
Um post como este é um nojo. Mário Crespo pode ter muitos defeitos, pode não se apreciar o seu estilo, mas nunca escondeu o seu nome. Sabemos quem ele é. Ao contrário de alguns franco-atiradores neo-corporativos, que o insultam e lhe lançam os mais vis impropérios, assim apenas revelando a sua própria impudente baixeza de carácter. Uma verdadeira praga de anónimos a soldo do chefe máximo. Um nojo.
Esta coisa da idade tem umas quantas vantagens, a memória ajuda-nos a descodificar certas modas caricatas como esta da pulseira POWER BALANCE®. Quem não se lembra duma muito semelhante, ocorrida nos anos oitenta e que consta enriqueceu o João Rocha, o antigo presidente do Sporting? Tratava-se duma pulseira de bronze, em forma de ferradura, e as extremidade rematadas com duas esferas. Dela também se dizia que afastava maus espíritos, e outros desequilíbrios provocados por malvadas frequências electromagnéticas.
Trinta anos depois a receita é recuperada com sucesso, de novo à boleia duma crise, impulsionada pelo espírito da estação tola e quem sabe em substituição dos fetiches regulamentares, como uma bela gravata, o relógio caro ou o carro da empresa que não dá jeito levar para a praia. Um insuspeito amigo meu que encontrei aqui na praia, engenheiro de formação académica adquirida em dia útil, garantia-me, orgulhoso da sua POWER BALANCE® de trinta e cinco euros, que não tinha a certeza dos efeitos, mas que achava que sim, que notava mais equilíbrio a andar de mota, e que “temos que acreditar nalguma coisa, João”, rematava com um sorriso aceso.
Admirável é para mim como esta irresistível moda que começou no pulso duns quantos mediáticos, jogadores de futebol e figurantes de entretenimento, que vem crescendo por conta de alguns artigos de jornais e revistas, torna-se uma onda imparável, um grande, enorme negócio: daqui a duas ou três semanas, uns quantos terão feito fortuna com este Conto do Vigário; milhões e milhões de pulseiras vendidas, incluindo novas versões, mais clássicas ou arrojadas, incluindo a da loja do chinês, igualzinha às outras, acessível à mulher-a-dias e usada pelo empregado de mesa da estância balnear. Será esse o ponto de retorno: a coisa cairá então em fulminante desuso e descrença, anátema de provincianismo, de mau gosto e classe baixa.
É assim a história das pessoas, que precisam de acreditar em alguma coisa, de ter o conforto e a auto-estima, a esperança depositada num qualquer fetiche, trapo ou horóscopo. No fundo sendo tudo isto uma tontaria inofensiva, é uma história que nos revela para além da falta de uma Fé madura e experimentada, muita, mas muita, fragilidade escondida.
Uma é a ilegalização das touradas na Catalunha. Não pretendo aqui questionar as liberdades, nem o valor das tradições humanas. Não pretendo sequer aprofundar o tema dos actuais ou futuros direitos dos animais. Apenas me alegro com o que representa mais uma pequena vitória da sensibilidade de quem abomina o sofrimento sob qualquer forma e em qualquer ser vivo, como abomina a ideia de que o sofrimento sob qualquer forma e em qualquer ser vivo possa constituir um motivo de espectáculo e de festa.
Outra é a consagração, pela Assembleia Geral da ONU, de um novo direito humano fundamental, o do acesso a água potável própria e de qualidade, e a instalações sanitárias. Este novo direito levou quinze anos a impor-se, presumo que não por motivos da água potável (indispensável à vida), mas das instalações sanitárias (de indispensabilidade menos evidente). Pela minha parte, não duvido de que a nossa civilização só adquirirá o C maiúsculo no dia em que cada habitante do planeta puder cuidar da sua higiene na privacidade exclusiva do seu «water closet».

Esta visão asséptica da política, que se traduz em se poder rever nas palavras de Hugo Chávez, é chocante, para mais vindo de alguém que é apresentado à sociedade como o braço anónimo de José Sócrates para a área da blogosfera.
