De regresso a Lisboa depois de uma semana no inferno vejo através do Carlos Santos que o ABC do PPM fez um ano no passado sábado. Agradeço a simpatia do Carlos, que é uma das revelações do último ano. Esta é uma boa altura para o PPM descansar uns tempos do ABC e da blogosfera em geral. Continuarei obviamente a ser um leitor regular. Quem me quiser ler, estou no i. Até qualquer dia.
Quando voltar, aviso. Vou escrevendo no i.
Não há dia em que não se fale de uma nova candidata a namorada de Cristiano Ronaldo, da Miss Espanha à modelo italiana que acabou de chegar a Madrid. Não há semana em que não se tente vislumbrar qual o partido da oposição que se irá entender com o PS para aprovar o Orçamento do Estado. Ronaldo é muito mais assediado por supostas namoradas que as oposições pelo governo de José Sócrates. Mas convenhamos que o futebolista tem argumentos que faltam ao primeiro-ministro de Portugal. A começar pela situação financeira e pela gestão da carreira.
Haitians in U.S. Pray for News
With electricity and telephone lines in Haiti cut, Haitians living in the United States do not know if their loved ones are dead or alive, but are desperate to help.
MINISTÉRIO DA REFORMA DO ESTADO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Inspecção-Geral da Administração Pública
Despacho n.o 386/2000 (2.a série).— Nos termos do artigo 24.º do Decreto-Lei n.º 218/98, conjugado com os artigos 9.º e 10.º do Decreto-Lei n.o 220/98, ambos de 17 de Julho, nomeio, para exercer funções na Inspecção-Geral da Administração Pública, em comissão de serviço extraordinária, Miguel Abrantes Saraiva, técnico superior assessor principal do quadro de pessoal da Câmara Municipal de Lisboa, com efeitos a 1 de Dezembro de 1999. (Isento de fiscalização prévia do Tribunal de Contas.)
10 de Novembro de 1999. — A Vogal da Comissão Instaladora,
Maria de Lourdes Nogueira da Silva.
-
Em 1999, era presidente da Câmara Municipal de Lisboa o dr. João Soares (1995-2002). Este um dos Abrantes que poderiam ser apresentados qualquer dia em cerimónia oficial. Ou num jantar da rede corporativa jugular simplex. Agradeço ao Sabedor, mas a história não acaba aqui, nem os Abrantes. Nem muito menos as nomeações por ajuste directo ou isentas de fiscalização prévia de organismos do Estado.
"Lisboa pode transformar-se na praia de Madrid"
António Mendonça, ministro das Obras Públicas, em defesa do TGV
-
O ministro não deve saber que há praias em Valência, a pouco mais de 400 quilómetros de Madrid, bem mais perto que os 630 de distância para Lisboa. E que também há em Barcelona. Mas a ambição de António Mendonça é legítima: tornar a capital portuguesa na praia dos habitantes da capital espanhola.
Junte-se este texto de Santana Lopes com aquele de Rui Calafate - e percebemos que António Costa anda a ver aviões em vez de se preocupar em tratar de tapar os buracos de Lisboa. A transferência do Red Bull do Porto para Lisboa é mais um descomunal tiro no pé do presidente da Câmara da capital. É o Bull cor de rosa.
Santana Lopes já tem assinaturas necessárias para congresso extraordinário do PSD
Carlos Santos sobre as "barreiras psicológicas" do ministro Mendonça:
O que o ministro António Mendonça diz hoje vai contudo para além do que consigo imaginar como estatisticamente demonstrável. Baseado num relatório da Deloitte, encomendado pela RAVE, é hoje notícia que o TGV terá um impacto positivo na atracção de turismo espanhol a Portugal. E concretiza-se (the devil is always in the details): "a eliminação das barreiras psicológicas nas viagens proporcionada pelo comboio de alta velocidade." Confesso que tenho orgulho profissional na proficiência que penso ter ganho nos métodos estatísticos em economia. E a única coisa, com a maior das boas fés que posso dizer é: isto já é gozo!

