Wednesday, October 07, 2009

Arte Sem Querer XXX




Rui Sanches (n. 1954)
Figuras
2009
Aglomerado de madeira
1,8 x 0,8 x 1,5 m (conjunto)
Colecção da Benetton

Tuesday, October 06, 2009

Mobiliário Urbano XXXII



Pode já não me restar nada, mas alço da perna, que também já não tenho, e ignoro o resto em que me queres tornar.
(hoje não apago mais números da memória do meu telefone, na certeza de que não os decorarei ou lhes voltarei a ligar: mantenho-os e vivo feliz com essa memória)

Doughnut



Um dia, enchemo-nos de coragem e, comemos um destes doughnuts que fizeram a imagem do filme dos Simpsons (na realidade o único filme de animação que nos lembramos de ter visto desde o Fantasia (1940) da Walt Disney).
Agora invadem-nos os dias num franchising cosmopolita e com a qualidade que a Baixa já merecia (queremos lá saber dos fósseis com cheiro a fritos e onde não se pode fumar, que também por lá param): o Brown's Cafe.
Ficamos gordos, mas muito felizes.

E Agora?


"(...) - Eu também não sabia o que fazer (explicar-me-ia o alferes por cima do peixe, dos grelos e dos ovos cozidos), o que responder a tantas perguntas, a tantos beijos, a tanta súbita e inesperada solicitude, a tanto interesse por mim. Apalpavam-me para se assegurarem que era eu, confundiam os seus hálitos vivos com o meu hálito carregado de defuntos, e nisto veio-me à ideia E agora? O meu capitão não pensou E agora? quando chegou a casa? Não pensou Como caralho me vou esquecer disto tudo? Não ficou afito, sozinho, em Lisboa, com esse espaço de dias adiante, de horas necessitadas de se mobilar de qualquer coisa, não pensou que difícil despir o uniforme e ser civil, só sei pegar numa canhota e andar à caça de pretos pela mata? (...)"

em Fado Alexandrino (1997) de António Lobo Antunes, edição ne varietur pela Dom Quixote

Monday, October 05, 2009

Que Viva




Snapshots de um Palácio




















Palácio e Convento de Mafra em Setembro de 2009.

Metáfora



Para uma língua valiosa.
De porco, cozida em azeite, à maneira de uma qualquer Maria de Lourdes Modesto.

Sunday, October 04, 2009

Modas




Íamos em companhia e éramos rodeados por outras senhoras, com outras crianças, nas mesmas compras de metros de tecido, para as modas do que se usava (que, basicamente, era sempre o mesmo).
Depois havia umas senhoras que tiravam medidas e nos obrigavam a lá voltar para a prova.
No fim preferíamos sempre as modas que se vendiam nas lojas, já prontas a vestir.
Mas garantiam-nos que aquelas é que eram boas (ou que os outros eram pirosos).
No meio de quem tinha, ou não, razão, ficamos nós, hoje, com as modas prontas a vestir nas lojas.
Destas compras resta-nos a memória e estas pérolas que encontramos por aí.
(e ainda um peça de tecido, que vai mudando de casa connosco, e que seria para termos umas calças, de um castanho-chocolate, como era nosso desejo)

(imagem: pormenores na Avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa, antes da Chicco, da Massimo Dutti, da Benetton, da Zara, do Cortefiel e da Pull&Bear)

Occasional Table




Saturday, October 03, 2009

Padam Padam II



Momento musical para o fim de semana (à falta da bela Lennox): Padam Padam Padam por Edith Piaf, uma Royal.

Padam Padam



Estes Royals, que nos celebraram a chegada com a sua viagem à Índia (não a vimos, pois foi comida por uma nazi, mas era isso) voltam como funcionários públicos.
Residentes do CCB (e aqui não temos que dizer Museu Berardo), apresentam o seu primeiro resultado: Padam Padam.
Lembra-nos, obviamente, Edith Piaf:
"(...) C'est un air qui me montre du doigt
Et je traîne après moi comme un drôle d'erreur
Cet air qui sait tout par cœur (...)"
mas ainda não queremos dizer nada.

O espectáculo-catástrofe do Teatro Praga está em cena no Pequeno Auditório do CCB até 5 de Outubro (o dia-catástrofe).
No Domingo lá estaremos.
(imagem: fotografia de Miss Dove do seu Miss Dove's Taste of the Day)

À Saída de Lisboa



Porque estamos em Outubro mas continuamos a poder desfrutar do que estar em Lisboa (muito embora já a trocássemos por outro sítio qualquer fora do rectângulo luso).

