Domingo, Janeiro 27, 2008

Campanha pelo Direito à Vida !


* Victor Nogueira
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... dos que morrem na Palestina, no Iraque, na América Latina, em África, na maioria dos países asiáticos. Que morrem e morreram vítimas da destruição das suas economias pelo capitalismo galopante e agora globalizante nos seus tentáculos. Pelas crianças que nasceram condenadas à subnutrição, pelas pessoas vítimas dos bombardeamentos e das guerras porque o fabrico e venda de armamento é um negócio para dar dinheiro aos grandes accionistas. Pelas vítimas do desemprego, da negação do direito ao trabalho e à felicidade. Pelas vítimas dos embargos económicos, hoje decretados pelos EUA, ou dos embargos da poderosa indústria farmacêutica. Pelas vítimas das perseguições religiosas pretensamente feitas hoje pelos muçulmanos, outrora tolerantes, e ontem e hoje pelas igrejas cristãs e as guerras em seu nome, incluindo a intolerante e misógena igreja católica apostólica românica, com os seus autos de fé e menosprezo pelas mulheres, durante séculos consideradas seres sem alma. Pelo direito à vida de todos nós, mesmo daqueles que não questionam nem fazem por mudar um sistema de organização da sociedade baseado em princípios egoístas e predadores, conducente à destruição da vida neste planeta, paulatinamente levada a cabo nos seus poucos séculos de existência face aos milhões de anos de existência de vida na Terra.
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Porque o direito à vida não é apenas o direito a nascer. É o direito a viver em harmonia com a natureza e com os restantes seres vivos, com dignidade, com saúde, com inteligência, sem subordinação a senhoritos/as e seus capatazes e homens/mulheres de mão, bem ou mal cheirosos e vestidos com maior ou menor elegância, por cima da mentira e da miséria de milhões
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2005.03.17
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Distribuído pela minha mailing list em 2005.03.17 e publicado no Kant O Ximpi em - 2007 Maio 21 e na Travessa do Ferreira em - 2007 Maio 22

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Iraque - As mentiras de Bush e do seu Governo



Para atacar o Iraque, governo Bush mentiu ao menos 935 vezes


Um estudo constatou que o presidente George W. Bush e funcionários importantes de seu governo fizeram no mínimo 935 declarações falsas sobre a ameaça que o Iraque representava à segurança dos Estados Unidos. Esse número, divulgado na noite de terça-feira (22), refere-se apenas aos dois anos seguintes aos ataques de 11 de setembro de 2001.


O levantamento é do Centro pela Integridade Pública e do Fundo pela Independência no Jornalismo — duas organizações sem fins lucrativos. De acordo com o estudo, as declarações eram "parte de uma campanha orquestrada que galvanizou a opinião pública e, no processo, levou o país à guerra sob pretextos incontestavelmente falsos".

Os pesquisadores citam a forma como Bush e outros funcionários do governo se utilizaram de discursos, briefings (relatórios à imprensa), entrevistas e outras formas de comunicação públicas. Só com esses recursos, o governo americano declarou em ao menos 532 ocasiões — e inequivocamente — que o Iraque tinha armas de destruição em massa, estava tentando produzi-las ou obtê-las, ou que mantinha laços com a rede Al Qaeda.

"Tornou-se inquestionável, hoje, que o Iraque não possuía armas de destruição em massa nem tinha vínculos com a Al Qaeda", escrevem Charles Lewis e Mark Reading-Smith na sinopse do estudo. "O governo Bush conduziu o país à guerra com base em informações errôneas — que as autoridades propagaram metodicamente, em um processo que culminou com a ação militar contra o Iraque em 19 de março de 2003."

Além de Bush, o estudo cita o vice-presidente Dick Cheney, a então assessora de segurança nacional Condoleezza Rice, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld, o secretário de Estado Colin Powell, o secretário-assistente da Defesa Paul Wolfowitz e os porta-vozes da Casa Branca Ari Fleischer e Scott McClellan. Com exceção de Condoleezza — que substituiu Powell —, todos já deixaram o governo.

Bush está no topo da lista, com 259 falsas declarações, seguido justamente por Colin Powell. Os números advêm de um banco de dados que compilou declarações públicas nos dois anos após o 11 de Setembro, bem como relatórios do governo, livros, reportagens, discursos e entrevistas.

“O efeito cumulativo dessas declarações falsas, amplificadas por milhares de reportagens em mídia impressa e eletrônica, foi imenso”, aponta o estudo. “E a cobertura de mídia criou um ruído quase impenetrável por diversos meses.”

O texto conclui que "alguns jornalistas e organizações noticiosas admitiram que sua cobertura nos meses que precederam a guerra foi deferente e acrítica demais. Boa parte dessa cobertura abrangente sobre o tema ofereceu validação adicional, ‘independente’, às falsas declarações do governo Bush".

in Vermelho - 24 DE JANEIRO DE 2008 - 09h31

Eleições nos Estados Unidos e o Iraque

por Lejeune Mirhan*


Desde setembro do ano passado não abordava a situação do Iraque. Não que algo novo tenha ocorrido naquele país que merecesse minha abordagem semanal neste Portal. Pelo contrário. Estava me programando para tratar do cerco israelense à Gaza. Mas, como é a maior ocupação que os americanos fazem desde meados do século passado e a mais duradoura, com as eleições de novembro próximo e as primárias que estão ocorrendo, seria preciso entender e conhecer as posições dos pré-candidatos.


Hilary ou Obama: qual o melhor candidato para os árabes?

Democratas e Republicanos, duas faces de uma só moeda?


Não vou entrar aqui nesse debate, que quase não tem fim. Pessoalmente, não tenho dúvidas que hoje, no cenário atual de correlação de forças no mundo, são pequenas as diferenças que separam os Democratas dos Republicanos, especialmente em economia. Na política externa, ampliam-se as diferenças, mas nada significativo. No entanto, esse é outro debate.


O sistema americano de votação presidencial é completamente diferente do nosso no Brasil. Lá, ocorrem as chamadas eleições primárias, onde todos os eleitores filiados ou não a partidos políticos podem votar em prévias que definem dos candidatos dos partidos. Claro que, ao final, apenas um candidato disputará pelos partidos. E a grande mídia faz crer que existem apenas dois partidos. Nada mais falso. De fato, são dois grandes, mas legalizados são mais de 50 partidos americanos. Há até dois candidatos que pregam abertamente o socialismo no berço do capitalismo. São eles Brian Moore, do Partido Socialista e Roger Calero, do Partido dos Trabalhadores da América. Mas, visto de conjunto, apenas dos dois grandes aparecem.


Tenho acompanhado as primárias. Acompanho especialmente a posição de cada dos pré-candidatos sobre sua política externa. Mais particularmente sobre a Palestina e sobre o Iraque, onde os Estados Unidos possuem grandes interesses, como no Oriente Médio em geral. Tenho dito em palestras sobre geopolítica internacional que andei fazendo, bem como escrevendo alguns artigos sobre o assunto. Acho que mesmo ganhando as eleições os Democratas, as tropas americanas não sairão do Iraque tão cedo. Do lado dos Democratas, Hillary e Obama são os que mais visibilidade da mídia tem tido. Tanto um como outro sabem que não possuem forças suficientes para retirar as tropas americanas bruscamente. Os mais otimistas falam em dez a 16 meses para a retirada total.


Em recente viagem de oito dias por cinco países do Oriente Médio, indagaram a George Bush sobre a retirada das tropas. Um dos repórteres brincou com o presidente americano e lhe disse “as tropas estadunidenses vão ficar cem anos no Iraque”. Sabe qual foi a sua resposta? Bush disse “cem anos é muito tempo, mas pelo menos uns dez anos ficaremos por lá”.


Isso pode não se concretizar e até acho que elas sairão antes disso, mas não muito menos que isso. A ocupação vai completar cinco anos agora no próximo dia 19 de março (espero que façamos atos pela retirada imediata em várias localidades). Logo depois da invasão/ocupação, o combativo escritor e jornalista de esquerda Tariq Ali deu uma entrevista onde dizia que os americanos ficariam pelo menos dez anos no Iraque. Corre o sério risco de acertar em cheio suas previsões.


A posição dos pré-candidatos


O jornal que tem dado maior cobertura das eleições americanas é O Estado de São Paulo, como, aliás, tem se mostrado uma jornal mais sério e competente do que a Folha. Uma reportagem do último dia 10 de janeiro apresentava um pequeno resumo do posicionamento dos candidatos sobre esse tema controverso, com o qual compartilho com meus leitores.


É preciso dizer, antes de tudo, que a posição de todos os pré-candidatos democratas, quando a pátria americana vestiu roupas de guerra e literalmente foi para a guerra, era de claro apoio à invasão para a derrubada de Saddam Hussein. Ou seja, todos eles, com poucas exceções, votaram na Câmara e no Senado, pelo apoio à ocupação. De um ano para cá, as coisas vem se modificando. A guerra já esta beirando ao um trilhão de gastos militares e mais de quatro mil soldados já voltaram para casa em caixões metálicos. A opinião pública vai se modificando e a manipulação da mídia vai perdendo seu efeito desastroso inicial.


1. Os Pré-candidatos Democratas


Barak Obama – Fala em iniciar imediatamente o que chama de “retirada gradual”, que poderia ser completada em 16 meses após janeiro de 2009, quando tomaria posse na presidência. Isso joga a retirada completa para 2010. Defende a convocação de uma nova constituinte no Iraque, organizada pela ONU;


Hilary Clinton – Apesar de ter votado pela ocupação no senado, hoje defende a revogação da autorização para a guerra conquistada por Bush nessa casa legislativa. Fala contrário à instalação no Iraque de bases permanentes dos Estados Unidos. É a que defende a volta mais rápido para a casa das tropas. Menciona 60 dias. Ela mesmo sabe que isso não seria cumprido se fosse eleita.


John Edwards – Fala em retirar de imediato um terço dos soldados (50 mil de 150 mil que os americanos matem estacionados no Iraque). Depois, o restante, dá um prazo até final de 2008 para a volta total para casa das tropas. Defende a presença militar americana no golfo Pérsico-Arábico e no Kuwait.


2. Os Pré-candidatos Republicanos


John McCain – Não menciona prazo específico para a retirada, mas apoiou todos os reforços de tropas para o Iraque. Quer colocar maior pressão sobre a Síria e sobre o Irã, para que estes países parem de influenciar a luta pela libertação do Iraque ocupado.


Mitt Romney – Sempre apoiou todos os esforços de guerra americanos, especialmente o de reforço de tropas no início do ano passado (como também os democratas o fizeram). Fala em uma vaga “retirada gradual, condicionada aos progressos alcançados”, que não define bem o que é isso.


Mike Huckabee – é o que mais se bate contra a fixação de qualquer calendário pela retirada das tropas de ocupação. Diz que uma retirada imediata enfraqueceria os Estados Unidos e seus aliados no país e na região. Fala em conseqüências catastróficas para os iraquianos. Defende uma reunião regional para tentar estabilizar o Iraque.


Rudolph Juliani – Também se coloca contra a retirada imediata e mesmo gradual das tropas estadunidenses do Iraque. Mas, defende uma maior transferência de poder para as forças iraquianas. Defende uma longa permanência dos Estados Unidos no Iraque.


Fred Thompson – Apóia e apoiou sempre o envio das tropas, mas esta mais afinado com Bush, que menciona em retirada gradual, a partir do segundo semestre deste ano, mas sem mencionar retirada total.


Como podemos observar, seja entre Democratas ou Republicanos, há muita semelhança. Claro que reconheço que os Democratas, pelo seu passado, são mais sensíveis à opinião pública e um pouco mais “progressistas”. Mas, haverá ainda muitas lutas e manifestações para que todas as tropas sejam finalmente retiradas desse país árabe sob ocupação e que o poder volte às mãos dos árabes. Mas, é nosso desejo sincero, qualquer que seja o presidente eleito na maior potência militar e econômica do planeta. Seguiremos acompanhando esse processo eleitoral e informando nossos leitores.





*Lejeune Mirhan, sociólogo da Fundação Unesp, arabista e professor. Presidente do Sindicato dos Sociólogos, membro da Academia de Altos Estudos Ibero-árabe de Lisboa e da
International Sociological Association



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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in Vermelho - 24 DE JANEIRO DE 2008 - 14h25

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Como é? Ninguém fala?



Correio da Manhã - selecção do editor do Blog



- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 15:33
Felgueiras: Mulher dá à luz em ambulância
Uma mulher de 35 anos, residente em Felgueiras, deu à luz esta quarta-feira de manhã numa ambulância dos Bombeiros da Lixa quando era transportada para o Hospital de Guimarães.
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- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 15:13
Polícias reclamam maiores salários
Cerca de 18.500 polícias desfilaram sem fardas esta quarta-feira nas ruas de Londres em protesto contra a recusa do governo britânico em pagar-lhes um aumento salarial de 2,5 por cento para conter a perda de poder de compra decorrente da inflação.
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- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 14:55
José Sócrates mais presente na TV
O primeiro-ministro José Sócrates foi a personalidade que marcou maior presença nos programas de Informação dos quatro canais generalistas de sinal aberto portugueses em 2007.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 14:45
Portugal pode aumentar emissões de CO2

A Comissão Europeia anunciou esta quarta-feira que Portugal pode aumentar em 1% as emissões de gases poluentes nos sectores não abrangidos no Comércio Europeu das Licenças de Emissão (CELE), como o dos transportes.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 14:19
Ministra garante condições para avaliação
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garantiu esta quarta-feira que as escolas vão ter todas as condições para avaliar o desempenho dos professores neste ano lectivo, rejeitando críticas da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) sobre alegados atrasos no processo que impediriam a concretização da medida no corrente ano.
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- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 13:01
Família implica INEM em morte
Um homem de 43 anos morreu ontem de madrugada, esvaído em sangue, na sequência de uma queda em sua casa em Castedo, concelho trasmontano de Alijó, e após o que a sua família diz ter sido uma espera de duas horas pela chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Vila Real.
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- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 11:42
Manifestação pela negociação colectiva
Dirigentes e activistas da CGTP vão concentra-se amanhã (quinta-feira) junto à sede da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e do Ministério do Trabalho para reivindicar o direito à negociação colectiva. A manifestação decorre no âmbito do Dia Nacional pelo Direito à Negociação Colectiva, iniciativa promovida pela Intersindical.
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- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 09:37
Ministério tem de reintegrar funcionários
O Ministério da Agricultura vai ter de reintegrar 63 funcionários que foram colocados no sistema de mobilidade especial em Maio e Julho do ano passado e a pagar-lhes retroactivamente os salários em falta, de acordo com uma determinação do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 09:18
44 mil sites pornográficos encerrados
As autoridades chinesas encerram 44 mil sites e páginas na Internet e prenderam 868 pessoas durante o último ano no âmbito de uma campanha contra a pornografia, revelou esta quarta-feira a agência de notícias estatal chinesa.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 08:14
José Saramago já regressou a casa
José Saramago abandonou terça-feira a clínica em Lanzarote onde esteve internado e regressou a sua casa naquela ilha espanhola. De acordo com a sua filha, o estado de saúde do Prémio Nobel da Literatura está "incomparavelmente melhor", ao ponto de já poder andar.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Escolas desobedecem
Muitas escolas do País estão a contrariar as indicações do Ministério da Educação, que publicou um decreto regulamentar que as obriga a definirem as normas que orientam a avaliação do desempenho dos docentes até 8 de Fevereiro apesar de não terem ainda nenhum documento que norteie essas normas. Nem as fichas de avaliação, com a ponderação dos critérios em análise, estão aprovadas.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Caso Maddie vale nomeação ao Óscar
O filme ‘Gone Baby Gone’, cujas semelhanças com o caso Maddie levou o actor/realizador Ben Affleck a adiar a sua estreia nos EUA, valeu uma nomeação para os Óscares, revelou ontem a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Lésbica ganha caso de adopção
Numa decisão sem precedentes, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a França por ter impedido que uma lésbica adoptasse um filho, considerando que ela foi vítima de discriminação.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Mário Cláudio recebe Prémio Vergílio Ferreira
O escritor portuense Mário Cláudio foi esta terça-feira galardoado pela Universidade de Évora com o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2008, anunciou esta terça-feira a instituição de ensino.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Urgências com anexo
Um pré-fabricado anexado ao actual Serviço de Urgência (SU) do Hospital Central de Faro (HCF) – orçado em um milhão de euros – foi ontem anunciado pelo Conselho de Administração (CA) desta unidade de saúde, para minimizar a actual situação caótica vivida naquele serviço.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Jorge Gabriel quer fazer milionários
Jorge Gabriel regressa na próxima segunda-feira, dia 28, com mais uma edição de ‘Quem Quer Ser Milionário?’, num total de 80 programas que se prolongam até ao Verão.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Mobilidade sem selecção na Cultura
O Ministério da Cultura colocou 364 trabalhadores em situação de mobilidade especial sem qualquer processo de selecção.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Expo máscaras
O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, inaugura amanhã a exposição ‘Rituais de Inverno com Máscaras’.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
109 euros em falta todos os meses
A maioria dos portugueses considera que a idade da reforma é sinónimo de dificuldades financeiras e é fácil ver porquê. Portugal tem as pensões mais baixas da União Europeia a 15 membros – só os últimos países a aderirem têm pensões inferiores – e o magro rendimento não chega para pagar as contas. Mensalmente faltam 109 euros para fazer face a todas as despesas.

- Quarta-feira, 23 Janeiro 2008 - 00:00
Ciclo vicioso
Os trabalhadores no activo sabem que a reforma será muito inferior ao salário que auferem. Sabem que têm de poupar para a velhice, sabem que o devem fazer o mais cedo possível... mas não têm dinheiro para isso.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 02:34
Cultura: Ministra comete gaffe
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, enganou-se ontem no nome do Instituto do Cinema e Audiovisual, cuja anterior designação incluía Multimédia. “Ainda não sei todas as novas designações dos institutos”, confessou.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 02:15
Hotéis: Al-Jaber investe 500 milhões
O saudita al-Jaber tem um plano de compra de hotéis, em Portugal, no total de 500 milhões de euros. Al-Jaber, dono da cadeia JJW Hotels and Resorts, já adquiriu os hotéis Penina Golf & Resort, Dona Felipa e um campo de golfe.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 01:56
Felgueiras: Campanha recebeu milhares
Henrique Correia, da PJ, disse no Tribunal de Felgueiras que empresas locais deram milhares de contos para a campanha de Fátima Felgueiras. Pretendiam da Câmara o licenciamento de pavilhões industriais “executados de forma irregular”.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:26
Campa de Salazar danificada à pedrada
A campa rasa onde está sepultado Oliveira Salazar, no cemitério de Vimieiro, em Santa Comba Dão, foi vandalizada durante a madrugada de ontem. A lápide onde está a fotografia do estadista foi atingida à pedrada. A GNR está a investigar o caso.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Bolsas caem após discurso de Trichet
A expectativa de uma descida da taxa de juro directora dos países do euro durou pouco. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, garantiu ontem que não baixa o preço do dinheiro, porque o resultado seria ainda mais inflação.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Jaime Silva vai recorrer
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, revelou ontem que dos 60 funcionários colocados em situação de mobilidade especial abrangidos pela providência cautelar diferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, quatro foram já colocados noutros serviços, sete foram transferidos para outros Ministérios e dois aposentaram-se. O governante adiantou que vai recorrer da sentença.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Família real custava o normal na Europa
António Pedro Vicente, professor catedrático de História na Universidade Nova de Lisboa e grande coleccionador de objectos de propaganda da República, está a trabalhar com a mulher, Ana Vicente, numa nova edição da biografia ‘O Príncipe Real, Luiz Filipe de Bragança, 1887/1908’. A obra exigiu-lhes profundo conhecimento dos feitos e defeitos da família real de D. Carlos I

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Sócrates campeão nos telejornais
José Sócrates foi o campeão dos telejornais em 2007, segundo dados do serviço Telenews da MediaMonitor ontem revelados. O primeiro-ministro teve quase 51 horas de tempo de antena.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
G.M. Tavares estreia peça
‘Berlim’ é o título da peça de Gonçalo M. Tavares que a Comuna – Teatro de Pesquisa estreia esta noite, em mais uma encenação de João Mota, que depois de ‘A Colher de Samuel Beckett’ regressa à obra do escritor português com um texto sobre a violência nas grandes cidades.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Oftalmologia só tem Urgência quatro dias
O Algarve dispõe de serviço de Urgência na especialidade de oftalmologia apenas quatro dias por semana (três no Hospital do Barlavento e um em Faro) e entre as 8 e as 20h00. Nos restantes dias ou em horário nocturno os doentes com casos de maior gravidade seguem para Lisboa, de ambulância, enquanto os restantes são encaminhados para as consultas da especialidade, no dia útil seguinte.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Hugo Marçal perde acção a Martins
O Tribunal de Elvas absolveu ontem o advogado de Carlos Silvino, José Maria Martins, do crime de difamação interposto por Hugo Marçal, primeiro defensor do principal arguido do processo Casa Pia. O causídico alentejano, também constituído arguido por suspeitas de lenocínio e abusos sexuais de menores, ficou sujeito ao pagamento das despesas processuais, num valor nunca inferior a mil euros.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Fichas de avaliação só amanhã
O Ministério da Educação divulga amanhã na internet as fichas de avaliação dos professores. Segundo a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação, os prazos estipulados no decreto regulamentar sobre a avaliação dos professores só começarão a contar a partir da divulgação na internet das recomendações do Conselho Científico para a Avaliação.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Milhares fogem de Gaza
Em total desespero devido ao bloqueio israelita, dezenas de milhar de palestinianos de Gaza aproveitaram a destruição de parte do muro de Rafah para fugir em massa para o Egipto, que manteve esta fronteira praticamente fechada desde Junho do ano passado, quando o Hamas assumiu o controlo daquele território.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
UE mantém FARC na lista
A União Europeia assegura que não vai retirar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) da lista de grupos terroristas, rejeitando assim o apelo nesse sentido feito pelo presidente venezuelano Hugo Chávez após a libertação de duas reféns por parte da guerrilha.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Prodi na corda bamba
O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, venceu ontem na Câmara Baixa do Parlamento (326 contra 275) um voto de confiança que pode ainda custar-lhe a demissão. É que no Senado (que vota hoje) Prodi está em minoria depois de perder três assentos com a saída dos católicos da União Democrática para a Europa (UDEUR) da coligação governativa.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Avenças sobem nos hospitais
Os contratos de avença estão a aumentar na área da Saúde, como se pode comprovar pe-lo aumento da despesa com este género de contracção que subiu 32 686 euros, ou 39 por cento, entre 2005 e 2006, de acordo com o Relatório de Acompanhamento das Parcerias Público Privadas (PPP) em Saúde, ontem divulgado pelo Tribunal de Contas.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Valha-me Deus, estou lixada
A inexistência de meios e a falta de preparação dos bombeiros voluntários de Favaios e de Alijó provocaram um atraso no salvamento de António Moreira, falecido anteontem de madrugada, na sequência de uma queda nas escadas de sua casa, em Castedo, Alijó.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Arte da Galiza
A exposição de arte contemporânea ‘LatexoSinversos’, pertencente a seis jovens artistas galegos, é inaugurada este sábado, dia 26 de Janeiro, pelas 16h00 horas, no Fórum Cultural de Cerveira (pavilhão 2), permanecendo, naquele espaço, até 15 de Março.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Parto na ambulância
João Francisco nasceu ontem de manhã numa ambulância dos Bombeiros da Lixa a caminho do Hospital de Guimarães. Eram perto das 10h30 quando a mãe, Maria Rosa Teixeira, de 35 anos, residente em Airães, concelho de Felgueiras, começou a sentir fortes contracções e pediu aos soldados da paz uma deslocação urgente à maternidade.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Idosa burlada em mais de mil euros
Uma idosa de Avanca, Estarreja, foi burlada anteontem por dois indivíduos “bem vestidos” que a convenceram a ir buscar um envelope com mais de mil euros, alegando que as notas iriam sair de circulação no dia seguinte e por isso teriam de ser trocadas.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Leite vai subir dez cêntimos por cada litro
O preço do leite vai subir mais de dez cêntimos por litro já a partir do mês de Fevereiro. Trata-se de um aumento superior ao anunciado no início do ano e que é influenciado pela diminuição do efectivo pecuário e dos produtores que, cada vez mais, trocam as pastagem pela produção de cereais destinados a biocombustíveis.

- Quinta-feira, 24 Janeiro 2008 - 00:00
Olivençada e Olivencida
Artur Semedo realizou e protagonizou, em 1985, um filme sobre Olivença. O filme tem por título ‘O Barão de Altamira’ e é do género cómico.



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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

Precariedade afecta 30% dos trabalhadores


Jovens são os mais afectados
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Um terço dos trabalhadores portugueses vive uma situação profissional precária, sendo que os jovens até aos 34 anos são os mais atingidos.
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Na apresentação da iniciativa “Estafeta contra a Precariedade”, a União de Sindicatos do Porto, revelou que, 1,7 dos 5,2 milhões de trabalhadores portugueses possuem vínculos precários, dos quais 674 mil com contrato a termo certo, 190 mil a recebidos verdes e 56 mil licenciados desempregados.

Os jovens são os mais expostos ao trabalho precário, afectando 35 por cento desta faixa etária.

No estudo revelado esta terça-feira, a USP revela ainda que “muitos deles ocupam empregos com baixas qualificações, baixos salários e horários de trabalho desregulados, apesar dos níveis médios de habilitações literárias relativamente altos, facto que torna esta situação ainda mais injusta e incompreensível na perspectiva do desenvolvimento do país.

A iniciativa “Estafeta contra a Precariedade”, promovida pela estrutura jovem da CGTP-IN, arrancou dia 16 em Braga e prossegue até ao dia 29 no distrito do Porto.

Para a USP, o Livro Branco das Relações Laborais irá agravar as normas já previstas no Código do Trabalho, numa situação que “só serve para os patrões intensificarem a exploração dos trabalhadores, provocar a instabilidade nas suas vidas e aumentar os lucros do capital”.

O sindicato garante ainda “uma boa parte” dos contratos de trabalho em causa “não estão em conformidade com as normas legais, sendo corrente a utilização de contratos precários para postos de trabalho permanente”.

Em termos comparativos, Portugal apresenta uma taxa de precariedade “superior à média europeia” e “a terceira mais elevada nestes países, a seguir à Espanha e à Polónia”.



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.in Correio da Manhã 2008.01.22


Foto - Estela Silva - Manifestação de jovens desempregados

Terceira idade: Reforma é a mais baixa da UE a 15


* Sandra Rodrigues dos Santos
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109 euros em falta todos os meses
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A maioria dos portugueses considera que a idade da reforma é sinónimo de dificuldades financeiras e é fácil ver porquê. Portugal tem as pensões mais baixas da União Europeia a 15 membros – só os últimos países a aderirem têm pensões inferiores – e o magro rendimento não chega para pagar as contas. Mensalmente faltam 109 euros para fazer face a todas as despesas.

