Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Preços dos combustíveis em Portugal são superiores aos da UE, diz Eugénio Rosa


Está-se a verificar em Portugal de novo uma escalada dos preços dos combustíveis. A justificação dada pelas petrolíferas, como é habitual, é o aumento do preço do barril do petróleo no mercado internacional. Mas se desagregarmos os aumentos concluímos que essa escalada está a ser determinada muito pela subida dos preços que revertem integralmente para as empresas, ou seja, dos preços sem impostos, que tem sido muito superior aos aumentos médios registados na UE. (...)

O facto de os preços sem impostos dos combustíveis em Portugal serem superiores aos preços médios da União Europeia determina um custo extra para os consumidores portugueses, e um lucro extraordinário para as petrolíferas. Essa diferença (preços sem impostos em Portugal serem superiores ao preços médios da UE), na dimensão referida, deverá custar este ano aos consumidores portugueses mais 210,7 milhões de euros, o que significará um lucro extraordinário de igual montante para as empresas. E a situação actual deverá ser já mais gravosa para os consumidores portugueses de que a revelada pelos dados anteriores da Direcção Geral da Energia, pois a escalada dos preços a nível do consumidor continuou depois de Abril de 2009. Entre Abril de 2009, último mês em que aquela Direcção disponibilizou dados, e Junho de 2009,o preço de venda ao público da gasolina 95 subiu de 1,192€/litro para 1,343€/litro (+12,7%) e do gasóleo aumentou de 0,971 €/litro para 1,06€/litro (+9,2%).

Frase de fim-de-semana, por Jorge




Temos todos força bastante para poder com os males dos outros


La Rochefoucauld ("Réfléxions morales," 1665)

Homenagem a um Professor a propósito de um seu livro

Tal como já aqui referira no passado dia 21, realizou-se a apresentação de um livro de meu pai no Instituto Superior Técnico.
O que direi de seguida, é longo, mas devia fazê-lo assim.
Em sessão presidida pelo Professor Matos Ferreira, presidente cessante do Conselho Directivo do IST, meu colega desde o liceu e depois nesta escola, usaram da palavra o Professor Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática e o Professor jubilado JaimeCampos Ferreira, responsável do que viria a ser o departamento de Matemática, e eu próprio, agradecendo em nome da família.
Estiveram presentes o Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago e o Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, João Sentieiro, antigos colegas seus como o Professor Lopes da Silva, ex-Reitor da Universidade Técnica e colaboradores da IST-Press. Camaradas seus do PCP como Carlos Carvalhas e Domingos Abrantes mas também outros e familiares.
Nuno Crato referiu-se, citando o profesor Jorge Buescu, à importância da consulta pelos estudantes de manuais, não se limitando a estudar por apontamentos das aulas que são muitas vezes portadores de imprecisões, resultantes de "ruídos" de circunstâncias e lapsos de alunos e professores. E disse que quem não lê tais manuais corre o risco de um analfabetismo específico. Indicou um conjunto de características que um bom manual deve ter, para além de dever ser mais uma ajuda ao aluno que um exercício de eloquência do professor. E referiu que tal citação não tinha sido feita para esta obra mas até parecia que o tivesse sido por estarmos diante de um bom manual de Matemática.

Campos Ferreira deu conta de três episódios que o marcaram no conhecimento do autor, por quem nutriu admiração pela entrega a um ideal generoso e altruísta que lhe trouxe sacrifícios e lhe impediu a carreira científica.
O primeiro quando o autor se candidatou no início dos anos 60 a assistente da Faculdade de Ciências de Lisboa, sendo o candidato mais classificado, e que apesar de ter passado dois meses a dar aulas viu o seu contrato não ser assinado por imposição da PIDE. Os outros dois assistentes, João Santos Guerreiro e ele, Campos Ferreira ficaram revoltados e informaram António H. S. Abreu do facto, ficando surpreendidos com a atitude dele, que disse já o esperar, para se não preocuparem, como se os estivesse a consolar.
Noutro caso, no final dos anos 60 voltou a candidatar-se agora no Técnico, junto de Campos Ferreira, que então estava lá, e que receou o resultado, apesar de ser o candidato mais bem colocado para o lugar. Como Abreu insistisse para prosseguir com o processo, foi ter com o director do IST, Fraústo da Silva, que, junto do então ministro Veiga Simão, conseguiu a assinatura do contrato sem, aparentemente, isso ter passado pelas mãos da PIDE/DGS.
O último episódio ocorreu na tarde de 25 de Abril de 1974, quando o Conselho Esccolar ia reunir e a sala foi ocupada por estudantes. O professor António Abreu saltou para cima da mesa do Conselho Escolar e do que disse, Campo Ferreira reteve "É preciso manter a cabeça fria". E, de facto, não houve problemas de maior, mas viu na sua cara afogueada que, ele próprio, talvez não conseguisse cumprir o que então recomendava aos estudantes...
Campos Ferreira só na lombada deste livro veio a saber do número de prisões que António Abreu tinha sofrido, de que tinha casado na Cadeia de Caxias e de que não recebera o prémio Mira Fernandes, atribuído ao melhor aluno de Matemática, à escala nacional, por não ser filiado na Mocidade Portuguesa.
Na altura, tive a oportunidade de agradecer, em nome da família, começando por referir que o autor das "Funções de Variável Complexa-Teoria e Aplicações", teve, para além da família e dos amigos, duas grandes paixões: a Matemática e a luta política. Da Matemática interromperam-lhe a docência por razões políticas.
Atendendo à família, ao PCP não pôde dar tudo quanto gostaria de dar e, também por isso, os seus filhos e família o prolongaram nessa entrega, honrando a sua memória e a da sua mulher.
Ainda eu estava aqui a terminar o meu curso, antes do 25 de Abril, com ele há pouco regressado à escola, quando desempenhou papel interessante em duas grandes lutas que, enquanto estudantes aqui travámos. Em ambos os casos beneficiámos de vitórias conseguidas de uma
inquebrantável unidade dos estudantes mas também do apoio ou simpatia de parte significativa do corpo docente, que ele integrava, e que acabava por ter reflexos no Conselho Escolar.
E foi em nossa casa, não longe daqui, que se concluíram negociações tripartidas entre Directores, em ligação com o MEN, representantes do corpo docente e da AEIST. Negociações que consagraram esses sucessos mesmo quando os directores diziam que só concluíam a negociação se não cantássemos vitória. Mas cantámo-la.
Tal como soubemos, pela primeira vez, o que era assumir compromissos decorrentes de uma
negociação. E o meu pai, com outros docentes, valorizou-os muito para que as situações não revertessem.
Com ele, no Técnico aprendemos Matemática mas também Política e a ética que ela deve conter.
O Técnico, com os seus alunos e professores, alguns dos quais nas forças armadas, contribuíram para a conquista da liberdade, para novas mentalidades onde o papel do ensino, o papel da ciência e da técnica para o desenvolvimento económico e social e a centralidade do trabalho na economia, passaram a ser paradigmas.
No final, a família fez entrega ao IST de um retrato, feito pelo nosso pai, do saudoso Professor Ferreira de Macedo, um dos seus mestres.

