18
Dez 09

Livra!

Por José Carlos Pereira, às 00:15 | link do post | comentar

O "Jornal de Notícias" de ontem dá conta de declarações proferidas por Medina Carreira, o eterno ex-ministro das Finanças, numa conferência em Penafiel. Para além das suas já habituais verdades absolutas sobre o abismo para o qual Portugal foi empurrado pelos políticos incompetentes que temos, Medina Carreira foi interpelado sobre um eventual regresso à política activa.

Resposta de Medina Carreira? "Só aceitava candidatar-me a Belém. Mas era apenas para despejar o saco". Imagina-se...


17
Dez 09

Estes dias que passam 177

Por mcr, às 23:59 | link do post | comentar

Insistindo...

Os amigos dos amigos de quem nós sabemos exaltaram-se muito com as “fugas de informação” do processo “Face Oculta”. E, uma vez mais, tentaram ver nisso, nas fugas, uma tentativa de destabilização do Governo, uma continuação desleal das eleição por outra via. Um ministro, num momento de perda de consciência e desapego á semântica ousou mesmo falar em “espionagem politica”.

Nos sítios do costume mais uma vez se apontaram os autores de tão nefando crime: os encarregados do processo: juízes, procuradores e, obviamente, um dirigente politico da oposição.

Veio agora a saber-se a origem da fuga de informação:  um dos réus entendeu, provavelmente para se castigar antecipadamente, fornecer às televisões toda a informação confidencial que lhe era prestada. Um dos réus, notem bem.

Neste momento, a leitora desconfiada perguntará se isso o não prejudica. À primeira vista, sim! Com mais cuidado, talvez não. Expliquemo-nos: a primeira coisa que há a fazer para deitar abaixo um processo, para o “descredibilizar”, é justamente esta. Publicitá-lo, divulgar o que está em “segredo de justiça” para mais tarde arguir de todas as nulidades possíveis, da perseguição infame dos agentes da autoridade e dos magistrados, irmanados todos no ódio aos inocentes arguidos e ás instituições onde se movem e ao partido que os acolheu, protegeu, nomeou.

E o público deita as mãos inocentes á cabeça e brama contra o estado a que tudo isto chegou. E o arguido, eventualmente culpado, começa a ser aureolado pela coroa de espinhos da perseguição, o que é meio caminho andado para a inocentação dele em praça pública, primeiro, e nos tribunais, depois.

2 O pedido de demissão do senhor procurador Lopes da Mota já está a ser classificado como um gesto de grande nobreza. Arre! E, ainda há pouco, num curto zapping, ouvi/vi uma criatura referir-se à sua escassa punição não como algo de natural mas antes como uma cedência do órgão que o puniu ao prévio julgamento em “praça pública”. Convenhamos que isto ultrapassa as raias da ousadia, do descaramento e da mistificação.  Decididamente, esta gente nunca foi ao estrangeiro, não lê a imprensa internacional, não vê a televisão de outros países e tem uma cultura politica inferior à do morgado de Fafe em princípios de carreira.

Ou melhor, esta gente, tão opinante, tem da opinião pública a pior das imagens. Aliás, não gosta dela, não a quer, prefere mesmo que ela não exista ou, existindo, que não se manifeste. Esta gente gostaria de viver no anos quarenta/cinquenta do século passado, com tudo o que isso implica, moral ideológica e politicamente, de servilismo, de autoritarismo, de fascismo (não tenhamos medo da palavra).

 

3 e, já que falamos de opinion makers, que dizer da ojeriza que o senhor dr. Miguel de Sousa Tavares, com banca montada em jornais e televisões, manifesta pelos blogs. MST  voit rouge quando fala da internet. Os blogs são, para ele, um vómito, uma fossa, um pântano de irresponsabilidade e eventualmente um poço de obscenidade. Tudo isto por que alguém, alguma vez e anonimamente, entendeu inventar umas atoardas sobre ele. Num blog. Anónimo. 

MST, que sabe tudo, não sabe que neste universo bloguístico há de tudo. Bom, mau, péssimo e assim-assim. Que há blogs anónimos mas que há – e são a esmagadora maioria actualmente – blogs, como este, com os nomes e as identificações dos seus contributors. Aqui estamos identificados e até já se deu o caso de, em textos mais importantes, o autor de um post se identificar em pé de página. Eu, para não ir mais longe, já o fiz meia dúzia de vezes, mesmo tendo a pretensão de saber que o meu nome é conhecido da maioria dos meus escassos  leitores. E tanto assim é, que são muitos os comentários em que o leitor me trata pelo nome próprio, como já poderão ter reparado.