De acordo com o Axa Barómetro Reforma 4.ª vaga, ontem apresentado em Lisboa por aquela seguradora, os aposentados portugueses recebem uma média de 646 euros por mês e têm despesas da ordem dos 755 euros, um factor que contribui para que necessitem de apoio material (81 por cento) e financeiro (70 por cento) dos filhos.

Do conjunto de 26 países abrangidos no estudo, Portugal é o que tem as pensões mais baixas a seguir à Hungria (300 euros) e à República Checa (331). Apesar do baixo valor neste país, os checos conseguem um excedente mensal de 32 euros.

O documento revela, igualmente, que seis em cada dez reformados têm uma pensão inferior ao último salário. Uma diminuição de rendimento que é antecipada por sete em cada dez trabalhadores no activo.

Por estas razões não é difícil compreender que para a maioria dos portugueses pensar na reforma seja o mesmo que pensar em dificuldades financeiras e pobreza.

Ainda assim, é mínima a percentagem de trabalhadores no activo em Portugal que conhece o valor da pensão que vai auferir na aposentação. Apenas 16 por cento sabe quanto irá receber – a percentagem mais baixa da Europa – e ainda assim são na maioria pessoas com idades mais próximas de saírem do mercado de trabalho.

Durante a apresentação do estudo, o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, defendeu que as empresas devem apostar no prolongamento da vida activa e na valorização do saber dos mais velhos, evitando a saída precoce do mercado de trabalho.

Vieira da Silva reagia assim ao facto de o estudo concluir que 77 por cento das pessoas que se reformaram antes da idade legal o terem feito por imposição do empregador e não por vontade própria.

REFLEXO DO PASSADO CONTRIBUTIVO

O facto de o passado contributivo ser baixo e de as pensões não respeitarem a carreiras completas nem a salários elevados justificam o facto de as reformas em Portugal serem mais baixas do que na maioria dos países europeus. Esta é a opinião de Pereira da Silva, professor do ISEG e perito em questões de Segurança Social: “Se as pessoas já ganhavam mal, as pensões vão ser fracas e mesmo que tivessem pensado em melhorar a situação se calhar não tinham meios para o fazer”, declarou Pereira da Silva ao Correio da Manhã. Para este especialista é essencial que se poupe para a reforma se se quiser manter o nível de vida, já a idade certa para preparar a reforma é “desde que se tenha meios financeiros”. Pereira da Silva reconhece que – apesar de nem sempre ser fácil “porque há outras preocupações” – a poupança deve começar cedo.

APONTAMENTOS

PREPARAÇÃO

São 40% os trabalhadores portugueses no activo que poupam para a reforma e começam a fazê-lo por volta dos 34 anos, mais tarde do que nos outros países e, normalmente, após acidente ou doença.

POUPANÇA

A média de poupança é de 246 euros e está acima da média, apesar de os rendimentos em Portugal serem mais baixos do que na maioria dos países estudados.

MULHERES

As mulheres portuguesas estão mais bem preparadas para viver a reforma do que os homens. O sexo masculino encara este período como sinónimo de solidão e aborrecimento.

REFORMAS COMPARADAS (valores em euros)

BÉLGICA: 1246 (valor da reforma) / 1517 (total de despesas) / - 271 (excedente/défice)

REP. CHECA: 331 (valor da reforma) / 299 (total de despesas) / 32 (excedente/défice)

FRANÇA: 1530 (valor da reforma) / 1892 (total de despesas) / - 362 (excedente/défice)

ALEMANHA: 1318 (valor da reforma) / 893 (total de despesas) / 425 (excedente/défice)

HUNGRIA: 300 (valor da reforma) / 416 (total de despesas) / - 116 (excedente/défice)

ITÁLIA: 1468 (valor da reforma) / 1388 (total de despesas) / 80 (excedente/défice)

Portugal: 646 (valor da reforma) / 755 (total de despesas) / - 109 (excedente/défice)

ESPANHA: 1118 (valor da reforma) / 1155 (total de despesas) / - 37 (excedente/défice)

SUÍÇA: 2410 (valor da reforma) / 1756 (total de despesas) / 654 (excedente/défice)

REINO UNIDO: 1270 (valor da reforma) / 872 (total de despesas) / 398 (excedente/défice)

EUA: 2800 (valor da reforma) / 1743 (total de despesas) / 1057 (excedente/défice)

Fonte: Axa Barómetro Reforma
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in Correio da Manhã 2008.01.23

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Os fogos cruzados



A esperança macabra de qualquer estratega é encurralar o inimigo num quadrado cada vez menor e, finalmente, destruí-lo com terríveis «fogos cruzados». Trata-se não apenas de uma táctica de guerra mas também, em tempos de paz, de um princípio estratégico geral, militar ou não militar. A Igreja Católica adopta-o frequentemente, sobretudo quando se trata de talhar a sociedade à medida dos seus interesses ou de abrir caminho aos seus aliados, eliminando concorrências potenciais.
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Ainda há poucos dias, um conhecido padre demonstrou possuir esse entendimento.
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Bom conhecedor em matéria política, o padre Vítor Melícias melhor do que ninguém conhece o estado lamentável da Nação. Sobe o custo de vida, cresce o desemprego, a educação é uma lástima, a saúde é reserva dos ricos. A Igreja perde prestígio e influência junto das populações. Os lucros financeiros da banca privada são um escândalo moral.
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O sacerdote em questão sempre tem alimentado a sua imagem pública de defensor da solidariedade, da caridade e da «igreja dos pobres».
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Diariamente recorda esses valores. Como bom franciscano jovial e optimista, é assim que quer ser visto pela multidão dos humildes. Porém, Vítor Melícias também gere negócios importantes da pastoral caritativa. Conduz Misericórdias, IPSS, ONGS, Lotarias, Fundações. É, de facto, um administrador competente (ninguém o negará!) de uma esmagadora massa financeira.
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Mas chegado a este ponto, aqui na face da tese oposta à da «igreja dos pobres», na esfera doirada dos que «voam mais alto», é evidente que o padre se confronta com uma insustentável contradição. Porque Melícias, condutor eclesiástico de um importante sector social, é a face visível da Igreja na luta contra a pobreza. Logicamente, impõe-se-lhe escolher (e, com ele, toda a Igreja Católica) entre os interesses dos ricos e os interesses dos pobres. A imagem evangélica do «sim, sim; não, não». Mas o padre Melícias pensa de outra maneira. Passa à frente e, jovial e optimista, insiste em pregar a reconciliação de classes. Numa carta recentemente divulgada, na esteira do Banco Privado Português confessa Vítor Melícias: «Na minha condição de frade franciscano... tive trato directo com o mundo do dinheiro que me trouxe vivências e episódios de grande riqueza humana e sábia pedagogia no meu relacionamento com ele (o mundo do dinheiro).»
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Investidores da banca privada
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Esta hipotética potencialidade humana do mundo do dinheiro que Melícias afirma ter experimentado relaciona-se com novas formas que o capitalismo adopta para se expandir e ocupar fatias do mercado financeiro mundial ainda pouco exploradas. É uma área que a Pastoral Social privilegia e se associa aos objectivos expansionistas do chamado sector das empresas private equity (investidores ligados a investimentos concretos). Uma explicação rápida e provisória destes palavrões pode consistir assim, em português: o capitalismo não se baseia na produção, mas no crédito; o crédito implica investimento; ora, o investimento exige cada vez mais grande poder financeiro ao investidor, deixando de fora da corrida uma multidão de pequenos investidores que pertencem, quase sempre, às classes médias da sociedade mundial.
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O papel das private equitys é, justamente, extrair lucro dos pequenos investidores sem acesso às Bolsas de Valores. Como? Ligando o investidor a um só projecto para ele escolhido e gerido pelo banco. Sem outra participação do pequeno investidor que se limitará, no futuro, a receber dividendos e a pagar à banca pesadas taxas.
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Caso contrário, o pequeno accionista ficará isolado, sem capacidade para investir.
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Isso acontecerá, necessariamente, se o pequeno investidor da classe média recusar as condições ditadas pelo banco que se propõe «salvá-lo». Os agentes bancários desta área tornam-se, assim, verdadeiros apóstolos do capital. Por isso mesmo, os banqueiros lhes chamam business angels (anjos do negócio). A banca acantona os interessados numa área pré-definida, extrai deles o lucro que puderem dar e, no momento conveniente, abre sobre a classe média o seu fogo cruzado, abate-a e arruína-a.
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Declara ainda o padre Melícias na sua missiva pastoral: «Dá-se o aflito ao aflito, o pobre ao pobre, o generoso ao necessitad ... Na verdade, é no dar que se recebe, no repartir – investindo ou distribuindo – que se respeita a natureza e finalidade social do dinheiro. Mal usado é o esterco. Posto ao serviço, é oiro.»
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É a retórica da demagogia. Sem mais comentários.
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in Avante 2008.01.17
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Quadro de Giotto - Jesus expulsa os vendihões do Templo

in

auladearte.com.br/historia_da_arte/giotto_capela scrovegni


Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

O Caso Maddie (22) e Mari Luz e Joana


Impressão Digital
Maddie e Mari Luz
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. * Francisco Moita Flores
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Mari Luz desapareceu no espaço público. Maddie e os irmãos foram abandonadas pelos pais [...] ficaram entregues à sua sorte
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Cada vez que acontece uma sequência de actos violentos, seja homicídios, raptos, ataques terroristas, o primeiro exercício da memória de senso comum é procurar comunhões e proceder a analogias que tendem para juízos generalistas que empolam esta ou aquela solução. Quando estes factos têm forte impacto na Comunicação Social ainda maior é o nível de convicção formulada. Não admira, pois, que o desaparecimento de Mari Luz suscitasse a procura de identificações com o caso Maddie levando à tese cómoda e oportunista de que existem ligações entre os dois casos, ambas vítimas de um predador sexual.
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Não existem. Embora próximos no tempo, são casos absolutamente diferentes. A começar pelo espaço onde os factos ocorreram. Maddie desapareceu do quarto onde dormia, ao lado dos irmãos, no alojamento, ainda que de férias, pertença dos pais. Mari Luz desapareceu no espaço público. A coordenada tempo também é diferente. A menina inglesa desapareceu de noite, a menina espanhola de dia. Também é diferente a localização. Mari Luz desaparece numa rua do bairro – e quem conhece esta zona de Huelva sabe que estamos a falar de uma comunidade pobre, de casas degradadas ou de construção modesta, habitado por pessoas com dificuldades económicas, onde a rua é apropriada pelos habitantes como espaço lúdico. Brincar na rua em Torrejon é um acto socialmente normal, as relações de vizinhança existem, os laços de interconhecimento social são evidentes. É normal a mãe mandar o filho às compras. De acordo com o padrão comportamental dos quotidianos não se pode dizer que os pais tenham abandonado Mari Luz. Aquele espaço é território da comunidade. Maddie e os irmãos foram abandonadas pelos pais, num país estranho, num condomínio de qualidade mas, devido à breve permanência, estranho para eles e para os filhos. Foram para os copos enquanto as crianças ficaram entregues à sua sorte. Mas numa unidade segura, controlada, sem espaço para um raptor agir com naturalidade. O espaço público é, por excelência, o espaço onde acontecem os raptos. Nas ruas, grandes superfícies, praias, ou concentrações de pessoas ao ar livre. O espaço privado, do lar, é o território do amor, da violência, da ternura e da morte. Mas não se fica por aqui a diferença. Os pais de Mari Luz comunicaram de imediato o caso às autoridades. A polícia soube de Maddie muito depois da diplomacia inglesa e da Sky News. Os pais de Mari Luz expõem-se, no seu sofrimento e aflição, à polícia e à Comunicação Social. Os pais de Maddie enveredaram pelos apelos emotivos mas sem explicações coerentes sobre o que se passou. Trouxeram um assessor para dizer o que a imprensa queria ouvir, mas eles, quando chegou a hora, recusaram-se a falar e partiram. A teia organizada nunca quis falar dos pormenores do caso. Optou por insultar a PJ e o País que os abrigou.
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A verdade, a triste verdade, é que duas crianças desapareceram. Uma, quase de certeza, está morta. A outra, as autoridades ainda esperam encontrá-la viva. Oxalá consigam. Infelizmente não são os primeiros nem serão os últimos casos. São casos da nossa vida comum. Infelizmente.
Francisco Moita Flores, Professor universitário


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» Comentários no CM on line

Domingo, 20 Janeiro


- Américo Silva. Algés
Não são duas, mas sim três, as crianças desaparecidas na mesma região: Joana, Maddie e Mari Luz. Será o buraco do ozono?


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in Correio da Manhã 2008.01.19

FOTO - Juan José Cortes e Irene Suárez, los padres de Mari Luz Cortés.
Foto: EFE/IVAN QUINTERO

Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Urbanismo e «névoas» sobre o território




Névoa sobre o território

Os negócios proporcionados pela construção civil e pelo imobiliário ultrapassam o imaginável. Em poucos anos empresas têm lucros fabulosos por vezes sem terem produzido o que quer que seja. Recorde-se os recentes negócios em volta do Parque Mayer, dos terrenos na Expo ou em Telheiras onde terrenos onde não era previsto construir, portanto quase sem valor, acabaram a ser ocupados por grandes blocos edificados, valorizando-os brutalmente. Há desde empresas mediáticas como a Bragaparques a quase desconhecidos empreendedores como o que há uns tempos atrás, um jornal dito de referência assinalava como um dos homens mais ricos de Portugal, que tinha obtido os seus grossos cabedais em negócios de compra de terrenos de pouco valor acrescentado que subitamente adquiriam fabulosas mais valias por alteração do seu valor de uso. Homens e empresas que fazem chover…dinheiro!

Faz-se dinheiro, muito dinheiro, com o caos urbanístico do país. Loteiam-se e urbanizam-se terrenos a torto e a direito e estão devolutas centenas de milhares de habitações. Atira-se para o abandono mais de um terço do espaço agro-florestal, continua-se a autorizar o aumento do terreno urbanizável, empreendimentos turísticos em zonas protegidas, etc. É a especulação desenfreada do território, um bem limitado e frágil, com cobertura legal o que não deixa de ser imoral e, em muitos casos, ter um fortíssimo travo de corrupção, de favorecimento ilegítimo quando, por alteração de valor de uso ou de índices de ocupação o mesmo terreno passa, do dia para a noite, a valer 5 000, 10 000, 20 000 vezes mais. Negócios da china? Não, negócios da nossa terra.

Combater a corrupção

Um exemplo abstracto para melhor se entender o que está em causa: um terreno pode valer 0, se for classificado como reserva natural integral, ter um valor no mercado de € 5000/hectare se for terreno agrícola ou € 1 000 000/hectare se for urbanizável.
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É evidente que lucros deste jaez em que, de uma penada, um pedaço de terra se transforma em ouro quase por passe alquímico, dão margem para todas as traficâncias que, mesmo não existindo, são sempre possíveis com a extrema agravante do que deveriam ser instrumentos de racionalização do uso dos solos, os planos de ordenamento do território, puderem acabar por ser instrumentos para viabilizar negociatas obscuras. O uso do solo é alterável. Muda com o tempo e as alterações dos modos de vida. São alterações que têm que ser cuidadosamente pensadas, sujeitas a um planeamento urbanístico ponderado, conciso e democraticamente transparente. Não há actividades neutras ou meramente técnicas e o urbanismo é uma das que mais frágeis, sabendo-se que é uma das áreas de frente para a circulação de capitais e lavagem de dinheiro à escala global.
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Não deixa de ser inquietante verificar que, em Portugal, o acréscimo dos espaços urbanos inscritos na generalidade dos PDM é feito na base de previsões totalmente irrealistas de crescimento população residente. Somem-se essas previsões. Em dez anos, o prazo de vigência do PDM, a população de Portugal triplicava. Os valores que se encontram nas estatísticas são estarrecedores. Dos mais irrealistas, um concelho que teve uma quebra populacional de 4,5% prevê um aumento de áreas urbanísticas de 285% aos mais voluntaristas, um concelho que teve um crescimento populacional de 11,15% prevê um acréscimo de áreas urbanas da ordem dos 115%. Numa década o terreno urbanizável cresceu quase 45%. (1) Isto só é explicável pelo grande negócio que é a transformação de solo agrícola ou outro em solo urbanizável. As margens de lucro brutais podem deixar os terrenos ficar expectantes durante anos e anos. Não é claro que estes PDM’s deveriam ser reprovados? Estão em vigor o que não abona a favor nem de quem os encomenda, nem de quem os elabora, nem quem os aprova. Terreno pantanoso em que já quase não se distingue o que é impotência do que é cumplicidade dos poderes públicos.
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A mão ou as mãos determinantes no fazer essa riqueza súbita devem estar acima de qualquer suspeição. As razões que determinam essas decisões devem estar, na medida em que o podem estar, acima de qualquer suspeita. No entanto são inúmeros os casos, de valor e tipo muito desigual, em que o véu de dúvidas paira sobre decisões do poder autárquico, do poder central viabilizando a torto e a direito urbanizações, caucionando regimes de excepção.
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É um elementar exercício de bom senso e de transparência democrática não deixar que essas suspeições permaneçam sem serem escrutinadas. Deveria o estado dispor dos instrumentos necessários para averiguar rapidamente os casos de enriquecimento, dos pequenos aos grandes enriquecimentos, a dimensão não é o factor determinante na corrupção. Estar atento e mostrar firmeza na averiguação do que pode descredibilizar os políticos e a política. A política não é a mesma m…, os políticos não são todos iguais. Não o quer assim Sócrates e o PS a seu mando. O nervosismo insultuoso com que atacou uma lei anticorrupção, o afã com que não deixa legislar de modo a atacar claramente a corrupção deve provocar um sobressalto, uma inquietação e legitimas interrogações. Essa gente sabe o que anda a fazer. Sabem que atacar a corrupção não se faz com poses de opereta, indignações de banha da cobra. É um mau exemplo, um incentivo a que este estado de coisas se mantenha quase inalterado, enquanto não se ataca a raiz do problema alterando as leis que regem o ordenamento do território para que não seja legal a depredação do território, um bem fisicamente circunscrito e dificilmente regenerável depois de agredido.

Mais-valias
Uma questão central

Mesmo com leis que previnam a corrupção atacando decididamente quem rapidamente enriquece, sobretudo quem, ocupando cargos públicos onde a isenção deve ser exemplar, fica subitamente com os bolsos cheios ou os enche com parcimónia cautelar sem descurar de os rechear lautamente, dever-se-ia dar prioridade ao ataque a estas gordas mais-valias que alimentam a corrupção e a vandalização do território.
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O emaranhado de leis que estendem os seus tentáculos para as sugar é caso singular na Europa. Não há planeamento por melhor que seja que consiga proteger o território da sofreguidão devastadora promovida pelo lucro brutal que se obtém ou por alteração da classificação do solo ou por alteração dos índices de construção.
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Retornando um caso com uma empresa inicialmente referida, a sucessiva alteração de índices de construção no Parque Mayer, valorizou o terreno de 13 milhões para 60 milhões de euros. A última versão reduziu, até ver, o índice de construção. O valor da avaliação baixou nominalmente mas não baixou realmente porque o proprietário, a Bragaparques, tem do seu lado outra famigerada lei, a dos direitos adquiridos. Em apenas seis anos, um pedaço de terreno olhado à escala 1/200, num papel onde se riscam intenções, estudos, anteprojectos, é uma máquina de fazer dinheiro. Em números redondos 8 milhões de euros por ano, 650 mil por mês, 1800 por dia, mais de três salários mínimos. É evidente que para a Bragaparques o Parque Mayer não interessa para nada. Só tinha/tem valor enquanto moeda de troca. Quando o comprou adivinhava, a leitura dos desígnios astrológicos do urbanismo é uma capacidade extraordinária desses empresários, que iria fazer um negócio não qualquer. O resto da história é conhecida e ainda está a correr. Da embrulhada sequente sublinhe-se um dos seus parágrafos ilustrativos das arbitrariedades legais, alegais e ilegais que são uma quase normalidade nestes negócios. Apesar dos ganhos desmesurados garantidos sem nada produzir a voracidade é tal que estando em cima da mesa uma permuta de terrenos Parque Mayer/Entrecampos (ex-Feira Popular), a avaliação do preço/m 2 do terreno em Entrecampos, com acessibilidades raras em qualquer cidade do mundo e localizando-se numa nova centralidade de Lisboa, é inferior ao do terreno altamente condicionado do Parque Mayer. Um escândalo que até pode ter cobertura legal, o que ainda deve provocar maior indignação. É mais uma das imoralidades trazidas pela violenta ventania da especulação imobiliária que ciclonicamente atravessa todo o país desde que, em 1965, se legalizou a privatização integral dos processos de urbanização e loteamento dos solos. Os resultados, abençoada iniciativa privada, é o caos urbanístico visível a olho nu em todo o país à sombra de famigeradas leis que nem o 25 de Abril alterou.
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Não há remédio? Há e é bem simples! O primeiro é fazer reverter integralmente para o Estado as mais valias geradas por alteração de uso do solo ou por alteração de índices de construção, acabando de vez com o milagre das chuvas de ouro. A corrupção ficava quase sem meios de sustento e com menor motivação. Corrupção fantasma omnipresente assaltando no silencio pardacento dos gabinetes, corrompendo o ar, longe da praça pública, das colunas dos jornais, procurando uma assertoada legalidade nos planos, nos licenciamentos excepcionais, na panóplia de intervenções de ordenamento do território desenhadas aos mais diversos níveis dos poderes do estado, do autárquico ao central. A segunda era ser a administração pública a assegurar o desenho do ordenamento do território. Estas duas medidas não são dissociáveis. Os efeitos seriam imediatos e o mais imediato seria sobre o preço da habitação que, segundo alguns especialistas, baixaria entre 25 a 35%, um valor importante na depauperada carteira dos portugueses. Acredita-se ainda que estas duas medidas seriam as traves mestras para se inverter, na medida do possível a caótica imagem urbana de Portugal.
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O não se ter feito nada para acabar ou conter razoavelmente esta situação deve-se à intimidação causada pela campanha desbragada de defesa da propriedade privada à margem de qualquer princípio moral. O ataque à Reforma Agrária é nesse campo exemplar. Descansem essas almas, leiam o insuspeito Stuart Mill: «Suponhamos que existe um género de renda que tende a aumentar valor sem qualquer sacrifício ou esforço da parte dos seus proprietários; esses proprietários constituem uma classe que enriquece passivamente às custas da restante comunidade. Neste caso o Estado não estaria a violar o princípio da propriedade privada se recapturasse esse incremento de riqueza à medida que ela vai surgindo. Isto não constituiria propriamente uma expropriação, mas apenas uma canalização sem benefício da sociedade, da riqueza criada pelas circunstâncias colectivas, em lugar de a deixar tornar-se o tesouro imerecido de uma classe particular de cidadãos. Ora este é justamente o caso da renda do solo.» Querem maior clareza?

(1)INE, O País em Números,2004;DGTDU; Relatórios do Estado do Ordenamento do Território de 1993,1995,1997; leia-se Território, Cidade e Alternativa Política, Filipe Diniz, in Caderno Vermelho 13,Setembro 2005; Alterações da Ocupação do Solo em Portugal Continental 1985, Mário Caetano,Hugo Carrão,Marco Painho, IA 2005
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in Avante
Edição Nº.1744, 03/05/2007
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clicar no cartoon para ver melhor

Urbanismo e Corrupção


Atenção ao tipo em pé à direita: é o homem com "as ligações certas" no urbanismo!

Domingo, 13 de Maio de 2007


Ensaio em arquitectura.pt
Urbanismo e corrupção


QUEM ACOMPANHA OS NOTICIÁRIOS EM ESPANHA sabe que a corrupção associada aos abusos urbanísticos está na ordem do dia. Lá como cá, as transformações do território têm uma génese muito semelhante.


Então por que é que não vemos em Portugal políticos, técnicos e promotores a braços com a justiça por razões ligadas ao urbanismo, como lá sucede?


A resposta leva- -nos longe.

Uma das grandes diferenças entre Portugal e os restantes países ocidentais, incluindo a Espanha, reside no facto de a apropriação das mais-valias urbanísticas ser, entre nós, por princípio, privada, ao contrário do que nos outros países sucede.


Há muitas variações sobre a percentagem que é pública, mas só aqui é que se aceita que ela seja cem por cento privada.

A pouca recuperação pública que há é póstuma e por via fiscal.




Os planos demoram anos a fazer e alterá-los pelas vias normais também. Sucedem-se os expedientes de suspensão dos PDM em vigor para aprovar alterações importantes, ou de invenção de procedimentos excepcionais para «despachar» processos complexos, muitas vezes sem sequer garantir a obrigatoriedade da discussão pública.


Vale a pena lembrar que o que rende milhões não é tanto, como vulgarmente se pensa, a construção civil, que é a fase final e visível do processo, mas sim a transformação de um solo rústico em urbano ou urbanizável, ou o aumento dos índices de ocupação muito para lá do inicialmente autorizado.


Em apenas 15 anos, o «território artificializado», que inclui o tecido urbano, os transportes, os grandes equipamentos industriais e comerciais e as áreas em construção, cresceu 42,2% em Portugal continental, num total de cerca de 70 mil hectares. O aumento fez-se à custa dos outros usos: perderam-se 21 mil hectares de floresta, 33 mil de solo agrícola, 12 mil de solos agrícolas com áreas naturais e 4 mil de vegetação natural.

Os números são impressionantes e constam do livro Alterações da ocupação do solo em Portugal Continental: 1985-2000, de Mário Caetano, Hugo Carrão e Marco Painho.


Se procurarmos detalhar os 70 mil hectares deste novo «território artificializado», verificamos que a maior fatia (55 mil hectares) foi para: «tecido urbano descontínuo», «áreas em construção» e «indústria, comércio e equipamentos gerais».


Ou seja, estamos a depredar território ecologicamente fértil para o transformar, nem sequer em cidade, mas em novos espaços desconexos, descontínuos, dominados por vias rápidas, rotundas, centros comerciais, expansões urbanas de baixíssima qualidade e instalações industriais mais ou menos deslocalizáveis.


No meio de tudo isto, os espaços verdes dentro das cidades não crescem. A explicação é muito simples: não dão dinheiro a ninguém.


A multiplicação de valor que estas transformações proporcionam resulta de autorizações camarárias ou administrativas.


Um hectare de floresta ou solo natural pode valer mil vezes mais do dia para a noite, se for considerado «solo urbanizável».


É este o grande poder das autarquias, dos directores de urbanismo, das entidades públicas.


É aqui que tem de ser feito um grande esforço para combater promiscuidades, melhorar a lei e aumentar o escrutínio democrático e mediático.


Bem sei que o solo não pode ser estático.

Mas o urbanismo não é uma actividade «neutra» ou meramente técnica.

Basta de angelismo.

O solo urbanizável é hoje um dos principais alvos do capital circulante à escala global, pelas elevadas taxas de rentabilidade que permite.




É também por aqui que tem de passar o combate à corrupção.

Uma forma de corrupção que se faz muitas vezes pela calada, no sossego dos gabinetes, sem escândalos mediáticos e sem conhecimento do público.

Só quando tudo aparece construído (o que pode levar anos ou décadas) é que os cidadãos percebem que algo está mal. Mas nessa altura os erros são irrecuperáveis e os seus beneficiários já deram à sola...

