre as colónias o que matava, na fonte, o aparecimento de uma classe empresarial».
Os indígenas não podiam viajar para fora da sua área de residência sem um autorização do administrador do concelho. O fim deste regime começou com o governo de Venâncio Deslandes em 1961e foi erradicado com Silvério Marques de 1963 a 1966, tendo provocado a fúria de alguns colonos e da oligarquia que beneficiavam com ele.
Na verdade o contrato, assegurado em condições laborais honestas (como sucedeu após 1961), não é infamante, antes pelo contrário, ele assegura trabalho a pessoas que dele necessitem e dignifica-as. Trabalhadores contratados há-os em todo o mundo, nos tempos actuais. O trabalho sazonal na Europa e nos Estados Unidos é feito por milhões de pessoas, sem qualquer constrangimento, embora, lamentavelmente, ainda se verifiquem abusos e violências que nós julgávamos que ficariam erradicados após a emancipação de África.
No período de compensação, ou Tempo Extra (1961 a 1974), praticou-se um regime laboral moderno, mas já era tarde, talvez com mais uns anos e boas ascensões sociais entre os nativos, se olvidassem as injustiças dos contratos e das discriminações sociais. Teriam que decorrer, talvez três gerações, para que as injustiças se esbatessem. Não houve tempo(13 anos) para se esquecerem os procedimentos que caracterizaram os tempos anteriores a 1961. Isto influiu na saída dos colonos após a independência, muitos tinham colaborado com estas injustiças, a maioria ignorava-os.
Em 1942 o Governador Geral Freitas Morna escreveu sobre os abusos e tentou, até, um sistema inovador para suprir as necessidades das fazendas e das pescarias e que consistia em fixarem-se trabalhadores permanentes, vivendo com a família em boas casas e com ensino para os filhos. Com tão boas ideias Freitas Morna só governou 10 meses ! Antes dele Norton de Matos foi demitido, por duas vezes, devido à sua extrema repugnância pelo trabalho compelido.
Os angolanos gostavam de rir, em tudo introduziam ironia. Até meados da década de 50 obtinha-se gasolina comprando latas (20 litros) ou tambores (200 litros), que depois se transportavam nas viagens, uma vez que nos “bicanjos” não havia bombas para abastecimento. Nas povoações do mato havia umas bombas manuais oferecidas pelos produtores de petróleo do Texas. Estas bombas eram constituídas por um carrinho, de duas rodas, que fazia lembrar as quadrigas romanas, só que em vez do Ben Hur (condutor) estava um tambor de 200 litros. A quadriga tinha uma “torre” de 2,5 m de altura que terminava em dois reservatórios de 5 litros, para onde era elevada a gasolina através de uma bomba manual de êmbolo, num sistema de vai-vem. Enquanto se esvaziava um reservatório para o carro, por gravidade, bombeava-se a gasolina para o outro reservatório, e assim sucessivamente, em golfadas de 5 litros. As latas e os tambores vazios eram depois aproveitadas para transporte de água. Uma água que, durante uns tempos, tinha um leve travo a gasolina, isto para não dizer que cheirava e sabia a gasolina.
Um angariador viajou numa camioneta, apinhada de contratados, durante o cacimbo. Estrada poeirenta e cheia de buraquinhos, buracos, buracões e crateras. O nosso viajante era asmático e, aflito com a poeira, pediu para parar a camioneta. Mal pôs os pés no chão deu uma bombadas para a garganta e ganhou nova vida. E como “parada dá mijada”, toca a aliviar a bexiga. Um contratado, espantado, disse para outro companheiro: “iihhh, este branco para mijar precisa de dar à bomba, é como nas bomba de gasolina...”
3º) Centralismo.- A concentração de todas as decisões em Lisboa foi total, durante o tempo colonial e até durante a descolonização. Tornou-se uma obsessão. Angola nunca teve uma simples autonomia. Em Lisboa sempre imperou uma mentalidade de poder absoluto em relação às colónias. Os povos coloniais eram encarados como crianças que precisavam de ser tuteladas. E que nunca iriam atingir a maioridade, matutavam os oligarcas.
O governo em Lisboa mantinha uma chantagem induzida, em relação aos colonos, apoiada, principalmente, em dois pilares: o primeiro era o de que não havia um exército angolano próprio mas apenas forças militarizadas, comandadas sempre, até ao nível de sargento, por metropolitanos.Ou seja não havia exército próprio capaz de fazer “uma virada”. Esta seria logo esmagada pela tropa metropolitana equipada com material moderno que, intencionalmente, não existia em Angola.
O segundo era a separação, deliberada, entre europeus e africanos, não deixando estes subir na escala social. Com estas duas clivagens o perigo de “um grito do Ipiranga” nunca iria aparecer. A separação propositada entre a duas comunidades, a africana e a europeia, garantia uma desunião que favorecia a Metrópole. Lisboa ciciava aos colonos: «se vocês intentarem a independência nós vamos embora e vocês não aguentam os “pretos”». O que, afinal, se verificou, embora nunca tivesse prevalecido qualquer ideia de um “grito do Ipiranga”. Não havia, ainda, uma base histórica e população que pudessem amparar uma emancipação igual à do Brasil, ou seja, feita pelos colonos. Como já o afirmámos a independência foi exógena, ou seja de fora para dentro.
Os soldados angolanos eram “indígenas” recrutados por toda a província. O recrutamento destes não era compelido como o dos contratos. Até já era de boa tradição, em alguns povos, “fazerem a tropa”. O voluntariado “para a tropa” era já admitido, pelos africanos, como uma boa iniciação para a vida, e atingia números interessantes.Por exemplo nos Cuanhamas e nos Quiocos era tradição, entre eles, o cumprimento do serviço militar. Este dava-lhes a condição de homem completo.
O mal aparelhado exército em Angola, em 1960, ainda usava a táctica militar B referente ao conflito mundial 1914-1918, até porque o material de guerra, existente, era todo daquele tempo. Ou seja, não havia tanques ou carros de assalto, não havia aviação militar, não havia artilharia moderna, nem sequer uma logística actual. As espingardas e as metralhadoras eram daquela guerra. Qualquer sublevação interna disporia de infraestruturas e logística próprias do princípio do século 20, ou seja sem aviação. Esta estava toda em Portugal.
È paradigmática a frase de um angolano, citada por C.A.Domingues (73), «O pior mal que os portugueses nos fizeram é o de nos obrigarem a fazer a luta de libertação a partir do exterior».
Mesmo aqueles metropolitanos capacitados, com provas dadas, mas com muitos anos de trópicos, eram encarados,pelos oligas, como “pirados”. É sintomático o que Marcelo Caetano, quando era Ministro das Colónias (1944/1947) escreveu a Salazar( 16), a propósito de uma licença concedida ao Governador da Guiné: « Teria de ir sem vencimentos. Mas como o homem tem 14 anos de governo tropical e está já na fase de asneiras frequentes...» Quer dizer, segundo a óptica colonialista, quem vivia muito tempo nos trópicos ficava “passado dos carretos”.
É de um paternalismo oco, revelador de uma superioridade própria de um imperialismo ultrapassado, embora querendo aparentar o contrário, a frase de Rosa Coutinho, um desastrado governante durante a descolonização, quando regressou de Lisboa onde se tinha deslocado para receber, à semelhança do que já sucedia há 500 anos, e com frequências desmesuradas, ordens do governo centralista, citado em (42):« Tinha que trazer um rebuçado para esta malta para ver se acalmam; sei que a situação está um pouco quente e estas medidas podem constituir um tónico para a incerteza que naturalmente sentem a respeito do futuro; sabem que vão perder privilégios mas ganham noutros campos».
O conceito daquele governante, sobre os angolanos, “esta malta”, era este: são uns pobres diabos que aceitam qualquer balela, uns “rebuçados”, os cérebros somos nós, as decisões são nossas. É interessante notar que a mentalidade dos dirigentes, que se seguiram ao golpe de estado de 25 de Abril, era igual à dos anteriores governantes. Não é preciso ser-se Sherlock Holmes para se explicar porquê. Eles eram os mesmos, só que com outras roupagens políticas vestidas à pressa, como nos teatros de revista, com todo o respeito por este teatro. Que, afinal, fartou-se de criticar a ditadura, sempre com uma admirável subtileza.
4º) Cultura.- Com o seu principal atributo o ensino, é outro esqueleto, e avantajado, que jaz no armário do colonialismo. O ensino levou, sempre, o governo central a situações beirando o pavor. A 1ª República, que vigorou de 1910 a 1926, inovou, apresentando um certo entusiasmo no ensino.
Talvez sob inspiração maçónica, já mencionada, criaram-se centenas de escolas, por toda a colónia, chegando a haver embriões de escolas técnicas, denominadas escolas-oficinas. O nome da escola de Silva Porto, em 1924, era Pátria Nova- um perfume filantropo-ia ter ensino técnico, aventou-se a hipótese da cultura do bicho da seda, os recreios nos novos edifícios tinham centenas de amoreiras. Posteriormente quase tudo foi abandonado. Em 1919 foi instituído o primeiro liceu em Angola o depois Liceu Nacional Salvador Correia, e em 1929 foi criado o segundo liceu na Huíla, o Liceu Nacional Diogo Cão.
Depois do Liceu da Huíla, em 1929, foi o vazio absoluto, no ensino secundário; só em 1954 seria criado o liceu feminino de Luanda e em 1956 os liceus de Nova Lisboa e Benguela. Todo o ensino secundário, excepto em Luanda e Sá da Bandeira, foi mantido por particulares, sempre sob a pouca vontade dos governos de Lisboa. A vigilância oficial sobre este ensino particular foi sempre apertada. A taxa de reprovações era alta. Houve anos em que ela foi tão alta que o próprio Governador Geral mandou repetir os exames. A oligarquia metropolitana vivia obcecada com a frase “quem transmite o saber, transmite o poder.”
Em 1936 gerou-se em Nova Lisboa um movimento a favor do ensino secundário. As populações até nem exigiam um liceu, pugnavam por uma escola técnica. Era grande o entusiasmo, o próprio Governador do Bié subscreveu a petição. Resultado: zero. Teriam que decorrer mais 20 anos para a petição ser satisfeita.
Mas no ensino primário a situação ainda foi pior. À década de 20, caracterizada pela criação de centenas de escolas, seguiu-se a década de 30 caracterizada pela aniquilação de dezenas de escolas. Motivo: não tinham alunos! Em 1935 o meu pai, que se encontrava no Vouga (povoação a 30 km de Silva Porto, hoje Cunhinga), fartou-se de lutar contra o fecho da escola primária. Mas em vão. A escola foi fechada, mas acabou por reabrir, talvez por um assomo de vergonha, dois anos depois. Como o Vouga fecharam-se, na década de 30, dezenas de escolas mas que nunca mais reabriram. Elas só reabriam quando havia protestos das populações, como foi o caso do Vouga.
O ensino primário, fora das cidades e vilas, estava cometido às missões católicas e protestantes. Em Angola qualquer missão que não fosse católica, era designada de “protestante”. O que não corresponde à verdade, porque havia missões de muitas crenças religiosas. As missões bem que se esforçaram por atenuar uma tarefa que competia, inteiramente, ao governo central. O objectivo das Igrejas é o culto religioso, mas foi-lhes destinada a alfabetização das populações, sem verbas. Sem estas, nem Deus lhes podia valer!
O ensino universitário foi sempre um tabu. O governo central arranjou, sempre, uns esquemas ou evasivas para protelar a sua instalação. Acabou por ser implementado em 1963, mas com graves deficiências: não existiam os cursos de direito, arquitectura, sociologia e economia. Este ultimo acabou por funcionar, graças à “carolice” de um professor, a partir de 1972.
O esqueleto da cultura ainda foi agravado com a falta de bibliotecas. Mais adiante, no livro, descreveremos a saga das bibliotecas que existiam só em decretos e portarias.
A falta ou deficiência de cultura foi uma das principais causas do atraso, em que se encontrava Angola, sob o aspecto humanístico.
5º) Comunicações.- A deficiência de comunicações foi uma das principais causas sob o aspecto tecnológico. Em 1961 as estradas em Angola eram, praticamente, as mesmas do que no tempo de Norton de Matos. Eram milhares de quilómetros, intransitáveis na estação das chuvas, porque o trânsito tinha decuplicado. A única melhoria, desde a década de 20, foi a construção de pontes. Muitas pontes. Algumas de grande porte. Para as pontes não é estranho pensarmos que muito deve ter contribuído o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil). Era um orgão com prestígio internacional e com bons trabalhos prestados em Angola. E também a figura do eng. Edgar Cardoso, um génio da engenharia de pontes. Talvez o LNEC e o engenheiro forçassem o Governo a fazer grandes projectos.
As pontes rodoviárias constituiram uma marca do colonialismo. As pontes aéreas constituiram uma marca da descolonização. As pontes feriadárias constituem uma marca dos governos ultra-democráticos, em Portugal, que gostam de governar agradando a tudo, a todos e o tempo todo. Quando o tesouro apresentar buracos negros com tendência a agruparem-se em um único grande buraco, toca “a cavar” para a oposição, arvorando-se em vítima..
