Sexta-feira, Julho 31, 2009

Alta no índice de desemprego preocupa Obama




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O presidente estadunidense Barack Obama se mostrou preocupado nesta quinta-feira (2) pela perda de 467 mil postos de trabalho em junho, o que elevou a taxa de desemprego no país para 9,5%.


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Em breves declarações sobre um novo projeto de energia renovável, o chefe da Casa Branca admitiu que se trata de um número "para refletir", pois é uma alta vertiginosa em apenas um mês e a maior em 26 anos.

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Obama qualificou a situação de "pouco consoladora" para as pessoas sem trabalho e os mais afetados pelo que considerou "uma tormenta econômica" em seu país.

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Obama apontou que "é necessário demonstrar tudo o que a nação pode fazer para conseguir crescimento saudável e próspero, em particular os esforços por uma economia limpa, sem contaminação e que economizaria ao país milhões de dólares.

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Obama argumentou que, em meio à atual crise econômica, "é imprescindível criar mais empregos no campo energético, por ser o futuro que necessita a nação".

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O número de empregos perdidos superou os 363 mil esperados pelos analistas, mostrando as dificuldades que a economia americana enfrenta para sair da crise e da recessão.

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Com os dados de junho, já são 14,7 milhões os americanos desempregados, em resultado do problema econômico herdado da administração George W. Bush, assegurou a secretária do Trabalho, Hilda Solís.

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O relatório divulgado pela secretaria, indica que o índice de desemprego baixou levemente para os latinos, agora em 12,2%, mas bem acima da média nacional, enquanto que os negros seguem em um nível ainda mais elevado, de 14,7%.

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Os jovens americanos em idade de trabalho ostentam a taxa de desemprego mais elevada, ao bater em 22,7%.

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Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, a maior economia do mundo perdeu 6,5 milhões de postos de trabalho e a taxa de desemprego aumentou 4,6 pontos percentuais, segundo o Departamento de Trabalho.

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Washington e os analistas do setor privado esperam que o índice de desemprego aumente no resto do ano, à medida que se dilua o impacto do estímulo econômico de US$ 787 bilhões administrado desde fevereiro deste ano pela administração Obama.

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Agência Prensa Latina
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in Vermelho - 2 DE JULHO DE 2009 - 18h30
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People Weekly's World: salário mínimo é insuficiente



Celeste Henderson é uma mãe que hoje em dia está no noticiário, mas apenas como estatística. Ela é um dos milhões de trabalhadores de baixa renda que são afetados pelo aumento do salário mínimo na próxima sexta-feira. O salário mínimo nacional será aumentado de US$ 6,55 para US$ 7,25 a hora.

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Por John Wojcik, para o People's Weekly World


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Essa mãe solteira de 26 anos trabalha como garçonete, enquanto cria seu filho de três anos em uma casa onde também vivem sua mãe, pai e irmãos.

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Ela disse que chorou muito durante mais de um ano depois do nascimento de seu filho, em parte porque o pai da criança "não queria ver seu filho" e em parte porque "tenho de passar dias e noites no restaurante".


"Mas já deixei de chorar por causa disso", disse ao jornal do PC dos Estados Unidos, People Weekly's World, e "o aumento de salário já me fez sorrir de novo".

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O restaurante no qual trabalha Celeste está situado no centro da cidade de Topeka.

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"Sou garçonete e como não é um restaurante grande, não temos ajudantes que limpem e eu termino por fazer tudo sozinha", disse. "O pagamento não é muito bom, embora seja um pouco maior nos fins de semana, quando há pratos especiais, servidos em rodízio".

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Celeste explicou que o dono do local é cuidadoso e que ela ganha, além do salário, as gorgetas. Ela disse que o patrão paga os US$ 6,55 por hora garantidos pelo governo federal.

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Disse que se sentia "emocionada" pelo aumento, "por que sei que eu não vou chegar em casa com menos que US$ 7,25 a hora, para cada hora a mais que fizer também".

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Celeste diz que dá graças aos bons vizinhos de Meriden. Randy, seu filho, "conseguiu toda sua roupa e quase todos os seus brinquedos dados pelos vizinhos, cujos meninos que já cresceram bastante".

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"Tudo isso dá voltas na minha cabeça. Setenta centavos a mais por hora. Quem sabe agora conseguirei comprar alguma coisa. Me sinto muito envergonhada de não poder comprar até coisas pequenas para meu bebê".

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"Em alguns anos ele estará pronto para is à escola. Tomara que com este aumento eu consiga economizar um pouco para comprar o que ele precisar".

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"Eu gostaria de comprar um brinquedo novo para ele, que fosse especial, uma coisa que não tivesse sido usada. Já imaginou como ele ficará feliz?", pensa ela. Os economistas dizem que o poder de comprar um tal brinquedo "especial" por milhões de mães como Celeste Henderson poderia estimular um bocado a economia.

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Kai Filion, economista para o Instituto de Política Econômica, organização apoiada pelos sindicatos, diz que os aumentos no salário mínimo são "uma maneira política muito efetiva e simples que cumpre com ambos, ajudar as famílias que estão lutando para viver e a meta de criar empregos".

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"Aumentando a renda líquida que as pessoas obtém em seus empregos, os trabalhadores conseguem segurança econômica e a capacidade de poder comprar bens e serviços e, assim, criar empregos para outros americanos", assinalou Filion.

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O movimento sindical e os economistas progressistas apontam que, entretanto, até com um salário mínimo mais alto, os trabalhadores americanos ainda seguem perdendo.

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"Embora tenham um aumento no salário mínimo para US 7,25 a partir de amanhã para os 4,5 milhões de trabalhadores estadunidenses que ganham o mínimo", esse salário compra menos do que comprava há 30 anos, de acordo com Heidi Shierholz, outra economista do Instituto de Política Econômica.


O problema da baixa no salário real, isto é, o que alguém pode comprar com o que recebe, para a maioria da classe trabalhadora é um problema que os ricos não tem.


"A parcela do um por cento de cima da pirâmide está vivendo muito bem", de acordo com um relatório publicado pelo Instituto nesta semana. Os ricos "mais que duplicaram sua renda entre 1979 e 2006. A renda do um por cento dos mais ricos cresceu cerca de 23%, isto é, cresceu em média US$ 1,3 milhões por cada lar".


A AFL-CIO reportou que os chefes das corporações receberam quase US$ 2, 1 bilhões dos US$ 6,4 que todo mundo recebeu em salários pagos no país durante o ano de 2007. Isso não inclui o valor de ações e outros benefícios que essas pessoas tem.

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"A classe trabalhadora dos Estados Unidos mostrou em novembro do ano passado que, resolutamente, quer uma mudança", disse a federação sindical em um comunicado, "temos de refazer o marco da nação para fortalecer a classe média e acabar com a desigualdade de renda entre os de cima e o resto de nós é algo fundamental para fazer essas mudanças".

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Atualmente muitos estados estão tratando de aumentar o salário mínimo. Como exemplo, o Partido Democrata de Michigan declarou esta semana que estão considerando uma iniciativa para aumentar o salário mínimo por meio de um referendo, onde os eleitores decidirão se aumentarão o salário mínimo no Estado de US$ 7,40 para US$ 10 a hora.

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People's Weekly World
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in Vermelho - 30 DE JULHO DE 2009 - 17h35
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Quinta-feira, Julho 30, 2009

Lucros do Deutsche Bank crescem 68%

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os lucros do deutsche bank cresceram quase 400 milhõesO maior banco alemão, o Deutsche Bank aumentou os seus lucros do segundo trimestre deste ano em 68 por cento. Segundo revelou o banco esta terça-feira, a subida dos resultados foi impulsionada pela banca de investimentos, apesar do aumento das provisões para o crédito malparado. Em Abril, Maio e Junho deste ano, o banco alemão registou lucros de 1,09 mil milhões de euros, uma grande subida em relação aos 649 milhões de euros um ano antes. Estes resultados superaram a previsão dos analistas.
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Segundo o presidente executivo do Deutsche Bank, Josef Ackermann, os resultados trimestrais são «satisfatórios».

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Entretanto, o Deutsche Bank está a ser investigado por um possível crime de espionagem.

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Segundo revelou na semana passada o diário «Financial Times», o banco contratou detectives para seguir membros do seu próprio conselho de supervisão.

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A agência de protecção de dados do Estado de Hesse, onde está situado o banco alemão, pediu às autoridades que determine porque é que estão a ser levadas a cabo pesquisas de foro criminal dois meses depois do próprio banco ter contratado externos para fazerem esse serviço.

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A má reputação do banco na sequência da divulgação deste caso não tem contudo impedido os lucros de crescerem.

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in Esquerda.net - 28-Jul-2009

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Portugal - Bancos lucram 4 milhões por dia em tempo de crise

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O presidente da Associação de Bancos, João Salgueiro, conversa com Ricardo Espírito Santo, presidente do BES. Foto Paulo Carriço/Lusa
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A crise parece não ter chegado aos bolsos dos banqueiros. Os quatro maiores bancos privados portugueses apresentaram no final do primeiro semestre deste ano 760,7 milhões de euros de lucros, uma subida de 17,4 por cento em relação a 2008. Na prática, corresponde a 4 milhões de euros de lucros por dia. Por outro lado, os impostos pagos pelos bancos desceram 16,7%, menos 32,4 milhões de euros.
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Apesar da crise, os quatro grandes bancos privados protugueses, BES, BCP, BPI e Santander Totta, apresentaram no final da primeira metade de 2009 lucros de 760,7 milhões de euros, uma subida homóloga de 17,4 por cento.

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O Santander Totta foi quem apresentou os maiores lucros com 278 milhões de euros, mais 1,7 por cento do que nos primeiros seis meses de 2008. O Banco Espírito Santo (BES) teve um resultado líquido de 246,2 milhões de euros, menos 6,8 por cento do que há um ano. Em terceiro lugar surge o Millennium BCP, que passou de lucros de 101,4 milhões de euros na primeira metade de 2008 para 147,5 milhões de euros, uma variação positiva de 45 por cento, enquanto que o BPI obtvee lucros de 89 milhões de euros, dez vezes mais do que no mesmo período do ano passado.
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Ao mesmo tempo, desceu o montante dos impostos pagos pela banca: menos 16,7%, o que corresponde a uma diminuição de 32,4 milhões de euros.
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A subida dos lucros é também explicada com ganhos extraordinários relacionados com certas operações financeiras, e com imparidades e sub-valorização das contas de 2008. Retirando estes factores, os lucros dos quatro maiores bancos desceram 5,6%. Ainda assim, corresponde a mais de três milhões de euros por dia de lucro efectivo.
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No entanto, há também a sublinhar que não fosse o crédito malparado e os bancos teriam lucrado mais 51%. As provisões para fazer face ao aumento do crédito malparado realizadas pelos grandes bancos privados aumentaram 64% nos primeiros seis meses deste ano, ou seja, mais 257,25 milhões de euros. Sem essa condicionante, os lucros dos quatro maiores bancos teriam chegado aos mil milhões de euros, mais de 5 milhões de euros por dia.

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In Esquerda.Net - 30-Jul-2009

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Luanda: Autoridades destruíram bairros de lata deixando milhares sem casa

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O governo de Eduardo dos Santos prometeu construir casas para os pobres
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Str/Reuters
O governo de Eduardo dos Santos prometeu construir casas para os pobres


Centenas protestam

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* Sabrina Hassanali Com agências
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Centenas de pessoas expulsas de bairros de lata dos arredores de Luanda marcharam até ao Centro de cidade para protestar contra o despejo e exigir compensações. "Devolvam-nos as nossas casas", gritavam repetidamente os manifestantes à medida que avançavam para junto da Assembleia Nacional, tendo sido dispersados à bastonada por forças de segurança, algumas com cães.

Este foi o maior protesto de todos os que houve desde a semana passada, quando se iniciaram os despejos. Até a passada segunda-feira, as forças de segurança já tinham desalojado milhares de residentes de bairros de lata ilegalmente construídos e destruído as casas.

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Ontem, o desespero dos recém--desalojados era evidente. Rosa Agostinho, de 24 anos, sentou-se sobre escombros da sua casa, com o filho de um ano ao lado, a chorar. "Fiquei sem nada", soluçava. Ali perto, outros residentes tentavam salvar alguns dos seus bens por entre as ruínas.

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A organização não-governamental angolana SOS Habitat assegurou que mais de 15 000 pessoas ficaram sem casa. "É uma das maiores operações de despejo dos últimos anos. É uma clara violação dos direitos humanos", comentou Luís Araújo, daquela organização.

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O governo justifica que essas terras são necessárias para projectos de desenvolvimento de interesse público. Estes despejos integram-se num plano para melhorar as condições de vida em Luanda, o qual prevê a construção de casas para os pobres num outro lugar.

APONTAMENTOS

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UM MILHÃO

O presidente Eduardo dos Santos prometeu construir um milhão de casas em quatro anos para os mais pobres. Um projecto orçado em 50 mil milhões de dólares.

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BAIRROS DE LATA

Mais de cinco milhões de pessoas – isto é, um terço da população angolana – vivem em bairros de lata sem água potável ou electricidade nos arredores da capital angolana.

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ORÇAMENTO

O Parlamento angolano aprovou ontem o orçamento revisto para 2009 – 2,6 biliões de kwanzas (23,3 mil milhões de euros). Luanda prepara-se para negociar com o FMI.

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in Correio da Manhã -
29 Julho 2009 - 00h30
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Religião: Regulamentação da Concordata sobre a assistência nos hospitais e prisões


Igreja e Estado de acordo

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A Igreja Católica e o Estado chegaram a acordo sobre a assistência religiosa nos hospitais, prisões, forças armadas e de segurança. A regulamentação será aplicada a todas as confissões religiosas. A assistência religiosa passa a ser considerada uma prestação de serviços: os capelães serão pagos segundo a tabela em vigor e tendo em conta o número de pessoas a que prestam assistência.
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continua em
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Portugal - Liberdade de Culto e Assistência Religiosa



in Correio da Manhã - 29 Julho 2009 - 00h30

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Os 10 mais ricos de Portugal

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Belmiro de Azevedo
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direitos reservados Américo AmorimAmérico Amorim
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Riqueza: Crise Financeira tem impacto nos mais ricos do país

Amorim e Belmiro perdem milhões

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*Raquel Oliveira
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As fortunas dos portugueses mais ricos encolheram pelo segundo ano consecutivo. O valor global atinge os 2,7 mil milhões de euros mas, individualmente, os milionários portugueses continuam muito ricos, com Américo Amorim a manter o primeiro lugar da tabela dos ‘dez mais’, de acordo com a revista ‘Exame’.


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O agravamento da crise financeira continua a ter impactos nas fortunas dos bilionários nacionais, avaliadas em 17,7 mil milhões, a maior parte delas intimamente ligada a empresas e aos mercados de acções .

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A análise da revista ‘Exame’ conclui que as grandes fortunas voltaram a perder valor este ano (cerca de 8,5 por cento), depois de terem estado sempre a crescer entre 2004 e 2007.

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Américo Amorim, conhecido empresário do sector da cortiça e com uma posição relevante na Galp Energia, manteve o primeiro lugar que tinha alcançado em 2008, apesar de registar perdas de mais de mil milhões de euros.

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Mais atingido pela crise tem sido Belmiro de Azevedo, de 71 anos, que entre 2004 e 2007 deteve o título do homem mais rico de Portugal e que em dois anos perdeu mais de metade da fortuna. Em euros, a desvalorização do seu património atingiu, nos dois últimos anos, os 1,5 mil milhões.

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Aliás, as perdas de Belmiro de Azevedo levaram à sua saída da famosa lista dos mais ricos do Mundo, elaborada pela revista ‘Forbes’, em que Américo Amorim ocupa agora a 183ª posição.

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MAIS RICOS

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AMÉRICO AMORIM: 2.005,7 MILHÕES DE EUROS

Dono da maior corticeira do Mundo, o empresário detém posições importantes em empresas como a Galp e o Banco Popular, depois de ter vendido sectores aos espanhóis.

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BELMIRO DE AZEVEDO: 1.437,8 MILHÕES DE EUROS

Conhecido como o ‘patrão da Sonae’, é um dos empresários mais conhecidos do País. Nos dois últimos anos a fortuna desvalorizou perto de 1,5 mil milhões.

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OS OUTROS AFORTUNADOS NA LISTA DOS DEZ MAIS RICOS

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VASCO MARIA GUIMARÃES JOSÉ DE MELLO: 1.245,5 MILHÕES DE EUROS

O presidente da Brisa é o principal rosto da família Guimarães de Mello. A extensa família de José Maria Guimarães de Mello detém a terceira maior fortuna do País.

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MARIA DO CARMO MONIZ GALVÃO ESPÍRITO SANTO: 731,8 MILHÕES DE EUROS

É a mulher mais rica do País. A sua fortuna foi avaliada tendo em conta a sua participação nos grupos Espírito Santo e Santogal, grupo de comércio automóvel.

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LUÍS SILVA: 695,6 MILHÕES DE EUROS

Ex-tenente-coronel da Força Aérea, criou um império a partir de uma pequena empresa de distribuição de filmes do sogro (a Lusomundo), que vendeu à PT. Hoje, é dono da Cinvest.

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ALEXANDRE SOARES SANTOS: 665,11 MILHÕES DE EUROS

Entrou no Grupo Jerónimo Martins em 1968 como administrador-delegado, tendo posteriormente ocupado o lugar de presidente do conselho de administração.

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JOÃO PEREIRA COUTINHO: 645,8 MILHÕES DE EUROS

Envolvido em várias áreas de negócio, desde o ramo automóvel às telecomunicações, o empresário é dono da SAG. No Brasil emprega cerca de mil pessoas e factura 175 milhões de euros.

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SALVADOR CAETANO: 637,4 MILHÕES DE EUROS

Aos vinte anos, criou a fábrica de Carroçarias Caetano & Irmão Lda, que foi o embrião do Grupo Salvador Caetano, que em 1968 se tornou o único representante da Toyota no País.

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JOE BERARDO: 618,2 MILHÕES DE EUROS

Empresário madeirense já foi condecorado por dois presidente da República (Ramalho Eanes e Jorge Sampaio) e é um dos maiores accionistas do BCP, entre outras participações.

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MANUEL SOARES VIOLAS: 610,48 MILHÕES DE EUROS

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Líder do grupo Solverde, que entre outros detém o Hotel Solverde, o Casino de Espinho e o Casino de Vilamoura, é também presidente do conselho de administração do grupo Unicer.

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PORMENORES

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MÉDIA DE IDADES

A média de idade dos milionários portugueses é 65 anos, de acordo com a revista ‘Exame’, que analisou as datas de nascimento dos 25 mais ricos.

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MAIS NOVO

O milionário mais novo, João Nuno Macedo Silva (que lidera do grupo RAR), tem 44 anos e a avaliação do património ronda os 494,46 milhões de euros.

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MULHER MAIS RICA

Maria do Carmo Espírito Santo Silva mantém-se como a mulher mais rica de Portugal, com uma fortuna avaliada em 731,8 milhões de euros.

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BILL GATES É O HOMEM MAIS RICO DO PLANETA

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Bill Gates recuperou este ano o título do homem mais rico do Mundo, destronando Warren Buffett, garante a revista ‘Forbes’, responsável por fazer anualmente as contas às ao dinheiro dos mais afortunados do Planeta. Mas a crise internacional também se fez sentir a este nível de riqueza: a ‘Forbes’ reduziu a sua exclusiva lista de 1125 para ‘apenas’ 793 multimilionários.

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O fundador da Microsoft, de 53 anos, tem uma afortuna avaliada em 28,4 mil milhões de euros e, ainda assim, registou perdas de 13 mil milhões de euros. Mas Warren Buffett perdeu mais. O último lugar deste pódio conta com um mexicano, Carlos Slim, investidor de telecomunicações e que chegou a comprar uma participação na PT no meio da OPA da Sonaecom.

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in Correio da Manhã -30 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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30 Julho 2009 - 10h19 | Ricardo A
Isto parte-me o coração, deviamos fazer uma vaquinha para ajudar os desgraçados. Eu posso entrar com 5€. Almada.
30 Julho 2009 - 08h31 | Victor C
Há uns tempos para cá que não durmo por causa disto!
30 Julho 2009 - 08h15 | S.A.
Vamos lá tugas, o voto também conta...
30 Julho 2009 - 02h15 | fernando monteiro
coitadinhos têm que ir pedir esmola
30 Julho 2009 - 02h13 | Pinho
Coitadinhos.Há pessoas q migam,com 200€.Noticias sobre os pobres e ñ milionários,q despem pessoas e vivem à grande...
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Umberto Eco: Berlusconi, o inimigo das liberdades



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O chefe do governo quer amordaçar a informação. E na nossa sociedade doente parece que a maioria dos italianos também está disposta a aceitar esta infração. Porém, o intelectual famoso diz: “Não estou de acordo”.

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Por Umberto Eco*


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Não sei se será o pessimismo devido à idade avançada, se a lucidez que a idade traz consigo, mas tenho as minhas dúvidas, não isentas de ceticismo, quanto a intervir a instâncias das redações em defesa da liberdade de imprensa. O que pretendo dizer é que, quando alguém tem de intervir em defesa da liberdade de imprensa é porque a sociedade, e com ela uma grande parte da imprensa, já está doente. Nas democracias a que podemos chamar “fortes” não é preciso defender a liberdade de imprensa, porque não lembra a ninguém limitá-la.
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Essa é a primeira razão para o meu ceticismo, de onde deriva todo um corolário. O problema italiano não é Sílvio Berlusconi. A história, diria eu desde Catilina para a frente, está contaminada por aventureiros não isentos de carisma, com muito pouco sentido de Estado, mas com um sentido agudo dos seus próprios interesses, que desejaram instaurar um poder pessoal passando por cima dos parlamentos, magistraturas e constituições, distribuindo favores pelos seus cortesãos e (às vezes) cortesãs e identificando o seu próprio prazer com o interesse da comunidade. O que acontece é que tais homens nem sempre conquistaram o poder a que aspiravam, porque a sociedade não o permitiu. Quando a sociedade o permitiu, porquê levar a mal esses homens e não a sociedade que lhes deixou fazer o que queriam?


Lembro-me sempre de uma história contada pela minha mãe, que com vinte anos tinha conseguido um bom emprego como secretária e datilógrafa de um deputado liberal. Deputado liberal, foi o que eu disse. No dia seguinte à subida ao poder de Mussolini, o deputado em questão disse assim: “Mas, no fundo, com a situação em que se encontra a Itália, pelo menos esse homem sabe como pôr as coisas em ordem”. Pois bem, se se instaurou o fascismo não foi devido à personalidade enérgica de Mussolini (oportunidade e pretexto), mas sim à indulgência e consentimento daquele deputado liberal (representante exemplar de um país em crise).
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Por conseguinte, é inútil virarmo-nos contra Berlusconi que, digamos assim, faz o seu papel. Quem aceitou o conflito de interesses, quem aceita as rondas, quem aceita a lei Alfano [lei que garantiria a imunidade aos quatro mais altos cargos do Estado – N.T.] e quem agora aceitaria sem grandes pruridos a mordaça que puseram à imprensa (por enquanto de forma experimental), se não fosse o presidente da República levantar reservas, é a maioria dos italianos. Se uma cuidadosa censura da Igreja não estivesse neste momento a turvar a consciência pública, esta mesma nação aceitaria sem vacilar e incluso com uma certa cumplicidade maliciosa que Berlusconi recebesse acompanhantes, mas isso depressa estará ultrapassado, porque os italianos e os bons cristâos em geral desde sempre foram às putas, por muito que o padre diga que não está bem.

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Porque dedicar então a estes alarmes um número do L’Espresso, se sabemos que o jornal vai chegar às mãos de quem já está convencido destes riscos da democracia e, em contrapartida, não será lido por quem está disposto a aceitá-los desde que não lhe faltem com a ração de Big Brother e que de muitos casos político-sexuais no fundo bem pouco sabe porque uma informação em grande parte submetida a controle nem sequer se lhes refere?
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Porque fazê-lo? O porquê é muito simples. Em 1931, o fascismo impôs aos professores universitários, que então eram 1.200, um juramento de fidelidade ao regime. Apenas se recusaram 12 (1%), que perderam o lugar. Há quem diga 14, mas isso mais não faz que confirmar até que ponto o fato passou então despercebido, deixando uma memória um tanto vaga. Muitos outros que logo seriam personagens eminentes do antifascismo do pós-guerra, inclusive aconselhados por Palmiro Togliatti ou Benedetto Croce, fizeram o juramento para poderem continuar a difundir o seu ensino. Pode ser que os 1.188 que ficaram tivessem razão, por diferentes motivos, todos eles respeitáveis. Mas os 12 que disseram não salvaram a honra da Universidade e, em definitivo, a honra do país.

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É essa a razão para às vezes se ter que dizer não, ainda que se seja pessimista e se saiba que não vai servir para nada.

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Pelo menos que a gente possa um dia dizer que o disse.
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* Umberto Eco, escritor, é diretor da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha. Texto publicado no jornal italiano L'Espresso. Tradução: Jorge Vasconcelos para ODiario.info.

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O Diário.info
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in Vermelho - 29 DE JULHO DE 2009 - 13h52
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Bento XVI e a Encíclica «A Caridade na Verdade» (Caritas in Veritate).


Ali-babá e os 40 ladrões...

Os últimos dias vieram trazer, àqueles que como todos nós se interessam pelo papel determinante desempenhado pelo Vaticano nas áreas da política, da economia e da organização social do mundo moderno, tomadas de posição muito curiosas. Vale a pena recordarmos algum noticiário recente.
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Conforme estava previsto (e um tanto à pressa...) reuniu-se o G8, mais conhecido como o Clube dos ricos, constituído pelos países mais industrializados do mundo. O encontro durou três dias, realizou-se em Itália e tinha uma agenda de trabalhos verdadeiramente muito complexa: crise económica mundial, proteccionismos, equilíbrio cambial, alterações climáticas e ajuda a África. Ao fim e ao cabo, ninguém se entendeu e o comunicado final é banal e evasivo. O capitalismo criou um monstro que ameaça agora devorá-lo. E os capitalistas não sabem o que fazer. Pesando os riscos que tudo isto encerra, é uma leitura a ter em atenção.
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Ainda que oficialmente o facto não estivesse previsto, a grande vedeta deste encontro de grandes senhores acabou por ser o Vaticano. Com a Santa Sé ali a dois passos, multiplicaram-se as entrevistas e as conversações dos altos responsáveis financeiros e políticos com o Papa. Tudo como se fosse a versão actualizada de «Ali-babá e os 40 ladrões». A caverna dos tesouros foi visitada pelos ladrões.
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Vendo bem, se o vedetismo concedido a Bento XVI não estava previsto, a encenação fulminantemente montada aponta em sentido contrário. Desde o primeiro dia do encontro do G8, desde que o Papa, dramatizando, apelou aos crentes para que concentrassem as mentes e orassem, a fim de que os políticos capitalistas tomassem decisões favoráveis a Deus e à Igreja!..
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Depois, Bento XVI recebeu os responsáveis máximos do neocapitalismo – nomeadamente Obama – no Vaticano. Por último, tirou da cartola e distribuiu uma nova encíclica sua intitulada «A Caridade na Verdade» (Caritas in Veritate).
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É impossível aceitar-se que todos estes cenários não tivessem sido a seu tempo montados.
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Conversa cifrada e o «Abre-te Sésamo»
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Numa primeira leitura, esta encíclica é simultaneamente frouxa e altamente ameaçadora para os caminhos democráticos ainda abertos à humanidade. Por um lado, nota-se que há uma grande massa de repetição de saber, ou seja, que Ratzinger reedita o palavreado piedoso tantas vezes repisado por ele e pelos seus antecessores. É o caso dos temas do trabalho, da pobreza, da espiritualidade, da ética e da bioética, da caridade, das causas do subdesenvolvimento, etc., etc. Por aqui, nada de novo. Trata-se da técnica da «árvore que oculta a floresta».
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Por outro lado, no entanto, o documento deve merecer muita atenção. O Vaticano tem um poder efectivo sobre povos e nações, na política, nas finanças internacionais e nas instituições católico-capitalistas como, aliás, Bento XVI reconhece nesta encíclica «Caridade na Verdade»: «A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento se Deus encontrar também lugar na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, económica e, particularmente, política». Maquiavel ou Escrivá de Balaguer, diriam outro tanto.
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Mas Ratzinger alia as suas propostas à imediata passagem à acção. O Estado nunca deveria estar separado da Igreja. A doutrina social católica deve ser reconhecida como «estatuto de cidadania». A caridade é a via mestra da doutrina social. O mercado não pode exercer uma função social e económica sem que sejam instaladas no Estado formas permanentes de solidariedade e de confiança recíprocas.
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Depois, Bento XVI serve o «prato forte» da sua culinária: a ONU não chega, é inoperante; é urgente a reforma da arquitectura financeira mundial: é necessário que as finanças voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produção da riqueza e do desenvolvimento. Assim sendo, Bento XVI propõe, do alto da sua cátedra pontifícia, uma «alta autoridade» que disponha de poderes absolutos sobre o funcionamento da ONU e que, literalmente, a refunda.
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Ratzinger falava com os 40 ladrões aos quais pregava o abre-te Sézamo que lhes há-de permitir cruzar as portas do Paraíso e encher de novo com tesouros a devastada caverna do capitalismo mundial.
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Tarde de mais. Os trabalhadores e os explorados não se deixarão enganar. Os ricos, as grandes fortunas, não abandonarão as suas rivalidades e a ganância que é a sua característica principal. O capitalismo será vencido pela firmeza das lutas de classe.
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in Avante . 2009.07.23
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Ler AQUI:
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"Caritas in veritate" Carta Encíclica, Bento XVI

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Portugal - Patronato nega Direitos dos Trabalhadores


Exemplo de dignidade e firmeza
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Há uns dias ficámos a conhecer mais um caso sobre como o patronato, muitas vezes de formas diferentes, procura chantagear, caluniar e impedir a concretização dos direitos de quem trabalha e das suas organizações. Sendo mais um entre tantos, este «caso» assume algumas particularidades.
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A entidade patronal da Fersoni, empresa do sector têxtil e vestuário sediada em Famalicão, decidiu dar mais um passo na sua já escandalosa acção de terrorismo psicológico contra os trabalhadores e as suas organizações. Uma história curta mas muito elucidativa. Tudo corria bem na empresa, até que as trabalhadoras tiveram a ousadia de, em Maio de 2006, eleger como delegada sindical Fátima Coelho – uma trabalhadora que há cerca de 25 anos trabalha neste grupo e que até Maio de 2006 tinha uma ficha disciplinar limpa, sem qualquer repreensão ou castigo.
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A partir do momento em que é eleita delegada sindical, a empresa iniciou um processo de autêntico terrorismo psicológico com vista a «dobrar» a delegada. Em Setembro de 2006, é-lhe instaurado um processo disciplinar por ter cometido o «crime» laboral de se ter levantado da linha de produção para ir buscar água para beber: cinco dias de castigo é o resultado da «gula» da trabalhadora.
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Em Dezembro de 2006, é novamente instaurado a Fátima um novo processo disciplinar, onde esta é acusada de roubar uma peça de vestuário, que levou ao seu despedimento. O processo é rapidamente contestado pelo sindicato e, após julgamento e depois de se ter provado a inocência o tribunal decide a sua reintegração, o que se vem a concretizar em Abril de 2008.
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A empresa, que tudo fez para se livrar da trabalhadora, não aceitou de bom grado a decisão do tribunal e, como tal, decidiu que não pagaria os salários em dívida à delegada sindical, tendo sido necessário recorrer a uma execução judicial de património da empresa para que se efectuasse o pagamento.
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Chantagem e perseguição
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A delegada sindical, numa postura de grande resistência e consagração dos direitos, é eleita, em Maio de 2008, para a direcção do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes; mais tarde para a direcção da União dos Sindicatos de Braga e, já em 2009, para a FESETE, federação sindical do sector.
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A participação sindical da agora dirigente, em particular na utilização dos tempos para a sua actividade sindical, efectua-se nos estritos termos em que o CCT e a lei prevêem. Lei e CCT com os quais a administração da Fersoni não está de acordo e, como tal, desencadeou uma nova ofensiva contra a trabalhadora, que passou por diversas formas. O objectivo era objectivamente atingi-la, afectar a sua dignidade, voltar contra si as restantes trabalhadoras. Em suma, criar um clima que levasse a trabalhadora a ceder do exercício dos seus direitos e deveres sindicais.
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Em Junho deste ano, Fátima Coelho recebe pela mão da empresa 333 euros (o correspondente ao seu salário), valor pago em moedas de 1 euro e de 1 cêntimo, uma postura que se insere numa estratégia de profunda humilhação. No dia 14 de Julho, a trabalhadora é impedida de entrar na empresa, informada que se encontra suspensa e que lhe tinha sido mais uma vez instaurado um processo disciplinar que era susceptível de colocar em risco a sua relação laboral com a empresa.
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Na véspera, a administração da Fersoni tinha posto a circular na empresa um abaixo-assinado que os trabalhadores eram «convidados» a assinar e onde eram colocados perante as seguintes opções: ou a permanência da Fátima Coelho ou o futuro da empresa.
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Cinco questões do nosso tempo
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Entre outros, este «caso» revela cinco questões que se enquadram muito claramente no momento político, económico e social em que nos encontramos.
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1. Questão salarial: a notícia vinda a público centrou-se em grande medida na forma de pagamento do salário (em moedas), mas não deu grande destaque ao conteúdo, ou seja, o valor. Esta trabalhadora aufere o Salário Mínimo Naconal (450 euros) e a empresa Fersoni é associada da ATP, associação patronal que está claramente a procurar bloquear a contratação colectiva, e onde a primeira proposta avançada foi de zero por cento de aumentos salariais;
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2. Chantagem que o patronato exerce sobre os trabalhadores, que neste caso assumiu a forma de «a Fátima ou a empresa». Mas temos visto de outras formas: a redução de salários ou a empresa; o sábado à borla ou a empresa; a passagem a contractos precários ou a empresa. Várias formas que têm sempre denominadores comuns – aumento da exploração, redução salarial e desregulação dos horários;
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3. Ataque ao movimento sindical de classe, aspecto muito claro neste processo. Os ataques da empresa coincidem com o reforço da organização sindical na empresa;
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4. O aspecto mais relevante e comum em todos estes acontecimentos é, sem dúvida, a resistência e luta desenvolvida pelos trabalhadores e pelas organizações de classe. É neste quadro de grande pressão que se têm desenvolvido importantes jornadas de luta e resistência que, assumindo formas diversas, constituem contributos fundamentais para travar as pretensões do patronato e do Governo.
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São disto exemplo a luta e resistência dos trabalhadores da Autoeuropa e do Arsenal do Afeite. Em várias empresas e sectores, o exemplo de trabalhadores, delegados, activistas e dirigentes de ORT`s que, com a sua postura digna, vertical, cujo o único interesse é a defesa dos direitos de quem trabalha, têm sido um exemplo para todos os seus camaradas trabalho, como é o caso de Fátima Coelho.
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5. E, por último, mas não menos importante, a solidariedade activa do PCP em toda esta luta de resistência e de exigência de mudança de rumo. Os trabalhadores podem continuar a contar com o seu partido de classe, podem contar com o PCP para continuar a lutar e resistir, com a certeza de que também não abdicaremos nem nos vergaremos perante as pretensões do patronato e da política de direita. Os trabalhadores podem continuar a contar com este grande Partido da luta, mas também de proposta, munido de soluções para uma vida melhor.
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in Avante - 2009.07.23
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O Capitalismo e a Negação dos Direitos Humanos


Comentário
Ataque à liberdade e à democracia
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Não há hoje na União Europeia (UE) documento de referência que não refira a «democracia», a «liberdade», a «justiça» e os «direitos humanos» como «valores comuns» que unem os seus países. A prática é, no entanto, bem diferente da propaganda.
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A prática da UE é a negação dos «valores» que afirma defender em muitas matérias. É a negação quando desrespeita a vontade do povo irlandês e lhe impõe um novo referendo sobre um Tratado (de Lisboa) que já tinha sido rejeitado por esse povo e pelos povos francês e holandês. É a negação quando procura atacar os direitos dos trabalhadores na flexigurança, na privatização dos serviços públicos da saúde, energia e transportes. É a negação quando a UE é parte do ataque a direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, como no caso dos «voos da CIA», com sequestros e torturas, ou na crescente selectividade e criminalização dos imigrantes.
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Foi em nome desses «valores comuns» que se criou, em 1993, com o Tratado de Maastricht, o chamado «Espaço Único de Liberdade Segurança e Justiça», no âmbito da Justiça e Assuntos Internos (JAI) da UE, em articulação com os EUA e com a NATO. Os atentados de Nova Iorque (EUA), em Setembro de 2001 levaram a fortes medidas de «excepção», posteriormente alargadas, em grande medida, à UE. Os atentados de Madrid em Março de 2004 e mais tarde, em Londres, em Julho de 2005, geraram o caldo de medo sobre o qual se «justificou» a importação dessas medidas ditas de combate ao terrorismo.
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No âmbito da presidência sueca do Conselho da UE, está prevista a aprovação de um plano de acção para a JAI no período 2009-2014, o Programa de Estocolmo, que, a ser implementado, constituirá um profundo ataque à liberdade e à democracia. O objectivo deste programa é tornar permanente muito do que até agora era considerado como cooperação caso a caso, sobretudo no que se refere à harmonização das medidas entre países e à transferência para a UE de competências que eram exclusivas dos estados, se o dito Tratado de Lisboa entrar em vigor.
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Novas formas de autoritarismo
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Através da aplicação do «princípio da convergência» entre medidas de segurança interna e de segurança externa, justificadas pelo combate ao terrorismo e aos imigrantes, a UE procura legitimar um conjunto de iniciativas que a consolidem como bloco imperialista, em parceria com os EUA. Atacando frontalmente a soberania nacional, o programa definirá princípios comuns no que se refere ao armazenamento e transmissão de dados pessoais, a criação de entidades resultantes da fusão de organismos de controlo fronteiriço de pessoas e bens e novas competências para a agência que vem coordenando o controlo das fronteiras dos países da UE com países terceiros, a FRONTEX.
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O «princípio da convergência» será de igual forma alargado a missões em países terceiros, o que poderá significar o uso de militares, paramilitares, polícia, protecção civil e outras agências sob comando de agências europeias. Pretende-se também com a aplicação deste princípio que o armazenamento de dados pelas agências de informação e segurança que actuam dentro e fora da UE seja harmonizado através de sistemas de informação compatíveis entre elas, para que todas possam aceder à informação de forma automática. O que até agora se fazia numa base de cooperação caso a caso, passa a ser feito automaticamente e sem necessidade de autorização do país em causa. Estão a ser desenvolvidos sistemas (software e hardware) que permitirão esta harmonização na recolha e armazenamento de dados, e a vigilância sobre viagens e comunicações, assim como sistemas de partilha de dados, análise de comportamento, recolha de indicadores biométricos (ex: fotografia, impressões digitais, altura), etc.
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O complexo industrial-militar tem muitos milhões de euros a ganhar com este programa e com a canalização de avultadas verbas para os seus programas de investigação. A tecnologia não é neutra, o seu uso ao serviço de um capitalismo cada vez mais agoniado e agressivo pode constituir um sério perigo não apenas para os povos dos países da UE, mas igualmente com outros países e regiões através de um efeito de contágio também visado por estas propostas.
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As medidas que estão a ser tomadas pela UE e pelos centros de decisão do sistema capitalista para combater a crise económica e financeira não constituem soluções para os problemas dos trabalhadores e dos povos. Novas explosões da crise do capitalismo seguir-se-ão, com a consequente intensificação da luta de classes. Novas formas de autoritarismo espreitam perigosamente à esquina.
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in Avante 2009.07.23
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Blogosfera e Big Brother na Internet

Leis Hadopi2 e Alfano
Big Brother na Europa

Depois do Conselho Constitucional francês ter chumbado a primeira versão da lei de Criação e Internet, conhecida como lei Hadopi, por considerar o acesso à Web um direito fundamental, o governo de Nicolás Sarkozy voltou à carga e fez aprovar no Senado, nas últimas semanas, uma nova versão do diploma, o Hadopi2.
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A discussão na câmara alta gaulesa foi realizada num tempo recorde, com os eleitos a dispor de escassos minutos para apresentarem os seus argumentos. Quase todas as propostas de emenda indicadas pela oposição foram rejeitadas (na qual, ao contrário de Outubro passado, se incluíam também os senadores do Partido Socialista Francês), com uma excepção, a possibilidade dos acusados de partilharem ficheiros protegidos por direitos de autor poderem solicitar uma audiência e fazer-se representar por um defensor legal, embora, importa frisar, o executivo de Sarkozy tenha igualmente em projecto acelerar a decisão judicial nestes casos, que podem ascender a centenas de milhares, em menos de uma hora.
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Acresce que a actual versão da norma, que se esperava que fosse votada anteontem, dia 21, na Assembleia Nacional, difere da primeira apenas porque transfere a competência de interrupção do fornecimento de Internet de uma autoridade administrativa para um tribunal, mas, ao invés, inclui no texto o termo «comunicações electrónicas», o que faz temer que a correspondência via e-mail possa vir a ser vasculhada pelas autoridades.
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Comentários punidos
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Mas não só na França se aperta a malha aos internautas. Também na Itália, o projecto-lei Alfano visa restringir a liberdade de expressão na rede.
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De acordo com informações divulgadas pelo rebelion.org, o diploma pretende universalizar o direito de réplica estendendo-o aos blogs e às páginas pessoais, com a agravante de que os multados, num valor que pode chegar aos 12 mil euros, tanto quanto contempla a lei transalpina a respeito da difamação em órgãos de comunicação social, não terão que ser condenados por uma autoridade judicial antes que seja executada a punição.
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Em protesto contra a lei Alfano, sábado, milhares de bloggers italianos abstiveram-se de publicar qualquer conteúdo. Uma concentração foi ainda realizada na Piazza Navona, em Roma.
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in Avante 2009.07.23
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Anti-comunismo e falsificação da História


OSCE aprova resolução anticomunista
Partidos comunistas e operários manifestam repúdio
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A Assembleia Parlamentar da OSCE adoptou uma resolução cujo objectivo é reescrever a história, negar o papel da União Soviética na derrota do nazi-fascismo e equiparar comunismo e fascismo.
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Em resposta à iniciativa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, votada no passado dia 3 de Julho em Vilnius, capital da Lituânia, mais de 60 partidos comunistas e operários de todo o mundo divulgaram um protesto, que abaixo reproduzimos na íntegra, no qual manifestam o seu profundo repúdio e apelam à classe operária e aos trabalhadores para que rejeitem mais esta iniciativa anticomunista.
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«Condenamos energicamente a adopção na sessão regular da Assembleia Parlamentar da OSCE, realizada a 3 de Julho de 2009, em Vilnius, Lituânia, de uma nova resolução anticomunista intitulada “Europa dividida reunificada”, cujo conteúdo distorce grosseiramente a história e nega o papel da União Soviética na vitória sobre o nazi-fascismo. A resolução equipara comunismo e nazi-fascismo.
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«Os que assim procedem, ocultam que foi a União Soviética que deu o maior contributo para a libertação da Europa do nazi-fascismo. Os autores da resolução – os falsificadores da história – pretendem branquear os que, no pacto de Munique, em 1938, entregaram a Checoslováquia, permitindo a eliminação de um Estado independente e a subjugação dos povos checo e eslovaco ao nazi-fascismo.
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Os que votaram favoravelmente a adopção da referida resolução, justificam e encorajam «uma caça às bruxas» contra os comunistas em diversos países da OSCE nos quais os comunistas são já perseguidos, as suas organizações de juventude proibidas e os seus partidos perseguidos pelo uso do símbolo da foice e do martelo.
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«Acresce que a resolução oferece ampla cobertura à perseguição da ideologia comunista e à adopção de medidas contra os partidos comunistas.
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«Ao mesmo tempo, testemunhamos a actual reabilitação do nazismo e dos nazis em numerosos países, incluindo no país que acolheu a sessão da Assembleia Parlamentar da OSCE.
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«Não podemos permitir que ninguém insulte a memoria dos antifascistas e participantes do movimento de resistência que perderam a vida na luta contra o nazismo.
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«O agravamento do anticomunismo na Europa não é um fenómeno transitório. Demonstra o medo das classes dominantes face à profundidade da crise capitalista, à revigorada actualidade da reivindicação do fim da exploração capitalista e da urgência e necessidade de mudanças de fundo na sociedade.
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«A classe operária e os trabalhadores, independentemente de estarem de acordo ou em desacordo com os comunistas, devem repudiar decididamente a campanha anticomunista, sobretudo porque a história já provou que o anticomunismo é a antecâmara de ofensivas generalizadas contra direitos sociais e democráticos dos povos.
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«Respondamos aos provocadores e anticomunistas através da conjugação de forças na luta pelos direitos dos trabalhadores, pelo socialismo».
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Os partidos subscritores:
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«Partido Comunista da Argentina; Partido Comunista da Arménia; Partido Comunista do Bangladesh; Partido Comunista da Bielorrússia; Partido dos Trabalhadores da Bélgica; Partido Comunista do Brasil; Partido Comunista da Grã-Bretanha; Novo Partido Comunista da Grã-Bretanha; Partido Comunista da Bulgária; Partido Comunista do Canadá; AKEL – Chipre; Partido Comunista da Boémia e Morávia; Partido Comunista da Dinamarca; Partido Comunista na Dinamarca; Partido Comunista da Finlândia; Partido Comunista Alemão; Partido Comunista da Grécia; Partido Comunista dos Trabalhadores Húngaros; Partido Comunista da Índia; Partido Comunista da Índia (marxista); Partido do Povo do Irão [Tudeh]; Partido Comunista da Irlanda; Partido dos Trabalhadores da Irlanda; Partido da Refundação Comunista; Partido dos Comunistas Italianos; Partido Comunista da Jordânia; Partido dos Comunistas da Quirguízia; Partido Comunista da Letónia; Partido Comunista Libanês; Partido Socialista da Lituânia; Partido Comunista do Luxemburgo; Partido Comunista da Macedónia; AKFM – Madagáscar: Partido Comunista de Malta; Partido dos Comunistas – México; Partido Popular Socialista do México; Novo Partido Comunista da Holanda; Partido Comunista da Noruega; Partido Comunista do Paquistão; Partido Comunista Peruano; Partido Comunista das Filipinas – PKP 1930; Partido Comunista da Polónia; Partido Comunista Português; Partido Comunista Romeno; Partido Comunista da União Soviética; Partido Comunista da Federação Russa; Partido Comunista dos Trabalhadores Russos – Partido Comunista Revolucionário; Novo Partido Comunista da Jugoslávia; Partido dos Comunistas da Sérvia; Partido Comunista da Eslováquia; Partido Comunista Sul-Africano; Partido Comunista dos Povos de Espanha; Partido Comunista de Espanha; Partido dos Comunistas da Catalunha; Partido Comunista do Sri Lanka; Partido Comunista da Suécia; Partido Comunista da Síria; Partido Comunista da Turquia; Partido Comunista da Ucrânia; União dos Comunistas da Ucrânia; Partido Comunista da Venezuela».
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in Avante - 2007.07.23
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«Assassination right» - a farsa


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Um método recorrente de manipulação político-mediática ao serviço do imperialismo é a ocultação e mistificação de factos históricos para encaixar nas teses que melhor servem os seus objectivos. Tal como há muito se gabam os figurões do «império», uma linha ideológica da White House, mesmo uma mentira descomunal, orquestrada pela CIA, está em condições de se tornar «pensamento único», omnipresente nos media dominantes do planeta.
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Vem isto a propósito dos «despachos» de Washigton DC que dizem que Obama e os seus homens em Langley descobriram agora um programa secreto de assassínio selectivo de «dirigentes terroristas». O programa teria sido sonegado durante oito anos ao Congresso e nem Obama nem a actual direcção da CIA teriam sabido da sua existência. Felizmente que «o programa não passou da fase de treino».
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Sobre esta matéria três notas. A primeira é que a CIA já não é o que era - falhou a fonte interna e também a «antena» de Lisboa, que em Outubro 2001 enviou a sinopse do Avante incompleta. Dizia-se então nesta coluna: “«o «assassination right» - direito de assassínio pelas forças especiais dos USA de dirigentes estrangeiros, interdito há 25 anos, é uma das anunciadas «medidas de contra resposta» ao 11 de Setembro, assim o assumiram o Vice Presidente Cheney e o Senador Graham, tendo este esclarecido: «devemos poder mata-los antes que nos matem a nós»”.
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A segunda é que nunca aconteceram estes anos de terrorismo de Estado, de massacres de inocentes e assassínios arbitrários no Iraque, Afeganistão, Paquistão, etc., não houve raptos nem assassínios da CIA, da Mossad e outros «amigos», sem nada a ver com o «direito à legítima defesa» da Carta da ONU. Obama não sabe de coisa nenhuma, é um anjo (embora negro) na Presidência dos USA e a sua administração imperialista está inocente e em «estado de graça» por muitos anos.
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A terceira é que é mera «coincidência» que esta operação de branqueamento de Obama & CIA aconteça quando os USA e NATO aprofundam a agressão colonial no Afeganistão e Paquistão e quando, depois de tanto esforço para ocultar o escândalo, incluindo dos «democratas», ficou provado que o agente da CIA e actual Chefe de Estado Maior Afegão, Abdul Dostum, comandou em 2001 o assassínio em massa de milhares de prisioneiros de guerra.
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É tudo uma farsa do imperialismo. Mas trágica e criminosa.
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in Avante - 2009.07.23
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Anti-comunismo e fascistas em Portugal e na União Europeia


RECORRÊNCIAS PERIGOSAS

A semana que passou foi, no plano mediático, marcada pela recorrente exibição de anticomunismo primário de Alberto João Jardim.
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Múltiplos grandes títulos, complementados com as inevitáveis análises produzidas pelos inevitáveis analistas de serviço, catapultaram o vómito para o lugar de notícia do dia durante vários dias.
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E nada disto espanta: nem a reincidência do líder do PSD/Madeira que, saudoso do passado fascista, veio retomar uma «proposta» que já havia feito em 2003 nem o espalhafato dos média dominantes, fingindo que estavam a noticiar uma novidade, mas, de facto, associando-se e dando nova dimensão à provocação anticomunista de Jardim; nem o silêncio de Manuela Ferreira Leite e da direcção do PSD, remetendo a sua opinião para a futura revisão da Constituição – talvez alimentando o sonho de, para tal revisão, interromperem a democracia por seis meses (ou mesmo mais…) de modo a poderem sacar do texto constitucional o que, nele, de Abril resiste, designadamente o seu conteúdo antifascista.
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Registe-se, entretanto, que tudo isto não pode ser visto desligado da campanha anticomunista em curso e do conjunto de intenções expressas e de decisões tomadas nos últimos tempos, em vários países – sempre a partir da perversa equiparação de comunismo com fascismo como caminho para criminalizar o primeiro e branquear o segundo; sempre na calha da poderosa ofensiva da ideologia dominante que tem como linha essencial a sacralização do capitalismo e a diabolização do comunismo - e sobretudo sempre procurando esconder e escamotear essas verdades incontornáveis que nos mostram que o fascismo é, sempre, uma expressão do capitalismo e que o anticomunismo é, sempre, antidemocrático.
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No caso concreto de Portugal, quem viveu no tempo do fascismo – ou quem sobre esse tempo colheu informação verdadeira (naturalmente, fora do universo dos média dominantes…) – sabe que equiparar fascismo e comunismo significa equiparar os opressores e os que resistiram à opressão; os que brutalmente liquidaram a liberdade e os que por ela lutaram correndo todos os riscos; os inimigos intransigentes da democracia e os que a defenderam intransigentemente; os repressores e os reprimidos; os carrascos e as vítimas; os torturadores e os torturados, enfim, os fascistas e os democratas.
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E a verdade é que o ódio ao PCP por parte destes democratas de ocasião decorre do facto de essa resistência heróica dos comunistas continuar a irritá-los, sabendo como sabem – mas não querem que se saiba – que, quando lutar pela democracia e pela liberdade tinha como consequência inevitável a prisão, a tortura, muitas vezes a morte, os comunistas ocuparam sempre a primeira fila dessa luta – da mesma forma que, derrubado o fascismo, estiveram na vanguarda da construção da democracia de Abril e, posteriormente, na defesa dessa democracia encabeçando a luta contra a política de direita, a política da contra-revolução de Abril.
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E é esta postura do PCP, sempre do lado da democracia, da liberdade e dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País que eles não toleram.
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Com tudo isto, o PCP foi provavelmente, o partido mais falado, nos últimos dias, nos média dominantes, facto que eles registarão, para efeito estatístico em matéria de pluralismo...
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E com tudo isto, todos esses média persistiram no alheamento (ou pior do que isso) em relação à intensa intervenção dos comunistas: para eles, as centenas de iniciativas levadas a cabo em todo o País, com a participação de milhares de homens, mulheres e jovens, não são notícia; nem os vários debates com vista à construção do Programa Eleitoral do PCP para as legislativas; nem nada que tenha a ver com o esforço de análise da realidade nacional, de procura de soluções e de propostas para livrar o País da grave situação criada por três décadas de política de direita.
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E quando, para os tais efeitos estatísticos, cobrem uma iniciativa do PCP, é regra geral para a menorizar ou para deturpar o seu conteúdo.
Entretanto, as consequências da política de direita continuam a fazer-se sentir, cada dia de forma mais gravosa, na vida da imensa maioria dos portugueses.
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Como há dias referiu o secretário-geral do PCP, Portugal está no topo dos países da União Europeia com mais profundas desigualdades sociais. A pobreza, em muitos casos extrema, atinge mais de dois milhões de portugueses. E não vale inventar explicações para fugir à verdade, como faz todos os dias o primeiro-ministro. As causas desta sombria realidade estão na política de direita, na sua natureza anti-social, na sua cada vez mais desigual e injusta repartição da riqueza - nesta política geradora do desemprego – que atinge mais de 600 mil trabalhadores, metade dos quais sem receber qualquer subsídio; do emprego precário – fonte de insegurança e fonte de desvalorização dos salários; dos baixos salários e dos salários em atraso; das reformas de miséria…
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Enquanto do outro lado desta trágica realidade, numa ofensa aos dramas vividos por milhões de pessoas, a imensa minoria composta pelos grandes grupos económicos e financeiros, continua a acumular riqueza mesmo em «tempo de crise», como o confirmam os mais de 500 milhões de euros de lucro dos cinco maiores bancos nos primeiros três meses deste ano – ou os 550 milhões de euros de lucro arrecadados, no mesmo período, pelos cindo maiores grupos económicos do sector da energia e comunicações.
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E é por uma alternativa a esta política que se bate o PCP: combatendo-a, contrapondo-lhe a política necessária e lutando pela sua concretização.
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in Avante - 2009.07.23
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Quarta-feira, Julho 29, 2009

Federação Ibérica?

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Federação ibérica é ideia que entusiasma mais portugueses que espanhóis

28 Jul "De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos" parece ser um adágio completamente desajustado do que pensam hoje os portugueses sobre o país vizinho.

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28 Jul Só 1,2% dos espanhóis sabem que Sócrates é o primeiro-ministro de Portugal...


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in Jornal de Notícias

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Eis uma lista das comunidades e cidades autônomas:

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Os idiomas da Espanha (simplificado)
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██ Espanhol oficial; falada em todo o país

██ Catalão/Valenciano, co-oficial

██ Basco, co-oficial

██ Galego, co-oficial

██ Aranês, co-oficial (dialeto do Occitano)

██ Asturiano, reconhecida

██ Aragonês, não oficial

██ Leonês, não oficial

██ Extremenho, não oficial

██ Fala da Extremadura, não oficial

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O idioma oficial e o mais falado no conjunto da Espanha, por 99% da população, é o espanhol, língua materna de 89% dos espanhóis, [13] que pode receber a denominação alternativa de castelhano. [14] [15] a estimação do número de falantes em todo o mundo vai desde os 450 [16] aos 500 milhões [17] [18] [19] de pessoas, sendo a segunda língua materna mais falada depois do Chinês. [20] [21] [22] Se prevê que se torne a segunda língua de comunicação internacional depois do inglês no futuro, e é a segunda língua mais estudada após o mesmo. [23]

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Além disso, se falam outras línguas que podem ser oficiais em suas regiões, de acordo com a Constituição e os Estatutos de Autonomia de cada Comunidade Autônoma, e co-oficiais para o resto do país. Ordenadas por número de falantes, estas Línguas são:

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Também se falam uma série de línguas ou dialetos románicos que não tem status de língua oficial: o asturiano, falado em Astúrias [25] (chamado Bable), Leão, Zamora (chamado “leonés”), Salamanca e Extremadura [26] (chamado “extremenho”) e o “aragonês” no norte de Huesca.

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O aranês, variante do occitano, é considerada co-oficial na Catalunha, [27] onde é e falada nos municípios do Vale de Arán (Lérida).

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Igualmente, o português é falado em algumas localidades fronteiriças extremenhas, principalmente por portugueses ali residentes.

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A Espanha ratificou em 9 de abril de 2001 a Carta Européia das Línguas Minoritárias ou Regionais [28] do Conselho Europeu.[29]

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O Golpe de Honduras e as matérias pestilentas da Folha

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Honduras - Desistir jamais


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Em nome da 'democracia', os EUA invadiram o Iraque e o Afeganistão, iniciando uma guerra contra o terror (e não contra suas causas), matando milhões de pessoas, a maioria inocentes.

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Rechaçaram a invasão do Kuwait promovida pelo Iraque, e em apenas um dia de batalha tecnológica restituíram a paz nquele país. Vivam os EUA! Os guardiãs da democracia... Mas, esperem. Por que ainda não tomaram um providência contra o golpe na democracia de Honduras?
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Um golpe de estado acontece às barbas do Tio Sam, ameaçando a paz na América-Latina, e os EUA se calam. Será que democracia tem sentidos diferentes quando fogem dos seus interesse?
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E a mídia espúria, que sempre defendeu os gorilas de fardas, se comporta de acordo com o pensamento dos EUA. E o pensamento deles é que não houve golpe militar em Honduras, o povo não está sendo massacrado pelo exército hondurenho e Zelaya é o único culpado pelo golpe porque, pasmem, queria fazer uma consulta popular. "Que isto sirva de lição" - disse o porta-voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley.
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Vejam no segundo parágrafo da matéria sobre Honduras o que diz a Folha sobre Zelaya, e tirem suas conclusões se vale a pena continuar lendo porcarias, contribuindo para o seu empobrecimento intelectual e com o desmatamento das florestas.
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(...) "O hondurenho, que ganhou apoio internacional, rejeitou negociar com o governo interino e acusou os Estados Unidos de afrouxarem sua retórica contra o golpe de Estado que o derrubou, em 28 de junho passado". Link para o esgoto aqui.
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A Folha vale um pau de fósforo? E você sabe quantas árvores são derrubadas para imprimir esse lixo?
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Não existe governo interino, existe golpistas fascistas e não se negocia com eles. É o que reza a cartilha sobre defesa da democracia imposta pelos EUA. Barack Obama, cadê tu, macho réi???!!! Desça de cima do muro!!!
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in Bodega Cultural - Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

A Banca em Portugal

Agência Financeira

Newsletter, 29 Julho 2009

BPP

Bancos querem reunir-se com ministro esta semana

Presidente do BES, Ricardo Salgado, diz que há consenso entre os bancos sobre futuro do BPP

Ministro gostava de solução esta semana

Ulrich critica supervisão

REN divulga contas...

0

REN duplica investimento mesmo com crise

Banco Europeu Investimento empresta mais 150 milhões de euros. «Não excluímos novas operações», diz José Penedos

Desejo de ser alternativa a gás russo

Lucro da REN cai 8,1%

... e BES também

BES rejeita aquisições e interesse no BPN

«O BES não tem manifestado interesse em crescer por aquisições», diz Ricardo Salgado. O banco ultima nova holding

A favor do TGV e do novo aeroporto

Crédito habitação cai 2%

separador













Terça-feira, Julho 28, 2009

Grupo Mello à beira de gerir mais um hospital

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O governo retirou a gestão privada do Hospital Amadora Sintra ao Grupo Mello devido a gestão ruinosa mas agora vai entregar-lhe a gestão de dois novos hospitais. Foto da Lusa O consórcio liderado pela José de Mello Saúde vai ganhar a gestão do hospital de Vila Franca de Xira, depois de já ter conseguido o de Braga. Apesar da gestão ruinosa do Amadora-Sintra pelo Grupo Mello, reconhecida pela própria Ministra da Saúde e por José Sócrates, o governo continua a dar a gestão dos novos hospitais a privados.
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O grupo liderado por Salvador de Mello está prestes a vencer o Grupo Português de Saúde na luta pela construção e gestão administrativa do novo hospital de Vila Franca durante 10 anos e trinta anos na sua manutenção. O consórcio liderado pela José de Mello Saúde está "muito bem encaminhado" para ganhar a gestão clínica do hospital de Vila Franca de Xira, segundo declarou à agência Lusa uma fonte ligada ao processo. A decisão do Governo não é ainda oficial porque faltam duas semanas para terminar o prazo em que os concorrentes podem levantar questões relativamente à adjudicação do contrato. Mas tudo aponta para que seja mais uma vez a José de Mello Saúde, holding do Grupo Mello na área da saúde, a ficar com a gestão do hospital.

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A confirmar-se a adjudicação, a José de Mello Saúde ganha dois dos quatro hospitais que o Estado lançou em concurso para serem geridos por operadores privados (Braga e Vila Franca de Xira). Os outros dois foram ganhos pela Espírito Santo Saúde (Loures) e pela Hospitais Privados de Portugal (Cascais).

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O programa inicial das parcerias previa o lançamento de dez concursos, compostos pela construção e gestão clínica dos hospitais, mas no ano passado o primeiro-ministro anunciou, no Parlamento, que os seis hospitais que ainda não tinham sido postos a concurso teriam apenas a componente da construção privada, e seriam geridos pelos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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“A gestão privada nas unidades de saúde é extremamente lesiva para o interesse público. Assim nos prova a experiência”, disse Sócrates em Março de 2008, admitindo o fracasso da opção da gestão privada. “Há uma grande dificuldade em fazer os contratos, o Estado gasta uma fortuna para vigiar o seu cumprimento e nunca foi possível eliminar a controvérsia. Por isso, é melhor o SNS ter gestão pública", dizia o primeiro-ministro na altura. Apesar disso, manteve o concurso de gestão privada daqueles quatro hospitais e prepara-se para atribuir mais um ao Grupo Mello, apesar da reconhecida má gestão dos Mellos no Amadora-Sintra.

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Recorde-se que a construção do Hospital de Braga, já atribuído ao Grupo Mello no ano passado, está a ser feita no âmbito de uma parceria público-privada com a José de Mello Saúde, que estará 10 anos à frente da gestão administrativa daquela unidade de saúde e 30 anos na sua manutenção. Na mesma semana em que terminou a gestão do Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra, depois de 13 anos de escândalos e má gestão, foi adjudicado o contrato que atribui a gestão do hospital de Braga à José de Mello Saúde. Agora tudo aponta para que o hospital de Vila Franca de Xira siga o mesmo caminho.

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Hospital de Loures vai para o Grupo Espírito Santo

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A Lusa adianta ainda que o hospital de Loures, o primeiro a ser lançado no modelo de parceria público-privada, vai ser construído e gerido pelo consórcio liderado pela Espírito Santo Saúde, revelou o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa à agência Lusa.

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O agrupamento Consis Loures é liderado pelo Grupo Espírito Santo Saúde e inclui as construtoras OPCA e Mota-Engil, a clínica alemã Asklepios e a empresa de manutenção Dalkia. Em declarações à agência Lusa, a líder do consórcio confirma a notificação e diz que o hospital de Loures "é extraordinariamente interessante porque será um dos hospitais centrais na requalificação da oferta hospitalar de Lisboa". Isabel Vaz sublinha a "grande satisfação de entrar no serviço público" e garante que o grupo está "ciente da responsabilidade".

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A proposta final da Espírito Santo Saúde é 17 milhões de euros mais baixa que a da José de Mello Saúde, o que garantiu a liderança nas preferências do avaliador, já que o preço é o factor decisivo na avaliação

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in Esquerda Net - 27-Jul-2009
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Athanasios Pafilis: África é nova vítima do imperialismo

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O Deputado do Parlamento Europeu e secretário-geral do Conselho Mundial da Paz, o grego Athanasios Pafilis, apontou, neste sábado (25), o continente africano como ''a nova vítima das intervenções e rivalidades imperialistas''. Ao participar do painel ''Solidariedade aos povos em luta'', na 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz, ele afirmou que há uma tentativa de controlar as riquezas do país, sinalizada com forte presença militar sob a justificativa de ''controlar'' conflitos locais.


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Segundo Pafilis, mais de quatro milhões de pessoas foram mortas no ultimo 15 anos, na África. ''A pobreza e a miséria são uma praga nesse continente que já se constitui como a nova do imperialismo'', disse, afirmando que alguns países expõem uma ''preocupação hipócrita'' com a região.
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''A África foi tópico de discussão do encontro do G-8, em Rostock. Mas, por trás de tudo isso está a tentativa de controlar os recursos de produção de riquezas. A presença militar lá, com o pretexto de cuidar dos conflitos, é forte e está aumentando'', colocou o parlamentar.
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Ele detalhou que o aumento de tropas militares estrangeiras no continente se deu precisamente na área que é rica em petróleo, no sub-saara. Hoje, há quatro bases francesas em Djibuti, Dakar e Gabão.
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Já os Estados Unidos, informou Pafilis, mantêm presença militar em 25 países africanos. ''O último passo foi a fundação do Africom, o comando especial dos EUA na áfrica. A presença militar da França, Inglaterra e União Européis de forma geral também cresce'', colocou, afirmando que a recente visita dos presidente Barack Obama à África nada teve a ver com resgatar o passado do norte-americano.
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De acordo com o secretário-geral do CMP, os conflitos na África são resultados exatamente de intervenções imperialistas, ''que encorajam movimentos secessionistas e a instabilidade, transmitindo um retrato de países imersos em conflitos éticos, regionais ou internos, para poder controlar o petróleo e o poder político nesses países por meio de presença militar''.
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O deputado grego ponderou ainda sobre as ''esperanças'' depositadas em Obama. Segundo ele, o norte-americano cria ilusões. ''A forma de tratar é diferente do governo Bush, mas no fundo, eles é tudo igual'', declarou, afirmando que o jeito Obama pode até ser mais ''perigoso'', por ''desorienta as pessoas''.

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Movimento pela Paz
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Também participante do painel ''Solidariedade aos povos em luta'', José Ramon, do Movimento Cubano pela Paz e Soberania dos Povos (MovPaz), fez um histórico dessa luta em seu país e no mundo. Ele falou sobre a necessidade incorporar gente jovem na defesa da paz, movimento que, segundo ele, precisa de energia e dinamismo.
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Ele informou que, partindo do critério de que não há paz sem soberania e desenvolvimento, Cuba tem cooperado com cerca de 100 países do mundo, em especial ajudando na formação.
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José Ramon reforçou que é necessário ampliar as iniciativas de solidariedade a Honduras e classificou o golpe de Estado naquele país como um ''balão de ensaio'' dos imperialismo dos Estados Unidos na região. ''Esta é uma luta larga, difícil, possivelmente com derramamento de sangue. Precisamos desenvolver todas as iniciativas possíveis'', colocou.

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De acordo com ele, nunca antes, a Organização dos Estados Americanos e as Nações Unidas tiveram uma reação tão positiva como à de repúdio ao golpe, mas destacou que há, nos Estados Unidos, uma ''dupla moral'' em relação ao caso.
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''Por um lado, o presidente Obama condenou o golpe, mas, por outro, setores da direita apóiam e divulgam esse golpe. Nossa preocupação é que isso não termine em Honduras. Querem impedir que a América Latina siga rebelde'', declarou.
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Secessionismo
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Participaram ainda do debate o ex-ministro das Relações Exteriores da antiga Iugoslávia, Jivandin Jovanovic, e o representante do Movimento de Independência da Guiana, Jean Michel Aupount.
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Jovanovic lembrou os 10 anos da Agressão à Iugoslávia. ''Este país, que servia de exemplo a outras nações, foi destruído pela força do imperialismo. Ao invés de um grande país, fizeram sete pequenos, sujeitos à dominação'', disse., afirmando que o separatismo é política recorrente para promover os interesse imperialistas.
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Segundo ele, sob o pretexto da ''democratização'', os Estados Unidos importam seu modelo de vida exercendo a dominação, o que termina, ao contrário, distanciando os governos de seus povos.
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Guiana: porta de agressão ao continente
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Já Jean Michel começou sua intervenção afirmando que Guiana ainda permanece sob a dominação colonial da França, num estado máximo de dominação imperialista. Ele afirmou que a Guiana está localizada em uma região - junto à Venezuela e o Brasil - que possui riquezas importantes, como a área amazônica e o petróleo. E que, mais que uma colônia, a Guiana pode ser utilizada como uma porta de Agressão à América do Sul. ''É tudo isso que justifica a presença francesa'', colocou.
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Ele explicou que todo o país está militarizado e há forte arsenal bélico e as forças francesas estão treinadas, inclusive, em táticas de guerrilha, e podem ser uma ameaça, em especial, à região amazônica. O local também é sede de uma base européia de lançamento de satélites.
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Jean Michel afirmou ainda que, apesar de seu um país pequeno e pouco populoso, a Guiana possui grande diversidade. ''São 12 culturas diferentes, mas os direitos desses povos não são respeitados. Nem mesmo os direitos internacionais são praticados lá'', narrou, falando sobre a necessidade autonomia dessas populações.
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Leia mais sobre a Assembleia do Cebrapaz:

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Do Rio de Janeiro,
Joana Rozowykwiat

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Segunda-feira, Julho 27, 2009

Bolívia: Autonomia, o termo da vez

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A Bolívia de Evo Moraes fervilha politicamente. Nas cidades, o debate se dá em torno dos diversos modelos de autonomia previstos pela Nova Constituição. O termo autonomia significa, entre outros, “autodeterminação político-administrativa de que podem gozar, relativamente, grupos (partidos, sindicatos, corporações, cooperativas etc.), em relação ao país ou comunidade política dos quais fazem parte”.


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Por Paula Sacchetta, na Rede Brasil Atual


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A palavra que mais se ouve na Bolívia é autonomia – nos mais diversos sentidos. Do Brasil as notícias a respeito da reivindicação de autonomia por parte do departamento de Santa Cruz são diferentes do que se vê aqui.
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O termo autonomia significa, entre outros, “autodeterminação político-administrativa de que podem gozar, relativamente, grupos (partidos, sindicatos, corporações, cooperativas etc.), em relação ao país ou comunidade política dos quais fazem parte”.
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Enquanto no Brasil a imprensa usa o termo em referência ao movimento de autonomia de Santa Cruz, opositor ao governo de Evo Morales, a Nova Constituição promulgada em outubro de 2008 estabeleceu uma multiplicidade dessas autonomias: departamental, municipal, indígena-originária-campesina e, possivelmente, regional.
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A tentativa de abarcar tantos lados muitas vezes conflitantes entre si dificulta o gerenciamento do Estado Plurinacional Boliviano – baseado no respeito, igualdade, complementariedade e harmonia entre os povos que formam este país –, nascido da Assembléia Constituinte do final de 2007.
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Para contornar o problema de gestão de um estado tão cheio de especificidades, foi criado recentemente o Ministério de Autonomia. À Rede Brasil Atual o representante do Vice-Ministério de Movimentos Sociais, Carlos Lara, informou que o órgão serve para que “exista uma correlação de forças equiparada, de maneira que nenhuma destas autonomias se submeta a outra”.
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O movimento autonomista de Santa Cruz se autodenomina democrático e é uma tendência que busca preservar seus próprios interesses e privilégios históricos. O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, um dos porta-vozes do movimento autonomista, Luis Nuñes Ribera afirma que o departamento de Santa Cruz produz 60% da economia do país.
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Os cruceños (habitantes de Santa Cruz) se dizem donos do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano. No entanto, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Santa Cruz produziu 29% das riquezas bolivianas até o final de 2007, a partir de quando teve essa participação diminuída.
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A demanda, na prática, se mostra uma autonomia contraditória, já que privilegia mais seus interesses aos do Estado nacional. Uma das reivindicações do movimento é não abrir mão de menos de 50% dos impostos arrecadados sobre seus produtos (soja, gado etc).
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Outras autonomias, no entanto, como a indígena e dos povos originários leva em conta os direitos consuetudinários (complexo de normas não escritas originárias dos usos e costumes tradicionais do povo), considerando características específicas de cada etnia (informações abaixo).
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Apesar de se ouvir falar de apenas um sentido de autonomia entre muitos “si” e “no”, existe aquele que significa democracia e oferece um maior acesso de toda a população à política nacional. Um poder cidadão de fato sobre os destinos do país.
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Geopolítica boliviana
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A Bolívia está dividida em nove departamentos: Chuquisaca, Cochabamba, Beni, La Paz, Oruro, Pando, Potosí, Santa Cruz e Tarija. Cada departamento é subdividido em províncias (o que seria o equivalente a municípios).
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O departamento de Santa Cruz é o maior da Bolívia e tem Santa Cruz de La Sierra como sua capital. É também o que tem, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), como principal atividade econômica a agropecuária, sobretudo criação de gado e produção de soja, representando 18,91% do PIB departamental.
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Os aproximadamente 2,5 milhões de habitantes representam 25,6% do total populacional do país, de aproximadamente 10 milhões de pessoas. São 370 km² de extensão, que representam 33,74% da superfície total da Bolívia.
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Em maio de 2008, o governo departamental convocou, à revelia de La Paz, um referendo sobre a autonomia da região. 85% dos eleitores votaram sim, apesar da altíssima porcentagem de abstenção (45%).
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À consulta seguiram-se outras similares nos departamentos da chamada Meia Lua, formada por Beni, Tarija, Pando e Chuquisaca, além de Santa Cruz. São locais em que os administradores, em linhas gerais, opõem-se ao governo de Evo Morales.
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Autonomia
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A Constituição boliviana formulada em 2007 prevê três tipos de autonomias: departamental, municipal e indígena-originária-campesina, podendo esta última incluir a autonomia regional. Há duas grandes questões: determinar os limites de cada autonomia, para que uma não interfira na outra, e a autonomia departamental, que não saiu nos moldes esperados pela Meia Lua, cujos governadores têm se recusado a aceitar o determinado pelo texto.
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A autonomia departamental prevê a constituição de uma Assembleia, nos moldes das casas legislativas estaduais existentes no Brasil, com dever de deliberar e de fiscalizar o Poder Executivo.
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A Constituição estabelece que os departamentos possam participar das empresas dehidrocarbonetos, principal fonte de recursos bolivianos, e a criação de impostos, desde que não sejam análogos às taxas cobradas pelo governo central nem pelos municípios.
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Por outro lado, tanto a autonomia departamental quanto a municipal preveem que cabe aos executivos desses dois âmbitos a elaboração de planos para o ordenamento territorial e de uso do solo. Os municípios também têm direito à criação de um órgão Legislativo similares às câmaras de vereadores brasileiras.
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Por fim, a mais específica das autonomias, a indígena-originária “consiste no autogoverno como exercício da livre determinação das nações e dos povos indígenas originários camponeses”.
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Cada povo deverá definir se quer ou não a autonomia, que prevê que essas comunidades devam gerir seus patrimônios históricos e culturais e os recursos do solo – como hidrocarbonetos, por exemplo.
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Além disso, quem decidir pela autonomia deverá definir a própria forma de organização de acordo com os costumes tradicionais, inclusive no que diz respeito à Justiça, com a formação de tribunais próprios compostos por moradores locais.
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Outra possibilidade é que indígenas de uma determinada área peçam a realização de um referendo para definir sobre a autonomia regional. Para isso, o governo tem realizado estudos de forma a determinar quantos são os povos originários ainda existentes no país – um levantamento da década de 90 indicava a existência de 33 possíveis nações originárias, mas é provável que o número tenha se alterado pelo desaparecimento de populações ou pela migração para outros países, como o Peru.
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Para a oposição, essa autonomia regional dos povos originários, na prática, tira o poder dos departamentos, que perdem em arrecadação e em controle sobre essas comunidades.
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Fonte: Rede Brasil Atual

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in Vermelho - 21 DE JULHO DE 2009 - 12h29

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Estratégia separatista na Bolívia é cópia de Kosovo



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O jornalista espanhol Julio César Alonso assegurou neste domingo (19) que a estratégia separatista na Bolívia impulssionada por um bando de terroristas, neutralizado em abril último em Santa Cruz, era a mesma que a aplicada em Kosovo,em 1999. Em declarações ao programa "O Povo é Notícia", de Rádio Pátria Nueva e que divulga a estatal televisora Bolívia TV, Alonso recordou que em ambos momentos, a embaixada estadunidense esteve encabeçada pela mesma pessoa, Philip Goldberg.


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O avezado correspondente de guerra, de visita em La Paz, antes anunciou que conheceu e entrevistou várias vezes o cabeça dos extremistas mortos e detentos em um operativo policial, o 16 de abril último no hotel crucenho Las Américas, Eduardo Rózsa Flores, conhecido assassino e mercenário, explicou.

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Segundo Alonso, existe um vídeo que o extremista enviou a Europa, cujo conteúdo será revelado em setembro ou outubro próximos, no que Rózsa Flores delata aos financiadores da banda, em caso que algo lhe suceda.

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Ao que parece, afirmou, o líder do grupo irregular sentia-se defraudado por quem contrataram-no para organizar na Bolívia uma guerra civil na que militares, policiais e indígenas se converteriam em vítimas, e já estava por se retirar quando foi surpreendido, sem capacidade de reação.

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Bolívia era o país eleito

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De acordo com o depoimento do profissional, na nação andina o extremista pensava organizar sua guerra, a guerra que, ao menos, duraria nos meses suficientes para finalizar seu filme, seus massacres, suas torturas e seu novo reino, limpo de índios, negros, comunistas e demais desperdícios, segundo ele mesmo dizia.

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"Rózsa Flores pensava copiar na Bolívia, país ao que sempre desprezou nas conversas privadas e ao que se referia como "berço de índios analfabetos", "nação de bobos" ou "cubo de lixo", sua particular guerra suja", remarcou.

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Será em setembro ou outubro, explicou, quando saberemos toda a verdade de Rózsa Flores, um especialista mercenário que formava grupos mistos de veteranos e jovens para orgías de sangue.

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Segundo Alonso, os mercenários estavam preparando na Bolívia não uma defesa, senão uma guerra que devia durar, para ser rentável econômica e politicamente, mais de um mês. O cálculo para este fim, na primeira semana, era de 25 mil mortos, segundo descreve Alonso em um artigo publicado neste domingo na Agência Boliviana de Informação (ABI).

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Com esta situação, disse, só uma intervenção internacional, seguindo o modelo da Croácia e Kosovo, a deteria. Para isso, afirma, chegariam voluntários argentinos, alguns deles já veteranos das guerras balcânicas. Também se esperava a paraguaios, colombianos e alguns elementos uruguaios.

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Fonte: Prensa Latina
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in Vermelho - 19 DE JULHO DE 2009 - 20h11
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Bolívia: cubanos operam 400 mil, mas são discriminados

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Carlos Hernandéz, coordenador da Brigada Médica Cubana no departamento de Chuquisaca, chamada “Missão Milagre”, explica que os médicos cubanos atenderam mais de 400 mil pacientes com problemas na visão nos últimos três anos; entre eles mais de mil com catarata.

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Por Paula Sacchetta, na Rede Brasil Atual


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Em departamentos mais conservadores como o de Santa Cruz, Hernandéz conta que a brigada sofre restrições. “Não nos querem trabalhando, dizem que o Evo quer transformar a Bolívia numa Cuba ou numa Venezuela. Mas nossa função aqui é social, independente de qualquer forca política ou partido. A população é muito grata a nós, mas organizações mais de direita não nos querem aqui”, revela Hernandéz.

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Na Plaza San Francisco, das principais da cidade, na barraca da Brigada Médica Cubana passam diariamente mais de 150 pessoas que marcam consultas. Os casos mais graves são operados, outros ganham óculos e medicamentos. “Tudo de graça”, afirma Hernandéz. “Estamos aqui para prestar atenção médica a quem não pode pagar tudo aquilo que as clínicas privadas cobram”, diz. Tudo é pago pelo governo cubano.

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Além da clínica em Sucre, a Brigada atua em outros dois hospitais no departamento de Chuquisaca, em Tarabuco e Monte Agudo, onde existem especialistas de traumatologia, pediatria e cirurgiões. As Brigadas Médicas de Cuba estão espalhadas por 104 países do mundo. Somente em Chuquisaca são 130 médicos; em toda a Bolívia, mais de mil.

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Desde 2006 na Bolívia, a Brigada Cubana é a mesma que operou em 2007 o suboficial Mario Terán, que a mando dos seus superiores assassinou Che Guevara em 1967, numa escola do povoado de La Higuera.

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A notícia divulgada pelo diário oficial da ilha, o Granma, foi confirmada à Rede Brasil Atual por Carlos Rafael Fajardo, diretor do Centro Oftalmológico da Brigada Cubana em Sucre. “Mario Terán foi operado por médicos Cubanos da Brigada de Santa Cruz de La Sierra e depois de recuperar a visão escreveu com ajuda do filho uma carta (leia box) ao governo cubano de agradecimento”.

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Mario Terán não teve de pagar nada pela operação, realizada num hospital doado pelo governo cubano e inaugurado pelo presidente Evo Morales. “Pode ser rico, pobre, delinquente ou assassino, desde que seja gente, nós tratamos e operamos”, finaliza Fajardo.

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in Vermelho - 26 DE JULHO DE 2009 - 20h03

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Na Flórida, deposição de Zelaya vira exemplo anticomunista



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Se em Washington e no restante mundo a condenação ao golpe de Estado em Honduras é unânime, no sul da Flórida a saída dos tanques às ruas em Tegucigalpa e a expulsão do presidente Manuel Zelaya são vistos como “um golpe democrático”. É o que pensa José Lagos, presidente de uma organização ultradireitista de imigrantes hondurenhos.

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“O presidente Zelaya queria levar o país para o comunismo, entregá-lo a [Hugo] Chávez e por isso as Forças Armadas tiveram de dar um golpe democrático”, afirma Lagos. Sua entidade, não por acaso, tem sede em Miami — a única cidade do mundo onde, em 2003, foi realizada uma manifestação de apoio à guerra no Iraque.

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Logo após o golpe, Lagos, que estava internado em um hospital convalescente de uma operação, saiu à rua e organizou a primeira coletiva de imprensa do presidente inconstitucional, Roberto Micheletti. Uma vez convocada a imprensa local de Miami, ele pegou o celular, telefonou para o presidente golpista e o pôs em contato com os jornalistas. “Você é um bom patriota”, elogiou Micheletti.

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A entrevista foi repetida até a exaustão pelas rádios e televisões da cidade. A situação chegou a tal ponto que até o diretor do jornal The Miami Herald, Anders Gyllenhaall, escreveu em seu Twitter: “Estas coisas só acontecem em Miami. Deputado dá golpe em Honduras e telefona para Miami para dar explicações”.

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“Nós, os cubanos livres, estamos orgulhosos do presidente hondurenho, que deu um exemplo ao mundo de ideais democráticos e responsabilidade cívica”, acrescentou o líder de Vigília Mambisa, Miguel Savedra, referindo-se a Micheletti. Savedra é um exilado cubano conhecido na cidade por, “em tempos de crise política”, aparecer sempre no principal café da Pequena Havana, o Versailles, onde se concentram os jornalistas em busca de opiniões pitorescas.

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Foi neste ambiente que Rodolfo Frómeta, o “comandante-chefe” da Comandos F-4 anunciou que tinha “enviado para Honduras 230 soldados” para ajudar o Exército desse país a combater “a penetração cubano-chavista”. A Comandos F-4 é possivelmente a única organização anticastrista que reivindica uma oposição “bélica” contra o governo da ilha,

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Da Redação, com informações do Operamundi.net

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in Vermelho - 25 DE JULHO DE 2009 - 20h01

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Domingo, Julho 26, 2009

38 mil diplomados estão sem trabalho

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Luís Duarte

Ensino Superior: Mulheres com menos de 35 anos são a maioria


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* André Pereira
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Portugal tinha, em Junho, 38 571 desempregados com habilitação superior inscritos nos centros de emprego, mais 4424 do que no mesmo mês de 2008 (34 147), segundo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Em comparação com os valores de Dezembro do ano passado, do relatório ‘Emprego dos Diplomados’ do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, representa um aumento de 1395 diplomados no desemprego.
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A maioria dos desempregados com habilitação superior pertence às áreas das Ciências Empresariais, das Ciências Sociais e do Comportamento e da Formação de Professores e Ciências da Educação. No conjunto, as três áreas representam 41,4 por cento dos indivíduos registados em centros de emprego com bacharelato, licenciatura, mestrado ou doutoramento. Dos mais de 37 mil desempregados licenciados no final de 2008, 69 por centro são mulheres, 40 por cento moram no Norte e 72 por cento têm menos de 35 anos.

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'Há que diferenciar os grupos de desempregados registados nos centros de emprego. Os diplomados até estão numa situação mais favorável do que os restantes, com uma média de oito meses de espera até encontrarem uma posição no mercado de trabalho', explica ao CM Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

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No que respeita às Ciências Empresariais, os cursos com mais registos nos centros de emprego são Gestão, Contabilidade e Marketing. Já nas Ciências Sociais e do Comportamento, os diplomados em Economia, Psicologia e Sociologia são os mais afectados. Na Formação de Professores/Formadores e Ciências da Educação, os piores cursos são os de Educadores de Infância e Ensino Básico – 1º Ciclo.

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No sentido contrário, explica Francisco Madelino, as áreas de formação com maior empregabilidade são 'as engenharias tradicionais'. 'Além da Medicina, por razões óbvias, as engenharias, como Construção Civil, Electrotécnica e Informática também são de grande empregabilidade', indica, acrescentando que 'quem tem formação em Línguas, Informática ou Físicas rapidamente obtém uma saída profissional'.

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CURSOS DE DIREITO ASSUSTAM

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A maioria dos diplomados na área do Direito exerce funções em profissões que nada têm a ver com a advocacia. Com o número de vagas para os cursos de Direito a aumentar para 1230 este ano, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não escondeu a sua preocupação, aconselhando mesmo os candidatos ao Ensino Superior a 'fugir da advocacia'. 'O País já está encharcado de licenciados em Direito, que estão desempregados ou trabalham noutras áreas', disse António Marinho Pinto ao CM após a divulgação do número de vagas ao concurso nacional de acesso ao Ensino Superior.

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As Faculdades de Direito de Coimbra e Lisboa são responsáveis por 30,7 por cento dos 1115 diplomados na área de Direito inscritos nos centros de emprego. O ensino privado, porém, coloca no desemprego 588 diplomados, contra os 526 do público.

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PERGUNTAS & RESPOSTAS

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- Como mudo de curso?

- Cada instituição tem o seu procedimento, mas estará sempre sujeito ao número de vagas. Se pedir a transferência do curso para outra instituição serão contabilizados cerca de 90 por cento das cadeiras já completas. Se mudar de curso, o processo das equivalência terá de ser analisado.

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- Posso reingressar num curso?

- Sim. Basta pedir o reingresso nos serviços académicos da instituição onde iniciou o curso.

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- Posso tirar outra licenciatura?

- Os titulares de um curso superior têm um concurso especial. Cada estabelecimento define as suas regras.

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- Quem pode candidatar-se ao Ensino Superior?

- Todos os que tiverem concluído o Ensino Secundário e realizado as provas de ingresso.

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REACÇÕES

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'Para quem tira um curso na área do Ensino as alternativas não são muitas para não dizer que não existem. Nunca houve tantas actividades a precisar de professores como agora, mas por razões económicas estão a cortar na profissão.' (Mário Nogueira, S.G.Fenprof)

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'Existem cerca de 26 500 advogados. Há demasiada oferta. Podem sempre optar por profissões como escrivão ou funcionário judicial, mas quem tira o curso de Direito não quer ir para essas profissões.' (Marinho Pinto, O. Advogados)

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'Durante muitos anos, a profissão esteve desregulada e agora corremos atrás do prejuízo. Muitos estão desempregados, mas não faltam áreas a precisar de psicólogos, como o desporto, a saúde, a reabilitação ou até a empresarial.' (Telmo Baptista, O.Psicólogos)

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PERFIL DO DESEMPREGADO COM HABILITAÇÃO SUPERIOR

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TOTAL DE INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO EM JANEIRO 2008: 416 005

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- Inscritos com habilitação superior – 37 176


SEXO

– Feminino – 68,5 % (25 475)

- Masculino – 31,5 % (11 701)

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IDADE

<25>

25 – 34 anos - (50,3%) 18 710

35 – 54 – (23,6%) 8 764

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REGIÃO

– Norte – 39,7% (14752)

- Centro – 25,4% (9436)

- Lisboa – 26,3 % (9781)

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TEMPO DE INSCRIÇÃO NO CENTRO DE EMPREGO

<>

3-6 meses – 25,7% (9560)

6-12 meses – 17,3% (6448)

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SITUAÇÃO DE PROCURA

33,3% - 1º Emprego

66,7% Novo Emprego

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GRAU ACADÉMICO

87,7% Licenciatura – 32615

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SUBSISTEMA DE ENSINO

Público – 64,6% (20830)

Universitário – 11 900 (36,9%)

Politécnico – 8930 (27,7%)

Privado – 35,4% (11426)

Universitário – 8108 (25,1%)

Politécnico – 3318 (10,3%)

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NOTAS

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OPORTUNIDADES: MAIORES DE 23

O ‘Maiores de 23’ destina-se a pessoas com elevada experiência profissional sem curso superior. O candidato apresenta uma tese sobre a sua área profissional que será avaliada por um júri.

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ACESSO: 1.ª FASE EM ABERTO

Os alunos que fizeram os exames nacionais na 2.ª fase ainda podem candidatar-se à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior de 31 de Julho a 7 de Agosto.

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COLOCAÇÕES: SETEMBRO

As listas de colocação serão divulgadas a 14 de Setembro. A segunda fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior decorre entre os dias 14 e 18 de Setembro.

in Correio da Manhã - 26 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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26 Julho 2009 - 18h11 | fernando
Senhora ministra eu nao compriendo tantos medicos sem trabalho e porque vem medicos de fora serao a borla? acho estranho
26 Julho 2009 - 16h02 | andrade morais
Não faz mal, que o Sócrates já prometeu subsídio de desmprego para toda a gente, inclusive para quem não acabou o curso
26 Julho 2009 - 15h03 | Luisa Baião
A maioria deles quando iniciaram o curso já deviam de contar com isso.Mas,todo o mundo quer ser doutor...
26 Julho 2009 - 11h46 | contribuinte
De facto estão mais bem preparados para fazer outros serviços!ou só querem gabinetes? e quem faz o trabalho para a econo
26 Julho 2009 - 10h59 | Sempre atenta
São poucos os que têm um lugar à sua espera quando acabarem os cursos, e nem seria justo...têm fazer o que aparecer!
26 Julho 2009 - 10h57 | Sempre atenta
Ter um canudo não significa que tenha emprego, portanto noutras áreas poderão ser mais úteis com a formação que têm!...
26 Julho 2009 - 10h30 | nathan
Estar desempregado,nao e nada agradavel. Mas, isto prova que Pt. e o pais dos doutores.
26 Julho 2009 - 07h40 | sponte
Peçam ao ministro do Ensino Superior para lhes dar trabalho. O Gago sempre disse que não há desemprego no sector
26 Julho 2009 - 06h18 | ana
Que tristeza tantos anos a estudar e no fim nao ter trabalho e muitos a passar mal
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Grandes empresas farmacêuticas faturam bilhões com a gripe A




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Algumas das maiores companhias farmacêuticas do mundo estão auferindo bilhões de dólares em receita adicional, em meio à preocupação global sobre a expansão cada vez maior da gripe suína. É o que informa o insuspeito Financial Times.

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Por Cristovão Feil, para o Diário Gauche


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Analistas estimam alta significativa nas vendas da GlaxoSmithKline, da Roche e da Sanofi-Aventis, quando elas divulgarem nos próximos dias resultados do primeiro semestre engordados por encomendas governamentais de vacinas contra a gripe e medicamentos antivirais. A informação é do Financial Times.

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As novas vendas - ao mesmo tempo em que a suíça Novartis e a americana Baxter, que também produzem vacinas, já divulgaram resultados expressivos - surgem no momento em que o mais recente cômputo aponta para um total de mais de 700 vítimas fatais do vírus da gripe A (H1N1) e para milhões de pessoas infectadas em todo o mundo.

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A britânica GlaxoSmithKline (GSK) confirmou que até o momento já vendeu 150 milhões de doses de uma vacina pandêmica contra a gripe (o equivalente ao total anual de vendas de vacinas sazonais contra a doença), a países como o Reino Unido, os EUA, a França e a Bélgica, e anunciou que estava se preparando para expandir a produção.

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A GSK também produz o Relenza, um medicamento antivírus que reduz a duração e atenua a severidade da infecção, e está se preparando para ampliar a produção, rumo a uma meta de 60 milhões de doses anuais. O governo do Reino Unido encomendou 10 milhões de doses do medicamento neste ano.

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Um dos principais beneficiários do temor crescente de uma pandemia foi a suíça Roche, que vende o Tamiflu, o principal medicamento antiviral usado no combate à gripe, e registra alta considerável nos pedidos de governos e empresas privadas.

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Uma pesquisa do banco de investimento americano JPMorgan Chase estimou, na semana passada, que governos de todo o mundo já teriam encomendado quase 600 milhões de doses de vacinas contra a pandemia e adjuvantes (produtos químicos que aumentam sua eficácia). Isso representa US$ 4,3 bilhões em vendas, e existe o potencial de vender mais 342 milhões de doses de vacina, ou US$ 2,6 bilhões, no futuro próximo.

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O JP Morgan Chase previu que novos pedidos de antivirais podem elevar as vendas da Roche e da GlaxoSmithKline em mais US$ 1,8 bilhão nos países desenvolvidos e, em potencialmente, mais US$ 1,2 bilhão nas nações em desenvolvimento.

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Mas também existem incertezas para os fabricantes de produtos farmacêuticos. Com a probabilidade de demanda superior à oferta e os lotes iniciais de produção sugerindo que o rendimento da vacina contra a pandemia é relativamente baixo, as companhias podem ter de enfrentar escolhas difíceis na alocação de produtos aos diferentes países que estão apresentando encomendas.

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As companhias também estão sob pressão para fornecer mais medicamentos e vacinas gratuitamente, ou a preços extremamente baixos, para os países em desenvolvimento.

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Fonte: Blog Diário Gauche

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in Vermelho - 24 DE JULHO DE 2009 - 16h13

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A nova Influenza



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por Eduardo Bomfim*

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No momento em que escrevo este artigo o número de óbitos provocados pela nova gripe A (H1N1) é de 24 pessoas, o que deverá aumentar em escala progressiva devido ao seu caráter epidêmico, muito embora o seu grau de virulência seja inferior ao previsto, dizem as autoridades sanitárias mundiais e brasileiras.
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Mas algumas questões consideradas sérias já foram levantadas desde as epidemias de Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) e gripe Aviária lá mais ou menos por 2003.

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Uma dessas observações diz respeito ao risco de disseminação de pandemias provocada pelos métodos industriais da criação ultraconfinada de aves e suínos, em todo o mundo, ocasionando graves problemas sanitários e, afirmam os cientistas, condições propícias à proliferação de agentes infecciosos.

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Outra causa das epidemias que rapidamente se espalham pelo planeta é que o mundo ficou pequeno devido ao extraordinário encurtamento das distâncias através dos atuais meios de transportes.

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No entanto, essa não é a explicação ideal e ela pode muito bem servir como cortina de fumaça para encobrir as causas fundamentais desse problema cada vez mais sério e com intervalos entre uma e outra manifestação mundial cada vez mais curtos.

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Além das referidas técnicas internacionais de criação intensamente confinada de aves e suínos, com preocupações sanitárias e epidemiológicas em iguais proporções, o historiador e cientista norte-americano Mike Davis da Universidade da Califórnia alerta para outras razões também muito sérias.

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Ele afirma, baseado em pesquisas, que a maioria da humanidade não tem acesso às vacinas e aos fármacos antigripais e que os remédios de salvação para pandemias deveriam ser um direito humano global, mas a Organização Mundial de Saúde não obteve consenso nenhum sobre esse aspecto entre os países do primeiro mundo.

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Não há consenso e não se impediu o monopólio, a sede irrefreável por lucros fabulosos, auferidos pela grande maioria das poderosas indústrias farmacêuticas multinacionais que detêm as patentes dos principais antibióticos e antigripais.

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E finalmente declara que se a Terra transformou-se em uma aldeia global o mesmo pode-se dizer sobre a atual tragédia mundial dos sistemas de saúde pública, inclusive no Brasil.

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*Eduardo Bomfim, Advogado



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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in Vermelho -
25 DE JULHO DE 2009 - 20h09
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Gripe suína e o surto de desinformação




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O jornal Folha de S. Paulo estampou em manchete no último domingo (19) que a chamada gripe A, apelidada de gripe suína, “deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses” e no texto da matéria vai ainda mais longe: diz que poderá infectar até “67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas”. O jornal usou projeções estatísticas feitas para outras doenças e em outras circunstâncias para se chegar a estes números absurdos. Segundo o médico Eduardo Carmo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, que serviu de fonte para a reportagem, o jornalista foi alertado sobre esse erro e, mesmo assim, o jornal publicou a falsa informação. Esta conduta criminosa deveria render uma multa pesada para o jornal e a demissão sumária do jornalista e editores que incentivam este tipo de manipulação.

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Segundo o Ministério da Saúde, em 2007 (não há dados consolidados sobre 2008), morreram no Brasil mais de 42 mil pessoas vítimas de doenças respiratórias como pneumonia e gripe comum. Até ontem, em todo o mundo, o número de pessoas que morreram em decorrência da gripe A não chegava a mil. Segundo a União Européia, 843 mortes em todo o mundo e cerca de 167 mil casos já registrados em laboratórios. Ou seja, não há motivo nenhum para se acreditar que a nova gripe se transforme numa pandemia letal como foi no passado a gripe espanhola.

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Por que então a mídia insiste no tom alarmista? Fazer uso político de um problema de saúde pública pode ser uma das explicações.

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Afinal, já vimos este filme antes, no início de 2008, quando a mídia anti-Lula percebeu que poderia usar o aumento dos casos de febre amarela como argumento para torpedear o governo. Naquela ocasião, o pânico disseminado pela irresponsabilidade da imprensa levou milhares de pessoas a se vacinarem sem necessidade. Algumas pessoas morreram vítimas dos efeitos colaterais da vacina.

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Agora, percebe-se por parte de alguns jornais e jornalistas a mesma disposição de fazer uso político de um problema de saúde pública, levando desinformação à população que acaba lotando os hospitais e postos de saúde, prejudicando ainda mais o atendimento médico que já é precário na rede pública.

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Epidemia e pandemia são assuntos da esfera da OMS (Organização Mundial de Saúde) e das autoridades sanitárias de cada país. Os veículos de comunicação devem servir como instrumento de esclarecimento e informação à população. A preocupação da imprensa deveria ser a de ouvir especialistas, fazer comparações estatísticas corretas com outras doenças, repetir quais são os cuidados que se deve ter, cobrar do governo em todas as esferas –federal, estaduais e municipais-- quando há problemas no atendimento das clínicas e hospitais.

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No Brasil, o Ministério da Saúde possui uma política consolidada de prevenção a possíveis epidemias de diferentes tipos influenzas pelo Brasil. O Ministério utiliza a comunicação como principal aliado para esclarecer a população e evitar que o vírus da gripe se torne uma epidemia no Brasil. O trabalho das autoridades sanitárias está sendo feito de forma responsável e ágil. Não pode ser prejudicado pela irresponsabilidade e pelas picuinhas políticas de setores da mídia que se alimentam de escândalos e alarmismos.

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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 12h20

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Sábado, Julho 25, 2009

Cresce influência política e econômica da China na América Latina

Mundo | 25.07.2009

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Presença chinesa crescente na região envolve diversos aspectos, do fornecimento de matérias-primas e o fomento a mercados importadores até a formação de lobbies políticos e "soft power". Brasil é um parceiro central.

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O Brasil anunciou há algumas semanas que a China se tornou seu parceiro econômico mais importante nos primeiros seis meses de 2009, superando os Estados Unidos pela primeira vez. Apesar da crise global, o volume de mercadorias brasileiras importadas pela China cresceu mais de 40%.

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Há indícios de que a vantagem chinesa se deve sobretudo à crise econômica e que, passada esta, é provável que os EUA reconquistem o primeiro lugar entre os parceiros do Brasil. Porém, o fato confirma uma tendência na América Latina: a influência da China na região está em alta.

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Negócios e matérias primas

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Kerry Brown, especialista em assuntos asiáticos do think tank britânico Chatham House, compara as relações econômicas entre a China e os latino-americanos ao papel do país na África: "O interesse primordial da China na América Latina são negócios e recursos naturais".

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O comércio é vital para a China, concorda Hanns Günther Hilpert, também especialista em Ásia no Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e Segurança (SWP) em Berlim. Ao conduzir suas relações exteriores, o país tem sempre em mente o benefício de seus interesses comerciais e o próprio desenvolvimento.

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Como no caso da África, Pequim está especialmente interessado em recursos naturais e energia, tendo se tornado o maior importador de cobre, minério de ferro, ouro e petróleo latino-americanos. Mas não se trata de uma relação de mão única, ressalva Hilpert. "A América Latina é um enorme mercado exportador para a China, a atual líder em manufatura industrial."

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De artigos eletrônicos a automóveis, cada vez mais produtos vendidos na América Latina trazem o selo made in China. Ao aumentar suas exportações para a região, Pequim persegue uma estratégia de diversificação. "Eles não querem ficar dependentes demais dos mercados norte-americano e europeu", explica Hilpert.

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Influência política e soft power

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Apesar de seu foco comercial bem definido, a economia não é tudo para os chineses. "É claro que também perseguem certos interesses políticos", comenta Brown. "Eles querem que a primazia da China sobre Taiwan seja reconhecida e fazem disso uma condição para investir em outros países."

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Os taiwaneses ainda mantêm relações com algumas nações da América Central e com o Paraguai, mas a China tenta isolar Taiwan e os governos que o reconhecem, acrescenta Hilpert. "A China também tenta promover seu princípio de não-interferência em questões internas, incluindo as de direitos humanos. Ela procura aliados e pode encontrar alguns entre os latino-americanos."

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Além disso, acrescenta Brown, os chineses também querem ganhar influência através do assim chamado soft power, e já inauguraram diversas sedes do Instituto Confúcio na América Latina.

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Teriam os EUA e a União Europeia motivos para se preocupar com a crescente influência chinesa na região? "A questão não é tanto a América Latina, mas sim a corrida por influência na governança global, e nesse aspecto a China está entre os grandes adversários do Ocidente", explica Hilpert.

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Lucros não são para todos

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Porém, mesmo em termos econômicos, nem toda esperança está perdida para o Ocidente. Como assinalou recentemente o autor argentino Andrés Oppenheimer em sua coluna para o Miami Herald, o investimento direto norte-americano ainda é muito superior ao da China na América Latina e no Caribe. Enquanto as empresas estadunidenses lá injetaram 350 bilhões de dólares em 2007, os chineses não passaram dos 22 bilhões.

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"Mesmo que os investimentos externos da China – voltados principalmente para trens e pontes com o fim de levar matéria-prima até os portos – continuem na proporção atual, demorará décadas até se nivelarem com os dos EUA", calcula Oppenheimer.

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Hilpert acrescenta que, à medida que a presença chinesa se reforça na América Latina, poderá aumentar a crítica à sua política de "nada de perguntas", como ocorreu em relação a seu crescente papel na África. Afinal, nem todos se beneficiam com o empenho econômico chinês na América Latina.

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"Claro que há sentimentos ambivalentes, especialmente quanto às indústrias extrativas", admite o especialista do SWP. "São setores que não contribuem tanto assim para o bem-estar da população, é antes uma minoria reduzida, uma elite que lucra e enriquece. Os pobres e a classe média não são tanto a favor da China quanto essa elite."

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Autor: Michael Knigge
Revisão: Rodrigo Rimon

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Mais artigos sobre o tema

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Sexta-feira, Julho 24, 2009

PS garante que as contas públicas estão controladas

Teixeira dos Santos garante que contas públicas estão controladas

21 Jul O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, garante que as contas públicas estão controladas, apesar do défice do subsector Estado ter registado um agravamento de 5.404 milhões de euros no primeiro semestre de 2009.

21 Jul Défice quadruplica no primeiro semestre de 2009...

21 Jul Receita fiscal cai 21,6% no primeiro semestre de 2009...

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in Jornal de Negócios

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Portugal - Défice sobe para 40 milhões/dia


» VERSÃO IMPRESSAJornal Correio da Manhã

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José Sena Goulão/Lusa Ministro das Finanças admite que Portugal “bateu no fundo”, mas recusa aumento de impostos
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Ministro das Finanças admite que Portugal “bateu no fundo”, mas recusa aumento de impostos
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Orçamento: Derrapagem nas contas públicas quadruplicou

Défice sobe para 40 milhões/dia

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Ana Patrícia Dias

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Portugal "bateu no fundo". Foi com estas palavras que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, descreveu ontem o agravamento do défice do subsector Estado, que atingiu os 7,3 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano. Isto significa um défice de 40,5 milhões de euros por dia.

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De acordo com a Direcção-Geral do Orçamento, o défice quase quadruplicou nos primeiros seis meses do ano, com um agravamento de 5,4 mil milhões de euros, face ao mesmo período do ano passado. Situação que se deveu à quebra acentuada das receitas fiscais (ver quadro) e ao aumento da despesa.

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Só as receitas fiscais, que ascenderam a 13,8 mil milhões de euros, registaram uma quebra de 21,6%, influenciada pelo aumento dos reembolsos do IVA e do IRS e pela redução do IVA de 21% para 20%.

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A despesa, que se situou nos 23,4 mil milhões, aumentou 5,4%, devido aos programas de apoio ao emprego e investimento e ao pagamento de dívidas de organismos públicos aos credores. No caso das despesas da Segurança Social, que aumentaram 10,6%, há que sublinhar os custos com os subsídios de desemprego, que dispararam 24%.

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O ministro Teixeira dos Santos assegurou que as contas públicas estão controladas e apontou uma recuperação já a partir deste mês.

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O ministro rejeitou ainda um aumento de impostos ou um orçamento rectificativo para corrigir o aumento do défice.

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PORMENORES

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NOVAS CONTAS

O PSD vai pedir à Unidade de Apoio Técnico Orçamental para calcular o valor do défice 'para que não haja surpresas no próximo Governo'.

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RETOMA

Honório Novo (PCP) considera que o agravamento do défice contraria o entusiasmo que o Governo pretendia dar ao anunciar a retoma económica.

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POLÍTICA ECONÓMICA

Paulo Portas (CDS-PP) responsabilizou a política económica do Governo pelo aumento do défice das contas públicas.

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DESEQUILÍBRIO

Francisco Louçã (BE) diz que o aumento do défice mostra queno final do ano o desequilíbrio será 'superior ao previsto'.

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in Correio da Manhã -
22 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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24 Julho 2009 - 11h13 | A.Cabaça
40 milhões por dia,coisa pouca!!!!Este desgoverno já hipotecou o futuro de Portugal e dos portugueses.BASTA!!! RUA!!!!!
22 Julho 2009 - 16h24 | Alberto Lopes
O défice é enorme porque este Governo nunca soube cortar na despesa pública. Limitou-se a aumentar os impostos.
22 Julho 2009 - 16h21 | Maria Martins
O problema é se à para lá de um fundo. Ai é que eu quero ver como é!
22 Julho 2009 - 16h15 | JB
A prova que batemos no fundo (o pior possivel) é que o PIB vai decrescer no próximo ano relativ/ a 2009...é só crâneos..
22 Julho 2009 - 14h30 | Carlota Brandao
O que inventará agora o Governador do BP para poder culpar o PSD?
22 Julho 2009 - 13h24 | Maria Yolanda
Há menos de 1 mês disse que estava tudo bem e hoje batemos no fundo?Que inventará Constâncio agora para culpar o PSD?
22 Julho 2009 - 13h00 | jasr
Que tristeza!Há cidades no mundo c/mais habitantes que Portugal inteiro e não há quem saiba governar este país.
22 Julho 2009 - 13h00 | marco vitorino
É comédia as Finanças, que faz lembrar o policial psicopata SLEDGEHAMMER:Dizia:Confia em mim sei o que estou fazendo!LX
22 Julho 2009 - 12h54 | Joaquim
Gostam? Continuem a votar PS e PSD que eles continuarao a fazer igual
22 Julho 2009 - 11h22 | Jorge Towers Lx (Má Gestão)
Ainda kerem maioria!Pra kê?Pra fazer buraco no fundo!Tiveram tempo pra fazer o k keriam.Agora, dêem o lugar a outros!OK!
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Crédito: Famílias e empresas têm mais dificuldades

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Ricardo Reis As famílias estão com mais dificuldades para pagar os empréstimos contraídos para comprar casa
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As famílias estão com mais dificuldades para pagar os empréstimos contraídos para comprar casa
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* Sandra Rodrigues dos Santos

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Malparado atinge 7,55 mil milhões

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A cada mês que passa torna-se mais difícil às famílias e às empresas pagarem os créditos contraídos. O montante total dos empréstimos de cobrança duvidosa atingiu os 7,55 mil milhões em Maio último, depois de ter duplicado entre as empresas e de ter atingido o valor mais elevado desde 1999 entre as famílias.
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O crédito malparado dos agregados familiares subiu 856 milhões de euros num ano, fixando-se nos 4,10 mil milhões de euros em Maio último, de acordo com os dados do Boletim Estatístico ontem divulgado pelo Banco de Portugal. A cobrança duvidosa tem já um peso de 2,58 por cento no total de crédito concedido.

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Sinal claro das dificuldades sentidas pelas famílias é o facto de o malparado ter atingido o valor mais alto de que há registo na habitação, fixando-se nos 1,76 mil milhões de euros. Já nos empréstimos ao consumo, o montante subiu para os 941 milhões de euros. Não parece uma quantia elevada relativamente à habitação, mas o peso do malparado no crédito ao consumo superou os 6 por cento pela primeira vez desde 1998.

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Esta evolução no malparado, aliada ao actual contexto económico de aumento do desemprego e a uma maior restrição nas condições impostas pelas instituições financeiras, tem feito abrandar a concessão de empréstimos. O total do crédito concedido às famílias fixou-se em Maio nos 133,73 mil milhões de euros, o que representa uma taxa de variação anual de 1,9 por cento, um acentuado contraste com os níveis verificados entre 2005 e os primeiros meses de 2008, quando este indicador rondava os 10 por cento.

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Entre as empresas a situação é igualmente difícil. Com as vendas e as exportações em declínio, o crédito de cobrança duvidosa duplicou no espaço de um ano, para ascender aos 4,10 mil milhões em Maio

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Pelo lado da poupança, a tendência de aumento dos últimos meses inverteu-se, e agora os depósitos das famílias caíram 894 milhões de euros entre os meses de Abril e Maio.

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in Correio da Manhã -
22 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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22 Julho 2009 - 13h40 | Zé Cardoso
Os banqueiros e as donas brancas, que paguem com o dinheiro que têm roubado às famílias! Não fazem nenhuma obrigação.
22 Julho 2009 - 11h17 | Jorge Towers Lx ( Crédito Único)
O Créd.Consolidado(1só prestação) seria a melhor opção pra pagar as dividas.Mas, são teimosos!Assim,o buraco só aumenta!
22 Julho 2009 - 07h15 | NS40
Já está tudo arrebentado, esqueçam o passado e comecem do zero é melhor porque ninguém consegue pagar a ninguém.

Manchetismo




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por João Guilherme Vargas Netto*
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Na sexta-feira, dia 17, os jornalões noticiaram, nas capas ou em manchetes da página de economia, a criação de empregos formais em junho e o saldo total no primeiro semestre de 2009 de acordo com o Caged.

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Os números, secos, seriam: 119,5 mil novas vagas no mês e 300 mil no acumulado do primeiro semestre (em ambos os casos os números referem-se aos saldos entre contratações e demissões).

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Mas, vejam as manchetes!

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O Globo (Economia): “Crise faz criação de empregos formais no país despencar 78% no semestre” e “Foram criadas 299 mil vagas com carteira, pior resultado da última década.”

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O Estado de S. Paulo (Economia): “Emprego com carteira assinada tem o pior junho desde 2001” e “Caged mostra que País criou 119,5 mil novas vagas no mês, 9% menos do que em maio.”

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Folha de S. Paulo (Capa e Economia): “Brasil deixa de criar 1 milhão de postos formais” e “País deixa de criar 1 milhão de vagas no ano- De janeiro a junho foram gerados 300 mil postos de trabalho formais, ante 1,36 milhão no mesmo período de 2008.”

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Todo esse manchetismo nos jornalões era contrastado pela informação estratégica na capa do Valor Econômico, bem ao gosto dos empresários que muito além da política e da gritaria, precisam de verdade: “Metade dos empregos estão de volta” (Referindo-se à recuperação de 50% dos postos de trabalho perdidos durante a crise).

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O manchetismo confirma o ditado sobre a tortura interesseira dos números: há varias maneiras de mentir, uma delas é a estatística.




*João Guilherme Vargas Netto, É consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 24 DE JULHO DE 2009 - 16h25
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Crise será superada, mas é parte do capitalismo, diz comunista



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Renildo Souza, membro do Comitê Central do PCdoB e especialista em economia, foi o responsável por apresentar aos alunos do curso de nível 3 da Escola Nacional o documento-base sobre a crise capitalista, que faz parte das discussões do 12º Congresso do partido. “A crise vai ser superada, mas é importante que se diga que faz parte da natureza do capitalismo. Então, haverá novo ciclo de expansão e, depois, novas recessões”, apontou.
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Souza critica ajuda a bancos
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“Temos uma crise de grande extensão e profundidade. Cerca de oito trilhões de dólares se evaporaram na riqueza das famílias desde o terceiro trimestre do ano passado até maio; 80 bancos foram fechados nos EUA desde 2007; o desemprego atingiu 9,5% nos EUA e na zona do Euro no primeiro semestre e 8,5% na América Latina. Essa é a dimensão da destruição dessa crise”, exemplificou Renildo Souza. “A lenda do mercado autorregulado conduziu ao desastre”, disse, citando documento-base.

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A partir dessa análise inicial, Souza partiu para a diferenciação entre as concepções econômicas. Para os neoliberais (pensamento neoclássico), “a produção cria seu mercado”. Seus pilares são “a impossibilidade de superprodução geral, o equilíbrio geral dos mercados e a auto-regulação dos mercados”.

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Falando dos keynesianos, Souza destacou que, segundo tal linha de pensamento, “a crise é possível, porém evitável pela intervenção do Estado, que preservaria o capitalismo”. Já para os marxistas, “a crise é intrínseca, inevitável e periódica e é imposta pelas próprias contradições da acumulação capitalista”. No sistema, “o lucro é a sua finalidade e se choca com as necessidades sociais e do meio ambiente; trata-se da necessidade inevitável de aumentar a produção pela produção e de explorar a mais-valia dos trabalhadores”.

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As faces da crise

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Souza apontou como quatro os conjuntos de características fundamentais da fisionomia da crise atual: revés da dominância financeira e insolvência latente dos mercados financeiros internacionais; recessão, queda dos preços e dos investimentos, desemprego; falência da política de liberalização econômica, comercial e financeira; aprofundamento do declínio relativo da economia dos Estados Unidos e nova divisão internacional do trabalho, com destaque para a China.

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Resultante da dominância financeira, a recessão surge, conforme apontou o dirigente, de “décadas de liberalização, hipertrofia e especulação da finança; da exacerbação do peso do capital fictício na dinâmica do capitalismo contemporâneo; da unidade dialética entre esferas da produção e da finança; da inviabilidade da contínua e expansiva punção da mais-valia para remunerar a especulação financeira; da maior polarização entre miséria e riqueza e da dominação da oligarquia financeira”.

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“O Estado capitalista intervém para salvar o capitalismo”, disse Souza, para lembrar que a crise atual deixou isso ainda mais latente. “Vimos a desmoralização do neoliberalismo a partir da necessidade da intervenção do Estado na economia, com trilhões de dólares, para socorrer o mercado ‘livre, autoregulado e eficiente’”.

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Souza reafirmou ainda o aspecto mais cruel da crise. “Quem mais sofre seus efeitos são os trabalhadores por causa do desemprego, dos cortes de salários e do cancelamento de direitos trabalhistas”. Por outro lado, apontou que para “salvar” a economia, os governos dos EUA e da Europa “lançaram pacotes trilionários voltados para bancos e empresas, sem contrapartida na garantia do emprego dos trabalhadores”. Por isso, para ele é essencial que haja “pressão política e mobilização dos trabalhadores em defesa dos seus direitos” no sentido de se garantir “o socialismo como alternativa ao capitalismo e suas crises”.

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De São Paulo,
Priscila Lobregatte

Leia aqui a tese sobre a crise do capitalismo

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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 18h10

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Para dirigente, multipolaridade ajuda na luta pelo socialismo

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Dando continuidade às análises dos documentos apresentados para o 12º Congresso do PCdoB durante o curso de nível 3 da Escola Nacional do PCdoB, o membro do Comitê Central Dilermando Toni apresentou, em linhas gerais, o texto focado na conjuntura internacional. A aula foi ministrada dia 20, em Atibaia e foi seguida das apresentações dos dirigentes Renildo Souza e Nádia Campeão.
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Toni levanta limites dos EUA
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Em sua apresentação, Dilermando Toni focou-se na crise, na eleição de Obama, na ação dos EUA no cenário mundial, nos avanços revolucionários e progressistas na América Latina, na transição ao socialismo e na atual correlação de forças em nível mundial, pontos principais do documento-base.

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Segundo ele, a dinâmica não sustentável da economia mundial entrou em crise a partir da economia parasitária dos Estados Unidos, penalizando milhões de trabalhadores em todo mundo. “Esta é a consequência mais perversa”, assinalou. Toni lembrou que “a solução corrente, com o uso de pacotes de salvamento que se elevam a vários trilhões de dólares, mostram o verdadeiro papel do Estado burguês”.

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Isso coloca para os comunistas a necessidade de garantir, na ordem do dia, a discussão sobre a via socialista como saída para as recorrentes crises inerentes ao capitalismo. “O sistema resolve suas crises aumentando a exploração dos trabalhadores e a pressão sobre países emergentes, o que mostra o esgotamento histórico do capitalismo”. Além disso, apontou que “não se pode aceitar que o ônus da crise seja jogado sobre os trabalhadores e deve-se apoiar medidas que visem proteger e fortalecer a economia nacional”.

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No que diz respeito à posição política dos EUA nos mundo, Dilermando Toni apontou a mudança de postura da Casa Branca a partir da eleição de Barack Obama. “Há maior investimento na tática do smart power (poder inteligente), que privilegia a via diplomática, porém vem casada com a manutenção do poder militar para garantir a hegemonia estadunidense. No fundo, o imperialismo não muda de natureza”.

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Onda latinoamericana

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Sobre a América Latina, o dirigente salientou a onda progressista, revolucionária e antiimperialista que tem tomado o continente. “Até pouco tempo atrás, aqui só se falava em neoliberalismo. O retorno dessa discussão sobre o socialismo é altamente positiva, por mais mesclada que essa onda se apresente”.

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Segundo Toni, a América Latina tem procurado “se integrar de maneira crescente e não apenas no aspecto econômico, mas também entre as nações. Isso faz com que sejam criados pólos contra-hegemônicos, o que é significativo num continente que sofreu forte intervenção do imperialismo”. Mas, alertou, “é ilusão achar que os EUA deixaram de tentar interferir. Mesmo que façam discurso mais ameno do que antes, na verdade tentam isolar a Venezuela e ganhar o Brasil pelo seu papel estratégico”.

Tradicionalmente praticante de uma política imperialista, os Estados Unidos se veem agora diante de um novo quadro marcado pela piora de sua situação econômica e pela transição de uma fase unipolar para a multipolaridade. “Para eles, agora, é importante manter o status quo nuclear, não deixando que outros países possuam poder dissuasivo; manter os mercados de capitais liberalizados para que seus capitais possam circular livremente conforme os interesses de sua oligarquia financeira e superar sua crescente dependência energética”.

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Portanto, a geopolítica internacional é hoje marcada, de um lado, pelo parasitismo dos EUA, por seu isolamento crescente e por suas grandes dívidas; por outro, está marcada pelo surgimento de novos atores da periferia do sistema, como os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

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Esses países também trazem inovações numa “situação inédita”, conforme definição do dirigente, por gerarem “uma nova divisão internacional do trabalho”, utilizarem fontes de energia variados, fortalecerem suas empresas estatais e terem grande peso no aumento das reservas internacionais, além de três deles possuírem poder atômico.

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A China, por sua vez, desponta como mais forte desse grupo de países. “Firma-se como potência econômica mundial e procura avançar e conquistar posições. A China sai relativamente fortalecida da crise, com crescimento de 7,9% no segundo semestre deste ano em comparação com o ano passado”. Além disso, colocou que “os três maiores bancos do mundo agora são chineses, e são estatais. Pelo câmbio corrente, já em 2011 seu PIB deverá ultrapassar o do Japão, hoje o segundo maior do mundo”.

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A multipolaridade, segundo Toni, “ajuda na luta pelo socialismo”. Porém, ressaltou: “apesar do quadro de transição, o imperialismo ainda é amplamente dominante do ponto de vista econômico, político, ideológico e militar e ainda é o principal adversário dos povos. Apesar dos avanços na acumulação, a correlação de forças não se alterou substancialmente. Trata-se de fortalecer ainda mais a luta antiimperialista, pela paz e pelo socialismo”.

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De São Paulo,
Priscila Lobregatte

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Acesse aqui o Projeto de Resolução Política - Internacional

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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 17h07

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O vergonhoso papel da Igreja em Honduras



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O golpe militar em Honduras relembra o triste papel da Igreja Católica na defesa dos privilégios dos ricaços na América Latina. Nas décadas de 1960/1970, a sua alta hierarquia organizou as marchas com “Deus, pela família e pela propriedade”, preparando o clima para a derrubada de presidentes nacionalistas. Com seu discurso anticomunista, ela deu apoio ostensivo a sanguinárias ditaduras. No Chile, ela abençoou o fascista Pinochet; na Argentina, alguns “religiosos” participaram até de sessões de tortura. Esta ligação carnal com os poderosos rachou a Igreja, com o florescimento da Teologia de Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base, ligadas aos anseios populares.

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Por Altamiro Borges, em seu Blog*

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Este setor progressista cresceu e jogou papel de destaque na luta pela democracia e por reformas profundas no continente. Mas com a ascensão do cardeal polonês Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, houve nova guinada direitista no Vaticano, que investiu para dizimar os religiosos mais engajados nas lutas dos povos “pelo reino de Deus na Terra”. A hierarquia ligada aos poderosos retomou a ofensiva e voltou a cometer atrocidades, como no frustrado golpe na Venezuela de abril de 2002, no apoio aos separatistas da Bolívia ou nas ações de desestabilização do governo de Cristina Kirchner na Argentina. Agora, ela novamente mostra sua fase horrenda em Honduras.

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Papável com as mãos sujas de sangue

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Logo após o golpe de 28 de junho, a Conferência Episcopal de Honduras divulgou nota de apoio aos militares e condenou o presidente Manuel Zelaya por “traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de funções”. Já o cardeal Oscar Rodriguez Madariaga, que chegou a ser cotado para substituir o reacionário Wojtyla no Vaticano, implorou na TV que Zelaya não retornasse ao país. Agora, num habilidoso jogo de poder, a Igreja Católica tenta se cacifar politicamente. “Depois da clara aprovação do golpe, a máxima hierarquia eclesiástica reproduz, numa linguagem melosa e hipócrita, os convites ao diálogo, ao consenso e a reconciliação”, critica o filósofo Rubén Dri.

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A alta hierarquia católica está temerosa com a onda de revolta da população. “O nosso país vive um caos. Não sabemos o que vai acontecer. Nas ruas, as manifestações ocorrem num ambiente de grande incerteza. As manifestações a favor do ex-presidente são muito agressivas, no sentido de que sujam tudo, e ocorreram vários atos de vandalismo em defesa de Zelaya”, apavora-se o elitista Carlos Nuñez, secretário particular do cardeal Maradiaga. A Igreja Católica de Honduras, bastante distanciada do povo, tem perdido prestígio no país. Em 2006, por exemplo, 15 paróquias foram assaltadas e 35 imagens sacras sumiram. No começo deste ano, ela solicitou proteção para os seus templos. Com o apoio ao truculento golpe militar, a tendência é a descrença aumente.

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Rejeição nas bases católicas

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A ação golpista do papável Oscar Rodrigues não foi consensual nas bases da igreja hondurenha. O bispo Luis Affonso, da Diocese de Copán, repudiou “a substância, a forma e o estilo com que se impôs ao povo um novo chefe do Poder Executivo”. Já a Rádio Progresso, ligada aos jesuítas e que se opôs ao golpe, foi invadida por 25 militares, que ordenaram o cancelamento “de maneira absoluta da programação” e agrediram os trabalhadores. Ela também gerou críticas do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), que condenou o golpe, e causou mal-estar até no Vaticano.

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Segundo o correspondente do jornal Clarín em Roma, caiu a máscara do cardeal. “Considerado um papável no conclave de abril de 2005, que elegeu Bento 16, com seu gesto lamentável ele perdeu todas as chances que ainda tinha de ser o eventual sucessor do atual pontífice. Maradiaga, um dos mais conhecidos cardeais latino-americanos, com vastos contatos em todos os níveis da Cúria de Roma, fez mais do que apoiar o golpe. Sua Eminência é um inspirador dos golpistas. Ele os brindou com uma cobertura que os reforça e contribui ainda mais para ferir a causa democrática na America Latina, onde os golpes de Estado pareciam um anacronismo superado."