Se o meu pai estivesse presente teria gostado desta jornada.

Ai é? Então tomem lá...



Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Hondurenhos deslocam-se para a capital para receber o Presidente Zelaya

Apesar do agravamento das restrições às liberdades hoje impostas, de vários pontos do país deslocam-se milhares de hondurenhos para receberem o seu Presidente "Mel" (Manuel Zelaya).
Porém os sectores golpistas contam com a capacidade de manobra dos sectores mais reaccionários do Pentágono para animarem uma contra-reacção ao isolamento internacional a que foram condenados no decurso da semana.

A administração norte-americana procurará soluções de compromisso em que Zenaya regressaria mas para ficar polìticamente inactivo. As próximas horas são de grande tensão e a nossda atenção e solidariedade impõem-se...

Rádio Globo de Honduras denuncia mordaça golpista - Estações de rádio e de TV de Honduras foram fechadas após golpe


As estações de rádio e de TV das Honduras foram fechadas entre domingo e segunda-feira (29), depois do golpe militar do fim-de-semana, que derrubou o presidente Manuel Zelaya. Entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa condenaram a medida.

Pouco depois de militares hondurenhos terem detido o presidente Zelaya e o obrigado a partir para a Costa Rica no domingo, soldados invadiram uma popular estação de rádio e fecharam as redes internacionais de TV CNN em Espanhol e Telesur, emissora venezuelana que tem o patrocínio de governos de esquerda da América Latina.
Um canal pró-governo também foi fechado. As poucas emissoras de rádio e TV a operar colocaram no ar na segunda-feira apenas música, novelas e programas de culinária. Elas quase não se referiram a manifestações ou condenações internacionais ao golpe, apesar de centenas de pessoas protestarem em frente do palácio presidencial, na capital, para exigir o retorno de Zelaya e o fim do black-out imposto à imprensa.

O caso da Radio Globo

O proprietário da Rádio Globo de Honduras, Alejandro Villatoro, colocou ontem no site da emissora na net denúncias sobre a censura à imprensa depois do golpe de estado de domingo passado

Senhores do Tribunal Inter americano de Direitos Humanos, esta mensagem leva para além das minhas saudações a seguinte denúncia:
Como gerente da Rádio Globo, denuncio-vos que, após as acções de facto que depuseram o presidente Manuel Zelaya Rosales, iniciou-se uma campanha de intimidação contra os meios de comunicação independentes, entre eles esta emissora, que foi submetida a um atentado.
A partir das seis horas da manhã, quando iniciamos nosso trabalho, a sede da rádio, situada na Avenida Morazan, foi ocupada militarmente. Depois de algumas negociações autorizaram nossa entrada.
Começamos o nosso trabalho informativo, dentro dos parâmetros estabelecidos pelas normas legais e comprometidos com a liberdade de expressão que a nossa consciência nos dita.
Várias tentativas foram feitas pelos militares para entrar no edifício onde transmitíamos para Honduras e para o mundo o que realmente acontecia no país. Às seis da tarde, um comando militar, composto por cerca de sessenta elementos do exército, tomou conta das instalações físicas da rádio e tirou-a do ar. Os companheiros que se encontravam no estabelecimento (Alejandro Villatoro, proprietário, jornalistas Lidieth Diaz, Rony Martinez, operadores Franklin Mejia Villatoro e Orlando) foram objecto de ameaças de morte, espancamentos e intimidações. No caso de Alejandro Villatoro, que é deputado, esta sua condição não foi respeitada.
No caso de David Romero Ellner existia uma ordem de prisão contra ele, que conseguiu escapar lançando-se do terceiro andar do prédio onde funciona a rádio (cerca de 25 metros de altura), fracturando uma clavícula e algumas costelas.Franklin Mejia, operador, que é menor de idade, foi espancado no meio a gritos discriminatórios (“Preto filho de uma... vamos matá-lo, a menos que nos diga de onde estão transmitindo” e outras ofensas à sua condição humana).
Senhores: o objectivo de fundo de todo este ataque foi, e é, calar a única emissora de Honduras que transmitia os eventos tal como ocorreram. Actualmente, após negociações com os militares, a rádio reabriu suas operações, porém sob uma série de condições que limitam a liberdade de expressão no país.
É neste quadro que vos enviamos esta denúncia formal, para que, com a autoridade que têm, procedam imediatamente a uma investigação do caso."

Cartoon de Monginho

in Avante!

Fantoche Micheletti contra tudo e contra todos

O presidente do Congresso Hondurenho, principal responsável político pelo golpe militar nas Honduras, presidente-fantoche saído deste golpe suspendeu várias liberdades constitucionais e mantém a sua intransigência em negociar o regresso do Presidente deposto, Manuel Zelaya, apesar do ultimato de 72 horas lançado pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

O recolher obrigatório vigora nas Honduras desde domingo, quando os militares expulsaram Manuel Zelaya do país, mas o número de restrições impostas aos hondurenhos alargou-se hoje. O Presidente interino, Roberto Micheletti, limitou a liberdade de associação e de reunião e a liberdade de movimentos e de saída do território e alargou o período de detenção sem julgamento, resume a AFP. Um correspondente do “El País” fala num estado de sítio camuflado.
O novo passo no sentido do agravamento da crise segue-se a um apelo à desobediência civil, lançado por Manuel Zelaya, esta madrugada a partir do Panamá.