Em comunicações a principal negação foi a das estradas. O governo centralista equivocou-se quando resolveu construir caminhos de ferro, em uma altura em que o automóvel já se tinha imposto em todo o mundo. Mas pior do que essa falta de perspectiva histórica (se calhar até foi de propósito, pois não interessava que Angola explodisse em progresso) foi a não asfaltagem das estradas. Até 1961, em que se começou a pavimentação, as estradas ficavam intransitáveis durante as chuvas. Entre Luanda e Dondo registou-se um “enterranço” histórico em 1958: uma fila de mais de 50 km de camiões atolados na lama. Era confrangedor o isolamento entre cidades!
Depois da guerra 39-45 apareceram os jipes, viaturas para todo o terreno. Para o desenvolvimento de Angola era lógico que estes jipes, que em parte até substituiriam o cavalo, pois podiam ir a locais inacessíveis às outras viaturas, tivessem estatuto especial, com isenção de impostos, de modo a serem difundidos por toda a colónia. Pelo contrário, a importação dos versáteis jipes estava sob “numerus clausus”(número limitado), era só para uns quantos amigos, ou para endinheirados ou para os serviços oficiais. Bem lá no fundo era o velho temor do garimpo.
Em telefones só algumas cidades possuiam rede local, com telefones do tempo de Graham Bell, apenas Luanda tinha rede automática.. Em 1953 dizia-se que a rede automática era muito moderna. Mas em 1929 os jornais de Lisboa escreviam: “A Companhia dos Telefones de Lisboa vai usar em breve os aparelhos que permitem as ligações pelo simples manejo de uma rodela numerada o que dispensa a intervenção das meninas da central.”
Telefonemas entre cidades não existiam. Silva Porto capital de um distrito, só dispôs de rede telefónica em 1971, mesmo assim recebeu a rede do Lobito, não automática e com mais de 30 anos. Para se falar tinha que ser aos gritos e sob escuta da respectiva telefonista. Um campo aberto para fofocas, facilitando a actuação da censura. Por incrível que pareça, a cidade em 1959 tinha um único telefone que, nem sequer, estava inserido em uma cabine, ao abrigo dos curiosos.
E que dizer da televisão? Nunca percebi a atitude do governo de Lisboa em não permitir a televisão. Poderia admitir-se que fossem problemas financeiros, mas este argumento cai por terra, porque havia empresas interessadas na sua instalação. Os encargos seriam particulares.E, se tivessem que ser oficiais, não havia problemas financeiros: Angola fechava, sempre as suas contas com saldos positivos. Ao contrário de outros países, que eu não cito, por pudor, que estão sempre no “vermelho”, e com taxas de crescimento estonteantes: 0,2%. Ou então com taxas de crescimento negativas! O que é crescimento negativo? Em matemática uma função cresce ou decresce!
Em Setembro de 1974, quando tudo desmoronava, o presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho teve uma atitude ousada: entregou ao ministro da Coordenação Interterritorial um projecto de decreto-lei para a instalação da televisão em Angola. No Boletim Oficial (era assim que se denominava o “diário da república” em Angola) de 30 de Novembro de 1974 foi publicado o Decreto 677/74 que autorizava a instalação e exploração em Angola do serviço público da TV. Era uma empresa mista com 51% do capital pertencendo ao governo metropolitano. Vale dizer: tarde piaste. Rosa Coutinho ainda tentou resgatar a vergonha da ausência de TV em Angola.
Já em pleno Tempo Extra constitui-se uma empresa particular de TV, que chegou até a efectuar emissões por cabo (em 1972 dizia-se que era o futuro da TV, o que se confirmou ) mas, ingloriamente, nunca conseguiu o alvará. A versão que corria, sempre de rua porque o governo nunca dava satisfações, explicava que a TV seria montada em breve, com a aparelhagem obsoleta vinda de Lisboa, uma vez que a RTP (Rádio e Televisão Portuguesa) iria entrar na era colorida. E claro, com a aparelhagem obsoleta viriam, também, os programas com um elevado grau de vetustez, cobertos de musgo. E, é óbvio, com programas filtrados.
O engraçado de tudo isto (se quisermos rir com desgraças) é que a África do Sul, indiscutivelmente um país moderno e muito avançado em tecnologia, alinhava com Portugal na relutância em dotar o país de uma TV. Tal como em Portugal, o governo minoritário e segregacionista não tinha interesse na divulgação de notícias e cultura para as massas.
6º) Conhecimento científico da colónia.- É mais um esqueleto deixado pelo colonialismo. Meu pai teve vários desabafos sobre a tremenda falta de curiosidade dos cientistas da Metrópole. O campo de estudo e investigação era, com um pouco de exagero, infinito. Desde o estudo dos rios, das doenças ( que eram estudadas em Lisboa!), dos milongos (remédios nativos que eram desprezados), das plantas medicinais ( que eram encaradas com sobrançaria) da fauna (os crocodilos foram sempre denominados jacarés), da flora (havia centenas de frutas nativas que podiam ser comercializadas), do clima, até ao estudo da orla marítima e do mar, havia um universo para ser investigado. A Carta Fitogeográfica de Angola elaborada por John Gossweilar e Mendonça foi feita em Angola em 1939. Só em 1973 é que saiu uma carta actualizada, graças à carolice do eng.º Grandvaux Barbosa que residia em Angola.
Nunca saíu qualquer carta geológica acessível aos habitantes de Angola, como era, por exemplo, a carta aerofotogramétrica em escala 1/100 000. O conhecimento geológico de Angola (se o havia) estava fechado a sete chaves, só os oligas a ele tinham acesso. Uma campanha bem urdida convenceu os angolanos que, geologicamente, era “tudo areia”. Diamantes só na Lunda. Nos E.U.A. compra-se qualquer folha da carta geológica em uma banca de jornais.
Mas nada! O interesse das universidades metropolitanas era diminuto, ressalve-se alguns cientistas que se arriscaram, quase por conta própria.A única contribuição das universidades portuguesas eram as visitas dos orfeões e das tunas académicas.
O distrito do Bié nunca recebeu a visita de qualquer grupo de alunos ou professores que estivessem interessados em estudar qualquer assunto. Nunca ninguém estagiou no Bié. Só teatros, tunas, orfeons, orquestras de tangos, cantadores de fados, passeios turísticos e discursos patrióticos. Estes sim, eram em cascatas e intermináveis, chegavam a ocupar, nos dias seguintes,em transcrições, duas e mais páginas nos jornais. É óbvio que poucos tinham a pachorra de os ler porque eram longos, chatos e repetitivos.
É certo que havia a Junta de Investigações do Ultramar, com a sede em Lisboa. No cacimbo éramos visitados por uns cientistas que efectuavam estudos que depois eram publicados em livros sobre assuntos meramente académicos. Livros que abordassem assuntos de interesse prático, e aplicação imediata, conheci muito poucos. E os poucos que conheci foram escritos por técnicos que residiam em Angola e que deixaram obras de elevada qualidade científica e excelente aplicação prática. Mas, mesmo estes, foram publicados já no Tempo Extra (1961/1974). Antes, “não havia verba”. Exemplos positivos: o esplêndido livro de Castanheira Diniz, neste livro referido n vezes, Características Mesológicas de Angola publicado em 1973, de circulação restrita (porquê ?), e a carta fitogeográfica de Grandvaux Barbosa, citada acima.
Nunca me esqueço do seguinte: um alfarrabista em S.Paulo (que no Brasil se denomina sebo), ao saber que eu era de Angola, levou-me a um sala onde se encontravam milhares de livros no chão. Eram livros editados pela Junta de Investigações do Ultramar. “Escolha os que quiser”, disse-me ele,” é de graça”. Se quiser pode levá-los todos, só me estão a ocupar espaço, até agora ninguém comprou qualquer livro. A Junta enviava toneladas de livros para o Brasil, onde ninguém tinha interesse em lê-los, e enviava muito poucos para Angola, onde havia, de facto, muitos interessados em lê-los.
Só para dar um exemplo: Uma das publicações da Junta de Investigações do Ultramar tinha por título:”Contribuition à l´étude de la famille du Pa231 par des correlations angulaires de quelques cascades y-y et xy”.
Na década de 40, estudava-se geografia e história de Angola, só na 4ª classe, através de dois livrinhos que se mantiveram no activo até fins de 1960 . Nunca lobriguei qualquer livro sobre história ou geografia, só na década de 70 é que, finalmente apareceram obras úteis feitas por residentes em Angola, como, por exemplo, a obra acima referenciada de Castanheira Diniz. A história e geografia de Angola eram, propositadamente, olvidadas.
O antigo ministro do Ultramar Adriano Moreira confessa que em 1955 assistiu à Conferência Interafricana das Ciências Humanas que se realizou em Bukavu de 23 de Agosto a 3 de Setembro. Escreveu (150): «Foi lá que me dei conta , pela primeira vez com verdadeiro dramatismo, do atraso português nos domínios da investigação e do ensino em todos os campos das ciências humanas que interessavam ao Ultramar, incluindo a problemática política contemporânea».
Esta falta de investigação e actualização das ciências humanas iria ser fatal, vinte anos depois. Enquanto os dirigentes e militantes dos movimentos independentistas estavam muito politizados, em Angola era confrangedora a falta de politização e, até, a falta de informação. Quando os angolanos se deram conta das correntes políticas que apareceram no período da pré-independência ficaram atónitos e desnorteados.
7º) Centrifugação do capital.- O esquema económico que prevaleceu até à década de 60 foi um mercantilismo vazio, apoiado na mais valia do trabalho, preponderantemente indígena. O pouco capital que se conhecia era só obtido através do trabalho mal remunerado. Se sobrasse capital era de imediato transferido para a metrópole, isto é, era centrifugado. Capital através de créditos estrangeiros para investimento, nem vê-lo. Mas subsistiu sempre um paradoxo: os grandes capitais eram centrifugados de imediato mas as pequenas poupanças eram centripetadas ou sejam eram obrigadas a ficar em Angola. Mas, para estas,nem sequer havia remuneração, através de juros compensatórios.
Havia uma forma indirecta da centrifugação de capitais, mas não a menor: a apropriação das divisas angolanas provenientes da exportação de dezenas de géneros. Angola exportava em 1973 mais de 40 artigos, cada um de valor superior a um milhão de dólares , com relevância para café, petróleo (era o início da “cornucópia” então com 147 068 barris diários), diamantes, minério de ferro, farinha de peixe, algodão em rama, sisal, peixe fresco refrigerado ou congelado,banana fresca, madeira em bruto e cimento. Por isso a balança comercial portuguesa tinha um certo desafogo graças às divisas de Angola.
8º) Crédito.- Existia uma flagrante falta de capitais. E não havia onde os obter. Conheci um dentista (em 1956) que chegou a ter no banco, em depósitos à ordem, a quantia de 1 250 contos. Um Vollkswagen custava em 1956 cerca de 50 contos (2 000 dólares na época). De acordo com este “câmbio” seriam hoje 25 carros ou cerca de 450 000 euros ou 90 000 contos. Uma enorme quantia (1 250 contos na época) sem quaisquer juros, um verdadeiro maná para um banco. Uma quantia inerte em um banco, porque o depositante não tinha onde a aplicar. O Banco de Angola não proporcionava crédito a longo prazo, o único que fomenta riqueza firme. E não pagava juros, nem às pequenas poupanças.
Os colonos arranjaram “esquemas” habilidosos, mas éticos, para contornarem o flagrante vazio de moeda. Os comerciantes conseguiam solver os seus compromissos através de letras e sucessivas reformas. Ter-se uma letra protestada (que não foi paga dentro do prazo) era uma enorme vergonha! Os funcionários conseguiam aguentar o dia a dia através dos livros de débitos (a célebre caderneta do “aponte”) e, especialmente, dos vales.
Uma vale consistia no seguinte: em um pequeno papel, quanto mais pequeno melhor para o devedor, pois se perderia com facilidade, ele escrevia: Vale 12 angolares, por exemplo, punha a assinatura a data e pronto, já podia levar a mercadoria. Quanto ao pagamento isso às vezes, ficava para as “calendas gregas”, ou para o dia de S.Nunca.
Por piada contava-se que um comerciante não conseguia eliminar os ratos no armazém. Pôs ratoeiras com pão, carne,todos com veneno de rato e nada. Parece que os ratos eram metropolitanos recém chegados à colónia (estávamos na década de 40). Seriam, segundo a terminologia oficial, colonos ratos. Eram espertos e muito vorazes, logo que chegaram começaram “a explorar as riquezas do país”.Por fim alguém lhe sugeriu a colocação de um pedaço de queijo na ratoeira, afinal eram ratos europeus de fino paladar, não resistiriam a uma iguaria europeia. Era a década de 40, ainda se não fabricavam queijos industriais em Angola. O comerciante, seguindo as praxes da economia angolana, e como não tinha queijo, pôs um pedaço de papel na ratoeira onde estava escrito: Vale 1 pedaço de queijo. No dia seguinte, perplexidade: a ratoeira tinha disparado, mas em lugar de um rato estava outro bilhete onde estava escrito: Vale 1 rato. Os vales funcionavam, mesmo, em qualquer situação!.
