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Quinta-feira, Dezembro 29, 2011
Knock, knock,
is anybody there?
Palavras chave:
frf
Sábado, Dezembro 10, 2011
Here comes the sun...
Não será (por ora, espero) ao nível do Tratado que a UE inscreverá as regras necessárias para dar ao €uro a paternidade que tanto carece. Continuará a ser um clube de sócios, posto que agora com novos estatutos anunciados para fins de Março próximo. Mas a coisa mexe. E desta feita com medidas que vão no sentido, não da defesa do país A ou B, mas duma real defesa do €uro, pois que tocam já a raiz do seu problema. Confiemos, assim, na sobrevivência da nossa moeda.
D. Cameron fica (ou vai ficando, espero) de fora. Falhou a sua tentativa de criar, e liderar, um hipotético grupo de 10 (os “out”) que gostaria de contrapor ao grupo dos 17 (os “in”). Fica sem grupo e isolado dos 26, liderando apenas a sua ilha, mas liderado ainda pela sua querida “city”, embora continuando a usufruir do seu “single market” europeu.
Mas, deixemo-nos de tretas, a crise continua a ser a da dívida e, nesta matéria, só pelo trabalho de casa de cada estado membro ela poderá vir a ser controlada. Trabalho que, naturalmente, só é feito quando ditado pela necessidade, como ora sucede.
Neste sentido, também por cá a coisa vai mexendo. Temos já orçamento para 2012 que, por mais que isso desgoste ao Sr. Cavaco Silva (e seu porta-voz Marcelo R. Sousa) toca, finalmente, na despesa. Temos também maioria com vontade política para o cumprir. O que será ainda facilitado se as medidas ora anunciadas na Cimeira da União acalmarem, como também espero, a turbulência que tem pairado sobre os mercados.
Quem poderia imaginar que algum dia a UE iria conseguir vender uma harmonização orçamental aos seus membros? Quem poderia imaginar que algum dia o nosso Estado iria fazer cortes em despesas com pessoal, consideradas como “conquistas irreversíveis”?
É caso para dizer: Bendita Crise!
D. Cameron fica (ou vai ficando, espero) de fora. Falhou a sua tentativa de criar, e liderar, um hipotético grupo de 10 (os “out”) que gostaria de contrapor ao grupo dos 17 (os “in”). Fica sem grupo e isolado dos 26, liderando apenas a sua ilha, mas liderado ainda pela sua querida “city”, embora continuando a usufruir do seu “single market” europeu.
Mas, deixemo-nos de tretas, a crise continua a ser a da dívida e, nesta matéria, só pelo trabalho de casa de cada estado membro ela poderá vir a ser controlada. Trabalho que, naturalmente, só é feito quando ditado pela necessidade, como ora sucede.
Neste sentido, também por cá a coisa vai mexendo. Temos já orçamento para 2012 que, por mais que isso desgoste ao Sr. Cavaco Silva (e seu porta-voz Marcelo R. Sousa) toca, finalmente, na despesa. Temos também maioria com vontade política para o cumprir. O que será ainda facilitado se as medidas ora anunciadas na Cimeira da União acalmarem, como também espero, a turbulência que tem pairado sobre os mercados.
Quem poderia imaginar que algum dia a UE iria conseguir vender uma harmonização orçamental aos seus membros? Quem poderia imaginar que algum dia o nosso Estado iria fazer cortes em despesas com pessoal, consideradas como “conquistas irreversíveis”?
É caso para dizer: Bendita Crise!
Quarta-feira, Novembro 23, 2011
Greve Geral v Greve da Função Pública
Amanhã esteja atento e tente descobrir as diferenças.
Atenção, dizer que contou com reformados da segurança social, a que tanto ugt como cgtp têm feito insistentes apelos, não vale, a não ser que me expliquem a que fizeram greve.
Atenção, dizer que contou com reformados da segurança social, a que tanto ugt como cgtp têm feito insistentes apelos, não vale, a não ser que me expliquem a que fizeram greve.
Finalmente uma boa notícia...e vinda da Madeira!
“Assembleia Regional alterou a definição de quorum e mudou o regimento. Nos plenários, os votos de cada partido serão contados como representando o universo do respectivo partido ou grupo parlamentar” (in o Público de hoje).
Com isto, a presença de um só deputado naquele parlamento regional passa a ser suficiente para que o seu partido veja todos os seus potenciais votos contados, mesmo que os restantes membros do seu grupo parlamentar estejam ausentes. Ou seja, bastará a presença, e o voto, de um paralamentar do PSD para lograr vencimento sobre toda a oposição presente no plenário.
Esta notícia sabe a música para os meus ouvidos. Não apenas por reconhecer a inutilidade dos deputados que excedam 1 por partido, mas sobretudo por este reconhecimento vir dos próprios políticos, o que considero um acto de coragem.
Só faltará acrescentar à decisão um pequeno pormenor, qual seja que os deputados passem a receber por senha de presença no plenário, em alternativa ao sistema de salário mensal (x14, pois claro).
Mas, como Roma e Pavia não se fizeram num dia, estou certo que este será o passo que, como corolário lógico, se lhe seguirá. Aliás agora apenas um pequeno passo, pois que para tanto bastará que um deputado do PSD se levante.
Espero ainda que o Sr. Ministro das Finanças esteja atento a esta notícia e que alguém a traduza para os Srs. Troikianos. Como espero que dela saibam tirar as inerentes ilações.
E viva a nossa democracia!
Com isto, a presença de um só deputado naquele parlamento regional passa a ser suficiente para que o seu partido veja todos os seus potenciais votos contados, mesmo que os restantes membros do seu grupo parlamentar estejam ausentes. Ou seja, bastará a presença, e o voto, de um paralamentar do PSD para lograr vencimento sobre toda a oposição presente no plenário.
Esta notícia sabe a música para os meus ouvidos. Não apenas por reconhecer a inutilidade dos deputados que excedam 1 por partido, mas sobretudo por este reconhecimento vir dos próprios políticos, o que considero um acto de coragem.
Só faltará acrescentar à decisão um pequeno pormenor, qual seja que os deputados passem a receber por senha de presença no plenário, em alternativa ao sistema de salário mensal (x14, pois claro).