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O golpismo da Conferência Episcopal de Honduras confirma as opiniões do escritor uruguaio Jorge Majfud. “Na América Latina, o papel da Igreja Católica quase sempre foi o dos fariseus e dos mestres da lei que condenaram Jesus na defesa das classes dominantes. Não houve ditadura militar, de origem oligárquica, que não recebesse a benção de bispos e de sacerdotes influentes, legitimando a censura, a opressão e o assassinato em massa dos supostos pecadores... Agora, no século 21, o método e os discursos se repetem em Honduras como uma chibatada no passado”.

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* Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/

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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 20h39

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Eva Gollinger: EUA dizem que não houve golpe em Honduras




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Após três semanas de um discurso ambíguo por parte de Washington sobre o golpe de Estado em Honduras, finalmente a diplomacia norte americana declarou que não considera o que se passou naquele país como um golpe de Estado. Foi o que disse o porta voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, numa conferência de imprensa em Washington., no último dia 20. Um jornalista perguntou se o governo norteamericano considerava os acontecimentos em Honduras como um “golpe de Estado”, ao que o porta voz respondeu com rotundo “Não”.

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Por Eva Gollinger


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Nas últimas semanas, desde que se deu o nefasto golpe de Estado em 28 de junho, o Departamento de Estado se negou a responder com clareza sobre o que pensa da situação. Desde o primeiro dia, a Secretária de Estado Hillary Clinton não reconheceu os acontecimentos como sendo um “golpe” e nem exigiu claramente a restituição do presidente Zelaya ao poder. Em todas as suas declarações a respeito sempre se refere às “duas partes do conflito”, legitimando assim aos golpistas e tornando responsável ao presidente Zelaya.

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Desde então, apesar das diversas referências ao “golpe” de Honduras, o Departamento de Estado se negou a qualificar de golpe de Estado, o que o obrigaria a suspender toda classe de apoio econômico, diplomático e militar ao país. Em 1º de julho, os porta vozes do Departamento de Estado explicaram desta maneira: “Em referência ao próprio golpe, o melhor seria dizer que foi um esforço coordenado entre os militares e alguns grupos civis.”

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De início, os porta vozes do Departamento de Estado disseram que seus advogados estavam “analisando” os fatos para chegarem a uma conclusão sobre se o que realmente havia ocorrido em Honduras era um golpe de Estado. Contudo, após a reunião entre a Secretária Hillary Clinton e o presidente Manuel Zelaya, no dia 7 de julho, a diplomacia norte americana se negou a opinar sobre o assunto para não “influir” no processo de “negociação” posto em marcha por Washington.

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Entretanto, a segunda-feira, 20 de julho, foi um dia esclarecedor. Admitiu-se perante o mundo que Washington não considerava que havia ocorrido um golpe de Estado em Honduras. Assumindo esta postura, o governo dos Estados Unidos se junta ao regime golpista de Honduras e seus aliados, a maioria dos quais é composta por antigos golpistas ou agentes da inteligência estadunidense.

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A União Européia, as Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e todos os países da América Latina rejeitaram os acontecimentos em Honduras e disseram tratar-se de um golpe de Estado. A administração de Obama se isola com os golpistas ao negar o golpe, legitimando – .desta maneira – o afastamento do presidente Zelaya.


Que isto sirva de lição a Zelaya e aos demais

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Durante a mesma conferência de imprensa do dia 20 de julho, o porta voz Phillip Crowley disse ainda algo mais revelador sobre a posição de Washington diante dos fatos ocorridos em Honduras. Perguntado sobre uma suposta ruptura entre o governo venezuelano e o presidente Zelaya a propósito do processo de negociação na Costa Rica, Crowley disse o seguinte: “Acreditamos que se tivéssemos que eleger um modelo de governo e um líder na região para que os demais países o seguissem, a atual liderança da Venezuela não seria o modelo indicado. Se esta é a lição que o presidente Zelaya aprendeu com esse episódio, então terá sido uma boa lição.”

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Essa declaração de Washington confirma que o golpe de Honduras é um esforço para acabar com a ALBA e o bolivarianismo que cresce e se amplia em toda a região. Crowley também afirma que o golpe contra Zelaya é uma mensagem a outros governantes da América Latina que estão estreitando seus vínculos com a Venezuela. É como dizer a esses governantes: “se vocês se aproximam da Venezuela, poderão ser derrotados por um golpe de Estado ou outro tipo de agressão”, que seria respaldada por Washington e justificada como uma medida para livrar a região da “ameaça chavista”

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Um jornalista insistiu no assunto e perguntou ao porta voz do Departamento de Estado:

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“Quando disse que o governo venezuelano não deve servir de exemplo de governo para outros líderes...” Cinicamente Crowley interrompeu o resto da pergunta e acrescentou: “Creio que me expressei com muita clareza...”

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Devido às implicações da resposta, o jornalista insistiu: “Pode repetir?... É como justificar o golpe de Estado, porque o senhor está dizendo que se algum governo tentar seguir o modelo socialista de governo da Venezuela, seria justo derrubar esse governo? Pode explicar sua declaração sobre a Venezuela?

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Crowley respondeu à pergunta do jornalista com um silêncio de cumplicidade. Em seguida, aproveitou o momento para agredir a Venezuela: “Temos preocupações sobre o governo do presidente Chávez, não somente sobre o que tem feito em seu próprio país – perseguir a imprensa, por exemplo – e os passos que tem dado para limitar a participação e o debate dentro do seu próprio país. Também estamos preocupados com os passos que ele tem dado em relação a alguns de seus vizinhos... e a intervenção que temos visto por parte da Venezuela em relação a outros países, Honduras por um lado e a Colômbia por outro. E quando temos diferenças com o presidente Chávez, somos muito claros a respeito.”

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Sem dúvida, estas últimas declarações de Washington confirmam seu apoio ao golpe de Estado em Honduras e sua motivação por trás dos acontecimentos. A lição que está dando Washington com este golpe é uma declaração de guerra à Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) e em especial contra a Venezuela.

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Seus ataques se intensificam tanto contra a Venezuela e também contra o Equador e a Bolívia. Com o recente acordo entre o presidente Obama e o presidente Uribe da Colômbia, para o aumento da presença militar estadunidense na América Latina, a nova administração de Washington reafirma que a batalha entre a paz e a guerra continua e que a luta pela libertação dos povos latino americanos da brutal mão do império está apenas começando.

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Eva Gollinger é advogada e pesquisadora com cidadania venezuelana e americana. Publicado originalmente do Rebelión.org. Traduzido por Izaías Almada e reproduzido do site Escrevinhador, do jornalista Rodrigo Vianna (http://www.rodrigovianna.com.br/)


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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 15h55
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The Economist: teoria econômica na berlinda



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A crise internacional colocou em cheque aspectos importantes da teoria econômica. A última The Economist assume que, dentre todas as bolhas, poucas explodiram de forma tão espetacular quanto a reputação da própria economia.

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Por Luciana Seabra, no blog Economia Clara



Segundo o artigo, a nova situação contrasta com a de poucos anos atrás, quando a Economia era aclamada como modo de explicar cada vez mais formas do comportamento humano. Os economistas tornaram-se mais confiáveis do que os políticos.

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O texto cita Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, segundo quem a maior parte dos últimos 30 anos de Macroeconomia foi inútil, na melhor das hipóteses, e prejudicial, na pior delas.

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Duas áreas de conhecimento são colocadas em questão: a Macroeconomia e a Economia Financeira. Os economistas financeiros formalizavam teorias de eficiência, defendiam que os mercados tratavam de se regular e que as inovações eram sempre benéficas. Os macroeconomistas teriam sido complacentes.

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Houve sim advertências, lembra o artigo, e avanços no campo da Economia Comportamental, por exemplo. Esses insights da academia, entretanto, ficavam à margem. Ou seja: havia pouquíssimas vozes gritando para parar.

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Agora, defende o texto, é preciso que macroeconomistas entendam as finanças e que os profissionais das finanças pensem sobre o contexto em que os mercados funcionam. É preciso lembrar que economistas são cientistas sociais, tentando entender o mundo real.

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O artigo procura preservar um pouco a teoria. Considera que o descrédito não pode ir longe demais e que muito do conhecimento acumulado não tem qualquer ligação com a crise. Termino com um trecho interessante, aqui em tradução livre: “Economia é menos um credo servil do que um prisma através do qual entender o mundo”.
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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 15h46

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Agência Financeira -a crise em Portugal soma e segue

BPI chega aos 89 milhões

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Lucro do BPI regista aumento de 880%

BPI lucrou quase 10 vezes mais no primeiro semestre e atingiu 89 milhões. Contas em linha com previsões

BPI admite «dar a mão» ao BPN

Crise: «Estamos a bater no fundo»

Os dados do desemprego

Número de desempregados sobe 28,1 por cento

Há mais de 489 mil inscritos nos centros de emprego. Número sobe 28,1% face ao mês de Maio

PSD alerta: desemprego nos 2 dígitos?

«Está por nascer quem faça mais»

Caso BPP

BPP: João Rendeiro constituído arguido

Antigo presidente do BPP «foi ouvido» e constituído «arguido», tendo ficando com Termo de Identidade e Residência

Olivera e Costa já está em casa

BPP: BdP não substitui administração

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Mercados

- Bolsa fecha em máximos de Maio

- Petróleo segue misto

- Moeda única reforça

Empresas

- M. Capital: lucros de 8,6 milhões

- Lucro da McDonalds cai 8%

- «Lay-off»: Autoeuropa dialoga

Economia

- PS aprova Código Contributivo

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in Agência Financeira - 2007.07.24

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Quinta-feira, Julho 23, 2009

PCP apresenta balanço da sua actividade parlamentar (X Legislatura)


Terça, 14 Julho 2009
Assembleia da RepúblicaO PCP apresentou hoje em conferência de imprensa na AR o balanço da actividade do seu Grupo Parlamentar durante a X Legislatura. Como referiu Bernardino Soares, “o balanço do nosso trabalho parlamentar constitui uma indispensável prestação de contas a que todos os eleitos estão obrigados. Mas constitui também, para o PCP, um compromisso de continuação da luta por uma política de esquerda, que garanta a todos os portugueses uma vida melhor”.




BALANÇO DA ACTIVIDADE DO GRUPO PARLAMENTAR DO PCP
X LEGISLATURA
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14.07.09
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I
No final da X legislatura, a maior desde o 25 de Abril, a situação do país piorou com a política de direita do governo PS. .

Está pior a vida da maioria dos portugueses, com o desemprego, a precariedade, os baixos salários e reformas e o aumento do custo de vida.
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Está cada vez mais comprometido o desenvolvimento do país, com a obsessão do défice e o baixo investimento a promoverem a crescente dependência externa e a contínua destruição do aparelho produtivo.
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Aumentaram as desigualdades na distribuição da riqueza, no acesso aos direitos sociais e laborais e entre grandes e pequenos empresários.
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Cresceu a subordinação do poder político ao económico.
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Degradaram-se os serviços públicos, as funções de Estado e amputou-se a soberania nacional.
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Uma boa parte da ofensiva do governo passou pela Assembleia da República, onde a maioria absoluta garantiu a sua aprovação, voltando a comprovar, se necessário fosse, como são perniciosas as maiorias absolutas de PS e PSD, com ou sem o CDS-PP.
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Entretanto merece crítica a forma como o Governo forçou e está a forçar neste final de legislatura, a Assembleia da República a discutir apressadamente e sem espaço de ponderação suficiente inúmeras propostas de lei. Ao que parece 4 anos e meio de legislatura não chegaram ao Governo para planear o seu trabalho legislativo e vem agora impor, em período totalmente desaconselhável, a aprovação de um significativo conjunto de leis.
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Durante o mês de Maio entraram no Parlamento 26 propostas de lei do governo, várias delas a carecer de discussão pública e versando sobre importantíssimos assuntos. Nas últimas duas semanas foram debatidas 23 iniciativas do governo, que agora estão a ser discutidas na generalidade em precárias condições, por exemplo na comissão de trabalho que tem várias propostas de lei e projectos do PS para votar, após as respectivas audições de sindicatos, ordens e outras entidades.
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A irresponsável pressa é de tal forma que, seja pela sua gravidade motivadora de contestação, seja pela insuficiência jurídica dos diplomas, nada menos do que cinco Propostas de lei baixaram na 6ª feira sem votação por proposta do PS, o que significa que pelo menos algumas delas já não verão a luz do dia.
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Durante esta legislatura e também com o objectivo de esconder a gravidade da legislação que queriam aprovar, o PS e o governo impuseram muitas vezes precárias condições de trabalho legislativo, como aconteceu na discussão do Código de Trabalho, da legislação da Administração Pública e agora do Código Contributivo. No primeiro caso aliás a pressa foi tal que deixaram para trás as coimas referentes à violação de certos direitos dos trabalhadores pelo patronato, que agora vão finalmente corrigir, depois de o terem tentado fazer com recurso a expedientes ilegais.
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Este final de legislatura traduz bem o estado de um governo em dificuldades e que não tem força política enfrentar um debate mais profundo na Assembleia da República.
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II
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Esta legislatura provou também, mais uma vez, que em questões fundamentais e descontadas as tácticas de demarcação em cada momento, PS, PSD e em muitos casos também CDS-PP, adoptam juntos as mais graves políticas.
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Em questões fundamentais o Governo PS deu continuidade às linhas políticas do governo anterior.
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Tal como o Governo PSD/CDS-PP, também o Governo PS fez da obsessão do défice o aspecto fundamental da sua política económica, com uma forte penalização do investimento.
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Tal como o Governo PSD/CDS-PP, também o Governo PS apostou numa política de baixos salários e de baixas reformas.
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Tal como o Governo PSD/CDS-PP, também o Governo PS atacou os direitos dos trabalhadores, seja na área da administração pública, seja através da alteração para pior do código do trabalho, que na oposição tanto criticava.
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Tal como o Governo PSD/CDS-PP, também o Governo PS aumentou as dificuldades das micro, pequenas e médias empresas.
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Na Legislatura que agora termina foram muitos os exemplos de convergência na política de direita entre PS, PSD e frequentemente CDS-PP. Foi assim no denominado “Pacto para a justiça” com a aprovação de um conjunto significativo de leis que tornaram a justiça mais cara e menos acessível para a generalidade dos cidadãos, degradaram as condições do seu funcionamento, procuraram cercear as autonomias das magistraturas e promoveram alterações na lei que fragilizaram a investigação criminal e o combate à criminalidade.
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Foi assim em matéria de defesa e política externa, designadamente no alinhamento com a NATO e as orientações da União Europeia, por exemplo ao negarem o referendo sobre o tratado de Lisboa com que se tinham comprometido com os portugueses.
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Foi assim em matérias fiscais, com a manutenção dos benefícios à banca e às grandes empresas e o prolongamento dos benefícios fiscais para o off-shore da Madeira.
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Foi assim no apoio à banca e sector financeiro, com a convergência na aprovação de avales de 4 mil milhões e de injecções de capital até 20 mil milhões.
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Esta realidade confirma que é necessária uma ruptura com esta política que, à vez, é aplicada por PS, PSD e CDS-PP.
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III
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A actividade do Grupo Parlamentar do PCP constitui um elemento ímpar na Assembleia da República. Apresentámos 258 projectos de lei, 166 projectos de resolução, 79 apreciações parlamentares, mais de 4000 perguntas e requerimentos ao Governo e à administração central. Realizámos centenas de encontros e visitas, uma dezena de jornadas parlamentares, dando resposta às inúmeras solicitações das populações e dos trabalhadores.
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Trata-se de um trabalho ligado às realidades concretas e aos problemas do país, feito na Assembleia da República e fora dela, seja em distritos por onde temos deputados directamente eleitos, seja nos restantes onde nesta legislatura não elegemos.
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O trabalho do grupo parlamentar do PCP destaca-se, mais do que pelo seu expressivo aspecto quantitativo, pelo seu nível qualitativo, dando corpo à denúncia e fiscalização das políticas do governo, ao combate às suas ofensivas políticas e legislativas e à apresentação de propostas alternativas para resolver os problemas do país.
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Foi o PCP que apresentou uma moção de censura de carácter global contra a política do Governo, na sequência da apresentação da proposta de revisão para pior do Código do Trabalho de Bagão Félix. Foi o PCP que em interpelação ao Governo, confrontou o executivo com as consequências das suas negativas políticas, designadamente na saúde, no emprego e direitos dos trabalhadores, nos serviços públicos ou em relação ao estado da democracia.
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O mesmo se diga em relação aos vários debates de actualidade sobre a situação da indústria têxtil, o necessário aumento do salário mínimo, os preços dos bens essenciais e a perda de poder de compra, a taxação dos lucros abusivos das petrolíferas, a segurança ou a supervisão bancária.
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Ou ainda em relação aos debates de urgência sobre o combate à corrupção, a legislação laboral, o financiamento do ensino superior ou a desigualdade na distribuição da riqueza.
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Em matéria de fiscalização o PCP chamou à apreciação parlamentar dezenas de decretos-lei e, através das perguntas e requerimentos ao Governo, questionou-o sobre milhares de problemas e questões concretas, quer de carácter geral e nacional, quer de carácter local, regional ou mais localizado, concretizando efectivamente a ligação entre os seus eleitos e os eleitores.
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O PCP dinamizou, obtendo assinaturas de Deputados de várias bancadas, iniciativas de fiscalização da constitucionalidade em relação ao Código do Trabalho, à legislação da administração pública e ao chamado mapa judiciário, que aguardam ainda decisão do Tribunal Constitucional.
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Foram muitas as questões que o PCP denunciou. As fraudes de grandes empresas na baixa para 20% do IVA, a injusta espoliação de reformados de dezenas de euros com a nova fórmula de cálculo, as indevidas e abusivas multas aos trabalhadores a recibo verde, o favorecimento da Microsoft no aparelho de Estado, a duplicidade de critérios para o encerramento de maternidades públicas e privadas, o desvio de fundos da ADSE para grandes hospitais privados, as cumplicidades deste governo e dos anteriores com as actividades e voos ilegais da CIA, os inúmeros contratos com multinacionais e grandes grupos nacionais cujos apoios públicos o Governo mantém secretos, o abuso de posição dominante das petrolíferas nacionais, a imposição de spreads agravados na revisão de empréstimos à habitação, a contratação a recibo verde de profissionais para a ACT, são alguns exemplos destas denúncias.
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Por outro lado foi decisiva a intervenção do PCP nas comissões de inquérito relacionadas com as ilegalidades no sector bancário e a cumplicidade da regulação, quer no BCP, quer no BPN, que traduzimos aliás em propostas legislativas para reforçar os mecanismos de intervenção do Banco de Portugal (mesmo não tendo sido utilizados os que já estão previstos na lei) e para acentuar a penalização dos que praticaram as ilegalidades de forma a que o crime não compense.
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O PCP esteve na primeira linha da denúncia das promiscuidades entre o interesse público e os interesses privados. Questionámos a confusão entre funções públicas e interesses partidários, designadamente com o aproximar das eleições; criticámos a proliferação de nomeações por critérios políticos e a partidarização do aparelho de Estado; denunciámos escandalosos casos de incompatibilidade entre as funções de Deputado e funções de carácter privado, propondo alterações ao Estatuto dos Deputados.
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Combatendo as mais graves peças legislativas da ofensiva do Governo, o PCP interveio na especialidade com inúmeras propostas concretas, mesmo perante a inamovibilidade da maioria absoluta do PS. Foram, entre outras, cerca de 200 propostas no Código do Trabalho, cerca de 300 no regime do contrato em funções públicas, cerca de 70 no estatuto da carreira docente e mesmo agora cerca de 40 no Código Contributivo.
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A intervenção do PCP na discussão dos vários Orçamentos do Estado foi determinada, quer pela oposição às erradas opções do Governo, quer pela apresentação de alterações no sentido de melhorar o texto a aprovar. De entre muitas, assumem especial importância as que propunham o aumento do investimento público, dos salários, das reformas e de muitas prestações sociais; as que eliminavam injustificados benefícios fiscais, fosse sobre o off-shore da Madeira, a taxa efectiva de IRC da banca ou a tributação de mais-valias especulativas; ou as que protegiam as micro pequenas e médias empresas, como a redução ou eliminação do PEC, a consagração do chamado IVA de caixa em relação à administração pública, aliás durante vários anos rejeitadas pelo PSD que depois as adoptou, entre outras.
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De entre as centenas de iniciativas que o PCP apresentou, algumas marcaram de forma inequívoca o debate político desta legislatura. Foi o caso:
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- da despenalização da IVG, finalmente conseguida até às 10 semanas, apesar de demorada por um processo de referendo a que nos opusemos;
- da proposta original e alternativa de um novo Código do Trabalho garantindo os direitos dos trabalhadores e de uma nova e diferente legislação para o regime laboral da administração pública;
- das várias propostas de apreciação parlamentar, legislativas, de resolução e no Orçamento do Estado, com vista ao alargamento dos critérios do subsídio de desemprego, teimosamente já chumbadas por 7 vezes pela maioria PS;
- da proposta de alteração do regime de lay-off de especial importância face aos abusos sistematicamente verificados;
- da proposta de lei de bases da segurança social e da diversificação das suas fontes de financiamento, provando que uma maior protecção social e a sustentabilidade do sistema público pode e deve ser obtida com novas receitas em vez da penalização das reformas;
- da proposta sobre a criminalização do enriquecimento ilícito, como meio eficaz de perseguir e punir a corrupção;
- do pacote de 7 medidas urgentes de combate à crise apresentado há um ano atrás onde se destacava, entre outras, o estabelecimento de um spread máximo através da Caixa Geral de Depósitos;
- da proposta de referendo ao tratado da União Europeia, que agendámos potestativamente, obrigando à votação de uma matéria onde PS e PSD traíram mais uma vez os seus compromissos eleitorais;
- do projecto sobre o apoio judiciário, o acesso ao direito e o defensor público;
- do regime de gestão democrática dos estabelecimentos de ensino básico e secundário;
- da suspensão do estatuto da carreira docente e do regime de avaliação;
- de um novo regime jurídico da educação especial;
- de um regime especial de apoio aos estudantes do ensino superior, designadamente com acesso à isenção de propinas e reforço de outros apoios;
- da criação de um estatuto para o pessoal científico em formação – os bolseiros;
- do encerramento do comércio ao Domingo;
- da alteração do regime do segredo de justiça para proteger as investigações mais complexas;
- de um novo regime sócio-laboral de protecção dos trabalhadores das artes dos espectáculos;
- da proposta de alteração dos critérios de aumento das pensões em relação ao indexante de apoios sociais, da revogação do factor de sustentabilidade e da garantia da reforma completa aos 40 anos de descontos;
- da proposta de um novo imposto sobre a riqueza elevada permitindo dispor de mais recursos para medidas sociais de combate à crise;
- da alteração das injustas e discriminatórias limitações no acesso ao complemento solidário para idosos;
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A persistência do PCP, mesmo perante a maioria absoluta do PS conseguiu produzir alguns resultados. Foi graças ao PCP que foi corrigida a injusta fórmula de cálculo das pensões, retiradas as multas aos recibos verdes, reduzida a taxa normal do IVA para 20%, tornada obrigatória a comunicação de operações com off-shores, aprovadas resoluções para a utilização do software livre na Assembleia da República, de apoio à produção de leite, e de valorização da fileira da cortiça, permitido o acesso mais fácil à condução de motociclos até 125cc.
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O balanço do nosso trabalho parlamentar constitui uma indispensável prestação de contas a que todos os eleitos estão obrigados. Mas constitui também, para o PCP, um compromisso de continuação da luta por uma política de esquerda, que garanta a todos os portugueses uma vida melhor.
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Os filhos do menino Alberto João estrumam cartas e terreno (0) - Catilinárias de José Maria Martins

Terça-feira, Junho 16, 2009

O Partido Comunista é uma fraude nos regimes democráticos - O PCP está morto, não percebe os tempos modernos pós URSS

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Li , com estupefacção, que o PCP não vai votar favoravelmente a moção de censura ao Governo.
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Veja-se aqui:http://diario.iol.pt/politica/mocao-de-censura-pcp-bernardino-soares/1070188-4072.html
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Ainda Sócrates andava pela Juventude do PSD já eu me via confrontado com o PCP no Alentejo.
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Eu que era militante do PS!
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Em 1974 e 1975 foram tempos díficeis no Alentejo. O PCP tomou de assalto o Alentejo.
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No Alentejo era uma ditadura.
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O PCP era o cacique local.
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Perseguições políticas, violências várias.
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O PCP nunca passou de um partido não democrático, violento, uma verruga no sistema político democrático.
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Álvaro Cunhal podia ser muito inteligente.
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Mas nada mais tinha. Cunha cristalizou antes de 1968.
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Ávaro Cunhal era um candidato a ditador. Nada mais. Nem conhecia o país real.
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O PCP hoje é um tumor na Democracia.
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Um tumor!
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Hoje , na Assembleia da República o PCP tem como Presidente do Grupo Parlamentar um deputado que nunca na vida trabalhou! Bernardino Soares nada sabe da vida prática. Onde trabalhou? A fazer o quê? Nada !
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Mesmo o deputado Filipe nada sabe da vida prática. Creio que ele nunca na vida trabalhou.
Por isso, o tacho de deputado está em contramão com o mundo real.
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O PCP vive a apregoar loas a Staline e aos milhões de assassinados por Staline e outros posteriores.
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O deputado Bernardino Soares o que sabe da vida prática? O que é que ele até hoje fez na vida?
Nada! É um teórico!
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O PCP na AR luta por que valores?
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Só luta por ter lugares na AR e nas Câmaras Municipais.
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O PCP não tem linha política, não tem estratégia democrática para Portugal.
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E por isso, vive do sonho de um dia ser Governo com o PS!!!
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Penso que é por isso que hoje anunciou que não votaria a moção de censura ao Governo proposta pelo CDS.
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Eu compreendo os deputados do PCP. Eles não têm fome porque vivem como princípes na AR.
Mas os trabalhadores vivem com fome, com desemprego, sem cultura.
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Claro que Bernardino Soares, que nunca trabalhou na vida, que não sabe o que é governar uma familia com o produto do seu trabalho competitivo, está-se nas tintas para os trabalhadores.
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Como está Jerónimo de Sousa, que não tem estatura cultural para ser Secretário-Geral do PCP.
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Não trabalha há anos! Não tem formação académica para fazer oposição consequente.
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O PCP está morto. tem sempre as mesmas palavras de ordem.
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Até está morto do ponto de vista ético.
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Quando é que o PCP condenou os abusos sexuais na Casa Pia?
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Nunca!
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A pergunta só pode ser uma: Porquê? Não são crianças desgraçadas?
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O PCP o que quer e tacho!
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Porque os miúdos da Casa Pia não votam e parece haver alguém no PCP que não que nem ouvir falar em pedoflia.
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Será porque é também pedófilo?
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Pela primeira vez na minha vida tenho de entender que o PCP deveria ser ilegalizado. É um tumor na Democracia.
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vamos acabar com esta brincadeira do PCP andar a querer destruir a democracia mas a viver com as prebendas da Democracia.
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Vão para Cuba e para a Coreia do Norte!
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Aliás, Bernardino Soares até já disse que a Coreia do Norte é uma Democracia. Veja-se aqui: http://coreiadonorte.wordpress.com/2008/08/06/nao-ia-fazer-ferias-a-coreia-do-norte/
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Um disparate inominável!
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Os portugueses estão a pagar os vencimentos dos deputados do PCP . E nem ao menos são consequentes e defendem a destruição do Governo PS, que tão mal ten feito a Portugal.
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Bernardino Soares fazia-lhe bem ir trabalhar para uma empresa, para aprender.Para evitar ser um monte de livros mas sem saber nada da vida prática.
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Vá trabalhar!
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Jerónimo de Sousa deveria voltar a trabalhar na empresa ou reformar-se!
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Não servem a Portugal, estão a enganar os trabalhadores e a viver principescamente quando os desgraçados portugueses nem dinheiro têm para comer.
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E a preparar-se para apoiar o PS!!!
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Por isso vá de não votar favoravelmente a moção de censura ao Governo entregue pelo CDS.
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O PCP esquece-se que hoje não tem poder algum.
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Até o BE lhe ganha , como o PS ganhou na maioria dos municipios do Alentejo!
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Vão trabalhar!
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O PCP deveria ser ilegalizado.
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Com isto digam o que quiserem da minha posição.
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O que não posso aceitar é que quem defende as ditaduras, quem defende os homicidios em massa na URSS, quem defende a Coreia do Norte e Cuba, possa comer à mesa da Democracia!
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O PCP está na mesma linha dos movimentos nazis. Deve ser ilegalizado.
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Até porque não faz qualquer falta à democracia!
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Vão trabalhar, como nós fazemos. Bulir!
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Um PCP que nem condenou os abusos sexuais na Casa Pia, é um partido que defende os amigos e está fora da Democracia, pelo que deve ser ilegalizado.
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Até porque por via da CGTP o PCP tem uma quota parte muito grande na miséria a que Portugal chegou!
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Nenhum Partido Comunista tem a ver com a Ideia de Democracia.
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Tem é a ver com a ideia de ditadura.
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Logo: Ilegalização do PCP! Bernardino Soares terá uma boa oportunidade para trabalhar e ver o mundo prático.
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E Jerónimo de Sousa terá uma boa oportunidade para voltar à fábrica e trabalhar, para ver como os trabalhadores passam mal enquanto ele e outros andam a apoiar José Sócrates e o Governo do PS!
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Bulir! Vão trabalhar!

Nota: Este artigo é uma posição pessoal, que nada tem a ver com a DD.
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Posto por José Maria Martins |
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in Blog José Maria Martins
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O senhor José Maria Martins não conhece a realidade, salvo a trauliteira, como a reflectida neste seu post, embora no seu blog escreva por vezes coisas acertadas. Mas não foi o caso porque com tanto «trabalho» vê argueiros mas não as traves. E as traves são muitas, desde a criminalidade na banca, com «políticos» do PS/PSD, até aos processos de corrupção nas autarquisas locais, que envolvem curiosamente autarcas como Fátima Felgueiras (PS - Felgueiras), Abílio Curto (PS - Guarda), Monterroso (PS -Aveiro), Isaltino Morais (Oeiras - PSD), Valentim Loureiro (PD - Gondomar), Ferreira Torres (CDS - Marco de Canavezes), entre outros. Ou indiciam, como Mesquita Machado (PS - Braga). Curiosamente, não surge na imprensa o PCP/CDU.
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Com tanto «trabalho» nem teve tempo de acompanhar a actividade do PCP na Assembleia da República.
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PCP apresenta balanço da sua actividade parlamentar (X Legislatura)

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Mas com a devida vénia, este post do senhor José Matia Martins teve 22 comentários, alguns deles que discordam da sua catilinária, que se transcrevem, incluido mais um do senhor Martins. Quanto ao resto, não ultrapassam a cassete do costume.
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GravatarÓh Doutor!
Será assim? bolas, todos os sofrimentos passados antes do 25 Abril são para esquecer? estou chocado com o seu rancor!


GravatarNão partilho da opinião do Dr. José Maria Martins, quanto à necessidade de ilegalizar o PCP, apesar de ser visceralmente contra todo o tipo de ditaduras, pois vivi mais de 20 anos em ditadura. Entendo que, no regime político actual, o PCP não "esquenta nem arrefenta".
Quanto à necessidade de se acabarem com os "políticos de carreira", não poderia estar mais de acordo, mas isso terá que acontecer em todos os partidos.


GravatarJMM, numa Democracia expressam-se as posições de que gosta e as de que não gosta. Queiras ou não. E isso inclui comunistas, inclui fascistas, inclui todos os partidos e todas as ideologias. Ou há Democracia, ou há uma ditadura onde um iluminado qualquer distribui certificados de validade às ideologias conforme lhe apetece. Escolha a sua posição.


GravatarCaros comentadores

Expressei a minha opinião e a vossa também é publicada, ainda que seja contrária à minha.
Para mim o PCP é um logro para os trabalhadores.Hoje depois da queda do muro de Berlim o PCP encostou ao Estado para lugares.
Mas em boa verdade a sua posição é insustentável em Democracia.
Porque não é democrático.
Qual a sua ideologia?
Que sociedade quer para Portugal?
Na minha opinião a cassete que Álvaro Cunhal tinha continua hoje.
Só que hoje o PCP tem um discurso mais pobre, circular, não se sabe se é oposição ou não.
Enche a boca com "trabahadores" mas lá no fundo nada faz de útil para os trabalhadores.
Jerónimo Sousa pode ter a consideração dos deputados, pois já está na AR há muitos anos, como está o Bernardino Soares, mas a conversa é sempre a mesma.
Parece mais uma muleta do PS - já o foi na Câmara Municipal de Lisboa - do que um partido.
Assiste-se a uma coisa interessante que é um deputado do CDS ir de Scooter para a AR e os do PCP? Vão?
No fundo o PCP continua a ser o mesmo que apoiava Staline e os seus crimes, tão ou mais graves que os de outros ditadores.
Milhões de mortos na URSS!
Censura, prisões politicas, falta de democracia.
É este o regime que o CP quer para Portugal?
Era, na verdade, o que queriam fazer em Portugal em 1974 e 1975 e por pouco não ia havendo um banho de sangue.
Agora não vão apoiar a moção de censura do CDS?
Mas o PCP concorda com a governação do PS?



GravatarHá muito no que escreve com que concordo.

Há no entanto excepções - "Ávaro Cunhal era um candidato a ditador. Nada mais. Nem conhecia o país real."

Quanto a mim um erro. Provavelmente conhecia tão bem o país real quanto o Salazar.
Ninguém consegue ser ditador de um povo que não conhece. Ou não?

Quanto ao Caso Casa Pia, se há pedófilos no PC eu perguntaria: em que partido os não há, ou houve?

Falou-se tanto das listas! Desaparecidas... Com razão, sem ela? Cabia a vocês provar isso mas, até agora, parece que a procissão não vai passar de um adro muito pequeno. Triste.

Lá que o PC parou no tempo, é óbvio.

Boa noite.


GravatarSr. Jose Maria Martins, no seu texto transparece alguma amargura contra o PCP. O SR. criticou o PCP por este não embarcar na onda da mocão de censura ao governo. Gostaria de ver aqui a sua reacção ao seu PSD que tambem não alinha. Parece que pela boca morre o peixe.


GravatarConcordo com aquilo que o dr. escreveu sobre o PCP, contudo daí a ilegalizar o mesmo pode ser um primeiro passo para a restrição de algumas liberdades arduamente adquiridas.
Lamento sem dúvida o dr. ser um grande crítico do PS, pontualmente apontar críticas a outros partidos do sistema, contudo o PSD parece que sai sempre impune nos seus posts...

Quanto à moção de censura, não tem qualquer efeito prático, pois com ou sem PCP a votar a favor, tudo continuaria na mesma, para além de que se fosse inversamente, não estou a ver o CDS a votar favoravelmente uma moção do BE/PCP.

Por último, já que insiste no voto no PSD, meta os olhos na lista de presenças da última reunião Bilderberg e veja quem por lá andou para além de Pinto Balsemão...Pois é Manuela Ferreira Leite e Manuel Pinho! Comem todos do mesmo e defendem todos os mesmos interesses, isto é como na bola, dentro de campo é tudo adversário e fora de campo é tudo bons amigos.

P.S:Obama(niacos) grau 32 maçon,para além de que a sua equipa é toda made in wall street. Apologista da NWO, muçulmano, não é Americano, etc, etc, etc...


GravatarCaro Dr. Martins,
Estou estupefacto. Não por que não conheça já esse discurso, mas porque não o esperava de si. Costumo ler as suas análises que muito tenho apreciado, mas não o julgava tão primário e, diga-se, até contraditório com as análises políticas que tem feito.
Não acha o Dr. Martins de que a grave doença de que o país padece desde a dita “revolução” do 25 de Abril se deve a ter sido “governado” por uma corja de políticos do chamado partido “centrão”, que se têm revezado no poder sem que se vislumbre uma verdadeira alternância de fundo nas políticas desastrosas seguidas? Talvez (digo eu agora um pouco cinicamente) se tivéssemos tido um “25 de Abril” mais “estalinista” nos tivéssemos livrado de alguns convertidos à pressa à democracia e que têm estado nas diversas instâncias do poder e de lá nunca saíram (muitos deles deste o tempo da outra senhora) e não necessitasse agora o Dr. Martins de tecer as “belas” considerações com que costuma presentear a nossa “classe política”.
Não sou comunista, nem nunca fui, não estou ligado a nenhum partido em particular, embora possa dizer que já fui mais de esquerda e hoje me situo mais no centro político, mas não compreender que o estalinismo e os crimes que se cometeram, fazem parte de um processo histórico que já está ultrapassado morto e enterrado, é cegueira. De resto, se recuássemos na história, muitos telhados de vidro se encontrariam em todas as civilizações e nunca mais pararíamos até ao primeiro hominídeo.
Concordo que o PCP está desactualizado, com um discurso desactualizado e monótono, e que novos paradigmas (p. ex., a chamada classe operária já não é a classe operária de há 50 anos) exigem novas abordagens e dirigentes à altura, com mais formação cultural e académica, mas não vejo como pode um partido (seja ele qual for) que nunca esteve no poder ser responsabilizado pelo estado em que o país se encontra. A JUSTIÇA, o ENSINO, a CORRUPÇÃO, etc, são verdadeiros cancros que corroem o país.
Para finalizar, penso que a verdadeira causa de todo o nosso atraso é mais profunda (e não tem a ver tanto com os políticos – “cada povo tem os políticos que merece”) e vem dos 400 anos de Inquisição e de outros regimes autocráticos que se sucederam em toda a Europa do Sul e que moldaram até ao nosso código genético a maneira (branda) de sermos e (não) pensarmos. De outra forma, como se pode compreender a indolência com que os portugueses encaram (eu diria aprovam) a corrupção, como DESPREZAM o conhecimento científico (outra causa do nosso atraso, veja-se a Matemática) e a cultura em geral? Como compreender a falta de empenhamento nos problemas que a todos dizem respeito e a pouca exigência sobre a classe política?
Oxalá esteja enganado, mas temo que não…talvez daqui por mais 500 anos, quem sabe, as futuras gerações “tugas” tenham outra mentalidade.


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O Irão é muito independente e desobediente, ironiza Chomsky

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Em entrevista a Kourosh Ziabari, do site Foreign Policy Journal, o acadêmico e ativista americano Noam Chomsky critica a política de dois pesos, duas medidas contra o Estado do Irã e sua política nuclear, demonstrando que, durante o regime do Xá Reza Pahlevi, os EUA defendiam o desenvolvimento de tecnologia nuclear pelo país, na época submetido aos interesses americanos.


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Leia abaixo a íntegra da entrevista, traduzida por João Manuel Pinheiro para o site O Diário.info.

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Noam Chomsky não precisa de apresentação. De acordo com o The Guardian, trata-se, indiscutivelmente, do catedrático e analista sócio-político mais importante da era contemporânea e está considerado junto a Marx, Shakespeare e a Bíblia, como uma das dez fontes mais citadas das humanidades, e é também o único escritor, entre eles, que ainda está vivo.

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Em referência ao livro Hegemonia e Sobrevivência de Chomsky, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, dirigindo-se à Nações Unidas, disse: "Convido-os, com todo o respeito, a quem ainda não tenha lido o livro, a que o façam."

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Em resposta à pergunta formulada numa entrevista em 2006 sobre que ações tomaria se fosse presidente, Chomsky respondeu: "Instauraria um Tribunal de Crimes de Guerra para os meus próprios crimes pois caso tivesse assumido essa posição teria que tratar com a estrutura institucional e com a cultura, a cultura intelectual. A cultura deve ser curada".

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Nesta entrevista, conversei com o professor Chomsky sobre o Irã, os assuntos nucleares, as relações entre Washington e Teerã e o impacto global dos lobbies sionistas. Um resumo desta conversa foi primeiramente publicado no diário iraniano de língua inglesa "Teheran Times".

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Kourosh Ziabari: Professor Chomsky, o senhor tem reiterado em numerosas ocasiões que a maior parte dos países do mundo, incluindo os membros do Movimento dos Países Não Alinhados, apoia o programa nuclear iraniano, no entanto, os neoconservadores dos Estados Unidos continuam a proclamar o seu lema agressivo.

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Noam Chomsky: O Movimento dos Países Não Alinhados, mas também a grande maioria dos americanos pensa que o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear. Todavia, quase ninguém nos Estados Unidos tem consciência disso. Isto inclui todos aqueles que são inquiridos e que provavelmente acreditam que são os únicos que pensam assim. Nunca se publica nada sobre este tema. O que aparece constantemente nas mídias é que a comunidade internacional exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio. Em quase nenhum meio se explica que a designação "comunidade internacional" é utilizada convencionalmente para se referir a Washington e a quem estiver de acordo, não só sobre este assunto mas em geral.

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Kourosh Ziabari: A maioria dos analistas de assuntos internacionais ainda não pôde assimilar o duplo critério nuclear do governo dos Estados Unidos. Apesar de apoiar o arsenal atômico de Israel continua a pressionar o Irã para que suspenda os seus programas nucleares. Quais são as razões? Possui a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) autoridade suficiente para investigar os casos de armamento nuclear em Israel?

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Noam Chomsky: O ponto fundamental foi explicado com franqueza por Henry Kissinger. O Washington Post perguntou-lhe por que razão ele agora afirma que o Irã não necessita da energia nuclear e que, por conseguinte, deve estar a trabalhar para construir uma bomba, enquanto em 1970 insistiu que o Irã necessitava de ter energia nuclear e que os Estados Unidos deviam prover o xá com os meios necessários para o conseguir. Foi uma resposta típica à Kissinger. Era um país aliado e, por isso, precisava de energia nuclear. Agora, que já não era um país aliado, não necessitava de energia nuclear. Israel, pelo seu lado, é um país aliado, mais precisamente um estado-cliente. Por isso, herda do amo o direito a fazer o que quer.

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A AIEA possui a autoridade, contudo os Estados Unidos nunca permitiriam que a exerça. A nova administração dos Estados Unidos não tem dado provas de nenhuma alteração nesse sentido."

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Kourosh Ziabari: Existem quatro estados soberanos que ainda não ratificaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e que desenvolvem livremente bombas atômicas. Será o Irã libertado das pressões constantes; deve obter a sua ratificação e abandonar o tratado?

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Noam Chomsky: Não, isso só faria aumentar as pressões. Excluindo a Coreia do Norte, todos esses países recebem apoio extensivo dos Estados Unidos. O governo de Reagan, fingia ignorar que o seu aliado Paquistão desenvolvia armas nucleares, para que a ditadura recebesse ajuda massiva dos Estados Unidos. Também os Estados Unidos, aceitaram ajudar a Índia a desenvolver as suas instalações nucleares; Israel é um caso especial.

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Kourosh Ziabari: Que prováveis fatores poderiam dificultar a realização de conversações diretas entre o Irã e os Estados Unidos? É maior a influência do lobby judaico do que a dos sistemas empresariais dos Estados Unidos?

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Noam Chomsky: O lobby judaico tem alguma influência mas é limitada. Isto foi demonstrado, uma vez mais, no caso do Irã no verão passado, durante a campanha presidencial, quando a influência dos lobbies se encontrava no seu apogeu. O lobby israelita pretendia que o Congresso aprovasse uma legislação que se aproximasse de um ato de bloqueio ao Irã, um ato de guerra. A medida obteve um apoio considerável, mas desapareceu de imediato, provavelmente devido à Casa Branca deixar bem claro, discretamente, que se opunha.

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Quanto aos verdadeiros fatores, ainda não temos registros suficientes, de modo que é necessário especular. Sabemos que a grande maioria dos americanos quer ter uma relação normal com o Irã, mas a opinião pública raramente influencia a política. As grandes companhias dos Estados Unidos, incluindo as poderosas empresas de energia, gostariam de explorar os recursos petrolíferos do Irã. Contudo, o Estado insiste no contrário. Suponho que a razão principal, é que o Irã é demasiado independente e desobediente. As grandes potências não toleram aquilo que eles consideram ser parte dos seus domínios e as regiões de maior produção de energia do mundo há muito que são consideradas domínio da aliança anglo-americana, agora com o Reino Unido reduzido a sócio subalterno.

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Kourosh Ziabari: Haverá uma transformação táctica ou sistemática na aproximação dos principais meios de comunicação social ao Irã durante a presidência de Obama? Podemos esperar uma redução da propaganda anti-Irã?

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Noam Chomsky: Em geral, as mídias aderem ao sistema geral da política de estado embora algumas vezes os programas políticos sejam criticados com fundamentos tácticos. Muito irá depender, portanto, da postura que assuma o governo de Obama.

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Kourosh Ziabari : Finalmente, acredita que o presidente dos Estados Unidos deveria seguir a proposta do Irã e pedir desculpa, pelos seus crimes históricos contra o Irã?

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Noam Chomsky: Creio que os poderosos sempre devem reconhecer os seus crimes e pedir desculpa às vítimas e ainda reparar os danos causados. Infelizmente, o mundo rege-se maioritariamente pela máxima de Tucidides: os fortes fazem o que querem e os fracos sofrem como lhes é devido. Lentamente, a pouco e pouco, o mundo, em geral, torna-se mais civilizado. Mas ainda tem muito caminho a percorrer.

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O original foi publicado em www.foreignpolicyjournal.com.

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O Diário.info
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in Vermelho - 27 DE MAIO DE 2009 - 16h49
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EUA reconhecem que Irão pode ter programa nuclear 'pacífico'

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Washington reconhece que Teerã pode desenvolver seu programa nuclear nacional com fins pacíficos, declarou nesta quarta-feira a secretária de Estados dos EUA, Hillary Clinton, que está presente a uma conferência ministerial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ANSEA, na sigla em inglês).

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"O Irã tem o caminho livre para desenvolver seu programa nuclear pacífico, mas se se tratar de um programa militar, os resultados não justificarão as aspirações de Teerã, porque uma corrida armamentista na Ásia Central reduzirá a segurança do Irã, ao contrário de aumentá-la", disse Hillary.

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Os EUA e vários países do Ocidente acreditam que o Irã desenvolve programas para a fabricação de armas nucleares ao invés de programas nucleares de aplicação civil.

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Teerão repudia essas acusações e assegura que seu programa nuclear está destinado a cobrir suas necessidades energéticas.

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Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU aprovou cinco resoluções e impôs sanções ao Irã, exigindo que o país renuncie a seu programa de enriquecimento de urânio.

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RIA - Novosti
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in Vermelho - 22 DE JULHO DE 2009 - 19h09
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Protestos violentos na África do Sul


12h13m

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Reforço policial em Balfour, província sul-africana de Mpumalanga, onde continua uma onda de protestos contra as condições de vida nos bairros degradados.

foto ALON SKUYI/AFP
Protestos violentos na África do Sul
Protestos em Balfour

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Na quarta-feira, ao fim do dia, o presidente da câmara de Balfour discursou no estádio local para tentar acalmar os ânimos da multidão mas sem resultado. Furiosos pela falta de cumprimento das promessas eleitorais, vários grupos saquearam lojas, queimaram pneus e barricaram ruas.


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No início da semana, em Balfour, mais de cem estrangeiros, na sua maioria comerciantes etíopes, paquistaneses e chineses, tiveram de ser retirados pela polícia do local, depois das suas lojas terem sido atacadas e, em alguns casos, incendiadas por grupos enfurecidos.


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Os protestos violentos - que analistas locais dizem assinalar o fim do estado de graça do presidente sul-africano, Jacob Zuma, na sequência das eleições am Abril - tiveram lugar em pelo menos duas províncias desde domingo.

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Em Mpumalanga e Gauteng (onde se situam Joanesburgo e Pretória) foram mais violentos, mas focos de agitação popular, relativamente mais pacíficos, verificaram-se também na província do Cabo Ocidental.


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Em Thokoza, no sul de Joanesburgo, a situação mantém-se também tensa depois de a polícia ter dispersado quarta-feira mais de 300 manifestantes, que exigiam serviços municipais básicos, recorrendo a balas de borracha e canhões de água.


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As autoridades mantêm na área, designadamente nas imediações de uma nova cervejeira que esteve em vias de ser ocupada e de uma fazenda que os manifestantes atacaram, um forte dispositivo de segurança.

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in Jornal de Notícias - 2009.07.23

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Os filhos do menino Alberto João estrumam cartas e terreno (3)

REVISÃO CONSTITUCIONAL

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* Manuel Abrantes

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Alberto João jardim e o PSD/Madeira vão promover um debate parlamentar com apresentação de uma proposta para a revisão constitucional.

O PSD/Madeira vai propor, entre muitas alterações no alargamento dos poderes autonómicos, que "a democracia não deverá tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo já consagrado na Constituição, como igualmente de esquerda, caso do comunismo", ainda não abrangido pela Lei Fundamental.

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Quem parece não ter gostado disto foram os partidos da oposição – excepção ao CDS/PP – Madeira - que , segundo eles, não vão estar presentes nessas sessões plenárias.

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O líder dos centristas madeirenses, José Manuel Rodrigues, está ao lado de Jardim. "Na questão de proibir partidos políticos ou forças políticas com ideologia totalitária nós estamos de acordo. A democracia tem de defender-se de projectos de extrema-esquerda ou de extrema-direita que coloquem em causa o regime democrático".

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Desta vez, Alberto João, não vai “pregar” sozinho no deserto. Tem a seu lado, pelo menos nesta matéria, o apoio do CDS/PP
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Há aqui algo que eu concordo. Se existe a proibição constitucional das ideologias fascistas porque não as ideologias comunistas ?

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Ambas são de cariz totalitário e antidemocrático. Pelo menos para o tipo de democracias vigentes.

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Um Hitler não foi melhor, nem pior do quem Stalin. Isto,neste casos de politicas criminosas. Nem o Salazar foi um democrata.

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Contudo, passado mais de trinta anos de Democracia em Portugal só coloco a seguinte questão :

- Ainda há medo das ideologias, sejam elas quais forem ?

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Não acreditamos na sapiência do Povo Português ?

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- Há alguém que duvide que, nos dias que correm, as massas populares aceitem uma ideologia totalitária ?

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-Parece que somos todos muito democratas mas não acreditamos nos eleitores.
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Que sejam proibidas organizações políticas que apelem à violência, ou contra a ordem publica, concordo em absoluto. È um direito que o regime tem na sua defesa. Mas, toda e qualquer pessoa deviam ter o direito de poder transmitir qualquer opinião contrária ao regime Democrático. Ao regime democrático ou a qualquer outro.

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Ninguém pode ser obrigado a dar o seu “amem” a um regime instituído. Nem a este nem a nenhum

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Agora, uma coisa é a opinião expressa e outra é a forma como transmite as suas ideias e ideais.

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Eu tenho respeito pela figura de Salazar – mas, não deixo de ser, como sempre o fui, também um critico – e tenho o direito de expor as minhas ideias.

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Há quem concorde e quem discorde comigo neste tema. Segundo a actual lei constitucional eu posso criticar Salazar, mas não posso (???) elogia-lo.

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Porquê?

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Eu sei que ninguém é preso, ou molestado, por isso. Eu sei!

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Então não está na altura de mudar este capitulo da Constituição ?

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Apelas à violência ou à descriminação, concordo em absoluto com a sua proibição. Agora, linhas de pensamento: Não!!!

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in PortugalClub

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Golpe nas Honduras

Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

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EUA: Nada mudou, a não ser os cabelos



Golpe em Honduras
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Lembram de uma propaganda antiga de um produto para cabelos, onde depois de muitos anos duas amigas se encontram e uma diz para a outra: Olha como você mudou! E aí conclui: Mas os seus cabelos continuam os mesmos! – em seguida, dão um close nos cabelos e mostram o produto milagroso?


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Pois é, nos EUA, com a posse de Obama, a única coisa que mudou foram os cabelos, o presidente do império é negro, mas de resto continua na mesma. [...]
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O “ditador” Hugo Chàvez, como os jornalões conservadores costumam se referir ao presidente da Venezuela, disse que os EUA não estavam mostrando na pratica o que diziam em seu discurso, sobre o golpe militar de Honduras.
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E passou-se a desconfiar, inclusive, se eles não estariam efetivamente envolvidos com o golpe que depôs o presidente Zelaya.
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O que acho mais estranho e esdrúxulo em tudo isso é o motivo que os gorilas fascistas encontraram para perpetrar o golpe: um plebiscito. Há algo mais democrático no mundo do que uma consulta popular? Então, os motivos são outros. Os EUA querem novamente o comando da America Latina através do medo e da subserviência, e para isto usam os serviçais de Micheletti.
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Para completar e corroborar com as desconfianças de Hugo Chávez, a farsa dos norteamericanos caiu.
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Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, a diplomacia americana não considera como golpe o que aconteceu em Honduras e conclui: “espero que o “episódio” sirva de “lição” para Zelaya e outros que seguem o padrão venezuelano”, seguno o site do Azenha.
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Pronto! Como falamos aqui, os ratos estão querendo dar uma lição na América Latina e o recado é este: ou vocês se comportam de acordo com as nossas vontades ou mais golpes virão, como aconteceu na década de 60.
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Não há nada o que se negociar com golpistas, apesar de eu ser pacifista e defender o diálogo. Se estes bandidos não restituírem a democracia em Honduras e não permitirem que 'MEL' volte ao seu posto e conclua o referendo, deve-se tomar o poder com uma revolução armada e Micheletii enforcado em praça pública.
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E concluindo, Barack Obama talvez seja pior que Bush. Aguardem!.
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in Bodega Cultural -
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Agência Financeira - Notícias por detrás dos títulos

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Economia [23/07/2009 | 07:30] Sócrates: Ainda está para nascer o executivo que faça melhor
Primeiro-ministro responde a Ferreira Leite, a propósito do défice
Economia [22/07/2009 | 19:05] O ministro que menos respondeu aos deputados
Economia [22/07/2009 | 17:34] EUA: preço das casas cai 5,6%
Finanças [22/07/2009 | 15:36] Lucro do Wells Fargo dispara 81%
Finanças [22/07/2009 | 15:02] Morgan Stanley perde mais do dobro do esperado
Empresas [22/07/2009 | 14:56] Lucros da GlaxoSmithKline sobem 11%
Empresas [22/07/2009 | 14:23] Maior tabaqueira dos EUA sobe lucros no 2º trimestre
Economia [22/07/2009 | 13:01] Zona Euro: encomendas à indústria descem 30% em Maio
Empresas [22/07/2009 | 12:38] Trabalhadores em greve por tempo indefinido
Empresas [22/07/2009 | 12:06] Fiat regista perdas de 590 milhões até Junho
Economia [22/07/2009 | 11:55] Trocas mundiais vão cair 10% ainda este ano
Economia [21/07/2009 | 17:09] Impostos: regularização voluntária chega aos 281 milhões
Mercados [21/07/2009 | 17:01] Lucros semestrais do BPI deverão subir muito
Empresas [21/07/2009 | 15:15] Lucros da farmacêutica Merck superam expectativas
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Economia [21/07/2009 | 07:57] Receitas do Estado caem 21% até Junho
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in Agência Financeira 2009.07.21/22
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A Conferência da Igualdade Racial e os desafios para luta contra o racismo (2/3)


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por Edson França*
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No dia 28 de junho de 2009 encerrou, em Brasília, a 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Todos estados realizaram conferências regionais e estaduais, foi um processo rico para o debate e construção de consensos. Várias leituras são possíveis desse importante episódio, guardou elementos negativos e positivos a serem analisados.
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Contudo é possível assegurar que o país deu mais um passo afirmativo contra o racismo, em consonância com os desejos da sociedade. Por isso reitero que, sem dúvidas, as conferências se constituem num método acertado de oitiva à sociedade civil organizada, fortalece a democracia participativa e pode conduzir a gestão pública ao caminho correto.

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Tenho um olhar positivo sobre o avanço das ações de combate ao racismo no Brasil, estamos combatendo com eficácia esse mal. A agenda social do atual governo Lula é ajuda porque inclui ações fundamentais para a população negra e pobre, como o fortalecimento do salário mínimo, combate a fome através do Programa Bolsa Família, maior acesso a educação superior, dentre outras, impactam decisivamente sobre a população pobre, onde se encontram a maioria os negros. Logo a efetiva universalização das políticas públicas sociais contribuirá com o progresso social do país.

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Se verificarmos o ativismo da sociedade civil brasileira, os espaços formais e informais de participação política, o volume de debates em variados espaços políticos e sociais, o aperfeiçoamento crescente de nossa democracia, o calhamaço legislativo anti-racista, as experiências de implantação de políticas públicas com base na Declaração de Durban e no Plano de Ação (DDPA) e os compromissos que o Estado, reiteradamente, assume com a população brasileira e com diversos países nas agendas multilaterais, constataremos que o Brasil está na dianteira das boas práticas de combate ao racismo, tem grande potencial para sua efetiva superação e tem muita contribuição ao mundo.

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No entanto, há muito a ser feito. Os direitos da população negra não estão devidamente resgatados. Os negros brasileiros continuam acumulando múltiplas desvantagens, por isso estão na base da pirâmide social, econômica e política da sociedade brasileira. O Estado tem o diagnóstico exato da demanda, por isso assumiu oficialmente, desde 1995, a existência do racismo e seu impacto nefasto sobre a população brasileira. Conhece o grau da desigualdade socioeconômica, sabe que há um grande fosso entre negros e brancos, pobres e ricos, a despeito das iniciativas conjunturais reconhecidamente positivas, falta mais política para superar esse impasse. O racismo está enraizado em nossa cultura, ainda há quem lucra construindo desvantagens sócio-econômicas com base na cor da pele das pessoas.

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A 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial é um espaço para convencionar políticas públicas que resgatem direitos sociais historicamente sonegados a população negra. É um evento chamado pelo Presidente da República, para que Estado e sociedade civil pactuem ações, governos assumam compromissos e sociedade civil demande políticas públicas para atender necessidades sociais e econômicas. Por isso é preocupante a ausência do Presidente Lula na abertura, e dos Ministros de Estado nos Painéis Temáticos da Conferência, após anuncio que estariam presentes. Faltaram, também, governadores, prefeitos e gestores públicos dos ministérios. Considero preocupante as ausências, porque denunciam dois fenômenos negativos na agenda construída na conferencia: isolamento político e raquitismo institucional da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR.

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A mídia foi outra grande ausência lamentável, pois responde a um projeto político da elite midiática em tornar invisíveis os negros e as negras brasileiras. A mídia brasileira não abriu mão do projeto de branqueamento do Brasil, elaborado pelo Estado e pela minúscula elite nacional em meados do século 19. Tenta afastar os anseios propugnados pelo movimento negro do povo brasileiro, manipulando e deturpando as informações. Trata-se de um método de construir e consumar ilegitimidade das propostas anti-racistas, darem-lhes um caráter periférico e alienígena, por isso não veiculam ou veiculam tendenciosamente as ações do movimento negro. Para o Brasil avançar na implantação das políticas de ações afirmativas preconizadas pela SEPPIR, proposta na PL que institui o Estatuto da Igualdade Racial e referendada em todas as instâncias da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, é necessário buscar o mais amplo apoio da população brasileira. Nesse sentido os burgueses proprietários das principais empresas de comunicação de massa prestam um desserviço ao país, na medida em que trabalham contra a resolução de um problema nacional que envergonha o Brasil desde Cabral.

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Objetivamente essas ausências são negativas, pois simbolicamente os faltosos viraram as costas ao problema, não se comprometerem, não tomaram conhecimento. Em política, os símbolos e as subjetividades têm peso, constroem cenários. Por isso, é possível vaticinar que haverá mais dificuldades de aprofundar o convencimento político no interior do governo para obter mais recursos para fortalecer a Seppir e a política de promoção da igualdade racial; qualificar a transversalidade das políticas nos ministérios, articular a aprovação de políticas de Estado no Parlamento e garantir continuidade do órgão após o governo Lula.

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O grande desafio do Ministro Edson Santos será encontrar rapidamente meios para garantir uma boa interlocução no governo, com o parlamento e com a sociedade civil, especialmente no movimento negro, que, em última instância, será o personagem que fará a avaliação da Seppir. Há elementos que, extraído da conferência, permitem que seja bem sucedido nessa tarefa. Sabemos que o Ministro Edson Santos será candidato ao Senado ou a Câmara Federal no próximo pleito, antes de se descompatibilizar do cargo deve deixar a casa em ordem. É uma obrigação ética e política entregar a Seppir melhor que recebeu de Matilde Ribeiro, sob pena de desenhar uma página negativa em sua biografia. Confio que momentos alvissareiros para a política de promoção da igualdade racial virão com a contribuição do Ministro Edson Santos, pois tem dirigido a Seppir com responsabilidade, amplitude, espírito público e arguta capacidade política.


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Queremos mais e melhor

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A meu ver o comportamento político dos participantes da 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial deixa-nos a entender que a frase síntese que caracteriza quase a totalidade das opiniões é “queremos mais e melhor”. Traduzindo. A sociedade civil beneficiária das políticas de promoção da igualdade racial, sob a liderança do movimento negro acusou a insuficiência e enunciou sua concordância política com a agenda anti-racista do governo federal. Em nenhum momento houve choque de posicionamento, as propostas em curso foram aceitas, mas desejam a quantidade e qualidade adequada. O governo federal está sintonizado com os desejos da maioria das organizações do movimento negro, não há proposta que se contraponha ao pleito do movimento, não há contradição entre o que se oferece e o que se reivindica. Penso que essa sintonia é um poderoso instrumento político nas mãos do Ministro Edson Santos, deve ser utilizado no diálogo interno do governo, para aprimorar o convencimento governamental e disponibilizar maior investimento político e financeiro nas políticas de promoção da igualdade racial.

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Constatar a existência de sintonia entre as propostas de políticas de promoção da igualdade do governo e os anseios dos potenciais beneficiários não pode ser confundido com satisfação plena da sociedade civil. Drummond no poema A Flor e a Náusea diz que “Sob a pele das palavras há cifras e códigos”, distante do campo literário e retornando a análise da conferência, é possível dizer que sob as palavras “queremos mais e melhor”, as cifras e os códigos são as avaliações políticas que permitem essa interpretação. Então, queremos mais e melhor significa crítica a tímida observância da Lei 10.639, que institui a obrigatoriedade do ensino da África e da cultura afrobrasileira nas escolas; denúncia da violência policial e das condições carcerárias desumanas; insatisfação com a morosidade dos processos de titulação das terras quilombolas; repúdio ao trabalho escravo e infantil; exigência de créditos para empreendedorismo negro; recursos para capacitação profissional; além das centenas de medidas reivindicadas durante muitos anos pelo movimento negro, mas que não saem do papel. A conferência acusou que demanda reprimida é gigantesca.

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Alertamos (a UNEGRO) antes e durante a conferência que precisávamos aproveitar o evento para discutir quais instrumentos necessários para tirar as propostas do movimento negro do papel e dar maior eficácia às políticas contra o racismo implantadas. Esse desafio não foi enfrentado na conferência por diversos motivos, dentre os quais destaco a inadequada metodologia implantada e o vacilo da Seppir na proposição da pauta. Faltou o debate do financiamento da política de promoção da igualdade racial e o fortalecimento de seu órgão gestor; ações de combate ao racismo institucional e um debate político sobre temas gerais que incidem contra as ações sociais – lugar que se encontra as políticas de combate ao racismo.

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Ainda assim, questões como a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e a reiteração do conjunto de propostas e medidas no campo da educação e cultura, saúde, política internacional, terra e habitação, trabalho e renda, segurança e justiça que somadas compõe os eixos prioritários da política de igualdade racial do governo Lula, tornam a conferência um momento positivo, bem como consolidou um paradigma em construção. A participação do movimento negro na conferência foi exemplar, os participantes se dedicaram a construção do plano desde os debates nos municípios.

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Volto mais uma vez a esse tema após análise do relatório que será divulgado em até 90 dias.

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*Edson França, É Coordenador Geral da Unegro, membro do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e da coordenação da Conen-Coordenação Nacional de Entidades Negra



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 17h05
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Escândalos de Berlusconi atiçam a revolta contra a opressão

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Sua fama internacional já não ia muito bem quando cometeu a "indelicadeza" de se referir ao recém-eleito presidente estadunidense Barack Obama como "jovem, bonito e bronzeado", num comentário abertamente racista.

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Por Marina Fuser, para o Brasil de Fato


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Uma sequência de escândalos, nas últimas semanas, colocou o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi de volta ao centro da cena midiática. Proprietário de uma das mais influentes emissoras televisivas do país, o milionário Berlusconi é pressionado a responder publicamente por sua conduta. Sua fama internacional já não ia muito bem quando cometeu a "indelicadeza" de se referir ao recém-eleito presidente estadunidense Barack Obama como "jovem, bonito e bronzeado", num comentário abertamente racista. Em seguida veio a ratificação do projeto de lei de segurança que considera a imigração irregular como um crime. A lei, que permite inclusive a prisão dos imigrantes por até quatro anos, foi aprovada por 57 votos a favor, 124 contrários e 3 abstenções.

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Pouco depois, um escândalo envolvendo prostitutas e muito dinheiro em festas privadas com a presença de Berlusconi chocou o país, com a publicação de fotos e vídeos. A revelação foi confirmada por quatro prostitutas que alegam ter frequentado festas em seus palácios Grazioli e Villa Certosa. A opinião pública ficou chocada, numa reação em que não faltou uma alta dose de moralismo, mas essa não foi a primeira expressão da conduta machista de Berlusconi. Logo em sua primeira campanha ao governo, ele sugeriu a uma jovem trabalhadora precarizada que a melhor solução para melhorar sua qualidade de vida seria "encontrar um homem rico para se casar".

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Agora, ao visitar a cidade de Aquila, atingida por um trágico terremoto, Berlusconi fez outro comentário infeliz. A intenção foi agradar o eleitorado feminino, mas o efeito foi exatamente o oposto. Num congresso de representantes da indústria farmacêutica, se declarou inconformado com a ausência de mulheres cientistas no evento, e vociferou: "O que os senhores fariam sem as mulheres? São homossexuais? Da próxima vez, trarei algumas showgirls. Maiores de idade, claro". Mulheres cientistas das universidades de Milão, Perúgia, Pádua e Ferrara protestaram contra o discurso "inaceitavelmente sexista" do primeiro-ministro. Cerca de 6.500 mulheres assinaram o chamado ao boicote que incita a ausência de primeiras-damas à reunião de cúpula do G-8 em Áquila.

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Em abril de 2008, talvez o caso mais emblemático, uma declaração de Berlusconi acerca da onda de estupros no país soou como um trovão na opinião pública. Registravam-se, nos primeiros quatro meses do ano, mais de 60 casos de violência sexual em Roma. A maneira "berluscônica" de responder a esse cenário suscitou controvérsias: tropas nas ruas. Sobre isso, ele declarou: "Não poderíamos recrutar uma força grande o suficiente para evitar este risco (de estupros). Teríamos de ter tantos soldados nas ruas quanto mulheres bonitas. Não acho que conseguiríamos".

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No início de 2009, uma carta da primeira-dama colocou Berlusconi numa "saia-justa". O motivo foi seu comentário público dirigido à deputada Maria Carfagna de que "se não estivesse casado, casaria com ela imediatamente". Essa foi apenas uma pérola entre outras tantas, mas na quarta-feira seguinte, eis que uma carta da primeira-dama Veronica Berlusconi perfilava na primeira página do jornal La Repubblica, acusando-o de ferir sua dignidade e exigindo uma retratação pública por conduta inadequada. A primeira-dama foi cercada de solidariedade pela opinião pública em geral, por grupos feministas e inclusive por alguns membros da Igreja, como o cardeal Ersilio Tonini.

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A opressão e a exploração de trabalhadores na Itália dá o tom de um governo abertamente anti-operário, munido de uma ideologia reacionária, machista e racista. A política anti-imigração de Berlusconi coloca em relevo o tratamento que dedica aos extratos mais pauperizados e oprimidos da sociedade, atingindo grande parte da classe trabalhadora. Suas gafes infelizes e a sua conduta abertamente machista são apenas demonstrações da ideologia que está por trás da sua política, ao subordinar a mulher ao poderio quase medieval do seu senhor. Todo esse conservadorismo se faz sentir quando Berlusconi fez questão de defender uma emenda à Declaração dos Direitos Humanos para afirmar que "todo indivíduo tem direito à vida, da concepção à morte natural". A intenção evidente era fazer retroceder a legislação civil na Itália, onde o aborto é legal – uma conquista do movimento feminista italiano entre as décadas de 1960 e 1970 que provocou uma diminuição significativa no número de abortos e pôs fim às clinicas clandestinas, segundo a consitucionalista italiana Lorenza Carlassare.

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Os sucessivos escândalos envolvendo o primeiro-ministro, assim como a sua sua conduta abertamente anti-operária, têm como pano de fundo a crise internacional do capitalismo, e por isso exigem respostas contundentes. A opinião pública negativa frente à política reacionária do governo Berlusconi tem servido de estopim às mobilizações que vem se fermentando desde o último trimestre do ano passado. O despertar do movimento estudantil italiano em outubro não foi um ato isolado de rebeldia juvenil, como gosta de pintar a mídia. Os 15 milhões de trabalhadores que atualmente situam-se abaixo do nível de pobreza têm retomado a tradição de lutas do movimento operário italiano, seguindo o exemplo dos empregados da Alitalia, dos imigrantes e "italianos de segunda geração", secundaristas, universitários e professores que estão na vanguarda da nova onda de manifestações que incendeia o cenário italiano.

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Também as feministas, até então adormecidas em suas ONG’s e em partidos amorfos em geral acomodados ao capitalismo, começam a dar indícios de que estão se despertando. O boicote do G8 foi uma primeira tentativa. Por isso, se mostra cada vez mais necessária uma articulação independente entre mulheres e homens trabalhadores, imigrantes, professores e estudantes em torno de uma plataforma comum de reivindicações que coloque em xeque a política de Berlusconi, em defesa daqueles que fazem e refazem a Itália todos os dias.

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(*) Marina Fuser, socióloga e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas, mora em Bolonha, Itália

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Brasil de Fato
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in Vermelho -
22 DE JULHO DE 2009 - 16h53
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Avaria em reator nuclear reabre polêmica na Alemanha

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No passado dia 4 de julho a opinião pública alemã foi confrontada com a informação de que na central nuclear de Krümmel, em Geesthacht (Schleswig-Holstein), perto de Hamburgo, se tinha verificado uma avaria, tendo o reator sido desligado e a central saído da rede de fornecimento de energia.

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Segundo os meios de comunicação, tratou-se de um curto-circuito num transformador, que originou que o dispositivo de segurança desligasse automaticamente o reator.

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Várias empresas foram privadas de um momento para o outro de fornecimento de energia e na cidade de Hamburgo, que embora seja uma cidade-estado independente, fica como que enquistada em Schleswig-Holstein e também é servida pela central nuclear de Krümmel, o tráfico automóvel entrou em colapso quando deixaram de funcionar cerca de 1.500 semáforos.

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Ora, se o fato de se verificar uma avaria numa central nuclear é em si mesmo extremamente preocupante, o mais perturbador no caso é que se trata já da segunda vez em que uma situação deste gênero sucede na mesma central nuclear.

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Na Alemanha existem neste momento 17 reatores nucleares, mas esta central de Krümmel tem antecedentes inquietantes.

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Em 2007 verificou-se um incêndio num transformador, que originou também o desligar de urgência do reator. A central nuclear esteve desde então desativada, em obras de manutenção e reparo e tinha acabado de entrar há poucos dias novamente em funcionamento, tendo tido logo esta avaria e sendo mais uma vez posta fora da rede, para reparações, dizendo-se agora que entrará em funcionamento em abril-maio do próximo ano.

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O titular da licença de exploração é o consórcio Vattenfall, um empresa pública sueca, detida integralmente pelo Estado. O reator nuclear de Krümmel é um investimento conjunto da Vatenfall e do consórcio alemão de Dusseldorf E.ON, sendo no entanto a Vatenfall o responsável por toda a técnica da central.

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Além desta, a Vattenfall explora ainda uma outra central, em parceria com a E.ON, em Brunsbüttel (Schleswig-Hollstein), que também já teve vários problemas e está desligada, em reparo, desde 2007.

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O caso está a provocar uma discussão política acesa. Por um lado, o ministro federal do ambiente Sigmar Gabriel, do SPD, veio imediatamente a público, pretendendo que sejam desligados os reatores antigos que estão em funcionamento, incluindo ainda o de Krümmel.

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Gabriel pretende também que as eventuais renovações de licenças de exploração para as centrais nucleares que estejam a concluir os respectivos períodos de exploração não sejam concedidas, por medida de segurança, para que estas instalações sejam retiradas de funcionamento uma após a outra.

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Numa entrevista concedida ao jornal Hamburger Abendblatt, Sigmar Gabriel expressou dúvidas muito sérias sobre a segurança das centrais nucleares na Alemanha.

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A existência de avarias é a normalidade, diz Gabriel. A afirmação da indústria de energia nuclear alemã, de que na Alemanha se encontram os reatores mais seguros, é falsa.

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Também nos reatores alemães ocorrem avarias, diz o ministro. Gabriel propõe assim que seja centralizada a responsabilidade pela vigilância e inspeção das centrais nucleares, retirando-a aos Estados federados onde as mesmas se encontram localizadas.

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A Vattenfall vai reagindo aos poucos, procurando controlar a informação e apresentá-la ao público da forma que melhor lhe convém.

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Primeiro, o responsável pela central apresentou a demissão com o fundamento de que sob a sua gestão teria sido esquecida a montagem de uma moderníssima instalação de segurança no transformador em causa.

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Depois, o chefe para a Europa da Vattenfall deslocou-se propositadamente à Alemanha para se informar das circunstâncias ocorridas e prestar esclarecimentos.

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Segundo Tuomo Hatakka, a Vattenfall vai examinar todos os procedimentos técnicos e organisatórios utilizados na central. Até agora ainda não foi possível apresentar nenhuma conclusão sobre as causas da avaria, tendo sido constituído pela Vattenfall um investigador especial para o caso.

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Acusações de campanha?


Contra as declarações e posições de Gabriel têm-se levantado protestos sobretudo de políticos de partidos localizados à direita do SPD, a CDU e a CSU, bem como dos representantes de interesses ligados ao setor da energia nuclear.

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A crítica que é feita ao ministro parte da posição de que as atitudes de Sigmar Gabriel são simples campanha eleitoral do SPD para as próximas eleições de setembro.

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Assim, o presidente do grupo parlamentar da CSU no Parlamento de Berlim, Peter Ramsauer afirma que a política deve levar a sério as preocupações da população, mas manter a cabeça fria.

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Segundo Ramsauer, o caso Krümmel prova que a técnica do desligamento automático do reator funciona. As centrais nucleares são os equipamentos mais bem vigiados na Alemanha.

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A conclusão é que Sigmar Gabriel instrumentaliza todos os pequenos erros numa central nuclear para efeitos de campanha eleitoral. Ramsauer conclui que o seu partido não vai permitir que o SPD retire vantagens eleitorais desta circunstância.

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Também a ministra do ambiente do estado de Baden-Württemberg, Tanja Gönner, ataca Gabriel, afirmando que está apenas a fazer campanha eleitoral e que usa o tema porque não tem mais nenhum tema para usar, recusando a proposta de centralizar a responsabilidade pela vigilância e inspeção das centrais nucleares, retirando-a aos Estados federados.

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Reação semelhante teve o presidente do lobby Forum da Energia Nuclear Alemã, Walter Hohlefelder. Segundo Hohlefelder, o desligar automático do reator em consequência do incêndio no transformador, como aconteceu em 2007, foi classificado segundo a escala de segurança em sete graus da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na grau mais baixo, grau Zero, o que corresponde a um acontecimento sem ou com pequeno significado do ponto de vista da segurança técnica.

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Segundo Hohlefelder, o mesmo se espera para a avaria de 4 de julho de 2009, sendo portanto absurdas as pretensões do ministro do ambiente, em querer colocar fora de funcionamento esta e outras centrais nucleares e de querer retirar a responsabilidade pela vigilância e inspeção aos estados federado: tudo, segundo Hohlefelder, é mera campanha eleitoral a favor do SPD, sem qualquer substância.

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Problemas dentro do próprio reator

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Mas o problema da central de Krümmel não se fica apenas pelo transformador.


Por um lado, a Vattenfall, através de Tuomo Hatakka, já teve de admitir que, para além do problema do transformador, foram também detectados problemas dentro do próprio reator.

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Sabe-se já que pelo menos uma das varetas de urânio tem defeitos. Vai ser aberta a blindagem de cobertura do núcleo do reator para procurar a vareta ou as varetas defeituosas, entre as 80.000 existentes.

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E que a situação não foi tão inofensiva como a Vattenfall a quer apresentar deduz-se ainda do fato de que a administração da central nuclear comunicou à polícia a ocorrência do acidente 18 minutos depois de ele terminar, ou seja depois do transformador desligar - mas não comunicou o fato, como deveria ter feito, à repartição competente de Schleswig-Holstein para a vigilância e inspeção da energia nuclear.

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Esse fato já foi admitido por Tuomo Hatakka. O próprio ministro-presidente de Schleswig-Holstein, Peter Harry Carstensen, que acaba por ser o primeiro responsável pela segurança da população que vive nas imediações da central nuclear, censurou a Vattenfall e Hatakka pelo ocorrido e chegou mesmo a ameaçar com o desligar definitivo do reator.

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Também o presidente da câmara de Hamburgo, Ole von Beust, teve uma reação idêntica, acrescentando ainda que em alternativa poderia ser retirada à Vatenfall a licença e entregue a outra entidade.

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Por outro lado, continua sem se compreender:

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  1. como é que uma central que esteve fora de serviço durante dois anos por causa de um incêndio no transformador, e, segundo se afirma, sujeita a uma revisão geral, poucos dias depois de entrar em funcionamento volta a ter que ser desligada por causa de um curto-circuito no transformador;
  2. como é o que o responsável da central se esqueceu durante dois anos de instalar um equipamento de segurança moderno para o transformador;
  3. como é que afinal só agora se descobre, depois de dois anos de reparações, que não há só problemas no transformador, mas que também no núcleo do reator existem barras de urânio defeituosas. Tudo isto, repete-se, alguns dias depois de a central voltar a entrar em funcionamento, após os dois anos em que esteve parada em consequência do incêndio do transformador em 2007.

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Vattenfall: sinônimo de avarias

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Do ponto de vista da opinião pública, a Vattenfall tornou-se quase num sinônimo de consórcio cujos reatores são sujeitos a avarias.

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Mesmo na Suécia ainda é recordado um incidente grave com um reator em Forsmark, que o consórcio, e parcialmente em cooperação com a inspeção estadual da energia nuclear, procurou encobrir e depois apresentar como inofensivo.

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Já então a Vattenfall não informou os respectivos serviços estaduais da ocorrência e um relatório interno concluiu em 2007 que havia já de há longos anos uma degradação da cultura de segurança nas centrais nucleares suecas da Vattenfall, que um dia conduziria a uma catástrofe.

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Apesar do conhecimento destes fatos, não se lhes deu na altura na Alemanha a devida atenção. E mesmo agora fazem-se algumas ameaças políticas, é certo, mas atitudes concretas ainda não foram tomadas.

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Pelo contrário, se existem vozes críticas, também não faltam políticos que não só estejam dispostos a continuar a entregar a gestão da central de Krümmel à Vattenfall, como também nada dizem contra uma eventual prorrogação dos períodos previstos de funcionamento.

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E sabendo-se que o consórcio alemão E.ON é o parceiro da Vattenfall, não é de estranhar que este consórcio tenha todo o interesse na prorrogação do período de exploração da central.

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Maximização de lucros

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É neste autêntico jogo de interesses entre os imperativos de maximização de lucros praticados pelas empresas de energia que exploram as centrais nucleares e as necessidades da segurança dos reatores que a questão pode ser melhor compreendida.

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As 17 centrais nucleares neste momento em funcionamento na Alemanha têm os fins dos seus tempos de exploração estimados para o período entre 2009 e 2021. O reator de Krümmel entrou em laboração em 1984 e segundo a lei da energia atômica alemã calcula-se que terminará o seu funcionamento em 2019.

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Daí que se movimentem, neste momento, interesses no sentido, por um lado, da prorrogação dos períodos de exploração, o que implica naturalmente que as condições de segurança das centrais o permitiriam.

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Por outro lado, pondera-se quem decide sobre esta questão, se as autoridades dos estados federados, que têm tido até agora a seu cargo a vigilância e inspeção das centrais, se um serviço centralizado, como quer agora Gabriel, sozinho ou acompanhado dos estados federados, mas sempre com a sua intervenção.

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Ora, como é óbvio do ponto de vista da maximização dos lucros, a Vattenfall quererá continuar a explorar a central até ao fim, realizando para tal o mínimo de investimentos possíveis, para retirar da exploração o máximo de lucros.

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Portanto, a Vattenfall vai fazendo reparações nas instalações da central nuclear quando esta avaria, esquece-se, como foi aqui o caso, de montar equipamentos de segurança adicionais, vai procurando ocultar as avarias ou apresentá-las como inofensivas, vai fazendo investigações aos procedimentos técnicos, vai tentando sossegar a opinião pública, mas verdadeiras medidas de fundo, tais como substituição completa dos equipamentos, não faz - isso não seria rentável, dado que o prazo de exploração se vai aproximando do fim.

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E, com esta política de procedimentos, vai mantendo a licença de exploração, embora a idoneidade em termos de garantias de segurança do consórcio para explorar equipamentos com riscos associados tão elevados como são os riscos inerentes à exploração de uma central nuclear esteja seriamente colocada em dúvida.

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É por todas estas razões que a atitude do ministro do ambiente Sigmar Gabriel em trazer o assunto para a opinião pública foi importante.

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Pode até ser, como o acusam os adversários políticos, que a sua motivação tenha sido alimentar a campanha eleitoral do SPD, em queda nas intenções de voto perante a CDU de Angela Merkel.

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Mas também é um fato que foi esta segunda ocorrência com o reator de Krümmel que lhe deu um reforço de autoridade para levantar o problema agora, com a agressividade com que o tem feito.

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Em qualquer circunstância, a atitude de Gabriel é objetivamente positiva. Quaisquer que sejam as suas motivações, abordou uma questão que era importante que fosse abordada.

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Talvez já o pudesse, e mesmo o devesse, ter feito antes, é certo. Mas pegou no tema agora e, como se costuma dizer, mais vale tarde que nunca.

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Esquerda
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in Vermelho - 22 DE JULHO DE 2009 - 15h58
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Quarta-feira, Julho 22, 2009

Fidel: O 30º aniversário sandinista e a proposta de San José

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O golpe de Estado promovido pela extrema direita dos Estados Unidos - que mantinha na América Central a estrutura criada por Bush - e apoiado pelo Departamento de Estado evoluía mal pela enérgica resistência do povo.

.Por Fidel Castro, no Granma

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A criminosa aventura, condenada de forma unânime pela opinião mundial e os organismos internacionais, não podia se sustentar. As lembranças das atrocidades cometidas em dácadas recentes pelas tiranias que os Estados Unidos promoveram, instruíram e armaram estavam frescas.
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As investidas do império se encaminharam duarnte a administração Clinton e nos anos subsequentes, com o plano de impor o TLC a todos os países da América Latina, por meio das chamadas Cúpulas das Américas.
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A intenção de comprometer o hemisfério com um acordo de livre comércio fracassou. As economias de outras regiões do mundo cresceram em um bom ritmo e o dólar perdia a sua hegemonia esclusiva como divisa privilegiada. A brutal crise financeira mundial complicou a situação. Nessas ciscunstâncias se produziu o golpe militar em Honduras, um dos países mais pobres do continente.
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Após duas semanas de crescente luta popular, os Estados Unidos manobraram para ganhar tempo. O Departamento de Estado designou Oscar Arias, presidente da Costa Rica, para a tarefa de auxiliar o golpe de Honduras, assediado pela vigorosa, porém pacífica pressão popular. Nunca um fato similar na América Latina avia recebido tal resposta.
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Nos cálculos do governo dos Estrados Unidos, pesava o fato de que Arias ostentava o título de Prêmio Nobel da Paz. A real história de Arias indica que se trata de um político neoliberal, talentoso e com facilidade com as palavras, extremamente calculista e aliado fiel dos Estados Unidos.
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Desde os primeiros anos do triunfo da Revolição Cubana, o governo dos Estados Unidos utilizou a Costa Rica e lhe destinou recursos para apresentá-la como uma vitrine dos avanços sociais que podiam conquistar sob o capitalismo.
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Esse paíse centroamericano foi utilizado como base pelo imperialismo para os ataques piratas contra Cuba. Milhares de técnicos e graduados cubanos foram subtraídos de nosso povo, que estava já submetido ao bloqueio, para prestarem serviços na Costa Rica. As relações entre Costa Rica e Cuba se restabeleceram recentemente; foi um dos últimos países do hemisfério a fazê-lo, o que nos satisfaz, mas não por isso devo deixar de expressar o que penso neste momento históirico de nossa América.
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Arias, procedente do setor rico e dominante da Costa Rica, estudou direito e economia em um centro universitário de seu país, e se graduou depois como mestre em Ciência Política na universidade inglesa de Essex, onde, finalemnte, recebeu o título de doutor em Ciência Políticas. Com tais láureas, o presidente José Figueres Ferrer, do Partido Libertação Nacional, o nomeou assessor em 1970, aos 30 anos de idade.
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E pouco depois o designou ministro de Planificação, cargo no qual foi ratificado pelo presidente que o seguiu, Daniel Oduber. Em 1978 ingressa no Congresso como deputado deste partido, Ascende logo a secretário geral em 1979 e é presidente pela primeira vez em 1986.
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Anos antes do triunfo da Revolução Cubana, um movimento armado da burguesia nacional da Costa Rica, sob a direção de José Figueres Ferrer, pai do presidente Figueres Olsen, havia eliminado o pequeno exército golpista deste país e sua luta contou com a simpatia dos cubanos. Quando combatemaos em Sierra Maestra contra a tirania batistiana, recebemos do Partido da Libertação, criado pro Figueres Ferrer, algumas armas e munições, porém era demasiado amigo dos ianques e logo rompeu concosco.
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Não se deve esquecer da reunião da OEA em San José, na Costa Rica, que deu lugar à Primeira Declaração de Havana, em 1960.
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Toda a América Central sofreu durante mais de 150 anos, e sofre desde os tempos de William Walker - que se fez presidente da Nicarágua em 1856 - o problema do intervencionismo dos Estados Unidos, que tem sido constante, ainda que o povo da Nicarágua tenha conquistado já uma independência que está disposta a defender até o último alento. Não se conhece apoio nenhum da Costa Rica depois disso, ainda que um governo deste país, às vésperas da vitória de 1979, compartilhou a glória de ser solidário com a Frente Sandinista de Libertação Nacional.
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Quando a Nicarágua foi sangrada pela guerra suja de Reagan, Guatemala e El Salvador também pagou um preço elevado de vidas, devido a uma política intervencionista praticada pelos Estados Unidos, que fornecia dinheiro, armas, escolas e doutrinação a tropas repressivas. Daniel disse-nos que os ianques finalmente promoveram maneiras de colocarem um fim à resistência revolucionária da Guatemala e El Salvador.
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Mais de uma vez Daniel comentou com amargura que Arias, seguindo instruções dos Estados Unidos, havia excluído a Nicarágua das negociações de paz. Ele se reuniu apenas com os governos de El Salvador, Guatemala e Honduras para impor acordos à Nicarágua. Ele me disse também que o primeiro acordo foi assinado em um convento em Esquipulas, Guatemala, em 7 de agosto de 1987, após dois dias de intensas negociações entre os cinco presidentes da América Central. Nunca falei sobre isso publicamente.
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Mas, desta vez, ao se comemorar o 30º aniversário da vitória Sandinista em 19 de julho de 1979, Daniel explicou tudo com impressionante clareza, tal como fez com todos os problemas durante o seu discurso, que foi ouvido por centenas de milhares de pessoas e difundidos na rádio e na televisão. Eu uso as suas palavras: "Os ianques o nomearam (a Arias) mediador. Temos uma profunda simpatia para com o povo da Costa Rica, mas não posso esquecer que, naqueles anos difíceis, o presidente da Costa Rica convocou os presidentes da América Central e não nos convidou".
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"Mas os outros presidentes da América Central foram mais sensatos e disseram: Você não pode ter um plano de paz, se não está presente a Nicarágua. Para a verdade histórica, o presidente que teve a coragem de romper o isolamento imposto pelos ianques na América Central - onde os presidentes foram proibidos de falar com o presidente da Nicarágua e se queria uma solução militar, pretendiam acabar através da guerra com a Nicarágua, com a sua revolução - quem deu esse passo corajoso foi o presidente da Guatemala, Vinicio Cerezo. Eis verdadeira história. "
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Ele imediatamente acrescentou: "Os ianques correram em busca de Oscar Arias porque já o conhecem! Para encontrar uma forma de ganhar tempo, para que os golpistas começassem a fazer alegações que são inaceitáveis. Desde quando um golpista vai negociar com a pessoa da qual tomaram os direitos constitucionais? Estes direitos não podem ser negociados, apenas têm que restituir ao presidente Manuel Zelaya, tal como disseram os acordos da ALBA, do Grupo do Rio, do SICA, da OEA e das Nações Unidas Unidos".
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"Em nossos países nós queremos soluções pacíficas. A batalha a ser travada pelo povo de Honduras, neste momento, é uma luta pacífica para evitar mais dor do que já se produziu em Honduras", disse Daniel.
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Em virtude da guerra suja ordenada por Reagan e que em parte foi custeada com drogas enviadas aos Estados Unidos, mais de 60 mil pessoas perderam a vida e outras 5 800 sofreram invalidez. A guerra suja de Reagan deu lugar à destruição e ao abandono de 300 escolas e 25 centros de saúde; 150 professores foram assassinados. O custo elevou-se a dezenas de bilhões de dólares.
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A Nicarágua tinha apenas 3,5 milhões de habitantes, deixou de receber o combustível que enviava a URSS e a enonomia ficou insustentável. Convocou as eleições e respeitou o decidido pelo povo, que havia perdido toda as esperanças de preseravr as conquistas da Revolução. Quase 17 anos depois, os sandinistas regressaram vitorioss ao governo; faz só dois dias que comemoraram o 30º aniversário da primeira vitória.
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No sábado 18 de julho, o prêmio Nobel propôs os conhecidos sete pontos da iniciativa pessoal de paz que subtraíam autoridade às decisões da ONU e da OEA e que equivaliam a um ato de rendição de Manuel Zelaya, que lhe tomariam simpatia e debilitariam o apoio popular. O presidente constitucional enviou o que qualificou como um ultimato aos golpistas, anunciando seu regresso a Honduras para o domingo, 19 de julho, por qualquer departamento do país.
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Por volta do meio-dia deste domingo, se produz em Manágua o gigantesco ato sandinista com históricas denúncias sobre a política dos Estados Unidos. Eram verdades que não podiam ser transcendentes.
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O pior é que os Estados Unidos estavam encontrando resistência do governo golpista a sua manobra. Não se sabe o momento em que o Departamento de Estado, por sua vez, enviou uma forte mensagem a Micheletti, e se os líderes militares foram advertidos das posições do governo dos Estados Unidos.
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O fato é que, para aqueles que seguem de perto os fatos, Micheletti estava insubordinado contra a paz na segunda-feira. O seu representante em San José, Carlos López Contreras, declarou que a proposta de Arias não poderia ser discutida, pois o primeiro ponto, isto é, a restauração de Zelaya, não era negociável.
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O governo golpista tinha levado a sério o seu papel e nem sequer percebia que Zelaya, privado de toda autoridade, não constituía um risco para a oligarquia e, politicamente, sofreria um golpe, se aceitasse a proposta do presidente da Costa Rica.
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No próprio domingo, 19, quando Arias pediu outras 72 horas para explicar sua posição, a Sra. Clinton falou por telefone com Micheletti e argumentou no que o porta-voz Philip Crowley descreveu como uma "chamada dura". Algum dia se saberá o que ela lhe disse, porém, bastaria ver a cara de Micheletti quando falou em uma reunião de seu governo, dia 20 de julho: parecia realmente a de uma criança da creche censurada pelo professor.
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Através da Telesur vi as imagens e os discursos da reunião. Outras imagens transmitidas foram dos representantes da OEA pronunciando seus discursos no centro desta instituição, comprometendo-se a esperar a última palavra do Prémio Nobel da Paz na quarta-feira. Sabiam ou não o que Clinton disse a Micheletti? Talvez sim, ou talvez não. Talvez algumas pessoas, mas nem todos conheciam. Homens, instituições e conceitos haviam se convertido em instrumento da alta e arrogante política de Washington.
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Nunca um discurso na OEA brilhou com tanta dignidade como as breves, mas vibrantes e corajosas, palavras de Roy Chaderton, embaixador da Venezuela, na referida reunião.
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Amanhã aparecerá a pétra imagem de Oscar Arias, explicando que se desenvolveram tais e quais propostas de solução para evitar a violência. Acho que até ele próprio caiu na armadilha montado pelo Departamento de Estado. Vamos ver o que acontece amanhã.
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No entanto, a população de Honduras, é que vai dizer a última palavra. Representantes das organizações sociais e das novas forças não são instrumentos de ninguém dentro ou fora do país; conhecem as necessidades e os sofrimentos do povo; as suas consciências e seus templos se multiplicaram; muitas pessoas que eram indolentes aderiram; os próprios membros honestos dos partidos tradicionais que acreditam na liberdade, na justiça e da dignidade humana vão julgar os líderes a partir da posição assumida neste minuto histórico.
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Ainda não se sabe qual seria a atitude dos militares frente aos ultimatos ianques, e que mensagens chegam aos oficiais; só há um ponto de referência patriótica e honrosa: a lealdade ao povo, que suportou com heroísmo o gás lacrimogênico, os golpes e os disparos.
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Sem que ninguém possa garantir qual será o último capricho do império; se, a partir das últimas decisões adotadas, Zelaya regressa legal ou ilegalmente, sem dúvida os hondurenhos farão uma grande recepção, por que será uma medida da vitória que já conquistaram com suas lutas.

Ninguém duvide de que só o povo de Honduras será capaz de construir a sua própria história!
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Fidel Castro
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21 de julho de 2009

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in Vermelho -
22 DE JULHO DE 2009 - 12h30
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Sharia - Tudo bem na Arábia Saudita. E nas países católicos?

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Mike Nelson/EPA O rei Abdullah II foi vaiado por activistas dos direitos humanos durante uma visita ao Reino Unido em 2007
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O rei Abdullah II foi vaiado por activistas dos direitos humanos durante uma visita ao Reino Unido em 2007
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Reino Unido: Casada com homem da família Real saudita

Princesa adúltera consegue asilo

* F. J. Gonçalves com agências
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Uma princesa saudita teve um filho ilegítimo de um amante britânico e conseguiu asilo no Reino Unido depois de alegar que seria apedrejada até à morte no regresso à Arábia Saudita.
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A jovem conheceu o amante numa visita a Londres e encetou com ele uma relação, de que resultou uma gravidez no ano seguinte. Receando as suspeitas do marido, um homem idoso da família do rei Abdullah II, regressou ao Reino Unido para ter o filho e solicitar asilo.

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As autoridades britânicas aceitaram manter o anonimato da jovem e nem mesmo confirmam o caso, como habitualmente fazem com outros pedidos de asilo de cidadãos sauditas. A razão do segredo é não embaraçar a Arábia Saudita, parceiro político e económico, com casos que chamam a atenção para a repressão das mulheres naquele país árabe.

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Em 1977, outro membro da família real saudita foi executado à luz da sharia – lei religiosa islâmica que se sobrepõe à lei civil – depois de confessar adultério.

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A contestação à ditadura da família Saud ficou expressa em 2007, quando Abdullah foi vaiado durante uma visita oficial ao Reino Unido.

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in Correio da Manhã -
21 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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22 Julho 2009 - 07h53 | Paulo
Mulheres que cometem adultério tem protecção. Porreiro isto cobre 90% das tugas.
21 Julho 2009 - 10h18 | O EMIGRANTE
O petroleo vale mais que os Direitos Humanos.Nunca haverà solução infelizmente,os paìses consumidores não querem chatice
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NOTA VN - Interessante a «estatística» do Paulo. Já agora, qual a % de machos que dão a facadinha? A Lei da Sharia condena as mulheres adúlteras à lapidação. Mas ... no «católico» e salazarento Portugal as mulheres podiam ser mortas pelo marido se apanhadas em flagrante delito de adultério. Nada acontecia ao macho ofendido, pois era a «lavagem da honra», mas o mesmo não sucedia com as mulheres de fossem corneadas pelo «legítimo». E mesmo hoje no «católico» Portugal as mulheres e os homens são mortas/os por ciúme, fundamentado ou não. E no «católico» Portugal, apesar da Constituição de 1976 - post 25 de Abril - a Igreja Católica Apostólica Romana discrimina as mulheres impedindo a sua subida ao sacerdócio, em clara violação das Leis da República, às quais se sobrepõe ... o Direito Canónico. E as mulheres, «alegremente» aceitam tais discriminações praticando uma religião misógena que defende a virgindade até ao casamento e as subalterniza e as impede de voltarem a casar «religiosamente» caso se divorciem «civilmente».
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Pois ... que distingue afinal o catolicismo do islamismo radical? Ora bolas para Paulos e Marias deste calibre!
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Autoeuropa: Portugueses mais penalizados pelo lay-off

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A empresa pode ser a mesma, e o trabalho até pode ser parecido, mas quanto se trata de 'lay-off', as regras que se aplicam aos trabalhadores da Volskwagen são diferentes de país para país.
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Que o digam os colaboradores da Autoeuropa, em Portugal, que vão ser confrontados com a perspectiva de pararem o trabalho durante quatro dias por mês, até ao final do ano, sem receber.

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Ao contrário, os seus colegas alemães têm direito a receber 60 por cento do salário líquido, caso não tenham filhos. Se o agregado familiar for composto por mais de duas pessoas, então essa percentagem sobe para 67 por cento, e pode prolongar-se por um ano e meio. O valor é pago não pela empresa, mas sim pela Agência Federal do Emprego, uma instituição pública que canaliza os valores para a empresa, que os distribui pelos trabalhadores.

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Diário Digital / Lusa - quarta-feira, 22 de Julho de 2009 | 06:25
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Alberto João e a rede bombista FLAMA



Pedro Cunha (arquivo)
Alberto João Jardim discorda da investigação que está a ser conduzida pela PJ sobre a colocação de bandeiras flamistas na madrugada de 25 de Abril passado em várias zonas da Madeira


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Acções do movimento no 25 de Abril
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Fundadores da FLAMA asseguram que o ressuscitar do movimento separatista só interessa a Jardim
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* Tolentino de Nóbrega
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Passados mais de 30 anos sobre a extinção da denominada Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (Flama), dois sobreviventes do directório fundador saíram da clandestinidade para se demarcarem das recentes actividades atribuídas a este movimento separatista, nunca julgado pela autoria de mais de 70 atentados bombistas perpetrados entre 1975 e 1978 no arquipélago.
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“A Flama desfez-se. Hoje é um conjunto de cadáveres que jaz no Cemitério de São Martinho”, sintetiza João Costa Miranda, um dos três sobreviventes do directório constituído por 16 membros. “Ressuscitar a Flama nesta altura é uma palhaçada, um disparate sem justificação possível. A frente nasceu num contexto, quando Portugal caminhava para uma ditadura comunista, mas agora não tem razão de ser, está extinta. Hoje levantar o espantalho da independência só interessa a quem quer colher dividendos da guerra com Lisboa”, diz Miranda. Mais directo foi Daniel Drumond, outro membro do directório, ao apontar o dedo à Quinta Vigia, sede da presidência do Governo regional. O terceiro elemento ainda vivo, que é fundador do movimento, está no estrangeiro.
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Alberto João Jardim discorda da investigação que está a ser conduzida pela PJ sobre a colocação de bandeiras flamistas na madrugada de 25 de Abril passado em várias zonas da Madeira. Com esta acção, “para já de forma pacífica”, era atribuído ao movimento o propósito de reiniciar “a sua luta”. “Acho um atentado às liberdades, direitos e garantias andar a perseguir seja quem for por ideias políticas”, justificou Jardim. “Nós estamos num país livre e as pessoas são livres de se manifestarem”, acrescentou o governante e membro do Conselho de Estado que tem usado a ameaça independentista em momentos de maior aflição financeira da região ou quando negoceia reforços financeiros com Lisboa.
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Jardim diz ter “achado piada” na acção da semana passada atribuída à Flama, que incluiu o hastear da bandeira separatista no mastro do Palácio de São Lourenço. É a segunda vez que tal bandeira é hasteada neste monumento nacional, sede da representação da República, mas cuja posse é reivindicada pelo Governo regional.
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Na madrugada de 20 de Julho de 1975, em vésperas de uma grande manifestação do PPD que abriu uma cruzada contra o “colonialismo de Lisboa”, o Funchal também amanheceu ornamentado com bandeiras do movimento a que foi atribuída a autoria de mais de 70 atentados bombistas contra bens do Estado (avião da Força Aérea, comando militar, Emissora Nacional e PJ) e viaturas de madeirenses conotadas com a esquerda. Os bombistas, disse-o Jardim no Parlamento da Madeira, “não são dignos de castigo, mas de recompensa”, uma vez que são “defensores da pátria e da democracia”.
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Em Fevereiro do ano passado, quando o Presidente da República visitou a Madeira, os sociais-democratas exigiram que a bandeira da região fosse hasteada no Palácio de São Lourenço.
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Ao colocar agora a bandeira no palácio, os seus autores declararam que não querem “pertencer a um país governado por um corrupto que deveria estar preso”. Miranda, que se assumiu como antigo responsável editorial do movimento, negou também qualquer ligação da Flama ao comunicado divulgado com o seu símbolo na semana passada. “Não tem qualquer semelhança com os nossos comunicados, nem no estilo, nem na ortografia e gramática. É um plágio tosco, rude e grosseiro”, frisou.
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Acusado pelo líder regional do PS de ter responsabilidade na Flama, Jardim elegeu Sócrates como “o maior inimigo da Madeira desde o 25 de Abril” e único alvo a abater nas próximas eleições. E admitiu relançar, depois do próximo ciclo eleitoral, a ideia da independência a um ano do fim do mandato que, mais uma vez, promete ser o último. “Vamos aguentar até 2010” e “não terei qualquer receio em defendê-la [a independência] se vir” que “o Estado central autoritário abusa de poder sobre o povo madeirense”.
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in Público -03. 05.2009 - 23h30
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A solução populista, segundo Rui Teixeira Santos



A solução populista

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por Rui Teixeira Santos
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Desta vez, a solução populista não conseguirá ganhar votos no centro-direita. Cada vez que a direita for populista, Sócrates ocupará mais o centro, o espaço natural do humanismo e do respeito pela cidadania. A direita para voltar ao poder não tem que ser populista: tem que estar apta para governar. Tem que provar competência, apesar dos desastres dos governos anteriores. Tem que ser capaz. Porque quando o populismo combate o populismo, acaba, sempre, por ganhar quem está no poder, em última análise, quem passa o cheque.

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Desta vez, a solução populista não conseguirá ganhar votos no centro-direita. Cada vez que a direita for populista, Sócrates ocupará mais o centro, o espaço natural do humanismo e do respeito pela cidadania. A direita para voltar ao poder não tem que ser populista: tem que estar apta para governar. Tem que provar competência, apesar dos desastres dos governos anteriores. Tem que ser capaz. Porque quando o populismo combate o populismo, acaba, sempre, por ganhar quem está no poder, em última análise, quem passa o cheque.

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O populismo foi essencial contra Guterres

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É verdade - e fomos os primeiros a defendê-lo - que a componente populista foi necessária para o centro-direita voltar ao poder, em 2001, contra António Guterres. Mas, agora, depois do fracasso dos governos do PSD, foi a esquerda que se colocou no Governo e iniciou um processo de refundação do Estado - e não de mero reformismo, conforme o mandato do eleitorado - legitimado até pelo dramatismo e alarme criados no País pela governação de Durão Barroso/Ferreira Leite e pelo "monstro" de Cavaco Silva.

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Há que ter claro algumas ideias, agora que se reanima a luta pelas lideranças no CDS e no PSD.
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José Sócrates não está a reformar o Estado Social: o primeiro-ministro está a refundar o Estado - um novo Regime - num modelo neo-socialista, que coloca o Estado-Leviatão, acima dos cidadãos, da República, desumanizando o Direito e a Justiça e desarticulando a iniciativa nacional.

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Basicamente, o processo das urgências nos hospitais, com a sua desumanidade contabilística, contra a qual se revolta, para além dos sindicatos e dos médicos, a própria Maçonaria; a reforma da Administração Pública, com o contrato individual, contra o qual se fazem manifestações com 120 mil pessoas, e a redefinição das funções essenciais do Estado (numa espécie de reforma constitucional sem "Revisão da Constituição", curiosamente deixando cair a antiga designação política das funções de soberania, para poder excluir a Justiça); a reforma das polícias, com a concentração de poderes, num processo equivalente ao do cruzamento de dados - uma clara ameaça aos direitos privativos dos cidadãos; e, finalmente, em nome do novo ciclo económico, o crescimento do desemprego e o aumento da presença do capital estrangeiro (nisto, a natureza do regime rompe com o tradicional nacionalismo do populismo, actualizando-se na globalização, sucedâneo liberal do internacionalismo socialista).

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Para além do apoio das elites (que estão sempre do lado do poder), o novo Estado de Sócrates é tolerado pelas classes médias, que acham mesmo que não há alternativa. Que tem que ser assim. Que é altura de sacrifícios.

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E, é neste estado de espírito que entra depois o poder paternalista do Estado: a verdadeira revolução cultural que é dar qualificação aos portugueses, mas, desta vez, ao contrário do que fez Barroso com o 9.º ano obrigatório, com recursos suficientes e o cheque formador. O salário mínimo que cria desemprego mas limita a pobreza; ou ainda a reforma do cálculo das pensões que dá sustentabilidade à Segurança Social. De um lado, a tirania do necessário, do outro o necessário da tirania.

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Ora, contra este estado de coisas na sociedade e no Estado, a solução alternativa não pode ser populista. Cada vez que a direita é populista, o PS é centrista e, mais, José Sócrates entra na base social de apoio dos partidos da direita.

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Regressar ao humanismo e à competência

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Contra o neo-socialismo, que acredita no Estado-Leviatão - gigantesco e que manda penhorar as contas de quem não paga todos os exagerados impostos - o centro-direita tem que retornar ao humanismo, que permite colocar o homem no lugar onde o neoliberalismo barrosista colocou o capital e o dinheiro, ou onde o neo-socialismo de Sócrates coloca o Estado e os impostos.

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Do mesmo modo que a oposição ao eng. Guterres teve que ter uma componente populista, agora, a direita não regressa ao poder se não conseguir criar uma solução alternativa credível, séria e competente, distante do populismo que resultou há seis anos, mas falhou depois no Governo.

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Não se combate o eng. Sócrates dizendo que está tudo mal, como faz Marques Mendes. Nem lhe antecipando medidas, sem um estudo aturado e prévio que fundamente as propostas, como aconteceu com a sugestão de descida dos impostos por parte do PSD. É evidente que os impostos devem descer e, nisso, intuitivo como ninguém em política, Marcelo foi o primeiro a passar a dica a Marques Mendes. Mas, o importante era que Marques Mendes dissesse em quanto e quando, fundamentadamente e com credibilidade apresentasse uma alternativa ao Orçamento de Teixeira dos Santos. (E também não ajuda a falta de sensibilidade política de Ferreira Leite, quando chama de irresponsável o líder do partido por si eleito.)

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Não basta dizer que estamos a crescer pouco. É preciso ser competente na análise. O investimento em obras públicas e construção civil está, de facto, a cair, tal como o de aquisição de material rodoviário. Mas, nos bens de equipamento o aumento é superior a 6%. O que é bom, pois significa que o investimento que cresce é aquele que cria riqueza e permite exportações.

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É evidente que, no longo prazo, estaremos todos mortos. E que o que interessa aos desempregados é um trabalho hoje, aqui e agora, nem que seja o Estado a pagar a abertura de buracos para, depois, pagar o seu fecho - no caso, os aeroportos da Ota e o TGV...

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O crescimento é pago pelos espanhóis

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Mas, é preciso não ser demagógico na análise. É muito mais sério reconhecer que, neste momento, o PIB - aliás, como aconteceu com a Irlanda, que nos serviu de modelo - já é superior ao rendimento nacional (em cerca de 10%), o que prova que são os estrangeiros que estão a investir, o que dá a medida de quem é o dono do capital.

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Há que reconhecer que Sócrates está a dar "tapete encarnado" para os investimentos estrangeiros e, sobretudo, ao investimento espanhol (à Repsol, a quem se deu o gás, à Aventis, à Abertis - a quem se deu a plataforma logística Tejo Sul - ou a Pesca Nova - a quem se concessionou as melhores águas da Ria Formosa) mas também alemão - como na AutoEuropa - com todas as isenções, que nenhum empresário local pode ter. Basicamente são os espanhóis que pagam o crescimento económico e investem no Estado de Sócrates, para já não falar na iniciativa do Santander que, com o seu papel nas OPA, trouxe um pouco de modernidade ao nosso fechado mundo empresarial.

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Para a direita ser alternativa a este poder eficaz do primeiro-ministro teria que apostar nos portugueses, limitar o privilégio dado ao capital estrangeiro e denunciar o Estado monstruoso que mata o mercado livre, esmaga as liberdades e garantias dos cidadãos e pouco respeita a dignidade humana, em nome da segurança e da sua voracidade irracional para controlar tudo e crescer. (Já não bastava a declaração dos depósitos acima de 10.000 euros ao Banco Central. Agora, até voltamos ao cúmulo de ter que declarar, na alfândega, a moeda que se leva para o estrangeiro, como nos anos oitenta antes da revolução financeira do fim do século passado.)

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E, por outro lado, mostrar o que está mal, mas também aplaudir o que está bem, deveria ser o método para o novo humanismo do centro-direita, diferentemente do oportunismo cavaquista, da incompetência de Durão Barroso ou do populismo de Paulo Portas.

. Júdice ataca Santana Lopes
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Só por aqui se poderá construir uma alternativa ao eng. Sócrates. E, nesta matéria, o primeiro a perceber isso foi o inteligentíssimo José Miguel Júdice, na entrevista que deu ao "Expresso". (Ele está com 60 anos, a caminho da reforma e sabe que só trabalhará até ao fim da sua carreira com o eng. Sócrates - até porque admite que ele repetirá em 2009 a maioria absoluta. Desfiliou-se do PSD, provavelmente para assegurar a boa vontade do poder socrático... - Também o conhecemos como as palmas das mãos!)

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Mas, Júdice, brilhante, disse algo de certeiro: o seu objectivo, obviamente, era cercar Santana Lopes. Santana Lopes e o dito "populismo santanista" são o perigo maior para um homem que entende a política e para a concepção que tem da dialéctica do poder. Sem alternativa, José Sócrates perpetua-se no poder, até porque o sabe exercer e está a neutralizar as resistências. (A biografia apologética do "Sol", por todos criticada, obedece às mesmas regras de propaganda que deram 12 anos de poder a Cavaco Silva.)

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José Sócrates anulou o Partido Socialista (já nem serve para agência de emprego no Estado), comprou os adversários internos (por exemplo, os ferristas estão no Governo e Ferro na OCDE) e tomou por suas as medidas da oposição (desde a Saúde à Justiça, passando pelo Educação e pela reforma da Administração Pública). Ou seja, neutralizou o discurso ligeiro do PSD e do PP, mas, sobretudo, pôde ser mais populista que Paulo Portas ou que Santana Lopes.

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José Miguel Júdice percebeu isso como ninguém e foi mais longe: obviamente, Marcelo Rebelo de Sousa é a solução. Não é! - e Júdice sabe-o como ninguém. Marcelo é ligeiro de mais, perde sempre e não é confiável.

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Só que, neste momento, não é a liderança de Marcelo ou a conquista do poder que está em causa, para Júdice: o problema é a marcação do espaço de Santana Lopes, esse sim, uma ameaça ao actual regime, a esta democracia de partidos, onde, por acaso, nem Marcelo, nem ninguém inspirado por Belém conseguirá ganhar "directas", controladas por Alberto João Jardim e por Menezes e pelas dezenas de militantes telecomandados que têm sabido inscrever nas suas concelhias do PSD.
. A comunicação como arma ideológica da maioria

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Apesar da sua origem social e política, o primeiro-ministro acaba por ser refém do sistema centralizado que criou e onde o imperativo democrático das eleições é apenas parte do processo de consolidação do seu poder. O entendimento que faz com o capital estrangeiro - sobretudo, espanhol, repito - e também com a alta burguesia financeira e especuladora - como se verificou no caso da PT - condena-o não só à paralisia, mas à repetição do mesmo mal que sofreu o guterrismo com Pina Moura. E, ainda por cima, o estado das mentalidades do PS e das estruturas políticas que apoiam o primeiro-ministro mostram a incapacidade de reformar o sistema, empurrando o País para o abismo de uma implosão ou, pior que isso, para o silêncio dos que já nada mais têm para perder - a pobreza. (O blog de António Costa é já a prova dessa incapacidade de ir até ao fim e a percepção do papel da propaganda e da comunicação como arma ideológica legítima.)

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Mas, ninguém tenha ilusões e Júdice, avisado, percebeu, também, isso: Sócrates vai ganhar as próximas eleições legislativas, sem alternativa, nem contraditório, porque tem os mecanismos de poder para tanto, enquanto a direita, autista, se perde em derivas mais ou menos populistas, ou em táctica contabilística para desalojar lideranças interinas.

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in Semanário - 2007-03-15 23:46

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Justiça - Princípios da igualdade

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Heresias

Princípios da igualdade

* Carlos Abreu Amorim, Jurista

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Isaltino Morais está a ser julgado em tribunal criminal. Por vezes, parece que não é um arguido como qualquer outro.

Há dias, quando o procurador fazia as suas alegações finais, Isaltino impacientou--se. Pediu à juíza para sair –e a magistrada, incrivelmente, permitiu-o. Não se ausentou por razões de saúde. Nem por outras de força maior. Pura e simplesmente julgou que não devia ouvir aquilo que o procurador dizia. Demasiado lesto, à po»rta do Tribunal deu uma conferência de imprensa.

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Isaltino transgrediu o seu estatuto de arguido – só que o fez com a benevolência da juíza. Certamente tal não terá sucedido pelo facto de o arguido ter sido deputado, autarca e ministro – mas nunca vi condescendência semelhante quando o arguido é um cidadão comum.

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in Correio da Manhã -
13 Julho 2009 - 00h30
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Os filhos do menino Alberto João estrumam cartas e terreno (2)

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Lusa José Miguel Júdice e Rebelo de Sousa falam em democracia estável
José Miguel Júdice e Rebelo de Sousa falam em democracia estável

Constituição: Defendem fim de proibição

Partidos fascistas

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* Cristina Rita

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Eliminar a referência à proibição de partidos com base na ideologia numa revisão constitucional numa democracia estabilizada merece o apoio do ex-bastonário da ordem dos advogados José Miguel Júdice e de Marcelo Rebelo de Sousa. O tema entrou na agenda por causa da proposta polémica do PSD da Madeira.
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"Isto não significa que os constituintes defendam o fascismo, (...), mas que acabaram por entrar na idade adulta, deixando-se de criancices", afirmou José Miguel Júdice à Antena 1.

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Ao CM, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "faz sentido desaparecer qualquer proibição de constituição de partidos com base na ideologia". E recorda que é raro o Tribunal Constitucional recorrer ao artigo de proibição. "Caiu em desuso", remata. No domingo, na RTP, Marcelo considerou um "erro e um absurdo" a proposta inicial de Alberto João Jardim da revisão constitucional com a hipótese de proibir partidos comunistas. E destacou que o PSD já respondeu pela voz de Castro Almeida, na RTPN, ao dizer que tal ideia não fazia sentido algum.

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Montalvão Machado, do PSD, reitera a posição do partido de que o tempo não é de revisão constitucional, mas admite, a título pessoal, que o assunto possa merecer, no futuro, "reflexão". Também a título pessoal, o socialista Ricardo Rodrigues refere que apenas se não provocasse "conturbações".

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in Correio da Manhã -
21 Julho 2009 - 00h30
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Os filhos do menino Alberto João estrumam cartas e terreno (1)

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A Voz da Razão

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Fascistas e comunistas

* João Pereira Coutinho, Colunista
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Alberto João Jardim quer proibir o comunismo na Constituição. Se esta já exclui o fascismo, por que não o seu irmão historicamente gémeo? A proposta pôs a extrema-esquerda a rabiar e permitiu que sumidades avulsas viessem declamar o seu amor pela ‘democracia’ e pela ‘liberdade’. Eu, modestamente, gostaria de dizer duas coisas.
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Primeiro: a Constituição faz muito bem em proibir partidos fascistas. Segundo: a Constituição faria muito bem em proibir partidos comunistas. Precisamente em nome da ‘democracia’ e da ‘liberdade’. Ao contrário do que se pensa, a ‘democracia’ e a ‘liberdade’ só existem quando os actores políticos estão dispostos a respeitar esses valores sem o desejo programático de os liquidar. Aceitar ideologias totalitárias em nome da ‘democracia’ e da ‘liberdade’ é como aceitar a raposa no interior do galinheiro.

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in Correio da Manhã -17 Julho 2009 - 00h30
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Terça-feira, Julho 21, 2009

Sócrates o ditador


por António Barreto (2007)

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A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam.

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Entre estes, está o facto de o candidato à Autarquia se ter afastado do Governo e do Partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal.

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A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.

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Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo.

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Manuel Alegre resiste, mas já não conta.

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Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.

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Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.

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O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado.

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Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo.

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Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.

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Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.»
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A ROSA MURCHA DE SÓCRATES

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* Baptista-Bastos

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No emocionado êxtase de si próprio, José Sócrates anda pelo País a distribuir computadores. Faz discursos repletos de adjectivos e de nenhumas reticências. Como ninguém dá nada de graça, os recebedores das máquinas têm de as pagar, mais tarde ou mais cedo, acaso com leves descontos. Tudo em nome da ciência, da tecnologia e do conhecimento. E ponha lá, também, da "esquerda moderna", instrutiva expressão inventada nos melancólicos vagares de José Sócrates. Os portugueses estão cada vez mais aflitos, andam cheios de Prozac, enchem os consultórios de psicólogos e de psiquiatras, e o querido primeiro-ministro entrega-lhes computadores, na presunção de que vai erguer o moral da pátria.

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Portugal existe numa litografia graciosa e colorida, segundo no-lo é apresentado pelo Governo. Mas os números do desespero são assustadores. Admito que as evidências da realidade sejam extremamente maçadoras para a desenvolta modernidade do Executivo: meio milhão de desempregados; dois milhões de compatriotas em risco de pobreza; três milhões de famílias endividadas em cerca de 1,2 vezes o seu rendimento anual; 48 mil professores sem colocação; milhares de enfermeiros em estado de susto; e as dez maiores fortunas do País cresceram quase 14%.

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Possuo enorme rol de malformações sociais, criadas, aumentadas ou não resolvidas por este Governo que somente serve para nos dar desgostos, enquanto acusa os objectantes de intrigas rasteiras e manobras sórdidas. A verdade é que começamos a assistir a pequeninas insurreições de militantes do PS, que apontam Sócrates à execração socialista e o acusam de ter murchado a rosa. Ainda há dias, Alfredo Barroso deu alguma luminosidade ao triste Sol do Saraiva, aproveitando o rodapé em que foi paginado o seu artigo para reduzir a subnitrato este PS, o Governo e adjacências. É um texto exemplar, pelo que nomeia de danos irreversíveis provocados pela vigência destes "socialistas modernos".

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Porém, José Sócrates não só dissolveu as expectativas nele depositadas. Avariou, irremediavelmente, a grandeza de intenções contida na ideia de socialismo. Guterres causara amolgadelas graves no corpo cambaleante do infeliz partido, mas nada que se compare às cacetadas de Sócrates. Daqui para o futuro quem vai acreditar nos socialistas, no socialismo, no PS?, cuja história carrega um peso insuportável de derivas, desvios e traições.

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José Sócrates pode ser um guloso de tecnologia, um amante desvairado de cibernética, um "animal feroz", como se definiu numa preguiçosa e insensata entrevista ao Expresso. O que José Sócrates não é, sabemo-lo todos - e todos os dias: nem socialista, nem grande político nem grande primeiro-ministro.

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-escritor e jornalista

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bbastos@netcabo.pt


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in Diário de Notícias -


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Crise no BCP: Santos Ferreira não entusiasma accionistas

Rui Gaudêncio/PÚBLICO (arquivo)
No final da reunião, Berardo afirmou que o resultado da reunião foi de fumo branco

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Investidores peocupados com as movimentações políticas
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23.12.2007 - 09h04 Cristina Ferreira
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A reunião de accionistas do Banco Comercial Português que ontem se realizou abriu caminho a um entendimento em torno de Carlos Santos Ferreira para liderar a instituição financeira, embora o nome do actual presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não entusiasme parte dos grandes investidores. O grupo volta a reunir-se a 27 de Dezembro para acordar uma lista consensual a divulgar até ao dia seguinte.
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“Fumo branco” e “virar a página”. Foram estas as mensagens deixadas pelos accionistas do BCP à saída da reunião que se realizou de urgência, para, em conjunto, encontrarem uma solução de governação que pacifique o maior banco português. Mas nem todos subscrevem o entusiasmo.
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A escolha de Santos Ferreira para governar o BCP não agrada a todos os accionistas de referência da instituição, muito menos reúne o apoio de todos. Porém, e embora Santos Ferreira não tenha sido formalmente votado no encontro de ontem, o facto de não ter aparecido uma alternativa abre as portas à sua nomeação. E ninguém contestou António Mexia, quando este avançou com o nome do presidente da CGD. Em todo o caso, para ter o apoio incondicional dos accionistas Santos Ferreira terá de revelar qual vai a sua equipa e qual a estratégia que vai adoptar. Durante a crise do BCP, este gestor movimentou-se para o partilhar entre a CGD, o BES e o Santander. E foi ainda um adversário da fusão do BCP com o BPI, que possui 8,8 por cento do rival.
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É neste contexto complexo, onde se misturam várias vontades, que um conjunto de accionistas, como a Eureko, a TD e outros, têm mantido contactos para afinar uma estratégia de actuação conjunta para a escolha do CEO. Este grupo (desconhece-se o que fará o BPI) tenderá a articular-se, não tanto para impedir a constituição de uma lista consensual, mas sim para influenciar (ou chumbar) os nomes dos próximos executivos do BCP. E, ainda, para travar uma eventual tomada de poder no BCP por parte dos partidos, em especial do PS. Neste grupo há quem gostasse de ter condições para equacionar uma proposta alternativa a Santos Ferreira.
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O PÚBLICO apurou que os investidores estrangeiros estão preocupados pelo modo como o processo de selecção de um CEO de uma empresa privada, o BCP, está a ser conduzido, em especial pela forte componente política associada e pela forma de actuar do Governo, via CGD e EDP.
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Protagonismo excessivo
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E há ainda quem, no final da reunião de ontem, tenha, em declarações ao PÚBLICO, manifestado desconforto face ao protagonismo excessivo que a EDP (e o seu presidente, António Mexia) e a CGD estão a ter no desenlace da crise do BCP. Isto, por se tratar de duas instituições com presença estatal (na CGD a 100%), o que é visto como uma forma indirecta de o Governo “tomar” conta do grupo. Se o fizer, o executivo garante “a mão” nos dois maiores bancos nacionais e assegura grande poder de influência na economia, dado que a escolha do CEO da CGD parece ser de inspiração partidária (Santos Ferreira é um ex-dirigente socialista).
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Todavia, o aparecimento da solução Santos Ferreira, beneficiando do dedo de José Sócrates, resulta sobretudo da crise profunda que hoje rodeia o BCP e da descredibilização da sua governação. Por outro lado, o modo como Filipe Pinhal se articulou para que a escolha Santos Ferreira avançasse também não agradou aos accionistas. O actual presidente do BCP e Santos Ferreira são amigos chegados e estiveram juntos na quinta-feira à noite, tendo o CEO da CGD recebido luz verde de Pinhal.
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Tudo pronto na dia 27
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Estiveram presentes na reunião de ontem os representantes da Eureko, do Sabdell e da Sonangol, os presidentes do BPI, Fernando Ulrich, da EDP, António Mexia, da CGD, Carlos Santos Ferreira, e os accionistas Joe Berardo, Pedro Teixeira Duarte, João Rendeiro, Manuel Fino e Bernardo Moniz da Maia. E ainda outros com posições não qualificadas.
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O encontro juntou mais de 50 por cento do capital do BCP, envolvendo investidores que têm estado em guerra pelo controlo do grupo. E decorre após a intervenção do Banco de Portugal (BdP), que, na sexta-feira, recomendou a não viabilização de candidaturas dos actuais administradores (em especial Filipe Pinhal e Cristopher de Beck) a um novo mandato. Vítor Constâncio alegou que todos os gestores do banco desde 1999 estão a ser investigados e são potencialmente culpados.
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À saída, Berardo, Ulrich e Rendeiro fizeram curtas declarações, tendo alegado que chegou o momento de “voltar a página” no BCP. Berardo disse que havia fumo branco e que o nome do próximo CEO será divulgado na sexta-feira, quando termina o prazo para a apresentação de listas concorrentes aos órgãos sociais. Segundo a Lusa, Rendeiro confirmou o nome de Santos Ferreira para presidir ao BCP. Se aceitar, o que já terá feito, Santos Ferreira terá de deixar a CGD nos próximos dias. Ontem as rádios referiam o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha para o substituir no grupo público, hipótese que não se confirma. Luís Filipe Menezes, líder do PSD, veio sugerir Miguel Cadilhe, ex-ministro de Cavaco Silva, ex-presidente do BFA e ex-administrador do BCP, para o lugar.
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in Público -

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Oliveira Costa em prisão domiciliária com pulseira electrónica

Caso BPN

Oliveira Costa em prisão domiciliária com pulseira electrónica

17:25 O ex-presidente do BPN vai aguardar em casa o desenrolar do processo em que é arguido. O Juiz Carlos Alexandre decidiu hoje suavizar a medida de coação de prisão preventiva, que durava há já oito meses, transformando-a em prisão domiciliária.