A polícia tem actuado também à paisana e já foi surpreendida por manifestantes que, num caso, transportava uma arma que não era pròptriamente de defesa pessoal (ver Foto)

O presidente das Honduras regressa hoje ao país afrontando os militares que o destituíram no domingo. Os golpistas não gozam de qualquer apoio internacional, e nas ruas milhares de hondurenhos enfrentam a repressão que se abate sobre quem defende a democracia e exige respeito pela vontade popular.

Novo passo na escalada militar no Afganistão

1. A oposição dos comunistas portugueses ao reforço da presença portuguesa
Milhares de «marines» dos Estados Unidos e centenas de militares afegãos lançaram-se esta madrugada numa ofensiva em grande escala na região sul do Afeganistão, centro de produção de ópio sob controlo dos talibãs.

Talvez premonitória, mas contraditòriamente, uma rádio portuguesa valorizava hoje a ofensiva americana aos níveis da agressão contra o Vietname. Que teve o fim que se conhece.
A ofensiva, com apoio de blindados e helicópteros, corresponde à estratégia anunciada pelo presidente norte-americano de intensificar a guerra «esquecida» do Afeganistão para reassumir o controlo territorial, perante o avanço e implantação das forças talibãs.
Para "relembrar" esta guerra esquecida os EUA fizerem novo apelo ao reforço das forças de outros países.

O PCP, no passado dia 15, sublinhando a realização da reunião do Conselho de Estado no exacto momento em que aguardava promulgação a Lei de Defesa Nacional que retira ao Presidente da República competências sobre «o emprego das Forças Armadas em operações militares no exterior do território nacional», reiterou a sua oposição ao envio de tropas para o Afeganistão e alertou o povo português para o acordo de princípio, dado pelo Governo, ao uso da Base das Lajes para treino de aviões dos EUA.

Relembraremos aqui a questão do Afganistão nos próximos dias recorrendo às palavras e aos factos e não à agressão militar.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Presidentes da Argentina e do Equador e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos acompanham Zelaya no regresso às Honduras


O presidente pediu ao povo e ao exército para o esperarem no aeroporto na 6ª feira. Zelaya será acompanhado pelos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Equador, Rafael Correa, e pelo Secretário-Geral da OEA, José Miguel Insuza.

Enquanto isso, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por unanimidade e aclamação, uma resolução cujo texto foi apresentado por Antigua e Barbados, Belice, Bolivia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Nicaragua, República Dominicana, San Vicente e Granadinas, Brasil, Venezuela, Costa Rica, Perú, México, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai, República Árabe Siria, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Cabo Verde, Barbados, Guyana e Bosnia-Herzegovina.

Este processo foi o terceiro com resultado semelhante na América Latina. Antes aconteceu com alterações constitucionais equivalentes em que os presidentes Hugo Chávez e Evo Morales enfrentaram e derrotaram, com o povo nas ruas em massa, tentativas de golpes de Estado. Desses acontecimentos receberam mais força para realizar essas alterações que incluíram também importantes direitos, que estão a ser concretizados, em relação aos trtabalhadores, camponeses e comunidades indígenas.

Honduras: Zelaya diz que vai regressar ao país na 6ª feira




As Honduras entraram hoje no 2º dia de greve geral contra o golpe de estado. Ontem, atiradores furtivos de diferente prédios dispararam contra a multidão de apoiantes que não arreda pé das ruas e os militares investiram.
Zelaya disse aos militares para voltarem aos quartéis, para não continuarem a reprimir o povo. Ontem, segundo ele, ter-se-ão registado 135 feridos e 345 prisões.

Espera-se que Zelaya intervenha hoje na Assembleia Geral da ONU que está reunida a discutir o golpe.

Em entrevista em Havana, o Ministro dos Estrangeiros de Cuba deu conta de contactos com o seu embaixador em Tegucigalpa, onde este revelou que embaixadores de paíse latino- americanos foram espancados assim como a chefe do governo Patrícia Rojas no início do golpe. Esta foi detida mas já participou ontem na cimeira de Manágua dospaíses da ALBA com Zelayo (ver foto).

O silenciamento, após o primeiro dia do golpe, por parte de muita imprensa potuguesa e "ocidental", deste tema, retirando-o dos noticiários ou das primeiras páginas revela uma orientação oculta mas perfeitamente detectável. As atitudes de Washington são parcas e discute-se o eventual envolvimento de serviços secretos norte-americanops nos acontecimentos, apesar da reacção de Obama.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Zelaya ao "el pais": disseram-me que se não largasse o meu telemóvel, disparavam...


"Me decían: si no suelta el celular, le disparamos. Suelte el celular, señor, y todos apuntando sobre mi cara y mi pecho". Y ha añadido: "En forma muy audaz les dije: si traen orden de disparar, disparen, no tengo problema de recibir, de parte de los soldados de mi patria una ofensa más para mi pueblo, porque lo que están haciendo es ofendiendo al pueblo". El presidente hondureño ha dicho que como cristiano perdona a los que casi lo asesinan "en un momento determinado" y disculpa a todos los que "están haciendo esto".

Todo o apoio ao povo das Honduras em greve geral contra o golpe de Estado! Denunciar o papel vergonhoso que a CNN está a ter!

Organizações populares convocaram uma greve geral para ser iniciada hoje de protesto contra o golpe militar e pelo regresso ao país do presidente Manuel Zelaya, que o Parlamento, alinhado com o golpe "substituiu" pelo respectivo presidente na ausência dos deputados que se opuseram ao golpe.