Os colonos, por não disporem de um mercado moderno, por estarem inseridos em um contexto de salários baixíssimos, quase o mercantilismo do século 19, e de não disporem de poupanças remuneradas, podiam esperar uma velhice de miséria, a menos que tivessem filhos com “o liceu” ou seja funcionários públicos. O governo de Lisboa inteirou-se disto e criou, em Silva Porto, a Mansão dos Velhos Colonos, um abrigo de 3ª idade. Basta folhear os jornais da década de 40 para se ler, com grande frequência, a morte de “um velho colono, praticamente na miséria”. O hospital de Silva Porto mudou-se em 1951 para um dos edifícios da Mansão dos Colonos e por lá ficou até 1962, ocupando as instalações destinadas à terceira idade
Antes da criação da Mansão muitos colonos, principalmente aqueles que não tinham filhos, morriam na miséria. O caso mais pungente foi o do médico João Pessoa. Vivia em Cantanhede onde tinha bens de raiz. Entusiasmado foi para Angola como avençado do Caminho de Ferro de Benguela. Vendeu tudo o que tinha em Portugal e estabeleceu-se em Nova Sintra (actual Catabola, no Bié). Tudo deu errado. Ele tinha pena das pessoas e não cobrava honorários. Morreu quase na miséria em Nova Lisboa perante a indiferença dos governos coloniais. Este caso, por ser paradigmático, já foi referido anteriormente.
As poupanças não remuneradas podem agregar-se ao esqueleto do crédito. Em Portugal havia os certificados de aforro, bem remunerados e com boas taxas de permanência, que garantiam, e estimulavam, as pequenas poupanças. Em Angola, quem tivesse dinheiro (um caso raro) teria que o pôr de baixo do colchão (duríssimo,de palha de milho ou de chipipa, como é óbvio, para quem é pobre!). Refira-se que não havia inflação ostensiva.
A única remuneração das poupanças era na Caixa Económica Postal onde eram contempladas, com juros de 2% ao ano, sobre um valor máximo de 24 contos ( 1 000 dólares). Mesmo assim, esta microscópica remuneração do capitais só foi instituída em 7 de Dezembro de 1949. Era flagrante: no Banco de Angola havia milhões de contos, provenientes de “depósitos obrigatórios”, um capital escandalosamente inerte!
Em 1969 foi criado o Instituto de Crédito de Angola destinado a operações de crédito a longo prazo, o tal que fomenta a agricultura, a pecuária, a pesca, a florestação, a energia e o turismo, tudo RR (recursos renováveis). Com que dinheiro? Será que os banqueiros metropolitanos acordaram do sono hipnótico de mais de meio século? Será que o governo de Lisboa foi magnânimo? Pois bem, o dinheiro veio dos tais “depósitos obrigatórios”.
Costa Oliveira em 1972 (163) exara que«O Instituto de Crédito está concebido por forma a transformar-se numa instituição financeira poderosa, capaz de fornecer contribuição relevante para o desenvolvimento económico da província». Este Instituto alimentou-se com os “depósitos obrigatórios”.
Na realidade os “depósitos obrigatórios” existiam desde o aparecimento do primeiro banco emissor o Banco Nacional Ultramarino em 1865. Durante 100 anos os “depósitos obrigatórios”, que depois foram transferidos em 1926 para o Banco de Angola, foram recebendo dinheiros oficiais e judiciais das diversas pendências, concursos, cauções e testamentos em litígio. Embora houvesse alguns levantamentos posteriores(cerca de 30%), havia, sempre, um grande volume de dinheiro inerte e sem vencer juros. Era um dinheiro morto, em uma terra sedenta por capitais. Como foi isto possível? Como é possível que uma pré-nação, ávida de capitais e a quem os bancos metropolitanos tratavam com desprezo, detenha uma tão grande quantia, na época seriam 2,5 milhões de contos, completamente parados, durante cem anos? Esta verba de 2,5 milhões de contos equivale hoje, talvez, a mais de 750 milhões de euros.
Não admira que Angola apresentasse uma deflação (vazio monetário) crónica. Não havia bancos de crédito, não havia poupança, não havia investimentos, não havia macro desenvolvimento económico.
Não conheci um angolano milionário, um ricaço que vivesse permanentemente na colónia, que habitasse em uma mansão. Só havia um único banco, o Banco de Angola, que, como é óbvio, era o emissor da colónia. Mas que tinha a sede em Lisboa. A moeda até 1953 era o angolar, que depois passou a denominar-se escudo angolano, um dinheiro que nada valia, apesar de nele constar a efígie do Presidente da República de Portugal. Não tinha valor facial como depois ficou cruelmente provado quando se deu a debandada geral. Após a descolonização o dinheiro colonial servia para forrar paredes. Se fosse hoje dava para snifar, se fossem notas novas. E, no entanto, as notas tinham a efígie do Presidente da República Portuguesa.
Em princípios da década de 50 o governo central recriou um novo banco, pomposamente denominado Banco do Fomento Nacional. Entrou em “funcionamento”, com grande estardalhaço, no dia 5 de Janeiro de 1960. “Funcionou” no edifício do Banco de Angola em Luanda em duas salas, tinha um director geral, que era engenheiro civil e mais três funcionários. Nunca fomentou nada. Não fomentou nem sequer esperança, nem azedume conseguiu fomentar, porque ninguém dava pela sua presença. No Lobito, onde o edifício do Banco de Angola já era exíguo para o expediente corrente, levou o jornal “O Lobito” a fazer a seguinte pergunta: «Como se vão mexer os clientes?».
Mas a história destes “bancos de fomento” era antiga. Em 1930 foi criado o Banco de Fomento Colonial, ainda sob a aceleração nortoniana. Nunca funcionou, o país já estava a entrar no marasmo financeiro. Em 1946 o Ministro das Colónias Marcelo Caetano, ainda embevecido com a recepção dos colonos, após ter regressado de uma viagem a Angola e Moçambique, criou o Crédito de Fomento Agrícola que depois originou o Banco de Fomento sempre agregado ao Banco de Angola. Não funcionou.
O Banco de Fomento, um simulacro de banco, emprestava dinheiro para a indústria, a agricultura e a pecuária com prazos “alucinantes”: 4 e 12 meses. É elementar que a agro-pecuária só pode trabalhar com empréstimos a longo prazo. O milho, para citar o exemplo mais simples, necessita de, pelo menos,2 anos até se obter o retorno do capital. O gado necessita de mais de 7 anos. Uma pequena obra hidráulica precisa de 25 anos de amortizações.
E, vergonha das vergonhas, o Banco de Fomento Nacional, instituído em 1930, mas que nunca funcionou por falta de fundos, recebeu um empréstimo do Estado de 30 000 contos (164) em 1960,«...emquanto o mesmo não receber os recursos financeiros de que necessita para dar continuidade à sua política de crédito». Apenas uma pergunta: que política de crédito se o Banco de Fomento Nacional, parturejado em 1930, nunca funcionou ou sequer deu sinal da sua presença? Ele vivia aboletado no Banco de Angola. Na realidade o empréstimo destinou-se, apenas, para pagar aos funcionários.
O novo Instituto de Crédito, que começou a funcionar em 1972 apoiado nos Depósitos Obrigatórios recebeu, também, todo o património da Caixa Económica Postal, unico estabelecimento de crédito para habitação que remunerava as pequenas poupanças, mas só até 24 contos. Uma autêntica cornucópia de dinheiros públicos que , no caso dos depósitos obrigatórios, até já estavam com “reumático”!
Em 1936 o Standard Bank da África do Sul chegou a ter uma casa alugada no Lobito, e um gerente, com o fito de abrir uma filial. Depois de muitas evasivas do governo de Lisboa, não foi autorizada a abertura. Em 1956 finalmente apareceu um banco comercial que ficou muito espartilhado, porque não podia trabalhar com câmbios ( ou seja não tinha centrifugadora), e a concessão de créditos era limitada pelo governo. A autorização para este banco (Banco Comercial de Angola) actuar foi-lhe concedida em 1950. Só começou a funcionar 6 anos depois! Como sempre, a velha lentidão colonialista!
Crédito nunca existiu durante os anos de letargia, quem financiava os parcos negócios eram os agiotas que emprestavam dinheiro com juros escorchantes. O meu pai que o diga, esteve sempre amarrado aos zânganos. A partir de 1930 o duo Salazar/Armindo Monteiro (Ministro das Colónias) tudo fez para aniquilar todo o macro-capital de raiz angolana. O pouco que existia, proveniente da década de 20, volatilizou-se em falências provocadas pelo governo e só o grande capital exterior metropolitano passou a prevalecer. A falta de grandes capitais, ou elevados patrimónios, em Angola, foi uma das causas da debandada geral em 1975. Toda a gente pensou: “o que eu tenho, facilmente recomponho em qualquer lado, sem necessidade de passar vexames”! O que se confirmou, decorridos mais de trinta anos. Os “retornados” deixaram para trás os seus haveres, meros pertences de qualquer pessoa de classe média, em qualquer país que faça parte do lote dos economicamente desenvolvidos. São pertences que se obtêm, facilmente, com qualquer crediário, em países ocidentalizados.
Não hesito em afirmá-lo, até que apareça uma estatística corajosa que prove o contrário: quase todos os que abandonaram Angola, onde possuiam apenas uma casa e respectivas mobílias e um carro geralmente afogado em letras, estão hoje melhor do que no tempo antes do êxodo. Pelo menos têm acesso a qualquer leitura, podem discutir qualquer assunto, os filhos e netos podem estudar até ao doutoramento, podem viajar com facilidade!
Em Angola existiam firmas de raiz angolanas que nós, os desinformados e com conhecimentos nulos sobre o resto do mundo, achávamos que eram grandes empresas. Pura ilusão. Eram apenas fracções de macro-capitalismo, esmolas que a Metrópole achou que eram necessárias. E eram. Elas davam milhares de empregos estáveis (uma raridade actualmente), contribuindo, assim, para a tão propalada paz colonial, o tal oásis de paz. Oásis em cujas areias jaziam toneladas de explosivos!
Com um micro-capitalismo, cujos excedentes mal davam para as despesas correntes e que não recebiam juros de poupança, e com o grande capital ausente, como esperar por crédito, vital para o desenvolvimento que se vislumbrava por toda a parte ? Como podia haver dinheiro se o pouco que aparecia, proveniente do trabalho e da produção, era imediatamente centrifugado para a Metrópole? O Huambo pediu, anos a fio, uma Caixa de Crédito, um espécie de banco de financiamento de pequenos empreendimentos. Só viria a ser autorizada em 1961 como consequência dos sangrentos acontecimentos que então eclodiram. E que dizer da abertura do Instituto de Crédito de Angola, acima referido, com orgânica semelhante à Caixa Geral de Depósitos de Portugal, destinada a empréstimos a curto e longo prazo, para agro-pecuária e indústria, em...1970 ?
A Caixa Económica Postal, honra lhe seja feita, tinha uma linha de crédito para a construção de habitações. Era pequena, insuficiente para o desenvolvimento da colónia. Por isso formaram-se cooperativas de habitação, com suporte financeiro das pequenas poupanças, que ajudaram bastante a atenuar a deficiência habitacional. Eram os únicos nichos onde se obtinham créditos para habitações.
9º) Consumo.- Se não há crédito também não há consumo, é um axioma da economia. A maioria da população era constituída pelos chamados indígenas cujos baixíssimoa salários não vitalizavam uma economia. No Bié o consumo atingiu níveis de rarefacção inconcebíveis e é fácil explicar porquê. Foi dos distritos mais sacrificados nos anos de estagnação ou tempo de A Grande Soneca (1930 a 1961). Nesses anos era para o Bié que convergiam os olhos gulosos do governo geral, quando lhe pediam trabalhadores. De 1940 a 1961 quase todos os governadores do Bié limitaram-se a apadrinhar as caravanas de contratados que saíram às catadupas. O Bié enxameava de angariadores. Em duas décadas (1940 a 1960) o Bié apresentou diminuição demográfica. O meu pai fartou-de de enviar exposições (era assim que se denominavam as petições) para o governo geral (e até para Lisboa) apontando a vergonha que se passava no Bié. Chegou a falar com Marcelo Caetano quando este era Ministro das Colónias em 1945. Tempo perdido. Só terminou o contrato, não por filantropia do governo mas porque eclodiram revoltas que poderiam ter sido evitadas. E, também, quando a vergonha passou além dos limites e o escândalo do contrato era comentado em todo o mundo.
10º) Castigos corporais.- Conhecidos no folclore angolano como palmatoadas, deixaram um rasto de humilhações e injustiças que, talvez, mais tenham contribuído para a inviabilidade da presença dos europeus em Angola. Mas não faltaram portugueses que, desde sempre, verberaram aquele procedimento. O costume das palmatoadas, maneira antiga, mas bizarra, de se tentar fazer justiça, era justificado com as desculpas esfarrapadas de que “eles são crianças...” ou escorregando para a anedota “eles até gostam de levar porrada...” ou “porrada também se dá nas escolas”, ou “eu levei muitas palmatoadas, por não saber a tabuada”.
11º) Censura.- Foi outro monstrozinho que atenazou a vida dos angolanos. Sub-repticiamente o poder central estava em todas. Tudo era espiolhado, as verdades eram sistematicamente ocultadas, muitos e muitos factos nunca chegaram ao conhecimento das populações de Angola. As revistas ou jornais de fora,manifestamente imparciais, nunca nos chegavam às mãos. A Time e a Newsweek só entraram em Angola a partir de 1969. Os órgãos da imprensa brasileira, muito apreciados em Angola, apareciam com meses de atraso, passavam pelo crivo de Lisboa. A censura tinha dois filhotes: os cortes a as confidenciais. Quando apareciam vazios nos jornais ou estrofes dos Lusíadas todos ficávamos a saber “que houve censura.