MST, que não percebe nada disto, nem provavelmente quer ter esse trabalho, parece esquecer que também os jornais, também a televisão, são alvo de ataques tão mesquinhos e tão extravagantes quanto o que ele faz aos blogs. Eu arreceio-me mesmo que por trás da sua condenação sem apelo nem agravo (mesmo se ilustrada com umas canalhadas alegadamente perpetradas contra ele) haja um implícito convite a medidas censórias. MST não estará só nessa cruzada. O governo de Cuba, o da China e mais uns quantos já passaram da ameaça aos factos. Já controlam o ciber-espaço deles. Já perseguem os bloggers que lá tentam dizer o que lhes vai na alma e o que vêm todos os dias.

Esquece-se porém de uma coisa: quando os blogs caírem, como parece desejar, haverá alguém que se lembrará que ainda existem por aí jornais, rádio e televisão. E que também esses meios podem ser silenciados. De um modo ou doutro, como ainda há bem pouco pudemos ver.  

Quando a pesada mão que ele pede para os blogs cair na sua mãozinha escrevente não convém lembrar-se do que escreveu.   


16
Dez 09

Diário Político 133

Por d’Oliveira, às 23:38 | link do post | comentar

Desfiando a historieta.....

Como se previa o senhor procurador Lopes da Mota foi punido pelo CSM com 30 dias de suspensão. E digo previa porquanto o simples facto de, contra todas as pressões (e não eram, nem foram, poucas, cala-te boca!, e eram conhecidas em diferentes meios...) ter chegado até aqui mostra bem quão consistentes pareciam os factos que lhe eram apontados.

Está por fazer a história de outras alegadas (ou tentadas) pressões sobre os dois magistrados do caso Freeport. Corre com insistência que vários poderes fácticos ou não se conjuravam neste sentido mas, na verdade, terá sido esta a primeira clara tentativa de forçar a mão dos procuradores.

Como não podia deixar de ser, o senhor procurador Lopes da mota pediu a demissão do cargo que ocupava no Eurojust. Era-lhe impossível continuar. Aliás, teria sido mais sensato, pedir a suspensão do cargo logo que fora indiciado mas isso que não é, nem nunca poderia ter sido tomado por confissão de culpa, não está ainda nos hábitos das nossas gentes. É pena. Sai pela janela, defenestrado, quem poderia ter saído pela porta em tapete vermelho.

E agora?

A pergunta tem sentido se recordarmos que o senhor procurador Lopes da Mota não era parte na questão principal, isto é no caso Freeport. Mantém-se pois a questão: Por que é que interveio? Por conta própria?

 Terá, num dia de delírio, resolvido atalhar numa questão que, dia pós dia, se afunda num pântano de boatos, notícias falsas, meias falsas, verdadeiras eventualmente, de disse que disse que arrasta o nome de personalidades pela lama, crendo com isso vestir a  farda de Zorro?

Ou alguém lhe sussurrou ao ouvido casto uma palavrinha instando-o a fazer uma pressãozinha sobre os rapazes da procuradoria que lá iam fazendo o seu paciente exercício de pesquisa?

Eu tenho sempre por princípio esta pergunta: a quem aproveita? O que ganharia o senhor procurador Lopes da Mota com esta intervenção? A meu ver, nada. O STJ estava ao seu alcance. O Eurojust estava já no papo. Porquê arriscar o bom nome, uma carreira bem sucedida, o respeito dos seus pares e um eventual cargo politico interessante se a isso se decidisse?

Afastada a hipótese de interesse pessoal e directo passemos ao “favor” a fazer a alguém. A quem? Ao ex-ministro da Justiça com quem, sabe-se e foi confirmado, tinha conversas e de quem era presumivelmente amigo? E qual era o interesse deste?

A minha lista de perguntas ociosas é infindável. Mas não quereria pregar uma valente dor de cabeça aos meus leitores. Aliás eles mesmos, nesta altura, talvez estejam, por sua vez, a fazer outras perguntas.

Resumindo: a história do mau passo do senhor procurador Lopes da Mota não acaba aqui, nem termina hoje. A procissão ainda vai no adro...  

d'Oliveira fecit (com uma ajuda de JVC)


Que legislação laboral é esta?