17:24 Arlindo de Carvalho de novo ouvido em tribunal...

09:03 Arlindo de Carvalho e sócio suspeitos de terem causado prejuízos superiores a 40 milhões...

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in Jornal de Negócios - 2007.07.21

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O tempo e a liberdade humana




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por Umberto Martins*
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A bandeira da redução da jornada de trabalho sem redução dos salários voltou à ordem do dia no Congresso Nacional. Depois que o parecer do deputado Vicentinho favorável à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 231/95 foi aprovado por unanimidade na comissão especial instalada na Câmara Federal, dia 30/6, o tema só poderá ser retirado da agenda parlamentar depois que for apreciado e votado em plenário.
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A proposta, dos senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-RS), reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e eleva o adicional de horas extras de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada. A votação na comissão especial foi acompanhada por cerca de mil sindicalistas, num ato organizado unitariamente por todas as centrais sindicais.

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Aspiração histórica

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A diminuição do tempo de trabalho sem prejuízo para os salários é uma aspiração histórica da classe trabalhadora e do movimento sindical em todo o mundo. Assessorados pelo Dieese, representantes das centrais sindicais chegaram a discutir em meados do ano passado a oportunidade de relançar a campanha nacional pelas 40 horas semanais, mas foram atropelados pela emergência da crise mundial do capitalismo.
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Imaginava-se que a crise, com a onda de demissões em massa que acompanha o seu caminho, iria constranger a classe trabalhadora e o movimento sindical à defensiva, jogando uma ducha de água fria na campanha. Mas, não foi isto o que ocorreu. Contraditoriamente, a recessão exportada pelos EUA contribuiu para a significativa vitória na comissão especial e pode favorecer a aprovação em plenário. A recessão agravou o quadro do desemprego no país e não restam dúvidas de que a redução da jornada é um remédio poderoso e eficaz contra este mal. Os trabalhadores e trabalhadoras contam também com o precioso apoio do presidente Lula nesta luta.

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Mais emprego

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O principal argumento levantado hoje pelos sindicalistas a favor da redução do tempo de trabalho relaciona-se ao desemprego. Técnicos do Dieese estimam que a redução de quatro horas na jornada semanal de trabalho, associada à restrição das horas extras, deve gerar em torno de 2,5 milhões de novas vagas no mercado formal. O avanço da produtividade ao longo dos últimos anos também justifica a medida. A jornada no Brasil é uma das mais altas e extenuantes do mundo. Considerando o tempo que o trabalhador ou trabalhadora gasta no transporte da casa ao emprego, a média da carga de trabalho chega a 12 horas diárias.

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Naturalmente, o patronato contesta a previsão do Dieese. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou recentemente um “estudo” onde sustenta que “a proposta elevará os custos da produção indistintamente em todas as empresas, atividades e regiões do país”. Assim, de acordo com a confederação, é de se esperar mais demissões se a PEC for aprovado. O argumento, porém, não parece procedente.

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A proposta da Fiesp

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A opinião da CNI soa falsa quando é cotejada com a posição adotada pela Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) a respeito da crise. O presidente da entidade que representa os capitalistas paulistas, Paulo Skaf, admitiu publicamente que a redução da jornada é um meio de evitar demissões. A única (e fundamental) diferença em relação aos sindicalistas é que ele defende a redução da jornada acoplada à redução dos salários. Lembremos as declarações que deu ao jornal “Folha de São Paulo” sobre o tema no dia 14 de janeiro deste ano.

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''Foi feito um apelo para que tudo seja feito, todas as alternativas sejam esgotadas antes de mexer no emprego. As empresas disseram que se tiver redução de jornada com redução de salário, vamos manter o nível de emprego. Se não, vamos demitir'', sustentou o presidente da Fiesp.

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Alguns sindicatos, com a faca no pescoço, acabaram fechando acordos neste sentido, mas a maioria das centrais (com exceção da Força Sindical) repudiou a proposta, o que inviabilizou um pacto mais amplo com o conteúdo proposto por Skaf, que não está em sintonia com os interesses da classe trabalhadora. Os salários no Brasil já são historicamente baixos e o arrocho agravaria os efeitos da crise ao reduzir a renda e a capacidade de consumo dos assalariados, deprimindo o mercado interno, cujo crescimento nos últimos anos contribuiu fortemente para amortecer os impactos da contração do mercado mundial.

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O lucro em 1º lugar

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A posição dos industriais paulistas tem o mérito de evidenciar os reais interesses que orientam o capital neste debate. As empresas admitem a redução da jornada e inclusive a recomendam como alternativa às demissões, conforme explicou o presidente da Fiesp. Todavia, não concordam absolutamente com a ideia de manter o valor real dos salários, pois isto demandaria uma redução da taxa de exploração dos assalariados e dos lucros.

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Está em causa, neste caso, a peleja secular entre o que Karl Marx classificou de tempo de trabalho necessário (salários diretos e indiretos) e tempo de trabalho excedente (mais-valia e lucro), que fornece o combustível básico para a luta de classes moderna entre capital e trabalho. O capitalista é dotado de uma avidez insaciável por trabalho excedente e em nenhum momento da história concordou pacificamente com a redução parcial dos lucros (trabalho excedente) em benefício dos salários (trabalho necessário). Para o capital, o lucro vem em primeiro lugar, tudo o mais é secundário e sacrificável no altar da mais-valia.

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Ponte para o futuro

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O emprego tem grande relevância especialmente neste momento da história, mas não é o único benefício proveniente da redução da jornada de trabalho, que tem um sentido histórico e estratégico para a classe trabalhadora e a civilização humana. A medida favorece também a saúde dos empregados, reduzindo a incidência de doenças ocupacionais, libera tempo para a educação, formação profissional, convívio familiar e lazer. Tende a promover, enfim, uma sensível e generalizada melhora na qualidade de vida do nosso povo.

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Não devemos mirar apenas os seus efeitos imediatos. A redução da jornada é uma bandeira que faz ponte com o futuro, é condição e caminho para a liberdade e a realização plena das potencialidades do ser humano, conforme percebeu o pensador alemão Karl Marx. De um ponto de vista marxista, a liberdade pode ser definida como o livre arbítrio sobre o tempo de vida do indivíduo (supondo satisfeita a necessidade de sobrevivência), o que evidentemente não é possível sob o trabalho heterônomo que caracteriza as relações capitalistas. Cada passo na direção da redução da jornada aponta para a elevação da condição humana do reino da necessidade para o reino da liberdade.

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Guerra civil secular

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Abordarei o tema de forma mais pormenorizada em outros artigos se conseguir tempo livre para tanto. Agora resta acrescentar (lembrando Marx) que, no capitalismo, a redução da jornada só se concretiza na história como resultado de uma guerra civil secular entre capital e trabalho. Uma guerra que continua, vai atravessar o século 21 e pode durar mil anos. Mas, vale a pena seguir lutando pela liberdade humana.

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O movimento sindical, aliado aos partidos e forças progressistas, porta a bandeira do futuro, mas não deve alimentar ilusões. A votação da PEC 231/95 em plenário não será um passeio ou a festa que foi na comissão especial. Exige quórum qualificado e o patronato já está se mexendo. Não vamos alcançar a vitória final nesta batalha sem uma ampla mobilização social. Não há tempo a perder. É hora de relançar a campanha nacional unificada das centrais pelas 40 horas já.

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*Umberto Martins, Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -21 DE JULHO DE 2009 - 18h43
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Dia de quem?

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por Regina Abrahão*
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Sabidamente, datas tradicionais têm forte apelo emocional. Natal, páscoa, dia das crianças, além de movimentar bilhões, movimentam sonhos não só infantis, mas mexem com carências e afetos dos seres envolvidos com a divulgação do consumo. Na sociedade do ter, dar é amar. Mas como fica quem não ganha? São natais e páscoas, dias da criança, das mães, dos namorados. Vezes em que mais importante em que ter o ser, é ter para receber. Quem não tem ou não ganha é olhado com diferença. E quem não compra para dar, pode não gozar de boa fama.
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Palavras rebeldes? Não, não se trata de rebeldia. Ou talvez trate-se da boa rebeldia. É que ao buscar a origem destas datas, encontraremos primeiro algumas festas pagãs, com sentido absolutamente diverso, depois cooptadas pelo cristianismo e por fim adaptadas pelo capitalismo, que via em cada comemoração personalizada a possibilidade de ganhos, lucros e vendas. Desta forma, o dia dos pais nos EUA teve sua data unificada por Nixon em 1972; antes disto, cada estado comemorava seu dia, de acordo com o comércio local.

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O próprio natal, ápice do consumo no mundo inteiro, deriva de uma festa pagã. A cultura celta comemorava o nascimento do sol em um festival, aproximadamente na data do natal, quando os romanos cristianizaram a Europa e os ''pagãos'', apropriando-se inclusive desta festa. Daí o primeiro natal com sentido de nascimento de Cristo data do ano de 336, em Roma. Ou seja, totalmente descolado do que seria a idéia original. Como a Bíblia diz que os reis magos trouxeram presentes, a idéia pegou. O resto, todo o povo conhece...

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Na Grécia e Roma antigas haviam festivais chamados Lupercália, dedicados à fertilidade. Aconteciam em fevereiro. Depois, o catolicismo proibiu a realização destas festas e se apropriou da data, que virou dia de San Valentin. Aqui no Brasil, o publicitário João Dória da Standart Propaganda fez uma campanha para as lojas Clippert, tentando movimentar as vendas que estavam fracas. A campanha dizia: ''Não é só com beijos que se prova o amor''. A moda pegou. Assim nasce o dia dos namorados. Foi um sucesso.

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O primeiro dia das mães no Brasil acontece em 1912 numa campanha conjunta entre a Associação Cristã de moços e os lojistas de Porto Alegre, num mês de fraquíssimo movimento. Marcaram para 12 de maio uma comemoração que tinha com o slogan ?Dê um presente para quem lhe deu o maior presente: a vida.? Em seguida, a idéia espalhou-se pelo país e unificou-se, uma vez que a data já era comemorada em maio em outros países.

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O problema todo fica sendo os sem. Sem, bem entendido, dinheiro para comprar os presentes, sem presentes para receber ou vontade para presentear. Os sem vontade de se enquadrar no que diz o capitalismo que devemos, obrigatoriamente fazer.

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Como agora, quando amigos e amigas surgem sorridentes a se abraçar, passam torpedos e e-mails, e até aí, tudo bem. Inofensivo dia do amigo. Em algumas floriculturas já vi pequenos vasos de flores para amigos. Cartões para amigos. Torpedos telefônicos O docinho, o bom-bom. A flor, a cerveja, café com chantili. Talvez esteja na hora de instituirmos o dia do só abraço no amigo. Mas penso que este não contará com apoio da mídia.

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*Regina Abrahão, é do Rio Grande do Sul, funcionária pública estadual, dirigente de políticas sociais do Semapi, da CTB e do PCdoB de Porto Alegre, coordenadora do núcleo Cebrapaz, estuda Ciências Sociais na UFRG.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 21 DE JULHO DE 2009 - 20h09
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Farc reiteram proposta de acordo com governo da Colômbia



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As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ratificaram hoje sua disposição para buscar "um grande acordo nacional pela paz" em um comunicado difundido por ocasião do 199º aniversário da independência do país.

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"É necessário [buscar] um pacto social que faça tremular a bandeira da pátria [e respeite] a soberania do povo, as garantias sociais e a felicidade de todos", diz a nota. Para tanto, prossegue o texto, "defendemos a construção de uma alternativa política de unidade para a mudança".
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No documento, a guerrilha afirma que "põe suas armas a serviço das mais caras necessidades de justiça e liberdade dos colombianos, e de suas iniciativas que apontam para a solução política do conflito" armado vivido pelo país.
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As Farc ainda questionam o Tratado de Livre Comércio (TLC) entre Colômbia e Estados Unidos, lembrando a ocorrência de "execuções extrajudiciais" praticadas pelas Forças Armadas do país sul-americano.
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As violações de direitos humanos atribuídas a membros da força pública são citadas por parlamentares norte-americanos, sobretudo os da bancada democrata, para não aprovar o acordo comercial, firmado em 2006.
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Na cidade de Tame, localizada no departamento de Arauca, fronteira com a Venezuela, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, celebrou o aniversário da independência e afirmou que o Exército está ajudando o país a "obter uma nova independência, que é a independência em relação ao terrorismo".
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O mandatário encabeçou a principal celebração da data nacional. Em diferentes regiões colombianas, centenas de atos estão sendo realizados.
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Em Tame, Uribe assistiu a um desfile militar. "Este não foi um desfile de ostentação, mas de afeto ao povo de Arauca, de reconhecimento à luta pela independência e de uma devoção que está nos ajudando a conseguir uma nova independência, que é a independência em relação ao terrorismo", ressaltou.
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Fonte: Ansa
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in Vermelho - 20 DE JULHO DE 2009 - 20h19
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Nos 30 anos da Revolução Sandinista, Ortega fala em reeleição




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A Revolução Sandinista na Nicarágua completou, neste domingo (19), trinta anos, e o governo do presidente Daniel Ortega comemorou a data com um ato de massas. Ortega aproveitou a ocasião e explicitou, pela primeira vez, seus desejos de reformar a Constituição e habilitar a possibilidade de reeleição para a próxima disputa de 2011.

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Ato pelos 30 anos da Revolução Sandinista
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''Os deputads se reelegem o tempo todo, aos governantes não o permitem. Se vamos ser justos, que o direito à reeleição seja para todos e que seja o povo, com seu voto, que decida se existe ou não o direito à reeleição. Que decida premiar ou castigar. Esse é um princípio que temos que defender'', declarou.
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''Temos que trabalhar para ter uma melhor Constituição; podemos recorrer a mecanismos, como um reerendo, ou instalar outra urna para consultar o povo se quer ou não a reeleição presidencial em períodos sucessivos'', continuou Ortega.
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''E aqui podemos fazer isso sem nenhum problema, sem nenhum temor, porque o exército e a polícia não vão reprimir''assegurou o mandatário, em referência ao recente golpe de Honduras, que teve como mote a tentativa do presidente Manuel Zelaya de realizar um plebiscito sobre mudanças na carta Magna do país.
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Há 30 anos, em 19 de julho de 1979, a insurreição popular liderada pela Frente Sandinista de Libetação Nacional (FSLN) derrubava na Nicarágua a dinastia Somoza, que havia governado com mão de ferro o empobrecido país durante 45 anos, naquela que foi uma das ditaduras mais prolongadas da América Latina.
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Desde 1995, quando a atual oposição direitista assumiu a presidência, as leis nicaraguenses só permitem a reeleição me períodos alternados e só em uma ocasião. Em seu discurso, Ortega, além de fazer um balanço de sua gestão, falou sobre o golpe de Honduras e a recente decisão do colombiano Álvaro Uribe de permitir a instalação de bases militares estadunidenses em seu país.
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Ortega defendeu que a CIA esteve por trás da derrubada de Manuel Zelaya em Honduras. ''Que nào nos venham dizer que os servços ianques não sabia de nada. Quem pode crer em semelhante mantira?'', questionou.
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Sobre a presença militar norteamericana na Colômbia, o presidente da Nicarágua avaliou como um perigo para a região. ''Não queremos mais bases norteamericanas. É uma ameaça para a segurança de todo o continente. Que venham com obras desenvolvimento, que estas sim são bem-vindas'', assegurou.
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Com La Jornada e Página 12
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Leia também: Nicarágua: mudança na Constituição não deve enfrentar dificuldade


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in Vermelho - 20 DE JULHO DE 2009 - 18h22
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Massacre em Honduras não existe nas TVs



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Em junho passado, a mídia mundial deu enorme destaque para os protestos contra as eleições no Irã, que garantiram 64% dos votos para Mahmoud Ahmadinejad. Mesmo criticando a “censura”, as redes de TV inundaram o planeta com cenas das “explosões espontâneas contrárias à ditadura islâmica”. A morte de uma jovem em Teerã teve overdose de exposição nas telinhas.

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Por Altamiro Borges, em seu blog

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O curioso é que o mesmo empenho na cobertura jornalística não se observa em Honduras, palco de um golpe militar que já causou dezenas de mortes. Dados oficiais da Cruz Vermelha contabilizam mais de 50 hondurenhos assassinados e cerca de mil lideranças oposicionistas presas e desaparecidas.

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O repórter Laerte Braga, que mantém contatos com a resistência hondurenha, está indignado com o silêncio da mídia. Ele garante que já são mais de 150 executados no país. “Pessoas são mortas nas ruas de Tegucigalpa, muitas são conduzidas às prisões e os postos de saúde controlados pelos golpistas negam atendimento aos feridos”.

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Militares e esquadrões da morte invadem residências, saqueiam, estupram as mulheres e torturam. “Setores da resistência falam em banho de sangue, tamanha a selvageria dos militares. Porta-vozes da Cruz Vermelha se mostram horrorizados com a violência... Traficantes de drogas e quadrilhas com base em Miami estão em Honduras dando respaldo ao golpe e ocupam o Ministério da Justiça através de membros do esquadrão da morte”.

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Mídia servil aos interesses do império

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Para Laerte Braga, “há uma ação concentrada dos embaixadores dos EUA na região, em conluio com o governo paralelo dos EUA, para desestabilizar toda a área, provocar uma guerra e, assim, derrubar governos contrários aos interesses norte-americanos. Obama é um boneco, um objeto de decoração envolvido nas tramas golpistas... O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acusou os golpistas de tentarem forçar uma situação de guerra para justificar uma intervenção militar norte-americana, mesmo que disfarçada com a presença de tropas de outros países, como já ocorre no Haiti”. O seu governo e o de El Salvador já reforçaram a presença de tropas nas fronteiras.

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Com a mesma convicção, o jornalista Juan Gelman, do diário argentino Página 12, afirma que “a Casa Branca conhecia há meses o golpe que se preparava em Honduras, embora seus porta-vozes finjam agora sua inocência”. Ele lembra que o atual embaixador em Tegucigalpa, Hugo Llorens, privilegiou as relações com o general golpista Romero Vásquez desde a sua chegada ao país, em setembro passado.

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Cita ainda as declarações de Hillary Clinton contra o referendo convocado por Manuel Zelaya. “É difícil supor que os chefes militares de Honduras, armados pelo Pentágono e formados na Escola das Américas, tenham se movido sem a autorização de seus mentores”.

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Golpistas corruptos e assassinos

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Diante dos interesses imperiais dos EUA e do temor das elites locais com o avanço dos governos progressistas no continente, a mídia hegemônica evita mostrar as cenas de violência. Ela também ofusca os protestos diários e crescentes contra o golpe.

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As televisões privadas sequer denunciam que os “gorilas” são fascistas assumidos e corruptos processados. O general Romero Vásquez, autor do seqüestro do presidente Zelaya, foi preso em 1993, acusado de roubar 200 automóveis de luxo. Já o “ministro” Billy Joya foi chefe da divisão tática do Batalhão B3-16, o esquadrão da morte hondurenho que torturou e seqüestrou inúmeras pessoas nos anos 1980.

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Nada disto aparece nas telinhas da televisão. O tratamento da mídia venal é totalmente diferente do exibido durante as “explosões espontâneas” no Irã. Manuel Zelaya era um obstáculo para os interesses do império na região. Ele rompeu o tratado de “livre comércio” com os EUA, firmou o acordo com a Alba (Alternativa Bolivariana das Américas) e aliou-se a Hugo Chávez, tão odiado e estigmatizado pela mídia imperial.

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Daí a cobertura tendenciosa. Sua linha editorial é evidente. Seguindo as ordens da Casa Branca, ela aposta na solução “negociada”, que inviabilize o retorno de Zelaya ao poder e legitime um “governo de conciliação nacional”. Tanto que vários veículos de comunicação já têm tratado o governo golpista como “interino”.


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in Vermelho - 20 DE JULHO DE 2009 - 17h21
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Unidade da esquerda palestina

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*Emir Sader
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A questão palestina é a mais injusta em um mundo povoado de injustiças. A ocupação colonial dos territórios palestinos visa não apenas bloquear a possibilidade — reconhecida, da mesma forma que a existência do estado de Israel, do direito dos palestinos de possuir um estado com as mesmas características —, mas a tentar aniquilar a identidade, a memória e capacidade de resistência dos palestinos.

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Uma das fraquezas dessa luta é a falta de unidade da esquerda palestina, o que favorece a difícil contraposição entre a chamada Autoridade Palestina e o Hamas, cuja polarização, ao invés de contribuir para unir o povo palestino, agudiza suas contradições e apela até mesmo para a violência para tentar resolver seus conflitos.

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Uma conferência que busca unir todas as forças da esquerda palestina, características por seu caráter unitário e laico, se realizou no final de junho. Difundimos aqui as resoluções, pedindo sua máxima difusão.

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Resolução final da Conferência Internacional “Experiências de unificação de partidos e movimentos de esquerda na Palestina e no mundo”

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Em um ambiente cheio de confiança e de esperança sobre a retomada da esquerda palestina de seu papel e posição de liderança na luta de libertação do nosso povo da ocupação colonial e da hegemonia colonial imperialista e na liderança da luta democrática dos setores marginalizados contra a injustiça e a corrupção e para conseguir a justiça social, o Tayyar Nacional Democrático Progressista organizou junto com a Fundação Rosa Luxemburgo na Palestina uma Conferencia Internacional com o título “As experiências de unificação de partidos e movimentos de esquerda na Palestina e no mundo” do dia 26 ao dia 28 de junho de 2009.

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A Conferência discutiu com a presença de líderes e intelectuais do Brasil, de El Salvador, do Paraguai, da Bolívia, da Índia, da Alemanha, da França, da Grécia, da Bélgica, da Espanha, da Noruega e da Palestina, vários temas importantes.

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A Conferência foi aberta com o discurso de Tayyar Nacional Democrático Progressista no seu caráter de organizador e com a palavra da fundação da esquerda alemã Rosa Luxemburgo na Palestina.

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A primeira sessão constou de três intervenções que trataram da experiência das forças e partidos da esquerda para conseguir a unidade e liderar a luta dos setores marginalizados na Bolívia, em El Salvador e no Paraguai.

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A segunda sessão constou de três exposições que trataram do papel dos jovens e dos movimentos sociais e das experiências de unidade da esquerda e das conquistas obtidas na Alemanha, na França e na Grécia.

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A terceira sessão se concentrou em apresentar e tratar de resolver sobre critérios sobre o desenvolvimento dos movimentos políticos na América Latina e sobre a construção da unidade da esquerda no Sul da Ásia e sobre os efeitos da crise financeira internacional sobe as opções da esquerda no mundo.

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O segundo dia foi aberto com a participação de Gaza através de uma vídeo conferência com a palavra do comitê organizador e em seguida, na primeira sessão, foram apresentadas três visões de três dos partidos da esquerda – o Partido do Povo Palestino, a Frente Popular e a Frente Democrática sobre as necessidades e os mecanismos de unidade da esquerda palestina. E na segunda sessão três intervenções trataram das experiências do passado da unidade da esquerda palestina e as causas da divisão e das diferenças entre os partidos da esquerda desde 1967, e a quarta intervenção tratou da realidade das forças de esquerda na Palestina em geral.

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A sexta sessão se dedicou a apresentar as exposições de Tayyar e as justificações da sua existência e seu futuro, seus mecanismos e seu programa político. E se terminou com a sessão de recomendações na qual se constituiu um comitê de seguimento para colocar em pratica as resoluções da Conferência.


À margem da Conferência os convidados dos países estrangeiros realizaram visitas às regiões de Nablus, de Jerusalém, de Belém e de Hebron, onde tiveram a oportunidade de ver de perto as práticas da ocupação, especialmente o colonialismo e a demolição de casas e o Muro da segregação racial, além de visitarem algumas instituições e lugares importantes e levaram a cabo reuniões com os ativistas de Tayyar que lhes explicaram todos os aspectos da vida do povo palestino e seu sofrimento com a ocupação e suas ações e sobre os preparativos para realizar o Congresso Constituinte do Tayyar, além de se entrevistar com os líderes dos partidos de esquerda.

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A Conferência, depois da sua conclusão, tendo realizado seus objetivos, ressalta o seguinte:

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1. As tarefas de libertação nacional e o fim da ocupação nacional e da hegemonia colonial imperialista são enormes e requerem os grandes sacrifícios e a liderança e a luta do povo palestino, e isto não se consegue sem a participação forte e ativa da esquerda palestina na luta nacional e nos órgãos de liderança.

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2. A Resistência à ocupação e às suas práticas e colonialismo e a construção do muro e a demolição de casas e a matança e a prisão são tarefas permanentes que requerem que a esquerda deve trabalhar para sua permanência e sua difusão para ser método de vida.

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3. As forças de luta palestina devem estar unidas na luta contra a ocupação e as diferenças devem ser resolvidas mediante o dialogo profundo e não cair na violência e no uso das armas entre estas forças nacionais e se deve terminar com as detenções políticas.

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4. Os participantes de forças, partidos, organizações, pessoas esquerdistas, democráticas e progressistas reiteraram a importância da unidade da esquerda em todos os lugares e especialmente na Palestina pela existência da ocupação e dos grandes sacrifícios para sua Resistência e pela situação de divisão que existe e pela qual uma de suas causas e a fraqueza da influencia da esquerda sobre os temas políticos e sociais.

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5. A tarefa de construir um estado livre e democrático baseado nos princípios de justiça social não se consegue sem a unidade ativa das forças de esquerda e das forças progressistas.

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6. As duas tarefas de reativar e unificar a esquerda com seus componentes de forças e partidos políticos e organizações e marcos sociais e populares e personalidades são duas tarefas paralelas e não separáveis.

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7. As experiências fracassadas do passado por distintas razões não anulam a importância desta idéias e a e ao contrário demonstram a necessidade da sociedade palestina por esta unidade e em especial os setores mais prejudicados pela permanência da ocupação e suas práticas e suas repressões e os setores que são mais prejudicados pelas políticas de direita na Palestina e no Islã político.


8. As forças de esquerda estão obrigadas a colocar em prática o que decidiram sobre a importância de sua unidade e qualquer diferença em relação aos mecanismos dessa unidade não deve representar um meio para fugir dessa obrigação por parte de uma dessas forças, dado que os impedimentos são internos às forças de esquerda.

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9. A unidade da esquerda não é simbólica para as estruturas dos partidos de esquerda, mas deve ser unidade de trabalho e ação que se penetre na luta nacional e social de todos os componentes da esquerda de partidos e forças e marcos sindicais e populares e forças e marcos sindicais e populares e instituições e personalidade, e esta unidade deve representar uma posição única de todos os temas presentes e, além disso, a unidade da estruturas e marcos organizativos e sociais e populares.

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10. As experiências de unidade da esquerda em outros lugares do mundo apresentam alguns casos de sucesso, dado que os partidos unidos da esquerda chegaram ao poder em distintos países e em alguns conseguiram grandes êxitos, estas experiências representam um fator de impulso para a unidade.

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11. As experiências dos povos que vimos nesta Conferência nos dão a esperança e o impulso para o trabalho permanente para conseguir a unidade da esquerda na Palestina.

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12. A Conferência aprecia as posições da Venezuela e da Bolívia de romper suas relações diplomáticas com o Estado de Israel e solicita a todos os países do mundo e em especial aqueles em que as forças da esquerda têm um papel importante a que tomem uma posição similar. E a Conferência reivindica desenvolvimento de relações de amizade baseadas na luta comum contra as forças da repressão e para levar a cabo uma campanha de solidariedade com o povo da palestina em sua luta pela libertação nacional. E aqui reivindicamos a nossos companheiros nos partidos de esquerda a que apóiem a campanha para boicotar o estado de Israel e para pressionar a seus países para que não se aprove o Tratado de Livre Comércio com Israel.

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13. A Conferência aprecia e respeita as lutas do povo palestino e os grandes sacrifícios de seus membros de mártires e feridos e prisioneiros resistentes, elogia as lutas de todos os povos reprimidos pelo colonialismo em todas as suas formas.

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14. Nossos companheiros, depois de percorrer todas as regiões da pátria e de ver de perto as condições de vida do povo palestino através da Conferência e de suas viagens nas distintas regiões do país expressam sua solidariedade e apoio ao povo palestino e às suas forças de esquerda e democráticas.

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15. Nos despedimos das delegações visitantes da Palestina e da esquerda palestina, apreciando muitíssimo sua participação para o sucesso desta Conferência através de suas intervenções e presença nas sessões e atividades e por suportas as dificuldades da viagem e cruzar as fronteiras nos aeroportos e pontos de controle.

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16. Tayyar agradece a todos os que ajudaram na organização desta Conferência e, em especial, a Fundação Rosa Luxemburgo da Alemanha e sua equipe de trabalho em Ramallah e na Alemanha e ao comitê organizador desta Conferência e aos voluntários de todas as regiões, aos expositores e aos dirigentes das sessões e aos jornalistas e aos órgãos da mídia por cobrir esta Conferencia, suas sessões e atividades.

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Além disso, agradece a todos os que participaram nesta Conferência de todas as cidades e províncias, e a nossos companheiros dentro da linha verde (Palestina 1948) e na faixa de Gaza, que participaram de algumas sessões pela vídeo conferência.

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Finalmente, Tayyar Nacional Democrático Progressista continuará seus passos para fundar-se como um marco unido e agrupador dos esforços de todos os nacionalistas democráticos e, ao mesmo tempo, está aberto e disposto a aceitar qualquer iniciativa e mudança nas posições das forças e partidos existentes da esquerda.

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O sucesso alcançado por esta Conferência deve ser aproveitado para conseguir a unidade em todos os lugares em que se há conseguido e especialmente nos países árabes pelo que decidimos realizar esta Conferência da esquerda em forma constante e anualmente.

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Palestina, 29 de junho de 2009

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Estiveram presentes ao evento:

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Oscar Vega Camacho – Grupo Comuna — Bolívia

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Schafik Jorge Handal Vega – Deputado da Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) — El Salvador

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Ignacio González – Partido del Movimiento Al Socialismo (PMAS) — Paraguai

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Mr. Frank Puskarev — Die Linke — Alemanha

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Julien Salingue – Novo Partido Anticapitalista (NPA - França)

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Nikos Tavris – Coalizão da Esquerda Radical (Syriza - Grécia)

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Nasif Moalim – Centro Palestino pela Paz e Democracia


Emir Sadr – Presidente do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLACSO)

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Prabir Purkayastha – Partido Comunista da Índia - Marxista (CPI-M)

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Bassam Salhi – Partido Popular Palestino (PPP)

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Abdul Rahim Mallouh – Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP)

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Qais Abdul Karim – Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP)

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Agência Carta Maior
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in Vermelho - 20 DE JULHO DE 2009 - 16h10
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Segunda-feira, Julho 20, 2009

Carros eléctricos: subsídio de 5000 euros para todos ou só para os primeiros 5 mil?

Posted: 20 Jul 2009 06:45 AM PDT


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Passando pela imprensa descobrimos que o Estado vai financiar junto do consumidor final a aquisição do novo carro electrico da Nissan. Se lermos o Jornal de Negócios o subsídio é de 5000 euros para carros eléctricos, acumulável com a bonificação para o abate de veículos em fim de vida.

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Contudo, se lermos o Público descobrimos que este subsídio se destina apenas aos primeiros 5 mil veículos vendidos. Uma LIGEIRA diferença. Como precaução e até que se esclareça quem tem razão destaco o parágrafo do Público:

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“Os primeiros cinco mil carros eléctricos a serem adquiridos por particulares entre 2010 e 2012 beneficiarão de um incentivo à aquisição de cinco mil euros cada. O prémio sobe para 6500 euros no caso de a aquisição ser feita com abate de veículo velho, segundo anunciou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates. (…) Para as empresas, o incentivo à aquisição destes veículos para as respectivas frotas far-se-á em sede de IRC, com uma redução em 50 por cento de IRC relativo ao montante do veículo, para o mesmo período entre 2010-2012. (…)”

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in Público.

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2. Novos impresos para requerer subsídio / abono parental, de adopção, assistência Acabou de ser divulgado em Diário da República (Portaria n.º...

3. Governo facilita ajustes directos até 5 milhões de euros (act.) O Governo decidiu aprovar uma iniciativa legislativa que permite adjudicar...

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in Economia e Finanças

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Opiniões - Missa do 7.º dia por Manuel Pinho

* Jorge Fiel
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Já se passou uma semana e eu continuo sem perceber porque é que a generalidade dos políticos e comentadores acham óbvio que ao fazer os célebres cornos Manuel Pinho assinou a sua certidão de óbito político. À data da ocorrência, eu estava no Twitter e a primeira coisa que me veio à cabeça foi estabelecer uma hierarquia de gravidade de gestos mal-educados.

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Será que Pinho ainda estaria na Horta Seca se, em vez de ter feito cornos, tivesse posto a língua de fora, como Einstein na sua mais célebre fotografia? Estou em crer que sim, que se teria aguentado se mostrasse a língua ou até se fizesse um manguito ao Bernardino - neste último caso até podia invocar em sua defesa tratar-se de um gesto tradicional português, imortalizado pelo Zé Povinho de Bordalo Pinheiro. Já não tenho dúvidas de que também lhe fariam logo o funeral se ele tivesse feito piretos (um regionalismo do Porto para o dedo médio espetado).

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Quando vi a imagem, fiquei até agradavelmente surpreendido pela exuberância plástica do gesto do ex-ministro, com a cabeça baixa, a imitar o touro antes de marrar, e os indicadores bem espetados junto à testa!

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Eu sempre fiz os cornos de uma forma mais discreta, salientando o indicador e mindinho, enquanto o polegar segura os outros dedos, escondidos na palma da mão.

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No dia seguinte, ao ler, nos obituários políticos, o inventário das asneiras que Pinho disse e fez, estranhei o protocolo desta política em que um ministro sobrevive a uma data de disparates para sucumbir quando, num momento da exaltação, recorreu a um gesto (imaginativo!) para significar a sua opinião de que um deputado não parava de marrar na mesma direcção.

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Quando mais penso no assunto, mais sinto que a política portuguesa precisa de uma gramática nova e mais percebo porque é que apenas 28,5% dos eleitores estão satisfeitos com a nossa democracia, contra 35%, em 1999, e 40% em 1985 (1).

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Eu preferia que Cavaco deitasse a língua de fora, do que vê-lo a gerir com incomodidade e silêncios incompreensíveis a sua ligação com Dias Loureiro e o investimento em acções da SLN.

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Eu preferia que Durão fizesse piretos, do que tê-lo apanhado a mentir, ao aumentar os impostos depois de ter jurado que não o faria.

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Eu preferia que Sócrates fizesse cornos, mas tivesse um curso de Engenharia concluído sem recurso a habilidades duvidosas.

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Eu preferia que Manuela fizesse um manguito, em vez de ouvi-la a acusar o PS de um acto (a venda da rede fixa à PT) da sua inteira responsabilidade.

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Não estou nada satisfeito com esta política em que fazer cornos pela frente é letal - e dar facadas pelas costas é legal.

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in Diário de Notícias - 2009.07.10.

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NOTA VN - Talvez Manuel Pinho fizesse de propósito para saltar do barco antes do seu afundamento. Nisso segiu o exemplo de outros ilustres predecessores do PS/PSD, como Cavaco Silva, António Guterres ou Durão Barroso, que tal como Pinho, encontraram chorudas sinecuas; Pinho pela mão de ... Joe Berardo. Será?

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Caso BPN: Mais um ex-ministro de Cavaco constituído arguido

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20-Jul-2009
Caso BPN: constituídos cinco arguidos, três dos quais destacados membros de governos de Cavaco Silva
Arlindo de Carvalho, ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, foi constituído arguido no caso BPN, juntamente com dois empresários do ramo imobiliário, José Neto e Ricardo Oliveira. O caso BPN tem já cinco arguidos: Oliveira e Costa, Dias Loureiro e os três novos arguidos, que serão suspeitos de crimes de abuso de confiança e fraude fiscal.
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Leia o dossier caso BPN

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Na semana passada, a Polícia Judiciária fez buscas nas casas de Dias Loureiro, de Arlindo de Carvalho e noutros quatro locais.

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Na sequência destas buscas, foram constituídos arguidos Arlindo de Carvalho e dois administradores da sociedade de gestão e exploração imobiliária Pousa Flores.

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Arlindo de Carvalho foi ministro da Saúde de Cavaco Silva e é um destacado dirigente do PSD. Pertenceu à Comissão Política daquele partido no tempo da liderança de Luís Filipe Meneses e foi o mandatário de Santana Lopes, na última candidatura deste a presidente do PSD, quando foi derrotado por Manuela Ferreira Leite.

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Segundo a agência Lusa, a empresa Pousa Flores, a que Arlindo de Carvalho tinha ligações e de que os outros dois novos arguidos eram administradores, terá comprado activos ao grupo Ricardo Oliveira no valor de cerca de 75 milhões de euros entre 2005 e 2007, com crédito do BPN. O banco terá assumido o compromisso de comprar esses activos numa operação que se terá revelado ruinosa.

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Segundo o jornal Correio da Manhã, os três novos arguidos serão suspeitos de terem recebido comissões e uma percentagem na sobrevalorização dos activos adquiridos.

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in Esquerda.net

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Domingo, Julho 19, 2009

Euro - Moeda da Europa unificada começou a circular em 2002

União Europeia

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Adoção do euro criou um dos maiores espaços econômicos mundiais com uma única moeda: da noite para o dia, 320 milhões de pessoas passaram a ter o mesmo dinheiro na carteira. 25º e último episódio da série "Os Europeus".

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O ceticismo era grande. Na Alemanha, muitos temiam que o sólido marco alemão fosse substituído por uma moeda que trouxesse consigo altos índices de inflação. Outros estavam preocupados com a influência das economias de países onde se produzia menos do que na Alemanha. As taxas de inflação desses países teriam reflexos sobre a estabilidade da moeda comum?

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O euro chegou para valer em 12 países no Ano Novo de 2001 para 2002, mas os preparativos para a introdução da nova moeda haviam começado bem antes. Bancos e comércio vinham sendo abastecidos com o novo dinheiro desde setembro. Nas lojas e supermercados, os preços eram exibidos em euro e na moeda nacional, para que as pessoas pudessem desenvolver uma noção do valor do novo dinheiro. Na Alemanha valia a regra: dois marcos perfazem um euro.

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'Starter kit' do euro

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Starter kit' do euro

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Campanhas publicitárias apresentaram a nova moeda e, a partir de 17 de dezembro de 2001 era possível comprar os chamados starter kits nos bancos. Por 20 marcos recebia-se pouco mais de 10 euros em moedas, mas ainda não era possível pagar com elas. Isso seria possível apenas a partir da 00h00 de 1º de janeiro de 2002.

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Dimensão histórica

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A adoção do euro causou longos debates entre políticos dos países europeus. Na condição de pró-europeu convicto, o então chanceler federal alemão, Helmut Kohl, concordou de bom grado com a adoção da nova moeda nas negociações para o Tratado de Maastricht, em fevereiro de 1992.

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A posição adotada por Kohl era de suma importância para alguns estados do leste alemão, que condicionavam seu consentimento com a unificação alemã à garantia de que estariam firmemente ancorados no conjunto de valores ocidentais. A moeda comum europeia parecia ser – aos olhos dos governantes envolvidos – o melhor meio para tornar essa decisão irreversível.

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Disputa para comprar os primeiros kits da moeda

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Disputa para comprar os primeiros kits da moeda

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Durante os debates no Parlamento alemão sobre a adoção do euro pela Alemanha, Kohl ressaltou a dimensão histórica da decisão: "A concretização da união econômica e monetária europeia é, nas suas consequências, a mais importante decisão desde a reunificação alemã. Ela é a mais profunda mudança no nosso continente europeu, desde o colapso do império comunista".

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Não é a primeira vez que há uma moeda comum no continente. Cerca de 1.150 anos antes, o rei franco Carlos Magno (747-814) também introduzira uma moeda comum em seu império: o denário de prata era utilizado por todos em todos os lugares. Com isso, era possível comparar preços, e uma pessoa podia descobrir que valor o serviço por ela oferecido tinha em outros lugares.

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Assim como hoje, os habitantes do continente tiravam proveito do fato de poderem fazer negócios em outras localidades utilizando sua própria moeda, sem a necessidade e as despesas de fazer câmbio. Uma vantagem que desapareceu com a divisão do Império Carolíngio, no final do século 9º.

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Moeda estável

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De volta ao século 21: o ceticismo inicial sumiu e, sete anos após sua adoção, o euro tornou-se uma das moedas mais estáveis do mundo. Muitos países acumulam reservas na moeda europeia, que também foi se valorizando cada vez mais perante o dólar.

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Escultura diante da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Escultura diante da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt

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Isso se deve principalmente à existência de um banco central único, uma posição que era defendida principalmente pela Alemanha. A política financeira comum é – também por motivos históricos – voltada para manter a inflação sob controle. Os devastadores tempos da inflação alta na Europa deixaram marcas profundas no inconsciente coletivo dos europeus e despertam temor e preocupação mesmo naqueles que não os conheceram.

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O euro passou nos primeiros testes e desempenha um papel respeitado no cenário monetário internacional. Além disso, o espaço monetário unificado – do qual fazem parte hoje mais quatro países – é uma garantia para a paz no continente. Declarar guerra à própria moeda é algo que faz tanto sentido para um país quanto destruir fábricas das quais os próprios empresários participam.

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No dia da adoção do euro, o então ministro alemão das Finanças, Hans Eichel, resumiu a importância da data: "Este é um dia histórico porque hoje se torna palpável, para qualquer um, o que é a unificação europeia, e que este é o grande projeto de paz e bem-estar social do século 21 para nós, os europeus."

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Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Augusto Valente

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Mais artigos sobre o tema

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Big Brother da União Europeia





11-Jul-2009
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Uma agência europeia reunirá todos os ficheiros de polícia, justiça e asiloUma agência europeia reunirá todos os ficheiros de polícia, justiça e asilo, segundo uma proposta apresentada pela Comissão Europeia
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O Big Brother está em gestação. É de facto uma Big Sister, pois trata-se de uma agência personalizada fundada pela União Europeia. Orwell não nos tinha prevenido que o risco totalitário viria de Bruxelas.
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Texto publicado pelo professor Gilles J. Gugliemi no seu site .
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Eis o que comporta a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho apresentada pela Comissão Europeia a 24 de Junho de 2009, que tem como objectivo criar uma agência responsável pela gestão operacional dos sistemas de informação SIS2, VIS e Eurodac.

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A Comissão Europeia apresenta uma proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho de 24 de Junho de 2009, que tem como objecto criar uma agência que será responsável pela gestão operacional dos sistemas de informação de grande escala aplicando o Título IV do Tratado das Comunidades Europeias e, potencialmente, «de outros sistemas de informação no domínio da liberdade, da segurança e da justiça».

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Baseia-se no artigo 66 do Tratado da CE1

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1. Os três instrumentos de registo na Europa

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O registo dos indivíduos pela União Europeia por motivos de segurança, de justiça ou de fluxos migratórios assenta de momento em três sistemas distintos. Já tínhamos escrito aqui sobre a criação dos vistos e dos aperfeiçoamentos do Eurodac, mas é preciso recordar a existência do SIS (I depois II).

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Na base da convenção de aplicação do acordo de Schengen de 14 de Junho de 19852, o sistema de informação Schengen (SIS) foi criado para preservar a ordem pública e a segurança pública, incluindo a segurança dos Estados. O sistema de informação Schengen de segunda geração (SIS II)3 foi consideravelmente ampliado pois tem como objecto «assegurar um nível elevado de segurança na espaço de liberdade, de segurança e de justiça da União Europeia, incluindo a preservação da segurança pública e da ordem pública e a salvaguarda da segurança nos territórios dos Estados membros, assim como aplicar disposições do título IV da terceira parte do tratado CE relativos à livre circulação das pessoas nos territórios dos Estados membros, com a ajuda das informações transmitidas por este sistema».

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O EURODAC, sistema de informação à escala da Comunidade (isto é, um conjunto de tratamento e de ficheiros respeitantes a todos os Estados membros) foi criado para facilitar a aplicação da convenção de Dublin4, destinada a estabelecer um mecanismo de determinação da responsabilidade do exame dos pedidos de asilo apresentados num dos Estados membros da União. Esta convenção foi substituída por um instrumento legislativo comunitário, o regulamento de Dublin5.

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Enfim, o sistema de informação sobre os vistos (VIS)6 deve permitir às autoridades dos Estados membros «trocar informações sobre os vistos, com o objectivo de simplificar os procedimentos de pedido de visto, prevenir o "visa shopping", facilitar a luta contra a fraude, facilitar os controlos nos pontos de passagem das fronteiras externas e no território dos Estados membros, ajudar à identificação das pessoas provenientes de países terceiros, facilitar a aplicação do regulamento de Dublin e contribuir para a prevenção das ameaças à segurança interna de um dos Estados membros».

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A lógica apontaria para que a EUROPOL gerisse o SIS, enquanto que a Comissão geria o VIS e o EURODAC. Esta opção foi sugerida durante as negociações para a transformação da Europol actual num acto comunitário. Pelo contrário, foi a criação de uma nova agência de regulação centralizadora e de vocação universal que foi aprovada.

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2. Tudo concentrado na mesma instituição

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Uma das maiores ambiguidades da proposta de regulamento é confundir a natureza da agência que, de gestão acaba por ser em seguida "de regulação".

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«A agência de regulação será criada enquanto organismo comunitário dotado de personalidade jurídica. As primeiras tarefas a confiar à agência são de natureza operacional, o que abrange a gestão global dos sistemas de informação assim como o funcionamento destes sistemas. Ela tornar-se-á assim um 'centro de excelência' dotado de pessoal de execução especializado. Um organismo especializado permitirá além disso atingir níveis de eficácia e de reactividade mais elevados, incluindo na perspectiva do desenvolvimento e da gestão operacional de outros sistemas potenciais no domínio da liberdade, da segurança e da justiça.»

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A agência será além disso encarregue de todas as tarefas ligadas à infraestrutura de comunicação. A este respeito, a Comissão anuncia implicitamente a publicação do regulamento resultante da proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho apresentado pela Comissão a 3 de Dezembro de 2008, COM(2008) 825 final

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Enfim, a agência poderá também potencialmente ser encarregue de desenvolver e de gerir «outros sistemas de informação em grande escala no espaço de liberdade, de segurança e de justiça» (com a condição que sejam adoptados instrumentos legislativos que criem estes sistemas e confiram à agência as competências correspondentes.

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Nada é dito, evidentemente, sobre a articulação, e mesmo a interconexão dos ficheiros em questão. Mas qual é o conteúdo de uma gestão operacional, se não for para agir nos ficheiros, estruturá-los, melhorar a sua «eficácia e reactividade»?

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Autorizar os Estados a partilhar ficheiros de polícia, de justiça e de circulação das pessoas tinha já graves consequências para as liberdades. Sem mesmo concluir definitivamente sobre a sua natureza de regulação, criar uma agência que domina completamente a gestão operacional dos seus ficheiros é um passo decisivo e simbólico que nunca deveria ser dado sem um debate democrático alargado.

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Gilles J. Gugliemi, professor na universidade Panthéon-Assas (Paris-2)

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Tradução de Carlos Santos

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1 Que prevê a adopção das medidas apropriadas que visem encorajar e reforçar a cooperação administrativa entre os serviços competentes das administrações dos Estados membros nos domínios dos vistos, do asilo, da imigração e das outras políticas ligadas à livre circulação da pessoas, assim como entre os serviços e a Comissão.

2 publicada em 2000: JO L 239 de 22/09/2000, p. 19

3 estabelecido pelo regulamento (CE) nº 1987/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho de 20 de Dezembro de 2006 e pela decisão 2007/533/JAI do Conselho de 12 de Junho de 2007 sobre o estabelecimento, o funcionamento e a utilização do sistema de informação Schengen de segunda geração (SIS II)

4 JO C 254 de 19.8.1997, p. 1.

5 Regulamento (CE) nº 343/2003 do Conselho de 18 de Fevereiro de 2003 que estabelece os critérios e mecanismos de determinação do Estado membro responsável pelo exame de um pedido de asilo apresentado num dos Estados membros por uma pessoa de um país terceiro, JO L 50 de 25/02/2003, p. 1

6 Criado pelo regulamento (CE) nº 767/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho de 9 de Julho do Parlamento Europeu e do Conselho de 9 de Julho de 2008 relativo ao sistema de informação sobre os vistos (VIS) e a troca de dados entre os Estados membros sobre os vistos de curta duração (regulamento VIS).

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in Esquerda Net

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Brasil devolve 1400 toneladas de lixo aos ingleses


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19-Jul-2009
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Exportação de lixo dos países ricos é um crime ambiental muito lucrativo. Thomas Hawk/FlickrA descoberta de dezenas de contentores em dois portos brasileiros, provenientes de Inglaterra de forma ilegal e contendo lixo doméstico, vem relançar o debate sobre a exportação de resíduos dos países ricos. Os ingleses vão receber o lixo de volta e accionar judicialmente a empresa responsável.

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O lixo deverá regressar a Inglaterra nas próximas semanas, por exigência dos inspectores ambientais brasileiros do Ibama, que já multaram as empresas importadoras. Também a Agência Ambiental da Grã-Bretanha vai abrir um processo contra as empresas envolvidas na exportação.
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Os 89 contentores foram descobertos nos Portos de Santos, Rio Grande e na alfãndega de Caxias do Sul. Entre o lixo doméstico, foram encontradas pilhas, seringas, preservativos e fraldas usadas. Mas segundo o jornal Zero Hora, os contentores do porto de Santos continham também "embalagens usadas no transporte de produtos químicos industriais da empresa britânica Albion Chemicals, bombonas plásticas para transporte de corrosivos, óleo queimado, tinta, cápsulas de gás e muito lixo eletrónico". Ironicamente, acrescenta o diário brasileiro, "havia centenas de DVDs com um documentário sobre o rápido processo de mudança climática, de 2008".
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As empresas responsáveis pela exportação do lixo pertencem a um brasileiro residente em Inglaterra, que é dono da Worldwide Biorecyclables Ltda e da UK Multiplas Recycling Ltd., que declaram como actividade principal a reciclagem de plásticos. Julio Cesar Rando da Costa nega a responsabilidade pelos resíduos perigosos nos contentores, atirando as culpas para os fornecedores da sua empresa e disse ao Zero Hora que no Brasil ninguém se queixou: "Lá no Brasil, as empresas que importavam diziam: “Júlio, não tem problema, porque nós não fabricamos nada para (embalagem de produto) comestível”. O que é reciclado lá é usado para outras coisas, como caixaria, mangueira, outras coisas. Lá eles tinham um pessoal que fazia rastreamento, separava tudo na mão", diz este exportador de lixo ilegal.
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A directiva europeia sobre os resíduos de material eléctrico e electrónico proíbe a exportação de material que não esteja a funcionar. Mas até agora, os ingleses só conseguiram acusar com sucesso uma única empresa por violar essa directiva. Das 900 mil toneladas de aparelhos eléctricos deitadas para o lixo no ano passado, apenas 408 mil foram tratadas de acordo com a directiva e o jornal ingês Times calcula que o resto foi mandado de forma ilegal para lixeiras em Inglaterra e no estrangeiro.

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in Esquerda.net

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Liberdade e Segurança

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Estado das Coisas

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* Rui Rangel, Juiz Desembargador
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As incapacidades das políticas públicas de segurança e a ausência de uma verdadeira política de prevenção da criminalidade não podem justificar este ‘assalto’ à liberdade.
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A Liberdade e a Segurança são dois valores de referência de qualquer Estado civilizado. Viver em liberdade com segurança é o melhor dos mundos. Mas, como sabemos, o Mundo de ontem já não é o de hoje. A conjugação destes dois valores já viveu melhores dias. O Mundo está cada vez mais complexo e quase irrespirável. O que agrava a tensão entre a Liberdade e a Segurança, facilitando o aparecimento de modas ou de pensamentos de sentido único. Só têm no olhar e no pensamento sacrificar a Liberdade, para além do razoável, por causa das grandes estratégias de segurança. É um caminho possível mas perigoso. O que está a dar e é mais simpático é a compressão da Liberdade, em nome da Segurança. As incapacidades das políticas públicas de segurança e a ausência de uma verdadeira política de prevenção da criminalidade não podem justificar este ‘assalto’ à liberdade. Bem sei que o poder que manda e que ordena gosta mais das medidads de segurança do que da Liberdade. Ainda por cima, em nome de uma aparente segurança, o cidadão tudo permite, mesmo sacrificando e apertando a sua liberdade.

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A perda de um certo sentido de identidade e de valores, a insegurança, as injustiças, sendo circunstâncias de valor negativo, só devem dar força na defesa dos valores da Liberdade.

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A realização do espaço de justiça, de liberdade e de segurança visa assegurar a livre circulação das pessoas e oferecer um nível elevado de protecção aos cidadãos.

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Esquecer que esta é a combinação feliz e caminhar só no sentido das políticas de segurança é enfraquecer as virtudes do Estado e tornar a sociedade mais insegura, mais injusta e mais desumana.

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Ambos os valores não são absolutos. Exigem clareza de propósitos e uma definição, a regra e a esquadro, das fronteiras de cada um.

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Tenho para mim que a segurança, embora importante e decisiva, não representa o valor cimeiro, antes a liberdade.

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É um equilíbrio difícil de manter. Mas a Liberdade não pode ser esmagada nem os direitos fundamentais rasgados para impor políticas de segurança agressivas e pouco contemplativas com as regras de um Estado de Direito. Nem se pode descurar as medidas de segurança.

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Mas a virtude está na simbiose que deve ser sempre procurada, porque ambos os valores se completam e não são excludentes.

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E não existe qualquer mal na tensão observada, o que é necessário é que esta não justifique medidas legislativas excepcionais e à revelia da Constituição nem políticas que violem a privacidade das pessoas.

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in Correio da Manhã - 11 Julho 2009 - 00h30

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Sondagens Penais

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Sentir o Direito

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* Fernanda Palma, Professora Catedrática de Direito Penal
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Dois órgãos de comunicação social encomendaram uma sondagem sobre as penas de morte e prisão perpétua que concluiu que 25% dos inquiridos são favoráveis à primeira e 60% aceitam a segunda. É uma sondagem feita em vésperas de eleições, que pretende tirar conclusões acerca das preocupações dos portugueses sobre segurança e Justiça penal.
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As sondagens são um meio de estudar o mercado, que permite às empresas conhecer e satisfazer os interesses de potenciais clientes. No plano político, as sondagens são encaradas como uma forma de informar o poder político sobre a opinião dos cidadãos, dando orientações sobre as políticas públicas que é necessário ou conveniente adoptar.

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Perante um tema como este – em que se debate o poder punitivo do Estado –, o resultado aponta para uma dissonância entre a opinião da maioria dos cidadãos e os princípios fundamentais que enformam a Constituição. A maioria aprova a prisão perpétua e uma minoria significativa concorda com a pena de morte, apesar de ambas serem proibidas.

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Todavia, numa sociedade democrática, as sondagens não podem ser um meio directo de fundamentar as decisões. Não se pode confundir o valor de uma sondagem, que transmite uma informação sobre anseios e aspirações dos cidadãos, com as convicções reflectidas e alicerçadas num debate democrático, em que os argumentos são livremente esgrimidos.

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As sondagens representam a opinião maioritária fora do contexto da chamada ética do discurso, ou seja, sem obedecer a regras procedimentais de coerência lógica, contraditório de argumentos e debate dos princípios de justiça. Ora, uma assembleia que decide em ambiente livre e cooperativo está sujeita ao princípio da não-autocontradição.

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É inválida, por exemplo, a decisão de uma assembleia que conceda a alguns dos seus membros menos direitos por razões raciais. Ninguém, em seu perfeito juízo, quer participar numa deliberação que o discrimine. Admitir penas de morte e prisão perpétua também é autocontraditório porque, no fundo, não estamos dispostos a que elas se nos apliquem.

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Sabemos que países como a Alemanha, que prevêem a prisão perpétua, não a praticam, mantendo a possibilidade de revisão ao fim de certo tempo. Por isso, a duração média das penas de prisão não excede a das que se cumprem em Portugal. Aliás, ninguém ignora que o efeito preventivo das penas de morte e de prisão perpétua não está demonstrado.

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Por outro lado, o efeito dissuasor da ameaça penal sobre delinquentes que agem num contexto psicológico de descontrolo emocional ou de lógica de risco é escasso. Em todo o caso, não devemos desconsiderar estas sondagens, pela informação que fornecem. Mas seria interessante que quem promove sondagens apoiasse estudos científicos da Universidade.

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in Correio da Manhã -
19 Julho 2009 - 00h30
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Cheques carecas batem recorde


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Todos os dias são recusados cheques por falta de provisão no valor de 5,7 milhões de euros. Esta é a média diária dos cinco primeiros meses deste ano, já superior à registada em igual período de 2008, de acordo com uma análise aos dados divulgados pelo Banco de Portugal.
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Saiba todos os pormenores na edição de hoje do jornal 'Correio da Manhã'.

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in Correio da Manhã - 19 Julho 2009 - 02h00

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Pesquisas indicam vitória esmagadora de comunistas moldavos




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Segundo uma pesquisa divulgada esta semana pela agência russa de notícias Interfax, o Partido dos Comunistas da República de Moldova (PCRM) deverá opter 67% dos votos, contra uma oposição pró-romena dividida e com porcentagens que individualmente não chegariam a 10% em nenhuma situação.


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A pesquisa, realizada nas duas primeiras semanas de julho, indica que as estimativas de voto são desanimadoras para os partidos oposicionistas.

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O Partido Liberal (PL) deverá contar com 8% dos votos, enquanto que o Partido Liberal Democrático (PLDM) 7 %, o Partido Social Democrata (PSD) 5 % e a Aliança Moldova Nossa (AMN) e o Partido Democrata (PD) só obteriam 4%.

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Curiosamente, a AMN se opôs à diminuição da cláusula de barreira, necessária para obter representação no parlamento.

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As eleições acontecem após os saques e boicotes liderados pela oposição em seguida à decisiva vitória do PC nas eleições de março, das quais saiu a apenas um cargo da maioria absoluta, necessária para empossar como presidente seu candidato.

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Apesar disso, e a apesar do aval que as eleições tiveram por parte da União Europeia, a OSCE e outros organismos internacionales, a oposição, com ajuda clara de parte do empresariado romeno e com fundos e pessoas provenientes da Romênia ou Letônia, organizou uma nova tentativa de "revolução colorida", para impedir a posse do presidente comunista.

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As revoltas acabaram com várias dezenas de detidos, o parlamento arrasado e com a impossibilidade de eleger o presidente, por isso novas eleições foram convocadas.

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Se os resultados das pesquisas forem refletidos nas urnas, o parlamento poderá investir como presidente Vladimir Voronin, rompendo assim o bloqueio prejudicial aos moldados, motivado por interesses externos ao país, principalmente a Romênia, e a estabilidade e o crescimento social e econômico terão lugar na República Moldova.

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La República
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in Vermelho - 17 DE JULHO DE 2009 - 11h30
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Sábado, Julho 18, 2009

Declaração de Hamburgo: o beco sem saída

Declaração de Hamburgo:

o beco sem saída

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* Paulo Querido

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Foi ontem noticiada a “Declaração de Hamburgo” — um comboio em que a locomotiva é o Dr. Francisco Pinto Balsemão e as carruagens “a maioria dos principais grupos de media”, sendo o destino fazer com que a empresa Google pague pela “utilização” dos conteúdos. É um beco sem saída. A Google, Inc. teria de deixar de ser a Google, Inc., o que é pouco crível que venha a acontecer, digamos assim.

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Nutro ternura e admiração pela figura de Pinto Balsemão, que já foi meu patrão e para cuja estrutura continuei a fornecer serviços de jornalismo, regular ou ocasionalmente, depois de me despedir do quadro do Expresso a meio da década de 90.

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Entendo-o.

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O apelido Balsemão confunde-se com o jornalismo português na segunda metade do século passado. Impregna-o. Marca-o. Francisco Pinto Balsemão deu a melhor continuidade à obra iniciada pelo seu tio e construiu o único império de media digno desse nome (falar da “maioria” dos “principais” “grupos de media” é simplesmente ser bem educado e polido para com 2 das 3 empresas por que se dispersam uma trintena ou duas de títulos que fazem 98% da actividade mediática nacional).

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Foram bons tempos, excelentes tempos. Foram os tempos do “venha a máquina, nós cá estamos”, uma frase que Pinto Balsemão recordará. A ligação emotiva a esta frase une-nos algures nessa história romântica dos jornais, do jornalismo “heróico” e da modernização dos media.

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Esses tempos, caracterizados por lucros fáceis e confortáveis que davam para (quase) tudo, terminaram.

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Não voltarão, ou pelo menos não se vislumbra como podem voltar uma vez que se estão a evaporar os seus alicerces. A começar pela quebra de barreiras geográficas naturais, iniciada pelo cabo e completada pela Internet, e a pulverização das barreiras artificiais.

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Balsemão é o último imperador de uma indústria que se viu subitamente virada de pernas para o ar, manietada por duas crises: a crise geral do “sistema financeiro” em pirâmide, que afectou tudo mas é epidérmica, e a crise da mudança de paradigma da indústria mediática, que afecta apenas os capitães dela e os seus dependentes, sendo endógena e profunda.

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Procurar a resposta para a crise nos bolsos da Google não dará resultado. Não vai resolver nada. A saída para a crise — para qualquer delas, aliás — não passa pela porta da Google, isso posso eu garantir com um razoável grau de certeza, alicerçada na leitura de quem a acompanha em todos os seus detalhes.

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A Google responderá sempre o mesmo: “não obrigamos ninguém a ser indexado por nós”. Pelo contrário, a Google explica, minuciosa e pacientemente, o que fazer para evitar ser indexado. É simples. Não exige, sequer, comprar empresas tecnológicas. Qualquer pessoa é capaz de editar um ficheiro de texto e copiar a linha que a Google, simpaticamente, fornece — e se pode encontrar em milhares de sites e até enciclopédias.

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Uma linha que diz: Google, não quero ser indexado. Duas palavras bastam para tirar dos resultados do Google milhões de páginas de uma só vez (aqui).

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Não existindo, da parte da Google, a mínima pretensão a obrigar, ou sequer forçar, ou mesmo levar os editores de conteúdo a deixarem-se indexar, fica um pouco difícil pedir dinheiro à empresa por uma actividade comercial que ela, em primeiro lugar, não pretende ter, não reivindica e diz, clara e repetidamente, não desejar, informando prontamente como evitar a indexação pelos seus robôs e só faltando gritar aos impertinentes que o façam e desamparem a loja de uma vez por todas (a atenção tem um preço).

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Posto de outro modo talvez fique mais fácil de perceber. Suponha o leitor que é o CEO da Google e eu sou o seu accionista. Explique-me muito claramente, sob pena de eu convocar uma assembleia geral para correr consigo por gestão irresponsável, qual é a lógica de dividir o MEU quinhão com uns fulanos do século passado, meio anacrónicos, e sem nada na mão para oferecer. É que eu, accionista, não ganho nada com esse “negócio”. Os media não têm nada para dar à Google em troca de uma percentagem do que supõem ser os lucros por indexar os conteúdos deles (só pensar isto mostra o quão distantes estão da realidade de hoje os donos dos impérios de media do século passado).

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As marcas de media valeram muito numa economia de escassez e fronteiras, naturais e artificiais, criadas para maximizar o lucro, mas valem pouco numa economia de abundância, aberta, e onde as fronteiras ou não existem, ou são, graças ao extraordinário poder dos microprocessadores e da rede, ridicularizadas por um adolescente medianamente formado e com três tardes por semana livres.

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Não se espantem pelo encolher de ombros da Google, pouco ou nada impressionada com os prefixos e sufixos dos cartões intitulados “Declaração de Hamburgo”. A Google vive neste paradigma: por cada Expresso, SIC ou Blitz que se desindexe, surgem dez TMZ, Huffington e Techcrunch a ocuparem — com a clara vantagem dos nativos deste meio — o seu lugar.

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[ Quem diz Google, diz qualquer outro buscador ou agregador. A mesma regra aplica-se. ]

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Há outro aspecto para o qual chamo a atenção. A abordagem é feita pelo lado errado. Pelo lado dos direitos de propriedade industrial, ou de autor.

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Locomotiva e carruagens do comboio chamado “Declaração de Hamburgo” parecem ingenuamente pensar que basta invocar direitos para que os juízes, impressionados pelo peso das suas marcas, resolvam que é disso que se trata. Qualquer advogado estagiário terá no entanto a delicadeza de fazer notar que não, nã há violação, os direitos de propriedade estão respeitados por um título e um excerto de duas linhas, conteúdos promocionais estes aliás distribuídos pelos publishers na esperança de alguma publicidade feita por aí, sem pagar um cêntimo, diz a lei preto no branco, mas — ei! — passamos a mostrar só título, se tanto insistem.

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[ E no fim sempre o argumento indestrutível, as duas palavras redentoras,

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Utilizador-Agente: Googlebot Não permitir: / ]

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Na realidade, nem é disso que se trata. Directo ao metal? Cá vai: o Google não é uma redacção, o Google não copia, publica ou republica. O Google não é um blog nem uma rede social nem uma cena marada de P2P para a malta trocar ficheiros com as páginas dos jornais. O Google distribui links para os conteúdos dos outros. O Google também fornece, a título pessoal, tecnologias de distribuição, agregação, e partilha a quem as desejar, grátis ou a pagar.

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[ O Google tanto distribui A Alta Qualidade como a baixaria -- e adivinhem o que a gorda maioria dos seus clientes lá vai pesquisar. ]

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Onde o Google toca é no equivalente, no meio ambiente reticular, da indústria da distribuição. Não na indústria da edição e publicação! Logo, não faz sentido algum atacá-la com os argumentos da propriedade industrial. O problema de Pinto Balsemão é que, como dono da cadeia de valor dos media de uma ponta (criação) à outra (venda) passando pelo meio (edição e distribuição), se habituou a não distinguir as parcelas. Para ele, o negócio é um todo. E como tal usa a marreta que considera mais indicada e neste caso achou que podia martelar pelo lado “sensível” dos “direitos de propriedade”.

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Mas na realidade não é um todo, nunca foi — e muito menos numa altura de desconstrução. A Google, que é o novo quiosque, telecomando e carrinha distribuidora, não é pressionável pelo lado da “propriedade industrial”, pois não produz, emite, copia, uu republica um único todo coerente. Mesmo o que distribui (links relevantes) não está apresentado com o cuidado de fazer sentido, ou sequer ser legível. Aliás, quem decide o que é apresentado pelo Google é o editor da página. No meu caso, faço o que posso para que o título seja apelativo e o pequeno excerto descreva honestamente o que cada uma das minhas páginas contem.

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[ Ainda eu, accionista, para o CEO da Google: qué quê, eles deviam PAGAR para estarem indexados, nós é que lhes levamos clientes. (E não me espantaria de ver algo parecido com esta tirada aparecer nas negociações mais tarde, isto se vierem a existir negociações, uma alternativa é a Google fazer uns agregadores para os jornais, para cada um ter o seu "news.google.zbr", e cobrar uma percentagem indeterminada e leonina para mostrar anúncios seus nas propriedades dos jornais. Mais do mesmo, com outro nome.) ]

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O valor que o motor de pesquisa Google gera é fabricado a partir da sua própria actividade — encontrar o mais relevante resultado para cada pesquisa — e não depende um milímetro, ou fracção, do valor dos conteúdos de que são proprietários legítimos e reconhecidos os ocupantes do comboio “Declaração de Hamburgo”. Fica difícil estender a mão e exigir contrapartidas (João Palmeiro que me desculpe).

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O Google é cego — ou, para os correctos, neutral. O Google não se alcandorou à tarefa de tornar os conteúdos existentes mais interessantes e promover novos conteúdos — o que poderia envolver negociações com publishers reputados para o bem estar comum — mas atribuiu-se a si próprio a incumbência de indexar o maior número possível deles e aplicar-lhes valor através de um algoritmo. Este algoritmo não mede o valor intrínseco de uma página ou conteúdo (paradigma old media) mas sim o seu valor exógeno — isto é, como é percepcionado e “avaliado” pelos pares (peering) do meio que o enquadra (paradigma new media).

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O Google não quer saber — não quer mesmo, é um conceito alienígena para ele — o que pensam os produtores de conteúdos do que produzem, e uns dos outros.

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A maior parte do lucro dos media resultou das fronteiras naturais, geográficas e tecnológicas.

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Numa frase: a indústria dos media foi verdadeiramente uma indústria de transportes, e não uma indústria cultural (quem desejar meta-lhe as aspas), na medida em que o lucro vinha não da produção do bem cultural, mas da sua distribuição ou exibição.

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A história comprova: ao longo dos tempos o valor deslocou-se da cadeia produtiva, com quedas consecutivas dos preços da matéria prima, seus artífices e suas ferramentas de moldagem, para a cadeia distribuidora (jornais, quiosques, distribuidoras, licenças de rádio, licenças de televisão, salas de cinema, prateleiras de livrarias e supermercados).

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Pressionar o Google pelo lado da produção (a propriedade industrial) é absurdo e inconsequente. Talvez o Google seja pressionável pelo lado da distribuição. Mas não com ameaças frontais. O que se consegue, indo por aí, é continuar a deslocalizar o valor da indústria dos media, desta vez das montras para os tribunais. Os chefes da indústria musical lançaram-na por esse caminho autodestruidor — e os lamentáveis resultados aí estão, a gritar aos ouvidos do comboio “Declaração de Hamburgo”, não repitam a gracinha, não repitam a gracinha.

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A pressão, isto digo eu, deve ser exercida no terreno do Google. Não no campo técnico da pesquisa — duvido que esteja ao alcance de uma Impresa, nem sequer de uma New York Times Company. Mas estes conglomerados de media têm as armas todas necessárias para tirar clientela à pesquisa. Torná-la menos relevante. Ajudar a encontrar a agulha — ou pelo menos famílias de agulhas — no imenso palheiro que é a rede. É uma questão de organização. De agregação. De links. De páginas de entrada. Nem estou a falar de redes sociais, envolvência dos leitores, jornalismo cidadão e bla bla bla socialmente correcto. Ou de jornalismo melhor feito e modernizado (fica para outra vez). Apenas do que interessa aqui: levar olhos aos nossos conteúdos, sejam monetizáveis pela publicidade ou pelo pagamento directo (assinaturas) e indirecto (serviços e produtos a cavalo na marca, as usual).

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O Facebook e o Twitter não são repetíveis, mas a sua é uma lição valiosa para os media. E não só. A lição: é possível tirar pessoas ao Google. É possível fornecer alternativas, algumas com vantagem, à pesquisa. Mais que possível — é fácil tirar as pessoas ao Google. Há 1 ano, 99% das minhas pesquisas dependiam do Google; hoje estimo em menos de 25% essa dependência — e considero-me melhor informado. Esta é a lição das redes sociais e do peering. Dei o meu exemplo mas perguntem às pessoas, terão milhares de testemunhos idênticos ou parecidos.

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As “primeiras páginas alternativas” experimentadas pelos grandes jornais americanos e pelas agências mundiais são exemplos mais próximos. Representam o tipo de criatividade reconhecível por qualquer elemento de uma redacção, jornalista ou gráfico.

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O baixo custo de produção de páginas de entrada, agregadores temáticos, automáticos, filtros e personalização, aplicações para aparelhos (iPhone), etc, é um aliado dos media — assim se decidam orientar para o lado positivo do ambiente reticular.

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Os links. Cada link interno dentro de uma publicação representa menos uma pesquisa no Google. Se for um link relevante, no contexto da narrativa, no contexto temático, ou no contexto do instante, representa MENOS CINCO consultas no Google.

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O objectivo, digo eu, não deve ser pretender que o Google pague, coisa que a empresa nunca fará sob pena de comprometer a sua identidade irremediavelmente (hum… ná, não tou nada a ver), mas sim tirar o valor ao Google.

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Um é irrealista, imaterializável e inconsequente: nem sequer tem valor estratégico uma vez que a Google não se atrasará por causa dessa batalha legal.

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O outro não passa de um desafio capaz de empolgar (de novo) uma estrutura empresarial.

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A escolha parece-me simples. Se eu fosse accionista, pedia que o meu dinheiro fosse aplicado no objectivo possível de alcançar e não gasto num ou dois anos de salários do staff jurídico e task forces, por muito nobre que o gesto possa ser.

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Disclaimer: sou um pequeno prestador de serviços para a Impresa, através da sua participada Sojornal, S.A. O texto acima é da minha autoria, está publicado no meu endereço pessoal ao abrigo de uma licença que me garante a protecção que entendo adequada, e está disponível para indexação em motores de pesquisa, agregadores — e até mesmo para reprodução, nos termos da licença publicitada nesta página, ou pergunte-me como.

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Imagem: http://www.flickr.com/photos/29058235@N00/ / CC BY-NC-ND 2.0
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in

Certamente de paulo querido

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Internet: ‘Declaração de Hamburgo’ assinada ontem

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Mariline Alves Luís Santana, administrador da Cofina, que detém o CM, no momento da assinatura da declaração
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Luís Santana, administrador da Cofina, que detém o CM,
no momento da assinatura da declaração

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Teresa Oliveira
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Direitos de autor mais protegidos

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Um grupo representativo da indústria portuguesa de Comunicação Social assinou ontem em Lisboa uma declaração histórica, pedindo novas leis de protecção de propriedade intelectual na internet para salvaguardar o futuro do jornalismo.
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A ‘Declaração de Hamburgo’ foi assinada por Luís Santana (Cofina), Francisco Pinto Balsemão (Impresa), José Marquitos (RTP) e Bernando Bairrão (Media Capital), entre outros, que se juntam assim aos 200 editores de outros países da União Europeia. Para Luís Santana, "esta medida pode levar--nos à União Europeia para aí serem definidos alguns procedimentos que consideramos importantes".

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Já Pinto Balsemão defende que, "se não houver remuneração dos conteúdos produzidos pelos profissionais, o jornalismo corre graves riscos e, quando isso acontece, o funcionamento da democracia também". O patrão da Impresa, e um dos impulsionadores da declaração, sugere medidas práticas, como "a aplicação de uma taxa a todos os equipamentos de reprodução digitais; fiscalização do sistema de micropagamento" e ainda "que os motores de busca (como o Google) paguem o uso dos nossos conteúdos e concedam receitas publicitárias que angariam à custa dos mesmos". O presidente da Associação da Imprensa, João Palmeiro, disse que os grupos de media portugueses estão a criar uma cooperativa fiscalizadora, a Agemidia.


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in Correio da Manhã - 17 Julho 2009 - 00h30
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PCP - Debate sobre “Injustiças Sociais e Distribuição do Rendimento Nacional”

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP




Quinta, 16 Julho 2009
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Jerónimo de Sousa Debate Injusticas Sociais CT VitóriaJerónimo de Sousa, no Debate em Lisboa sobre “Injustiças Sociais e Distribuição do Rendimento Nacional”, no âmbito da elaboração do Programa Eleitoral do PCP para as eleições legislativas, afirmou que há outras alternativas, que as injustiças sociais não são uma fatalidade e que a ruptura com esta política e a construção de uma solução política de esquerda são um imperativo para assegurar um Portugal de progresso e justiça social.
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Retomamos hoje mais uma iniciativa do Ciclo de Debates de preparação do Programa Eleitoral do PCP para as eleições legislativas, sobre “Injustiças Sociais e Distribuição do Rendimento Nacional”.
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Um Programa que quer ser um compromisso com os trabalhadores, o povo e o país e uma resposta aos mais importantes problemas que o nosso desenvolvimento e os portugueses enfrentam, o menor dos quais não será, certamente, o profundo e persistente desequilíbro existente na distribuição do rendimento e da riqueza nacionais e que está na origem das nossas inaceitáveis desigualdades sociais.
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Antes de mais quero agradecer a vossa presença e antecipadamente o contributo de cada um, neste debate que desejamos e, com certeza será, um enriquecimento da nossa orientação e das nossas propostas.
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É um facto objectivo indesmentível e incontestado que Portugal está no topo dos países da União Europeia com mais profundas desigualdades sociais e tem uma muito injusta evolução da repartição do rendimento nacional. Isso é muito visível comparando a evolução dessa repartição entre os anos de 1974 e a actualidade.
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A participação do trabalho no rendimento nacional, em 1975, de 59,5% para os 40,6% no ano do início do mandato do actual governo do PS, revela o plano inclinado da evolução da participação dos salários na riqueza nacional.
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Este é o traço que define a natureza anti-social da política de direita das últimas três décadas e a demonstração clara ao serviço de quem esteve tal política: ao serviço dos grandes interesses económicos e da concentração capitalista.
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Traço que se prolongou no período do governo de José Sócrates. Nos últimos quatro anos a quebra acumulada dos salários, de acordo com as estatísticas europeias, foi de 1,5% e, a confirmarem-se as previsões do Eurostate para o presente ano de 2009, os salários reais dos trabalhadores tornaram a cair.
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Uma evolução que distancia ainda mais os trabalhadores portugueses dos outros trabalhadores europeus que segundo a mesma fonte e no mesmo período na União Europeia (27) viram crescer os seus salários reais (2,6%).
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A mesma evolução negativa em relação às reformas e pensões que neste período baixaram também em termos reais, cerca de 0,8% as pensões mais baixas e 2% as pensões superiores a 597 Euros.
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A manutenção de reformas de miséria e de baixos salários são a explicação para os escandalosos níveis de pobreza que atingem mais de dois milhões de portugueses.
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O aumento da riqueza criada no país desde 1974 que quase duplicou foi desviada significativamente para alimentar o processo de centralização e concentração de riqueza nas mãos de uma minoria, como confirma o facto de, no final de 2007, as 100 maiores fortunas do nosso país totalizarem 32 mil milhões de euros, o que correspondia a cerca de 20% do PIB do nosso país.
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Processo que não tem interregno em tempo de crise, como o evidenciam os lucros de mais de 500 milhões de euros dos cinco maiores bancos em actividade no país nos primeiros três meses deste ano. O mesmo se pode dizer dos cinco maiores grupos económicos do sector da energia e telecomunicações que apresentaram mais de 550 milhões de euros de lucro no mesmo período.
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Um processo que alimenta igualmente a exportação de uma grossa e crescente fatia da riqueza , sob a forma de lucros e de juros, para o capital estrangeiro.
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É esta realidade que confirma a falácia da propaganda das preocupações sociais deste governo do PS e da sua aposta num novo modelo de desenvolvimento económico. O que esta evolução evidencia é a consolidação do modelo económico português, assente nos baixos salários e, cada vez mais, no trabalho sem direitos.
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A veracidade desta afirmação e desta constatação está bem patente também nas estatísticas do INE sobre o emprego deste primeiro trimestre do ano que revelam que mais de 40% dos assalariados portugueses recebem menos de 600 euros mês. Uma realidade que discrimina de forma ainda mais injusta a mulher trabalhadora. Mais de 44% das mulheres empregadas recebiam uma remuneração inferior a 500 euros.
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O PS e o seu governo gostam de se apresentar ao país, distinguindo-se pelas suas preocupações sociais, mas o primeiro e mais decisivo critério que pode revelar uma real preocupação social e uma vontade efectiva de promover uma maior justiça social é o critério da distribuição do rendimento e da riqueza.
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E de acordo com este critério o governo do PS de José Sócrates não só não se distingue dos governos e das políticas do PSD/CDS-PP que o precederam com as mesmas práticas e consequências, como promoveu novos desequilíbrios com a sua ofensiva global contra o mundo do trabalho e os direitos sociais.
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Uma ofensiva suportada também no seu premeditado empolamento do combate ao défice que foi pretexto para aumentar a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e das largas massas e para um novo impulso à política de liquidação progressiva do carácter publico e universal das funções sociais do Estado.
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Mas se a tendência é de uma crescente injustiça em relação à distribuição do rendimento nacional, em relação à política fiscal, ela não só não atenua os desequilíbrios na distribuição da riqueza, como é fonte de novas injustiças e factor de promoção de mais desigualdade.
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Desde o princípio da década até há dois anos atrás, ou seja entre 2000 e 2007, segundo um relatório do mês passado da própria Comissão Europeia, a carga fiscal passou de 34,3% para 36,8%.
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O governo veio dizer que este aumento é o resultado dos avanços no combate à fraude fiscal e da diminuição da economia paralela, mas na verdade o que vimos, com este governo e logo no seu primeiro ano, foi o aumento dos impostos indirectos, o mais injusto dos impostos que pesa na vida e no consumo das camadas populares e a seguir o aumento dos impostos sobre os rendimentos do trabalho, pela via da actualização dos escalões do IRS aquém da inflação e dos impostos aos reformados.
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José Sócrates anda agora a prometer justiça fiscal à “classe média” como diz, mas nada apaga a profunda injustiça que se instalou com o agravamento dos impostos para o mundo do trabalho, enquanto as grandes empresas, os grandes bancos, o grande capital, recebia milhões em benefícios fiscais ao mesmo tempo que se abriam as portas à engenharia fiscal para reduzir a metade a taxa de IRC para os grandes senhores do dinheiro.
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Foi para contrariar estas tendências que em vários momentos da presente legislatura apresentámos propostas que a maioria recusou de valorização dos salários e das reformas, incluindo de um mais substancial reforço do Salário Mínimo Nacional e alterações significativas no sistema fiscal, visando uma maior justiça.
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Com o governo do PS e a coberto de medidas sociais de alcance limitado e aplicação restrita tomaram-se medidas que se traduziram numa acentuada degradação das condições de vida e de trabalho de largas massas, ao mesmo tempo que se criava o caldo de cultura para fomentar o rebaixamento generalizado das remunerações do trabalho e pressionar o nivelamento por baixo dos direitos laborais.
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As políticas que secundarizaram o objectivo do crescimento com mais emprego e que acabaram por levar ao aumento elevadíssimo do desemprego, que hoje atinge 625 mil trabalhadores tornando-se um preocupante problema nacional, fonte de injustiça, de degradação das condições de vida e de pobreza, não é o único elemento a pressionar a deterioração das condições de trabalho e a acentuar as desigualdades.
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Não é por acaso que a taxa de risco de pobreza dos desempregados atingiu já em 2007 o nível mais alto de sempre, 35%, um número hoje já desactualizado.
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Com este governo do PS e com a sua política formatada na matriz neoliberal, apesar das piedosas declarações em contrário, tudo tem feito para fragilizar a resistência e resposta, incluindo no plano legal, dos trabalhadores à exploração. Foi assim com o Código de Trabalho e a prática legalização do trabalho precário que com este governo do PS colocou Portugal nos lugares cimeiros da precariedade na União Europeia.
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Hoje um em cada três trabalhadores são precários, tendo ficado nesta situação, nos últimos quatro anos, mais 110 900 trabalhadores. É por isso que nestes quatro anos não foi a promessa de melhor emprego que se cumpriu, mas a de uma alteração da estrutura de emprego pior e mais mal pago. Hoje, os salários médios em situação precária estão já reduzidos em cerca de 1/3. .
O trabalho precário é hoje, na verdade, uma fonte de desvalorização dos salários e um factor de forte redução da participação do trabalho no rendimento nacional e que atinge particularmente os jovens trabalhadores e os jovens casais. Jovens que são empurrados para um mundo do trabalho absolutamente desprotegidos, disponíveis para trabalhar a troco de quase nada e lançados no mundo da precariedade.
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Esse mundo onde a juventude se vê despojada de direitos, com baixos salários, contratos a prazo, trabalho temporário, sem apoio à constituição de família, à habitação e também a sofrer de forma particularmente dura as consequências do desemprego, cuja taxa na juventude atinge cerca de 20,3% – a maior de sempre.
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Essa juventude que sente como ninguém o peso da habitação no rendimento familiar, com a dupla penalização dos baixos salários e pagamento de juros e serviços com preços draconianos impostos por grandes empresas protegidas e a preço de cartel.
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Mas factor de pressão para acentuação da depreciação do valor do trabalho e de injustiça é também a situação criada por este governo com a alteração das regras de acesso ao subsídio de desemprego.
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Objectivamente o que se promove e o que está a acontecer é com a escassa oferta de empregos e a existência de mais de 300 mil trabalhadores que não recebem nenhum subsídio é o aumento da exploração do trabalho, traduzido em exclusivas ofertas de trabalho precário e salários baixíssimos iguais ou próximos do salário mínimo nacional, mesmo para tarefas e trabalhos que exigem qualificações e habilitações elevadas.
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No negro quadro das injustiças sociais pesa de forma crescente outra componente que conheceu com o governo do PS de José Sócrates, uma nova dimensão – a do ataque às funções do Estado de Abril - , particularmente na saúde, educação e segurança social com a transferência dos seus custos para orçamentos das famílias e das pessoas.
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A política de mercantilizarão dos direitos que só não tem ido mais longe, pela luta de resistência dos trabalhadores e das populações, mas que tem efectivamente acrescentado novos encargos a rendimentos de trabalho degradados, promovendo uma efectiva redução do poder de compra dos salários e das reformas. Mas profundamente injusta e geradora de pobreza e exclusão no futuro, num país que tem dos mais baixos salários, é a tão cantada reforma da segurança social.
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Essa pérola de uma esquerda que se diz moderna, mas que ficará na memória dos portugueses não por ter feito avançar a roda da história no sentido do progresso e do bem-estar de todos, mas por ter promovido uma reforma que é uma escandalosa regressão civilizacional.
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A mais que certa redução gradual das pensões de todos os trabalhadores que se reformaram a partir de 2006 não será assinalada como uma marca de modernidade, mas como a marca de uma retrógrada política que sob tal capa visa fazer tábua rasa das conquistas sociais e económicas resultantes de um século de lutas sociais. Uma política que assumiu como sua bandeira as propostas da direita e do neoliberalismo dominante.
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Com a agudização da crise do capitalismo internacional que acrescentou crise à nossa crise é o mundo das desigualdades chocantes que cresce, com os grandes interesses a impor as suas condições leoninas ao mundo do trabalho para manterem os mesmos níveis de lucros.
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Mais desemprego, lay-off, salários em atraso, reduções salariais temporárias que se querem depois tornar definitivas são instrumentos de aprofundamento das desigualdades e das injustiças sociais, mas também regionais, com determinadas populações, pela concentração de determinados sectores a sofrer as consequências agravadas da crise.
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O agravamento da crise do capitalismo a que assistimos só veio revelar a crise profunda que minava a sociedade portuguesa e dar mais nitidez às fragilidades e ao fracasso de uma política que conduziu o país à degradação económica e social. Crise do capitalismo que tem na sua génese exactamente as mesmas políticas que hoje tão gravemente penalizam o País.
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É preciso dizer basta de injustiças a uma política que sacrifica sempre os mesmos.
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Neste debate de hoje, estamos certos, ficará claro que no país há outras alternativas, que as injustiças sociais não são uma fatalidade e que a ruptura com esta política e a construção de uma solução política de esquerda são um imperativo para assegurar um Portugal de progresso e justiça social.
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Uma política alternativa que, baseada nos princípios e valores da Constituição da República, tenha como grandes objectivos a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e da população.
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Uma política que tenha como eixo central e primeiro objectivo a valorização do trabalho e dos trabalhadores, que signifique uma redistribuição da riqueza produzida anualmente em Portugal, como factor de justiça social mas também como questão crucial para a dinamização do mercado interno e acréscimos da produtividade.
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Uma justa distribuição do rendimento, assente na valorização dos salários, das reformas e pensões, numa nova política fiscal e de defesa do sistema público de segurança social que assegure o direito à reforma e a uma pensão digna.
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Uma nova política que comporte o objectivo do pleno emprego, a defesa do emprego com direitos, o combate à precariedade e a uma efectiva protecção social dos desempregados.
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Uma política que promova uma administração e serviços públicos ao serviço das populações, nomeadamente um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, geral, universal e gratuito; a afirmação da Escola Pública como factor necessário e imprescindível do desenvolvimento do país e a defesa de um sistema público, solidário e universal de Segurança Social.
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Uma política alternativa que dê resposta com medidas concretas a propostas inadiáveis a urgentes problemas que, nomeadamente, respondam uma efectiva protecção aos desempregados, que garantam a anulação dos aspectos negativos do Código do Trabalho e da legislação de trabalho da Administração Pública, que reponham a dignidade da profissão docente com a revogação do actual Estatuto da Carreira Docente e a alteração do modelo de avaliação, a devolução da justiça e equidade nos critérios de cálculo e na actualização das reformas e a melhoria das pensões e reformas e a salvaguarda do direito à reforma aos 65 anos.
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Estes são eixos de uma política e propostas que assumiremos no nosso Programa Eleitoral, juntamente com outras que o debate que estamos a desenvolver trará.
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PCP - Debate: «A saída da crise – aparelho produtivo e sectores estratégicos»

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP
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Sexta, 17 Julho 2009
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Jerónimo de SousaJerónimo de Sousa, no debate sobre “A saída da crise – aparelho produtivo e sectores estratégicos”, alertou para o facto de PS, PSD e CDS-PP virem agora verter lágrimas de crocodilo em defesa do nosso aparelho produtivo e das micro, pequenas e médias empresas, sublinhando que «o descaramento e o mascarar das suas responsabilidades políticas é tal que, em nome da defesa da economia real, passaram a insurgir-se contra a economia financeira, usando mesmo a expressão economia de casino, que até agora só nós utilizávamos para definir, com inteira propriedade, a política de direita de financeirização da economia».
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As intervenções que me precederam evidenciaram com muita clareza o impacto e consequências para o desenvolvimento do país e para este distrito da suicida política que conduziu à continua destruição do aparelho produtivo nacional. De facto, isso constituiu um dos maiores crimes cometidos contra a nossa economia e a independência do nosso país e é, sem dúvida, uma das principais causas do atraso e do empobrecimento relativo a que assistimos.

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Ao longo dos últimos 33 anos a destruição do aparelho produtivo nacional foi tal, que os sectores eminentemente produtivos – agricultura, silvicultura e pescas e indústria – viram o seu peso na produção nacional reduzido a menos de metade, chegando-se ao ponto do sector das actividades financeiras e imobiliárias desde 2006, já com o actual governo do PS, ter um peso superior ao da indústria na produção nacional.

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Perante um país em crise e que toma cada vez mais consciência do real significado desta destruição contínua da capacidade de produção nacional, os principais responsáveis por essa destruição – PS, PSD e CDS-PP – vêm agora verter lágrimas de crocodilo e falar também da necessidade de defesa do nosso aparelho produtivo, das nossas micro, pequenas e médias empresas.

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As gerações mais novas não sabem o que é que os governos do PS e do PSD fizeram à metalomecânica pesada, à indústria siderurgica, à indústria naval. Nós dizemos! Deixaram cair a produção e destruiram estes sectores que antes eram estratégicos.

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O descaramento e o mascarar das suas responsabilidades políticas é tal que, em nome da defesa da economia real, passaram a insurgir-se contra a economia financeira, usando mesmo a expressão economia de casino, que até agora só nós utilizávamos para definir, com inteira propriedade, a política de direita de financeirização da economia.

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Essa política levada a cabo por eles mesmos.

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Vivemos um tempo de grandes mistificações ideológicas e políticas para iludir a verdadeira natureza das políticas e dos interesses que lhe estão subjacentes.

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A mesma arte mistificadora que leva José Sócrates, perante a agudização da crise e o fracasso da sua política e das teses neoliberais que abraçou e que tão bem sintetizou na sua afirmativa exclamação: - “ deixem o mercado funcionar” , a pôr-se , agora em bicos de pés, arvorado em destemido combatente a favor do Estado social e da intervenção do Estado, para jurar a sua fidelidade eterna aos valores da esquerda.

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O mesmo Sócrates que classificou como arcaicos e inaceitáveis privilégios corporativos direitos sociais que são árduas conquistas de gerações de trabalhadores e democratas e que, agora, também nos vem dizer que fortalecer a esquerda é fortalecer o PS.

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Esse PS, o seu PS que nestes quatro anos de governo tomou como suas as principais bandeiras da direita contra os direitos laborais dos trabalhadores, os seus rendimentos, os serviços públicos, as micro, pequenas e médias empresas da agricultura, das pescas da industria, para favorecer os interesses do grande capital e os seus processos de extorsão de mais valias criadas nestes sectores.

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Esse PS que em todos os momentos, com mais crise ou menos crise colocou como prioridade da acção governativa a defesa desses grandes interesses acima de quaisquer outros. É por isso que é preciso muito claramente dizer - fortalecer o PS é fortalecer a política de direita e não a esquerda.

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Fortalecer o PS é dar força à política do mais do mesmo! Mais do que errar o PS fez opções. Executou conscientemente uma política de direita. Terá razão quando afirmam que o PSD tem uma agenda escondida para desencadear uma ofensiva económica e social. Mas o governo PS tem uma agenda adiada porque a luta o obrigou a adiar.

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A nossa economia tem cada vez mais duas faces, um sector produtivo que definha e se vai secundarizando e um sector ligado às actividades puramente financeiras, imobiliárias e especulativas, que vai engordando através da actividade de intermediação, em especial comissões bancárias e margens de lucros nas taxas de juro praticadas, que lhes permitem em tempos de crise profunda acumularem milhões e milhões de lucros diariamente.

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Só nos últimos 4 anos os lucros dos cinco principais grupos financeiros atingiram os nove mil quinhentos e quarenta e oito milhões de euros ( 9548 milhões de euros).

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Como resultado da destruição do aparelho produtivo o nosso défice da balança de mercadorias tem vindo a agravar-se de ano para ano, atingindo mesmo em 2008 a percentagem mais elevada em relação ao PIB (12,9%).

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A substituição da produção nacional pela estrangeira é um traço cada vez mais marcante desta evolução da economia portuguesa.

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Os resultados de todos estes anos de política de direita traduziram-se numa economia caracterizada por um perfil produtivo de baixo valor acrescentado e de mão-de-obra barata e crescentemente precária.

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Mantiveram-se, e em alguns casos agravaram-se mesmo, conhecidos défices estruturais, particularmente agro-alimentares, energético, científicos e tecnológicos e de transporte e logística e acentuaram-se as vulnerabilidades e dependências da economia às conjunturas externas.

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O sucessivo e crescente défice externo e o consequente nível de endividamento externo, das famílias, das empresas e do Estado, que atingem hoje níveis muito preocupantes, são indicadores muito claros do seu carácter estrutural e a expressão dessa acentuada dependência económica do país.

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Já falam da crise agora e para 2010. Que é que esperavam? Se não mudam de política como mudam a situação?

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Os desequilíbrios, défices e problemas dos diversos sectores económicos resultam de políticas comandadas pelos interesses do grande capital monopolista e financeiro e das suas orientações no investimento, essencialmente dirigido em direcção aos sectores de elevadas taxas de rendibilidade do capital e rápido retorno, quase sempre sustentados por volumosos apoios e incentivos públicos – comunitários e nacionais.

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A apropriação privada de importantes sectores produtivos, como é o caso da energia e sectores de serviços estratégicos, como as telecomunicações, os serviços postais ou a rede de auto-estradas pelo capital monopolista e financeiro, que constitui já hoje um pesado óbice ao desenvolvimento equilibrado conforme os interesses do País, e um pesado ónus para o Orçamento do Estado, os consumidores e a economia nacional, nomeadamente para as micro, pequenas e médias empresas.

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A difícil situação económica e social em que se encontra o nosso país, consequência do longo processo de recuperação capitalista e monopolista, é hoje indissociável da acelerada concentração e centralização de capitais nas mãos do grande capital nacional económico e financeiro, articulado com o capital estrangeiro, e do seu domínio sobre a vida nacional.

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A política de direita prosseguida nas últimas três décadas conduziu o País à situação de degradação económica e social e à crise, onde se manifestam profundas desigualdades sociais e assimetrias regionais, um crescente desordenamento de território e processos de desertificação, um prolongado processo de divergência económica e social em relação à média dos países da União Europeia que está longe de terminar.

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Portugal precisa de uma política alternativa que lhe devolva uma dinâmica de desenvolvimento económico e social, que trave o definhamento do nosso tecido produtivo, que aposte na sua defesa e afirmação como motor do crescimento e desenvolvimento económico e que inverta o progressivo agravamento dos problemas sociais.

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Uma política alternativa que exige uma ruptura com os eixos centrais das orientações políticas, económicas e sociais de direita que os governos do PS e PSD têm vindo a prosseguir ano após ano.

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Uma política alternativa que, baseada nos princípios e valores da Constituição da República, tenha como grandes objectivos a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e da população, a dinamização da actividade económica, a criação de emprego, a dinamização do mercado interno e o estímulo à actividade das micro, pequenas e médias empresas, o reforço do investimento, o combate aos défices estruturais do país.

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Uma nova política que seja assegurada pelo desenvolvimento e concretização de um conjunto de vectores estratégicos que dão suporte e enquadram as políticas económicas e sociais necessárias para garantir um novo rumo para o país e para o seu desenvolvimento económico e social.

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Vectores que têm na recuperação pelo Estado do comando político e democrático do processo de desenvolvimento, a primeira grande linha de orientação visando a afirmação da soberania, a subordinação do poder económico ao poder político e o planeamento democrático.

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Neste quadro, a afirmação da propriedade social e do papel do Estado em sectores estratégicos, concretizados num Sector Empresarial do Estado forte e dinâmico e com um papel produtivo e não meramente regulador é condição chave para a manutenção em mãos nacionais de alavancas económicas decisivas.

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Os desenvolvimentos mais recentes verificados no sector financeiro, mostram que é um imperativo do desenvolvimento e soberania nacionais a nacionalização definitiva e urgente da Banca Comercial e do Sector Segurador, para que estes sectores, apoiem inequivocamente o investimento produtivo e criador de emprego, estimulem as exportações nacionais e apoiem as micro, pequenas e médias empresas, o sector cooperativo e social e as famílias.

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Tal como é necessário um sector público com uma dimensão e peso determinantes nos sectores da energia, comunicações e telecomunicações, transportes e vias de comunicação, mas também na industria e outros sectores considerados estratégicos, designadamente áreas da comunicação, da investigação e desenvolvimentos tecnológicos.

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A efectiva afirmação de uma economia mista, não dominada pelos monopólios, com outro vector estratégico, onde coexistam e concorram para o desenvolvimento do país os sectores público, privado, cooperativo e social.

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Um projecto de desenvolvimento com uma nova política alternativa de valorização do trabalho e dos trabalhadores, através de uma justa repartição da riqueza, assente na valorização dos salários e das pensões, no pleno emprego, na defesa do trabalho com direitos de uma adequada política fiscal e de um eficaz e valorizado sistema público de segurança social.

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Uma nova política alternativa que assuma como questão essencial o desenvolvimento dos sectores produtivos e o combate à financeirização da economia, recusando, no quadro da divisão internacional do trabalho, uma persistente redução da actividade económica produtiva.

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Uma nova política que garanta apoio prioritário e preferencial a micro, pequenas e médias empresas, que constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial, que mais estão expostas à concorrência externa e que têm literalmente sido abandonadas pelas políticas de direita destes Governos.

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PS, PSD e CDS conseguem este milagre: Estão bem com Deus e com o diabo! Calam-se bem calados. Estão de acordo face à concentração e centralização da riqueza pelo grande capital. E vão declarando solidariedade às micro, pequenas e médias empresas. Estão de acordo com a política financeira, com a defesa dos interesses da banca e das seguradoras, designadamente com a aplicação dacroniana às PME's. Calam perante os lucros da EDP, da GALP e Telecom, e nada fazem em relação à necessidade de congelar o aumento da energia, dos combustíveis e das comunicações para conter os custos de produção. Não levantam uma discordância em relação aquilo que as grandes superfícies estão a fazer aos grandes produtores de leite, de arroz, de azeite, mas choram lágrimas de crocodilo pelos seus prejuízos.

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O que é preciso é uma política alternativa efectivamente empenhada no combate à dependência estrutural da economia portuguesa e à superação progressiva dos défices estruturais o que impõe, para além do apoio às PMES, adequadas políticas de investimento, ensino, formação profissional, I&D e a reorientação do investimento estrangeiro.

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Uma política que promova uma administração e serviços públicos ao serviço das populações, a defesa do ambiente e um efectivo desenvolvimento regional com um decisivo combate às assimetrias regionais.

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O desenvolvimento e a modernização das actividades produtivas de que o nosso país carece exigem a defesa da produção e do mercado nacional e a dinamização dos investimentos públicos e privados bem como do mercado interno. Exigem a alteração do actual perfil de especialização da economia baseada, não na desvalorização da força de trabalho, mas na inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico, na qualidade dos produtos, na organização empresarial, na formação e qualificação dos trabalhadores.

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Exigem a existência de infra-estruturas materiais e sociais básicas. A dinamização do investimento, nomeadamente do investimento público e a melhoria da eficácia e eficiência na utilização dos fundos comunitários, bem como a reorientação de todo o investimento, quer público quer privado, com base em critérios adequados às necessidades de desenvolvimento do País.

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Exigem e pressupõem a promoção de políticas públicas de crédito e orçamentais que favoreçam o investimento produtivo e a produção de bens transaccionáveis, dirigindo os recursos disponíveis, para incentivar o investimento para o aumento da produtividade e da competitividade dos sectores tradicionais e para o apoio a novos sectores onde o país tem potencialidades.

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Pressupõe o alargamento do mercado interno enquanto condição básica de sustentabilidade e estabilidade de qualquer estratégia de desenvolvimento económico o que exige por sua vez o crescimento do rendimento disponível das famílias, travando e corrigindo a actual trajectória de um consumo desequilibrado centrado no crédito bancário, bem como, nomeadamente o desenvolvimento regular do investimento público da Administração Central, das regiões autónomas e das autarquias.

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Exige múltiplas rupturas, nomeadamente a ruptura com as políticas de “obsessão” pelo défice das contas públicas, com o domínio do capital monopolista e sua posição determinante na estrutura e funcionamento da economia portuguesa, com as políticas e os critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento que sufocam o desenvolvimento.

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Como resulta do nosso debate hoje é não só necessária, mas possível uma outra política, uma política de esquerda ao serviço do povo e do país.

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É possível outra política e outro governo com o reforço do PCP e da CDU, com a participação dos trabalhadores e do povo, com a convergência dos democratas, patriotas e homens e mulheres de esquerda, com a luta levada e transformada em voto, pela mudança, derrotando a continuidade da maioria absoluta do PS e as falsas soluções da alternância sem alternativa.

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Força de Abril, a CDU, portadora de soluções para o país, vai apresentar-se às Eleições para a Assembleia da República como a grande força de esquerda, espaço de convergência e acção unitária de todos quantos aspiram a uma vida melhor para todos.

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Nós dizemos: Nada está perdido! É possível sair da crise! Não com meros sobressaltos mas com uma ruptura e com uma mudança. Temos um projecto para Portugal! Um projecto para um país mais justo, menos desigual, mais desenvolvido, e consequentemente mais democrático!

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Trabalhadores alemães enfrentam exploração


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Capital ataca salários
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Um em cada cinco trabalhadores germânicos trabalha em sectores de baixa remuneração. Na maior economia da Europa, a tendência para a desvalorização dos salários cresce e a precariedade é usada pelo capital para aumentar a exploração.
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De acordo com um estudo divulgado a semana passada pelo Instituto de Trabalho e Qualificação da Universidade de Duisburg-Essen (IAQ), 6,5 milhões de trabalhadores, mais de um quinto do total, trabalham em sectores que pagam baixos salários, isto é, 9,62 euros brutos/hora na Alemanha Ocidental, e 7,18 euros brutos/hora na parcela Leste do território.
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Ainda segundo a pesquisa do IAQ, citada pela Lusa, a tendência para a descida da média salarial tem vindo a agravar-se, apresentando o mercado de trabalho um leque de remunerações muito mais amplo do que antes. «O espectro salarial tem tido uma curva descendente, e isto não seria possível noutros países onde existem salários mínimos», afirma Claudia Weinkopf, uma das autoras do estudo divulgado pela agência de notícias portuguesa.
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Na Alemanha não existe salário mínimo e as forças conservadoras recusam instituí-lo alegando que a medida impediria a criação de emprego. Os democrata-cristãos da chanceler Angela Merkel admitem fixar um salário mínimo, mas apenas para alguns sectores.
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De 1995 a 2007, o total de trabalhadores que auferiam baixos salários cresceu quase 50 por cento (mais de 2 milhões de indivíduos), diz ainda o IAQ, que frisa também que os salários reais na Alemanha Oriental não só não aumentaram nos últimos 12 anos, como aconteceu na Alemanha Ocidental, como ainda desceram.
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O IAQ adiantou igualmente que um terço dos trabalhadores dos sectores de mais baixos salários ganha menos de seis euros brutos/hora e que, há dois anos, cerca de 1,2 milhões auferiam mesmo menos de cinco euros brutos/hora. Entre estes últimos, 25 por cento ganha menos de 800 euros por mês, isto apesar de fazerem horário completo.
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As baixas qualificações não são argumento para a actual situação, diz o IAQ, uma vez que mais de 70 por cento dos trabalhadores dos sectores onde o custo do factor trabalho é menor tem um curso profissional certificado.
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A arma dos patrões
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Antes da publicação do estudo do IAQ, o Instituto de Ciências Económicas e Sociais (WSI) alemão veio dizer que «matematicamente» os salários reais na Alemanha vão crescer este ano na ord
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«Matematicamente», admite o WSI, porque na prática, diz o organismo, o crescimento dos rendimentos «será claramente inferior», uma vez que os patrões estão a recorrer a empresas de trabalho temporário e ao regime de jornada parcial para contornarem os acordos alcançados com os sindicatos no primeiro semestre de 2009.
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O WSI sublinha ainda que as negociações mais recentes divergem muito quanto à percentagem dos aumentos entre ramos de actividade.
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Desemprego e pobreza
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Entretanto, previsões oficiais indicam que o Estado vai precisar de cerca de mais 100 mil milhões de euros para responder ao crescimento imparável do desemprego no país. Mais de 52 mil milhões serão canalizados para o pagamento de subsídios e mais de 46 mil milhões para a atribuição do rendimento mínimo garantido.
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Berlim estima em 8,1 por cento (3,4 milhões) o número de desempregados, e perspectiva que o total de desempregados possa ultrapassar os 4,6 milhões já em 2010.
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Acrescem às dificuldades da Alemanha, motor económico da UE, a queda para metade, em Junho, das receitas com a tributação sobre os lucros do capital, e a descida das receitas provenientes dos impostos sobre os salários de 1,5 milhões de trabalhadores, colocados em regime de meio-tempo e subsidiados pelo Estado para que as empresas não os ponham imediatamente na rua.
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in Avante 2009,07.16
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Greves avançam no Canadá

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Trabalhadores mostram a força da luta
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Apesar da pressão e das ameaças do patronato, os trabalhadores canadianos não cedem e mostram-se determinados em prosseguir os protestos por melhores salários e em defesa de negociações sérias e justas.
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O caso da luta que decorre em Toronto é elucidativo da firmeza dos trabalhadores. A maior cidade do Canadá está imersa em lixo devido à recusa do governo local em ceder às reivindicações dos trabalhadores municipais.
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A greve em torno de melhorias salariais, envolvendo cerca de 30 mil funcionários de todos os sectores, dura há quase um mês e é particularmente sentida na área da recolha de resíduos sólidos urbanos, com o governador, David Miller, a fazer propostas negociais via meios de comunicação social, mas, na prática, a recusar dialogar com os sindicatos, legítimos representantes dos trabalhadores da autarquia.
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A situação é de tal forma extrema que nem os 21 parques indicados pelo executivo de Toronto para que a população despeje o lixo são capazes de a solucionar. O mau-cheiro e a insalubridade provocados por toneladas de detritos acumulados ameaçam tomar conta da metrópole, e a população começa a unir-se aos protestos dos trabalhadores manifestando-se favorável a que seja encontrada uma saída rápida para a crise.
Miller já sente as consequências do seu braço-de-ferro e, segundo o Toronto Star, 67 por cento dos habitantes da cidade desaprova a gestão do autarca nesta matéria.
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Não obstante, o governador mantém, no fundamental, a sua posição e preocupa-se em continuar a campanha mediática contra quem luta. Chegou mesmo ao ponto de aparecer num canal de televisão dos EUA para garantir que os turistas norte-americanos podem continuar a visitar a cidade pois não sentiriam qualquer efeito da greve...
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Mineiros dizem basta
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Simultaneamente, os trabalhadores da empresa de exploração de minério Sudbury, propriedade da Vale Inco, iniciaram, esta semana, uma greve em defesa da renegociação justa dos contratos de trabalho.
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O protesto foi votado favoravelmente por mais de 85 por cento dos operários da empresa canadiana, isto depois da administração ter recusado os termos exigidos pelos representantes dos trabalhadores a respeito de salários, regalias e pensões.
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A Vale Inco ameaça que a greve não terá efeito devido à existência de grandes quantidades de níquel e cobre armazenados, matérias-primas com muito menor escoamento no mercado mundial devido à crise.
Acresce que a multinacional usa o argumento da falta de viabilidade da unidade canadiana para aumentar a pressão e a exploração dos seus funcionários, e lembra que já despediu dois mil trabalhadores em todo o mundo.
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Mas os cerca de 3300 mineiros da Sudbury acreditam que a companhia não poderá suportar por muito tempo o protesto e será obrigada a regressar à mesa das negociações. Os trabalhadores lembram ainda que, em Maio passado, já haviam cedido ao permitirem a extensão das actuais condições contratuais até à definição de um novo acordo. Assim, é tempo de dizer basta!
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Na altura os mineiros votaram igualmente a convocação de uma greve caso as negociações falhassem, tal como se veio a verificar.

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in Avante 2009.07.16
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Comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN


PS branqueia inacção da supervisão
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O PS demitiu-se de tirar conclusões óbvias e impôs ideias que branqueiam a inacção do Banco de Portugal e as suas «falhas graves» na supervisão bancária, acusa o PCP a propósito do relatório final da comissão de inquérito parlamentar ao BPN.
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O texto, aprovado apenas com os votos favoráveis da maioria, foi apresentado em plenário na semana transacta e teve em sua defesa a deputada socialista Sónia Sanfona, relatora da comissão, que considerou que «o Banco de Portugal cumpriu com os seus deveres de supervisão» e que «actuou dentro do quadro legal».
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«As conclusões [da comissão de inquérito] reflectem as respostas e todas as questões apuradas pela comissão», sustentou a deputada do PS, apontando para os «indícios e contornos fraudulentos que contribuíram para a situação de ruptura do BPN».
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Falta de colaboração
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Opinião bem diversa tem o deputado comunista Honório Novo, que se destacou como um dos mais intervenientes no decurso dos trabalhos da comissão, e que na sua intervenção em plenário acusou o PS de «ter permitido a subjugação» da comissão de inquérito parlamentar «à vontade autocrática do Banco de Portugal e do BPN», ao demitir-se de «accionar os mecanismos disponíveis em sede judicial» devido à recusa de envio de documentos solicitados pelos deputados.
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Apesar dessa postura da maioria socialista, o deputado do PCP considerou no relatório que «fica expressa e reconhecida a falta de colaboração do governador do Banco de Portugal e da actual administração do BPN com os trabalhos desta comissão de inquérito».
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O que fica a dever-se em larga medida ao facto de as conclusões da comissão de inquérito terem incorporado por proposta do PCP – e esse foi um aspecto positivo realçado por Honório Novo – a anotação de que foi «ilegítima a invocação do Banco de Portugal do segredo profissional e bancário para recusar a entrega de documentação e prestar informação à comissão de inquérito».
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Banditismo

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«É também positivo que as conclusões considerem ilegítimo o comportamento em idênticas questões do Dr. Bandeira [presidente do BPN desde a nacionalização de Novembro]», acrescentou o deputado comunista.
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«Quanto à substância política, pode dizer-se - infelizmente sem surpresa - que a montanha pariu um rato», sublinhou Honório Novo, para quem «no BPN aconteceu o que de pior se pode imaginar».
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Exemplificando, falou de «rede ardilosa montada no final da década de noventa por certos accionistas de referência, por administradores e directores - e não apenas por Oliveira e Costa - que serviu para evasão fiscal, para esquemas fraudulentos com quase 100 off-shores, para branqueamento de capitais, para ocultar prejuízos, para esconder créditos sem garantias e para desviar em proveito próprio fundos do banco e dos clientes».
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Governo errou

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Quanto à nacionalização, o PCP acusou a maioria de ter imposto à comissão, como conclusão, a «versão do Governo» sobre esta matéria, escondendo, nomeadamente, «que era possível nacionalizar toda a área financeira do BPN», bem como «nacionalizar todo o grupo».
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«Escondeu que tinha sido possível nacionalizar activos imobiliários (em Alcochete ou no Algarve) que, mesmo aos preços actuais, podiam valer bem mais de mil milhões de euros», argumentou Honório Novo, acrescentando que «com esses activos, o País poderia equilibrar os prejuízos e o buraco do BPN que todos nós estamos hoje a pagar».
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E reagindo à afirmação de que a crise internacional é que determinou a ruptura no BPN, o deputado do PCP considerou-a não só «uma inverdade» como também uma ideia que encerra uma «perigosa conclusão», fazendo notar que «se não tivesse ocorrido a crise», então, «tudo podia ter continuado na mesma, sem qualquer responsabilização, sem qualquer punição, desde a fraude do Banco Insular às sucessivas e permanentes ilegalidades e irregularidades, quiçá o próprio Oliveira Costa mais os seus braços-direitos Luís Caprichoso ou Francisco Sanches poderiam até continuar numa nova administração do grupo».
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«Como incólume poderia também continuar a supervisão do Banco de Portugal, a única que no plano internacional onde ocorreram situações semelhantes à do BPN continua a dizer que não cometeu erro nem incorreu em qualquer falha», concluiu Honório Novo, que, em nome do PCP, foi o único a apresentar nos trabalhos da comissão de inquérito um extenso relatório final alternativo de 30 páginas com exaustiva e detalhada informação e análise aos factos e respectivas recomendações.
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Pactuar com falhas graves

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Um dos aspectos mais sublinhados pelo PCP prende-se com as falhas na supervisão bancária. Elas existiram – e foram «falhas graves e prolongadas» -, por omissão e por demissão, segundo o deputado Honório Novo, que assinalou que nada disso «está contemplado nas conclusões da comissão de inquérito».
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«Lamentavelmente, as conclusões impostas pela maioria absoluta do PS branqueiam a acção do Banco de Portugal e protegem pessoalmente o seu governador», acusou, depois de ter demonstrado que «há factos incontestáveis», bem como documentos que «provam objectivamente a falha da supervisão», «coisas concretas e objectivas que não podem ter duas leituras».
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«E o que o PS fez foi demitir-se de concluir», denunciou o deputado do PCP, inconformado com a complacência perante a «inacção do Banco de Portugal, a sua permanente indolência, a sua distracção quase conivente, a sua incapacidade em aprofundar as investigações, a não utilização dos instrumentos legais que possuiu, se tivesse querido agir».
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in Avante 2009.07.16
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Portugal - Desemprego e Cuidados de Saúde

in Avante Nº 1859
16.Julho.2009


Site do PCP
Site do PCP

Portugal no top do desemprego
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Com 9,3 por cento da população activa desempregada (dados de Maio), Portugal está entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mais afectados pelo desemprego e acima da média verificada na UE. Segundo dados do Eurostat divulgados esta semana, a taxa de desemprego na OCDE subiu 0,3 por cento em Maio em comparação com o mês anterior, e 2,4 em termos homólogos, situando-se nos 8,3. Os números relativos apenas aos 16 países da Zona Euro são ainda mais graves, já que a taxa de desemprego registada em Maio foi de 9,5 por cento, contra os 8,9 por cento verificados na União Europeia dos 27. Portugal regista a sexta taxa de desemprego mais elevada da OCDE, a seguir à Espanha (que bate todos os recordes, com o desemprego a afectar 18,7 por cento da população), Irlanda, Eslováquia, Hungria e EUA. No outro lado do espectro situa-se a Holanda e a Áustria, com 3,2 por cento e 4,3 por cento de desempregados, respectivamente. Com uma contracção de 2,5 por cento no primeiro trimestre de 2009, face ao anterior, a economia da Zona Euro registou a maior queda desde 1999, sendo que esse foi o quarto trimestre consecutivo retracção da actividade.
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Portugueses «cortam» na saúde
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Nos últimos sete anos duplicou o número de portugueses que não compraram óculos nem foram ao dentista por dificuldades económicas, revela um estudo sobre «O estado da saúde em Portugal» divulgado a 8 de Julho. Apresentado na sessão comemorativa dos 30 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o estudo avalia o acesso económico dos portugueses aos cuidados de saúde, medido através de cinco indicadores. Um dos aspectos relevantes dos resultados obtidos é o facto de a percentagem de inquiridos que afirma não ter ido ao dentista ou não ter comprado óculos, por falta de recursos, ter passado de 10,4 por cento para 20 por cento e de 8,3 por cento para 14,7 por cento, respectivamente, entre 2001 e 2008. O estudo revela ainda, entre outros aspectos, que no mesmo período a utilização do SNS por via directa aumentou de 84,8 por cento para 89,9 por cento; e que a percentagem de detentores de seguros de saúde se mantém estável (11,2 por cento contra 11,8 por cento) mas qualitativamente diferente, já que os seguros pessoais passaram de 57,3 por cento para 80 por cento, em detrimento dos seguros de empresas e dos seguros colectivos, que quase desaparecem, passando de 44,1 por cento para 2,4 por cento.
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Sexta-feira, Julho 17, 2009

PSD quer prender os comunistas ?

PSD quer prender os comunistas ?


Política
Quinta, 16 Julho 2009 16:09

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Com pézinhos mansos e o silêncio de demasiados ele aí está...o fascismo.
Pode não se dar importância aos disparates de Alberto João Jardim. É saudável não se ligar áquela aberração política mas pode ser perigoso assobiar para o lado quando as aleivosias daquele senhor atingem o nível do mais puro fascismo sem que se verifique uma imediata, clara e total demarcação do PSD.
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Aquilo que o PSD/Madeira veio defender é gravíssimo e não pode ser ignorado. Significa, não vale a pena escamotear, acabar com o regime democrático tal como foi instaurado no 25 de Abril, significa fazer hoje aquilo que em pleno 25 de Novembro, no momento mais radicalizado da confrontação política e de assumida vitória contra os comunistas, nem sequer o CDS alguma vez defendeu.

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Dirão, talvez, que se trata só de mais uma asneira do Jardim da Madeira. Mas não é.! É uma proposta formal de um importante sector do PSD presidido por um senhor que é membro do Conselho de Estado e que se propõe proíbir (e consequentemente perseguir) os representantes de mais de 15% dos cidadãos portugueses (mesmo considerando apenas a representatividade eleitoral, para além do PCP há diversas outras organizações que se assumem como comunistas). O próprio Presidente da República não pode ficar silencioso perante esta posição do seu conselheiro.

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Discordo dos comunistas e não partilho a visão socialista que é defendida pelo marxismo-leninismo mas não quero ser parvo e conheço a História (portuguesa e mundial). A proibição do comunismo e dos comunistas foi sempre o primeiro passo para a perseguição a todos os democratas e para a instauração do fascismo.

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É uma boa altura para os democratas do PSD (acredito que a grande maioria dos seus militantes são democratas) assumirem uma posição clara. Em particular conto ver a Zita Seabra, o Moita Flores, o David Justino, (cada um por diferentes razões) dizerem claramente que não se confundem com as posições fascistas deste sector do PSD. Não vale dizer que o assunto agora não interessa pois issso é objectiva e subjectivamente estar do lado de Alberto João Jardim. Há coisas com que não se brinca, nunca.

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gaveta.info

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Mário Soares e o Socialismo na gaveta


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Crónica de João Carlos Pereira -
Lida aos microfones da Rádio Baía em 07/12/2005

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Que venha o Diabo e… não escolha

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Não sei se Mário Soares é apenas descarado, se está completamente gagá, ou se à sem-vergonha e à senilidade junta uma cada vez mais acentuada dose de imbecilidade galopante. Esta dúvida surgiu-me quando, a propósito dos 25 anos passados sobre a morte de Sá Carneiro, o ouvi dizer, sem papas na língua ou embaraços de qualquer espécie, que convidara, logo a seguir ao 25 de Abril, o falecido fundador do PPD a aderir ao partido Socialista. Perante o espanto de Sá Carneiro, Soares assume ter-lhe dito que, sendo social-democrata, seria no PS que estaria bem. «Mas vocês são um partido socialista», retorquira o outro, acrescentando que lera o programa do PS e lá se via que era um partido de inspiração marxista. Que não ligasse a isso, confessa Soares ter-lhe respondido, pois isso são coisas que se escrevem nos programas, mas a realidade é outra coisa completamente diferente.
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Traduzindo isto por outras palavras, queria Soares dizer, lá na sua, que o nome do PS (socialista) e a as suas bases programáticas, longe de corresponderem à sua identidade – princípios, projectos e objectivos – não passavam (como não passam, ainda hoje) de artifícios para iludir o povo e conquistar-lhe os votos. Soares, em trinta segundos, confessou que tanto ele, como o partido de que diz ter orgulho em pertencer, não passam de uma imensa fraude política, o exemplo acabado do que é a pulhice como instrumento ao serviço da manipulação do eleitorado.
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E se isto já era mau, mesmo considerando a estrumeira que é a prática política na sua generalidade, o descaramento de Soares, ao confessar alegremente a sua desonestidade política, é a prova real de que tudo é ainda pior do que parece. E que se ele, apesar da provecta idade, não está completamente pifado dos neurónios, então é porque julga que os portugueses já aceitam a trampolinice como uma qualidade natural dos políticos, e a indignidade como uma virtude indispensável na política. Nada mau, para quem anda agora a defender a política e os políticos como coisas decentes e sem mácula. Vê-se…
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Por isso, se eu já não tivesse decidido, há muito, que nenhum socialista, seja em que circunstância for, contará com o meu voto, esta confissão bastaria para que, nas próximas eleições presidenciais – e caso haja 2.ª volta – não fosse à minha custa que a canalhice política tivesse lugar em Belém. Entre um salazarista requentado e um fulano sem princípios, não há escolha possível. E não me digam que a opção será, nessa altura, entre a esquerda e a direita, porque Mário Soares não é – como nunca foi e jamais será – um homem de esquerda. Felizmente para a esquerda, diga-se.
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Sobre isto, em 15 de Março de 2000, o advogado e jornalista António Marinho, publicou um artigo onde, entre outras coisas, disse:
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«A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas, segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos. Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do BE, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares), pensadores profissionais, autarcas, «comendadores» e comentadores de serviço, etc. Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel. Sei que Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares, os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de versão portuguesa da antiga dupla haitiana «Papa Doc» e «Baby Doc».
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Mais adiante, escreve António Marinho:
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«A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios, mas sim fins. É-lhe atribuída a célebre frase: “Em política, feio, feio, é perder”. São conhecidos também os seus ziguezagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo. Já depois do 25 de Abril, assumiu-se como o homem dos americanos e da CIA em Portugal e na própria Internacional Socialista. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende, no Chile, e que colocara no poder Augusto Pinochet. Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e foi amigo de Nicolau Ceaucescu, figura que chegou a apresentar como modelo a ser seguido pelos comunistas portugueses. Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem «Partido Socialista, Partido Marxista», mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em atraso».
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Porque isto está engraçado, continuemos com António Marinho:
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«Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro democrata. Ou melhor, é muito democrata se for ele a mandar. Quando não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele sabe-o; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem o que ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações. Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições pessoais. Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio país. Em 1980, não hesitou em apoiar objectivamente o General Soares Carneiro contra Eanes, não por razões políticas, mas devido ao ódio pessoal que nutria pelo general Ramalho Eanes. E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre, como Francisco Salgado Zenha. Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente, parece ter-se incluído agora o actual presidente da República), apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares. Na altura todos meteram a cabeça na areia, incluindo o próprio clã dos Soares, e nem tugiram nem mugiram, apesar de as acusações serem então bem mais graves do que as de agora. Por que é que Jorge Sampaio se calou contra as «calúnias de Rui Mateus?»
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Edificante, não é? Mas a coisa não fica por aqui. Ouçamos mais:
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«Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo de Mário Soares, Rosado Correia, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. A proveniência do dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, António Vitorino, foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses, com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era esse dinheiro, foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso Emaudio e o célebre fax de Macau é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista. Menano do Amaral chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no estrangeiro. Não haveria seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje, subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos, com esta peculiaridade judicial (que não é inédita): os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos».
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E mais adiante:
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«Mário Soares utilizou o cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto primeiro-ministro, gastou, como presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos desses «viajantes» que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas declarações dos governantes angolanos. Enquanto Presidente da República, Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto as mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu «reinado». Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário, e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram como antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho só veio a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência da República, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma: Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de condecorações».
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E António Marinho termina com a célebre FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS. Diz ele:
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«A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal, se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal. Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. Só o governo, de uma só vez, deu-lhe 500 mil contos, e a Câmara de Lisboa, presidida pelo seu filho, deu-lhe um prédio no valor de centenas de milhares de contos. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas fossem minimamente respeitadas, muita gente estaria, por isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares, e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se os seus documentos pessoais tinham valor histórico Mário Soares deveria entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não. Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele pretendia era outra coisa. Porque as suas ambições não têm limites, ele precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida política do país. A Fundação Mário Soares está a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa».
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É de esquerda, este homem aqui tão bem retratado? Há quem diga que sim. Cá para mim, no entanto, entre Soares e Cavaco, que venha o Diabo e… não escolha, para não ficar irremediavelmente desacreditado.
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www.akriptonita.blogspot.com

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Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

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Descarregar o livro "Contos Proíbidos" aqui: 42.08 Mb

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gaveta.info

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Brasil - Os riscos da volta da direita

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Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.


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Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.

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Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.

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É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.

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A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.

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Fonte: Blog do Emir

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in Vermelho - 16 DE JULHO DE 2009 - 17h49

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Maalouf e os seis meses de Obama

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Em tempos de crise, a ideia do salvador que liberte os homens do sofrimento acompanhou a humanidade ao longo de toda a sua existência. Essa ideia errada que a história sempre desmentiu, foi agora defendida em Lisboa por Amin Maalouf, elevando Obama à categoria messias.

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Por Miguel Urbano Rodrigues, para o site O Diário.Info


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Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do atual Presidente dos EUA. "Essa pessoa – afirmou – também nos representa". Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barack Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, "seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo".

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É antiquíssima a tendência em tempos de grandes crises para o estabelecimento de uma ponte entre a sua superação e o aparecimento de um salvador providencial.