O presidente da Federação Unitária de Trabalhadores de Honduras, Juan Carlos Barahona, disse à Agência Bolivariana de Notícias, em entrevista por telefone, que ''o povo vai manter a resistência'', concentrando-se diante da sede do governo e exigindo o regresso do presidente eleito pelo povo em 2005.''Também nos outros departamentos do país o povo está nas ruas, mobilizado'', disse Barahona.Os militares golpistas ameaçaram impor um toque de recolher em Tegucigalpa, mas Barahona disse que ele não será obedecido. ''A decisão que temos é de continuar nas ruas. Ninguém irá para casa nem abandonará esta luta'', afirmou.''Vamos desafiar esse toque de recolher dos golpistas e militares gorilas'', continuou. O termo ''gorila'', usado na América Latina do século passado para designar militares truculentos e golpistas, voltou subitamente à actualidade depois do golpe.
A representante do Sindicato dos Trabalhadores no Registro de Pessoas, Maritza Somoza, informou que a iniciativa da greve geral é apoiada por todos os trabalhadores, pelas confederações de organizações sindicais de Honduras.A sindicalista salientou que o movimento sindical hondurenho tem uma profunda motivação para apoiar o presidente. Argumentou que o governo de Zelaya foi o único que deu dignidade aos trabalhadores.''É a primeira vez que um presidente nos dá dignidade'', disse Maritza. Ela observou que, em resposta a essa dignidade, a bandeira do povo hondurenho será agora a convocação da Assembleia Nacional Constituinte .''A bandeira do povo hondurenho já não é a consulta, da qual participávamos de maneira simbólica, mas agora vai será a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. Agora o que queremos é um governo que esteja diretamente nas mãos do povo'', disse a líder sindical.
Descreveu esse processo como ''o despertar do povo hondurenho''. ''Este povo já foi apático, nunca tínhamos visto que as pessoas respondessem como agora''.Maritza descreveu que, enquanto os trabalhadores apoiam o presidente Zelaya, a burguesia foge do país, tirando de Honduras os seus filhos e interesses económicos. Disse que o governo constitucional perdoou uma dívida de mais de 8,7 milhões de lempiras (moeda de Honduras) de várias empresas privadas, mas a burguesia continua a hostilizá-lo.

O deputado Marvin Ponce, do partido Unificação Democrática, que apoia Zelaya, avaliou que existem 50 mil pessoas em 37 cidades dispostas a resgatar o mandato presidencial truncado pelo golpe. Para Ponce, a mobilização acontecerá mesmo que haja repressão, pois a única saída para a crise é o retorno do presidente, o fim do ''governo usurpador'' e o julgamento dos deputados que estão apoiando o golpe.O deputado Tomas Andino Mencias, do mesmo partido, esclareceu que ele e seus companheiros não participaram da sessão do Congresso que entregou o poder a Micheletti. Segundo Mencias, os parlamentares legalistas estão sendo presos. Oito ministros também teriam sido presos, entre eles Patricia Rodas, ministra de Relações Exteriores, que fez um chamamento à resistência popular antes de ser detida. Patricia foi presa por militares encarapuçados e armados, na presença dos embaixadores da Venezuela, de Cuba e da Nicarágua, que a visitavam para lhe manifestarem apoio.

Enquanto as Honduras preparam a greve geral, a reacção mundial ao golpe deste domingo prenuncia um forte isolamento das forças que sequestraram e depuseram Zelaya. Mas Chávez apelou para que ninguém esmoreça diante de uma aparente acalmia.
EUA e EU condenaram o golpe e nenhum país está a reconhecer os seus reultados.
A OEA (Organização dos Estados Americanos) convocou uma reunião de emergência na sua sede em Washington, para discutir a crise hondurenha. O secretário-geral da Organização, José Miguel Insulza (chileno), pronunciou-se com clareza:''Estamos perante uma ruptura da ordem constitucional, que só pode ser catalogada como um golpe de Estado'', afirmou Insulza. Informou que estava em contacto telefónico com o presidente derrubado, que se encontra em S. José da Costa Rica.
No entanto, Barahona condenou duramente o comportamento da comunicação social, ligada ao poder económico das Honduras.''Se a comunidade internacional nos está a apoiar, é graças aos meios de comunicação de países irmãos, porque aqui em Honduras dos meios de comunicação que não foram calados só uma estação está a ser isenta”
A CNN, uma vez mais, está a fazer um relato desastroso, classificando o golpe como “sucessão forçada”.
(elaborado com base na imprensa e agências da América Latina)

Domingo, 28 de Junho de 2009

O dia de ontem nas Honduras

Sem preocupação em reconverter o "brasileiro" para português como o falamos, transcrevo notícia on-line de ontem cerca da meia noite (TMG) do "Vermelho" do PC do Brasil:

27 DE JUNHO DE 2009 - 16h26

Movimentos sociais de Honduras abortaram o golpe


Honduras se prepara para o referendo deste domingo (28), depois de frustrar uma tentativa de golpe contra o presidente José Manuel Zelaya. Com ajuda voluntária de 45 mil pessoas, dos movimentos sociais hondurenhos, o material eleitoral já se encontra nos 15 mil locais de votação.


As cédulas eleitorais foram recuperadas em uma base militar pelo próprio Zelaya, acompanhado de representantes de movimentos sociais, na quinta-feira (25). A ação de surpresa desbaratou um ''golpe de Estado técnico'' de setores da oligarquia hondurenha contra o presidente e o referendo.

Consulta decidirá sobre Constituinte

''Após 48 horas de muita desestabilização, tudo votou à normalidade'', disse Zelaya nesta sexta-feira. Ele advertiu porém que ''o perigo cessou, mas a ameaça sempre estará latente''.

O incidente teve início quando o presidente decidiu substituir o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Romeo Vásquez, que se recusou a distribuir o material eleitoral. Quase ao mesmo tempo, o Congresso Nacional esboçou uma tentativa de declarar Zelaya ''incompetente para governar'', com apoio de uma manifestação de centenas de militares da reserva e da ativa, no centro de Tegucigalpa.

Além da reação firme de Zelaya e do apoio das organizações populares, a tentativa de golpe defrontou-se com uma unânime condenação internacional. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e numerosos países latino-americanos expressaram sua repulsa. O Departamento de estado dos EUA também telefonou a parlamentares implicados no golpe ajudando a dissuadi-los.

Por decisão presidencial, a Polícia Nacional e as organizações sociais hondurenhas – sindicais, camponesas, estudantis e indígenas – substituirão os militares na garantia da ordem durante a consulta às urnas. Os eleitores hondurenhos decidirão neste domingo sobre a convocação, em novembro, de uma Assembléia Nacional Constituinte.

Fidel compara Zelaya a Allende

A tentativa de golpe em Honduras, abortada com apoio dos movimentos sociais, mereceu uma incisiva Reflexão do líder revolucionário Fidel Castro. Veja os trechos principais de Fidel:

''Faço uma pausa no trabalho que elaboro há duas semanas, sobre um episódio histórico, para solidarizar-me com o presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya. Foi impressionante ve-lo na Telesul discursando ao povo de Honduras. Denunciava energicamente uma trama reacionária para impedir um importante referendo.