Por JSC, às 00:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Ouvi a notícia e nem queria acreditar. Os patrões (palavra em desuso) dos hipermercados querem aumentar o horário de trabalho, passando o tempo de trabalho das actuais 40 horas semanais para 60 horas.

Ou seja, se o pessoal trabalhar 6 dias por semana terá que fazer 10 horas/dia. Se trabalhar 5 dias terá de trabalhar 12 horas/dia, a troco de uma remuneração média de umas escassas centenas de euros.

Obviamente, as organizações sindicais reagiram e marcaram greve. Em resposta, a organização dos empreendedores apelidou a posição sindical de extremista, reclamando, ainda, o direito a uma contratação mais flexível e anunciou a disponibilidade para dar um aumento de 1% no próximo ano.

O que me chocou, verdadeiramente, foi ouvir o representante da associação patronal escudar-se no novo regime de trabalho que o Código Laboral estabelece. Segundo disse, tudo estava certo e não estavam a fazer mais do que aplicar a este ramo de actividade o novo regime legal.

Será mesmo assim? O novo regime laboral permite uma carga de 60 horas de trabalho semanal? A troco de quê? Segundo o homem da associação, desde logo para manter a estabilidade das empresas e os postos de trabalho.

E quanto aos lucros?

Agora é que seria interessante ouvir os teóricos da ética empresarial e da responsabilidade social das empresas.

 


15
Dez 09

Au bonheur des Dames 213

Por mcr, às 23:05 | link do post | comentar

De como um fait divers da politica italiana dá origem a um discurso inconveniente sobre a prostituição e sobre o bofetão aos políticos irrespeitosos.

Ai leitorinhas, eu deveria estar aqui a fazer uma prédica sobre a violência politica e a condenar o acto do tresloucado que agrediu o cavagliere Berlusconi com um objecto, presumivelmente uma escultura representando a catedral.

Um cavalheiro civilizado estaria agora a perorar gravemente sobre o respeito devido aos representantes do povo democraticamente eleitos por este último. E eu, velho anarca reconvertido no politicamente correcto, deveria seguir esta regra. Todavia, como diria o meu leitor JM, não. Rio-me pelos cantos, rio mesmo alto quando estou sozinho, e não consigo ler os editorais dos jornais sem um esgar pelo menos cómico.

Que querem? O senhor Berlusconi, “il cavagliere” como lhe chamam não sei bem a que título, mereceu-as. Oh se as mereceu! A criatura anda há anos a fugir aos tribunais, há mesmo quem jure que está na politica só para isso, para escapar aos julgamentos em que seria eventualmente considerado culpado e condenado e não por andar metido com meninas de duvidosa reputação mas por questões prosaicamente relacionadas com o modo como obteve e gere a sua imensa e obscena fortuna.

Nisto, estou com os italianos, quero lá saber se o “cavagliere” é um engatatão das arábias, se toma mais viagra do que sais de frutos, se as raparigas vão para a cama por somas dignas de uma rainha. Vão e pronto. É com elas. E com ele. Fornicar já não é crime há um par de anos. Mesmo que se pague para o efeito. Ao fim e ao cabo, a prostituição existe desse o início dos tempos e não serei eu, que não recorro a ela, por falta de meios, de vontade e por manias puramente pessoais, que vou armar-me em moralista. Para mim é mais obscena a fome do que a venda do corpo. É mais obscena a tirania. Os salários de miséria e a hipocrisia que preside a tantas uniões abençoadas civil ou religiosamente: obscenos, infames É mais obscena a realidade descrita, copiosamente descrita, em dezenas de revistas cor de rosa, pagas a peso de ouro, pelas criaturas que as lêem, do que a puta e o seu chulo. Lamento muito, mas é assim mesmo. A senhorinha X vende ao jornal os orgasmos falsos ou verdadeiros, as carícias intimas de que é, foi ou será, alvo por parte de um criaturo da mesma classe e isso paga-se. A puta de rua,  pelo contrario,  é uma atrevida, uma destruidora de lares, ou uma vítima. É verdade que as há vítimas e muitas. É verdade que há um comércio de carne branca dos países pobres para os ricos com chulos e mafiosos pelo meio. Mas isso pode (e deve) combater-se sem pôr em causa o direito de cada um ou cada uma se prostituir. O direito ao corpo não pára à beira do aborto como parece ser o caso. Por vezes as boas causas escondem os maus fundamentos.