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Admiro Amin Maalouf. Terei sido o primeiro português a escrever sobre o seu belo e comovente livro As Cruzadas vistas pelos Árabes. Essa antiga admiração pelo escritor humanista justifica a minha surpresa ao tomar conhecimento da sua adesão à perigosa tese dos "salvadores".

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Nos milênios transcorridos desde a criação da escrita fonética, alguns homens, apresentando-se como reformadores do mundo, exerceram uma influência decisiva para alterar, recorrendo às armas, o rumo da História. Quase sempre para sofrimento dos seus contemporâneos.

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Cito, entre outros, Alexandre, César, Gengis Khan, Napoleão e Hitler.

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Desconhecer o peso do fator subjetivo na História seria negar uma evidência. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais.

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Nem sempre isso foi temporalmente perceptível, mas o sujeito das viragens decisivas foram sempre os povos. O motor dessas mudanças geradoras de avanços civilizacionais não foi este ou aquele indivíduo, mas rupturas, muitas vezes súbitas, provocadas pela intervenção torrencial de massas populares que provocaram a destruição da ordem social preexistente.

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Isso aconteceu com a Revolução Francesa de 1789 e com as Revoluções Russas de 1917. Sem a teoria, essas revoluções não se teriam produzido, mas o sujeito que tornou possível a mudança – repito – foi nelas o povo, ou mais exatamente uma parcela minoritária da sociedade que atuou em nome do coletivo, traduzindo-lhe aspirações profundas.

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A esperança messiânica no aparecimento de um salvador preparado para enfrentar vitoriosamente um presente sombrio e abrir as alamedas de um futuro de paz e prosperidade pode assumir contornos românticos e seduzir muita gente honesta, mas nas suas origens é identificável um pensamento incompatível com o progresso. A História oferece-nos muitos exemplos de salvadores cujo objetivo inconfessado era a defesa da ordem social em desagregação, responsável pela crise.

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A mitificação de Obama

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A grande crise de civilização que vivemos, inseparável da crise estrutural do sistema capitalista, gerou frustrações e angústias que desembocaram na convicção irracional de que a humanidade, uma vez mais, precisa de um salvador.

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Seria incorreto afirmar que assistimos a uma repetição quase mecânica de situações já vividas.

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O mundo era pequeno quando na Palestina surgiu um profeta judeu, Jesus. Crucificado pelos seus contemporâneos, os discípulos projetaram dele a imagem do messias redentor e a sua mensagem, muito alterada, deu origem a uma grande religião.

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Outros salvadores, profetas e guerreiros, todos diferentes, houve, antes e depois, que deixaram memória como depositários da esperança. Mas nenhum, pelos atos ou pela herança, resolveu magicamente os males cuja denúncia o transformou em pólo da esperada mudança.

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O mundo cresceu desmesuradamente. E a dimensão de uma nova e gravíssima crise facilita a compreensão do renascer da fome de um salvador.

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Nos EUA puseram-lhe nome: Barack Obama. E na época da informação instantânea, uma campanha de dimensão planetária, desencadeada com o apoio entusiástico dos grandes da União Europeia, co-responsáveis pela crise, difunde um discurso cuja conclusão encontramos na mensagem de Amin Maalouf: uma tragédia espera a humanidade se Obama não a salvar.

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A campanha, insidiosa, massacrante, é uma ofensa à inteligência. Mas catapultada por governantes, políticos, banqueiros, militares, escritores, jornalistas, chega aos lugares mais remotos da Terra e impressiona milhões de pessoas em todas as camadas sociais.

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O efeito é tão perigoso que a necessidade de lutar contra a mitificação do presidente dos EUA se torna um dever imperioso para as forças progressistas.

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Não estou em condições de formar uma opinião fundamentada sobre o caráter do cidadão Barack Obama.

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A sua inteligência e talento são transparentes. Uma oratória inabitual contribuiu decisivamente para a superação dos obstáculos, na aparência insuperáveis, que encontrou na longa e paciente caminhada que o conduziu à Casa Branca. É também inegável que o apoio do grande capital pesou muitíssimo na escolha que o establishment fez quando Hillary Clinton emergia como favorita.

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Mas não teria sido eleito se muitas dezenas de milhões de compatriotas seus não confiassem nas suas promessas de mudança. Obama convenceu esses eleitores de que introduziria transformações radicais na sociedade norte-americana e nas relações do seu país com o mundo exterior.

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Transcorridos seis meses da sua entrada na Casa Branca, o balanço da Presidência não justifica, antes desmente, o optimismo que a envolve, trombeteado pelos cultores da obamomania.

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O que fez e não fez em seis meses não corresponde ao compromisso, desrespeita-o.

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No tocante à política interna, a promessa de enfrentar a engrenagem de Washington, por ele fustigada quando candidato, não foi cumprida. O Presidente optou por uma estratégia que privilegia a finança como alavanca de superação da crise, atribuindo papel subalterno a uma politica econômica baseada na produção e no emprego. O seu secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, é um tecnocrata de Wall Street, empenhado em acudir aos grandes bancos e a empresas gigantes ameaçadas de falência pelas suas práticas fraudulentas. Mecanismos que contribuíram decisivamente para a crise voltam a ser introduzidos no sistema pelos senhores da finança.

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Essa política de namoro com o grande capital é tão ostensiva que tem sido criticada no próprio coração do sistema, inclusive por Prêmios Nobel da Economia que apoiaram a candidatura do Presidente.

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Obama manteve tribunais militares cuja inconstitucionalidade tinha denunciado e adiou para data imprevisível o encerramento do presídio de Guantânamo. Nas frentes da Educação, da Saúde e da Previdência Social, e no campo da política de imigração, o seu governo não tomou também até hoje iniciativas que respondam às promessas feitas.

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O endividamento externo continua a ser a base em que assenta a hegemonia económica mundial do país. Daí uma vulnerabilidade alarmante. Países como a China e o Japão possuem mais de dois trilhões de dólares em títulos do Tesouro americano e em reservas. Se abandonassem o dólar, todo o sistema capitalista ruiria, arrastando aliás ambos.

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Palestina, África, Europa e Honduras

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No terreno internacional a politica de Obama distancia-se também dos compromissos da campanha.

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O discurso é outro, mas no fundamental o Presidente mantêm fidelidade ao projeto de dominação mundial dos EUA como nação predestinada a salvar a humanidade dos perigos que a ameaçam.


Admito que Obama está persuadido de que lhe cabe desempenhar uma missão providencial. Não é um político reacionário, beócio e enfeudado a grandes grupos financeiros.

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Mas o seu desejo de não abdicar de um comportamento ético, tal como o concebe, esbarrou desde a entrada na Casa Branca com engrenagens cujo poder tinha subestimado.

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Não se pode esquecer que as suas ideias liberais – na acepção americana da palavra – são inseparáveis da convicção de que o sistema capitalista precisa de grandes reformas, mas deve ser preservado custe o que custar.

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Em poucos meses concluiu que o seu projeto de reformas teria de ser reformulado, no plano interno e no externo, ajustando-se a uma relação de forças muito complexa. E, de cedência em cedência, a sua politica adquiriu contornos cada vez mais aceitáveis pelo establishment.

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A insuficiência do seu conhecimento da História terá pesado muito na adopção de orientações para a política exterior que pouco diferem das anteriores, inspiradas pelo sonho imperial.

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O chamado discurso histórico do Cairo é uma peça que, despojada da retórica, confirma a aliança dos EUA com Israel. Obama insiste nos dois Estados para a Palestina, mas quando o governo de Telavive intensificou a construção de milhares de edifícios em colonatos na Cisjordania reagiu timidamente. Por si só a sua afirmação sobre uma "Jerusalém una e indivisível" ilumina a tendência para a capitulação perante o sionismo arrogante e expansionista.

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O discurso dirigido de Gana à Africa foi outro exercício de retórica. O que dele fica de substancial é a defesa da criação de uma força transnacional para defesa da "democracia" no Continente. Traduzidas em linguagem comum, essas palavras anunciam um reforço de intervenções armadas do imperialismo como "solução" para as crises africanas.

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O Presidente expressou a sua grande preocupação com as situações criadas no Darfur (cujas reservas prováveis de petróleo são enormes) e na Somália, mas não proferiu ali um palavra sobre os acontecimentos nas Honduras.

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Esse silêncio foi atribuído pela própria imprensa dos EUA à contraditória posição assumida perante o golpe de Estado hondurenho. Obama criticou o gorilazo, não reconheceu o governo fantoche de Micheletti e apoiou a resolução da OEA que exige o regresso de Manuel Zelaya, o presidente legítimo.

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Mas os EUA não retiraram de Tegucigalpa o seu embaixador, um cubano de Miami que mantém íntimas relações com os golpistas. Indiscrições de militares e de ministros nomeados por Micheletti confirmaram que na embaixada se realizaram reuniões preparatórias do golpe.

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Para agravar essa rede de cumplicidades, o comando da Força Aérea hondurenha está instalado na base militar norte-americana de Palmerola, a umas dezenas de quilômetros da capital. Foi, aliás, de Hillary Clinton que partiu a ideia da mediação do costaricense Oscar Arias, iniciativa que permite aos golpistas ganhar tempo.

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É transparente que a ambiguidade da posição dos EUA perante a crise hondurenha reflete o seu temor de que a reinstalação na Presidência de Manuel Zelaya fortaleça o bloco de países da ALBA, liderado por Hugo Chávez.

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Na União Europeia, onde os governantes continuam a derramar elogios sobre Obama, o presidente utilizou na reunião do G-8 uma linguagem barroca para disfarçar o fundamental do recado transmitido: os EUA não abdicam da tarefa de dirigir o mundo, que se auto atribuíram, nem aceitarão qualquer projeto que retire ao dólar o papel de moeda universal.

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Os encontros com Medvedev e Putin deixaram as coisas no pé em que estavam. A troca de sorrisos e de palavras amáveis não pôde disfarçar a desconfiança mútua entre Washington e Moscou. Uma certeza: a Otan não desiste da sua intenção de avançar para leste e os EUA não revelam disponibilidade para retirar das fronteiras russas o chamado escudo anti-mísseis.

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Iraque e Afeganistão-Paquistão

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É no Oriente Médio e na Ásia Central que as opções da política internacional de Obama suscitam maior preocupação a nível mundial. Em vez de contribuírem para a paz, disseminam a violência e prolongam e ampliam guerras criminosas herdadas da Administração Bush.

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Relativamente ao Irã, os apelos do Presidente a um diálogo franco não encontraram ate agora expressão prática. Pelo contrario. As exigências sobre a questão nuclear, com contornos de ultimato, persistem, acompanhadas da ameaça de novas sanções.

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Simultaneamente, o envolvimento dos serviços de inteligência norte-americanos nas manifestações de rua de Teerã posteriores às eleições tem sido repetidamente confirmado por fontes críveis, inclusive estadunidenses.

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A hipótese de uma agressão militar ao Irã parece, contudo, excluída na atual conjuntura. A Casa Branca terá chegado à conclusão, com o apoio do Pentágono, de que no momento em que os EUA se encontram atolados em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, não existem condições políticas e militares para uma escalada na Região que atingiria o Irã.

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No Iraque o esforço da máquina midiática para apresentar o país como "pacificado", o que teria permitido a retirada das cidades do exército norte-americano, é desmentido no cotidiano pela realidade.

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A violência no mês de junho e na primeira quinzena de julho atingiu ali um nível que não se registava há muito. A resistência à ocupação estrangeira aumenta a cada semana e o governo instalado por Washington está desacreditado.

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Impressionado pelos relatórios do general Petraeus, Obama cometeu um erro que pode ser fatal para a imagem da sua Administração. Não se limitou a transferir tropas do Iraque para o Afeganistão; decidiu enviar para aquele país mais 21.000 soldados.

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Ao erigir o binômio Afeganistão-Paquistão em primeira prioridade da sua política exterior não parece consciente de que, é arrastado por ilusões que, num contexto diferente, desembocaram há meio século na humilhante derrota do Vietnã.

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A atual ofensiva na Província do Helmand, em que participam milhares de marines, está a correr muito mal e o número de mortos britânicos suscita já protestos no Reino Unido.

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O comandante no terreno é um militar americano cujo currículo contribui para aumentar as apreensões. O general Stanley Chrystal tem sido definido pelo seu passado como um criminoso de guerra.

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Petraeus fala numa "nova atmosfera" que permita a conquista das populações. Mas até agora o que se regista é um crescendo do ódio inspirado pelos invasores. Correspondentes europeus, entre os quais jornalistas de El Pais, insuspeitos de simpatia pela resistência, afirmam que não existe contato algum da tropa com os moradores das aldeias, que fogem dos soldados americanos e britânicos como o diabo da cruz.

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O medo de que o radicalismo islâmico alastre pelo Paquistão está na origem da ambiciosa estratégia bipolar em que Obama deposita tanta confiança. Mas os bombardeamentos das tribos do noroeste paquistanês, que já causaram a morte de centenas de camponeses, gera a indignação da minoria pachtun, a segunda do país, ou seja mais de vinte milhões de pessoas da mesma etnia dos afegãos pachtunes, separados destes por uma fronteira artificial imposta em 1893 pelo império britânico.

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O ceticismo dos próprios meios de comunicação norte-americanos quanto ao desfecho da estratégia de Obama para a Região é já inocultável. Alguns são tão pessimistas, que, prevendo uma derrota de consequências catastróficas, definem a guerra no Afeganistão como "o novo Vietnã".

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Tudo leva a crer que a evolução da estratégia asiática do Presidente dos EUA pesará muito na sua imagem.

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O Barack Obama aclamado como salvador providencial da humanidade por inteletuais como Amin Maalouf corre o risco, se as coisas correrem mal na Ásia, sobretudo nas montanhas e vales do Afeganistão, de surgir como o coveiro involuntário do sonho imperial dos EUA.

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O Diário.info
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in Vermelho - 16 DE JULHO DE 2009 - 16h15
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O que foi o 25 de Novembro de 1975 e seus intervenientes


O 25 de Novembro

1- O golpe militar em preparação
2- A tese do «contra-golpe»
3- O «cerco» de S. Bento
4- O «contra-golpe» falhado
5- A saída da crise político-militar
por Álvaro Cunhal [*]

Capítulo 8 de 'A verdade e a mentira  na Revolução de Abril: A contra-revolução confessa-se', de Álvaro Cunhal.

1- O golpe militar em preparação

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O 25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975 .
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Talvez que as mais esclarecedoras informações dessa preparação em curso muitos meses antes de Novembro sejam as que dá o comandante José Gomes Mota no seu livro, esquecido ou guardado nas estantes, A Resistência. O Verão Quente de 1975 , Edições jornal Expresso , 2ª ed., Junho de 1976.
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Segundo José Gomes Mota, o golpe foi preparado pelo «Movimento», que define por ser contra o que chama «os dissidentes», — nomeadamente «os gonçalvistas» e o PCP. Fala em «novas estruturas reorganizadas». Diz que o «Movimento» deveria ter presença activa no Conselho da Revolução ( ob. cit. , p. 93) e aceitar a «manutenção formal dos órgãos de cúpula do Movimento — Conselho da Revolução e Assembleia do MFA» ( ob. cit. , p. 95).
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O «Movimento» chamava a si a preparação e decisão do golpe militar, mas, «preservando e garantindo a legitimidade revolucionária do Presidente da República» ( ob. cit. , p. 94). Segundo José Gomes Mota, a cúpula efectiva era o «Movimento», que dispunha de dois grupos dirigentes.
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Um «militar», «inicialmente constituído por Ramalho Eanes, Garcia dos Santos, Vasco Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Tomé Pinto e José Manuel Barroso». A sua «tarefa» principal era a «elaboração de um plano de operações» ( ob. cit. , p. 99), tarefa que «cumpriu rigorosamente», tendo «para isso muito contribuído a liderança de Ramalho Eanes» ( ob. cit. , p. 100).
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Outro «político», de que faria parte o «Grupo dos Nove», «veio a desempenhar o papel de um verdadeiro estado-maior de Vasco Lourenço», que «assumira a chefia do Movimento» ( ob. cit. , p.100).
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O livro encerra muitas contradições e obscuridades sobre o «Movimento». Diz que «a iniciativa [de um confronto militar] teria de partir sempre dos «dissidentes» ( ob. cit. , p. 93), que o «Movimento» tinha por objectivo «evitar qualquer possibilidade de uma guerra civil» e a criação da «Comuna de Lisboa» ( ob. cit. , p. 94). Mas o facto, que importa sublinhar, é a revelação de um efectivo centro político-militar a preparar um golpe ao longo do verão quente .
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Melo Antunes, por seu lado, fala da acção militar do «Grupo dos Nove» na preparação para o golpe: «Além das acções legais ou semilegais a que deitámos mão para obter a supremacia militar, também desenvolvemos acções clandestinas para nos prepararmos para uma confrontação que eu julgava inevitável. [...] Tínhamos uma organização militar em marcha. » ( Vida Mundial , Dezembro de 1998, p. 50.)
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A preparação do golpe «para pôr fim a uma situação insustentável» vinha pois de longe.
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Foi ulteriormente dado a conhecer que, no verão quente , muitos Comandos «deixaram os postos civis e se alistaram de novo para estarem operacionais».
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A colocação de Pires Veloso no Norte em Setembro de 1975, substituindo Corvacho, que Freitas do Amaral intitula de «famigerado Brigadeiro» «afecto ao PCP» ( O Antigo Regime e a Revolução , ed. cit., pp. 245 e 406), fazia parte dessa preparação. Não foi por acaso que, no 25 de Novembro, vieram ajudar o golpe várias Companhias do Norte, que depois levaram os presos para Custóias.
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O papel de Ramalho Eanes é sublinhado nas valiosas informações que, no 20º aniversário do golpe, revela Vasco Lourenço, designado em 22 de Novembro e confirmado a 24 Comandante da Região Militar de Lisboa em substituição de Otelo Saraiva de Carvalho.
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Segundo Vasco Lourenço, Eanes , « responsável por organizar o plano de operações», «desempenhou papel fundamental» , e «acabou por ser o principal comandante operacional », não cedendo às pressões dos militares mais radicais (artigo «Não aconteceu o pior», in Revista História , nº 14, Novembro de 1995, pp. 37-38).
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Também Jaime Neves, sublinhando que se tratou de «um golpe contra o PCP», confirma o papel de Eanes: « Conspirávamos [...] e o Eanes [...] passou a ser ele a coordenar as coisas. » (Entrevista à revista Indy , 21-11-1997.)
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O papel de Eanes expressou-se aliás publicamente, logo após a vitória do golpe, em factos tão significativos como a sua ascensão a Chefe do Estado-Maior do Exército (interino em 27-11-1975 — posse em 9-12-1975) e ulteriormente a Presidente da República eleito.
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Está mais que provado, assumido e confessado, que se tratou de um golpe militar contra-revolucionário há muito em preparação num turbulento processo de arrumação e rearrumação de forças.
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Cerca das 10 horas da própria manhã do dia 25, prontos para desencadear as operações, os conspiradores — numa diligência conjunta do «Grupo dos Nove», Eanes, Jaime Neves e oficiais dos Comandos da Amadora — procuraram e conseguiram obter a aprovação e cobertura institucional do Presidente da República, Costa Gomes (entrevista de Costa Gomes a Maria Manuela Cruzeiro, in Costa Gomes, o Último Marechal , Editorial Notícias, 3ª ed., Lisboa, 1998, p. 357; e in revista Indy, 27-11-1998).
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Para a compreensão do golpe e do que dele resultou é necessário ter em conta que, na sua preparação, participaram forças muito diversas associadas num complexo enredo de alianças contraditórias.
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Todas estavam aliadas para pôr fim à influência do PCP e ao processo revolucionário, restabelecer uma hierarquia e disciplina nas forças armadas e extinguir o MFA insanavelmente em vias de destruição pelas suas divisões e confrontos internos. Mas, como resultado do golpe relativamente ao poder político e às medidas concretas a tomar, havia importantes diferenças.
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Na grande aliança contra-revolucionária, internamente muito fragmentada, participavam fascistas declarados e outros reaccionários radicais, que visavam a instauração de um nova ditadura, que tomasse violentas medidas de repressão, nomeadamente a ilegalização e destruição do PCP. Participava também o Grupo dos Nove, de que alguns membros, receosos da possibilidade de saírem vitoriosas do golpe as forças mais reaccionárias, pretendiam a continuação de um regime democrático.
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Da parte dos fascistas e neofascistas, a ilegalização e repressão violenta do PCP era, não apenas um desejo mas um objectivo que pretendiam fosse alcançado no imediato.
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As organizações terroristas deviam também participar. Paradela de Abreu diz que «sempre tinha estado convencido de que o Plano Maria da Fonte só deveria ser desencadeado no seu «programa máximo — um programa de violência ou de guerra — em ligação com um golpe militar » ( Do 25 de Abril ao 25 de Novembro , ed. cit., p. 204), intervindo com «muitos grupos capazes de executar quem quer que fosse» ( ob. cit. , p. 197). Na noite de 25 de Novembro foi-lhe comunicado para não avançar com o «Plano» ( ob. cit. , p. 208).
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Este objectivo de desencadear uma vaga repressiva de extrema violência já na altura era abertamente proclamado nas campanhas anticomunistas. E muitos anos volvidos, mais claramente o dizem, nas suas confissões, alguns dos participantes.
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Jaime Neves, num jantar em sua homenagem realizado em Janeiro de 1996, declarou que « o “problema” seria resolvido “muito simplesmente com a prisão do líder do PC”, Álvaro Cunhal » ( Público , 11-1-1996). O seu estado de espírito é transparente, ao dizer que, se «havia uma manifestação realizada pelo Partido Comunista, eu recusava-me a ir com a tropa para a rua se não fosse para prender o dr. Álvaro Cunhal» (entrevista ao Semanário , 26-11-1983).
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Alpoim Calvão, operacional nº 1 da rede bombista, não deu por definitivamente derrotada a extrema direita depois do 25 de Novembro. Num encontro com Pinheiro de Azevedo (então Primeiro-Ministro), solicitou que fosse permitido o regresso a Portugal de Spínola e de todos os spinolistas exilados. Não são conhecidos os termos em que colocou o problema. Pedido? Exigência? O que diz é que uma tal decisão seria «uma solução pacífica», porque, apesar do 25 de Novembro, « muitos queriam pegar em armas e vir por aí abaixo matar comunistas » (entrevista a Eduardo Dâmaso, publicada no seu livro A Invasão Spinolista , Círculo de Leitores, 1997, p. 98). É o que teriam feito, pelo que se vê, se tivessem sido eles a impor o resultado.
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No próprio dia 25, não estando ainda certo como o golpe iria terminar política e militarmente, todos envolvidos num objectivo geral comum anticomunista, cada qual pretendia que o resultado correspondesse aos seus próprios objectivos.
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Mário Soares e o PS tinham representado um papel importante na acção política preparatória do 25 de Novembro. Mas o golpe do 25 de Novembro não foi o que projectaram. Nenhum dos seus três objectivos centrais imediatos se concretizou. Nem a liquidação da dinâmica revolucionária e das suas conquistas. Nem o esmagamento militar do PCP, do movimento operário e da esquerda militar, nem, como resultado do golpe, ser Soares o vencedor, aquele que teria salvado a democracia de um golpe e de uma ditadura comunista e que por isso assumiria naturalmente de imediato, no poder do Estado, as responsabilidades daí decorrentes. Tal operação foi tentada mas falhou. Não é por isso exagero dizer-se que Soares ficou de fora do 25 de Novembro .
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Os fascistas e neofascistas, participantes na preparação e no golpe, não conseguiram tão-pouco o que pretendiam.
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Quanto ao «Grupo dos Nove», Melo Antunes (tal como Eanes e Costa Gomes) defendia uma solução política da crise. Indo no dia 26 à televisão declarar que «a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável», deu importante contribuição para a defesa da democracia.
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Como na altura considerámos, essa atitude expressava um objectivo político e uma apreensão: o objectivo de assegurar um regime democrático para o que considerava indispensável o contributo do PCP e a apreensão de que, se a extrema direita desencadeasse a repressão contra o PCP, ele e seus amigos acabariam também por ser reprimidos.
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Poucos dias depois, o chefe do EMGFA, general Costa Gomes, enviou aos três ramos das Forças Armadas uma directiva na qual se afirmava que «só os militares [...] estão em condições de servir o projecto de construção da sociedade proposta pelo Movimento do 25 de Abril, sociedade onde não seja mais possível a exploração do homem pelo homem» ( Jornal de Notícias , 2-12-1975).
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E, ao tomar posse como Chefe do Estado-Maior do Exército, no dia 6 de Dezembro, Ramalho Eanes, então promovido a general, declarou como «objectivos políticos prioritários a independência nacional e a construção de uma nova sociedade democrática e socialista.» ( Jornal de Notícias , 7-12-1975)
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2- A tese do «contra-golpe»

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Desde o 25 de Abril, todos os golpes e tentativas de golpes contra-revolucionários — golpe Palma Carlos, 28 de Setembro, 11 de Março e outros — foram explicados pelos seus autores, apoiantes e cúmplices como respostas a golpes ou tentativas de golpes do PCP visando o assalto ao poder. Assim sucedeu também no verão quente de 1975, quando forças contra-revolucionárias desenvolviam o terrorismo bombista e preparavam um novo golpe militar.
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Ao contrário do que dizem (como acabamos de ver) os principais protagonistas do 25 de Novembro, Mário Soares e seus amigos não desistiram até hoje de dizer que, no 25 de Novembro, « houve uma tentativa de golpe, animado pela Esquerda Militar e pelo PCP, e uma resposta, [...] um contra-golpe da parte do sector democrático, isto é, militares moderados, “Grupo dos 9” e PS » (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 487).
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Esta versão dos acontecimentos foi através dos anos repetida incansavelmente.

José Manuel Barroso , sobrinho de Soares e adjunto de Spínola, é ainda mais categórico: « O 25 de Novembro [diz ele] foi um golpe de força militar, preparado pelo Partido Comunista ». «“Páras” e “fuzos” receberam, assim, ordens de saída directamente da direcção militar do PCP ». O 25 de Novembro foi «uma operação dirigida por dois postos de comando: um, militar, situado no SDCI, e outro, civil, a partir da direcção militar do Partido Comunista » ( Diário de Notícias , 25-11-1993).
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Manuel Monge , destacado oficial spinolista próximo de Soares e que tinha fugido para o estrangeiro com Spínola depois do 11 de Março, afirma também que «o 25 de Novembro foi um golpe desencadeado pela ala “gonçalvista” do MFA com o total apoio do PC. » ( Público , 17-4-1994.)
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E, já agora, lembremos que, em 1997, Carlucci informava a Câmara dos Representantes de que no 25 de Novembro «o golpe comunista foi derrotado » ( Dossier Carlucci/CIA , ed. cit., p. 109).
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Como a orientação e acção do PCP e os acontecimentos provassem que não tinha havido nem golpe nem tentativa de golpe do PCP, inventou-se então a tese do «recuo» — a história de que o PCP, vendo que o seu golpe militar, já desencadeado, iria falhar, recuou e desistiu do golpe . Essa tese do «recuo do PCP» é condimentada com uma insultuosa afirmação de Mário Soares: que o PCP teria lançado o golpe, mas, vendo que ia ser derrotado, deixou no terreno os esquerdistas «abandonados pelo PC» à sua sorte e à repressão (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 487). Falsidade e calúnia retomada por Freitas do Amaral ( O Antigo Regime e a Revolução, ed. cit., p. 477).
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Explique-se. Esta invencionice, como argumento, deturpa dois factos reais: Um , as orientações dadas pela Direcção do PCP na noite de 24 para 25 a algumas das suas organizações para não se deixarem arrastar em atitudes ou na participação em aventuras esquerdistas de confronto militar (casos do Forte de Almada e do RAL 1).
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Outro , uma conversa telefónica na mesma noite de 24 para 25 entre o Presidente da República Costa Gomes e o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em que este, tendo tomado a iniciativa do contacto, nos termos habituais da ligação institucional com a Presidência da República, comunicou ao Presidente, desmentindo especulações em curso, que o PCP não estava envolvido em qualquer iniciativa de confronto militar e insistia em apontar a necessidade de uma solução política. Soares diz contudo que Costa Gomes conseguiu «convencer o Partido Comunista a desistir » do 25 de Novembro (entrevista ao Público-Magazine , 24-4-1994). A verdade é que não houve «recuo» nem «desistência» porque não houve golpe nem tentativa de golpe do PCP, mas a realização empenhada da orientação definida pelo Comité Central em 10 de Agosto, até ao último minuto, incluindo as indicações acima referidas dadas às organizações do Partido e a diligência que se lhes seguiu junto do Presidente da República.
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Apesar de ficar claramente comprovado que o 25 de Novembro foi um golpe militar contra-revolucionário, há muito em preparação, Soares diz ainda, tantos anos passados, que «a tese de Álvaro Cunhal» de o 25 de Novembro ter sido um golpe e não um contra-golpe « permanece hoje historicamente indefensável » (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 490).
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A verdade dos factos e os testemunhos mais válidos (de Costa Gomes, de Melo Antunes, de Vasco Lourenço, de Ramalho Eanes) mostram que «indefensável» é a «tese» de Soares e seus amigos quando insistem no golpe do PCP e no contra-golpe de 25 de Novembro.
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3- O «cerco» de S. Bento

.Na medida em que avançava a preparação do golpe militar contra-revolucionário, travou-se acesa luta política em torno dos trabalhos e das funções da Assembleia Constituinte.
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Soares pretendia (tal como Freitas do Amaral) que a Assembleia Constituinte, sem aprovar a Constituição, se transformasse de imediato num órgão do poder para fazer leis gerais e escolher novo governo. Pretendia no imediato, tendo Mário Soares como Primeiro-Ministro, formar governo em substituição do VI Governo Provisório. Jorge Miranda a pedido do PS e do PPD (segundo testemunho de Freitas do Amaral a pp. 531-532 do seu livro já citado) chegou a redigir um projecto de lei constitucional segundo o qual a «Assembleia Constituinte assume a plenitude dos poderes legislativos e de fiscalização do Poder Executivo em Portugal» (art. 1º ). Compreende-se assim melhor que, nas suas memórias, Mário Soares chame «Parlamento» à Assembleia Constituinte (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 483). Pretendia ainda, como os acontecimentos pouco depois comprovaram, impedir a aprovação da nova Constituição.
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Na preparação do golpe contra-revolucionário, que veio a realizar-se em 25 de Novembro, e no quadro desses objectivos, chegou a ser examinada a possibilidade de transferência para o Porto dos chefes da conspiração, de unidades militares comprometidas e da Assembleia Constituinte, para depois, a partir do Norte, desencadear a guerra civil e esmagar militarmente o Sul, o que chamaram a «Comuna de Lisboa».
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O conhecimento da existência desse plano é necessário para compreender a conduta de Mário Soares no chamado «cerco a S. Bento», assim chamado pela contra-revolução.
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Foi o caso de, em tão polémica situação, no dia 12 de Novembro, os trabalhadores terem realizado uma concentração em frente da Assembleia Constituinte com objectivos de carácter reivindicativo laboral .
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Conhecendo as posições dos vários partidos relativas às suas reivindicações, os trabalhadores aplaudiram os deputados do PCP e alguns outros, que saíram calmamente do edifício e seguiram os seus destinos.
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Mário Soares conta à sua maneira os acontecimentos:
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«Vieram dizer-me que havia uma importante manifestação de operários da construção civil em frente ao Palácio. Fui a uma janela e apercebi-me de que uma verdadeira milícia paramilitar [?!!!], que enquadrava [?!!!] os manifestantes, se preparava [?!] para ocupar certas posições chave perto das saídas » (?!) (Mário Soares, Portugal: Que Revolução? , ed. cit., p. 187).
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Segue-se a descrição da «fuga», que vale a pena ler como testemunho de uma operação teatral, espectacular e rocambolesca. Corredores fora no edifício, «começou a correr» com seus amigos, atravessou em correria os jardins de S. Bento até lá cima à residência do Primeiro-Ministro e saiu pelas traseiras... (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 483). O próprio Soares conta este episódio com um colorido que faz inveja aos melhores ficcionistas. Leia com gosto, se tiver ocasião.
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A história do «cerco de S. Bento», como ameaça comunista de assalto à Assembleia Constituinte com tais «milícias paramilitares», correu mundo, espalhada pela contra-revolução, tal como tinham sido os casos República e do Patriarcado.
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A ameaça comunista e a «fuga» a que Soares fora forçado para escapar ao perigo «provavam» que a Assembleia Constituinte não tinha condições para continuar em Lisboa.
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Segundo o pormenorizado plano de ir para o Norte, era imperativo deslocar a Assembleia para o Porto, para, a partir do Norte, lançar-se à conquista da «Comuna de Lisboa». É esclarecedor que, no dia 20 de Novembro, PS, PPD e CDS aprovam na Assembleia Constituinte a possibilidade de a Assembleia reunir «em qualquer momento e em qualquer lugar» ( Diário da Assembleia Constituinte , p. 2779).
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Para o Porto não foi a Assembleia mas, como veremos, foi Mário Soares, pensando poder realizar o tenebroso plano, que fora rejeitado.
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Quanto à manifestação dos trabalhadores, «a ordem repôs-se» com «cedências do Primeiro-Ministro a algumas das reivindicações salariais», segundo acabou por confirmar o próprio Soares (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 483). Para quê ter abalado em tal correria e saído pelas traseiras?
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4- O «contra-golpe» falhado

.A ida, no próprio dia 25 de Novembro, de Soares para o Porto com os seus amigos, constituiu um episódio que esclarece e evidencia alguns dos mais sérios perigos de um plano muito diferente do que veio a ser o golpe do 25 de Novembro e os seus resultados.
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Nesse dia, partindo para o Porto, Soares ia certamente esperançado e decidido a que o golpe contra-revolucionário vitorioso seria um confronto militar violento, que tivesse como resultado a ilegalização e repressão violenta do PCP, do movimento operário e da esquerda militar e a não aprovação da Constituição da República já elaborada pela Assembleia Constituinte.
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Um tal plano foi desvendado vinte anos mais tarde pelas extraordinárias revelações de Vasco Lourenço que, nas vésperas do 25 de Novembro, substituiu Otelo no Comando da Região Militar de Lisboa e acompanhou de perto, em ligação com Eanes, a preparação final e a realização do golpe.
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Vasco Lourenço revela que, já depois da formação do Grupo dos Nove e da publicação do seu documento, foi levantada e esteve quase em vias de ser aprovada a hipótese (à qual Vasco Lourenço diz ter-se oposto «firme e deliberadamente», porque seria «provocar a guerra civil») da « retirada para o Norte, com as forças que nos apoiavam (Comandos da Amadora, Artilharia de Cascais, Infantaria de Mafra e Cavalaria de Santarém), permitindo, ou provocando, [!] que se criasse a Comuna de Lisboa , que depois se procuraria reconquistar» (artigo in Revista História , nº 14, Novembro de 1995, p. 35). Seria também de considerar «passar a reunir no Porto» a Assembleia Constituinte ( ibid. ), ideia esta que Mário Soares sugere, inventando e lançando a cabala do «cerco a S. Bento» pelos comunistas. Sendo impossível à Assembleia funcionar como Constituinte em tais condições, com a ida para o Porto tornar-se-ia um Parlamento, faria leis e escolheria o governo, como consta do projecto de lei constitucional de Jorge Miranda atrás referido.
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Reveladora também da natureza e execução do mesmo plano a pouco conhecida transferência para o Norte do ouro do Banco de Portugal , em «operação devidamente concertada com o sindicato dos bancários, na altura de orientação conjunta socialista e MRPP» ( Vida Mundial , Dezembro de 1998).
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Os factos mostram que, ao ir para o Porto no dia 25, ainda Soares sonhava com a «hipótese» de guerra civil contra a «Comuna da Lisboa» desvendada anos mais tarde por Vasco Lourenço.
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Também Melo Antunes informa «a sua vontade de evitar a deslocação do poder para o Norte, com a intenção de daí se partir à conquista da “comuna de Lisboa” » ( Vida Mundial , Dezembro de 1998, p. 50).
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As revelações de Vasco Lourenço e de Melo Antunes são ainda mais esclarecedoras, se lhes acrescentarmos outras confissões, igualmente sensacionais, feitas pelo próprio Soares a Maria João Avillez: « Talvez uma semana antes do 25 de Novembro, o então Primeiro-Ministro [da Grã-Bretanha] James Callaghan enviara-me um oficial do Intelligence Service que eu, através de Jorge Campinos, apresentei aos militares operacionais [é pena não dizer quais] que, entretanto, tinham começado a gizar o seu plano militar — conforme Callaghan conta nas suas Memórias
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«A consumar-se a divisão entre o Norte e o Sul do país [informa Soares], o Reino Unido não só nos apoiaria politicamente, como colaboraria ainda com Portugal através de apoios concretos. Prometeram-nos fazer chegar rapidamente ao Porto combustível para os aviões e também armamento. » (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 491.)
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Isto é: Uma semana antes do 25 de Novembro já Soares estava a combinar com os ingleses a ida para o Norte, o fornecimento de gasolina para os aviões e de armamento.
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E não só. Conta Rui Mateus referindo os apoios financeiros dos ingleses: que «a entrega mais [...] volumosa, seria a 24 de Novembro, nas vésperas da partida de Mário Soares para o Porto. [...] As instruções que Mário Soares me tinha dado eram no sentido de eu me dirigir com o “pacote” a sua casa, pois o seu conteúdo era necessário para esta segunda viagem para a capital do Norte. Dirigi-me então [...] à sua casa no Campo Grande.» ( Contos Proibidos. Memórias de Um PS Desconhecido , Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1996, p. 89.)
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Acompanhemos o desenrolar dos acontecimentos militares. No dia 25 de Novembro, pilotos e aviões são levados de Tancos para Monte Real e Cortegaça, os pára-quedistas abandonados pelos oficiais saem de Tancos e ocupam o Estado-Maior da Força Aérea em Monsanto. Está tudo preparado para desencadear em Lisboa as operações do golpe contra-revolucionário há muito preparado e definido no «Plano das Operações». Soares vai à sede do PS, aí «trocando informações com os seus camaradas e recolhendo dos militares as precisões possíveis». Vai depois ao Palácio de Belém, onde «se montara um posto de informações chefiado pelo tenente-coronel Ferreira da Cunha» , o mesmo que no 11 de Março se encontrava com Manuel Alegre e outros dirigentes do PS. «Após ter sido decretado por Costa Gomes o “estado de emergência”, mas quando a situação militar era muito confusa e Lisboa estava cercada [em vez de ficar no teatro de operações do golpe a desencadear-se nesse mesmo dia], decidiu-se, numa reunião da direcção do Partido, que alguns de nós iríamos para o Porto» (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 490).
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Chegara para Mário Soares a hora do seu «contra-golpe», a hora do plano referido por Vasco Lourenço, ao qual este se tinha «firmemente oposto»: a retirada para o Norte «permitindo, ou provocando, que se criasse a Comuna de Lisboa, que depois se procuraria reconquistar». Agora não seria com as unidades das Forças Armadas nessa altura consideradas. Mas poderia ser com as unidades do Norte e do Centro e com os pilotos e aviões que tinham abandonado Tancos e estavam em Monte Real e Cortegaça. E com mais armas, que poderiam fornecer os amigos ingleses, conforme não só prometera Callaghan directamente, mas confirmara por intermédio de um oficial do Intelligence Service .
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E, à maneira da «fuga» espectacular do «cerco de S. Bento», aí vão eles agora para o Porto — do Estoril para Sintra, pela estrada da costa, até às Caldas da Rainha, ali pela Nazaré e S. Pedro de Muel até ao Porto (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 490).
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Conta Freitas do Amaral que Mário Soares, imediatamente antes de partir para o Norte, lhe telefonou a «“pedir-lhe que desse instruções para os dirigentes e os Deputados do CDS irem também todos para o Porto”», a fim de a partir dali combaterem a «Comuna de Lisboa». Perguntando-lhe Freitas do Amaral: «Acha que devemos partir antes do fim-de-semana?», Mário Soares respondeu-lhe «à queima-roupa: “Antes do fim-de-semana não, Sr. Professor. Têm de partir antes do jantar. Hoje mesmo”.» ( O Antigo Regime e a Revolução , ed. cit., p. 461.)
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Melo Antunes e Costa Gomes fazem interessantes apreciações à ida para o Porto de Soares e seus amigos no momento crucial do 25 de Novembro.
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Melo Antunes, usa palavras importantes para compreender esta deslocação: «Admito que tenha havido conivência entre o PS e o Pires Veloso, nomeadamente na ideia da fuga para o Norte , que, do meu ponto de vista, era completamente disparatada e só ia criar condições de dramatização, que podiam conduzir à guerra civil . Passado este tempo todo, não me custa a admitir que o PS, em particular o Mário Soares, quisessem ter, mais uma vez, um enorme protagonismo no meio disto tudo, aparecendo no fim como os grandes heróis. » (Entrevista a Maria Manuela Cruzeiro, revista Indy , 27-11-1998.)
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Diz por sua vez Costa Gomes : «Achei de um ridículo espantoso a decisão de os principais dirigentes do PS se refugiarem no Norte . E parece que o Mário Soares foi um deles. Acho que isso é uma fraqueza que as pessoas têm de vez em quando. Talvez levadas, porque vejo o Mário Soares como uma pessoa corajosa. Mas, nesse momento não foi o mais corajoso. Fugiu do centro onde havia maior actividade revolucionária para um sítio onde julgava que havia paz . Mas era uma paz podre, com laivos de MDLP. » (Entrevista a Maria Manuela Cruzeiro, revista Indy , 27-11-1998. Cf. Costa Gomes. O Último Marechal , ed. cit., p. 363.)
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Costa Gomes revela com frontalidade a situação, mas os factos atrás apontados mostram que não se tratou de uma «fuga» e sim da partida para a realização de um plano.
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Indo para o Norte, onde o aguardavam o comandante da Região Militar Pires Veloso e Lemos Ferreira, levando os aviões e pilotos de Tancos, e contando com o apoio político, diplomático e financeiro da Grã-Bretanha, gasolina para os aviões e mais armamento, Mário Soares vai com a ideia de que o golpe contra-revolucionário em Lisboa poderá ser derrotado e então ele, a partir do Norte, desencadeará a guerra civil para esmagar a «Comuna de Lisboa».
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E, sobre os pilotos que, com os aviões, abandonaram «em bloco» Tancos, e que «constituíam a parte mais importante dos “páras”» e os seus comandos todos, não é de mais lembrar que Costa Gomes lhes atribui grande responsabilidade por abandonarem os «páras» ( Indy, 27-11-1998) que em desespero foram ocupar em Monsanto o EMGFA e prender o seu comandante.
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No Norte, os aliados de Soares não eram famosos.
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Segundo Melo Antunes, Soares e o PS « aliaram-se ao que de pior havia nas Forças Armadas. Como já se haviam aliado ao Spínola . Numa aliança que se tornou mais evidente depois da vinda dos oficiais do ELP e do MDLP. Que se tornaram nos aliados militares preferenciais do PS.» ( Indy, 27-11-1998).
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No Porto (já realizado o encontro com Pires Veloso e Lemos Ferreira) Soares dá, no dia 26, uma conferência de imprensa. Insistindo na sua tese do «contra-golpe» à tentativa de um golpe comunista, afirma que o 25 de Novembro foi (o inventado golpe comunista, claro) « o mais grave atentado à democracia portuguesa desde o 25 de Abril » ( Primeiro de Janeiro , 27-11-1975).
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Dois dias depois, num comício realizado também no Porto, acusa: «os responsáveis são em primeiro lugar os dirigentes do PCP» ( Jornal de Notícias , 27-11-1975). Sottomayor Cardia classifica o 25 de Novembro como « uma insurreição comunista para a conquista total do poder e eliminação dos adversários do comunismo » ( O Jornal , 5-12-1975).
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Nesse comício destacou-se uma delegação do PC de P(m-l), muito aplaudida segundo o jornal, com um sugestivo cartaz: «Prisão para Cunhal e seus lacaios» ( Comércio do Porto , 27-11-1975).
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Vê-se que Soares e o PS se identificavam, quanto aos objectivos do golpe, não com o que veio a ser o golpe e o seu resultado, mas com os fascistas e «laivos de MDLP» como Costa Gomes refere. Com spinolistas e «o pior que havia nas Forças Armadas», como refere Melo Antunes. Com os reaças a ferver para « vir por aí abaixo matar comunistas », como diria dias depois o chefe da rede bombista do MDLP Alpoim Calvão. Ainda com a ideia de liquidar pelas armas a «Comuna de Lisboa».
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Uma observação mais para melhor se compreender o alcance das palavras.
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Os contra-revolucionários chamaram «Comuna de Lisboa» à eventual conquista insurreccional do poder pelo PCP na grande região de Lisboa. Este nome não foi utilizado por acaso. Foi por analogia com a «Comuna de Paris» de 1871, a qual nas palavras de Marx «era essencialmente um governo da classe operária» (Marx//Engels, Obras Escolhidas em três tomos, Edições «Avante!»-Edições Progresso, Lisboa-Moscovo, 1983, Tomo II, p. 243). Tão-pouco por acaso a analogia da repressão que projectavam para a «Comuna de Lisboa» com a conquista de Paris pelas tropas reaccionárias e o terrível e cruel esmagamento da «Comuna de Paris» com fuzilamentos em massa de dirigentes e da população.
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5- A saída da crise político-militar

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A preparação e a execução do golpe militar contra-revolucionário de 25 de Novembro realizou-se no quadro complexo e movediço de alianças diversas e contraditórias, de arrumações e desarrumações de forças em movimento, de objectivos políticos e militares diferenciados e incompatíveis no que respeita ao que cada qual pretendia como resultado final do golpe.
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Mário Soares e o PS participaram com importante contribuição na formação da grande aliança contra-revolucionária anticomunista e anti-MFA, que conduziu ao golpe. Mas, pela identificação dos seus objectivos e pela sua colaboração estreita e prioritária com as forças mais reaccionárias, estiveram à margem do processo efectivo de preparação do golpe e não conseguiram desencadear o que apelidavam de «contra-golpe», nem conseguiram o seu objectivo de reprimir e ilegalizar violentamente o PCP e o movimento operário.
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Muitos anos mais tarde, Soares diz que, logo no dia 26, apoiou e «pareceu-lhe sensata» a célebre declaração de Melo Antunes na televisão: que «os comunistas eram indispensáveis para que se cumprissem as regras do jogo democrático» (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução , ed. cit., p. 489). Fantástica reviravolta, na hora do fracasso da tentativa de desencadear a guerra civil a partir do Norte.
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A verdade é que, no 25 de Novembro, Soares, de companhia com a extrema direita, sofreu séria derrota política . Nem a liquidação militar da «Comuna de Lisboa», nem guerra civil, nem ilegalização e repressão do PCP, nem intervenção efectiva na saída política da situação. É pertinente a observação de Melo Antunes de que «não é por acaso que das suas declarações continuam a não constar grandes referências ao 25 de Novembro» ( Indy, 27-11-1998).
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Há quem não compreenda como foi possível a surpreendente solução política, que no imediato veio a resultar do golpe. Com a salvaguarda das liberdades e da democracia. Com a formação de um governo em que continuou o PCP. Com a aprovação e promulgação da Constituição pela Assembleia Constituinte.
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E entretanto essa solução política era uma possibilidade há muito considerada pelo PCP na sua análise da situação e na sua acção prática. Uma tal saída política do golpe «contra o PCP» resultou da aliança, não negociada, não debatida, não acordada, não explicitada, mas aliança com o PCP, conjuntural e objectivamente existente , de chefes das Forças Armadas, destacados participantes na preparação do golpe e na sua execução, mas defensores da continuação das liberdades e da democracia política.
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A aliança, que decidiu da saída política do 25 de Novembro, não foi pois a que Mário Soares indicava como sendo a do «contra-golpe» — «militares moderados, Grupo dos Nove e PS». Não, não foi essa aliança que realizou o 25 de Novembro nem a que interveio na saída política do golpe. No complexo quadro da grande aliança contra-revolucionária, o PS, no 25 de Novembro, acabou por ficar de fora , como atrás anotámos. É Eanes que, citando o «Plano de Operações», o testemunha ( O Independente , 29-4-1994).
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De facto, o «Plano de Operações», publicado como anexo em vários livros, e não nos consta tenha sido desmentido, justifica inteiramente essa afirmação.

Embora admitindo poder vir a ser necessário um «plano de acção política com deslocação dos órgãos do poder político para o Norte», o Plano estabelece que «a acção decisiva processar-se-á na Região Militar de Lisboa» «seja ou não» a iniciativa das «forças da ordem».
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Elaborado sob a direcção pessoal de Eanes (como Gomes Mota informa e Vasco Lourenço confirma) o Plano permite explicar e compreender muitos dos aspectos mais contraditórios e polémicos do golpe.
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O «Plano de Operações» contém, objectivamente, não o plano de um contra-golpe mas de um golpe. Não uma acção militar para responder a um golpe efectuado ou em curso, mas o plano de um golpe militar, exigindo longa preparação, com o objectivo de pôr fim a uma situação político-militar cuja responsabilidade atribuem ao PCP.
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O Plano é concebido como um golpe à escala nacional e com plano de operações em todas as regiões. Faz um balanço das «unidades favoráveis» e «unidades não seguras» indicando as operações militares do golpe decorrentes da situação avaliada em cada caso.
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Aponta os termos concretos da intervenção tanto das unidades das Regiões Militares do Norte, do Centro, do Sul e de Lisboa, como dos partidos que apoiam o golpe.
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O Plano, embora admitindo que o momento da execução possa ter de ser determinado por circunstâncias não previstas, «está elaborado para a hipótese da iniciativa ser das forças da ordem» (hipótese 2ª) e vai ao ponto de indicar a altura do dia para o começo das operações de tais ou tais unidades.
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O Plano, nas alternativas que coloca em muitos casos ao desenvolvimento das operações, contém uma avaliação de incertezas e contradições, que reflectem e correspondem às contradições do próprio golpe.
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Por um lado, constitui um elemento do processo geral da contra-revolução no caminho para o fim da dinâmica revolucionária, para a efectiva dissolução do MFA, para o restabelecimento da hierarquia militar controlada pelas forças de direita.
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Por outro lado, o seu resultado imediato não foi a repressão ao PCP e ao movimento operário e a instauração de uma nova ditadura, como queriam, e não estiveram longe de conseguir, os protagonistas e apoiantes fascistas e fascizantes, mas a continuação (com os comunistas e com um forte movimento sindical de classe) de um regime democrático.
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Os principais dirigentes dos partidos que tinham participado e apoiado a realização do golpe evitaram até hoje dar sobre isso uma apreciação frontal. Deixaram isso para o Jardim e para os bombistas.
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Pouco conformado com a saída política, Galvão de Melo (em 8 de Dezembro), brandindo a moca, apelava para que os comunistas fossem lançados ao mar.
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Alberto João Jardim diria mais tarde que «o problema foi que as Forças Armadas voltaram a falhar por deixarem incompleta a missão patriótica, em que se envolveram a 25 de Novembro. Passou-se uma esponja sobre os crimes que vinham sendo cometidos desde o 25 de Abril » « mantiveram uma Assembleia Constituinte eleita em condições de total falta de imparcialidade e liberdade para vários partidos políticos, o que deu a borrada ainda hoje em vigor, quando deviam ter dissolvido essa Assembleia e, então sim, isso feito, realizar eleições verdadeiramente livres» ( O Diabo , 4-4-1994).
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O chefe do movimento terrorista Maria da Fonte responsável por numerosos assaltos, atentados, destruições de instalações do PCP, lamentando não ter vencido o «Plano» gizado para liquidar fisicamente o PCP, referirá o golpe realizado como «aquele 25 de Novembro», «o pudico golpe militar de Novembro de 1975», que quis «evitar» que a intervenção dos civis na execução do «Plano» «pudesse resultar em algumas centenas de mortos» (Paradela de Abreu, ob. cit., pp. 153 e 154). Que importância teria isso?
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Joaquim Ferreira Torres, destacado activista do MDLP e contratador do mercenário Ramiro Moreira, considerou o 25 de Novembro « uma traição » ( ob. cit. , p. 188).
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Também o cónego Melo ficou manifestamente desiludido. Tanto empenho, tanta mobilização das populações arregimentadas pela Igreja e pelos padres, tantos assaltos e destruições de Centros de Trabalho do PCP, tantas bombas, tantos atentados — alguns dos quais até tem sido difícil manter impunes — e afinal um tal resultado: liberdades, regime democrático, aprovação da Constituição. Desapontamento profundo. Não sabe como explicar mas explica: « O 25 de Novembro foi da total responsabilidade dos marxistas […] foi uma luta de marxistas » (entrevista ao Diário do Minho/Rádio Renascença , 13-3-1999). Só faltava mais esta, não é verdade?
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Como podiam fascistas e fascizantes, militares radicais, bombistas do MDLP, do Maria da Fonte e do ELP, como podiam PS, PPD e CDS aceitar que a saída política de um golpe contra-revolucionário anti-PCP fosse a continuação e retomada de funções de um governo com a continuação da participação do PCP, com um ministro e seis secretários de Estado?
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Não podiam aceitar e não se deram por vencidos. Voltaram à carga no imediato numa ressaca que, como veremos, teve como objectivos imediatos fundamentais inverter a situação, impedir a aprovação e promulgação da Constituição pela Assembleia Constituinte e assegurar a efectiva tomada do poder pela contra-revolução.
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[*] Ex-secretário-geral do Partido Comunista Português. Capítulo 8 do livro "A verdade e a mentira na Revolução de Abril: A contra-revolução confessa-se", Edições Avante!, Lisboa, Setembro de 1999, ISBN 972-550-272-8

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Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

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Electricidade - 30% do que pagamos é para impostos

Electricidade

30% do que pagamos é para impostos

Carga fiscal em Portugal é das mais altas da Europa e o dobro da praticada na vizinha Espanha

Comsuno: 1/4 é liberalizado

Preços livres para 9 mil pessoas

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in Agência Finaneira 2009.07.16

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Salários do Estado muito acima dos privados

Função pública

2

Salários do Estado muito acima dos privados

Diferencial entre o salário médio da Administração Pública e o salário do sector privado aumentou de 50 para 75%

Professores: os mais bem pagos

1.500 em mobilidade especial

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in Agêncja Financeira 2007,07.16

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As contradições de José Saramago - A falsa democracia e o apoio ao PS na Câmara Municipal de Lisboa

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Falsa democracia

PCP - Sobre as propostas de Alberto João Jardim e do PSD-Madeira contra a liberdade e a democracia



Quinta, 16 Julho 2009

PCPO PCP considera que as propostas de Alberto João Jardim e do PSD-Madeira têm concepções de carácter insultuoso, anti-democrático e fascista, constituem um ataque à democracia e uma ofensa a todos os democratas e são próprias de alguém que está mais próximo dos ideais e da prática do regime fascista do que do regime democrático.

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Repetindo propostas que haviam feito noutros processos de revisão constitucional e que não mereceram qualquer consideração, Alberto João Jardim e o PSD-Madeira, apesar de terem habituado o país a todo o tipo de disparates e provocações, insistem novamente em concepções de carácter insultuoso, anti-democrático e fascista que merecem do PCP seguinte comentário:
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Esta proposta, visando a ilegalização do ideal comunista, é um ataque à democracia e uma ofensa a todos os democratas e é própria de alguém que está mais próximo dos ideais e da prática do regime fascista, das suas concepções anti-democráticas e que ao longo de 48 anos lançou mão a todo o tipo de argumentos e práticas políticas para impedir e reprimir a intervenção do PCP, do que do actual regime democrático.
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A equiparação do ideal comunista ao fascismo constitui um insulto para todos os comunistas que durante décadas se bateram pela liberdade e pela democracia em Portugal, sofrendo na pele as mais graves privações e a mais violenta repressão, alguns dos quais pagando com a sua própria vida, para que o nosso país se libertasse das amarras do fascismo e o Povo português vivesse hoje em liberdade.
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Estas concepções traduzem uma atitude daqueles que, agindo em nome dos interesses dos grupos económicos e financeiros, estão apostados num ainda mais profundo ataque aos interesses dos trabalhadores e do Povo português e sabem que é no PCP que reside a força política que se opõe a esses desígnios e que ao mesmo tempo protagoniza o projecto de ruptura e mudança para uma vida melhor de que Portugal precisa.
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Estas concepções são também inseparáveis do receio que Alberto João Jardim e o PSD- Madeira revelam da crescente afirmação e crescimento político e eleitoral do PCP e da CDU, nomeadamente na Região Autónoma da Madeira, e do seu papel na denúncia das injustiças sociais, da pobreza, da corrupção que têm sido desenvolvidas pela política de direita seja na Madeira, seja no resto do país.
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A Constituição da República Portuguesa, pelo seu conteúdo e projecto, pela sua ligação aos valores de Abril, constitui um poderoso instrumento na defesa da liberdade e da democracia, da justiça social e progresso, e por isso mesmo, se alguém está hoje distante da Constituição é Alberto João Jardim e o PSD-M.
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O PCP continuará, com toda a confiança, a intensificar a sua acção e luta por uma mudança de políticas, por um país mais justo e mais democrático.
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16.7.2009
O Gabinete de Imprensa do PCP
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Jardim quer proibir o comunismo

Constituição

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por LÍLIA BERNARDES,Ontem

Jardim quer proibir o comunismo

O PSD/Madeira quer a extinção do representante da República e propõe a criação da figura do presidente da região como poder de veto

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É uma autêntica revolução a proposta de lei de revisão constitucional do PSD/Madeira, documento autónomo que será defendido por Alberto João Jardim na sessão do Parlamento Regional do próximo dia 22, e que o líder regional espera que venha a ter a concordância e apoio de Manuela Ferreira Leite. A presidente do PSD estará presente na festa do Chão da Lagoa, marcada para 27.

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O PSD/M exige que a referência a regiões autónomas no texto constitucional se faça em maiúsculas, que a expressão Estado Unitário seja substituída por Estrutura do Estado. Os sociais-democratas madeirenses pretendem que haja um esclarecimento de que, em matéria de regimes políticos, "a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional em vigor, como igualmente de esquerda, caso do comunismo", refere o documento a que o DN teve acesso.

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Na exposição de motivos, o PSD advoga que "chegou a hora de se fazer uma reavaliação global" do funcionamento do sistema político-constitucional em relação às Regiões Autónomas e, em particular, à Madeira. Daí defender-se uma "radical mutação nas disposições constitucionais de concretização dos poderes regionais".

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De acordo com o documento a que o DN teve acesso, o PSD/M propõe a extinção do "vigilante oficial", representante da República; a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas regionais; a existência de partidos regionais; a possibilidade de as assembleias legislativas regionais, deputados e grupos parlamentares, bem como grupos de cidadãos eleitores, e o próprio presidente da Região Autónoma - nova figura proposta pelo PSD - poderem convocar referendos regionais sobre matérias de interesse regional que devam ser decididas pelos órgãos do Estado ou das Regiões Autónomas. Tudo isto "sem interferência de órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania".

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Na constituição actualmente em vigor, só o Presidente da República pode convocar referendos nas ilhas.

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O texto apresenta mais de 30 alterações, entre elas a reconfiguração dos órgãos de Governo Regional, surgindo, deste modo, o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional com poderes de promulgação e veto dos diplomas regionais, entre outras. O PSD pretende, ainda, o reforço da superioridade dos estatutos político-administrativos, "verdadeiras constituições regionais em relação aos demais actos legislativos ordinários, do Estado ou das Regiões Autónomas", refere.

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in Diário de Notícias

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Quinta-feira, Julho 16, 2009

"Recuperação sustentada não deverá começar antes de 2011"

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"Recuperação sustentada não deverá começar antes de 2011"

15 Jul O Banco de Portugal prevê que a economia portuguesa registe uma contracção de 3,5% este ano e que continue em recessão no próximo ano, sendo que uma recuperação sustentada não deverá começar antes de 2011 , disse hoje Vítor Constâncio, apesar de assinalar que, em 2009, terão parado as revisões em baixa .

15 Jul "Consequências adicionais no desemprego ainda estão para vir"...

15 Jul Regresso de problemas nas finanças públicas era "inescapável"...

15 Jul Rendimento das famílias abranda crescimento este ano e cai em 2010...

15 Jul Portugueses aumentam poupança de forma "expressiva" este ano...

15 Jul Emprego em Portugal vai recuar 2,6% este ano e 1,5% em 2010...

15 Jul Inflação em Portugal negativa em 0,5% este ano ...

15 Jul Investimento e consumo na origem da revisão em baixa do crescimento...

15 Jul Portugal continua a destruir riqueza em 2010 e cai 0,6%...

15 Jul Desigualdade entre ricos e pobres baixou em Portugal ...

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in Jornal de Negócios - 2009.07.15
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A poupança e o dia depois da crise

A poupança e o dia depois da crise

Posted: 16 Jul 2009 04:41 AM PDT

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“(…) Para quem tenha o seu emprego ameaçado ou já perdido, os equilíbrios que a economia portuguesa precisa de recuperar a médio e longo prazo terão muito pouco significado. Mas as projecções que traçam um futuro próximo cheio de dificuldades, também revelam que o comportamento das famílias perante a crise pode ser a base de partida para um “modelo” de crescimento diferente daquele que condenou o país a uma década de taxas de crescimento frustrantes e de afastamento do rendimento médio dos parceiros europeus.

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O endividamento acumulado pela economia portuguesa representa já um valor mais elevado do que o do rendimento gerado anualmente. Em parte, trata-se da consequência inevitável do recurso ao crédito para satisfazer a necessidade básica de habitação, mas também para realizar sonhos de consumo dirigidos a bens e serviços importados. Uma forte queda nas importações, tal como está prevista, reflecte um abrandamento no ritmo de contracção de nova dívida, muitas vezes contratada junto de entidades externas. A “desalavancagem” da economia nacional está em curso e recomenda-se.

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Poupar mais e recorrer menos a empréstimos pode quebrar as ilusões de melhoria do padrão de vida. Mas tem a vantagem de recuperar realismo nas expectativas.

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Editorial de João Candido Silva, hoje no Jornal de Negócios.

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Author: W. T. Whitney Jr.
People's Weekly World Newspaper, 06/16/09 22:41


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Dr. Bernard Lown’s work, both political and medical, has been dedicated to peace. He developed the cardiac defibrillator to restart arrested hearts and invented cardio-version to fix cardiac rhythm disturbances. To help prevent nuclear war ― and death and destruction ― he co-founded International Physicians for the Prevention of Nuclear war, and earned a Nobel Peace Price in 1985. In all of this, Lown’s aim has been to stave off death and sickness.
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At ceremonies in Maine last year, a bridge over the Androscoggin River joining Lewiston and Auburn cities was renamed the “Bernard Lown Peace Bridge.” Lown attended Lewiston High School after emigrating from Lithuania with his parents at age 13.
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Health care for all preserves life, too. That notion has apparently been part of Lown’s work for peace, at least as indicated by his exchange with Christopher Lydon displayed Jan. 10 on the latter’s radioopensource.org web site. Lown was responding to Lydon’s unplanned interview with three U.S. women attending Cuba’s Latin American School of Medicine. Their comments on health care and medical education appeared on the web site.
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Established in 1998, the Latin American School of Medicine graduates 1,500 new physicians every year. Students come from almost 30 countries for a six-year, no-cost course of medical study preparing them to deliver health care where they are needed, in their own countries.
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“That is one of the things [the Cubans] got right on the nose,” said Keasha Guerrier, “medicine with a community base in training and practice. The people who instituted this program,” she continued, “saw how it works in Cuba … and they compared Cuba’s situation to countries in Central and South America or third world countries, Africa, Haiti. And they saw how they can make a difference. Here, you do a lot with a little bit … What they are trying to teach us is that you don’t have to be confined to working for a paycheck. But using all the things that you know, you can help a broad base of people. In that respect, I think that the intentions are pure.”
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Kereese Gayle grew up in Louisiana and Florida. “We’re here at a very important time in the history of the world,” she said. “We’re getting the type of education that I think people are looking for. More and more people are thinking very seriously about the idea of universal health care, about the idea of rights for everyone to basic access to health care. I think we’re going to be a huge part of that.
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“We learn how to diagnose our patients with our hands, our ears, our eyes more so than with technology ― X-Rays, CT scans ― because you don’t end up doing those kind of really costly labs as often here,” Gayle said. “So we definitely have that as an advantage … We learn how to interview our patients thoroughly and how to do a really thorough physical exam and do it well, and be comfortable with that … Doctors here not only do house visits but they go into homes: they have a form that you fill out to check off what risk factors the person has [in their home].”
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“Here, as someone’s primary physician, you can see not only the physical medical aspects but the psychological medical aspects as well,” she added. “Do you feel tension the minute you walk into the room? Are people in a mentally healthy environment, or do we need to get [them] to a psychologist? There are so many advantages to the system that we can take back and apply to the communities where we live.”
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Akua Brown observed, “The education system here is excellent; there is very little homelessness. Everyone has a right to free health care … up to the most specialized needs. Neurosurgery, open heart surgery, cost nothing to the people. And the fact that a government with so little financial resources is able to do this says that the United States can do so much more … And without the debt that most medical students graduate with, we won’t be afraid to start our own projects and programs without necessarily needing the money to pay back the loans and the things hanging over our heads.”
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Commenting to Lydon on the students’ ideas and experiences, Lown e-mailed, “I have been to Cuba six times and learned much about doctoring in Cuba. Their thinking on social determinants of health, on the primacy of public health and the vital role of prevention strategies are unmatched in the world. With spending of less than $200 per person per year for health care, they have achieved health outcomes no different than in the USA where expenditures now exceed $7,000 per person annually!”
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“These young articulate women got the essence, Lown continued. “If impoverished Cuba can provide first-class health care for its people so can other developing countries. Perhaps it is even possible for rich USA, if only it ceases viewing medicine as a marketable commodity.”
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Lown was impressed with “how much hidden talent and bursting idealism exists in this country. It was a mere accident that Keesha Guerrier, Kereese Gayle and Akua Brown discovered the possibility of gaining a medical education without burdensome expense.
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“For me very striking was the difference between fourth-year American med students and the Black women you interviewed. By the time students here reach the end of med school, their idealism is largely tarnished. This is shown in a concrete way. Nearly none wish to enter primary care. The preferred choices are dermatology, ophthalmology, orthopedic surgery and cardiology. These are astronomic money-making specialties. For example, in cardiology the starting salary is about $400,000 annually.
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“It would be interesting to repeat the interview after these young doctors return to the USA. How do they uphold their intense idealism against the tsunami force buffeting of market medicine?
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The principles and purposes of health care outlined by Lown and the medical students gain special relevance during the current struggle over health care change in the United States. They are suggesting that health care as a human right will never be realized under health care systems mediated through profiteers.
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When resources are divided between people needing care and the unbridled demands of wheelers and dealers, the outcome is clear. The poor and unfortunate will be abandoned, or left to the mercies of second-class modes of care, short on funding and long on patronizing attitudes.
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Where resources and services are allotted strictly according to people’s needs, as in Cuba, provider loyalties are undivided, their principles preserved, and an arena of peace created.
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atwhit@roadrunner.com
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Honduras - A coup is a coup is a coup is a coup

COMMENTARY

>Archive - Daily Online

Author: Emile Schepers
People's Weekly World Newspaper, 07/07/09 21:16


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The pre-Neanderthal characters who have taken control, at gunpoint, of the government of Honduras are telling us that this was not a coup d’etat, but an orderly legal proceeding against a president who had violated the constitution: A normal constitutional succession, as they are telling us.
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This is nonsense. It was a coup, as indicated by the following and many other things.
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The removal of Zelaya by a squad of troops and his expulsion from his country is the way coups are done in Latin America, not the way elected officials are normally removed for malfeasance.
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The arrest of members of Zelaya’s cabinet, without any kind of due process or legal bill of particulars, and effectuated by the military also, shows that this is a coup.
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Likewise, the arrest and harassment of pro-Zelaya labor, community and political figures is something that is done in military coups, not in “constitutional successions”.
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The physical attack against the ambassadors of Nicaragua, Cuba and Venezuela, who were trying to protect the foreign minister from injury, shows that this is a coup.
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The closing down of all media that supported Zelaya or just reported the news accurately, via military squads bashing down the doors of their offices, are hallmarks of a coup.
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The removal of elected officials in smaller cities and towns around their country, and their replacement by military officers, is something that would only happen in a coup.
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The actions of the military in going through towns and villages to grab military age men and force them into the army, is something that no democratic government would do, and is another hallmark of a coup.
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The act of the military firing on a crowd of tens of thousands of extremely peaceful and disciplined demonstrators, resulting in the death of several people, is behavior typical of regimes installed by coups.
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Every time there was a military coup d’etat in Latin America in the past century, the army brass would always find some judges, senators and other civilian politicians to invent some pseudo-legalistic claptrap to give it the appearance of legality. Many of the worst dictators in Latin American history ran their countries from behind the façade of a civilian leadership.
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We are not fooled. The world is not fooled.

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WORLDNOTES Equatorial Guinea, Australia, Afghanistan, UN, Guyana, Cuba

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Author: W. T. Whitney Jr.
People's Weekly World Newspaper, 07/16/09 16:31



A child carries bottles of drinking water up a street in Malabo, capital of Equitorial Guinea. AP photo.
Equatorial Guinea: Corporations, banks back corruption
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Oil money has been diverted to the ruling few while people languish “in poverty worse than in Afghanistan or Chad,” according to a Human Rights Watch report issued last week. The account by Inter Press Service cites a 5,000 percent rise in Equatorial Guinea’s GDP in almost 20 years.
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A Global Witness report released in March featured the Teodoro Obiang regime, in power since 1979, as typifying collusion between a repressive government and international banks leading to billions stolen and disregard of problems like skyrocketing child mortality rates. Investments from U.S.-based oil companies have allowed the country to become sub-Saharan Africa’s fourth-largest oil producer.
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Human Rights Watch called upon the Obama administration to reverse Bush’s support of the country’s regime.
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Australia: Labor protests anti-worker discrimination
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“It is time for a national debate about a new deal for job security,” declared Sharan Burrow, Australian Council of Trade Unions president. She was protesting a minimum wage freeze imposed last week by the Fair Pay Commission affecting 1.3 million workers, and the loss of 22,000 jobs during June. With their “windfall,” Burrow declared, “Employers have no more excuses not to pull out all stops to protect jobs.”
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Unemployment presently is 5.8 percent. The ACTU head called for reduced executive salaries and brakes on overseas export of jobs.
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Ironically, new industrial relations laws taking effect July 1 represent “an historic step forward for the rights of working Australians and their families,” the ACTU web site said.

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Afghanistan: U.S. military contractors take root
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The U.S. military buildup in Afghanistan signals opportunity for DynCorp and Fluor corporations. Awarded contracts totaling $15 billion over five years, the giant enterprises will build military structures and bases there and undertake power, water, housing, logistic and administrative projects.
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Texas-based Fluor Corporation will carry out work at 74 bases in northern Afghanistan, while DynCorp will operate throughout southern Afghanistan.
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The Defense Department rejected bids from Halliburton subsidiary KBR, recipient of contracts worth $31.4 billion from 2001-2009. Reuters recalled that a Congressional commission found that KBR had wasted billions because of “poorly defined work orders, inadequate oversight and inefficiencies” marking construction projects in Iraq and Afghanistan.

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United Nations: Ban speaks out on climate change
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UN Secretary-General Ban Ki-moon scolded Group of Eight heads of state last week for waffling on commitments to reduce greenhouse gases, 80 percent of which are produced by their nations.
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“The time for delays and half-measures is over,” Ban declared at the L’Aquila summit. “Personal leadership” was needed in dealing with “one of the most serious challenges ever to confront humanity.”
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The goal of reduced emissions by 2050 lacked credibility, he suggested, unless short-term goals are set, specifically 25-40 percent reductions from 1990 levels by 2020. The UN News Service reported that in September Ban will convene a climate-change summit in New York in preparation for December talks in Copenhagen aimed at a new climate treaty.

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Guyana: U.S. military visits
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The U.S. Southern Command has billed the three-month deployment of 650 troops to Guyana beginning July 1 as humanitarian. They will build schools and a medical clinic, according to www.southcom.mil, as well as providing medical care. The soldiers started off with a visit to an orphanage.
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The project mirrors last year’s visit to Peru of 950 active duty troops and reservists whose supposed humanitarian outreach provoked nationalist-inspired condemnation of violations of national sovereignty.
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No benevolent purposes were evident in arrangements currently under discussion for opening up three Colombian air bases and two naval bases to U.S. forces. An agreement is close, Bogotá’s Cambio newsweekly recently reported. Last year, the U.S. Fourth Fleet included Guyana on its unprecedented continent-wide tour.

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Cuba: Good living at low ecological cost
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Issuing its annual Index of Planet Happiness July 4, the London-based New Economics Foundation (NEF) awarded Cuba seventh place among 143 nations surveyed. Societies were assayed in terms of life expectancy, citizen satisfaction and ecological impact.
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Costa Rico ranked first in proving, according to the NEF web site, that “good lives don't have to cost the earth.”
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The top 10 included nine Latin American nations. The United States was assigned 114th place.
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Analyst Pascual Serrano explained the contradiction between Cubans emigrating to the United States and expressing satisfaction with their lives (see rebelion.org). Prior to the revolution, migration north was considerable, he said. And the United States receives more immigrants from Mexico, El Salvador, Jamaica and Canada than from Cuba.
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World Notes are compiled by W.T. Whitney Jr. (atwhit @roadrunner.com)

Steelworker head hails House health reform bill








>Archive - Daily Online

Author: USW
People's Weekly World Newspaper, 07/16/09 10:02



PITTSBURGH -- Leo W. Gerard, president of the United Steelworkers (USW), issued the following statement July 15 in response to the U.S. House of Representatives’ health care reform bill:
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“Members of the United Steelworkers (USW) and their families are appreciative of efforts by the U.S. House leadership to fix our broken health care system by introducing ‘America’s Affordable Health Choices Act’ (HR 3200). The legislation meets President Obama’s goals to control runaway health care costs, offering all Americans real choices for expanded access to quality health care.
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“It creates a high quality public health insurance plan option that will bring real competition for private insurance from day one. It calls on corporations to pay their fair share and will no longer permit free riders to off-load their health care costs onto the national system. The House bill introduces much-needed insurance market reforms so that pre-existing conditions will be covered and discriminatory practices will no longer be tolerated.
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“We are especially pleased this bill provides for a temporary reinsurance program for pre-Medicare retirees ages 55-64 that will help employers continue to provide coverage, as health care costs have skyrocketed for this vulnerable population.
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“Health care reform must be acted on by Congress before they go home for their August recess. USW members will be sure to echo the urgent message that health care reform cannot wait.
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“Today I’ve transmitted a USW letter to the each of the three congressional chairs of the committees that worked on this historic bill to provide unqualified praise for working together to make good on the promise of providing quality health care accessible and affordable to all Americans.
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“The House Tri-Committee bill deserves our recognition. The Energy and Commerce; House Ways and Means; and Education and Labor Committees have together produced landmark reform. Chairmen Henry Waxman, Charles Rangel and George Miller know they can count on Steelworkers to vigorously fight attempts to weaken this bill in the remaining legislative days.”

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Algumas diferenças entre as candidaturas de Jorge Sampaio e António Costa

Francisco LouçãAntónio Costa apresentou a 13 de Julho a sua candidatura à Câmara de Lisboa, aliás já muitas vezes anunciada e confirmada. No mesmo dia, um grupo de defensores de um apelo para a "convergência das esquerdas", com forte protagonismo da Renovação Comunista, declarou que o apoiaria, como se esperava (embora os signatários do apelo sempre tivessem jurado recusar tal possibilidade, que agora se concretizou). José Saramago juntou-se aos apoiantes de Costa. E a sua candidatura fez publicar na imprensa uma história fantasiosa acerca de tentativas antigas e novas de acordo com o PCP e com o BE.
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Vale por isso a pena discutir porque é que a configuração da disputa em Lisboa é como é. E uma das razões mais evidentes está na diferença entre as candidaturas de António Costa, que separa, e a de Jorge Sampaio, que uniu.

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Quando Jorge Sampaio se candidatou a Lisboa, há vinte anos, era o dirigente de um partido de oposição. Não representava o poder político, nem apoiava o Código do Trabalho, nem tinha colaborado com a perseguição à escola pública, nem tinha fechado os olhos perante o corte ao subsídio de desemprego. Ajudava a mobilização contra a maioria absoluta de Cavaco Silva. António Costa em 2009 é o contrário de Jorge Sampaio em 1989.

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Quando Jorge Sampaio se candidatou a Lisboa, fez um esforço para juntar pessoas mobilizadas por um programa concreto para tirar a cidade da letargia. Arquitectos, urbanistas, activistas sociais e diversas opiniões políticas juntaram-se durante largos meses para pensar ideias, para definir propostas, para mostrar e aprofundar essa alternativa. Não fez um apelo a um arranjo eleitoral sem ideias, a três semanas do prazo de apresentar as candidaturas. Era um acto de coragem e ousadia, não era um acto de desespero.

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Quando Jorge Sampaio se candidatou a Lisboa, fez um cuidado trabalho de aproximação entre diferentes partidos. Não foi para um Congresso do PS insultar outro partido, chamando-lhe "parasita". Com parasitas não se fazem coligações.

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Quando Jorge Sampaio se candidatou a Lisboa, juntou o melhor da cidade para as melhores ideias e para a maior transparência. Não criou uma lista para ter que se envergonhar com a investigação judicial à concessão sem concurso do terminal de contentores de Alcântara à empresa de um amigo do governo e do partido.

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Mas, acima de tudo, o problema da actual maioria da Câmara é que não fez. Não lançou o debate do PDM. Não aplicou a prometida regra dos 25% de construção a custos controlados nas novas urbanizações. Não defendeu a frente ribeirinha. Não pôs um travão à especulação. Não interveio na política de habitação. Não reestruturou os transportes e deixou-se afastar do Metropolitano. Não defendeu o espaço público e antes introduziu o aluguer de praças e avenidas a marcas e a empresas. Calou e consentiu. O problema desta maioria é que falhou.

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Por isso, é por causa de Lisboa, de um programa para Lisboa, de uma política para Lisboa, que é necessária uma alternativa. E essa alternativa é a candidatura do Bloco de Esquerda, com Luis Fazenda. É tempo de termos uma esquerda de confiança na Câmara.

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Bem sei que, no desespero do fracasso, há sempre quem exija votos com o argumento triste: se estás em desacordo com o que o PS fez, vota no PS para continuar a fazer o que te desagrada, porque o PSD é igual. Há quem não consiga conceber o mundo sem ser sob a batuta do PS ou do PSD. Há quem pense que, no dia em que o PS e o PSD deixarem de ser os partidos maioritários, o trigo cresce para dentro do chão e o sol se recusa a levantar cada manhã. Desejo as maiores felicidades a estes apoiantes do bloco central, porque a vida não está fácil para eles.

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in Esquerda Net

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Quase 20% dos portugueses em risco de pobreza

Pobreza

Quase 20% dos portugueses em risco de pobreza

Dados de 2008, feitos a partir de rendimentos do ano anterior e prévios ao acentuar da crise, dão conta de menos desigualdades

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Soluções contra a pobreza

Crise traz «inevitáveis riscos»


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in Agência Financeira - 2009,07.16
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INE: Idosos são quem vive em piores condições

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José Rebelo A taxa de pobreza na população idosa, embora tenha descido, continua a ser das mais elevadas
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A taxa de pobreza na população idosa, embora tenha descido, continua a ser das mais elevadas
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Sandra Rodrigues dos Santos
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2 milhões vivem com 406 €/mês

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São 1,8 milhões os portugueses (18 por cento da população) que vivem com um rendimento mensal inferior a 406 euros, ou seja, que estão à beira da pobreza, de acordo com os dados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2007 ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística. Os mais afectados são os idosos e as crianças.
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Entre a população com mais de 65 anos, a taxa de pobreza atinge os 22 por cento, o que, apesar de ser um número elevado, representa uma descida face aos dados do ano anterior. Em 2006, a taxa de pobreza entre os idosos atingia os 26 por cento.

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O risco de pobreza regista valores muito elevados, uma taxa de 39 por cento, entre as famílias constituídas por um adulto e, pelo menos, uma criança dependente. Já as famílias ditas tradicionais, dois adultos e uma ou mais crianças, têm uma taxa de 32 por cento.

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O INE revela ainda que em 2007 o risco de pobreza se agravou para a população em situação de desemprego, com 35 por cento em comparação com 32 por cento do ano anterior.

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Os dados estatísticos demonstram ainda que, sem o efeito das medidas de ajuda social do Estado, aos 18 por cento da taxa de pobreza poderia juntar-se aproximadamente mais seis pontos percentuais.

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O inquérito realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal revela também que o rendimento dos 20 por cento da população com maior riqueza é 6,1 vezes superior ao dos 20 por cento com menor rendimento. Em 2006, este indicador chegava às 6,5 vezes, o que representa a maior queda desde que há registo.

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MINISTRO ADMITE RISCOS DA CRISE

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O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, admitiu ontem que a crise económica traz 'inevitáveis riscos' sobre o nível de pobreza em Portugal, mas garantiu que as medidas do Governo são suficientes para 'contrabalançar' esses perigos.

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'Há ainda um instrumento muito importante que não produziu efeitos, que é a elevação do salário mínimo nacional, que cresceu a partir de 2007 a taxas bem superiores às taxas dos salários médios em 2008e 2009', sustentou o ministro.

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DADOS 'ECONOMICISTAS'

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O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) classificou os números do INE como 'puramente economicistas'. Em entrevista à agência Lusa, Manuel Lemos afirmou que 'mesmo quando as pessoas, por algum subsídio que o Estado deu, receberam mais dinheiro, esse dinheiro, de uma maneira geral, não representa nenhuma melhoria para a sua qualidade de vida'. Outra reacção aos dados do INE chegou do CDS-PP, com Paulo Portas a responsabilizar o actual Governo pela estagnação da pobreza em Portugal.

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APONTAMENTOS

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POBRES

Segundo o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em 2008 existiam em Portugal 394 mil idosos em situação de pobreza, menos 124 mil do que três anos antes.

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RENDIMENTO

O rendimento que delimita a situação de pobreza está actualmente nos 4878 euros anuais,ou seja, 406,5 euros mensais, segundo dados do Ministério do Trabalho.

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SEM CRIANÇAS

Os agregados familiares compostos por três ou mais adultos sem crianças a cargo registaram, em 2007, uma taxa de pobreza de sete por cento.

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MULHERES

As mulheres apresentam um risco de pobreza superior ao dos homens, com a respectiva taxa a fixar-se nos 19 por cento.

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in Correio da Manhã - 16 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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16 Julho 2009 - 17h13 | Carlos Tuga
(DES)GOVERNANTES DO MEU PAIS, TENHAM VERGONHA NA CARA!!!Reino Unido.
16 Julho 2009 - 15h47 | mimica
Existe gente nova a receber subsidio de reincersão social superior à pensão do meu irmão. Obriguem-nos a trabalha.
16 Julho 2009 - 15h42 | mimica
O meu irmão vive miseravelmete com 225,00€ de pensão reforma c/37 anos serviço e 56 de idade.É a maior vergionha.
16 Julho 2009 - 14h55 | R. Ribeiro
As pessoas que o estado diz que apoia com o Rendimento Social de insserção apenas recebe "187.18". Não se vive.santarem
16 Julho 2009 - 14h32 | erene ruivo
devemos é pedir todos os 400€ pra aqueles que descontaram pl menos 30 anos e recebem só metade..assim seria mais justo..
16 Julho 2009 - 14h09 | valdevinos
Até aposto em como a maioria destes desgraçados votou PS.Continuem!!!
16 Julho 2009 - 14h01 | virginia horta
Tretas!Muitos terão isso legalment,mas clandestinamente tem ganhos 10xmais.Os que tb por conta de outros é que se tramam
16 Julho 2009 - 12h27 | "Atento"
Eu pergunto?Será q são 2milhões?Menos 406€/mês?Pra mim desde q o socretino está no poder são bastantes+!Vota "PS"socas!!
16 Julho 2009 - 12h09 | Marco Vitorino
Como o estimado Presidente da República diz : Temos que produzir mais.Mas não explicou como motivar o povo. Minas Gerais
16 Julho 2009 - 12h06 | Carlos Massapina
A redução da taxa da pobreza é directamente proporcional ao aumento do numero de óbitos... dos mais idosos!
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16 Julho 2009 - 11h55 | Maria Teresa
E há quem viva com menos! Minha mãe tem reforma de 290€.
16 Julho 2009 - 11h48 | P. Dias
O Sócrates vem desmentir, a % dele é outra. Que vergonha uns com tanto e outros com quase nada.Saibam dar a resposta.
16 Julho 2009 - 11h12 | helder
E porque votam neles ? Com o mal desta gente vive bem o poder plolitico
16 Julho 2009 - 10h21 | lmmm
Devia os governantes viver com 400 €!
16 Julho 2009 - 10h02 | joao vieira
Sigam o exemplo da mae do socrates,que vive lindamente com... 250€ / mês, seus malandrecos ! E, votem nele ou na Nélita.
16 Julho 2009 - 10h00 | Zé Cardoso
Se vivessem com 406€ ainda não seria tão mau. O pior é que vivem com menos de 406€, assim é que é correcta a notícia!
16 Julho 2009 - 09h53 | MARIA DE S. DOMINGOS
MAS TEMOS UM LIDER(?) DOS MAIS BEM VESTIDOS DO MUNDO...NÃO PODEMOS TER TUDO, NÃO É VERDADE ? ? ?
16 Julho 2009 - 09h50 | Paulo Brito
Gostava de saber se estes 2 milhões andam distraídos e vão votar nos mesmos do costume...
16 Julho 2009 - 09h49 | IRRA
Obrigado pela justiça social PS. Obrigado por enriqueceres mais os ricos e acabares com a classe média PS.
16 Julho 2009 - 09h09 | Méquié?
Pois desceu a taxa de pobreza,eles continuam a falecer,é normal não?
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mais comentários »
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50 400 ricos têm 9,1 mil milhões


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Mário Cruz, Lusa O ministro Teixeira dos Santos alterou as regras dos CA em 2008
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O ministro Teixeira dos Santos alterou as regras dos CA em 2008

Certificados: Relatório do IGCP revela concentração da riqueza


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* António Sérgio Azenha

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Metade da poupança aplicada em Certificados de Aforro, um dos produtos financeiros preferidos dos portugueses, está concentrada em apenas 50 400 pessoas. Em cerca de 720 mil aforradores, um pequeno núcleo de sete por cento conta com uma poupança total de quase 9,1 mil milhões de euros. E este montante está distribuído por investidores com carteiras de valor superior a 100 mil euros.
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O relatório e contas do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) de 2008, a que o CM teve acesso, é categórico quanto à concentração da riqueza em Portugal: 'Quando analisada a distribuição do saldo de CA por escalões de valor das contas, verificava-se um elevado grau de concentração do stock, já que, por exemplo, 50 por cento do montante global era detido por apenas sete por cento do número total de aforradores, sendo que o peso das contas de maior dimensão tinha vindo a aumentar ao longo do tempo.'

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A análise do IGCP remonta a Janeiro de 2008, quando cerca de 720 mil aforradores tinham aplicado em CA quase 18,2 mil milhões de euros. Com a alteração das regras dos CA, introduzidas pelo Governo nessa altura, 'a sua atractividade ‘excessiva’ foi eliminada', diz o relatório.

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Por isso, mais de metade dos resgates são CA com menos de quatro anos de vida, até porque os CA mais antigos, que são a maioria, mantêm uma taxa de juro mais alta do que os depósitos a prazo (ver Saiba Mais e Quadro). No final de 2007, quando a Euribor a seis meses era de 4,71 por cento, a taxa de juro média nos CA mais antigos era de 5,32 por cento.

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ESTADO RETÉM 100 MILHÕES EM JUROS

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A alteração do cálculo da taxa de juro e do prémio de permanência dos CA permitiu ao Estado poupar, em 2008, 100 milhões de euros em juros.

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Com esta mudança, a série C ficou com taxas de juro baixas. E os aforradores, sobretudo os que tinha CA com menos de dois anos, transferiram as poupanças para os depósitos a prazo na Banca, onde as taxas são mais atractivas.

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SAIBA MAIS

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FUNDAÇÃO

Os CA foram criados a 30 de Dezembro de 1960 por Salazar. São um produto financeiro para a pequena poupança das famílias.

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2,63%

é a taxa de juro nos CA da série A, subscrita de 1960 a 1986. A série B, subscrita entre aquele ano e Janeiro de 2008, tem uma taxa de 1,48%. O prémio de permanência está incluído.

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1,29%

é a taxa de juro dos CA em Julho, devido à queda da Euribor a três meses, que serve de referência para o seu cálculo. Esta é a taxa mais baixa de sempre nos CA.

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LIMITE MÁXIMO

Em Janeiro de 2008, o Governo reduziu o limite máximo do investimento em CA de 250 mil para 100 mil euros. Mas, em Março deste ano, repôs o máximo de 250 mil euros.

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DEPÓSITOS MAIS RENTÁVEIS

INSTITUIÇÃO

CONTA A 12 MESES

MONTANTE MÍNIMO

TAXA ANUAL LÍQUIDA

Banco Popular

Depósito Ouro Plus 12 Meses

300 euros

2,7%

Banif

Poupança Banif

250 euros

2,3%

Banco BPI

DP BPI Net

250.000 euros

2,1%

BPN

DP Interactivo

500 euros

1,9%

Caja Duero

DP Taxa Crescente 12 Meses

6.000 euros

1,7%

CGD

Especial 1 Ano

10.000 euros

1,5%

Banco Big

Depósito a Prazo

500 euros

1,4%

BES

BES Net Super Rendimento

500 euros

1,4%

Millenium BCP

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500 euros

1,4%


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in Correio da Manhã -
28 Junho 2009 - 02h00
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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28 Junho 2009 - 23h52 | fernando camacho
Em boa hora depositei lá os meus 50 mil cêntimos. Estou com um lucro elevadíssimo.O Belmiro se se descuida.
28 Junho 2009 - 22h55 | Vimdaprovincia
Quem não sabe que em muitos Países da Europa facilmente se ganha 100 Mil euros é porque vive numa ditadura económica.
28 Junho 2009 - 20h37 | Joao Almeida
É a consequencia da mania já doentia da politica do salário baixo para muitos e muito alto para alguns,resolveu odéfice?
28 Junho 2009 - 19h00 | Joecovilha
Então com 100.000 euros de poupança ja´duma vida já se é rico? No Luxemburgo é uma poupança normal dum trabalhador.. Joe
28 Junho 2009 - 18h14 | João Amil
100.000 euros bem poderão ser o resultado das poupanças de 1 casal reformado que optou por um estilo de vida económico.
28 Junho 2009 - 17h59 | Pereira Marques
A verdade é bem diferente do anúnciado... actualmente estamos a ser expoliados .
28 Junho 2009 - 17h58 | Pereira Marques
A verdade é bem diferente do anúnciado... actualmente estamos a ser expoliados .
28 Junho 2009 - 17h06 | amarraburra
...cont. Depois dos "roubos" a q estes ricos têm sido sujeitos pelo Estado, fomenta-se o despesismo,e o abismo
28 Junho 2009 - 17h03 | amarraburra
...cont. Depois dos "roubos" a q estes ricos têm sido sujeitos pelo Estado, fomenta-se o despesismo,e o abismo
28 Junho 2009 - 16h02 | Manuel dos Santosm
Q bem se aforram os PIRATAS e em breve mais uma festa d pirateria(campanha eleitoral)durante um mês.SOMALIA?
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28 Junho 2009 - 15h54 | Francisco-Maia
Não sei em que país da europa se ganha 100mil euros em meio ano.Só se se tirar a mão da frente ou de trás.
28 Junho 2009 - 14h00 | José Manuel Ventura - Póvoa Sta. Iria
9,1 mil milhões divide por 50.400 e dá 180.555. 180.555 divide por 25 anos dá 7.022. Muito se tem roubado neste País!
28 Junho 2009 - 13h40 | H.M.
almoçar fora nem ia tomar o p.almoço ao café se não lá se ia o lucro, mas hoj isto só para os ricos,pq os pobres n conse
28 Junho 2009 - 13h37 | H.M.
Neste momento n sou aforrista, mas posso dizer que foi com estas poupanças q eu consegui juntar alguma coisa, só q n ia
28 Junho 2009 - 13h19 | Vimdaprovincia
Num País civilizado da Europa 100 Mil euros ganha-se em meio ano, em Portugal numa vida e chamam-lhes ricos...(tristes).
28 Junho 2009 - 12h59 | Ana
Sr. Ministro é de louvar que as pessoas poupem ou não ? .Os certificados de aforro com o tempo duplicam o valor
28 Junho 2009 - 12h10 | Paulo Cruz
podia haver mais gente feliz se estes certificados tivessem melhores condições, quem tem pouco pouco vê de proveitos!
28 Junho 2009 - 11h55 | carlos costa
Gostei muito deste artigo de 1ª página.
28 Junho 2009 - 11h55 | Monge
Esses são os que pouparam. 100 mil euros e reforma de 500 é ser rico?Rico é ter reforma de mais de 2 mil e nada no banco
28 Junho 2009 - 10h42 | nevespinto
COMO FOI ADQUIRIDA TANTA RIQUEZA?CLARO QUE A EXPLORAR OS MILHÕES QUE FALTAM...AFINAL ONDE ESTÁ A CRISE?SAIBAM "SEMEAR"$
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ver
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PARLAMENTO EUROPEU

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Com efeito, segundo a ONU, há 2 700 milhões de pobres no mundo (dos quais 1 300 milhões vivem com menos de 1 dólar por dia). Ficarão, portanto, sempre 1 400 ...
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Ultimato: Administração impõe cortes salariais no ... «Público»

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Diogo Pinto Trabalhadores do jornal dirigido por José Manuel Fernandes têm de assinar uma alteração aos seus contratos de trabalho, sob pena de ser accionado o despedimento colectivo
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Márcia Bajouco

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Trabalhadores do jornal dirigido por José Manuel Fernandes têm de assinar uma alteração aos seus contratos de trabalho, sob pena de ser accionado o despedimento colectivo

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‘Público’ ameaça trabalhadores

Os trabalhadores do ‘Público’ têm até sexta-feira, ao meio--dia, para aceitar a redução salarial imposta pela administração. Caso não cheguem a acordo, segunda-feira serão confrontados com um despedimento colectivo, que deverá rondar as 20 pessoas.
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A administração do jornal de Belmiro de Azevedo enviou, ontem, um e-mail à Redacção, onde se pode ler que a proposta de redução salarial, a ser adjudicada por 90% dos funcionários, teria de estar assinada até ao final do dia, contou ao CM fonte do jornal. Mais tarde, enviou outro "a alargar o prazo até sexta-feira e a ameaçar com um despedimento colectivo na segunda-feira", acrescenta a fonte.

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A proposta da administração assenta na "alteração do contrato de trabalho, prevendo uma redução do horário de trabalho e, consequentemente, salarial (entre três e 12%)". Os trabalhadores decidiram contratar um advogado para os representar. Também o Sindicato de Jornalistas veio já repudiar a situação.

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O CM tentou contactar o director do jornal, José Manuel Fernandes, mas não foi possível por se encontrar de férias, desde ontem.

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in Correio da Manhã -
16 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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16 Julho 2009 - 15h45 | meu país
ta certo o Belmiro poem os tugas a trabalhar mais e reclamarem menos
16 Julho 2009 - 14h27 | chico
Ninguém me consegue explicar q riqueza para o país que o Belmiro cria. Tirando serviços faz o que? Exporta o quê?
16 Julho 2009 - 13h56 | Maria
Quer dizer q a campanha q o Público está a fazer pré eleições ainda ñ rendeu € suficiente p/ pagar os ordenados todos?
16 Julho 2009 - 13h40 | Méquié
POI uma situação q o código de trabalho n permite,mas como é o sr.Belmiro Azedo...xarammm...já dá!Q rico país!!
16 Julho 2009 - 13h39 | adriano meskita
o sr. José M. Fernandes, director do Público, deveria ser a 1ª pessoa a despedir. Sabe tudo menos gerir um jornal!!!!
16 Julho 2009 - 06h21 | henrique moreira
atao o ti Belmiro tambem ja aderiu a crise? piscando o oolho a ajudas do governo? esperto este ti Belmiro.
16 Julho 2009 - 04h48 | BARREIROS
epa nao deviam aceitar esse belmiro ta cheio dele e ele nao esta a perder com o jornal se nao fechava , protestem
16 Julho 2009 - 03h29 | jose ricardo
Capitalistas destes esta o inferno cheio,o mesmo lucro para menos funcionarios,Shame on you dickhead Belmiro
16 Julho 2009 - 03h26 | jose ricardo
Porque e que o Belmiro nao corta os lucros em 12%,ainda tinha lucro.E facil despedir,who cares?
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Diferencial tem-se acentuado nos últimos anos Funcionários públicos recebem mais que privados

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Tiago Sousa Dias

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Um estudo do Banco de Portugal (BdP) concluiu que os funcionários do Estado "auferem um salário mensal" acima dos colegas do sector privado, um diferencial remuneratório que tem aumentado ao longo dos anos.
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'Os trabalhadores do sector público auferem um salário médio mensal claramente acima dos seus congéneres do sector privado, tendo o respectivo diferencial aumentado ao longo do tempo, de cerca de 50 por cento em 1996 par quase 75 por cento em 2005', concluíram Maria Manuel Campos e Manuel Coutinho Pereira, os autores do documento.

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O documento foi elaborado a partir dos recenseamentos da Administração Pública de 1996, 1999 e 2005 e nos quadros de pessoal do sector privado para estes anos e quando compara a remuneração horária, então o diferencial é ainda maior. Este factor é explicado pela menor assimetria e dispersão salarial entre os funcionários públicos e pelo tempo de trabalho mais longo.

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Os dados analisados permitiram também concluir que cerca de 50 por cento dos funcionários do Estado têm formação universitária, enquanto no privado apenas 10 apresentam esse nível de estudos académicos. O estudo, que não inclui dados referentes à reforma da Administração Pública lançada em 2005 pelo actual Governo, refere que os trabalhadores do sector privado acompanharam a tendência de contenção de salários imposta aos funcionários do Estado a partir de 2002.

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Ainda assim, os dois especialistas sublinham que 'os funcionários públicos têm, porém, um ritmo de progressão na carreira mais lento do que os seus congéneres do sector privado, facto que deverá ter um impacto negativo na sua motivação'.

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in Correio da Manhã - 16 Julho 2009 - 18h30

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NOTA VN - Mais um ataque encapotado. Se os trabalhadores da Administração Pública têm perdido poder de compra, a questão é saber qual o grau de exploração de mão de obra feita pelo sector privado aos seus trabalhadores, sujeitos à flexibilização de horários de trabalho e à precariedade, com a consequente perca de direitos com ajuda do desemprego crescente.

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Ver por exemplo este artigo exemplar referente a um jornal dito de «referência», o Público, propriedade não lucrativa mas condicionadora do acesso à informação do Engº Belmiro de Azevedo, um dos homens mais ricos do mundo, segundo a insuspeita revista Forbes.

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Quanto à isenção do Banco de Portugal e do seu Presidente «vitalício» Victor Constâncio, o «bóia», é exemplar a fiscalização ou supervisão feita na Banca com lucros cada vez mais chorudos e crescentes «suspeitas» de criminalidade de colarinho branco, feita por gestores com altos salários, prebendas e reformas, incluido o BdeP. Victor Constâncio que se sente tão poderoso que se permite «criticar» a Assembleia da República em pose similar à do Engenheiro Belmiro de Azevedo, feita há alguns anos.

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Ultimato: Administração impõe cortes salariais no ... «Público»

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'O que acontece em Xinjiang?'



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Lembram-se do que acontecia nos anos da guerra fria e, sobretudo, na sua fase final? A imprensa ocidental nunca se cansava de noticiar o tema dos fugitivos da ditadura comunista em busca da conquista da liberdade. Na segunda metade da década de 1970, depois da derrota que sofreram o governo fantoche de Saigon e as forças de ocupação estadunidenses, o Vietnã finalmente reunificado era pintado como uma enorme prisão, da qual fugia o boat people desesperado, junto com sua fortuna e arriscando a vida. E com as variações de caso a caso, esse tema era repetido a propósito de Cuba, da República Democrática Alemã e de qualquer outro país excomungado pelo “mundo livre”.

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Por Domenico Losurdo*

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Hoje, todos podem ver que das regiões orientais da Alemanha, da Polônia, Romênia, Albânia etc., apesar da 'liberdade' finalmente conquistada, o fluxo migratório para o Ocidente continua e até se acentua.

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Só que esses migrantes não são mais recebidos como combatentes pela causa da liberdade, mas são muitas vezes rejeitados como delinquentes, pelo menos potenciais. As modalidades da grande manipulação agora se tornaram claras e evidentes: a fuga do sul para o norte do planeta, da área menos desenvolvida (em cujo âmbito era colocado também o “campo socialista”) para a área mais desenvolvida e mais rica, esse processo econômico foi transfigurado pelos ideólogos da Guerra Fria como uma empresa política e moral épica, exclusivamente inspirada pelo sublime desejo de chegar à terra prometida, ou seja, o “mundo livre”.

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Uma manipulação análoga está ocorrendo debaixo de nossos olhos, na China. Como explicar os graves incidentes que se verificaram em março de 2008 no Tibete e que, em escala mais ampla, nesses dias, estão se espalhando pelo Xinjiang? No Ocidente, a “grande” imprensa de “informação”, mas também a “pequena” imprensa de “esquerda” não têm dúvidas: tudo se explica com a política liberticida do governo de Pequim.

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No entanto, deveria fazer refletir o fato de que, mais do que instituições estatais, a fúria dos manifestantes tem como alvo a etnia han e, sobretudo, os negócios dos han.

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Em qualquer livro de história se pode ler que, no Sudeste asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia) a minoria chinesa, que muitas vezes graças também à cultura empreendedora que tem por trás, tem um peso econômico nitidamente superior à sua dimensão demográfica, é regularmente “o bode expiatório e a vítima de verdadeiros progrom”.

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Sim, no Sudeste asiático “o êxito econômico dos Hua quiao [os chineses de ultramar] é acompanhado de ciúmes que desembocam regularmente em explosões de violência antichinesa, que às vezes acabam perturbando as relações diplomáticas. Foi, em particular, o caso da Malásia durante a década de 1960, da Indonésia em 1965, quando as desordens internas foram o pretexto para o massacre de diversas centenas de milhares de pessoas. Trinta anos mais tarde, as revoltas que caracterizaram na Indonésia a queda do ditador Suharto e que golpearam sistematicamente a comunidade chinesa, chamaram de novo a atenção para a fragilidade da situação”.

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Não por acaso, o ódio antichinês foi muitas vezes comparado ao ódio antijudeu. Com o extraordinário desenvolvimento que estão conhecendo o Tibete e o Xinjiang, também nestas regiões tendem a se reproduzir os progrom contra os han, que são atraídos pelas novas oportunidades econômicas e que frequentemente veem os seus esforços coroados de sucesso.

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O Tibete e o Xinjiang atraem os han do mesmo modo que Pequim, Xangai e as cidades mais avançadas da China atraem os empresários e os técnicos ocidentais (ou chineses de ultramar), que muitas vezes desempenham um papel importante em setores onde podem ainda fazer valer a sua especialização superior.

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Não tem sentido explicar os graves incidentes no Tibete e no Xinjiang com a teoria da “invasão” han, uma teoria que certamente não funciona para o Sudeste asiático. Por outro lado, também na Itália e no Ocidente, a luta contra a “invasão” é o cavalo de batalha dos xenófobos.

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Mas nos concentremos no Xinjiang. Em 1999, a situação vigente nessa região foi descrita pelo general italiano Fábio Mini na revista “Limes” da seguinte maneira: está em curso um extraordinário desenvolvimento, e o governo central chinês está comprometido em “financiar, com retorno quase zero, imensas obras de infraestrutura”. Pelo que parece, o desenvolvimento econômico anda junto com o respeito pela autonomia: “A polícia local é composta em sua grande maioria de uigures”. Apesar disso, não falta a agitação separatista, “parcialmente financiada por extremistas islâmicos, como os talibãs afegãos”. Trata-se de um movimento que “se mistura com a delinquência comum” e que está manchada de "terror". Os atentados parecem visar em primeiro lugar os “uigures tolerantes ou ‘colaboracionistas’” ou os “postos policiais”, controlados, como vimos, pelos uigures.

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Em todo caso – concluía o general, que não escondia as suas simpatias geopolíticas pelos separatistas – “se os habitantes do Xinjiang fossem chamados hoje a um referendo sobre a independência, provavelmente votariam em maioria contra”. E hoje?

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Na “Stampa”, Francisco Sisci relata de Pequim que “muitos han de Urumqi se lamentam pelos privilégios de que gozam os uigures. Estes, de fato, como minoria nacional muçulmana, têm condições de trabalho e de vida muito melhores do que seus colegas han. Um uigur no trabalho tem a permissão de parar mais vezes durante a jornada para cumprir com as cinco orações muçulmanas tradicionais do dia [...] Além disso, podem não trabalhar nas sextas-feiras, dia santo para os muçulmanos. Em teoria, deveriam compensar no domingo. Na verdade, nos domingos as delegacias estão desertas [...] Outro ponto crítico para os han, submetidos à dura política de controle familiar que ainda impõe o filho único, o fato é que os uigures podem ter dois ou três filhos. Como muçulmanos, portanto, têm salário maior, em virtude de que, não podendo comer carne de porco, devem comprar carne de ovelha, que é mais cara”.

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Não tem sentido portanto, como faz a propaganda filo-imperialista, acusar o governo de Pequim de querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures.

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Naturalmente, junto com o perigo representado pelas minorias, por um lado, envenenadas, em certos setores, pelo fundamentalismo e, por outro lado, incitadas pelo Ocidente, é preciso ter presente o perigo do chauvinismo han, que também nesses dias se faz sentir; e é um problema para o qual o Partido Comunista Chinês sempre chamou a atenção, desde Mao Tse-dung até Ju Jintao.

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Os que, à esquerda, sintam-se tentados a transfigurar o separatismo dos uigures, fariam bem em ler a entrevista publicada, algumas semanas antes dos últimos acontecimentos, por Rebiya Kadeer, a líder do movimento separatista uigur. Do seu exílio estadunidense, falando com uma jornalista italiana, a referida senhora assim se exprime: “Veja, você gesticula como eu, tem a mesma pele branca; você é indoeuropeia, gostaria de ser oprimida por um comunista de pele amarela?”

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Como se vê, o argumento decisivo não é condenar a “invasão” han, nem sequer o anticomunismo. É preciso condenar, isso sim, a mitologia ariana ou “indoeuropeia” – que se manifesta no discurso dos separatistas uigur que repudiam os bárbaros de “pele amarela”.
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* O original, em italiano, está em http://domenicolosurdoblogxingjiang.blogspot.com/2009/07/che-succede-nello-xinjiang.html. Em português, em Editora Revan: http://www.revan.com.br/ang.htm.

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Tradução de Jaime Clasen.

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Blog Vi o Mundo
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in Vermelho - 15 DE JULHO DE 2009 - 19h13
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Autoridade Palestina fecha escritório da al-Jazira


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A Autoridade Nacional Palestina (ANP) suspendeu nesta quarta-feira (15) as operações da emissora de televisão catariana al-Jazira na Faixa de Gaza, alegando que a emissora teria veiculado notícias falsas.


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O Ministério da Informação da ANP, em nota divulgada nesta quarta-feira, disse que levará a emissora aos tribunais, por causa de uma reportagem exibida na terça-feira.

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A suspensão do trabalho da emissora catariana deverá acontecer durante o período que o processo for considerado pela justiça local.

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O ministério acusou a rede de "dedicar partes significativas de suas transmissões para incitar sentimentos contra a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Nacional Palestina.

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A medida foi tomada depois que a rede transmitiu uma entrevista com Farouk Kaddoumi, um dos líderes da OLP, na qual ele criticava Mahmoud Abbas, presidente palestino.

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Kaddoumi afirma que líderes da ANP, dentre eles Abbas e o conselheiro Mohammed Dahlan, são suspeitos de colaborar com os israelenses na morte de Iasser Arafat. Arafat morreu em 11 de novembro de 2004 em um hospital francês.

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A emissora catariana, em seu site, nega as acusações da ANP e defende seu "padrão jornalístico". De sua sede em Doha, a direção da empresa disse estar "transtornada" com a decisão de suspender as transmissões e de tomar decisões legais contra ela.

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O governo palestino, chefiado pelo partido Fatá, também acusa a emissora do Catar de privilegiar a visão de seus rivais políticos, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Na Faixa de Gaza, o Hamas criticou a suspensão da al-Jazira.

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O mistério que cerca a causa da morte de Arafat ainda está presente e alguns líderes palestinos se mostram convencidos de que seu chefe foi morto em um complô, provavelmente envenenado por Israel que, por sua vez, desmente a ilação.

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Da redação, com agências
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in Vermelho - 15 DE JULHO DE 2009 - 18h23

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Propaganda socialista no Financial Times?


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O colunista Ben Funnell não é nem de longe um socialista. Mas a causa socialista ganhou um tento com seu artigo, A dívida é o pequeno truque sujo do capitalismo, publicado no jornal inglês Financial Times. Ele fornece dados ''de nocautear'' sobre a concentração de renda nos Estados Unidos durante o apogeu neoliberal. Explica ''por que não houve uma revolução''. Escorrega no final, quando discorre sobre ''o que pode ser feito''; mas também não é de admirar, em alguém que nem de longe é socialista.

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Por Bernardo Joffily



Sam Walton, do clã mais rico que 100 milhões
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Funnell não se detém na crise capitalista atual, mas nas décadas precedentes, de razoável crescimento e ''pensamento único'' neoliberal. Sua conclusão: ''Em palavras simples, os benefícios do crescimento econômico foram para os bolsos dos plutocratas''.

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''São dados de nocautear''

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Ele dá dados: segundo economistas do banco Société Generale, a renda da quinta parte mais rica da população dos EUA aumentou 60% desde 1970; ao mesmo tempo, a renda dos quatro quintos restantes caiu mais de 10%.

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Somente a família Walton, dona da rede multinacional Wal-Mart de supermercados, tem mais dinheiro que todo o terço mais pobre da população dos EUA. Uma família tem mais dinheiro que 100 milhões de americanos...

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''Por que não houve uma revolução?

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''São dados de nocautear, confirmados pelos sempre crescentes índices de Gini, due mede as disparidades de renda, nos EUA e no Reino Unido'', comenta Funnell. ''Outra forma de colocar o problema é que a divisão das fatias do Produto Interno Bruto está no nível de 100 anos atrás, ou estava até recentemente''.

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''Então por que não houve uma revolução?'', indaga Funnell. E chega então ao seu raciocínio central: ''Por que havia uma saída: o endividamento''.

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''O excessivo endividamento da sociedade ocidental nos últimos anos era a única forma de manter altos níveis de vida para a maioria da população em uma época onde a elite concentrava mais e mais riqueza'', comenta. E a seguir mostra como o sonho acabou, ''o que significa um crescimento econômico mais baixo por muitos anos no futuro''.

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Um recuo para longe do abismo

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Depois de apanhar em flagrante a iniquidade da pirâmide social americana (e, de quebra, também da inglesa), Ben Funnell chega à parte das saídas. E aí o seu texto fica ainda mais interessante: o leitor atento há de notar como ele sente que talvez tenha se excedido, chegado perto demais do abismo que um colunista do mais que centenário jornal financeiro britânico jamais deve sequer admitir, e ensaia uma meia-volta-volver.

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''O que pode ser feito? Primeiro, embora não seja o ideal, não devíamos ser açodados demais em abandonar o modelo capitalista. Ele é menos mau que qualquer outro sistema já inventado'', assevera o colunista, para o alívio de seu editor no Financial Times.

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Tarde demais, Ben Funnell

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Depois da meia-volta, o artigo termina em enticlímax. A montanha pare um rato, embora seja um rato ''estrutural'', segundo assevera seu autor: ''Precisamos de um novo consenso político, destinado a uma redução de conjunto dos níveis de endividamento, enquanto reduzimos as disparidades encorajando a educação, o empreendorismo e o investimento em inovação''.

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Tarde demais, Ben Funnell. O último parágrafo do artigo, com sua lengalenga, evidentemente não encaixa e não convence (exceto uma acurada constatação de que ''os atuais níveis de disparidade de renda são uma bomba-relógio política''). Quem ler seu artigo, verá, ao concluirá, ao contrário, que é precisamente o modelo capitalista que faz água e precisa ser abandonado. Portanto, a causa socialista, enternecida, agradece.

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A concentração da renda e da riqueza faz parte da lógica do sistema capitalista. Isto pode ser constatado estatisticamente, não só nos EUA e na Inglaterra, e não apenas nas décadas de ouro do neoliberalismo. A ''distribuição'' de renda possível, no capitalismo, é esta deletéria e destrutiva que o mundo assiste com a crise. Não há ''reforma estrutural'' capaz de criar um ''capitalismo virtuoso'', frugal, piedoso, preocupado com os pobres e blindado contra crises.

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in Vermelho -
15 DE JULHO DE 2009 - 17h04
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Redução da jornada: defesa do trabalhador


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por João Guilherme Vargas Netto*

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Se analisarmos de um ângulo realista, a luta pela redução constitucional da jornada de trabalho semanal para 40 horas é uma luta defensiva.

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Em primeiro lugar, porque a tendência atual, após anos de neoliberalismo desenfreado tem sido o alargamento das jornadas de trabalho, no mundo inteiro e no Brasil. Aqui entre nós as horas extras praticadas e as burlas à legislação acrescentam-se à jornada legal de tal maneira que para uma grande maioria de trabalhadores as jornadas semanais ultrapassam as 48 horas (muito além do limite constitucional de 44 e alterando para mais as reduções legais e negociadas).

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Em segundo lugar a redução constitucional da jornada é uma compensação imediata ao aumento da produtividade e ao incremento da intensidade do trabalho. Isso precisa de mais explicações.

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Ao longo da história do capitalismo, superada a fase selvagem com jornadas infinitas, o capital se acumulou e se concentrou produzindo um suporte técnico (máquinas, equipamentos, organização da mão de obra, planejamento empresarial e enquadramento dos trabalhadores) que determina – muito além da vontade da cada um – o ritmo e a intensidade do trabalho praticado. Este ritmo cria uma situação profundamente agressiva para quem trabalha manual ou mentalmente; o capitalismo, como o cigarro, faz mal à saúde.

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Ao longo da história e periodicamente, dependendo da correlação de forças sociais e do próprio avanço tecnológico, os trabalhadores organizados e unidos, procuram, reduzindo legalmente a jornada, reduzir o desgaste a que são submetidos. Acontece então, uma fase de aceitação social da redução. É o que ocorre hoje no Brasil.

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A luta pela redução da jornada, vitoriosa, reduz o tempo de trabalho e reduzindo-o reduz a carga física e emocional suportada pelos trabalhadores. É uma defesa da qualidade de vida de milhões de pessoas.




*João Guilherme Vargas Netto, É consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -14 DE JULHO DE 2009 - 19h58
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Evo Morales acusa participação dos EUA no golpe de Honduras


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O presidente boliviano Evo Morales assegurou que o Comando Sul da Armada dos Estados Unidos interveio no golpe de Estado de Honduras, que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho.

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"Existe a informação de que o império do Estados Unidos, mediante seu Comando Sul, é responsável pelo golpe de Estado em Honduras. Portanto, é o império contra o povo, e o povo historicamente derrotou os diferentes impérios", declarou Morales, em uma entrevista coletiva que concedeu na noite dessa segunda-feira em Montevidéu, capital do Uruguai.

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O mandatário disse que a suposta participação de Washington na deposição do presidente Zelaya configura uma "agressão e provocação". "O golpe que poderia ter ocorrido na Bolívia no ano passado está acontecendo agora em Honduras", acrescentou.

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Evo preferiu não acusar diretamente o presidente norte-americano, Barack Obama. "Talvez ele (Obama) não saiba disto, mas a estrutura do império continua em vigor. É uma agressão, uma provocação", disse.

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Morales e o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, divulgaram ontem um comunicado conjunto no qual manifestaram repúdio ao golpe em Honduras e reafirmaram que não reconhecerão o governo de facto do país, encabeçado por Roberto Micheletti, nomeado presidente pelo Congresso.

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"Após o ocorrido, temos a obrigação de fazer uma profunda reflexão sobre como se vive em uma ditadura, já que as novas gerações talvez não saibam", enfatizou o boliviano.
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Durante uma visita de nove horas ao Uruguai, a primeira que fez como presidente, Morales discutiu a possibilidade de obter uma saída para o Oceano Atlântico e a venda de gás boliviano. Também houve conversas sobre temas ligados à educação, à saúde e à integração regional.
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O mandatário revelou que, além de se reunir com Vázquez, pôde ainda conversar com o candidato à presidência uruguaia pela coalizão governista Frente Ampla, José Mujica, e com o escritor Eduardo Galeano.
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Mediação da Costa Rica continua sábado
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O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, anunciou ter convidado as novas autoridades Honduras e as depostas mediante o golpe de Estado de 20 de junho a se retomarem o diálogo no próximo sábado. O presidente derrubado pelos militares, Manuel Zelaya, que ontem deu um ultimato para que os golpistas abandonem o poder, se encontra na Guatemala, à espera da próxima etapa da mediação costa-riquenha para solucionar a crise política de Honduras.
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O encontro representará uma nova tentativa de prosseguir com as conversas iniciadas na semana passada. Arias anunciou que a reunião com as partes será realizada no próximo sábado, mas pode se estender até o domingo, caso não seja alcançado um acordo.
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O encontro será realizado novamente na residência oficial de Arias, em San José, capital da Costa Rica. As delegações do governo golpista e do governo deposto também participarão da reunião.
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Com agência

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in Vermelho - 14 DE JULHO DE 2009 - 17h52

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Riqueza e pobreza em Portugal

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Os 20 por cento mais ricos têm 6,1 vezes mais rendimentos do que os 20 por cento mais pobres, segundo os resultados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) do Instituto Nacional de Estatística (INE), realizado em 2008 mas que incidiu sobre os rendimentos de 2007. No ano anterior, eram 6,5.
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in Público - 2009.07.16
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Quarta-feira, Julho 15, 2009

Eleições para a Câmara Municipal de Lisboa

15-07-2009

Câmara de Lisboa


Façam favor de imaginar

No passado dia 14, realizou-se a apresentação da candidatura de António Costa à presidência da Câmara Municipal de Lisboa e muitos terão visto nas imagens televisivas extractos dos discursos do candidato e de José Sócrates, na qualidade de secretário-geral do PS.
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Porque ninguém deve ter reparado nisso, vale a pena dizer que se as coisas tivessem corrido como apelaram os subscritores de uma manifestando apelando à «convergência de esquerda» nas eleições municipais da cidade de Lisboa, o que nesse dia teria passado nas televisões seriam extractos de discursos não apenas de José Sócrates mas também de Jerónimo de Sousa e de Francisco Louçã.
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E estando nós ainda a mais de dois meses das eleições legislativas, essa hipotética imagem bem poderia ilustrar o grau de interpenetração das campanhas para as legislativas e para as autárquicas e o prolongado elemento de confusão e perturbação que projectaria para a decisiva batalha das legislativas onde, goste-se ou não, a diferenciação entre o PS e as forças à sua esquerda é um dos elementos centrais.
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Mesmo admitindo, por concessão minha, que as divergências no plano autárquico e a questão da repartição de responsabilidades poderiam eventualmente ser superadas, é o elemento acima referido que mais lamento que não tenha sido compreendido por tantos dos democratas respeitáveis (alguns dos quais meus amigos e que assim continuarei a coinsiderar) que, seguramente com generosas preocupações e intenções, subscreveram aquele manifesto, embora outros não pudessem deixar de saber que, no actual estado das artes, não tinha nenhuma viabilidade.
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Mas isto não me impede de voltar a repetir que houve impulsionadores deste manifesto que conheciam perfeitamente o filme superveniente e que já sabiam que, para eles próprios, o lançamento do manifesto era apenas o primeiro passo que os havia de levar, por gosto e conscientemente, à sua presença na apresentação da candidatura de António Costa.
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no Blog O Tempo das Cerejas
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Marcas brancas crescem

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Reuters

Atrasos nos pagamentos aumentam

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Um terço das marcas disponíveis actualmente nos centros de grande distribuição é marcas brancas", quem o afirma é Beatriz Imperatori, directora-geral da Centromarca, associação que representa as grandes marcas.
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A responsável acredita que o "panorama é assustador", porque é uma situação que coloca em risco as grandes marcas, responsáveis por 3,6% do PIB, propondo uma intervenção "célere" por parte da Autoridade da Concorrência, visto que, "as marcas brancas não concorrem nas mesmas condições e não cumprem os mesmos requisitos" do que as marcas tradicionais. Os atrasos nos pagamentos às grandes marcas é outro dos problemas que atinge o sector. Beatriz Imperatori afirma que "um terço da distribuição não cumpre prazos de pagamentos e um quarto paga hoje pior do que há um ano".

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MARCAS: 800

A Centromarca representa 54 empresas responsáveis por um total de 800 marcas.

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in Correio da Manhã - 15 Julho 2009 - 00h30

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Citigroup ganhou 290 milhões [medida do PSD que o PS levou tempo a «descobrir»]

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João Miguel Rodrigues Ferreira Leite vendeu créditos do Estado aos americanos do Citigroup para cumprir o défice orçamental em 2003. O actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acabou com a operação o ano passado
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António Sérgio Azenha

.Ferreira Leite vendeu créditos do Estado aos americanos do Citigroup para cumprir o défice orçamental em 2003. O actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acabou com a operação o ano passado.
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Finanças: Governo decidiu terminar a operação no final de 2008

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O Citigroup vai ganhar com a cedência de créditos fiscais e da segurança social , efectuada quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças do Governo PSD/CDS, quase 290 milhões de euros. O valor, referente a juros e encargos com a montagem da operação, representa 16,4 por cento do preço inicial pago pelo Citigroup, de 1,76 mil milhões de euros, que permitiu cumprir o défice público de três por cento exigido no Pacto de Estabilidade e Crescimento .

Ao que o CM apurou, o Ministério das Finanças, na sequência do diagnóstico da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI), já informou o Citigroup p que, do total de 11,4 mil milhões de euros cedidos em 2003, o Estado pagará os 1,76 milhões de euros, acrescidos dos encargos e juros. Ao todo, a operação irá custar ao erário público cerca de 2,1 mil milhões de euros.

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Para já, o Estado já entregou ao Citigroup 1,9 mil milhões de euros. E tudo indica que os restantes cerca de 150 milhões de euros, correspondentes a juros e encargos, serão pagos, "previsivelmente, até ao primeiro semestre de 2010".

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A portaria 1375-A, de 18 de Dezembro de 2003, estabelece que "os créditos do Estado e da segurança social são cedidos mediante o pagamento de um preço inicial, no montante de 17,6 milhões de euros, e de um eventual preço diferido, cujo montante é determinado após o pagamento integral das quantias devidas aos titulares das obrigações titularizadas, deduzidas as despesas e os custos da operação de titularização".

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Por causa de dúvidas na interpretação desta norma, o Ministério das Finanças decidiu, no final de 2008, terminar o contrato com o Citigroup. A operação foi polémica desde o início, dado que o Governo de então comprometeu o direito dos governos seguintes àquelas receitas fiscais. O CM tentou obter um comentário de Manuela Ferreira Leite mas, até ao fecho desta edição, tal não foi possível.

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CRÉDITOS TOTALIZARAM 15 MIL MILHÕES

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O total de créditos do Estado cedidos ao Citigroup ascendeu a 15,1 mil milhões de euros. No contrato está prevista a cedência de 11,44 mil milhões de euros mas, como os serviços públicos não conseguiram cobrar uma parte dos créditos cedidos, foi necessário substituir os créditos incobráveis por outros de igual montante, no valor de 3,74 mil milhões de euros.

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Os créditos foram substituídos em quatro anos: 534 milhões de euros, em 2004; 1,31 mil milhões de euros, em 2005; 695 milhões de euros, em 2006; e 1,19 mil milhões de euros, em 2007.

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O parecer do Tribunal de Contas à conta do Estado de 2004 detectou, entre outras falhas, "a integração de dívidas que já se encontravam pagas, anuladas ou prescritas na mesma data". A maior fatia dos créditos cedidos eram fiscais.

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TRIBUNAL DIRIGIU FORTES CRÍTICAS À OPERAÇÃO

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O Tribunal de Contas (TC) não poupou críticas à venda de créditos ao Citigroup. No essencial, depois da crítica feita em 2003, o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2004 frisa que "a operação de cessão de créditos para efeitos de titularização teve, em termos líquidos, um efeito positivo sobre as receitas em 2003, mas tem um efeito negativo sobre as receitas de 2004 e anos seguintes".

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A portaria 1375-A diz que os créditos referem-se "à cobrança coerciva de processos de execução instaurados entre 1 de Janeiro de 1993 e 30 de Setembro de 2003", mas o TC detectou falhas.

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PORMENORES

CESSÃO DE CRÉDITOS

Os créditos foram cedidos à Sagres - Sociedade de Titularização de Créditos (Citigroup).

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OBRIGAÇÕES

Após a compra dos créditos, foram emitidas seis classes de obrigações: cinco indexadas à Euribor a 6 meses, mais spread, e uma com taxa de juro de 7%.

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RECEITA EXTRAORDINÁRIA

Sendo a titularização uma venda, foi registada como receita. Por isso, os 1,76 mil milhões de euros puderam ser usados na redução do défice orçamental.


in Correio da Manhã -
15 Julho 2009 - 00h30
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BPN: Oposição 'ataca' Constâncio

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Tiago Petinga/Lusa

Declarações de governador sobre trabalho da comissão


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PCP, PSD, CDS-PP e BE insurgiram-se esta quarta-feira, na comissão de Orçamento e Finanças, contra as palavras de Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, em relação ao trabalho da comissão de inquérito ao BPN.
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'O sr. não tem o direito de, enquanto governador, na instituição que a que preside, não tem o direito de dizer o que disse', afirmou o deputado comunista Honório Novo, recordando a acusação de inteferência e prejuízo na investigação criminal feita pelo governador. 'Se o tivesse dito no café Nicola, enquanto cidadão, estaria à vontade', ironizou o deputado do PCP, sublinhando que Vítor Constâncio 'não tem o direito de pressionar os deputados eleitos, nem desta nem da próxima legislatura'.