Mas, como Roma e Pavia não se fizeram num dia, estou certo que este será o passo que, como corolário lógico, se lhe seguirá. Aliás agora apenas um pequeno passo, pois que para tanto bastará que um deputado do PSD se levante.
Espero ainda que o Sr. Ministro das Finanças esteja atento a esta notícia e que alguém a traduza para os Srs. Troikianos. Como espero que dela saibam tirar as inerentes ilações.
E viva a nossa democracia!
Palavras chave:
frf
Domingo, Outubro 23, 2011
O senhor D. Lourençote de Melena e Pá
Sua excelência voltou a falar para o microfone!
Não em Abril, como habitualmente, mas hoje, em pleno Outono já chuvoso.
Esclareceu-nos, com toda a sua sapiência política, que o país está a viver uma nova revolução, agora de sinal contrário à da de sua co-paternidade.
Parafraseando o senhor presidente da PT, mas sem mencionar que o citava, apelidou-a também de PREC da direita.
Garantiu-nos ainda uma boa dose de convulsão social.
Aos soldadinhos apelou à desobediência.
O senhor ministro da defesa diz que o ruído é legítimo.
Boa sorte Sr. JPA-B
Não em Abril, como habitualmente, mas hoje, em pleno Outono já chuvoso.
Esclareceu-nos, com toda a sua sapiência política, que o país está a viver uma nova revolução, agora de sinal contrário à da de sua co-paternidade.
Parafraseando o senhor presidente da PT, mas sem mencionar que o citava, apelidou-a também de PREC da direita.
Garantiu-nos ainda uma boa dose de convulsão social.
Aos soldadinhos apelou à desobediência.
O senhor ministro da defesa diz que o ruído é legítimo.
Boa sorte Sr. JPA-B
Palavras chave:
frf,
vasco lourenço
Sábado, Outubro 01, 2011
Sinais dos tempos
Os pupilos de minha mulher, educadora de infância, têm idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos. Tempos atrás levou-os a experimentarem o novo Metro do Porto e a visitar o então também novo estádio do Dragão.
Para acesso à estação de Metro foi contratado um autocarro dos STCP.
O Metro foi pois experimentado e o Dragão foi também visitado mas, acreditem ou não, a grande aventura e a verdadeira emoção da pequenada foi o transporte de autocarro entre a escola e a estação do Metro, que todos estavam acostumados a ver circular na cidade, mas em que nenhum deles tinha ainda viajado.
Para acesso à estação de Metro foi contratado um autocarro dos STCP.
O Metro foi pois experimentado e o Dragão foi também visitado mas, acreditem ou não, a grande aventura e a verdadeira emoção da pequenada foi o transporte de autocarro entre a escola e a estação do Metro, que todos estavam acostumados a ver circular na cidade, mas em que nenhum deles tinha ainda viajado.
Palavras chave:
frf
Terça-feira, Setembro 27, 2011
Contra a corrente, permitam-me.
Estou cansado de ouvir e de ler todos os ataques que, de há muito, são lançados contra a senhora Merkel, como se ela fosse a mãe de todos os nossos males e de todas as maleitas europeias, assim como me fatigam os suspiros de pré-alívio, com que normalmente se sufixam tais ataques, e unanimemente lhe prescrevem uma estrondosa derrota eleitoral que a sacudirá violentamente da cadeira de chanceler e, assim dela libertados, a Europa e o país poderão de novo respirar.
E tudo o que ouço e leio neste sentido não tem a mínima correspondência no que leio e ouço à dita senhora, nem nesta consigo vislumbrar as malévolas e obscuras intenções que a nossa opinião publicada, sistematicamente e em crescendo, lhe vem atribuindo.
A agressividade de Manuel António Pina, que acabei de ler no JN de hoje e que chega ao ponto de lhe atribuir a maquiavélica intenção de querer conseguir com os juros o que a Alemanha não conseguira antes com os panzer, foi a gota de água que me fez vir aqui teclar.
Na verdade, tudo quanto sinto é apenas que, no meio de uma Europa semi conformada, semi estonteada, e quase incapaz de reagir, a senhora Merkel é a única que, mantendo ideias claras e cabeça erguida, está a lutar em defesa do €uro.
Ao fazê-lo a todo o custo, inclusive para os alemães e para si própria, está ainda a defender a Europa, pois de há muito que ela percebeu que a queda do €uro acarretará consigo a da União Europeia.
E tudo o que ouço e leio neste sentido não tem a mínima correspondência no que leio e ouço à dita senhora, nem nesta consigo vislumbrar as malévolas e obscuras intenções que a nossa opinião publicada, sistematicamente e em crescendo, lhe vem atribuindo.
A agressividade de Manuel António Pina, que acabei de ler no JN de hoje e que chega ao ponto de lhe atribuir a maquiavélica intenção de querer conseguir com os juros o que a Alemanha não conseguira antes com os panzer, foi a gota de água que me fez vir aqui teclar.
Na verdade, tudo quanto sinto é apenas que, no meio de uma Europa semi conformada, semi estonteada, e quase incapaz de reagir, a senhora Merkel é a única que, mantendo ideias claras e cabeça erguida, está a lutar em defesa do €uro.
Ao fazê-lo a todo o custo, inclusive para os alemães e para si própria, está ainda a defender a Europa, pois de há muito que ela percebeu que a queda do €uro acarretará consigo a da União Europeia.
Palavras chave:
frf,
Sra. Merkel
Segunda-feira, Setembro 12, 2011
TSU, única para quem?
Do que por aí se vai comentado sobre o memorando de entendimento com a Troika, sem dúvida que a discussão da chamada Taxa Social Única (TSU) é a campeã.
Mas única para quem? Naturalmente que apenas para a sua cobradora, no caso a Segurança Social.
Porém, como todos sabemos, esta taxa social não cobre a protecção no caso de acidente de trabalho, cuja taxa é paga às seguradoras. E embora esta tenha valores variáveis, não andarei longe da verdade se disser que, em média, ela rondará os 1,25% dos salários.
Por isto que, ao invés de TSU, no orçamento cá do quiosque, eu as inscrevo como ESO (Encargos Sociais Obrigatórios). E os calculo com 25% dos salários, acescidos ainda do custo daqueles burocráticos exames médicos, hoje também obrigatórios.