Portanto não é o Berluscas putanheiro que está em causa. É o outro. O que se serve de um discurso ultra-reaccionário para segregar o ódio aos emigrantes, para dividir uma Itália entre ricos e pobres, para fugir aos tribunais e à justiça dos homens.

Esse apanhou com um artefacto no trombil. Ficou sem dois dentes e com o nariz partido. Nada mal, tendo em conta que estava cercado de guarda-costas e de apoiantes. Se me ri até às lágrimas com o sapato atirado ao Bush, lamentando porém o facto de não o ter atingido, por que é que havia de ficar triste com o feliz colisão entre a cara, aliás feiota, de Berlusconi e o tal artefacto manejado por um maluquinho?  

E digo mesmo que valeria a pena ver o exemplo multiplicar-se que andam por aí uns figurações a pedir que lhes refaçam a fachada. Um bofetão não é um tiro nem sequer terrorismo. Apenas uma lembrança de que os paisanos que por cá andamos começamos a estar fartos de ver estas excelências rirem-se de nós, gozarem connosco e mentirem continuamente. Um safanão dado a tempo, como recomendava o “botas” (que também o deveria ter recebido, valha-me Deus!, é apenas isso. Não val a pena fazer disso um caso. Mesmo com dois dentes partidos.... Isso cura-se com um implante. De dentes de oiro, se for o caso. 


14
Dez 09

A Democracia agradece

Por JSC, às 16:57 | link do post | comentar

«A notícia de que, ao fim de quatro anos, Governo e oposição parecem dispostos a discutir uma lei que impeça a recandidatura - e suspenda de funções - de autarcas acusados de corrupção deve merecer o aplauso global. Com a devida vénia ao autor moral da ideia, Marques Mendes, que, à altura líder do PSD, quis fazê-lo já em 2005. A sua saída da liderança teve essa consequência, ou argumento, como se quiser chamar-lhe: ninguém mais se lembrou - ou quis - levar a ideia a bom porto.

A partir de agora, terá de fazer-se a natural discussão da proposta. Uns - como o próprio Marques Mendes - dirão que é pouco que essa suspensão chegue apenas no dia da primeira condenação; outros vão dizer que tudo depende do tipo de crimes que estejam em causa. Chegará até a altura em que vai debater-se exactamente que normas se aplicam, afinal, a deputados, ministros ou presidentes de governos regionais - para tirar a limpo que todos ficam com o mesmo estatuto. Tudo isso será normal e importante até.

Mas o que é central é que, de uma vez, se retire aos autarcas o peso das suspeitas que carregam desde há muito. E também que fique claro que as leis não se podem fazer para um ou outro caso concreto, mas para impedir que existam novas e dispensáveis polémicas no futuro. A democracia agradece».

Editorial DN

 

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11
Dez 09

Prémio Pessoa para Bispo do Porto

Por José Carlos Pereira, às 19:35 | link do post | comentar | ver comentários (4)

O Prémio Pessoa, instituído há vinte e dois anos pelo "Expresso" e agora apoiado pela Caixa Geral de Depósitos, distinguiu hoje pela primeira vez uma personalidade da Igreja. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, foi o agraciado.

Homem de cultura que recolhe opiniões favoráveis de todos os sectores, D. Manuel Clemente prestigia a Igreja e a cidade que o acolheu, sobretudo quando marca diferenças tão assinaláveis perante o seu antecessor.


Os 101 anos de Manoel de Oliveira

Por José Carlos Pereira, às 13:10 | link do post | comentar

O cineasta Manoel de Oliveira completa hoje a magnífica idade de 101 anos. Pelo meio de várias distinções internacionais recebidas nos últimos tempos, o realizador portuense encontrou tempo para fazer uma curta-metragem sobre os Painéis de S. Vicente de Fora, de Nuno Gonçalves, e ainda viu estrear-se no Festival de Berlim o seu último filme "Singularidades de uma rapariga loura".

Entretanto, Oliveira está já a preparar a sua próxima obra: "O estranho caso de Angélica". É fantástico!


10
Dez 09

estes dias que passam 176

Por mcr, às 20:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Tourada à portuguesa?

Não! Garraiada infantil!