A Portugueza



Já ouvimos falar d'A Portugueza desde que se tornou a marcha patriótica de Henrique Lopes de Mendonça e Alfredo Keil.
Depois passou a hino nacional e os valores republicanos sobrepuseram-se aos nacionalistas.
Agora que a República ainda está no limite de uma suposta maturidade (sem retrocesso), temos todos a capacidade de encaixe e a consistência para podermos olhar de novo para o hino e reescrevê-lo (deixando-o igual) com a ironia que hoje merece.
É o que faz o Cão Solteiro com Vasco Araújo em A Portugueza, em cena (só sobra hoje) no Teatro Maria Matos (também esse, finalmente, de parabéns).
Constroem um diálogo, que se revela absurdo (vá-se lá saber porquê) a partir do poema que deu origem ao Hino Nacional, e põem em cena todos os portugueses que constroem diariamente uma realidade que nos passa ao lado (e que no fim acaba mesmo por ir para um buraco) (um rectângulo onde até há luz...).
Pode ser que, daqui a ano, na altura das festarolas para a República, possamos ter A Portugueza em cena no S. Carlos, e celebrar (seja lá o que for) num concerto patriótico (mesmo já tendo passado mais de 100 anos).

(imagem: desenho, imaginamos que, de Vasco Araújo tirado da página do Cão Solteiro)
A Portugueza está em cena ainda hoje, 3 de Outubro, no Teatro Maria Matos.

Thursday, October 01, 2009

Maybe Rossi



É uma surpresa daquelas que só se repara quando se anda a pé, sem capota no carro ou com apenas duas rodas (garantimos que a diferença é muita).
Anda-se ali para os lados de Campolide (será?), passa-se por debaixo do Aqueduto e depara-se com um prédio insólito, daqueles que não devem deixar fazer.
Ou melhor, o prédio nada tem de insólito, a não ser a com que o cobre por todos os lados: um verde que o transforma num volume que nos lembrou Aldo Rossi.
Passem por lá e deixem que vos apitem à vontade.
Um dia mudamo-nos para Campolide.

Colecção Paulo Parra




De vez em quando recebemos queixas dos nossos queridos leitores, que são mais do que tudo neste pequeno espaço virtual, e que muito estimamos, pois também muitas vezes estamos no lugar deles, de que os posts não são tão frequentes quanto desejariam.
É certo que não têm a frequência de outros, mas podemos garantir que o resto da nossa vida, que é muito, também podemos garantir, não anda parado, e que é por isso que não aparecemos nesta rua.
Porém, continuamos atentos ao que por aí se passa.
E este é um momento notável do que por aí se passa (ou passou).
Já não vimos a tempo de lá levar mais ninguém (muito embora lhe tivéssemos dado espaço na barra aqui ao lado enquanto foi tempo e enquanto também não tínhamos por lá passado), mas prometemos algumas considerações na próxima Blue Design.
A exposição Ícones do Design - Colecção Paulo Parra aconteceu em Évora (de 11 de Julho a 26 de Setembro), na Igreja de S. Vicente.
Foram 250 exemplos, de entre 2 500 da colecção, mostrados com a vontade com que a colecção é feita.
Uma pequena mostra que promete mais desenvolvimentos e um catálogo que há de andar por aí.
Até lá, babem-se.

(imagens: key visual da exposição na tela da entrada da Igreja de S. Vicente e vista da exposição)

Monday, September 28, 2009

Z Zegna do Verão que Vem








Não esperávamos nada disto, por isso nos deixámos surpreender.
A colecção do Verão que vem da Z Zegna é mais do que retro, é old fashioned.
Homens vitorianos, com novas formas todas à mistura.
Dandy com as possibilidades tecnológicas do século XXI.
Quem lhes dera.
Quem nos dera.

(imagens: fotografias de Marcio Madeira do desfile da colecção Spring Summer 2010 da Z Zegna, via Men.Style)

(com esta terminamos o nosso report sobre as colecções do Verão que Vem: não há lá mais nada)

Monday, September 21, 2009

Ferragamo do Verão que Vem









Percorre a história do homem com classe e não se decide por um.
Pinta-os com cores que ninguém mais consegue e o resultado é perfeito.
Como se nunca mais se fizesse mais nada.
Que não se faça e nos imortalizem assim.
Agradecemos.