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Neste espaço surgirão artigos e notícias de fundo, pautadas por um propósito: o respeito pela Lei, a luta contra a escuridão. O âmbito e as preocupações serão globais. A intervenção pretende ser local. Por isso, muito se dirá sobre outras partes, outros problemas e preocupações. Contudo, parte mais significativa dos temas terá muito a ver com a Moita, e a vida pública nesta terra. A razão é uma: a origem deste Blog prende-se com a resistência das gentes da Várzea da Moita contra os desmandos do Projecto de Revisão do PDM e contra as tropelias do Processo da sua Revisão, de 1996 até ao presente (2008...) Para nos contactar, escreva para varzeamoita@gmail.com
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Câmara de Lisboa - Sindicância ao «Urbanismo » da razão ao PCP



Ilegalidades em Lisboa Sindicância dá razão ao PCP

Os comunistas de Lisboa defendem que os autarcas em funções na altura das alegadas ilegalidades no Urbanismo apontadas pela sindicância aos serviços municipais da capital devem ser responsabilizados «política, administrativa e criminalmente».

Em comunicado, a Direcção da Organização da Cidade de Lisboa do PCP sublinha que «os responsáveis eleitos com competências delegadas nos anos em análise [pela sindicância aos serviços do Urbanismo] devem ser política, administrativa e criminalmente responsabilizados pelas ocorrências relatadas e apreciadas de forma bem negativa pela procuradora sindicante [Elisabete Matos, nomeada pelo Procurador-Geral da República]».
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Para os comunistas, o relatório da sindicância aos serviços municipais de Urbanismo e Planeamento «dá razão ao PCP e condena gravemente os seis anos de gestão PSD», em que a Câmara foi liderada por Pedro Santana Lopes e Carmona Rodrigues, «com o apoio fundamental do PS».
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Na sequência do relatório da sindicância, conhecido no final da semana passada, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), anunciou a exoneração dos dois directores do Departamento de Gestão Urbanística e dos quatro chefes de divisão sob a sua dependência.
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No comunicado, os comunistas apelam à maioria PS na autarquia lisboeta que «suspenda de imediato todos os processos referidos pela sindicância como passíveis de nulidade».
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Entre estes casos estão projectos viabilizados ao abrigo de alterações ao Plano Director Municipal (PDM) em regime simplificado, como as construções previstas no âmbito do Alcântara XXI, as torres do arquitecto Norman Foster, no aterro da Boavista, e o projecto de Renzo Piano para Braço de Prata.
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As intervenções previstas no Vale de Santo António e em Olaias são igualmente susceptíveis de «nulidade», de acordo com a sindicância.
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Nestes casos, a magistrada «deu razão ao PCP em todos os processos que o partido lhe endereçou». «Muitas destas decisões postas em causa pela sindicância foram aprovadas ou viabilizadas pelos eleitos do PS na Câmara de Lisboa. Lamentavelmente, já neste mandato estão a ser tomadas decisões do mesmo cariz, agora com a responsabilidade directa e activa do PS e do BE/vereador José Sá Fernandes, de que são exemplos o projecto da EDP para a Boavista, que já aprovaram, e preparam-se para aprovar o “mamarracho” previsto para o gaveto da Rua Alexandre Herculano com a Rua do Salitre», disse.
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O PCP considera ainda «indispensável» que se «investiguem até ao limite todos os casos de ilegalidade e suspeita de corrupção».
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in Avante 2008.01.17

Setúbal - Situação económica e laboarl preocupaNTES


Setúbal
Situação preocupante

Segundo dados da Segurança Social, o número de beneficiários do rendimento de inserção no Distrito de Setúbal cresceu 39% no último ano. Entretanto, o número de falências de empresas, entre 2000 e 2007, aumentou em 190% e a taxa de desemprego situa-se nos 8,82%, o que, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, corresponde a mais de 32.000 trabalhadores.
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Trata-se de uma situação preocupante para a Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP que, no passado dia 9, deslocou uma delegação aos Estaleiros Navais da Lisnave (Mitrena), para contacto com os trabalhadores da Gestnave e Erecta. Esta visita, que teve a participação de Jerónimo de Sousa, integrou-se numa acção de continuada denúncia e solidariedade do PCP para com estes trabalhadores. Aliás, recentemente, na Assembleia da República, o secretário-geral do PCP confrontou o primeiro-ministro com esta gravíssima situação, mas este... simplesmente ignorou!
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De facto, findo o Protocolo estabelecido em 1997 entre o Governo PS e o Grupo Mello/accionistas da Lisnave, paira agora a ameaça de desemprego sobre 209 trabalhadores da empresa do Estado Gestnave, apesar de aquele Protocolo prever 1300 trabalhadores para a Lisnave neste momento, obrigação que não está a ser cumprida. Enquanto isto, o Estaleiro – que tem vindo a aumentar os seus lucros – mantém 12 navios a aguardar reparação, acumulando os prejuízos resultantes do atraso na laboração, com o objectivo único de precarizar os vínculos laborais.
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Em nota à comunicação social, a DORS mostra-se igualmente preocupada com a situação de cerca de 100 trabalhadores da Lusosider, em Paio Pires, ameaçados de despedimento; com a situação dos trabalhadores da AP, no Barreiro, empresa que mantém a laboração suspensa desde Novembro; e com os trabalhadores da Unidos Panificadores de Setúbal e do Bingo de Setúbal, com salários em atraso e os postos de trabalho em risco.
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in Avante 2008,01.17

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

PCP - Debate na AR sobre o Tratado de Lisboa



Debate com o Primeiro-Ministro sobre o Debate com o Primeiro-Ministro sobre o Tratado de Lisboa (2008.01.09)

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* Jerónimo de Sousa

Sr. Presidente,
Sr. Primeiro-Ministro,

Enquadro a questão para que fomos convocados numa reflexão política mais abrangente, mais funda.

Que consequências terá esta banalização do rasgar e da fuga às promessas e compromissos que deram um jeito enorme na capitalização de votos para depois serem rasgados e esquecidos? Descrédito, desencanto dos cidadãos, descrédito da própria Democracia... E não venha cá depois, Sr. Primeiro-Ministro, com esta questão da «proximidade dos eleitores», da alteração às leis eleitorais, porque é por aqui, com o rasgar das promessas, dos compromissos assumidos que muitas vezes se põe em causa a participação democrática dos cidadãos.

Sobre a não convocação do referendo: o PS prometeu, o PS desencadeou uma revisão constitucional para o consagrar e já depois da derrota em França do denominado Tratado Constitucional.

Diz o Sr. Primeiro-Ministro: «Pois, mas isso era para o Tratado Constitucional, que já não é. Este chama-se Tratado de Lisboa». Ó, Sr. Primeiro-Ministro, pode chamar-se até, se quiser, «tratado de Freixo de Espada à Cinta» ou da Arrentela!... O problema não está no nome! O problema está no seu conteúdo e nesta cópia mais contida da Constituição europeia!...

Assim sendo, a questão de fundo é a de saber, se tanto mérito tem este Tratado, tanta coisa boa, tanta loa, enfim... - e não é preciso sequer recorrer ao «porreiro, pá»! -, que foi aí cantada pelo Governo e por tanta gente, qual é a razão do medo da consulta. Qual é a razão da não realização do referendo?

Aliás, creio até que vem a propósito fazer aqui uma citação, porque o Sr. Primeiro-Ministro se esqueceu propositadamente - e fez-me lembrar aqui o conhecido poeta António Aleixo, que dizia que «Para a mentira ser segura /e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / algum fundo de verdade» -, de uma afirmação sua e que foi esta: «A prioridade do novo governo será assegurar a ratificação do Tratado acima referido» (ipsis verbis, foi isto que o senhor aqui afirmou!).

Mas depois disse: «O Governo entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deve ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca».

Não fui eu que disse, é o Programa do Governo que o afirma claramente.

Mas, durante o processo de revisão constitucional, alguém que está aqui na bancada ao lado afirmou - e, Sr. Deputado Vitalino Canas, permita-me que o cite - que «este processo de revisão constitucional aprovou a possibilidade de o referendo incidir (...) - e repare, Sr. Primeiro-Ministro! - «(...) não apenas sobre a versão original do Tratado que institui uma Constituição europeia mas também sobre as respectivas alterações que de futuro venham a ser introduzidas».

Não fui eu que o disse, foi o Sr. Deputado Vitalino Canas!

Neste sentido, Sr. Primeiro-Ministro, consideramos que está a tentar justificar aquilo que é injustificável!

Não se admite que haja pressões internacionais! O Sr. Primeiro-Ministro gosta de dizer que é um europeísta - respeitamos isso, mas não se esqueça é de Portugal. E o senhor falou da História, oxalá não se esteja aqui a repetir a História, porque sempre, mas sempre, as classes dominantes no nosso País traíram os interesses nacionais! Foi sempre o povo, desde 1385, que endireitou as coisas, como se verificou no dia 25 de Abril de 1974!

O senhor está a reescrever a História, mas está a repetir um erro de muitos antepassados, das classes dominantes, que não foram capazes de defender a soberania nacional, que a nossa Constituição da República - e não é o Programa do PCP! - afirma claramente: «a soberania reside no povo!» Então, era justo que se fizesse o referendo!

(...)

Sr. Presidente,
Sr. Primeiro-Ministro,

Não manipule as palavras.

Constava claramente do nosso programa eleitoral a aprovação da interrupção voluntária da gravidez na Assembleia da República e a realização de referendo para o tratado da União Europeia.

Não confunda as coisas, Sr. Primeiro-Ministro!

O que estamos aqui a discutir é a importância da defesa da soberania e não de uma causa concreta, com toda a importância que ela teve e tem. E o Sr. Primeiro-Ministro, ao abdicar dessa mesma soberania nacional...

Se quiser 30 exemplos em relação ao conteúdo do tratado, eu dou-lhos! Mais à frente falaremos disso!

Quer um exemplo concreto, Sr. Deputado?

Dou-lhe o exemplo da abdicação da gestão dos recursos marinhos!

No pouco tempo que me resta, Sr. Primeiro-Ministro, quero dizer-lhe que ouvi as preocupações que transmitiu na sua mensagem de Natal - por acaso, até um pouco plastificada -, designadamente a preocupação sobre o desemprego. Gostaria, pois, de saber como é que «acerta a cara com a careta» se uma das primeiras medidas que tomou no ano de 2008 foi a de decidir o despedimento de centenas de trabalhadores da Gestnave!

O Estado tem um compromisso com a Lisnave, mas os senhores decidiram avançar com o despedimento desses trabalhadores, visando um despedimento colectivo encapotado, com indemnizações curtas, o que é inaceitável!

«Acerte a cara com a careta», Sr. Primeiro-Ministro! Não faça discursos mais ou menos caritativos, mais ou menos bem intencionados quando, depois, nas suas práticas políticas, acaba por ter atitudes como teve em relação a este caso concreto da Gestnave. Explique a razão do despedimento destes 209 trabalhadores num sector que é viável, que tem encomendas e mercado!

CGTP - BALANÇO DA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA E A SITUAÇÃO DO PAÍS

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Ouvir o vídeo da intervenção clicando na hiperligação
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http://www.cgtp.pt/images/stories/imagens/20071228/27dez2007x.wmv

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Para a CGTP-IN, o balanço da Presidência Portuguesa da U.E. deve ser feito considerando três vertentes: (i) A definição de iniciativas, a sua concepção, direcção e formato; (ii) A leitura feita pelos meios políticos e económicos dominantes, assim como a produzida pela comunicação social; (iii) Os impactos na realidade em que os trabalhadores e a população portuguesas vivem.

1. A definição de iniciativas, sua concepção, direcção e formato surgiram como positivas, na medida em que transmitiram para o exterior a imagem de um Portugal com capacidade de iniciativa na condução de discussões importantes. Somos um pequeno e periférico país, com fracos desempenhos económicos e sociais e a Presidência Portuguesa conseguiu fazer passar, meramente no plano simbólico, uma imagem muito diferente.

2. A leitura que os meios políticos e económicos dominantes, mas sobretudo a comunicação social, fizeram das mais emblemáticas iniciativas da Presidência é, na maioria das vezes, enganosa, no sentido em que, pela sua superficialidade ou pela ausência de rigor nos conteúdos, acabou por mascarar os conteúdos objectivos dessas iniciativas.

- Foi o caso da Cimeira U.E. / África, em que os nossos parceiros africanos recusaram os termos dos Acordos que a U.E. lhes propôs, visto consubstanciarem, em relação aos mercados dos Serviços Agrícolas, a mesma receita que estes já haviam recusado no âmbito das negociações da OMC. Contudo, não foi esta a essência da leitura que passou.

- Foi assim na Cimeira do Diálogo Social, com Governos e patronato Europeus a serem “mais papistas que o Papa” na interpretação do Acordo dos Parceiros Sociais Europeus sobre Flexigurança, que em nada autoriza as conclusões tornadas públicas com pompa e circunstância no final dos trabalhos. Entretanto, a interpretação transmitida serviu para atacar os trabalhadores e o movimento sindical.

- E que dizer das iniciativas (CIG e assinatura do Tratado nos Jerónimos) em redor do Tratado de Lisboa, tentando fazer passar a ideia de que estarão resolvidos os problemas políticos internos, e de relações com terceiros, “ultrapassado que estaria o impasse que durante anos paralisou a U.E.”, quando, na realidade, a questão de fundo se situa, por um lado, na condenação crescente dos povos quanto ao caminho e políticas que vêm sendo seguidas no processo de construção europeia e, por outro, no imediato, a forma como cada Estado Membro vais proceder à ratificação do mesmo.

Esta questão é tanto mais importante quanto se sabe haver uma clara tendência para afastar os povos do debate e da decisão, num quadro em que estão em jogo questões tão importantes como a transferência de fatias significativas de soberania de cada Estado e uma nova forma de realizar a gestão política futura da U.E.

O Tratado é particularmente importante para os trabalhadores visto que configura uma fragilização da vertente social ao retirar a Carta dos Direitos Sociais do texto do Tratado, remetendo-a para um Anexo, o que representa uma inquestionável desvalorização política, ou ainda, quando despromove o diálogo social, deslocando o seu articulado do Artigo 5.º para o Artigo 136.º, gesto que na hierarquia dos temas não é irrelevante. Tal facto é sumamente preocupante na medida em que, particularmente em Portugal, se assiste a um forte ataque à contratação colectiva e, como se sabe, não há diálogo social com conteúdo sem a efectivação da negociação e contratação colectivas.

Por tudo isto, a CGTP-IN reafirma que, em Portugal, deve ser promovido um amplo e profundo debate público sobre o impacto das políticas resultantes da dinâmica da implantação do Tratado, a culminar com a realização de um Referendo.

A CGTP-IN quer uma Europa social e solidária com Estados sociais fortes que garantam uma efectiva protecção social, serviços públicos de qualidade, mercados de trabalho regulados por normas de trabalho, de negociação colectiva como fonte de direito com sentido de progresso e respeitadora dos direitos adquiridos e com diálogo social assente numa base séria e no respeito pelo papel e intervenção dos sindicatos, em contraposição a políticas desenvolvidas e reafirmadas no Tratado.

Para a CGTP-IN é necessária uma nova estratégia para a U.E., assente em políticas económicas e sociais que promovam o desenvolvimento sustentável e as várias componentes do modelo social europeu. É necessário dar resposta séria e consistente aos graves problemas que afectam os trabalhadores e a população portuguesa, no sentido de garantir o desenvolvimento do país, assente no crescimento económico, na valorização do trabalho com direitos e empregos de qualidade e no combate efectivo à precariedade laboral.



A SITUAÇÃO DO PAÍS E AS CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO DOS PORTUGUESES PIORARAM EM 2007



3. A presidência portuguesa da U.E. não pode assim ser dissociada do conteúdo das políticas económicas e sociais do Governo ao longo do ano, que não alteraram para melhorar a realidade que os trabalhadores e a população vivem.

Para sermos rigorosos, devemos mesmo acrescentar que a situação está pior no final dos seis meses da Presidência. É o que se passa com o reconhecido fraco crescimento económico e com o desemprego que se mantém num nível inaceitavelmente elevado. É assim no que ao poder aquisitivo diz respeito, com o Eurostat a vir a público, mais uma vez, dizer que estamos a perder poder de compra. É assim com os salários – excepção à valorização do SMN – onde continuamos na cauda da União, situação que se irá agravar, designadamente, se for imposta a proposta do Governo de um aumento de 2,1% na Administração Pública, quando já é claro que a inflação para 2008 vai ser superior. É assim com os índices de pobreza, que se vêm agravando. É assim com a saúde, com a educação / formação, podendo continuar-se a enumerar, quase até à exaustão, nas diversas políticas sociais, aspectos negativos de uma realidade económica, social e política dura para a maioria dos portugueses.

O Governo, durante 2007, teimou erradamente na ideia de que os sérios problemas do país têm a sua raiz num défice orçamental considerado elevado, quando as grandes questões, que continuam por resolver são, fundamentalmente:

a) a vulnerabilidade do Estado, e a submissão do Governo aos interesses do poder económicos e do sector financeiro e especulativo;

b) o baixo crescimento económico e a tendência para o agravamento do desemprego;

c) o baixo nível de vida de uma parte substancial da população e o grau elevado das desigualdades sociais;

d) a baixa produtividade da maioria das empresas e dos sectores de actividade, apesar do aumento do esforço dos trabalhadores;

e) a desregulamentação do mercado de trabalho, em resultado da precariedade e do não cumprimento das leis;

f) a falta de respostas adequadas no domínio da educação, incluindo o abandono escolar precoce;

g) o enfraquecimento das políticas sociais, do papel do Estado e da Administração Pública;

h) o sentimento de insegurança que progressivamente se instala e a falta de confiança na Justiça.

Face a estes problemas, as respostas ou não existiram ou foram incipientes.

Na sua mensagem de Natal, o Primeiro-Ministro manifestou preocupações com o desemprego (reconhecendo que ele não tem baixado) e com as escassas qualificações dos trabalhadores, preocupações essas que partilhamos. Mas, apresentar um balanço de 2007 em pano de fundo cor-de-rosa é, no mínimo, surpreendente. A situação económica internacional com a crise do mercado imobiliário (que se traduziu já na revisão em baixa do crescimento económico da UE) e a patente vulnerabilidade das famílias e das empresas (com um nível de endividamento que é dos mais elevados na zona do euro), são preocupantes. Uma parte considerável das famílias sofre na pele as consequências da elevação das taxas de juros e as condições de acesso ao crédito tornaram-se mais restritivas.

Projectando o futuro, o Primeiro-Ministro prioriza, uma vez mais, a redução do défice orçamental, o que espelha uma visão economicista da sociedade e uma ruptura com objectivos estratégicos dos próprios governos do PS, que ainda há poucos anos consideravam que as pessoas estavam primeiro. O Primeiro Ministro deveria dizer que essa redução do défice foi obtida à custa da redução do investimento (com consequências nos recursos atribuídos ao chamado “capital humano” – educação, formação, emprego e sociedade da informação e do conhecimento – bem como do capital físico), da diminuição dos salários reais na Administração Pública e do corte de despesas sociais.

O Primeiro Ministro dá ênfase às realizações relativas às políticas sociais, quando estas, no seu conteúdo concreto, têm sido secundarizadas pelos objectivos orçamentais. Afirmar que existe uma segurança social pública mais forte quando a reforma da segurança social irá reduzir o nível das pensões por via da introdução do factor da sustentabilidade (que diminui o valor das pensões em função do aumento da esperança de vida), é colocar os portugueses num logro de análise que se pagará caro no futuro.

Na legislação de trabalho, as políticas seguidas vão no sentido da liberalização, camuflando-se esses objectivos com encenações de leituras de trabalhos armadilhados, como é o caso do Livro Branco das Relações Laborais, ou com a discussão de conceitos manipulados, como é o caso da invocação da flexigurança. As posições sobre o Código de Trabalho, em que há o risco de o Governo enterrar as propostas do PS quando estava na oposição ao PSD-CDS/PP, não são tranquilizadoras.

O ano de 2007 irá encerrar-se, como vimos, com um panorama sombrio no quadro de ameaças de agravamento dos problemas decorrentes da crise bancária que, a concretizar-se, poderão atingir duramente o país, dado o grau de endividamento das famílias e das empresas. Por outro lado, há reais perigos de agudização dos problemas económicos e as práticas de governação vão dando crescentes sinais de prepotência e de manipulação na apresentação dos resultados das suas políticas.

Para a CGTP-IN é necessário um novo rumo e a implementação de mudanças reais de políticas, na premissa que a negociação colectiva, a participação e o diálogo social, constituem instrumentos essenciais para responder aos problemas-chave do mundo do trabalho e da sociedade portuguesa.
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Lisboa, 27 de Dezembro de 2007
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CGTP - BALANÇO DA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA E A SITUAÇÃO DO PAÍS

Clicar na hiperligação para ver e ouvir o video

Balanço da Presidência Portuguesa e a Situação do País, lida por Carvalho da Silva


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Para a CGTP-IN, o balanço da Presidência Portuguesa da U.E. deve ser feito considerando três vertentes: (i) A definição de iniciativas, a sua concepção, direcção e formato; (ii) A leitura feita pelos meios políticos e económicos dominantes, assim como a produzida pela comunicação social; (iii) Os impactos na realidade em que os trabalhadores e a população portuguesas vivem.

1. A definição de iniciativas, sua concepção, direcção e formato surgiram como positivas, na medida em que transmitiram para o exterior a imagem de um Portugal com capacidade de iniciativa na condução de discussões importantes. Somos um pequeno e periférico país, com fracos desempenhos económicos e sociais e a Presidência Portuguesa conseguiu fazer passar, meramente no plano simbólico, uma imagem muito diferente.

2. A leitura que os meios políticos e económicos dominantes, mas sobretudo a comunicação social, fizeram das mais emblemáticas iniciativas da Presidência é, na maioria das vezes, enganosa, no sentido em que, pela sua superficialidade ou pela ausência de rigor nos conteúdos, acabou por mascarar os conteúdos objectivos dessas iniciativas.

- Foi o caso da Cimeira U.E. / África, em que os nossos parceiros africanos recusaram os termos dos Acordos que a U.E. lhes propôs, visto consubstanciarem, em relação aos mercados dos Serviços Agrícolas, a mesma receita que estes já haviam recusado no âmbito das negociações da OMC. Contudo, não foi esta a essência da leitura que passou.

- Foi assim na Cimeira do Diálogo Social, com Governos e patronato Europeus a serem “mais papistas que o Papa” na interpretação do Acordo dos Parceiros Sociais Europeus sobre Flexigurança, que em nada autoriza as conclusões tornadas públicas com pompa e circunstância no final dos trabalhos. Entretanto, a interpretação transmitida serviu para atacar os trabalhadores e o movimento sindical.

- E que dizer das iniciativas (CIG e assinatura do Tratado nos Jerónimos) em redor do Tratado de Lisboa, tentando fazer passar a ideia de que estarão resolvidos os problemas políticos internos, e de relações com terceiros, “ultrapassado que estaria o impasse que durante anos paralisou a U.E.”, quando, na realidade, a questão de fundo se situa, por um lado, na condenação crescente dos povos quanto ao caminho e políticas que vêm sendo seguidas no processo de construção europeia e, por outro, no imediato, a forma como cada Estado Membro vais proceder à ratificação do mesmo.

Esta questão é tanto mais importante quanto se sabe haver uma clara tendência para afastar os povos do debate e da decisão, num quadro em que estão em jogo questões tão importantes como a transferência de fatias significativas de soberania de cada Estado e uma nova forma de realizar a gestão política futura da U.E.

O Tratado é particularmente importante para os trabalhadores visto que configura uma fragilização da vertente social ao retirar a Carta dos Direitos Sociais do texto do Tratado, remetendo-a para um Anexo, o que representa uma inquestionável desvalorização política, ou ainda, quando despromove o diálogo social, deslocando o seu articulado do Artigo 5.º para o Artigo 136.º, gesto que na hierarquia dos temas não é irrelevante. Tal facto é sumamente preocupante na medida em que, particularmente em Portugal, se assiste a um forte ataque à contratação colectiva e, como se sabe, não há diálogo social com conteúdo sem a efectivação da negociação e contratação colectivas.

Por tudo isto, a CGTP-IN reafirma que, em Portugal, deve ser promovido um amplo e profundo debate público sobre o impacto das políticas resultantes da dinâmica da implantação do Tratado, a culminar com a realização de um Referendo.

A CGTP-IN quer uma Europa social e solidária com Estados sociais fortes que garantam uma efectiva protecção social, serviços públicos de qualidade, mercados de trabalho regulados por normas de trabalho, de negociação colectiva como fonte de direito com sentido de progresso e respeitadora dos direitos adquiridos e com diálogo social assente numa base séria e no respeito pelo papel e intervenção dos sindicatos, em contraposição a políticas desenvolvidas e reafirmadas no Tratado.

Para a CGTP-IN é necessária uma nova estratégia para a U.E., assente em políticas económicas e sociais que promovam o desenvolvimento sustentável e as várias componentes do modelo social europeu. É necessário dar resposta séria e consistente aos graves problemas que afectam os trabalhadores e a população portuguesa, no sentido de garantir o desenvolvimento do país, assente no crescimento económico, na valorização do trabalho com direitos e empregos de qualidade e no combate efectivo à precariedade laboral.



A SITUAÇÃO DO PAÍS E AS CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO DOS PORTUGUESES PIORARAM EM 2007



3. A presidência portuguesa da U.E. não pode assim ser dissociada do conteúdo das políticas económicas e sociais do Governo ao longo do ano, que não alteraram para melhorar a realidade que os trabalhadores e a população vivem.

Para sermos rigorosos, devemos mesmo acrescentar que a situação está pior no final dos seis meses da Presidência. É o que se passa com o reconhecido fraco crescimento económico e com o desemprego que se mantém num nível inaceitavelmente elevado. É assim no que ao poder aquisitivo diz respeito, com o Eurostat a vir a público, mais uma vez, dizer que estamos a perder poder de compra. É assim com os salários – excepção à valorização do SMN – onde continuamos na cauda da União, situação que se irá agravar, designadamente, se for imposta a proposta do Governo de um aumento de 2,1% na Administração Pública, quando já é claro que a inflação para 2008 vai ser superior. É assim com os índices de pobreza, que se vêm agravando. É assim com a saúde, com a educação / formação, podendo continuar-se a enumerar, quase até à exaustão, nas diversas políticas sociais, aspectos negativos de uma realidade económica, social e política dura para a maioria dos portugueses.

O Governo, durante 2007, teimou erradamente na ideia de que os sérios problemas do país têm a sua raiz num défice orçamental considerado elevado, quando as grandes questões, que continuam por resolver são, fundamentalmente:

a) a vulnerabilidade do Estado, e a submissão do Governo aos interesses do poder económicos e do sector financeiro e especulativo;

b) o baixo crescimento económico e a tendência para o agravamento do desemprego;

c) o baixo nível de vida de uma parte substancial da população e o grau elevado das desigualdades sociais;

d) a baixa produtividade da maioria das empresas e dos sectores de actividade, apesar do aumento do esforço dos trabalhadores;

e) a desregulamentação do mercado de trabalho, em resultado da precariedade e do não cumprimento das leis;

f) a falta de respostas adequadas no domínio da educação, incluindo o abandono escolar precoce;

g) o enfraquecimento das políticas sociais, do papel do Estado e da Administração Pública;

h) o sentimento de insegurança que progressivamente se instala e a falta de confiança na Justiça.