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Para o PCP, ao falar de interferência na investigação criminal, o supervisor 'está a tentar pressionar para que não se façam comissões de inquérito no futuro', sobretudo havendo um parecer do procurador-geral da República, enviado à Assembleia, 'garantindo não haver conflitualidade'.

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Também o deputado social democrata Duarte Pacheco criticou as palavras do governador, acusando-o de ter 'uma atitude majestática e arrogante'. 'Quem avalia a necessidade de uma comissão de inquérito que é auditada ou fiscalizada', afirmou. Duarte Pacheco foi mais longe e questionou Vítor Constâncio sobre se este 'na sua consciência, considera que continua em condições para continuar em funções'.

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Já Hélder do Amaral, do CDS-PP, mostrou-se 'chocado' com a conferência de imprensa em que Contâncio reagiu aos trabalhos da comissão de inquérito. 'Percebo que estivesse satisfeito [com as conclusões], mas não precisava de fazer as declarações na sala em que o fez, bastava uma qualquer reunião do Partido Socialista', afirmou em tom ironico o centrista, acresentando: 'Fica o nosso protesto em relação à forma pouco democrática como lidou com a questão.'

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Francisco Louçã, do BE, acusou o governador de ter cometido dois erros estratégicos na reacção às conclusões da comissão de inquérito. 'O primeiro foi institucional', classificou Louçã, adiantando que 'o governador não comenta decisões do Palamento'. 'Creio ate que é inédito', disse o bloquista. O líder do BE fez outra análise da atitude de Vítor Constâncio: 'Acho até que o sr. Governador foi insensato.' Isto porque, avançou Louçã, 'o facto de a comissão incidir sobre a supervisão devia era ressalvar a sua posição'. O BE lembrou que não há ainda conclusões dos processos ao BCP e que pouco se sabe das irregularidades cometidas no BPP.

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'NÃO ATAQUEI A COMISSÃO'

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Vítor Constâncio recusou hoje, no Parlamento, as crítca dos deputados em relação às declarações feitas em pleno Banco de Portugal sobre as conclusões da comissão de inquérito ao BPN e acusou os deputados de 'exagero' na reacção às suas palavras.

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'Não acho que seja legítimo preteder-se que a instituição [Banco de Portugal] e as pessoas que foram alvo de críticas tenham de se calar e não compreendo que o sr. deputado Louçã diga que eu fui insensato e eu não possa dizer nada', afirmou Vítor Constâncio.No entender do governador, só as decisões judiciais não devem merecer comentários, o que não se aplica as trabalhos da comissão de inquerito ao BPN.

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'Em nenhum momento fiz nenhum ataque frontal em relação à comissão ou a futuros trabalhos', garantiu o Governador, recusando a ideia proferida pelo PCP de ter feito pressões sobre o Parlamento. 'Na minha interpretação, não dizer nada parecia que de alguma forma a instituição e eu próprio aceitavamos as conclusões e as considerações laterais feitas sobre o papel do Banco de Portugal naquele caso', concluiu o supervisor.

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Alegre e Sócrates

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15 Julho 2009 - 09h00

Cozido à Portuguesa

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* Domingos Amaral, Director da 'GQ
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No dia seguinte às eleições de Outubro, o PS vai entrar numa imediata convulsão interna.

Um dos mistérios actuais da política nacional é este: quais as verdadeiras intenções de Manuel Alegre? O que quer ele? Quer voltar a ser candidato presidencial, único à esquerda, unindo comunistas, bloquistas e socialistas contra Cavaco? Quer ser líder do PS depois das eleições, sucedendo a Sócrates? Ou quer apenas obrigar o PS a deixar cair Sócrates depois das eleições, substituindo-o por alguém "mais à esquerda", embora não por ele, Alegre?

É de facto um mistério... Por um lado, Alegre não cessa de atacar o governo de Sócrates, como não cessou nunca ao longo destes quatro anos, o que pode fazer sentido para quem quer unificar a esquerda pela via dupla do coração e da ideologia, preparando-a para uma candidatura presidencial futura. Por outro, nas últimas semanas, Alegre dividiu-se em novos movimentos, aparentemente contraditórios.

Ao mesmo tempo que recusou fazer parte das listas de deputados do PS, o que indica uma desistência da tribuna parlamentar, diminuindo as suas possibilidades de lutar pela liderança do partido depois das eleições; Alegre multiplicou-se em declarações ferozes contra Sócrates. Sábado, no ‘Expresso’, defendeu que o PS não só deve mudar de orientação política, como deve mudar de "pessoas", e é em Sócrates que ele pensa. Na terça, numa revista de nome estranho, diz que recusa qualquer "reedição do Bloco Central, ou outras soluções à direita".

Estas palavras são um aviso grave a Sócrates, e prometem um futuro negro para o primeiro-ministro. Daqui até às eleições de Outubro, Sócrates não terá só de lutar contra a campanha contra si dos outros partidos, mas também contra Alegre e as suas ideias, que correm por fora a pensar no futuro. O primeiro-ministro nunca poderá dizer que não sabe com o que conta, mas nunca os seus adversários, internos e externos, tiveram tanta força.

No dia seguinte às eleições, não terá apenas de se confrontar com uma mais do que provável perda da maioria absoluta, mas também com uma guerra aberta à sua pessoa e às suas possíveis estratégias de aliança governamental. Mesmo que fique à frente do PSD em Outubro, o que o PS promete ao país é pois uma imediata e imprevisível convulsão interna, uma batalha entre os que querem manter Sócrates e os que o querem dali para fora, uma guerra entre os que admitem alianças à direita e os que só as admitem à esquerda. Embora Alegre faça parte do futuro do PS, o que o PS promete ao país é um futuro muito pouco alegre.

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in Correio da Manhã -
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Memória: Hermínio da Palma Inácio (1922-2009)

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Tiago Sousa Dias


Morreu o mestre dos golpes contra Salazar

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* João Vaz
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Palma Inácio, que a luta contra a ditadura salazarista tornou uma lenda viva, faleceu ontem, com 87 anos, vítima de doença prolongada. A sua vida de constante luta pela liberdade é a história das mais espectaculares acções revolucionárias: participou aos 25 anos (1947) no seu primeiro golpe, sabotando com o saber de mecânico os aviões militares estacionados na base de Sintra; foi líder do primeiro desvio revolucionário de uma avião comercial, em Novembro de 1961, para lançar cem mil panfletos anti-Salazar sobre Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro; preparou e concretizou com outros militantes o assalto, em Maio de 1967, à delegação do Banco de Portugal na Figueira da Foz; protagonizou espectaculares fugas de cadeias da ditadura e pensou outras acções que nunca ninguém imaginou, como uma sublevação nacional a partir da ocupação da Covilhã.
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Os seus golpes antiditadura correram mundo. A revista do ‘Sunday Times’ contou ao pormenor a forma como humilhou a PIDE com uma fuga debaixo de chuva da cadeia do Porto.

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Em 1973, um jornalista da ‘Time’ encontrou-o em Paris para contar em meia página a sua história como ‘Pimpinela Escarlate’ da revolução portuguesa. Foi buscar à revolução francesa um herói romanesco para dizer quem era este homem que faleceu ontem, 14 de Julho, dia da Tomada da Bastilha.

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CORPO EM CÂMARA ARDENTE NA SEDE DO PS

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O corpo do fundador da LUAR – Liga de Unidade e Acção Revolucionária, em 1967, e militante do Partido Socialista, desde alguns anos depois do 25 de Abril, estará hoje em câmara ardente na sede nacional do PS, ao largo do Rato, em Lisboa. De lá sairá, às 17h45, o funeral, para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado pelas 22h00, de acordo com informação veiculada pela agência Lusa.

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Palma Inácio tornou-se militante do PS, na secção Almirante Reis, perto da sua residência em Lisboa. Apesar de ter aceite nomeações ou recompensas, o que nas palavras de Almeida Santos 'é a grande medida da sua grandeza', manteve-se politicamente activo até há uma dezena de anos e foi vogal da mesa da Assembleia Municipal de Lisboa. Nos tempos de líder da LUAR, criou em o jornal ‘Fronteira’, sem vínculos partidários. Só pela liberdade.

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'CM' JUNTOU ASSALTANTE E PILOTO

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Em Novembro 2006, 45 anos após o desvio do Super-Constellation da TAP Mouzinho de Albuquerque por seis portugueses anti-salazaristas, liderados por Palma Inácio, o Correio da Manhã voltou a juntar o líder dos assaltantes e o comandante José Marcelino, que nunca mais se haviam encontrado. O trabalho jornalístico realizado por Manuel Catarino revelava como, apesar da idade e das sequelas de muitos maus tratos da PIDE, Palma Inácio mantinha o sorriso quebra-corações.

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'JULGAMENTO ATÉ QUE CHOVA A POTES'

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Mário Soares encontrou pela primeira Palma Inácio quando foi seu advogado num processo que corria na PIDE do Porto. A história foi contada ontem na Renascença: 'Eu disse: como é que quer que faça a defesa? Ele respondeu: 'Não quero que faça nada, só quero que prolongue o julgamento até que chova a potes.' Nesse dia, Palma fugiu da cadeia.

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PERFIL

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HERMÍNIO DA PALMA INÁCIO nasceu em 1922, em Ferragudo, concelho de Lagoa, no Algarve, mas foi em Tunes, Silves, que viveu até aos 18 anos e se alistou na Aeronáutica Militar. Formou-se mecânico de aviões e aos sonhos juntou a vontade revolucionária da liberdade. Em 1947, entrou no ‘Golpe dos Militares’, sabotando os aviões da base de Sintra. Soube do 25 de Abril de 1974 preso em Caxias.

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FRASES

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'Coragem, coragem e coragem. E solidariedade. Será lembrado como alguém que perdura para além da sua vida.' (Camilo Mortágua)

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'Não era político, era um revolucionário. De grande simpatia e capacidade de imaginação, coragem e dinamismo.' (Mário Soares)

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'A sua vida dava um filme ou um romance. Tudo o que fez foi para que houvesse em Portugal regime democrático.' (Manuel Alegre)

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in Correio da Manhã -
15 Julho 2009 - 00h30
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ver
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Morreu Palma Inácio

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Communists march in Baghdad to mark 1958 revolution

Iraq’s Communist Party led a mass march through the center of Baghdad today, commemorating the July 14, 1958, national democratic revolution that ousted the British-installed monarchy.

Neo-Nazis and other racist extremists infiltrating US military

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Author: Joel Wendland
People's Weekly World Newspaper, 07/12/09 16:27


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In a strongly worded letter to members of Congress, Southern Poverty Law Center (SPLC) founder Morris Dees last week expressed serious concerns about growing signs that members of neo-Nazi groups are infiltrating the US military. According to the SPLC website, Dees asked Congress to take steps "to ensure that the armed forces are not inadvertently training future domestic terrorists."
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According to SPLC, recent scrutiny of a neo-Nazi website operated by the National Socialist Movement revealed "dozens of personal profiles ... where individuals listed 'military' as their occupation." Further, FBI and Department of Homeland Security reports, published within the past year, suggest the likely infiltration by extremists is a serious problem.
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In his letter, Dees wrote, "Evidence continues to mount that current Pentagon policies are inadequate to prevent racial extremists from joining and serving in the armed forces."
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Dees urged quick action. "Because the presence of extremists in the armed forces is a serious threat to the safety of the American public, we believe Congressional action is warranted," he wrote.
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The "overwhelming majority of US servicemembers reject extremism and are dedicated to serving and protecting the highest ideals of our country," Dees continued. "[W]e owe it to our courageous men and women in uniform, and the American public, to remain vigilant to ensure that the ranks are as free of extremists as possible."
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The SPLC, which follows the activities of hate groups across the country, has repeatedly warned the Pentagon over the past three years about the possible infiltration of the US military by hate groups, "but no apparent action has been taken."
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The SPLC said it found approximately 40 personal profiles that listed "military" as an occupation, including one individual who claims to be in Afghanistan. That individual cites his favorite book as "The Turner Diaries," which is believed to have been used as a guide to the Oklahoma City bombing by Gulf War veteran Timothy McVeigh.

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Mark Potok, director of SPLC, added that while the Pentagon is committed to forcing out gay servicemembers, it appears to be less than interested in rooting out neo-Nazis or members of other hate groups. "It seems quite anomalous that the Pentagon would consider homosexuals more of a threat to the good order of the military than neo-Nazis and other white supremacists who reject our Constitution's most cherished principles," said Potok. Since 1994, 12,500 gay servicemembers have been expelled from the military because of their sexual orientation.

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in People's Weekly World

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DECO alerta: cuidado com as taxas de juro

Crédito

DECO alerta: cuidado com as taxas de juro

Bancos têm praticado valores «extraordinariamente» superiores à taxa do BCE. Fique atento à TAEG

Crédito em bancos diferentes é bom

Pergunte, o banco responde


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in Agência Financeira - 2009.07.14
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Caso BPN



Oliveira Costa, Dias Loureiro e Cavaco Silva
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Terminou a comissão de inquérito ao caso BPN, mas muitas questões ficaram sem resposta e a investigação judicial ainda continua. Neste dossier, Esquerda.net junta algumas das peças do puzzle. Dossier coordenado por Carla Luís e Luis Leiria.
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Numa entrevista ao Esquerda.net, João Semedo faz uma lista das questões que ficaram sem resposta e afirma que: Estado só nacionalizou os prejuízos do BPN . Carla Luís tenta responder à questão o que fica depois da Comissão de Inquérito? e João Semedo mostra como o PS esvazia conclusões do inquérito. Leia em seguida a Declaração de voto do Bloco de Esquerda que explica as razões que levaram o Bloco a votar contra o relatório. No artigo, Bancos: nova supervisão, novo supervisor, João Semedo mostra que "a melhor maneira de assaltar um banco é administrá-lo". A concluir, lembramos a A ruinosa operação de Porto Rico, algumas Frases que marcaram, a Cronolgia do Caso BPN e um conjunto de vídeos que o Esquerda.net reuniu produziu sobre o caso.

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in Esquerda.net - 2009.07.10

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Portugal - 10 mil salários em atraso

Ammar Awad/Reuters A construção civil é um dos sectores mais afectados

A construção civil é um dos sectores mais afectados

Número aumenta em relação a 2008

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No primeiro semestre de 2009 foram detectados pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) 10 608 salários em atraso ou pagos abaixo do mínimo definido por lei, representando dívidas no valor de 6,7 milhões de euros. No mesmo período de 2008, o número de casos ficou-se pelos 7331, num total de 4,7 milhões de euros em dívidas, o que representa um crescimento de cerca de 40% no valor em falta.
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Os sectores de actividade onde se verificam mais casos de salários em atraso são a construção civil e a banca, onde os montantes chegam aos 1,5 milhões de euros e aos 614 mil euros, respectivamente.

Além das dívidas aos trabalhadores, as empresas registam também dívidas na ordem dos 1,5 milhões de euros à Segurança Social, mais 449 mil euros do que o registado no primeiro semestre de 2008.

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DESEMPREGO: 9,3%

Portugal e França têm a sexta maior taxa de desemprego entre os 29 países da OCDE.

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V. M.
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in Correio da Manhã -
14 Julho 2009 - 00h30
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Incompatibilidades

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Causas e consequências

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Constança Cunha e Sá, Jornalista
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Fiado na sua imensa autoridade, o dr. Vítor Constâncio decidiu pregar um raspanete à Assembleia da República por esta se ter imiscuído nos meandros da supervisão. Nem o relatório final da comissão de inquérito ao BPN, feito à sua medida, conseguiu acalmar os ânimos do governador do Banco de Portugal.

O PS, através da deputada Sónia Sanfona, fez o que pôde: ignorando olimpicamente meses de trabalho parlamentar, apresentou um texto inócuo e inconclusivo, recheado de citações oficiais e de desculpas de mau pagador. Imune a este tipo de simpatias, o dr. Constâncio apresentou-se imediatamente ao país, disposto a desfazer qualquer dúvida sobre a sua iluminada pessoa. Ele que, num dia feliz, já confessara a sua santa "ingenuidade", achou-se agora no direito de explicar que a sua extraordinária actuação estava muito acima das capacidades de qualquer deputado.

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Como se viu, só ele, na sua infinita sabedoria, se considera em condições de se avaliar a si próprio, longe da chicana parlamentar e dos golpes sujos da oposição. E ele, como se viu também, considera-se muito: não há falha que o atinja, nem offshore que o diminua. Em guerra aberta com a realidade, o dr. Constâncio acabou, no entanto, por mostrar aquilo que já não consegue ser: um governador do Banco de Portugal.

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Durante anos, com suave persistência, o dr. Constâncio transformou o Banco de Portugal numa espécie de porta-voz oficial do ministério das Finanças, com défices ao sabor do cliente e previsões à altura das suas necessidades. A crise económica alargou-lhe os horizontes, juntando à sua reconhecida incompetência política uma inesperada incompetência técnica que, durante meses a fio, se exibiu, com esplendor, na Assembleia da República. Instrumentalizado pela oposição, o porta-voz do ministério das Finanças acabou por se tornar numa figura menor que, neste momento, incomoda já o próprio Governo. Só ele, na sua megalomania, é que ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.

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A conferência de imprensa que deu, na semana passada, foi a prova de que já ninguém precisava. Enrolado na sua imensa arrogância, o dr. Constâncio pretendeu apresentar-se como um mártir iluminado, sem compreender que o papel de vítima era o único que já não lhe assentava. O exercício saldou-se, como seria de esperar, num espectáculo mais ou menos patético que confirmou apenas a solidão de um homem que se incompatilizou com o cargo que ainda ocupa. Pior seria impossível.

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in Correio da Manhã -
14 Julho 2009 - 09h00
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Portugal - Brasileiros são a maior comunidade de imigrantes legais

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Imigrantes legais em Portugal

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Os brasileiros são a maior comunidade imigrante a viver legalmente no País, de acordo como relatório ‘Imigração, Fronteiras e Asilo’ de 2008, ontem divulgado pelo serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
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No último ano, eram 440 277 os estrangeiros a viver com autorização no País, "um aumento de cerca de um por cento face aos valores do ano anterior". Destes, 106 961 eram provenientes do Brasil. Esta comunidade representa, aliás, o dobro da segunda nacionalidade imigrante mais representativa em Portugal, a ucraniana. No ano passado, 52 494 residentes eram provenientes da Ucrânia e 51 352 tinham como origem Cabo Verde. Seguiam-se os romenos, angolanos, guineenses e moldavos. A forma "destacada" como a comunidade brasileira se transformou na "mais representativa" no País é a alteração mais significativa do relatório.

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in Correio da Manhã -
14 Julho 2009 - 00h22
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Os novos desafios do nacionalismo-revolucionário no Irão

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O complô da chamada “revolução de veludo verde” é evidente, e se baseia na falsa informação que surgiu de dentro do Ministério do Interior, antes do início da contagem de votos, de que Musavi teria vencido.

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Por Farrokh Bavar, articulista do Brasil de Fato


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O artigo abaixo foi escrito logo após a vitória eleitoral do presidente Ahmadinejad no Irã. A duas semanas das eleições, é contundente e revelador o que disse à BBC Newsnight, o ex-secretário de estado Henry Kissinger: “se o protesto fracassar e o governo baseado nas manifestações populares não se instalar, podemos concluir que nós devemos trabalhar para a mudança do regime no Irã desde fora”.

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Referindo-se a um governo popular não instalado, dialoga com John Bolton, o ex-representante de Bush na ONU, que dizia: “Em primeiro lugar, vamos tentar desestabilizar o regime. Se isso falhar, golpeamos militarmente.


“No desenrolar dessa estratégia, os iranianos pagarão em perda de independência ou em sangue, pela ingenuidade da sua secular juventude e pelos mullahs confiantes em Musavi”. O complot para derrubar o governo é evidente.

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O método escolhido foi o de “veludo”, e realizado por uma minoria perdedora contra uma maioria vencedora, apoiando-se nas suas características débeis. Mas, sendo socialmente uma minoria, ou vencem no primeiro round ou não vencem.

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A oposição proclamou a greve geral para terça-feira, dia 23 de junho, e a convocação caiu no vazio; fracassou. Ninguém parou: nem a grande indústria, nem as infra-estruturas ou o setor dos transportes; e nem sequer o comércio principal, o de Teerã.

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Também já foi demonstrado que as balas que mataram as pessoas não partirem das armas das forças de segurança iranianas. A situação tende a normalizar-se.

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Muitos eleitores de Musavi declararam de ter mudado de idéia, ao perceber as provocações e, 60% das pessoas detidas declaram de não terem participado nas eleições e de não se interessarem por política.

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A luta interna resulta a favor de Ahmadinejad e a sua política revolucionária pelas transformações sociais e econômicas segue com o Programa Qüinqüenal já em elaboração. A posse do governo em julho se dará com depurações em pleno curso.

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Leia abaixo a íntegra do artigo de 26 de junho de 2009:

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A reunião do Grupo de Xangai, em Iecaterimburgo, na Rússia, foi muito importante, entre outras, pelos planos de cooperação aprovados onde o presidente Ahmadinejad fez propostas como a do Banco Único, a moeda única, a troca direta em espécie, o estudo do programa comum político e econômico para o desenvolvimento e a integração, tendo sido acolhido pelos grandes do BRIC, a Rússia, a China, a Índia e o Brasil, como o grande vencedor das eleições.

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Isto elevará o papel deste país revolucionário no cenário mundial, de modo a não mais permitir que o campo imperialista insista na tentativa de derrubá-lo, pelo menos com a “revolução de veludo”. E é isto que a CNN, a BBC, ou Fox News e os governos do Reino Unido, França e Alemanha continuam a perseguir nestes dias, apoiando manifestações contra os resultados eleitorais que, na realidade, encobrem os provocadores e os atos de vândalos que estão destruindo parte do norte de Teerã, tentando desestabilizar o país.

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Os governos e organizações que até o momento se congratularam com a vitória esmagadora de Ahmadinejad confirmam o fato de que as eleições presidenciais no Irã são um indicador das forças internacionais entre revolução e contra-revolução, e nisso se encontra o perigo de uma provocação, e sobre tudo, de agressão imperialista se os protestos falirem.

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Para melhor analisar o confronto de sistemas antagônicos das potências mundiais nas eleições, vejamos quem saudou a vitória de Ahmadinejad e quem não. Chávez foi o primeiro, depois vieram: Qatar, isolado e pressionado pela Arábia Saudita, República Popular da China, Federação Russa, Nassralla pelo Hezbolá, Turquia, Síria, Paquistão, Afeganistão, Iraque, Oglú pela Organização dos países islâmicos, Amru Mussa pela Organização dos países árabes, Kuwait, Coréia do sul, Líbano, Gebril (secretário da Frente pela Libertação da Palestina), Armênia, Bielorussia, Tadjiquistão, Cuba, Omã, Iêmen, Coréia do Norte e outros tantos.

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Enquanto isso, Kuchner, francês, declarou solidariedade com a sociedade civil que protesta nas ruas de Teerã; o vice de Obama se preocupa com fraude e os governos britânico e alemão condenam a “repressão” aos manifestantes. Obama transfere à definição do mecanismo burocrático de recontagem de votos para que outros decidam.

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O complô da chamada “revolução de veludo verde” é evidente, e se baseia na falsa informação que surgiu de dentro do Ministério do Interior, antes do início da contagem de votos, de que Musavi teria vencido com 19 milhões de votos.


As fontes de informação da oposição disseram antecipadamente à mídia imperialista de que Musavi teria vencido criando um mecanismo e uma atmosfera como a da “revolução das rosas” na Geórgia, a “alaranjada” na Ucrânia e no Quirguistão, onde venceram os que haviam perdido.

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Quando as suas cifras foram desmentidas como falsas, os grupos de choque entraram em ação, buscando sangue entre os manifestantes, enquanto destruíam bancos, ônibus, metrôs, casas, lojas e coletores de lixo. Uma jovem bailarina mostrava o sutian, o anti-chador islâmico, com a escrita verde de Musavi; e a foto de um jovem com cueca de Kalvin Klein foi propositalmente transmitida ao mundo.

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Ahmadinejad denuncia o fato que logo depois da revolução islâmica, um grupo se apoderou da revolução como se fosse sua propriedade e se separou da população acumulando poder e dinheiro, infestando o país e a economia com corrupção e negócios impróprios; e acusa a família de Rafsanjani e outros; denuncia o governo de Khatami (1) como colaborador da OTAN no Afeganistão e no Iraque, entregando a atividade nuclear iraniana, fechando as centrais e oferecendo as chaves do país para qualquer controle, a qualquer hora e sem pré-aviso. Ahmadinejad, nestes 4 anos, iniciou a limpeza contra essa máfia.


As verdadeiras operações estão ainda por vir agora. Shahrudi, o chefe do poder judiciário, após 8 anos de resistência às pressões do líder supremo, Ali Khamenei, que chamava a denunciar os grandes usurpadores econômicos já condenados, declarou ontem que, de agora em diante, os processos serão abertos aos jornalistas e os nomes dos condenados serão publicados; e saudou a vitória do Presidente.

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Isto indica uma ameaça contra o poder judiciário e o próprio poder islâmico, dado que se este cair, aquele também cai. O fato que ele abandona a Rafsanjani pode ser muito significativo.

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O poder judiciário que não interveio contra os provocadores e a violência, se ligou imediatamente ao poder Executivo, sentindo o verdadeiro perigo da desestabilização e o perigo do golpe de uma revolução dentro da revolução, onde ele mesmo teria perdido o poder. Ao mesmo tempo, o faz para conter Ahmadinejad.


Estas eleições começaram na realidade já durante as 60 viagens do governo nas capitais das 28 regiões e em Teerã, em dois turnos, durante os quatro anos. Foram viagens de vários dias, com 30 visitas de ministros e do próprio Ahmadinejad às cidades e vilarejos remotos onde nenhum dos governos anteriores tinha jamais colocado os pés, aclamado por uma enorme massa de mulheres e homens, sobretudo jovens com propostas e os mais variados slogans e milhões de cartas.


Nestes anos, o governo desenvolveu todas as redes de infra-estrutura no país, gás, água potável, rede elétrica, academias de esporte, escolas, hospitais e outros serviços, concluindo centenas de obras incompletas que há anos estavam em estado de degradação, concertando as estradas onde morriam 30 mil mortos ao ano num país com 70 milhões de habitantes.

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O governo itinerante criou na realidade um segundo parlamento paralelo no país, provocando a ira de muitos parlamentares e dos apoiadores da minoria opositora que se sentiram superados pela planificação, investimentos e realizações em todos os lados, e começaram a sabotar os decretos, os programas sociais e o balanço anual do governo.

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As eleições tiveram como nunca o caráter de classe e revolucionário dado que o Irã, como cada país do mundo prisioneiro do apodrecido sistema capitalista, não vive tanto entre revolução e reforma, quanto entre revolução e contra-revolução; portanto, as forças capitalistas e os auto-proclamados reformistas, que nasceram já desde o início meio abortados, e com caráter e ações contra-revolucionárias, não podem pretender vencer sem a ajuda e a intervenção das forças imperialistas do mundo.

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Uma improvável vitória de Musavi não teria afastado uma provável agressão, mas, ao contrário teria incentivado uma intervenção, e a tal da “salvação à democracia” teria dado uma oxigenada e esperança ao moribundo sistema capitalista europeu e mundial; mas, de toda forma, como no caso do Paquistão, não teria podido mudar a rota do processo iraniano, criando, pelo contrário, desordem, guerras e tantas outras mortes.

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A consciência das massas populares já se consolidou e não volta atrás com os eletrochoques eleitorais. Isso requer do imperialismo, uma verdadeira provocação, como de fato fez com a explosão de nove vagões tanque “esquecidos” num túnel ferroviário; bem como as explosões nas grandes urnas de votação que foram descobertas a tempo.

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Uma delas, confessada pelos presos, ocorreu na sede onde a mulher de Rafsanjani votou e onde declarou de antemão que haveria irregularidades. Em caso de explosão que levaria à morte da Sra. Rafsanjani, o mecanismo seria semelhante ao sacrifício de Benazir Bhuto no Pakistão para fazer vencer o seu partido.


Votaram a favor de Musavi, toda a máfia; boa parte do grande aparato burocrático estatal; os extratos capitalistas não-produtivos; e os vira-casaca que, talvez graças ao irmão caído na guerra, tiveram proteção e maiores oportunidades que os transformou em milionários; os agiotas que, graças à política parcial dos bancos, a cobertura da magistratura e a ajuda das forças de segurança se apoderaram de fabulosas cifras; e parte da alta pequena-burguesia pró-ocidental que, até ontem andava disfarçada e agora, sob o luxo prefere, ao invés da expatriação ao ocidente, trazer o ocidente capitalista para o seu país.

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Os amantes de Kalvin Klein, Benetton, Gucci e Coca-Cola não chegariam aos consolidados 13 milhões de Musavi. Aqui há dois fatores. Um, os truques e a entrada em cena de última hora dos atores da “revolução verde”, que tiveram um certo efeito; o outro, é que numa guerra de classe se encontra politicamente ausente a classe proletária, que está com Ahmadinejad, bem como os aposentados, a classe operária de modo independente, com as próprias organizações sindicais e os próprios programas de apoio ao Presidente.

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A demonstração é que há 5 anos, 12.000 operários, ao festejar o primeiro de maio numa sala, organizaram a chamada Casa dos Operários; com a chegada de Rafsanjani, eles a abandonaram de uma só vez, criando a ira dos organizadores da tendência Tudeh (2) e dos sustentadores de Rafsanjani.

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A presença direta e organizada dos operários teria tido peso sobre a pequeno-burguesia isolando mais ainda os setores mais ricos e ligados diretamente à chamada burguesia pró-ocidental; aquela que insulta Ahmadinejad, Evo Morales e Chávez de feios como macacos.

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Análise do voto

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Resumidamente se analisa que houve um aumento da participação popular de 25% em 4 anos, entre o primeiro e segundo mandato de Ahmadinejad, passando dos 59,76% aos 85% (dos com direito a voto) agora, com 7 milhões de votos a mais; enquanto isso, os votos entre o primeiro e o segundo mandato de Khatami, passaram em 4 anos, dos 79,9% aos 67,77, com uma queda de 12,16%.

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Agora, dos quase 44 milhões com direito ao voto, 39.165.191, equivalente a 85%, participaram nas eleições.

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É o percentual mais elevado com relação a todas as votações realizadas até agora. Destes 24.527.516 para Ahmadinejad, ou seja, 62,63%, Musavi teve 13.216.411 (33,75%), e os outros dois, 2% e 1%, sendo 1% votos nulos.

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O Ministério do Interior anunciou os votos em número e percentual de todas as 28 regiões e da capital. Somente na cidade de Teerã e duas regiões – no Sistan Belucistan, na fronteira com o Afeganistão, Paquistão e o Mar de Omã e, no Azerbaijão Ocidental, na fronteira da Turquia – Musavi venceu com uma pequena maioria.

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Na cidade de Teerã, 2,166 milhões contra 1,809 milhões de Ahmadinejad. Em Sistan Belucistan, 507 mil contra 450 mil de Ahmadinejad. No Azerbaijão Ocidenta, 656 mil contra 623 mil de Ahmadinejad.

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Na região de Teerã, 3,819 milhões para Ahmadinejad e 3,371 milhões para Musavi, enquanto uma diferença notável pode ser vista em Kerman, Região de Rafsanjani, aliado de Musavi, com 1,160 milhões para Ahmadinejad e 0,318 milhões a Musavi.

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Em Mazandaran, região de Nateqnuri, aliado de Musavi, 1,289 milhões para Ahmadinejad e 585 mil a Musavi. Enquanto que na região natal de Ahmadinejad, ele teve 77% dos votos, com 295 mil contra 77 mil a Musavi.


Estas duas, Azerbaijão e Sistan Beluchistan são as regiões limítrofes onde o contrabando de gasolina de 0.6 centavos de euro/litro em Irã para a Turquia (de quase 2 dólares/litro) foi eliminado com o sistema eletrônico e de quotas pró-capita, golpeando a mafía e os seus ajudantes.

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Pode-se dizer a mesma coisa para Sistan Belucistan com o grande contrabando do Afeganistão, de ópio, através do porto livre de Chabahar no mar de Umã que havia se transformado em lugar de importação de açúcar, arroz, chá e objetos de luxo, contra os mesmos produtos nacionais e contra as importações oficiais com tarifas e taxações nacionais.

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Musavi instigava também os curdos e os beluci, enquanto minorias étnicas. Rezai, outro candidato de oposição, propunha criar uma federação econômica.

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Dois dados importantes: no Khuzistão petroleiro e industrial, foram 1,303 milhões para Ahmadinejad contra 552 mil a Musavi. Khorasan Central 2,214 milhões para Ahmadinejad e 884 mil a Musavi. Em Isfahan, 1,799 milhões contra 746 mil de Musavi. Em Fars, 1,7 milhões contra 706 mil de Musavi.

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Em Teerã, se entende o porquê da menor diferença, pois é onde a subdivisão do balanço estatal teve a parte do cérebro, onde fica o centro dos bancos, das finanças, das possibilidades e das relações e informações dos negócios, com as famílias dos carreiristas e prepotentes, inflados por um enriquecimento enorme improvisamente, com uma pequena-burguesia que já se sentia livre dos trajes e normas islâmicas.

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Um centro corrupto na moral, com comportamentos e relações no mercado do sexo. Um lugar onde estas famílias têm tido sempre acesso às TVs estrangeiras, VOA, BBC, CNN que são as que nestes dias colocam falsamente que a República Islâmica está à beira do desmanche; e onde foram publicados panfletos em formato A4 e A3, com papel grosso e brilhante, congratulando-se pela revolução verde antes que saíssem os resultados oficiais; onde se fez um centro, apoiado pelo imperialismo, para o controle das votações, colocando-as em dúvida já antes das eleições.

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As eleições estimularam o confronto de classe e agora, estamos caminhando para a guerra de classe com os personagens internacionais que já conhecemos.

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É preciso que todos tenham idéia e convicção para intervir onde estão. Na grande manifestação de Ahmadinejad com mais de um milhão de apoiadores no centro norte de Teerã, ele disse que é preciso ter paciência revolucionária e esperar que as coisas sigam pelas vias legais, e que o povo deve conter a própria raiva sem ceder às provocações.

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Ele está contendo o impulso e a raiva popular tratando de canalizá-los sem se afastar de Ali Khamenei, o guia supremo. Na manifestação estavam misturados jovens, mulheres e homens respeitosos entre si, sem divisões ou quaisquer obrigações.

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No fim do comício, ninguém queria ir-se, nem as pessoas, nem Ahmadinejad que ficou no palco por muito tempo, saudando e esperando que a multidão se movesse. Foi uma verdadeira simbiose, um diálogo contínuo entre o orador e a população onde ele parava, mas ouvindo os slogans e respondendo.

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1 Ex-presidente, reformista neo-liberal e apoiador do candidato da oposição burguesa.


2 Partido Comunista.

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Título do Vermelho

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Brasil de Fato
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in Vermelho - 14 DE JULHO DE 2009 - 18h07
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Livro revela a vida (e as polêmicas) do Garganta Profunda


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Em um original artigo publicado em 2005 pelo Washington Post, o jornalista James Mann apresentava duas esferas que convivem, ainda que incomodamente, no governo americano. De um lado, o Mundo do Talk Show, habitado por indivíduos sempre disponíveis a aparecer na televisão, escrever livros e artigos, participar de palestras. Encaixam-se aí políticos que desejam manter o reconhecimento público mesmo distante do poder.

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De outro, o Mundo Oculto, que abriga instituições necessárias à manutenção da segurança do governo, como FBI, CIA, forças armadas, e que trabalham na surdina. É nesse segmento que se inseriu William Mark Felt até 2005, quando sua identidade foi revelada por trás do pseudônimo Garganta Profunda. Por algum momento, ainda que a contragosto, ele passeou pelo Mundo do Talk Show, sob o brilho dos holofotes. E, de alguma forma, reforçou sua presença com o lançamento do livro A Vida do Garganta Profunda, escrito em parceria com seu advogado John O’Connor.

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O segredo de Felt (1913- 2008), do qual nem a própria família sabia, foi revelado em uma reportagem da revista Vanity Fair, em 2005, escrita por O’Connor: então vice-diretor do FBI, ele era o misterioso homem que ajudara os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Post, em 1972, com informações secretas sobre o escândalo logo conhecido por Watergate e que culminou com a renúncia do presidente americano Richard Nixon, dois anos depois. O teor das informações tornou-se conhecido, mas detalhes sobre a vida de Felt ainda não tinham sido divulgados.

Foi o que ele pretendeu fazer em A Vida do Garganta Profunda (2006), agora lançado no Brasil, que, de imediato, revela um problema delicado: os fatos mais interessantes sobre sua atuação como informante foram contados por Woodward em O Homem Secreto — A História do Garganta Profunda, lançado aqui pela Rocco no mesmo ano em que saiu nos EUA, 2005. Lá está, nos mínimos detalhes, a história inteira, desde o primeiro encontro casual de Woodward com Felt, na Casa Branca de Nixon, até o desmascaramento do escândalo Watergate — sem antes deixar de passar pelo relato de várias reuniões no meio da noite em uma garagem de subsolo — e, finalmente, a iniciativa de Felt de se revelar como o Garganta Profunda, aos 92 anos.

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Até mesmo algumas particularidades que Woodward deixou escapar (como Felt conseguiu, despercebido, marcar alguns exemplares do jornal The New York Times recebidos pelo jornalista, código que indicava que eles deveriam se encontrar?) também não constam no livro do ex-agente. Quando contou a O’Connor sua versão, Felt estava com a memória comprometida, obrigando o advogado a se apoiar ainda em um manuscrito preparado com o filho nos anos 1980, em seus memorandos do FBI, em reminiscências particulares e em muitos comentários que fez à família.

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A partir desse material, O’Connor se dispôs a montar a espinha dorsal da trama, baseada no dilema que martelou a consciência do informante: a obrigação como funcionário do FBI estava acima de seu dever como cidadão americano de expor a verdade? Os fatos já consumados mostram que não, embora Felt tenha se inclinado a justificar seus atos também como forma de proteção dos alicerces do FBI.

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O Federal Bureau of Investigation, aliás, é visto sob o olhar condescendente de Felt, que ignora algumas atividades ilegais cometidas pela entidade — como se os fins justificassem os meios — e mesmo sob a suspeita de irregularidades despertada em outras instâncias do governo.

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O período do escândalo propriamente dito de Watergate é, claro, o mais interessante do livro. Felt admite ter passado informações erradas ou insuficientes para Woodward, mas sempre se penitenciando pelo fato de que também buscava a verdade. E, curiosamente, ele não gostou do apelido de Garganta Profunda, batendo o telefone na cara de Woodward quando este quis saber sua reação. “A imagem de falante não combinava com Felt, homem muito austero”, garante O’Connor.

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Leia abaixo um trecho do livro A Vida do Garganta Profunda

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Os vazamentos continuaram, entretanto, e poucos dias depois do arrombamento, Bob Woodward e Carl Bernstein estavam dando aos leitores do Washington Post detalhes da investigação, às vezes horas depois de o Bureau tomar conhecimento daqueles detalhes.

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A Casa Branca estava furiosa. (O assistente presidencial John) Ehrlichman chamou (o diretor do FBI L. Patrick) Gray para uma discussão e lhe disse que era preciso parar com os vazamentos. Gray reagiu enviando uma equipe de inspeção ao escritório de campo de Washington para interrogar todos os agentes que trabalhavam no caso. Como isso não pôs fim aos vazamentos, ele ordenou que Charles W. Bates, diretor assistente e chefe da Divisão Investigativa Criminal, interrogasse os homens sob juramento.

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Essas ações contrariaram ainda mais os agentes, mas nada fizeram para impedir os vazamentos.

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Diversas vezes, quando Gray estava fora da cidade, John Dean, conselheiro legal da Casa Branca, telefonou-me e exigiu que tomasse outras medidas para silenciar os vazadores. Eu me recusei e lhe indiquei que alguns dos vazamentos possivelmente poderiam não vir do Bureau, uma vez que incluíam informações que não estavam restritas a nós.

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Isso não acalmou Dean. Foi essa série de telefonemas que levou a Casa Branca a acreditar que eu era o Garganta Profunda, a fonte misteriosa na qual Woodward e Bernstein se apoiavam para suas reportagens sensacionais sobre Watergate. Seis meses depois do arrombamento, Gray me abordou pessoalmente. "Você sabe, Mark", disse ele, "Dick Kleindienst me disse que pode ser que eu tenha que me livrar de você. Ele diz que membros da equipe da Casa Branca estão convencidos de que você é a fonte no FBI dos vazamentos para Woodward e Bernstein."

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Da Redação, com informações do O Estado de S.Paulo

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in Vermelho - 13 DE JULHO DE 2009 - 21h05

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O internacionalismo de massas na resistência ao imperialismo

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Um dos aspectos fundamentais da atuação do PCdoB é a luta antiimperialista, essência de sua linha política. Mesmo quando estão na ordem do dia lutas estritamente internas – como a questão nacional, a ampliação da democracia, as melhorias sociais e os processos internos de reivindicação popular –, ainda que se analise o cenário apenas do ponto de vista brasileiro, a questão antiimperialista está presente.

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Por José Reinaldo Carvalho*

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Isso porque não se pode conceber a questão nacional desligada de um sistema de dominação imperialista que foi montado secularmente no Brasil e cujo desmonte é uma obra que depende de medidas muito complexas resultantes de um processo revolucionário. Ademais, a luta antiimperialista está intrinsecamente ligada ao combate cotidiano do povo brasileiro contra o sistema de dominação da grande burguesia monopolista e financeira, entrelaçadas com os potentados internacionais que tentam subjugar o país ou mantê-lo em sua órbita de poder geopolítico. Para as forças democráticas, patrióticas e populares brasileiras, isto significa que não há uma “muralha da China” a separar a questão nacional das questões democrática e social.


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A luta contra sistema de dominação imperialista em nosso país só pode ser conduzida vitoriosamente se se tomar isto em consideração, pois esta consciência terá como corolário a fixação de alvos e tarefas ajustados à realidade, à correlação de forças, ao nível da batalha em suas distintas etapas. Não haverá fórmulas simples, mas a luta antiimperialista se favorecerá de formulações programáticas corretas, métodos amplos e políticas de alianças que correspondam ao propósito de unir, organizar e mobilizar ponderáveis forças sociais e políticas.

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Ilusões no “imperialismo benigno”




Nos últimos anos, particularmente durante os dois mandatos de George W. Bush o imperialismo estadunidense proclamou e levou a efeito uma espécie de tirania global. Endureceu suas políticas interna e externa, esta última sistematizada na Estratégia de Segurança Nacional, conhecida como “doutrina Bush”, um corpo de ideias de cariz abertamente fascista. A humanidade passou a viver a época da “guerra infinita ao terrorismo”, das guerras preventivas, da violação do direito internacional, da perseguição a países considerados integrantes do “eixo do mal”, do combate estratégico a países que aspiram a jogar um papel de destaque no concerto internacional, de instrumentalização das Nações Unidas, das ações unilaterais. A época, enfim, em que se tornou natural o chefe de turno da superpotência imperialista começar o discurso sobre o estado da União com a frase “A América está em guerra”.

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Em tal contexto cresceu sobremaneira o papel e o lugar ocupado pelo combate antiimperialista na orientação das forças políticas de esquerda, destacadamente dos comunistas. No Brasil, foi sensível o aumento da atividade internacionalista que se traduziu na multiplicação das ações de massas, no surgimento de novas frentes, entidades e coordenações entre forças antiimperialistas, no crescimento e na ampliação da luta pela paz e na solidariedade internacional. Surge o internacionalismo de massas, o internacionalismo do povo brasileiro e isto é um mérito das forças progressistas e de esquerda de nosso país. No que diz respeito especificamente ao Partido Comunista do Brasil, tem sido fecunda a ação prática nesse sentido e a contribuição para plasmar esse internacionalismo de massas.

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Tem sido uma característica saliente também da agremiação comunista brasileira a reflexão política e teórica, resultando em análises e orientações que marcam época quanto à compreensão sobre a crise do capitalismo, ao progressivo declínio histórico do imperialismo norte-americano relativamente ao apogeu de outros períodos históricos e à emergência de novos polos econômicos e de poder geopolítico, assim como na indicação de estratégias e táticas de luta. Revelou-se, assim, o antimperialismo, como um aspecto político, ideológico e prático da linha política geral e da atividade concreta do partido dos comunistas e de outras forças aliadas de esquerda.

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A formação dessa consciência antiimperialista e internacionalista se faz em meio a polêmicas e exige também o combate às ilusões. Há análises que convenientemente situam os dois mandatos de George W.Bush como um hiato na história do imperialismo norte-americano . Apresentam as flagrantes violações à soberania das nações e povos, as agressões e crimes de lesa-humanidade como dificuldades que os Estados Unidos enfrentaram para harmonizar a agenda de afirmação da sua hegemonia unipolar no pós-guerra fria com os princípios do multilateralismo, numa leitura benevolente do que seria um imperialismo “benigno”, porque defensor de princípios multilaterais, que sofre o “maligno” desvio do unilateralismo.

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Tais ilusões devem ser combatidas mormente agora quando o imperialismo norteamericano procede a flexões em sua política externa e encontra-se empenhado na mudança de imagem e na fixação de um perfil de potência que supostamente apregoa a democracia, o respeito à soberania nacional e ao direito internacional e promoverá uma correção de rumos na política externa no sentido do multilateralismo e da não intervenção política e militar nos assuntos de outros países. Estas ilusões estão na base de outra – a de que emergirá, democraticamente e sem conflitos, uma nova ordem multipolar em que os Estados Unidos serão uma espécie de primus inter pares na “comunidade internacional” e até um aliado ou parceiro estratégico, não mais o inimigo principal a combater.
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De igual importância para a prática internacionalista dos comunistas é o combate às ilusões sobre as possibilidades de regeneração do capitalismo, tão em voga até pouco tempo antes de eclodir a presente crise econômica e financeira. Cegos às evidências de crise estrutural e sistêmica, de declínio progressivo e relativo da superpotência norte-americana, de deterioração do padrão dólar e do “longo crepúsculo do capitalismo”, na brilhante formulação de Jorge Beinstein, economista e ideólogo do Partido Comunista da Argentina, não foram poucos os que se deixaram ofuscar pela efêmera e limitada expansão da “era Clinton”. Trombetearam a retomada da “liderança econômica dos Estados Unidos” e chamaram de “catastrofistas” àqueles que insistiam em denunciar perante os trabalhadores e os povos as mazelas do capitalismo como sistema inerentemente gerador de crises.


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O antiimperialismo num cenário contraditório


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O internacionalismo dos comunistas e do povo brasileiro é exercido numa situação mundial paradoxal, marcada por uma unidade de contrários entre, de um lado, as ameaças à própria sobrevivência da humanidade e, de outro, as potencialidades revolucionárias e libertadoras das forças progressistas e dos povos e que derivam da própria realidade objetiva. As ameaças à sobrevivência humana, à paz, à segurança internacional, à democracia, aos direitos dos povos e à soberania nacional fazem parte das políticas levadas a efeito pelas potências imperialistas, pela grande burguesia monopolista e a oligarquia financeira internacionais.

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As políticas que põem em prática são antagônicas aos interesses dos povos e aos direitos dos trabalhadores. A perdurarem essas políticas, a perspectiva é a da degradação continuada da humanidade e de suas condições de vida. É por isso que, sem nenhum dogmatismo, se faz mais atual do que nunca a disjuntiva vislumbrada pelos fundadores do marxismo – e que foi verbalizada por Rosa Luxemburgo nas primeiras décadas do século passado – entre o socialismo e a barbárie. Estamos convencidos de que ou detemos o curso perigoso que o mundo está seguindo – e para detê-lo é preciso muita luta – ou a perspectiva da humanidade é a degradação, a barbárie.

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De outro lado, há muitas potencialidades, perspectivas e possibilidades de luta. Analisando os elementos mais marcantes do atual quadro internacional, justifica-se a adoção, na ordem do dia, da luta antiimperialista e do internacionalismo como tarefas essenciais dos comunistas. Quando nos referimos às ameaças contidas nas políticas do imperialismo, estamos também tratando da política de guerra, intervencionista e de militarização do planeta.


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A partir de meados dos anos 1990 – depois da derrocada do socialismo na URSS e no Leste Europeu, da crise que isso ocasionou para os movimentos sociais e os partidos políticos de esquerda – vem acontecendo um processo de retomada da luta dos povos. Este é o lado contraditório que alimenta as potencialidades do desenvolvimento da resistência à ofensiva do imperialismo e do capitalismo.

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Internacionalismo de massas

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É em face dessa realidade que os comunistas praticam seu internacionalismo e imprimem a este um caráter de massas e de trabalho de frente única, o que estamos denominando de internacionalismo de massas ou o internacionalismo do povo brasileiro.

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A multiplicação de atividades internacionalistas pelas entidades do movimento sindical e popular, a ação multilateral e multissetorial do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz - , hoje na presidência do Conselho Mundial da Paz, a realização de tribunais antiimperialistas, dos encontros contra a ALCA e dos Fóruns Sociais mundial, continental e brasileiro, assim como de manifestações contra as guerras imperialistas têm marcado o movimento democrático, popular e antiimperialista no Brasil nos últimos anos. As bandeiras da paz e da solidariedade com os povos são essencialmente revolucionárias, sendo falso confundir a luta pela paz com reformismo, pacifismo e capitulação.

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A experiência demonstra que a bandeira da paz e da solidariedade aos povos tem caráter intrinsecamente revolucionário. Como assinala o Projeto de Resolução Política do 12º Congresso do Partido Comunista do Brasil, “A luta pela paz surge como uma das mais importantes frentes de combate antiimperialista. Luta que assumiu dimensões gigantescas quando da agressão norteamericana ao Iraque e que, embora num nível diferente, tem sido constante e diversificada, contra as armas nucleares, contra as bases militares, contra as guerras de ocupação”. Esta luta ganha ainda maior significado com a campanha que o Cebrapaz está realizando contra a 4ª Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, relançada para ameaçar os países e povos da América Latina e do Caribe.

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Foco da solidariedade internacional

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Neste contexto, é fundamental que os comunistas atuantes nos movimentos sociais incorporem a bandeira da luta contra a guerra, pela paz e pela solidariedade com todos os povos atingidos pela guerra imperialista. Os comunistas são solidários aos países do Oriente Médio agredidos pelos Estados Unidos e por Israel.

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O Iraque e o Afeganistão foram invadidos logo depois do 11 de setembro, sob o pretexto de caçar Osama Bin Laden. A ocupação dura até hoje. No Iraque, os Estados Unidos concentraram nos últimos seis anos o grosso de suas ações no Oriente Médio. Gira em torno de 150 mil e o número de soldados americanos e aliados atuantes no país árabe. Agora, anuncia-se o aquartelamento dessas tropas e um plano ainda vago de retirada em 2011, elaborado em suas linhas principais pelo governo de Bush e ratificado pelo atual presidente dos EUA, Barak Obama, que anuncia o deslocamento do eixo da intervenção militar estadunidense na região para o Afeganistão, onde tem havido cruentas ações terrestres e bombardeios aéreos. Tanto no Iraque quanto no Afeganistão desenvolve-se uma encarniçada resistência popular que a propaganda oficial identifica com o terrorismo. Obviamente o movimento popular e a solidariedade internacional identificam-se com a resistência nacional antiocupação.


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O Líbano, por sua vez, sofreu com a guerra provocada por Israel, instrumento dos EUA na região, e conseguiu vencer. Foi a primeira vez que o exército israelense sofreu uma derrota acachapante numa guerra com um país árabe. Por isso o Hezbollah se transformou numa força política decisiva e hoje conta com o respaldo de vastas camadas da população libanesa e de todo o Oriente Médio.


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A Palestina, com seu povo martirizado há mais de 60 anos, é depositária da solidariedade militante dos comunistas e do povo brasileiro em sua luta pela criação do Estado livre, soberano e independente, tendo por capital Jerusalém.


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Mesmo nos casos em que os comunistas não tenham identidade ideológica, sua solidariedade é indeclinável com os estados nacionais agredidos e ameaçados pelo imperialismo. Há 30 anos, desde a Revolução Popular que derrubou a monarquia despótica do xá Reza Pahlevi, os Estados Unidos perderam uma das suas principais bases na região do Oriente Médio. Desde então, os EUA conspiram para derrubar o governo iraniano e intervir no país.


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A solidariedade militante se volta também para o conjunto dos países socialistas e não pode ser indiferente, sob falsos pretextos, às pressões, chantagens e ameaças do imperialismo estadunidense à República Popular Democrática da Coréia.



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América Latina e EUA – Interesses antagônicos


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Um dos polos mais importantes da luta antiimperialista na atualidade é a América Latina. A região sempre foi e continua sendo alvo da cobiça e dos planos de dominação do imperialismo. Os interesses dos povos e nações latinoamericanos e caribenhos são antagônicos aos do imperialismo estadunidense, mesmo quando este se apresenta, através de jogadas políticas, com nova linguagem e roupagem.

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O quadro político e a luta democrática e popular na América Latina experimentaram extraordinária evolução ao longo dos últimos 10 anos. Desde 1998 – quando Hugo Chávez foi eleito presidente pela primeira vez – há uma verdadeira onda de movimentos sociais e políticos e vitórias eleitorais de forças progressistas. Esse processo teve reflexos em países como Uruguai, Brasil, Paraguai, Bolívia, Equador, Nicarágua, Argentina, El Salvador. A luta é para que este novo ciclo tenha prosseguimento, que essa onda de vitórias progressistas se prolongue e se consolide.

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Na Colômbia persistem os impasses decorrentes da vigência de um regime antidemocrático, ao passo que o movimento popular insiste em construir saídas para o conflito armado. No México, cresce a oposição a um governo que é resultado da fraude e se distingue pelo entreguismo e a corrupção. No Peru, o exercício de políticas antipopulares e o massacre a populações indígenas desmascaram o governo e fazem crescer o clamor por mudanças.


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No contexto latinoamericano, Cuba se destaca como força simbólica maior, inspiradora de todos os movimentos revolucionários do continente. Uma posição internacionalista do movimento social brasileiro é indissociável da solidariedade a esse heróico povo, à sua luta contra o bloqueio e pela libertação dos seus heróis encarcerados nos Estados Unidos.

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Em meio a tudo isso, aparecem algumas situações – e o caso mais típico é a Venezuela – em que da vitória eleitoral, o presidente vencedor se proclama antiimperialista, revolucionário, defensor da libertação dos povos e da revolução socialista, o que aparece como o fator mais novo e dinâmico da luta pela libertação nacional e social na região. Nossa tarefa é reforçar esses processos revolucionários, democráticos e progressistas com todos os matizes que possam ter.
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in Vermelho - 13 DE JULHO DE 2009 - 18h37

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* Jornalista, escritor, especialista em Política e Relações Internacionais, secretário de Relações Internacionais do PCdoB e diretor do Cebrapaz
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PCs condenam resolução anti-comunista na Europa



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A Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE), reunida em 3 de julho em Vilnius, capital da Lituania, adotou uma resolução anti-comunista, que distorce a história e nega o papel da União Soviética na vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial.


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Em oposição, 50 partidos comunistas e operários de todo o planeta, inclusive o Partido Comunista do Brasil, distribuiram esta semana um protesto contra a grosseira falsificação da história adotada pela organização europeia.

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''Os autores da resolução, falsificadores da história, pretendem fazer esquecer quem cedeu a Tchecoslováquia, em 1938, no Pacto de Munique, o que levou à eliminação do estado de independência do país e à escravização fascista de tchecos e eslovacos'', em menção a Reino Unido e França, que permitiram com o acordo que a Alemanha Nazista anexasse o país centro-europeu.

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Leia abaixo a íntegra da nota dos partidos comunistas e europeus contra a resolução adotada pela organização europeia.

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Declaração conjunta de Partidos Comunistas e Operários


50 Partidos Comunistas e Operários assinam declaração conjunta sobre a resolução anticomunista tomada pela OSCE

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Condenamos energicamente a adoção, em 3 de julho de 2009, em uma sessão regular da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, realizada em Vilnius (Lituânia) de uma nova reolução anti-comunista intitulada ''Europa dividida e reunida'', que contém grosseira distorção da história e nega o papel da União Soviética na vitória sobre o fascismo.

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Aqueles que fazem isso esquecem de lembrar que foi a URSS a nação que fez a maior contribuição para a libertação da Europa do fascismo. Os autores da resolução - os falsificadores da história - pretendem esquecer quem cedeu a Tchecoslováquia em 1938 no Pacto de Munique, o que levou à eliminação do estado de independência do país e à escravização fascista dos povos tcheco e eslovaco.

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Aqueles que votaram a favor da adoção dessa resolução, de fato, justificam e encorajam uma ''caça às bruxas'' contra comunistas em muitos países da OSCE, em que comunistas são perseguidos, organizações da juventude são proibidas e os partidos processados pelo uso de seus símbolos tradicionais.

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Além disso, a resolução oferece grandes oportunidades para a perseguição da ideologia comunista e a adoção de medidas contra os partidos comunistas.

Ao mesmo tempo, testemunhamos a atual reabilitação de nazistas em um certo número de países, inclusive o que sediou a sessão em foco da Assembleia Parlamentar da OSCE.

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Não podemos permitir a ninguém que insulte a memória dos participantes da resistência anti-fascista, que perderam suas vidas lutando contra ao nazismo.

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O agravamento do anti-comunismo na Europa não é um fenômeno passageiro. Mostra o medo da classe dominante diante da exacerbação da crise do capitalismo, da urgência da abolição da exploração capitalista e da necessidade de uma mudança fundamental na sociedade.

A classe operária, todos os trabalhadores, independentemente se concordam ou não com os comunistas, devem repelir de forma decisiva os ataques anti-comunistas, já que a história provou que esses atos preparam terreno para a instalação de uma ofensiva geral contra os direitos sociais e democráticos do povo.

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Desse modo, repudiamos os provocadores e anti-comunistas por meio da luta conjunta pelos direitos dos trabalhadores e pela luta pelo socialismo.


Assinam:

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1. Partido Comunista da Argentina
2. Partido Comunista da Armênia
3. Partido Comunista de Bangladesh
4. Partido Comunista da Belarus
5. Partido dos Trabalhadores da Bélgica
6. Partido Comunista do Brasil
7. Partido Comunista da Grã-Bretanha
8. Novo Partido Comunista da Grã-Bretanha
9. Partido dos Comunistas Búlgaros
10. Partido Comunista do Canadá
11. Partido Comunista na Dinamarca
12. Partido Comunista da Dinamarca
13. Partido Comunista da Finlândia
14. Partido Comunista da Alemanha
15. Partido Comunista da Grécia
16. Partido Comunista dos Trabalhadores da Hungria
17. Partido Tudeh do Irã
18. Partido Comunista da Irlanda
19. Partido dos Trabalhadores da Irlanda
20. Partido dos Comunistas Italianos
21. Partido Socialista da Letônia
22. Partido Comunista do Líbano
23. Partido Socialista da Lituânia
24. Partido Comunista de Luxemburgo
25. Partido Comunista da Macedônia
26. AKFM de Madagascar
27. Partido Comunista de Malta
28. Partido dos Comunistas, Mexico
29. Popular Socialista do México
30. Novo Partido Comunista da Holanda
31. Partido Comunista da Noruega
32. Partido Comunista do Peru
33. Partido Comunista das Filipinas — PKP 1930
34. Partido Comunista da Polônia
35. Partido Comunista Português
36. Partido Comunista Romeno
37. Partido Comunista da Federação Russa
38. Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia — Partido dos Comunistas da Rússia
39. Novo Partido Comunista da Iugoslávia
40. Partido Comunista da Sérvia
41. Partido Comunista da Eslováquia
42. Partido Comunista Sul-Africano
43. Partido Comunista dos Povos da Espanha
44. Partido Comunista da Espanha
45. Partido Comunista do Sri Lanka
46. Partido Comunista da Suécia
47. Partido Comunista da Síria
48. Partido Comunista da Turquia
49. Partido Comunista da Ucrânia
50. União dos Comunisras de Ucrânia

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Solidnet
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in Vermelho - 13 DE JULHO DE 2009 - 13h08
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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Candidaturas a legislativas e autárquicas

06-07-2009

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Agora sim, demagogia e da grande !


Evitando salamaleques e poupando punhos de renda, é melhor dizer já que o título deste «post» se aplica precisamente à anunciada intenção do PS de, a três meses de dois actos eleitorais, proibir por lei a sinultaneidade de candidaturas a legislativas e autárquicas.
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A coisa é tão trôpega e mal enjorcada que foi possível ouvir ontem na SIC e ler hoje nos jornais essa incontornável vedeta chamada
Ana Gomes a dizer que «depois da especulação perfeitamente demagógica» que tinha sido feita sobre a sua e a de Elisa Ferreira candidaturas ao PE e às Câmaras de Sintra e do Porto, esta intenção do PS era «uma decisão razoável por parte do partido». A vedeta que me perdõe mas se a decisão passou a ser «razoável» então a especulação não era «perfeitamente demagógica» ou então temos de concluir que o PS anda a reboque de especulações «perfeitamente demagógicas». Acresce que Ana Gomes parece esquecida de duas coisas muito importantes: a primeira é que tanto ela como Elisa Ferreira eram candidatas em posições elegíveis; e a segunda foi o papel que desempenhou a afirmação de Elisa Ferreira sobre o «assinar o nome» que até permitia, no limite, a suposição de, se eleita para a presidência da Câmara do Porto, continuaria a ser deputada ao PE.

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Depois, em numerosos comentários elogiosos sobre esta intenção do PS, são patentes duas coisas da alguma forma associadas: uma é não distinguir com clareza o reprovável cúmulo de exercício de mandatos e o cúmulo de candidaturas e a outra é um patente mergulho numa espécie de «mundo de faz de conta» em que se esquece que, em mais de 2300 candidatos à AR, apenas 230 serão eleitos, não havendo nenhum motivo para que os restantes sejam atingidos por qualquer diminuição na sua capacidade eleitoral activa designadamente nas autárquicas.
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Para além de se saber se o PS não quererá é livrar-se de alguns candidatos a deputados, estamos outra vez na inaceitável situação de se conceberem leis inspiradas pelas específicas situações ou interesses dos dois grandes partidos, o PS e o PSD.
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Repare-se bem: em 2005, a CDU elegeu 14 deputados e, mesmo esperando-se com fundamento que agora eleja mais, é no mínimo admissível que 210 dos seus candidatos às legislativas não venham a ser eleitos. E agora pergunta-se: faz algum sentido privar a CDU de candidatar às Câmaras Municipais muitos destes seus qualificados quadros ou militantes ? Aliás, também dá vontade de perguntar se, caso o calendário eleitoral fosse outro e não se registasse esta indesejável mas inevitável contiguidade entre as duas eleições, alguém se lembraria destas cínicas engenharias políticas disfarçadas de «transparência» e «respeito pelos eleitores».
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Alegre de nome, tristes as ideias

12-07-2009

. Vítor Dias no Blog O Tempo das Cerejas

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Ainda que de curtas férias e com «o tempo das cerejas» em serviços mínimos mais ou menos estivais, lá terei de anotar alguma coisa a respeito de uma recente afirmação de Manuel Alegre em artigo no Expresso. Com efeito, o insigne poeta e político socialista acaba de sentenciar nesse texto que (sublinhados meus)« as nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluirem-se umas às outras (...)Pelo menos a direita sabe o que quer : quer poder. E não tem os pruridos da esquerda, une-se para o conquistar».
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A frase é de efeito garantidamente fácil e só queria ter notas de cem euros quantos os leitores de esquerda que , ao lê-la, terão feito «sim» com a cabeça. Mas precisamente por ser de efeito tão fácil é que não prestigia o pensamento político de Manuel Alegre.
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Porque a frase não passa de uma choradeira fruto de uma pose tão olímpica quanto estudada e superficial, mete tudo no mesmo saco e afunda-se tanto no lamento quanto foge do apuramento das verdadeiras causas e responsabilidades pela tal falta de união à esquerda.
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Dir-se-ia que, ao escrever este choroso parágrafo, Manuel Alegre se esqueceu que nesse mesmo artigo havia reclamado do PS não apenas uma mudança de estilo mas de «políticas». Ora bem, nem mais, examinar a questão da falta de união das «esquerdas» fora das «políticas» necessárias ou desejáveis é um puro artíficio retórico.
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Dá aliás vontade de perguntar: se, sobre certas matérias, Alegre não se entende com o seu próprio partido, qual é a admiração que os partidos à esquerda do PS tenham com este e os seus governos divergências políticas bem maiores e profundas?
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Finalmente, merece ficar para a pequena história deste ano da graça de 2009 que no final do parágrafo acima citado, M. Alegre insinue que colocar a discussão das políticas à frente de tudo mais são «pruridos» (que a direita não tem).
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Para não ir nem mais longe nem mais fundo no que de grave e inquietante esta frase revela, o melhor é mesmo aconselhar Manuel Alegre a ir depressa para a Foz do Arelho não para pregar aos peixes mas para pescá-los.



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Fumaças do caso BPN

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Sérgio Lemos Oliveira e Costa foi preso em Novembro Oliveira e Costa foi preso em Novembro

Investigação: Oliveira e Costa pediu revogação da prisão preventiva

Juiz obrigado a soltar banqueiro

* Ana Luísa Nascimento com E.D./P.G
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O juiz Carlos Alexandre deverá ser obrigado a libertar Oliveira e Costa se, após o resultado das perícias de personalidade e de saúde, o Ministério Público (MP) mantiver a decisão de acompanhar o pedido da Defesa, tal como noticiou o CM.
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O procurador Rosário Teixeira, que já fez saber que considera ultrapassadas as razões que levaram Oliveira e Costa à cadeia – alarme social e perigo de fuga –, está neste momento a aguardar o resultado das perícias, razão pela qual só se pronunciará em definitivo sobre o pedido de revogação da prisão preventiva durante a próxima semana. No entanto, se mantiver a sua decisão, o juiz não terá outra hipótese senão ordenar a saída da cadeia do banqueiro, mediante uma medida de coacção mais leve.

Esta situação resulta da Lei – artigo 194º do Código de Processo Penal –, segundo a qual, "durante o inquérito, o juiz não pode aplicar medida de coacção ou garantia patrimonial mais grave do que a requerida pelo Ministério Público, sob pena de nulidade". Apesar de "em tese o juiz não estar vinculado ao MP", como explicou um penalista ao CM, com a última revisão penal, que alterou o artigo 194º, "não há margem para dúvidas": "Perante essa situação, ele tem de ser libertado." "O MP é quem faz a investigação e a prisão preventiva é só para assegurar a eficácia da investigação. Por isso, o MP é que sabe", acrescentou outro penalista contactado pelo CM. Resta agora saber se será exigida uma caução e que medida de coacção será aplicada.

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BPN TEM SEIS INTERESSADOS

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Francisco Bandeira, presidente do BPN, revelou que, até ao momento, seis entidades nacionais e estrangeiras já demonstraram interesse no banco. Entre estes encontra-se o Montepio, segundo noticiou ontem o semanário ‘Expresso’. Ainda assim, Bandeira recusou-se a revelar quais os outros interessados na aquisição do BPN, que conta actualmente com 216 balcões.

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Já o Banco Efisa tem três interessados, sendo um deles o anterior dono, Abdool Vakil, e outro um grupo financeiro espanhol com participações em vários sectores e países.

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As sucursais do Banco Português de Negócios no estrangeiro também não escapam ao interesse dos investidores. Segundo revelou Francisco Bandeira ao ‘Expresso’, há dois interessados em adquirir o BPN Paris e outros dois querem o BPN Brasil.

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SAIBA MAIS

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GOVERNO DE CAVACO

José de Oliveira e Costa, de 73 anos, foi secretário de Estado de Miguel Cadilhe durante a governação de Cavaco Silva.

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21 de Novembro de 2008 foi o dia em que o ex-presidente do BPN foi preso. Oliveira e Costa está há oito meses em ‘preventiva’.

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1993 é o ano da fundação do BPN. Oliveira e Costa entrou em 1998 e dirigiu a sua reestruturação, através da criação da Sociedade Lusa de Negócios.

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INVESTIGAÇÃO

Oliveira e Costa está a ser investigado por suspeitas de branqueamento de capitais, fraude fiscal e burla agravada. O processo é de excepcional complexidade.

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In Correio da Manhã - 12 Julho 2009 - 00h30

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» COMENTÁRIOS no CM on linr
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12 Julho 2009 - 22h36 | Justiceiro
Meus amigos, não se queixem da justiça que temos, pois como diz o ditado: cada um tem aquilo que merece!!
12 Julho 2009 - 18h08 | Jorge Mendes
Eu ainda nao percebi foi como o prenderam. Lavagem de olhos ao Ze Povinho...!!!!???? Bruxelas
12 Julho 2009 - 18h06 | Fernando
Caros comentadores não tomem culpas aos Juízes tomem sim as culpas a este governo que mudou as leis para safar os boys
12 Julho 2009 - 17h20 | Gonçalo
Penso que nenhum portugues honesto confia na justiça. E se algum confia so mostra que os portugueses são mesmo burros!
12 Julho 2009 - 17h18 | Irelanda
A nossa Justica e uma Vergonha. se for um pobre a roubar para sustentar a Familia, para onde vai?
12 Julho 2009 - 16h18 | Zé Cardoso
Tem o mesmo direito dos "outros" em estar cá fora. Até estou em crer que vai ser indemenizado, pelo tempo preso!
12 Julho 2009 - 15h59 | Veronica-BRASIL,vivo em meu país...
Eu nunca vi um juiz ser obrigado a ter que soltar um pobre,mas pra rico a sempre uma desculpa deslavada, vergonha...
12 Julho 2009 - 15h49 | Manuel dos Santos
CONTRA OS CANHOES MARCHAR,MARCHAR.NAS PROXIMAS ELEICOES CONTINUAI A VOTAR CAMBADA DE BURROS.ANDORRA
12 Julho 2009 - 15h42 | Joana Garcia
Ainda não conseguimos ver, na cadeia, nenhum destes crápulas que desrespeitam descaradamente o dinheiro dos outros.
12 Julho 2009 - 14h59 | António Almeida
Ningém acredita que seja o único responsável! Ou há moralidade, ou comem todos!
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12 Julho 2009 - 14h53 | militar na reserva
matou filho esta solta. pedofilo com 5 anos de prisão pena suspensa. este é Perigoso? e os politicos do freepor
12 Julho 2009 - 14h50 | Luis Gonçalves
libertem este senhor ou então predam também todos os corruptos que ainda andam á solta para o bem da imagem de Portu
12 Julho 2009 - 14h37 | santos
os milhões que roubou dá para comprar a justiça! mas se tivesse roubado só uma galinha? vergonhoso ser português..
12 Julho 2009 - 14h34 | J.M.Oliveira
É as leis feitas à medida dos mais iguais,com esta termino,vou enviar o meu cartão de eleitor ao Sr. P.R.,tou farto d M.
12 Julho 2009 - 14h33 | PS - LX
pk que não levertam tdos os presos e esta palhaçada desta justiça ficava sem mais incomedos
12 Julho 2009 - 14h03 | BANQUEIRO ESPERTO
AH, GRANDE BANQUEIRO O.COSTA ! COM ESSA, CONSEGUES "DESBANCAR" QUALQUER JUÍZ! VAIS FUNDAR UMA ESCOLA;VIVA PORTUGAL N'É?
12 Julho 2009 - 14h02 | BANQUEIRO ESPERTO
AH, GRANDE BANQUEIRO O.COSTA ! COM ESSA, CONSEGUES "DESBANCAR" QUALQUER JUÍZ! VAIS FUNDAR UMA ESCOLA;VIVA PORTUGAL N'É?
12 Julho 2009 - 13h46 | LA FAMIGLIA
O MELHOR É SOLTA-LOS A TODOS E, VOLTAR A ENCHER COM OS ARRUMADORES, ESSES SIM, SÃO CHUPADOS PELO CONTRIBUINTE!
12 Julho 2009 - 12h58 | Maria Celeste Amado de Oliveira
Se fossem a prender todos,já não chegavam as prisóes!Portanto,libertem lá o homem!!! Miratejo
12 Julho 2009 - 12h56 | jconceiçao
CLARO! ISTO NÃO É AMERICA...CONDENARAM O LADRÃO A 125 ANOS DE PRISÃO!!!LEIRIA
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12 Julho 2009 - 12h52 | empresário com registo criminal
á mãe do menino azul aconteceu o mesmo,JUIZ PERDOA EMPRESÁRIO,ESTAVA COM PENA SUSPENÇA(E A CONDENAÇÃO DAVA CADEIA)TROFA
12 Julho 2009 - 12h40 | Maria
São todos uns corruptos!
12 Julho 2009 - 12h39 | manuel gonçalves
Vamos ver se no caso Isaltino de Morais também funcionará assim.
12 Julho 2009 - 12h27 | Vimdaprovincia
O melhor era acabar com a justiça em Portugal poupava-se milhões ao contribuinte e o pobre tinha iguais resultados
12 Julho 2009 - 12h15 | Vitor
VOLTA SALAZAR E REABRE O TARRAFAL!!!
12 Julho 2009 - 12h01 | Fernanda
Concordo com a libertação, se outros culpados com a administração ruinosa do banco continuam soltos.
12 Julho 2009 - 11h58 | Vitor Oliveira
Será que não haverá mais arguidos/suspeitos que necessitem de estar detidos relativamente ao caso BPN?
12 Julho 2009 - 11h58 | JC
Grande País as leis protegem sempre os bandidos, porque será? Claro quem faz as Leis tem que se precaver. - Lisboa
12 Julho 2009 - 11h34 | António Dias Pires
Continuo a aguardar que Sua Exa. o PR comente em directo na TV este caso, como fez com casos PS.
12 Julho 2009 - 11h05 | Fernando Silva
Bons Juizes!!! Ladrões para a rua e vítimas para a prisão. Que vergonha.
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12 Julho 2009 - 10h57 | C.couto
Isto é caso para dizer, que só falta o juíz ser preso pelo prisioneiro.
12 Julho 2009 - 10h56 | Joaquim
Ahahah. So rir. Gostam? Continuem a votar PS e PSD e eles continuarao a fazer pactos de justica e outras perolas assim
12 Julho 2009 - 10h55 | jose costa
é triste não se alterarem leis para punir severamente quem é vigarista.
12 Julho 2009 - 10h43 | luis pires
Este país é mesmo um paraíso para esses vigaristas o melhor é eu deixar de ser serio e virar um vigarista
12 Julho 2009 - 10h02 | Manuel Pacheco
O que faz os interesses de pessoas gradas ao PSD e a Cavaco Silva.Estava tudo previsto.
12 Julho 2009 - 09h57 | Miguel Pita - Funchal
Aprendam algo com os EUA na forma como resolveram o processo do Sr. Madoff ...
12 Julho 2009 - 09h30 | JAIME JORGE PEREIRA (CASTANHEIRA DO RIBATEJO)
Juiz obrigado?Mas onde está a Justiça?Quantos presos estão doentes e não saem? Há desculpem è os Zés,Pois este não è Zé.
12 Julho 2009 - 09h24 | jpieta
Caro ERangel Temos o BE com 140.000 casas a recuperar faz todos os desempregados em trolhas.Bom visionário!
12 Julho 2009 - 09h19 | jorge leitao
Se fosse um pé rapado certamente não sairia da prisão...linda justiça a deste país!
12 Julho 2009 - 09h14 | jpieta
Juiz sem visão, qualquer cego vê que Oliveira e Costa não faz mal a ninguém e que foi ultrapassado por outros.Tristeza!
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12 Julho 2009 - 03h35 | Bruttus
Este caso,bem como do Apito e da Casa Pia não vão dar em nada!...só servem para dar emprego a Juízes e Advogados !
12 Julho 2009 - 03h25 | andor
Da maneira como o ps montou a lei,todos os criminosos sao soltos.Ate lhes dao beijinhos e abracos.vergonha.
12 Julho 2009 - 03h06 | antonio adao
Pronto lá começa o costume, agora liberta e depois tira a acusação. Assim é Portugal
12 Julho 2009 - 02h53 | Veronica-BRASIL,vivo em meu país...
Ninguém em país nenhum se ler noticia dizendo:JUIZ FOI OBRIGADO A SOLTAR UM POBRE! MUNDO IMUNDO Q NÔJO!!!
12 Julho 2009 - 02h24 | Barros
Se houvesse duvidas que temos duas justiças aqui está a prova. Uma justiça para ricos outra para pobres.
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Produção da Cimianto está parada há mais de um mês

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D.R. Produção da Cimianto está parada há mais de um mês
Produção da Cimianto está parada há mais de um mês
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Produção está parada desde Junho

Empregados não desistem

Os trabalhadores da Cimianto, empresa de Alhandra que fabrica coberturas e isolamentos para a construção civil, continuam a aparecer na empresa, apesar de a produção estar parada há mais de um mês e de terem o salário de Junho em atraso. Os trabalhadores comparecem na firma "porque querem salvar a Cimianto", afirma Luís Santos, delegado sindical e representante dos trabalhadores na Comissão de Credores.

A administração da Cimianto pediu a insolvência da empresa a 26 de Maio, sendo na altura nomeado um gestor de insolvência, que mandou de imediato suspender a produção e cancelou as encomendas, embora continue a sair da empresa material que está armazenado.

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Na próxima terça-feira está agendado um plenário de trabalhadores para se decidir eventuais formas de protesto.

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TRABALHADORES: 83

Dos 83 trabalhadores da Cimianto, apenas 13 estão neste momento a trabalhar.

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V.M. com agência
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in Correio da Manhã -
13 Julho 2009 - 00h30
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PS e o hominho do capachinho !


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Coisas do Circo

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* Emídio Rangel, Jornalista,.

Um raciocínio lógico

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Sócrates e Ferreira Leite são as únicas personalidades que podem vir a ocupar o cargo de Primeiro- -Ministro.
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José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas – são estes os líderes dos partidos que podem sonhar com o cargo de Primeiro-Ministro. Comecemos pelos últimos. Alguém acha que Paulo Portas ou Jerónimo de Sousa podem ocupar o lugar em São Bento? Julgo que não haverá um único português que responda "sim". É completamente óbvio que o CDS, com valores na ordem dos 6%, e o PCP, com resultados que não ultrapassaram os dois dígitos, não podem ambicionar tal lugar.

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Claro que em democracia as pessoas votam em quem querem – mas é um facto incontroverso que a votação no CDS e a do PCP não contribuem minimamente para resolver qualquer problema nacional. Estes dois partidos não têm condições de participar na escolha do Primeiro-Ministro. Nem sequer de um simples secretário de Estado. São os partidos das ‘cassetes’ e estão sempre a pôr-se em bicos de pés para serem vistos. São os partidos da má-língua e não conseguiram progressos nenhuns. É inteiramente justo que as pessoas digam que é o partido em que sempre votaram e ninguém tem nada com isso. Mas Portugal vive uma crise internacional terrível, e a minha pergunta é: nem mesmo nestas circunstâncias encaram a possibilidade de votar no partido mais bem colocado para chegar à liderança do Governo? Francisco Louçã fez uma subida auspiciosa. Conseguiu chegar aos 10% de votos, tornou-se a terceira força política na Assembleia da República. Mas o BE, liderado por Francisco Louçã, não é um partido de poder. Como o Bloco não está empenhado na resolução de nenhum problema do povo português, pode sempre entreter-se a criticar e a construir uma estratégia sistemática de ‘bota-abaixismo’ de que o povo não retira qualquer proveito.

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O Bloco recusa-se até a fazer qualquer coligação com outros partidos para proporcionar as melhorias que tanto apregoa. Ou seja passar das palavras aos actos. É muito cómodo estar na oposição sem pagar o ónus das reformas. O BE assim não cometeu nenhum erro até agora... Vai ajudando a direita a tomar o poder... Restam-nos Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Sem mais, apenas por instinto, você votava em Sócrates ou em Manuela Ferreira Leite para conduzir a vida do País na parte final da crise e no pós-crise? Sócrates e Manuela Ferreira Leite são, de facto, as únicas personalidades que podem vir a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro depois das eleições de Setembro próximo. Ninguém mais poderá estar nessa disputa. Os outros pertencem à segunda divisão. Neste contexto, você escolhe Manuela ou Sócrates? É este o dilema que os portugueses vão viver até Setembro.

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in Correio da Manhã - 11 Julho 2009 - 09h00
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NOTA VN - Se o dilema for este, venha o Diabo e que escolha pois será mais do mesmo, desde há 33 anos. Ae eleições são para deputados à Asse,mbleia da República e o Governo será formado em função dos programas, que PS ou PSD não cumprem por norma. Enfim ...
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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12 Julho 2009 - 15h20 | Maria Adelaide
Engraçado como o escriba começa por "eliminar" o CDS e o PC, pois sabe que o BE é o único que pode dar uma mão a Socrates
12 Julho 2009 - 14h50 | Miguel Figueiredo
O meu voto vai para o PNR. Quero lá saber das tretas do voto útil! Voto no que acredito
12 Julho 2009 - 14h49 | Miguel Figueiredo
O meu voto vai para o PNR. Quero lá saber das tretas do voto útil! Voto no que acredito
12 Julho 2009 - 13h02 | Merenda Lacarte
O teu raciocínio n é tão lógico como te parece. Vai-te sair o tiro pela culatra.Terás de aguentar BES/PS Acordo.
12 Julho 2009 - 13h02 | Nuno Barros
Acho que jornalistas com influências políticas não deveriam escrever artigos sobre este assunto. Vergonhoso!
12 Julho 2009 - 12h42 | Geremias Burrito Ortega
O medo dele é q o PS vá precisar do BES ou do PCP, p/Governar.
12 Julho 2009 - 12h35 | Narciso Vieira
CDS pode ser decisivo para futuro Governo.Ele sabe disso.Lógica de voto util desarma povo abstencta,permitePSincompetent
12 Julho 2009 - 11h29 | antónio ferrer
Não é um bom exemplo de espírito democrático. O que sugere? Que se eliminem os pequenos partidos? De que é que tem medo?
12 Julho 2009 - 09h39 | vitor jesus
Sócrates, mudou para muito melhor,PORTUGAL. MFL representa o passado, que eu recordo, não quero voltar.
12 Julho 2009 - 06h29 | Jaime Silva
Este é agente propagandistico do PS.Este artigo é perverso e cria efeitos contrários ao pretendido.
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12 Julho 2009 - 06h27 | Germana Rodrigues
Este artigo é deshonesto.BES pode ser decisivo no prox Gov;artigo tenta desencorajar abstencionistas de votarem BES ou P
12 Julho 2009 - 04h18 | manuel
Escolho Sócrates porque MFL não.
12 Julho 2009 - 03h29 | Onde isto chega.
Porque devo eu votar no Socrates que é menos mau do que a MFL? Se todos pensarem assim, nem PS nem PSD ganham eleições.
12 Julho 2009 - 03h09 | J. Borba Martins
Ainda falta muito tempo...
12 Julho 2009 - 01h58 | João Meliciano
Gostei de ver que o BE é o partido que mais linhas ocupou neste artigo. Será que não é um partido para governar?
12 Julho 2009 - 01h50 | Patriarca
Estes arautos do sistema... Não existem só 2 partidos ou só 2 candidatos! Qual fez pior ao país? Só mudam as moscas...
12 Julho 2009 - 01h46 | Reinaldo Lourenço
Quem é o sr. para aconselhar o voto do Povo? O Povo já viu o erro que cometeu. Évora
12 Julho 2009 - 01h42 | José Valente
Por natureza qq povo tende a ser reformista moderado.Sócrates ao dar prioridade à propaganda e ao autoritarismo errou.
11 Julho 2009 - 18h05 | J. Rozeira
Sócrates está,corajosa/,a fazer o trabalho sujo q os antecessores ñ foram capazes.Se o tivessem feito,hoje, era melhor.
11 Julho 2009 - 18h02 | E. Urbano
SÓ UM CEGO NÃO VÊ QUE RANGEL TEM RAZÃO. SÓ SÓCRATES OU LEITE. ELA TB JÁ LÁ ESTEVE E QUE FEZ?
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11 Julho 2009 - 17h22 | Maria
Ele que é muito rosa, como lhe deve ter custado escrever o nome de MFL
11 Julho 2009 - 17h21 | ana-santarém
os 2 já estiverm o país já vui k fazem socrates mas quem ñ erra!PSD só dizer mal e diz k disse mas depois ñ disse
11 Julho 2009 - 17h19 | Marinela
O meu voto vai para Ferreira Leite, sem nenhuma duvida
11 Julho 2009 - 17h15 | Nunca mais
Caro Rangel, ha' duas coisas que nunca mais vou fazer: Ler artigos do Michael Jackson e os seus comentarios. Adeus!
11 Julho 2009 - 16h57 | kicas
"as pessoas votam em quem querem mas é um facto incontroverso que a votação no CDS e a do PCP nao servem para nada???"
11 Julho 2009 - 16h38 | pinto
Tenho esperança k os portuguêses ñ sejam ingratos,e reconheçam o trabalho feito até aqui...Aveiro
11 Julho 2009 - 16h30 | observador
Na realidade não tem nenhum que mereça o voto do povo.
11 Julho 2009 - 16h20 | Maria Almeida
Só Sócrates representa a competência. Manuela F.Leite é uma Sra. "que nem sabe que nada sabe". Completamente ignorante.
11 Julho 2009 - 14h36 | Estrela
Eu voto em Ferreira Leite, pois pq era bom se ela pudesse devolver a segurança e a justiça digna. Sócrates, nunca mais!
11 Julho 2009 - 14h20 | JC
Toda a semana o prato é só anti-Sócrates e ninguém diz nada.Ao sábado uma migalha de pró-Sócrates e,logo,aqui-d'el-rei!
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11 Julho 2009 - 13h30 | António Antunes Varela
Rangel está na campanha.Será um dia o novo Ministro da Propaganda de um Governo sem tino e arrogante do Sócrates.
11 Julho 2009 - 13h07 | jor.l
Muito lhe repugna a democracia eos partidos pequenos..
11 Julho 2009 - 13h05 | kassette rangel
O rangel é pior que o cassete carvalhas é sempre a mesma ladaínha
11 Julho 2009 - 12h40 | Topatudo
Pois! Escreveu tanto e não disse NADA! A jogar dos dois lados é fácil ganhar! Força ER! Ainda lá chegas...
11 Julho 2009 - 12h39 | M. Carvalho
Escolho Ferreira Leite, porque Sócrates nunca mais!
11 Julho 2009 - 12h22 | JC
Há quem cante o fado de Coimbra,porque se sente,não o sendo,Dr..Há quem vote BE,porque se sente,não o sendo,intelectual.
11 Julho 2009 - 11h34 | jose santos
Há políticos q se escudam atrás de uma imagem q depois se contasta q não tem conteúdo. É o caso de MFL.É só contradições
11 Julho 2009 - 11h11 | Paula B.
...Mesmo que ele não ultrapasse os dois dígitos (tenha menos de 100%!)
11 Julho 2009 - 11h10 | Paula B.
E,obviamente, ER estará do lado do vencedor...Seja ele qual for!
11 Julho 2009 - 11h07 | Paula B.
Mas algum partido alcança os "três dígitos"?
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11 Julho 2009 - 10h56 | Francisco Brotas
De facto é este o nosso dilema!Dos dois males,saber qual é o menor.A coisa não está fácil.
11 Julho 2009 - 10h49 | Zeferino Zacarias, Almada
Sem mais, e não por instinto e sim por raciocínio lógico, que o mesmo é dizer, por razão, escolherei Ferreira Leite.
11 Julho 2009 - 10h35 | a.marques
RANGEL NA CAMPANHA CEDO. CASSETE EM DESESPERO! MENOSPREZA OS PEQUENOS. SÃO ELES QUE MUITAS VEZES DECIDEM. COM O MEU VOTO
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Domingo, Julho 12, 2009

Jerónimo de Sousa diz que partidos encobrem “podres” dos banqueiros


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Banqueiros financiam CDS-PP, PSD e PS, acusou o líder do PCP

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Discurso em Peniche

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12.07.2009 - 22h44 Lusa
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O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje em Peniche outros partidos políticos de encobrirem as práticas dos banqueiros por dependerem deles para as suas campanhas eleitorais quando falam das pequenas e médias empresas.

CDS-PP, PSD e PS “não tocam nos banqueiros porque são estes que financiam as suas campanhas e que determinam grande parte da comunicação social”, acusou Jerónimo de Sousa, que participava em Peniche num almoço de apresentação dos primeiros cinco candidatos do distrito de Leiria às eleições legislativas.

Segundo o secretário-geral do PCP, os partidos da oposição, “à medida que se aproximam as eleições”, têm vindo a demonstrar uma “súbito amor pelas pequenas e médias empresas”, lançando medidas de apoio ou chamando a atenção para os seus problemas.

Contudo, “nunca denunciam por exemplo as práticas da banca e as suas exorbitantes comissões que anulam a descida das taxas de juro, nem as dificuldades no acesso ao crédito e a exigência de mil e uma garantias” que, segundo o líder comunista, agravam a situação dos pequenos e médios empresários.

“Apontamos o dedo a uma política de direita realizada pelo PS que serve os grandes interesses e o grande capital”, acusou. “Não nos calaremos”, frisou repetidas vezes, sublinhando as injustiças deste Governo face às pequenas e medidas empresas em favor “dos ricos e capitalistas”.
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Neste sentido, recordou os lucros da petrolífera Galp e do grupo económico liderado por Belmiro de Azevedo. “Sócrates não venha dizer que a crise é para todos [...]. Para os banqueiros é tudo mãos rotas”, afirmou o líder comunista.
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No rol das críticas, Jerónimo de Sousa acusou também a comunicação social de se deixar influenciar pelos grandes grupos económicos, não passar as suas propostas, as “partes incómodas” que, segundo o dirigente comunista, são sujeitas a “cortes cirúrgicos” pelas chefias.
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“As nossas propostas para os trabalhadores, para a economia e para as pequenas e médias empresas são sistematicamente silenciadas, caricaturadas e, neste sentido, o nosso protesto”, disse.
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Em relação às eleições legislativas, é objectivo da CDU eleger pelo menos um candidato por Leiria, sendo a lista hoje apresentada liderada por Ana Rita Carvalhais, professora do ensino secundária e membro do Sindicato dos Professores da Região Centro.

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in Público 2009.07.12
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Sindicato dos Magistrados lamenta "perigosíssima governamentalização" da informação criminal

Representantes de juízes, magistrados do Ministério Público e advogados fazem um "balanço negativo" do ano judicial, que entra de férias em Agosto, criticando o sistema informático CITIUS, as novas custas judiciais e a governamentalização da investigação criminal
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in Público 2009.07.12
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Bancos rejeitam proposta de Grupo Orey para o BPP

A proposta apresentada pelo Grupo d'Orey Antunes para viabilizar o Banco Privado Português (BPP) foi rejeitada nos últimos dias por todos os bancos envolvidos no financiamento de 450 milhões de euros que foi feito à instituição.
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in Público - 2009.07.12
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Sá Fernandes vai integrar listas do PS

António Costa falhou acordo de última hora com PCP e Bloco
para a Câmara de Lisboa
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Nuno Simas
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António Costa assinou ontem um acordo com o vereador José Sá Fernandes, eleito pelo Bloco de Esquerda (BE), e apresenta amanhã a sua candidatura à Câmara de Lisboa. Mas o autarca lisboeta ainda fez uma tentativa de última hora para conseguir um acordo do PS com PCP e BE para o município da capital.
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O PÚBLICO apurou que um dos derradeiros esforços foram feitos com o BE, já depois das eleições europeias, em que o PSD venceu e os socialistas saíram derrotados. Com o PCP, os contactos são mais antigos.
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Em ambos os casos, tudo acabou em nada, a exemplo do que já tinha acontecido antes. Até porque tanto os comunistas, com Ruben de Carvalho, como os bloquistas, com Luís Fazenda, já tinham lançado os seus candidatos à maior câmara do país.
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Hoje, depois da assinatura do acordo que permitirá a Sá Fernandes um lugar elegível nas listas do PS, António Costa deixou em aberto a hipótese de novos entendimentos para “o alargamento da base de apoio” da sua candidatura, mas não disse com quem. No limite, “com os lisboetas”.
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Contente com os apoios recebidos nos últimos dias — entre eles o do escritor comunista e Nobel da Literatura José Saramago —, Costa anunciou também que o seu mandatário financeiro será António Pina Pereira, que tivera a mesma função na candidatura presidencial de Manuel Alegre.
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Já José Sá Fernandes, com uma agenda verde, garantiu que continuará a “virar a página” da política ambiental sem pensar muito na transferência dos votos do partido que o elegeu, o BE, para o PS. “Ninguém é dono dos votos de ninguém”, afirmou, parafraseando Alegre.
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in Público - 12.07.2009 - 22h16
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Confrontos matam ao menos 43 na capital da Somália

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Plantão | Publicada em 12/07/2009 às 11h01m

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Reuters/Brasil Online

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Por Ibrahim Mohamed

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MOGADÍSCIO (Reuters) - As tropas do governo somali apoiadas por tropas de paz da União Africana (UA) entraram em confronto com rebeldes no domingo, deixando ao menos 43 mortos no norte de Mogadíscio, segundo residentes e autoridades.

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O governo da Somália e mais de 4.300 militares da União Africana (Amisom) não conseguiram controlar os redutos rebeldes em Mogadíscio e outras regiões da nação do Chifre da África, apesar do apoio e treinamento internacional.

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"Nós matamos 40 combatentes do grupo al Shabaab e continuamos a enfrentá-los. Agora nós os expulsamos de três distritos do norte de Mogadíscio. Tropas de paz da UA estão nos apoiando", disse Salad Ali Jelle, um parlamentar envolvido nos combates.

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O vice-prefeito de Mogadíscio disse que os rebeldes haviam dominado uma área próxima ao palácio presidencial no fim de semana. "A Amisom nos apoiou nesta mais recente operação porque os rebeldes estavam a um quilômetro do palácio presidencial", disse Abdifitah Shawey. "Nós perdemos três soldados no confronto."

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O governo interino da Somália vem pressionando para uma extensão das ações da Amisom para permitir que seus soldados ajudem as tropas do governo a combater grupos de oposição. Tropas de paz da Uganda e de Burundi podem apenas se defender quando atacadas e proteger locais-chave como o palácio presidencial, o aeroporto e o porto.

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Os confrontos na Somália que ocorrem desde que as tropas etíopes derrubaram a União das Cortes Islâmicas em 2006 já mataram ao menos 18 mil pessoas e deixaram milhares de desabrigados. No sábado, confrontos entre rebeldes e tropas do governo mataram ao menos 20 pessoas.

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Somália – 15 anos de Guerra Civil

By onu2008

Mapa da SomáliaA Somália surgiu em 1960, quando dois protetorados uniram-se. Em 1974 assinou um tratado com a URSS, que previa aos soviéticos uma base militar no país africano. Mas o acordo foi rompido após três anos, entre intrigas que envolviam a vizinha Etiópia.

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Com o país sofrendo pelos conflitos internos, o governo central desapareceu após a queda da ditadura pró-soviética de Siad Barre, em 1991. Os “senhores da guerra” tomaram conta do país esfacelado. Desde então, a Somália vive em guerra civil intermitente, a qual matou dezenas de milhares de somalis. Não existe mais unidade nacional, e o país fragmentou-se em regiões.

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Em 1992 iniciou-se, primeiramente no sul, uma ação humanitária da ONU, encabeçadas por tropas dos Estados Unidos da América. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos. Sozinha, a ONU acabou por retirar-se oficialmente a 3 de Março de 1995. Em 1998 registaram-se mais duas cisões no país, e uma quarta em 1999, todas elas de contornos pouco claros. Em outubro de 2004 elegeu-se Abdullahi Yusuf Ahmed como presidente do Governo Nacional de Transição. A eleição aconteceu em Nairóbi, capital do Quênia, já que Mogadíscio era controlada por chefes tribais

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Com a inexistência na prática de um governo central, a Somália persiste imersa em uma guerra civil. Em 5 de junho de 2006, milícias islâmicas – que formam a União das Cortes Islâmicas (UCI) – tomaram grande parte da capital somali. A UCI controla outros territórios no país e pretende impor a lei islâmica (Sharia) nestas zonas. Em junho, o governo somali de transição e a UCI assinaram um acordo de reconhecimento mútuo.

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Imagem chocante da GuerraEm julho de 2006, a UCI passou a controlar todo o sudeste do país e a capital Mogadíscio e avançava para tomar controle do resto do país. O governo interino pediu ajuda internacional, e o Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar Yusuf. Segundo a ONU, as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia e o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia. O governo etíope foi que mais apoiou o governo interino da Somália e, em dezembro, ordenou uma incursão militar direta neste país contra alvos da milícia islâmica. Forças etíopes e do governo interino tomaram várias cidades que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI), inclusive Mogadíscio. O novo conflito levou milhares de refugiados somalis para a fronteira com a Etiópia e o Quênia.

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Os Estados Unidos e o Reino Unido apoiaram a intervenção estrangeira na Somália, pois temem que a UCI tenha ligações com a rede terrorista Al-Qaeda.

Vídeo Somália vs. Etiópia – Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=2PSa6VXRGnk

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REFLEXÃO: A ONU participou ativamente da questão da Somália. Embora no começo não tenha dado muito certo, atualmente há a presença das forças de paz

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FONTES:

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http://www.pucminas.br/conjuntura

Guia do Estudante – Atualidades Vestibular 2008

Págs. 97 a 101
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O legado de Cuba para o Movimento dos Países Não-Alinhados





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Força, unidade e um papel maior como ator internacional, são os três principais triunfos com que Cuba entrega a presidência do Movimento dos Países Não-Alinhados ao Egito, na cúpula a celebrar-se a partir da semana próximo no balneário Sharm El-Sheikh dessa nação do Magrebe.

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Após três anos à cabeça do bloco de integração, que inclui 118 países, a nação caribenha chega à 15 cúpula do fórum com o reconhecimento unânime por seu gerenciamento, que garantiu estabilidade e reanimação do Escritório de Coordenação e seus grupos de trabalho.

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Desde a conferência de presidentes de Havana, em setembro de 2006, até a que inicia amanhã em nível de especialistas neste balneário do Mar Vermelho, os NOAL evidenciaram mais coordenação e efetividade para marcar posições chaves no seio da ONU, disse PL, em uma de suas reportagens.

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Nesse sentido, círculos diplomáticos qualificam de positivo o trabalho feito para fortalecer os laços e a coordenação de posições do movimento com outros mecanismos do Sul, em particular o Grupo dos 77 e a China (G-77).

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Tanto na ministerial inter-cúpulas do Teerã (julho de 2008) como na ministerial preparatória de Havana (abril passado), as nações do NOAL confirmaram o apoio inevitável ao povo palestino e outras nações árabes contra a agressividade de Israel.

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Cuba foi particularmente ativa quando a agressão israelense contra a Faixa de Gaza (ocorrida entre dezembro a janeiro deste ano), que provocou mais de 6,400 mortos e feridos palestinos, e grandes danos.

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Igualmente, a atuação do movimento se diversificou e consolidou em organismos mundiais de grande incidência, com sede em Nova York, Paris, Genebra, Viena e Haia.

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A voz dos NOAL se ouviu com força no Conselho de Direitos Humanos e na Unesco, onde reapareceu após 20 anos de inatividade no debate de temas relativos à cultura, a educação e a informação.

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Similar ativismo mostrou nas organizações Mundial da Saúde, Internacional do Trabalho, e para a Proibição das Armas Químicas, bem como no Organismo Internacional de Energia Atômica.

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De acordo com o próprio relatório de gerenciamento apresentado por Cuba em abril último, o Caucus do NOAL no Conselho de Segurança da ONU manteve-se ativo e aumentou seu nível de ligação com a presidência do Escritório de Coordenação e os restantes países.

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O maior grupo internacional realizou de 2007 ao que vai de 2009 reuniões de alto nível incluídas em seu Plano de Ação aprovado em Havana, e adotou importantes documentos que fixaram as bases para a atuação do fórum e assegurar seu sucesso sob a liderança egípcia.

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Blog O Outro Lado da Notícia
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in Vermelho - 11 DE JULHO DE 2009 - 18h05
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Honduras: uma pequena história da intervenção dos EUA

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Não seria irônico se a primeira intervenção militar do governo Obama ocorresse logo em Honduras? Eu admito que isto seria improvável, mas não impossível. Jovens presidentes democratas com pouca experiência em política externa geralmente sentem uma necessidade de demonstrar a sua disposição de usar a força. Pensem em John F. Kennedy e na Baía dos Porcos. Ou, para usar um exemplo mais pertinente, lembrem-se de Bill Clinton e o Haiti. Em 1994, Clinton enviou tropas àquele país para recolocar o presidente Jean-Bertrande Aristide no poder depois que este foi derrubado por um golpe militar.

Por Max Boot*, para o The New York Times

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Isso soa familiar?

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No Haiti a nossa intervenção não funcionou tão bem. Aristide, embora eleito, não se revelou nem um democrata nem um déspota esclarecido. O país continuou tornando-se mais pobre e caótico. Ele acabou sendo derrubado em um outro golpe em 2004. E dessa vez o presidente Bush foi suficientemente esperto para dar uma carona ao presidente para fora do país - em vez de forçar a sua volta ao poder.

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Esperemos que Barack Obama veja nisso tudo uma lição sobre os perigos da intervenção dos Estados Unidos nas questões internas de uma outra nação - algo do qual ele está bem consciente em se tratando do Irã. Mas ele parece bem menos reticente quanto a interferir nas questões internas de Israel ou Honduras.

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Ele e a secretária de Estado, Hillary Clinton têm denunciado estridentemente a ilegalidade do recente golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya. No entanto, a questão da legalidade daquilo que ocorreu é nebulosa. O exército alegou que estava simplesmente executando uma ordem no sentido de prender e exilar Zelaya. Teria sido melhor se o presidente tivesse sofrido um impeachment ou sido julgado, de forma que pudesse organizar uma defesa legal, mas o lado anti-Zelaya apresenta bons argumentos quanto à ilegalidade das ações do presidente.

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Não houve nada de legal quanto às tentativas de Zelaya de organizar um referendo fraudulento que lhe teria permitido continuar no poder, em desrespeito à decisão do Supremo Tribunal de Honduras. Ele estava nitidamente mobilizando-se - no estilo do seu patrocinador, o presidente venezuelano Hugo Chávez - no sentido de aumentar o seu poder por meios truculentos, mantendo desta forma um invólucro de democracia eleitoral de cerne oco.

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Trata-se de uma situação complexa, e é difícil justificar que os Estados Unidos deveriam empregar o seu poder e prestígio para impor a volta de Zelaya ao poder. Os Estados Unidos deveriam empenhar-se em agir como um mediador honesto para ajudar todos as partes a chegar a um acordo e, mesmo se isto não acontecesse, para fazer com que o processo eleitoral voltasse a ser plenamente funcional.

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Obama, Clinton e o resto do governo deveriam, sem dúvida, manifestar apoio à democracia - que significa o império da lei, e não simplesmente votações. Golpes militares não são mais a maior ameaça à democracia latina. O perigo agora são os demagogos esquerdistas que reprimem a oposição e acumulam poder em suas próprias mãos após serem eleitos. É este exatamente o perigo que muitos hondurenhos viram baixar sobre o país.

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*Max Boot é detentor da bolsa Jeane J. Kirkpatrick do Conselho de Relações Exteriores para estudos sobre segurança nacional. Recentemente ele lançou o livro War Made New: Technology, Warfare, and the Course of History, 1500 to Today / A Guerra Renovada: Tecnologia, Beligerância e o Curso da História, de 1500 aos Dias Atuais. Atualmente ele está escrevendo uma história da guerra de guerrilha.

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Tradução: UOL

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in Vermelho -11 DE JULHO DE 2009 - 23h10


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Fidel Castro: Morre o golpe ou morrem as Constituições





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O líder revolucionário cubano Fidel Castro prevê, em artigo intitulado Morre o golpe ou morrem as Constituições, divulgado neste sábado (11), que se Manuel Zelaya não retomar a presidência de Honduras, a autoridade dos “governos civis” latino-americanos será abalada e regressarão os golpes militares.

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“Se o Presidente Manuel Zelaya não for reinvestido nas suas funções”, escreve Fidel no site www.cubadebate.cu, “uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos na América Latina, ou eles estarão à mercê da extrema-direita militar, formada na doutrina de segurança da Escola das Américas, especialista em tortura, guerra psicológica e terror.”

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Acrescenta Fidel:

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“A autoridade civil de muitos governos na América do Sul e Central seria enfraquecida. Eles não estão muito longe desse tempo tenebroso. Os militares golpistas nem vão dar atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um Presidente que, como Barack Obama, pretende melhorar a imagem desse país. O Pentágono obedece formalmente ao poder civil. As legiões, como em Roma, ainda não assumiram o comando do império.”

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Fidel Castro põe em causa a iniciativa de procurar o diálogo directo com o governo de facto de Roberto Micheletti, considerando tratar-se de uma “armadilha” e uma “humilhação” para o Presidente legítimo das Honduras.

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“Que horrível é ver um Presidente [Oscar Árias, da Costa Rica, anfitrião do encontro] receber um usurpador e tratá-lo da mesma maneira que ao Presidente legítimo”, comentou Chávez.

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“Zelaya sabe que não é apenas a Constituição das Honduras que está em jogo, mas o direito dos povos da América Latina a escolher os seus dirigentes”, comenta Fidel Castro.

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“O presidente ilegalmente derrubado não procura o poder, mas defende um princípio e, como disse José Martí [líder da revolução independentista cubana], ‘um princípio justo no fundo de uma cova pode mais do que um exército’”, afirma.

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Ele disse também que Zelaya foi pressionado para que negociasse um “humilhante perdão” pelas ilegalidades atribuídas a ele, e que esse país está “ocupado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos”.

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Fidel diz que enquanto o presidente americano, Barack Obama, declarava que o único presidente constitucional de Honduras é Zelaya, “em Washington, a extrema direita e os falcões manobravam para que este negociasse o humilhante perdão”.

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“Era óbvio que esse ato significaria perante os seus e perante o mundo seu desaparecimento do cenário político”, afirma.

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“Não seria compreensível que Zelaya admita agora manobras dilatórias que desgastariam as consideráveis forças sociais que o apoiam”, comenta Fidel.

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Ele afirma que “Honduras é hoje não só um país ocupado pelos golpistas, mas também um país ocupado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos”.

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Segundo Fidel, a base militar de Soto Cano, a 100 quilômetros de Tegucigalpa, foi utilizada pelo coronel americano Oliver North “quando dirigiu a guerra suja contra a Nicarágua”, e Washington dirigiu dali “ataques contra os revolucionários salvadorenhos e guatemaltecos”.

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“Ali se encontra a ‘Força de Tarefa Conjunta Bravo’ dos Estados Unidos, composta por elementos das três armas, que ocupa 85% da área da base”, acrescenta.

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“Soto Cano é igualmente sede da Academia da Aviação de Honduras. Parte dos componentes da força de tarefa militar dos Estados Unidos é integrada por soldados hondurenhos. Qual é o objetivo da base militar, dos aviões, dos helicópteros e da força-tarefa dos EUA em Honduras?”, pergunta Fidel.

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“Sem dúvida, serve unicamente para utilizá-la na América Central. A luta contra o narcotráfico não requer essas armas”, disse.

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Fidel adverte que, se Zelaya não voltar a seu cargo, “uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos Governos da América Latina, ou estes ficarão à mercê dos militares de extrema direita, educados na doutrina de segurança da Escola das Américas”.

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“A autoridade de muitos governos civis na América do Sul e Central ficaria debilitada. Não estão muito distantes aqueles tempos tenebrosos. Os militares golpistas nem sequer prestariam atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um presidente que, como Barack Obama, quer melhorar a imagem desse país”, adverte Fidel.

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Blog O Outro Lado da Notícia
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in Vermelho - 11 DE JULHO DE 2009 - 15h37

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Interpelação do PCP ao Governo sobre política de Saúde


Direito à saúde sob ameaça

A degradação do Serviço Nacional de Saúde e a consequente fragilização do direito das populações à saúde são dois traços fortes que marcam a acção do Governo, não diferindo, no fundamental, das linhas orientadoras que presidiram à política de direita dos seus antecessores.
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O Grupo Parlamentar do PCP voltou há dias a colocar na ordem do dia esta dramática realidade que põe em causa esse direito precioso das pessoas que é o direito à saúde, tal como a Constituição o consagra, acusando o Governo de com a substituição de Correia de Campos por Ana Jorge ter procedido a uma «mudança de estilo» que serviu apenas «para disfarçar a manutenção da política».
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Esta foi uma tese central deixada pelo líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, na interpelação ao Governo centrada na política de Saúde que a sua bancada promoveu há dias e no decurso da qual foi demonstrado que o País tem vindo a assistir a um contínuo agravamento da situação na saúde.
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Gastos acrescidos
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Disso é testemunho desde logo o facto de entre 2003 e 2007 os gastos privados em saúde terem sofrido um aumento de 33 por cento, passando de 3 500 para 4 600 milhões de euros, sendo que esse valor suportado pelas famílias àquela última data já correspondia a 2,8% do PIB.
Acompanhando a sua intervenção inicial pela projecção de gráficos com informação estatística detalhada sobre a realidade descrita, Bernardino Soares passou em revista os aspectos fundamentais da acção do ministério da Saúde, não poupando críticas a uma política que do seu ponto de vista beneficia descaradamente o sector privado e, simultaneamente, degrada o Serviço Nacional de Saúde.
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A crítica do presidente da bancada comunista foi arrasadora perante uma equipa ministerial que, jogando à defesa e fugindo quase sempre às questões colocadas, teve de ouvir realidades incómodas como é o caso da relativa à despesa dos utentes com medicamentos, que aumentou de 671 para 766 milhões de euros entre 2005 e 2007, ou seja, em apenas três anos os utentes pagaram mais 95 milhões de euros. «O Governo decidiu poupar dinheiro à custa dos utentes em vez de o ir buscar aos lucros do sector do medicamento», acusou Bernardino Soares, antes de demonstrar, por outra parte, como a falta de médicos de família, que classificou como «um dos casos mais graves» (em apenas seis anos, de 2001 a 2007, a percentagem de médicos de família com mais de 50 anos passou de 23% para 77% do total de médicos nesta especialidade), pode vir a ter «consequências devastadoras nos cuidados de saúde primários e por arrastamento em todos os serviços de saúde».
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Questão forte trazida para o centro do debate pela bancada comunista foi também a da falta de enfermeiros (15 mil nos hospitais e cinco mil nos centros de saúde), carência que resulta apenas da política de restrição de trabalhadores na administração pública, com consequências quer em termos de agravamento do desemprego como no plano da insuficiente resposta às necessidades de cuidados da população.
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Desinvestimento público
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A concentração de serviços, com encerramentos de extensões de saúde, SAP, urgências hospitalares, maternidades e blocos de parto baseados apenas em razões economicistas e em falsos critérios técnicos, foi outra das questões suscitadas pela bancada do PCP, que se insurgiu contra o facto de em muitos locais o serviço público ter sido substituído pelo privado.
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Alvo de acesa crítica foi ainda o favorecimento do sector privado (ver caixa), bem como a política do medicamento, a qual, no entender de Bernardino Soares, está «completamente refém dos interesses privados do sector».
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Visto com muita preocupação pelo PCP é igualmente o financiamento do SNS, tendo sido verberado com dureza o seu sistemático subfinanciamento (de 2005 para 2009, em percentagem do PIB, diminuiu de 5,1% para 4,8%), o que se traduz num «claro desinvestimento nos serviços públicos de saúde», com a consequente restrição da capacidade dos serviços em planos como o do atendimento aos utentes, disponibilidade de consultas, cirurgias e tratamentos.
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Orientação governativa que o PCP não perdoa é também a que privilegia o ataque aos profissionais de Saúde, no quadro do ataque à administração pública, «precarizando os seus vínculos, atacando as suas carreiras e degradando as suas condições de trabalho».
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Reforma falhada
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Para a bancada do PCP, que apresentou com detalhe as linhas essenciais de uma política alternativa (ver caixa), estes quatro anos de política de direita ficam ainda marcados pelo falhanço da propagandeada reforma dos cuidados primários de saúde. «Apesar de princípios positivos, a criação de Unidades de Saúde Familiar fez-se em muitos casos à custa de outras unidades de saúde a quem foram retirados profissionais, continua a não ter o objectivo da generalização a todos os utentes e continua a ter na lei a possibilidade da sua privatização», sumariou Bernardino Soares, convicto de que esta reforma dos cuidadoso primários de saúde «falhou e deixou por resolver os principais problemas».
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in Avante 2009.07.09
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Sábado, Julho 11, 2009

Saúde: Negócio de milhões

Favorecer privados, em prejuízo das populações

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O Governo olha a Saúde não como um direito mas como um negócio e, dessa forma, alimenta e garante lucros de milhões aos privados. A acusação é do PCP que entende que é nesta dicotomia – direito ou negócio – que se estabelece a linha de separação entre uma política de direita e de esquerda. Na interpelação foi demonstrado que as opções do Governo PS nestes quatro anos prosseguiram e aprofundaram no fundamental as linhas de acção antes seguidas pelo PSD e CDS/PP, o que explica, por exemplo, que não haja dinheiro para investimento público em saúde mas já haja para assegurar apoios financeiros directos à construção de hospitais privados, como sucede no que está a ser erigido em Vila do Conde.
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Este foi um dos muitos exemplos carreados para o debate pela formação comunista que lembrou ainda a propósito deste caso o facto de ele ter a particularidade de ser um projecto que beneficia do chamado estatuto de Projecto de Interesse Nacional (PIN). É o «favorecimento descarado de interesses económicos na saúde», condenou o deputado Bruno Dias, pondo em evidência o contraste entre esta opção governativa e a que tem presidido ao encerramento de centros de saúde e maternidades e à recusa em abrir novos serviços, sempre em manifesto prejuízo dos interesses das populações.
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Por isso o parlamentar do PCP considerou que com este Governo os privados têm podido contar com «um negócio garantido, com clientes garantidos e receita garantida», enquanto as populações, essas, «pagam directamente do seu bolso e com os seus impostos».
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A ilustrar bem esta política estão ainda as denominadas parcerias público privadas, fórmula utilizada desde há 30 anos pelos partidos da política de direita para proceder a «uma transferência gigantesca de recursos públicos para cofres privados, a pretexto da construção de hospitais públicos».
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E no sentido de favorecer ainda mais os grupos económicos o Governo chegou mesmo a inventar parcerias para a própria gestão clínica dos hospitais, «passando uma esponja sobre os resultados desastrosos da gestão privada do Hospital Amadora/Sintra e sobre o esbanjamento de dinheiros que ali aconteceu durante treze anos», recordou Bruno Dias, frisando que «nem o governo da senhora Thatcher conseguiu ir tão longe».
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in Avante 2009.07.09
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Cultura antidemocrática do PS/Sócrates

Cultura antidemocrática
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A marcar o debate do estado da Nação esteve ainda o comportamento do ministro da Economia que, por via de um gesto indigno, foi obrigado a demitir-se. Ao contrário dos muitos milhares de trabalhadores que nos últimos anos têm sido empurrados para o desemprego vendo-se em palpos de aranha para dar rumo às suas vidas, sabe-se que Manuel Pinho não terá de passar por esse calvário dado que a mão amiga de Joe Berardo já fez saber ter um lugar à sua espera na administração do museu que tem o seu nome mas que é pago com o dinheiro de todos nós.
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Mas o que esta insólita ocorrência pôs a nu não foi um acto imaturo, contingente, de quem cometeu mais uma gafe ou um gesto irreflectido. O que este episódio revelou, isso sim, verdadeiramente, foi a falta de cultura democrática de um ministro que mostrou conviver mal com o contraditório, com a opinião diferente da sua e, acima de tudo, mostrou não compreender as regras do debate parlamentar nem os papéis próprios da cada órgão de soberania.
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Mas não só. Mais e mais grave, o ar ameaçador com que acompanhou o referido gesto, em que pareceu estar bem treinado (cornos, não com uma mas com as duas mãos e sobre a sua própria cabeça) dirigido ao presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares - que se limitara em aparte a lembrar o papel de intermediário da EDP que o ministro assumira num acto de propaganda em Aljustrel - , o que trouxe a lume, com grande nitidez, foi o nervosismo, a irritação e o destempero de quem, confrontado com as suas patifarias e mentiras, acossado, sentindo-se desmascarado, recorre ao insulto em absoluto desespero.
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Mas é bom que se diga que esta postura é, afinal, também, filha dilecta de um certo estilo e da cultura dominante de um governo que, embora diga com frequência o contrário, deu abundantes e repetidos sinais nestes quatro anos de completo desrespeito pela Assembleia da República e pelos seu deputados, como ficou patente, por exemplo, nos debates quinzenais onde o primeiro-ministro se furtou de forma sistemática e ostensiva às questões que lhe eram dirigidas ou, noutro plano ainda, na falta de resposta cabal dada pelos diferentes ministérios às perguntas e requerimentos dos deputados.
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in Avante 2009.07.09
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Jerónimo de Sousa no debate sobre o estado da Nação


«Há uma política alternativa»
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Realizamos o presente debate sobre o estado da Nação quando se aproxima do fim a actual legislatura e se encerra mais um ciclo governativo suportado por uma impositiva maioria absoluta que em grande e exclusiva medida decidiu e determinou o rumo do País nos últimos quatro anos e o vai deixar em profunda e grave crise.
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Mais um ciclo governativo perdido para a resolução dos problemas que o País há muito enfrenta, na esteira da fracassada acção governativa anterior do PSD e CDS-PP. Um ciclo governativo perdido que prolongou a situação de estagnação e de crise que tem levado à degradação da vida da maioria dos portugueses.
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O estado da Nação é, por isso, o estado de regressão e declínio em que esta maioria e anos sucessivos de política de direita deixam o País.
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Um País crescentemente fragilizado e dependente, cada vez mais injusto e desigual social e regionalmente.
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O estado da Nação é o estado de um País marcado por dramáticos problemas sociais em constante agravamento e por uma grave crise económica que se foi aprofundado ao ritmo e na razão inversa dos anúncios governamentais que a negavam ou das renovadas boas novas do seu iminente fim que nunca chegou.
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As previsões do prolongamento da crise para lá do presente ano, particularmente a perspectiva avançada de um brutal e continuado agravamento do desemprego por parte de insuspeitas instituições internacionais, não só desmente o optimismo eleiçoeiro de um Governo que não tem respostas para a crise, como confirmam que a grave situação económica e social a que chegámos têm causas internas e não apenas externas e que os seus responsáveis podem ser encontrados aqui no País.
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A gravidade da crise e do estado da Nação está bem patente no elevadíssimo desemprego, no aumento da desigualdade na distribuição da riqueza, na contínua destruição do aparelho produtivo, no agravamento de todos os défices estruturais e do conjunto das suas balanças com o exterior que expressam uma cada vez maior dependência externa do País.
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Uma vida pior
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(...) Ao fim de mais de 4 anos de Governo PS, a generalidade dos portugueses sabe que a sua vida piorou. E bem pode o Governo negá-lo, negando a realidade.
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Piorou a vida dos trabalhadores e dos reformados com a continuação da desvalorização dos seus salários reais e das reformas, ao mesmo tempo que cresceu o endividamento das famílias e se agravava a carga e a injustiça fiscal.
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Piorou com o aumento do custo de vida e o brutal aumento do desemprego, que em sentido lato atinge já 625 mil pessoas, dos quais mais de 300 mil não recebem qualquer subsídio de desemprego, porque este Governo o recusa, apesar das nossas insistentes propostas.
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Piorou a precariedade no trabalho para mais 110 mil trabalhadores neste quatro anos, um expressivo aumento que eleva para 31,3% os trabalhadores com um trabalho precário.
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Dois problemas que pela sua dimensão se transformaram num enorme flagelo social que atinge, particularmente os jovens com uma taxa de desemprego de mais de 20% e que as políticas laborais deste Governo desapossaram de direitos.
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Mais que não fosse, ao colocar as novas gerações na primeira fila das gerações sem direitos, este Governo cavou a sua derrota.
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Problemas que acentuaram um enorme sentimento de insegurança da grande maioria da população, seja quanto ao emprego, à manutenção da habitação, ou à garantia do sustento diário, seja quanto à falta de segurança e tranquilidade públicas.
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Reformas que são inaceitáveis retrocessos civilizacionais formatados pelo pensamento do neoliberalismo dominante que estigmatiza de arcaicos e corporativos os direitos que são o resultado da luta de gerações do mundo do trabalho em que o PS participou e agora abandonou e mutilou!
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Reformas que se traduziram em significativos passos atrás nos domínios dos direitos laborais com as alterações do Código de Trabalho e na segurança social que vão eternizar as situações de pobreza na velhice e obrigar os trabalhadores a trabalhar mais tempo para receber uma pensão ainda mais baixa.
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Reformas que são também inadmissíveis retrocessos civilizacionais no direito à saúde, na educação, na administração pública e no acesso aos serviços públicos pelas populações.
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Foi assim com a ofensiva sem precedentes contra o Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais e que levou ao encerramento de serviços e aumento dos custos dos cuidados de saúde.
Foi assim com a ofensiva que desencadeou contra a Escola Pública e a dignidade social e profissional dos professores que desestabilizou a escola.