(imagens: fotografias de Marcio Madeira do desfile da colecção Spring Summer 2010 da Salvatore Ferragamo, via Men.Style)

Sunday, September 20, 2009

A Conferência de Grcic



Poderia ser mais um dos que nos aborrecem, mas não foi, porque Konstantin Grcic (Grcic lê-se de uma maneira indizível, que nunca nos lembraremos na vez seguinte que tivermos que dizer) tem uma larga experiência destas coisas, sabe do que fala e tem coisas para contar (muito embora não seja  mais entusiasmado que já ouvimos, mas para isso vamos ao teatro).
Poderia ter exibido o seu portfolio, mas fê-lo da forma moderada e necessária para ilustrar a ideia de It's About Time e a sua relação com as velocidades do design contemporâneo.
De alguma forma sabíamos que ia ser mais ou menos assim.

Konstantin Grcic participou nas Conferências de Lisboa da EXD'09.

Snapshots do Lounging Space










Foi a 1ª surpresa desta edição da Experimenta, e continua a ser digno de registo.
O Lounging Space é o refúgio dos modernitos do dézaine.
Pode saber-se tudo sobre a EXD'09, comprar livros, ver coisas (algumas boas) e arejar as vistas (das gentes e de Lisboa).
É ali ao Príncipe Real e passa a fazer parte do roteiro de Lisboa até 8 de Novembro.

Michael e o Vibrador



Depois da controvérsia com com a Coca-Cola, a Experimenta e o vibrador de Catarina Pestana, houve outro momento alto (e de alguma tensão) quando Young mostra e nos fala do seu Sextoy (2006), desenvolvido para Kiki de Montparnasse.
Belíssimo objecto que temos pena não poder ver em branco.

Michael e o Relógio



Mesmo correndo o risco de nos tornarmos repetitivos, voltamos a falar de Michael Young e do momento alto da sua conferência em Lisboa, quando mostra e nos fala do seu relógio PXR, o mais bonito de sempre.
Young é uma espécie de Paula Rego (com a devida distância), com o discurso baseado numa ingenuidade que se desmascara quando percebemos o seu trabalho.
Assustamo-nos com a permeabilidade que tem ao gosto do oriente (neste momento vive e trabalha em Hong Kong), mas continuamos a esperar o melhor.

Michael Young participou nas Conferências de Lisboa da EXD'09.

Wednesday, September 16, 2009

Via Láctea



Chamaram-lhe Via Láctea e é uma colecção de peças únicas para a Vista Alegre e sobre a Vista Alegre.
Da autoria de Sam Baron e Júlio Dolbeth, junta em várias criações a possibilidade de lermos a história de uma marca através da assemblagem de elementos e decorações das porcelanas que já conhecemos.
Lembra-nos o trabalho Sketches (2004) de Hella Jongerius para a Nymphenburg, mas desta feita com coisas nossas.
Esperamos que a Vista Alegre perceba o que tem nas mãos (depois de termos percebido que, na loja do Chiado, não sabem muito bem do que se trata).

Via Láctea é um projecto tangencial da EXD'09 e está em exposição na Vista Alegre do Chiado.

Importa-se de Repetir?



Enquanto nos abanávamos, com o sol a bater no Mercado de Sta. Clara.

O Mercado de Sta Clara



Fez-se de novo e de pouco serviu.
Foi parte da nossa paisagem diária durante vários (poucos, tendo em conta o tamanho da vida) anos, vazio, por fora.
Durante a EXD'09 foi cenário dos Open Talks.
O Mercado de Santa Clara, mesmo sem mercado, pode servir para alguma coisa.

Ainda Experimenta



A Experimenta ainda não acabou.
Aliás, ainda agora começou.
E se a nossa tecnologia doméstica anda a falhar, tanto como o nosso tempo para perscrutar toda a bienal, não nos deixamos derrotar e prometemos cumprir com a promessa de a trazer aqui.
Alguns dos registos da semana inaugural ainda aqui passarão.
Outros registos serão feitos quando voltarmos a ver o que nos interessou, com a tecnologia refeita.
Para já, para já, vamos gerindo a nossa vida para dela tirarmos o que tem de melhor.
O design não é tudo.
Ai não é não.