Face a estes problemas, as respostas ou não existiram ou foram incipientes.

Na sua mensagem de Natal, o Primeiro-Ministro manifestou preocupações com o desemprego (reconhecendo que ele não tem baixado) e com as escassas qualificações dos trabalhadores, preocupações essas que partilhamos. Mas, apresentar um balanço de 2007 em pano de fundo cor-de-rosa é, no mínimo, surpreendente. A situação económica internacional com a crise do mercado imobiliário (que se traduziu já na revisão em baixa do crescimento económico da UE) e a patente vulnerabilidade das famílias e das empresas (com um nível de endividamento que é dos mais elevados na zona do euro), são preocupantes. Uma parte considerável das famílias sofre na pele as consequências da elevação das taxas de juros e as condições de acesso ao crédito tornaram-se mais restritivas.

Projectando o futuro, o Primeiro-Ministro prioriza, uma vez mais, a redução do défice orçamental, o que espelha uma visão economicista da sociedade e uma ruptura com objectivos estratégicos dos próprios governos do PS, que ainda há poucos anos consideravam que as pessoas estavam primeiro. O Primeiro Ministro deveria dizer que essa redução do défice foi obtida à custa da redução do investimento (com consequências nos recursos atribuídos ao chamado “capital humano” – educação, formação, emprego e sociedade da informação e do conhecimento – bem como do capital físico), da diminuição dos salários reais na Administração Pública e do corte de despesas sociais.

O Primeiro Ministro dá ênfase às realizações relativas às políticas sociais, quando estas, no seu conteúdo concreto, têm sido secundarizadas pelos objectivos orçamentais. Afirmar que existe uma segurança social pública mais forte quando a reforma da segurança social irá reduzir o nível das pensões por via da introdução do factor da sustentabilidade (que diminui o valor das pensões em função do aumento da esperança de vida), é colocar os portugueses num logro de análise que se pagará caro no futuro.

Na legislação de trabalho, as políticas seguidas vão no sentido da liberalização, camuflando-se esses objectivos com encenações de leituras de trabalhos armadilhados, como é o caso do Livro Branco das Relações Laborais, ou com a discussão de conceitos manipulados, como é o caso da invocação da flexigurança. As posições sobre o Código de Trabalho, em que há o risco de o Governo enterrar as propostas do PS quando estava na oposição ao PSD-CDS/PP, não são tranquilizadoras.

O ano de 2007 irá encerrar-se, como vimos, com um panorama sombrio no quadro de ameaças de agravamento dos problemas decorrentes da crise bancária que, a concretizar-se, poderão atingir duramente o país, dado o grau de endividamento das famílias e das empresas. Por outro lado, há reais perigos de agudização dos problemas económicos e as práticas de governação vão dando crescentes sinais de prepotência e de manipulação na apresentação dos resultados das suas políticas.

Para a CGTP-IN é necessário um novo rumo e a implementação de mudanças reais de políticas, na premissa que a negociação colectiva, a participação e o diálogo social, constituem instrumentos essenciais para responder aos problemas-chave do mundo do trabalho e da sociedade portuguesa.
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Lisboa, 27 de Dezembro de 2007
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CGTP - APRECIAÇÃO DO “LIVRO BRANCO DAS RELAÇÕES LABORAIS” - Código de Trabalho




CGTP - APRECIAÇÃO DO “LIVRO BRANCO DAS RELAÇÕES LABORAIS”
Conferência de Imprensa – 07 de Janeiro de 2008



1. Trata-se da ofensiva mais ardilosamente estruturada com vista à destruição dos direitos fundamentais dos trabalhadores e do direito do trabalho, como elementos essenciais na organização da vida das pessoas, da vida das famílias e da sociedade.
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2. O diagnóstico feito:
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a) confirma que existem:
• precarização e desregulamentação crescentes do mercado de trabalho
• unilateralismo patronal na determinação das relações de trabalho
• fragilização do direito de negociação da contratação colectiva
• problemas graves na efectivação dos direitos do trabalho nas empresas e serviços
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b) assume
• que a correlação de forças é profundamente favorável ao patronato e que os trabalhadores e os seus sindicatos estão colocados em situação de fragilidade
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c) reconhece
• a insatisfação generalizada dos trabalhadores portugueses (encontram-se em 3º lugar num inquérito realizado em 9 países), e o seu efeito negativo ao nível da produtividade, etc.
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d) Mas, como saída
• em vez de darem resposta aos problemas detectados apresentam propostas para os agravar, para dar mais força ao patronato, para fixar um quadro de relações de trabalho que – embaratecendo os custos do trabalho à custa da redução das remunerações dos trabalhadores, tornando os horários de trabalho incontroláveis para os trabalhadores e a organização das suas vidas visando, destruir a Contratação Colectiva que garante os direitos dos trabalhadores e, permitindo ao patronato despedir com facilidade e sem grandes custos – condena o país a prosseguir e aprofundar a matriz de desenvolvimento assente em baixos salários, qualificações e desrespeito dos direitos laborais e sociais fundamentais.
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3. As “Recomendações e Propostas” apresentadas são, no fundamental, inaceitáveis
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a) Elas são apresentadas, por num lado, de forma mais “cuidada” do que surgiam no chamado “Relatório de Progresso”, para tornar mais difícil a percepção dos seus impactos por parte dos trabalhadores e das pessoas em geral e, por outro, surgem muitas formulações imprecisas onde se percepcionam objectivos anti-laborais violentos que, se fossem expressos no imediato, gerariam grandes protestos, com grandes custos políticos para o Governo;
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b) O que pretende a Comissão / Governo em matérias fundamentais:
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• na Contratação Colectiva, designadamente, remoção dos direitos dos trabalhadores por caducidade das convenções, procurando com esse objectivo definir mecanismos que eliminem as centenas de convenções colectivas em vigor, convenções essas que garantem os direitos dos trabalhadores; permitir ao patronato só fazer revisões salariais quando entender, pressionando assim negativamente a evolução dos salários; criarem “contratos colectivos” que inscrevam direitos dos trabalhadores em patamares inferiores ao que determinaram as leis gerais, com a colaboração de representantes dos trabalhadores formatados à medida do patronato e dos governos;
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• sobre os despedimentos, assegurar ao patronato a possibilidade de despedir mais fácil e mais barato, entregando à responsabilidade do Estado o essencial dos encargos do despedimento; possibilitar aos patrões (privados e públicos) o despedimento por qualquer pretensa inaptidão do trabalhador, que para o efeito resolvam engendrar;
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• em relação ao tempo de trabalho, eliminar a fixação de limites diários e semanais dos horários de trabalho pela lei geral ou pela contratação sectorial, deixando aos patrões balizas tão amplas e poderes concretos que lhes permitam, com a utilização de múltiplos mecanismos de pressão, impor aos trabalhadores, unilateralmente, os horários diários; não terem que pagar como tal as horas extras ou trabalho suplementar ...; bem como manipularem o conceito de trabalho a tempo parcial;
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• no que diz respeito ao princípio do tratamento mais favorável, é feita uma proposta cínica fazendo uma elencagem de situações (que decorrem quase exclusivamente das imposições das directivas Comunitárias que o Governo está obrigado a cumprir). O caminho engendrado pela Comissão levaria à transformação do Código do Trabalho numa espécie de “Código Civil do Trabalho”;
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• naquilo que se refere aos direitos de reunião dos trabalhadores (plenários nas empresas) para exercício da actividade sindical, não apenas é proposta a redução das horas concedidas (de 15 para 10), como se criam entraves ao exercício do respectivo direito.
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4. O Governo tem compromissos a cumprir:
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a) O PS e o Governo estão vinculados, não aos compromissos mais ou menos encomendados a uma qualquer comissão, mas sim às posições do PS expressas em tempo de discussão do Código; àquelas que assumiu em campanha eleitoral, e aos conteúdos pragmáticos do Governo;
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b) O Governo do PS, por compromissos políticos concretos assumidos, tem que apresentar propostas que garantam um quadro de relações de trabalho equilibrado que salvaguarde a vida democrática no espaço de trabalho; que dignifique os trabalhadores; que faça dos direitos sociais a ele inerentes, a sustentação da organização da vida das pessoas; que assegure a conciliação da vida familiar com o trabalho; que sustente um Estado Social minimamente sólido como garantia do desenvolvimento da sociedade.
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5. A CGTP-IN continua a reafirmar que a Revisão do Código de Trabalho se deve centrar na revogação das suas normas gravosas, nomeadamente:
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I – PRINCÍPIO DO TRATAMENTO MAIS FAVORÁVEL
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Reposição do princípio do tratamento mais favorável na relação entre a lei e os Instrumentos de Regulamentação Colectiva de Trabalho, em concretização do princípio de que o direito do trabalho constitui um mínimo de protecção dos trabalhadores.
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II – SOBREVIGÊNCIA - CADUCIDADE
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Eliminação das normas que concretizam o princípio da caducidade das convenções colectivas, como modo de assegurar o necessário equilíbrio nas relações negociais entre o patronato e os sindicatos e a promoção da negociação colectiva, por forma a evitar os vazios contratuais a que se sucederiam novos processos negociais iniciados a partir do “zero”, destruído que fosse o acervo de direitos consagrados nessas mesmas convenções.
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A caducidade das convenções constituiria um prémio para a parte que não quer negociar e que se socorre frequentemente da má-fé e de todos os expedientes e práticas dilatórias e obstrutivas da negociação para atingir a caducidade.
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III – COMBATE À PRECARIEDADE
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Revisão da parte do Código relativo às normas que consagram regimes de contratação precária, designadamente o regime de contratação a prazo e redução do período experimental, nomeadamente, com redução dos prazos e das situações em que é admitida a contratação a termo.
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Neste sentido torna-se imperiosa a revogação da al. b) do n.º 3, do art.º 129.º do Código do Trabalho que permite que os trabalhadores à procura do primeiro emprego, em especial os jovens, sejam sempre admitidos mediante contrato a termo o que constitui um factor de discriminação inaceitável e penalizador dos jovens trabalhadores.
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IV – REINTEGRAÇÃO EM CASO DE DESPEDIMENTO ILÍCITO
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Revogação do princípio que admite que os trabalhadores ilicitamente despedidos possam não ser reintegrados desde que a entidade patronal assim o requeira.
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V – FLEXIBILIDADE E MOBILIDADE
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Adoptar, sempre por via de convenção colectiva, as soluções mais adequadas a concretizarem o princípio Constitucional do art.º 59.º, n.º 1 al. b) que impõe a organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar.
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Estabelecimento do princípio de que as matérias referentes às mobilidades, funcional e geográfica, são reguladas por convenção colectiva, com revisão dos art.º 314.º e 315.º e 316.º do Código do Trabalho.
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CGTP-IN Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional

PCP - Sobre o Relatório da Comissão do Livro Branco - Código do Trabalho


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Terça, 08 Janeiro 2008
protesto-juventude.jpgEm nota da Comissão Política, «o PCP alerta para a gravidade e o carácter injusto e inaceitável do projecto do Governo PS de alteração para pior do Código do Trabalho, que constitui uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores portugueses, factor de retrocesso social, de agravamento da exploração e de comprometimento do desenvolvimento do País». O Relatório da Comissão do Livro Branco para as Relações de Trabalho aponta para, entre outras medidas, a facilitação dos despedimentos individuais sem justa causa, a desregulamentação do horário de trabalho, introdução de novos mecanismos de caducidade da contratação colectiva e o ataque à liberdade sindical e aos sindicatos.

Sobre o Relatório da Comissão do Livro Branco para as Relações de Trabalho
Nota da Comissão Política do CC do PCP

O PCP alerta para a gravidade e o carácter injusto e inaceitável do projecto do Governo PS de alteração para pior do Código do Trabalho, que constitui uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores portugueses, factor de retrocesso social, de agravamento da exploração e de comprometimento do desenvolvimento do País.

A situação e vida dos trabalhadores portugueses são já muito difíceis. Desemprego, precariedade, baixos salários e degradação do poder de compra, violação dos direitos, profundas desigualdades e injustiças sociais, ataques à contratação colectiva e à organização dos trabalhadores, são alguns dos elementos que caracterizam esta realidade.

Com o Relatório da Comissão do Livro Branco para as Relações de Trabalho, que se segue ao chamado "relatório de progresso" da mesma Comissão, o Governo PS em articulação com os interesses das associações patronais, revela um projecto que visa degradar ainda mais a situação dos trabalhadores. É a flexigurança à portuguesa.

Cinco aspectos são desde já de destacar:

1. O Governo PS quer a facilitação dos despedimentos individuais sem justa causa, colocando todos os trabalhadores em situação precária.

O Governo defende que o despedimento por inadaptação ao posto de trabalho passe a poder depender de "alterações na estrutura funcional do posto de trabalho", mesmo que tal "não decorra de modificações tecnológicas ou dos equipamentos". Isto é, quer arranjar pretexto para a generalização dos despedimentos arbitrários.

O Governo preconiza o despedimento sumário, aligeirando os processos e limita a possibilidade de reingresso, para o trabalhador despedido não ter direito a reintegração, mesmo que seja considerado sem justa causa.

O Governo pretende diminuir o valor das indemnizações e passar, das entidades patronais para o erário público, a responsabilidade do pagamento do salário do trabalhador, entre o momento de decisão do despedimento e o da reintegração do trabalhador decidida pelo tribunal.

O Governo pretende assim, das mais diversas formas, estimular os patrões a despedir.

2. O Governo PS quer desregulamentar o horário de trabalho, dando mais poder às entidades patronais, afectando a vida pessoal dos trabalhadores e das suas famílias.

Preconiza que a lei se limite a princípios gerais, admite horários de 10 horas diárias e 50 horas semanais e prevê a concentração do horário semanal em dois ou três dias.

O Governo quer alargar os limites para a realização de horas extraordinárias e admite a eliminação da sua remuneração, que passaria a ser apenas compensada com tempo de descanso. Numa situação em que há inúmeros casos de prestação de trabalho extraordinário sem pagamento, esta proposta vem tentar legalizar essas violações e dar possibilidade ao seu alargamento.

É a concepção do trabalhador, não como ser humano, com direito a vida pessoal e familiar, mas como máquina ao serviço da exploração e do lucro.

3. O Governo PS quer introduzir novos mecanismos de caducidade da contratação colectiva, para destruir os direitos que esta consagra, fruto de décadas de luta de gerações de trabalhadores.

Propõe a caducidade dos Contratos Colectivos de Trabalho após 18 meses. Propõe que os Contratos Colectivos que têm uma cláusula de renovação até serem substituídos por outros também caduquem. O Governo PS visa assim criar nos próximos tempos uma vaga de eliminação da contratação colectiva e incentiva as associações patronais a não negociar para alcançarem esse objectivo. Com tal proposta o Governo PS quer conseguir aquilo que não conseguiram o PSD e o CDS/PP com o Código do Trabalho: fazer caducar toda a contratação colectiva para eliminar os direitos dos trabalhadores.

4. O Governo PS mantém a situação criada de poderem ser estabelecidos acordos na contratação colectiva com normas laborais piores do que as inscritas na lei, pondo assim em causa o direito do trabalho e dando curso à possibilidade de acordos por "estruturas sindicais" de influência patronal que liquidam direitos e pioram as condições de trabalho e de vida. A consideração de alguns aspectos em que tal não é possível representa apenas a excepção que confirma a regra geral.

5. O Governo PS quer atacar, a liberdade sindical, os sindicatos e enfraquecer a sua capacidade reivindicativa para debilitar a força dos trabalhadores.

As propostas agora apresentadas são uma renovada declaração de guerra aos trabalhadores portugueses por parte do Governo.

O Governo PS deixou cair anteriores propostas do PS designadamente compromissos assumidos na última campanha eleitoral para as legislativas.

O Código do Trabalho da responsabilidade do PSD e CDS-PP já é suficientemente mau. O que é preciso é alterar os seus aspectos mais negativos e não torná-lo ainda pior.

Já basta de injustiças e arbitrariedades, o trabalho com direitos é um elemento essencial, factor de justiça social e de desenvolvimento do País.

Tal como noutros momentos da história das últimas décadas em que sucessivos governos tentaram liberalizar os despedimentos e liquidar direitos dos trabalhadores e não o conseguiram, também agora este projecto de indignidade e retrocesso social pode ser derrotado.

O Governo PS, articulado com as associações patronais, revela a sua arrogância. Mas como a vida tem demonstrado, por mais que invoquem ilegitimamente a sua maioria absoluta, a força organizada dos trabalhadores está em condições de derrotar a arrogância do Governo PS.

Quando a situação dos trabalhadores e do povo português é difícil, as injustiças sociais aumentam e o Governo PS e os grupos económicos e financeiros pretendem agravá-las. Só há um caminho: a intensificação, aprofundamento e generalização da luta.

O PCP exige a revogação dos aspectos negativos do Código do Trabalho, manifesta frontal oposição à sua alteração para pior e apela ao trabalhadores portugueses para a intensificação da luta pelos seus direitos e interesses, por um Portugal mais desenvolvido e mais justo.

O PCP, no âmbito da campanha "Basta de injustiças! Mudar de política, para uma vida melhor", toma a iniciativa de lançar uma acção nacional de esclarecimento e combate às alterações para pior da legislação de trabalho e à precariedade, que arrancará no próximo dia 24 de Janeiro com uma edição especial do "Avante!" que abordará estes temas.

Sábado, Janeiro 12, 2008

O Estado da Nação





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A Nova Demonstracia do Mercher, Marchar (2) - António Barreto - Porque ri a hiena?
A Nova Demonstracia do Mercher, Marchar (1) - António Barreto - Eles estão doidos !!!
Socialismo Reaccionário - Marcelo Alves
Sócrates e a liberdade - António Barreto
Défice Democrático - António Vilarigues

Sentir o Direito - Desobediência Civil

http://i.s8.com.br/images/books/cover/img5/21355_4.jpg

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* Fenanda Palma

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A Constituição e a lei requerem proporcionalidade e adequação na defesa dos direitos.

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Sobre a desobediência à lei, sigo o pensamento de Radbruch, que viveu o nazismo e que o rejeitou. Num Estado baseado no desprezo pela pessoa, o ‘Direito’ não é verdadeiro Direito e não tem de ser obedecido.

Mas se o Direito for orientado para a Justiça, em instituições livres e democráticas, a lei, ainda que inadequada, merece respeito. A segurança é um valor que também faz parte da ideia de Justiça e impede a legitimação da desobediência.

Há uma carta da prisão em que Luther King, invocando Santo Agostinho, justifica a desobediência civil contra a segregação racial. O Direito injusto é aí definido como aquele que degrada a personalidade humana.

A desobediência civil não é uma qualquer violação da lei. Como diz Rawls, essa desobediência é não violenta, politicamente consciente e dirigida a uma mudança da lei.

As pessoas negras que se sentavam na parte da frente dos autocarros nos Estados Unidos, desafiando uma proibição legal, são o melhor exemplo de desobediência justificada. Desobediência que foi essencial na luta pela igualdade de direitos.

Na sociedade portuguesa, têm surgido várias situações de desobediência à lei. Recordo o caso das portagens, em que a força se revelou excessiva, e a não aplicação da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez na Madeira, por muitos tolerada.

Esta semana, o caso do milho transgénico assume idênticos contornos. Situações muito diferentes, na aparência, são semelhantes na perspectiva do Estado de Direito. A desobediência não pode substituir a acção política democrática.

No caso do milho coloca-se ainda a questão dos limites à actuação da autoridade. Tratando-se de crimes de dano, sem violência contra as pessoas e sem resistência à polícia, o cumprimento da lei deveria ser assegurado na justa medida reclamada pelos valores em causa.

Há uma pergunta difícil a que respondi, há anos, na minha tese de doutoramento. Poder-se-ia matar os ‘ecologistas’ agressores, para evitar a destruição do milho?

Os defensores da ordem prussiana entendiam que se justificava, em defesa da ordem, o homicídio de um ladrão de maçãs. Também agora há quem entenda que a ordem deve ser defendida sem limites.

O Estado democrático privilegia, porém, a vida e os bens pessoais. A Constituição e a lei requerem proporcionalidade e adequação na defesa dos direitos. A Convenção Europeia dos Direitos do Homem determina que a autoridade só pode lesar a vida humana para defender pessoas.

Quem fizer passar outra mensagem deve assumir que aceita a ordem como valor supremo, mesmo à custa da vida. E coloca-se, paradoxalmente, fora do Estado de Direito democrático.
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Fernanda Palma, Professora catedrática de Direiro Penal
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in Correio da Manhã 2007.08.25
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» Comentários no CM on line

Domingo, 26 Agosto


- S. Oliveira
Se a lei é para servir alguns, então mude-se a lei. Se vivemos em democracia isso é fácil basta haver uma maioria que o queira. Se não houver essa maioria nada a fazer. Perante uma desobediência civil o Bloco tem duas atitudes uma na Madeira outra no Algarve. Em que ficamos ?

- Nuno
Esse estado democratico d direito d q fala NAO existe, é uma quimera, o q existe em Portugal sao grupos d pessoas poderosas apostadas em fazer passar os seus interesses (partidos politicos). O milho, um episodio insignificante de vandalismo, foi catapultado para o mediatismo por abrir um precedente perigoso aos interesses d empresarios. A lei é para servir alguns, a desobdiencia civil é o resultado.

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UGT - BALANÇO DO ANO 2007



BALANÇO DO ANO 2007 DESEMPREGO MUITO ELEVADO E CRESCIMENTO ECONÓMIC0 INSUFICIENTE. 2008 TEM DE SER UM ANO MELHOR COM CRESCIMENTO E EMPREGO
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O desemprego continuou a aumentar em 2007, atingindo níveis insustentáveis. O combate ao desemprego tem de passar a ser assumido como o principal objectivo das políticas económicas e sociais, vindo a UGT há muito a reivindicar políticas de Crescimento e Emprego.
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Os trabalhadores portugueses não foram só confrontados com o desemprego, mas também com o aumento da precariedade e instabilidade dos seus empregos, com consequente penalização nas suas vidas profissionais, mas também familiares.
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Uma vez mais, os aumentos salariais reais foram marginais para a maioria dos trabalhadores, no
sector privado, mas especialmente no sector público. Esta situação decorre não só de uma política monetária excessivamente restritiva, como também de um sistemático “erro” na previsão da taxa de inflação. Nalguns casos, como na Administração Pública, registaram-se uma vez mais aumentos inferiores à inflação.
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A economia portuguesa continuou a dar sinais de relançamento, com um crescimento económico acima do verificado em 2006, mas que ainda assim permanece demasiado baixo para criar mais empregos e para fazer baixar o desemprego. O nosso crescimento económico continua ainda abaixo da média comunitária, mantendo-nos numa trajectória de não convergência com a média comunitária.
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A descida do défice orçamental para valores aquém dos 3.0% é um aspecto importante, não devendo ser esquecido que este progresso foi conseguido sobretudo à custa do bem-estar dos trabalhadores em geral, e especialmente dos trabalhadores da Administração Pública.
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Em 2007, a Justiça continuou a mostrar muitas fragilidades, sendo um dos factores que mais afecta a economia e a sociedade, gerando intranquilidade e insegurança.
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Foi também o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. Esta é uma área em que
muito resta a fazer.
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O ano de 2007 foi igualmente marcado pela Presidência Portuguesa da União Europeia. Nesse plano, certamente um destaque para a assinatura do Tratado de Lisboa, pondo fim à paralisia institucional da UE em que se vivia desde os Referendos ao Projecto de Tratado Constitucional.
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O novo Tratado introduz melhorias e progressos na área social mas muito permanece para fazer em revisões futuras.
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FACTOS MAIS RELEVANTES em 2007
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1. Algumas mudanças importantes
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Em 2007, a UGT continuou fortemente empenhada nos processos negociais, seja em sede de concertação social, seja no âmbito da negociação colectiva, por via dos seus sindicatos. No âmbito da CPCS, assumem particular relevância matérias como:
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• O Acordo para a Reforma da Formação Profissional, em que estiveram sempre presentes os objectivos da melhoria das competências e qualificações dos portugueses, com uma aposta na dupla certificação, bem como da garantia do direito individual à formação contínua;
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• Uma importante melhoria do salário mínimo, por via de um acordo tripartido. Após vários anos de crescimento muito baixo, o salário mínimo foi fixado em 403€ para 2007 e assumido o compromisso de atingir os 450€ em 2009, visando-se os 500€ em 2011. No final deste ano, foi acordado que o seu valor passaria a 426€ a 1 de Janeiro de 2008, com o compromisso de ser fixado em 450 €, também a 1 de Janeiro de 2009.
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• Uma discussão, ainda não concluída em sede de CPCS, sobre a reforma das políticas activas de emprego, instrumento fundamental para promover a empregabilidade e a inserção das pessoas no mercado de emprego, em especial dos grupos mais desfavorecidos.
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2. Mercado de trabalho – Desemprego continuou a aumentar
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No 3º trimestre de 2007 o desemprego era de 7,9%, enquanto no 3º trimestre de 2006 era de 7,4%, continuando pois a verificar-se um aumento do desemprego.
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O crescimento do emprego foi, neste último ano (desde 3º trimestre de 2006) de apenas 0.3% (13 mil empregos), valor demasiado baixo para inverter o aumento do desemprego. A par com um elevado desemprego subsistem grupos particularmente vulneráveis perante o desemprego, como os jovens, os trabalhadores mais idosos, as mulheres, grupos em que a taxa de desemprego
tende a ser bastante superior à média nacional.
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Mas também não podemos deixar de estar muito preocupados com a precariedade que marca o nosso mercado de trabalho e que hoje nos coloca no grupo de países comunitários– com a Espanha e a Polónia – com maior nível de emprego precário, afectando os trabalhadores em geral, mas sobretudo os que entram/reentram no mercado de trabalho. De facto, o crescimento recente do emprego foi sustentado quase exclusivamente em formas precárias de emprego (trabalho independente, contratos a termo, tempo parcial).
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A precariedade do trabalho não só afecta negativamente as condições de trabalho e de vida das pessoas, como compromete a melhoria dos níveis de produtividade e de competitividade das empresas e do País, e está associado a uma baixa participação e sindicalização. Assim, continuamos bastante preocupados com a falta de respostas adequadas ao combate daquela precariedade.
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Apesar do consenso sobre a reforma da formação profissional, a demora da sua operacionalização, nomeadamente em matérias relacionadas com o direito individual à formação profissional, como o cheque de formação, fez com que a aposta na formação contínua e no reforço das qualificações não atingisse os valores propostos.
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No que se refere à evolução salarial, desde logo uma nota positiva quanto aos aumentos do salário mínimo para 2007 (e 2008 e 2009) acordados em sede de concertação social, e que permitirão um crescimento importante deste salário em três anos. Espera-se que o mesmo venha contribuir para o combate às desigualdades e a situações de pobreza e de exclusão social.
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Pressionados por uma política monetária restritiva, mas sobretudo por uma previsão da inflação irrealista, o crescimento real dos salários ficou, desde logo, aquém do aumento real negociado pelos sindicatos, mas também aquém da inflação de 2007, para alguns sectores e para Administração Pública.
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Com efeito, face a uma previsão inicial de 2.1%, chegaremos ao final do ano de 2007 com uma inflação em torno de 2.4-2.5%, com este desvio a penalizar a evolução do poder de compra e a própria negociação salarial. Estes sistemáticos “desvios” das previsões de inflação são uma situação insustentável.
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O poder de compra dos portugueses surgiu ainda ameaçado por sucessivas subidas das taxas de juro, fazendo aumentar significativamente os encargos das famílias com créditos à habitação ou ao consumo.
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3. A política económica
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Portugal registou uma ligeira recuperação do crescimento económico, com as previsões a apontarem para um crescimento do PIB da ordem dos 1,8%. Este valor continua aquém do necessário para criar mais empregos e aquém do crescimento médio da União Europeia, adiando novamente o nosso processo de convergência.
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Há muito que a UGT vem reclamando uma reorientação das políticas económicas, mais viradas para o crescimento e para o emprego e que não tenham na consolidação orçamental o objectivo prioritário. Sempre defendemos essa consolidação, mas não a qualquer custo.
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Considera-se positivo que o défice orçamental de 2007 se venha a situar abaixo dos 3.0%, esperando-se agora que não continuem a ser adiadas medidas e políticas que visem dinamizar a economia e criar mais e melhores emprego: medidas como o reforço do Investimento público e a criação de condições propícias ao investimento privado, bem como políticas de rendimentos que garantam a melhoria do poder de compra dos portugueses e por essa via a dinamização do consumo privado e da economia, políticas sociais mais fortes. Contudo, o Orçamento do Estado para 2008 pouco nos tranquiliza em relação a estas matérias.
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Uma última nota para dar conta de uma preocupação da UGT e dos sindicatos em geral. Nos últimos anos, temos assistido a uma perda do peso dos salários no Rendimento nacional bem como ao aumento das desigualdades na distribuição de rendimentos. Em 2005, Portugal era o país da U.E. com maior desigualdade. Estes desequilíbrios no Consumo e na Poupança não se reflectem apenas no bem-estar dos trabalhadores e suas famílias, como constituem uma ameaça à própria estabilidade económica, especialmente num contexto internacional marcado por algumas incertezas.
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As políticas económicas nacionais e comunitárias não podem ficar indiferentes a esta realidade.
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4. A Administração Pública
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O ano de 2007 continuou a ser um ano de fortes lutas na Administração Publica, com manifestações e greves pela defesa dos direitos e do bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.
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Nos últimos anos, dos quais 2007 não foi excepção, os trabalhadores e pensionistas da Administração Pública viram os seus salários crescer abaixo da inflação, daí resultando nova perda de poder de compra.
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Viram também ser implementado um conjunto de medidas lesivas dos seus interesses, sem que tivessem sido ouvidos ou consultados. Pelo contrário, o Governo continua a não respeitar as suas responsabilidades em matéria de negociação colectiva, impondo unilateralmente medidas.
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Saúda-se a generalização do subsídio de desemprego também aos trabalhadores da Administração Pública.
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EM CONCLUSÃO:
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Em 2007, o desemprego aumentou para níveis insustentáveis, com as políticas económicas a revelarem-se insuficientes para gerar mais empregos e para combater o desemprego.
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Continuaram a ser exigidos, aos trabalhadores, sacrifícios em nome da sustentabilidade e do desenvolvimento futuro do País.
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Em 2008, continuarão a decorrer discussões difíceis em matérias tão importantes como a revisão do Código do Trabalho, a flexigurança, a revisão das políticas activas de emprego e a reforma da formação profissional, a promoção e modernização da negociação colectiva e a Reforma da Administração Pública.
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A UGT estará, como sempre tem estado, aberta à discussão destas matérias e empenhada na procura de soluções que respondam aos desafios do País, mas que garantam igualmente a protecção dos interesses dos trabalhadores e a melhoria do seu bem-estar profissional e familiar.
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É muito importante que o Governo assuma uma atitude mais aberta à negociação com os trabalhadores e com as estruturas sindicais na Administração Pública, na procura de soluções que garantam um adequado equilíbrio entre interesses dos trabalhadores e os do Governo.
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É fundamental que exista uma aposta sustentável no crescimento e no emprego, mas também a implementação de um conjunto de políticas de emprego e de políticas sociais mais fortes.
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É ainda fundamental que os postos de trabalho a criar em 2008 sejam empregos mais estáveis e com condições de remuneração compatíveis com o esforço de formação profissional que os trabalhadores portugueses vêm fazendo.
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2008 tem de ser um Ano Melhor para todos!
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27.12.2007

