Pudor religioso
No limiar da utopia. Longe da anarquia mansa que nos tolhe.
1. Analisado o relatório da execução orçamental até Abril do corrente ano, há um número que salta à vista - a redução da despesa corrente, incluindo juros, em 1,2%, relativamente ao mesmo período de 2009.

Aguardo ansiosamente o anúncio do Governo sobre a construção da quarta travessia sobre o Tejo...
As crises trazem muitas vezes oportunidades e desafios e podem constituir momentos de racionalização e reestruturação de organizações e instituições.1.A frase em título foi título de 1ª página da edição de ontem do Público, que dedicou várias páginas, de leitura interessante refira-se, ao problema central que a economia nacional enfrenta: o excessivo endividamento, em especial ao exterior, que ano após ano se vai acumulando numa sucessão aparentemente indefinida...
Decidi dar um passeio pela comunicação social espanhola da última semana.
O motivo era o TGV, já que Espanha tem um plano muito ambicioso para a alta velocidade: criar uma rede com 10.000 Km até 2020 (em Espanha o TGV designa-se por AVE que quer dizer Alta Velocidade Espanhola).
Sucede que por lá a crise também obrigou a muitos cortes e vários adiamentos.
À medida que fui avançando nas pesquisas e nas leituras, encontrei algumas notícias que muito nos podem interessar.
A norte, no País Basco, as notícias da crise provocaram a reacção do Parlamento Basco já que estarão em causa as ligações de alta velocidade a Bilbao e Santander.
Um pouco a sul, na Cantábria, a bronca estalou devido a já anunciada paralização das obras em Palência.
As ligações da alta velocidade à Galiza previstas para 2015 não podem continuar a ser garantidas segundo fontes do próprio Ministério do Fomento.
Pelas bandas de Castilla Y Léon, Burgos vai ser afectada com a atraso na construção da alta velocidade.
No extremo oposto da Península o sonho da província de Almeria em ter alta velocidade também vai ter que esperar.
Ali ao lado, pelas bandas de Valência os protestos já se fazem ouvir.
E para os que queriam a alta velocidade em Múrcia a data de 2012 já se tornou uma miragem.
E em plena Andaluzia, Granada vai ficar à espera do comboio.
A ligação de Sevilha a Cadiz deixou de ser uma certeza imediata.
Nem a Catalunha escapa com o adiamento da ligação a Tarragona.
E em Badajoz, o Presidente da Câmara já fala num atraso de pelo menos três anos.
Por toda a Espanha sucedem-se os adiamentos dos projectos de alta velocidade, na maior parte dos casos sem nova data marcada.
Mas em Portugal não há dúvidas sobre as prioridades de Espanha!
Cabe então perguntar, porque é que teve que ser o governo português a garantir que, do lado espanhol, se mantêm os prazos de construção do TGV Madrid-Lisboa ?
Marcelo Rebelo de Sousa regressou aos serões de Domingo. Regressou hoje ao comentário político na TVI, num formato algo idêntico ao formato da RTP1, com algumas novidades em termos de conteúdos, num ambiente diferente, talvez mais mediático. Apanhou-me de surpresa!
Alguém me sabe explicar como é que vão funcionar efectivamente as taxas adicionais do IRS do plano de austeridade?
1. Em entrevista reveladora de uma serena mas aguda análise da realidade nacional, editada há 3 dias, o PM afirmou que as medidas de austeridade agora anunciadas tinham como justificação, não única mas primordial, “ajudar o Euro”.
Foi hoje divulgado o estudo “Violência e armas ligeiras, um retrato português” realizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra que vem mostrar que existem em Portugal 2,6 milhões de armas de fogo - sem contar com as que pertencem a forças de segurança e militares - das quais 1,2 milhões são ilegais. Resulta uma média de uma arma por cada quatro habitantes, mais do dobro que na média dos países desenvolvidos. Se retirarmos as crianças e as pessoas idosas chegamos a números ainda mais impressionantes.
Aí estão os novos "Certificados de Aforro". Foram baptizados de "Certificados do Tesouro" e destinam-se a captar a poupança das famílias.

1. Divulgados hoje os dados da dívida pública directa do Estado para o final de Abril - outras dívidas públicas ficam por contabilizar - constata-se o seguinte:
... E nestes dias o extraordinário aconteceu!...
1. A edição de ontem do Público conferiu grande destaque à comparação entre as crises financeiras de 1983/4 e de 2010, transmitindo de certo modo ao leitor a ideia de que nos encontramos hoje numa situação muito semelhante à daquele remoto ano em que era Primeiro-Ministro o Dr. Mário Soares.
Há muitos anos, não me lembro quantos, li uma crónica de António Barreto sobre os jacarandás e as suas belas flores. Um verdadeiro hino à beleza. Um apaixonado. Foi tão brilhante que eu, um perfeito ignorante nestas matérias, acabei por saber o que era um jaracandá e olhá-lo com outros olhos. São árvores muito bonitas. Hoje, numa pequena carta do leitor, Barreto não esqueceu os seus jacarandás. Já floriram! A sua paixão por tão belas flores é contagiosa. E eu também comecei a procurá-las...
Na obra que rapidamente se tornou a grande referência da história financeira mundial - "This Time is Different", Princeton University Press, 2008 - os Profs. Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart mostram, com recurso a uma impressionante bases de dados, que as crises com origem no sistema bancário têm como consequência ineludível o aumento muito significativo do grau de endividamento do estado, uma vez que: (i) esta tipologia de crise costuma provocar recessões económicas pronunciadas, o que tende a fazer cair as receitas fiscais e a aumentar as despesas de carácter social; (ii) a importância sistémica dos bancos na economia faz com que, na prática, os governos tendam a suportar as instituições financeiras mais fragilizadas através de injecções de capital nos mesmos.
Fui ontem assistir ao concerto inaugural dos seis órgãos da Real Basílica de Mafra, depois do restauro físico e acústico que decorreu ao longo da última década. Trata-se de um conjunto organológico único no mundo, concebido e construído para o mesmo espaço. Os órgãos datam do período de regência de D. João VI e foram construídos e inaugurados entre 1806 e 1807. A primeira invasão francesa e o exílio da família real no Brasil interromperam a actividade musical na Basílica. Depois de “calados” durante dois séculos, escutar a memória de cada um e ouvi-los “cantar” em conjunto teve um significado especial.