Ainda ontem o Público noticiava que igualmente António Borges, hoje um dos homens fortes do FMI para a Europa, juntava a sua voz aos que defendem a importância da redução da dita TSU para a nossa economia.
Não sei se o será ou não. Em teoria talvez, mas na prática...
O que sei é que uma eventual redução da TSU, compensada por IVA, é, no mínimo, uma transferência de um encargo patronal para os trabalhadores, na medida em que serão estes a pagar o tal IVA que a irá compensar.
Mas o que me faz pasmar é que, no meio desta discussão para eventual descida da TSU, esteja hoje a haver uma outra, em que Governo, Patrões e Sindicatos discutem, com estranha ligeireza, um novo aumento dos custos sociais do trabalho em mais 1% ainda para uma treta chamada fundo de despedimento.
Ao que dizem só para novos trabalhadores, o que não deixará de ser também mais um forte desincentivo a novas contratações, que cuido conviria antes incentivar.
Vá lá a gente entender esta gente!
Mas única para quem? Naturalmente que apenas para a sua cobradora, no caso a Segurança Social.
Porém, como todos sabemos, esta taxa social não cobre a protecção no caso de acidente de trabalho, cuja taxa é paga às seguradoras. E embora esta tenha valores variáveis, não andarei longe da verdade se disser que, em média, ela rondará os 1,25% dos salários.
Por isto que, ao invés de TSU, no orçamento cá do quiosque, eu as inscrevo como ESO (Encargos Sociais Obrigatórios). E os calculo com 25% dos salários, acescidos ainda do custo daqueles burocráticos exames médicos, hoje também obrigatórios.
Ainda ontem o Público noticiava que igualmente António Borges, hoje um dos homens fortes do FMI para a Europa, juntava a sua voz aos que defendem a importância da redução da dita TSU para a nossa economia.
Não sei se o será ou não. Em teoria talvez, mas na prática...
O que sei é que uma eventual redução da TSU, compensada por IVA, é, no mínimo, uma transferência de um encargo patronal para os trabalhadores, na medida em que serão estes a pagar o tal IVA que a irá compensar.
Mas o que me faz pasmar é que, no meio desta discussão para eventual descida da TSU, esteja hoje a haver uma outra, em que Governo, Patrões e Sindicatos discutem, com estranha ligeireza, um novo aumento dos custos sociais do trabalho em mais 1% ainda para uma treta chamada fundo de despedimento.
Ao que dizem só para novos trabalhadores, o que não deixará de ser também mais um forte desincentivo a novas contratações, que cuido conviria antes incentivar.
Vá lá a gente entender esta gente!
Quinta-feira, Agosto 11, 2011
Curva em W, ou antes em L?
Quando as ondas do "subprime" nos States começaram a rebentar nas costas de ambos os lados do Atlântico Norte, dando sentido descendente à linha da evolução económica dita ocidental, alguns economistas/analistas vaticinaram então que esta iria descrever uma curva em "W", isto é, que àquela descida sobreviria alguma recuperação, seguida de nova recessão, sendo que só após esta segunda quebra se voltaria a ver a linha subir estavelmente no gráfico.
Já por aí os há agora a dizer que os recentes tremores bolsistas confirmam a entrada no segundo "V" daquele anunciado "W". Mas eu, que de curvas e contracurvas, para além das da minha barriga, só entendo as da estrada, cheira-me que a coisa não funciona bem assim, antes me parecendo que a linha da evolução económica está a descrever um "L" e não um "W" (e se o “L” se virá a transformar em "U", a ver vamos...)
Com efeito, todo este palavreado de crises-para-lá-subcrises-para-cá me cheira apenas a uma única crise: a da Dívida. A Pública e a Outra. Como me palpita que ela por aí se irá manter por mais uns anitos ainda.
Na realidade, tanto europeus como norte-americanos, todos nos habituamos a viver acima das nossas reais possibilidades, temos Estados gordos e demasiado sociais (mais os de cá que os de lá) que, para além de reguladores, intervêm ainda demasiado na economia, quer como grandes patrões, quer mesmo como agentes económicos. Como dinheiro público é coisa que não existe, nem cai do céu como a chuva deste verão, tudo devia ser alimentado pelas contribuições fiscais da economia privada. Como estas, apesar de pesadas, ainda são insuficientes, recorre-se então ao crédito para colmatar o diferencial. Mas de tal modo continuado até que as agências de notação, fazendo apenas o trabalho que lhes pagamos, gritam: Cuidado! E prontos, logo o credor geme: Ai Jesus! vasculhando apressadamente na gaveta o seu livro de facturas. E os políticos berram aos eleitores: Ai os malandros dos Mercados!
Não sei que aspecto têm os Mercados mas cá para mim imagino-os sempre com cara de quem frequenta o Jardim Infantil. Efectivamente não conheço coisa mais irracional, e mimada, que os Mercados. Para os tentar manter sossegados, logo os Políticos (e os seus bancos centrais) juntam os pesinhos debaixo da mesma mesa, sobre a qual rabiscam umas tantas declarações que lhes oferecem. Mas os Mercados, como meninos mimados que são, logo pedem mais. E algo mais docinho. Pesinhos de novo debaixo da mesa e lá vai mais um chupa-chupa, mas que depois de todo lambidinho traz nova birrita, pois claro!
Não sei para que lado penderá esta troca de piropos político-mercantil, mas parece-me claro que, para conseguirem acalmar realmente os Mercados, os Políticos ocidentais vão mesmo ter que passar do chupa-chupa para o grande cone de gelados vários. E com muito creme em cima. Só que isto já implicará, tanto para norte-americanos como para europeus, repartir com os Mercados algumas das bolas de gelado a que tanto se habituaram.
Estaremos dispostos a isto? A viver mais moderadamente? A ser mais comedidos no nosso (também irracional) ímpeto consumista? No fundo, a baixar um pouco o nosso fantástico nível de vida e, com este, trazer finalmente a Dívida para níveis sustentáveis?
Haverá alternativa?
Já por aí os há agora a dizer que os recentes tremores bolsistas confirmam a entrada no segundo "V" daquele anunciado "W". Mas eu, que de curvas e contracurvas, para além das da minha barriga, só entendo as da estrada, cheira-me que a coisa não funciona bem assim, antes me parecendo que a linha da evolução económica está a descrever um "L" e não um "W" (e se o “L” se virá a transformar em "U", a ver vamos...)