Brutal aumento do custo de vida - Ano novo injustiças antigas




Défice Democrático


* António Vilarigues

Duas histórias (que não são estórias) à laia de intróito.

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Nos dias 25 e 26 de Abril de 1974 uma das preocupações centrais da polícia política do regime fascista foi destruir a lista nominal dos bufos. Aliás esse foi dos poucos documentos que a PIDE/DGS queimou. Eram mais de 25.000 os informadores espalhados pelo país. Como o fascismo apenas reconhecia a existência de cerca de 1 milhão e meio de eleitores (sim, é verdade), dava qualquer coisa como um bufo para cada 50 cidadãos “politicamente activos”. Bufos esses de que a PIDE mantinha um arquivo com as suas actividades descritas ao pormenor. Mas onde apenas constavam os seus pseudónimos. Daí o queimar apressado. Bufos que apenas eram conhecidos dos respectivos chefes. Cada chefe de brigada, sub-inspector ou inspector tinha a sua própria rede, desconhecida dos demais.

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Passado poucos anos muitos ex-PIDEs e ex-bufos eram chamados pelo regime democrático a integrar serviços da República onde poderiam aplicar as suas conhecidas “competências”. E os relatórios elaborados por esses serviços eram (e são) remetidos diária, semanal e mensalmente a quem nos governa. Ano após ano. E aí voltou a surgir o conceito de “inimigo interno”. Do que se tratava (trata)? De comunistas e seus aliados, sindicatos, associações de estudantes, comissões de trabalhadores, organizações sociais as mais diversas. Explicitamente referidos como tal. E não consta que qualquer governante tenha mandado corrigir esta situação.

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Este caldo de cultura ajuda a explicar muita coisa.

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Assistimos de há muito a uma ofensiva que crescentemente põe em causa direitos, liberdades e garantias que são conquistas inalienáveis de Abril. Mas que ganhou novas formas e conteúdos nestes mais de 2 anos de governo PS de José Sócrates. Com a implementação de formas meticulosamente elaboradas de condicionamento e paralisia da acção e intervenção social e laboral, mas também política. O simples enunciado de medidas basta para nos facultar uma pálida visão do que está em causa.

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Desde logo, nas novas leis ditas de “reforma do sistema político”. Nos processos de governamentalização e concentração de poderes nas áreas da segurança interna. No processo de reorganização das forças de segurança. Nos novos projectos de governamentalização da justiça. No cartão único. Nas anunciadas alterações às leis eleitorais.

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Mas também, nas crescentes limitações ao direito de propaganda política. Nas múltiplas acções visando iniciativas de divulgação e afirmação política. Nas exigências ilegítimas de licenciamento. Na imposição excessiva de limitações quanto a espaços (quando a lei, e só ela, claramente tipifica os locais e regras a que deve obedecer). Na pretensão da obrigação de informação ou autorização prévia. Na invocação de abusivos regulamentos de publicidade para impedir iniciativas de propaganda. Na retirada de propaganda visual e das estruturas que lhe dão suporte. No impedimento de distribuição de documentos escritos em locais públicos, invocando a natureza privada da propriedade dos espaços e locais. Na aprovação dos chamados regulamentos municipais de propaganda e publicidade. Na identificação de membros do PCP e da JCP, de activistas e dirigentes sindicais e associativos por parte das forças de segurança. No levantamento de processos no sentido de criminalizar essas actividades.

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Outra vertente corporiza-se nas medidas visando a alteração da correlação de forças nas relações de trabalho. Que se traduzem em retrocessos graves no plano da democracia participativa. Em retrocessos nos direitos de organização e acção sindical. Na proibição da actividade sindical e das comissões de trabalhadores nas empresas. Na perseguição e na repressão aos dirigentes sindicais e activistas e a todos aqueles que assumem a defesa dos interesses dos trabalhadores. No refinamento dos mecanismos de pressão e repressivos limitativos do simples direito à sindicalização e do direito à greve. No Código do Trabalho. Na ofensiva contra os trabalhadores da Administração Pública. Na degradação das relações laborais dos profissionais da comunicação social. Na tentativa de imposição da Lei do Estatuto do Jornalista ou da chamada flexigurança.

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O mesmo se passa na escola com a desvalorização da participação dos estudantes nas suas estruturas associativas. Nas crescentes limitações nos processos eleitorais. Na negação do direito à propaganda. Nas pressões inadmissíveis para fazer abortar as suas formas de luta. Na anunciada reforma do ensino superior.

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Onde estão as medidas visando uma sempre maior e mais consciente participação dos cidadãos na vida política, económica, social e cultural do país?

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A comunicação social dominante tem ao longo destes anos desempenhado um papel crescente na legitimação destas políticas. Bem espelhado na defesa de valores e concepções retrógradas para a nossa sociedade. Na imposição do pensamento único. Com o conjunto de efeitos que são conhecidos na formação de opiniões, no desenvolvimento da consciência política e social, no quadro de valores dominantes e na cultura democrática.

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Há muito que os grupos económicos perceberam que a comunicação social, para além de um grande negócio, é também um instrumento de pressão sobre o poder político e de dominação das opiniões e das consciências.

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É transparente que se pretende naturalizar a exploração e eternizá-la. Impondo novos conceitos que não são mais que construções ideológicas e instrumentos de alienação do real. E inculcá-las com o duplo objectivo de legitimar o apagamento de direitos duramente conquistados e anunciar falsas inevitabilidades.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação


In jornal "Público" - Edição de 8 de Julho de 2007

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

União Europeia


União Europeia - Tratados europeus, História da União Europeia

1951 1957 1965 1992 1996 2000 2004 2007



U N I Ã O E U R O P E I A
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA)



Comunidade Económica
Europeia
(CEE)
Comunidade Europeia
Euratom (Comunidade Europeia da Energia Atómica)

...Comunidades Europeias: CECA, CEE , Euratom Justiça e
Assuntos Internos


Política Externa e
de Segurança Comum
(PESC)
Tratado de
Paris
Tratado de
Roma
Tratado de
fusão
Tratado de
Maastricht
Tratado de
Amsterdão
Tratado de
Nice
Tratado de Roma II
(Constituição)
Tratado de
Lisboa

"Três Pilares" - Comunidades Europeias (CE, Euratom), Política externa e de segurança comum (PESC), Justiça e assuntos internos (JAI)

Tratado de Lisboa: Referendo - Sim ou Não?


UE nervosa recorreu a Cavaco Silva


FRANCISCO ALMEIDA LEITE

O Presidente da República teve um papel preponderante na decisão final de José Sócrates em não convocar um referendo nacional ao Tratado de Lisboa. Segundo soube o DN junto de fontes políticas, Aníbal Cavaco Silva terá recebido nos últimos dias várias mensagens de países com peso na União Europeia. Os contactos diplomáticos, segundo as mesmas fontes, ocorreram com a tensão gerada em muitos países da UE com a mera possibilidade que existia de Sócrates se decidir pelo cumprimento da sua promessa eleitoral.

Estes outputs de países como a Alemanha (o país liderado por Angela Merkel foi o mais incisivo nestes contactos) terão virado inputs de Belém em relação a São Bento, ainda segundo as supracitadas fontes. Ou seja, pelos canais institucionais, a Presidência da República terá feito saber ao Governo qual era o sentimento reinante na maior parte dos países europeus. Indicações que também já existiam em São Bento e que vinham agudizando-se desde que se sabia que, tirando a Irlanda (que constitucionalmente é "obrigada" a fazer o referendo), todos os outros estados europeus haviam já optado pela ratificação parlamentar. Nos últimos dois dias, a Eslovénia considerou o referendo como impensável. Janez Jansa, primeiro-ministro da Eslovénia e presidente em exercício da UE, voltou ontem a subir o tom, dizendo que os países europeus "têm de ter uma visão mais abrangente da questão, não pensar apenas nos aspectos nacionais mas também no interesse europeu". Segundo Jansa, é preciso questionar "até que ponto os eventos num país influenciam eventos noutro onde a situação é algo diferente".

Cavaco Silva, que há meses vinha dizendo que o referendo não era de todo prioritário - embora o convocasse, caso surgisse uma proposta parlamentar nesse sentido, como prometeu em plena campanha presidencial -, disse ontem peremptoriamente que "desperdiçar a oportunidade que o Tratado de Lisboa representa constituiria um preço elevadíssimo para a União Europeia".

O Presidente falava durante a apresentação de cumprimentos de Ano Novo pelo Corpo Diplomático acreditado em Lisboa, que decorreu no Palácio Nacional de Queluz. Uma cerimónia em que, sabe o DN, ficou patente o desconforto de vários diplomatas europeus perante uma eventual decisão pró-referendo. Alguns destes embaixadores já tinham feito chegar, como disseram fontes políticas ao DN, esse desconforto ao Palácio de Belém, inclusivamente através de telegramas diplomáticos.

Na noite da assinatura do Tratado de Lisboa, a 13 de Dezembro, José Sócrates não se esqueceu de referir a posição de Cavaco Silva como sendo contrária ao referendo. Na altura, à SIC Notícias, Sócrates deixou a decisão em aberto, mas tentou vincular o Presidente. Só que Belém acabou por vir lembrar que a promessa de campanha era para manter e se a maioria parlamentar avançasse com o referendo, ele seria convocado.

Promessa eleitoral que Sócrates também tinha (no caso, convocar o referendo), mas optou por ir abrindo espaço para a subverter e não ficar isolado em termos europeus. Na sua edição online de ontem, o semanário Sol afirmava também que "o primeiro- -ministro já sossegou outros líderes europeus, que temiam a consulta popular em Portugal".

O triângulo Cavaco-Durão Barroso-líderes europeus foi decisivo para Sócrates ter os argumentos de que precisava para inverter a promessa eleitoral e dizer "não" ao referendo. Hoje, no primeiro debate quinzenal segundo o novo regimento, Sócrates irá defender que o Tratado de Lisboa é uma coisa e o Tratado Constitucional era outra. |
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in Diário de Notícias 2008.01.09
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Mais notícias:
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Correio da Manhã

2008-01-09 - 17:17:00 Sócrates acusado de rasgar promessa eleitoral


Público

Santana acusa Governo de ceder perante os fortes

Manuel Alegre: Sócrates queria fazer referendo mas as “circunstâncias” levaram-no a mudar
Sócrates afirma que teria vantagens com referendo mas recusou-o por “ética da responsabilidade”

SIC
TRATADO DE LISBOA BE acusa Sócrates de dar o dito por não dito - 2 horas atrás
Francisco Louçã recordou as palavras de José Sócrates quando o primeiro-ministro disse que o tratado de Lisboa era muito semelhante ao Tratado ...
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Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Notícia ....


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Autor não identificado

PCP - Na morte de Luiz Pacheco


Desenhos de Henrique Manuel.

In Luiz Pacheco, Textos Malditos,

Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, Lisboa, 1977.



Nota da Comissão nacional do PCP para as Questões da Cultura

Editor e escritor, Luiz Pacheco assegurou um lugar na história da literatura portuguesa. Enquanto editor, deve-se-lhe a publicação de obras de vários autores importantes, de Mário Cesariny a outros surrealistas e a Herberto Helder. Enquanto escritor a sua obra, em grande parte ainda dispersa - foi autor, entre outros títulos, de "Comunidade", "O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor", “O Teodolito", "Exercícios de estilo" e "Memorando, mirabolando" - dá testemunho de uma prosa depurada e segura, ágil e capaz de recriar a palavra oral e popular, e o calão.

Luiz Pacheco é um autor em que vida e obra se confundem e se ampliam mutuamente, em que a ficção, a crítica literária e a crítica da mundanidade literária se respondem e ecoam um fundo insistente e desassombradamente autobiográfico. Autor satírico, a sua obra combina a ironia e a subversão das convenções do moralismo conservador e hipócrita, com a capacidade de revelar o rosto agredido do ser humano, entre a opressão e o sofrimento da miséria e a alegria insurrecta.

Espírito livre e independente, personalidade lúcida e irreverente, Luiz Pacheco soube reconhecer no PCP o partido dos trabalhadores, o partido consequente, longa e tenazmente fiel aos seus princípios e objectivos, o seu Partido. Assim, em finais de década de oitenta, tornou-se por sua iniciativa militante do PCP - qualidade que manteve até morrer.

A Comissão Nacional do PCP para a Área da Cultura lamenta profundamente a morte de Luiz Pacheco e a perda que ela significa para a Cultura Portuguesa e manifesta aos seus familiares sentidas condolências.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

A doente que morreu em Aveiro já percebeu a política do ministro da Saúde


Entrevista CM: José Manuel Silva
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* António Ribeiro Ferreira
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José Manuel Silva, bastonário em exercício da Ordem dos Médicos, afirma que José Sócrates é quem manda na Saúde, diz que a doente que morreu na Urgência do Hospital de Aveiro já percebeu as medidas e a política do ministro da Saúde e não tem dúvidas em dizer que o Serviço Nacional de Saúde está a ser destruído. Em nome de um perigoso pacto de regime entre o PS e o PSD para garantir os investimentos privados.
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Correio da Manhã – Como é que está a correr esta experiência de bastonário em exercício?

José Manuel Silva – É uma experiência interessante. Aliás, para mim, todas as experiências novas são interessantes. E esta é uma posição nova, inesperada, temporária, que eu estava bem longe de imaginar que teria de viver. Mas, como tudo na vida, gosto de desafios e este é um desafio que encaro com empenho, com satisfação e com vontade de representar condignamente os meus colegas.

- Há colegas seus que o elogiam muito, dizendo que o senhor tem sido fogo. O ministro da Saúde, pelo contrário, diz que o senhor é um incendiário por ter ido à Anadia mostra-se contra o fecho da urgência local. Em que ficamos?

- Acho que nem uma coisa nem outra. Eu sempre levei tudo a sério na vida e como tal encaro de forma séria este papel em que me investiram temporariamente. E se, por coincidência, me delegaram competências, que são difíceis e pesadas e que são extremamente responsabilizadoras, num período de grande agitação na área da Saúde, naturalmente eu não podia atravessar este período em silêncio, tinha de responder à situação. Eu não fui à procura de incêndios, não fui à procura de fogos, nem de bombeiros, nem de problemas. As questões foram levantadas por quem manda na Saúde em Portugal e a resposta, julgo eu, tinha de ser esta.

- Quem é que manda na Saúde em Portugal?

- É o primeiro-ministro José Sócrates. É ele que manda.

- O ministro da Saúde não tem nada a ver com esta política?

- O ministro da Saúde limita-se a cumprir o programa do Governo. É um de muitos ministros que se sentam à mesa do Governo. Mas quem de facto manda, que dá as orientações, é o primeiro-ministro. Não pode ser de outra maneira. Mal seria que cada ministro fizesse aquilo que lhe apetecia ou que lhe desse na real gana. O coordenador e a pessoa que tem a última palavra na definição das políticas de todas as áreas é naturalmente o primeiro-ministro. O responsável é o primeiro-ministro. Aliás, se o primeiro-ministro não caucionasse, não se revisse na política de Saúde naturalmente já teria substituído o ministro ou ter-lhe-ia dado indicações para proceder de outra forma e implementar outra política.

- O ministro da Saúde concorda com o que está a fazer. Caso contrário já teria apresentado a sua demissão, não acha?

- Obviamente. Repare. Não quer dizer que tenha de concordar com tudo. Porque eu acho que quem se arroga ter grandes conhecimentos na área da Saúde não estaria a fazer certas coisas. Não compreenderia que fossem feitas por algum especialista na área da Saúde. Nomeadamente aquilo que tem sido objecto de maiores polémicas nos últimos dias, que são os encerramentos de forma totalmente desenquadrada das restantes reformas da Saúde e sem que as outras reformas da Saúde estejam a produzir resultados.

- Há qualquer coisa de errado nisso tudo?

- Há qualquer coisa de errado. E tanto que está errada que tem tido consequências que têm sido veiculadas na comunicação social.

- Situações graves para as pessoas?

- Obviamente. E com outros casos que felizmente não chegam ao conhecimento da comunicação social...

- Porque não acabam em mortes?

- Exacto. Mas que nós sabemos que existem no terreno. E, naturalmente como médicos, essencialmente como médicos, e acima de tudo, dentro da nossa posição institucional na Ordem dos Médicos, mas também como médicos individuais, como provedores dos doentes e das populações, não podemos deixar de denunciar as consequências e de chamar a atenção para a necessidade de implantar situações diferentes. E para a necessidade do percurso das reformas ter de ser feito de forma distinta.

- O ministro da Saúde diz que em poucos meses todos vão perceber a justeza das reformas em curso, nomeadamente dos encerramentos de urgências e SAP. É tudo uma questão de tempo? Ou é uma posição arrogante do ministro?

- Infelizmente, e mais uma vez, enfim, com todo o respeito pela situação, a doente falecida nas urgências do Hospital de Aveiro já compreendeu as medidas do senhor ministro. Não volta à urgência.

- Começa a ser uma situação dramática?

- Obviamente. Sabe. Contra factos não há argumentos e contra realidades não há teorias. Todos nós, que estamos a trabalhar no terreno, todos os que acompanham o que se passa no terreno, vêem que as coisas estão a piorar. Nomeadamente os doentes. Vão melhorar daqui a dez anos, daqui a cem anos? Não sei. Agora, neste momento, as coisas estão a piorar e eu não vejo qualquer indício que possam melhorar no futuro.

- Porquê?

- Porque não estamos a assistir a um plano integrado de reformas. Estamos a assistir à aplicação de medidas casuísticas. Se nos cingirmos às questões práticas dos últimos dias, vemos a aplicação de um relatório apenas na vertente dos encerramentos e não na restante e, ainda por cima, relatório esse que tem aspectos que são por nós criticados. Independentemente do valor, da competência e do respeito que temos pelos colegas que o elaboraram, que não está em causa. Mas, obviamente, se este relatório tivesse sido submetido a uma apreciação prévia da Ordem dos Médicos se calhar o resultado final teria sido diferente.

- Muito diferente?

- Claramente. Porque as críticas que temos feito ao relatório teriam sido feitas no momento exacto e teriam levado a modificações em diálogo com os colegas que o elaboraram. E sabe que o relatório parte de um princípio errado.

- Qual?

- Parte do princípio de que tudo o resto funciona bem. Ora como tudo o resto não funciona bem tem de haver desequilíbrios, tem de haver consequências infelizes. Se tudo o resto estivesse a funcionar bem, se calhar a implementação do relatório seria menos polémica. O próprio relatório diz que ele tem de ser enquadrado com a rede de emergência pró-hospital que não existe. O relatório tem de ser enquadrado com uma rede de referenciação dos doente urgentes, que não existe. O relatório parte do princípio que os centros de saúde dão a resposta adequada às necessidades das populações e não dão.

- O relatório fala numa situação ideal que não existe na realidade?

- Obviamente. Claro. Parte desses pressupostos. Como os pressupostos não se verificam no terreno, naturalmente que os desequilíbrios e as disfunções estão a ser agravantes.

- Como estas reformas são feitas de costas voltadas não só para a Ordem mas também para os médicos? Já não falo nas populações.

- Essa pergunta terá de ser feita ao senhor ministro da Saúde e mais uma vez ao senhor primeiro-ministro José Sócrates. A única coisa que eu posso dizer é que pela nossa parte, Ordem dos Médicos, estamos sempre disponíveis para prestar o nosso apoio e a nossa consultadoria técnica a qualquer Governo, a qualquer ministro ou a qualquer primeiro-ministro de Portugal. Assim nos queiram ouvir. Assim nos encarem como um parceiro com competências que se calhar outros não têm e convivências que outros não têm e queiram ouvir-nos e dialogar connosco sem qualquer reserva intelectual.

- E isso não tem sido feito.

- Não tem sido feito. E como somos impedidos de prestar esse apoio técnico, que é uma das funções nucleares da Ordem dos Médicos, a única coisa que podemos fazer é chamar a atenção e dizer atenção este não é o melhor caminho por isto e por isto. Nós não estamos contra nada. Nós estamos a favor dos doentes, do Serviço Nacional de Saúde, da qualidade da medicina que praticamos com os nossos doentes.

- Não há o risco de as populações se virarem contra os médicos?

- Repare. Quando estamos na ribalta das questões da Saúde é natural que algumas pessoas possam achar que os médicos têm a sua quota-parte de responsabilidade nos problemas do Serviço Nacional de Saúde. Encaramos isso com naturalidade. Agora a verdade é que nós, em termos pessoais e em termos colectivos como Ordem dos Médicos, estamos obviamente interessados em contribuir para a melhoria do sistema. Porque quem vai para médico é porque tem um determinado tipo de vocação. E a vocação é ajudar as outras pessoas, sem deixar de ser um ser humano, com os mesmos defeitos e qualidades de qualquer outra pessoa. Nós somos seres humanos como os outros. Temos é uma vocação e a vocação é tentar ajudar os outros na saúde e na doença. E com isso temos naturalmente a nossa retribuição por sentirmos que, de alguma forma, fomos úteis às outras pessoas. Aquilo que nós gostaríamos é que o Serviço Nacional de Saúde, em particular, e o Sistema Nacional de Saúde pudessem proporcionar aos doentes a máxima qualidade, o máximo conforto, o melhor estado de bem-estar físico, psíquico e social.

- Mas nem sempre é assim.

- Nós não queremos de forma nenhuma escamotear realidades. Tal como em todas as profissões, existirão pessoas com maiores e menores conceitos éticos, com maiores e menores sentidos do cumprimento das responsabilidades. Mas se há esses casos, naturalmente devem ser analisados e deve actuar-se em conformidade. Nós, como Ordem, temos o máximo interesse em separar o trigo do joio. Agora, também temos uma noção que é muito maior o ruído do que a realidade. E também temos a noção de que basta às vezes uma pequena crítica, uma pequena situação que é propalada pela comunicação social para facilmente toda a gente confundir a parte com o todo. Nós não temos qualquer dúvida de que 99 por cento dos médicos cumprem as suas obrigações. Haverá, como em qualquer outra profissão, quem não faz da mesma forma. Mas nessas situações temos de actuar pontualmente sobre elas. E nós estamos aqui também para dar o nosso contributo nesse sentido.

- Às vezes diz-se que os médicos se protegem uns aos outros.

- Não é verdade. Recentemente, em relação a um colega que passou uma certidão de óbito que veio a provar-se que era falsa, a penalização imposta pela Ordem dos Médicos foi muitíssimo mais grave do que a penalização imposta pelo tribunal. O que demonstra que a Ordem dos Médicos é rigorosa. Agora também há da parte do poder político um interesse em fragilizar o prestígio que a profissão tem junto das populações.

