Operação "Pito Dourado". A designação não é minha, ouvi-a ontem num café de Barcelos; deve ser por causa do Galo.
Na caixa de comentários abaixo, o Major não parece muito popular.
Eu simpatizo com ele; claro que não ponho as mãos no fogo por ele. Nem por nenhum dirigente desportivo, aliás.
Se fossem muito "certinhos" não eram dirigentes desportivos. É como as mulheres a dias, se fossem muito espertas não seriam mulheres a dias (politicamente incorrecto); ou como os funcionários públicos, se fossem muito eficientes não seriam funcionários públicos (politicamente incorrecto).
Ouvi um advogado do caso "Pito Dourado" dizer que em Gondomar, e no Norte, se recebe bem toda. Toda a gente, incluindo árbitros, claro.
E quanto a isto, posso testemunhar. O Major é um óptimo anfitrião. Sabe receber à boa maneira do Norte, dá o que tem e o que não tem, com franqueza. Vou contar uma história real:
Fui membro fundador da FAN's, Falange de Apoio Negro da Briosa. Não era muito de claques, nem de ajuntamentos, nem de histerias colectivas. Nem sou. Gostava era de ir ver jogos fora, na época do defeso, quando os exames estavam longe. Iamos à boleia, quase sem dinheiro (mas não mendigavamos), e com muita boa disposição. Uma aventura. Fui assim pela primeira vez ao Algarve, a Faro. Um fim de semana memorável. Com o Feliz, o Veigas, o Oliveira, o Maia do C4, o Aurélio, o Fausto, o Mosca, o Jabali, o Badeleau, com quem calhava, em grupos de dois; fantástico.
Um dia o Boavista foi jogar a Coimbra. Alguém, não sei quem, meteu conversa com o Major e logo ficou prometida uma almoçarada no Porto, para cinco ou seis. Passados uns fins de semana a Académica foi às Antas.
Marcou-se encontro no Bessa, ao almoço.
Estava uma chuva miudinha, vim de boleia num camião de bananas verdes, atrás, em cima das caixas e por baixo dum oleado.
Pelo meio dia lá estava a estudantada. Setenta bicos!!! Setenta!
Chega o Major num grande BM, verde clarinho, luzidio - lembro-me bem - com matrícula do CC da Guiné.
Ia tendo uma apoplexia quando viu a malta.
O Jabali foi à frente, amarrou-lhe as barbas, com força, e gritou:
- O Major é GRANDE!!!!...
E nós todos:
- É muito GRAANDEE!!!...
O Major perfilou-se, alisou a barba, e sem vacilar disse: Vamos lá almoçar.
Levou-nos para uma espécie de refeitório. Os empregados a remoer, quando viram tanta gente esfaimada.
- Não temos comida para tanta gente Major, só se for umas sandes...
- Arranjem, desenrasquem-se, eles têm fome, vão comprar. Entretanto preparem essas sandes - todas as que houver - para servirem como entrada. E comprem vinho, garrafões, pago eu. E não há amendoins e batatas fritas e bolinhos de bacalhau? Tragam tudo.
Juntamos as mesas numa fila, e o Major almoçou connosco, numa grande amizade... Uma almoçarada majestosa
O Major é GRAANDEEE!!!...
Despedimo-nos e fomos para as Antas. O FCP precisava de ganhar para ser campeão. A Académica estava a jogar bem e o Porto não marcava. Estavamos na superior norte. Levamos uma tareia das valentes daqueles corrécios todos; eu por milagre fiquei esmagado contra uma rede e saí incólume (senão eles haviam de ver...). O Porto marcou e os meliantes nem nos ligaram mais, foi uma sorte.
Nesse dia estive quase para mudar para o Boavista. Mas de uma coisa fiquei certo:
O major é GRAANDEEE!!!...
Sinceramente, gostava de saber que o Major não fez nada de grave, ficava contente.