Com efeito, todo este palavreado de crises-para-lá-subcrises-para-cá me cheira apenas a uma única crise: a da Dívida. A Pública e a Outra. Como me palpita que ela por aí se irá manter por mais uns anitos ainda.
Na realidade, tanto europeus como norte-americanos, todos nos habituamos a viver acima das nossas reais possibilidades, temos Estados gordos e demasiado sociais (mais os de cá que os de lá) que, para além de reguladores, intervêm ainda demasiado na economia, quer como grandes patrões, quer mesmo como agentes económicos. Como dinheiro público é coisa que não existe, nem cai do céu como a chuva deste verão, tudo devia ser alimentado pelas contribuições fiscais da economia privada. Como estas, apesar de pesadas, ainda são insuficientes, recorre-se então ao crédito para colmatar o diferencial. Mas de tal modo continuado até que as agências de notação, fazendo apenas o trabalho que lhes pagamos, gritam: Cuidado! E prontos, logo o credor geme: Ai Jesus! vasculhando apressadamente na gaveta o seu livro de facturas. E os políticos berram aos eleitores: Ai os malandros dos Mercados!
Não sei que aspecto têm os Mercados mas cá para mim imagino-os sempre com cara de quem frequenta o Jardim Infantil. Efectivamente não conheço coisa mais irracional, e mimada, que os Mercados. Para os tentar manter sossegados, logo os Políticos (e os seus bancos centrais) juntam os pesinhos debaixo da mesma mesa, sobre a qual rabiscam umas tantas declarações que lhes oferecem. Mas os Mercados, como meninos mimados que são, logo pedem mais. E algo mais docinho. Pesinhos de novo debaixo da mesa e lá vai mais um chupa-chupa, mas que depois de todo lambidinho traz nova birrita, pois claro!
Não sei para que lado penderá esta troca de piropos político-mercantil, mas parece-me claro que, para conseguirem acalmar realmente os Mercados, os Políticos ocidentais vão mesmo ter que passar do chupa-chupa para o grande cone de gelados vários. E com muito creme em cima. Só que isto já implicará, tanto para norte-americanos como para europeus, repartir com os Mercados algumas das bolas de gelado a que tanto se habituaram.
Estaremos dispostos a isto? A viver mais moderadamente? A ser mais comedidos no nosso (também irracional) ímpeto consumista? No fundo, a baixar um pouco o nosso fantástico nível de vida e, com este, trazer finalmente a Dívida para níveis sustentáveis?
Haverá alternativa?
Quarta-feira, Julho 20, 2011
Armas a dar c’um pau
Por opção nunca tive arma de defesa, pois sei que não teria a coragem suficiente para premir o gatilho, preferindo arriscar-me a levar duas bofetadas do que um tiro, caso a exibisse a alguém que também estivesse armado. Aliás, nunca consegui perceber a diferença entre arma de defesa ou de ataque. A mim parecem-me todas iguais.
Mesmo tendo decidido andar desarmado, há alguns anos atrás fui parado ao entrar na sala de embarque do aeroporto, onde me aprenderam uma arma que eu julgava não ter. Tratava-se, imagine-se, da minha pequena e velha tesoura para unhas, que sempre até então viajava comigo, mas entretanto classificada como arma, e logo de ataque. Passada a vergonha, meti-a num envelope onde escrevi o meu nome e pedi ao polícia que me parara para o guardar, que dentro de dias passaria o apanhá-lo. No regresso lá recuperei a dita tesoura e, a partir daí, sempre que viajo só com bagagem de mão, tenho o cuidado de deixar aquela minha potente arma em casa.
Depois da tesourinha foram os frasquinhos que também começaram a ser tratados como armas. Lá tive que comprar espuma de barbear em embalagem mais pequena, pois que a sua classificação como arma dependia de uma qualquer cubicagem. Claro que em casa continuo a ter a de tamanho normal, que sempre dura mais tempo, e quando viajo de carro também, pois que, até ver, os hotéis vão-me aceitando assim ferozmente armado.
No entanto, nunca havia percebido como a espuma de barbear, que me continua a parecer coisa inofensiva, poderia ser usada como arma de ataque.
Até que ontem a vi em acção na audiência ao Sr. Murdoch.
Felizmente só o seu casaco ficou gravemente ferido, pelo que pôde continuar a ser ouvido em mangas de camisa.
Mesmo tendo decidido andar desarmado, há alguns anos atrás fui parado ao entrar na sala de embarque do aeroporto, onde me aprenderam uma arma que eu julgava não ter. Tratava-se, imagine-se, da minha pequena e velha tesoura para unhas, que sempre até então viajava comigo, mas entretanto classificada como arma, e logo de ataque. Passada a vergonha, meti-a num envelope onde escrevi o meu nome e pedi ao polícia que me parara para o guardar, que dentro de dias passaria o apanhá-lo. No regresso lá recuperei a dita tesoura e, a partir daí, sempre que viajo só com bagagem de mão, tenho o cuidado de deixar aquela minha potente arma em casa.
Depois da tesourinha foram os frasquinhos que também começaram a ser tratados como armas. Lá tive que comprar espuma de barbear em embalagem mais pequena, pois que a sua classificação como arma dependia de uma qualquer cubicagem. Claro que em casa continuo a ter a de tamanho normal, que sempre dura mais tempo, e quando viajo de carro também, pois que, até ver, os hotéis vão-me aceitando assim ferozmente armado.
No entanto, nunca havia percebido como a espuma de barbear, que me continua a parecer coisa inofensiva, poderia ser usada como arma de ataque.
Até que ontem a vi em acção na audiência ao Sr. Murdoch.
Felizmente só o seu casaco ficou gravemente ferido, pelo que pôde continuar a ser ouvido em mangas de camisa.
Domingo, Julho 17, 2011
Cavaquices
Depois de um primeiro mandato em que chegou a pecar por um exagerado, e por vezes mesmo inoportuno, silêncio, Cavaco virou agora palavroso.
Creio que ainda todos se recordarão do episódio das escutas a Belém, cujo absurdo silêncio bem prejudicou Ferreira Leite, só muito tarde explicado com patéticas declarações ao país e nenhuma explicação.