- A condição social dos médicos?

- Exactamente. Mas apesar de tudo, apesar de todas as críticas, e nós encaramos todas as críticas de forma positiva, a verdade é que no último inquérito feito à população sobre as classes profissionais os médicos continuaram a ser a classe profissional de topo em termos de respeito e consideração por parte da população. Eu acho que isso é extremamente significativo. E quando as pessoas são inquiridas individualmente sobre o conceito que têm, nomeadamente na medicina geral sobre o seu médico de família, a esmagadora maioria está satisfeita com o seu médico de família.

- O ministro da Saúde diz que está a salvar o Serviço Nacional de Saúde. A Ordem e os médicos dizem que as reformas estão a arrasar o Serviço Nacional de Saúde. Quem tem razão? Quem fala verdade?

- Não seria de esperar que, de qualquer Governo, viesse uma afirmação no sentido de destruir o serviço Nacional de Saúde. Aquilo que o Governo diz di-lo por razões políticas e quase por obrigação política. Não pode dizer que está a fazer as coisas erradas. Tem de dizer que está a fazer as coisas certas. Quem está no terreno, quem conhece os problemas da Saúde, quem se preocupa e analisa as coisas para além da demagogia política, não tem quaisquer dúvidas que o Serviço Nacional de Saúde está a ser progressivamente destruído. E mais. Eu considero até que existe neste momento um perigoso pacto de regime na área da Saúde.

- Pacto de regime entre PS e PSD? Secreto?

- Repare. Se nós assistimos ao facto dos grandes grupos económicos estarem a investir milhares de milhões de euros na área da Saúde e esperam naturalmente ter o mesmo nível de retribuição que em qualquer outro sector da economia há uma coisa que têm de ter a certeza. Na área da Saúde não vai haver ciclos políticos. Ou seja, não vai aparecer no futuro nenhum Governo que altere esta política.

- Um Governo do PSD irá fazer a mesma política?

- Obviamente. Como existem apenas dois grandes partidos que têm alternado no poder, esses dois grandes partidos têm que ter uma grande consonância na política de Saúde e os grandes grupos económicos têm de ter a certeza dessa consonância.

- Sem isso não haveria esse investimento?

- Não haveria porque as pessoas investem quando têm um elevado grau de certeza que o investimento é seguro. Portanto, é claro e é óbvio que existe um pacto de regime na área da Saúde que passa obrigatoriamente pelo emagrecimento do Serviço Nacional de Saúde para permitir que o enorme investimento privado, dos grandes grupos económicos, seja rentabilizado. E aquilo que nós assistimos, por exemplo, é que a pequena medicina privada independente está a acabar.

- Os consultórios? O tradicional consultório médico?

- Sim, está a acabar. Com todas as dificuldades que têm sido criadas vai ser muito difícil que o pequeno consultório individual consiga sobreviver no futuro. E isso para facilitar o retorno económico do investimento dos grandes grupos económicos.

- Cresce o investimento privado, emagrece o Serviço Nacional de Saúde?

- Claro. E repare que eu não tenho, com esta análise, nenhuma posição contra o sector privado. Pelo contrário. Deve existir um sector privado forte e um sector público forte. Porque a sã concorrência dos dois de forma transparente, sem sobreposições, permite que um estimule o outro e o segundo regule o primeiro. O Estado só tem capacidade de regular o sector privado se tiver um sector público forte. É a única forma de ter um verdadeiro poder regulador. Aliás, nós assistimos às enormes dificuldades que o Estado tem em controlar as contas do Amadora-Sintra. E é um único hospital.

- E dura há anos a polémica.

- Há anos que não há entendimento nas contas e que há um enorme desfasamento entre a opinião do Estado e a opinião grupo privado que gere o Amadora-Sintra. E estamos a falar de um único hospital. Ora imaginemos multiplicar isto por dez ou vinte. Será o caos porque o Estado português é demasiado desorganizado. Um relatório da Organização Mundial de Saúde, da década de noventa, tinha uma afirmação lapidar: um Estado desorganizado mais vale ser prestador dos cuidados do que regulador dos cuidados.

- Porquê?

- Porque corre muito menos riscos prestando os cuidados do que regulando uma coisa que não consegue regular de qualquer maneira. Não consegue regular, como temos visto no caso Amadora-Sintra. Nós vamos caminhar no sentido de um Estado cada vez menos prestador e cada vez mais regulador. E como temos visto o Estado português não consegue regular rigorosamente nada, desde logo porque não tem uma cultura democrática, não tem uma cultura de competência, não tem uma cultura de exigência, não tem uma cultura de rigor e não tem uma cultura de honestidade.

- Havendo esse pacto de regime, a destruição do Serviço Nacional de Saúde é irreversível? Mesmo contra a vontade dos médicos?

- Repare, os médicos não estão a ter uma postura contra esta política. Os médicos não têm capacidade de ser contra nada. O que nós tentamos fazer é chamar a atenção para os problemas, para as consequências e propor soluções diferentes. Isso não é ser contra nada. É ser a favor de um sistema que permitiu que Portugal atingisse níveis invejáveis na prestação de cuidados de Saúde a nível mundial. Não tenho qualquer dúvida que o melhor serviço público português é o Serviço Nacional de Saúde. E estar-se a atacar este serviço de forma demagógica e com base em inverdades demonstra que não aqui uma postura transparente na forma como a actual política está a ser implementada.

- Parece que estava tudo mal, que é preciso inventar tudo outra vez, não é?

- Nós não temos de inventar rigorosamente nada. Temos múltiplos sistemas de saúde em vários países do mundo e podemos analisar os respectivos resultados. Não temos de olhar, discutir ou defender teorias. Temos primeiro de analisar os resultados e depois procurar aquilo que afinal proporcionou melhores resultados. Se Portugal, com todas as suas limitações económicas de um pequeno País, conseguiu ter o 12 º melhor sistema de saúde do mundo como é que pode vir alguém dizer que o Serviço Nacional de Saúde funcionava mal?

- É estranho. Mas não é preciso fazer nada?

- É evidente que o Serviço Nacional de Saúde, tendo quase três décadas, precisa de ser modernizado, precisa de ser adequado às novas realidades. E nesse sentido nós estamos totalmente a favor dessa reforma. De uma reforma no sentido da melhoria do funcionamento do sistema. Mas na nossa perspectiva não é isso que está a acontecer. O que está a acontecer claramente é o emagrecimento do Serviço Nacional de Saúde e um ataque às regras mais básicas e aos alicerces mais nucleares do Serviço Nacional de Saúde. Não nos parece que alguém possa dizer de boa mente que está a tentar salvá-lo.

- A mensagem do Presidente da República do Ano Novo, em que falou da situação da Saúde, foi importante?

- O Presidente da República é eleito nominalmente e directamente pelas populações. Tem, portanto, uma grande responsabilidade. A principal é ser o intérprete das preocupações da população. E eu acho que nesses avisos que fez á navegação e dentro do que é o palavriado diplomático foi extremamente explícito na demonstração das suas preocupações e das reservas quanto à actual política de Saúde. É evidente que o senhor ministro da Saúde, como político que é, tentou virar o bico ao prego. Mas eu acho que foi patente para todos, para a população e para os comentadores políticos, que não teve forma de o fazer e que efectivamente o Presidente da República pôs o dedo na ferida, nomeadamente com a questão de que é preciso que nós percebamos bem para onde é que vai a Saúde em Portugal.

- Foi uma forte crítica?

- Fortíssima e que foi direita ao centro do alvo

PERFIL

José Manuel Silva nasceu em Pombal no dia 18 de Setembro de 1959. Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra. Casado, é medico internista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, especialista em Lipidologia, uma área de estudo e tratamento dos hiperlipidemos, isto é, dos valores elevados de colesterol e triglicémios no sangue. É dirigente da Ordem dos Médicos há três anos, quando foi eleito pela primeira vez presidente do Conselho Regional do Centro, altura em que apoiou o candidato a bastonário José Manuel Boquinhas contra Pedro Nunes.

Em Dezembro, nas eleições da Ordem, foi reeleito presidente do Conselho Regional do Centro. Apoiante desta feita de Pedro Nunes, exerce até 16 de Janeiro as funções de bastonário em exercício da Ordem dos Médicos
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in Correio da Manhã 2008.01.07
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Comentários no CM on line
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Quinta-feira, 10 Janeiro
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- PAULO De facto álguns médicos ganham bem, não o que recebem do estado mas sim nos seus consultórios. Mas esse dinheiro sai do bolso de cada um e por opção, ora quem não tem esse dinheiro utiliza o SNS, e aqui e que se coloca a questão! Será que ainda não foi entendido pelas pessoas que passando a saúde para as mãos dos privados o estado vai pagar mais!?
- tugalula Se este governo pseudo-socialista fizer algo para benefício do povo português mais necessitado, tal constituirá uma excepção à regra e só pode ser o resultado directo de mais uma calinada administrativa dos respectivos serviços.
- João Bosco Os fundos europeus sabem bem, assim como saber que os políticos portugueses já não têm rédea livre para os desvarios de outrora. Em contrapartida, o Estado tem de honrar o compromisso de não se endividar. Se o Senhor José Silva está realmente preocupado com os doentes, que remova os obstáculos que a Ordem coloca à entrada de médicos estrangeiros, o que faria baixar os custos do SNS.
- José Carlos Com ou sem erros, o ministro quer fazer algo pela saúde, a ordem dos médicos quer continuar a enriquecer todos os seus membros, á custa do erário público.

Quarta-feira, 9 Janeiro
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- paulo costa(Alemanha) Isto que Ministro da Saude esta a fazer e Vergunhoso. Aqui na Alemanha uma Ambulancia tem que chegar o mais rapido Possivel entre 8 a 10 Minutos Eu sei que estou a dzer pois ja tenho 16 Anos de Socorrista na Cruz Vermelha Alema,com se pode concordar com isto que esta a acontecer em Portugal fechando os SAP ate mesmo Proibindo os Bombeiros de darem Assistencia quando chamam o 112.
- jose pinto Sr. Bastonário,não concordo com o Sr. Ministro,mas não acha que você deve encolher o rabo?É que com esses argumentos o sr. ministro fica bem na foto.Os interesses da vossa classe não tem nada a ver com quem vos sustenta, sabe?Essa luta de mordomias não tem nada a ver com os doentes,mas pior, NINGUEM É INOCENTE .
- jou Sem duvida q este ministro da saude é uma aberração e está fora de prazo, nunca deve ter entrado numa urgencia de hospital central, nunca esperou horas para ser atendido, não se viu na situação de um reformado q mal tem para comer, ir de madrugada para o Hospital, ter que esperar horas, ter que fazer refeições fora, regressar a casa sem saber como, sacarem taxas indevidas, etc, melhorou alguma coi
- Fernando E a politica dos médicos qual é??? Eu respondo:É negociar comissões com os delegados de propaganda médica. Entre cada consulta no centro de saúde ou no hospital atendem 2 ou três delegados que se apinham à porta! Basta ir a qualquer centro de saude ou hospital para verificar isto. Esta é uma das razões porque há listas de espera!!! Porque ninguém fala nisto???
Terça-feira, 8 Janeiro- vitor dinis Há custa do sacrificio de todos os portugueses que estão em risco de morrer por falta de assistencia, fechando todas as urgências do País assim certamente vão deixar de haver listas de espera, mas tambem á custa de muitas mortes e dor de muitos portugueses.Assim qualquer um seria Ministro
- Nortenho Vamos a ver. No Norte há milhões de portugueses e os hospitais não são nada de especial. Os alentejanos são cerca de 500.000 e da mesma maneira que em virtude do tipo de povoamneto as localidades distam muitos kms umas das outras não era de esperar que se fizessem hospitais, nas zonas desertificadas... Elementar. Mais respeito...
- videira Desculpem lá mas eu não vou pagar os meus impostos para que o pessoal do Norte tenha hospitais de 10 em 10km! No Alentejo e Algarve há populações a mais de 100km de um hospital! Sejamos razoáveis!!!! tá bem?
- alberto As críticas são fundamentais e a posição de defesa do SNS de enaltecer. Mas se disse mesmo o que está citado, devia retratar-se, não é assim que se critica.
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Segunda-feira, 7 Janeiro
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- j.silva A vontade de um povo é soberana e este governo tem toda a legitimidade de faser o que está a faser , ganhou as eleições por máioria e ainda mantem a tendençia de voto em alta VIVA PORTUGAL
- Manuel Elias Quando os Portugueses se resolvem limpar este amor de Pais? QUE é POrtugalCanada
- A.Guedes Teixeira Este senhor que se apresenta como bastonário da Ordem dos Médicos não é mais que um interino que dada a falta de coragem do bastonário derrotado nas eleições para a Ordem e aguardando a 2ª volta, resolveu alijar responsabilidades demitindo-se das suas funções...Triste exemplo de espírito democrata do Dr. Pedro Nunes.
- Mia Parece-me que está aqui qualquer coisa mal,senão repare-se:o Sr Dr.José Manuel Silva diz:Infelizmente,e mais uma vez, enfim,com todo o respeito pela situação,a doente falecida nas urgências do Hospital de Aveiro já compreendeu as medidas do senhor ministro. Não volta à urgência. Claro se ela já MORREU poderá ela compreender as medidas do Governo depois de morta?e voltar ás urgências? será dificil!
- zeca fp Mas o problema, nao é so do Sr Ministro(Correia dos Santos),o problema é do Sr Socrates e tambem da oposiçao. Estamos a assistir pura e simplesmente ao desmantelamento do serviço Social¨publico,para a pasagem(en douceur)para o privado.
- agostinho almeida A Ordem dos Médicos tem de se impor contra a aberração das medidas do ministro Correia de Campos em fazer encerrar os SAP dos hospitais da chamada província, sem primeiramente ter preparado instalações e meios humanos para fazer face à enorme procura que se sabia acontecer. Sem pessoal médico e auxiliares à altura como é possível o atendimento. Depois há que criar formas dos doentes regressarem.
- Antonio Figueiredo As urgências de Áveiro, foram pensadas para as áreas da cidade.Mas como o sr.Ministro é um homem muito inteligente,mandou fechar todas as unidades de saúde em redor de áveiro.Resultado:Atendimentos que deveriam ser de uma hora, passam a ser de quatro ou mais.Médicos e enfermeiros são os mesmos, e querem melhores resultados.Gostaria que o homem se fosse embora,para bem de todos.Aveiro
- Rui Esteves É certo que os utentes estão a ser prejudicados com esta politica. Mas, muito mais prejudicados, estão os médicos e enfermeiros --há quem esteja a perder à volta de 10 000 € / mês. Assim, percebe-se melhor o alarido da Ordem dos Médicos !!
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» Comentários
Segunda-feira, 7 Janeiro
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- Helena Nogueira Vivo em França e ja vivi em Portugal, por isso posso comparar o serviço de saude portugues com o frances:em França nota-se mais carinho e respeito pelos doentes sejam eles pobres ou ricos.Em Portugal ha demasiados medicos sem qualidades humanas, arrogantes e que so tratam bem quem aparente ser fidalgo/ou seja de categoria social superior.
- Porreiro Pá Enquanto se fecham Centros de sSaúde um pouco por todo o pía, abrense centros de RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências), para onde se atribui de forma atabalhoada certificados de 12º. Ano a quem mal sabe ler, mas que por estarem desempregados, ficam entretidos durante algum tempo, findo o qual, continuam desempregados, mas as estatísticas ficam mais "bonitas".
- Miguel Chaíça Os médicos tb têm a sua cota parte de culpa. Na semana passada a minha filha, 7 anos, foi para o posto médico da área de residência a fim de ser vista pela médica de família. A criança estava prostada, pois a médica chegou à hora de saída e saiu, nem sequer viu a miuda deixando-a para qualquer outro médico que não tinham o dever de a ver. Uma vergonha, contrária ao célebre juramento de Hipócrates.
- Silva (Alemanha) Eis a questão:Porque é que sou bem atendido no meu médico de família ou quando sou hospitalisado? Simplesmente porque em qualquer momento posso trocar de médico e posso decidir qual o hospital que me oferece mais confiança. Quando submetidos a uma saudável concorrência até se esforçam. Cada vez surgem mais, portugueses que há bastante tempo deixaram este país, para ser operados aqui!
- Silva (Alemanha) Eias a questão:Porque é que sou bem atendido no meu médico de família ou quando sou hospitalisado? Simplesmente porque em qualquer momento posso trocar de médico e posso decidir qual o hospital que me oferece mais confiança. Quando submetidos a uma saudável concorrência até se esforçam. Cada vez surgem mais, portugueses que há bastante tempo deixaram este país, para ser operados aqui!
- João Miguel Alves Gomes Pacheco Meu Pai, Luiz Pacheco, falecido no passado sábado, viajou na véspera entre o hospital do Montijo e o do Barreiro. Neste, o H.N.S.R., reclamei a atenção dos profissionais de saúde para o facto do sôro estar interrompido. Solicitei cuidados para esta situação durante duas horas. Ninguém a resolveu. Não foi por isso que meu Pai faleceu. Mas a culpa, será do Governo?. Desculpem o atrevimento. JMP
- am E que tal se os médicos começassem a trabalhar? Mas a trabalhar mesmo. Não a passear pelos corredores dos hospitais.(Força Sócrates livra-nos dos parasitas que têm consultórios onde trabalham quando devem estar nos hospitais e não passam recibo a ninguém)
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Domingo, 6 Janeiro
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- joao marques O Senhor bastonário está mal informado. Eu explico: No Mercado M. Corroios está um cartaz que diz o seguinte: "Vende-se. País solarengo com vistas para o Atlântico". Então como podem os estrangeiros comprar se a casa estiver habitada. O governo está no bom caminho que é o de matar os portugueses todos, sim, porque eles não são portugueses, são uns vendidos.
- Helena Nogueira Admite-se uma pessoa ter uma consulta marcada ha algumas semanas vir a consulta e a medica nao aparecer/ ou mais precisamente virar para tras e nao assegurar as consultas marcadas porque nao pode estacionar o carro perto do consultorio!
- Helena Nogueira O serviço publico de saude esta se a tornar um serviço lixeira para os pobres e os ricos sao bem atendidos no privado porque pagam bem: isso é proprio dos paises subdesenvolvidos. Acho bem que agora os medicos no publico tenham de picar o ponto e prestar contas do seu trabalho efectivo porque ha abusos no serviço publico.
- Helena Pinto Nao concordo com o facto de haver um serviço publico e outro privado na saude. Havia de ser tudo privado e claro com a comparticipaçao do Estado. O que acontece actualmente é que muitos utentes sao mal atendidos no publico por medicos que lhes dizem para ir as suas consultas no consultorio privado para serem melhor atendidos: pois esses procedimentos sao uma vergonha!
- Baptista O desumanismo deste governo socialista deve estar a fazer corar de vergonha todos aqueles que acreditaram neles e os puseram lá, porque no fundo são corresponsáveis por todas estas mortes. Quando olho para o primeiro-ministro já começo a ver dois dentes a crescerem como os vampiros.Parede
- Nelson M Frontal entrevista! É nesse sentido, o do forte investimento dos Privados na Saude que vai o nosso país (Grupo Mello, BES). Investir na Saude, tem retorno garantido pois seremos um país de velhos a curto prazo. E se a estes cortarem o SNS, lá terão de ir aos Hospitais Privados para lá deixarem a baixa reforma pela qual trabalharam uma vida inteira.
- JC O fecho de algumas "urgências" é ou não é baseado num estudo elaborado por médicos ? É com base num estudo elaborado por médicos que estão a ser encerradas algumas salas de parto.
- Canadiano Sr. Ministro de Saude tenha vergonha e demita-se, se e um homem de bom senso, alem de estar debaixo das ordens do Sr. Primero Ministro como homen livre que penso que seja se nao concorda, demite-se. Agora, se concorda, deveria vir um dia a ser responsavel pelo danos causados a saude em Portugal.
- Canadiano O que este Governo precisa e de um golpe de Estado e responsabilizar os ministros pelas mortes ocorridas derivado as mudacas operadas pelo sistema de saude dado que com essas medidas estao a acontecer mortes desnecessarias sem o minimo respeito para com os cidadaos que pagam os seus impostos sem compensaçao adequada aos servicos que lhe sao prestados.

O Estado das Coisas - O 'soba' Nunes


* Rui Rangel, Juíz
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A atitude de António Nunes é lamentável. Ninguém está acima da lei, nem mesmo o seu fiscal.
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O inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) foi apanhado em flagrante a fumar a sua cigarrilha, na sala de espectáculos do Casino Estoril, às 02h30 do 1.º dia do ano, após a entrada em vigor da Lei do Tabaco. A atitude de António Nunes é lamentável e fere os valores da ética e da moral presentes em qualquer lei. Ninguém está acima da lei, nem mesmo o seu fiscal.

É verdade que a ASAE, sob a batuta do seu ‘soba’, tem feito um bom trabalho no mundo da restauração, pugnando pela saúde dos consumidores. Mas se este é um tributo público a ser prestado, importa, também, dizer que a ASAE, ultimamente, tem excedido as suas competências, tem trabalhado para a fotografia e para a sua visibilidade, sem que isso se traduza em ganhos de eficácia. Não se compreende que as acções desenvolvidas pela ASAE sejam previamente combinadas com alguns órgãos de Comunicação Social, que as têm transformado em campanhas de publicidade e de espectáculo. Não se compreende alguma falta de sensibilidade para perceber as dificuldades das nossas empresas e a nossa cultura, não obstante as directivas comunitárias, que nos querem obrigar a comer saladas ao pequeno-almoço.

Mas deixemos agora as acções da ASAE para voltar ao prazer do fumo do seu presidente. A cultura de arrogância, que o tem transformado em dono do reino, traiu-o e levou-o a agravar, com as declarações que prestou, uma situação que, embora delicada, podia ter sido resolvida com um humilde pedido de desculpas, justificada no facto, compreensível para todos, de se tratar da noite de Fim-de-Ano. Em vez disso resolveu escolher o caminho trilhado por gente que entende que a lei é só para uns, assumindo-se como defensor do lóbi dos casinos, ao referir que a lei do jogo, que tutela os casinos e salas de jogo, se sobrepõe à lei do tabaco. Esta declaração é tanto mais grave porque é feita pelo responsável da entidade que vai fiscalizar o cumprimento da lei. Não lhe compete reduzir o grau de eficácia da lei só porque foi apanhado em flagrante, ou seja, com o cigarro na boca.

Recorrendo aos elementos histórico, literal e sistemático e ao espírito da lei, resulta da leitura da Lei do Tabaco que os casinos e salas de jogos estão abrangidos pela proibição de fumar, por muito que custe a António Nunes. O que aqui está em jogo não é uma questão de hierarquia das leis (argumento sabiamente aproveitado por Assis Ferreira, responsável do Casino), mas a saúde do público e a dos empregados do casino. Será que, mais uma vez, vão ser sempre os mesmos a apagar os cigarros? A saúde do público que frequenta os casinos e a dos seus empregados, vale menos do que os lucros escandalosos do jogo? Não pode ser.

Está na moda a criação de ‘sobas administrativos’, com muito poder, para zelarem pela vida das pessoas a todo o custo, mesmo que para isso tenham de lhes tolher os direitos e as liberdades, subtraindo aos tribunais muitas competências, com o argumento da morosidade da Justiça. Mas nada se faz para combater as causas dessa morosidade. É um caminho que não augura nada de bom.

O ‘SOBA II’

As anunciadas alterações ao Código da Estrada, motivadas pela morosidade da Justiça, vão criar mais um ‘soba administrativo’, o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, que passa a ter competência para proceder à cassação das cartas de condução. É matéria clara de direitos, liberdades e garantias do cidadão, que vai ser retirada dos tribunais, única instância constitucionalmente competente para o efeito. A desjudicialização gratuita e sem regras é perigosa para as pessoas.
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in Correio da Manhã 2008-01.06

Domingo, Janeiro 06, 2008

A Semana Inter-Nacional (1)




Papa apela ao desarmamento nuclear
O Papa Bento XVI apelou esta terça-feira à realização de acordos para o desarmamento nuclear, afirmando-se preocupado com o aumento de países possuidores deste tipo de armamento, numa mensagem de celebração do Dia Mundial da Paz.
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Espanha: Nova lei leva mais de um milhão a deixar tabaco
Espanha registou uma acentuada descida no número de fumadores, dois anos após a entrada em vigos da lei anti-tabaco. Mais de 1,2 milhões de pessoas deixaram de fumar no país vizinho com a poibição do fumo nos locais de trabalho e, parcialmente, em bares e restaurantes, de acordo com dados do Comité Nacional espanhol de Prevenção do Tabagismo (CNPT).
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Taxas moderadoras mais caras
Os serviços de saúde voltam a aumentar de custo, com as taxas moderadoras a sofrerem, a partir desta terça-feira, um aumento de 2,1 por cento.
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Ministério da Saúde justifica aumento
O Ministério da Saúde justificou o aumento de mais de quatro por cento a pagar pelos utentes pelas taxas moderadoras das urgências com o facto de não ter ocorrido qualquer agravamento no acesso a mais de uma centena de exames.
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Correio da Manhã 2008.01.01
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Petróleo atinge os 100 dólares
O preço do petróleo atingiu esta quarta-feira, pela primeira vez na história, os 100 dólares por barril no mercado de Nova Iorque.
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Chipre e Malta aderem ao clube
Chipre e Malta fazem desde ontem parte da zona euro, aumentando para 15 o número de países da moeda única europeia nove anos após a criação desta união monetária.

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Papa pede acordos para desarmamento nuclear
O Papa Bento XVI mostrou-se ontem preocupado com o aumento de países com armas nucleares e apelou à obtenção de acordos concretos para o desarmamento. Numa mensagem dirigida pelo Sumo Pontífice da Igreja Católica a propósito do Dia Mundial da Paz, são ainda destacadas as questões ambientais.
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Fidel saúda meio século de resistência
Fidel Castro saudou na segunda-feira o povo cubano por “50 anos de resistência” frente aos Estados Unidos, numa mensagem escrita que foi lida na televisão estatal pouco minutos antes do fim do ano.
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Asilo político
Seis dos sete artistas cubanos conhecidos como Los Tres de La Habana acabam de desertar do seu país, refugiando-se nos EUA, onde entraram através da fronteira entre a Califórnia e o México.

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Cavaco questiona salários de luxo
Será possível reduzir a taxa de desemprego? Os sacrifícios da última meia dúzia de anos garantem um futuro melhor? Conseguirá o País aproximar-se do nível de desenvolvimento médio da União Europeia? Será que Portugal pode vencer? A estas interrogações o Presidente da República respondeu ontem, na sua mensagem de Ano Novo: “Estou convencido de que sim.”
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Ministro considera críticas de Cavaco oportunas
O ministro da Saúde, António Correia de Campos, considerou esta quarta-feira que a mensagem de Ano Novo do Presidente da República "dá voz às dúvidas e queixas dos utentes" e que as críticas de Cavaco Silva são "equilibradas e oportunas".
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Urgências aumentam mais do que inflação
As taxas moderadoras para as urgências hospitalares aumentaram ontem 4%, quase o dobro da inflação prevista (2,1%). Fonte oficial do Ministério da Saúde (MS) justifica este agravamento nas urgências, com o facto de não haver aumentos no acesso a mais de cem tipos de exames.

