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Terça-feira, Abril 27, 2010

Farripas

Farripas é nome de cão. Já aqui ficamos a saber um pouco da sua história através de um delicioso texto. Hoje tive a oportunidade de almoçar com o Farripas. Não o cão, mas o nosso habitual comentador. Conversa boa. O convite já lhe havia sido feito mas hoje era questão de oficializar a coisa. Desta forma o Nortadas vai ganhar mais um escriba, que salta para dentro da casa depois de tempos a olhar pela janela e a espicaçar-nos com os seus comentários. Caro Farripas, o que me esqueci de dizer no almoço foi que é da praxe o novato organizar o próximo jantar do blogue. Mas tive medo que se assustasse. Um abraço e boas postas.

Quinta-feira, Abril 15, 2010

Nortadas cada vez mais forte

Uma das decisões do almoço do "Nortadas" na magnífica Casa de Abbades foi a de convidar o comentador 'Farripas' a integrar o grupo dos 'nortadeiros'.
Imagino que já estão em curso negociações com quem de direito para pôr o seu nome na coluna da direita e para lhe dar o código de acesso. Mas entretanto coube-me publicar em seu nome este post abaixo.
O Francisco Rangel da Fonseca não é apenas um amigo pessoal de longa data. O Chico é uma pluma esclarecida, um polemista de primeira água, um homem bom e de coragem que nos honra. Bem-vindo "Farripas" e que a nortada nunca esmoreça.

O Farripas

Permitam-me começar por apresentar aqui o verdadeiro Farripas.
O Farripas é o cão d'água de uma amiga minha. Esta amiga, amante do desporto, do ar livre e de tudo quanto mexe, permite amplas liberdades ao Farripas, para desespero de seu marido e amigos.
É, sem dúvida, o cão mais bruto e deseducado que conheço, mas ao mesmo tempo de uma meiguice que enternece.

Moram no Porto, mas têm uma casa de campo perto de Castelo de Paiva, onde passam muitos fins-de-semana. Aqui as suas amplas liberdades permitem-lhe ainda chafordar em tudo que tenha alguma água, poças e esgotos incluídos, para depois distribuir os respectivos salpicos pelos presentes ou mergulhar na pequena piscina e pôr fim ao nosso refrescante banho.
Já conta 13,5 anos, mas nem a idade o faz mais urbano.
Porém, há dois anos atrás aconteceu algo que me fez olhar o Farripas com mais condescendência e alguma admiração.

A minha amiga, e marido, iam de viagem, pelo que foi o Farripas estacionado num assim chamado hotel para canídios, na zona do Marco de Canavezes. Lá se encontraram com o hoteleiro a meio do caminho, onde o Farripas foi transferido para o jeep deste com a habitual choradeira da separação.
Já lá tinha estado antes mas, na primeira oportunidade, fugira. As buscas só tiveram sucesso ao fim de 3 dias.
Mas, desta feita, apesar dos cuidados redobrados, fugiu logo no primeiro dia, tendo-se as buscas iniciado na manhã seguinte. Ao final do dia, mesmo com a ajuda de cães pisteiros dos bombeiros locais, tudo quanto haviam encontrado foi o local onde o Farripas havia pernoitado.
Retomadas as buscas no segundo dia, nada. Até que, quando a minha amiga já regressava ao Porto, a meio da tarde, recebe um telefonema de uma vizinha em Castelo de Paiva, que lhe costuma guardar e cuidar da casa, a dizer: Oh minha senhora, está aqui o Farripas. Pode lá ser! Oh minha senhora, então eu não conheço o Farripas?
Meia volta na estrada e toca a rumar a Castelo de Paiva.

Entretanto outro telefonema, agora de um alemão a quem ela tinha arrendado a casa para uns dias de férias: Está um cão na piscina a brincar com os meus filhos, mas que não nos deixa entrar na água! Já estou a ir para aí, retorquiu ela enquanto acelarava excitada com a ideia de poder reencontrar o seu Farripas.
Ali chegada, lá estava o Farripas ainda todo molhado do relaxante banho na piscina, em amena brincadeira com os filhos do casal de alemães, a quem o Farripas frustava qualquer tentativa de entrar na piscina com ameaçadores latidos.
Estava pois confirmado. Apesar de visivelmente cansado, esfomeado e com as patas um pouco maltratadas, era mesmo o Farripas.
Mas como o Farripas nada diz, ficarei sempre com as minhas dúvidas:
O que fez o Farripas, então já com 11 anos de idade, ir para Castelo de Paiva (casa de fins-de-semana) e não para o Porto (sua residência habitual)?
Como se orientou?
Como percorreu os cerca de 50 Kms entre o Marco de Canavezes e Castelo de Paiva? Por estrada ou a corta-mato?
Como atravessou o Tâmega? E o Douro? A nado ou por pontes?
Na ausência de respostas e não percebendo eu nada de cães, ainda hoje considero esta aventura do Farripas um enorme feito.
A ponto de o considerar digno de um pseudónimo...
Cumprimentos,
Francisco Rangel da Fonseca