Monday, September 14, 2009

Moschino do Verão que Vem








A Moschino prolonga a ideia do revivalismo, sobretudo de uma América moderna, nos anos 50 do século XX.
Desta vez substitui micro-padrões por estampados (que podiam parecer fora de moda) e dá um toque contemporâneo ao conjunto.
Para vestirmos tudo o Verão inteiro.
(o próximo Inverno também é digno de registo)

(imagens: fotografias de Marcio Madeira da colecção Spring Summer 2010 da Moschino, via Men.Style)

Dois Tempos



A imagem não estraga a surpresa, muito embora a nossa vontade seja maior e deixemos a promessa internacional (imagine-se a pretensão) de aqui trazer as fotografias que a estragariam, assim que a instalação for desmontada.
Enquanto não é, sugerimos uma incursão nocturna à Travessa do Marta Pinto, onde fica a Ermida de Belém, para ver, na fachada desta, a nova instalação dos R2 (mesmo não podendo ver a instalação Requiem (2007) de João Paulo Feliciano, no interior da Ermida).
Os designers do Porto aproveitam o tema da bienal EXD'09 - It's About Time - e criam uma fachada gráfica onde o tempo anda às voltas, com os títulos que aborda e propõe, mas também com as diferentes leituras que o material escolhido propõe.
Uma pérola, como as pérolas a que já nos habituaram.

(imagem: da instalação Dois Tempos (2009) da dupla R2)

Primavera Pedrita





No início da Primavera de 2009 os Pedrita (em grande na EXD'09) fizeram chegar a própria à Travessa do Marta Pinto, em Belém.
Uma homenagem à estação e a Bordalo Pinheiro (numa altura em que o assunto estava quente e a Primavera ainda não) na fachada da Ermida, mas também no caminho que percorremos até lá chegarmos.
A fachada já deu lugar a repetentes (dos bons), mas a rua ficou invadida pelas andorinhas de Bordalo.
Assim é sempre Primavera.

Friday, September 11, 2009

O Art Déco




Visto da Quick, Quick, Slow.

Controlar o Tempo




















Absolutamente a par do It's About Time, Quick, Quick, Slow é talvez a exposição desta edição da Experimenta (ainda não vimos as outras, mas com este ênfase contamos levar duas ou três pessoas à Praça do Império).
Uma viagem no tempo (mesmo não sendo propriamente cronológica, mas acompanha os tempos com um relógio do Max Bill ou uma data de On Kawara) através das propostas gráficas de sempre.
Vemos construtivistas e futuristas e vamos até às gerações do vídeo e da tech.
Passamos por documentos preciosos (não sem esbarrar nos croquetes) e deleitamo-nos com pérolas de outros tempos que resistirão para sempre.
Não passamos sem lá voltar.

"Controlar o tempo é ser livre." Emily King

(no fim queríamos o catálogo: "Ainda não há". Boa!)
(imagens: da exposição Quick, Quick, Slow com curadoria de Emily King, da programação da EXD'09 no Museu Berardo)

Reservados




Aborrecimento na Experimenta



Antes ainda de passarmos às coisas boa, a última paulada no cego.
Aborrecem-nos as pessoas que não sabem contar histórias ou engrandecer o seu trabalho com o que poderiam dizer.
Ninguém seria obrigado a ter a capacidade teatreira de Philippe Starck, mas adicionar qualquer coisa à parca performance em palco é o mínimo para se ter, durante uma hora, uma plateia (que até pagou bilhetes para ouvir).
O Peter Saville é extraordinário, uma figura de culto que provavelmente até já poderia escrever um livro (sem bonecos), mas isso não nos chega para o ouvirmos falar (muito embora tenha tido a sua graça nas dissertações que fez).
Sobre Michael Horsham nem falamos, mas não queremos ouvir falar do Tomato nos próximos tempos.
Dario Buzzini e Leif Huff (da Ideo) tentaram expremer, mas não saiu muito.
A Michael Young perdoamos tudo.
Neri Oxman vai salvar o mundo (enquanto fumamos um cigarro), mas não queremos lá estar.
Salvem-se Kevin Slavin e Oron Catts, que realmente tinham ideias para passar.
Foram, até agora, estes que ouvimos.
Que o Royal Grcic nos surpreenda. Por favor.
Para os outros, que ainda vamos ouvir, não criamos expectativas.