 

nota prévia: Havia neste post uma clara, estúpida e imprevidente confusão entre 2 Ricardos. Tomei o deputado Gonçalves pelo deputado Rodrigues. Ou seja, o meu cadastro de deputados estava mal. Gonçalves figurava nos "anónimos" enquanto Rodrigues caracolava nos "malhadores. Por isso o post sai agora corrigido mantendo todavia os comentários que mereceu a minha incúria. Acima explicarei esta confusão. todavia, no essencial nada mudou pelo que mantenho a quase totalidade do escrito com as necessárias correcções. E com um ponto importante: o deputado Gonçalves ter-se-á desculpado, o que só conta a seu favor. A senhorinha Pinto não se arrepende o que só lhe fica mal. Creio sinceramente que o prazo de validade desta vociferante criaturinha está a chegar a um triste e doloroso fim.

 

A troca de mimos entre a senhora deputada Maria José Nogueira Pinto e o senhor deputado Ricardo Gonçalves ilustra (é um modo de dizer...) bem o parlamento que temos e o país em que nos querem fazer viver.

Disse senhora e senhor por mera educação. Em princípio uma senhora não chama palhaço a ninguém e um senhor não responde que a dita senhora se vende.

Não vou (por uma questão de higiene verbal) reproduzir na íntegra a troca azeda de dichotes com que se mimosearam a deputada Nogueira Pinto e o deputado Gonçaves. Não vale a pena. O país, a esta hora, já terá visto vezes sem conta a pobre cena que as duas conspícuas criaturas montaram.

Nem o facto das televisões estarem lá coibiu uma alegada filha de boas famílias, com vagos fumos aristocráticos de “arrear a giga” e dizer o que disse a um alegado cavalheiro que, aliás, se tem distinguido por um tom de acrimónia que roça o grotesco, de terem o “juizinho” (esta expressão aliás também é reveladora do fino gosto e educação primorosa de quem a usou...), de se comedirem no duelo verbal com que entenderam brindar os restantes colegas e os eventuais (agora muitos, uma multidão) cidadãos espectadores.

Eu tenho sobre o deputado Gonçalves uma opinião pouco abonatória. Pode ser culpa minha, claro, mas os apartes tolos e vagamente chulescos que proferiu   lembram-me, com perdão do citado deputado, um caniche, um chihuahua, enfim um desses cãezinhos de bolso que ladram fininho e irritam um cristão. E que se ficam por aí não vá alguém perder a paciência e sacudi-los com o pé. Mas isto pode ser apenas efeito de, em meus tempos, ter conhecido, gente melhor, muito melhor, provincianos ou não .

Assim sendo, parece-me inútil que venha uma deputada, irritada ou irritadiça, malcriadinha, usar qualificativos para o definir. A criatura é assim, não há volta a dar-lhe e, por muito que custe, mais vale ignorá-la do que dar-lhe corda. A menos que seja para ele se enforcar (o que ocorreu, como se verá) não vale a pena gastar mais cera com tão ruim defunto.

Todavia, o deputado Gonçalves entendeu responder. E, em vários tempos. Em primeiro lugar, achou que não fora atingido. Que ser apelidado de palhaço até era um elogio. (só se for na província do deputado...) que os palhaços tinham humor (sinal de inteligência) espalhavam alegria etc... Ridículo! Parece que não percebeu que a deputada (e palhaço rico) Nogueira Pinto não lhe estava a chamar “palhaço pobre” mas tão só palhaço, termo universalmente usado para insultar. Mas deixemos, apesar de tudo, Gonçalves com essa convicção: não foi insulto. Então se não foi, se ele se sente nas suas sete quintas, feliz e contente, porquê retorquir que Nogueira Pinto se vende por um lugar elegível?