Fig - Cidade de Santa Comba sede do colonato da Cela.Foi traçada em estirador pela engenharia metropolitana. Fundada na década de 50 com o nome da terra de Salazar. Gastaram-se rios de dinheiro dos orçamentos da época: segundo se dizia, algumas pedras, para a igreja, vieram de Santa Comba Dão. Apesar disso Salazar nunca cogitou em visitar Angola, ficou sempre recebendo notícias de um “grupo de pequenos sabichões africanistas”. Este colonato e outro no sul, na Matala, absorveram quase todas as verbas proporcionadas pelo café e sisal principalmente. Por isso nunca se asfaltou um simples km de estradas, elas só receberiam pavimentação depois da eclosão das guerras para a independência, talvez uma imposição do exército português para melhor dominar a guerrilha.

É sintomático que o povo de Angola não tenha sido elucidado sobre o inevitável colapso que se seguiu ao fim da ditadura. Em plena liberdade de imprensa, após o 25 de Abril, a população de Angola continuou a não ter direito à informação. A proibição ainda hoje lá continua, mesmo depois de independente. Parece que é mau olhado, porque Angola nunca usufruiu de uma imprensa livre! Nunca a verdade foi cultivada em Angola! Infelizmente até hoje!
Durante a década de 50 foram implementados uns planos de fomento dos quais sairam poucos benefícios para a colónia. Construiram-se muitas pontes, construiu-se o porto de Moçâmedes, inauguraram-se 3 barragens (de pouca potência, sub- dimensionadas) compraram-se 3 aviões para as linhas internas, mas nada de estradas asfaltadas fundamentais para o desenvolvimento de um território. As estradas pavimentadas eram a maior prioridade para a economia, o ensino era a maior prioridade social. Ambas foram esquecidas Fizeram-se caminhos de ferro obsoletos. Exemplo a linha de Sá da Bandeira ao Chianje ( 135 km de via reduzida), inaugurada em 1949, desactivada em 1962. Mas então para onde foi o dinheiro dos planos de fomento? A resposta é concisa: para os colonatos.
12º) Colonatos.- Foram o maior sorvedouro de dinheiro, deles não se retirou qualquer benefício para o tesouro público, foi um capital delapidado sem qualquer retorno. No livro iremos estudar este esqueleto com muito detalhe. O governo central, não sei se por caturrice, por onirismo, por onanismo patriótico ou por burrice mesmo, insistiu, até à exaustão, nos colonatos sempre segundo um esquema do século 19. Sempre incidindo nos mesmos erros: indução sem a necessária experimentação. Neles consumiu verbas astronómicas, os resultados resumem-se numa única palavra, com quatro letras apenas, em inglês, porque acho que é ilustrativa: flop (fracasso).
No Tempo Extra conseguiu-se atenuar o fiasco da Cela com a criação de gado leiteiro. Foi um sucesso, em poucos anos Angola produzia milhares de litros de leite, além de manteigas e queijos. Café, contratos e colonatos era o tripé económico da Angola das décadas de 40 e 50.
13º) Cartas de chamada.- Um outro esqueleto refere-se às cartas de chamada. Ninguém podia entrar em Angola se não tivesse um visto de entrada. E não tentasse entrar “no salto”,como na França e Alemanha, porque seria fisgado logo no desembarque.
O regime colonial mantinha, perante a estupefacção dos estrangeiros, e até dos portugueses,as célebres “cartas de chamada”. Nenhum português, e muito menos estrangeiro, podia fixar residência em Angola se não fosse possuidor de uma carta de chamada. Esta dava garantia de que o intruso não estava desamparado e havia alguém que se responsabilizava pelo seu regresso. Isto tranquilizava o governo central.
Aliás as cartas de chamada foram instituídas porque a necessidade foi mais forte. Houve um tempo muito curto, no início do “boom” do café em fins da década de 40, que começaram a afluir a Angola muitos imigrantes portugueses desejosos de começarem um vida nova. Não eram necessárias cartas de chamada. Só que as condições económicas de Angola não eram, nem de longe, semelhantes às de qualquer país formado, caso do Brasil, França ou Alemanha, em que existiam milhares de empregos directos, secundários e terciários, em milhares de actividades e para onde afluíam milhares de portugueses. O governo de Lisboa tinha alimentado a ilusão de que Angola era um novo Brasil, mas logo viu que era uma cruel desilusão. Os únicos empregos imediatos, e mesmo assim com uma carência de pelo menos um ano, que é o tempo mínimo para uma cultura e respectiva colheita, eram os da agricultura por conta própria. Que eram muito problemáticos devido à pouca fertilidade dos solos, que necessitavam de tecnologia, ao desconhecimento de agricultura tropical, e à falta de crédito bonificado a longo prazo.
O pessoal que chegava da Metrópole, sem qualquer capital, queria empregos de assalariados, em actividades terciárias,inexistentes na colónia pelos motivos atrás expostos. O pessoal que chegava não podia dedicar-se à agricultura ou pecuária, não por falta de terras ou água , que as havia e muito, mas por falta de conhecimentos, de tecnologia e de capital. As condições edáficas e climáticas de Angola eram totalmente diferentes das de Portugal. Para cultivar em termos europeus, ou seja com máquinas e fertilizantes,era necessário muito capital. Que não existia porque não havia bancos de crédito. Era vital possuir-se tecnologia, que não a havia também, infelizmente. E, somando a estas deficiências, mais uma e grande: não havia consumo interno que pudesse transformar, rapidamente, a produção em dinheiro. Como cúmulo, não havia ensino tecnológico ou agro-pecuário acessível ,nem sequer existia qualquer promessa de ensino superior. E, como já foi dito, não havia estradas minimamente transitáveis no tempo da chuva.De imediato estes imigrantes não conseguiam emprego, ficaram a vaguear por Luanda dando motivo para reparos na imprensa local e, até, na estrangeira, especialmente porque viviam nos muceques (bairros de lata), ao abrigo da tradicional solidariedade africana.O pessoal que imigrava queria trabalhar para um patrão, porque não tinha meios próprios para um empreendorismo para usar este neologismo tão do agrado dos actuais economistas.
A carta de chamada foi a solução encontrada para restringir o acesso a imigrantes que não tivessem emprego garantido. Foi instituída em 1950. Foi um travão à miséria que se adivinhava, acabou por, ironicamente, ser benéfica sob o ponto de vista social, quanto mais não seja porque freou um processo de proliferação de pedintes. E, especialmente, trouxe a certeza, para os oligas, de que a letargia podia continuar porque a carta de chamada era um factor limitante à imigração e, portanto, ao progresso.
As cartas de chamada acabaram por criar um sistema de protecção familiar. Era vulgar, numa determinada empresa, ser de uma única região de Portugal a maior parte do pessoal. Até no funcionalismo público isso era normal. Um director geral tomava posse e, de imediato, a repartição enchia-se de conterrâneos. Sucedia, também, com alguns governadores gerais. Um deles colocou tantos afilhados que se dizia, por piada, que ia vagar o cargo de arcebispo e que ele teria sugerido: “bem, aguentem a vaga,tenho um primo seminarista lá na santa terrinha que está quase padre...”
Dizia-se, no anedotário, que no porto do Lobito um funcionário de nome Rato começou, sub-repticiamente, a colocar pessoas da família. Ao fim de três Ratos admitidos, o director do porto acabou por despachar: “chega de tantos ratos, temos que admitir um gato para dar conta desta rataria”.
14º) Carências de electricidade.- Foi outro triste esqueleto deixado pelo colonialismo. Mesmo no Tempo Extra, em que muitas actividades sofreram um enorme incremento, a electricidade nunca conseguiu satisfazer as necessidades mínimas de Angola. Todas as cidades de Angola estiveram, sempre, sob a ameaça de apagões. Um caso sintomático foi o de Malanje: em 1947 esteve sem electricidade. As barragens construidas nunca atingiram um alvo desenvolvimentista a longo prazo, estavam todas imbuídas de imediatismo.
Talvez porque a energia electrica caíu, a partir do ínicio década de 60, sob a mira gulosa dos oligas africanistas, a colónia nunca teve energia electrica suficiente para se desencadear um surto de progresso. Apesar de possuir um dos maiores potenciais hidroelectricos do mundo!
15º) Compadrios.- O decimo quinto esqueleto é o dos compadrios. Que engloba as concessões, as comissões, os condicionamentos industriais e as cunhas. Qualquer actividade rendosa era rateada entre os compadres de Lisboa, os oligas. Um boato sobre um sector promissor ou aliciante e, imediatamente,
Fig - Barragem das Mabubas. Começou a ser construida em 1951, foi inaugurada em 1954 pelo presidente Craveiro Lopes. Localizada próximo da foz do rio Bengo, a fio de água, ficou sub-dimensionada. Não aproveitou o potencial energético do rio, gerando, apenas, 17 MW, uma potência insuficiente para a demanda de Luanda.. No dia da inauguração o presidente Craveiro Lopes começou, assim, o discurso: «... que, segundo acabara do o informar o senhor Ministro do Ultramar, tinha a grande satisfação em anunciar que estavam em rápida realização as ultimas providências para a breve instalação de dois grupos turbo-geradores que virão completar o integral aproveitamento da barragem das Mabubas». O próprio Presidente confessava que, logo na inauguração, já a barragem estava ultrapassada. Exceptuando a barragem do Gove ,todos os aproveitamentos hidroelectricos não satisfizeram as necessidades básicas de electricidade, uma enorme barreira ao desenvolvimento.Todas as cidades tiveram carências enormes de electricidade, todas recorreram ao”detestáveis motores a gasóleo”.Muitos projectos industriais foram abandonados devido às carências de energias , uma das formas encontradas para procrastinar o desenvolvimento. .Não obstante ,quase todas as cidades tinham enormes potenciais hidroelectricos muito próximos.
apareciam as concessões oriundas de Lisboa. Sucedeu assim com o algodão. Logo que se mostrou ser viável a sua produção, de imediato sairam em Lisboa as inevitáveis concessões. Para a Cotonang, para Lagos & Irmão, etc.
Sobre as concessões para os compadres, Vicente Ferreira, Alto-Comissário em Angola de 1926 a1928 escreveu( 91):«A relativa facilidade, com que nas colónias se obtêm concessões e até a propriedade perfeita de boas terras, dá aos seus detentores a ilusão de posssuirem um avultado capital próprio, esquecendo-se de que a mesma facilidade da aquisição é um sinal do fraco valor vendável da terra».
Brito Camacho, um Alto Comissário em Moçambique em 1922, deixou escrito:«Concessões de muitos milhares de hectares,de milhões de metros quadrados, eram obtidas com o dispêndio de meia folha de papel selado, algumas vendidas depois, sem que nelas se fizesse o menor trabalho, a nacionais e estrangeiros, sem que desse comércio resultasse o menor proveito para o Estado ou para a Província! Pois se até o Marquês de Alvito obtivera uma concessão em Marracuene!»
É antológico o que sucedeu com o célebre ricinodendron, mais conhecido por vielo, voudzela mungongo ou mangongo uma oleaginosa muito abundante no Cuando-Cubango e em estado natural.Quando se descobriu que era uma oleaginosa, logo apareceu uma concessionária em Lisboa, mesmo antes de se ter estudado a viabilidade económica desta acção inovadora. Em Lisboa nem se sabia o que era o mangongo. Tudo não saíu da “meia folha de papel selado” para usar a frase de Brito Camacho.
Quando o rícino começou a ser usado como óleo lubrificante para os aviões a jacto e como carburante para os carros de corridas, e portanto valorizado no mercado mundial, apareceu, de imediato, uma companhia concessionária do rícino no Bié, Malanje e Cuando Cubango. Propunha-se comprar todo o rícino produzido, que era muito, porque estava a ser bem pago pelos comerciantes. A produção, toda para exportação, acabou porque os preços, à velha maneira colonialista, começaram a ficar aviltados, devido às leis de Lisboa, e os comerciantes foram proibidos de transacionarem o rícino. Tal como com o algodão, só a empresa concessionária é que a podia comprar, por preços fixados por ela. E os camponeses desinteressaram-se desta cultura que tinha sido um dos pilares da economia da colónia nos recuados anos vinte. Os próprios administrativos abominaram esta concessão, uma nova “Baixa de Cassanje”, só que em vez de algodão era o rícino!
A instalação da TV em Angola também sofreu com as concessões. Ainda não havia TV em Portugal e já a oligarquia estava abrigada sob a capa de uma lei monopolista. Em Outubro de 1955, antes de haver TV em Portugal, foi publicado o Decreto 40341 que protegia uma companhia, que iria ser criada, dando-lhe o monopólio da televisão. O Decreto abrangia as colónias. Prazo da concessão: vinte anos prorrogáveis de dez em dez anos. A futura companhia estava isenta de todos os impostos e de direitos para as mercadorias importadas. O estado deteria 51 % das acções. Os restantes 49% seriam postos à venda para particulares, leia-se amigalhaços e compadres. A mesmice nacional, sempre os mesmos. O presidente da Junta Governativa em 1974, num gesto corajoso, como já aqui foi afirmado, acabou com esta concessão. Vinte anos depois, e quando tudo desmoronava! Um gesto corajoso, quando a nau estava a afundar.
Em 1969 o norte americano Armstrong desembarcou na lua, pronunciando a célebre frase «É um pequeno passo para o Homem e um grande passo para a Humanidade» e o seguinte comentário: «devemos ser as únicas pessoas que não estão acompanhando, através da televisão, a nossa chegada à Lua». Armstrong, se soubesse, podia ter acrescentado: devemos ser as únicas pessoas, além dos angolanos, que não estão acompanhando a nossa chegada à Lua.
Mas onde as concessões mais abundavam era com terrenos. Bastava registar-se um pouco de progresso e logo apareciam aramados. Em 1974 um jornal de Luanda apresentava como título: “ Em todo o planalto central há arame a mais e aproveitamento a menos”.
Sempre que alguém, em Lisboa, tinha dificuldades financeiras ou projectos de aumentar o património, comprando casa na Metrópole, por exemplo, nada melhor do que uma comissão em Angola. Deslocavam-se por meses com ajudas de custo ou por anos com direito a casa do estado e a um subsídio. Henrique Galvão, um terrível e activo oponente de Salazar, chamou-lhes Inspectores do Cacimbo.As colónias proporcionavam milhares de nichos para os apadrinhados. . Os tachos para os “afilhados”, as taxas para os colonos.
Nos concursos públicos os primeiros lugares eram para os afilhados. Chegou a haver alguns concursos em que, nas condições para admissão, só faltou pôr o nome do apadrinhado. Os condicionamentos consistiam num proteccionismo descarado às indústrias metropolitanas. Em Angola não se podiam instalar indústrias ou actividades que colidissem com os interesses da metrópole: era o condicionamento industrial. Era antigo, mas foi aperfeiçoado em 1936 através do decreto 26 509. Para piorar, a Metrópole tinha indústrias primárias, precisamente iguais às que se podiam montar em Angola, com menores custos de instalação e funcionamento:cimentos, tecidos, fósforos, vidro,sapatos, conservas de peixe, tubagens, pequena metalurgia etc.