Eduardo Pitta é uma espécie de "pastorinho do socratismo". Só ele "viu" "Miguel Abrantes", um substantivo colectivo "socrático" que "assina" num blogue. Só ele almoçou ao lado de "Miguel Abrantes". Só ele pode testemunhar por "Miguel Abrantes". Só ele pode erguer uma vela a "Miguel Abrantes". Pela minha parte apenas fui bafejado, para aí há dois ou três anos, pela graça de um telefonema de "Miguel Abrantes" para o telefone fixo da secretária onde trabalho - cujo número eu próprio ignorava na altura - em que essa voz do além me dava a entender, entre sorrisos, que sabia perfeitamente onde é que eu trabalhava. Deus me livre de ter visto nisto qualquer ameaça "totalitária" à minha liberdade, para usar a expressão do fiel "pastorinho". Ámen, portanto.
É pena – eu até concordo com muito do que a Moody's hoje publicou sobre a economia portuguesa que, convenhamos, até nem é grande novidade. O problema é que a Moody's – e as outras duas irmãs, a Fitch e a S&P – não são o FMI, a Comissão Europeia ou o Dr. Medina Carreira. O seu papel não é de analista económico ou de comentador profissional. Goste-se ou não das suas análises, estas agências (que são empresas privadas) gozam de um poder significativo nos mercados financeiros e no custo de financiamento dos Estados soberanos – nos dias que correm o que dizem é lei, como se comprova pelo salto que deram hoje os credit default swaps sobre as dívidas grega e portuguesa.
Por isso mesmo se espera que as agências se limitem a fazer o seu trabalho, o que já não é fácil como se viu pelo estrondoso falhanço na pré-crise subprime ou nos casos da Enron e da Worldcom. E este trabalho não passa por recados ao governo português no Financial Times, nem por relatórios a la FMI, com comparações precipitadas com a Grécia.
{Bruno Faria Lopes}
"Como um dia, mais cedo ou mais tarde, terá de ser revelado."
Escrevi esta frase sobre o(s) Abrantes que foi interpretada como uma ameaça por um crítico literário da rede corporativa próxima de Sócrates (em cima aparentemente num auto-retrato em exercícios de ginástica). Só por má fé, aliás habitual quando se fala de política, poderia dar lugar a tais interpretações. Revelar quem são os Abrantes - todos os que se escondem atrás do anonimato para insultar e ameaçar - será sempre um serviço prestado ao país.
Os gelados da Santini estarão disponíveis na Rua do Carmo - Chiado - em meados de Abril.
"Outra coisinha e para terminar: a liberdade que a blogosfera te dá ou lá que porra é essa não tem as costas assim tão largas."
Carlos Santos decidiu corajosamente desvincular-se do apoio que algumas figuras socialistas mais ou menos amigas - ou próximas - de José Sócrates têm dado ao(s) Miguel Abrantes. Começaram logo a cair as ameaças da web 2.0 que é fiel ao secretário-geral do PS. Há até um antigo crítico literário - hoje ao serviço mais serviçal da causa - que garante já ter jantado com um tal de "Miguel Abrantes". É óbvio que até pode existir alguém com esse nome - não é o que me garantem, mas isso não tem impedido que o seu username seja usado por outros. Como um dia, mais cedo ou mais tarde, terá de ser revelado.
Ao contrário do que pretendem alguns profetas da graça, devidamente pagos para o efeito, nenhum português fica satisfeito por ver o país a cair no abismo. Ou na morte lenta em que se vai vagarosamente suicidando. Mas números são números - e factos são factos.
31 da Sarrafada, que me dá sarrafada a mim também. A prova de que o 31 da Armada já tem os seus émulos (gosto desta palavra).
Teixeira dos Santos não tem outra alternativa senão começar por mostrar já neste Orçamento como é que vai reduzir o peso desmesurado do Estado, ou seja, como é que conseguirá cortar no défice e na dívida pública. E não tenhamos ilusões, se isso não começar a ser feito quanto antes, o governo estará a comprometer a sustentabilidade da economia nacional. A obsessão com o défice orçamental e o endividamento externo está longe de ser um capricho dos economistas, vai directamente ao bolso das pessoas. Portugal já está na mira das agências de rating e o risco de downgrading da notação financeira da República é bem real. A Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch estão ávidas por um sinal credível de alteração da trajectória desastrosa das contas nacionais. Sem esse sinal, o país será olhado, sem qualquer piedade, como a Grécia ou a Irlanda.
Não é a altura para aprofundar o que se está a passar, até porque ainda não sabemos o desfecho. Mas já podemos perceber que se trata de uma vingança do eng. Sócrates, o qual terá arranjado, dentro do PSD, uma fila de aliados.
(...)