É verdade que a azougada deputada tem saltado de partido em partido (mas sempre na direita  refilona!) num afã de abelha mestra. É verdade que até já andou vagamente de braço dado com o P.S.. É verdade que se mostra pau para toda a colher. Já foi Secretária ou Subsecretária de Estado da Cultura (onde não deixou grande rasto, coisa aliás comum à grande maioria das criaturas que por lá passaram, com as excepções contadas de David Mourão Ferreira, António Reis, Vasco Pulido Valente e Francisco Lucas Pires que pelo menos sabiam o que queriam e tentaram levar a cabo qualquer coisa mesmo em condições de extrema dificuldade e absoluta falta de meios financeiros). Andou pela Santa Casa da Misericórdia onde terá mostrado alguma determinação e algum mérito e por mais uma boa dúzia de sítios onde, além de duas boutades, nada criou. Sobretudo, convém lembrar, usou de um tom arrogante, desproporcionado e pouco condizente com a inteligência que meio mundo lhe aponta. Às vezes a inteligência só não chega. É preciso  prudência, bom senso, calma, sensibilidade, educação (chá, berço, boas maneiras) paciência, sentido de Estado, alguma generosidade e outro tanto de humildade. E essas cruciais virtudes parecem faltar à deputada Pinto. Ou seja, pelos vistos, parece ser impraticável convidá-la para tomar um chá e scones ou jogar uma partida de bridge. No mínimo a criatura foi grosseirota com o alegado cavalheiro Gonçalves e recebeu deste o que nenhuma senhora gosta de ouvir: que se vende!

Nesta altura do campeonato, restar-lhes-ia uma de duas coisas: esmurrar-se vigorosamente ou pedir desculpas um(a) ao outro(a) pelo descontrolo demonstrado. E pedir desculpas à assistência (se é que esta se mostrou incomodada). E aos espectadores. E, mas isso seria pedir-lhes sentido de dignidade, demitir-se imediatamente da Assembleia.

Melhor dizendo, esta última hipótese é a única que lhes resta para saírem com alguma elegância do chiqueiro onde resolveram meter-se. Tenho, porém, como certo que não levarão a tal extremo a ideia que têm ambos de si próprios. Vão continuar na Assembleia, naquela comissão, todos os dias, durante quatro anos, a fingir que se não conhecem. Ou nem isso. Quem sabe se amanhã, para o mês que vem, ou mais lá para o Verão, não caem nos braços um do outro rindo-se do que para eles não há-de ter sido  senão um momento menos bom da sua estouvada juventude.

O Parlamento nunca gozou de grande fama entre nós.  Basta ler o admirável Eça. Mas há já bastante tempo (mesmo com os palavrões de um triste deputado e com os corninhos de um ministro) que não se assistia a uma tourada tão tristonha. Ou melhor: de uma garraiada infantil em que tudo é a fingir e ninguém parece levar a mal.      


Diário Político 109

Por d’Oliveira, às 00:27 | link do post | comentar | ver comentários (1)

 Esta mulher......

Esta mulher é culpada de “liberdade”. Crime agravado com a exigência de “democracia”. Nem sequer tem a atenuante da autoria de um golpe de Estado sangrento, do recurso ao terrorismo. Nada. É culpada.

Ainda por cima, o seu país  vê-se apontado a dedo por boa parte da opinião pública mundial! Esta mulher não tem emenda. Desafia uma inteira Junta de generais, de homens (ou que passam por isso), senhores e donos de uma terra onde as mulheres devem andar reverentemente alguns passos atrás do marido, do pai, do irmão, quiçá do filho. Esta mulher causa pela sua simples presença irreparáveis prejuízos á sua pátria, ao comercio externo desta, ao ópio que produz em zonas isoladas e que vende por toda a Ásia.

Esta mulher a quem a generosidade inexcedível dos generais permite viver na casa de família (mesmo que sem esta) com uma ligeira limitação (não receber visitas indesejáveis, não comunicar com os seus partidários, não se ocupar de política) poderia estar a ferros como ocorre em geografias não muito distantes (a Coreia do Norte, por exemplo), poderia ter sido condenada e fuzilada, pagando aliás a bala usada (como está de moda na China), poderia ser uma “intocável” ou tão só alguém destinado a usar uma burka, uma touca um véu, enfim um sinal distintivo da sua eminente inferioridade de mulher. Ou seja, esta mulher poderia ter um destino muito pior, uma vida ainda pior mas ao que parece os comentadores e, neste caso, e hoje, os bloggers, gente insidiosa e de má fé, entenderam falar dela um símbolo com o fito manifesto de insultar Myanmar, o seu povo submetido, os seus generais triunfantes, a sua oligarquia do ópio e todos (e são muitos, demasiados) quantos permitem que esta situação se mantenha.

Não serve de nada lembrar Aun San Suu Kyi e a sua luta mas, que querem, eu acho que alguém, nem que seja por bravata, deve reclamar a sua imediata liberdade e, com ela, a do seu povo. 

d'Oliveira fecit


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