Fig - Um pequeno e triste exemplo de condicionamento industrial. Em 1938 o governador geral Lopes Mateus autorizou a instalação de uma fábrica de moagem de cereais e descasque de arroz em Silva Porto-Gare (Cuito). Tinha capitais angolanos e metropolitanos, mas a sede, como era normal e de lei, ficou em Lisboa, na rua dos Arameiros (em cima, porta de entrada em verde escuro ). A EFA (Empresa Fabril de Angola) só na década de 60 é que pôde ampliar a fábrica. Refira-se que Lopes Mateus (1935/1939) foi o ultimo governador a ter capacidade de conceder autorização para empreendimentos industriais. O governador geral que se lhe seguiu (Marques Mano) ficou com muito poucas prerrogativas de autorizar, e satisfazer, quaisquer veleidades desenvolvimentistas dos colonos.

O condicionamento vinha de muito longe, no tempo. Nos primórdios da colonização, em fins do século 19, os europeus obtinham muitos lucros com o fabrico de aguardente. Foi ela a origem de grandes fortunas. Depois, com a proibição do fabrico de bebidas alcoólicas, acordada em Bruxelas pelos países colonialistas, mui amigos dos africanos, os europeus em Angola perderam este grande suporte. O alcool passou a vir da Europa. É que o alcool europeu não é tão deletério, basta ver a lista de acidentes, provocados pelo abuso de alcool, nas estradas de Portugal.
O fabrico de aguardente, a partir da cana de açucar, foi a principal origem das fortunas de Angola. Ela era o suporte do dia a dia dos comerciantes, ela aguentava os novos empreendimentos deles, especialmente dirigidos para a criação de gado. Trocavam-se bois por garrafões de aguardente.