Mas desde que Sócrates se decidiu dedicar a Sócrates tem sido um ver se te avias. Patatá para aqui, patati para acolá e prontos, lá vai fazendo as suas recomendações ao novo governo, e à própria Europa, pois que os jovens são tontos e o papá é que sabe.
Esta semana, depois de se intrometer na saúde e de verberar as agências de notação, veio ainda a público defender a desvalorização do euro face ao dólar. Ao que diz, para aumentar a competitividade europeia...
Claro que o BE logo se congratulou!
É sabido que Cavaco não morre de amores por Passos Coelho. Eu também não. Mas não estou sempre a tentar entalá-lo.
O pior é que, como sucedera já no tempo Soares/Cavaco, voltamos a ter um país a duas vozes, coisa que a Europa tem dificuldade em digerir. Só que agora é Cavaco quem está sentado na cadeira de Soares...
Creio que ainda todos se recordarão do episódio das escutas a Belém, cujo absurdo silêncio bem prejudicou Ferreira Leite, só muito tarde explicado com patéticas declarações ao país e nenhuma explicação.
Mas desde que Sócrates se decidiu dedicar a Sócrates tem sido um ver se te avias. Patatá para aqui, patati para acolá e prontos, lá vai fazendo as suas recomendações ao novo governo, e à própria Europa, pois que os jovens são tontos e o papá é que sabe.
Esta semana, depois de se intrometer na saúde e de verberar as agências de notação, veio ainda a público defender a desvalorização do euro face ao dólar. Ao que diz, para aumentar a competitividade europeia...
Claro que o BE logo se congratulou!
É sabido que Cavaco não morre de amores por Passos Coelho. Eu também não. Mas não estou sempre a tentar entalá-lo.
O pior é que, como sucedera já no tempo Soares/Cavaco, voltamos a ter um país a duas vozes, coisa que a Europa tem dificuldade em digerir. Só que agora é Cavaco quem está sentado na cadeira de Soares...
Segunda-feira, Junho 27, 2011
Estado de graça v. estado engraçado
É costume da comunicação social cá do sítio e dos seus habituais comentaristas (que ultimamente se reproduzem como coelhos) conceder aos novos governos um “estado de graça” inicial. Dizem que é para os novos ministros terem tempo de meter o nariz nos pendentes, embora eu suspeite que a coisa tem mais a ver com decoração de gabinetes. Tanto de secretárias e de quadros, como de Secretárias e de Quadros.
Com este novel governo toda a comunicação social foi unânime em lhe esvasiar um tal período introdutório. Não porque não o merecesse ou a ele não tivesse direito, mas tão simplesmente porque tempo para tanto não lhe quedava. Claro que, sem estado de graça, logo os comentaristas de serviço começaram a zurzir no anunciado governo. Mesmo antes de empossado.
Pessoalmente achei bastante graça ao elenco anunciado. Pela juventude, por algum (pelo menos aparente) descomprometimento, por alguma experiência de gestão ou de ambientes internacionais, mas sobretudo, como costuma dizer Medina Carreira, por ter também gente de profissão. Já que não tinha direito a “estado de graça” decidi então conceder a Passos Coelho um “estado engraçado”.
Um nome ficara, porém, a arranhar o meu ouvido: José Relvas. Como se lhe apontavam os assuntos parlamentares, embora para lamentar acabei por aceitar que até poderia dar algum jeito deixá-lo a aturar as oposições. Só não entendo porque necessita agora de um secretário de estado. Será que um fica com os assuntos parlamentares da maioria e outro com os das oposições?
Regressado de um fim-de-semana (ou já será “fim de semana”?) prolongado e sem notícias, sou agora surpreendido com um outro nome demasiado arranhativo: Marco António Costa. E logo na delicada e sensível área da Segurança Social.
Foi quanto me bastou para retirar ao senhor Passos Coelho o “estado engraçado” que na semana anterior lhe havia concedido. O que aqui declaro.
Com este novel governo toda a comunicação social foi unânime em lhe esvasiar um tal período introdutório. Não porque não o merecesse ou a ele não tivesse direito, mas tão simplesmente porque tempo para tanto não lhe quedava. Claro que, sem estado de graça, logo os comentaristas de serviço começaram a zurzir no anunciado governo. Mesmo antes de empossado.
Pessoalmente achei bastante graça ao elenco anunciado. Pela juventude, por algum (pelo menos aparente) descomprometimento, por alguma experiência de gestão ou de ambientes internacionais, mas sobretudo, como costuma dizer Medina Carreira, por ter também gente de profissão. Já que não tinha direito a “estado de graça” decidi então conceder a Passos Coelho um “estado engraçado”.
Um nome ficara, porém, a arranhar o meu ouvido: José Relvas. Como se lhe apontavam os assuntos parlamentares, embora para lamentar acabei por aceitar que até poderia dar algum jeito deixá-lo a aturar as oposições. Só não entendo porque necessita agora de um secretário de estado. Será que um fica com os assuntos parlamentares da maioria e outro com os das oposições?
Regressado de um fim-de-semana (ou já será “fim de semana”?) prolongado e sem notícias, sou agora surpreendido com um outro nome demasiado arranhativo: Marco António Costa. E logo na delicada e sensível área da Segurança Social.
Foi quanto me bastou para retirar ao senhor Passos Coelho o “estado engraçado” que na semana anterior lhe havia concedido. O que aqui declaro.
Terça-feira, Junho 14, 2011
Lá vamos, cantando e rindo...
Pode ler-se no sumário de um Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, publicado no Diário da República do passado dia 9:
"O técnico de telecomunicações aeronáuticas deve assegurar, quando necessário, a condução da viatura para o exercício das suas funções desde que para tal esteja legalmente habilitado, salvo nos casos previstos nos n.os 9 e 10 da cláusula 34.ª do acordo de empresa TTA".
Depois do Tribunal do Trabalho de Lisboa e do Tribunal da Relação de Lisboa se terem pronunciado sobre, o que suponho ser, esta transcendente questão, foi a agora a vez do nosso Supremo Tribunal a decidir.
E assim se consome tempo, energia, recursos e dinheiro neste nosso pobre país.
"O técnico de telecomunicações aeronáuticas deve assegurar, quando necessário, a condução da viatura para o exercício das suas funções desde que para tal esteja legalmente habilitado, salvo nos casos previstos nos n.os 9 e 10 da cláusula 34.ª do acordo de empresa TTA".