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BE critica omissão sobre ratificação de Tratado
O Bloco de Esquerda classificou de “omissão relevante e preocupante” o facto do Presidente da República não ter mencionado a assinatura do Tratado de Lisboa na sua mensagem de Ano Novo dirigida aos portugueses.
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PS saúda mensagem de Cavaco Silva
O PS classificou de "muito positiva e equilibrada" a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Cavaco Silva.
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CDS-PP salienta discurso realista e oportuno
O deputado do CDS-PP Nuno Melo avaliou a mensagem de Ano Novo do Presidente da República como um discurso “realista e oportuno” através do qual Cavaco Silva “chamou o Governo socialista à terra”.
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PCP critica mensagem de Ano Novo branda
A direcção do PCP reagiu à mensagem de ano novo de Cavaco Silva, considerando que o Presidente da República fez uma "avaliação branda face à dimensão dos problemas que o país atravessa".
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Urgências do hospital da Anadia encerraram hoje
As urgências do Hospital José Luciano de Castro, em Anadia, encerraram esta quarta-feira, às 08h00, como previsto.
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Vouzela: Vigília contra fecho do SAP
Duas centenas de pessoas participaram ontem à noite em duas vigílias de protesto pelo encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) de Vouzela e S. Pedro do Sul.
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Duelo político no BCP
Com a entrada de Miguel Cadilhe na corrida à administração do BCP a disputa que será decidida pelos accionistas a 15 de Janeiro transformou-se num verdadeiro duelo político entre PSD e o PS.
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Escolas sem nomes santos
As escolas Básicas e Secundárias vão deixar de ter santos ou santas na denominação oficial. A indicação partiu do Ministério da Educação, no âmbito da aplicação do Decreto de Lei n.º 299/2007, da Lei de Bases do Sistema Educativo.
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Concessões lançadas até Março
O Governo vai lançar até ao final de Março de 2008 os concursos para a concessão da construção das auto-estradas do Centro e do Litoral Oeste. No decorrer do segundo semestre do próximo ano será lançado o concurso para a auto-estrada do Alto Alentejo.
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Greve na recolha de lixo minimizada por privados
O Porto acordou ontem com os contentores de lixo a abarrotar, como consequência da greve dos cantoneiros, que contestam as diversas alterações aos seus horários de trabalho.
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A farsa da saúde
A aplicação da lei antitabaco é indecente e por muitas razões. Porque, por exemplo, o Estado se está perfeitamente nas tintas para a nossa saúde e bem-estar, co-mo pode ser constatado todos os dias nos hospitais civis e nos centros de saúde públicos.
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in Correio da Manhã 2008.01.02
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Preço do petróleo bate recorde
O preço do barril de petróleo no mercado de Nova Iorque ultrapassou esta quinta-feira pela primeira vez os cem dólares, tendo sido negociado a 100,05 dólares, depois de o departamento de Energia dos EUA ter revelado que as reservas desceram mais do que o esperado durante a semana passada.
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Companhias sobem preços da gasolina
O preço do barril de petróleo negociado em Nova Iorque atingiu ontem o máximo histórico dos 100 dólares mas as gasolineiras nacionais anteciparam-se e já aumentaram o custo do litro do gasóleo e da gasolina em 2,4 cêntimos e 2 cêntimos, respectivamente. Para Nuno Ribeiro da Silva, ex-secretário de Estado da Energia, “estas são péssimas notícias para Portugal”.

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Três milhões de dólares para países pobres
Portugal vai participar com três milhões de dólares no Fundo Multilateral de Investimentos II, gerido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, como forma de ajudar os países mais pobres da América Latina e das Caraíbas.
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Explosão mata na Turquia
Uma forte explosão provocou pelo menos quatro mortos e 68 feridos me Diyarbakir, a maior cidade do Sudoeste da Turquia, uma região de maioria curda. A Polícia local atribuiu o atentado aos rebeldes curdos.
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Paquistão: Comissão Eleitoral não sofreu pressões
A decisão da Comissão Eleitoral paquistanesa em adiar as eleições legislativas foi tomada sem qualquer pressão do Governo e após ter sido analisada a situação em que se encontra o país depois da morte da ex-primeira-ministra, garantiu esta quinta-feira o porta-voz daquele órgão, Kanwar Dilshad.
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Polícia queniana reprime opositores do Presidente
Centenas de apoiantes da candidatura de Raila Odinga, líder da oposição queniana, que saiu derrotada nas eleções de domingo, saíram esta quinta-feira às ruas de Nairobi em protesto contra o Presidente Mwai Kibaki, sendo alvo de uma forte repressão policial que fez disparos para o ar para dispersar os manifestantes.
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Genocídio denunciado
O presidente queniano, Mwai Kibaki, acusou ontem o partido do rival nas presidenciais de desencadear um “genocídio” no país. Raila Odinga, o suposto derrotado no escrutínio, retribuiu a acusação, frisando que o presidente “é responsável directo” por uma onda de violência que já custou a vida a pelo menos 300 pessoas e forçou mais de 75 mil a fugir de casa.

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Igreja afastou-se da democracia
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro José Rodríguez Zapatero, respondeu aos ataques da Igreja católica com um comunicado no qual fala de ataque à democracia e à liberdade.
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CML: Funcionários com interesses em processos
A sindicância aos serviços do Urbanismo da Câmara de Lisboa concluiu que há intervenção directa de funcionários da autarquia em processos em que têm interesses.
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Fisco recuperou 1627 milhões em 2007
A Direcção-Geral dos Impostos superou no ano passado o objectivo de 1600 milhões de euros de cobranças coercivas, atingindo 1627 milhões de euros, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Ministério das Finanças.
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Padres livres de impostos
Nos últimos três anos, os cerca de 1800 párocos portugueses, assim como os conselhos económicos das respectivas paróquias, pagaram ao Estado mais de 12,5 milhões de euros em IRS e Segurança Social, sem que fossem obrigados a fazê-lo.
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Pensões: Maioria mantém poder de compra
O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social garantiu esta quinta-feira que o aumento das pensões assegura a manutenção do poder de compra de 90 por cento dos pensionistas.
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CDS-PP propõe aumento intercalar de pensões
Os democratas-cristãos anunciaram esta quinta-feira que vão propor, no Parlamento, um aumento intercalar das pensões de reforma para que “os pensionistas não voltem a perder o poder de compra”.

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Governo quer alterar Código da Estrada
Quem cometer três contra-ordenações muito graves ou cinco contra-ordenações entre graves e muito graves, num período de cinco anos, pode ficar sem carta.
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Transportes públicos não aumentam até Julho
A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, garantiu esta quinta-feira que os bilhetes dos transportes públicos não voltarão a aumentar até ao mês de Julho, apesar da subida de preço dos combustíveis.

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Trabalhadores rescindem contratos
Os cerca de 40 trabalhadores da empresa têxtil Pinheiro Rocha, que ontem foram impedidos de laborar, decidiram esta quinta-feira rescindir contrato com a unidade fabril e deixar que o processo se resolva em tribunal.
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Presidentes: Salários 30 vezes superiores
Os presidentes das empresas portuguesas ganham, em média, 21 700 euros por mês, um valor 30 vezes superior ao do ordenado mensal médio dos trabalhadores por conta de outrem, que é de 720 euros.

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Exonerações na CML vão continuar
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), António Costa, anunciou esta quinta-feira que haverá mais demissões de responsáveis camarários, depois de ter exonerado dois directores e quatro chefes de divisão do departamento de gestão urbanística, na sequência da sindicância à autarquia.
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Costa demite dois directores municipais
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, demitiu dois directores municipais e quatro chefes de divisão do departamento de gestão urbanística, na sequência da sindicância ao Urbanismo da autarquia e por ter perdido a confiança em alguns dos responsáveis.
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PSP: Julgamento de tráfico de armas
Os 28 arguidos do ‘processo armas-PSP’, relacionado com posse e comércio ilegal de armamento e que envolve 16 funcionários da PSP, começam terça-feira a ser julgados.

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Cada morto na estrada custa um milhão de euros ao Estado
“Cada vítima mortal em sinistralidade custa cerca de 200 mil contos [um milhão de euros] ao Estado, segundo um valor de referência estipulado pela União Europeia”, revelou ontem ao CM o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Paulo Marques.
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Bem prega Frei Tomás
O inspector-geral da ASAE, António Nunes, foi apanhado a fumar num restaurante do Casino Estoril já na vigência da nova lei antitabaco. Podia ser um caso menor – mas não é. Nunes refugiou-se em legalismos, ainda por cima desrazoáveis.
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SMS batem recordes
As três maiores operadoras portuguesas de telecomunicações móveis anunciaram ter processado (enviado e recebido) um total de 2,4 mil milhões de mensagens escritas durante o Natal e o Fim-de-Ano, cerca de mais 1,5 mil milhões do que em 2006.
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Pessimismo em 2008
Os portugueses estão pessimistas quanto ao ano que agora começa. Tanto a nível pessoal quanto nas perspectivas para o País, a maioria dos inquiridos na sondagem Correio da Manhã/Aximage teme que 2008 seja pior que o ano que findou.

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Instituto público readmite arqueólogos avençados
A situação dos 37 avençados, na maioria arqueólogos, dispensados sexta-feira pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico(Igespar) deverá ser desbloqueada “a curto prazo”, mas nem todos serão readmitidos.
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Centros de saúde de Penafiel e de Amarante vão fazer abortos
Os centros de Saúde de Penafiel e Amarante começam no final do mês a fazer abortos medicamentosos, ‘aliviando’ o Centro Hospitalar do Vale do Sousa.
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Trabalhadoras em greve na maternidade
As trabalhadoras da empresa Nordigal, que asseguram a alimentação na Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, marcaram uma greve para os dias 16 e 17 para contrariar a imposição de horários semanais de 48 horas.
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A demissão é indiferente
A “inquietação” do Presidente da República quanto ao acesso dos portugueses a cuidados de saúde, anunciada na sua mensagem de Ano Novo, veio reacender as críticas ao ministro Correia de Campos.
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Obrigado, Dr. Cadilhe
Miguel Cadilhe não deverá vencer a corrida a presidente do BCP. Os compromissos com a equipa de Santos Ferreira são de tal dimensão que seria preciso um enorme volte-face para que o ex-ministro das Finanças ganhasse. Com o beneplácito do Governo e accionistas institucionais, do “herói” Berardo e do BPI, o próximo presidente do maior banco privado português está escolhido.
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O ano do pessimismo
O Governo regressa hoje ao ritual das quintas-feiras com o primeiro conselho de ministros do ano e um país que, no essencial, não mudou as perspectivas que já tinha para 2008.
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Correio da Manhã 2008.01.03.
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Rali Lisboa-Dacar cancelado
A edição 2008 do Rali Lisboa-Dacar foi cancelada esta sexta-feira, anunciou a empresa organizadora Amaury Sport Organization (ASO), que justificou a medida com razões de segurança e "ameaças directas contra a prova” na sua passagem pela Mauritânia.
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Nápoles atulhada em lixo
A cidade de Nápoles (sul de Itália) vive uma situação de emergência devido à acumulação de toneladas de lixo nas ruas, face à greve dos trabalhadores das lixeiras.

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PSD quer ouvir Constâncio até dia 15
O PSD afirmou esta sexta-feira que o governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, deverá prestar esclarecimentos sobre a averiguação a operações financeiras do BCP até ao dia 15 de Janeiro, data em que se realizará a reunião magna dos accionistas do maior banco privado português, ou abandonar o cargo.
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Quercus queixa-se de falta de diálogo
A associação Quercus acusou esta sexta-feira o Governo de José Sócrates de “falta de diálogo”, tendo pedido para ser recebida pelo Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro. Os activistas queixam-se de situações criadas pelos Projectos de Interesse Nacional (PIN) que colocam em causa reservas ecológicas em favor de aldeamentos turísticos ou de fábricas multinacionais.
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CDS-PP quer ASAE no Parlamento
Os democratas-cristãos querem ouvir o inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e o secretário de Estado e do Comércio, Fernando Serrasqueiro, no Parlamento, de forma a apurar eventuais abusos daquela força.
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Porta 65: 3561 candidaturas recebidas
O programa de apoio ao arrendamento Porta 65 Jovem recebeu até às 18h00 de ontem um total de 3561 candidaturas. A grande maioria dos candidatos procura apoio para, sozinhos, arrendarem casa em Lisboa.
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Reformas
Aumentos das pensões podiam ser superiores?
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43 cêntimos/dia para 1,6 milhões
Os pensionistas portugueses vão perder poder de compra ao longo deste ano. As actualizações das pensões ontem fixadas em Diário da República não vão além dos 2,7 por cento e este valor apenas é aplicado à pensão mínima, de 230,16 euros. A grande maioria dos reformados terá um aumento de 2,4 por cento, o que se traduz num acréscimo máximo de 43 cêntimos por dia para os 1,6 milhões que têm reformas até aos 400 euros mensais. O Governo defende que os valores garantem a manutenção do poder de compra mas o certo é que a subida dos bens essenciais tem sido superior.
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Táctica da petulância
Ferro Rodrigues disse aquilo que quase todos pensam, à esquerda ou à direita: quando o Governo exige sacrifícios deve usar de “menos arrogância” e “maior humildade”.
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Forte perda do BCP
O BCP, em valor de mercado, perdeu quase 614 milhões de euros nas duas primeiras sessões de 2008. Nos últimos seis meses, a capitalização bolsista do maior banco privado português caiu cerca de cinco mil milhões de euros. Ontem, o BCP desvalorizou-se 1,78 por cento, para 2,75 euros.
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A máquina de Macedo
Paulo Macedo saiu no ano passado do Fisco mas deixou a máquina bem oleada, o que permitiu ao Ministério das Finanças vangloriar-se de uma cobrança coerciva recorde de 1,627 mil milhões de euros em 2007.

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Empresas ameaçam fiscais
Os trabalhadores do Fisco têm receio em inspeccionar as grandes empresas. O novo presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) afirmou ontem que teve conhecimento de denúncias de inspectores da Administração Fiscal que sentiram o seu posto de trabalho ameaçado por grandes empresas.
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Doentes podem perder exames de diagnóstico
Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que precisarem de exames médicos de diagnóstico e terapêutica – análises clínicas, exames de radiologia (raio-X, TAC e ressonância magnética), electrocardiograma, ecocardiograma, entre outros – arriscam-se a ver recusada a realização dos exames médicos. As unidades privadas convencionadas admitem vir a recusar a prestação desses cuidados de saúde para a despesa não aumentar, uma vez que o Ministério da Saúde se recusa em pagar-lhes o aumento da procura desses cuidados.
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Dificuldades no fecho de SAP
A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) admitiu ontem “dificuldades” na implementação da nova rede de urgências de Viana do Castelo, que esteve agendada para 1 de Outubro de 2007 e prevê o encerramento de cinco serviços de atendimento permanente (SAP).
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Lista negra para clientes caloteiros
O Banco de Portugal está a trabalhar numa base de dados que vai reunir todos os incidentes de crédito que ocorram com clientes particulares. Segundo apurou o CM, a autoridade de supervisão já tem “luz verde” da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) para avançar com o projecto, que terá por base o número de identificação fiscal de todos os clientes bancários.
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Duplo emprego reina na Câmara de Lisboa
Os indícios de duplo emprego, com funcionários a acumular o emprego na autarquia com o exercício de funções em empresas privadas da mesma área de actividade, imperam na Câmara de Lisboa. O relatório da sindicância, ontem apresentado por António Costa aos vereadores, considera esta promiscuidade “preocupante” nos serviços urbanísticos; mas, segundo apurou o CM, “o duplo emprego abrange parte significativa da Câmara”.
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Mau tempo faz desalojados
Telhados pelo ar, infiltrações, casas e ruas inundadas, árvores caídas e estradas interrompidas: foi este o cenário ontem observado em quase todo o País. O vento forte e a chuva intensa causaram estragos em todas as regiões. Os casos mais graves registaram-se no Porto e no Montijo, onde duas famílias ficaram desalojadas por causa do mau tempo.
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Restaurantes testam clientela
A esmagadora maioria dos restaurantes e cafés optaram pela proibição de fumar com a entrada em vigor da nova lei do tabaco. Uma mudança de posição do sector da restauração depende de como as vendas evoluírem. Caso não se verifique uma quebra no negócio, encontrar um restaurante ou café onde se possa fumar será cada vez mais difícil.
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Ai não que não é
Aproximou-se a meia-noite e o País dividiu-se segundo as suas classes sociais: ou mandam SMS ou desatam aos tiros. Nos bairros pobres está instituído um modo de celebrar. É à pistola. Mal soam as doze badaladas, o pessoal pega nas armas, chega-se à janela e atira para o ar.
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Correio da Manhã 2008.01.04.
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Bento XVI apela ao fim da violência no Quénia
O Papa Bento XVI pronunciou-se este sábado pela primeira vez sobre a situação no Quénia, apelando ao fim imediato da violência e dos conflitos no país.
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Quénia: Oposição rejeita Governo de Unidade Nacional
O presidente do Quénia, Mwai Kibaki, propôs este sábado a formação de um Governo de Unidade Nacional, de forma a acabar com violência que tem assolado o país desde as eleições. A oposição recusou o acordo, mantendo a posição de que o chefe de Estado ocupa o cargo ilegalmente.
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O Método dos Discursos
As mensagens de Natal e de Ano Novo são como o bolo-rei e as passas: mesmo quem não gosta acaba por comer.
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Emprego não acompanhou economia
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) lamentou ontem que a evolução positiva da actividade económica em Portugal tenha sido insuficiente para impedir a escalada da taxa de desemprego em 2007 para um nível “historicamente elevado”.
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PCP responsabiliza Sócrates pela política do Governo
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, defendeu este sábado que uma remodelação governamental representaria apenas “um retoque ou maquilhagem”, considerando que o Primeiro-ministro, José Sócrates, é o principal responsável pela política do Governo.
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Pequenos partidos pedem ajuda a Cavaco
Os partidos portugueses que se encontram em risco de extinção devido a não terem o mínimo de cinco mil militantes, como a lei prevê, querem apresentar uma legislação alternativa e esperam contar com o apoio do Presidente da República, Cavaco Silva.
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A maioria destes partidos reuniu-se este sábado em Lisboa para discutir maneiras de enfrentar a extinção, tendo decidido para já apresentar uma proposta de lei que revogue o artigo da lei dos Partidos Políticos e um envio de um pedido de ajuda ao Chefe de Estado português.

Na reunião estiveram presentes representantes do PPM, Movimento Partido da Terra (MPT), Partido Nova Democracia (PND), Partido Nacional Renovador (PNR), Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), Partido Democrático do Atlântico (PDA) e Partido Humanista.
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Livro de reclamações obrigatório em mais serviços
Entrou este sábado em vigor a obrigatoriedade do livro de reclamações em todos os estabelecimentos de bens ou prestadores de serviços que se encontram instalados com carácter fixo ou permanente e tenham contacto com o púbico.
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Morgado confirma inquérito-crime ao BCP
A directora do Departamento de Investigação e Acção penal, Maria José Morgado, confirmou a abertura de um inquérito-crime no âmbito das denúncias de Joe Berardo sobre o BCP.
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Constâncio deve explicar-se ou sair
O governador do Banco de Portugal ou é ouvido pela Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças até ao próximo dia 15 ou deve abandonar o cargo. Assim exige o PSD.

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A força dos casinos a bem do tabaco
O presidente da ASAE não é fumador. Teve azar.
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PGR vai investigar empreendimentos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai investigar os protocolos estabelecidos entre a Câmara de Grândola e as empresas responsáveis pelo empreendimento turístico Costa Terra (Melides) e pelo projecto Herdade do Pinheirinho. Mas não só. Serão avaliados os projectos do Vale da Rosa, em Setúbal; Pesca Nova, em Mira e a zona sul da Mata de Sesimbra.
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Populismo e social democracia
As críticas a Cavaco Silva são sinal de cegueira de uma elite que recusa ver o perigo da injustiça que galopa
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Polícia terá acesso a dados
As operadoras vão ser obrigadas a guardar um registo de todas as telecomunicações processadas, durante o período de um ano, de acordo com um diploma aprovado ontem pela Assembleia da República. Isto significa que palavras-passe, nomes de utilizador e dados que identificam o titular da conta de email ou de telemóvel poderão ser facultados à polícia.
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PGR pondera fiscalizar
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, está a ponderar pedir a fiscalização sucessiva da lei de vínculos, carreiras e remunerações da Função Pública.
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Ronaldo avaliado em 100 milhões
O passe de Cristiano Ronaldo foi avaliado em 100 milhões de euros por um agente de futebol não especificado, segundo garante a edição de ontem do jornal inglês ‘Daily Express’, em artigo assinado.
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in Correio da Manhã 2008.01.05

2007 - Portugal - Ano Europeu das Desigualdades


Governo agrava condições de vida das mulheres
2007: Ano Europeu das Desigualdade

Por toda a Europa de descaracteriza o estado social e se aprofundam as desigualdades, a pobreza, a fome, a exclusão social. Em Portugal, segundo denuncia o MDM, são já mais de dois milhões de pobres que vivem abaixo do limiar da pobreza. E, mais uma vez, as mulheres são as que mais sofrem.

A Comissão Europeia declarou 2007 o «Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos». «Promover a igualdade de oportunidades para que se eliminem os factores de discriminação que possam subsistir em razões do sexo, origem étnica ou racial, religião ou crença, deficiência, idade e orientação sexual», era o alegado desígnio de todos os países da União Europeia.
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Em Portugal foi criada uma estrutura de missão para implementar o Ano Europeu da Igualdade (AEIOT), fazendo parte dela órgãos governamentais: a CIG, o IPJ, o IEFP, entre outros. No entanto, segundo o Movimento Democrática de Mulheres (MDM), «o Governo não adoptou e continua a não adoptar as medidas necessárias à promoção da igualdade efectiva, bastando-se com medidas propagandistas e de pouco alcance social, ao mesmo tempo que agrava as desigualdades e as condições de vida das mulheres».
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Um dos objectivos não concretizados pelo AEIOT foi o de «promover a igualdade de oportunidades de forma a alcançar uma sociedade mais justa». No emprego, por exemplo, denuncia o MDM, «em Portugal, as mulheres recebem, em média, menos 25 por cento de salário do que os homens, enquanto na Europa a diferença média é ainda de 15 por cento».
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Entretanto, o desemprego no nosso país não para de crescer. No 3.º trimestres de 2007 voltou a aumentar contando com 444 mil desempregados, o que representa uma taxa de 7,9 por cento.
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«Nas mulheres o número ascende a mais de 246 mil (55,5 do desemprego registrado), representando uma taxa de 9,3 por cento», recorda o MDM.
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Outro dado importante a reter é que em 2005, cerca de 90 por cento dos novos desempregados eram mulheres. «E esta é uma tendência que não para de crescer», alerta o movimento, sublinhando que «a taxa de desemprego entre os jovens é de mais do dobro da média europeia (16 por cento) e a taxa de emprego entre os mais velhos é de apenas 40 por cento, para 62 por cento da média europeia».
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«Os números dos despedimentos de mulheres grávidas e de queixas por discriminação não param de aumentar desde 1996», acrescenta.

Fraca protecção social

No que diz respeito à protecção social, Portugal também não tem motivos de orgulho. Segundo o MDM, as mulheres, que representam 71 por cento do número total de beneficiários, «continuam a ter os mais baixos níveis de protecção social na doença, na invalidez, na velhice, no emprego» e «recebem, em média, cerca de 60 por cento da pensão dos homens».
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De acordo com as estatísticas da Segurança Social, em Novembro, as mulheres representavam 54,8 por cento dos beneficiários do subsídio de desemprego, 64,7 por cento dos beneficiários do subsídio social de desemprego inicial, 63,3 por cento dos beneficiários do subsídio social do desemprego subsequente e 67,1 por cento dos beneficiários do prolongamento do subsídio social de desemprego.
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Ao nível da «saúde», «educação» e «sociedade», o MDM destaca que em Junho de 2007, «260 portuguesas deram à luz no Hospital Materno-Infantil de Badajoz, em consequência do encerramento da maternidade de Elvas» e «215 crianças nasceram em Coimbra e Leiria, devido ao encerramento da maternidade da Figueira da Foz».
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Neste ponto, o movimento de mulheres dá ainda importância às «denúncias de violência doméstica que duplicaram entre 1999 e 2006, ano em que morreram 39 mulheres – todos os meses há três mulheres assassinadas pelos maridos».

Distanciamento das populações

Relativamente à intenção de «aumentar o papel activo da sociedade civil a Parceiros Sociais», o MDM lamenta que o conceito de «papel activo» não tivesse passado pela «divulgação estereotipada de algumas iniciativas».
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«Os números demonstram à saciedade a distância entre o que se prometeu e anunciou e aquilo que foi efectivamente realizada, redundando na inexistência de ligação às populações, principalmente as camadas que são alvo de discriminações, e um distanciamento inaceitável da “sociedade civil”, aqui materializado pelas ONG, IPSS e outros Parceiros Sociais que são, afinal, o verdadeiro motor do combate às desigualdades», acusa o movimento.

Mudança de mentalidades é necessária
Novas formas de discriminação

O Governo PS prometeu ainda «implementar uma rede nacional de intervenção nas discriminações múltiplas». Para o MDM este foi um objectivo não concretizado.
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«As mulheres são o grupo sobre o qual recaem as maiores discriminações que as afectam em todas as áreas da sua vida: na participação cívica e política, no trabalho, na família, e a sua situação agrava-se de dia para dia. A situação vem-se adensando principalmente em relação às mulheres mais jovens que conhecem novas e mais rebuscadas formas de discriminação», lamenta o movimento, frisando que 2007 representou «o ano em que se conheceram de uma forma particularmente acentuada as discriminações específicas em função do sexo».
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Quanto ao objectivo de «promover a mudança de mentalidades eliminando papéis sociais tradicionais e desiguais para homens e mulheres», também ele não concretizado, o MDM recorda que sobre as mulheres «recaem os cuidados domésticos e os cuidados com a família».
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«A inexistência de uma rede pública de equipamentos sociais de apoio à infância, aos idosos e à família, de qualidade e a preços acessíveis, ao perpetuar a inacessibilidade da maioria das famílias portuguesas a estes equipamentos, vota das mulheres aos papéis tradicionais: à permanência da mulher como a responsável pelos cuidados domésticos em todas as suas dimensões», relata o movimento.