Fig Nota de cinco angolares. Angola esteve sempre com deflação monetária (falta de capitais e de dinheiro em espécie), talvez porque Salazar tinha pavor de “muito dinheiro” um trauma originado pelo célebre caso Alves dos Reis(ver mais adiante). Isto notava-se no dia a dia dos africanos trajando miseravelmente e com pouco poder de compra. Refira-se, no entanto, que a comida era abundante e barata, uma das “medalhas de ouro” da colonização portuguesa. Além de pouco, o dinheiro chegava a desfazer-se. Mau papel, ausência de moedas (só existiam até 5 tostões -meio angolar-). Uma das grandes âncoras dos colonos e dos africanos eram os vales e os livros dos débitos. “Debitar ou apontar” ou “passar um vale” eram as unicas saídas para os “encalacrados”. Apesar de tudo os comerciantes acabavam por reaver grande parte dos débitos, havia etica no dia a dia. Ter uma letra protestada era uma vergonha! Só por manifesta falta de dinheiro é que se não resgatavam os vales.

Fig Frente e verso de uma das célebres”ritas” emitidas por Norton de Matos durante o seu segundo consulado de 1921 a 1923. Norton de Matos queria desenvolver, rapidamente,a colónia de Angola. Mas a resistência em Lisboa era tenaz. Os bancos metropolitanos não queriam( ou não podiam?) abrir agências em Angola; o recurso a bancos estrangeiros, especialmente da União Sul-Africano (actual África do Sul) estava liminarmente vedado,e esteve sempre, durante o período colonial.Desesperado, com a faculdade de ser Alto-Comissário, resolveu emitir moeda mandando imprimir notas de valor baixo, pensando no consumo dos “indígenas”: nasciam as célebres “ritas”, uma alusão popular e depreciativa ao nome da filha de Norton de Matos. Um empregado do meu pai, no Chinguar, foi à estação do caminho de ferro buscar dois caixotes pesadíssimos. Ele julgava que eram alfaias agrícolas. Depois de abertos ficou estupefacto: traziam milhares de “ritas”. Este “ersatz”(simulacro de dinheiro) deflagrou uma inflação que se prolongou até 1933, ano em que Salazar impôs medidas austeras sobre a moeda. Os governos posteriores a Norton de Matos agravaram a situação de tal maneira que em 1930 Angola caminhava para a bancarrota. A voz comum, em jeito de piada, dizia que em Angola não haveria bancarrota porque já estava instalada uma bancarrita, uma alusão às célebres cédulas de Norton de Matos.

Fig Nota de 500 escudos com a efígie de Vasco da Gama, mais conhecidas por “camarão”. Esta nota foi o produto da maior burla de dinheiro, mesmo à escala mundial, devida ao seu ineditismo.
Alves dos Reis, segundo as teorias modernas, seria possuidor de um elevado QI (quociente de inteligência). Ele nasceu em Lisboa em 1896. Com 20 anos foi para Angola, como engenheiro, com um diploma falsificado passado por um hipotético Instituto Politécnico de Oxford.Duas falsificações! Este nome mágico (Oxford) abriu todas as portas e eliminou todas as dúvidas. Uma actuação fulgurante e teatral alcandorou-o a um alto escalão em Angola:dirigiu uma locomotiva, (sem nunca ter”pilotado”uma máquina a vapor) sobre uma ponte metálica, que ele comprou na Inglaterra, que suscitava dúvidas sobre a sua segurança. Com este feito foi ungido como director das Obras Públicas em Angola. Em 1921 regressou a Portugal. A seguir falsificou cartas do Banco de Portugal em que este pedia aos fabricantes de notas na Inglaterra para fazerem uma emissão repetida das notas de 500 escudos. Motivo: destinavam-se a Angola, em Lisboa iriam receber um carimbo com a palavra Angola.Os “ingénuos” ingleses acreditaram. Alves dos Reis, logo que recebeu parte desta emissão, começou a branquear o dinheiro, rapidamente, de modo a assenhorear-se do Banco de Portugal para poder apagar todas as pistas.Para isso fundou um banco-Banco Angola e Metrópole-, que o povo,ironicamente, apelidava de “Banco Engole a Metrópole”. Um tesoureiro de um banco no norte de Portugal, com aquela argúcia conseguida com muitos anos de prática, descobriu duas notas com o mesmo número. Rebentava o escândalo. O julgamento demorou 6 anos; foi condenado a uns anos de prisão. Nesta burla não houve falsificação mas apenas clonagem. Foi a primeira clonagem monetária no mundo, uma proeza digna do Guiness.Diga-se,a título de comparação, que esta burla não lesou ninguém, a não ser o próprio Banco de Portugal.
O episódio das “ritas” e esta clonagem devem ter provocado em Salazar a aversão que ele tinha por grandes circulações fiduciárias, origem de quase todas as inflações. O vazio monetário em Angola pode filiar-se nesta aversão, tanto mais que os governantes em Lisboa perfilhavam a ideia de que em terras africanas “se fica pirado ao fim de 10 anos de trópicos” Não convinha que houvesse muito dinheiro na mão dos colonos e, muito menos, na mão dos africanos. Marcelo Caetano deixou expresso em uma conferência, realizada no Porto em 1953:« A experiência demonstra que os salários muito altos dos produtos da lavra indígena podem ter consequências desastrosas para a população nativa».