O agravar dos problemas

Quatro anos de Governo caracterizados pela progressiva desresponsabilização do Estado nas suas funções sociais, enquanto outras funções essenciais são diminuídas como acontece com a penalização das forças de segurança e a limitação dos seus meios.
Quatro anos com uma investida nunca antes vista contra o estatuto, direitos e condições de trabalho e de vida dos profissionais da Administração Pública que acentuou a partidarização do aparelho do Estado e comprometeu a sua independência e autonomia.
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Em que ofendeu e minimizou a dignidade e o estatuto dos profissionais das forças de segurança, dos militares, dos juízes!
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Um Governo e uma maioria que nada faz no combate à corrupção que permanece e corrói a democracia portuguesa e que nada adiantou na resolução dos verdadeiros problemas que enfrenta a justiça.
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(...) Entretanto os portugueses assistiram à passividade do Banco de Portugal e do Governo perante as fraudes de milhares de milhões de euros no BCP, no BPN e no BPP.
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Na área da Justiça, a política deste Governo do PS fica marcada pela criação de mais dificuldades para os cidadãos no acesso à justiça cada vez mais dependente de recursos económicos longe do alcance da maioria da população, por sucessivas tentativas de limitação da independência dos tribunais e da autonomia do Ministério Público e pela criação de mais obstáculos à investigação e combate à criminalidade mais grave e organizada.
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Mas a gravidade do estado da Nação vê-se também na evolução da economia portuguesa, na grave e profunda recessão que País enfrenta, no contínuo processo de desindustrialização do País, de abandono da agricultura e das outras actividades produtivas que levou ao agravamento dos nossos défices crónicos e ao crescimento avassalador da dívida externa que se está transformar cada vez mais num verdadeiro garrote que estrangula o desenvolvimento do País.
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Entre 2005 e 2008 as actividades produtivas definharam, enquanto a especulação imobiliária e a financeirização da economia tiveram um crescimento médio anual de 2,6% e assim tem continuado em 2009.
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Talvez não seja por acaso que os lucros líquidos dos cinco maiores grupos financeiros sempre em forte crescimento nestes anos de Governo PS, tenham em tempo de crise profunda, os mesmos cinco, um lucros neste primeiro trimestre de 2009 de 523,9 milhões de euros e os 17 principais grupos económicos no mesmo período 1 172,2 milhões de euros de lucro.
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Como assim os sacrifícios para todos? Como assim a justificação da crise?
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Por aqui se vê e confirma que as medidas de apoio ao sector financeiro e aos grandes grupos económicos têm na verdade surtido bom resultado, pois continuam a crescer a um ritmo invejável, enquanto as micro, pequenas e médias empresas, apesar da sua importância no emprego e no desenvolvimento económico, continuam a ver negadas as medidas de fundo indispensáveis ao apoio à sua actividade. (...)
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Há alternativa
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É cada vez mais evidente que não será com a mesma política que está na origem da crise que se combaterá a crise e resolverão os atrasos estruturais do País.
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A todos os atingidos pela política deste Governo dizemos que nada está perdido.
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Que no País há outras alternativas e que a crise económica e social tem solução. Que é possível construir um Portugal mais próspero, mais solidário e mais justo.
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Que há um caminho de ruptura e mudança capaz de afirmar uma política alternativa de esquerda que vá ao encontro dos interesses do povo e ao serviço do País.
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Uma política alternativa que, baseada nos princípios e valores da Constituição da República, tenha como grandes objectivos a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e da população, a dinamização da actividade económica, a criação de emprego, o reforço do papel do Estado na economia, a dinamização do mercado interno e o estímulo à actividade das micro, pequenas e médias empresas, o reforço do investimento, o combate aos défices estruturais do País.
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(...) Uma política alternativa que dê resposta com medidas concretas a propostas inadiáveis a urgentes problemas que, nomeadamente, respondam a uma efectiva protecção aos desempregados no acesso ao subsídio de desemprego, que garantam a anulação dos aspectos negativos do Código do Trabalho e da legislação de trabalho da Administração Pública, que reponham a dignidade da profissão docente com a revogação do actual Estatuto da Carreira Docente e a alteração do modelo de avaliação, a devolução da justiça e equidade nos critérios de cálculo e na actualização das reformas e a melhoria das pensões e reformas e a salvaguarda do direito à reforma aos 65 anos.
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Medidas de apoio aos sectores produtivos como a proposta de congelamento dos preços da energia, das telecomunicações e das portagens, de aumento do investimento público e a eliminação do Pagamento Especial por Conta. (...)
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(Subtítulos da responsabilidade da redacção)

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in Avante 2009.07.09
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Luta sindical nos EUA



A acção sindical nos EUA tem salvo os postos de trabalho dos seus associados com iniciativas que beneficiaram da revolta popular contra os grandes bancos. A última vitória ocorreu no início de Julho. Os 4000 trabalhadores da empresa Hartmarx, em Chicago, membros do sindicato Service Employees International (SEIU), alcançaram uma importante vitória contra o gigante da banca Wells Fargo. O banco concordou em manter a empresa a funcionar. Em resultado da ameaça dos trabalhadores de ocupar as instalações, da pressão popular e da ameaça de políticos de tomarem medidas contra o Wells Fargo, o sindicato conseguiu forçar o banco a aceitar a intervenção de outra empresa para manter a Hartmarx aberta.
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Em Dezembro último, os trabalhadores da Republic Windows and Doors, em Chicago, electrizaram o movimento sindical ocupando a empresa. Nessa altura o Banco da América tinha recusado conceder empréstimos para a manter em funcionamento. Os membros do sindicato dos Electricistas (Union of Electrical Workers – UE – Local 1110) ocuparam as instalações da empresa durante seis dias e galvanizaram o apoio internacional à sua luta. Os banqueiros foram forçados a negociar um acordo com os trabalhadores. A antiga Republic reabriu com um novo dono, que assinou um contrato com o sindicato.
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No último confronto entre trabalhadores e bancos, mais de 100 funcionários da Quad City Die Casting em Moline, III., foram informados de que a empresa fecharia a 12 de Julho se o Wells Fargo não lhe renovasse o crédito. Estes trabalhadores são membros da secção local 1174 do UE e exigem que o banco garanta empréstimos à QCDC até que apareça outro investidor ou um novo comprador.
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O vice-presidente da secção local 1110 do sindicato, Melvin Macklin, disse-me que «tal como apelámos ao Banco da América para se responsabilizar, também os trabalhadores da Quad City Die Casting estão a apelar ao Wells Fargo. É a mesma luta.»
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O banco Wells Fargo recebeu mais de 25 mil milhões de dólares do orçamento federal através do programa de ajuda para combater a crise (Troubled Assets Relief Program / TARP). Apesar da enorme ajuda que a administração de Barack Obama tem dado aos bancos, na ordem dos triliões de dólares, os trabalhadores continuam a ser despedidos dos seus empregos e despejados das suas casas. Desde Novembro de 2007 até Junho último, o número oficial de desempregados duplicou, passando de sete para 14 milhões, ou seja 9.4 por cento da força de trabalho. No total há cerca de 30 milhões de desempregados ou subempregados, incluindo «desalentados» e trabalhadores a tempo parcial. A revolta de massas tem vindo a crescer, especialmente contra os bancos, que já receberam mais de 10 triliões de dólares do governo.
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No sítio da Internet do UE, o dirigente Leah Fried escreve: «o Quad City Die Casting esteve no negócio durante 60 anos, fazendo componentes de peças de precisão agrícolas e equipamentos de recreio... Numa recessão como esta, o acesso ao crédito é essencial para os pequenos negócios enfrentarem a tempestade. Mas o Wells Fargo, apesar da sua relação financeira a longo prazo com o QCDC, que inclui a gestão de pensões dos trabalhadores, lavou as mãos como Pilatos. Isto levou os trabalhadores a interrogar-se sobre qual é o principal objectivo do TARP.»
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A 11 de Junho, milhares de trabalhadores de diversas secções sindicais e apoiantes locais manifestaram-se junto das instalações do Wells Fargo em Chicago para pressionar o banco. O UE organizou manifestações de protesto contra o Wells Fargo em outras 20 cidades do país, desde Boston à Califórnia. Para além disso, uma delegação sindical contactou com os gabinetes de cerca de 100 congressistas, na semana passada, apelando a uma investigação à forma como o gigante da banca está a usar o dinheiro que recebeu do TARP.
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Estas lutas põem em causa as medidas que a administração Obama tomou para tentar superar a crise económica do capitalismo. A sua equipa económica de peritos da Wall Street pouco canalizou para a criação directa de empregos dos importantes gastos governamentais. A maioria dos fundos vai para os bancos e para os gigantes da indústria. Na melhor das hipóteses, foram criados apenas três milhões de postos de trabalho. Já se perdeu mais do dobro disso.
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Os trabalhadores do sindicato progressista UE estão a ajudar a mostrar que a crise económica deve ser combatida pela organização, pela solidariedade internacional da classe operária, pela mobilização de massas, pela organização dos desempregados, pela luta contra o lay-off, pela ocupação das empresas antes que sejam fechadas, e acima de tudo pondo os direitos dos trabalhadores à frente dos direitos dos patrões.
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in Avante 2009.07.09
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Uma peça na engrenagem



Uma página de jornal como tantas outras. Neste caso, a página 8 do Sol (03.07.09), dedicada às listas de candidatura às eleições legislativas. Dois terços (com fotografia) dedicados ao PSD. Do restante espaço, quatro colunas para o BE, duas para a CDU. O conteúdo noticioso das notícias sobre o BE e a CDU é idêntico: as duas forças políticas propõem à eleição os deputados actuais. Essa manutenção significa, para o jornalista, que os comunistas são «conservadores», coisa que, naturalmente, não sucede com o BE, que apenas pretende «meter no Parlamento quase toda a direcção do partido».
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Esse propósito do BE é explicado assim por um membro da sua comissão política: «o principal espaço de luta é o Parlamento e aí devem estar os principais dirigentes».
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Muito progrediu o BE desde a sua criação. Já vai longe, pelos vistos, aquele bernsteiniano «movimento» descrito na Declaração «Começar de Novo», empenhado em enriquecer «instrumentos de participação directa dos cidadãos na vida política», tão crítico do «impasse do sistema político português», que sublinhava que «as principais decisões não se tomam em sede parlamentar ou sequer no governo».
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Dez anos de vida ensinaram ao BE muito respeito pelas instituições e pelo parlamentarismo. É este BE que defende que o actual Parlamento Europeu - com uma larguíssima maioria de direita e com a social-democracia que sabemos - deve ser incumbido de elaborar uma nova proposta de Tratado Europeu.
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Não aprendeu com os quatro anos de maioria absoluta do PS.
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Se o actual Governo e a sua maioria parlamentar caminham agora aceleradamente para a derrota, certa e merecida, é porque os trabalhadores portugueses, em vez de considerarem a Assembleia da República «o principal espaço de luta», combateram tenazmente a sua política e defenderam os seus direitos nas empresas, nas escolas, nas ruas, em tantas e tantas grandiosas acções de massas em que os dirigentes do BE vieram mostrar-se, pelos vistos a contra-gosto.
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Começa a assentar como uma luva ao próprio BE a crítica que a sua mencionada <Declaração» fazia então à «política que existe»: «a fulanização aproxima-a de uma feira de vaidades, o minimalismo da dependência face aos media retira-lhe densidade e qualidade».
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in Avante 2009.07.09
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Pouca história e pouca vergonha



Falta história ao PS no combate ao fascismo. O PS da primeira República rendeu-se e dissolveu-se no início do salazarismo. As posições social-democratas, no longo combate contra a «ditadura terrorista dos monopólios associados ao imperialismo estrangeiro e dos latifundiários», andaram pelo colaboracionismo, na «abertura Marcelista», outras vezes pelo «reviralho». Ao PS faltam heróis da luta antifascista, aliás foi fundado em 1973, na crise final do regime. Nas suas fileiras estão democratas que travaram este combate, mas na época não eram do PS, militavam na unidade antifascista que o PCP construiu e que conduziu à Revolução de Abril.
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Dito isto, ficam mais claras as determinantes de classe e ideológicas do PS na sistemática tentativa de rescrita da história e de ocultação do papel dos comunistas e do seu Partido na luta antifascista. O PS visa alterar a verdade histórica conforme os seus objectivos mesquinhos e os interesses do grande capital. Visa esconder que hoje o seu Governo serve os grandes senhores do dinheiro tal qual o fascismo os serviu, noutro quadro e por outros meios. E visa, com uma desbragada pouca vergonha, empalmar no PS, ou pessoalmente em Mário Soares, a luta e os heróis que são património e honra do nosso povo, na medida em que o são deste nosso Partido Comunista Português.
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Foi isso que tentaram em Aveiro, em Maio, quando o PS fez da comemoração dos 40 anos do 2.º Congresso Republicano uma golpada em que falou M. Soares, o MAI e o Governador Civil e foram silenciados democratas que participaram no Congresso e ocultado o papel decisivo dos militantes comunistas Mário Sacramento e João Sarabando. Mas nestes dias foi possível, numa importante sessão da URAP, repor a verdade e honrar a sua memória.
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Foi isso que visaram em Stª. Mª. Feira, no sábado, quando o PS levou Almeida Santos à inauguração eleitoralista de um monumento a Ferreira Soares, dirigente comunista assassinado pela PIDE em 1942, sem que o PCP ou a família pudessem usar da palavra. Mas os comunistas estiveram presentes, com as suas bandeiras, em silêncio de protesto, pondo a verdade a nu. E, como todos os anos, teve ainda lugar uma romagem à campa deste herói do Partido.
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Continuar o combate contra a pouca vergonha do PS e em defesa da verdade histórica é um importante contributo para que – fascismo nunca mais!
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in Avante 2009.07.09
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ver

Ferreira Soares, o médico dos pobres

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O Chora e a Auto-Europa


O ministro Manuel Pinho, após cornear, literalmente e de uma assentada, a Assembleia da República, o Governo a que pertencia, o cargo que ocupava e as regras básicas da civilidade, foi inevitavelmente despedido com os encómios da praxe – aqueles que, nos funerais, transformam qualquer morto num vivo acervo de virtudes.
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As exéquias ao turbulento governante prolongaram-se num «jantar de homenagem» enjorcado pelos colaboradores que o acompanharam na aventura ministerial e, para parecerem muitos, organizaram-se em pequena multidão, que ia desde os motoristas e contínuos aos secretários de Estado, assessores e outros consultores, presentes e pretéritos.
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Tudo isto dificilmente justificaria uma missa, e muito menos uma reportagem, quando um conviva salvou repentinamente a noite e o entremez.
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Foi ele António Chora, o dirigente sindical da Autoeuropa, que fez questão de se apresentar no Solar dos Presuntos (local do repasto) para declarar solenemente ao Pinho, ao jantar e a Portugal que «o ministro fez muito pela indústria do País».
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Tão salvífica prestação valeu ao Chora um lugar à esquerda do ministro, pois claro, e o destaque da sua presença no jantar em todas as reportagens do evento, enquanto ao Diário de Notícias dava a possibilidade de titular o seu relato com a ribombante afirmação «Manuel Pinho fez jantar de despedida com trabalhadores».
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A confirmá-lo, ali estava o Chora a brindar, animadíssimo, entrechocando copos com o próprio governante.
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Acontece que António Chora não é um simples operário entre os milhares da Autoeuropa: é sobretudo porta-voz da Comissão de Trabalhadores (CT) da empresa, papéis que lhe granjearam relevo nacional, no exercício dos quais conquistou inesgotáveis receptividades na Comunicação Social e aberta simpatia nos patrões e comentadores afins.
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Simpatias, aliás, exemplarmente resumidas e fixadas numa crónica de Emídio Rangel, esse opinador fatal, que incensava o Chora porque «fez recuar os anacrónicos sindicatos que temos no País», «tem conseguido travar as reivindicações sem nexo» e tem «provado à saciedade que a defesa dos interesses dos trabalhadores pode ser conciliada com a salvaguarda dos objectivos e propósitos da entidade empregadora». Por isso, lamentava que um plenário geral de trabalhadores tivesse «tramado o Chora» ao chumbar o pré-acordo que este havia cozinhado com a administração da Autoeuropa na sequência de mais uma chantagem, louvando-lhe, para cúmulo, a sua «imensa sabedoria» ao considerar «que os trabalhadores (seus camaradas de trabalho) confundiram as propostas de mais flexibilidade com perda de direitos adquiridos».
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Adaptando o aforismo, «diz-me quem te apoia e dir-te-ei quem és». No caso do Chora, o seu sindicalismo fica reforçadamente «dito» com os apoios que ele próprio já concede a ministros especializados em falências e despedimentos colectivos.
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Por isso não admira que Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, se tenha apressado a demarcar-se do Chora, declarando que «esse jantar não tinha carácter de afirmação política e a participação de António Chora reporta exclusivamente a uma participação de carácter pessoal».
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É que o Chora também é dirigente do Bloco de Esquerda e, convenhamos, não fica bem a uma «Esquerda a Sério» ter um membro da sua Comissão Política a jantar louvores ao ministro do Executivo que mais à direita tem governado nas últimas décadas...
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in Avante 2009.07.09
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«Obamismo», guerra e militarismo



As tropas de Obama iniciaram mais uma ofensiva militar no Afeganistão para tentar liquidar a resistência contra a ocupação estrangeira e se possível fazer alastrar o conflito ao Paquistão, um Estado possuidor de armas nucleares. A chamada «operação paz duradoura» que sustenta a agressão militar dos EUA e da NATO resulta de um acto unilateral que afronta a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional.
Se a guerra contra o Iraque visou fundamentalmente a afirmação da supremacia dos Estados Unidos sobre os restantes aliados da NATO e o controlo exclusivo por Washington do petróleo iraquiano, hoje, ao intensificar a agressão militar no Afeganistão, Obama pretende arrastar os aliados europeus para a guerra e o esmagamento dos povos que se levantem contra o imperialismo. Os Estados Unidos já sabem que, apesar de todo o seu poderio militar e económico, não podem impor sozinhos a sua nova ordem mundial.
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É essa a razão porque o presidente norte-americano, apesar de cobrir de verniz moralista muitas das suas habituais pregações é o primeiro a esconder e silenciar sistematicamente os assassínios e massacres perpetrados pelas tropas norte-americanas nas aldeias afegãs. É isto que está a levar a direita conservadora, os amigos reaccionários de Bush, e os militaristas de todos os matizes a sair das tocas onde tinham hibernado com receio de uma «possível mudança», e a converter-se em menos de um ápice ao «obamismo».
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Mas, se com Obama é mais fácil ganhar os aliados para a guerra e o militarismo, não é menos verdade que os povos não funcionam de acordo com o relógio do império. Na Alemanha, as últimas sondagens continuam a revelar que mais de dois terços da população opõem-se à participação das Forças Armadas na ocupação militar do Afeganistão. O Governo de Ângela Merkel e da social-democracia continua a negar oficialmente que a Alemanha esteja em guerra, apesar de cada vez mais soldados regressarem ao Reno em macas e caixões. A Constituição alemã e o Código Penal prevêem pesadas penas de prisão para os responsáveis pela «preparação e desencadeamento de uma guerra de agressão» (art.26).
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Para obrigar o povo e os soldados a aceitar o militarismo como parte integrante da actual política externa alemã, o ministro da Defesa Jung acaba de criar a «ordem de honra da Bundeswehr pela coragem». É a primeira vez, desde o regime hitleriano e do nazismo que soldados alemães voltam a ser condecorados por participarem em guerras no estrangeiro.
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Ao intervir no recente debate no Bundestag sobre a utilização de aviões-radar AWACS e o aumento dos efectivos militares alemães no Afeganistão, o deputado Norman Paech, em nome dos 60 deputados que compõem o grupo parlamentar do partido «A Esquerda» desmascarou a chanceler Ângela Merkel esclarecendo que «no Afeganistão reina a guerra e a Bundeswehr está cada vez mais enredada neste círculo infernal. O número de vítimas aumenta de forma dramática semana após semana. As tropas estrangeiras não são aceites como libertadoras mas como exército de ocupação (...) O planeado aumento do contingente militar e da artilharia pesada não é nenhuma alternativa e apenas vai aumentar o sofrimento das populações, as perdas de ambos os lados, provocar mais violência, terror e vítimas. A única alternativa é a urgente retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão». Por muito mediático que seja o «obamismo» os povos odeiam a guerra e o militarismo.
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in Avante 2009.07.09
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Ban Ki-moon critica líderes do G8

Eric Fefferberg/Reuters Berlusconi ajuda Merkel a descer do pedestal após a foto de família
Berlusconi ajuda Merkel a descer do pedestal após a foto de família [1]

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Aquecimento Global

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* Ricardo Ramos com agências
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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou hoje os líderes do G8 por não adoptarem metas mais ambiciosas e imediatas para a redução das emissões de gases causadores do efeito de estufa.
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Ontem, no primeiro dia da cimeira de Áquila, no centro de Itália, os líderes dos 8 países mais ricos do mundo chegaram a acordo para reduzir em 80% as suas emissões de gases nocivos até 2050, como forma de combater o aquecimento global. Os líderes vão ainda propor aos países em vias de desenvolvimento, como a Índia e a China, a adopção de uma meta mundial de redução de 50% das emissões até 2050, embora esta seja vista pela generalidade dos observadores como uma proposta muito difícil de gerar consensos.

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Ontem, Ban Ki-moon saudou o acordo alcançado pelos líderes do G8 mas afirmou que eles podiam ter ido muito mais além e adoptado um compromisso mais firme e ambicioso, nomedamente, no que diz respeito às metas a alcançar num período intermédio, até 2020. 'Trata-se de um imperativo moral e de uma responsabilidade histórica, para bem da humanidade e do planeta Terra', afirmou o secretário-geral da ONU.

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Entretanto, no segundo dia de trabalhos da Cimeira, os líderes mundiais discutiram um plano de ajuda ao desenvolvimento agrícola nos países pobres, nomeadamente em África, que deverá chegar aos 15 mil milhões de dólares em três anos, e que será formalmente anunciado hoje, no último dia da Cimeira de Áquila.

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ITÁLIA 'FURA' PROTOCOLO

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Diz o protocolo que as reuniões bilaterais entre os líderes do G8 são privadas e aquilo que ali é discutido deve ficar no ‘segredo dos deuses’. No entanto, o jornal ‘Financial Times’ noticiou ontem que vários assessores do primeiro-ministro Silvio Berlusconi têm seguido as conversas através de microfones escondidos na sala de reuniões.

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De acordo com o rígido protocolo das cimeiras do G8, cada líder apenas se pode fazer acompanhar de um assessor, o chamado ‘sherpa’. É rigorosamente proibido filmar, gravar ou tirar anotações, e a única forma de comunicação com o exterior é através de uma caneta digital na posse do ‘sherpa’. Desta vez, no entanto, parece que não foi assim.

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Segundo o ‘Financial Times’, Berlusconi terá mandado instalar microfones na sala, de modo a que os assessores possam ouvir a conversa no exterior e enviar instruções através do ‘sherpa’. O jornal diz ter tido acesso a um memorando interno da delegação italiana, no qual é recomendado a todos os membros para 'não comentarem o assunto com outras delegações'. Um porta-voz de Berlusconi já desmentiu, afirmando que 'tudo o que é dito na sala fica na sala'.

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in Correio da Manhã -
10 Julho 2009 - 00h30
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NOTA VN - Segundo outras informações Berlusconni iria «apalpar» Angela Merkl, criando um incidente diplomático, evitado pela intervenção de Lula, como se vê na foto.
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Confira na Bodega Cultural:
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009


  • Novas imagens evidenciam as más intenções de Silvio Berlusconi

    Quinta-feira, 9 de Julho de 2009


  • Lula impede que Berlusconi libere seus impulsos sexuais após foto oficial do G8

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    PCP critica modelo de alargamento da escolaridade obrigatória

    Os comunistas dizem que o Governo anda a fazer propaganda com o programa de alargamento da escolaridade obrigatória. Leia os argumentos do deputado Miguel Tiago no blogue Passos Perdidos da Educação .

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    Ricardo Jorge Pinto
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    Expresso - 12:37 Sexta-feira, 10 de Jul de 2009
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    O PCP tem os olhos postos na Educação para o embate na campanha eleitoral. O rol de críticas é extenso e nem o diploma de alargamento da escolaridade obrigatória escapa às acusações dos comunistas.

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    "O diploma não tem prazos para a necessária regulamentação; o diploma faz cessar a gratuitidade do ensino com a conclusão da escolaridade obrigatória que cessa, ao contrário do que se pensa, não no 12.º ano de escolaridade mas sim aos 18 anos de idade do indivíduo. Isto significa três coisas: o PS e o seu Governo apresentam este diploma como forma de fazer propaganda eleitoral, sendo que não terão a mínima possibilidade de lhe dar cumprimento", acusa Miguel Tiago num post do blogue Passos Perdidos da Educação .

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    Honduras: Fidel prevê vaga de golpes na América Latina se Zelaya não retomar o poder


    Havana, 11 Jul (Lusa) - O ex-líder cubano Fidel Castro prevê, em artigo divulgado este sábado em Cuba, que se Manuel Zelaya retomar a presidência das Honduras a autoridade dos "governos civis" latino-americanos será abalada e regressarão os golpes militares.

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    Lusa
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    Expresso - 5:58 Sábado, 11 de Jul de 2009
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    Havana, 11 Jul (Lusa) - O ex-líder cubano Fidel Castro prevê, em artigo divulgado este sábado em Cuba, que se Manuel Zelaya retomar a presidência das Honduras a autoridade dos "governos civis" latino-americanos será abalada e regressarão os golpes militares.

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    "Se o Presidente Manuel Zelaya não for reinvestido nas suas funções", escreve Fidel no site oficial www.cubadebate.cu, "uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos na América Latina, ou eles estarão à mercê da extrema-direita militar, formada na doutrina de segurança da Escola das Américas, especialista em tortura, guerra psicológica e terror."

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    Acrescenta Fidel: "A autoridade civil de muitos governos na América do Sul e Central seria enfraquecida. Eles não estão muito longe desse tempo tenebroso. Os militares golpistas nem vão dar atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um Presidente que, como Barack Obama, pretende melhorar a imagem desse país. O Pentágono obedece formalmente ao poder civil. As legiões, como em Roma, ainda não assumiram o comando do império."

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    Tal como o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela, Fidel Castro põe em causa a iniciativa de procurar o diálogo directo com o governo de facto de Roberto Micheletti, considerando tratar-se de uma "armadilha" e uma "humilhação" para o Presidente legítimo das Honduras.

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    "Que horrível é ver um Presidente [Oscar Árias, da Costa Rica, anfitrião do encontro] receber um usurpador e tratá-lo da mesma maneira que ao Presidente legítimo", comentou Chávez.

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    "Zelaya sabe que não é apenas a Constituição das Honduras que está em jogo, mas o direito dos povos da América Latina a escolher os seus dirigentes", comenta Fidel Castro. "O Presidente ilegalmente derrubado não procura o poder, mas defende um princípio e, como disse José Martí [líder da revolução independentista cubana], 'um princípio justo no fundo de uma cova pode mais do que um exército'."

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    OM.

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    África do Sul: Crise financeira mundial é oportunidade de mudança social - Nobel da Paz


    Joanesburgo, 11 Jul (Lusa) - O prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus afirmou hoje que a crise económica global pode constituir uma oportunidade para uma mudança social positiva.
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    Lusa
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    Expresso - 16:35 Sábado, 11 de Jul de 2009
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    Joanesburgo, 11 Jul (Lusa) - O prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus afirmou hoje que a crise económica global pode constituir uma oportunidade para uma mudança social positiva.

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    Yunus, fundador de um sistema de micro-crédito para os pobres, falava em Joanesburgo durante uma palestra em honra do antigo presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que completa 91 anos no próximo dia 18.

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    O economista, do Bangladesh, defende que a crise financeira mostrou que as formas tradicionais de negócios não funcionam e advoga, pelo contrário, um modelo novo de negócios sociais que possam ajudar a reduzir a pobreza, proporcionar cuidados médicos e água potável às pequenas localidades.

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    Yunus fundou o banco de Grameen há três décadas atrás no Bangladesh, instituição que tem actualmente 7,5 milhões de devedores no mundo inteiro e continua florescente, enquanto outros grupos bancários mundiais entraram em colapso.

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    JMS.

    Lusa

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    Carlos do Carmo mandatário de Costa

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    O candidato do PS à Câmara de Lisboa, António Costa, aposta em conquistar eleitores à sua esquerda. A apresentação formal da candidatura será na segunda-feira, no Jardim de São Pedro de Alcântara, agora com Carlos do Carmo a mandatário.

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    Paulo Paixão
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    18:36 Sexta-feira, 10 de Jul de 2009

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    O fadista Carlos do Carmo será o mandatário-geral da candidatura de António Costa à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. A escolha de Costa recai numa figura da cultura, desde sempre apoiante do PCP (embora seja independente), com um perfil político oposto ao do seu antecessor, o advogado José Miguel Júdice (ex-militante do PSD), mandatário em 2007.

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    Interrogado se agora está a piscar o olho ao eleitorado comunista, António Costa ilude a questão. Diz que na sua opção pesou unicamente o facto de o cantor "ser uma referência de toda a cidade".

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    Carlos do Carmo recorda que sempre apoiou as alianças de esquerda à Câmara, lideradas pelos socialistas Jorge Sampaio e João Soares, ambos tendo Rui Godinho, do PCP, como número 2. "Gostaria de votar em Costa à frente de uma coligação. Não é possível; voto nele neste quadro".

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    O cantor foi um dos subscritores da petição que pretendia lançar uma candidatura única da esquerda à autarquia da capital. Quando lhe foi feito o convite por António Costa, o fadista não demorou muito a decidir-se. "Pessoalmente, dei logo o 'sim'. Mas disse ao António Costa que ia consultar a família. Quarenta e oito horas depois, confirmei a minha resposta".

    Durante a sua permanência na Bica com António Costa, Carlos do Carmo cruzou-se com muitos velhos conhecidos
    Durante a sua permanência na Bica com António Costa, Carlos do Carmo cruzou-se com muitos velhos conhecidos
    Alberto Frias

    Apoio de Saramago

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    O candidato e o mandatário encontraram-se hoje, sexta-feira, ao início da tarde, ao cimo do elevador da Bica. Um local sugerido pelo fadista, que assim regressou ao bairro onde nasceu e viveu até se casar. Durante a permanência no local, Carlos do Carmo cruzou-se com muitos velhos conhecidos.

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    Horas antes de se avistar com o cantor, o candidato do PS recebera já um apoio de peso da área comunista: José Saramago. Pela manhã, na assinatura do protocolo para a produção de um filme sobre a vida do próprio escritor, o Nobel da Literatura disse a António Costa: "Espero que seja presidente por muitos anos mais! (...) As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer. Espero que isso venha a suceder, a tempo de ganhar as eleições".

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    José Saramago foi presidente da Assembleia Municipal, indicado pelo PCP, partido do qual é militante. Foi eleito no quadro da aliança entre socialistas e comunistas, entre outras forças, que levou Jorge Sampaio à presidência da Câmara de Lisboa, há duas décadas
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    Ainda Manuel Pinho

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    Não sou, não fui e julgo que se calhar nunca serei um admirador do ex-ministro Manuel Pinho. O homem não tinha, de facto, nem o aspecto nem o carisma que levasse quem quer que fosse a acreditar que estava ali alguém que poderia dinamizar e fazer avançar a nossa débil economia na senda do êxito.
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    Como de economia percebo um pouco menos do que a minha mulher, como dizia Salgado Zenha, acompanhei o que do ministro Pinho diziam os nossos opinion leaders da matéria nos nossos diversos meios de comunicação social. E para ajudar, apenas me surgiam ali relatos de gaffes, atitudes menos felizes, frases de conteúdo duvidoso ou incongruente, o que me deu do ex-ministro Manuel Pinho uma imagem nada favorável. A pior possível, diria eu.
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    Portanto vivi até agora com a convicção mais ou menos arreigada de que Manuel Pinho não passava de um zero à esquerda, que ninguém atinava porque carga de água é que ele estava enfiado no Governo Sócrates, e que isso talvez apenas fosse porque o cargo não tinha relevo nem importância alguma, ou porque como Sócrates liderava um governo de maioria absoluta, ministros como Manuel Pinho não contavam para coisa nenhuma: estavam ali porque sim!
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    E vieram os casos Quimonda, Autoeuropa, Bordalo Pinheiro, Pirites Alentejanas, tudo misturado com a bombástica declaração na China de que Portugal tinha a mão de obra mais barata da Europa. E foi tudo. Veio o debate do Estado da Nação (que até nem estava a correr mal de todo a José Sócrates, convenhamos) e pimba! vieram os tais corninhos, que a principio julguei serem dirigidos ao inefável Louçã, que tomava a palavra na altura. Foi uma bronca. Ninguém teve uma atitude mais branda para com Manuel Pinho. Nem sequer o grupo parlamentar do PS, sempre pronto a remendar as mazelas e os deslizes dos políticos socialistas. Todos o zurziram impiedosamente e a sua figura a fazer corninhos encheu todo o espaço cibernético!
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    Para meu espanto, agora começam a surgir de todos os lados, elogios à actuação de Manuel Pinho, começando nos trabalhadores de várias empresas por cujos postos de trabalho se diz agora que ele lutou imenso para salvar, até ao estraordinário convite de Joe Berardo, que pode ser tudo o que quiserem menos parvo. De facto, um homem como ele, saíndo do anonimato e fazendo uma fortuna colossal, pode ser tudo menos palerma. E se ele, com a queda para o sucesso nos negócios foi convidar Manuel Pinho para fazer parte dos seus corpos gerentes, é porque Manuel Pinho não era afinal aquela figura meio idiota, meio incongruente que a Contra-Informação retratava, pois um homem como Joe Berardo é daqueles que não dá ponto sem nó. E se ele veio a público fazer um convite daqueles, alguma poderosa razão estará com ele. Ou então andamos todos a dormir na forma. O Futuro nos dirá, caros confrades.
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    Cordialmente José Pires
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    in PortugalClub
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    Orey Antunes compra BPP por um euro


    Banca

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    Ontem

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    A Sociedade Comercial Orey Antunes informou hoje a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários ter adquirido a totalidade do Banco Privado Português e de duas empresas holding do Grupo Privado Português pelo preço simbólico de um euro.

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    "No seguimento do comunicado divulgado no dia 4 de Julho de 2009, a Sociedade Comercial Orey Antunes, S.A. (SCOA) vem informar que acordou hoje a aquisição, pela sua participada Orey Financial, Instituição Financeira de Crédito, S.A. (Orey Financial), da totalidade do capital do Banco Privado Português, S.A. (BPP) e de duas empresas Holding do Grupo Privado Holding (Gest Advisors, Ltd. e Pcapital, SGPS, S.A.), pelo preço total de um Euro", refere a nota enviada à CMVM.

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    O acordo alcançado encontra-se "sujeito à verificação de determinadas condições, em particular da autorização do Banco de Portugal", adverte o comunicado.

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    Tendo em atenção a actual situação financeira do BPP, a Orey Financial acordou que "seja de imediato submetido à aprovação das entidades públicas e privadas relevantes, por parte da administração do BPP, um plano de recapitalização para a recuperação e saneamento" daquela instituição bancária.

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    Simultaneamente, a Orey Financial apresentará um programa de reestruturação do produto "Retorno Absoluto - Investimento Indirecto com Garantia" do BPP que visa assegurar aos clientes que subscreveram este produto uma solução de recuperação a médio prazo do capital investido, refere a nota à CMVM.

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    A aquisição do BPP e das duas sociedades pela Orey Financial enquadra-se na estratégia já anunciada de "centrar a actividade do Grupo Orey na área financeira, desenvolvendo as actividades não financeiras através de um fundo de Private Equity, denominado Orey Capital Partners", conclui o comunicado.

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    in Diário de Notícias

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    Manuel Pinho no país das maravilhas


    SusanaBarbosa - Aveiro

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    Manuel Pinho saiu deste governo tal como entrou, um teórico e desconcertante economista que, para pior dos nossos pecados, nunca viveu no país real. O cabeça de lista por Aveiro às legislativas, que conhecemos pessoalmente, demonstrou logo no distrito a sua penosa ignorância sobre tudo e todos os que pretendia representar, e poucos meses depois, e infelizmente para todos os portugueses, até à passada semana, não parou de nos contemplar com episódios aberrantes do mais profundo desconhecimento da realidade de Portugal.

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    Quando chegou ao poder, Manuel Pinho demonstrou que vinha de férias, e passados quatro anos, na hora de se retirar afirmou publicamente que “Agora o que quero passar é umas belíssimas férias”. Decididamente o homem não demonstrou um mínimo de respeito por Portugal, nem pelos portugueses, numa altura em que a crise impede milhares de cidadãos de gozarem o seu descanso numas férias tranquilas, o responsável em grande parte por muitos dos problemas da economia por resolver, virou costas numa atitude irresponsável, aliás como quase todas as que tomou ao longo do seu mandato.

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    Manuel Pinho a propósito do futuro não confirmou se voltaria para o Banco Espírito Santo depois de umas “belíssimas férias”, e afirmou ainda “não estou convencido que tenha de ter angústias a esse propósito”. No dia seguinte, o famoso empresário Joe Berardo em entrevista à SIC Notícias, convidou Manuel Pinho para o cargo de administrador da sua fundação, frisando que tinha «admiração» pelo ex-ministro da Economia.

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    Ora nem mais, angústias para quê? Que melhor poderia almejar um ministro incompetente como foi Manuel Pinho?

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    E como um mal nunca vem só, Teixeira dos Santos, actual ministro das Finanças, acumulou esta segunda-feira a pasta das Finanças com a da Economia e Inovação, já que Manuel Pinho se demitiu, depois de ter deixado em apoteose a Assembleia da República, onde simulou chifres, um gesto considerado insultuoso, que foi dirigido ao líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares.

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    Quanto ao mais, serão apenas três meses que teremos de esperar para que o cenário mude com novas eleições legislativas, e enquanto isso as classes médias esvaziam-se, as empresas encerram-se, Portugal afunda-se, as esperanças esgotam-se.

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    O debate sobre o Estado da Nação, esse passou à margem do que foi afinal o mediatismo de mais um triste episódio do estado dos políticos. E depois admiramo-nos com a falta de respeito nas escolas, com a falta de ética nos serviços, com a falta de profissionalismo nas mais variadas profissões, e com a falta de educação mesmo no seio das famílias!

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    Portugal continua a girar ao contrário, e os exemplos de dignidade são cada vez mais escassos para que possamos demonstrar às novas gerações que vale a pena ser correcto, honesto e honrado. Cada vez mais, os jovens são atirados para a selva da competição a qualquer preço, aquela que não olha a meios para atingir os fins.

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    O nosso país vive uma das maiores crises de todos os tempos, porque acumula uma enorme crise de valores à crise económica e financeira que a nação atravessa, onde a esmagadora maioria vive num país sufocado, angustiado, triste e sem rumo, e onde uma inebriada minoria vive no “país das maravilhas”.

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    Aveiro, 08 de Julho de 2009 Susana Barbosa

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    in PortugalClub

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    Saramago declara apoio a António Costa

    Autárquicas/Lisboa


    por LusaOntem

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    O prémio Nobel da Literatura José Saramago declarou hoje apoio à recandidatura do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), nas eleições autárquicas de 11 de Outubro.

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    "Espero que seja presidente por muitos anos mais. Espero que isso aconteça. Oxalá! Mas é preciso fazer com que isso aconteça. As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer", afirmou José Saramago.

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    "Espero que isso venha a suceder, a tempo de ganhar as eleições e a tempo de continuar o magnífico trabalho que tem vindo ser desenvolvido pelo Município de Lisboa", acrescentou.

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    O escritor e militante comunista falava na Câmara de Lisboa durante a assinatura de um protocolo para a produção de um filme sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio, com o título provisório de "União Ibérica"

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    in Diário dde Notícias -

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    Visão chinesa: Por que o Ocidente se enerva com os Bric?

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    A cúpula dos Bric encerrou-se no dia 17. A mídia do Ocidente acompanhou com muita atenção o primeiro encontro oficial dos líderes do Brasil, Rússia, Índia e China. Tanto antes como após a sua conclusão, os veículos de alguns países na Europa e dos Estados Unidos revelam nervosismo e inquietação. Vale a pena perguntar a causa desse nervosismo – observa esta artigo do Diário do Povo, órgão do Partido Comunista da China. Veja a íntegra.

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    Funcionários russos haviam dito que o tema desta cúpula são temas como a energia e a estabilidade dos mercados financeiros globais. Mas a mídia europeia e americana insiste em agitar que os quatro países Bric abordam o uso de reservas em moeda supranacional, desafiando o dólar dos EUA.
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    Desde o início da crise financeira internacional o dólar sofreu um grande descrédito. Em diferentes ocasiões líderes da China, Rússia e Brasil têm manifestado ceticismo sobre o estado do dólar, e desejo de comprar novos títulos emitidos pelo Fundo Monetário Internacional.
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    O presidente russo, Dmitry Medvedev, afirmou que seria possível estabelecer uma moeda supranacional por meio de direitos de saque especiais do FMI, para reduzir a dependência do dólar. Os quatro países Bric esperam que os EUA assumam uma atitude mais responsável para o dólar, mas uma parte da mídia ocidental entendeu como se estes países pretendessem pressionar os EUA e atuar como seu contrapeso. O New York Times afirma que a Rússia pretende aproveitar esta cúpula para ''assestar um golpe'' nos EUA.
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    Parece que os europeus e os americanos estão preocupados em certa medida com a emergêncoia dos países do Bric. O Times britânico diz que os quatro Bric tentam formar um ''clube político'' ou uma ''aliança para transformar seu crescente poder económico em influência geopolítica''.
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    O que deixa a Europa e os EUA nervosos?
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    Alguns países europeus e os EUA enervam-se com a emergência dos Bric. Yizhou Wang, vice-diretor do Instituto de Economia Mundial e Política da Academia de Ciências da China, diz que isso é muito natural, do ponto de vista das relações internacionais. Os quatro países Bric não são potências do Ocidente, mas países em desenvolvimento e mercados emergentes. Exigem não só as reformas acordadas nas instituições internacionais e nos domínios monetário e financeiro, mas também outras, no comércio internacional e no problema do clima. Isso faz com que determinadas forças envolvidas sintam-se pressionadas.
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    Wang acrescentou que a cuirto prazo o dólar não será afetado em sua condição de moeda de reserva mundial. Mas os quatro países Bric advogam o pluralismo no sistema monetário internacional. Isso exerce pressão sobre o dólar enquanto centro desse sistema. No entanto, os Bric não exigem o abandono do dólar. Não apresentam um calendário definido para a compra de títulos do FMI. Apenas apresentam sua demanda de uma reforma das instituições existentes e expressam sua determinação levar a reforma a cabo.
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    No que diz respeito à ''aliança política'' levantada pela mídia ocidental, Wu Hailong, diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da China, declarou em termos claros desde antes da cúpula: a cooperação quadrilateral é pública e transparente, não alveja a terceiros e nem visa o confronto.
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    Wang disse que a cúpulados Bric criou uma plataforma de coordenação e cooperação entre os países emergentes. ''Esses países exigem reajustes nas atuais instituições internacionais, e não buscam uma confrontação'', declarou ele.
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    Fonte: Povo Online: http://spanish.people.com.cn
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    in Vermelho - 21 DE JUNHO DE 2009 - 18h09
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    G8 agoniza; Europa lança G14, Obama não sabe, Lula quer G20

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    A cúpula em L'Aquila, Itália, deve ter sido a última do G8. A crise capitalista global decretou o fim do prazo de validade desse coletivo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia. Ficou patente que as grandes nações em desenvolvimento não podem mais ficar de fora – nesta sexta-feira (10), Barack Obama citou a China, a Índia e o Brasil como exemplos. Mas se a morte do G8 parece certa, não há acordo sobre qual ''G'' o substituirá, para não falar das críticas da maioria excluída de países.

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    Por Bernardo Joffily

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    O G8 na verdade nasceu G6: em 1975. No ano seguinte virou G7, com a inclusão do Canadá. E em 1998 acoplou a Rússia, que não era tão rica mas retornara ao capitalismo e é uma grande potência nuclear. O grupo de elite, que se reúne anualmente para coordenar ações em política mundial, sempre foi visto de esguelha pelo resto do planeta.

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    Com a crise, o G8 fez água

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    Quando a crise econômica tingiu sua fase aguda, em setembro passado, o fechado clube dos ricos, que já se reunira 34 vezes, sentiu que precisava de ajuda. O desenvolvimento desigual do capitalismo gerara economias emergentes nos países em desenvolvimento (a começar pela China, que já é a segunda do mundo, pelo sistema de paridade de poder de compra, e a quarta na contabilidade tradicional) sem as quais discutir a crise seria perda de tempo.

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    Assim surgiu, em novembro passado, nos Estados Unidos, a primeira reunião do G20: o G8, mais 11 grandes países em desenvolvimento, mais a União Europeia (veja a tabela). Em abril, houve nova reunião, em Londres. A lógica do debate no G20 mostrou-se polarizada: de um lado ficam os ricos do velho G8, de outro os recém-chegados em desenvolvimento.

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    Levando isso em conta, o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, anfitrião e presidente de turno da cúpula do G8, resolveu testar um outro formato, mais restritivo. E surgiu o G14, que teve sua estreia em L'Aquila.

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    Opiniões diversas sobre o número do ''G''

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    Os líderes que se reuniram na pequena cidade italiana sairam dali com opiniões distintas sobre qual ''G'' deve se afirmar. O único consenso, embora temperado por fórgumas diplomáticas, é que o velho e ultrafechado G8 já deu o que tinha que dar. Mesmo assim, é um consenso nuanceado; a chanceler alemã, Angeka Merkel, acha que o grupo ainda seria "a organização apropriada" para "alguns problemas".

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    Obama deixou sua posição em aberto. ''Estamos em um período de transição, estamos tentando encontrar o formato certo', disse, Segundo o presidente americano, economias emergentes influentes precisam fazer parte de qualquer esforço colaborativo para lidar com os desafios globais. Ele mencionou a China, a Índia e o Brasil, sem arriscar a defesa de uma composição específica.

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    Nesta manhã, Berlusconi, disse que um G14 que reunisse além ricos e emergentes seria o organismo mais adequado para as grandes decisões globais.

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    O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deichou L'Aquila expressando uma posição nítida. “É preciso que haja manutenção do G20 até concluirmos toda essa discussão de economia. Se tivesse que escolher entre o G14 e o G20 eu escolheria o G20”, afirmou Lula nesta sexta, em coletiva à imprensa.

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    Lula também registrou a permanência da polarização Norte-Sul na reunião do G14: “Temos um pouco de divergências por que achamos que é preciso combinar aqueles que fazem pagamento pelo sequestro de carbono com a diminuição das emissões. Se ficar apenas no pagamento pelo sequestro os países ricos, como tem dinheiro, vão continuar emitindo gás de efeito estufa e pagar para os outros sequestrarem”, avaliou.

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    Por que não o G192?

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    Por fim, convém assinalar que mesmo o G20, embora mais amplo que o fechado G8 ou o entreaberto G14, deixa de fora a grande maioria dos países. Alguns deles são economias consideráveis, como a Espanha, 12º lugar no ranking mundial do PIB (Produto Interno Bruto), ou o Irã, 17º PIB e com uma grande população.

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    A maioria de nações pequenas e médias interroga por que não se discute os problemas do planeta na Organização das Nações Unidas, que foi criada em 1945 exatamente para isso.

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    Argumenta-se que a ONU é grande demais e operacional de menos, não teria a agilidade requerida pelos problemas na ordem do dia, a começar pela crise. Os barrados no G8, no G14 e no G20 evidentemente não concordam. Principalmente os países mais pobres, que, sendo maioria numérica e populacional, teriam mais condições de fazer ouvir seus reclamos na ONU, o G192 (as Nações Unidas contam hoje 192 Estados-membros).

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    in Vermelho - 10 DE JULHO DE 2009 - 18h37
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    EUA 'em retirada' do Iraque? Que retirada?

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    Nem bem os soldados dos EUA chegaram à periferia das grandes cidades iraquianas, dia 30/6, começaram as celebrações da 'retirada', cuidadosamente cenografadas. O governo iraquiano pró-EUA declarou "dia da independência" e carros blindados percorriam as ruas de cidades que a guerra destruiu, num arremedo patético de júbilo nacional. Todos os jornais da mídia favorável aos EUA acompanharam o coro, como se ali estivesse o final de uma era.

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    Por Ramzy Baroud*


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    Ao mesmo tempo, funcionários do governos dos EUA e oficiais do exército preveniam os iraquianos contra o risco de agitação social. "Biden alerta Iraque sobre o risco de o país ceder à violência sectária", lia-se numa manchete do New York Times. "O que estamos esperando para sair do Iraque?" perguntava um analista num Kansas City Star. Não se viu, nem nas manchetes nem nas análises, qualquer sinal de que os EUA estejam preparados para assumir responsabilidades pela tragédia que se abateu sobre o Iraque.

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    Quem garante que as ambições dos EUA no Iraque mudaram, se o que os EUA fizeram no Iraque ainda é considerado mais como 'tropeço estratégico', do que como erro moral?

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    O que absolutamente não muda é a arrogância que sempre marcou o modo como os EUA veem o Iraque. "O presidente e eu entendemos que o Iraque já avançou muito, no último ano, mas ainda há um longo caminho à frente, até que o Iraque construa condições de paz e estabilidade duradouras," disse o vice-presidente Biden em visita a Bagdá, dia 3/7. A fala de Biden veio saturada da mesma hubris que caracterizou o governo Bush, em relação ao Iraque.

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    "Ainda não acabou" – disse Biden. Tem razão. Para que tudo possa acabar, é preciso que todos os soldados dos EUA saiam do Iraque; que tenha fim a interferência em assuntos iraquianos; que os EUA levem embora todos os políticos corruptos que minaram a democracia iraquiana e fortaleceram os grupos sectários dentro do governo.

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    A maioria dos norte-americanos está hoje convencida de que a guerra do Iraque nasceu de uma falsidade. Rapidamente culpam o ex-presidende Bush por ter lançado os EUA numa guerra caríssima que jamais deveria ter acontecido. A eleição do presidente Obama parece ter inaugurado um novo discurso de honestidade e de autoexame de consciência nacional nos EUA.

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    A verdade é que os EUA ainda não saíram do Iraque; que a retirada é apenas parcial. E pouco se escreve sobre as intenções dos EUA em relação ao Iraque.

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    Os termos "retirada" e "saída estratégica" dominam todas as análises e discursos da mídia relacionados ao Iraque. Para alguns, essa mudança de linguagem seria feito do novo governo. Mas a recente redistribuição dos exércitos dos EUA não é obra do governo Obama, mas decisão que já estava tomada desde novembro de 2008, por acordo assinado entre o governo iraquiano de Nuri Al-Maliki e o governo Bush. Já se sabia que os EUA fariam uma espécie de 'retirada' do Iraque desde antes de Obama ter sido eleito. O governo Obama apenas cumpriu compromissos já firmados pelo governo Bush. Pelo mesmo acordo, os EUA deverão retirar mais 50 mil soldados do Iraque até agosto de 2010; e a maioria das tropas permanecerão no Iraque até o final de 2011.

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    Então... em 2012, o Iraque será, afinal, independente? Nada disso! "Muitos especialistas creem que os EUA terminarão por conseguir estabelecer e manter no mínimo duas bases militares permanentes no Iraque", escreve Matt Schofield. "São bases consideradas essenciais para assegurar a estabilidade do governo iraquiano, onde haverá militares leais aos EUA e capazes de defender o governo democrático iraquiano."

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    Linguagem tortuosa, que visa a esconder que continuará a haver presença militar permanente dos EUA no Iraque... sinônimo, de fato, de ocupação permanente. É claro que os EUA não precisam ser visíveis em cada esquina, para que o país esteja eficazmente ocupado. O exército e a polícia iraquianos sectários – e treinados e armados pelos EUA – cuidarão de fazer as coisas andarem como mais interessem aos EUA (sempre sob o pretexto de que seja necessário combater o terrorismo), ao mesmo tempo em que os EUA "manter-se-ão prontos a auxiliar no processo, se for necessário e se forem chamados" – como disse o vice-presidente Biden.

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    O Iraque sairá das manchetes, deixará espaço para a escalada no Afeganistão, também em nome de combater terroristas, implantar a democracia e toda o resto. Os rostos das vítimas serão escondidos, para não ferir suscetibilidades. O número de baixas entre os civis será manipulado e, de tempos em tempos, divulgado como "dano colateral" explicável por que os terroristas escondem-se entre a população civil. Em outras palavras, os EUA levarão o espírito da guerra do Iraque para o Afeganistão; mas não sairão do Iraque – onde permanecerão o mais invisivelmente possível. Assim garantirão o sucesso de seus objetivos militares estratégicos e, sendo preciso, culparão o Iraque e o Afeganistão por todas as desgraças que desabem sobre as populações.

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    Contudo, antes de que o mundo esqueça-se do Iraque e olhe em outra direção, os EUA devem saber que são responsáveis por tudo que aconteça no Iraque.

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    A comunidade internacional, os ativistas anti-guerra e as pessoas de consciência, no Iraque e em todo o mundo, não podem esquecer que 130 mil soldados dos EUA permanecem e permanecerão no Iraque; que os EUA controlam completamente o espaço aéreo iraquiano e todas as fontes de água; que nada há para celebrar, na atual 'retirada'. Ainda que haja quem seja suficientemente crédulo para acreditar nas 'declarações' do governo e do exército dos EUA sobre seus próprios movimentos no Iraque, é necessário lembrar o que disse o Almirante Mike Mullen, em fevereiro passado: "O governo Obama planeja deixar no Iraque uma 'força residual' de dezenas de milhares de soldados encarregados de treinar as forças de segurança iraquianas, de caçar terroristas e de proteger instalações e instituições dos EUA no Iraque."

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    Um Iraque soberano, democrático e estável não existirá enquanto a verdade e o bom-senso continuarem a ser ocultados e reprimidos.

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    *Jornalista, editor de PalestineChronicle.com. Traduzido por Caia Fittipaldi.

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    Da redação
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    in Vermelho - 10 DE JULHO DE 2009 - 20h21
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    Depoimento: 'Foi um massacre, não um protesto em Urumqi'

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    O artigo que reproduzimos abaixo é uma carta enviada ao jornal chinês Global Times na quarta-feira (8), por Karmia Chan Cao, que nasceu em Urumqi e perdeu quatro parentes na baderna que acometeu a capital da Região Autônoma do Xinjiang, em 5 de julho.



    Vítimas do massacre são atendidas
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    Sou estudante da Stanford University, nascida e criada em Urumqi como uma Han chinesa. Atualmente resido em Pequim. Em 5 de julho, baderneiros uigures, próximos ao mercado de Erdaoquiao, assassinaram quatro membros da minha família. Duas amigas minhas, de infância, foram curradas dentro das lojas que dirigiam na avenida Tuanjie.

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    Um dos meus primos, uma criança, foi atirada do quinto andar de um prédio comercial por dois homens. Eles também esfaquearam minha tia, mãe de meu primo, que está agora lutando pela vida na UTI do Hospital de Mulheres e Crianças de Urumqi. É por essas vítimas que escrevo, contra aqueles que estão tentando destilar sentimentos anti-comunistas e anti-chineses pela atual situação.

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    Isso foi um massacre, não uma ''demonstração pacífica'' que o Congresso Mundial Uigur alega ter sido. Foi um ato brutal de limpeza étnica conduzido por fundamentalistas islâmicos uigures contra cidadãos Han.

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    A situação envolveu quatro grupos distintos e independentes: os extremistas uigures; a vasta maioria de uigures simples que não tomaram parte na baderna; os Han e o governo. O governo agiu e cercou a cidade na manhã de segunda-feira, para evitar que uigures ou hans viessem até Urumqi e aumentassem ainda mais a violência entre os dois grupos. O sistema de comunicações foi desligado por razões de segurança nacional e regional, não por uma demonstração vergonhosa de poder.

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    Se esses mesmos baderneiros estivessem ''se manifestando'' com ataques indiscriminados nas ruas de cidades do Reino Unido ou dos Estados Unidos, esse acontecimento seria chamado como o que de fato foi: um ataque terrorista. Dezenas de testemunhas com as quais tive contato disseram que não viram manifestantes nem sinais pacíficos.

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    ''Havia milhares de uigures brandindo facas. Eles começaram a gritar e urrar de repente, descendo rumo à região do Grande Bazar na avenida Erdaoqiao, e também desceram por outras duas ruas que levam até lá, atacando todos os pedestres da etnia Han que não conseguiram se esconder a tempo'', disse Meng Yuanli, um operário aposentado que estava voltando de bicicleta para casa e passava diante do mercado de camponeses.

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    ''A maioria deles era de adolescentes; alguns deles ainda tinham a voz esganiçada da puberdade. Eu não consegui correr a tempo e um jovem acabou me tirando da bicicleta com um chute. Em seguida atingiu meu rosto com um tijolo por três vezes'', disse Meng, contando também que sua mãe, de 82 anos, foi surrada até entrar em coma no momento que levava o lixo de casa para a rua.

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    A senhora Hai, da Mongólia Interior, disse que ''eles primeiro bateram nas pessoas, depois saquearam as lojas, daí um outro grupo começou a incendiar os automóveis. Minhas crianças e eu nos escondemos sob a cama, atrás da máquina registradora, quando alguns deles abriram as portas, levaram as bebidas e cigarros e, ao nos descobrirem, cortaram minha mão direita e quebraram uma garrafa na cabeça de minha filha mais nova. Não tivemos coragem de tentar sair para pedir ajuda ou ir ao hospital, com medo de sermos mortos''.

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    A vizinha dela, Liu, também foi atacada, ficou cega permanentemente e sua loja foi incendiada. ''Perdi oito anos de trabalho duro'', chorava Liu. ''Perdi tudo que eu tinha e eles também acabaram com minha visão. Eles gritavam 'matem todos os Han', e eu não fiz nada a eles''.

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    Nem tampouco uma amiga minha de 16 anos, que foi atacada dentro da linha de ônibus 901, depois de sair da escola após ter feito sua última prova.

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    Seu pai, Zhou, contou a mim, chorando, que o rosto dela foi tão machucado que ela ficará desfrigurada para o resto da vida. ''Quatro camadas de pele transplantada não conseguirão devolver a felicidade à minha menininha de novo'', chorava.

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    Poucos dos jornalistas que escreveram artigos para a mídia ocidental estão informados sobre o que aconteceu de fato nesta violência toda. A mídia ocidental geralmente só se preocupa em fazer artigos sobre a opressão do governo contra as minorias na China.

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    Ignorantes do 'zeitgeist' social e da história cultural da região, e com uma atmosfera de sentimento anti-muçulmano e anti-chinês no Ocidente, repórteres, como Edward Wong, do The New York Times, escolheram fazer o mais fácil, que é atacar mais uma vez o governo chinês.

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    Eles reproduzem com aspas as frases da ''Organização Uigur-Japonesa'' e de grupos similares, ao invés de conversar diretamente com as vítimas para descobrir a verdade. Este não foi um protesto político, mas sim uma violência em massa, propelida pelo fundamentalismo e pelo racismo contra a etnia Han.

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    Entretanto, esses baderneiros não representam, de modo algum, o conjunto da população uigur. A maioria dos baderneiros era adolescente, crianças que são facilmente convertidas em títeres por grupos fundamentalistas baseados em Turpan.

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    O senhor Meng se escondeu na casa de um amigo uigur, dois quarteirões do lugar onde foi atacado. ''Uti Kuar, horrorizado, pedia desculpas repetidamente, enquanto via as atrocidades a partir de sua janela. Ele recebeu mensagens de outros amigos uigures para não sair à rua após o jantar. Mas ele não fazia idéia do que estava para acontecer. Caso soubesse, teria advertido a gente'', conta.

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    ''Nem todos os uigures participaram disso. Apenas os extremistas. Eu espero que o governo possa agir rapidamente, antes que isso se transforme em uma guerra racial. Eu perderia meu amigo'', completa Meng.

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    No momento que escrevo, na tarde de 7 de julho, seu medo começa a se transformar em realidade. Milhares de Han agora tomam as ruas, com os olhos repletos de ira por causa das mortes. Se o governo não reagir e reprimir com dureza todas as ações violentas, então haverá mais banhos de sangue no Xinjiang, pelo tempo que a memória dos massacres perdurar.

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    Se tal baderna não foi terrorismo, então eu não sei mais o que foi. E peço que, em nome dos povos Uigur e Han, que foram ignorados pelo Ocidente, que olhem mais de perto a verdade que se passou no Xinjiang.

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    Fonte: Global Times (http://www.globaltimes.cn/)

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    in Vermelho - 10 DE JULHO DE 2009 - 17h26

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    Tribunal europeu confirma ilegalização de esquerda basca

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    O Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) decidiu, dia 30, apoiar a política do governo espanhol que levou à ilegalização, em 2003, do Herri Batasuna e do Batasuna, partidos da esquerda independentista basca que haviam apelado para aquela instância, evocando legitimamente a "violação do direito à liberdade de associação e de expressão".

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    Todavia, o TEDH entendeu que a justiça espanhola não violou a Convenção Europeia dos Direitos do Homem ao sentenciar a dissolução daqueles partidos porque, afirma, esta decisão "correspondeu a uma necessidade social imperiosa". Deste inusitado argumento infere-se que os direitos humanos podem, afinal, ser suspensos em caso de "necessidade social imperiosa", conceito subjectivo que naturalmente é deixado em abstrato.

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    Mas, mais grave ainda, os direitos humanos podem simplesmente ser negados a toda uma categoria de cidadãos, como se depreende da seguinte formulação que fundamenta o presente acórdão: "Um partido político cujos responsáveis incitem ao recurso à violência ou que proponham um projecto que não respeite as regras da democracia não pode recorrer à proteção da Convenção Europeia dos Direitos do Homem".

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    Desta forma, o TEDH justifica antecipadamente qualquer governo que decida calar vozes incômodas, partidos ou movimentos políticos que lutem por uma transformação progressista da sociedade e que facilmente podem ser rotulados de antidemocráticos, tanto mais que os magistrados aceitaram sem qualquer ponderação as "provas" usadas pela justiça espanhola para rotular de "terrorista" toda a esquerda independentista basca.

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    Com a mesma fundamentação, o Tribunal rejeitou por unanimidade os recursos apresentados pelos candidatos impedidos de concorrer ao Parlamento de Navarra e às eleições europeias, que evocaram "entraves à liberdade de expressão dos eleitores".

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    Negando-lhe provimento, o TEDH desprezou os direitos civis de uma parte importante do eleitorado basco que, eleição após eleição, tem insistido em manifestar a sua vontade, votando em boletins próprios ou em candidaturas que se solidarizam com a causa da esquerda independentista.

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    Foi o caso recente da lista encabeçada pelo dramaturgo Alfonso Sastre, II-SP, que, após ter sido proibida num primeiro momento, recolheu no País Basco 116 mil votos, ou seja, 16 por cento do total de sufrágios, sendo apoiada na província de Guipuzcoa por 23,4 por cento dos eleitores, quase um em cada quatro.

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    Recorde-se que outros partidos que registaram votações maciças no terreno da esquerda independentista, caso do Partido Comunista das Terras Bascas, foram em seguida ilegalizados.

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    Ao subordinar o reconhecimento dos direitos humanos a considerações subjetivas de ordem política, o Tribunal de Estrasburgo não só subverte o conceito de direitos humanos universais, como também anula a razão da sua própria existência. O que daqui resulta é algo que nem com boa vontade se poderá chamar democracia.

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    Jornal Avante!

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    in Vermelho -10 DE JULHO DE 2009 - 15h49
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    Sexta-feira, Julho 10, 2009

    Que manifesto para a economia social?

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    por Sandra Monteiro


    Em Portugal, a economia social está muito ausente do espaço público e mediático. A situação, que não é nova, manteve-se com a actual crise do capitalismo financeiro, apesar de tudo indicar que este é um momento propício para outros modos de conceber a economia, como acontece com a economia social, surgirem com as suas concepções, experiências e propostas. Poder-se-ia pensar que esse silêncio traduz simplesmente a falta de peso do sector no conjunto da economia, mas basta olhar para os dados relativos ao número de organizações (cooperativas, mutualidades, associações, fundações…), bem como de trabalhadores, membros e volume de vendas envolvidos neste sector para verificarmos que a invisibilidade é desproporcional ao seu peso (ver, no dossiê sobre Economia Social da edição de Julho, o artigo de Manuel Canaveira de Campos, «A economia social – outra forma de economia»).

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    As causas do silêncio são mais complexas e têm que ser procuradas a montante, tanto no interior do próprio sector, como nos dois pólos com que historicamente tem sido relacionada, o mercado e o Estado. Para isso é necessário compreender as dinâmicas políticas de estruturação de cada um desses pólos, pois elas dão origem a diferentes arranjos políticos e institucionais, em função de diferentes tensões e escolhas que ao longo do tempo são feitas nas sociedades.

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    E porque é realmente de escolhas de sociedade que se trata, escolhas essas que operam sobre toda a organização social, mesmo quando não resultam de processos muito transparentes, é ainda necessário fazer intervir na arqueologia da estruturação (actual e futura) desses pólos pessoas com conhecimentos específicos sobre a economia social: membros das suas diferentes organizações, poderes públicos e estruturas com que desenvolvem formas de cooperação (das estatais às sindicais) e investigadores dos meios académicos. Mas também devem ser chamados à participação elementos exteriores, isto é, os membros das diferentes comunidades em que os cidadãos se inserem, e que de um modo geral podemos designar por comunidade.

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    Propor que se invista nesta partilha de experiências e conhecimentos, e que se debata a economia social, como sector, com interlocutores específicos, é certamente simples, mas não é neutro. E isso deve ser assumido com clareza, porque nada prejudica mais o debate do que presumir-se que ele não será plural. Quebrar a invisibilidade da economia social passará por reconhecer a extrema diversidade de soluções organizativas e de actividades (produção de bens e serviços, distribuição, crédito, etc.) que caracteriza o sector. Essa heterogeneidade é, em parte, responsável pela dificuldade que o sector tem de se pensar a si mesmo enquanto tal – e os seus membros enquanto actores de um projecto alternativo mais amplo. No entanto, é ela que dá origem a experiências muito variadas, que devem ser mapeadas sem deixar de eliminar quaisquer tentações de esconder dificuldades, pontos de vista conflituais ou até caminhos divergentes.

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    Só assim se poderá ter uma perspectiva do sector que se aproxime da realidade, que tenha em conta as experiências concretas no interior das organizações e, além disso, que considere a dimensão performativa dessa participação. Só se não cairmos em simplismos que venham substituir a ilusão do homo economicus por uma espécie, igualmente «natural», de homo cooperativus é que poderemos colocar-nos no terreno da construção, árdua e contraditória, dos arranjos que pensamos terem mais capacidade para instituir práticas que favoreçam sociedades mais assentes na cooperação, na reciprocidade, etc. Práticas que aproveitem as potencialidades de cada homem e mulher, que garantam uma melhor utilização dos recursos socioeconómicos ao serviço do bem comum e que o façam tendo em conta a sustentabilidade a longo prazo, ou seja, assegurando que o respeito pelo tempo dos homens incorpora o respeito pelo tempo da Terra.

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    A partir do momento em que nos colocarmos no campo da economia social como construção histórica e política será mais fácil recentrar a reflexão nos valores e princípios que orientam a actividade do sector, abordagem que também não é neutra. Em primeiro lugar, porque permite recuperar objectivos comuns e abrir caminho para formas concretas de solidariedade, economias de escala e estratégias de rede entre os diversos actores da economia social, permitindo evitar o efeito de escoamento de recursos, tão dificilmente gerados no seu quadro, para estruturas da economia mercantil, onde os fins são implacavelmente lucrativos.

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    Em segundo lugar, porque se recordarmos que a economia social actua em simultâneo no mundo mercantil e não-mercantil, monetário e não-monetário, mas não abdica da concepção democrática da gestão interna e da propriedade comum por parte dos seus membros, nem do princípio da ausência de fins lucrativos (os excedentes são objecto de justa repartição ou são reinvestidos no projecto), então não é difícil sustentar que a forma como a economia social entende a prossecução do interesse geral tem ressonâncias com as lógicas que devem animar o Estado e o sector público.

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    Neste sentido, atribuir prioridade à questão das finalidades, e dos valores que lhes estão associados, é também uma forma de propor uma linha de fronteira que não se limita a separar os três pilares da economia que a designação «terceiro sector» tão bem traduz. Com efeito, uma economia social meramente definida de forma relacional, como o sector situado entre o Estado e o mercado, corre o risco de perder uma voz própria (as definições pela negativa tendem a ser mais frágeis) e, além disso, de facilitar o entendimento dos dois outros pólos como entidades de referência predeterminados e não, também eles, como construções sociais. Em vez disso, a economia social, sem deixar de reconhecer as diferenças estruturais que a distinguem do Estado, com quem não partilha a obrigação, assente em recursos materiais, da provisão de serviços públicos, da garantia do acesso universal aos direitos e à igualdade, pode contribuir para que se torne claro que a linha de demarcação fundamental é a que separa a economia mercantil de outras formas não-mercantis de organização socioeconómica.

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    Não será essa também uma maneira de recolocar a questão do Estado como espaço de lógicas não-mercantis, por oposição às pressões que nas últimas décadas este tem vindo a sofrer no sentido da progressiva adesão aos princípios e práticas do neoliberalismo (privatização, desregulamentação, erosão de responsabilidades sociais, aumento das desigualdades, etc.)? E não será também esse um caminho para a economia social definir, em independência e respeito pelos seus princípios, mas sem afastar formas de cooperação com o sector público, projectos que estejam cada vez mais ancorados no tecido social e que contribuam para desenvolver linhas de trabalho sustentáveis, conjugando formas dignas de trabalho e de emprego com a coesão social e territorial?

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    Ainda no quadro desta lógica de contágios mutuamente benéficos que, em vez de elidirem, reforçam os papéis de cada interveniente, não terão os actores da economia social um contributo a dar para a discussão de temas como a ética de serviço público ou as motivações, práticas e expectativas que intervêm no viver comum? Não podem estas questões ser relacionadas com o distanciamento em relação à vida pública ou a falta de confiança nas instituições e na democracia? Talvez não seja pouco importante a contribuição, sem mitificações, que a economia social pode dar para se pensar, colectivamente, o aprofundamento da democracia, com mais participação, e o pluralismo da economia, com mais racionalidades não-mercantis. Venha o debate.

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    in Le Monde Diplomatique

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    Os primeiros passos de Obama

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    por Serge Halimi

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    Para afrontar a herança dos seus antecessores, o novo presidente dos Estados Unidos repudiou muitas das ideias deles. É certo que Barack Obama não acelerou a retirada das tropas americanas do Iraque e que mobilizou mais soldados para o Afeganistão, para uma guerra mortífera e sem saída. No plano interior, a sua política relativa à indústria automóvel, aos bancos ou às remunerações dos dirigentes não rompeu com o imparável «liberalismo», que socializa somente as perdas das empresas. Apesar disso, Obama representa sem dúvida aquilo que o sistema estadunidense pode actualmente criar de mais progressista, ao ponto de as decisões dos dirigentes de Washington parecerem por vezes preferíveis às dos seus homólogos de Paris, Bruxelas, Moscovo, Pequim ou… Teerão. Se a determinação de Washington não vergar, e se alguns dos lóbis que controlam o Congresso forem postos em xeque, dentro de pouco tempo os Estados Unidos irão dispor de uma legislação que protege o direito sindical e se preocupa com as despesas de saúde dos 46 milhões de americanos que não têm nenhuma segurança social. Não é nada pouco.

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    Poder‑se‑á objectar que Obama, no fim de contas, é democrata; mas isso será ignorar quarenta anos de história. Porque desde a chegada de Richard Nixon à Casa Branca, em 1969, os dois presidentes democratas que se lhe seguiram aludiram de facto a uma ruptura… mas com a ortodoxia do seu partido, a seu ver demasiado progressista. Desse modo, tanto um como o outro prepararam o terreno para os republicanos que lhes sucederam (Ronald Reagan e George W. Bush). Jimmy Carter abriu o baile das desregulamentações, promoveu uma política ultramonetarista e, a pretexto da «defesa dos direitos humanos», relançou a Guerra Fria. Com Bill Clinton foi ainda pior: endurecimento das sanções penais, generalização da pena de morte, abolição das ajudas federais aos pobres, activação de operações de guerra no Afeganistão, no Iraque, no Sudão e no Kosovo, sem mandato das Nações Unidas. Devemos pois avaliar o balanço inicial de Barack Obama tendo também como termo de comparação estes precedentes.

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    O seu discurso do Cairo, no passado dia 4 de Junho, não trouxe nada de muito novo quanto ao fundo da questão: George W. Bush já tinha admitido a ideia de um Estado palestiniano e desde a governação de Jimmy Carter todos os ocupantes da Casa Branca reclamaram – com os resultados que todos conhecemos – o congelamento da colonização israelita. Em contrapartida, o tom mudou por completo. Obama, desejoso de «romper o ciclo da suspeita e da discórdia» entre os Estados Unidos e os povos do Médio Oriente, evitou cuidadosamente empregar o adjectivo «terrorista», tão apreciado pelo seu antecessor. Ao evocar o Hamas, o presidente americano admitiu até que esta organização «tem apoiantes entre alguns palestinianos». Por último, ao sugerir a estes últimos que se inspirem nas lutas (não violentas) dos afro‑americanos, assimilou implicitamente a colonização israelita à «humilhação segregacionista» outrora vivida pelos negros dos Estados Unidos.

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    No entanto, acrescentou, «a América não pretende saber o que é melhor para toda a gente». Este tão sábio princípio foi de imediato aplicado ao Irão. No seu discurso do Cairo, Obama lamentou o golpe de Estado que em 1953 foi orquestrado contra Mohammad Mossadegh pelos serviços secretos americanos: «Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel no derrube de um governo iraniano democraticamente eleito». Desde logo, essa declaração sugere que os Estados Unidos não estão na situação ideal para repreender os que falsificam os resultados das urnas, sobretudo quando estes últimos só estão à espera que isso aconteça para acusarem os seus desgraçados concorrentes, anteriormente pilares do regime teocrático, de se terem transformado em mercenários do Grande Satã. Mas quanto mais a situação iraniana for endurecendo, mais a disposição do presidente dos Estados Unidos para negociar com Teerão o irá expor às diatribes da direita neoconservadora, e essa não vai desarmar nunca.

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    Os interesses estratégicos norte‑americanos continuam a ser extraordinariamente constrangedores para qualquer presidente dos Estados Unidos, que será sempre tributário, queira ou não queira, do papel de soberano do império. Os primeiros passos de Barack Obama parecem todavia indicar que ele ainda não esqueceu completamente o seu passado progressista nos bairros pobres de Chicago.

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    in Le Monde Diplomatiue - quinta-feira 9 de Julho de 2009

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    Os cantos das nossas sereias


    de: Berta Brás

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    Nem sempre as fábulas do La Fontaine são espelho exacto da nossa realidade humana - ou pelo menos da portuguesa, pois não tenho a pretensão de me imiscuir nas realidades estrangeiras, não porque não aprendi a ler, desgraça-mor para o nosso João de Deus, que daria como resultado ficar a saber só o que se passa no lugar onde eu estiver, mas pela delicadeza própria de quem pertence a um pobre lugar, sem competência nem autoridade para apontar o dedo a mais nenhum, porque esse seu lugar lhe “abonda”, verbo regional inexistente no Dicionário da Academia de Ciências, como muitos mais termos, mas que o da Porto Editora contém, para vanglória do meu parco saber.

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    É o caso da fábula dos dois machos – um, humildemente carregado de aveia e o outro, impante com o peso do dinheiro da gabela, o imposto sobre o sal daqueles tempos.

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    Pois a quem é que os ladrões atacaram e feriram de morte? Não foi o da aveia, que passou despercebido, mas o da gabela, e logo aquele, numa vingança repudiável por qualquer cristão educado: “Amigo, nem sempre um alto posto é de fiar. Se tivesses servido, como eu, apenas um moleiro, não estarias agora a penar, por conta do dinheiro”.

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    Não, esta fábula não se nos encaixa minimamente. O que temos visto, entre nós, desde sempre, mas com amplitude maior no presente tempo, é que quanto mais alto se sobe, não em termos orográficos, que às vezes fazem perder os narizes, mas em termos económicos, sobretudo se a subida se deveu a desfalques, extorsões, fraudes, falhas, coisas assim pecaminosas, mais a coisa se torna imparável e não há quem lhe ponha freio.

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    Viu-se isso agora também, com o tal Relatório da Comissão de Inquérito de avaliação ao BPN da autoria de uma “sereia” na designação de Nuno Melo do CDS-PP – Sónia Sanfona, de sua graça – o qual, antes de partir para a Europa, quis deixar tudo em pratos limpos, e acusou o Relatório da “Sereia” de branqueamento do Inquérito sobre o BPN que toda a oposição chumbou, e só o PS aceitou, impassível quanto às fraudes e défices daquele, e achando até meritória a supervisão do BP efectuada por Victor Constâncio, mau grado as queixas de Miguel Cadilhe, que acha que o tal Inquérito também lesa o seu bom nome de presidente antigo do BPN, ao pretender defender o bom nome do governador actual do BP – Victor Constâncio, ambos, aliás, de uma honestidade impoluta, haja ou não queixas de que eles ganham somas astronómicas incompatíveis com o estado da nação sendo, por isso igualmente responsáveis pelo clima de fraudes, que levou Oliveira Costa a uma prisão preventiva depois de pôr os dinheiros roubados a salvo, na família, mas que o seu advogado quer livrar dessa penalização a pretexto de que agora já não poderá prejudicar os que confiaram no seu banco, e não tardará que assim será.

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    E por aí fora, são muitos os casos, tantos que nem se podem contar pelos dedos, e nisto tudo só nos ficou a imagem de gentileza e presumível picardia de Nuno Melo a referir o “canto da sereia” relativamente a Sónia Sanfona por ter tão bem defendido o seu clube, embora ele, como Ulisses, tenha resistido ao canto, este preso com cordas às vergas do seu navio, enquanto os companheiros tinham os ouvidos grudados com cera para não se deixarem assim seduzir. Mas Nuno Melo não precisou de cordas, escudado contra as cantorias de Sónia, com o grude da sua formação democrática.

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    E Maria de Belém, sorridente e também sereia no seu canto de doçura e eficiência, não perdeu a ocasião de o saudar, desejando-lhe boas manifestações no Parlamento Europeu, lembrando, insinuantemente, e com meiga ironia, que naquele, ele não terá igual tempo de antena, como no nosso.

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    E nestas pequenas flechas de boa disposição lusa, se passou mais um debate inútil.

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    Mas lá está Paulo Portas exigindo reabertura da análise ao Inquérito à supervisão do BP sobre a fraudulência do BPN, que ele exige competente e até incómoda, por respeito aos clientes do BPN, que têm as poupanças congeladas.

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    Entretanto, os nossos votos são para que o canto das sereias se não transforme em canto do cisne, afeitos que estamos à penalização que constantemente recai sobre nós - os machos carregados de aveia.

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    in PortugalClub

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    G8 considera própria ampliação e incentivos bilionários à agricultura

    Mundo

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    Grupo das maiores potências industriais encerrou cúpula em Áquila com sugestões para combater problemas do clima e da fome. Propostos 20 bilhões para autoajuda no 3º Mundo. Grêmio considera também sua própria ampliação.

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    O G8, grupo formado pelos sete mais importantes países industrializados e a Rússia, se despede de sua pretensão de liderança solitária. As graves consequências da crise econômica mundial, a ameaça da catástrofe climática e as pretensas potências nucleares Irã e Coreia do Norte – essas e outras circunstâncias obrigam o G8 a acolher novos parceiros em seu meio elitista. Entre eles, o Brasil, a China e a Índia.

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    Encabeçado pela chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o debate sobre o futuro do Grupo dos Oito inflamou-se no fechamento da cúpula em Áquila, nesta sexta-feira (10/07). São sobretudo os europeus a exigir mudanças, e eles encontram ressonância no chefe de Estado norte-americano, Barackk Obama.

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    20 bilhões para a agricultura no Terceiro Mundo

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    Em sua primeira participação na rodada das potências mundiais, Obama apresentou-se como força propulsora e "jogador de equipe" compreensivo. Ele colocou um acento próprio no terceiro e último dia da conferência, propondo uma iniciativa do G8 em favor dos agricultores do Terceiro Mundo.

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    Cerca de 20 bilhões de dólares seriam dedicados ao aumento da produção agrícola, com o fim de tornar aqueles países independentes do ponto de vista da produção de alimentos.

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    Trata-se de uma forma de incentivo à autoajuda. Entretanto, organizações humanitárias criticam os limites financeiros do projeto, especialmente por não estar claro quanto dos sugeridos 20 bilhões de dólares seria "dinheiro fresco".

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    A verba seria concedida ao longo de três anos. Porém, "em face das proporções dramáticas da crise de fome, são necessários, no mínimo, 25 bilhões de dólares adicionais por ano", rebateu a Oxfam.

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    Segundo a Organização Mundial de Alimentação e Agricultura, devido à crise financeira, o número dos que sofrem fome ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão. Mas, apesar da crise, as nações industriais não pretendem reduzir suas contribuições humanitárias, pois o G8 cumpre suas promessas, assegurou Merkel.

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    Clima no topo da lista

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    Também no espírito de Obama veio a exigência veemente do G8 à Coreia do Norte e ao Irã para que encerrem seus programas atômicos. Caso contrário, em especial o Irã deverá contar com a imposição de sanções mais rigorosas.

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    No tocante à política climática, a premiê Merkel elogiou a contribuição dos Estados Unidos, que sob o antecessor de Obama, George W, Bush, viera praticamente boicotando qualquer avanço no setor.

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    Agora, não apenas os EUA, como também os países emergentes de maior porte estão convencidos da necessidade de adotar medidas efetivas contra o aquecimento global, durante a cúpula mundial do clima, em dezembro, em Copenhague.

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    G8, G20 ou G14?

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    Os países europeus foram os primeiros a expressar abertamente o desejo de ampliar o G8 durante a cúpula. Obama também declarou que consegue imaginar mudanças. A Rússia e a União Europeia, contudo, mostraram-se mais reticentes com a perspectiva, lembrando as vantagens de uma rodada de debates menor.

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    O G8 inclui a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Já a partir de 2011, quando a França estará ocupando a presidência do clube de elite, o presidente Sarkozy deseja estabelecer um Grupo dos 14. Este possivelmente incluiria os países do G5 (Brasil, África do Sul, China, Índia e México) e o Egito.

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    Desde que a crise da economia mundial aniquilou valores bilionários, o G20, formado pelas nações de maior desempenho econômico, assumiu o gerenciamento de crise. Segundo Sarkozy, "o G8 não é mais suficientemente representativo para fazer frente à crise econômica".

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    Merkel propôs que se estabeleça uma nova estrutura para a cúpula de 2010. Também em sua opinião há, no momento, demasiados encontros no nível dos chefes de governo e de Estado.

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    AV/dpa

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    Mais artigos sobre o tema

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    Ministério Público arquivou processo contra José Luís Judas e Américo Santo

    Adriano Miranda/PÚBLICO (arquivo)
    Investigações de outros processos contra o ex-autarca prosseguem



















    As provas reunidas pela PJ foram consideradas insuficientes

    20.05.2006 - 12h05 José António Cerejo, PÚBLICO
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    O principal processo em que José Luís Judas, antigo presidente da Câmara de Cascais, foi constituído arguido acaba de ser arquivado pelo Ministério Público. O processo em causa, que continha uma proposta da Polícia Judiciária (PJ) para que o ex-autarca fosse acusado de corrupção, administração danosa e diversos outros crimes, prende-se com as polémicas permutas de terrenos realizadas entre o município e o construtor civil Américo Santo, no quadro do Plano Especial de Realojamento (PER), entre 1996 e 2000. O magistrado responsável pelo caso no Tribunal de Cascais entendeu que não havia indícios suficientes para acusar e mandou arquivar.
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    Além de Judas, tinham sido constituídos arguidos, no âmbito deste processo, o empresário Américo Santo, três altos funcionários da câmara de Cascais, quatro responsáveis da Direcção-Geral de Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano e ainda António Fonseca Ferreira, ex-sócio de uma empresa de arquitectura e actual presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT).
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    O despacho, subscrito pelo procurador Varela Martins, já foi remetido aos arguidos, mas Judas ainda não fez qualquer comentário sobre ele. De acordo com o semanário O Independente, o texto contém fortes críticas à forma como a PJ conduziu as investigações.
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    Em fase de inquérito encontra-se ainda um outro processo relacionado com a gestão camarária de José Luís Judas. Num terceiro processo, que incide sobre um protocolo entre a autarquia e o Clube Estoril-Praia, o antigo presidente terá já sido objecto de acusação por parte do Ministério Público - situação que poderá justificar a sua prudência face ao arquivamento do caso PER/A. Santo, mas que o PÚBLICO não conseguiu confirmar até ao fecho desta edição.
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    No quadro do processo agora arquivado - embora possa vir a ser reaberto, nomeadamente por iniciativa da hierarquia do Ministério Público -, a PJ fez, no final do Verão passado, diversas buscas às residências e escritórios dos principais suspeitos e ainda à casa do dirigente socialista Jorge Coelho. As relações deste deputado com o grupo de Américo Santo e o seu eventual papel na viabilização dos protocolos estabelecido entre o empresário e a câmara motivaram o interesse dos investigadores, mas Coelho nunca foi constituído arguido. A busca efectuada no seu domicílio teve por objecto a localização, não concretizada, de um tabuleiro de xadrez de elevado valor, que Américo Santo lhe teria oferecido.
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    A investigação dos negócios entre a autarquia e o grupo A. Santo teve origem em denúncias e trabalhos jornalísticos e recebeu um forte impulso com uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que, em Novembro de 2002, remeteu para o Ministério Público uma extensa participação na qual se considerava que Judas deveria ser acusado de participação económica em negócio e de administração danosa.
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    De acordo com o relatório da IGF, a parceria com Américo Santo traduziu-se em "benefício" para este e em "prejuízo para o interesse público que à autarquia cumpria salvaguardar". Para o município, segundo os auditores, essa parceria representou um prejuízo superior a 13 milhões de euros. Ainda de acordo com a IGF, os terrenos de Américo Santo envolvidos nas permutas foram sobrevalorizados em 597 por cento, enquanto os terrenos municipais foram subavaliados em cerca de 60 por cento.
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    A investigação preventiva deste caso foi aberta ainda enquanto Maria José Morgado liderava a Direcção Central de Investigação da Criminalidade Económica e Financeira da PJ. Foi depois passada a inquérito, durante a direcção de Adelino Salvado, mas só foi retomada no último ano, já com Santos Cabral à frente da direcção da PJ. Muitos dos factos terão sido difíceis de demonstrar, já que as situações haviam ocorrido vários anos antes.
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    Fonseca Ferreira satisfeito
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    Contrariamente a Judas, o presidente da CCDRLVT manifestou-se ontem satisfeito com o arquivamento do processo no qual foi "inesperadamente" constituído arguido em Novembro. Fonseca Ferreira disse ao PÚBLICO já ter recebido o despacho do Ministério Público e explicou que apareceu no caso por via de um trabalho efectuado para a Câmara de Cascais, em 1996, por uma empresa de que era sócio.
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    "Essa empresa, a Manual, de que deixei de ser sócio em 1998, quando entrei para a CCDR, produziu um manual para os futuros habitantes dos bairros sociais que lhe foi encomendado pela câmara. Tudo foi tratado com a autarquia, mas esta informou-nos depois de que o pagamento seria feito pela firma A. Santo em regime de patrocínio", explica.
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    Foi esse pagamento que levou a PJ a pedir explicações e a constituí-lo arguido. "Já este ano apresentei uma exposição escrita e documentada com os extractos das minhas contas bancárias. Como tudo batia certo, o Ministério Público entendeu agora que a situação foi esclarecida."
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    in Público -
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    “Será que o cidadão e a “cidadoa”...


    ...podem dizer e fazer isso?”

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    É assim que a minha amiga inicia hoje as perguntas das suas querelas importunas, logo na CGD, agarrando no “Global” e batendo com as costas da mão na figura aperaltada de Isaltino de Morais – bonita figura – para mim que nada sabia, inocente de olhos e ouvidos e que tive que ler e ouvir o motivo do drama da minha amiga, não precedido, é certo, do desagradável “Olhe lá”: “um Procurador pedindo cinco anos de prisão para Isaltino, por conta dos cinco crimes” – os do costume e mais um da absolvição – “e o réu Isaltino pedindo ao Tribunal que o dispense à tarde do julgamento, pois não está para ouvir mais mentiras contra a sua dignidade e o Tribunal dispensando-o, não se sabe se por conta dela.”

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    A minha amiga não quer acreditar que isto se passe cá, contra a minha opinião que tudo aceito aqui. “Se saísse caladinho e modesto, tudo bem, deu-lhe uma dor e foi dispensado. Mas que não está para ouvir!? Tem que ouvir, como réu, como todos os réus!”

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    Isto acha a minha amiga, mas eu recordo o caso de Pinochet, que até também foi beneficiado no seu julgamento por conta da velhice e doença, parece que não assistiu a tudo.

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    Não ligou à interrupção: “Ou será que qualquer cidadão e “cidadoa”, convertidos em réus, podem fazer o mesmo que o réu Isaltino? Será que já não há moralidade para comermos todos do mesmo tacho?” - embora acrescente que nesse ponto nunca houve.

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    “O Procurador a mentir?! Terá diploma ou foi passado ao domingo?” A minha amiga está deveras irónica e sentida, nunca a vi assim. E só espera, para cúmulo da injustiça, que o Procurador vá preso e o Isaltino se safe.

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    Ri-me. Falou no Judas: “Então não sabe?” Não sabia.

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    Judas o nosso, não o dos dinheiros, embora também implicado em dinheiros. Era comunista [1] e portanto, por definição, honesto e defensor do povo. Foi processado. O processo foi arquivado”, leu isso há dias. Supõe que caducou. Também Judas desapareceu do mapa, mas não apareceu enforcado na figueira, como o outro.

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    Mas o Procurador disse – em Tribunal - que estas pessoas devem ser punidas. Não vamos deixar que abusem assim. Um Procurador escandalizado e querendo impor justiça, é obra!

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    Isaltino pode sempre desculpar-se com o facto de ser um bom Presidente de Câmara e a minha amiga, embora concordando, logo contrapõe que é sua obrigação, pois foi eleito para isso. Também acha que ele se pode defender com o Judas e outros presidentes autárquicos, que, por fraqueza, se deixam às vezes corromper.

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    A minha amiga acrescentou mesmo, numa já de contenção e de enternecimento bem português, que ele pode mesmo usar de outros exemplos à mão de semear, dos que até nem são presidentes de câmaras.

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    Mas, retrocedendo, em rebate de consciência: “Nunca as mãos doam ao Procurador! É bom que estes tais sejam mais castigados do que os borra-botas como nós!”

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    Contudo, desta vez excedeu-se no comentário, pois, sem querer profetizar, acho que isso jamais sucederá.

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    Berta Brás

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    in PortugalClub

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    [1] José Luís Judas era Presidente da Câmara Municipal de Cascais, eleito como militante do PS (Nota de VN)

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    Inflação (média anual) cai abaixo de 1%

    Inflação (média anual) cai abaixo de 1%

    Posted: 10 Jul 2009 07:13 AM PDT


    A variação média anual dos preço em Portugal medida pelo Índice de Preços no Consumidor, hoje divulgado pelo INE com dados de Junho, fixou-se nos 0,9%. Recorda-se que é este o referêncial muitas vezes utilizado para definir os aumentos salariais. Os aumentos para 2009, nomeadamente na função pública, foram de 2,9% o que indicia que estaremos muito provavelmente na presença de um forte aumento real do rendimento destes assalariados ao longo do ano de 2009.

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    Em termos homólogos, a variação registada em Junho foi negativa na ordem dos 1,6% tendo a redução dos preços com transportes e produtos alimentares e bebidas dado os maiores contributos para a queda deste indicador.

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    O INE divulgará a próxima actualização mensal a este indicador a 12 de Agosto. Como curiosidade, sublinhe-se que em 2008 ocorreu uma revisão em baixa da taxa normal de IVA no mês de Julho, pelo que, por esse efeito, teremos um contributo de base no sentido de atenuar a queda de preços ao longo do 2º semestre.

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    in Economia e Finanças
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    Norte-coreanos alertam para escalada nuclear

    Coreia do Sul, Japão e EUA instigam conflito


    A República Popular Democrática da Coreia reafirma o carácter defensivo e dissuasor das suas armas nucleares e acusa os EUA de provocarem o conflito na região em vez de promoverem o diálogo em torno de desnuclearização da península.

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    «Não pretendemos nem queremos obter de ninguém o estatuto da potência nuclear. O poder de dissuasão nuclear é para enfrentar a ameaça dos EUA e é um direito soberano para salvaguardar nosso regime e o povo», escrevia-se, domingo, 28, no Rodong Sinmun. O órgão central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e a agência de notícias KCNA têm sido os canais usados pelo governo da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) para divulgar as respostas necessárias às ameaças crescentes dos EUA, Coreia do Sul e Japão contra o território. Réplicas que raramente ecoam nos meios de comunicação dominantes, claramente instrumentalizados por Washington para isolar a Coreia do Norte e passar uma imagem distorcida e diabolizada do país.
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    Desde o agravamento das sanções contra a RPDC, adoptado pelo Conselho de Segurança da ONU, dia 12 de Junho, na sequência do disparo de um míssil, a 25 de Maio, que assim tem sido. Poucos têm dado voz à Coreia do Norte, que afirma repetidamente que as armas de que dispõe não servirão para ameaçar qualquer outra nação, e denuncia, uma e outra vez, as movimentações militares e diplomáticas norte-americanas, considerando que estas não só não contribuem para aliviar a tensão nuclear na península, como, pelo contrário, têm como objectivo criar um clima de crispação e aparente ameaça, justificando um «ataque preventivo».
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    A internacionalização do conflito é outro dos factores contestados por Pyongyang. As sanções das Nações Unidas prevêem que qualquer dos seus membros intercepte e inspeccione barcos norte-coreanos suspeitos de transportar material ou tecnologia passível de ser usada no programa nuclear. Como qualquer país soberano em situação semelhante, a Coreia do Norte já avisou que entenderá a concretização de iniciativas deste género como um acto hostil, posição que a China também defende alertando a «comunidade internacional» que a inspecção das embarcações deve ser feita observando a legislação interna [da RPDC] e internacional relevante, e submetendo-se, igualmente à existência de «provas abundantes e motivos apropriados».
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    Criando um inimigo
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    Ainda a semana passada, o Rodong Sinmun notava que a Casa Branca tem intensificado os exercícios militares numa região onde mantém estacionados mais de 85 mil militares, e que, recentemente, o Pentágono ordenou a submarinos nucleares carregados com ogivas que cumprissem missões no Pacífico. Simultaneamente, o porta-aviões George Washington foi enviado para junto do território. Ainda de acordo com informações veiculadas pela agência de notícias norte-coreana, citada pela Prensa Latina, Pyongyang avisou que vai abater qualquer avião espião que sobrevoar o seu território. Este aviso surge na sequência da detecção de vários voos espiões nos últimos dias de Junho e primeiros de Julho. O exército norte-coreano sabe que as aeronaves fabricadas pela Boeing partiram do Japão.
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    O Rondog Sinmun lembra também que Washington deslocou para o Hawai o sistema de defesa antimíssil e a rede de radares que o acompanha, indicações claras, diz o jornal citando fontes oficiais norte-coreanas, de que os EUA colocam a hipótese de um ataque recorrendo a armas nucleares. A campanha tem como sustentação a alegada ameaça norte-coreana à ilha norte-americana no Pacífico. Nem Barack Obama se coibiu de agitar o fantasma de um pretenso ataque da RPDC no próximo dia 4 de Julho, criando, pela instigação do medo, um inimigo da nação americana, isto depois de renovar por um ano as sanções económicas contra a Coreia do Norte.
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    Cerco aperta
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    Dados importantes são ainda os que resultam das relações entre Washington, Tóquio e Seul. A China e a Rússia, apesar de aprovarem o texto do CS da ONU contra a Coreia, proferiram uma declaração conjunta na qual defendem o imediato regresso ao diálogo a seis (Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, EUA, Japão e Rússia) como único caminho para a resolução do diferendo. Em Tóquio, os chefes dos executivos japonês e sul-coreano, Taro Aso e Lee Myung-bak, reuniram-se com o propósito de coordenarem posições quanto às sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas à República Popular Democrática da Coreia, fazendo ouvidos moucos ao apelo de Moscovo e Pequim.
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    Antes, os presidentes sul-coreano, Lee Myung-bak, e norte-americano, Barack Obama, adoptaram uma posição comum contra Pyongyang. A Coreia do Sul pediu aos EUA protecção nuclear contra a Coreia do Norte e Obama acedeu, incluindo no documento Visão Comum um parágrafo que prevê a entrega de armas nucleares a Seul em caso de «emergência».
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    A decisão não tem precedentes e animou os sectores mais revanchistas, mais reaccionários e belicistas da Coreia do Sul. No dia 26 de Junho, o ministro de Defesa daquele país, Lee Sang-Hee, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Kim Tae-young, puseram em marcha uma emenda ao Plano Básico de Reforma de Defesa Nacional. A medida prevê a compra de mais equipamento militar e permite um ataque «preventivo» contra o vizinho do Norte.
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    As «jornalistas» presas
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    Um dos casos sobre o qual muito se tem escrito e dito envolvendo a Coreia do Norte é o das «jornalistas» presas em Março deste ano e condenadas, a 8 de Junho, a 12 anos de trabalhos forçados por introdução ilegal no país e acções hostis contra a nação coreana.
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    Sobre o tema, o Diário do Povo, jornal do Partido Comunista da China, citado pelo vermelho.org, sustenta, na sua edição de quinta-feira da semana passada, que as duas norte-americanas capturadas, podem, na verdade, ser agentes da CIA.
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    Euna Lee e Laura Ling entraram ilegalmente no país pelo rio Tumen carregando 9500 dólares, dizem as autoridades da RPDC. Só foram detidas depois de repetidos avisos, acrescentam.
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    As enviadas da Current TV, propriedade de Al Gore, admitiram, durante o interrogatório, que as suas actividades tinham fins políticos. É sintomático que não tenha sido divulgado que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, enviou a Pyongyang um pedido de desculpas pela entrada ilegal de Lee e Ling. Sintomático, ainda, o facto dos EUA não contestarem os motivos políticos que moviam as «jornalistas» no apelo para a sua libertação.
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    in Avante 2009.07.02
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    19.º Encontro Nacional de Deficientes


    «Por uma inclusão plena – Defender os direitos humanos»
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    A Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD) realizou, dia 20 de Junho, na sede do Grupo de Danças e Cantares «Os Pioneiros» de Vendas Novas, o seu 19.º Encontro Nacional.

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    Vindos de vários pontos do País, esta iniciativa, com o lema «Por uma inclusão plena – Defender os direitos humanos», contou com a presença de mais de 300 pessoas que, de uma forma geral, realçaram o modo como continuam a ser ignoradas e discriminadas as pessoas com deficiência.
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    «Vivemos num mundo global em que a riqueza se encontra cada vez mais concentrada num número restrito de poderosos, enquanto o número de excluídos aumenta assustadoramente», acentuaram os participantes, lamentando que a «Declaração Universal dos Direitos Humanos, há tantos anos proclamada na Assembleia Geral das Nações Unidas, tenha sido, ao longo dos anos, esquecida e rejeitada por diversos estados».
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    «Milhões de seres humanos morrem diariamente com fome, vivendo sem o mínimo de condições humanas, enquanto um número restrito de poderosos engorda cada vez mais, vivendo no luxo e na opulência, fomentando as guerras, as desigualdades e a exclusão social», acrescentam.
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    Nas conclusões do encontro, que se realizou em Vendas Novas, alerta-se ainda para o facto de Portugal ser o país da União Europeia com maior índice de pobreza.
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    «A política de submissão ao grande capital por parte dos sucessivos governos, incluindo o actual, tem conduzido, ao longo dos anos, a este estado crítico e lastimoso. O povo português tem contestado esta política com grandes manifestações populares, confirmando esta contestação com votos expressos nas urnas no último e recente acto eleitoral», sublinham os participantes, lembrando que «as promessas de combate à exclusão social e de promoção de uma sociedade inclusiva não têm tido tradução prática em Portugal, na adopção de adequadas políticas públicas que garantam a satisfação efectiva das necessidades específicas das pessoas com deficiência e a promoção da sua participação em condições de igualdade em todas as esferas da sociedade».
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    No encontro salientou-se ainda que as pessoas com deficiência têm direito a ter autonomia e não estarem totalmente dependentes dos outros. «O desemprego é um flagelo social que continua a alastrar, que atinge toda a sociedade, logo se poderá ver que a pessoa com deficiência é a primeira a ser atingida, pois é a última a ser admitida e a primeira a ser dispensada», afirmou-se, dando como exemplo o Estado, «que não cumpre as quotas de emprego, antes pelo contrário, reduz o número de funcionários públicos, pondo assim na mão dos privados, serviços que ao Estado compete».
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    Intensificação das exploração
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    Por outro lado, lamentavelmente, as empresas privadas não estão interessadas «em admitir pessoas com deficiência ao seu serviço, e não criam condições laborais necessárias para a inclusão de pessoas com deficiência». Esta situação agrava-se «com a elevada taxa de sinistralidade laboral resultante da intensificação da exploração dos trabalhadores e a falta de fiscalização do cumprimento de regras de higiene e segurança nos locais de trabalho».
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    Os participantes nesta iniciativa acusaram, de igual forma, o Governo por querer pôr termo ao Serviço Nacional de Saúde e de, na área da educação, ter optado pelo «encerramento de centenas de escolas por todo o País». Na área da habitação, com o Executivo PS «a pessoa com deficiência fica condicionada no acesso ao crédito para aquisição ou construção de casa própria por falta de celebração do seguro de vida, agravado com a nova Lei do Contrato de Seguro».
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    No final, esta iniciativa contou com um momento cultural onde actuaram o Grupo de Danças e Cantares «Os Pioneiros» de Vendas Novas e o Grupo Thy Subbry. Os participantes tiveram ainda a oportunidade de visitar o espaço etnográfico rural do Grupo «Os Pioneiros» e apreciar o valor cultural dos objectos expostos.
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    CNOD exige:
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    # Que nenhuma pessoa com deficiência, para ter uma vida minimamente digna, receba menos do que o ordenado mínimo nacional;
    # Gratuitidade dos medicamentos para doenças crónicas, nomeadamente os considerados de suporte à vida;
    # Que o processo de alteração dos benefícios fiscais seja sujeito a ponderação conjunta entre as organizações representativas das pessoas com deficiência e as entidades governamentais, sendo que, até à conclusão desse processo seja reposto o regime anterior à Lei 53-A/2006 de 29 de Dezembro;
    # Que as verbas destinadas às organizações de pessoas com deficiência sejam reforçadas e garantam transparência nos critérios de atribuição destes apoios em sede de Orçamento do Estado;
    # Que seja reposto o porte pago para as publicações das organizações de pessoas com deficiência.
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    in Avante 2009.07.02
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    Para onde sopram os ventos da crise capitalista?


    A demissão do ministro da economia, na sequência da indigna reacção à crítica da bancada do PCP durante o debate sobre o estado da Nação, bem expressiva do nervosismo e desorientação que grassa na área governamental, é um facto político relevante.

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    Mas é preciso não tomar a nuvem por Juno. O PCP exigiu a demissão de Manuel Pinho não por ser um ministro bronco e particularmente comprometido com o grande capital (o que na verdade era) mas em nome do respeito devido às instituições democráticas. A luta do PCP não é contra tal ou tal ministro mas contra a sua política e visa não apenas a derrota da política do actual Governo mas o fim de mais de 33 anos de políticas de direita que, ora com o PS ora com o PSD, são responsáveis pela grave crise em que o País está mergulhado.
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    Entretanto, o Governo do PS, acossado por uma fortíssima contestação popular, severamente zurzido nas eleições de 7 de Junho e em vésperas de novas eleições, não hesita em recorrer a manobras de diversão e propaganda em que a irresponsabilidade e a mentira andam frequentemente de mãos dadas. É esse o caso do anúncio pelo actual super ministro Teixeira dos Santos (à boleia aliás de bem orquestrada campanha sobre uma próxima inversão de tendência da crise capitalista internacional) de que em Portugal o pior já passou e o fim da crise está próximo.
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    Um tal anúncio, porém, não tem correspondência nos factos e, vindo de onde vem, não merece qualquer credibilidade. A contradição entre as palavras e os actos, entre promessas e realizações, entre prognósticos e resultados é um estigma da governação do PS. Dos famosos 150 000 postos de trabalho ao espantoso anúncio pelo ex-ministro da Economia do fim da crise em Portugal precisamente quando a crise estoirava no coração do capitalismo mundial, não faltam exemplos.
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    O afã em apresentar inexistentes sinais de recuperação tem um evidente carácter eleitoralista. Ainda que fossem solidamente sustentadas (e não o são) as expectativas de «retoma» vaticinadas pela OCDE e outras instâncias internacionais, Portugal é um dos países da União Europeia em pior posição. E porquê? Em primeiro lugar porque a crise que o País vive (nunca é demais sublinhá-lo) mergulha as suas raízes mais fundas na realidade nacional, é fruto do ataque continuado às conquistas e valores de Abril. Depois porque a destruição do tecido produtivo, os défices estruturais endémicos, a dependência das exportações, o endividamento externo, o baixo poder aquisitivo das massas, fazem com que a componente mais directamente ligada com a crise do capitalismo internacional tenha tendência a demorar mais tempo a recuperar.
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    Crise será longa
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    Mas como sopram os ventos lá fora? Podemos fiar-nos nas ideias massivamente difundidas de que «a crise já bateu o fundo», que já é possível «começar a recuperar» as bilionárias operações de socorro do sistema financeiro, que se verificará já no próximo ano o «início da recuperação» nos EUA e noutras grandes economias?
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    Não, não podemos. Aliás não há nenhum comentador credível que arrisque um horizonte seguro de inversão do ciclo sendo numerosos os que alertam para a alta probabilidade de novos abalos no centro capitalista a relativamente curto prazo. E praticamente todos sublinham a instabilidade e incerteza da situação, alertam para que, quando e se a recuperação chegar, ela será muito modesta, de longa duração, acidentada. Em qualquer caso o desemprego continuará a níveis insuportáveis e a situação dos países mais pobres será ainda mais dramática se entretanto não intervierem processos de soberania e transformação progressista que quebrem as correntes que os amarram ao capital transnacional e ao imperialismo.
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    Tanto a nível nacional como internacional não há que contar com tempos fáceis. O que as classes dirigentes pretendem, cá dentro e lá fora, é criar expectativas que esmoreçam a resistência dos trabalhadores e dos povos e enfraqueçam a sua luta tanto por objectivos imediatos de justiça social e liberdade, como pela liquidação do sistema de exploração capitalista e a transformação revolucionária e socialista da sociedade.
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    Enquanto, como acontece em Portugal e no centro do mundo capitalista, as chamadas medidas de «combate à crise» estiverem orientadas para a reprodução do domínio económico e político do capital financeiro, passando ao lado da economia produtiva e da promoção das condições de vida das massas trabalhadoras, a tendência só pode ser para a agudização das contradições que estão na base da maior crise capitalista desde a década de trinta, para o agravamento das taxas de exploração do trabalho assalariado e o aprofundamento das desigualdades, preparando assim a explosão mais adiante de nova crise ainda mais aguda e destruidora.
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    in Avante 2009.07.09
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    CE prepara novas recomendações para apoios estatais à banca




    A Comissão Europeia (CE) aprova, dia 23, novas recomendações sobre regras aplicáveis a entidades financeiras afectadas por crises que recebam ajudas públicas à reestruturação, entre as quais figura a obrigatoriedade de diminuição da sua actividade para compensar a distorção da concorrência causada pelos apoios.
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    As novas directrizes em preparação em Bruxelas recomendam também que a reestruturação das instituições se realize sem mais injecções de capitais públicos e que uma das principais fontes de financiamento do processo seja constituída por fundos próprios, disse à Lusa o porta-voz da comissária europeia da Concorrência, Neelie Kroes.

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    A aprovação prévia de um plano de viabilização consta, igualmente, da lista de recomendações a estabelecer pelo Executivo comunitário. Se os Governos europeus seguirem estas directrizes, a aprovação prévia que Bruxelas tem de dar às ajudas do Estado às empresas será, tendencialmente, mais rápida.

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    Diário Digital / Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 13:56
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    G8: Angola pede que mundo passe das palavras aos actos





    O Presidente angolano (PR) defendeu hoje em L´Aquila, no decurso da 35ª Cimeira do G8, que o mundo deve definir mecanismos de regulação de mercado financeiro internacional, sem pôr em causa as regras essenciais do mercado.
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    José Eduardo dos Santos, citado pela agência angolana de notícias, Angop, disse ainda que este é o momento, no que toca à definição dos mecanismos de regulação do mercado financeiro, de «passar das palavras aos actos».

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    O chefe de Estado angolano apontou ainda como essencial para o continente africano que tome também parte activa neste processo que conduzirá a uma «nova ordem e maior democratização do Fundo Monetário Internacional (FMI)», onde José Eduardo dos Santos defende que África veja o seu poder ampliado.

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    Diário Digital / Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 14:30
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    GM apresenta-se como nova companhia após falência



    António Eduardo Ferreira

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    Menos de 40 dias depois de ter sido colocada sob protecção da lei de falências (Chapter 11), a General Motors Corporation (GM) emerge como uma nova companhia, agora maioritariamente detida pelo Tesouro dos EUA, anunciou a empresa num comunicado municiado com declarações de Fritz Henderson, o novo presidente e CEO do construtor automóvel.
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    A nova entidade (General Motors Co.), que saiu da falência por decisão judicial de 5 Julho, reúne os activos que não foram alienados, basicamente quatro marcas automóveis (Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC), iniciando uma nova etapa da sua longa história, agora com um dívida de 11 mil milhões de dólares.

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    A nova empresa, detida em 60,8% pelo governo dos EUA - a antiga GM representa apenas 10% do capital da nova entidade -, terá reduzido cerca de 27 mil empregados no final do próximo ano, contra um efectivo de 91 mil (nos EUA) no fim de 2008. Por outro lado, das 47 unidades industriais que a empresa operava em 2008, a nova GM apenas terá 34 fábricas a funcionar.

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    Ao separar-se de vários activos e graças à injecção de 50 mil milhões de dólares autorizados, em grande parte, pela administração de Barack Obama para evitar o colapso do sector, a GM prossegue o objectivo definido em Maio de reduzir o número de concessionários de 6 000, para 3 600 até final do próximo ano.

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    Segundo refere ainda o comunicado divulgado pela empresa, a GM reinventa-se com o compromisso de manter a sua cultura, centrar-se na relação com os clientes e a indústria automóvel.

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    in Diário Digital / Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 14:54

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    Sarkozy apela à institucionalização rápida do G14




    O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apoiado pelo Brasil, reclamou quinta-feira uma evolução do Grupo dos Oito países mais industrializados (G8) e a institucionalização "o mais rápido possível" do G14, que reúne o G8 e as grandes potências emergentes.
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    "Com o presidente (brasileiro) Lula, manifestámos a nossa vontade de fazer evoluir o G8, não que o G8 tenha deixado de ser útil mas claramente a representatividade do G8 não é suficiente" para responder aos grandes desafios, declarou durante uma conferência de imprensa.

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    "Existe um G8, um G5, um G6. Com Lula, propomos que o mais rápido possível juntemos os dois grupos num G14", acrescentou.

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    Diário Digital /Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 07:32

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    SABMiller vai abrir nova fábrica de cervejas em Luanda

    investimento de 90 ME

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    publicado 12:04 10 Julho '09

    Luanda, 10 Jul (Lusa) - A SABMiller, uma das maiores cervejeiras do mundo, vai abrir este ano uma nova fábrica em Angola num investimento de 125 milhões de dólares (90 milhões de euros), anunciou hoje a empresa em Luanda.

    Os 125 milhões de dólares da nova fábrica de cervejas compõem um investimento global de 250 milhões de dólares (180 milhões de euros) previstos para os próximos 18 meses, incluindo o alargamento da linha de produção de refrigerantes, incluindo a Coca-Cola, marca que a britânica SABMIller representa em Angola.

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    Esta empresa detém ainda a fábrica da cerveja N´gola, na província da Huila, sul de Angola e, segundo informação prestada à Lusa pela empresa em Luanda, os investimentos previstos têm como objectivo corresponder à crescente demanda de bebidas, incluindo nas áreas da armazenagem e distribuição.

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    por © 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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    China: Algumas mesquitas abrem por pressão dos fiéis






    Algumas mesquitas da conturbada cidade de Urumqi, capital da região chinesa do Xinjiang, abriram esta sexta-feira, apesar do anúncio anterior de que estariam encerradas na sequência dos tumultos interétnicos que causaram pelo menos 156 mortos no domingo passado.
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    Desconhece-se para já se a abertura dos templos se deveu a uma mudança de política ou à pressão das multidões concentradas no exterior, sendo que as orações de sexta-feira à tarde são de grande relevância para a minoria muçulmana uigur local.

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    Cerca de 100 homens juntaram-se à porta da Mesquita Branca, um dos mais populares locais de culto do grande bairro uigur de Er Dao Qiao, exigindo a sua abertura aos fiéis.

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    Diário Digital / Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 08:48
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    OIT: Tensão entre trabalho e família prejudica mulher




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    As tensões entre trabalho e família geraram um alto custo para mais de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho na América Latina e Caribe. O dado é do informe sobre "Trabalho e família", divulgado no fim de junho pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


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    Intitulado como "Trabalho e Família: rumo a novas formas de conciliação com co-responsabilidade social", o documento foi apresentado em Genebra, durante a 98ª Conferência Internacional do Trabalho. O texto aponta a conciliação entre vida familiar como "uma dimensão fundamental para promover a igualdade e combater a pobreza a partir do mundo do trabalho".

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    O relatório avalia que a inserção cada vez mais massiva da mulher no mercado de trabalho exige uma "mudança de paradigma" na relação entre trabalho e vida familiar. Uma nova concepção dos papéis sociais - entre homens e mulheres - tornaria a sociedade mais igualitária e as economias mais produtivas, pontua o documento.

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    As tensões entre trabalho e família "estão gerando altos custos para as mulheres, para as pessoas que requerem cuidados, e também para o crescimento econômico dos países, o bom funcionamento do mercado de trabalho e a produtividade das empresas", reforçam a OIT e o PNUD.

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    Segundo o documento, 53% das mulheres da América Latina e Caribe estão incorporadas ao mercado de trabalho. Essa porcentagem sobe para 70% se considerarmos apenas as mulheres entre 20 e 40 anos. Para as duas entidades, esse avanço "tem tido efeitos importantes na geração de riqueza dos países, o bem-estar dos lares e a diminuição da pobreza".

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    O estudo critica o fato de a divisão de tarefas nos lares latino-americanos e caribenhos não acompanharem a quebra de tabus de gênero cada vez mais forte no mercado de trabalho. "Hoje as mulheres compartilham com os homens o tempo de trabalho remunerado, mas não se tem gerado um processo de mudança similar na redistribuição do volume de tarefas domésticas". A OIT e o PNUD também enfatizam a falta de provisão de serviços públicos em apoio às tarefas domésticas.

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    As entidades apontam "problemas de rendimento, compromisso e estabilidade nos postos de trabalho" como consequências das tensões entre vida laboral e familiar. Os conflitos "detêm o progresso em matéria de igualdade de gênero e afetam a qualidade de vida das pessoas e do seu redor, o qual redunda em um desaproveitamento da força laboral".

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    O informe ainda questiona a qualidade dos empregos disponíveis para as mulheres da América Latina e do Caribe. Para a OIT e o PNUD, muitas mulheres "se vêem forçadas a trabalhar na economia informal ou em trabalhos remunerados nos quais seus salários sejam 70% do que recebem os homens".

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    Os responsáveis pelo documento propõem que os Estados, as empresas, os sindicatos, os indivíduos e as organizações sociais estabeleçam estratégias conjuntas de intervenção nas normas trabalhistas, colaborando para uma harmonia entre trabalho e lar. Elas ainda destacam "o importante papel da negociação coletiva" para a resolução desse conflito.

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    O informe pode ser acessado em http://www.undp.org/ e em www.undp.org/spanish/publications/pdf/undp_ilo.pdf.

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    Agência Adital
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    in Vermelho - 9 DE JULHO DE 2009 - 15h52
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    Xinjiang: dissidente mostra foto falsa de distúrbios



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    Rebiya Kadeer, famigerada dissidente uigur que vive no exílio nos Estados Unidos e que supostamente está por trás dos incidentes na região de Xinjiang, em 5 de julho, usou uma fotografia antiga, de outro incidente na China, ao falar sobre os incidentes na região, tentando esclarecer que ela e sua organização não eram responsáveis pelo incidente em Xinjiang.

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    Por Liu Chang, para o Global Times

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    Em um vídeo publicado no Youtube, Kadeer aparece em uma entrevista realizada pela rede catariana al-Jazira. Ela segurava um poster de uma foto que exibia policiais chineses em linha nas ruas, para ilustrar como as forças de segurança chinesas tratam os ''pacíficos manifestantes de Urumqi''. ''Meu povo está cercado por soldados do exército chinês. Como eles poderiam iniciar um ataque?'', pergunta Kadeer.

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    Porém, descobriu-se que a fotografia que ela usou foi tirada em outro incidente, um protesto realizado na cidade de Shishou, na província de Hubei, área central da China e que está há milhares de quilômetros de Xinjiang. A foto foi publicada pela primeira vez no site do semanário Nanfang Weekly’s em 26 de junho, ilustrando uma reportagem intitulada ''Luta por corpos em Shishou''.

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    No vídeo (clique aqui para ver as imagens), quando a correspondente em Kuala Lumpur da al-Jazira apresenta imagens de uma moça da etnia han sendo atacada em uma das ruas de Urumqi e pergunta a Kadeer o que ela sentia ao ver aquelas imagens, ela responde ''meu povo está protestando de forma pácífica. Suas ações são ações pacíficas''.

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    A notícia da foto falsa se espalhou rapidamente pela Internet da China, provocando indignação. Um usuário comentou que Kadeer ''é uma louca ridícula que falsifica fotografias'', e esse ato é ''não somente uma piada em relação à 'máscara' de pacífista, mas também uma humilhação ao QI da comunidade internacional''.

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    Fonte: Global Times (http://www.globaltimes.cn/)

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    in Vermelho - 9 DE JULHO DE 2009 - 16h49

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    Problemas no Xinjiang fazem Hu Jintao deixar reunião do G8




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    O presidente da China, Hu Jintao, deixou nesta quarta-feira (8) a reunião do G8 na Itália, retornando às pressas para Pequim por causa da cada vez maior tensão étnica separatista na região de Xinjiang, que provocou até o momento 156 mortes.


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    A agência Xinhua disse que Hu, que estava em uma visita de estado na Itália para participar da reunião do grupo dos oito países mais ricos, que teve início nesta quarta-feira, teve de cortar a viagem, devido ''à situação'' em Xinjiang.

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    O conselheiro do Estado, Dai Bingguo, estará presente à reunião do G8, representando Hu.

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    Seu retorno apressado coincide com a elevação da tensão étnica na cidade de Urumqi, a capital da região. Victor Gao, diretor da Associação Nacional de Estudos Internacionais da China, disse que o returno de Hu é ''bastante extraordinário''.

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    ''Sem precedentes''

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    ''Por causa da escala sem precedentes e a severidade da situação em Xinjiang'', disse Gao à agência catariana de notícias al-Jazira, Hu teve de tomar ''a medida inédita de deixar a reunião do G8 antes de seu início, retornando à China para exercer sua liderança no papel de acalmar a situação em Xinjiang''.

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    A rede al-Jazira relata que a situação em Urumqi é de nova elevação da tensão, após uma manhã de quarta-feira com calma, depois do toque de recolher dado na terça-feira à noite.

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    Chineses da etnia Han tomaram as ruas, armados de porretes e tentando ocupar os bairros da etnia Uigur, que se espalham ao redor da capital regional, a despeito da polícia de Choque ter bloqueado as ruas principais com veículos blindados e patrulhar as ruas com centenas de policiais.

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    Na terça-feira, milhares de Han foram às ruas da cidade procurando vingar-se do ataque realizado pelos uigures, que provocaram centenas de mortes em ataques no fim da segunda-feira (6) a membros da etnia Han.

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    Grupos de uigures também tomaram as ruas e as forças do governo dispararam contra eles gás lacrimogêneo, além de impor um toque de recolher na tentativa de manter o controle da cidade.

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    ''Justo e efetivo''

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    De acordo com autoridades da China, pelo menos 156 pessoas de ambas as etinias foram mortas nos conflitos de domingo, que se iniciaram durante um violento protesto de rua conduzido por uigures.

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    O conflito foi um dos mais mortais do país em várias décadas. Os uigures foram às ruas alegando protestar contra a suposta morte de dois trabalhadores da etinia em uma fábrica de brinquedos.

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    A polícia chinesa revelou que prendeu mais de 1.400 pessoas durante a ação, que Wang Lequan, chefe do Partido Comunista da região de Xinjiang, alertou como uma ''luta contra o separatismo, que está longe de terminar''.

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    Opinando sobre a forma como o governo age nesta crise, Victor Gao, que trabalhou como tradutor para o falecido líder chinês Deng Xiaoping, disse que o governo precisa ser ''muito justo e efetivo'' no tratamento da situação.

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    ''É muito fácil traçar uma linha entre os grupos étnicos, entretanto, isso é uma tentação à qual precisamos resistir'', afirmou isso.

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    ''Acredito que é melhor focar nas atividades criminais, sem considerar a qual grupo étnico pertencem, não importa se são chineses da etnia uigur ou han'', considera.

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    Grande vergonha

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    Perguntado se Pequim deveria reconsiderar sua política de migração para o Oeste em relação à etnia han, Gao diz que a China ''não deve desviar da situação geral, apesar do que está acontecendo em Urumqi neste momento''.

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    ''É um incidente grave, uma grande vergonha para nós, chineses, mas eu acho que precisamos continuar porque sem a estabilidade, está fora de questão a melhoria nas condições de vida da população de Xinjiang, inclusive uigures''.

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    Segundo o governo da região, a briga na fábrica foi utilizada como ''desculpa'' para justificar os enfrentamentos em Urumqi.

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    Pequim responsabiliza os exilados separatistas uigures pela sublevação, apontando contra Rebiya Kadeer, uma empresária uigur nos Estados Unidos, que antes de exilar-se nos EUA esteve presa por vários anos, acusada de sedição. Ela é chefe, hoje, do Congresso Mundial Uigur, uma organização separatista que promove o terror na região, de acordo com o governo local.

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    Naturalmente, Kadeer, de 62 anos, rejeita as acusações, a partir de sua base em Washington. Presa em 1999, foi colocada em liberdade após pagar uma fiança, em 17 de março de 2005, para realizar tratamento médico nos Estados Unidos.

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    Ela alega que o conflito “foi iniciado” pela polícia chinesa, que teria “investido” contra o ''pacífico'' protesto, convocado após a suposta morte de dois trabalhadores uiugures de uma fábrica de brinquedos, supostamente mortos por membros da etnia han.

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    No entanto, os conflitos iniciados no domingo passado em Urumqi, ''não foram um protesto pacífico, mas sim assassinatos, incêndios e saques'', afirmou na terça-feira o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang.

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    ''Qualquer pessoa que se refira a esses atos violentos como um protesto pacífico está alterando a verdade, com o propósito de enganar o público'', assinalou Qin em uma entrevista coletiva em Pequim.

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    ''Esses atos violentos foram um crime premeditado e organizado, instigado e dirigido a partir do estrangeiro e realizado por foragidos da justiça no país'', explicou Qin, que assegurou que as provas são irrefutáveis e decisivas.

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    Com informações da Xinhua, Diário do Povo Online e al-Jazira

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    in Vermelho - 8 DE JULHO DE 2009 - 17h12

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    Cadeias paralisadas

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    direitos reservados Guardas de férias ou de folga concentraram-se frente às cadeias em solidariedade com os colegas

    Guardas de férias ou de folga concentraram-se frente às cadeias em solidariedade com os colegas

    Greve: Guardas estimam adesão de 96%. direcção fala em 90%

    * Francisco Pedro com J.M.G./M.P.

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    A forte adesão à greve dos guardas prisionais provocou ontem a paralisação dos serviços e deixou os reclusos sem contacto com o exterior. Vários julgamentos tiveram que ser adiados, a correspondência ficou por distribuir e as visitas não foram autorizadas. A jornada de protesto só termina amanhã.
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    Quando se aperceberam que iam ficar fechados na cela durante 23 horas, os presos de pelo menos três estabelecimentos – Caxias, Custóias e Leiria – protestaram e registaram-se momentos de alguma tensão. A situação só foi ultrapassada depois de ter sido autorizado que os reclusos saíssem das celas e circulassem no pavilhão, apurou o CM junto de fonte prisional.

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    Fora isto, não houve cedências. As portas das cadeias só abriram para casos de assistência médica ou para levar presos a tribunal, se a alteração das medidas de coacção estivesse em causa. Nem os advogados foram autorizados a entrar para visitar os clientes.

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    "O corpo da guarda prisional mostrou claramente ao ministro da Justiça que está indignado com a política adoptada no sistema prisional", afirmou Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional .

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    Hoje cumpre-se o segundo dia de greve, entre as 08h00 e as 20h00, e o dirigente sindical teme que o ambiente nas prisões possa complicar-se. É que, segundo Jorge Alves, a Direcção-geral dos Serviços Prisionais (DGSP) "mandou reduzir o efectivo" nos dias do protesto com o intuito de "intimidar os guardas" e não lhes pagar. Em resposta, o sindicato fez saber que vai "cobrir a perda de ordenado dos associados em greve".

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    Jorge Alves aponta para uma adesão ao protesto a rondar os 96%, tendo atingido os 100% em 16 dos 48 estabelecimentos prisionais. A DGSP, por seu turno, contabilizou uma taxa de adesão de 90% e lamentou os "eventuais transtornos causados à população reclusa e familiares", por não ser possível assegurar as actividades habituais.

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    APONTAMENTOS

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    SOLIDARIEDADE

    Muitos dos guardas de folga ou de férias concentraram-se em frente às cadeias, em solidariedade com os companheiros escalados para os serviços mínimos. Foi o caso da prisão de Beja, onde um grupo de guardas organizou um almoço a céu aberto.

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    LUTA

    A greve decretada pelo SNCGP visa reivindicar a criação de um estatuto profissional digno, a aposentação aos 60 anos e uma tabela remuneratória ajustada. Os guardas pedem ainda o reforço do efectivo, mais meios e melhores condições de trabalho.

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    CASTIGO

    O recluso que agrediu um guarda na cadeia de Silves foi colocado numa cela de segurança, informou ontem a DGSP. O caso, que seguiu para o Ministério Público para procedimento criminal, foi provocado por o guarda não lhe ter entregue o jornal.


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    in Correio da Manhã -
    07 Julho 2009 - 00h30
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    Greve dos guardas prisionais próxima dos 100 por cento


    Regional | Açoriano Ocidental on Line - 2009-07-06 18:40

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    Somente cinco dos trinta e seis guardas prisionais escalados esta segunda-feira para o serviço nas prisões da Região não aderiram ao primeiro dos três dias de greve convocada pelo sindicato representativo da classe.
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    De acordo com Eduardo Cóias, representante sindical no arquipélago em declarações a meio do dia à Açores /TSF, para terça e quarta-feira são esperados números semelhantes em termos de adesão à paralisação, ao considerar que o verificado esta segunda-feira reflecte uma clara tendência da insatisfação que existe entre os profissionais de segurança dos serviços prisionais.
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    Os números registados nos Açores vão, de resto, de encontro aos verificados a nível nacional e que apontam para uma adesão superior aos noventa por cento. Entre a Direcção-Geral dos serviços Prisionais e o Sindicato os valores de participação no primeiro dia de greve pouco variaram. Segundo dados do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda prisional, registou-se uma adesão média de 95 por cento, tendo sido de 100 por cento em várias prisões.
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    “Os estabelecimentos prisionais de Sintra, Linhó, Pinheiro da Cruz, Viseu e Polícia Judiciária de Lisboa e do Porto tiveram uma adesão à greve de 100 por cento”, avançou esta segunda-feira à agência Lusa Jorge Alves, presidente do SNCGP.
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    Por sua vez, numa nota à comunicação social, a Direcção-geral dos Serviços Prisionais (DGSP) informou que a greve de três dias que esta segunda-feira se iniciou “está a decorrer com normalidade, sem alterações da ordem e disciplina dos estabelecimentos prisionais” e que a adesão à mesma “ronda os 90 por cento”.
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    Segundo a DGSP, “dos 48 estabelecimentos prisionais, cerca de um terço registou uma adesão de 100 por cento”, acrescentando que “os serviços mínimos estão a ser assegurados nos termos do acordo estabelecido entre o Sindicato e a Direcção-geral”.
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    A paralisação está a afectar principalmente a abertura de portas dos EP para que os reclusos sejam transferidos, as visitas, a distribuição de correspondência e encomendas, saídas dos detidos para julgamentos, saídas para o trabalho e escola e assistência jurídica e circulação de viaturas celulares, entre outros serviços, segundo o sindicato representativo dos guardas prisionais.
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    À ampla adesão à greve não será estranho o facto de o sindicato assegurar a remuneração dos guardas prisionais que aderem à paralisação Já no final da passada semana o responsável pelo SNCGP afirmou que “a direcção-geral dos serviços prisionais tem demonstrado uma enorme falta de conhecimento da realidade e tentou intimidar os guardas através do não pagamento dos dias de greve”.
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    Contudo, o sindicato logo garantiu que “vai cobrir a perda de ordenado dos seus associados pela greve” e que ninguém vai perder dinheiro, facto que levou Jorge Alves a dizer-se convencido de que “a adesão aos três dias de greve rondará os 100 por cento”, o que está a verificar-se.
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    Rui Leite Melo / Lusa

    Guardas prisionais em greve de seis dias

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    Guardas prisionais em greve de seis dias a partir de segunda-feira
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    O Destak 03 | 07 | 2009 16.59H
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    Um estatuto profissional digno, aposentação aos 60 anos e remuneração ajustada são algumas das reivindicações do sindicato dos guardas prisionais que marcou dois períodos de greve a começar já na próxima segunda-feira.
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    Destak/Lusa | destak@destak.pt
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    "Os riscos são cada vez maiores, a responsabilidade dos guardas é cada vez mais e a responsabilidade do Estado é cada vez menor", afirmou Jorge Alves, presidente do sindicato Nacional do Corpo da Guarda prisional (SNCGP) à margem de uma reunião de delegados sindicais, hoje em Lisboa.

