Eu: "Estás a tratar do meu caso, certo?"
Ela: "Claro, mas preciso que me expliques algumas coisas."
Eu: "Não me peças para te explicar o que nunca teve explicação."
Ela: "Talvez porque continue na dúvida."
Eu: "Isso não sei."
Ela: "Podias tentar viver um bocadinho fora de ti"
Eu: "Eu tenho níveis baixos de serotonina no sistema nervoso central."
Ela: "Não sejas parvo!"
Eu: "A culpa não é minha, que posso eu fazer?"
Ela: "O que tem a serotonina a ver com alguma coisa?"
Eu: "Não sabes que eu te dou tudo o que posso?"
Ela: "És um triste!"
Eu: "Pois sou. Eu até gostava de ser um traste, mas sou só um triste!"
Ela: "Bom, eu vou ver o que posso fazer."
Eu: "Tu és a rainha, eu sou apenas um peão."
Ela: "Sim sim!!"
Eu: "Espera... fica"
Ela: "Para quê?"
Eu: "Para que o tempo se arraste um pouco mais"
Ela: "Monotonia..."
Eu: "Não... Repulsa."
Eu: "Bonança, hoje?"
Ela: "Imaginarás que é uma possibilidade remota."
Eu: "Esta noite sonhei contigo. Estavas sentada no sofá com as pernas cruzadas,
com fotografias minhas na mão, que ias rasgando uma a uma. Depois levantaste-te,
calçaste os sapatos vermelhos... olhaste para trás onde eu estava já quase
na totalidade transformado em cinza e saíste para o vazio."
Ela: "A cores?"
Eu: "Hum?"
Ela: "Se o sonho foi a cores?"
Eu: "Claro que não!"