Isso é a ''democracia'' defendida pelo imperialismo. Zelaya não cometeu a menor infração da lei. Não recorreu a um ato de força. É o presidente e o comandante em chefe das Forças Armadas de Honduras. O que acontecer naquele país será um teste para a OEA e para a atual administração dos Estados Unidos.

A corajosa conduta de Zelaya vai ficar na história. Suas palavras nos fizeram lembrar o discurso do presidente Salvador Allende, enquanto aviões bombardeavam o palácio presidencial do Chile, onde morreu heroicamente em 11 de setembro de 1973. Assim age um presidente e um comandante em chefe. O povo de Honduras nunca esquecerá esse gesto.''

Golpe de estado nas Honduras: uma multidão exige libertação do Presidente Manuel Zelaya sequestrado por militares

O povo das Honduras está a mobilizar-se para a Casa Presidencial de Honduras, na capital, Tegucigalpa, que foi invadida por militares e afugentou com pedras 200 militares que a cercavam. Os militares foram para o aeroporto com o presidente.
Os populares gritavam "Traidores, devolvam-nos Mel (Manuel Zelaya).

A Casa Presidencial continua em poder dos militares. O canal de televisão e outros órgãos de comunicação social que não apoaram o golpe foram encerrados.

Os militares começaram o golpe cerca das 12 h (TMG) de hoje e o seu objectivo foi impedir a consulta popular que a Presidência ia promover para, a título consultivo, saber a opinião sobre a realização de uma reforma constitucional.

Os militares detiveram o Presidente, Manuel Zelaya, que estará preso na base aérea, informou o seu secretario pessoal, Enrique Reina, aos jornalistas presentes. "Militares levaram o presidente de sua casa para a forçaa aérea. Estamos a fazer a denuncia internacional”.
Algumas fontes referem que o Presidente poderá ter sido levado para a Costa Rica .
A Uniã europeia condenou o golpe mas os EUA ainda não se pronunciaram.

Na Festa do Porco do Adicense

O páteo a meio da Calçadinha da Figuieira é acolhedor. Uma loja de artesanato. Um rés-do-chão de apoio ao serviço. Uma grelha larga cujo fumo não incomoda. A inevitável janela com roupa interior a secar. Nas mesas grupos de amigos do Adicense, fadistas convidados, alguns autarcas. Uns cento e tal convivas sentados que despacham boas sardinhas com salada mista, umas febras com batata frita, chouriços assados e umas entermeadas, tudo regado com vinho e sangria. Rematando com arroz doce e muitos fados.
Quem não teve lugar sentado, sentou-se nas escadarias da calçadinha, que ligam o recinto à Rua Norberto Araújo, onde está a sede do clube, também de apoio ao evento, e um balcão para que os apeados degustem os comes e os bebes.
Subindo a rua, e as suas escadinhas a pique, com a muralha à esquerda, chegamos às Portas do Sol.



Este ano o Adicense excedeu-se e os convivas tiveram direito a um chapéu de palha vermelho e a cadeiras novas de napa, vermelha também...



Cada fadista convidado canta dois excepto o apresentador que nos serve quatro. Nas fotos acima lá estão eles: o apresentador, com a voz bem trabalhada, o António, decano praticante desde os 6 anos, a Alice Nunes, com garra, o Benjamin de Sousa uma força da natureza misto pegador de touros e rouxinol,o Jaime Alves, requintado e grande animador da colectividade ,com muito sentimento, o Mário Augusto, de voz bem timbrada, a Benvinda Ornelas, empertigada, vinda do Porto Santo, o Eurico, aprumadinho, e o impagável Luís Vicente. Lugar de destaque para o Manuel Gomes e o Fernando Gomes, respectivamente à guitarra e à viola, bem à atura dos acontecimentos.

O pessoal do Adicense trabalha que se desunha. Um abraço do meu grupo para o presidente, o Virgílio, sempre com ar de jovem, o ZéZé e a sua bigodaça, a Ana, a nossa bonita "assistente de bordo" e ao Manel, de perfil respeitável do . Mas estariam lá mais uns dez a trabalhar.




Porquê chamar à festa "do porco", neste que é um arraial como outros de Alfama? Disse-me o Virgílio que desde que a fazem há uns 3o anos, compravam um porco que era ali assado no espeto. Mas este ano, com os porcos para o efeito a mais de setecentos euros, viste-lo...

Só os pingos nos tiraram de lá porque a festa do porco continuou. Ali a 50 metros estava o arraial de S. Miguel. Já tenho saudades de ontem à noite, desses amigos com quem trabalhei e convivi de perto, há quase 10 anos quando, sediado teambém a poucos metros deles, fui vereador da reabilitação urbana dos bairros históricos.

Alfama é linda!...Pois é.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Honduras: destituição desencadeia crise política

O confronto do Congresso e do Supremo Tribunal com o presidente de Honduras, Manuel Zelaya (à direta na foto), em torno da destituição do chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Romeo Vásquez, abriu uma grave crise política no meio de acusações do governo de que seus oponentes prepararam um golpe de Estado.

O presidente reiterou que manterá a demissão. A pedido de Zelaya, o Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) tratará o tema em reunião hoje.

O pano de fundo deste choque nas Honduras é a determinação de Zelaya em realizar um referendo nacional que abriria caminho para o seu projecto de convocar uma Assembleia Constituinte. A Carta actualmente vigente é de 1982.Se a população se revelar favorável a uma nova Carta nessa consulta, o governo incluiria, então, uma "quarta urna" na eleição geral de Novembro. Além de elegerem presidente, deputados e prefeitos, os hondurenhos votariam num referendo sobre a Constituinte. Romeo Vásquez, ultrapassando as suas competências, recusou apoiar logisticamente essa consulta e Zelaya demitiu-o.

A justiça e as autoridades eleitorais disseram que a consulta é ilegal. Mas o presidente diz que a Constituição actual não reflecte as necessidades do país. Os opositores seus sugerem que o objectivo do é introduzir a reeleição na Constituição, hoje proibida. Zelaya deixa o cargo em Janeiro.No dia de ontem, países-membros da Aliança Bolivariana para os Povos da nossa Américas (Alba) manifestaram o seu apoio ao presidente de Honduras e anunciaram que se mobilizarão caso haja tentativa de golpe de Estado.