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    O sindicato tem prevista uma greve de seis dias dividida em dois períodos: dias 06, 07 e 08 e 17, 18 e 19 de Julho.

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    Uma das reivindicações prende-se com a idade da aposentação. Para o sindicato, deveria ser permitido a pré-aposentação aos 55 anos e a aposentação obrigatória aos 60 e não aos 65 anos propostos.

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    "Os reclusos têm em média 35 anos e os guardas 50 anos, o que torna o meio cada vez mais perigoso e exige respostas cada vez mais rápidas", afirmou Jorge Alves, criticando a "falta de meios, as poucas condições de trabalho e a falta de efectivos".

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    "Trabalhar até aos 65 anos não garante a segurança da própria sociedade. Chegamos a recear pela nossa segurança, mas não o demonstramos", sustentou.

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    Para o presidente do SNCGP, "os guardas prisionais quase sempre utilizam apenas a farda num meio que é cada vez mais violento, com grupos muito complicados, reclusos que cometeram crimes horrendos e que não estão preocupados com as lesões que podem causar às pessoas".

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    Para o sindicalista, "a direcção-geral dos serviços prisionais tem demonstrado uma enorme falta de conhecimento da realidade, e tentou intimidar os guardas através do não pagamento dos dias de greve".

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    Contudo, o sindicato garante que "vai cobrir a perda de ordenado dos seus associados pela greve" e que ninguém vai perder dinheiro.

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    Por todos estes motivos, Jorge Alves está convencido de que "a adesão aos três dias de greve rondará os 100 por cento"..

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    "Os guardas prisionais estão desejosos de mostrar a sua insatisfação, tem havido intolerável barramento dos direitos adquiridos", disse.

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    Quanto à manutenção da segurança, o sindicalista garantiu que "os serviços mínimos exigidos vão ser cumpridos".

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    "Apelámos aos guardas que estejam de folga para comparecerem nos locais de trabalho para prestar solidariedade aos colegas e para reforçar o auxílio em caso de necessidade para a reposição e manutenção da ordem", afirmou.


    O sindicato tem prevista uma greve de seis dias dividida em dois períodos: dias 06, 07 e 08 e 17, 18 e 19 de Julho.
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    Uma das reivindicações prende-se com a idade da aposentação. Para o sindicato, deveria ser permitido a pré-aposentação aos 55 anos e a aposentação obrigatória aos 60 e não aos 65 anos propostos.
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    "Os reclusos têm em média 35 anos e os guardas 50 anos, o que torna o meio cada vez mais perigoso e exige respostas cada vez mais rápidas", afirmou Jorge Alves, criticando a "falta de meios, as poucas condições de trabalho e a falta de efectivos".
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    "Trabalhar até aos 65 anos não garante a segurança da própria sociedade. Chegamos a recear pela nossa segurança, mas não o demonstramos", sustentou.
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    Para o presidente do SNCGP, "os guardas prisionais quase sempre utilizam apenas a farda num meio que é cada vez mais violento, com grupos muito complicados, reclusos que cometeram crimes horrendos e que não estão preocupados com as lesões que podem causar às pessoas".

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    Para o sindicalista, "a direcção-geral dos serviços prisionais tem demonstrado uma enorme falta de conhecimento da realidade, e tentou intimidar os guardas através do não pagamento dos dias de greve".
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    Contudo, o sindicato garante que "vai cobrir a perda de ordenado dos seus associados pela greve" e que ninguém vai perder dinheiro.
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    Por todos estes motivos, Jorge Alves está convencido de que "a adesão aos três dias de greve rondará os 100 por cento".
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    "Os guardas prisionais estão desejosos de mostrar a sua insatisfação, tem havido intolerável barramento dos direitos adquiridos", disse.
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    Quanto à manutenção da segurança, o sindicalista garantiu que "os serviços mínimos exigidos vão ser cumpridos".
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    "Apelámos aos guardas que estejam de folga para comparecerem nos locais de trabalho para prestar solidariedade aos colegas e para reforçar o auxílio em caso de necessidade para a reposição e manutenção da ordem", afirmou.
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    Previsão de «Crise» nas grandes obras públicas

    Jorge Coelho considera "preocupante" possibilidade de adiar investimentos públicos

    07 Jul O presidente da Mota-Engil, Jorge Coelho, considerou hoje preocupante o anunciado adiamento dos grandes investimentos públicos, medida que classificou de gravosa e que disse constituir um risco para milhares de empregos e para as empresas do sector.

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    in Jornal de Negócios 2009-07.07

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    "Prevemos no curto prazo uma queda acentuada de preço nas gasolinas e gasóleos"

    Presidente da Galp prevê "queda acentuada" do preço dos combustíveis

    07 Jul O presidente executivo (CEO) da Galp Energia acredita que em breve os portugueses sentirão uma descida da factura de combustível. "Prevemos no curto prazo uma queda acentuada de preço nas gasolinas e gasóleos", afirmou Manuel Ferreira de Oliveira, à margem da conferência "Engineering for better jobs", que está hoje a decorrer em Lisboa, promovida pelo MIT Portugal

    07 Jul Reguladores americanos querem travar especulação no petróleo...

    07 Jul Actuais reservas mundiais de petróleo cobrem 40 anos de necessidades...

    07 Jul Morgan Stanley e Bank of America revêem em alta estimativas para o preço do crude...

    07 Jul Analistas acreditam que queda do crude é temporária...

    07 Jul Preços da gasolina preparam-se para quedas acentuadas...

    07 Jul Portugal tem a gasolina mais cara da UE antes de impostos...

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    in Jornal de Negócios - 2009.07.07
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    Quinta-feira, Julho 09, 2009

    “Só eu é que não recebi dinheiro”



    Itália: Garante prostituta de luxo que ‘tramou’ Silvio Berlusconi.

    * Paulo Madeira
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    Patrizia D’Addario desencadeou o escândalo das festas privadas do primeiro-ministro italiano.

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    Patrizia D’Addario, prostituta de luxo que desencadeou o escândalo das festas privadas de Silvio Berlusconi, garante ter sido a única que não recebeu dinheiro na sequência de uma alegada armadilha montada ao primeiro-ministro italiano.
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    Numa entrevista ao ‘El País’, D’Addario, de 42 anos, assegura que não tem medo de falar e que não foi enviada por ninguém para armar uma cilada a Berlusconi, desmentindo, assim, o chefe do governo, que afirmara que a prostituta de Bari foi muito bem retribuída. "Por quem? Que o demonstre, que diga quanto me pagaram, que apresente na Justiça as provas, os nomes. Não tenho qualquer problema. E, quanto à retribuição, sou a única nesta história que não recebeu dinheiro", declarou.
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    Tornou-se prostituta de luxo e conseguiu começar as obras de um complexo turístico sonhado pelo pai, mas o projecto foi suspenso em 2007 por questões de impacte ambiental. Para defender o projecto, ao qual tem dedicado os últimos anos, a prostituta garante ter passado uma noite com Berlusconi sem ter cobrado nada. "Confiei nele", refere. Renunciou ao pagamento e logo se sentiu traída pelo político, de quem esperava uma ajuda efectiva no projecto. Foi então que decidiu contar a sua história em tribunal, tornando-se testemunha crucial do ‘Barigate’.

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    D’Addario descreveu uma das festas, no palácio Grazioli, residência particular de Berlusconi em Roma. "Era um harém onde ele era o único protagonista. Estavam 20 mulheres quando eu e Gianpaolo Tarantini [arranjava prostitutas para o primeiro-ministro] chegámos. Ele [Berlusconi] apareceu e aproximou-se. Eu disse ‘olá’ e ele disse-me: ‘És muito bonita’", recorda.

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    "Depois pediu-me que me sentasse com ele. Um cachorrinho meteu-se entre os meus pés. Foi-lhe oferecido pela mulher de Bush. Ele disse que não me preocupasse, que não me faria mal. Chama-se ‘Frufru’ e é engraçadíssimo", acrescenta.

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    APONTAMENTOS

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    ELEITA DE BERLUSCONI

    Numa das festas privadas Patrizia foi escolhida por Berlusconi, que a acariciou diante de outras 20 mulheres e guarda--costas. Outra convidada de Berlusconi, Barbara Monterreale, teceu o comentário: "Que asco!"

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    TROCAS PROMÍSCUAS

    Segundo o relato de Patrizia, Gianpaolo Tarantini era o assessor, facilitador e intermediário de Berlusconi. Um homem disposto a tudo para satisfazer o ‘cliente final’ e obter em troca protecção política e empresarial.

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    Correio da Manhã - 2009.07.06
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    Portugueses sem dinheiro para a saúde

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    José Rebelo Ana Jorge e Jorge SampaioAna Jorge e Jorge Sampaio

    20% desiste de consultas


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    Cerca de vinte por cento dos portugueses abdicaram de ir ao dentista ou de comprar óculos por não conseguirem suportar os seus custos, revela um estudo apresentado ontem na comemoração dos 30 anos do Serviço Nacional de Saúde.
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    De 2001 a 2008, o número de portugueses que se encontra nestas condições aumentou para cerca do dobro. No entanto, as consultas nos Centros de Saúde aumentaram 20%. Os portugueses recorrem com mais frequência às unidades de saúde, sobretudo nas regiões do Norte e do Centro. O Algarve é a região com menos consultas.

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    O estudo foi apresentado no Centro Cultural de Belém na presença da ministra da Saúde, Ana Jorge, e do ex-Presidente Jorge Sampaio.

    U.C.
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    in Correio da Manhã -
    09 Julho 2009 - 00h30
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    Impostos: Prescrições quase triplicaram em 2008

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    Director-geral Azevedo Pereira admite falta de recursos humanos para limpar listas de prescrições

    Director-geral Azevedo Pereira admite falta de recursos humanos para limpar listas de prescrições
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    Fisco deixa fugir 1,4 mil milhões

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    * Diana Ramos
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    No ano passado o Fisco deixou prescrever 1,4 mil milhões de euros, dos quais 1,26 mil milhões são referentes a dívidas fiscais. A simplificação dos procedimentos para a criação de empresas tem gerado novas formas de fuga fiscal.

    Na prática, fugiram dos cofres do Estado 3,8 milhões por dia, o que representa o triplo das perdas contabilizadas no ano anterior (521,3 milhões).

    Segundo dados divulgados na Conta Geral do Estado, o IVA foi o imposto que mais contribuiu para a subida das prescrições. Em 2008, o Estado deixou escapar 729,9 milhões em IVA, 109 milhões em IRS, 271,5 em IRC e 156 noutros impostos, em que se incluem os municipais.

    A Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) diz que as dívidas já estavam prescritas antes de 2008, 'sem que tivessem sido eliminadas, por escassez de recursos humanos'.

    Mais graves são as dificuldades resultantes da simplificação administrativa, vulgo Simplex, com que o Fisco se depara. Entre os motivos apontados está 'a inexistência de bens ou rendimentos por parte dos devedores'.

    'As novas formas de fraude e evasão, com recurso à interposição de sociedades que não possuem qualquer património', a que a DGCI dá o nome de ‘missing traders’, cria 'logo de início a dificuldades/impossibilidade de cobrança coerciva'.

    A este panorama somam-se os riscos gerados pela 'crescente constituição de sociedades sem qualquer estrutura que recorrem à subcontratação'.

    Refira-se que, em 2007, várias entidades alertaram o Estado para o risco de o programa Empresa na Hora potenciar situações de fraude e evasão.

    FISCO ESCLARECE PRESCRIÇÕES DE IMPOSTOS

    O Correio da Manhã recebeu do director-geral dos Impostos vários esclarecimentos em relação à notícia publicada no dia 6 de Julho com o título 'Fisco deixa fugir 1,4 mil milhões'.

    'Efectivamente, importa distinguir entre o momento em que a dívida prescreve efectivamente e o momento em que a prescrição é registada enquanto tal. A esmagadora maioria das dívidas declaradas prescritas em 2008 prescreveram há muito tempo, algumas remontam mesmo à década de 70. Simplesmente, apesar de já se encontrarem prescritas, tal facto não havia sido alvo do correspondente registo.

    Pelo mesmo motivo é também falsa a afirmação de que 'na prática fugiram dos cofres do Estado 3,8 milhões por dia'. Na generalidade dos casos, as dívidas em causa encontravam-se há muito prescritas. Não seria o facto de não se encontrarem registadas enquanto tal que alteraria esta situação. A situação em que se mantinham criava apenas a ilusão de que o respectivo valor seria um dia cobrável, facto que nos termos da Lei não correspondia à verdade.

    Por último, a ligação que se encontra presente em todo o texto, entre prescrições e procedimentos de simplificação administrativa – por exemplo, afirma-se no texto que 'mais graves são as dificuldades resultantes da simplificação administrativa, vulgo Simplex' – é não só falsa como desprovida de sentido lógico. Efectivamente, o Programa Simplex apenas se iniciou há cerca de três anos. Uma vez que qualquer processo necessita de pelo menos oito anos (mas em termos efectivos normalmente muito mais do que oito anos) para prescrever, seria impossível o registo de qualquer relação entre uma variável e a outra.'


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    in Correio da Manhã -
    07 Julho 2009 - 00h30
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    Os políticos estão a minar o Estado de Direito

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    Sérgio Lemos

    Entrevista: António Martins

    (COM VÍDEO)

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    * António Ribeiro Ferreira / Bruno Henriques da Silva
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    António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, diz que os cidadãos não acreditam na Justiça devido à acção dos governos nestes anos de Democracia. Governo não foi sério e responsável ao culpar os juízes pelos atrasos nos tribunais.
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    Correio da Manhã/Rádio Clube – O estudo encomendado pela Sedes mostra que o principal problema da democracia é o descrédito da Justiça. Está de acordo com esta conclusão?

    António Martins – É muito curioso porque em Novembro do ano passado fizemos um congresso em que o título era “O poder judicial numa democracia descontente”. O que é positivo no estudo é o indicador da independência dos juízes. Maioritariamente os cidadãos portugueses ainda consideram que os juízes são independentes do poder político. Isso é muito positivo.

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    ARF – Os que não acreditam nessa independência, 37 %, é muito significativo ou não?

    - Podemos reflectir como é que esse número é encontrado. Temos de compatibilizar com os outros indicadores. Desde logo as pessoas não acreditarem que a Justiça seja igual para pobres e ricos e que os políticos sejam tratados de forma igual ao cidadão comum.

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    ARF – São números significativos. 79 % não acreditam que os políticos sejam tratados da mesma maneira e 82 % acham que há diferenças entre pobres e ricos.

    - São números significativos. A Justiça enquanto produto final é resultado da acção ou falta dela de uma série de intervenientes numa democracia. Desde logo de quem faz as leis, o Parlamento e o Governo.

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    ARF – Exacto.

    - Boas leis seguramente ajudam o resultado final da Justiça. De quem põe os meios à disposição para poder ser aplicada a Justiça. De quem instala tribunais em número suficiente, de quem coloca funcionários em número adequado, de quem permite que cada juiz tenha tempo para julgar em tempo útil os processos. E quem tem essa responsabilidade são os Governos. Que durante estes trinta e três anos nos têm governado.

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    BHS – Temos más leis? É isso que está a dizer?

    - Não sou só eu que o digo. O Presidente da República tem-no dito várias vezes. Há estudos da própria presidência do Conselho de Ministros que referem que se gastam milhões de euros em legislação da má qualidade.

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    BHS – E temos legislação a mais?

    - Seguramente. Muita legislação, excesso de produção legislativa e má legislação. Isso ajuda negativamente no produto final da Justiça. E os resultados estão à vista. Os cidadãos não acreditam que ricos e pobres sejam iguais e que os políticos sejam tratados de igual forma que o cidadão comum.

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    ARF – E isso é verdade ou não?

    - O que é verdade seguramente é essa percepção. É uma percepção correcta no cidadão comum.

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    ARF – E porque é que isso acontece?

    - O que me satisfaz neste estudo é que as pessoas não dizem que isso ocorre porque os juízes não são independentes, não são imparciais ou porque sejam corruptos. A percepção dos cidadão acontece pela ineficácia e ineficiência principalmente do sistema penal.

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    ARF – Aí coloca-se a questão dos ricos e pobres?

    - Exacto. Se o cidadão comum for apanhado numa infracção rapidamente o sistema de justiça está a cair em cima dele, se for um político ou um cidadão rico o sistema aparentemente funciona mas rapidamente emperra porque essas pessoas têm capacidade de utilizar os mecanismos legais, todos e mais algum.

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    ARF – O excesso de garantias para os arguidos previstos nos códigos é um factor contra a Justiça?

    - Não gosto de utilizar a expressão excesso de garantias. Pode trazer uma ideia errada. O quero dizer é que o sistema como está construído, nomeadamente no processo penal, e também no processo civil devido a uma intervenção desastrosa do Governo, há tantos alçapões que dificilmente alguém consegue fazer o percurso total e chegar ao fim vivo, isto é, com o processo terminado e transitado em julgado e com uma decisão para ser executada.

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    ARF – Esses alçapões não nasceram por acaso, foram lá postos para alguém os utilizar. Não foi por incompetência do legislador seguramente.

    - Podem ser as duas coisas. Também alguma incompetência. Também admito que há um propósito, e isso foi claramente assumido pelos políticos, de utilizar esta reforma dos códigos penais de 2007 em função das experiências que eles achavam negativas do processo Casa Pia. O problema é que os cidadãos não acreditam que estão a viver num Estado de Direito porque a Justiça não é igual para todos. E aqui começam a ser colocados em causa os fundamentos do Estado de Direito. E é isso que todos os políticos têm de perceber. Estão a minar os alicerces essenciais do Estado de Direito. A credibilidade da Justiça tem de ser algo de essencial para todos nós, cidadãos, mas também para o sistema político.

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    BHS – Qual é quota parte de responsabilidade dos agentes judiciais nesse descrédito da Justiça?

    - Seguramente há responsabilidade de todos. Não vamos lavar as mãos e chutar para o lado. Todos temos de fazer mais e melhor. E os juízes definiram no último congresso as grandes linhas que devem balizar as suas acções e os seus comportamentos.

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    BHS – Falou há pouco nas alterações aos códigos penais. As coisas pioraram com essas reformas?

    - As coisas pioraram e não foi por falta de avisos. O relatório do Observatório da Justiça deve estar a sair e os resultados não devem ser bons. Talvez por isso o senhor ministro o esteja a esconder. As reformas não resolveram nenhum dos problemas diagnosticados e em alguns casos agravaram-nos.

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    BHS – Isso quer dizer que defende uma nova revisão dos códigos?

    - No congresso nós dissemos que é preciso rever todos os códigos de processo, não só o código de processo penal. É o processo penal, é o civil, é o laboral. Com esta ideia. O processo é um meio, não é o fim. O processo deve ser o meio de se alcançar o direito, de realizar o direito.

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    BHS – Qual é o balanço que faz do mandato de Alberto Costa como ministro da Justiça?

    - Não gosto de personalizar a questão e não a farei com base no senhor ministro. Eu faço uma análise e um balanço da Justiça deste Governo nestes quatro anos. O balanço que faço é extremamente negativo. O balanço das medidas positivas e das negativas pende claramente para as negativas. Este Governo nunca encarou a Justiça de um modo responsável e sério e de um modo efectivo e com estratégia. E chamo a atenção de duas para demonstrar que não encarou de forma séria e responsável.

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    ARF – Quais?

    - Não foi sério e responsável quando tentou atirar para cima dos juízes os ónus do funcionamento da Justiça dizendo que eram uns privilegiados porque tinham três meses de férias. E que iam resolver os problemas da Justiça reduzindo as férias judiciais.

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    ARF – Esse foi o primeiro grande ataque aos juízes.

    - Foi. Não foi responsável nem sério. O primeiro-ministro não pode dizer isso. Primeiro porque não é sério nem verdadeiro porque os juízes não têm mais férias do que o cidadão comum. Coisa diferente das férias dos juízes são as férias judiciais, ou seja, o período em que os tribunais não estão a funcionar em pleno. Não foi sério e responsável. Ou não sabia e foi ignorante ou sabia e não foi sério e responsável.

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    ARF – E o outro ataque, qual foi?

    - Depois houve outra atitude deste Governo que também não demonstra seriedade nem responsabilidade. Foi quando tentou colocar os juízes no regime geral da Função Pública, como meros funcionários públicos. Isto é não perceber que os tribunais não são os juízes. Os tribunais são um pilar essencial de uma democracia e os tribunais precisam de juízes independentes.

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    BHS – Quatro anos e meio depois temos uma Justiça pior?

    - Temos, seguramente. E não houve qualquer estratégia ou qualquer actuação planificada por parte do Governo na área da Justiça. Houve fogachos, pequenas coisas.

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    ARF – Houve ou não houve uma tentativa clara do Governo de controlar politicamente os juízes?

    - Só posso interpretar estas duas questões mais significativas como um propósito dessa natureza. Não tenho dúvidas nenhuma. Quis criar condições para tirar legitimidade aos juízes de tal maneira que acabava de os manietar na sua capacidade de exercer a sua função. Isto é, um tribunal tem de ser um pilar do Estado na relação com os outros poderes do Estado. Se isto não acontece temos uma democracia de menor qualidade.

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    ARF – O ministro da Justiça faz sempre balanços positivos da Justiça, diz que há menos processos pendentes que os tribunais estão a dar uma melhor resposta. Isto é verdade?

    - As estatísticas dão para tudo o que se quiser. E a melhor forma de contornar a realidade já não é mentir, porque isso é demasiado óbvio, às vezes é omitir, mas a melhor forma ainda é fazer estatísticas.

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    BHS – O que é que o próximo Governo terá de fazer na justiça?

    - O Governo que vier a seguir só tem de tirar as lições do passado. Se for um Governo PS tem de tirar as lições daquilo que correu mal e actuar de forma diferente. Se for outro tipo de Governo tem de tirar as lições daquilo que nestes quatro anos e meio se fez de muito negativo na área da Justiça.

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    ARF – O que é que se passa com o Citius?

    - É uma questão pertinente e coloca-se aí a questão da segurança e da eficácia. O que é preocupante é que neste momento continua a não ser assumido pelo Governo claramente que está disponível para que seja feita uma auditoria externa, por uma entidade credível, que ateste a segurança do sistema. E isto é fundamental. Enquanto isto não for feito todos temos razões para não saber quem tem acesso ao quê. E pode acontecer que os funcionários do Ministério da Justiça estarem a ceder a processos que estão em investigação.

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    ARF – O sistema está instalado numa direcção-geral do Ministério.

    - O suporte físico dos discos e do sistema informático está instalado numa instalações que dependem do Instituto de Tecnologia e Informática do Ministério da Justiça. São funcionários dependentes do Ministério da Justiça que neste momento têm acesso ao controlo físico das instalações, ao controlo e ao acesso aos equipamentos e a todo o sistema.

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    ARF – Isso não é gravíssimo?

    - É inadmissível, é inaceitável. Nós já o dissemos claramente. Este sistema informático no que diz respeito à investigação deve ser dependente da Procuradoria-Geral da República. No que diz respeito aos processos judiciais deve estar dependente do Conselho Superior da Magistratura. São as duas únicas entidades que já hoje têm a obrigação, face ao suporte físico, de acautelar a sua segurança. E além disso esse sistema está a gerar uma ineficiência total nos tribunais. Está a gerar mais de 30 % de trabalho perdido. E este tempo vai ser tirado a outras tarefas, nomeadamente aos julgamentos.

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    PERFIL

    António Francisco Martins tem 48 anos, é casado e pai de três filhos. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa e frequentou o Centro de Estudos Judiciários de 1984 a 1985. Promovido a juiz-desembargador, foi colocado no Tribunal da Relação de Coimbra, primeiro, e agora na Relação do Porto. É presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses desde 2006.


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    in Correio da Manhã -
    05 Julho 2009 - 00h30
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    Pedidos de ajuda sobem 30 por cento

    Jorge Paula As empresas exportadoras estão a passar as maiores dificuldades




    As empresas exportadoras estão a passar as maiores dificuldades

    Empresas: Director-geral da Intrum justitia ibérica revela

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    * Diana Ramos
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    São cada vez mais as empresas a braços com dívidas incobráveis que recorrem à ajuda das empresas especializadas na recuperação de créditos.

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    Luís Salvaterra, director-geral da Intrum Justitia Ibérica, admite que, "nos últimos meses, as coisas não têm melhorado". "Sentimos que cada vez mais empresas nos procuram porque sentem dificuldades em receber os seus créditos", afirma o responsável, adiantando que, "quando comparado com os primeiros seis meses do ano passado, o número de contactos recebidos aumentou 30 por cento".

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    Para 2009 os números ainda não são conhecidos, mas os dados sobre o índice de risco recolhidos pela Intrum Justitia relativos a 2008 mostram que a percentagem de dívidas incobráveis no total do volume de negócios chega aos 2,7%.

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    Segundo Luís Salvaterra, a maior procura vem das empresas exportadoras. "As seguradoras de crédito ou não fazem ou limitam os seguros e as empresas estão aflitas", reconhece o director-geral.

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    Mediante as contas da Intrum Justitia, cada 500 euros de valores incobráveis de uma empresa implicam um acréscimo de venda de 25 mil euros para que as margens de lucro sejam atingidas.

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    in Correio da Manhã 04 Julho 2009 - 00h30

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    Investimento empresarial cai 10,1%

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    Estimativa do INE

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    O investimento empresarial em Portugal deverá cair este ano 10,1 por cento, motivado principalmente pela deterioração das perspectivas de vendas.
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    De acordo com os dados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a prioridade do investimento vai para a racionalização e reestruturação e só depois para o aumento da capacidade produtiva.

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    Em 2008, o investimento terá caído para - 0,6 por cento, o que, face às perspectivas do INE para este ano, significa um investimento negativo de 9,5 por cento do ano passado para o actual.

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    in Correio da Manhã 09 Julho 2009 - 11h36

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    BPN prometeu 7% a aplicações superiores a 50 mil euros

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    Bruno Colaço Miguel Cadilhe (na foto) era presidente do BPN, Abdool Vakil liderava o Banco Efisa, que colocou a emissão
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    Miguel Cadilhe (na foto) era presidente do BPN, Abdool Vakil liderava o Banco Efisa, que colocou a emissão
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    Miguel Alexandre Ganhão / D.R. com Lusa
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    ‘Operação Cabaz’ engana clientes

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    É mais um ‘esquema’ que está a prejudicar centenas de clientes do Banco Português de Negócios (BPN). Uma emissão de papel comercial, no valor de 100 milhões de euros, da SLN Valor, emitido sem garantias e comercializado aos balcões do BPN em Julho de 2008 chega ao fim em 5 de Agosto. Não há dinheiro nem para pagar o capital, nem para pagar os juros. Os clientes que subscreveram a emissão estão desesperados e já ameaçaram de morte a administração da SLN Valor.
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    Depois de Miguel Cadilhe ter diagnosticado as insuficiências do BPN, propôs aos accionistas um aumento de capital de 300 milhões para reestruturar o banco, denominado ‘Operação Cabaz’. A SLN Valor, que detém 32,5% da SLN SGPS (dona do BPN), emitiu papel comercial no valor de 100 milhões de euros que foi vendido aos balcões do BPN. As condições da emissão eram arriscadas; no prospecto, o banco Efisa (entidade colocadora) refere que não confirmou as informações fornecidas pela SLN Valor de que a emissão era 'sem garantia' e que o mínimo de subscrição era de 50 mil euros.

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    Ao chegar ao fim do prazo, a SLN Valor não tem dinheiro para pagar. A esperança é a participação na OPI 92 (55%), empresa que detém vários terrenos em Alcochete avaliados em 1,2 mil milhões de euros. A SLN Valor está a negociar com dois bancos para conseguir liquidez que permita honrar o pagamento. O CM tentou contactar Miguel Cadilhe mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

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    'COMISSÃO NÃO É TRIBUNAL'

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    'A comissão não é um tribunal e as conclusões são políticas e não jurídicas.' As palavras de Sónia Sanfona, deputada do PS responsável pelo relatório final dos trabalhos da comissão, antecipam longa discussão em torno das conclusões, que serão apresentadas e votadas na terça-feira, sendo depois encaminhadas para a PGR.

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    Para o CDS-PP, 'as conclusões devem assentar em três pontos: houve fraudes gravíssimas cometidas pelo BPN, falhas gravíssimas e reiteradas dos supervisores e um défice na informação dada ao Parlamento na nacionalização'. Para o BE, o relatório deverá referir dados como a concessão de créditos e o 'recurso reiterado a offshores para evasão fiscal'. O PSD propõe a alteração de regulamentos da supervisão bancária e o PCP espera que 'a montanha não vá parir um rato'.

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    SAIBA MAIS

    DE NOVO ARGUIDO

    Após as suas declarações no DCIAP, Oliveira e Costa foi constituído arguido no processo que envolve Manuel Dias Loureiro. O ex-conselheiro de Estado foi ouvido de novo na quinta-feira.

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    275

    milhões de euros é o montante da participação da SLN Valor na OPI 92. A empresa tem cerca de 550 milhões em activos, que estão completamente livres de ónus e hipotecas.

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    50 MIL

    Era o mínimo que se podia subscrever. Há clientes que compraram o produto ‘em branco’, sem lerem as condições.

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    BPN NÃO ASSUME

    A actual administração do BPN não quer assumir esta dívida. O banco diz que não se responsabiliza por uma emissão que não é da instituição.

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    in Correio da Manhã 2009.07.07

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    Qualidade da Democracia e Justiça

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    04 Julho 2009 - 00h30

    Estado das Coisas

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    * Rui Rangel, Juiz Desembargador
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    O estudo da SEDES sobre a qualidade da democracia, embora deva ser seguido com atenção, revela fragilidades que exigem uma maior reflexão.
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    Primeira fragilidade: dizer que o maior problema da democracia é o descrédito da justiça sabe a pouco, porque apenas considera o fim da linha do sistema democrático. A justiça é o único pilar do Estado que só reage se algo lhe for pedido. Se falha a lei, a saúde, o trabalho, a segurança social, o ensino, as relações do Estado com o cidadão, o fisco, a economia, ou até o futebol, esse ónus negativo reflecte-se na justiça. E tudo faz parte da qualidade da democracia, ou da sua falta. Isto não significa que a justiça não tem falhas no seu funcionamento.

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    Segunda fragilidade: fazer um estudo sobre a justiça quando os níveis de credibilidade e de confiança são os mais baixos de sempre acaba por viciar o sentimento de quem responde ao inquérito e por contaminar as conclusões do mesmo e a sua valia científica.

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    Terceira fragilidade: embora os eleitores considerem que existe um tratamento desigual em face da lei e da justiça, não é correcto afirmar que existe um sentimento de desincentivação na procura dos tribunais. Os tribunais continuam a ser o último reduto na defesa dos seus direitos, o que é demonstrável pelo excesso de processos entrados. Os meios alternativos de resolução de conflitos são, ainda, uma miragem.

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    Quarta fragilidade: juntam-se neste estudo realidades distintas, com respostas, necessariamente, diferentes. A morosidade da justiça esmaga os níveis de confiança e a falta desta condiciona o sentido da resposta e baralha os dados dos restantes critérios de análise. A morosidade continua a ser o maior problema da justiça. Ainda assim, é preciso perceber que, na dialéctica processual, há sempre uma parte que quer que o processo ande e outra que fará tudo para o retardar. Para além de que a decisão nunca agrada às duas partes.

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    Quinta fragilidade: carece de demonstração a conclusão de que os juízes não são independentes do poder político no exercício das suas funções. Aqui toma-se a nuvem por Juno. Talvez se esteja a confundir a independência do juiz com a autonomia do MP. Tudo por causa de algumas investigações criminais em que existem sérias preocupações na defesa da autonomia do MP.

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    Sabendo-se que a Justiça é a argamassa de consolidação dos valores da democracia, para o seu descrédito contribuem vários factores. Mas a qualidade da democracia também se deve aferir pelas suas falhas. A justiça, enquanto serviço público, não é mais que um produto daquela.

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    in Correio da Manhã 2009.07.07

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    » COMENTÁRIOS no CM on line
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    07 Julho 2009 - 11h04 | Elias Mudureira
    Concordo com o Juiz. Há grande confusão; Há q separar J, MP, Leis do Governo, Direitos do Cid.
    06 Julho 2009 - 23h21 | Manuel Freitas
    Estou plenamente de acordo com as fragelidades apontadas no texto, é pena que os políticos ainda as não notassem.Baguim
    04 Julho 2009 - 23h31 | antónio cruz novo - Esposende
    Por exp/ própria tenho razões p/acreditar + nos juizes q no MP.Embora p/duvidar c/ certeza de alguns juizes..EXPERIENCIA
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    Portugueses gastam mais na alimentação


    clicar na imagem para ler
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    in Correio da Manhã 2009.06.24
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    Subsídios agrícolas da UE prejudicam contribuintes europeus e agricultores africanos

    União Europeia | 09.07.2009

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    Grandes empresas do setor de alimentos, e não pequenos agricultores, são os maiores beneficiados com os bilionários subsídios agrícolas da UE. O prejuízo é dos contribuintes europeus e dos produtores dos países pobres.

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    Cada vaca que pasta nos campos europeus custa 2,50 euros para os contribuintes – por dia. Praticamente a metade do orçamento da União Europeia (UE) é destinada ao pagamento de subsídios agrícolas, apesar de menos de 3% da população do bloco viver da agricultura.

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    Já em muitos países africanos, até 80% da população vive da agricultura – e sem receber subvenções do Estado.

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    Em nenhum outro lugar do planeta, os agricultores deveriam estar tão satisfeitos como na União Europeia. Também os consumidores europeus deveriam estar satisfeitos: afinal, as subvenções à agricultura – financiadas pelos impostos que eles pagam – deveriam garantir uma alimentação saudável para todos.

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    Mas o fluxo das subvenções corre em outro sentido. Não são os pequenos agricultores familiares que embolsam as subvenções, mas grandes corporações do setor de alimentos. Na UE, os 60% menores produtores recebem 10% do dinheiro dos subsídios, e 2% do andar de cima ficam com 25%.

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    Alimentação incorreta

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    A imagem de pequenas propriedades rurais que a maioria dos consumidores europeus têm na cabeça quando compra alimentos no supermercado há muito não corresponde à realidade.

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    Também a alimentação saudável para a população, que deveria ser garantida pelos subsídios, já não corresponde mais à realidade, afirma Benedikt Haerlin, da fundação Zukunftsstiftung Landwirtschaft, que apoia projetos ecológicos e sociais no setor agrícola.

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    "Nós, consumidores, somos induzidos pela indústria a uma alimentação incorreta. Toda a propaganda feita para produtos alimentares é, em essência, propaganda para alimentos não saudáveis. Do ponto de vista do consumidor, o problema é que hoje há no mundo a mesma quantidade de pessoas doentes devido à má alimentação quanto de pessoas subnutridas", afirma Haerlin.

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    A lista dos principais beneficiados com as subvenções agrícolas explica por quê. Fabricantes de doces e laticínios embolsam os subsídios para exportação de produtos agrícolas – e os pequenos produtores de leite, como os da Alemanha, lutam para subsistir.

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    "Uma delícia natural do leite", afirma a campanha publicitária de uma das grandes empresas alemãs – ela sugere que os produtos são oriundos de idílicas pequenas propriedades rurais e não das grandes corporações que embolsam a maior parte das subvenções.

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    Exemplo do algodão

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    Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos fazendeiros não recebem nada do Estado – mas os 10% mais ricos do setor agrícola ficam com 72% do total de subsídios estatais. Tanto nos Estados Unidos como na Europa é indiferente quanto é produzido: os lucros não advêm da produção, mas dos subsídios.

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    Mas os excedentes são exportados, o que leva a uma superoferta no mercado internacional, reduzindo os preços, por exemplo, do algodão, que é produzido também na África.

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    Em 2001 e 2002, o governo dos Estados Unidos distribuiu cerca de 4 bilhões de dólares para os produtores de algodão do país – isso é mais do que a comercialização da produção rendeu no mercado mundial. Especialistas avaliam que subsídios como esse custem mais de 250 milhões de dólares por ano aos produtores africanos de algodão, levando muitos deles à ruína.

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    Segundo uma projeção feita pela Comissão África com base em informações do Banco Mundial, as exportações de algodão do continente cresceriam 75% caso as subvenções fossem eliminadas.

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    Meio ambiente

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    Também no setor ambiental crescem as críticas aos subsídios agrícolas dos países ricos. Para o diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Achim Steiner, está em curso uma mudança na política de subvenções à agricultura.

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    "O desenvolvimento da nossa agricultura não pode simplesmente ser o desenvolvimento do modelo do século 20, de maximização da produção, na qual se subvenciona a produção de acordo com as necessidades do momento. Isso é consenso entre os ministros do Meio Ambiente", afirma.

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    Mas não são os ministros do Meio Ambiente que decidem sobre as subvenções, e sim os ministros da Agricultura, das Finanças e da Economia – além dos fortes lobbies agrícolas. Enquanto o mercado agrícola global não for liberalizado, as subvenções continuarão custando caro, tanto aos contribuintes das nações ricas quanto aos produtores dos países pobres.

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    Autora: Helle Jeppesen

    Revisão: Roselaine Wandscheer

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    Mais artigos sobre o tema

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    Cúpula do G8 em Áquila

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    Portugueses continuam a escolher Angola, mas crise já provoca regressos antecipados

    Consulado revela que há 72 mil pessoas inscritas
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    09.07.2009 - 07h58 Lusa
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    Nos últimos três anos, 30 mil portugueses chegaram a Angola para trabalhar, mas os primeiros sinais de que o país não é o "El Dorado" tão falado começam a surgir. Responsáveis ligados ao sector empresarial português admitiram à Agência Lusa que se multiplicam os casos de portugueses que foram obrigados a regressar a Portugal
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    Mas isso está longe de demover os portugueses a partirem para Angola como as cifras oficiais e as estimativas, também oficiais, apontam. De acordo com dados do Consulado Geral de Portugal em Luanda, actualmente estão inscritos cerca de 72 mil portugueses, 15 mil dos quais nos últimos três anos.
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    Mas, porque a inscrição consular não é obrigatória, a estimativa é que por cada inscrito exista um que não o faz, totalizando à volta de 30 mil os novos membros da comunidade portuguesa em Angola, explicou à Lusa o Cônsul Geral em Luanda, Pedro Silva Rodrigues.
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    Dados sobre os regressos "forçados" não existem mas podem ser muitas centenas no último ano, porque, como explicou à Lusa uma fonte ligada aos investimentos portugueses em Angola, "os casos que passam de boca em boca sobre regressos inusitados vão-se multiplicando".
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    Apesar disto, os números da Agência Nacional para o Investimento Privado em Angola (ANIP) não enganam quanto à importância que o país tem para os investidores portugueses. Em 2007, esse investimento chegou aos 235 milhões de dólares, com 247 projectos aprovados, e, em 2008, subiu para os 615 milhões de dólares.
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    Além dos grandes investimentos, como os das construtoras, sector bancário ou telecomunicações, existem centenas de projectos de pequena e média dimensão, desde as madeiras e móveis, medicamentos ou maquinaria, que exigem mão-de-obra qualificada não existente em Angola e são um forte impulso para a emigração portuguesa.
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    Um dos exemplos desta realidade é o de José Castro, técnico qualificado na área da climatização e refrigeração que partiu há um ano da cidade de Viseu, em Portugal, e rapidamente teve sucesso profissional em Angola. José Castro explica o motivo do sucesso: "O mercado angolano tem muita falta de técnicos qualificados nestas áreas".
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    Mas nem tudo são rosas e este emigrante diz ter conhecimento de que "são ainda bastantes" os portugueses que chegam a Angola e têm de regressar porque "não trazem na bagagem as respostas que o mercado pretende" em matéria de qualificação. Outro exemplo é o de Carlos M. que está em Luanda há dois anos como quadro médio de uma empresa ligada à importação de produtos alimentares e admitiu à Lusa que tem "um excelente contrato", que lhe permite ganhar "muito mais que em Portugal".
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    Mas Carlos M. considerou que o cenário de hoje "não é o mesmo de há dois anos", efeitos da crise económica e financeira mundial.
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    "As coisas estão a mudar. Há sinais disso que são evidentes, como o facto de algumas pessoas que conheço e que estavam em empresas importantes, terem regressado a Portugal nas últimas semanas", disse.
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    O Governo já informou que um número significativo de projectos de obras públicas foi anulado ou colocado em "standby" até que a crise esmoreça.
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    As autoridades angolanas confirmam ainda outro dado negativo para os investidores estrangeiros. A crise provocou uma grande escassez de divisas no mercado, levando a maiores dificuldades nas transferências de dinheiro para o exterior.
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    in Público
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    África deve crescer 2,8 por cento este ano e reanimar mais em 2010

    Previsão do BAD
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    08.07.2009 - 20h09 PÚBLICO
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    O crescimento económico em África deverá chegar aos 2,8 por cento este ano e poderá reanimar particularmente em 2010, com o Produto Interno Bruto (PIB) a aumentar 4,5 por cento. A previsão é de um relatório sobre perspectivas económicas apresentado hoje pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
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    De acordo com o estudo, realizado em colaboração com a União Europeia e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o crescimento do continente africano é marcado por profundas disparidades regionais.
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    As economias mais abertas foram mais tocadas pela crise, nomeadamente os países ricos em recursos minerais e exportadores de petróleo, como a Nigéria e o Botswana.
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    Menos afectados estão os países da África do Leste, essencialmente de cariz agrícola, como a Ruanda ou a Etiópia.
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    O encarecimento dos preços do petróleo, dos adubos e dos produtos alimentares provocou picos de inflação de 13,5 por cento em países importadores, contra uma inflação de 7,9 por cento em 2007. Já as economias exportadoras de petróleo conheceram uma inflação de dez por cento em 2008 (em 2007 foi de 7,2 por cento).
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    “As economias que mais resistiram são aquelas que têm relações com o sul do continente e com os países emergentes, nomeadamente a China”, afirmou Guillaume Gross, conselheiro político na OCDE, citado pela agência AFP.

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    in Público
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    Recessão na Europa continua em 2010


    09-Jul-2009
    Previsões económicas dizem que a zona Euro vai demorar a recuperar da crise e o desemprego aumenta em 2010. Foto landahlauts/FlickrAs previsões do FMI para o próximo ano estão mais optimistas e reforçam a possibilidade da economia mundial poder sair da recessão. A excepção é a zona Euro, a única economia do mundo que continuará em queda em 2010. Mas a recuperação da economia não significa um abrandamento dos efeitos da crise e o desemprego vai aumentar.

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    A revisão em baixa do crescimento esperado na zona Euro, publicado nas novas previsões do Fundo Monetário Internacional, contrasta com o optimismo face à evolução da economia da China, Índia ou dos EUA. O FMI previa que a contracção da economia europeia seria de 4,2% e agora corrigiu a previsão para uma queda de 4,8% em 2009 e 0,3% em 2010. No mesmo período, os EUA crescem 2,6% e 0,8%, a China 7,5% e 8,5% e a Índia 5,4% e 6,5%.

    "As condições financeiras melhoram mais do que o esperado, principalmente devido à intervenção pública", diz o relatório do FMI. As previsões indicam que a actividade da economia mundial deve ter uma variação negativa de 1,4% em 2009, recuperando o crescimento já no próximo ano, com 2,5%.
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    O comportamento negativo da zona euro é justificado com a dependência das exportações, que inevitavelmente sofre com a quebra do comércio mundial de bens e serviços, estimado em 12,2% para este ano (mais 1,2% do que dizia a anterior previsão) e cuja recuperação em 2010 (prevista em 1%) não é suficiente para arrastar as economias mais fortes da zona Euro.
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    Uma previsão que se mantém constante é a da subida do desemprego em 2010. Apesar dos sinais de recuperação económica, o efeito da crise na vida das pessoas prolongar-se-á por mais tempo. Já na semana passada o director do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI dizia aos ministros das Finanças dos países americanos que "embora estejamos começando a ver sinais de revitalização, os números de desemprego continuarão a deteriorar-se".

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    in Esquerda.net

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    A caixa negra do PS e a educação

    Público - 08.07.2009

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    Santana Castilho

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    Cai Sócrates e o PS. O eleitorado tem dois meses para lhe analisar a caixa negra e perceber as causas do desastre

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    O episódio Manuel Pinho tornou degradante o debate sobre o estado da nação. A grosseria a que o país assistiu em directo espelha a cultura que nos tem governado nos últimos quatro anos, afastada do povo e sem respeito pelo órgão que o representa.

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    .Não me interesso por futebol. Mas as recentes eleições do Benfica entraram-me em casa e demonstraram-me que o Estado está em licença sabática. Um tribunal tomou uma decisão sobre o acto. Logo os visados anunciaram que não a cumpririam. E não cumpriram, não se coibindo de a comentar na televisão, em linguagem ordinária. E nada aconteceu, para além de celebrações entusiásticas em que participaram figuras públicas, que desempenharam e desempenham cargos de grande responsabilidade social. O verdadeiro estado da nação está espelhado nestes episódios da vida quotidiana.

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    A criação de mitos é sempre servida por poderosas máquinas comunicacionais. À sombra dos mitos acoitam-se legiões de incondicionais. E quando o processo claudica, face à linguagem incontestável dos resultados, é degradante ver a máquina em tentativa desesperada de se auto-alimentar, à custa do que julgam ser a irracionalidade dos outros.

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    Caiu Jardim Gonçalves, caiu Rendeiro, caiu Oliveira e Costa, caiu Dias Loureiro, afunda-se Sócrates e este PS alienante e redutor. O eleitorado tem dois meses para lhe analisar a imensa caixa negra e perceber as causas do desastre.

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    No que à Educação respeita, a próxima legislatura tem uma tarefa: apanhar os cacos e trazer paz às escolas e aos professores. Para isso tem, entre outras, oito acções incontornáveis, a saber:

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    a) Assumir, finalmente, a autonomia das escolas. O paradigma tradicional de gestão do sistema está esgotado. O poder tem de confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas. Como corolário óbvio, devem ser extintas as direcções regionais de Educação e proceder-se à adequação consequente da estrutura orgânica do Ministério da Educação. As valências centrais devem limitar-se à definição das políticas de natureza nacional, à supervisão, ao controlo da qualidade e aos instrumentos de avaliação e relativização dos resultados. Deste enunciado genérico emana a imperiosa necessidade de despolitizar todos os serviços técnicos. Há que ganhar uma estabilidade de funções, que persista para lá das mudanças dos políticos, protegendo a administração superior da volatilidade política.

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    b) Conceber um verdadeiro estatuto de carreira docente, em que os professores portugueses se revejam, que seja instrumento de desburocratização da profissão, fixador de claro referencial deontológico, gerador de estabilidade profissional e indutor de uma verdadeira autonomia responsável, de natureza pedagógica, didáctica e científica. Naturalmente que o fim da divisão da carreira em duas é obrigatório. Naturalmente que a adequação das necessidades das escolas à dimensão dos quadros é desejável.

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    c) Definir um modelo de avaliação do desempenho útil à gestão do desempenho, isto é, que identifique obstáculos ao sucesso e se oriente para os solucionar, que tenha muito mais peso formativo que classificador. Que se preocupe mais com a apropriação, por parte dos professores, dos valores que intrinsecamente geram sucesso e melhoram o desempenho, que com os instrumentos que extrinsecamente o pretendam promover. Que reflicta a evidência da complexidade do acto educativo, que não pode ser alvo dos mesmos instrumentos que se aplicam à medição de bens tangíveis. Que assente no reconhecimento de que a actividade docente tem uma natureza eminentemente colaborativa e dispensa instrumentos geradores de competição malsã. Que seja exequível e proporcional à sua importância no cotejo com outras vertentes da profissão.

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    d) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.

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    e) Alterar o estatuto do aluno, orientando-o como instrumento promotor de disciplina e gerador de responsabilidade, rigor e trabalho. Deve ser abandonada a promoção estatística do sucesso e retomada a seriedade dos instrumentos de certificação dos resultados.

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    f) Redefinir globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, articulando-os vertical e horizontalmente. Cabe aqui a aceitação de que há limites institucionais e pessoais, uma hierarquização de importância das diferentes disciplinas, em função de faixas etárias, ciclos de estudo e orientação vocacional, e um papel nuclear de outras, que se deve reflectir na composição dos curricula.

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    g) Reorganizar as actividades de resposta a necessidades educativas especiais, com expresso abandono de utilização, em contexto pedagógico, da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e retorno dos professores especializados ao trabalho exclusivo com crianças portadoras de necessidades especiais.

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    h) Devolver aos professores espaço e tempo para reflexão sobre a prática profissional e autoformação e promover o debate sobre conceitos educacionais não suficientemente apreendidos pela sociedade. Com efeito, a insuficiente tentativa de obter consensos possíveis sobre esses temas e o fomento de climas de quase ódio entre correntes doutrinárias opostas e ideologias políticas diversas têm impedido que as decisões perdurem para além dos tempos políticos e mudem em função do livre arbítrio de sucessivos governos e ministros. Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

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    ANGOLA - COMANDOS ESPECIAIS CONTRA OS CUBANOS

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    Ouvir com webReader

    Angolacomespeciais_capa Angolacomespeciais_ccapa É esta uma obra, já publicada em 1978, de Pedro Silva, Francisco Esteves e Valdemar Moreira e colaboração do então Ten. Cor. Gilberto Santos e Castro, sobre a acção dos próprios como Comandos Especiais em Angola e dos autores posteriormente em Moçambique, onde colaboraram na fundação da RENAMO.

    Dela extraí 2 capítulos:

    - PORQUE NÃO CONQUISTÁMOS LUANDA, em Download Gilberto Santos e Castro

    - COMANDOS ESPECIAIS EM MOÇAMBIQUE, em Download Comandos Especiais em Moçambique

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    Veja também http://www.macua.org/livros/opcaoespada.html

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    Poderá também gostar de:

    José Eduardo Agualusa plagia em "Estação da Chuvas"(1996) obra editada em 1978

    Cabinda é Angola?

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    moçambique_para_todos


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    Berardo oferece emprego a Manuel Pinho

    A polémica do ministro

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    Joe Berardo convidou ex-ministro da Economia para cargo de administrador da sua fundação. Empresário «admira» Pinho

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    in Diário Digital - seg 06-07-2009 02:41

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    Twitter - Informação /Comunicação?





    Na ordem do dia estão as chamadas redes sociais de comunicação electrónica, um fenómeno que já vai bem para além da conhecida Web de primeira geração: os «sítios» mais ou menos institucionais/colectivos, permitindo alguma interacção – reduzida –, por parte dos utilizadores, os conversacionais emails, os serviços de troca de mensagens «em tempo real», os messengers. E estão mesmo a passar – com os recentes desenvolvimentos das «redes sociais» de comunicação electrónica, nomeadamente o twitter –, as «novíssimas» aplicações, para além das fronteiras interinas traçadas pelas ferramentas da chamada segunda geração, da Web 2.0 – onde são incluíveis os blogs e toda a artilharia que vai dos motores de busca, passando pelo youtube, até ao facebook, a rede social com mais utilizadores/subscritores.
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    Com efeito, a demonstrar que já está para além da Web 2.0, o twitter já não é apenas um sítio Web («twitter.com»), globalmente acessível. Para além de tudo mais, o twitter é uma ferramenta de comunicação conversacional – como é o caso do email e dos messengers –, disponibilizando a todos a possibilidade de comunicar entre si e com os todos, e a partir de diversos entradas/localizações. Isto é, para enviar uma mensagem, para tuitar – como os tuiteiros de língua portuguesa vão dizendo –, não é necessário fazê-lo exclusivamente a partir de uma sessão de visita ao sítio do twitter: os tuites podem também ser enviados através do serviço de mensagem de texto de um telemóvel, ou de um blog, ou de aplicações desenvolvidas para o efeito, como seja o TweetDeck. Do mesmo modo, os tuites podem ser lidos como mensagens de texto ou na página do facebook de um «amigo» (1). Etc.
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    Esta adaptabilidade do twitter contribuiu para a sua notoriedade mediática nos primeiros meses de 2009. Com efeito, foi referida a utilização do twitter nas manifestações pós eleitorais da Moldávia, em protestos de massa no Egipto e na Islândia e, agora, no protesto pós-eleitoral no Irão. Referências manifestamente exageradas, chegando-se ao ponto de julgarem-se alguns dos utilizadores com Poder na ponta dos dedos para gerar revoluções. A verdade é que os sistemas de comunicação, desde a boca à orelha, aos comícios, aos jornais, passando pela TV e pela Rádio, pelas convocatórias via SMS, até ao twitter, têm o seu papel instrumental na dinâmica dos movimentos populares, mas um papel que nunca poderá ser determinante por si só. Por trás destes movimentos, das revoluções, está um trabalho paciente de organização, estão condições objectivas e a eficácia da utilização do conjunto dos meios de comunicação existentes.
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    Agora o que é certo é o twitter ter sido empregue com grande intensidade durante a crise iraniana que resultou do recente processo eleitoral. No twitter disputou-se a respectiva parte de uma intensa batalha de informação e contra-informação – episódios de guerra electrónica, de mobilização tuiteira pró e contra o regime iraniano, quase sempre contra o regime – identificando com frequência o apoio contra o regime através do verde dos ícones dos utilizadores. Foram publicadas muitas fotografias e muitos vídeos e, em geral, informação, quantas vezes errónea ou falsa, mas também informações verdadeiras e em primeira-mão. A Casa Branca chegou a intervir para que fosse adiada – e foi – uma actividade de manutenção do twitter
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    Talvez a conclusão mais importante a tirar da aparição do twitter no ambiente comunicacional seja a de, através da sua utilização, com o seu emprego, ter-se passado a dispor de mais uma ferramenta, um meio de comunicação, que parece ser potente em termos de criticismo mediático. Com efeito, a rapidez viral com que o twitter permite a propagação de mensagens curtas de protesto de diversas proveniências, incluindo o seu agrupamento com a ajuda catalizadora de hashtags, como foi o caso do #CNNfail, criado por altura da manifestação popular da crise pós-eleitoral do Irão, com efeito, dizíamos, parece que estas características do twitter fazem dele um instrumento de luta contra as manipulações e distorções que os OCSs estão habituados a praticar em quase total impunidade.
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    A ver vamos. O twitter parece estar aí para lavar e para durar e não deve nem pode ser ignorado por quem de direito. Não nos esqueçamos do referido «recado» enviado pela administração Obama ao twitter para adiar a sua manutenção com o objectivo de não «prejudicar a oposição iraniana»…
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    (1) COHEN, Noam (Junho 20, 2009) Twitter on the Barricades: Six Lessons Learned
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    in Avante - 2009-07-02
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    México: Justiça Eleitoral confirma vitória do PRI

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    Com 100% das urnas apuradas, o oposicionista Partido Revolucionário Institucional (PRI) venceu as eleições legislativas do último domingo no México, com 36,68% dos votos. O resultado final, divulgado ontem pelo Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (PREP), mostrou também que o abstencionismo no pleito foi de 55,32% - menor do que o previsto pelas autoridades eleitorais.



    O PRI, que governou o país por 71 anos seguidos até 2000, derrotou o seu principal adversário, o conservador Partido da Ação Nacional (PAN), do presidente do México, Felipe Calderón, que obteve 27,98% dos votos.
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    A derrota do PAN, que até então era maioria na Câmara, levou o presidente do partido, Germán Martínez, a renunciar o seu cargo após se reunir ontem com mandatário mexicano.
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    Em terceiro lugar ficou o Partido da Revolução Democrática (PRD), de centro-esquerda, com 12,20% dos sufrágios, seguido do Partido Verde Ecologista do México, com 6,71%.
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    Já o Partido Social Democrata (PSD) alcançou apenas 1,03% dos votos e perdeu seu registro por não ter atingido os 2% requeridos para manter-se nas disputas eleitorais. A contagem do PREP revelou ainda que os votos nulos representaram 5,39%, contra o índice histórico de 2,5%.
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    Com a vitória, o PRI consegue maioria na Câmara dos Deputados (federais). O partido deverá contar com 233 cadeiras, mais do que o dobro que tinha antes; já o PAN deverá ficar com 146, 60 a menos; e o PRD com 127.
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    O PRI também elegeu no pleito cinco governadores, dos seis estados em disputa, e vários prefeitos de pequenos municípios.
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    Fonte: Ansa
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    in Vermelho - 7 DE JULHO DE 2009 - 11h14
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    Gilson Caroni: Berços latinos, novas hegemonias

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    A vitória indígena no Peru, obrigando o Parlamento daquele país a revogar dois decretos sobre exploração de recursos naturais, é mais um sinal de que a impotência da solidão, termo criado pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano, é um sentimento que se distancia do continente latino-americano. A região do mundo, outrora fraturada e abandonada em mil pedaços, aos poucos, abandona a moldura institucional forjada para privilégios de suas oligarquias e se apresenta como um bloco com identidade e interesses próprios.

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    Por Gilson Caroni Filho no Jornal do Brasil*


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    Um avanço inegável, por mais lentos e complicados que sejam os processos de integração entre economias tão assimétricas. É contra isso que a direita latino-americana se reagrupa, fazendo de Honduras seu balão de ensaio.

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    A assinatura do tratado de criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em maio do ano passado, deu personalidade jurídica a um organismo que tem por objetivo a coordenação social, política e econômica em âmbito regional Algo tão inédito quanto a Cúpula da América Latina e Caribe para o Desenvolvimento e Integração (Calc) que, em dezembro, reuniu 33 chefes de Estado ou seus representantes. Sem presença ou permissão dos Estados Unidos, países até então contaminados por velhos rancores, uniram-se para resolver algumas urgências compartilhadas, como a de evitar que “os impactos da crise financeira afetassem os planos de desenvolvimento, superação da pobreza e crescimento econômico sustentável da região”.

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    Como destacou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim “é inacreditável que em 200 anos de independência a América Latina, quando tem uma reunião internacional, tenha que ter ou EUA ou União Européia, o rei da Espanha ou o presidente de Portugal”. Natural que a leitura da direita tenha seguido em rota contrária. Para alguns setores da mídia, o evento serviu apenas de palco para as bravatas de Chávez e Evo Morales, sem trazer qualquer resultado positivo para o bloco da América do Sul e do Caribe. Mas, se o choro é livre, o que conta é a sucessão de inflexões a que temos assistido.

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    Alain Touraine já havia observado que um dos maiores erros cometidos pelas elites locais foi o de acreditar que a América Latina só avançaria se sacrificasse o bem-estar da maioria para construir uma infraestrutura moderna. Era falsa a crença de que o modelo capitalista liberal fosse uma referência próxima da realidade latino-americana. Se o Chile está perto de apresentar indicadores de países centrais, isso não se deve, como apregoaram muitos ideólogos do capital, aos experimentos neoliberais do governo Pinochet mas à realização de uma reforma agrária, iniciada no governo Frei e ampliada por Allende, que permitiu o desmantelamento de antigos latifúndios e a criação de uma classe ativa de empresários agrários. Convém não esquecer que o sistema educacional chileno nunca deixou de primar pela qualidade.

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    Na Bolívia, que sofria a perda de suas fontes de prata e estanho, um presidente aymara erradicou o analfabetismo, repetindo o êxito da Venezuela de Hugo Chávez. Rafael Correa, presidente do Equador, cumpre promessa de governo e cancela grande parte da dívida do país. Tabaré Vázquez, que preside o primeiro governo socialista do Uruguai, mantém, em seu último ano de governo, popularidade que bate na casa dos 61%. Passados 74 anos da Guerra do Chaco, os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e da Bolívia, Evo Morales, proclamam o que chamam de “irmandade binacional”, reiterando compromisso de não mais haver enfrentamento entre os dois países. É intensa a percepção de que separados não teremos destino.

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    O que acontece na América Latina é a ruptura de um paradigma que não admitia que a oposição de esquerda se fizesse a partir da auto-organização da classe trabalhadora, de partidos novos, de sindicatos e de movimentos sociais que não estavam ligados de forma clara à luta de classes, como o dos indígenas que adquire centralidade cada vez maior na região. Os blocos de poder conservadores, com seus discursos estruturados e argumentados, que apareciam como o “dever ser”, o “poder ser” e o “que vai ser”, perderam, junto com a esquerda tradicional, para uma política que se reinventa no interior das contradições, dos conflitos e da tessitura tensa dos mundos do capital e do trabalho. Uma bela lição que balança o berço das oligarquias e da burguesia liberal do continente. Uma aula de hegemonia posta à prova em Tegucigalpa.

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    * Fonte: Jornal do Brasil

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    in Vermelho - 6 DE JULHO DE 2009 - 14h32

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    ONU: crise leva até 90 milhões de pessoas à extrema pobreza




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    A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de 6% em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira.
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    A estimativa, apresentada num relatório sombrio sobre um programa desenvolvido há dez anos pela ONU para conduzir países pobres ao desenvolvimento até 2015, indica que 17% dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009.

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    "Em 2009, entre 55 milhões a 90 milhões de pessoas a mais do que o previsto antes da crise estarão vivendo em extrema pobreza", diz o relatório, apresentado em Genebra pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Intitulado "Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio", o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa - apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos - provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.

    Meta

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    Em um discurso no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc, na sigla em inglês), Ban fez um apelo às nações industrializadas do Grupo dos Oito para que aumentem a ajuda, especialmente para a África, no próximo ano, dizendo que as promessas feitas por eles anteriormente ficaram aquém do anunciado.

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    "Faço um chamado ao G8 para explicitar, país por país, como os doadores ampliarão a ajuda à África no próximo ano", disse Ban em um discurso voltado para o encontro do G8 entre 8 e 10 de julho, em Aquila, cidade no centro da Itália, do qual ele participará.

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    "A credibilidade do sistema internacional depende de quanto os doadores aportarão", acrescentou. "A decência humana e a solidariedade mundial exige que nos unamos pelos pobres e os mais vulneráveis entre nós", afirmou Ban, em outra reunião, mais tarde.

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    Em uma cúpula na Escócia, em 2005, líderes do G-8 prometeram elevar a assistência aos países “em desenvolvimento” a cerca de 50 bilhões de dólares até 2010, da qual metade iria para a África. Mas a ajuda continuou sendo de pelo menos 20 bilhões de dólares a menos do que a meta fixada em Gleneagles, na Escócia, disse ele.

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    Reversão

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    Os recursos poderiam ajudar a mudar muitas vidas, mas o atraso na entrega combinado às mudanças climáticas e à crise financeira estão reduzindo o progresso nos países pobres, afirmou Ban no início de três semanas de reuniões do Ecosoc, em Genebra.

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    As pessoas que vivem na pobreza — definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de US$ 1,25 por dia — já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos. De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20% da população mundial, mas em 2005 caíra para 16% - número que refletiu o aumento da prosperidade, especialmente na Ásia, estimulada pela expansão do comércio mundial.

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    A reversão começou em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.

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    Com agências

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    in Vermelho - 6 DE JULHO DE 2009 - 13h08
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    Governo protege etnia isolada sem interferir na cultura


    A terra indígena Zo'é, no Pará, é considerada exemplo de políticas públicas voltadas para a proteção de povos isolados. Atualmente, a população, que vive em área situada entre os rios Cuminapanema, Urucuriana e Erepecuru, apresenta índice de mortalidade infantil zero, estoque de medicamentos atualizado, além de um posto de saúde equipado com laboratório, atendimento cirúrgico e de emergência.


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    A Frente de Proteção Cuminapanema, uma das seis frentes de proteção estabelecida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) trabalha, atualmente, com 245 indígenas desta etnia, divididos em 11 aldeias.

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    Os Zo'é tornaram-se conhecidos no final da década de 1980 como um dos últimos povos da Amazônia a entrar em contato com a sociedade ocidental.

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    Mesmo sabendo da existência da aldeia , inicialmente conhecida como Área Indígena Cuminapanema-Urucuriana, foi nos anos 90 que a Funai conseguiu a interdição O governo federal se empenhou, ainda, em acrescentar uma faixa de proteção ambiental (unidades de conservação ambiental) no entorno das terras indígenas.

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    A manutenção do aprendizado da língua nativa e a busca permanente pela valorização da cultura da estrutura sócio-econômica autônoma dos Zo'é permitiu que eles rompessem com práticas de assistencialismo que promoviam a dependência da comunidade.

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    Sexta-feira e sábado passados, o ministro da Justiça, Tarso Genro - ao lado do presidente da Funai, Márcio Meira, e do diretor-geral do departamento da Polícia Federal, Luiz Fernando Correia -, visitou a comunidade indígena. Pela primeira vez, um ministro de estado esteve em proximidade com uma etnia afastada do convívio de outros povos e culturas. “É um ponto de organização do contato do estado brasileiro com a comunidade indígena isolada”, afirmou Genro.

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    De acordo com o ministro, o governo protege o território e a cultura daqueles povos, ao mesmo tempo em que oferece que eles tenham um processo de aproximação com o estado e a sociedade, sem agredir a identidade da etnia.

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    Boletim Em Questão
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    in Vermelho - 23 DE JUNHO DE 2009 - 12h11
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    Índios solicitam encontro com ministro da Saúde


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    As organizações indígenas do Estado de Roraima encaminharam uma carta ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na qual solicitam uma audiência para discutir o agravamento dos problemas verificados no atendimento médico às suas comunidades.


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    Eles também querem cobrar do ministro a promessa, feita em outubro do ano passado, de que afastaria a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) da tarefa de cuidar da saúde indígena.
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    Na época, o ministro criticou a fundação pela baixa qualidade dos serviços e pela persistência de denúncias de casos de corrupção envolvendo funcionários. Passados sete meses, segundo os índios, os problemas se agravaram em Roraima e em outras partes do País.
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    Em maio, um grupo de líderes de várias comunidades do interior de São Paulo ocupou a sede da Funasa na capital. Reivindicavam a saída do coordenador regional, Raze Resel, responsabilizando-o pela piora nos serviços médicos e de saneamento básico. Mas não foram atendidos.
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    Em junho foi a vez dos índios do Estado do Amazonas, que ocuparam a sede da coordenação regional em Manaus. Eles conseguiram a exoneração do coordenador regional e mais dois dos seus auxiliares.
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    Na semana passada, lideranças indígenas de Roraima protestaram diante da sede da Funasa em Boa Vista. Eles criticaram a suspensão dos convênios com organizações não-governamentais que prestam assistência médica às aldeias, com a consequente interrupção dos serviços. Também disseram que não aceitam a decisão da Funasa de transferir todos os convênios para a Secretaria Estadual de Saúde de Roraima.
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    Na carta encaminhada ao ministro Temporão, os índios afirmam que não foram ouvidos antes da transferência dos serviços à pasta, que teria sido feita de forma obscura. "Os povos indígenas de Roraima não aceitam a assinatura desse convênio", diz o texto, "em primeiro lugar porque os governos de Roraima têm assumido historicamente posições contrárias aos direitos dos povos indígenas do Estado."
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    Os índios também devem cobrar do ministro o cumprimento do Decreto 6.878, assinado em julho deste ano. Ele confere autonomia aos distritos sanitários indígenas, mas não estaria sendo cumprido.
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    Fonte: O Estado de S.Paulo
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    in Vermelho - 6 DE JULHO DE 2009 - 12h33
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    Oposição unida, no Líbano:o Hezbolá depois das eleições








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    Na superfície dos formalismos, o grupo pró-EUA conservou a maioria no Parlamento, mas a oposição liderada pelo Hezbolá teve mais votos, mais de 10% a mais dos votos diretos. De cerca de 1,495 milhão de eleitores que votaram dia 7/6, 815 mil votaram em candidatos da Resistência Nacional Libanesa, a oposição liderada pelo Hezbolá; e 680 mil votaram nos candidatos do "Grupo 14 de Março", da coalizão de governo.

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    Por Franklin Lamb, para o site Counterpunch


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    Como novo primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri trabalha para formar um Gabinete de coalizão; e o Hezbolá tem hoje mais influência política do que jamais antes. O Partido pode determinar a composição do próximo governo libanês e insiste em pôr aliados seus nos postos-chave do gabinete. O Hezbolá sempre preferiu manter-se menos em evidência e conduzir consultas e conversações de efetiva negociação política, mais do que as 'discussões' que se travam pela mídia.

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    Como explica um amigo do Hezbolá, “Se o Hezbolá tem um único deputado no Parlamento, a Maioria entende que toda a Resistência está ali, presente. Não temos de aparecer em grande número. Temos de cooperar, para que esse novo governo funcione. É isso que mais interessa agora a todos que apoiam a Resistência.”

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    O apoio pós-eleitoral ao Hezbolá parece ter aumentado, também, pelo modo democrático como a Resistência aceitou os resultados e como está aplicada no esforço de acomodar diferenças que haja em relação aos adversários políticos, por menos que o Hezbolá ceda na crítica contra “a equipe dos EUA”.

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    O Hezbolá sempre cultivou o senso de humor e a capacidade de se autocriticar. Há uma piada que circula hoje entre os apoiadores do Hezbolá em Dahiyeh, importante área da Resistência, onde o Grupo 14 de Março não goza de muitas simpatias.

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    Um membro do Hezbolá escreve ao aiatolá Ali Khamenei, supremo jurisconsulto (Wali al Fiqeh) ao qual o partido recorre com frequência, para decidir questões políticas e religiosas.

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    “Amado e ilustre líder Khamenei,

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    Sou traficante de crack em Beirute, recentemente diagnosticado como portador do vírus HIV. Meus pais moram no subúrbio de Dahiyeh e uma de minhas irmãs, que mora em Jounieh, é casada com um travesti. Meu pai e minha mãe foram recentemente presos pelos soldados do Hezbolá, porque cultivam maconha no pequeno jardim de casa (para consumo privado, e consomem muito, a ponto de hoje dependerem, para sobreviver, do trabalho de minhas duas irmãs, prostitutas em Maameltein).

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    Tenho dois irmãos. Um está cumprindo pena de prisão perpétua em Roumieh, por ter assassinado um adolescente em 1994. O outro está preso na cadeia de Trablos, acusado de lavagem de dinheiro e de ter falsificado notas de 100 dólares americanos.

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    Recentemente, assumi compromisso de noivado oficial com uma ex-prostituta tailandesa que vive em Jiyeh e, de fato, ainda presta serviços (meio período) num bordel do bairro.

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    Meu problema é o seguinte: Amo minha noiva, quero que viva bem com toda a minha família e entendo a importância de não haver mentiras entre nós. Por isso pergunto, porque sei que o maior patrimônio de um homem é sua reputação:

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    Devo contar à minha noiva sobre o primo de minha mãe que não votou no Hezbolá, nas últimas eleições?" [pano rápido]

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    O Hezbolá elegeu seu aliado, líder do partido Xia Amal, Nabih Berri, que vai portanto para seu quinto mandato como líder do Parlamento [ing. Speaker of Parliament]. Ao mesmo tempo, o partido de Michel Aoun, dos cristãos e aliados do Hezbolá, obteve votação ainda maior, e ganhou mais cadeiras no Parlamento: agora são 27. Está pedindo sete lugares no gabinete (três a mais, em relação ao governo anterior), para seu Movimento Patriótico Livre.

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    A oposição não impediu a indicação de Saad Hariri para o posto de primeiro-ministro (obteve 85, de 128 votos parlamentares), mas sinalizou bem claramente que deseja influir nas decisões do governo. Os aliados renovaram a reivindicação de representação proporcional nas novas 128 cadeiras com que conta a coalizão. Há hoje 13 novos blocos políticos e 11 membros independentes do Parlamento, muitos dos quais buscam boas relações com o Hezbolá e têm reduzido as objeções pré-eleitorais às armas do Hezbolá. Um dos motivos de a oposição às armas ter diminuído é que o grande público, no Líbano, que vê com preocupação as provocações de Israel e as tropas israelenses estacionadas em número sempre crescente junto às fronteiras ("linha azul"), começa a ver com outros olhos o exército dos Hezbolá, considerado já como indispensável, pelo menos como força para conter o governo belicista de Netanyahu, até que o exército libanês esteja reequipado e rearmado.

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    Depois das eleições de 7 de junho, a oposição parece unida e pronta para o embate parlamentar com o grupo designado como "14 de Março" durante a campanha eleitoral. Houve sugestões de que o Hezbolá (cuja coligação eleitoral chamou-se "8 de Março") adotasse novo nome, "Líbano sempre". O Hezbolá já anunciou que prefere manter, pelo menos por hora, o nome de campanha eleitoral, que lembra uma data histórica da Resistência.

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    Alguns militantes do Hezbolá sugeriram que a oposição decidirá os termos do relacionamento com o novo governo, que pode ainda demorar semanas para ser constituído, a partir da posição que cada grupo adote em relação às armas do Hezbolá. Talal Arslan, deputado druzo e pró-Hezbolá, adversário de Walid Jumblatt disse que ou a oposição comporá "entidade única" num futuro governo, ou ficará fora, o que implica que insistirá em manter o que ficou acertado em Doha, de que não haverá 'terceira força'.

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    Quanto ao líder druzo, Walid Jumblatt, que saiu ligeiramente enfraquecido das eleições, mas ainda é o mais forte 'Ziam' druzo, tem-se mostrado mais simpático ao Hezbolá, depois de ter-se sentido 'abandonado' pelos americanos, ano passado. Há alguns dias manteve longa reunião com Hasan Nasrállah, e há quem diga que, nas entrevistas à mídia, não voltou a manifestar-se contra as armas do Hezbolá, voltando à linguagem do Arabismo e dos direitos dos palestinos. Seus assessores têm dito que pode aceitar copatrocinar a legislação a favor dos refugiados palestinos-libaneses, na linha de "todos os direitos... exceto a cidadania" da fórmula do material divulgado pela Fundação Sabra-Shatila.

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    Até agora, as relações do primeiro-ministro Saad Hariri com o Hezbolá têm sido cordiais. Encontrou-se no final da semana passada com Hassan Nasrallah, líder do Hezbolá, e lançaram uma declaração conjunta na qual declaram que “continuarão as discussões, na atual atmosfera positiva de calma, reforçando a lógica do diálogo, da cooperação e da abertura."

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    A posição do Hezbolá depois das eleições no Irã

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    No primeiro momento, o resultado das eleições iranianas do dia 12 de junho geraram alguma alegria em Israel. Muitos esperaram que, considerados aqueles resultados, seria mais fácil tornar 'palatável' para a comunidade internacional alguma ação de ataque israelense ao Irã, ou o aprofundamento das sanções. Netanyahu destacou esse aspecto em sua viagem à Europa, essa semana, tentando persuadir, por exemplo, o governo italiano (um dos principais parceiros econômicos do Irã) a reduzir essas trocas comerciais.

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    Eyal Zisser, chefe do Departamento de História do Oriente Médio e África, da Universidade de Telavive, manifestou a ideia de que "a eleição iraniana é sinal preocupante para a Síria e o Hezbolá. Quanto mais fraco o regime no Irã, menos apoio poderá oferecer ao Hezbolá."

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    O Hezbolá discorda. Contudo, sejam quais forem as consequências de longo prazo que advenham das eleições, a avaliação dos especialistas do Hezbolá é que serão consequências mais evolucionais do que revolucionárias. Os recentes eventos eleitorais têm sido analisados como pouco significativos em relação ao poderio militar do Irã; com pouco ou nenhum efeito sobre o apoio do Irã à Palestina (que é dever constitucional do governo iraniano, registrado na Constituição do Irã), ou sobre o compromisso do Irã com a Resistência Nacional Libanesa liderada pelo Hezbolá.

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    Membros do partido têm dito claramente que o Hezbolá não se envolverá em nenhum tipo de disputa pelo poder que se trave entre o grupo Ahmadinejad/Khameni e a facção Mousavi/Rafsangani; alguns desses membros, em entrevistas recentes, têm dito que esperam que o governo iraniano, depois de "algumas modificações e acomodações", estará unido e operante, para o bem do povo iraniano. Para esses membros, o Hezbolá nada tem a ver com assuntos internos do Irã; não tomará partido em questões internas; e que as eleições de 12 de junho dizem respeito exclusivamente ao Irã e seus cidadãos.

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    "O que está acontecendo lá não altera a situação no Líbano", disse Naim Qassim aos jornais de Beirute, dia 25 de junho. "Temos nossa identidade libanesa, temos nossos interesses, e os eventos do Irã não nos envolvem", insistiu. Acrescentou que o Hezbolá crê que a situação será rapidamente normalizada no Irã; e que "a República Islâmica já neutralizou o golpe organizado do outro lado do Atlântico, e que visou a desestabilizar a situação interna no Irã."

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    Outra razão pela qual membros do Hezbolá duvidam de que os resultados contestados das eleições iranianas venham a afetar a agenda do Partido, é que o apoio ao Hezbolá (e também a grupos sunitas, como o Hamás e a Jihad Islâmica) está incorporado à Constituição iraniana e é central na concepção política da República Islâmica, considerada como contrapeso ao Egito, Jordânia e outros países da Região que reconhecem o Estado de Israel.

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    Quanto ao apoio financeiro, fui informado de que a ajuda financeira que o Irã dá ao Hezbolá é muito menor do que a noticiada na imprensa ocidental; essa ajuda, embora não seja grande, será mantida.

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    O relacionamento entre o Hezbolá e o Irã é antigo e aprofunda-se sempre. Praticamente todos os líderes iranianos são considerados solidários ao Hezbolá. O Irã – e cada vez mais países e governos na Região – tem objetivos semelhantes aos do Hezbolá e sempre trabalhou na direção de manter e aprofundar relações de solidariedade.

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    Para os especialistas do Hezbolá, não há dúvida de que houve interferência de ingleses e norte-americanos nas eleições e nos eventos posteriores. "Os tumultos, as manifestações e os ataques violentos à população foram orquestrados de fora do Irã, com o específico objetivo de desestabilizar o governo islâmico", disse Qassim.

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    O Hezbolá anunciou que, embora continue aberto para conversações com representantes de todos os governos ocidentais, essa abertura não inclui os EUA, pelo menos nos próximos meses, embora o partido tenha recebido várias mensagens com consultas sobre a possibilidade de encontros entre funcionários dos EUA e do Hezbolá.

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    Essa decisão não será alterada, até que o governo Obama remova o Hezbolá de sua lista de "organizações terroristas". Nas palavras de Qassim: "De que adiantará ao Hezbolá manter qualquer diálogo com um governo que, ao mesmo tempo em que solicita encontros, nos define como terroristas? Os europeus, que não mantêm "listas" de terroristas, têm abordagem mais inteligente, do que os norte-americanos, sobre contatos políticos e relações internacionais.”

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    No curto prazo, portanto, as eleições no Irã não deverão afetar o Hezbolá, nem na nova configuração do governo no Líbano, nem no plano internacional.

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    O original deste artigo, em inglês, foi publicado no Counterpunch, aqui, e 1/7/2009, na Al-Manar TV, Líbano. Tradução de Caia Fittipaldi.

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    Blog Vi o Mundo
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    in Vermelho - 5 DE JULHO DE 2009 - 19h58
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    ver

    Hezbollah - Wikipedia, the free encyclopedia

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    Que realmente aconteceu nas eleições libanesas?





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    A pergunta real agora é se o novo governo, ao ter a maioria no parlamento, pressionará para desarmar o Hezbolá, dando assim satisfação a seus patronos. Desde que foram celebradas as eleições parlamentares no Líbano, em 7 de junho, as mídias dominantes têm declarado que os resultados dessas eleições mostram claramente que o Hezbolá e seus aliados de coalizão sofreram "uma derrota acachapante".

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    Por Esam Al-Amin, para o site Counter Punch


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    Alguns, encabeçados pelo The New York Times e algumas agências , foram ainda mais longe, sugerindo que o discurso de Barack Obama na cidade do Cairo foi o que marcou a diferença, inclinando as eleições a favor da coalizão pró-Ocidental governante.

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    Isso é pura fantasia e revela uma total incompreensão da natureza da política libanesa e uma ignorancia das realidades da política local.

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    Para começar, vamos esclarecer algumas coisas. No parlamento anterior, o Hezbolá e seus aliados tinham 58 deputados, diante de 70 da coalizão governista, em um parlamento de 128 vagas. A coalizão governista dirigida por Saad Hariri, filho de Rafiq Hariri, o bilinário ex-primeiro ministro assassinado, se nutre fundamentalmente de uma série de partidos e grupos que considera bem dispostos em relação ao ocidente e a governos árabes pró-ocidentais, como o da Arábia Saudita.

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    Esta coalizão inclui também os tradicionais partidos maronitas cristãos, apoiados pela igreja maronita, tais como as Falanges e as Forças Libanesas. Por outro lado, a coalizão da oposição está dirigida por partidos islâmicos, principalmente xiitas, Hezbolá e Amal, em aliança com um importante partido maronita, o Movimento Patriótico Livre, que é dirigido pelo ex-general Michel Aoun. Na rivalidade regional entre EUA, Israel e outros governos árabes "moderados", por uma parte, e Irã, Síria e os movimentos pró-resistência, por outra, esta coalizão da oposição claramente apoia os segundos.

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    Uma das principais disputas do parlamento anterior foi a insistência da coalizão ocidental em exigir que o movimento de resistência — Hezbolá — se desarmasse, a partir do momento que Israel fracassou ao tentar desmantelar a infraestrutura do grupo na guerra do verão de 2006.

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    Portanto, os grupos pró-ocidentais trataram de tentar conseguir politicamente o que Israel não conseguiu pela via militar. As pressões aplicadas pelos Estados Unidos durante a administração Bush para conseguir esse mesmo objetivo foram incessantes, provocando um confronto que durou cerca de um ano e que culminou nas recentes eleições.

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    A política eleitoral no Líbano está em desacordo com os princípios democráticos porque se baseia em políticas sectárias. Cada um dos grupos religiosos importantes tem garantido um certo número de vagas no parlamento, baseando-se não na população, mas sim em um acordo anterior acertado em 1989, para colocar fim a uma guerra civil de 15 anos.

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    Por exemplo, na recente eleição, os xiitas e os sunitas obtiveram os votos de cerca de 873 mil e 842 mil eleitores registrados, respectivamente, mas a cada grupo couberam 27 assentos. Por outro lado, os cristãos maronitas e os drusos tiveram 697 mil e 186 mil votos cada um, obtendo com esses votos 34 e 8 deputados respectivamente, muito mais do que as cifras de votos em si lhes dariam direito. Além disso, o clã Hariri pagou a mais de 120 mil expatriados libaneses para que voassem de regresso ao Líbano e votassem. Se estima que mais de 75% deles votou pela coalizão governante.

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    Nestas circunstâncias, em quem votaram agora os libaneses?

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    Com uma porcentagem de eleitores de cerca de 52% dos três milhões de eleitores registrados, a oposição dirigida pela coalizão do Hezbolá recebeu 55% dos votos (840 mil), mas só elegeu 45% dos deputados (57). O próprio Hezbolá apresentou somente 11 candidatos, em deferência a seus aliados de coalizão, o mesmo número que tinha no parlamento anterior.

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    Todos os onze candidatos foram eleitos de forma avassaladora. Por outro lado, a coalizão governista recebeu 45% dos votos (692 mil) e 55% das vagas no parlamento. Em resumo, a coalizão governante obteve 68 vagas, enquanto que os independentes obtiveram 3 assentos, unindo-se posteriormente à coalizão governista, totalizando assim os 71 deputados pró-Hariri.

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    Isto é, a composição do atual parlamento mudou somente em um deputado em relação à anterior, e isso só aconteceu depois de levarem para seu campo os três independentes. Além disso, a surpresa autêntica foi que o partido do general Aoun, o aliado da coalizão do Hezbolá recebeu, segundo os resultados anunciados pelo ministro do interior libanês, 52% do voto cristão, embora tenha obtido menos deputados que seus rivais cristãos.

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    Só em um mundo de ficção científica poderia se declarar que esses números são "um claro repúdio ao programa da coalizão do Hezbolá", maneira as mídias dominantes determinam claramente como os leitores devem ler, como fez Thomas Friedman no The New York Times.

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    Por isso, a história autêntica das eleições é que não se conseguiu fazer triunfar a vontade do povo libanês e que tão pouco se respeitou o princípio do governo da maioria. A coalizão dirigida pelo Hezbolá havia, de fato, obtido mais votos que a coalizão pró-ocidental, pela considerável margem de 10%. Quando o presidente americano Obama recebeu 53% dos votos populares, diante dos 47% de John McCain em novembro passado, as mídias e os analistas declararam que era uma derrota acachapante para os republicanos e um mandato de mudança real.

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    A política libanesa é imprevisível. O aliado de hoje pode ser o antagonista de amanhã. Por exemplo, o líder druso Walid Jumblatt foi durante muitos anos aliado da Síria no Líbano, mas se voltou contra ela há poucos anos, devido à mudança política registrada no país. Entretanto, recentemente começou a fazer movimentos de aproximação à oposição. Como tem o mandato de 8 deputados, se mudar de lado, coisa muito improvável na cena política atual, a composição do parlamento passaria então a ser de 65 a 63 deputados a favor da atual oposição.

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    A pergunta real agora é se o novo governo, ao ter a maioria no parlamento, pressionará no sentido de desarmar o Hezbolá, para satisfazer seus patrões. Se essa perspectiva se concretizar, de imediato se desencadeiria uma crise e a maioria dos libaneses, como mostrado no dia das eleições, sairão às ruas para protestar e exigir que a vontade real do povo seja respeitada, refletida nas urnas no dia das eleições;

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    Original publicado em http://www.counterpunch.org/amin06122009.html

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    Rebelión (em espanhol): www.rebelion.org
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    in Vermelho - 16 DE JUNHO DE 2009 - 17h55
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    Terrorista de Israel e silêncio da mídia




    por Altamiro Borges*
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    Nos meses de abril e maio passado, a mídia hegemônica fez um baita escândalo contra a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que estava agendada há meses para assinar vários acordos comerciais de interesse dos dois países.
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    A TV Globo chegou a dar destaque a um reduzido protesto da comunidade israelense no Rio Janeiro. Alegando compromissos eleitorais, o governo iraniano cancelou a viagem na última hora, o que foi comemorado como “uma vitória dos direitos humanos” pela mídia colonizada, ventríloqua dos interesses imperiais dos EUA.

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    Logo na seqüência, em junho, a mesma “grande imprensa” fez o maior escarcéu com o resultado das eleições no Irã, que garantiram 64% dos votos para Ahmadinejad. Ela amplificou a mentira de que a eleição fora fraudada. Nem o alerta de um diretor da “informada” CIA, confirmando a legitimidade do pleito, serviu para acalmar os ânimos colonizados dos barões da mídia. Eles não disfarçaram o temor com a rebeldia crescente do Irã, que coloca em risco os “valores ocidentais” e desafia o decadente imperialismo. Nos mesmos dias, o assassinato de dezenas de indígenas no Peru, um país vizinho, foi ofuscado pelas manchetes contra a “fraude” no Irã. Haja engodo!

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    Rechaçar a visita do ministro-terrorista

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    Agora, esta mesma mídia manipuladora silencia sobre a visita ao Brasil, em julho, de um dos maiores carniceiros da Israel, o ministro de Relações Exteriores Avigdor Lieberman. Neste caso, não há dúvidas ou suspeitas: Lieberman é um racista assumido, que prega descaradamente ações terroristas. O jornal Água Verde, publicado no Paraná, preparou um dossiê sobre esse asqueroso personagem que, evidentemente, não será reproduzido pela chamada “grande imprensa”. Vale à pena conhecer sua história, até para organizar, desde já, protestos contra a sua indesejada visita.

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    “Virá ao Brasil no final deste mês de julho o racista e terrorista israelense Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores de Israel, com a única tarefa de pressionar o governo brasileiro a romper relações com o Irã, país com o qual o Brasil tem ótimas relações comerciais. Em todo o país estão sendo organizadas manifestações de repúdio à vinda de Lieberman, um judeu sionista (racista) nascido na Moldávia.

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    Lieberman participou da quadrilha liderada por Ariel Sharon e responde a processos na Justiça por envolvimento com o crime organizado (Máfia Russa), incluindo tráfico de drogas. Ele é fundador do partido de extrema direita Yisrael Beitenu (“Israel é nossa casa”), que apoiou o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em troca de cargos no governo. Entre as declarações racistas e criminosas do terrorista Lieberman destacamos as seguintes:

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    “Transformar o Irã num aterro”

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    - Em 1998, ele defendeu a inundação do Egito através do bombardeio da Represa de Assuã;

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    - Em 2001, como ministro da Infraestrutura Nacional de Israel, propôs que a Cisjordânia fosse dividida em quatro cantões sem governo palestino central e sem a possibilidade dos palestinos transitarem na região;

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    - Em 2002 o jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou a seguinte declaração de Lieberman: “As 8 da manhã nós vamos bombardear todos os seus centros comerciais, à meia-noite as estações de gás, e às duas horas vamos bombardear seus bancos”.

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    - Em 2003 o diário israelense Haaretz informou que Lieberman defendeu que os milhares de prisioneiros palestinos detidos em Israel fossem afogados no Mar Morto, oferecendo, cinicamente, ônibus para o transporte;

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    - Em maio de 2004, ele propôs um plano de transferência de territórios palestinos, anexando os territórios palestinos e expulsando a população nativa;

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    - Em maio de 2004, afirmou que 90% dos 1,2 milhão de cidadãos palestinos de Israel “tinham de encontrar uma nova entidade árabe para viver”, fora das fronteiras de Israel. “Aqui não é o lugar deles. Eles podem pegar suas trouxas e dar no pé!”

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    - Em maio de 2006, ele defendeu o assassinato dos membros árabes do Knesset (Parlamento israelense) que haviam se encontrado com os membros do Hamas integrantes da Autoridade Palestina para discutir acordos de paz na região;

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    - Em dezembro de 2008, defendeu o uso de armas químicas e nucleares contra a Faixa de Gaza, afirmando que seria “perda de tempo usar armas convencionais. Devemos jogar uma bomba atômica em Gaza para reduzir o tempo de conflito, assim como os EUA atacaram em Hiroshima na Segunda Guerra”, afirmou em entrevista em jornal israelense Haaretz;

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    - Em junho de 2009, discursou no Knesset israelense ameaçando “transformar o Irã num aterro”, através do bombardeio do país com armas nucleares.

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    *Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)

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    * Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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    in Vermelho - 8 DE JULHO DE 2009 - 20h13
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    Quarta-feira, Julho 08, 2009

    Igreja e nacional-socialismo

    Site anticlerical Jan 29, 2009
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    Photo Album Igreja e nazifascismo Feb 13, 2009

    Alemanha nazista
    176 Photos

    Italia fascista
    22 Photos

    Espanha franquista
    68 Photos

    Portugal salazarista
    17 Photos

    Polonia - Pilsudski ,Moscicky e Smigly
    21 Photos

    Lituania - Antanas Smetona
    6 Photos, 2 comments

    Austria austrofascista
    18 Photos

    Hungria-Horthy e Szalasi
    14 Photos

    Croacia Ustasha-NDH
    127 Photos

    Slovakia nazicatolica
    78 Photos

    France Vichy
    11 Photos

    Belgica-Rexisme-Degrelle
    11 Photos

    Quebec-Maurice Duplessis
    6 Photos

    EUA-christianright
    12 Photos

    R.Dominicana-R.L.Trujillo
    9 Photos

    Brasil-getulismo-AIB-TFP-1964
    10 Photos

    Argentina-Peron Videla Galtieri
    21 Photos

    Chile-Pinochet
    13 Photos

    Vietnam do Sul-irmaos Ngo Dinh
    17 Photos

    Outros fascistas cristaos
    7 Photos

    Nazislamicos
    70 Photos

    Judeus nazistas
    12 Photos

    Diversas imagens
    9 Photos


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    in

    anticlerical.multiply.com/


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    Domingo, Julho 05, 2009

    • Extra: Estados Unidos estão envolvidos com o golpe de Estado em Honduras

    Jornalista sendo espancado por soldados leais a MichelettiJornalista espancado por forças leais ao ditador Micheletti

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    Golpe Militar/Honduras

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    Em vez de retirar diplomatas de Honduras, o país norte-americano só se limitou a suspender as manobras militares conjuntas / EEUU repudiou o golpe de Estado após sentir pressão dos governos latinoamericanos
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    Os generais da reserva Melvin López Hidalgo e Alberto Müller Vermelhas denunciaram os vínculos de Washington com o Exército e a direita de Honduras, braços dos Estados Unidos (EEUU) que tiveram um papel importante no golpe de Estado ocorrido no país centroamericano.

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    López Hidaldo e Müller Vermelhas fizeram esta averiguação, junto ao economista Jesús Farías, no programa "Dando e Dando" transmitida pela Rede Venezuelana de Televisão (VTV).
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    No programa explicaram que um exemplo disso é a base militar que desde 1970 mantém os Estados Unidos em Soto Cano, Honduras, e que a mesma teve 'um papel fundamental' no golpe que derrubou o presidente legítimo, Manuel Zelaya.
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    De igual forma, disseram que ao contrário do que têm feito todos os países latinoamericanos de não reconhecer o presidente de facto, Roberto Micheletti, e retirar a seus embaixadores, os Estados Unidos só se limitaram a suspender as manobras militares conjuntas, quando sua presença militar nesse país vai bem mais além do que essas ações.
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    Assim mesmo, puseram em rede de julgamento ao Governo estadunidense ao assinalar que esse país só repudiou o golpe de Estado após sentir pressão dos governos latinoamericanos.
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    Müller Vermelhas reafirmou esta teoria ao explicar que os militares em Honduras 'não funcionam sem consultar aos assessores presentes no país' que 'estão em todos os níveis da hierarquia militar hondurenha', assessores estes norteamericanos.
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    Por sua vez, o economista Jesús Farías assinalou que o modelo inesperadamente aplicado pelos Estados Unidos é tão evidente e "calcográfico" que se repetiu de igual forma e teor em vários países da América.
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    'A história repete-se como em Chile, Argentina, Nicarágua ou Venezuela. Por trás da oligarquia nacional, a qual não se aceita a que o povo tome as rédeas de seu destino, têm movido seus fios a Agência Central de Inteligência (CIA) e os graduados da Escola das Américas', disse.
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    Assinalou que a vinculação dos Estados Unidos é tão forte que Barack Obama se viu obrigado a usar uma 'linguagem confusa' sobre o golpe militar em Honduras e qualificou de 'imprecisas e escuras' as primeiras reações de Washington depois do seqüestro e deportação de Zelaya.
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    [Com informação da ABN - Agencia Bolivariana de Notícias]- recomendada pelo Hudson Lacerda
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    Atualizado às 16:43hs. A cerca desta matéria recomendada pelo Hudson Lacerda, apesar de Nassif ter dito que havia "um pensamento limitado ao usual Fla-Flu das mentes bipolares" sobre o assunto (pegou pesado), o mesmo Hudson alertou para o excelente artigo de Marcelo Salles do Fazendo Média - uma análise vaticinal - que pela data (02) chegou primeiro.
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    • Bispo Golpista da Igreja Católica pede a Zelaya que não retorne ao país

    bispo de honduras
    Rodrigues: Bispo que abençoou o golpe

    Honduras/Golpe Militar

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    Em comunicado oficial assinado pelos onze prelados da Conferência Episcopal, a cúpula da Igreja católica hondurenha defende que "as instituições do Estado democrático hondurenho, estão em vigência e que suas executórias em matéria jurídico-legal têm sido mantidas de direito".
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    O presidente da Conferência Episcopal hondurenha, o cardeal Oscar Rodríguez, pediu neste domingo ao deposto presidente Manuel Zelaya que se abstenha de regressar a Honduras para evitar um "banho de sangue", segundo recolhe o diário 'A Imprensa'. Zelaya anunciou que hoje, domingo, viajará até Tegucigalpa com a intenção de restaurar a normalidade democrática quebrantada pelo golpe de Estado do passado 28 de junho.
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    "Sei que você ama a vida, sei que você respeita a vida. Até o dia de hoje não tem morrido um único hondurenho, faz favor medite porque depois seria demasiado tarde", afirmou Rodríguez em recado a Zelaya.
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    "Faço um chamado ao amigo José Manuel Zelaya, no dia de sua tomada de posse você citou três mandamentos da lei de Deus: Não mentir, não roubar, não matar", disse. "Pensemos se uma ação precipitada, um regresso ao país neste momento poderia desatar um banho de sangue", advertiu.
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    Em um comunicado oficial assinado pelos onze prelados da Conferência Episcopal, a cúpula da Igreja católica hondurenha defende que "as instituições do Estado democrático hondurenho, estão em vigência e que seus executórias em matéria jurídico-legal têm sido mantidas a direito".
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    Ademais, recordam à Organização de Estados Americanos "todo o que vinha ocorrendo fora da legalidade em Honduras, e não somente ao sucedido a partir de 28 de junho". "Também o povo hondurenho se pergunta por que não têm condenado as ameaças bélicas contra nosso país", comentam em resposta às ameaças de intervenção do presidente venezuelano, Hugo Chàvez.
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    "Se o sistema interamericano limita-se a proteger a democracia nas urnas, mas não lhe dá seguimento a um bom governo, à prevenção das crises políticas, econômicas e sociais, de nada servirá o reagir tardiamente em frente a elas", argumentam os bispos.
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    No entanto, os bispos denunciam a deportação de Zelaya. "'Nenhum hondurenho poderá ser expatriado nem entregue a um Estado estrangeiro' (Art. 102, Constituição da República). Achamos que todos merecemos uma explicação do acrescido o 28 de junho", prossegue o texto.
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    Ademais a Conferência Episcopal destaca a necessidade de que os hondurenhos optem "decididamente por escutar as opiniões dos demais, de tal maneira que se possa promover um verdadeiro dialogo entre todos os setores da sociedade, para que se possa chegar a soluções construtivas".
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    Por último, os bispos exortam ao povo a "intensificar a oração e o atos solidário para que reine a justiça e a paz". [Traduzdio por CMedeiros do La Página]
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    Meus comatários: O Estado é laico, portanto, por que estes senhores, vestidos com suas longas batinas no intuito esconder o que tem reservdo às criancinhas, tem que se meter em política? Por que não continuam envolvidos em conduzir as pessoas a ir para o céu?
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    Artesanato não resiste à crise

    Você está em: Homepage / Economia / Notícia
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    Natália Ferraz O artesão Fernando explica a arte da olaria a uma das visitantes

    O artesão Fernando explica a arte da olaria a uma das visitantes
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    FIL: Feira Internacional de Artesanato decorre até 5 de Julho

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    * Pedro H. Gonçalves
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    "Há dois anos tínhamos centenas de oleiros na região de Aveiro. Agora, por causa da crise, são pouco mais de vinte". O panorama negro no artesanato é traçado por Hugo Magalhães no stand de artesanato que a Câmara de Aveiro ocupa na Feira Internacional do Artesanato, que está a decorrer na FIL, em Lisboa, até ao próximo domingo.

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    Para o responsável do stand, onde os visitantes podem criar as suas próprias peças de olaria, sob o olhar atento do mestre Fernando, "a crise tem custado muitos empregos no sector do artesanato", referindo mesmo que a presença dos artesãos naquele espaço não seria possível sem apoios municipais. Para Hugo Magalhães, não só a crise tem apertado os orçamentos das famílias portuguesas, que já não compram tantas peças de artesanato como antigamente, mas também houve uma mudança de atitude que tem prejudicado as vendas. "Hoje já ninguém usa potes de barro na cozinha", exemplifica.

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    O sentimento de desgaste provocado pela crise é partilhado por António Barata, que coordena o stand da Pampilhosa da Serra. "Nas aldeias do Xisto, os artesãos têm todos um trabalho principal e fazem as peças ao final do dia, como passatempo", explica.

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    Mesmo assim, salienta que todos os artesãos presentes no stand já conseguiram vender peças, o que não é difícil de acreditar, dadas as filas no multibanco para levantar dinheiro. Contudo, refere que "é muito complicado viver só do artesanato". Exactamente pelas dificuldades que o artesanato atravessa, a FIL vai organizar um seminário intitulado ‘Artesanato Português – Que futuro?’ para procurar soluções para o problema.

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    MARROCOS ATRAI VISITANTES

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    Sem os problemas da falta de procura do artesanato português, o stand de Marrocos, país convidado em destaque nesta edição da Feira Internacional de Artesanato, tem atraído dezenas de visitantes.

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    O segredo do sucesso, segundo os responsáveis, são os artesãos que estão a esculpir as peças ou a moldar o metal para criar bijuteria. "As pessoas vêm ver o trabalho dos artistas e acabam sempre por comprar qualquer coisa", explica Mossadek. A hipótese de ter o nome escrito em árabe, pelo artista Laaraj, de forma gratuita, também capta os visitantes.

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    As lanternas de pendurar no tecto, as pulseiras ou os frascos em que a areia desenha paisagens de Casablanca são as peças que mais procura têm tido. "Tudo feito à mão durante horas e horas", como faz questão de salientar.

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    PORMENORES

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    HORÁRIOS

    A feira decorre até 5 de Julho, todos os dias das 15h00 às 24h00. As tasquinhas abrem às 12h30.

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    PREÇOS

    Para ver 600 expositores espalhados por três pavilhões, o visitante paga 5 euros pelo bilhete.

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      in Correio da Manhã -
    29 Junho 2009 - 00h30
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    » COMENTÁRIOS np CM on lnt
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    29 Junho 2009 - 16h06 | ARTESANATO
    O ARTESANATO SE NAO DA LUCRO QUE SEJA FECHADO.SE A MESMA PECA PODE SER FEITA A MAQUINA E RAPIDAMENTE PORQUE FEITA A MAO?
    29 Junho 2009 - 12h38 | Nuria
    Feira de Artesanato... ou feira de produtos vendidos em qualquer lado feitos no outro lado do mundo?! Não gostei nada!!
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    Sábado, Julho 04, 2009

    Governo integra 5500 funcionários

    Você está em: Homepage / Política / Notícia
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    José Sena Goulão, Lusa Ministério de Teixeira dos Santos não revela quantos funcionários a prazo há na Função Pública

    Ministério de Teixeira dos Santos não revela quantos funcionários a prazo há na Função Pública
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    * Diana Ramos / Pedro H. Gonçalves com A.P.D.
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    Função Pública: Auxiliares de acção médica e pessoal não-docente na lista

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    O Governo vai integrar nos quadros da Administração Pública 5500 trabalhadores a prazo, 2500 na Educação e cerca de 3000 na Saúde. Esta foi a solução criada pelo Executivo para dar resposta aos contratos a termo de auxiliares de acção executiva, auxiliares de acção médica, funcionários administrativos e de uma pequena parcela de enfermeiros que estavam prestes a findar sem hipótese de renovação.


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    O Ministério das Finanças confirma ter dado aval à Saúde e Educação para a abertura de lugares com carácter de urgência. "O Estado desencadeará em breve concursos públicos tendentes a suprir necessidades permanentes da Administração", respondeu ao CM fonte oficial, não revelando o número de funcionários com vínculo precário na Função Pública.

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    Sobre esta matéria, a mesma fonte admitiu que "nem a lei, nem muito menos o Governo, entende que os contratos a termo devam ser suprimidos, mas antes que, conforme previsto no Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, aqueles que ultrapassem certo limite temporal dêem lugar à abertura de procedimentos concursais".

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    A decisão do Governo não abrange as centenas de funcionários do Ministério da Educação cujas competências foram transferidas para os municípios. "Estes trabalhadores ficam pendurados porque têm contrato a termo mas não podem participar nos concursos. A responsabilidade de encontrar uma solução para o contrato compete ao município". Solução que pode passar pela dispensa, salienta José Abraão do SINTAP.

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    Os dados do Observatório do Emprego Público mostram que no final de 2007 havia no Estado 11 691 precários (tarefeiros e avençados), a que se somam cinco mil das autarquias, como noticiou o CM em primeira mão. Mais de cinco mil pertenciam ao Ministério da Educação e mais de 1200 ao da Saúde. No total da Administração Pública, eram 23 mil os afectados por contratos a termo, com especial incidência em auxiliares, educadores de infância e enfermeiros.

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    EXECUTIVO CHEGA A ACORDO PARA A COMPRA DA COSEC

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    O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou ontem no Parlamento que o Governo já chegou a acordo com o BPI e com a Euler Hermes para a compra da Cosec. "A compra da Cosec está já acertada com o BPI e com o outro accionista [Euler Hermes], afirmou Teixeira dos Santos, em resposta a uma questão do CDS-PP sobre o processo de aquisição da companhia de seguros de crédito líder no mercado português.

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    O governante recusou porém avançar quanto custará a compra da seguradora.

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    APONTAMENTOS

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    FRAUDE

    Teixeira dos Santos confirmou ontem que há portugueses envolvidos na fraude fiscal de Liechtenstein. Sem adiantar pormenores, o ministro garantiu que serão abertos processos criminais caso sejam detectadas infracções.

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    IMPOSTOS

    O ministro das Finanças disse que não aumentará os impostos após a crise: "Não deve haver aumento de impostos na saída da crise para resolver problemas orçamentais."

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    in Correio da Manhã - 02 Julho 2009 - 00h30


    » COMENTÁRIOS no CM on line
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    03 Julho 2009 - 12h37 | Maria Martins
    Não dá para entender. então a intenção não era reduzir aos func.publicos? Que ladroagem.
    03 Julho 2009 - 12h08 | ANA B.
    Vê-se mesmo que é época de elaições, prometesse tudo e mais alguma coisa. Agora já há dinheiro.
    03 Julho 2009 - 11h16 | Magalhães do Norte
    Abriu a caça ao voto. Prometem tudo para apanhar o voto ao povo, mas esquecem-se que o povo já não tem a memória curta
    03 Julho 2009 - 09h54 | joaq c nunes
    Então e os recibos verdes estão esquecidos? Não vai haver aumento impostos após a crise? Caça aos votos
    03 Julho 2009 - 07h23 | Carlos
    Sempre são mais 5 500 votos. Almada
    02 Julho 2009 - 14h59 | Jose Manuel Presilha - Póvoa de Santa Iria
    Agora é verdade. Há eleições. E os votos? Depois ... se o PS ganhar ... volta tudo ao mesmo!
    02 Julho 2009 - 14h25 | sila
    Quem pode acreditar nestes sujeitos ? Prometeram o mesmo antes, em condições melhores do que hoje.
    02 Julho 2009 - 10h38 | helena costa
    Só agora? Estão à espera que eles agradecidos agora votem PS? Estes socialistas andam tão enganados...
    02 Julho 2009 - 03h45 | vitor pineiro Lisboa
    Foi o Sr. Sócrates que mandou, não foi? PORREIRO PÁ. Pudera é ano de eleições.E depois do adeus ao P.S.?
    02 Julho 2009 - 02h58 | José Leitão (Setúbal)
    Então em que é que ficamos?Ainda há dias o tótó das Finanças se gabou de terem reduzido o número de funcionários!
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    • 27 Junho 2009 - 00h32 - Última Hora

      Protesto: Contra privatizações

      Algumas dezenas de pessoas concentraram-se ontem em frente à Segurança Social da Alameda, em Lisboa, num protesto organizado pela Federação dos Sindicatos da Função Pública, para exigirem o fim da privatização de equipamentos sociais e a recolocação dos funcionários entretanto afastados ou colocados na mobilidade especial.(...)
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    • 27 Junho 2009 - 00h14 - Última Hora

      Função Pública Menos 50 mil

      O ministro das Finanças considerou que o Governo conseguiu concretizar o objectivo de redimensionar a Administração Pública, com a redução de 50 mil trabalhadores no âmbito de um processo equilibrado. “Hoje temos uma Administração Pública que equivale à que tínhamos há dez anos”, disse Teixeira dos Santos. (...)
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    • 26 Junho 2009 - 21h41 - Última Hora

      Menos 50 mil na Função Pública

      O ministro das Finanças revelou esta sexta-feira que conseguiu reduzir em 50 mil o número de funcionários da Administração Pública, de forma gradual e no âmbito de um processo equilibrado.(...)
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    • 13 Junho 2009 - 00h30 - Saúde

      Médicos contra exclusivos

      Os médicos que trabalham no sector público da Saúde não estão abrangidos pelo regime de exclusividade e podem acumular funções no sector privado desde que façam prova de que não há conflito de interesses nem sobreposição de horários, afirmou ontem o secretário-geral da Federação Nacional dos Médicos, Mário Jorge.(...)
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    • 01 Junho 2009 - 00h30 - Economia

      Governo garante luta à precariedade

      O Governo garante que tem combatido a situação de precariedade na Administração Pública, com uma redução de 30% nos trabalhadores a recibos verdes, mas não especifica se esta redução resultou de despedimentos ou de integração nos quadros, o que suscita críticas do Sintap.

      (...)
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    • 06 Maio 2009 - 00h30 - Economia

      64 aposentados por dia no Estado

      Por dia, reformaram-se do Estado 64,6 trabalhadores nos três primeiros meses do ano, colocando o número de aposentados da Função Pública nos 5816, só até ao final de Março. Os dados são do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que aponta as reformas como uma das causas para a diminuição das despesas com salários e denuncia um aumento de perto de 21% nos gastos com a aquisição de serviços.(...)
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    • 21 Abril 2009 - 00h30 - Política

      6215 antecipam reforma no Estado

      No ano passado foram 6215 os funcionários públicos que pediram a reforma antecipada, mais 2027 do que o registado no ano anterior. Isto num universo total de aposentados que pouco ultrapassa os nove mil. A razão para esta corrida à aposentação antecipada foi o facto das condições ainda não estarem alinhadas com as do regime geral da Segurança Social. (...)
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    in Correio da Manhã
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    Construção civil despediu 60 mil

    Actualidade


    Sumário:

    ANEOP vai procurar soluções com partidos e presidente


    Conteúdo:
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    Desde o início da actual crise económica o sector da construção civil já perdeu "60 mil postos de trabalho". Se o País não avançar com os projectos de obras públicas, as consequências podem ser ainda mais "graves, e poderemos assistir à falência de algumas empresas". Há mais trinta mil em risco.
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    O aviso foi deixado por Manuel Agria, vice-presidente da Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP), que afirma que "as empresas desviaram muito dinheiro para dar corpo aos projectos que se estão a adiar", o que está a causar "inúmeras dificuldades".
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    A mesma ideia é partilhada por Filipe Soares Franco, presidente da ANEOP, que teceu duras críticas a quem "intoxicou" a opinião pública em relação às obras . Na opinião do ex-presidente do Sporting, "a população foi intoxicada por várias formas e em vários locais, de forma sistematizada e consequente, durante mais de um ano, sobre estes grandes investimentos". Soares Franco mostra-se indignado por não se conhecer "o caminho e as consequências para o País e para a economia portuguesa se os investimentos públicos não forem feitos". O líder da ANEOP afirma que se forem travadas as obras públicas "o desemprego vai aumentar substancialmente e os impostos e as contribuições para a Segurança Social vão descer".
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    A Associação Nacional de Empreiteiros vai pedir audiências com os partidos com assento parlamentar e com o Presidente da República para expor a sua opinião sobre o investimento público.
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    MAIS TRINTA MIL ESTÃO EM RISCO
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    "Cerca de trinta mil trabalhadores do sector da construção civil e obras públicas poderão deixar de ter trabalho a curto prazo" se as grandes obras públicas não avançarem antes do final do ano, alertou ontem o sindicato dos trabalhadores do Norte.

    "Esta situação só será evitada se as grandes obras avançarem", afirma o Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Madeiras, Mármores, Pedreiras, Cerâmica e Materiais de Construção do Norte em comunicado.
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    Se tal não acontecer, o Sindicato diz que responsabilizará todos os que "de forma irresponsável e inconsistente defendem o não-lançamento de grandes e importantes infra-estruturas que muito contribuirão para o crescimento e desenvolvimento do nosso país".

    O Governo já anunciou o adiamento do TGV e do concurso para o novo aeroporto.

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    in Correio da Manhã- Quinta 02 Julho, 2009

    Brasil - Os trabalhadores e a redução da jornada

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    Depois de aprovar, na comissão especial da Câmara, a redução da jornada de trabalho, é preciso convencer parcela expressiva da sociedade brasileira sobre a justeza dessa mudança na Constituição. Depois, será preciso convencer a parcela mais progressista do empresariado nacional e, por fim, mas não menos importante, o Congresso Nacional.

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    Por Marcos Verlaine, no site da CTB


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    Depois de quase uma geração, finalmente foi possível aprovar na comissão especial da Câmara a PEC 231/95, que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário.
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    O dia 30 de junho deve ser lembrado como data histórica daqui para frente, pois, para chegar até ali, os trabalhadores e suas entidades tiveram que lutar muito.
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    Lembro dois fatos recentes e significativos nesse período - a grande campanha de mais de um milhão de assinaturas pela aprovação da PEC e, também, o importante e profundo debate feito em 2008 no plenário da Câmara (comissão geral) que tratou da redução da jornada.
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    Mas, como foi dito pelo relator da proposta, deputado Vicentinho (PT/SP), a aprovação na comissão especial foi apenas o "primeiro passo". Muitos passos ainda terão de ser dados para a materialização dessa proposta do movimento sindical.
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    Para isso, é preciso convencer parcela expressiva da sociedade brasileira sobre a justeza dessa mudança importante na Constituição Federal.

    Depois, será preciso convencer a parcela mais progressista do empresariado nacional e, por fim, mas não menos importante, o Congresso Nacional.
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    Representantes dos trabalhadores
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    Outra tarefa prioritária do movimento sindical deve ser eleger seus representantes para o Congresso em 2010, pois, do contrário teremos mais dificuldades de êxito para viabilizar a agenda dos trabalhadores na "Casa do Povo".
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    Nesta legislatura, os empresários colocaram 219 representantes na Câmara e 27 no Senado. Esses números são do início das atividades do Congresso (2007).
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    Certamente esses números aumentaram de lá para cá.
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    Ao mesmo tempo que a bancada empresarial aumentou exponencialmente nesta legislatura, a bancada sindical ou dos trabalhadores diminuiu e perdeu parlamentares de peso como Sérgio Miranda (MG) e Jandira Feghali (RJ), por exemplo.

    Para enfrentar à altura essas e outras demandas, o movimento sindical precisa aumentar sua representação no Congresso.
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    Assim, numa conjuntura econômica melhor e com uma correlação de forças mais equilibrada poderemos fazer avançar a agenda dos trabalhadores no Parlamento.
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    Tarefas dos trabalhadores
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    Para cumprir o estágio sugerido acima não será fácil. É preciso organização, profissionalismo, recursos financeiros e, sobretudo, unidade do movimento sindical - das centrais ao mais remoto sindicato no País, passando pelas confederações e federações.
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    Tem que ter organização, pois, sem essa ferramenta que serve à política, não teremos condições de vencer os obstáculos desta batalha que se coloca para o movimento sindical.
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    É preciso recursos financeiros, porque, sem eles, não teremos condições de organizar as lutas que certamente ainda temos pela frente.
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    E aproveito para dizer que não é à toa que o DEM quer tirar recursos das centrais, com a Adin que questiona o repassa da contribuição sindical às essas entidades gerais.
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    Sem recursos financeiros, as entidades não terão fôlego para empreender essa e outras batalhas.
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    Os patrões sabem muito bem disso!
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    E, ainda, é preciso unidade política, porque assim somos mais fortes e seremos mais capazes de enfrentar o inimigo que moverá muitos recursos - de toda ordem - para barrar qualquer possibilidade de aprovação da proposta no Congresso.
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    Oposição
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    Duas notícias demonstram que as forças contrárias à proposta se movem de maneira vigorosa. A primeira vem da CNI, que em tom ameaçador já deu seu recado: "Redução da jornada de trabalho será obstáculo ao emprego, alerta CNI".
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    A segunda vem do Congresso: "Redução da jornada divide aliados e enfrenta dificuldade na Câmara". Os empresários não aceitarão sem resistência o avanço desse debate e, para isso, vão combater em todas as frentes possíveis, inclusive elegendo seus representantes para barrar essa matéria no Parlamento.
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    * Marcos Verlaine é jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap.
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    Fonte: CTB
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    in Vermelho - 4 DE JULHO DE 2009 - 18h24
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    Honduras - Ópera Bufa


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    por Eduardo Bomfim*
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    O recente golpe de Estado em Honduras é um fato que deve ser repelido por todos os segmentos políticos e sociais, principalmente das Américas, independente de convicções ideológicas, bastando para isso que se professe a democracia como valor irrevogável.

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    Principalmente quando os acontecimentos revelam a existência de uma quartelada conduzida por oligarquias daquele País que se sentiram ameaçadas em seus privilégios com a eleição democrática do presidente Zelaya, apeado do poder essa semana.

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    O que se percebe é que os golpistas analisaram muito mal a atual conjuntura da sua nação e principalmente a situação internacional e apostaram na tradição de sucessivas intervenções caudilhescas que definiram os rumos da sofrida América Central durante os últimos cem anos.

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    Tradição essa que se espalhou em muitos períodos pela América do Sul, sem falar em outros continentes como a África que continua penando até os dias atuais com regimes autoritários em diversos países, quando governantes corruptos, marionetes de interesses estrangeiros, ainda transformam a bela e excepcional África em um continente manchado de sangue.

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    Esse mesmo continente que os especialistas internacionais definem como o grande celeiro do mundo no futuro bem próximo, porque ele reúne todas as condições para o cultivo diversificado de várias espécies de alimentos em larga escala, sob condições climáticas e de solo extremamente favoráveis.

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    Isso sem falar em seu potencial de industrialização, sustentado em excepcionais reservas de matérias primas, além da produção de petróleo, diamantes e outros produtos de primeiríssima grandeza. Mas isso é outro assunto.

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    Quanto à América Central e especificamente Honduras, o erro de cálculo dos golpistas foi eles próprios acreditarem no fato de que a proximidade com os EUA, portanto uma região geopoliticamente estratégica, poderia favorecer um movimento reacionário de essência corrupta.

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    A indignação internacional foi imediata. Os governos latino-americanos foram consequentes, o presidente dos EUA, Barack Obama, posicionou-se com firmeza e a ONU condenou os golpistas.

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    Trata-se de uma ópera bufa odiosa que nos atormentou, os latino- americanos, durante todo o século vinte e deve ser duramente condenada.


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    *Eduardo Bomfim, Advogado



    * Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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    in Vermelho - 4 DE JULHO DE 2009 - 18h24
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    Emir Sader: Aprofundamento ou restauração na América Latina?





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    Três acontecimentos simultâneos refletem, em direções distintas, os dilemas latinoamericanos atuais: o golpe em Honduras, a derrota eleitoral dos Kirchner na Argentina e a escolha dos candidatos a presidente para as eleições uruguaias. Os três apontam para o tema da continuidade e aprofundamento dos processos de transformação que estão vivendo grande parte dos países latinoamericanos ou a restauração conservadora, com o retorno da direita aos governos da região.

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    Por Emir Sader, no Blog do Emir

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    O golpe em Honduras – que tem possibilidade de ser revertido pela rejeição internacional e pelas mobilizações populares internas – aponta para a tentativa do presidente Zelaya de obter um segundo mandato via referendo, para dar continuidade ao processo recém iniciado de transformações internas na contracorrente do neoliberalismo até então vigente no país.
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    O golpe, por sua vez, dado pela cúpula do Judiciário, das FFAA e do Congresso, expressa a inércia das forças conservadoras que sempre dirigiram a Honduras. Zelaya, filho desgarrado do Partido Liberal que, em rodízio com o Partido Conservador, dirigiram por décadas ao país, de forma praticamente harmônica.
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    Como sinal dos tempos e da perda de influência norteamericana, especialmente durante o governo Bush, a onda de novos governos no continente chegou à América Central, através da Nicarágua, de Honduras e, mais recentemente, de El Salvador. A direita, comandada pela imprensa oligárquica – similar à que se estende a praticamente todo continente -, se precipitou e pode pagar um preço caro por isso.
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    Zelaya termina seu mandato no fim do ano, já havia afirmado que a consulta informal, caso levasse à introdução da reeleição, não afetaria seu mandato, que terminaria em janeiro de 2010.
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    Confirmando que se pode tudo com as baionetas, o golpe dificilmente viabilizará o governo que pretende se instalar. Resta saber se Zelaya retornará enfraquecido, cumprindo o final do mandato sem capacidade de iniciativas, abandonando o referendo. Ou se sentirá fortalecido, retomando a consulta e punindo pelo menos alguns dos golpistas.
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    Caso ocorra esta segunda hipótese, o tiro terá saído pela culatra para a direita e Zelaya poderá dar continuidade ao processo de transformações recém iniciado em Honduras. Se a ofensiva fracassa, como havia acontecido com as aquelas contra Hugo Chavez, contra Lula, contra Evo Morales e contra os Kirchner, se consolida a idéia de que o contexto continental impede novos golpes militares, notícia importante para os governos progressistas e, na área, para o recém começado governo de Mauricio Funes em El Salvador, em particular.
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    A derrota eleitoral do governo Kirchner se dá no marco da contraofensiva da direita, iniciada com a mobilização do campo contra a elevação de impostos, no cenário dos ganhos monstruosos que, especialmente a exportação de soja, permitiu nos últimos anos na Argentina.
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    Aproveitando-se do erro do governo de taxar a grandes, médios e pequenos proprietários de maneira indiferenciada, favorecendo a unificação do campo sob a direção dos grandes exportadores sojeros, a direita conseguiu articular aliança desses setores com a classe média branca de Buenos Aires, colocando o governo na defensiva.

    As eleições refletem essa mudança na relação de forças entre governo e oposição, com o governo perdendo maioria no Parlamento e condenando a Cristina Kirchner a difíceis 2 anos e meio, alem de alentar a direita para a possibilidade de conseguir derrubar o primeiro dos governos progressistas eleitos na região.

    No Uruguai, o candidato que mais diretamente expressa a possibilidade de aprofundamento da superação do modelo herdado por Tabaré Vasquez, é seu ex-ministro da agricultura, Pepe Mujica, ex-dirigente tupamaro, que derrotou o candidato da preferência de Tabaré, o moderado Danilo Astori, ex-ministro da economia.
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    Aqui, sendo favorito para ganhar as presidenciais, Mujica aponta para o aprofundamento das transformações começadas no Uruguai, enquanto na Argentina se aponta para o risco de uma restauração conservadora e em Honduras, depende do desenlace da crise. Trata-se dos mesmos dilemas do Brasil nas eleições presidenciais de 2010.

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    in Vermelho - 4 DE JULHO DE 2009 - 11h26
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    “Sou a única que admite ser prostituta”


    Patrizia D’Addario fez sexo com o primeiro-ministro italiano


    Patrizia D’Addario fez sexo com o primeiro-ministro italiano

    Itália: Patrizia D’addario acusa ‘colegas’ das festas de Berlusconi

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    * Paulo Madeira com agências

    A italiana Patrizia D’Addario, de 42 anos, prostituta de luxo de Bari, é a principal testemunha no processo judicial que investiga o empresário Gianpaolo Tarantini por corrupção e incitamento à prostituição. Patrizia aceitou falar ao ‘La Repubblica’ com uma condição: omitir os pormenores da investigação. E aproveita para acusar as ‘colegas’.

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    Quando confrontada com o facto de ter participado em festas privadas do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, enquanto escort (prostituta de luxo), Patrizia afirmou que poderia ter continuado a "fazer essa vida" sem se delatar e "receber os envelopes com dez mil euros". "Sou a única que confessou a profissão que exerço. As outras calam, vão ter com o papi [Berlusconi], pegam nos envelopes e fazem carreira", acrescenta. "Éramos umas vinte. Um harém. Vi duas jovens sempre juntas. Pelo que percebi, eram lésbicas", referiu Patrizia.

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    Quando confrontada com o facto de ter participado em festas privadas do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, enquanto escort (prostituta de luxo), Patrizia afirmou que poderia ter continuado a "fazer essa vida" sem se delatar e "receber os envelopes com dez mil euros". "Sou a única que confessou a profissão que exerço. As outras calam, vão ter com o papi [Berlusconi], pegam nos envelopes e fazem carreira", acrescenta. "Éramos umas vinte. Um harém. Vi duas jovens sempre juntas. Pelo que percebi, eram lésbicas", referiu Patrizia.
    28 Junho 2009 - 17h52 | JMC
    A matéria-prima, as "ferramentas de trabalho" são as mesmas, mas umas são sérias (não riem) e outras de esquinas. Genial
    27 Junho 2009 - 21h04 | aramis
    Se fossem orgias homosexuais qualquer critica era discriminação.Como são hetero é só malhar.Comentadores ridiculos
    27 Junho 2009 - 19h04 | Jofe
    Com 70 e tal anos não acham que o homem até tem bom gosto ?
    27 Junho 2009 - 17h29 | Mefista
    E os grandes comentaristas a favor do Berlusconi e suas meninas me digam o que isso contribui para o país italiano?
    27 Junho 2009 - 17h14 | Revoltado
    Prostituta de luxo porque?Será forrada de...OURO???Agora as prostitutas tem diferentes categorias?
    27 Junho 2009 - 14h58 | silvio che
    esta mais que visto ,as leis nao forao feitas para proteger ohomem mas sim para favorecer as prostitutas...
    27 Junho 2009 - 14h19 | Di Maria
    Grande Berlusconi!!Assim é q è: esta é a forma correcta de afirmar a masculinidade, n é matar animais numa praça de tour
    27 Junho 2009 - 12h10 | Paulo Careneiro Ribeiro
    Pelo menos para prostitutas Berlusconi tem bom gosto. Ainda não apareceu um travesti.
    27 Junho 2009 - 12h07 | JR
    Assim é que é falar. As pessoas têm que assumir o que são, e o que fazem. JR-27/06/2009
    27 Junho 2009 - 11h47 | cagatachos
    amantes ,prostitutas ou seja lá o que for têm de descontar para a segurança social ou não...!?.
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    27 Junho 2009 - 10h35 | António Afonso
    Não percebo é como,num pais livre os italianos elegem escumalha desta.Votem,não deixem uma minoria escolher por vós!
    27 Junho 2009 - 09h19 | arsenio
    O espectaculo de Berlusconi,continua.....até quando?
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    EPA D’Addario diz que ladrões procuravam gravações
    D’Addario diz que ladrões procuravam gravações
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    Itália: Casa da jovem que denunciou Berlusconi foi assaltada

    Prostituta teme ser assassinada

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    F. J. Gonçalves com agências
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    A prostituta que desencadeou o escândalo das festas privadas do primeiro-ministro Silvio Berlusconi receia ser agredida ou assassinada. Em entrevista a um canal de TV italiano, Patrizia D’Addario revelou que o seu apartamento foi assaltado e acusou os responsáveis de estarem às ordens do chefe de governo.

