Vital Moreira é tão estrito no que respeita à sua teorização da responsabilidade política que inclui factos da vida particular e anteriores ao desempenho de funções governativas, duas circunstâncias que já teriam liquidado José Sócrates há muito tempo. Eu nem sou tão exigente como ele. Não creio por exemplo que um primeiro-ministro devesse ser demitido por "fraude académica". É assunto a discutir.
Esqueci-me ainda de referir que todos estes factos no "affair" da Universidade Moderna em 2002 vieram a público em sucessivas violações do segredo de justiça. Na altura não me lembro que tivessem protestado.
Jugular a defender o anonimato nos blogues - desde que seja a favor de José Sócrates, claro. Porque é que tudo isto me dá uma sensação de déjà vu?

Tem o nome de "Gamebox Duo" e é uma promoção do Sporting para casais de sócios que queiram ter descontos na aquisição de lugares anuais no Estádio de Alvalade. Casais, sim. Mas apenas heterossexuais: embora não peçam documentos que comprovem a relação entre os sócios que queiram comprar o produto, os serviços comerciais do Sporting vedam o acesso a esta campanha a casais homossexuais, sejam eles gays ou lésbicas.
"É ilegal. Não pode haver uma promoção que se destine apenas a casais heterossexuais", diz o advogado José Miguel Júdice. "É absolutamente inaceitável. Pura maldade. Não há legislação que dê aval a uma discriminação dessas", reforça o deputado e activista do movimento LGBT Miguel Vale de Almeida.
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Não sei se mais estrambólica é a promoção do Sporting, se as reacções de Júdice e Vale de Almeida. Mas, se a coisa muda, ainda veremos muitos matulões das claques do Sporting subitamente a saírem do armário e a aderirem aos casamentos homossexuais. Leãozinho.
Li que o ex-ministro Mário Lino disse que José Sócrates é como o Maradona e quase que humilha as oposições com as suas fintas e os seus dribles. Estaria a incluir golos marcados com a mão?
O professor Marcelo disse hoje se avança ou não para a candidatura à liderança do PSD? Estive fora e não ouvi.
O novo anúncio da Reebok. Quando é que vamos ouvir os protestos das feministas?
Foi para esta glorificação do socialismo "moderado" que se fez o 25 de Novembro? Jaime Alberto Gonçalves das Neves, um notável anticomunista com quem partilho a origem transmontana e um belo par de nomes, já respondeu que não. Ignoro as razões dele. Eu tenho as minhas. Você terá as suas. Comemorar o mal menor é que não indicia razão nenhuma.
Um liberal no parlamento é um bom sinal. Michael Seufert - em grande, Jaime Gama, a perguntar como devia pronunciar o nome luso-alemão - é um deputado novo do CDS na Assembleia da República, recém-eleito pelo Porto. Como João Galamba no PS é um dos deputados de que espero ideias e elevação no debate. Para apresentação, não está nada mal (chegou-me através d' O Insurgente). O Seufert vai longe.
Porque é que os portugueses não lêem jornais? A falta de hábito de ler os jornais é muito importante, porque o jornal é a fonte de informação que mais está virada para o raciocínio, o pensamento, a participação. Quem vê televisão está geralmente em posição passiva.
Sporting-Benfica: siga e comente aqui a partir das 21h15
Beeeennnnnfiiiiccca.
O que dar às criancinhas, se elas já têm tudo ou se é impossível terem tudo o que querem? Uma vez perguntei a um dos meus filhos o que é que ele queria receber nos anos. A resposta foi simples: "Uma surpresa." Claro: é a diferença entre um presente e um brinquedo.
Inês Teotónio Pereira, no jornal i
O pânico do ministro das Finanças português - ao perceber que a oposição negara ao governo a possibilidade de receitas fiscais adicionais vindas do novo Código Contributivo - explica bem a incapacidade do país gerar dinheiro. E quando não há dinheiro... até o Dubai pode sugerir falência. O Dubai pode parecer distante, mas mostra bem o que pode acontecer a economias como a portuguesa.
Se não houvesse a Europa e se ainda houvesse Forças Armadas, já teríamos tido golpes de Estado. Estamos à beira de iniciar um percurso para a irrelevância, talvez o desaparecimento, a pobreza certamente. Duas coisas são necessárias para evitar isso. Por um lado, a consciência clara das dificuldades, a noção do endividamento e a certeza de que este caminho está errado. Por outro, a opinião pública consciente. Os poderes só receiam uma coisa: a opinião dos homens livres.
Em Portugal quase toda a gente depende do Estado, do governo, das instituições públicas oficiais, dos superiores, dos empregadores. Não há verdadeiros focos de independência. Depende-se de muita coisa: do alvará, de ter autorização, de ser aceite, da boa palavrinha do bom secretário de Estado que diz ao bom banqueiro que arranje uns bons dinheirinhos para fazer o investimento. A dependência é enorme. Não é asfixia, uma vez mais, é dependência. As pessoas têm receio pelo seu emprego, pelo seu trabalho, pelo trabalho da família. Conheço algumas que até têm receio de falar.
António Barreto, em entrevista ao i

Encontrado nas "redes sociais", como lhes chamam os especialistas. O "pós-25 de Abril" tem muito que se lhe diga, porque o ilustrador se esqueceu dos saneamentos e de outras perseguições nunca julgadas.
Vara: "Recebi robalos de Godinho"

Partir!
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro.
Livro de Viagem, Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Segundo li, o voto de congratulação do CDS pelo 25 de Novembro apresentado ontem na Assembleia da República foi rejeitado com os votos do BE e do PCP, mas também, sinal dos tempos, pelo PS. Contou apenas com o apoio do PSD. Não deixa de ser um retrato da representação parlamentar que temos: dois dos maiores partidos de extrema-esquerda da Europa juntaram-se ao Partido Socialista no poder para reprovar um golpe militar que explica em boa medida porque Portugal continua a ser hoje um dos países com menos liberdade económica da União Europeia e um dos mais atrasados em termos políticos e do debate democrático. PSD e CDS, apesar de mais uma tentativa, não foram aceites no clube dos que se continuam a considerar os donos de Abril e da democracia portuguesa. Tal como em 25 de Novembro de 1975, Portugal continua a arrastar-se a caminho do socialismo.
Ler também: Entre o 25 de Abril e o 4 de Dezembro, de Rui Ramos; e 25 de Novembro, de Eduardo Nogueira Pinto.
A minha aventura na Assembleia Municipal. Muito bom.
Ministério da Educação grava conversas informais de jornalistas
Claro que se pode continuar a falar do Estado de Direito e coiso e tal, que é preciso protegê-lo e mais não sei o quê, mas convinha perceber se ainda existe Estado de Direito. Pelo que se vai lendo nos jornais de hoje - também no Sol - parece que desapareceu algures em combate.