Os países do bloco expressaram, numa mensagem oficial, o seu "mais firme apoio" ao governo de Zelaya "nas suas justas e decididas acções para defender o direito do povo hondurenho a expressar as sua vontade soberana e a incentivar um processo de transformação social". O bloco "declara que se mobilizará, junto ao digno povo hondurenho, face a qualquer tentativa da oligarquia de romper a ordem constitucional e democrática".

Na passada 5ª feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou a tentativa de golpe e disse que não ficará "de braços cruzados" perante a situação nas Honduras. "Ontem mesmo falei com Evo. Estamos dispostos a fazer o que tiver que se deve fazer para que seja respeitada a soberania e a vontade do povo de Honduras", revelou Chávez.

Do Partido Liberal, Zelaya liderou a adesão de Honduras à Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) em 2008. Anteriormente mais ligado à elite económica do país, aproximou-se depois dos sindicatos e do movimento indígena e ganhou a simpatia de parte dos 70% de pobres do país ao aumentar em 60% o salário mínimo desde 2006.Zelaya também recebeu o apoio do ex-presidente cubano, Fidel Castro, que comparou o presidente hondurenho ao ex-líder chileno Salvador Allende.

Pintura de Gil Teixeira Lopes



Festival de Teatro de Almada, de 4 a 18 de Julho


ESPECTÁCULOS
DIE ZOFEN AS CRIADAS04 Jul 2009 19:00Teatro Municipal de Almada - Sala Principal
QUARTETO PARA QUATRO ACTORES04 Jul 2009 22:00Escola D. António da Costa – Almada
VIEIRA DA SILVA PAR ELLE MÊME05 Jul 2009 22:00Teatro Municipal de Almada - Sala Eximental
CARTA AOS ACTORES06 Jul 2009 21:00Instituto Franco Português – Lisboa Auditório
DIALOGUE D’UN CHIEN AVEC SON MAÎTRE SUR LA NÉCESSITÉ DE MORDRE SES AMIS DIÁLOGO DE UM CÃO COM O SEU DONO SOBRE A NECESSIDADE DE MORDER OS SEUS AMIGOS06 Jul 2009 22:00Escola D. António da Costa - Almada Palco Grande
CORTAMOSONDULAMOS CORTAMOS E FRISAMOS07 Jul 2009 22:00Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
MENINA ELSE08 Jul 2009 21:30Fórum Romeu Correia – Almada Auditório Fernando Lopes-Graça
FILM NOIR08 Jul 2009 21:45Teatro Nacional D. Maria II – Lisboa Sala Experimental
QUARTO INTERIOR09 Jul 2009 22:30Teatro Municipal de Almada - Sala Pincipal
LA SERVANTE ZERLINE A CRIADA ZERLINA10 Jul 2009 19:00Teatro Municipal de Almada – Sala Eximental
RUSSKOIE VARÉNIE COMPOTA RUSSA10 Jul 2009 22:00Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
OF/NIET OU/NÃO11 Jul 2009 21:30Culturgest – Lisboa Grande Auditório

Governo: a semana negra...









Na presente semana o governo andou a apanhar bolas pretas.

A tentativa de criar mecanismos de interferência na linha editorial da TVI através da compra pela PT de 30% do capital da TVI, detido pela PRISA, com a garantia dessa ingerência, saiu gorada. Obviamente que o governo conhecia os contactos entre a PT e a TVI, que tinham o aval de Zapatero para a PRISA se poder livrar dessas acções e o governo teria simpatia pela operação garantidos que fossem esses mecanismos.
O governo jogou atabalhoadamente num terreno movediço e perdeu. E como perdeu, desinteressou-se do negócio quando diversas reacções inviabilizaram essa possibilidade de intervir na linha editorial e obrigou a PT a recuar com o negócio.
Há coisas que ficam por esclarecer mas isto é o essencial da operação política que justificava o negócio.

A Fundação das Comunicações Móveis é o instrumento do governo para que algumas operações por ele desejadas se furtem a regras a que a administração pública está obrigada, nomeadamnente o concurso público e o visto do Tribunal de Contas. Daí ser uma fundação não privada mas do Estado e de direito privado a fazê-lo.
O universo de organismos dependentes do Estado, para permitir "maior agilidade" de algumas operações que assim escapam à concorrência para garantir a sua adjudicação a pessoas e empresas à partida definidas , há alguns anos que enxameiam o Estado, esvaziando de controlo democrático a despesa pública. O PS tem sido o seu grande impulsionador mas o PSD também foi convidado para esses almoços e soube-lhe bem.
Alguns dos objectivos recentes realizados pela Fundação são conhecidos e ilustram razões dessa fuga. A nossa compreensão não estica ao ponto de que a fundação do andar de baixo do ministro, que operava com financiamento público, embora com capital simbólico das operadoras, fosse outra coisa que não esta que aqui descrevemos.

A terceira via Lisboa-Porto, para ceder às pressões das grandes construtoras, é outro dos grandes investimentos mais que questionáveis pelos efeitos que terá na economia. É certo que ela gera trabalho, muito dele desregulado pela subcontratação sucessiva e permite tirar pessoas temporàriamente da pobreza. Mas isso pode ser feito, alternativamente, noutro tipo de investimentos dentro do próprio sector, como é o caso da opção pelo caminho de ferro.
Outro amargo de boca foi a denúncia pela AECOPS e pelo Bastonário da Ordem dos Engenheiros das derrapagens dos custos de grandes adjudicações pelos trabalhos a mais que, com a maior leviandade e sem, por isso, serem criminalizados, vários Governos e Presidentes de Câmaras têm feito, fazendo assim desaparecer muitas centenas de milhões de euros do erário público, para gáudio de algumas construtoras...

E, por falar em construtoras, a empresa que Sócrates e Manuel Pinho, trouxeram para pôr a laborar as minas de Aljustrel, salvando centenas de postos de trabalho, não arranca. Empresa participada pela construtora de Jorge Coelho, não resolve esta questão mas quer mais auto-estradas...Mais uma vez os amigos deixam o governo mal na fotografia.