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    Sem nunca referir o nome de Berlusconi, D’Addario frisa as características pouco vulgares do assalto. Um televisor muito caro, por exemplo, foi deixado no lugar, mas todos os discos compactos foram levados. "É pouco habitual", sublinha, afirmando que os ladrões tinham um objectivo bem definido: "Disse a alguns amigos que tinha essas gravações [de encontros e conversas com Berlusconi] e alguém foi encarregado de esvaziar e vandalizar a minha casa. Não ficou nada."

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    Depois de o carro da sua amiga Barbara Montereale – outra ‘convidada’ das festas de Berlusconi – ter sido incendiado, este novo episódio fez aumentar o receio de D’Addario. Apesar disso, a jovem assegura não estar arrependida de ter revelado os pormenores sórdidos das festas do primeiro-ministro.

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    Entretanto, dias depois de Berlusconi vir a público afirmar que 61% dos italianos continuam a apoiá-lo, uma sondagem publicada pelo ‘Corriere della Sera’ revela uma queda de popularidade do magnata, de 72 anos. A sondagem dá 49,1% de taxa de aprovação ao primeiro-ministro, uma queda ligeira face à média dos 51% dos primeiros cinco meses de 2009..

    » COMENTÁRIOS no CM cn line
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    29 Junho 2009 - 23h45 | Lena-Suissa
    ATCHIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM :o(
    29 Junho 2009 - 11h24 | GatoFedorento
    Deixem o menino divertir-se, afinal ele tambem merece, e pelos vistos pagou às meninas... o que é que elas querem mais??
    29 Junho 2009 - 10h36 | JOKER
    Cá também há muita "convidada" e "convidado". "Convívio" é fundamental na sociedade. LOL
    29 Junho 2009 - 07h08 | USA
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    Marai: com a Al-Jazeera, não há mais informação a esconder


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    O chefe de produção do canal de documentários da Al-Jazeera, o palestino Montaser Marai, esteve no Brasil como um dos convidados da 3ª Mostra Imagens do Oriente, do ICArabe. Não parou. Além do colóquio do qual participou ao lado do iraniano Massoud Bakhshi, cruzou a cidade nos cerca de dez dias que ficou em São Paulo iniciando e costurando acordos com instituições brasileiras.

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    Por Arturo Hartmann, no site do Instituto de Cultura Árabe (Icarabe)

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    Marai: Al-Jazeera é "lugar seguro"
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    Para o repórter, sobrou a possibilidade de conversar por email. Ele faz parte de um setor do canal qatar que prima por densidade na informação. “A emissora percebeu a importância de lançar um canal de documentários para dar base e informação aprofundada sobre diferentes questões mundiais".

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    Talvez por isso o trabalho dos jornalistas da Al-Jazeera seja difícil. “Não é permitido ao canal trabalhar em muitos países árabes e em Israel. Foi difícil cobrir a guerra de Gaza pelo lado israelense. Também um dos principais prédios foi bombardeado pelo exército de Israel e alguns jornalistas foram mortos durante a guerra de Gaza de 2008/2009 e a do Líbano em 2006".

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    Nesta edição, o ICArabe conversa com Marai sobre a mudança que a Al-Jazeera instituiu no jornalismo dos países árabes, mais especificamente na área de documentários.

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    Em primeiro lugar, conte um pouco sob.re sua história. Sei que você é palestino. Qual a história de sua família? E como você acabou no jornalismo?

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    Minha família vivia na Palestina, Cisjordânia, e saiu de lá para a Jordânia depois da guerra de 1967, época em que o exército israelense ocupou o resto das terras palestinas e completou o que começou em 1948. Da Jordânia, minha família mudou-se para o Kuwait, onde há uma grande comunidade de palestinos que deixaram o país pela mesma razão.

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    Lá, nasci em 1975. Gostava de escrever desde jovem e comecei a trabalhar para jornais universitários e como repórter para jornais locais. O ativismo estudantil e o fato de escrever na universidade melhoraram minhas habilidades, já que estávamos livres das amarras do poder do dinheiro e da política. Trabalhei no meu último ano da faculdade para uma TV local e construí meu caminho para ser um jornalista da Al-Jazeera.

    Como você define o jornalismo nos países árabes antes da Al-Jazeera?

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    Bom, era um jornalismo jovem, digamos assim. E a mídia era dos governos e não do povo. Em países árabes, você podia ler notícias ou assistir a TVs e saberia notícias apenas do presidente! Você não pode tocar ou falar sobre questões sensíveis e não há liberdade de expressão na maioria dos países árabes.

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    A Al-Jazeera é um ponto de mudança na mídia e na liberdade de expressão não apenas nos países árabes, mas internacionalmente, já que entrega diferentes visões de diferentes ângulos. Tornou-se a voz do sul, falando de um ponto de vista cultural.

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    Uma vez, conversando com uma jornalista egípcia (Mona Anis, entrevista do dia 11/9/2006), ela me disse que a Al-Jazeera era, em primeiro lugar, a criação do emir do Qatar, inclusive bem relacionado com os Estados Unidos. Mas ela disse também que o que fazia a emissora especial e uma boa fonte de jornalismo era o fato de juntar jornalistas de diferentes países árabes cansados da maneira com a qual a informação era produzida. Você concorda? A Al-Jazeera é a soma dessa empresa que quer (e precisa) de dinheiro e lucro, mas com a energia de uma nova geração de jornalistas que querem ser a voz do sul?

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    Sim, é verdade. Al-Jazeera foi uma ideia do emir do Qatar, uma ideia muito inteligente. O Qatar sustenta financeiramente a Al-Jazeera, mas a mantém independente e não se envolve em sua política editorial, o que faz o canal muito forte. A diversidade de jornalistas não apenas de países árabes mas de todo o mundo adicionou um grande valor à emissora. Muitos deles não podiam contar a verdade em seus países, mas quando se juntaram à equipe da Al-Jazeera, puderam. Os jornalistas de fato não trabalham apenas por dinheiro, mas realmente sentem que são a voz das pessoas sem voz.

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    E o que a emissora mudou no cenário do jornalismo dos países árabes?

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    A Al-Jazeera levantou o bloqueio à liberdade de expressão na mídia e permitiu dar força às pessoas que criticavam as ações erradas de seus governos. Também forçou TVs e jornais a contar a verdade, pois se não o fizessem, a Al-Jazeera faria.

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    Quais os números de documentários produzidos pelo canal?

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    Estamos produzindo cerca de 225 horas este ano e comprando cerca de 800. Isso significa que temos cerca de 1400 filmes ou títulos por ano, e você não pode comparar isso a nenhum outro canal de TV porque a Al-Jazeera Documentários passa 24 horas apenas de documentários.

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    Qual a dificuldade de se produzir um documentário em países árabes? Não falo apenas da questão de custos e financiamento, mas de censura política?

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    Era difícil produzir, mas agora está ficando melhor. Realizadores podiam tocar em muitas questões sensíveis, mas muitas vezes não encontravam uma forma inteligente, diferente ou indireta para driblar a censura. Você podia fazer um filme sobre qualquer coisa, mas não encontrava o canal de TV que tivesse a coragem de exibi-lo. Nós, na Al-Jazeera, estamos tentando ser um “lugar seguro” para estes tipos de documentários.

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    Uma vez um documentarista libanês me disse que há uma nova onda de produções, um novo esforço de realizadores e mesmo jornalistas no Oriente Médio, produzindo documentários de custo baixíssimo, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Bastava apenas, por exemplo, andar pela realidade da Palestina ocupada e filmá-la. Indo contra até o que entendemos como o jornalismo tradicional, “ouvir os dois lados”. Você vê esse movimento? E como a Al-Jazeera lida com isso?

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    Este é um movimento importante apoiado em novas mídias e novas tecnologias. Agora, muitos realizadores podem pegar uma câmera e apenas andar pelo local a ser coberto. Nós estamos produzindo e comprando muitos documentários dessa forma e apoiando realizadores independentes

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    Como você analisa a cobertura da mídia ocidental da realidade do Oriente Médio com a qual você lida diariamente?

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    Alguns desses jornalistas estão dizendo a verdade, outros não querem dizer. Alguns querem mas são mal guiados. Alguns têm a imagem errada e simplesmente não querem mudá-la. Há ainda por vezes pressão de governos ocidentais que posam com sua liberdade de expressão no Ocidente, o que é na verdade uma liberdade de expressão seletiva. Dessa forma, você pode perceber o que eles querem da transmissão.

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    Durante os ataques à Gaza, muitos americanos não podiam receber qualquer notícia do local. Por quê? Hoje eles têm uma cobertura intensiva sobre os protestos contra o regime no Irã! Não sou a favor ou contra o regime no Irã, mas sou contra dois pesos e duas medidas.

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    In Vermelho - 3 DE JULHO DE 2009 - 19h05

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    PCdoB - O debate sobre socialismo interessa a toda a sociedade






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    Rádio Vermelho - O debate sobre socialismo interessa a toda a sociedade

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    Em entrevista à Rádio Vermelho, o secretário nacional de Organização Walter Sorrentino comentou o processo do 12º Congresso do PCdoB que será realizado no final deste ano.

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    Sorrentino comentou também o debate sobre o programa socialista, os desafios surgidos com a crise, e o novo salto civilizacional.

    Clique aqui e ouça a entrevista completa

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    in Vermelho -3 DE JULHO DE 2009 - 14h04

    Honduras - Políticas sociais justificam apoio popular a Zelaya


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    Trabalhadores de Honduras estão em greve desde segunda-feira (29). Escolas estão fechadas e as principais estradas do país, tomadas por protestos em apoio ao presidente Manuel Zelaya, deposto no último domingo. As manifestações demonstram o apoio ao governo por parte de um setor da sociedade hondurenha entusiasmado com as políticas sociais e indignado com o golpe de Estado.

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    A dirigente Dolores Jarquin, da Via Campesina hondurenha, explica que o apoio ocorre por duas razões. “A primeira vez na história de Honduras em que os movimentos sociais foram escutados foi no governo dele. E também porque um golpe militar foi legalizado. Isso é voltar nos tempos, é um péssimo exemplo para os países da região”, declarou, por telefone.
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    Os partidários de Zelaya são principalmente os movimentos sociais, membros do partido UD (Unificação Democrática), o único de esquerda do país, estudantes, indígenas, trabalhadores rurais e operários. As reações ao golpe militar acontecem em todo o país, principalmente no interior, onde está grande parte dos simpatizantes do presidente. Desde domingo, militares fecharam as ruas de Tegucigalpa para tentar impedir que os manifestantes cheguem à capital.
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    A militante Beatriz Gómez, da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras, disse que a aproximação de Zelaya com os setores populares explica o apoio observado nas ruas. Aproximação que, segundo ela, teve início quando o presidente realizou uma inflexão à esquerda.
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    Zelaya, membro do Partido Liberal, é um político eleito por forças de centro-direita, sob uma plataforma conservadora. Depois, aproximou-se de lideranças esquerdistas, como Hugo Chávez e Fidel Castro, e prometeu fazer um governo voltado para os mais pobres.
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    Aumento salarial
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    Uma das medidas mais significativas do governo foi reajustar o salário mínimo. Segundo Beatriz, “foi o primeiro aumento que aproximou o salário mínimo da realidade”.
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    O valor atual é de 5.500 lempiras (611 reais) na zona urbana e 4.055 (450 reais) na rural – no Brasil, o salário mínimo é de 465 reais mensais. Desde 2006, o aumento foi de 60%.
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    Beatriz disse também que Zelaya teve uma atitude inédita diante das greves e manifestações. “Ele não dava ordem aos militares para conter os protestos, tentava o diálogo, e isso não era costume no país”.
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    Durante o governo de Zelaya, as greves não foram frequentes, mas manifestações como interrupção do trânsito de veículos na capital e paralisação de atividades aconteceram algumas vezes. O governo não teve o hábito de ordenar a mobilização de policiais ou do exército para conter as manifestações.
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    Saúde e educação
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    Beatriz e Dolores discordam da tese de que a mudança de Zelaya aconteceu mais no plano do discurso do que na prática, apresentada pelo cientista político Manuel Rojas, da Flacso (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais) na Costa Rica, em entrevista ao Opera Mundi.
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    Além do aumento do salário mínimo, elas apontam outras medidas que agradaram aos trabalhadores, como a reforma do sistema público de saúde e os programas de educação. “Ele criou os hospitais, programas preventivos, como o Saúde da Família, que não existia. Na educação, criou programas de alfabetização e programas de acesso à universidade”, disse Dolores.
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    Nos últimos anos, aumentou o número de unidades móveis de saúde e de programas preventivos em regiões afastadas. Isso permitiu controlar a malária e melhorar o saneamento público. No entanto, problemas como desnutrição e doenças infantis ainda existem em Honduras.
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    Na educação, implantou o método de alfabetização cubano chamado “Yo sí puedo”, desenvolvido para 5 mil jovens e adultos. Segundo a Unesco, 20% da população jovem e adulta hondurenha é analfabeta.
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    “Ele criou um estatuto para os docentes. Isso era reivindicado há aproximadamente 12 anos pelos professores. Foi uma das primeiras ações dele”, disse Beatriz.
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    De uma população de aproximadamente 7,640 milhões de habitantes, 53% vive na zona rural. Segundo a ONU, na zona urbana, 65,8% vive em condições de pobreza, sendo 36,7% em pobreza extrema. Na zona rural, os índices são de 77,7% e 67,9%, respectivamente.
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    Segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o desemprego em Honduras continua o mesmo desde que Zelaya assumiu a presidência; 28% em 2006, 27,9% em 2007, 27,8% em 2008.
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    Socialistas
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    A deputada pelo UD (Unificação Democrática) Silvia Bessy, que desde domingo participa das manifestações, disse que o partido está defendendo o presidente deposto por algumas “decisões corretas que ele tomou”. O UD é o único partido socialista de Honduras e originalmente não apoiava Zelaya. A cooperação começou com os conflitos com o Congresso, em novembro do ano passado.
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    Na avaliação dela, Zelaya recuperou a soberania nas relações exteriores. Silvia se refere à aproximação com Cuba e Venezuela, à entrada na Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) e no Petrocaribe, programa venezuelano que facilita a compra de petróleo por países da região.
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    No Brasil, manifestaram-se a favor de Zelaya inúmeras entidades como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Casa da América Latina, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Morena-CB (Movimento Revolucionário Nacionalista-Círculos Bolivarianos).
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    Fonte: Opera Mundi
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    in Vermelho - 3 DE JULHO DE 2009 - 10h38
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    BPN: Dias Loureiro é o segundo arguido

    Dias Loureiro é o segundo arguido

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    02-Jul-2009
    Dias Loureiro diz que há coisas que lhe "passaram completamente ao lado" nos negócios sob suspeitaDias Loureiro foi interrogado sobre a sua participação em dois negócios sob suspeita e saiu do Departamento Central de Investigação e Acção Penal com termo de identidade e residência. À saída, negou ter cometido irregularidades e disse que só agora percebeu as implicações do negócio da Biometrics.

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    "Pude dizer ao senhor magistrado que só hoje percebi alguns contornos do negócio da Biometrics que me passaram completamente ao lado", declarou Dias Loureiro aos jornalistas, revelando que durante a inquirição foi "confrontado com documentos que nunca tinha visto".

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    "Vou provar que não cometo nenhuma ilegalidade", afirmou o ex-conselheiro de Estado e ministro de Cavaco Silva, notificado como arguido na semana passada, segundo o semanário Sol, que também divulgou a medida de coacção aplicada a Dias Loureiro: termo de identidade e residência. O outro arguido nesta investigação às fraudes no BPN é o antigo presidente do banco, Oliveira e Costa, actualmente em prisão preventiva e que esteve na na comissão parlamentar de inquérito para implicar Dias Loureiro na condução dos negócios ruinosos em Porto Rico e Marrocos.

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    A venda da Redal - concessionária de águas em Marrocos - aos franceses da Vivendi, e a compra da tecnológica Biometrics - que se saldou por um prejuízo 38 milhões de euros e que envolveu o libanês El-Assir, envolvido em negócios de armas - são os dois negócios sobre os quais Dias Loureiro foi interrogado esta quarta-feira.

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    Leia também:

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    Caso BPN: Dias Loureiro constituído arguido

    Dias Loureiro irritado com as perguntas de João Semedo

    Dias Loureiro defende vantagens de negócio ruinoso

    O Sr. Conselheiro, opinião de Alice Brite

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    in Esquerda.net
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    Sexta-feira, Julho 03, 2009

    Alcora: O acordo secreto do colonialismo português com o apartheid

    01/07/2009


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    A aliança de Marcelo Caetano com os racistas sul-africanos e rodesianos para impedir as independências de Angola e Moçambique.

    Nicole Guardiola, revista África 21

    No inicio de 1974, Portugal estava à beira de perder o controlo da guerra em Angola e Moçambique e preparava-se para transferir para a África do Sul a capacidade de dirigir e orientar o uso das forças militares para «erradicar o terrorismo da África Austral».

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    .É o que se depreende da análise dos documentos oficiais recentemente descobertos e relativos a uma aliança secreta estabelecida em 1970 entre os Governos de Portugal, África do Sul e Rodésia. Aliança que ficou escondida de todos ou quase todos os que participaram na guerra, mas que projecta uma luz diferente – e assustadora – sobre os acontecimentos que antecederam a Revolução portuguesa de Abril de 1974, as independências de Moçambique e Angola, e sobre os conflitos que dilaceraram estes dois países até à queda do regime racista sul-africano.

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    Trinta e cinco anos depois do fim da guerra colonial e quando se julgava que tudo tinha sido dito sobre um conflito que marcou as memórias de toda uma geração, e dos filhos e netos dos que nele participaram, eis que a abertura dos arquivos veio revelar dados substanciais e totalmente desconhecidos que vêm iluminar os factos que todos conheciam.
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    Dois investigadores portugueses, os coronéis Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, já autores de uma história da guerra colonial, publicada há 12 anos, tiveram esta «surpresa» ao meter ombro à tarefa de rever os acontecimentos à luz dos arquivos entretanto abertos (Arquivos Histórico Militar e do Secretariado-Geral da Defesa Nacional).
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    As opções político-militares da ditadura portuguesa face ao eclodir da luta armada nas suas colónias africanas e as alianças estratégicas estabelecidas por Salazar e Marcelo Caetano foram e estão ainda embrulhadas em tamanho mistério, que têm dado azo às interpretações mais fantasiosas acerca da situação militar em Angola, Guiné e Moçambique em vésperas do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, e a violentos ataques contra os «militares de Abril», acusados de terem entregue Angola e Moçambique aos «comunistas» quando a guerra estava «praticamente ganha».
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    Artigo publicado na edição de junho da revista África 21
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    É esta visão heróica do pequeno e pobre Portugal, «orgulhosamente só», que teria mudado a história de África e dos seus povos se não tivesse sido abandonado pelas grandes potências, que cobiçavam as riquezas do continente, e traído por um punhado de jovens oficiais cansados e manipulados, que os documentos agora tornados públicos e aos quais África 21 teve acesso, destrói irremediavelmente.
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    A realidade, ignorada então e ainda agora pela maioria dos portugueses, é bem diferente. Quando Marcelo Caetano sucede a Oliveira Salazar na chefia do Governo, em 1968, o esforço realizado desde 1961 para mobilizar e enviar para África dezenas de milhares de soldados está a tornar-se demasiado pesado, e os sectores mais lúcidos do regime já tinham compreendido que se não se acabava rapidamente com a guerra, seria o seu fim, e foi esta preocupação que norteou acção do Governo de Lisboa, sob a batuta de Andrade e Silva, ministro do Ultramar, e de Sá Viana Rebelo, ministro da Defesa, de 1968 a 1973.

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    Segundo Aniceto Afonso, a alegada indecisão de Marcelo Caetano em relação à questão colonial nunca existiu. A opção escolhida foi a militar.
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    Foi esta procura da vitória «a todo o custo» que levou Portugal a aceitar uma aliança com a África do Sul, única potência capaz de fornecer o apoio suficiente para inclinar a balança das armas a seu favor, e que oferecia ao mesmo tempo um «modelo» de saída política susceptível de conquistar apoios no chamado «mundo livre»: a necessidade de construir um bastião branco na África Austral para impedir o continente de cair na órbita do poder soviético, em plena fase de expansão.
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    Uma aliança secreta
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    A aproximação entre Lisboa e Pretória tinha começado antes, com o apoio de Salazar à independência auto-proclamada da Rodésia. Ian Smith, eleito primeiro-ministro em 1964, tinha-se reunido com Salazar em Lisboa antes de tomar a decisão de romper com o Reino Unido, e Portugal e a África do Sul, sem se atreverem a desafiar frontalmente a condenação e o embargo decretado pela ONU, actuaram concertadamente para impedir a asfixia económica do «Estado pária».
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    A partir de 1968, aforça aérea sul-africana prestava apoio logístico e de transporte às tropas portuguesas em Angola (operação Bombaim) e participou em acções de combate no Leste: as operações Luambi e Nova Fase realizadas a partir do Cuito Canavale por comandos portugueses transportados e apoiados por helicópteros sul-africanos.
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    A transformação deste apoio táctico numa aliança formal começou a ser esboçada a 4 de Março de 1970, quando delegações militares portuguesas e sul-africanas de alto nível se reuniram em Pretória para analisar a situação em Angola e Moçambique.
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    O tenente-general C. A. Frazier, que chefiava a delegação sul-africana, fez um balanço pormenorizado das operações realizadas pela SAAF (Força Aérea Sul-africana) desde Junho de 1968 e do seu custo. A conclusão era que os escassos resultados de tamanho investimento impunham uma revisão geral das condições de cooperação, e Frazier propôs submeter aos respectivos Governos «um plano de defesa para a África Austral que estabeleça as normas de utilização das tropas disponíveis de forma coordenada e planeada, para fazer face a um inimigo comum». Foi dado a este plano o nome de código de «Exercício Alcora».
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    Marcelo Caetano e Balthazar Vorster tiveram a oportunidade de conversar sobre o assunto a 5 de Junho, durante a visita a Lisboa do primeiro-ministro sul-africano (em que se tratou também da construção da barragem de Cahora Bassa, adjudicada meses antes ao consórcio Zamco).
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    Os territórios do Alcora
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    O acordo de base do Exercício Alcora foi assinado a 14 de Outubro de 1970, pelo coronel Rocha Simões, director da Quinta Divisão da Secretaria Geral da Defesa Nacional de Portugal, e pelo brigadeiro Greyvenstein, chefe do Planeamento Estratégico do Ministério da Defesa da África do Sul. A Rodésia juntar-se-ia formalmente à Aliança na reunião seguinte de alto nível, a 30 de Março de 1971, em que se aprova o esboço do projecto estratégico de defesa militar dos «territórios Alcora», actualmente repartidos entre cinco estados: África do Sul, Angola, Moçambique, Namíbia e Zimbabwe.
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    As actas das reuniões «reencontradas» pelos investigadores portugueses (sete no total, à razão de duas por ano, alternadamente em Lisboa e Pretoria) dão conta da progressiva intensificação da cooperação entre os três regimes, que ultrapassa, claramente, o âmbito estritamente militar, e do cuidado de Lisboa em manter secreta esta aliança, de forma a preservar a sua «liberdade de acção política» em relação a Pretória e Salisbúria.
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    As razões desta «prudência» portuguesa são múltiplas. No plano internacional, Portugal não quer indispor a NATO (de que é membro fundador) aliando-se abertamente com dois regimes que os outros membros da Aliança Atlântica votaram ao ostracismo. Internamente, este repentino alinhamento com os regimes racistas de Pretória e Salisbúria poderia suscitar reacções hostis nos meios mais conservadores do regime, ao entrar em contradição flagrante com a doutrina do Estado Novo, de um Portugal uno, do Minho a Timor, pluricontinental e multirracial.
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    Dezenas de milhares de portugueses que tinham sido enviados para a guerra, para defender este Império universalista, e não racista, não iriam sentir-se ludibriados, reforçando as dúvidas que muitos jovens oficiais começavam a sentir acerca da justeza da causa que defendiam?
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    A necessidade de não desperdiçar o único auxílio susceptível de lhe garantir a vitória militar falou mais alto e, passo a passo, Portugal foi cedendo às pressões cada vez mais insistentes dos seus «parceiros» da África Austral, preocupados com a deterioração da situação militar, sobretudo em Moçambique, que atribuíam à fraca motivação das tropas «metropolitanas» portuguesas e à incompetência dos seus chefes.
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    Em Novembro de 1972, em Lisboa, é finalmente definido o conceito estratégico da aliança tripartida, que aponta como ameaças comuns «o comunismo e o nacionalismo africano, em que o segundo é o instrumento escolhido pelo primeiro para alcançar os seus objectivos mais profundos», e como meta «assegurar a inviolabilidade individual dos territórios Alcora pela eliminação da subversão».
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    Para o efeito deverão «organizar uma força estratégica constituída por meios aéreos de ataque e forças terrestres altamente móveis (...) que sirvam de dissuasor contra todo o ataque externo e que assegure uma intervenção oportuna e eficiente», e levar a cabo uma intensa campanha para «convencer as nações africanas e o mundo livre de que a sua própria sobrevivência está sendo ameaçada na África Austral».
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    África do Sul toma a liderança
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    Apesar da insistência de Pretória que vê «os governos africanos superar os seus diferendos e progredir nos seus esforços contra nós», o que faz prever um aumento dos apoios às «organizações terroristas», o acordo entre os ministros da Defesa de Portugal e da África do Sul para a criação de uma «Organização Permanente de Planeamento Alcora» (PAPO em inglês) só será assinado em Outubro de 1973, ainda a tempo de permitir que na sexta reunião de alto nível do Alcora que teve lugar em Salisbúria em Novembro se avançasse no sentido de um Exército comum, com a criação de um Quartel-General, sedeado em Pretória, em instalações próprias, sob o comando do major-general sul-africano Clifton, primeiro director-geral da PAPO.
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    Este QG devia entrar em funções em Janeiro de 1974, mas a Rodésia e sobretudo Portugal não procederam atempadamente à nomeação dos seus representantes para todos os cargos que lhes eram destinados, o que provocou um ligeiro atraso.
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    A África do Sul assume claramente a iniciativa e a maior parte dos encargos com a aliança. Prontifica-se para mobilizar «até cem mil homens, brancos» para a constituição de brigadas mistas, altamente móveis, prontas para intervir em qualquer ponto de Angola e Moçambique, não requerendo de Portugal mais do que um contributo diminuto, e o empenho de algumas companhias de comandos e pára-quedistas.
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    A 8 de Março de 1974, o Ministério português das Finanças assina com a South África Reserve Bank um acordo que outorga a Portugal um empréstimo de 150 milhões de rands (seis milhões de contos portugueses segundo o câmbio da época) para a compra de material de guerra, em prestações mensais de cinco milhões de rands. A primeira fatia foi imediatamente disponibilizada
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    A última reunião
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    A máquina estava lançada e parecia imparável, pelo que já não seria necessário (nem possível) mantê-la oculta. A decisão de a tornar pública chegou a ser agendada para a sétima reunião Alcora, marcada para 24 de Junho de 1974,em Lisboa.
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    Nuncamse saberá qual teria sido a reacção da comunidade internacional, e dos militares portugueses, ao serem colocados perante o facto consumado, porque a 25 de Abril, um punhado de jovens capitães resolveu derrubar a mais velha ditadura da Europa e mudar radicalmente o rumo da história de Portugal e da África Austral.

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    Alcora, porém, não acabou neste dia e a sétima reunião ainda se realizou, à data prevista, não em Lisboa, mas em Pretória. O general Armstrong, chefe do Estado-Maior da Defesa da RAS chegou mesmo a afirmar que o encontro era «crucial quanto à principal tarefa para Alcora, que consiste na eliminação do terrorismo na África Austral».
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    A delegação portuguesa, chefiada pelo general Basto Machado, ex-comandante em chefe em Moçambique, respondeu como pôde às perguntas dos parceiros que queriam saber o que iria acontecer em Angola e Moçambique, e se «havia vantagem na continuação de Alcora na sua forma actual».
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    Disse que o novo Governo de Lisboa não estava de acordo com «alguns partidos» que, em Portugal, estavam a favor da independência imediata das províncias ultramarinas e que o seu «primeiro objectivo era obter um cessar-fogo como pré-requisito para a abertura de negociações» com os movimentos nacionalistas. Contudo, nas actuais circunstâncias considerava conveniente manter o segredo e suspender «quaisquer acções conjuntas», nomeadamente em Moçambique.
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    Haveria ainda, em Maio de 1975, uma reunião em Lisboa entre representantes militares sul-africanos com o Estado-Maior português, para resolver definitivamente a questão da devolução de grandes quantidades de materiais e equipamentos que tinham sido «emprestados» a Portugal no âmbito do extinto «Exercício Alcora», processo que só ficaria concluído em 1976.

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    Já sabemos o que aconteceu depois. Obrigado a reconhecer o direito à autodeterminação das colónias portuguesas, Spínola seria pouco depois substituído por Costa Gomes na Presidência de Portugal e iniciou-se o processo negocial que levaria a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola à independência. Alcora foi atirado para as gavetas da História, onde permaneceu até ao presente, sem que nenhum dos seus arquitectos tivesse quebrado o pacto de silêncio, o que não deixa de ser um caso singular, dado o elevado número de pessoas que estiveram envolvidas num processo que durou meia dúzia de anos.
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    Ainda há muito para investigar sobre os contornos desta aliança, os seus actores e cúmplices, e as suas sequelas. Mas uma coisa é certa: os dados coligidos e tornados públicos por Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes projectam uma nova luz sobre muitos acontecimentos posteriores, tais como a invasão de Angola pelas forças sul-africanas em 1975, o papel da África do Sul nas guerras civis angolana e moçambicana, e as tentativas de desestabilização dos países da «Linha da Frente».
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    Perdem todo o sentido as acaloradas polémicas sobre a mal fadada «descolonização» portuguesa como causa principal dos conflitos que dilaceraram a África Austral até à queda do regime racista sul-africano, em 1991. Pretória já estava em guerra contra os nacionalistas africanos, em Angola e Moçambique, muito antes do primeiro soldado cubano ter pisado o solo angolano.
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    ÁFRICA21 – JUNHO 2009

    Governo vai rever pensões de 30 mil funcionários públicos





    O Governo vai rever as pensões que foram atribuídas aos funcionários públicos desde Janeiro de 2008, segundo avança o Diário Económico desta quinta-feira.
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    Em causa, detalha o artigo, estão cerca de 30 mil reformados que poderão ter sido penalizados devido a uma norma que define que o valor da pensão a atribuir ao trabalhador é calculado com base na data do pedido de reforma e não na altura da aprovação da mesma pela Caixa Geral de Aposentações (CGA).

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    Segundo o projecto de diploma que o jornal diz conhecer e que será discutido com os sindicatos na sexta-feira, essas pensões serão "oficiosamente recalculadas" por forma a que o tempo de serviço decorrido entre a data do requerimento da pensão e a atribuição da mesma passe a contar para o valor da pensão.

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    Isso significa que a maioria das 30 mil pessoas que se reformaram desde Janeiro de 2008 - data da entrada em vigor da tal norma - terão pensões mais generosas.

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    Além disso, explica o Económico, estes aposentados serão ainda compensados pelas penalizações indevidas, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2008.

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    in Diário Digital - quinta-feira, 2 de Julho de 2009 | 08:26

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    OIT: Emprego fora do alcance dos jovens , no Brasil




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    Segundo a pesquisa, mulheres jovens têm mais dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Em 2006, 67,5% dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos estavam desempregados ou na informalidade. É o que mostra o relatório "Trabalho decente e juventude no Brasil", divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).


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    O problema é ligeiramente maior entre mulheres (70,1%) do que entre os homens (65,6%). O desemprego e a informalidade alcançavam 77,9% das jovens mulheres negras. Os dados têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 1992-2006.

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    Para a diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, os números podem se agravar ainda mais diante da crise financeira e econômica. Ela lembrou que o Brasil vive, atualmente, um processo de geração de empregos formais, mas em ritmo muito inferior ao que vinha sendo registrado nos últimos anos.

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    Em relação à jornada de trabalho praticada pelos 22 milhões de jovens economicamente ativos, 30% trabalhavam mais de 20 horas semanais, o que, em muitos casos, prejudicava o desempenho escolar. "Há uma espécie de círculo vicioso: o jovem não entra no mercado porque não tem experiência, mas para ter experiência ele precisa estar dentro do mercado. Medidas de aprendizagem, por exemplo, são importantes para romper essa barreira de entrada", avaliou Laís.

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    O relatório destaca como maior desafio integrar programas de caráter emergencial às políticas estruturantes, levando-se em consideração a faixa etária, a escolaridade, o território e as expectativas de cada público.

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    Com agências

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    in Vermelho -2 DE JULHO DE 2009 - 11h41
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    Brasil - Crise: homens perderam mais empregos na crise que mulheres

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    Os homens perderam mais o emprego do que as mulheres no setor formal durante a crise econômica internacional. Mais mulheres, no entanto, se retiraram do mercado de trabalho. Na prática, a população economicamente ativa se masculinizou, revertendo uma tendência de feminização do mercado de trabalho.

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    As constatações estão no estudo "A Crise Econômica Internacional e os (Possíveis) Impactos sobre a Vida das Mulheres", lançado nesta quinta-feira pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do governo federal. O estudo foi feito em parceria com o IBGE, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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    O trabalho, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho da Crise e criado no âmbito do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, se baseia em indicadores do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho (Caged), da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PME/IBGE) e da Pesquisa de Emprego e Desemprego, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (PED/Dieese-Seade).

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    Núcleo familiar

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    As taxas de desemprego femininas são normalmente mais elevadas que as masculinas. No contexto de crise, porém, o estudo mostra que as taxas de desemprego masculinas tendem a crescer mais. De setembro de 2008 a abril de 2009, o crescimento do desemprego foi de 24% entre os homens e de 11,2% entre as mulheres, sendo neste grupo a alta de 21,3% para as brancas e de 4,1% para as negras.

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    A razão do aumento maior do desemprego para eles é simples: os setores mais atingidos pela crise foram a indústria da transformação e a construção civil, que tradicionalmente empregam mais homens. Outra justificativa para a menor elevação na taxa de desemprego entre as mulheres é o fato de elas terem se retirado do mercado de trabalho — muitas trabalhadoras perderam seus postos de trabalho e desistiram de procurar emprego, ficando de fora das estatísticas.

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    "Em situações de perda de emprego ou ocupação no núcleo familiar, há maior probabilidade de que mulheres retornem às suas casas e se responsabilizem pelas atividades domésticas do que homens, seja pelo fato de que trabalhavam em pequenos empreendimentos familiares que não sobreviveram à crise, seja porque a perda de rendimento familiar impossibilitou a manutenção de uma trabalhadora doméstica", analisa o estudo.

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    A informação é da Agência Brasil
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    in Vermelho - 2 DE JULHO DE 2009 - 11h36
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    Crise interrompeu "feminização" do mercado de trabalho

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    Houve uma interrupção da feminização do mercado de trabalho no Brasil, com redução nos postos ocupados por mulheres de 3,1% contra 1,6% dos homens, e aumento da inatividade feminina no período de setembro de 2008 a abril de 2009, caracterizado pela crise econômica. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (2) no Boletim Mulher e Trabalho: A crise econômica internacional e os (possíveis) impactos sobre a vida das mulheres.

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    Segundo a pesquisa, a atual crise, desencadeada em 2008 nos Estados Unidos, vem fazendo sentir seus efeitos nos últimos meses no Brasil. Apesar de um contexto interno que reduz esses efeitos em comparação a outros países, os movimentos de expansão do emprego e de formalização que vinham ocorrendo desde o ano de 2004 no mercado de trabalho foram refreados.

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    A preocupação do estudo é que os efeitos da crise não atinjam principalmente as mulheres, comprometendo as vitórias obtidas no sentido da promoção da igualdade e da diminuição das injustificáveis discriminações vivenciadas pelas mulheres brasileiras no mundo do trabalho.

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    De 2004 para cá, o mercado de trabalho formal passou por um processo de feminização. As mulheres foram mais empregadas no comércio (88,8%) e nos serviços (78,3%). No entanto, os dados demonstram que existe precarização neste setor: os salários de contratação das mulheres foram sempre inferiores aos dos homens no período analisado, ou seja, parece haver substituição de salários mais altos por mais baixos. Este fenômeno acontece inclusive entre os trabalhadores de maior escolaridade, com as mulheres sendo admitidas com salários que equivalem a 65% dos masculinos.

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    O objetivo do estudo é analisar os dados recentes sob a perspectiva das relações de gênero. Se homens e mulheres têm inserções diferenciadas no mundo do trabalho, serão diferentemente atingidos pela crise. A hipótese foi confirmada com o exame dos dados das pesquisas mensais de emprego e do cadastro de desligamentos e admissões do Ministério do Trabalho. O processo de feminização do mercado de trabalho, observado nos últimos anos, foi refreado.

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    Precarização como reação

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    Apesar de os homens terem perdido mais empregos que as mulheres no setor formal –- 24,1% para os homens contra 11,2% das mulheres - as mulheres, em geral, se retiraram mais do mercado de trabalho. O desemprego atingiu mais os homens por que os setores de atividade econômica mais atingidos, indústria da transformação e construção civil, são tradicionalmente de ocupação masculina.

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    As informações disponíveis sugerem que pode estar havendo uma precarização geral do emprego como reação à crise, que se manifesta na elevação da inatividade e também no aumento de mulheres em postos mais precários, como trabalho sem remuneração e trabalho sem carteira assinada.

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    Por outro lado, há evidências de uma “feminização” do mercado de trabalho formal, o que é positivo, mas também expressa uma estratégia do empresariado em contratar de forma mais precária.

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    Direitos e desenvolvimento

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    O estudo, feito pelo Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, em parceria entre a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), quer monitorar os impactos da crise econômica sobre homens e mulheres a partir da análise dos indicadores de mercado de trabalho no período.

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    Os estudos internacionais concluem que a igualdade entre mulheres e homens é um elemento de consolidação dos direitos da cidadania e de desenvolvimento econômico e social. “Com vistas a promover a igualdade de gênero, é de crucial importância a garantia de oportunidades para o acesso, permanência e ascensão de homens e mulheres no mundo do trabalho”, avaliam as entidades.

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    O estudo também destaca “a importância de compreender os efeitos diferenciados da atual crise econômica sobre os distintos grupos populacionais, uma vez que vivemos um cenário em que se colocam sob risco os avanços – uns mais tímidos, outros menos – obtidos ao longo dos últimos anos, no sentido da redução da distância existente entre homens e mulheres.”

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    De Brasília
    Márcia Xavier
    Com informações da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM)


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    in Vermelho - 2 DE JULHO DE 2009 - 15h28
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    Desemprego dispara nos EUA e na Europa



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    Os empregadores norte-americanos eliminaram 467 mil postos de trabalho em junho, levando a taxa de desemprego a 9,5% - a maior em 26 anos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Departamento do Trabalho do país.

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    O relatório norte-americano mostra que, mesmo que a recessão dê sinais de melhora, as empresas ainda buscam o corte de custos e seguram as contratações até terem certeza que a economia melhorou de fato. No total, o número de desempregados no país em junho era de 14,7 milhões de pessoas.

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    O corte de empregos no mês passado foi mais drástico que o esperado pelos economistas, que previam o fechamento de 363 mil postos de trabalho. Já a taxa de desemprego, que estava em 9,4% em maio, não subiu tanto quanto o previsão de 9,6%. Mesmo assim, muitos analistas dizem que o percentual de pessoas sem emprego vai atingir 10% este ano.

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    Na zona do euro, a taxa de desemprego atingiu em maio o maior nível em 10 anos, mostraram dados nesta quinta-feira que reforçam a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) manterá o juro da região em patamar recorde de baixo por ora. A taxa de desemprego nos 16 paíse que formam o bloco subiu para 9,5%, ante 9,3% em abril, com 273 mil pessoas perdendo seus empregos em maio.

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    Com isso, o número de pessoas desempregadas chegou a 15,013 milhões, informou a agência de estatística Eurostat. "Para a zona do euro esta é a maior taxa desde maio de 1999", disse a Eurostat sobre o resultado de uma taxa de 9,4%, e é um mau presságio sobre qualquer saída rápida da pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. A Eurostat calcula que 3,4 milhões de pessoas na região perderam seus empregos desde maio de 2008, quando a taxa de desemprego era de 7,4%.

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    Com agências
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    in Vermelho - 2 DE JULHO DE 2009 - 11h47
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    Irão: porque parece difícil encontrar a posição da esquerda

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    Ninguém mais pode dizer, hoje, que a sociedade iraniana é autoritária. A robusta manifestação de rua e no Parlamento e, de fato, também no círculo das eminências pardas, sobretudo dos mulás de turbante, tanto do Conselho de Guardiões quanto do Conselho de Discernimento do Sistema (belo nome!), põem por terra a ideia de que as forças sociais no Irã vivam sob pressão ou censura.

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    Por Vijay Prashad*, para o site Counterpunch.

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    O Estado iraniano não é totalmente capaz, ainda, de absorver todas as forças e potências da sociedade iraniana, mas, sim, está sendo forçado a absorvê-las (nessa semana, Máhmude Ahmadinejad foi forçado a instaurar inquérito judicial para investigar o assassinato de Neha Agha-Soltan).

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    É preciso enterrar completamente todas as comparações entre o Irã contemporâneo e a Alemanha nazista (há menos de dois meses, um deputado israelense, Silvan Shalom, fez exatamente essa comparação, sempre repetida pelos neoconservadores com cara-de-mau). Também já não assustam ninguém os discursos dogmáticos dos progressistas nos EUA, metade dos quais alinhados com a "Revolução Verde", metade alinhados com Ahmadinejad.

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    Ontem, ninguém sabia coisa alguma sobre a política iraniana; hoje, são especialistas com opinião formada e inabalável. Apoiar ideias que não se entendem nada tem a ver com solidariedade internacionalista.

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    O Irã é uma sociedade dividida, com forças sociais que se enfrentam num debate que tem raízes antigas. Gritinhos e 'grafismos' distribuídos nos Facebooks e Twitters pouco contribuem para melhorar a qualidade da discussão. E dado que os dois lados (assumindo que sejam apenas dois) estão praticamente empatados em número de adeptos, absolutamente não se trata de uma minoria indefesa que esteja sendo cruelmente perseguida (única situação ante a qual alguém poderia sentir-se tão rapidamente ultrajado).

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    Acho que está certo exigir que o Estado não use a força contra quem proteste nas ruas, e que haja diálogo político para construir meios e modos para enfrentar o que parece ser fraude eleitoral, embora não haja evidência de qualquer fraude. Mas nada disso implica que se ponham tantos a fazer as mais inacreditáveis exigências maximalistas (como a extinção da República Islâmica) que não são exigências das ruas de Teerã e exigências que, no curto prazo, nenhuma rua de Teerã pensará em fazer.

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    Como as coisas chegaram até aqui

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    As tradições democráticas do Irã tem raízes que vêm do século 19, embora a dinâmica mais recente tenha tido início em 1905. Frustrada pela obscena ostentação da dinastia Qajar e inspirada na Revolução Russa de 1905, uma aliança entre a emergente classe média urbana, o clero e os trabalhadores do petróleo do norte do pais surgiu, em dezembro de 1905, o que se pode descrever como uma unidade fraturada. Teerã levantou-se contra o cruel vizir Ayn al-Dowleh (que "ferrou um criminoso, como cavalo, mandou por-lhe ferraduras, os pregos enfiados na carne nua dos calcanhares do homem") e mandou para a estratosfera os preços do açúcar. Uma segunda greve, em julho de 1906, forçou o xá a demitir o Vizir e a escrever uma constituição. O Xá Mozaffar ad-Din seguiu o exemplo dos aristocratas russos e prometeu uma constituição. Essa concessão só foi feita porque os protestos já haviam chegado ao exército e ao clero. Enquanto as elites formavam seus majlis, seus deputados à assembleia legislativa, o povo formava anjomans, os sovietes da Pérsia.

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    Essas "assembleias independentes", escreveu o embaixador britânico Sir Cecil Spring-Rice aos seus melhores em Londres, cultivaram "um espírito de resistência à opressão e, mesmo, a qualquer tipo de autoridade. O sentimento de independência em sentido o mais amplo, de nacionalidade, a consciência do direito de resistir à opressão e de dirigir os próprios negócios disseminam-se rapidamente entre o povo". Esse levante foi imediatamente traído pelos ingleses e russos, cuja entente de 1907 permitiu que os russos invadissem o país (como dizia-se em Moscou: "a Pérsia não é país estrangeiro, assim como a galinha não é, de fato, um pássaro"). O povo não cedeu sem luta: a classe trabalhadora e os camponeses mais pobres formaram um feda’iyan [associação de 'devotos'], e tomaram o úmido Gilan (na mesma região e inspirada pela mesma dinâmica, irrompeu aí o movimento "Jangal [floresta], sob a liderança do extraordinário Mirza Kuchak Khan, que criou a República Socialista de Gilan, de vida curta, de 1920-21). As mesmas forças sociais liberadas pelo movimento dos majlis serviram como fundamento para que as mulheres passassem a exigir plenos direitos como força de trabalho e na sociedade (desde 1910, as mulheres iranianas frequentam livremente a universidade; à altura de 1930, já era fato social normal que as mulheres recebessem educação universitária e gozassem de todos os direitos de completa mobilidade social).

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    Das franjas da invasão russa e da carcaça dos anjomans, emergiu o líder cossaco persa Reza Khan, que abriu caminho até o Trono do Pavão, onde ele e seu filho permaneceram sentados até 1979. Reza Khan viveu como que escravizado às tecnologias dos poderes imperiais, que importava em grandes quantidades e com alto custo para o Tesouro (seguindo o exemplo do Ataturk turco). Seu filho seguiria esses gastos e essa fé, dependendo cada vez mais de armamento importado como meio para modernizar o Irã, mas mantendo a população em geral em condições da mais abjeta miséria (em 1978, 60% dos iranianos eram analfabetos). Biografia em geral muito simpática ao biografado, o primeiro Xá da dinastia Pahlavi, nem assim conseguiu omitir certa dose de realidade: "a riqueza do país concentra-se em Teerã, quase completamente nas mãos de comerciantes, fornecedores do Estado, mercadores e indivíduos associados aos monopólios. A industrialização em nada beneficiou os trabalhadores da indústria. Salários baixos e uma rudimentar legislação trabalhista de 1932, praticamente nada fizeram para proteger os trabalhadores contra a exploração."

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    Em 1941, Reza Khan cedeu o trono ao seu filho. O novo Xá herdou país, trono e tumulto social. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Irã tornou-se fornecedor imprescindível de petróleo para os exércitos Aliados; depois da guerra, para os Estados atlânticos. Uma empresa Anglo-Iraniana de Petróleo (Anglo-Iranian Oil Company, AIOC, muito mais inglesa que iraniana, apesar do nome) ficava com a (muito) maior parte dos lucros, fez aumentar a perfuração e a extração do petróleo e pressionou, talvez bem mais do que deveria, uma força de trabalho que tinha longa tradição de organização e militância. Nessa AIOC, o partido Tudeh (partido comunista) construiria sua base; foi também contra esses trabalhadores que as forças Aliadas testaram suas armas (o comandante norte-americano que foi enviado então para modernizar o exército iraniano é o pai do Norman Schwarzkopf que, em 1991, comandou as forças da coalizão internacional na chamada "Tempestade do Deserto", na Guerra do Golfo, para depor Saddam Hussein. Os soldados, reunidos pelo embaixador George Allen dos EUA, foram usados pelos Aliados contra a República Popular do Azerbaijão e do Kurdistão).

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    Por baixo do Trono do Pavão, reuniam-se várias forças sociais para exigir a renegociação dos contratos de petróleo. Mobilizado pelo descontentamento popular contra o regime, a Frente Nacional de Mohammad Mosaddeq lutou pela nacionalização da indústria do petróleo e por uma política agrária que obrigasse os latifundiários a distribuir 1/5 de seus lucros (metade dos quais para os camponeses e metade a ser depositada em bancos rurais que foram então criados). Mosaddeq derrotou "o velho bloco de granito", a elite que crescera habituada ao usufruto exclusivo de todos seus tesouros. Mossaddeq tentou controlar o exército, pilar do poder dos Pahlavi. Por causa desse ultraje, os Estados atlânticos armaram e executaram um golpe que, afinal, saiu barato (custou um milhão de dólares).

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    A derrubada de Mossaddeq deprimiu o ânimo democrático da população. O Xá implantou uma estrutura autoritária que faria seu pai corar de inveja. Em 1957, criou a SAVAK, sigla que até hoje é sinônimo de terror. Os serviços secretos dos EUA e Israel, depois, apenas a mantiveram sempre atualizada, e a SAVAK nada ficou a dever ao cruel Ayn al-Dowleh. Os lucros do petróleo e a graciosa "ajuda" dos países atlânticos induziram o Xá e deram-lhe meios para que subornasse outros setores da população, ou para que, pelo menos, tentasse. Os petrodólares apenas adiaram o inevitável que viria, como veio.

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    Os partidos criados pela Xá, como fachada de atividade política (partidos Melliyun e Mardom) não podiam conter, como não contiveram, os desejos da população. Um movimento frouxo, praticamente sem pegada, chamado "Revolução Branca", em 1963, conseguiu mobilizar o clero, tradicionalmente omisso e conformista, para o campo da revolução.

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    O Aiatolá Khomeini assumiu a liderança do campo contrário às reformas, nem tanto porque jamais concordaria com aquelas reformas (direito de voto para as mulheres, por exemplo), mas porque dizia que um regime ilegal não se poderia reformar ele mesmo. O Xá fez aprovar a Lei de Proteção à Família, em 1967, em parte pressionado pelos liberais, mas também para pintar os mulás como reacionários favoráveis à poligamia e contrários ao divórcio (o argumento do Xá era falso; as mulheres tiveram direito de votar desde a primeira eleição da República Islâmica em abril de 1979). O historiador Nikki Keddie tem razão ao afirmar que "para as mulheres das classes mais baixas pouca coisa mudou. Sempre tiveram os piores salários e raramente souberam que tinham os direitos que tinham.” Mesmo assim, o solo produzido pelas reformas do Xá (e por mais ilegal que fosse o regime) fez germinar um resultado contraditório: as mulheres descobriram que tinham direitos, gostaram da ideia e a ideia dos direitos das mulheres firmou-se.

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    As dificuldades econômicas dos anos 1970s foram aumentadas pelas táticas deflacionárias do primeiro-ministro Jamshid Amuzegar; e dia 25 de novembro de 1977 abriu-se novo período na vida do Irã: naquele dia, 5.000 estudantes entraram em luta contra a polícia; e os protestos cresceram todos os dias, até setembro de 1978, quando o Xá convidou os militares a participar do governo. Aos protestos esporádicos, juntaram-se as greves dos trabalhadores nos campos de petróleo – movimento significativo, que dividiu a repressão, até então ocupada exclusivamente com a agitação de rua.

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    Não se pode esquecer que os manifestantes civis, que se levantaram contra o Xá, conheceram toda a violência de que era capaz a maquinaria de morte da SAVAK: na revolução iraniana de 1979 morreram 20 mil pessoas.

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    A Revolução Iraniana, outra vez, mobilizou todas as classes, inclusive o setor crucial dos trabalhadores do petróleo e das fábricas. Há poucos traços islâmicos naquelas lutas, porque foram lutas nascidas de aspirações nacionalistas e alimentadas pelo ódio que o Xá inspirava à população. Quando a vitória chegou ao alcance da mão, Khomeini e seus quadros assumiram o controle da dinâmica política. Assim se fez a República Islâmica. Como a esquerda reclamou, "a ditadura da coroa foi substituída pela ditadura do turbante".

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    A esquerda foi suprimida (Ahmadinejad participava do grupo "Ação para Fortalecer a Unidade", depois do partido Mojahedin-e Khalq, partido islâmico socialista e popular; mais tarde, depois de um breve intervalo, do partido Tudeh, o principal partido comunista). “Nosso inimigo não é só o Xá Mohammed Reza Pahlavi,” Khomeini dizia. “Nosso inimigo são todos os que preguem diretivas que nos separem do Islam. São nossos inimigos todos os que usem as palavras 'democracia' e 'república'".

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    Pois foram precisamente essas tradições de democracia e republicanismo que re-emergiram no Irã depois de 1979, evidentemente nos grupos dissidentes, sim, mas também no seio da elite dos clérigos. Surgiram divisões entre "reformadores" e "conservadores" que sempre acompanharam a história das eleições no Irã; nos anos mais recentes, esses termos ganharam também algumas conotações de classe. Os "mulás milionários", como classificou-os há alguns anos Paul Klebnikov, governaram o Irã mais ou menos como os oligarcas russos governaram a Rússia depois de 1991.

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    Ali Rafsanjani, ex-presidente e hoje chefe do Conselho de Discernimento do Sistema, tem sido apresentado como reformador. Sua família é das mais ricas do Irã: um de seus irmãos é proprietário da maior mina de cobre do país; outro, dirige a rede estatal de televisão; um primo domina o comércio nacional de pistache; e seus filhos controlam partes cruciais da indústria do petróleo e da construção civil. Rafsanjani fala pelos que habitam o distrito de Elahiyeh, ao norte de Teerã (Shemiran) e dirigem seus carrões pela Avenida Fereshteh. Para esses, liberdade significa o fim dos rituais sociais dos conservadores, mas também a privatização da economia.

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    Mas também há entre os reformadores um grupo de ativistas que combatem a República Islâmica e exigem igualdade para as mulheres, direitos humanos, direitos trabalhistas, direito à livre manifestação de opiniões – em outras palavras, que fazem os discursos da esquerda europeia. É uma estranha aliança, entre os que querem liberdade para seus anseios hedonistas e os que querem liberdade para livrarem-se da autocracia dos mulás. Entre esses últimos, há líderes importantes, feministas como Mehrangiz Kar e Shirin Ebadi, jornalistas como Akbar Ganji, e militantes da organização dos trabalhadores, como Mansour Osanlou, líder do Sindicato dos Trabalhadores de Teerã e Subúrbios, e Mahoud Salehi, líder da Associação dos Trabalhadores da Indústria do Pão. São aliados dos "reformadores" nas lutas pelos direitos sociais, mas nem tanto, na agenda econômica.

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    A campanha eleitoral de Ahmadinejad em 2005, deu voz a grupos sociais que jamais antes haviam sido ouvidos, aos habitantes das favelas e aos trabalhadores rurais. Falou por eles, defendeu-os e sabe bem o que fez e faz.

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    Num evento público em outubro de 2006, Ahmadinejad introduziu a ideia da "Quota Social": o Estado distribuiria quotas de algumas empresas entre os 4,6 milhões de iranianos mais pobres, que automaticamente seriam convertidos em sócios-acionistas da riqueza da nação. A crescente desigualdade social, a consciência de que os trabalhadores haviam sido os mais sacrificados durante a guerra Irã-Iraque nos anos 80 e a falta de alternativas seculares devem ter tido papel importante nesse processo, e na adesão dos mais pobres a candidatos como Ahmadinejad, que mostra simpatia pessoal pelos mais pobres, tanto quanto mostra, sem meias palavras seu desprezo pelos nouveau riches. Esse tipo de populismo parece atrair a juventude das áreas rurais mais pobres e os habitantes das favelas nas grandes cidades (44% da população iraniana urbana vive em favelas).

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    As políticas de Ahmadinejad são idiossincráticas, são facilitadas pela abundância de dinheiro gerado pelo petróleo (ano passado, os preços foram altos), mas, ao mesmo tempo, são minadas pelo recurso fácil ao anti-americanismo. A Washington de Bush facilitou o trabalho de divulgar os dogmas que a República Islâmica sempre têm estocados, aos quais Ahmadinejad recorre quando lhe faltam argumentos econômicos.

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    Com o preço do petróleo em baixa, e depois de Bush ter sido derrotado por Obama, com inflação em alta, a fé que as massas tinham em Ahmadinejad fraquejou (embora, sim, as massas ainda o apóiem). Mas as circunstâncias de momento deram impulso ao discurso dos "reformadores", que continuam inteiramente dedicados a impedir que Ahmadinejad volte à presidência. Nada garante nem sugere que tenha havido alguma fraude eleitoral, mas a fraude pouco alterará no movimento que houve dentro da própria sociedade iraniana.

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    A esquerda iraniana atravessa esse fosso que separa "reformadores" e "conservadores"; de fato, há nichos de esquerda dos dois lados do fosso. Por isso, também, é difícil adotar o discurso das elites de Elahiyeh, tanto quanto também é difícil aliar-se ao campo de Ahmadinejad.

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    Assim sendo... O que fazer?

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    Quando a revolução iraniana de 1978-79 começou a esquentar, o General Robert Huyser foi em missão a Teerã, como representante do governo dos EUA. Em telegrama de janeiro de 1979, uma semana depois de o Xá ter fugido para o Cairo, Huyser escreveu: "temos de cuidar de imediata e direta ocupação militar". Preveniu que, se Khomeini voltasse ao Irã, "vamos todos para o inferno, num cestinho." O governo Carter preparou-se para o golpe (mandou um navio-tanque de combustível, para abastecer os militares). Mas as coisas não saíram como planejadas. Os EUA não são ator confiável na política doméstica iraniana, nem no passado nem no futuro (embora, como Esam al-Amin destacou, Washington ainda não tenha desistido de tentar).

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    As contradições sociais do Irã estão outra vez em erupção e conflito. Não nos ajuda agora, agarrarmo-nos à bandeira da intervenção, ou jogarmos nossa solidariedade e nosso apoio sobre um ou outro campo, na atual situação.

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    A ação de massa no Irã já é instituição muito bem desenvolvida. Em 1953, os EUA ainda conseguiram promover um golpe no Irã. Em 1979, a ação de massa impediu o segundo golpe.

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    A ação de massa é como um instinto da população iraniana. A melhor solidariedade que a esquerda possa dar, doravante, terá de ser analítica, não emocional. Quanto mais sóbrias forem as análises, mais conseguiremos ver os movimentos fluidos da política, e mais entenderemos os motivos pelos quais é tão difícil encontrar a posição da esquerda.

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    As coisas são mais fáceis no caso de Honduras, não apenas porque todos os generais hondurenhos são treinados pelos EUA, no Forte Benning, mas, também, porque é bem evidente que o Departamento de Estado talvez decida bancar o golpe, para enviar um recado ao 'bolivarianismo' da América do Sul e Central. Aqui, o papel da esquerda é mais claro: exigir que se ponha fim a qualquer interferência na América Central e o fechamento da School of the Americas. Aqui, a tarefa da esquerda é mais simples, porque, afinal, se trata de defender o governo mais progressista que Honduras conheceu em décadas. No caso de Honduras, trata-se de genuína solidariedade, tanto quanto nossos músculos possam ajudar o lado certo da história. Camaradas, mãos à obra por Honduras.

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    *Vijay Prashad é professor da cátedra George e Martha Kellner de História do Sul da Ásia e diretor de Estudos Internacionais no Trinity College, Hartford. Seu livro mais recente é The Darker Nations: A People's History of the Third World, New York: The New Press, 2007. In memoriam. Leften Stavrianos, 1913-2004. Traduzido por Caia Fittipaldi. Título do Vermelho

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    Da redação
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    in Vermelho - 2 DE JULHO DE 2009 - 17h39
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    Gestos obscenos contra comunista derrubam ministro português


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    Um episódio inusitado marcou nesta quinta-feira (2) a reunião do parlamento português, que debatia o estado da Nação. Durante o debate, Manuel Pinho, ministro da economia, dirigiu um insulto gestual à bancada do Partido Comunista Português. O incidente levou Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, a pedir desculpas ao PCP. Não bastou. Pinho, envergonhado, pediu demissão.



    Pinho "chifra" e perde emprego
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    O momento que definiu o destino do agora ex-ministro surgiu no meio da intervenção de Francisco Louçã, quando o dirigente do Bloco de Esquerda falava sobre a situação dos trabalhadores das minas de Aljustrel.

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    Enquanto Louçã intervinha, o líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, dirigiu-se ao ministro da Economia, dizendo que Manuel Pinho fora a Aljustrel para ''passar um cheque'' a uma equipe de futebol.

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    Transtornado, Pinho ergueu, então, as mãos à cabeça para simular dois chifres, que apontou a Bernardino Soares.


    Soares, considerou que o incidente que levou à demissão de Pinho, demonstra o ''desnorteamento do governo''.

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    ''Este ministro sai perante um episódio lamentável, mas traduzindo um desnorteamento que é generalizado ao governo e que bem releva da forma como a população está a ver esta política e rejeita esta orientação do governo'', afirmou o líder da bancada comunista, momentos depois de o primeiro-ministro ter anunciado aos jornalistas a saída do ministro Manuel Pinho.

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    O gesto do ex-ministro acabou por marcar o resto do debate e motivar uma vaga de condenações ao governo de José Sócrates.

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    O Partido Ecologista ''Os Verdes'', parceiro dos comunistas na CDU, condenou a ação de Pinho, e a deputada Heloísa Apolónia disse também esperar que o apontar de responsabilidades ao conjunto das políticas do governo de José Sócrates não ficasse ''minado'' pelo gesto.

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    À saída do debate, o primeiro-ministro anunciaria a demissão do ministro da Economia e a entrega da pasta a Teixeira dos Santos.

    in Vermelho -2 DE JULHO DE 2009 - 19h03
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    El ministro de Economía de Portugal dimite tras llamar cornudo a un diputado · ELPAÍS.com

    El ministro de Economía de Portugal dimite tras llamar cornudo a un diputado

    La caída de Manuel Pinho se produce a poco más de dos meses de las elecciones y debilita aún más el Gobierno socialista

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    FRANCESC RELEA - Lisboa - 02/07/2009

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    La fragilidad política del primer ministro portugués, José Sócrates, ha aumentado con un escándalo mayúsculo en el Parlamento, que provocó la dimisión del ministro de Economía, Manuel Pinho. Pésima señal en la recta final de la Legislatura, a poco más de dos meses de las elecciones. La Asamblea de la República, en sesión plenaria, realizaba el último debate parlamentario antes de vacaciones sobre el Estado de la Nación, en el que la oposición en bloque, derecha e izquierda, condenó la política del Gobierno socialista.


    La noticia en otros webs

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    El diputado Bernardino Soares, portavoz del grupo parlamentario comunista, estaba en el uso de la palabra, cuando desde su escaño en el banco del Gobierno, el ministro Pinho gesticuló ostensiblemente colocando los dedos índice en la cabeza, para llamar cornudo al diputado del PCP. El debate era sobre la difícil situación que atraviesan las minas de zinc de Aljustrel, en la región de Alentejo.

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    Soares dijo que el ministro había visitado aquella localidad para entregar cheques. Como respuesta, el ministro hizo el gesto que provocó una sonora protesta en la Cámara, sobretodo en los escaños comunistas y del Bloco de Esquerda, profundamente ofendidos. La cascada de protestas desde todas las filas políticas parecía interminable.

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    Las disculpas no tardaron en llegar, primero del ministro de Asuntos Parlamentarios, Augusto Santos Silva, que reconoció el "exceso" de Manuel Pinho, y después en boca del jefe de Gobierno, José Sócrates. El ministro en cuestión admitió su error y abandonó la sala. Ante los periodistas dijo que fue "un gesto desesperado". El PCP y el Bloco de Esquerda exigieron la dimisión. El resto de grupos parlamentarios reclamaron disculpas de parte del afectado y del primer ministro.

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    En un gesto inédito, José Sócrates, condenó el comportamiento de su ministro, que calificó de "inaceptable", y pidió públicamente disculpas en nombre del Gobierno a la Asamblea de la República. "Sé que el señor ministro ya ha dicho estar arrepentido, pero nada justifica aquel acto". Poco después, el primer ministro aceptó la dimisión de Pinho, cuyo puesto será ocupado por el actual titular de Finanzas, Fernando Teixeira dos Santos.

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    in El Pais
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    Famílias pagam conta da luz a prestações

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    André Nacho A EDP fracciona os pagamentos atrasados nas facturas futuras, desde que o cliente pague a próxima conta

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    A EDP fracciona os pagamentos atrasados nas facturas futuras, desde que o cliente pague a próxima conta
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    Energia: Acordos especiais de pagamento cresceram 50 por cento em 2009

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    * Miguel Alexandre

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    A crise económica está a obrigar as famílias a pagar a conta da luz a prestações. Segundo apurou o CM junto da administração da EDP, em média, cerca de seis mil clientes dirigem-se todos os meses aos balcões da eléctrica para pedir ajuda no sentido de pagar as contas da electricidade.

    Os chamados 'acordos especiais de pagamento', que permitem aos clientes pagar as contas em atraso em várias prestações (integradas nas facturas futuras), subiram 50% desde o início do ano. 'Temos tido vários pedidos de clientes domésticos, mas também de comerciantes e pequenos empresários que estão a passar por dificuldades e que não podem passar sem o fornecimento de energia eléctrica', afirmou ao CM uma fonte da administração da EDP.

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    Nos primeiros cinco meses do ano, o consumo de electricidade caiu 3,1% por força da crise económica, um fenómeno que não acontecia desde a II Guerra Mundial, adiantou Jorge Cruz Morais, administrador da EDP, num encontro esta semana com jornalistas.

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    Aquele responsável referiu que o malparado (facturas por pagar) da empresa não aumentou e que as dívidas totais dos clientes à EDP somam 200 milhões de euros.

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    Em relação ao défice tarifário, que ascende a dois mil milhões de euros, não é considerado 'uma bomba-relógio'. De acordo com João Manso Neto, 'o défice é sustentável através de aumentos moderados do preço da electricidade'. Aquele responsável não quis concretizar as subidas, acrescentando que é uma decisão que 'cabe ao regulador'.

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    CARROS LIGADOS À CORRENTE

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    A EDP e a Câmara de Lisboa vão disponibilizar seis postos de carregamento para carros eléctricos. 'Serão 12 tomadas que podem ser utilizadas pelas pessoas que tenham carros exclusivamente eléctricos', afirmou António Vidigal durante o mediaDay da EDP.

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    A localização dos postos de carregamento serão divulgados na próxima segunda-feira por António Costa.

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    Um levantamento realizado na capital apurou que cerca de 50 lisboetas têm carros ou motas exclusivamente movidos a energia eléctrica. 'Será dada uma chave para o livre acesso dessas pessoas aos postos de carregamento e a EDP garante o fornecimento de energia gratuito durante seis meses', acrescentou o administrador responsável pela área de Inovação da eléctrica portuguesa.

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    'AJUDAR AS EMPRESAS' (António Mexia, Presidente executivo da EDP)

    Correio da Manhã – Existem queixas das Associações de Construção que dizem que a EDP não ajuda as empresas nacionais?

    António Mexia – A EDP faz concursos internacionais para as barragens e para as centrais de gás. Quem oferecer as melhores condições ganha. Mas temos empresas portuguesas em todas as obras que estamos a fazer.

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    – Nesta altura de crise não acha que a EDP tem um dever acrescido de ajudar mais as empresas nacionais?

    – Temos levado empresas portuguesas para os países onde estamos a crescer: Brasil, Roménia, Espanha. No próximo dia 9 de Julho vamos fazer ‘O dia do fornecedor’, onde explicaremos o que vamos fazer até 2012. Quais os projectos que temos e o que é que as empresas têm de fazer para se preparar. Ainda recentemente renovámos toda a frota com viaturas que são montadas em Mangualde.

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    in Correio da Manhã - 25 Junho 2009 - 00h30

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    Quinta-feira, Julho 02, 2009

    Brasil - Mapa da exclusão parece o mesmo há mais de meio século


    _Questões Sociais

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    Pesquisador do Ipea lembrou que a região Norte-Nordeste continua sendo a mais afetada pela desigualdade

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    Agência Brasil

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    BRASÍLIA - Em 2000, pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) elaboraram um mapa da exclusão social, "que é praticamente o mesmo que Josué de Castro lançou na década de 50 (do século 20)", na opinião economista Ricardo Amorim, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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    Ele lembrou que a região Norte-Nordeste continua sendo a mais pobre e a mais afetada pelas questões de desigualdade e de pobreza no Brasil, "o que é gravíssimo" porque, nesse período, é quando o Brasil dá um salto industrial fantástico. "Mesmo assim, nós não conseguimos melhorar a distribuição da riqueza no Brasil inteiro".

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    Os reflexos desse quadro podem ser notados nos fluxos migratórios, na favelização, na concentração da pobreza nas grandes cidades.

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    Para que haja uma redução efetiva do número de pobres no Brasil, o pesquisador do Ipea destacou a necessidade de serem promovidas reformas civilizadoras do capitalismo, "coisa que todos os países capitalistas avançados já fizeram faz tempo".

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    A primeira medida é a reforma agrária. "É uma reforma necessária ainda a ser feita". Outra prioridade é a reforma tributária. "Não é fazer reforminha de impostos, diminuir um pouquinho a alíquota aqui, aumentar acolá. Ou então, fazer uma redistribuição da renda entre as regiões brasileiras, um pacto federativo. Não se trata disso".

    Amorim propôs uma taxação "forte" das pessoas mais ricas do país, com a desoneração das pessoas mais pobres e da classe média brasileira.

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    Avaliou que essa medida, já promovida pelos países industrializados, deu ao Estado um fôlego de recursos suficiente para criar o bem estar social europeu. Os governos da União Européia taxam fortemente os mais ricos e redistribuem essa carga sob a forma de benefícios sociais para a população como um todo.

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    Outra medida fundamental diz respeito à reforma urbana, para evitar que a especulação imobiliária jogue a população mais carente para as periferias das cidades, obrigando o governo a "gastar fortunas" em urbanização de áreas.

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    Ele enfatizou que as três reformas redistributivas devem ser feitas se a meta é construir um país que tem futuro e que não precise ficar temendo por suas crianças em relação ao tráfico de drogas e à criminalidade. "A pobreza não gera criminalidade, mas a desigualdade sim", observou o economista.

    Ricardo Amorim analisou que em relação à pobreza, houve um ganho líquido desde o lançamento do Plano Real, "mas concentrado nos últimos anos". Segundo ele, foi uma piora pequena, considerando que o Brasil já vinha de um quadro de estagnação desde o começo dos anos 80. "Mas, em termos numéricos, o aumento da pobreza e da desigualdade não é tão grande".

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    A partir de 1999, a retomada da indústria e das exportações acabou estabilizando a situação da sociedade brasileira. Desde 2004, o ganho foi mais significativo. Amorim salientou, contudo, que embora tenhamos melhorado um pouco a distribuição da renda e a pobreza, "nós muito mal arranhamos a péssima distribuição brasileira, que tem 500 anos.

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    Essa distribuição de renda brasileira é muito mais profunda e mais grave e, com certeza, vai levar décadas para conseguirmos reverter isso, se tivermos políticas desde já. De qualquer forma, a resistência da elite será muito intensa e é difícil esperar uma mudança importante para os próximos dez a 15 anos".

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    Disse que, com crescimento econômico, toda a população ganhará. "Ricos e pobres ganharão. Mas a desigualdade não será vencida".

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    in O Estadão - quarta-feira, 1 de julho de 2009, 12:48 | Online

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    Quarta-feira, Julho 01, 2009

    Vasco Pulido Valente e o «Centrão»

    domingo, 28 de Junho de 2009

    Quando, depois do PREC, o dr. Mário Soares "meteu o socialismo na gabeta", de facto não meteu lá nada, porque o PS não era e nunca tinha sido socialista.

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    Apesar do programa e da retórica da clandestinidade e da "revolução", o PS nasceu já como um partido do capitalismo ou, se preferirem, como um partido de uma sociedade livre, com uma economia de mercado.

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    O que, de resto, em 1974-75 o tornou o grande instrumento de resistência ao comunismo e à extrema-esquerda.

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    A verdadeira vocação do PS foi desde o princípio defender a democracia (ocidental) e absorver as tensões que dentro dela eventualmente se gerassem.

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    Nem a apologia do Estado-Providência o distinguia, porque o Estado-Providência há muito tempo que na Europa inteira se tornara património comum da esquerda e da direita.

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    Desde 1976 - com uma única excepção - que a história do PS é em Portugal a história do bombeiro.

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    Com Mário Soares chegou sempre ao poder em épocas de crise económica (e de intervenção do FMI) para impor uma política de "austeridade".

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    Da primeira vez, sozinho. Da segunda, com o PSD, no "Bloco Central". Só durante o instável e precário governo de Guterres deu, tragicamente, um bodo aos pobres.

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    Mas nem nessa altura mostrou qualquer aspiração subversiva e agiu invariavelmente dentro dos limites do aceitável para a ortodoxia do que se veio a chamar "modelo europeu".

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    Tendeu talvez por ilusão ideológica e atavismo de escola para reforçar o papel do Estado e para aumentar o funcionalismo um pouco mais que o PSD. Nada de grave, de qualquer maneira.

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    Visto desta tradição, o PS de Sócrates não fez mais do que persistir num comportamento habitual.

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    Como a direita logo percebeu, o objectivo das "grandes reformas" de 2005 - 2006 (as que não acabaram mal) era assegurar a sobrevivência do regime e não com certeza promover a mais vaga espécie de igualdade ou sequer a eficácia e o alcance do Estado-Providência.

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    Não por acaso a viabilidade financeira (embora transitória) da Segurança Social e a redução do défice ocuparam o centro da acção e da propaganda do Governo.

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    Como, em menor grau, a tentativa de "rentabilizar" o ensino, a saúde e a justiça. Infelizmente agora, o tecto caiu. Ao contrário de Soares, Sócrates falhou. A direita não lhe agradece o esforço; e o eleitorado do PS desapareceu.

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    Em quatro anos quase toda a gente ficou pior. Para quê teimar?

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    Público

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    * Brandão Gonçalves - qua 01-07-2009 22:12

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    Os que sempre acreditaram que o PS era um defensor do socialismo devem sentir-se muito incomodados. Claro, que podem continuar sempre a recusar-se a acreditar.

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    E para quê teimar no PSD, que afinal até gostou da política do PS e que com ele tem rodado no Poder há mais de 30 anos?

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    E para quê teimar no PP, que já esteve no governo com o PS e com o PSD?

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    Para mudar, para fazer a ruptura é preciso votar à esquerda. Votar em forças consequentes, forças de acção e de trabalho, organizadas e capazes de organizar.



    --
    Brandão Gonçalves

    Um governo inútil e de propaganda enganosa

    http://www.youtube.com/watch?v=nPr-1ugk-4g
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    Desertificação afecta um terço da Terra


    * ALFREDO MAIA

    Duzentos milhões de seres humanos poderão ser forçados a migrar por causa da desertificação e a degradação do solo que afectam um terço da Terra e ameaçam os meios de sobrevivência e o bem-estar de mil milhões de pessoas.

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    A Organização das Nações Unidas (ONU), que assinala hoje o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca estima o número de deslocados ambientais entre 17 milhões e 24 milhões, mas avisa que poderá chegar aos 200 milhões em 2050, se continuar o consumo excessivo de água, a desflorestação e práticas agrícolas e florestais erradas.

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    Em mensagem alusiva à jornada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, nota que quase um terço das terras cultivadas tornaram-se improdutivas nos últimos 40 anos e cerca de três quartos das pastagens naturais apresentam sintomas de desertificação.

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    Em Portugal, a efeméride foi pretexto para nova querela entre especialistas. Ouvido pela agência Lusa, o investigador Eugénio Sequeira voltou a afirmar que o risco de desertificação atinge metade do país, agravando a situação caraterizada em 1994, quando afectava um terço do território.

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    No entanto, o presidente do Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (PANCD), Lúcio do Rosário, disse à agência que "não existem grandes chagas de degradação", reconhecendo que as situações mais preocupantes se situam no Sul, nomeadamente na zona Castro Marim/Alcoutim e Mértola.

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    Só no concelho de Mértola, por exemplo, mais de 60% dos solos estão degradados e em metade nada cresce, segundo a investigadora Maria José Roxo (reportagem JN, 28/07/08).

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    Eugénio Sequeira critica a agricultura e a pecuária intensivas e a falta de investimento em floresta autóctone e acusa o Governo de ter cortado financiamentos à promoção de práticas de sementeira (de cereal) que não degradam o solo.

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    Lúcio do Rosário contesta. Também citado pela agência, diz que o combate à desertificação avança e destaca as medidas nos planos regionais de ordenamento do território, como as que visam a fixação de pessoas em zonas despovoadas.

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    in Jornal de Notícias -2009-06-17

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    4.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal

    associativismo rostos.pt - o seu diário digital


    Rentabilização de recursos das associações

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    O “4.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal”, espaço de reflexão e troca de conhecimentos visando a rentabilização de recursos das associações, realiza-se no dia 11, no Centro Multicultural, na zona das Manteigadas.

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    Após a sessão de abertura, pelas 09h30, a cargo da presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, e do presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Augusto Flor, inicia-se, 30 minutos depois, o primeiro painel temático deste encontro organizado pela Autarquia.
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    “Movimentos Sociais, Associativismo e Habitação”, que aborda a questão do relacionamento entre os movimentos sociais e a habitação, com destaque para o papel do associativismo, vai contar com a participação do sociólogo Carlos Vieira de Faria e de Sebastião Areias, dirigente da Cooperativa de Habitação e Construção Económica “Bem-Vinda Liberdade”.

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    Pelas 11h30, o painel “Os Municípios e o Movimento Associativo – Balanço e Perspectivas” visa não só retratar a relação entre os municípios e as associações, mas também apresentar um balanço do trabalho desenvolvido pela Autarquia nos últimos anos.
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    No período da tarde, está prevista a exibição de filmes que descrevem a actividade das associações, nas mais variadas valências.

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    A quarta edição do encontro destina-se a dirigentes associativos, secessionistas e técnicos de colectividades e associações do Concelho.

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    in Rostos.pt - 1.7.2009 - 15:11
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    Bancos triplicam margem de lucro

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    Bruno Colaço Para Leonor Coutinho, responsável da Sefin, mais preocupante do que a subida dos spreads é a previsão a curto prazo das Euribor

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    Pedro H. Gonçalves

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    Para Leonor Coutinho, responsável da Sefin, mais preocupante do que a subida dos spreads é a previsão a curto prazo das Euribor
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    Novos créditos à habitação

    Banca triplica spreads

    As taxas de juro implícitas no crédito à habitação estão em queda há cinco meses, mas os portugueses não notam diferenças porque a Banca está a aumentar os spreads. Os bancos triplicam a sua margem de lucro nos novos empréstimos para compensar.

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    Para João Fernandes, da DECO, há uma tendência generalizada dos bancos a operar em Portugal para subir os spreads. 'É um facto. Sempre que pode, a Banca sobe os spreads', refere o economista, salientando que quem tenta agora contrair um empréstimo à habitação será confrontado pelo banco com opções de spread bastante acima da média de quem já tem um contrato. Isto porque créditos já definidos não podem sofrer alterações no spread, que é a margem de lucro da Banca.

    Ao que o CM apurou, os aumentos dos spreads praticados pela Banca nestes contratos chegam a ser três vezes mais elevados do que quando comparados com os valores dos contratos já celebrados. Um efeito triplicador que se faz sentir desde o início do ano. Até nas campanhas promocionais se nota este aumento. A Caja Duero oferecia um spread de 0% no primeiro ano para clientes com menos de quarenta e um anos. No último mês esse valor passou para 0,33%.

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    A quebra nas taxas Euribor permitiu um corte médio na prestação mensal do empréstimo de 150 euros. Em tempos de crise financeira a Banca tem optado por recuperar o dinheiro nos spreads dos novos contratos.

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    Isabel Coutinho critica esta prática dos bancos de compensarem a descida das taxas de juro, explicando as situações em que a situação se verifica. 'Quando alguém tenta renegociar o crédito, alargar o prazo ou outro ponto em concreto, os bancos aproveitam sempre para mexer no spread', refere a deputada do PS e dirigente da Sefin (Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros). Para Leonor Coutinho se o contrato é o mesmo, não pode haver aumento do spread. 'É uma questão de litígio.'

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    TAXAS DE JURO EM QUEDA HÁ CINCO MESES

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    A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação em Portugal caiu em Maio pelo quinto mês consecutivo para o valor médio de 3,616%, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE).

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    Em Maio, a taxa de juro implícita no crédito à habitação foi de menos 0,502 pontos percentuais do que no mês anterior. Trata-se da quinta quebra consecutiva dos juros na habitação, que estão agora em níveis próximos dos do final de 2005. Desde o início do ano, os juros na habitação já desceram 2,361%. Esta queda é o reflexo da evolução das taxas Euribor, que estão a descer desde meados de Outubro.

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    Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação baixou 25 euros face a Abril, tendo uma redução acumulada nos últimos cinco meses de 167 euros. Já nos contratos celebrados nos últimos seis meses, o valor médio da prestação baixou 28 euros e nos contratos a 12 meses baixou 23 euros em Maio face a Abril. Como se verifica, a queda dos juros aconteceu nos contratos celebrados nos últimos três, seis e 12 meses

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    O valor médio da dívida nos contratos de crédito à habitação celebrados nos últimos três meses foi de 87 779 euros, mais 258 do que o observado no período anterior. Mas, apenas em Maio, segundo o INE, 'o valor médio do capital em dívida no total dos contratos de crédito à habitação em vigor foi de 55 167 euros, mais 11 euros do que no mês anterior'.

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    BANQUEIROS JUSTIFICAM COM RISCO

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    Não é possível aos bancos manterem os spreads que praticavam antes da crise, quando os custos de financiamento da Banca estão tão elevados.' A declaração foi repetida pelos responsáveis dos maiores bancos portugueses presentes numa conferência sobre a Banca que decorreu este mês.

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    Partilhando da ideia de Ricardo Salgado, do BES, de que 'o tempo do dinheiro fácil acabou', Armando Vara, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos explicou que a subida dos spreads se deve à turbulência dos mercados. 'É incontornável: risco mais elevado é preço mais elevado', referiu o gestor.

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    ESCOLHAS DA DECO

    CRÉDITO À HABITAÇÃO, EMPRÉSTIMO A 20 ANOS (Indexado à Euribor a 6 meses)

    FINANCIAMENTO

    BANCO

    SPREAD (%)

    TAXA ANUAL EFECTIVA (%)

    Mais de 90%

    BBVA

    1,80

    3,15-3,24

    Mais de 90%

    Santander Totta

    1,85-2,30

    3.44-4,07

    Entre 80 e 90%

    DECO/Caixa Galicia

    0,75

    2,22-2,27

    Entre 80 e 90%

    BBVA

    1,5

    2,84-2,93

    Entre 80 e 90%

    Banif

    1,50-2,00

    3,06-3,72

    Entre 80 e 90%

    Santander Totta

    1,50-2,05

    3,08-3,81

    Até 80% (Entre 75 mil e 150 mil euros)

    DECO/Caixa Galicia

    0,45

    1,94

    Até 80% (Entre 75 mil e 150 mil euros)

    Caixa Galicia (Internet)

    0,45

    2,02-2,03

    Até 80% (Entre 75 mil e 150 mil euros)

    BBVA

    0,95-1,50

    2,28-2,86

    Até 80% (Entre 75 mil e 150 mil euros)

    Caixa Galicia

    0,75-0,80

    2,33-2,38

    Até 80% (Entre 75 mil e 150 mil euros)

    Banif

    0,85-1,35

    2,40-2,93

    Fonte: Dinheiro & Direitos, Julho/Agosto 2009 - DECO

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    SAIBA MAIS

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    EURIBOR

    As taxas Euribor, que servem de referência aos empréstimos interbancários, estão em queda desde meados de Outubro.

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    1.745

    milhões de euros é o valor do crédito de cobrança duvidosa nos empréstimos concedidos para a compra de habitação.

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    AVALIAÇÃO

    O valor médio da avaliação bancária da habitação caiu 5,8 por cento no primeiro trimestre deste ano, devido à subida do malparado.

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    POUPANÇAS DAS FAMÍLIAS SOBEM

    As poupanças das famílias portuguesas cresceram no primeiro trimestre de 2009. Este aumento deve-se a uma forte redução no consumo, refere o INE.

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    in Correio da Manhã - 30 Junho 2009 - 02h03

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    » COMENTÁRIOS no CM on line
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    01 Julho 2009 - 12h44 | Carlos Tuga
    VERGONHA!!!
    01 Julho 2009 - 12h42 | Observador
    Com tantos ilulinados na economia,só conseguimos criar ladrões com ordenados "pornográficos", tal é a ganancia que têm.
    01 Julho 2009 - 12h40 | Observador
    Se este (Des)Governo fosse governar para o deserto teria de importar areia.E os outros?Politicos fallados.
    01 Julho 2009 - 12h38 | Observador
    Além daquele que está preso preventivamente, já viram algum banqueiro preso por USURA?Estamos na república das bananas.
    01 Julho 2009 - 12h36 | Observador
    Não acreditem que os própximos governantes vão por fim à USURA!Tudo terá de começar pelo protesto dos eleitores vontando
    01 Julho 2009 - 12h36 | Observador
    Não acreditem que os própximos governantes vão por fim à USURA!Tudo terá de começar pelo protesto dos eleitores vontando
    01 Julho 2009 - 12h32 | Observador
    USURA!É o que se chama a isto.Vivemos num país sem rei nem roque.O (Des)Governo é o único culpado.Há que castigá-lo.
    01 Julho 2009 - 11h43 | jose
    é preciso aumentar os spreads, pois no final do ano há distribuição dos lucros pelos gestores
    30 Junho 2009 - 19h15 | palmad
    por muito que tente, não consigo entender os comentários aqui deixados. Não é isto que querem? PF. votem PS em 27.09.!!!
    30 Junho 2009 - 17h34 | Gabriela
    Chegou a hora de actuarmos!Pouco ou muito vamos começar a deixar debaixo do colchão! Eles vão viver de quê? FORÇA GENTE
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    30 Junho 2009 - 17h08 | tio dei
    Que culpa tem ? A mercadoria a venda lá e o dinheiro. Quem faz as leis é que tem a culpa. No mínimo: Usura !!
    30 Junho 2009 - 14h45 | José Mendonçca
    ...É fartar vilanagem...!!!...Mas não há problema....Alguns destes lucros irão parar aos cofres do PS e do PSD.....
    30 Junho 2009 - 14h30 | JAIME JORGE PEREIRA (CASTANHEIRA DO RIBATEJO)
    MAS,QUE PALHAÇADA È ESTA?AINDA NÃO TÊM EMENDA?QUEREM MAIS?TENHAM VERGONHA.VOÇÊS AINDA FAZEM POUCO DA CRISE.
    30 Junho 2009 - 14h19 | Rosa Ramos
    Como se vêm tantos casos aqui vale tudose não pagas a pretação no mês seguinte são mais 40€ de juros e esta????
    30 Junho 2009 - 14h00 | AOS
    Quando eu, (simples soldado ) com os meus colegas fizemos o 25 Abril, ouvia-se "O Povo é quem Mais Ordena" para quê?
    30 Junho 2009 - 13h59 | FILHO DA ESCOLA
    Mais uma vez senhor Presidente da Republica,vê porque os PORTUGUÊSES se abstiveram nas eleições.Algueirão
    30 Junho 2009 - 13h48 | moimeme
    Por 60€ em falta na minha conta do BESCL iam fazer processo para o banco de portugal.É só rir.Viva portugal.Minusculo.
    30 Junho 2009 - 13h43 | moimeme
    Os bancos é que fazem a crise.Não emprestam aos trabalhadores,e aínda os roubam com os spreads.
    30 Junho 2009 - 13h36 | vm
    (cont)em manter uma relação de promiscuidade nojenta com os bancos.Nos outros países da europa não se vê essa pouca verg
    30 Junho 2009 - 13h36 | sigra92
    Cada um tem, o País, os politicos,os empresarios e banqueiros que merece...para grandes males grandes remedios...
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    Altos quadros do BCP participaram em esquema sem saber

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    Ministério Público diz que funcionários tiveram influência nos planos dos cinco administradores acusados de irregularidadesAltos quadros do Banco Comercial Português (BCP) participaram na execução do plano traçado pelos cinco administradores acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e manipulação de mercado.
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    Em relação ao antigo administrador Alípio Dias, o relatório final da Polícia Judiciária, que serve de base às acusações feitas pelo Ministério Público, considera que nada prova que tenha tido participação no plano gizado entre os antigos administradores que foram acusados, diz a agência Lusa.

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    BCP: decisão sobre coima da CMVM não é para já


    CMVM aplica maior multa de sempre ao BCP

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    Dado o período inicial da execução dos factos, este administrador não deteria, pelas funções que exercia, condições objectivas de controlar o processo de execução das operações financeiras, explicou fonte judicial.

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    As acções do BCP fecharam a valorizar 1,54 por cento para os 72,4 cêntimos.

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    in Agência Financeira - 2009/06/30 19:20Redacção / RPV

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    Mais informação sobre este tema:
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    Multa de 5 milhões: BCP está a analisar
    BCP: conselho de remunerações terá de reverter regalias
    Jardim Gonçalves ainda voa em avião pago pelo BCP
    BCP: administradores ganham 291 milhões em prémios
    BCP: ex-administradores com cauções de 7,5 milhões
    BCP: processo do supervisor na fase do contraditório
    BCP: Jardim Gonçalves rejeita acusação
    BCP: Cavaco diz que acusações provam importância de ética
    BCP: Berardo diz que «culpa não vai morrer solteira»
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    PCP liga confrontos da Bela Vista à crise



    Jerónimo de Sousa defende luta contra discriminações sociais

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    O secretário-geral do PCP considera que os confrontos no bairro da Bela Vista, em Setúbal, estão directamente ligados à crise económica e social que se vive no país.

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    «Podem mobilizar esquadrões de polícia inteiros que não resolvem o problema. Ninguém pense que resolvemos o problema de uma forma meramente repressiva. Primeiro tem que se resolver a situação económica e social e as discriminações sociais» disse aos jornalistas, no final de um almoço da CDU, em Matosinhos.

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    Para Jerónimo de Sousa, estes incidentes não são «um caso de polícia»: «Isto é um problema social de fundo, que resulta do agravamento da situação social e da indiferença que este Governo está a ter. É histórico que sempre que há crise social aumenta a violência e criminalidade.»

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    Em relação aos insultos e agressões a Vital Moreira no 1 de Maio, o secretário-geral do PCP pediu aos militantes «serenidade democrática» para «não cederem a provocações».

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    «Alerto para que não embarquem em provocações, há situações de conflito que devem ser evitadas», alertou.

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    «Basta pensar a quem serviram os incidentes do 1º de Maio, quem passou a ter assunto, dizendo Já tenho a minha Marinha Grande», recordou, usando as palavras do próprio Vital Moreira.

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    Questionado acerca da intenção do Governo de reduzir a quota de imigrantes, o líder comunista considerou esta «uma concepção inquietante em relação aos imigrantes».

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    «Oxalá os emigrantes portugueses não comam por tabela desta concepção em relação à imigração que começa a haver em certos sectores», comentou.
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    in IOL Portugal Diário - 09-05-2009 - 17:03h
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    Xenofobia e racismo na Europa e em Portugal

    PORTUGAL - 25/5/2009
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    RUPTURA/FER
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    Quem são os responsáveis pela crise econômica? É claro que são os governos e os capitalistas para quem os governantes prestam os seus serviços. Em Portugal, o PS de Sócrates e o PSD de Ferreira Leite, o bloco central. Mas, para "salvar a sua pele", governos e capitalistas elegem sempre os "bodes expiatórios de costume": os imigrantes. E para desviar a atenção dos verdadeiros problemas agravados pela crise - o desemprego, a pobreza, os baixos salários, a retirada de direitos, etc. - levantam o tema da violência, especialmente em ano eleitoral.

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    Isso explica as declarações de políticos de direita, como Paulo Portas, seguido por outros do PSD e PS, e as reportagens tendenciosas das TVs e de alguns jornais sobre a revolta dos jovens da Bela Vista, em Setúbal, contra a morte de um rapaz natural daquele bairro durante uma perseguição policial. Rapidamente, esses políticos e a imprensa tentaram transformar a juventude do bairro, submetida a uma taxa de desemprego superior a 20% e oprimida pela violência policial, num bando de delinquentes.

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    Na sociedade, várias vozes protestaram contra a forma violenta, racista e oportunista como o governo tratou o episódio do Bairro da Bela Vista, entre os quais o Bloco de Esquerda. No Parlamento, o deputado Francisco Louçã denunciou os discursos de ódio e de racismo e fez suas as palavras do bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro Reis, ao considerar que se devem proteger as populações que estão sequestradas pela pobreza e pela violência. Louçã propôs um programa de emergência que trouxesse "segurança, pão e emprego" para acabar com os guetos no país.

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    Redução das quotas de imigração

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    O oportunismo eleitoral também explica a anunciada redução de quotas de imigração pelo ministro Vieira da Silva, que justificou a medida em função da crise econômica. As quotas de imigração já são, por si, uma fórmula xenófoba e irrealista. Xenófoba porque impede estrangeiros de se estabelecerem em Portugal, uma postura ainda mais cínica quando se sabe que Portugal é um país de emigração; e irrealista porque não é cumprida, uma vez que os imigrantes não deixam de entrar no país por causa disso, transformando-se em "sem documentos" e sendo alvos de perseguições policiais e da exploração patronal.

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    Quando o governo Sócrates anuncia a redução das quotas sinaliza que vai endurecer a política de imigração - como já acontecendo no resto da Europa - para responsabilizar o imigrante pelo aumento do desemprego e ganhar votos nas próximas eleições.

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    Este endurecimento foi percebido no fechamento da brecha até então utilizada pelos imigrantes para legalizar-se, o artigo 88.º da discricionária Lei de Estrangeiros. Muitos imigrantes que procuram o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para requisitar, com base nesse artigo, o seu estatuto de residente, acabam por receber - numa total violação de princípios democráticos que salvaguardam a confidencialidade de dados (como o endereço) fornecidos na boa-fé de que não será utilizada para prejudicar quem os fornece - uma notificação de abandono voluntário do país. Isto é, a notificação que precede a expulsão.

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    Não à Europa da Vergonha

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    Para protestar contra as políticas de imigração dos governos europeus, como a Diretiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy, e reivindicar direitos e a regularização de todos imigrantes, serão realizadas no dia 17 de Maio iniciativas em vários países, como França, Itália, Luxemburgo, Hungria e Estado espanhol. Trata-se de uma iniciativa de uma ampla rede de organizações, "Pontes e não Muros", cujo manifesto, a ser enviado aos/às candidatos/as às eleições européias, poderá ser consultado e subscrito (pelas organizações) em www.despontspasdesmurs.org. Em Portugal, está convocada uma manifestação às 15 horas, no Martim Moniz, em Lisboa.

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    "O controle das fronteiras e a perseguição aos imigrantes "sem documentos", tornaram-se as palavras de ordem das políticas migratórias na União Européia", diz o manifesto "Pontes e não Muros". E prossegue: "O estrangeiro é um bode expiatório conveniente para atrair os votos dos partidos extremistas e fazer os votantes esquecerem as falhas das políticas econômicas e sociais. A UE adotou em 2008 a Diretiva do Retorno, que permite a detenção e a deportação dos requisitantes de asilo e dos "sem documentos", com períodos de detenção que podem ir até os 18 meses. O Conselho Europeu concluiu também um Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo que legitima um arsenal de medidas essencialmente de segurança. Focalizando-se na utilidade econômica dos migrantes, contorna a questão da regularização dos trabalhadores migrantes sem documentos."

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    Com a "diretiva da vergonha" os centros de detenção, verdadeiros campos de concentração para estrangeiros do Terceiro Mundo, cobrem a Europa. As revoltas registradas nos campos de Malta, Lampedusa, Turim, Tolouse e Paris desde o início do ano desmascaram a hipocrisia da UE, que gosta de pousar de defensora dos direitos humanos, mas que não se nega a desrespeitá-los dentro e fora de suas fronteiras.

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    O manifesto denuncia a legislação fascista, apresentada pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, recentemente aprovada pelo parlamento daquele país, que criminaliza a imigração, prevendo penas de prisão para quem arrendar casa a imigrantes sem documentos. Até as Nações Unidas e o Vaticano tiveram de reconhecer tratar-se de uma violação do direito internacional. A legislação chega a prever a criação de milícias populares que colaborem com a polícia na caça à imigrantes sem documentos e multas de até 10 mil euros a serem aplicadas a esses imigrantes.

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    Nota: artigo publicado no site da Ruptura/FER

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    LCI - La importancia del trabajo revolucionario entre las mujeres



    En esta sección de nuestro site, usted podrá encontrar textos importantes sobre la cuestión de la mujer y también conocer nuestras posiciones sobre los grandes temas que involucran la lucha de la mujer por su emancipación. Sus opiniones y sugestiones serán muy bienvenidas.

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    En todos los grandes movimientos revolucionarios de la historia, las mujeres siempre tuvieron una participación importante. La gran revolución rusa de octubre de 1917 comenzó con una huelga de las operarias textiles de Petrogrado. Una de las mayores jornadas internacionalistas que los trabajadores ya realizaban fue la lucha por el derecho de voto, que movilizó mujeres de varias partes del mundo, haciendo marchas, discursos en los actos públicos y sufriendo el peso de la represión. Las numerosas luchas por los derechos humanos que ocurrieron en todo el mundo, en diferentes épocas, siempre tuvieron a las mujeres en su primera columna.

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    Toda esta historia gloriosa, repleta de actos de coraje y determinación política, hoy prosigue en muchos países, pero la dirección política del movimiento está en las manos de la llamada Marcha Mundial de Mujeres, un aglomerado de ONGs y organizaciones reformistas, burguesas y socialdemócratas, que actúan básicamente bajo la bendición de la ONU. Una dirección que está asociada a los gobiernos de frente popular y que vota todas sus políticas contra los trabajadores. Con la recolonización de nuestros países por el imperialismo, cada vez más las mujeres sólo tienen como alternativa el trabajo precario, sin ningún derecho laboral, o en las maquilas, donde hay trabajo esclavo y las mujeres están muriendo. Las reformas de los gobiernos frentepopulistas, como Lula, eliminaron derechos históricos de las mujeres, como a licencia por maternidad y las guarderías en los lugares de trabajo.

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    La lucha por la legalización del aborto, para evitar que millares de mujeres mueran o queden con secuelas graves, es urgente, así como la lucha contra la violencia doméstica y la transformación de la mujer en objeto sexual, en esclava del hogar, en responsable por el trabajo doméstico, que la embrutece y la aparta de la producción social. Las mujeres hoy están más ilusionadas que nunca, pensando que los gobiernos socialdemócratas, al estilo del PT en Brasil, van a resolver sus problemas con las políticas asistencialistas. Es preciso alertar a las mujeres pobres y trabajadoras, de la ciudad y del campo, que el capitalismo, en ningún lugar del mundo, no tiene nada que ofrecerles. Recuperar el marxismo en la lucha de las mujeres en todo o mundo, recuperar la visión de clase de su opresión y explotación y, sobre todo, explicar pacientemente a las mujeres trabajadoras y pobres, de la ciudad y el campo, que sólo la revolución socialista podrá apuntar el camino para su emancipación, es necesario y urgente para intentar recuperar la militancia femenina, para replantear, en los marcos de la revolución socialista, todo el potencial revolucionario de la lucha por la liberación de las mujeres, la mitad más oprimida y explotada de la clase trabajadora mundial.

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    Como apuntó Lenin, sin la participación efectiva de las mujeres será imposible hacer la revolución socialista. Conscientes de esto, las direcciones reformistas y burguesas hacen todo lo posible para apartar a las mujeres trabajadoras y pobres de la lucha contra el capitalismo. Se esfuerzan al máximo para sacar el carácter político, el carácter de clase de la lucha de las mujeres, resaltando que es una "cuestión de género", que puede ser resuelta en el capitalismo. Al no apuntar como su enemigo principal al imperialismo y al capitalismo, la dirección mundial de las mujeres hoy trabaja conscientemente para substraer y debilitar las fuerzas revolucionarias. La visión de que la cuestión de la mujer es un "problema de género" es nefasta, porque lleva a las mujeres a una política reformista, policlasista y a confiar en el capitalismo.

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    Hoy, infelizmente, sólo los marxistas revolucionarios les decimos con claridad a las mujeres que su opresión está íntimamente ligada a la explotación capitalista, y que sólo la lucha contra la recolonización de nuestros países, la explotación de nuestras riquezas y de nuestra mano de obra podrá resolver su situación. Somos los únicos que mostramos claramente que la miseria, la degradación humana, la barbarie en que viven millones de mujeres en el mundo es la fuente mayor de su opresión, y que las mujeres trabajadoras tienen que luchar de forma independiente de las mujeres burguesas, tienen de llevar sus luchas al seno de la clase trabajadora por el socialismo.

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    Lo que más viene movilizando a las mujeres es la lucha contra los efectos del ALCA y los TLCs, y de la recolonización, que se traducen en desempleo, precarización, pérdida de derechos históricos. El desempleo masculino, la superexplotación de los hombres también es fuente de opresión para las mujeres. Eso las coloca al lado de los hombres de la clase trabajadora en la lucha contra el capitalismo y los planos de colonización del imperialismo.

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    Las experiencias del trabajo en el ámbito internacional muestran que existe un gran espacio para la agitación y la propaganda revolucionarias entre las mujeres. Muestran también que ellas demoran más para entrar en la lucha, por causa de la opresión, pero son sensibles a los ataques del capital y a los efectos de la barbarie, y cuando deciden luchar son aguerridas y decididas.

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    A partir de los años 80 hubo un aumento significativo de la participación de las mujeres en los sindicatos, en las huelgas. Este movimiento dejó claro la importancia de la creación de secretarías de la mujer en los sindicatos, como forma de aglutinar a las compañeras, hacer despuntar una vanguardia y formarse políticamente. Las secretarías también cumplen un papel fundamental en la sistematización del programa de reivindicaciones específicas de las mujeres para ser integrado al programa general de la clase trabajadora.

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    Obviamente, este proceso no se da de forma igual en todos los sindicatos y tampoco es un proceso tranquilo. Por el contrario, en general, choca contra el machismo que envenena a la clase trabajadora y que debe ser combatido sin tregua.

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    La intervención de la LIT en el sentido de incentivar la discusión y la militancia sobre la problemática de la opresión de la mujer tiene también el propósito de combatir las desviaciones machistas que puedan existir en nuestras filas. Hacemos nuestras las palabras de Lenin: "no se pode llamar revolucionario un militante que tenga preconceptos y actitudes machistas".

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    Cecília Toledo
    Comisión de Mujeres de la LIT-CI

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    El keynesianismo no es una salida para los trabajadores

    MUNDO - 12/4/2009


    ALICIA SAGRA
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    Cuando se cumplen, el 21 de abril, 63 años de su muerte, Lord J. M. Keynes vuelve a ocupar el centro de la escena. Desde que estalló la crisis mundial, se habla del keynesianismo de Obama y de que esa sería la orientación que se está imponiendo en Europa con las "nacionalizaciones". Analistas políticos se refieren al keynesianismo de los Kirchner y Chávez, que habla del socialismo del siglo XXI, se autodefine seguidor del lord inglés.

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    Y detrás de esas definiciones de Chávez se encolumna el amplio abanico de sus seguidores, desde los que como la dirección de la CTA (Centra de Trabajadores Argentinos) defienden la "redistribución de la renta", hasta los diferentes sectores que crean esperanzas alrededor de salidas burguesas como el ALBA, Petrosur, Banco del Sur, etc.

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    Los trabajadores y estudiantes que leen o escuchas esas posiciones, podrían llegar a pensar que hay dos capitalismos, uno muy malo y otro no tanto. El malo sería el neoliberalismo, el de las privatizaciones, el saqueo, las intervenciones militares, que nos llevó a la crisis. El otro sería el "keynesianismo", más de izquierda o más de derecha, pero con una mayor intervención del estado, con algunas "nacionalizaciones" y políticas de acción social.

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    Siguiendo esa línea de pensamiento, se podría creer que si esa corriente capitalista se impone,se podría a volver al "estado benefactor" de la posguerra y los trabajadores no saldríamos tan mal parados de la crisis. Nada más alejado de la verdad.

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    Cuáles fueron las propuestas de Keynes

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    Lord John Maynard Keynes nació en Cambridge, Inglaterra, en 1883 y murió en 1946. Saltó a la fama con sus propuestas para encarar la depresión de 1929. La profundidad y extensión de esa crisis, la peor que se hubiera conocida hasta ese momento, paralizó a los máximos dirigentes del capitalismo, mientras que los obreros resistían, pero con las limitaciones que les imponían sus direcciones socialistas reformistas y estalinistas.

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    En ese marco, Keynes hizo sus propuestas para enfrentar a la crisis y sus consecuencias sociales. No había que quedarse esperando a que cambiara el ciclo. El estado tenía que intervenir haciendo grandes inversiones, que alentasen a la inversión privada y generara trabajo. Es decir había que, como se dice hoy en día, calentar la economía, sin tenerle miedo a la inflación.

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    Ni una gota de "progresismo"

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    A pesar de lo que nos quieren hacer creer muchos de sus actuales seguidores de "izquierda", Keynes no tenía nada de "progresista". Nunca defendió nada que se aproximara a una "redistribución de la riqueza", aumentos de salarios, ni nada parecido.

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    Por el contrario, sus políticas para sacar al capitalismo de la depresión, tenían un alto componente antiobrero. Nada lo muestra más que su posición frente a la inflación. Opinaba que la inflación, así como la deflación1 eran injustas, pero prefría la inflación ya que ésta reportaba importantes ventajas para los empresarios. Por un lado porque como la mayoría de ellos tienen deudas, éstas se achican, pero centralmente por el efecto sobre los salarios. Con la inflación, éstos pueden mantener su valor nominal, pero bajando su valor real lo que favorece a los empresarios.

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    Afirmaba: «Si bien los trabajadores, suelen resistirse a una reducción de su salario nominal, no acostumbran abandonar el trabajo cuando suben los precios de las mercancías para asalariados. Se dice algunas veces que sería ilógico por parte de la mano de obra resistir a una rebaja del salario nominal y no a otra del salario real. Por razones que damos más adelante y afortunadamente como veremos después, aunque esto sea lógico o ilógico, es la conducta real de los obreros»2

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    Las direcciones reformistas de su época, asumieron sus propuestas y lo invitaron a ingresar al partido laborista. Pero él, que no tenía ninguna duda de cuál era su ubicación de clase, se negócategóricamente "en primer lugar, porque es un partido de clase, y de una clase que no es la mía. Si yo he de defender intereses parciales, defenderé los míos. Cuando llegue la lucha de clases como tal, mi patriotismo como tal, mi patriotismo local y mi patriotismo personal, estarán con mis afines. Yo puedo estar influido por lo que estimo que es justicia y buen sentido; pero la lucha de clases me encontrará del lado de la burguesía educada."3

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    A pesar de esa claridad, hoy dirigentes obreros e intelectuales de izquierda, siguen defendiendosus propuestas como progresivas para los trabajadores. Para hacerlo, no sólo ignoran las verdaderas posiciones de Keynes, sino que falsean la historia, dando a entender que de la depresión de 1929 y 30 se salió aplicando políticas keynesianas que llevaron a al boom económicos de la posguerra y a los estados de bienestar social. Cosa que no tiene nada que ver con la realidad.

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    El boom económico de la posguerra y el "estado de bienestar social"

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    Todas las crisis capitalistas son sobreproducción. Por eso, no hay ninguna salida capitalista que no pase por la destrucción de capital, lo que implica desempleo masivo, hambre, enfermedades. Así se salió de la crisis del 29. Se calcula que en 1932 había 13 millones de desocupados en EEUU.

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    Después de esa brutal destrucción de fuerzas productivas, se presentaban mejores condiciones para salir de la crisis. Fue entonces, en 1933, cuando asumió Roosvelt y aplicó su famoso New Deal4, basado en la propuesta de Keynes de intervención estatal. Su política consistió en: ayuda a los bancos, subvención a los agricultores, aumento de salarios y reducción de horas de trabajo, creación de nuevos puestos de trabajo en la administración pública y en obras públicas.

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    Pero todo después de que se habían destruido inmensa cantidad de puestos de trabajo, de que el salario había llegado a un mínimo insostenible y que los agricultores estaban en la máxima miseria.

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    Esa política no dio resultados ni en EE.UU, ni en el mundo y el resultado fue la Segunda GuerraMundial (1939-1945). Con esa terrible pérdida de vidas humanas y recursos naturales, se completó la destrucción que el capitalismo necesitaba para salir dela crisis.

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    De ahí surgió el imperialismo yanqui como hegemónico y se crearon una serie de instituciones internacionales con el objetivo de garantizar el orden mundial y tratar de evitar que se pudiera volver a una situación como la de 1929. Así surgió la Organización de Naciones Unidas (ONU), el Fondo Monetario Internacional (FMI), el Banco Mundial (BM) y el GATT (Acuerdo general sobre comercio y aranceles) que se convertiría en 1995 en la Organización Mundial de Comercio (OMC).

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    Después de la guerra se impusieron las políticas de corte keynesiano. Hubo una gran inversión de EEUU para reconstruir Europa (el Plan Marshall), pero esa reconstrucción y el boom económico que le siguió, tuvo más una explicación política que económica. Cuando finalizó la guerra hubo tres importantes países (Francia, Italia y Grecia) donde estuvieron todas las posibilidades para que los trabajadores tomaran el poder.

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    En esos países, los estados capitalistas estaban destruidos, las únicas organizaciones armadas era los movimientos de resistencia (los maquís y los partisanos), con gran influencia de los partidos comunistas. Estos movimientos compuestos centralmente por obreros y campesinos pobres se negaban a desarmarse. Pero al final lo hicieron siguiendo las instrucciones que venían desde la burocracia de la URSS: había que entregar las armas y encarar la reconstrucción nacional, es decir la reconstrucción del estado burgués.

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    Pero no les fue fácil conseguir eso, para lograrlo la burguesía europea tuvo que hacer gran cantidad de concesiones, así fueron surgiendo los llamados "estados de bienestar". No fueron producto de los postulados de Keynes, sino que fue lo que la burguesía tuvo que dar para evitar que los trabajadores tomasen el poder. Durante este período mejoró mucho el nivel de vida de la clase obrera y las clases medidas de los países imperialistas. En menor medida, eso también se dio en algunas de la semicolonias más ricas, Argentina, Chile, Brasil.

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    Hasta que a mediados de los años 70, de la mano de otro economista, el estadounidense Milton Friedman (1912-2006), de la Escuela de Economía de Chicago, surge el llamado neoliberalismo, que comenzó a instrumentar su políticas en Chile, Argentina e Inglaterra y que a partir del Consenso de Washington, en 1989, se impone en todo el mundo con su disciplina fiscal, desregulaciones laborales, apertura económica y privatizaciones.

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    La única salida positiva a la crisis pasa por el poder obrero

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    Lo más negativo de esta defensa, más o menos directa, que hacen dirigentes obreros y de izquierda, de esas salidas keynesianas o neo keynesianas al estilo chavista, es que crean expectativas en salidas por dentro del sistema capitalista. Y esa es una utopía reaccionaria.

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    Esta terrible crisis mundial es una confirmación de que el capitalismo, como sistema, no puede responder a las necesidades de la humanidad. Y todos ellos, neoliberales o neokeynesianos coinciden en volcar la crisis sobre las espaldas de los trabajadores. Tenemos que resistir por todos los medios, tenemos que impulsar la máxima unidad de acción para luchar contra el desempleo, por la reducción de la jornada sin reducción salarial, por la nacionalización bajo control obrero de toda empresa que cierre o despida, por aumento de salarios, por el no pago de la deuda.

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    Cuando más unitaria y fuerte sea nuestra lucha, más podremos conseguir. Pero tenemos que ser conscientes, que no podremos imponer ninguna de las medidas de fondo si no acabamos con el sistema capitalista e imponemos un gobierno obrero y popular que rompa con el capitalismo y el imperialismo.

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    Es una tarea muy difícil, pero esa es la única posibilidad de dar una salida obrera a la crisis. Aprovechemos este período para avanzar en la construcción de la dirección revolucionaria que haga posible cumplir con ese objetivo.

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    Notas

    1 Lo opuesto a la inflación: disminución progresiva de los precios.

    2 Teoría General de la ocupación, el interés y el dinero, Fondo de Cultura Económica Editores, México D.F., 1965, p. 20.

    3 Essays in Prophecy and Persuasion, selección de textos que Keynes escribió en los años 20 y

    principios de los 30.

    4 Nuevo trato, nombre del programa que aplicó ese presidente estadounidense.

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    Avante!: Irã acusa imperialistas de ingerência


    O Conselho dos Guardiões rejeitou anular as presidenciais iranianas das quais resultou a reeleição do atual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com quase dois terços dos votos, contra pouco mais de um terço do seu principal opositor, Mir-Hossein Mousavi.

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    De acordo com informações fornecidas pela máxima autoridade constitucional iraniana, as irregularidades registadas no sufrágio do passado dia 12 não são suficientes para anular a consulta em que participaram mais de 40 milhões de pessoas.

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    Apesar de em 50 dos mais de 360 distritos eleitorais iranianos terem sido registados mais votos que votantes, num total de aproximadamente três milhões, o Conselho sublinha que o resultado não se altera a favor de Mousavi, uma vez que este foi derrotado nas urnas por mais de 11 milhões de votos de diferença, explica.

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    Acresce que a maioria das queixas da oposição refere-se a alegadas irregularidades anteriores à realização da consulta, diz ainda o Conselho.

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    Simultaneamente, continuam nas ruas do Irã os confrontos envolvendo as autoridades, partidários de Mousavi e apoiantes de Ahmadinejad. Apenas estes últimos acatam a proibição dos protestos decretada pelo governo para evitar tumultos.

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    Segundo dados oficiais divulgados pela imprensa iraniana, citados pela Prensa Latina, em mais de uma semana de crise política morreram 19 pessoas, mil foram feridas, entre as quais 400 polícias, e 457 foram presas.

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    O governo iraniano diz que os detidos são agitadores a serviço de potências estrangeiras e, face à colossal mobilização de meios contra o regime (milhões de dólares investidos pela CIA, manipulação de informação, instrumentalização de plataformas de comunicação para difundir uma situação de aparente caos e mobilizar setores da população com base em boatos), acusa o imperialismo de ingerência nos assuntos internos do país.

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    EUA, Alemanha, França e Reino Unido estão apostados numa campanha para derrubar o governo do Irã, que depois de convocar vários embaixadores estrangeiros acreditados em Teerã para os esclarecer sobre a situação, equaciona rever as relações com as três potências europeias.

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    Jornal Avante!
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    in Vermelho - 24 DE JUNHO DE 2009 - 16h49
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    Las movilizaciones jaquean la dictadura de los ayatolás


    Edicion 27/6/2009




    Josfe Weil, de la revista Marxismo Vivo,

    y Jeferson Choma, de la redacción de Opinião Socialista (PSTU)

    En las últimas semanas, Irán ha sido sacudido por movilizaciones de masas debido a denuncias de fraudes electorales. La rebelión popular comenzó cuando, en las últimas elecciones presidenciales, la agencia iraní de noticias proclamó vencedor al actual presidente Mahmoud Ahmadinejad, con 63% de los votos, contra sólo 33% de su principal opositor, Mir-Hossein Moussavi. A pesar de enfrentar una dura represión, las movilizaciones pusieron en jaque al reaccionario régimen de la república teocrática, controlada por el clero chiita.

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    Irán se ve sacudido por una rebelión popular que exige libertades democráticas y es reprimida con gran brutalidad por el gobierno. Algunas escenas de la brutal represión recorrieron el mundo. Se estima que, al menos, 20 personas han muerto, como el caso más conocido de la joven Neda, asesinada brutalmente con un tiro en el pecho.

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    Un régimen reaccionario

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    Consolidado en base a una sangrienta represión (vea artículo a continuación), el régimen islámico incorporó la mayor parte de las fracciones burguesas existentes en el país. Bajo la dictadura de los ayatolás, la renta petrolera iraní [principal fuente de ingresos del país] fue la base para un amplio proceso de enriquecimiento y corrupción de distintas alas de la jerarquía religiosa, sus familiares y burgueses asociados al régimen. Algo semejante al proceso que ocurrió en otros países petroleros, como Arabia Saudita y Venezuela.

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    Uno de los hombres más ricos y poderosos de Irán es justamente el ayatolá "opositor" Allí Akbar Hashemi Rafsanyani, ex brazo derecho del líder de la revolución, el ayatolá Jomeini. Actualmente, Rafsanyani es líder de la Asamblea de los Especialistas, grupo de clérigos responsable por elegir, supervisar e incluso substituir el líder supremo del país.

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    La disputa por la renta petrolera es lo que explica las diferentes alas del régimen iraní y las transformaciones políticas de muchos de sus líderes. Sin embargo, con el pasar de los años, la batalla interna entre las fracciones burguesas de Irán fue aumentando. La crisis económica provocó todavía más la disputa entre las fracciones.

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    El descontento de masas, aunque prohibido de expresarse libremente (en partidos políticos, sindicatos y prensa libres), siguió manifestándose en forma distorsionada por dentro del régimen. Como todo el proceso político era concentrado dentro de las instituciones de la república islámica, aparecieron alas que buscaban dar algún margen de expresión que desahogase la presión interna.

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    Parte de ese proceso fue el periodo de las "reformas" del ex presidente Muhammad Jatamí, entre 1999 y 2005, cuando una parcela de la juventud estudiantil se movilizó para presionar por una "apertura" en el régimen. Jatamí era más propenso a reformas en el régimen, para protegerlo, dando algunas concesiones democráticas. Sin embargo, ninguna de las reformas fue implementada efectivamente. Por lo contrario, habían sido vetadas por los ayatolás y Jatamí acabó por aceptar el veto.

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    La evolución política de Rafsanyani también es un ejemplo de esa disputa entre las fracciones. Después de la revolución de 1979, él fue el primer presidente del Parlamento, desde 1980 a 1989. Fue justamente durante su mandato cuando la totalidad de partidos y organizaciones políticas, sindicatos, organizaciones feministas, etc., fueron perseguidos y sus miembros presos, torturados y ejecutados. Posteriormente presidió Irán por dos mandatos, hasta 1997.

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    Hoy, apoya una nueva aproximación del régimen con el imperialismo europeo y norteamericano. Durante la reciente campaña electoral, Rafsanyani respondió los ataques del actual presidente Ahmadinejad, que lo llamó "corrupto", y fue el articulador de la cadidatuyra opositora de Mir Hussein Moussavi.

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    En las elecciones de 2005, Ahmadinejad, ex alcade de Teherán, con una retórica populista, derrotó a Rafsanyani, que era apoyado por Jatamí. Ahmadinejad representa el sector más ligado al ayatolá Alí Jamenei, autoridad suprema religioso-política de Irán, y a los clérigos considerados "conservadores" que quieren negociar con el imperialismo en mejores condiciones. Las protestas actuales sólo evidenciaron todavía más esa división entre políticos tradicionales de la República islámica.

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    Un juego de barajas marcadas

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    Todo el proceso electoral es controlado por las instituciones islámicas que definen y autorizan quiénes van a poder presentarse o no como candidato. No se permiten las candidaturas independientes, de mujeres y, mucho menos, de izquierda. En realidad, las elecciones son un "juego de barajas marcadas", cuyas reglas y candidaturas son dictadas por el Consejo de los ayatolás. El resultado final es que sólo se participan y compiten los representantes de las más influyentes fracciones burguesas en disputa e integrantes de la jerarquía religiosa.

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    El candidato "opositor" Moussavi también es un hombre del régimen apoyado por dos ex presidentes (Rafsanyani y Jatamí). Moussavi fue primer ministro entre 1981 y 1989 y también persiguió miles de opositores. Ni en las elecciones ni en las manifestaciones, Moussavi y Rafsanyani hicieron algún tipo de oposición o critica a la dictadura de los ayatolás.

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    Y no podrían hacer algo diferente, pues ambos son parte orgánica del régimen teocrático y juran fidelidad a la el República islámica. Su diferencia es solamente con el gobierno. Por ello, tienen miedo que el régimen desmorone. Moussavi también era el candidato preferido por el imperialismo europeo, en particular de los gobiernos de Francia, Inglaterra e Italia.

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    La crisis económica y las elecciones

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    A pesar de que Moussavi hizo sólo algunas tímidas promesas democráticas, la juventud y los trabajadores urbanos, que buscan mayores libertades democráticas, utilizaron su candidatura para expresar su descontento con el régimen y con los efectos en Irán de la crisis económica.

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    La crisis y la consecuente caída abrupta del precio del petróleo sólo aumentaron una ya creciente insatisfacción. Los tiempos de crecimiento económico, gracias al alza de precios del petróleo sólo aplazaron los problemas en la economía y en el régimen. En ese periodo, Ahmadinejad siguió gobernando con mano de hierro y relativa calma. El presidente iraní incluso aplicó un plan económico neoliberal que privatizó un 80% de las empresas estatales (como los bancos, astilleros y líneas aéreas) y acabó generando una inflación de 34% anual. Actualmente, el desempleo alcanza a 12.000.000 de iraníes. Y un 25% de la población vive abajo de la línea de la pobreza, según el ministro iraní de Bienestar Social.

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    El descontento generado por la falta de libertad y la crisis económica fueron catalizados por las denuncias de fraudes en las elecciones. El fraude hizo que explotasen movilizaciones por libertades democráticas en las calles de Teherán. El propio Consejo de los Guardianes de la Revolución (defensores de Ahmadinejad) fue obligado a reconocer que hubo "algún tipo" de fraude.

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    Trabajadores urbanos, jóvenes y mujeres, que aspiran a libertades democráticas siempre negadas por el régimen teocrático, salieron las calles en rebelión contra la manipulación y el fraude. Se trata de un movimiento espontáneo de ciudadanos iraníes que Moussavi trata de dirigir. El movimiento viene enfrentando a las milicias armadas de los Basij, formadas por un lumpen-proletariado que defienden a balazos a la oligarquía teocrática.

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    Muchos discuten si el fraude podría, de hecho, alterar el resultado en pro de Ahmadinejad. El problema es que, en Irán, no existen libertades democráticas ni de organización libre de partidos. Todo el proceso es decidido por las instituciones de los ayatolás, es decir, la manipulación es una regla del juego.

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    Pero a pesar de la dura represión, los manifestantes ponen al régimen en jaque y amenazan a la dictadura de los ayatolás, independiente de los objetivos del grupo representado hoy por Moussavi.

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    En ese sentido, la revuelta iraní puede ser comparada la llamada "revolución naranja" en Ucrania capitalista. En 2004, el presidente ucraniano Leonid Kuchma, totalmente desacreditado, intentó perpetuarse en el poder con un proceso electoral fraudulento. Pero se lo impidieron las masas en las calles. Para garantizar la continuidad de la dominación burguesa, la dirección del proceso fue asumida por alguien salido del propio gobierno: Viktor Yuschenko, primer ministro, en 2001. Las masas impidieron el fraude y Yuschenko tomó posesión como presidente. Su gobierno abrió las puertas del país al imperialismo, frustrando la intención del pueblo que, dos años después volvió a la calle, enfrentando al gobierno y abriendo una nueva crisis política.

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    El papel del imperialismo

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    Ante las movilizaciones de masas contra el fraude, los gobiernos del imperialismo europeo se apresuraron en salir con una hipócrita defensa de la "democracia", denunciando la represión del gobierno iraní.

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    El tono más cauteloso de Barack Obama tiene que ver con su política de buscar una colaboración con Irán (incluso bajo la presidencia de Ahmadinejad) para resolver los conflictos que tiene en Irak y Afganistán. En cambio, los gobiernos de Europa, más próximos de Moussavi, se apresuraron a denunciar el fraude electoral. Posteriormente, Obama pasó a declarar que "era necesito respetar las libertades".

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    Pero mientras esos señores hablan de "libertad" para el pueblo iraní, sustentan dictaduras que reprimen a sangre y fuego a sus pueblos, como el gobierno de Egipto y la monarquía saudí. Esto, sin olvidar el apoyo del imperialismo al Estado nazi-sionista de Israel, que asesina impunemente a los palestinos. En realidad, el imperialismo busca aprovecharse de la insatisfacción para aparecer como referencia política para las masas, estimulando lideratos "más fiables".

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    La defensa de las libertades democráticas no puede quedar en las manos del imperialismo
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    Defendemos el derecho de los trabajadores de manifestarse por las libertades democráticas en Irán. El régimen teocrático de los ayatolás es una dictadura que reprime a los trabajadores, a las mujeres y a los opositores. Por ello, estamos del lado de las masas que exigen sus derechos democráticos, al mismo tiempo que denunciamos a su dirección política pro-imperialista representada por Moussavi.

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    Una parte significativa de la izquierda, particularmente la ligada a los partidos estalinistas, defienden el gobierno de Ahmadinejad, clasificando las protestas como una "conspiración de la CIA".
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    De esa forma, acaban defendiendo la sangrienta represión del gobierno iraní sobre las masas, alegando que reprime el pueblo para defenderse del imperialismo. Sin embargo, esos sectores de la izquierda acaban prestando una valiosa ayuda al imperialismo, pues echan en sus manos la bandera de la defensa de las libertades democráticas. Eso es todavía más nefasto cuando el imperialismo presenta un nuevo rostro para su dominación, el de Barack Obama, visto con más simpatía por sectores oprimidos de la población.

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    La bandera de las libertades democráticas debe estar en las manos de organizaciones de los trabajadores. Contra la dictadura de los ayatolás defendemos las más amplias libertades: libertad de prensa, elecciones libres, Asamblea Constituyente y laica, por el derecho a organizar sindicatos libres, y por el fin de todas las instituciones estatales teocráticas. Si los trabajadores y la izquierda mundial no abrazan la bandera de las libertades democráticas en Irán, serán sectores de la burguesía y del imperialismo quienes acaban ganando el respaldo de las masas. Para avanzar en esa lucha, hay que construir un partido obrero que ofrezca una alternativa de los trabajadores, independiente del régimen, de Moussavi y del imperialismo.

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