(Peter Saville, Michael Horsham, Dario Buzzini, Leif Huff e Michael Young participaram no ciclo de Conferências de Lisboa da EXD'09; Neri Oxman, Kevin Slavin e Oron Catts participaram nos Open Talks da EXD'09)
(Constantin Grcic dá uma conferência amanhã, 12 Set)

Os Poetas Como os Cegos



"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons"

Choro Bandido (1985) de Chico Buarque e Edu Lobo
(ouvimos pela voz de Maria João no disco João (2007)

You Have Placed a Chill in My Heart




Nem dona de casa, nem libertina.
Deu-se mal com o amor e ficou com o vazio.
Continue-se a revolta porque não se aprendeu nada.

"(...) Love is a temple
Love is a shrine
Love is pure
And love is blind
Love is a religious sign
I'm gonna leave this love behind.
Love is hot and love is cold
I've been bought and I've been sold
Love is rock and love is roll
I just want someone to hold. (...)"

(letra da música e imagens do vídeo de You Have Placed a Chill in My Heart (1988) do álbum Savage)

Thursday, September 10, 2009

Rita Filipe para a Leitão & Irmão



Somos dados a coisas bem conservadas, e o trabalho da Leitão & Irmão (mesmo que não esteja nas listas do que aqui existe) não nos passa ao lado (como Sartre ou Proust a Lili Caneças).
Poucos dos do dézaine se terão dado ao trabalho de olhar com atenção para a montra do Chiado, mesmo ao lado de outra (menos bem conservada, é certo)  que também não nos passa ao lado: a Vista Alegre (há coisas novas de Sam Baron para ir ver e para falarmos aqui). Ainda menos lá terão entrado para consumir a beleza de alguns objectos intemporais (outros insuportáveis para nós, mas é assim que se fazem as marcas).
Agora Rita Filipe ocupa as montras da Leitão & Irmão, o que pode ser um momento notável (vamos acreditar que é) para as duas marcas.
São criações em prata para esta casa, e que realçam o que de melhor cada uma tem para dar: o trabalho e cultura da prata junto com a linguagem do design de hoje.
Juntam-se assim duas culturas para prolongar as ideias de fundadores de outros e do nosso tempo.
Ficamos felizes a assistir a coisas assim.

(Long Live Precious é um acontecimento Tangencial da EXD'09)

A Experimenta



É verdade que este é um post encomendado.
Por ninguém em especial, mas por muita gente, que quer ver esta bienal da Experimenta no meio dos nossos Royals.
Faça-se a vontade: ei-la.
Porém, quase como quando a vimos em Abril (com mais detalhes, é certo).
Mesmo que tenhamos ficado impressionados com o espaço do Palácio Braancamp (mais uma descoberta que fazemos através da Experimenta e que nos recebe bem), pouco mais temos a dizer (para não dizer, claro, que será imperdível ir a tudo, para saber como é).
Depois disso, ficamos decepcionados com a conversa das Emilies e Peter Saville e ainda mais com a do Tomato Michael Horsham (sobre a campanha eleitoral no Jardim de Santos nem falamos).
O resto não vimos. Ou melhor, vimos umas coisas mas não nos impressionaram (à parte da reverência à designer Rita Filipe e à Leitão & Irmão, mas que falaremos à parte).
Hoje estaremos na Quick, Quick, Slow (no Museu Bernardo) e a expectativa leva-nos quase a prometer boas-novas para amanhã (com fotos e tudo, quem sabe).

(queremos ainda falar da garrafa dos Pedrita para a Água do Luso, mas havemos de a trazer aqui)

Wednesday, September 09, 2009

As Índias XXXII ou We Regret



Acabamos aqui o nosso périplo pelo cheiro e por uma ideia da Índia, nos trilhos de Pasolini e de Moravia.
Fica-nos nas linhas uma Índia que havia e nas imagens uma Índia que aí vem e que ainda não percebemos como.
Queremos viver depressa e salvar a nossa Índia, de nada que tenha pedido para ser salva.
Silenciosamente, enquanto morre mais uma rainha, mexemos os nossos cordéis e amarramo-los ao longe.
E que o nosso Deus (n)os ajude.

Tuesday, September 08, 2009

As Índias XXXI



"(...) Os colonialismos português, francês e holandês estão ali presentes para testemunhar, com os seus vestígios transitórios, que não se conquista a Índia, isto é, não se transforma a Índia se não nos deixarmos conquistar, ou seja, transformar por ela. (...)"

em Uma Ideia da Índia (1962) de Alberto Moravia, tradução de Margarida Periquito em 2008 para a Tinta da China