A Dr.ª Cândida Almeida integrou a comissão de honra do candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, às eleições para a Presidência da República, em 2006. Existir uma lei dispondo que “É vedado aos magistrados do Ministério Público em efectividade de serviço o exercício de actividades político-partidárias de carácter público” não passou de um ‘pormenor técnico’. É claro, uma eleição presidencial não é actividade político-partidária (como se os partidos não se envolvessem directa, activa e intensamente nessas disputas...) e, mesmo que assim não fosse, o pai Soares está sempre acima da democracia político-partidária…
A Dr.ª Cândida Almeida considerava, em Março de 2006, que "O crime de corrupção, tal como está definido no nosso Código Penal, é impossível de punir".
A Dr.ª Cândida Almeida reconheceu, já em Janeiro de 2009, que "Sócrates não está a ser investigado" no caso Freeport.
A Dr.ª Cândida Almeida chefia um Departamento – o DCIAP – que, em Agosto de 2009, a um mês das últimas eleições legislativas, fez convenientemente saber que, “Até agora não há nenhum indício contra o primeiro-ministro”.
A piada de toda essa falta de investigação foi a frase da Dr.ª Cândida Almeida, proferida já este ano, de que "com o primeiro-ministro tenho de exigir mais na prova"...
Não surpreende, pois, que a montanha tenha parido um rato.
O que já surpreende mais, tendo em conta a identidade dos ora arguidos no caso Freeport, é a pouca ou nenhuma importância dada à declaração do primo do nosso primeiro quando afirmou que "acha que" José Sócrates conhecia Charles Smith e Manuel Pedro.
De recordar que Manuel Pedro trabalhou na Equipa de Missão para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco como assessor principal, até Março de 2001, era José Sócrates Ministro do Ambiente. E que o mesmo "Manuel Pedro, o mediador do negócio Freeport, escreveu um fax dirigido a José Sócrates. O documento foi apreendido pela Polícia Judiciária, nas buscas realizadas ao escritório da «Smith and Pedro». O mesmo canal refere que no fax Manuel Pedro trata Sócrates por «tu» e pede-lhe desculpa por o contactar via fax. E explica o motivo do fax:“É só para saberes o que está em causa”. O documento é de 1996, uma data que é um enigma para as autoridades, porque nesta altura Sócrates era secretário de Estado do Ambiente.”
Se calhar a explicação daquele conhecimento é simples: ambos frequentaram a mesma universidade, a tal de que era reitor o desaparecido Arouca, a quem o nosso primeiro, enquanto discipulo, escrevia estas delicadas linhas, bem evidenciadoras do estilo moderno de educação que perfilha para os alunos: "Meu caro, como combinado aqui vai o texto para a minha cadeira de Inglês" …
Moral da história: se tudo uma vez mais acabou bem para o nosso Pangloss, já o mesmo não poderá dizer o amigo Manuel, o qual, como o amigo Rui, passou também à pouco invejável condição de bode expiatório…
Este artigo publicado hoje no jornal i trata dum não assunto, um não caso. Se Manuel Alegre terá sido um dia um militar menos empenhado ou um desertor, se traiu a sua amada platónica pátria, se fez contra-informação ou contra propaganda através da Rádio Argel ao lado do inimigo, suspeito que sejam factos pouco relevantes tendo em conta o seu eleitorado. A esquerda radical representada pelo Bloco e a ala jacobina socialista é por natureza contra poder, internacionalista, anti-nacionalista, anti-militarista, com simpatias anarquistas e pseudo-pacifista. Ao nicho eleitoral do candidato Alegre o boato da sua pretensa traição no antigo ultramar até cai como sopa no mel. De resto, mantenho a convicção de que as eleições presidenciais, com resultados por demais previsíveis, são totalmente irrelevantes e inúteis para a redenção nacional do atoleiro em que se encontra: pura perda de tempo, um inconsequente e caprichoso dispêndio de recursos e energias.
Há uns anos, foi feito, em área protegida, um centro comercial, sendo ministro do ambiente José Sócrates.
Ainda bem que tudo correu limpamente.
Ainda bem que ao fim de quase 10 anos de investigação intermitente, a célere e eficaz justiça portuguesa determinou culpados e inocentes. Rejubilemos!