Estes foram os esqueletos, deixados pelo colonialismo, alguns bem ossudos como os da cidadania, do contrato, da cultura e do centralismo psicótico. Mas a descolonização, que durou apenas um ano e meio, deixou quinze esqueletos, todos começados por I: ignorância, irresponsabilidade, intolerância, ideologia, imposição, ingenuidade, indisciplina, insensibilidade, imprudência, imediatismo,intrujice , imolação, impunidade, inferno e inveja.
A abertura do armário da descolonização, em que os esqueletos serão exumados, será o tema de uma próxima abordagem.

Luiz Chinguar
Janeiro 2009




Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda (Cartas do Tempo do Antigamente)" em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

ELES SABEM TUDO MAS ... NÃO SABEM NADA


Ministro das Finanças - Não sabe de nenhum banco em dificuldades.

Ministro da Economia - Não sabe que a Crise não passou

Ministro das Obras Públicas - Não sabe que há vida para lá do Tejo.

Ministro dos Negócios Estrangeiros - Não sabe de nenhum voo da CIA.

Ministro da Economia - Não sabe que a mão-de-obra chinesa é mais barata.

Ministra da Saúde - Não sabe o valor da dívida do seu Ministério.

Ministro da Cultura - Não sabe o que fazer com 0,4% do orçamento de Estado.

Ministro da Economia - Não sabe que 4 contentores sobrepostos tapam a vista do Tejo.

Ministro da Agricultura - Não sabe nada.

Ministra da Educação - Não sabe que todos não é igual a todos menos 120 mil.

Ministro do Trabalho e Segurança Social - Não sabe que 6 meses de período experimental origina mais precariedade que 3 meses.

Ministro do Ensino Superior - Não sabe como salvar as Universidades da bancarrota.

Ministro da Administração Interna - Não sabe o que a palavra "Insegurança" quer dizer.Ministro da Defesa - Não sabe o que fazer aos helicópteros que comprou.

Ministro dos Assuntos Parlamentares - Não sabe do que fala.

Ministro da Presidência - Não sabe que não é o Sócrates.

Ministro da Justiça - Não sabe que ainda não é ele a salvação.

Governador do Banco de Portugal - Só sabe que ganha mais de 17.000€ e muitas regalias.

Primeiro-Ministro - Em princípio, sabe trabalhar com o computador Magalhães!


(recebido por email)

"ALGUMA VEZ JOSÉ SÓCRATES DISSE A VERDADE?"

Não será ele um oportunista que à custa da sua ambição desmedida em "querer ser engenheiro a toda a força e de qualquer maneira", encontrou num passe de mágica que nem a varinha de uma fada se lembraria de engendrar, a melhor forma de, "sem qualquer mérito", se poder ufanar de um título que, "às três pancadas e a martelo" subvertendo a verdade e a correcção devida, conseguiu numa Universidade acabadinha de abrir as portas, desorganizada, corrupta e de créditos duvidosos, ser, "imagine-se" ... engenheiro?

Uma Universidade, dita Independente, que no auge de todas as descobertas, num período em que se dizia que havia inúmeras revelações a serem feitas foi IMEDIATAMENTE encerrada. Sabem por quem? Exactamente, pelo governo de José Sócrates.

Quantos documentos não terão desaparecido desde então?
Quantos segredos estão por desvendar?
Quantos comprometimentos morreram para sempre na mesma sepultura desse abrigo a estudantes "licenciados" a cuspo e a martelo?

Verdadeiramente vergonhoso!!
E anda este homem a exigir aquilo que não tem nem nunca soube ter que é o rigor, a excelência e o mérito. Seriedade e verdade. Crédito e confiança. "BRIO e EXEMPLO"!
Mente com a mesma cara com que desconhecia ter sido sócio da Sovenco em 1990 quando o questionaram, com a mesma cara com que diz que não sabia que não se podia fumar num avião, com a mesma cara com que diz que o computador Magalhães é português.
Enfim, mente compulsivamente com a mesma cara desavergonhada com que sonha na mentira que há-de dizer no dia seguinte
Na VI Legislatura, José Sócrates entrega na Assembleia da República, um Registo Biográfico onde consta, escrito pelo seu puno e a sua própria letra, que a sua profissão é a de ""ENGENHEIRO"" e que as suas habilitações literárias são ... ""ENGENHARIA CIVIL"". Tal e qual.

Como se sabe, quando esta MENTIRA, para não lhe chamarmos OUTRA COISA, foi descoberta, apareceu igualmente uma segunda versão deste mesmo documento que, onde estava escrito ""ENGENHEIRO"" "foi ACRESCENTADA" a palavra ""TÉCNICO"" e onde estava escrito ""ENGENHARIA CIVIL"" foi igualmente acrescentado em espaço anterior, quiçá estrategicamente lá deixado, a abreviatura ""BACH"" de Bacharelato que era o que verdadeiramente ele tinha.
Isto é, o Registo Biográfico de José Sócrates "foi RASURADO, foi ALTERADO, foi FALSIFICADO por ele próprio" sem que alguém (?) responsável (?) na Assembleia da República consiga explicar (?) como é que isso foi possível e admissível. "E NADA lhe aconteceu !!!!!!"

Em 31 de Julho de 1979, termina o Bacharelato no Instituto Politécnico de Coimbra apenas com média de 12 valores.


Mais tarde, em 27 de Dezembro de 1994, o aluno nº 20382 José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, inscreve-se no Instituto Politécnico de Lisboa no curso de Transportes e Vias de Comunicação.

Repentinamente, assim que toma conhecimento que a Universidade Independente foi aprovado pela portaria 496/95 24 de Maio de 1995, sem que se conheça qualquer justificação, muda-se de ""armas e bagagens"" para esta recente, corrupta e desorganizada Universidade.

É AQUI, neste antro de facilitismo e promiscuidade, que José Sócrates consegue FINALMENTE aquilo que sempre ambicionou – uma ""licenciatura"" em Engenharia

"Não interessa COMO" a possa ter conseguido, isso "NÃO INTERESSA", interessa SIM, é que conseguiu uma ""licenciatura"" em Engenharia. Querem saber como?

Das 31 cadeiras que teria de fazer, deram-lhe equivalência a ... 26. Nem mais, nem menos ... 26 disciplinas!!! Apenas teria de fazer ... 5 disciplinas! Quem é amigo, quem é?
Ah. . . mas isto não fica por aqui, destas 5 disciplinas que lhe faltava fazer, "4 delas" - os chamados "cadeirões" por serem as mais difíceis - foram dadas por UM ÚNICO PROFESSOR, por sinal seu amigo e conhecido, de nome António José Morais, adjunto do secretário de estado do também seu amigo Armando Vara e "colega do mesmo governo em que estava nessa altura José Sócrates" como secretário de estado adjunto. Lindos meninos, grandes compinchas!
Que notas o amigo do peito António José Morais lhe deu? Fácil, vejam o anexo do Certificado de Habilitações da UNI:

Análise de Estruturas - 17 (dezassete);
Projecto e Dissertação - 18 (dezoito);
Betão Armado e Pré Esforçado - 18 (dezoito);
Estruturas Especiais - 16 (dezasseis).
NADA MAU, hein ... para quem vinha com média de 12 do Politécnico ... NADA MAU, NADA MAU.



Mas falta ainda uma cadeira, de entre as 5 que o "obrigaram" a fazer - Inglês Técnico. Teve 15.

Sim é verdade, teve "15". Foi seu professor o reitor Luís Arouca, entretanto preso por falsificação de documentos sem que no entanto, não faltasse a mãozinha de José Sócrates ao enviar a este mesmo reitor um FAX socorrendo-se de um papel timbrado do Ministério do Ambiente, do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto, numa clara atitude de promiscuidade e de pressão, terminando de forma muito pouco formal e excessivamente familiar com um "Seu Sócrates".


Curiosamente, e para cúmulo de toda esta trapalhada, se confirmarem no referido certificado de Habilitações da UN Independente, diz lá que "concluiu o curso em 08-09-1996" que, estranhamente, foi a um ... DOMINGO. É verdade, a um DOMINGO ! Há com cada uma ...

Ah, antes de terminar, concluiu com média 14, isto é, estas 5 disciplinas dadas pelo amigo António José Morais mais o "seu" reitor Luís Arouca, fizeram com que, "num ápice", subisse "a média de 12 que trazia do Politécnico" (Escola Pública) para...14, catorzeeeeeee."

AS PERGUNTAS DO JORNAL PÚBLICO QUE ESPERAM UMA RESPOSTA"

As duas referências públicas do primeiro-ministro a este caso foram feitas por escrito - ao PÚBLICO e à SIC -, mas nunca responderam a questões concretas.

Aqui ficam as questões mais importantes a que José Sócrates deve responder para clarificar o dossier.