Despenalização da IVG
«Obscurantismo
e manipulação de consciências»


No que diz respeito a «eliminar as imagens estereotipadas e desiguais de homens e mulheres na sociedade – muitas vezes veiculadas pelos média», imagem que o Governo não foi capaz de apagar, o MDM lembrou que a passagem do Referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, em 2007, «evidenciou a tentativa de intoxicação, obscurantismo e manipulação de consciências e sentimentos norteada por uma mensagem da irracionalidade, futilidade, incapacidade e leviandade das mulheres portugueses por parte de alguns sectores sociais, e aqui, uma cobertura mediática que se pretendia isente e plural, não o foi».
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«Felizmente a população portuguesa votou “sim”, sendo esta uma vitória para todas as mulheres portuguesas, e um passo determinante na luta pelos direitos das mulheres», acentua o MDM, lamentando, por outro lado, a «discriminação salarial e a fraca representatividade das mulheres nos cargos de poder» e «a inexistência de adopção de políticas de verdadeira promoção da igualdade, por parte do Estado».
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in Avante 2008.01.03

Sábado, Janeiro 05, 2008

General assume «Operação Condor»


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Numa entrevista ao diário O Estado de São Paulo, o general Agnaldo Augusto admitiu a participação de forças brasileiras na «Operação Condor», que assassinou milhares de militantes comunistas e outros democratas opositores às ditaduras latino-americanas.
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O ex-membro dos serviços de informação do Estado e operacional da secreta no Paraguai, disse ao jornal que os seus homens recebiam informações sobre indivíduos em trânsito no Brasil, procediam à sua captura e entregavam-nos para serem executados fora do país. «Isso não é crime, pois não?», perguntou Agnaldo.
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in Avante 2008.01.03
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ver também

Nepal põe fim à monarquia



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Parlamento proclama República

O parlamento nepalês aprovou a abolição da monarquia e a instauração de um regime republicano no país. Com este desfecho, os comunistas voltam ao governo.

Por uma esmagadora maioria de 270 votos a favor num total de 321 deputados (84 por cento), a proposta de abolição da monarquia foi aprovada, sexta-feira, pelo parlamento do Nepal.
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A decisão alcançada após meses de negociações envolvendo as principais forças políticas da oposição, entre os quais o Partido Comunista do Nepal(maoísta), abre caminho à destituição do rei Gyanendra e à convocação de eleições gerais, previstas para meados de Abril deste ano.
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A futura assembleia representativa assumirá como principal objectivo a elaboração de uma Constituição democrática para o antigo reino dos Himalaias.
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O monarca agora deposto subiu ao poder em 2001 na sequência de um golpe militar. A acção de força foi realizada como resposta à chacina entre os absolutistas, na qual morreram uma dezena de membros da família real incluindo o homicida e então herdeiro do trono.

PCN(m) reassume pastas

Neste contexto de consenso quanto à mudança de regime político, os comunistas nepaleses anunciaram o seu regresso ao governo de unidade nacional, cuja participação havia sido interrompida formalmente a 18 de Setembro último devido a divergências de fundo com o primeiro-ministro, Girija Prasad Koirala, e os restantes seis partidos que compõem o executivo.
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Segundo informações apuradas pela agência de notícias do Nepal junto da direcção do PC do Nepal(m), sete comunistas devem assumir já a partir desta semana funções governativas e de representação do Estado.
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De acordo com a mesma fonte, que cita declarações do líder parlamentar do PC do Nepal(m), Krishna Bahadur Mahara, o ministério do Desenvolvimento Local ficará a cargo de Dev Gurung, o do Trabalho e Planeamento a cargo de Hisila Yami, o das Florestas e Conservação dos Solos a cargo de Matrika Yadav, e o das Mulheres, Crianças e Segurança Social a cargo de Pampha Bhusal.
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Padam Rai e Nabin Kumar B.K terão a responsabilidade de tutelar enquanto ministros de Estado as pastas do Desenvolvimento Local e das Mulheres, Crianças e Segurança Social, respectivamente, devendo também assumir funções um outro quadro do partido nas Relações Exteriores junto do Estado francês, isto apesar de Paris ter já recusado acreditar um comunista nos contactos diplomáticos que mantém com Katmandu.

Salto histórico

Entretanto, o presidente do PC do Nepal(m), Prachanda Path, considerou a abolição da monarquia no país um feito histórico cuja concretização prática não sofrerá retrocessos.
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Path lembrou ainda que a disposição legal aprovada no parlamento e o documento de 23 pontos subscrito por todos os partidos presentes, obrigam o cumprimento do processo de democratização do Nepal, cujo segundo passo é já em Abril com a realização de uma consulta popular.
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Recorde-se que durante o último ano e meio centenas de milhares de nepaleses exigiram nas ruas o fim da monarquia e a realização de um sufrágio universal livre e justo no país. As manifestações foram brutalmente reprimidas pela polícia e pelo exército fiéis ao rei Gyanendra, mas nem a violência travou os protestos.
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Com cerca de 30 milhões de habitantes, o Nepal é um dos países mais pobres do mundo, figurando no 197º posto no ranking de 229 nações quando se estima o PIB per capita.
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A vizinha Índia é o mais importante parceiro comercial do Nepal, cuja economia está fundamentalmente ligada à agricultura familiar de subsistência.
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Aproximadamente metade da população vive na miséria e parte considerável dos bens consumidos provêm da ajuda externa
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in Avante 2008.01.03
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foto retirada daqui, a visitar;

Tom Dempsey - A Trek in Nepal

O narco-Estado afegão






Com a desculpa do ataque terrorista contra as Torres Gémeas – algo que algum dia porá formalmente no banco dos réus os círculos mais reaccionários de Estados Unidos – George W. Bush apontou o melhor do seu material bélico contra o Afeganistão, que nada tinha a ver com o assunto. Passados vários anos sobre a invasão do martirizado país asiático temos um balanço que os grandes meios de comunicação, salvo uma ou outra excepção isolada, se negam a registar.
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O Afeganistão está à beira de se transformar num narco-Estado com cartéis da droga que supõem uma ameaça maior do que os insurgentes talibãs – lembremos que o regime talibã foi imposto por Washington – para o futuro do país. A afirmação é de um tal James Jones. Se o nome pouco ou nada diz ao leitor, acrescentamos que se trata do comandante da NATO na Europa. Numa entrevista dada ao International Herald Tribune [1] afirmou textualmente «que não é o ressurgimento dos talibãs, mas sim o vínculo da economia com a produção da droga, o crime, a corrupção e as actividades do mercado negro o que impõe um maior perigo para o Afeganistão».
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Ao fim de uns quantos anos da invasão que supostamente ia salvar o país de não se sabe muito bem o quê, a política de Bush conseguiu alguns resultados «heróicos». Em 2005, a produção de heroína chegou às 4500 toneladas e o Afeganistão tem o duvidoso registo de ser o país de onde sai 95% da heroína que anda pelo mundo... incluindo, claro está, os Estados Unidos. Curiosamente, os talibãs tinham acabado com o cultivo da papoila – ponto de partida para a produção de heroína – mas hoje em Kandahar, região a cerca de mil metros de altitude e a 400 km de Cabul, semear papoila é o negócio do momento, no qual estão envolvidas milhares de crianças porque o fruto da papoila lhes fica comodamente à altura da cabeça. Esta actividade é praticamente a única da região e a miudagem trabalha ao lado dos pais para que a família ganhe mais uns tostões. Bush deve estar satisfeito com a obra conseguida.

Quem sai aos seus...

Bush é aquilo que se sabe – e talvez ainda haja muito que não sabemos – mas tem raízes profundas para o ser. Não é preciso recuar muito no passado para encontrar um mestre do fascista cada vez mais descarado que as multinacionais colocaram na Casa Branca com a esperança de conseguir um controlo total do mundo.
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O vovô do Bush dos nossos dias respondia ao nome de Prescott Bush e tinha como genro George Herbert Walker, um dos mais ardentes partidários de Hitler nos Estados Unidos, que pela relação familiar conseguiu um lugar de director num banco de Wall Street, o Union Banking Corporation, propriedade do sogro. Entre 1924 e 1936, o banco deste Bush financiou o regime nazi através de diferentes tipos de operações financeiras que totalizaram 50 milhões de dólares, quando esta moeda não estava tão de capa caída como nos nossos dias. Segundo a causa n.º 248 do governo dos Estados Unidos, uma boa parte dos activos do banco serviu para apoiar o esforço de guerra nazi, o que levou posteriormente a que a Allien Property Custodian embargasse os fundos correntes do banco do velho Bush e iniciasse duas novas causas – as 259 e 261 – para fazer o mesmo com outras duas instituições do Union Bank Corporation, igualmente sob influência nazi: a Holland American Trading Corporation e a Seamless Steel Equiment Corporation. Não é novidade que várias grandes firmas norte-americanas tiveram excelentes relações com os nazis, mas poucas como as de Bush e do seu genro colaboraram com Hitler mesmo depois de Pearl Harbour.
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O papá Bush não andava muito longe do seu progenitor. Em 1988, quando ainda não era mais do que a mão direita de outra figura trágica – Ronald Reagan – Bush pai, o da primeira invasão ao Iraque, teve de riscar da equipa de promoção presidencial várias figuras de proa porque o Washington Jewish Weekly descobriu que havia lá figuras graúdas do movimento neonazi dos Estados Unidos, entre eles Jerome Brentar, revisionista do holocausto que negava a existência das câmaras de gás, e Akselis Mangulis, que trabalhou sob as SS durante a II Guerra Mundial. Quando rebentou o escândalo, Bush afastou esses e outros colaboradores incómodos, mas uma vez ganhas as eleições voltaram quase todos aos seus lugares no partido Republicano.
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Contada esta pequena história, nada pode surpreender deste Bush.

[1] Maio de 2006
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in Avante 2008.01.03
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A desestabilização do Paquistão




O mundo transitou para 2008 sob o signo da turbulência. A desconfiança e o nervosismo tomam conta das praças financeiras internacionais, expondo as fragilidades da descomunal economia de casino que molda o capitalismo contemporâneo. A gravidade da alastrante crise financeira global é tal que o primeiro-ministro britânico Gordon Brown na sua mensagem de Ano Novo já a qualifica como «o desafio mais imediato para todas as economias». No reverso da moeda, intensifica-se a escalada ofensiva e o aventureirismo do imperialismo, aumentando ainda mais o grau de imprevisibilidade e risco no mundo, onde as desigualdades e desequilíbrios não param de se agravar.
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Neste contexto, a morte violenta de Benazir Bhutto no crepúsculo de 2007 surge, mais além da carga simbólica prenunciadora da tormenta, como marca impressiva do carácter sumamente perigoso, instável e de profunda incerteza da época actual.

Internamente, o assassinato «previamente anunciado» mas não evitado da líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP) é mais uma acha na desestabilização e divisão do Paquistão que atravessa uma das piores crises desde a sua fundação em 1947.
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Mas a convulsão deste país de cerca de 165 milhões de habitantes não deixará de se repercutir em toda uma vasta região, do Médio Oriente à Ásia Central e sub-continente indiano, incluindo as fronteiras da China e os «contrafortes» da Rússia.
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Esta situação só confirma o carácter explosivo da famigerada estratégia da «guerra ao terrorismo», encabeçada pelos EUA. Mais: é ao imperialismo e à sua prática intervencionista e neocolonialista que têm que ser assacadas as principais responsabilidades da realidade que conduziu à morte de Bhutto e coloca em risco a unidade do país e região.

O crescente desgaste e desprestígio do regime ditatorial do Presidente Musharraf obrigam Washington a congeminar novos cenários. A apologia da democracia, repetida exaustivamente, soa a farsa intolerável. A aparente tentativa de impor um «pacto» de divisão do poder, permitindo o regresso do exílio de Bhutto, fracassou. Na véspera do atentado fora revelada a existência de um acordo com o Governo de Musharraf para instalar no país tropas dos EUA, no âmbito do combate à insurgência afegã (The Washington Pos, 26.12.07), possibilidade também defendida pela líder desaparecida do PPP.
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A história mostra porém que a estratégia de dominação do imperialismo se move sempre em múltiplos tabuleiros. É oportuno lembrar aqui a extensa teia promíscua que num passado recente juntava a CIA, a ditadura e secreta paquistanesas (ISI), o obscurantismo e fundos sauditas, os mujaedine e, depois, o regime dos taliban. Agora decretou a cruzada universal contra o «inimigo de estimação» ainda há pouco municiado, impondo a engrenagem da «guerra ao terrorismo» e avançando na profusão de regimes fantoches. No Afeganistão anuncia-se a próxima nomeação de um «super-pretor» da NATO, actuando em nome da ONU! E quando o manto desta não é possível, envereda pelo caminho da mais aberrante ilegalidade, como é o caso actual do Kosovo.

Estratégia de dominação que só a luta das massas poderá inverter. O factor chave da mudança no sentido de um mundo melhor reside na sua acção e no protagonismo das forças políticas que representam as suas genuínas aspirações de justiça, progresso e soberania. No Paquistão, como no mundo.
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in Avante.2008.01.03
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imagem retirada daqui

hildegard.kittel/Budismo

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Hoje há «Música» no Galeria & Photomaton

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A despropósito ....


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Call girls, call boys


Call girls, call boys

O solstício de Inverno, celebrado pelos povos do hemisfério Norte desde tempos imemoriais como a vitória da luz (o Sol) sobre as trevas, o princípio da renovação da natureza com dias cada vez maiores e mais quentes até ao novo retorno da Primavera que irá desabrochar em todo o seu esplendor nas sementes do futuro, essa ancestral comemoração, dizia, foi transformada pelo Imperador Romano Constantino I, no ano de 336 d.C., na festa do nascimento de Cristo. O vasto império de então, abraçando (e impondo) o cristianismo inculcou na civilização ocidental um novo paradigma: em vez do nascimento do Sol, passa a assinalar-se num dia fixo – 25 de Dezembro – o nascimento do «salvador da humanidade».
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Vários impérios depois, a data apropriada pela igreja de Roma transformou-se num pretexto para o delírio consumista numa sociedade que aliena os valores que era suposto serem a sua essência. A justiça, a solidariedade, a paz e a fraternidade entre os homens são incensadas para mais facilmente serem trucidadas, tornadas meros temas de discursos descartáveis até à próxima época natalícia.
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Tornou-se também habitual, por esta altura, lançar no mercado produtos com sucesso anunciado à força de campanhas bem oleadas. Dos brinquedos aos livros, dos electrodomésticos aos filmes, ninguém escapa aos apelos garantindo felicidade, satisfação e qualidade. Este ano o pacote trouxe ao País um filme «como nunca se viu», um «retrato da realidade nacional» sem tabus nem pudores, «condenado» a atrair multidões e a facturar milhões. Call girl de seu nome, diz que é a história de uma prostituta e de um autarca corrupto. A originalidade parece residir no facto de o corrupto ser comunista, o que não tendo tradução na realidade – onde abundam casos do PS, PSD e CDS, mas não do PCP – arrisca ser tomado como o único rasgo de criatividade do cineasta em causa, também conhecido pelas suas andanças nos meios futebolísticos mais ao menos ligados ao poder, onde abundam call girls e call boys bem instalados na vida, que isto de prostituição tem muito que se lhe diga e de corrupção nem se fala. Será um sinal dos tempos, em tempo de falsos solstícios, mas por mais que se invente e deturpe... o Sol brilhará para todos nós.
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in Avante 2008.01.03

Hoje há música ...

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TEMPO DE ESPERANÇA?






TEMPO DE ESPERANÇA?

Na sua Mensagem de Ano Novo, o Presidente da República, apreciando a evolução da situação do País no ano que passou, qualificou de «tempo de esperança», este que vivemos.
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Tal «esperança» decorre, naturalmente, da visão optimista do PR no que respeita à evolução por ele detectada em 2007 – uma visão que, ao contrário do que prognosticaram diversos analistas e politólogos, apresenta sensíveis convergências com a apreciação feita há uma semana pelo primeiro-ministro José Sócrates.
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Como não podia deixar de ser, a «Presidência Portuguesa» teve honras de destaque, embora sem novidades na apreciação: com efeito, o PR limitou-se a expressar o seu «regozijo» pelo «êxito» da dita Presidência e a repetir a estafada e monocórdica oração de louvor com a qual, desde há semanas, temos vindo a ser flagelados: o prestígio de Portugal nos píncaros da Europa etc, etc.
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Sobre as consequências trágicas - para os trabalhadores, o povo e o País - do que, no decorrer da dita «Presidência Portuguesa», foi decidido, o PR não se pronunciou – certamente porque, também aí – não obstante o golpe vibrado na independência e soberania nacional - apenas vê aspectos positivos.
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Nas restantes áreas abordadas na «mensagem», as coisas, segundo o PR, melhoraram. «Não tanto como desejaríamos», é certo, mas não se pode querer tudo, não é verdade?...: «melhorou o crescimento da nossa economia»; «há sinais positivos na educação das crianças e jovens»; e, em matéria de Saúde, «seria importante que os portugueses percebessem para onde vai o País» nessa matéria – já que, se perceberem, «poderão avaliar melhor aquilo que tem sido feito»...
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Em resumo: o ano que passou foi positivo, mas é preciso que o que aí vem seja ainda mais positivo – para o que, diz o PR, «todos temos que dar o nosso melhor» porque «é preciso o trabalho e a determinação de todos».
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Finalmente, o PR sublinhou a gravidade de dois dos problemas que mais o preocupam: «a baixa natalidade» e «os mortos em acidentes rodoviários».

Minutos antes de ouvirmos a Mensagem do PR, os vários canais de televisão davam notícia dos aumentos dos preços dos bens essenciais e de serviços públicos básicos, que vão entrar em vigor este mês.
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Trata-se de aumentos brutais e sempre acima (em vários casos muito acima) da taxa de inflação prevista pelo Governo – previsão que, como sabemos, fica sempre abaixo da realidade. O que significa que as já tão degradadas condições de vida da imensa maioria dos portugueses vão degradar-se ainda mais neste «tempo de esperança» anunciado pelo PR.
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Aumentos do pão, do queijo, do leite, da manteiga, do azeite, do arroz, do açúcar, da massa, da cerveja, do tabaco; aumentos dos transportes públicos e das portagens; aumentos das prestações das casas; aumentos da electricidade, da água e do gás; aumentos das taxas moderadoras. Enfim, aumentos de tudo o que é indispensável à sobrevivência das pessoas e que, por isso, vão aumentar o número de pobres e dos que passam fome – dos excluídos da esperança.
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É claro que quando os telejornais anunciaram estes aumentos, o PR já tinha a sua «mensagem» escrita e, nisso residirá, provavelmente, o facto de, não apenas não ter dedicado uma só palavra a tamanha calamidade, como ter ousado qualificar de «esperança» este tempo que vivemos...
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A não ser que no pensamento do PR estivesse como destinatária dessa «esperança» a imensa minoria de portugueses composta pelos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros e pelos seus amplos staffs, aí incluídos os governantes – isto, apesar da crítica, aliás tímida e inócua, aos altos salários dos gestores...

«Devemos concentrar-nos no que é essencial» - disse o PR, a dada altura.
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E foi, certamente, obedecendo ao seu conceito de «essencial», que não falou nos ataques aos direitos dos trabalhadores; nas perseguições, chantagens e represálias de que são vítimas os que, no uso de direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa lutam por melhores condições de trabalho e salariais; no desemprego que atingiu, em 2007, o seu índice mais elevado desde o 25 de Abril; nesse brutal atentado aos direitos humanos que é a precariedade – que atinge já mais de um milhão e meio de trabalhadores.
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Foi, certamente, na obediência a esse conceito de «essencial» que, em matéria de saúde, o PR apelou aos portugueses para que percebessem «o que está sendo feito»: encerramento de centros de saúde, de maternidades, de urgências e serviços de atendimento permanente – encerramentos cirúrgicos, na medida em que ocorrem precisamente onde mais precisos são e mais falta fazem.
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Foi, certamente, a partir desse conceito de «essencial» que o PR não disse uma palavra sobre os contínuos ataques, no decorrer do ano de 2007, à Constituição da República Portuguesa – de cujo cumprimento ele jurou, em acto de posse, ser garante - através de uma prática política que afronta e despreza a Lei Fundamental do País e que tem vindo a conduzir ao crescente empobrecimento do conteúdo democrático do regime: limitações e violações crescentes aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, intimidações à actuação dos sindicatos, atentados à liberdade de expressão e ao direito de propaganda.

Tempo de esperança? Sem dúvida. Não a «esperança» anunciada pelo PR, mas a esperança que decorre da confiança na luta dos trabalhadores, das populações, dos estudantes, dos micro, pequenos e médios empresários, dos reformados e pensionistas, enfim, de todos os que são vítimas desta política de direita. Luta que no ano que passou atingiu níveis dos mais elevados de sempre. Luta que no ano agora iniciado se perspectiva ainda mais forte.
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in Avante 2208.01.03

O Ano que aí vem



O ano que aí vem

O período do Natal é, todos os anos, o momento privilegiado para os media abordarem de todas as formas e feitios os problemas da exclusão social e da pobreza.

Para não fugir à regra, este ano foram abundantes as referências às situações de miséria que não param de aumentar e às manifestações de solidariedade muitas vezes para disfarçar a caridadezinha, tão ao gosto de alguns, em geral não isentos de culpa perante a preocupante situação social a que o País chegou…
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Pode mais uma vez dizer-se que a generalidade da comunicação social, como de costume, se ficou pela constatação dos factos: A pobreza e a exclusão não param de aumentar.
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Já quanto às causas e aos responsáveis por este estado de coisas…nada!
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Mas nem tudo são desgraças. Ficámos a saber pelo primeiro-ministro que o País dá sinais de recuperação e que no próximo ano é que vai ser!
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Mas… de que País falava Sócrates? Do País em que a precariedade não pára de crescer e com mais de meio milhão de desempregados e com centenas de empresas encerradas e com as multinacionais a abandoná-lo?
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Do País onde salários, reformas e pensões continuam objectivamente a diminuir e os preços sempre a aumentar?
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Do País onde as assimetrias regionais se fazem sentir cada vez mais?
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Do País onde se encerram serviços públicos e se destrói o Serviço Nacional de Saúde?
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Do País onde a imensa maioria dos portugueses vive cada vez pior e onde, ao mesmo tempo, os bancos e os grandes grupos económicos vão acumulando lucros fabulosos?
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As dúvidas, se as houver, sobre quem beneficiará dessa recuperação anunciada, dissipar-se-ão rapidamente.
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A verdade é que o novo ano começa como de costume… a 1 de Janeiro e, como de costume, com os aumentos generalizados de preços de bens e serviços, em regra acima da inflação prevista. Pois é. Estas previsões irão, como é habito, servir para limitar os aumentos salariais e, por via disso, fazer com que continuem a ser os mesmos a pagar a factura, já que a inflação verdadeira, aquela que os portugueses sentem no seu bolso, é sempre muito acima das previsões e das estatísticas.
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E o novo ano vai ficar marcado pela confirmação de que existe mesmo um bloco central de interesses que, ano após ano, leva por diante as políticas de direita, que se vai alternando na concretização dessas políticas, com o apoio e ao serviço do grande capital.

2008 de luta

Até aqui nada de novo. O que é relevante é que depois de PS e PSD terem cozinhado, entre outros, os acordos para a alteração da legislação eleitoral, que a irem por diante, lhes permitirão alternarem-se e eternizarem-se no poder, se venha assistir à repartição de tachos entre uns e outros, na praça pública e com um à vontade que repugna e provoca indignação.
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No ano novo que aí vem, o Governo do PS vai prosseguir a sua ofensiva de destruição dos serviços públicos, como se tem visto nos últimos dias de 2007, com o encerramento de diversos serviços de saúde.
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Vai trabalhar, em nome da modernidade, na alteração da legislação laboral para oferecer ao patronato a possibilidade de despedir sem justa causa, para acabar com o horário de trabalho e para bloquear a contratação colectiva.
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A esta ofensiva, vão somar-se os contínuos ataques à Constituição da República e que visam desvirtuar e descaracterizar o regime democrático e limitar as liberdades.
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Ou seja, como de costume, o PS vai fazer aquilo que PSD e CDS gostariam de poder ter feito e por essa razão, têm tanta dificuldade em fazer de conta que são oposição.
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Com toda a certeza, 2008 será um ano de resistência e de luta.
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Será um ano de resistência contra as políticas de direita e de luta por melhores condições de vida, por melhores salários, pelo direito ao emprego com direitos, contra o encerramento de serviços públicos;
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Será um ano de luta em defesa do direito à saúde;
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Será um ano de luta contra o Tratado de Lisboa – que ao contrário do que afirmou Sócrates, é bastante prejudicial para o País – e pela exigência de um amplo debate nacional e pela realização de um referendo, onde os portugueses se possam pronunciar sobre matéria tão importante e negociada nas suas costas.
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Será um ano de luta em defesa das liberdades e da democracia, onde, entre outros, o exercício de direitos cívicos, sindicais, de propaganda, são parte integrante deste combate.
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Um ano durante o qual os comunistas serão chamados a dar o melhor de si não apenas para enfrentarem a ofensiva que aí vem, mas também para prosseguirem o seu combate por uma mudança a sério, por uma rotura com as actuais políticas de direita e por um outro rumo e uma nova política que sirva o povo e o País.
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Uma nova política assente num projecto nacional de emancipação e de progresso, capaz de respeitar direitos e garantias dos trabalhadores e de concretizar a elevação das condições de vida do povo português.
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Os trabalhadores e o povo português precisam de um PCP fortalecido, como condição fundamental para o êxito deste e doutros combates que aí vêm.
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Em 2008, ano do nosso 18.º Congresso, precisamos de transformar a crescente simpatia e respeito pelo PCP em mais força organizada. Vamos a isso!
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in Avante 2008.01.03

Terça-feira, Janeiro 01, 2008

Caminheiro caminhando se faz o caminho



* Victor Nogueira
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CAMINHANTE CAMINHANDO SE FAZ O CAMINHO (1)

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Em que lugar e tempo sossegarei
A que porto chegarei
Em que ombro descansarei
Este imaginar sonhando
Este buscar sem fim buscando
Este querer não querendo

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Este estar não estando
Este chegar partindo
O caminho que seguirei !?


1986.Maio.03

Setúbal

Caminhante caminhando se faz o caminho (2)

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Este imaginar sonhando
Este buscar sem fim buscando
Este querer não querendo
Este estar não estando
Este chegar partindo
O caminho que seguirei!

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Em que lugar e tempo sossegarei?
A que porto chegarei?
Em que ombro descansarei?

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CAMINHANTE CAMINHANDO SE FAZ O CAMINHO (3)

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d’Este imaginar sonhando
d’Este buscar sem fim buscando
d’Este querer não querendo
d’Este estar não estando
d’Este chegar partindo
d’O caminho que seguirei!

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Em que lugar e tempo sossegarei?
A que porto chegarei?
Em que ombro descansarei?

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1988.Julho.24

Setúbal

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CAMINHANDO INTERRoGATIVAMENTE

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Caminhando o caminho, bem ou mal,
Partindo a derrota que seguirei,
Em busca daquilo que serei
Usando faladura em areal.

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É razão instinto de animal?
Acordado pe(r)di o que sonhei?
Como águia ou pardal não voei
Atolado em verde lamaçal?

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Como posso dormir ficando desperto?
Onde vivem o amor e o ódio?
Como fazer a paz estando em fera guerra?

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Como afastar do mundo o mar, deserto,
Afastando a dormideira do ópio?
Caminho em busca do sol na terra!

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imagem das pegadas retirada daqui

durangomes.spaces.live