Por que motivo a direcção da RTP não dá um coice nas quotas que a ERC criou? Se a RTP cancelar o programa do Marcelo, apelo à desobediência civil, sugerindo aos meus conterrâneos que deixem de pagar a licença que permite à instituição subsistir. O que está em risco - não tenham dúvidas - é a liberdade de expressão. Se posso escrever este artigo é porque sei que o governo não me pode tocar com um dedo e, mesmo que pudesse, digo-o sem vaidade, publicá-lo-ia na mesma. Porque não tenho alma de escrava.
Discutir o primeiro -ministro (qualquer que seja), ou, por exemplo, o casamento homossexual, pode, e deve, dividir as pessoas. E pode, e deve, suscitar dúvidas em quem pensa. Excepto no caso dos políticos - que, em função do seu compromisso com a acção, optam finalmente pela parcialidade. Somos obrigados, mesmo que o não queiramos, a ver o outro lado das coisas - quer dizer, ao exercício de pensarmos contra nós próprios, um exercício exequível mesmo em tempos de geral estupidez e de má-fé am-biente. Estamos, por assim dizer, em casa.
O exercício encontra o seu fim quando atingimos o limite do círculo que define este "em casa". Quando, por exemplo, lidamos com o terrorismo, e, para falar da actualidade, com o terrorismo islâmico. Aí a atitude de simpatia, no sentido amplo da palavra, esvai-se, e pormo-nos no lugar do outro torna-se impossível - por limite da imaginação, em parte, mas também porque o lugar do outro define exactamente aqui a anulação das próprias condições de possibilidade da simpatia que nos permite a compreensão. Mudamos radicalmente de plano.
Promulgação. Esta é a palavra-chave da página aberta no Facebook em defesa da "rápida promulgação da Lei do Casamento Homossexual" pelo Presidente da República.
Subscrita por vários deputados do Partido Socialista e com a adesão de alguns assessores do governo de José Sócrates, mas também de dirigentes do Bloco de Esquerda, entre muitos outros cidadãos anónimos e figuras públicas, pode ser lida como uma acção de pressão sobre Cavaco Silva. Isto para que se apresse e promulgue a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada no dia 8 de Janeiro na Assembleia da República.
Terramoto no Haiti. (Live on CNN)
Eu não preciso que o Valupi me diga quem é, porque só pode ser da família do Afixe - aquele mesmo que hoje diz assinar com o seu nome próprio num blogue da rede socialista. Mas já que se ofereceu uma vez, mandei-lhe um email a pedir a identificação. Santos de casa às vezes fazem milagres de multiplicação de nomes e heterónimos. Disgusting - e ainda mais a protecção que lhes é dada por figuras públicas por quem já tive alguma consideração.
O Pacheco não é o único, nem de longe nem de perto, a achar estranho o fenómeno de um blogue onde, com estilos de escrita diversos, surge o mesmo autor: Miguel Abrantes. Eu gosto de o ler, por vezes tem piada. Mas surgem ali documentos (ou surgiam, antes das eleições), a que não é fácil ter acesso, nem sequer a deputados. Os representantes eleitos do povo, como o João ou o Miguel, se tentassem, se calhar perdiam-se num labirinto de burocracias. Se são assessores do Governo? O País Relativo assumia-se como tal. A Câmara não. O termo "Abrantes", como o qual eu também já brinquei, em termos infelizes, e pelos quais peço desculpa ao Filipe, tornou-se metáfora de uma classe de bloggers anónimos serventes do Governo.
Via Facebook.
Sem margem orçamental para continuar a segurar a economia este ano, e com a obrigação de reiniciar a consolidação das contas públicas imediatamente, o governo está entre a espada e a parede. Se foi possível reduzir o défice público de 6,1% para 2,6% em três anos (2005 a 2007), foi-o porque a euforia mundial o permitia: as exportações aumentaram e puxaram pelo país. Mas agora não será assim. Exige-se a quadratura do círculo. O sector privado não se mexe com medo da própria sombra e o Estado tem de aliviar a carroça para não se aproximar do abismo, como aconteceu à Grécia. O que fazer? O PSD sugeriu um pacto de salvação nacional. Não é uma alternativa, é uma obrigação. Os funcionários públicos que se preparem: nos próximos anos vão sofrer na pele os cortes draconianos. Vai doer.
Saída de António Vitorino empurra Marcelo. «Não saio pelo meu próprio pé», garante o professor, que considera ironia sair da RTP quando há PSD, Orçamento e Presidenciais.