Depois do Tribunal do Trabalho de Lisboa e do Tribunal da Relação de Lisboa se terem pronunciado sobre, o que suponho ser, esta transcendente questão, foi a agora a vez do nosso Supremo Tribunal a decidir.
E assim se consome tempo, energia, recursos e dinheiro neste nosso pobre país.
Palavras chave:
frf
Quarta-feira, Junho 08, 2011
Contra a mudança, resistir, resistir
De há muito que as postas e as rabanadas do Nortadas deixavam transparecer uma forte necessidade de mudança. As urnas confirmaram-na. É pois tempo de mudança.
Do memorando da troika também se percebe que os ventos da mudança deverão agora soprar todos num mesmo sentido. É a economia, estúpidos, poderia ter ficado registado na sua introdução.
Em 3 semanas a troika redigiu o plano de mudança que os nossos políticos não conseguiram em 30 anos. Fizeram-no curiosamente com as ideias destes mesmos políticos, que se limitaram a anotar, a estruturar e a calendarizar.
Assim, para além do deve/haver das contas públicas, o memorando esboça ainda uma série de reformas que o país necessita de implementar.
São reformas no sistema financeiro, no sector da administração pública, no mercado de trabalho, na educação, nos domínios das empresas públicas, no imobiliário, na justiça e na concorrência.
Todas estas reformas estão lá consideradas como condições para que a economia funcione. Se esta funcionar, crescerá. Se crescer, gerará as receitas necessárias à resolução dos nossos problemas.
Claro que o actual sistema alimenta muita gente que, vivendo nele, dele e para ele, só lhe restará tentar resistir à mudança. Ambos os partidos comunistas já o anunciaram e ameaçaram. É ruído com que conseguirei viver e que não me preocupa.
Na verdade, preocupa-me mais o ruído que ecoa agora do interior do próprio partido do governo. Fernando Ruas foi um dos primeiros a contestar as medidas do memorando que tocam ligeiramente a mama municipal.
A capacidade para entender a necessidade das mudanças previstas e para as conseguir implementar de modo inteligente, são critérios que deverão orientar a formação da nova equipa governamental. Seria, sem dúvida, desastroso que um qualquer foco de resistência à mudança nesta se pudesse instalar.
Nesta matéria, tenho já ouvido por aí algumas preocupações com o que poderão ser as exigências do Sr. Paulo Portas. Muito sinceramente, preocupa-me mais o que poderão ser as escolhas do Sr. Passos Coelho.
Do memorando da troika também se percebe que os ventos da mudança deverão agora soprar todos num mesmo sentido. É a economia, estúpidos, poderia ter ficado registado na sua introdução.
Em 3 semanas a troika redigiu o plano de mudança que os nossos políticos não conseguiram em 30 anos. Fizeram-no curiosamente com as ideias destes mesmos políticos, que se limitaram a anotar, a estruturar e a calendarizar.
Assim, para além do deve/haver das contas públicas, o memorando esboça ainda uma série de reformas que o país necessita de implementar.
São reformas no sistema financeiro, no sector da administração pública, no mercado de trabalho, na educação, nos domínios das empresas públicas, no imobiliário, na justiça e na concorrência.
Todas estas reformas estão lá consideradas como condições para que a economia funcione. Se esta funcionar, crescerá. Se crescer, gerará as receitas necessárias à resolução dos nossos problemas.
Claro que o actual sistema alimenta muita gente que, vivendo nele, dele e para ele, só lhe restará tentar resistir à mudança. Ambos os partidos comunistas já o anunciaram e ameaçaram. É ruído com que conseguirei viver e que não me preocupa.
Na verdade, preocupa-me mais o ruído que ecoa agora do interior do próprio partido do governo. Fernando Ruas foi um dos primeiros a contestar as medidas do memorando que tocam ligeiramente a mama municipal.
A capacidade para entender a necessidade das mudanças previstas e para as conseguir implementar de modo inteligente, são critérios que deverão orientar a formação da nova equipa governamental. Seria, sem dúvida, desastroso que um qualquer foco de resistência à mudança nesta se pudesse instalar.
Nesta matéria, tenho já ouvido por aí algumas preocupações com o que poderão ser as exigências do Sr. Paulo Portas. Muito sinceramente, preocupa-me mais o que poderão ser as escolhas do Sr. Passos Coelho.
Terça-feira, Junho 07, 2011
Os nossos elefantes brancos
A reunião era só às 14h30. Dava pois para sair calmamente do Porto a meio da manhã. Sendo em Paço de Arcos, a segunda auto-estrada que liga o Porto a Lisboa era ainda uma opção. Como o meu carro já aderiu (ou foi forçado a aderir) a um daqueles aparelhinhos pagantes das Ccut, assim decidi fazer e, depois de Antuã, lá tomei a direcção de Aveiro, rumo à crel.
Pouco depois apresentava-se à minha esquerda o famoso estádio de futebol do Beira Mar, que lá se vai mantendo em pé. Até quando?
Vieram-me então à memória outros que tais, como é o caso do de Faro. Vão-se os clubes mas fiquem aquelas belezas de cimento. Mas como, mesmo vazios, mantê-los em pé tem custos, empurrem-se as facturas para os cofres públicos... De minha casa ainda avisto o do Bessa que lhes vai seguindo as pisadas.
A certa altura lá entrei na famosa A17. Nova, de fácil condução e três magníficas pistas para cada lado. Uma maravilha a que só falta uma pequena coisa: veículos a circular! Na manhã seguinte, ao p’ra cima, tomei a A1. Sempre se vê algum movimento e ainda tem uma saída bem perto da Bairrada, que permite algo mais que duas fatias de pão saloio embrulhadas em celofane.
À noite o jantar era em Leça. Passado o Castelo do Queijo, também à minha esquerda se apresentou o famoso edifício, que dá pelo estranho nome de transparente, e que alguém achou que ali poderia ficar bonito. Foram anos em plena degradação até que se lhe arranjasse uma qualquer duvidosa utilidade...