"1. "Por que razão José Sócrates deixou o ISEL para acabar o curso na UnI?
"2. "José Sócrates pediu equivalência a 25 cadeiras das 31 que completavam a licenciatura da UnI. Acabou por receber equivalência a mais uma disciplina, ou seja, a UnI deu-lhe equivalência a 26 cadeiras. Por que motivo "no ISEL teria de completar mais 12 cadeiras" para se licenciar e na UnI apenas teve que fazer mais cinco?
"3. "António José Morais, então director do Departamento de Engenharia Civil da UnI, leccionou quatro das cinco cadeiras concluídas na Independente.Segundo o próprio, este grupo de disciplinas, algumas do 3.º ano, outras do 5.º, representava todas as cadeiras leccionadas por aquele professor na UnI. António José Morais foi, simultaneamente ao período em que lhe deu aulas, adjunto do secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, colega de Governo de Sócrates, e mais tarde director do Gabinete de Equipamento e Planeamento do Ministério da Administração Interna.
3.1. José Sócrates já conhecia António José Morais antes de este ser seu professor na UnI?
3.2. António José Morais já havia sido seu professor no ISEL?
3.3. Por que razão José Sócrates não identificou António José Morais como tendo sido seu professor, nas conversas que manteve com o PÚBLICO, ao longo de uma semana?
3.4. Quantas horas de aulas por semana compunham o horário curricular?
4. Nessas conversas que manteve com o PÚBLICO, antes da publicação da primeira peça sobre o caso, Sócrates afirmou-se "insultado" pelas perguntas que lhe foram feitas, disse ter frequentado as aulas e concluído os exames com aproveitamento, mas nunca forneceu provas sobre o que afirmava.
4.1. José Sócrates não guardou nenhuma prova documental da sua carreira académica? Nunca levantou nenhum dos diplomas?
4.2. Qual o motivo que levou Sócrates a delegar no reitor da UnI todos os esclarecimentos, documentais ou testemunhais, sobre o caso, sabendo-se que Luís Arouca já havia estado na origem de indicações erradas sobre o seu currículo publicadas no jornal 24 Horas, em que terá referido cadeiras que não existiam no seu plano de curso?
4.3. Por que razão Sócrates "se recusou sempre a responder por escrito" às perguntas formuladas, também por escrito, pelo PÚBLICO?
4.4. Como é que, durante quase uma semana, não foi capaz de citar um seu colega ou um dos seus dois professores da UnI?
4.5. Qual o motivo por que não apresentou, por exemplo, a sua monografia de Projecto e Dissertação, tese final do curso?
5. Da matrícula de José Sócrates na UnI consta que não apresentou qualquer documento de prova das cadeiras já feitas no ISEC e no ISEL e só apresentou atestado das 12 cadeiras concluídas no ISEL, em Julho de 1996, ou seja, quando estava praticamente a concluir o curso"
5.1. "A que se deveu este atraso?
5.2. Como pôde a UnI aceitar a inscrição, aprovar um plano de equivalências, permitir a frequência de aulas e a realização de exames sem o documento que atestava as cadeiras finalizadas no ISEL?"
6. Quatro notas das cadeiras concluídas na UnI foram lançadas em Agosto e o diploma tem data de 8 de Setembro de 1996.
6.1. Sabendo-se ser anormal o lançamento de notas em Agosto, bem como a passagem de diplomas ao domingo, que justificação é dada para isso?
7. Numa das folhas consultadas pelo PÚBLICO aparece a palavra ""isento"" no topo da página.
7.1. Sócrates pagou propinas?
7.2. Que valor foi fixado?
7.3. A despesa entrou no IRS?
"8. "O reitor Luís Arouca disse por várias vezes que só conheceu Sócrates quando este ingressou na universidade. No entanto, em trocas de correspondência anteriores, Sócrates despedia-se ... "do seu, José Sócrates."
8.1. Quando é que Luís Arouca e José Sócrates se conheceram?
9. A que se referia José Sócrates quando, num fax enviado a Luís Arouca que está no seu dossier de licenciatura, escreveu: "Caro Professor, aqui lhe mando os dois decretos (o de 1995 fundamentalmente) responsáveis pelo meu actual desconsolo."
10. Por que motivo não foram corrigidos todos os erros constantes da biografia publicada no Portal do Governo, mantendo-se a referência errada a uma pós-graduação em Engenharia Sanitária e continuando a ser omitido o MBA em Gestão já depois de o termo "engenheiro" ter sido substituído pelo de "licenciado em Engenharia Civil"?"
"QUALQUER UM DE NÓS JÁ ESTARIA PRESO!"

(recebido por mail)

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

EMAILS QUE IMPLICAM O ZÉZITO


E-mails recebidos pela Freeport ilustram amplamente a corrupção. O Estudo de Impacto Ambiental é o que requer maiores ‘luvas’, designadas por ‘bribery’. Um dos homens-chave português é designado por ‘Pinocchio’. A empresa conhecia por antecipação as decisões políticas

Os E-MAILS recebidos em 2001 e 2002 pelos responsáveis da Freeport no Reino Unido, provenientes de Portugal – designadamente de Charles Smith, sócio da empresa contratada para obter as aprovações necessárias à construção do outlet de Alcochete –, implicam José Sócrates e responsáveis de organismos do Ministério do Ambiente e da Câmara de Alcochete numa negociação quanto aos passos a dar para conseguir que o empreendimento tivesse luz verde.

Estes e-mails revelam ainda uma grande promiscuidade entre os representantes da Freeport e esses dirigentes, bem como um conhecimento antecipado das decisões oficiais e das datas em que seriam tomadas.

Na correspondência trocada, as «bribery» – pagamentos por baixo da mesa ou ‘luvas’, acordados entre os dois lados – são palavras recorrentes.
Alguns excertos dos e-mails trocados:
- «tudo deve estar concluído antes do novo Governo tomar posse»
- «tenho estado sob ordens muito rígidas do ministro para não dizer nada»
- «enviar a taxa em duas partes, uma para o Estudo de Impacto Ambiental e outra para os protocolos. Tenho as pessoas sob controlo graças a essa transferência»
- «para o Estudo de Impacto Ambiental é necessário pagar mais 50K. Não digo para pagar já, faça só a transferência»

O dia 14 de Março é o dia mais importante para que tudo se resolva”, lê-se na mensagem que Charles Smith enviou, a 10 de Março de 2002, para Garry Russell, director do Freeport no Reino Unido. Foi dia 14 que o aval ambiental foi conseguido.

Num dos e-mails o engenheiro escocês alerta Russell: “Na reunião de 17 de Janeiro assumiste que pagávamos pelo estudo de impacto ambiental 90 por cento à cabeça, mas aconselho-te a dividir a quantia em três ou mais tranches”. Terá sido nesta data que, segundo a carta rogatória inglesa, José Sócrates participou num encontro com responsáveis da empresa.

VÍTIMA DE UMA "CAMPANHA NEGRA"

Parece que sim, Sócrates está a ser vítima de uma, imagine-se ... "campanha negra".

Uma "campanha negra" que não é de agora:

- No dia 13 de Fevereiro de 1992 aparece na Assembleia da República um Registo Biográfico FALSIFICADO com a sua própria letra. Até hoje, NINGUÉM foi capaz ainda de explicar como foi possível aparecerem 2 cópias escritas por ele próprio, cada uma delas com informações diferentes sobre as suas habilitações literárias e profissão.

- No dia 08 de Setembro de 1996, a um DOMINGO, enquanto grande parte dos portugueses ia à missa, José Sócrates "licenciou-se" em "engenharia civil". Já nem vale a pena falar na "campanha negra" que foi a equivalência de 26 disciplinas, no exame por FAX ou no amigo-professor-António-Morais que lhe fez os "exames". Mais tarde, no âmbito da mesma "campanha negra", a 31 de Outubro de 2007, José Sócrates encerra a Universidade que lhe deu o curso, face ao conjunto de vergonhas que se foi sabendo, e antes que se viesse a saber mais alguma coisa.

- Em 13 de Maio de 2008, há uma "campanha negra" que apanha José Sócrates a fumar num avião desobedecendo, em absoluto, àquilo que ele próprio tinha legislado e que antes mesmo já não era permitido em aviões. Queixinhas, informou os jornalistas que não tinha sido só ele, também o Ministro Manuel Pinho o tinha feito. E para completar a "campanha negra" ... NÃO PAGOU A MULTA!

- Em 31de Janeiro de 2008, a "campanha negra" continua. O jornal Público denunciava que Sócrates assinava projectos de casas na Guarda das quais não era o autor mas sim Manuel Caldeira, funcionário da câmara municipal da Guarda e um colega de "curso" da Universidade Independente (dos 22 projectos localizados por amostragem, 16 foram aprovados em menos de um mês; desses houve nove aprovados em menos de dez dias e, destes, três em menos de três dias).

Desta "campanha negra" voltou-se recentemente a falar quando o Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente, também este colega de "curso" de Sócrates na Universidade Independente (irrra ... sempre a Independente) e autor de um dos projectos que Sócrates assinou, arquivou um inquérito feito a este caso por uma comissão "independente" feita por empregados ... da própria autarquia.

- Agora, é o caso Freeport. Não sendo o ministro José Sócrates diferente do primeiro-ministro José Sócrates no rigor pela transparência, avaliações e correlativas estatísticas e no empenho em inovações, urge a pergunta: mandou investigar a denúncia que teve?

Vejamos! O tio telefona-lhe e diz «recebe lá beltrano porque lhe querem sacar 4 milhões (e aqui não interessa o quê, podem ser caricas!), para aprovar um projecto que o coitado do homem tem pendurado há anos...». O ministro, voluntarioso e amante de trabalho e de preto no branco, acede e reúne - uma vez, dizem uns, duas ou mais, dizem outros -, com beltrano e mais uns interessados do Ministério, da Câmara e "civis".

Motivo da reunião(ões): um caso emperrado há uns anos e mais uns cobres que querem extorquir e que beltrano deve achar muito, penso eu.
Conclusão da reunião(ões): projecto aprovado e luvinhas passadas (dizem uns!), para que mãos, não se sabe, ou sabe-se e não se quer acreditar.

Então, e a questão dos 4 milhões como é que ficou? O sr. ministro não mandou investigar; não quis saber quem era ou eram os totalistas? Sinceramente, 4 milhões é muita coisa, seja do que for! Não dá para esquecer ou disfarçar. Ou é normal, normalíssimo, e ninguém se importou, nem o zeloso ministro?

Respondida esta questão, comprovar-se-á a "Campanha Negra" a que alude. Deixar-se-á de pensar que possa ter recebido algo em troca da sua voluntariedade. Não acredito que o ministro, picuinhas como é e era - lembram-se do caso Souselas -, não quisesse extirpar esses tumores.

Parece que tudo está claro, estão-lhe a montar uma "campanha negra", basta dizer que o tio que lhe diz que "alguém" quer 4 milhões de luvas e ele não chama a Judiciária nem o Ministério Público. No mínimo, isto é demasiado amador, qualquer criança denunciava IMEDIATAMENTE o facto.


E a relação familiar e pessoal com os OffShores? Comprar através de um OffShore não é fugir aos impostos?

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

POR UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA E DE CIVISMO

Para que consigamos manter a nossa sanidade mental durante alguns anos mais