E, para ficar por aqui, os produtores de leite estão em fúria contra a permissividade com as grandes superfícies que optam pela venda de leite de refugo espanhol a preços inferiores aos nacionais. As vantagens desta integração europeia são música celestioal. As consequências não acauteladas da abertura do mercado, geram estas aberrações. Grupos sociais e actividades significativas para garantir trabalho e vida própria de comunidades são cilindradas por quem tem dimensão para ocupar um mercado multinacional onde pode amortizar grandes investimentos ter acesso a melhores condições de crédito e baixar preços de venda ao público que é irremediàvelmente atraído para opções onde o critério de qualidade deixa de estar ausente devido às dificuldades económicas que impõem apenas o critério do preço mais baixo. Quando estiver liquidada a produção própria do país esses mesmos grandes grupos imporão subidas de preços.
Quem semeia ventos negros, colhe tempestades negras.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

A FESTA DO JAZZ PORTUGUÊS DIAS 26, 27 E 28 JUNHO NO S. LUIZ


7ª FESTA DO JAZZ DO SÃO LUIZ
Sala Principal Jardim de Inverno Teatro-Estúdio Mário Viegas Spot São Luiz
Sexta das 21h00 às 2h00 Sábado das 14h00 às 2h00 Domingo das 12h00 às 2h00 M/3
Veja a programação em PDF aqui.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Vou-me em busca do grande Talvez "


François Rabelais (1494-1553)
(ao morrer, segundo a lenda).

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

"As mulheres amigas", de Gustav Klimt



Assalto à TVI a 4 meses das eleições!...










A coisa está muito careca. As declarações de ontem de José Sócrates e da PT anunciando a intenção de compra de 30% da Media Capital quatro meses amtes das eleições em que o PS balança, de que a Prisa estaria a abrir mão por pressão de Zapatero, com o Primeiro-Ministro a brincar em debate parlamentar com o sai ou não sai de José Eduardo Moniz de director-geral por via desta transação, são, no mínimo surpreendentes.
Como isto não é um jogo do preto e do branco convem esclarecer que a TVI não é o meu paradigma de informação e programação (bem pelo contrário!!!) nem que subscrevo algumas impertinências e provocações, èticamente lamentáveis apesar de polìticamente oportunas de Manuela Moura Guedes.
Dito isto, o governo vai ter que esclarecer muito bem esta questão que adquire contornos de grande gravidade. E, porque nada é a preto e branco, não me custa reconhecer a oportunidade da denúncia feita por Manuela Ferreiras Leite ontem na SIC-Notícias.

Evocação no Irão

Cenas da evocação da morte do neto do profeta Mohamed na batalha de Kergala do ano de 680.


Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

"Os sete pecados de Chávez", de Michel Collon

Foi este mês editado em França o último livro deste jornalista e escritor belga, "Les sept péchés de Chavez". Ainda não está editado e a tradução de cima, literal, é da minha responsabilidade.

Na introdução deste seu livro, Michel Collon interroga-nos:

Porque é que os Estados Unidos se opõem a Chávez? Pelo petróleo, sem dúvida. E é tudo? Os EUA estão habituados a ganhar as guerras do petróleo. Mas na Venezuela fazem-lhes frente. Aqui diz-se que é possível aplicar o dinheiro do petróleo de maneira inteligente e útil.
Não como no Dubai onde se constroem hotéis de vinte mil euros por noite no meio de um mundo árabe subdesenvolvido. Não como na Nigéria onde a fome mata apesar deste país ser um dos seus maiores exportadores mundiais.
Na Venezuela, um homem afirma ser possível resistir às multinacionais e vencer a pobreza. Acusam-no de todos os pecados: populista, ditador, anti-semita…Mas o que se passa no terreno? Quais são os verdadeiros pecados?

O petróleo é um grande desafio do mundo actual e levantaremos o véu das actuações secretas da Exxon, da Shell ou da Total. Mas a questão vai para além do petróleo…Qual o tipo de economia que poderá vencer a fome? É possível uma verdadeira democracia? Estes desafios dizem respeito a toda a América Latina, mas também ao Médio-Oriente, a África e mesmo à Europa…
Que queremos com a nossa informação? Nos órgãos de comunicação social a América Latina é muito simples. Temos o Carnaval no Rio, o tango em Buenos Aires e a droga na Colômbia. Ah, sim, também temos o Chávez, o “populista”. Em vez desta imagem de estereótipos, não nos poderiam mostrar a vida real dos latinos? Quase um em cada dois vive sob o signo da pobreza. E porquê? Em contrapartida, sete ou oito tornaram-se multimilionários em poucos anos. E como?
A América Latina tem 44% de pobres. Deixe de olhar para isso como uma estatística. Você poderá dar esta noite ao seu filho alguma coisa para comer? Poderá pagar-lhe a escola? E se ele ficar doente, será visto por um médico? Quando se vive com um ou dois dólares pior dia, é-se forçado a escolher entre estes bens vitais. Esta é a angústia do quotidiano de uma em cada duas pessoas neste grande continente. No Médio-Oriente é semelhante. E em África é pior.
A experiência da Venezuela represente uma alternativa válida? Se sim, isso diz-nos respeito a todos. É importante informarmo-nos e julgarmos de forma independente. As mentiras da média talvez digam só respeito ao Iraque.

Face a este fosso entre ricos e pobres, existe o direito à alternativa? Há vinte anos que faço
investigação sobre as estratégias de guerra e de domínio dos EUA. Há vinte anos que ouço as
suas vítimas. Não me posso esquecer do que me disseram a iraquiana Nasra, o jugoslavo Tomislav, o palestiniano Mohamed e tantos outros. Lá no fundo, os seus sofrimentos e cóleras são semelhantes, é tudo a mesma guerra.
Já não posso esquecer a sua esperança de que existe saída para um mundo melhor. Foi a pensar em todos eles que fui à Venezuela. A alternativa é possível? Ouvir Chávez, ouvir a gente de baixo, ouvir a oposição da direita. E dar disso testemunho.
E, já agora, os sete pecados são:
1. Ensina-os a lêr
2. Entende que cada um tem direito à saúde
3. Acha que qualquer um pode comer e matar a fome
4. Mudou as regras entre ricos e pobres
5. Defende que a democracia é mais que um boletim de voto
6. Não se submete ao poder dos media
7. Faz frente aos Estados Unidos

Petróleo do Iraque, como previsto no início da guerra, muda de mãos...