Já em Leça, uma vez mais à esquerda, avisto ainda a também famosa, e cara, estrutura a que pomposamente apelidam de estação de tratamento de efluentes, mas que mais não é que um mísero tanque de decantação, que aliás pouco decanta, e que atira toda a porcaria para mais longe da costa, por um caríssimo tubo construído sob o mar, que fora planeado com 2,8 kms, mas que as dificuldades rochosas encontradas (?) obrigou a fazer mais curto. Faz lembrar o que comprou uma boquilha quando o médico lhe recomendou que se afastasse do cigarro... Com o dinheiro gasto ter-se-ia feito um tratamento aeróbio, seguramente bem mais eficiente.
Tal como estes, o país está cheio de muitos outros elefantes brancos. Como de muitas outras estranhas construções que, a final, só o destróiem...
E assim vai um país pobre gastando rios de dinheiro, naturalmente dos outros, para que na eleição seguinte o povo reconheça que foi feita “obra”. A ver vamos se vai a haver mudança de hora!
Pouco depois apresentava-se à minha esquerda o famoso estádio de futebol do Beira Mar, que lá se vai mantendo em pé. Até quando?
Vieram-me então à memória outros que tais, como é o caso do de Faro. Vão-se os clubes mas fiquem aquelas belezas de cimento. Mas como, mesmo vazios, mantê-los em pé tem custos, empurrem-se as facturas para os cofres públicos... De minha casa ainda avisto o do Bessa que lhes vai seguindo as pisadas.
A certa altura lá entrei na famosa A17. Nova, de fácil condução e três magníficas pistas para cada lado. Uma maravilha a que só falta uma pequena coisa: veículos a circular! Na manhã seguinte, ao p’ra cima, tomei a A1. Sempre se vê algum movimento e ainda tem uma saída bem perto da Bairrada, que permite algo mais que duas fatias de pão saloio embrulhadas em celofane.
À noite o jantar era em Leça. Passado o Castelo do Queijo, também à minha esquerda se apresentou o famoso edifício, que dá pelo estranho nome de transparente, e que alguém achou que ali poderia ficar bonito. Foram anos em plena degradação até que se lhe arranjasse uma qualquer duvidosa utilidade...
Já em Leça, uma vez mais à esquerda, avisto ainda a também famosa, e cara, estrutura a que pomposamente apelidam de estação de tratamento de efluentes, mas que mais não é que um mísero tanque de decantação, que aliás pouco decanta, e que atira toda a porcaria para mais longe da costa, por um caríssimo tubo construído sob o mar, que fora planeado com 2,8 kms, mas que as dificuldades rochosas encontradas (?) obrigou a fazer mais curto. Faz lembrar o que comprou uma boquilha quando o médico lhe recomendou que se afastasse do cigarro... Com o dinheiro gasto ter-se-ia feito um tratamento aeróbio, seguramente bem mais eficiente.
Tal como estes, o país está cheio de muitos outros elefantes brancos. Como de muitas outras estranhas construções que, a final, só o destróiem...
E assim vai um país pobre gastando rios de dinheiro, naturalmente dos outros, para que na eleição seguinte o povo reconheça que foi feita “obra”. A ver vamos se vai a haver mudança de hora!
Domingo, Maio 22, 2011
Eu tenho dois chapéus, que em nada são iguais...
O senhor Vieira da Silva, com o seu chapéu de ministro da economia (que no governo tutela as questões da concorrência), aceitou a análise e subscreveu o memorando de entendimento com a troika (o tal que o seu chefe qualificou como um bom acordo), cujo último capítulo prevê a implementação de diversas medidas susceptíveis de fomentar a concorrência e, consequentemente, a competitividade da nossa economia.
O senhor Vieira da Silva, agora com o chapéu de candidato a deputado pelo PS, rejeitou a análise do FMI quanto à falta de concorrência como o principal problema económico português.
Segundo O Económico: "Estou longe de considerar que as deficiências [na concorrência] sejam responsáveis pela debilidade da nossa competitividade", disse Vieira da Silva, que falava à agência Lusa enquanto cabeça de lista do Partido Socialista pelo distrito de Setúbal, à margem de uma acção de campanha eleitoral, na noite de sábado.
Dúvidas não poderão existir que não é indiferente quem irá (ou com quem se irá)implementar as medidas do memorando.
O senhor Vieira da Silva, agora com o chapéu de candidato a deputado pelo PS, rejeitou a análise do FMI quanto à falta de concorrência como o principal problema económico português.
Segundo O Económico: "Estou longe de considerar que as deficiências [na concorrência] sejam responsáveis pela debilidade da nossa competitividade", disse Vieira da Silva, que falava à agência Lusa enquanto cabeça de lista do Partido Socialista pelo distrito de Setúbal, à margem de uma acção de campanha eleitoral, na noite de sábado.
Dúvidas não poderão existir que não é indiferente quem irá (ou com quem se irá)implementar as medidas do memorando.
Palavras chave:
concorrência,
frf
Sexta-feira, Maio 06, 2011
Troikas e baldroikas
Desta feita o Norte não se deixou intimidar pela capital. Não encomendou nenhuma, mas criou a sua própria troika (FCP, SCB e VdG).
Que animarão, ora a final de Dublin, ora a do Jamor.
Desculpem-me este pequeno orgulho...
Que animarão, ora a final de Dublin, ora a do Jamor.
Desculpem-me este pequeno orgulho...
Palavras chave:
frf
Terça-feira, Maio 03, 2011
Estou de volta
Prontos, tá feito. A peça avariada lá me foi tirada e eu, já recuperado da tiração, cá vou retomando a normalidade.
No final, o tirador tinha cara de satisfação com a tiragem feita. Pelo menos assim me pareceu. Ou assim quis que me parecesse…
À saída fiquei algum tempo a contemplar o edifício e a tentar perceber qual das suas janelas albergaria agora a minha peça avariada (foi para análise, disseram).
A janela até poderia ser nas traseiras. Inclinei-me, pois, tão respeitosamente quanto os agrafos me permitiram, perante a fachada central daquele edifício onde, pelo menos para já, jazia aquela peça que até hoje fizera parte de mim e sempre acompanhara a minha vida, tanto privada como social, assim lhe acenando um definitivo adeus, pois que dela agora apenas receberei um póstumo relato analítico.
Desconheço que destino lhe virá a ser dado, mas imagino que, pelo menos a final, acabará por seguir para incineração, quiçá mesmo como mero resíduo hospitalar e sem qualquer dignidade.
Porém, como no caso a tiração ocorreu na capital do (ainda) reino dos belgas que, para além de capital europeia, também se arvora em capital da Europa, acabei por dali abalar com um maroto sorriso de cumplicidade com o vulcão islandês.
No final, o tirador tinha cara de satisfação com a tiragem feita. Pelo menos assim me pareceu. Ou assim quis que me parecesse…
À saída fiquei algum tempo a contemplar o edifício e a tentar perceber qual das suas janelas albergaria agora a minha peça avariada (foi para análise, disseram).
A janela até poderia ser nas traseiras. Inclinei-me, pois, tão respeitosamente quanto os agrafos me permitiram, perante a fachada central daquele edifício onde, pelo menos para já, jazia aquela peça que até hoje fizera parte de mim e sempre acompanhara a minha vida, tanto privada como social, assim lhe acenando um definitivo adeus, pois que dela agora apenas receberei um póstumo relato analítico.
Desconheço que destino lhe virá a ser dado, mas imagino que, pelo menos a final, acabará por seguir para incineração, quiçá mesmo como mero resíduo hospitalar e sem qualquer dignidade.
Porém, como no caso a tiração ocorreu na capital do (ainda) reino dos belgas que, para além de capital europeia, também se arvora em capital da Europa, acabei por dali abalar com um maroto sorriso de cumplicidade com o vulcão islandês.
Palavras chave:
frf
Sexta-feira, Abril 15, 2011
VOLTO JÁ
Sempre me irritaram estes letreiros que por vezes encontro na porta do quiosque e me obrigam a ir comprar o jornal mais longe, ou a voltar mais tarde, enquanto a lojista toma café e tagarela com a colega da loja ao lado.
Mas agora chegou a minha vez de a ele aqui recorrer, assim aprendendo a calar que desta água não beberei, como sugere a sabedoria popular.
Será uma ausência de duas semanitas que, em época pascal, provavelmente nem se notaria se aqui não colocasse o dito letreiro. Mas não escrever com desculpa sempre me livrará de umas bocas.
Na última revisão, os médicos descobriram uma peça avariada na minha máquina e que a prudência aconselha a tirar, pelo que lá terei que voltar ao estaleiro para mais umas obritas.
É engraçada esta coisa de nos irem tirando peças e a máquina continuar a trabalhar. Já é a segunda que me tiram, para além de uma outra que me colocaram fora de serviço.
Por vezes também avaria uma peça no meu carro, mas aí tenho de a substituir. Mesmo que não faça falta ao andamento, o carro não passaria na próxima inspecção.
Felizmente para mim que o Sócrates ainda não se lembrou de criar inspecções para as pessoas. Seria certamente mais uma atraente fonte de rendimento para as finanças públicas. Mas, e os que não passassem, ficariam impedidos de caminhar na via pública?
Bem sei que poderia continuar a observar o mundo pelo meu tv e a comunicar pelo meu pc, mas por certo até iria ansiar por voltar a ver um “volto já” na porta do quiosque.
Até já, espero!
Mas agora chegou a minha vez de a ele aqui recorrer, assim aprendendo a calar que desta água não beberei, como sugere a sabedoria popular.
Será uma ausência de duas semanitas que, em época pascal, provavelmente nem se notaria se aqui não colocasse o dito letreiro. Mas não escrever com desculpa sempre me livrará de umas bocas.
Na última revisão, os médicos descobriram uma peça avariada na minha máquina e que a prudência aconselha a tirar, pelo que lá terei que voltar ao estaleiro para mais umas obritas.
É engraçada esta coisa de nos irem tirando peças e a máquina continuar a trabalhar. Já é a segunda que me tiram, para além de uma outra que me colocaram fora de serviço.
Por vezes também avaria uma peça no meu carro, mas aí tenho de a substituir. Mesmo que não faça falta ao andamento, o carro não passaria na próxima inspecção.
Felizmente para mim que o Sócrates ainda não se lembrou de criar inspecções para as pessoas. Seria certamente mais uma atraente fonte de rendimento para as finanças públicas. Mas, e os que não passassem, ficariam impedidos de caminhar na via pública?
Bem sei que poderia continuar a observar o mundo pelo meu tv e a comunicar pelo meu pc, mas por certo até iria ansiar por voltar a ver um “volto já” na porta do quiosque.
Até já, espero!
Palavras chave:
frf
Quarta-feira, Abril 13, 2011
Change, change, change, Yes we can!
Quem não se recorda destes slogans repetidos até à exaustão pelo Sr. Barack Obama e que o conduziram a uma estrondosa vitória nas últimas presidenciais dos States?
Uma vez eleito, logo anunciou como primeiríssimo change o encerramento de Guantanamo, com um yes we can e um commitment agendado para final do ano seguinte, mas que tudo se traduziu num estrondoso no we couldn’t.
Um pouco por todo o mundo se geraram então fortes expectativas em tantos changes, até que a coisa se foi esfumando e o Sr. Obama se foi transformando num ilustre desconhecido.
Por cá ainda se falou do seu cão Bo e das vestes de sua mulher Michele.
Do Sr. Barack Obama pouco mais ouvimos, para além de um recente e inócuo apelo ao Sr. Kadafi, a ponto de o poder considerar o presidente americano mais apagado do meu tempo.
O Sr. Obama anunciou recentemente a sua recandidatura à presidência dos EUA, agora com o lema “tudo começa connosco”.
Resta saber se, com este, se pretende dirigir aos americanos, ou a si próprio.
Uma vez eleito, logo anunciou como primeiríssimo change o encerramento de Guantanamo, com um yes we can e um commitment agendado para final do ano seguinte, mas que tudo se traduziu num estrondoso no we couldn’t.
Um pouco por todo o mundo se geraram então fortes expectativas em tantos changes, até que a coisa se foi esfumando e o Sr. Obama se foi transformando num ilustre desconhecido.
Por cá ainda se falou do seu cão Bo e das vestes de sua mulher Michele.
Do Sr. Barack Obama pouco mais ouvimos, para além de um recente e inócuo apelo ao Sr. Kadafi, a ponto de o poder considerar o presidente americano mais apagado do meu tempo.
O Sr. Obama anunciou recentemente a sua recandidatura à presidência dos EUA, agora com o lema “tudo começa connosco”.
Resta saber se, com este, se pretende dirigir aos americanos, ou a si próprio.
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