Protestos furiosos ameaçam minar o plano do governo iraquiano de entregar às companhias petrolíferas internacionais o negócio dos seus gigantescos campos petrolíferos num desesperado esforço para aumentar as receitas do petróleo em declínio.Em menos de duas semanas, nos dias 29 e 30 deste mês, o ministro de Petróleo iraquiano Hussain Shahristani irá assinar contratos de serviço com as maiores petrolíferas do mundo para poder desenvolver seis das maiores companhias produtoras de petróleo do Iraque durante 20-25 anos.
Figuras de topo da indústria do petróleo iraquiano têm denunciado o acordo. Fayad al-Nema, dircetor da South Oil Company, que está sob a tutela do Ministério do Petróleo, e que produz a maior parte do petróleo do Iraque, disse na semana passada que "Os contratos de serviço irão aprisionar a economia iraquiana e acorrentar a sua independência para os próximos 20 anos . Esses contratos desperdiçam as receitas do Iraque. Nema é apontado como tendo sido despedido por causa da sua oposição aos contratos e o que ele diz é partilhado por muitos outros funcionários no Iraque da indústria petrolífera de propriedade estatal (...)
É Patrick Cockburn, autor de dois importantes livros sobre a guerra contra o Iraque e a resistência interna, defende este ponto de vista no Counterpunch do passado fim-de-semana e afirma que provavelmente é tarde demais para o governo iraquiano adiar ou modificar os contratos a serem celebrados no final de Junho. Ele precisa de dinheiro e não conseguiu investi-lo quando os preços do petróleo estavam altos. Mesmo quando as grandes companhias de petróleo começarem a trabalhar, vai demorar três até o novo petróleo aparecer. Muitos iraquianos não gostarão de ver os seus históricos campos petrolíferos, de que o país é totalmente dependente, a estarem parcialmente nas mãos de empresas estrangeiras, mas, com as próximas eleições em Janeiro, e nesta fase, o governo considera que não tem escolha.

Uma vez mais, a ópera na Festa do Avante!


De 1996 para cá, as «sextas-feira sinfónicas» da Festa tornaram-se numa verdadeira marca identitária, acolhendo de forma inovadora para um público de massas e com uma grande presença juvenil compositores de todas as nacionalidades e todas as épocas: de Leonard Bernstein a Dmitri Shostakovich, de Maurice Ravel a Prokofiev, de Vivaldi a Corelli, de Aaron Copeland a Benjamim Britten. Na memória ficaram os concertos dedicados a Fernando Lopes-Graça, a estreia da versão integral da «Cantata Outubro», de Prokofiev (comemorando os 90 anos da Revolução de Outubro), os concertos para um, dois e três pianos (Mozart e Johann Sebastian Bach) nos trinta anos do 25 de Abril. Pela Festa passaram ainda praticamente todos os novos concertistas de piano portugueses: Artur Pizarro, António Rosado, Carlos Moyano, Pedro Burmester, Mário Laginha. Especial destaque pela dimensão da produção vai para o concerto comemorativo do 25.º aniversário da Festa: a orquestra sinfónica, o coro e os solistas necessários para uma histórica apresentação da 9.ª Sinfonia de Beethoven. Essa primeira experiência comprovou igualmente a capacidade técnica para a montagem de concertos não apenas orquestrais, mas incluindo vozes o que, naturalmente, abriu as portas para a Gala de Ópera organizada em 2008.
Tchaikovsky e Beethoven tiveram programas especiais em 1996, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Miguel Graça Moura. Também nesse ano a Orquestra da Câmara de Bratislava, sob a direcção de Luís de Freitas Branco, apresentou música barroca de Vivaldi e Corelli.
Como foi prometido no ano passado, Verdi, Bizet, Mozart, Rossini, Puccini, Gershwin têm este ano encontro marcado com o público da Festa na Atalaia, com um aliciante programa
Gioachinno Rossini. Il Barbiere di Siviglia Abertura. Orquestra• Vicenzo Bellini. Norma.Ária «Casta Diva». Orquestra, coro,Ana Paula Russo (soprano)• Giuseppe Verdi. RigolettoÁria «La donna é mobile». Orquestra,Giovanni Manfrin (tenor)• Giuseppe Verdi. NabuccoCoro «Va pensiero». Orquestra e coro• Georges Bizet. CarmenÁria «L’amour est un oiseau rebelle»(Habanera). Orquestra, coro,Larissa Savchenko (mezzosoprano)• Wolfgang Amadeus Mozart.Le Nozze de FigaroÁria «Non più andrai farfallone amoroso».Orquestra, Pedro Correia (barítono)• Giuseppe Verdi. Il TrovatoreCoro «Vedi! Le fosche notturne». Orquestrae coro• Giacomo Puccini. Madama ButterflyÁria «Vogliatimi bene». Piano,Luiza Dedisin (soprano) e Luís Gomes(tenor)• Georges Bizet. CarmenÁria «Votre toast» (Toreador). Orquestra, Pedro Correia (barítono), LarissaSavchenko (mezzosoprano), Ana PaulaRusso (soprano)

Gioachinno Rossini. Il Barbieredi SivigliaÁria «Una voce poco fa».Orquestra,Larissa Savchenko (mezzosoprano)• George Gershwin. Porgy and BessÁria «I got plenty o’nutting’». Orquestra,Pedro Correia (barítono)• Giuseppe Verdi. AidaCoro «Gloria all Egitto». Orquestra e coro• George Gershwin. Porgy and BessÁria «Summertime». Orquestra,Ana Paula Russo (soprano)• Giacomo Puccini. La BohèmeÁria «O soave fanciulla». Orquestra,Ana Paula Russo (soprano)• Ruggiere Leoncavallo. I PagliacciÁria «Vesti la giubba». Orquestra,Giovanni Manfrin (tenor)• Wolfgang Amadeus Mozart.Le Nozze de FigaroAbertura. Orquestra• Giacomo Puccini. TurandotÁria «Nessum dorma». Orquestra, coro,Giovanni Manfrin (tenor)• Giacomo Puccini. TurandotÁria «Diecimila anni al nostro Imperatore!»Orquestra, coro, Larissa Savchenko(mezzosoprano)• Giuseppe Verdi. La Traviata«Libiamo, ne’lieti calici (Brindisi)».

Capela de Nôtre-Dame du Haut (1955), Le Corbusier