Rejubilemos porque foram desmascarados os dois sombrios agentes que tentaram em vão subornar gente e mover consciências, dois apenas, a soldo de interesses estrangeiros. Rejubilemos, porque, tendo o centro comercial sido feito, no entanto ninguém cedeu aos apelos corruptores, e ficaram eles os dois sinistros agentes sozinhos a tentar, enquanto todos os decisores portugueses viravam costas depois de rasgar as vestes. Que bom que a justiça tenha descoberto tudo isto!
Ainda bem que vivemos num país tão bom, com áreas tão protegidas, com outlets tão bonitos, com uma justiça tão boa e cega, e governantes de tal confiança.
Digam-me lá: se estivessem no lugar de Sócrates, não veriam em tudo isto fundas razões de optimismo?
Desde o início do seu mandato que Sócrates mostra empenho, pelo que foi dizendo e fez outros dizerem, e pelas influências e interferências que exerceu, promoveu ou autorizou, em denegrir a imagem da Justiça, denunciando – designadamente pela voz altissonante do Bastonário da Ordem dos Advogados – a sua total parcialidade aos jogos de poder. Quererá ele, verdadeiramente, que acreditemos no trabalho – de resto, cheio de «pontas soltas», segundo os especialistas – que a mesma Justiça agora nos apresenta?
"No meio de um povo de incoerentes, de verbosos, de maledicentes por impotência e espirituosos por falta de assunto intelectual, o lente de Coimbra (Santo Deus!, de Coimbra!) marcou como se tivesse caído de uma Inglaterra astral. Depois dos Afonsos Costas, dos Cunhas Leais, de toda a eloquência parlamentar sem ontem nem amanhã na inteligência nem na vontade, a sua simplicidade dura e fria pareceu qualquer coisa de brônzeo e de fundamental."
Fernando Pessoa lapidar recordado por Jaime Nogueira Pinto neste brilhante artigo do jornal i
«De noite, com a brisa, e sobretudo quando há névoa, o cheiro da maresia é mais forte, e o menino fica na cama de grades, com os olhos muito abertos, a escutar aqueles mugidos e roncos graves, a indecifrável conversa dos paquetes, cidades flutuantes, ocas de luzes prodigiosas, que descem o caminho da Barra e do mundo.
Não se pode ter nascido ali, viver a ver chegar e partir navios todos os dias, com um rasto de lágrimas e o esvoaçar de adeuses no azul, nem ouvir noite e dia estas vozes, sem ficar impregnado de irremediável nostalgia. Tudo isto, o rio imenso, os cais, o mar, os horizontes, se integra nele e ficará para sempre dentro dele como um apelo de longe e uma saudade, anseio de partir e de voltar; quando e para onde?» (José Rodrigues Miguéis, A escola do paraíso).
Quando a atmosfera me esturrica os neurónios, fico sem conseguir falar de mais do que dos meus neurónios esturricados. Nem opinar sobre a figura do nosso «animal feroz» - entretanto vagamente amansado e agora também mitificado pela sua omnipresença - consigo, sem o recurso a estas ajustadas e expressivas palavras de Evelyn Waugh: «I thought he was a sort of primitive savage, but he was something absolutely modern and up-to-date that only this ghastly age could produce. A tiny bit of a man pretending he was the whole».

"Inveja" foi a palavra escolhida por Camões para o último verso da última estrofe do último canto d'Os Lusíadas. Como conhecia bem o nosso povo... E como pouco mudámos desde então...
Foi a propósito deste post do José, e com um olho nuns pastelinhos de bacalhau e outro nas belas imagens de Paris, transmitidas no pequeno ecrã a pretexto da conclusão da volta à França em bicicleta, que relembrei os Domingos estivais do meu mais ou menos remoto passado. Eram Domingos domésticos, abrigados nas sombras frescas intra-muros – os caminhos do mar estando, nesses dias, invariavelmente sobrelotados - … mas nem por isso a aventura ficava à porta. O alvoroço começava, aliás, na Sexta-Feira anterior, com os treinos de qualificação. E atingia o seu clímax no Domingo, com o Grande Prémio de Fórmula 1. Os duelos que se travavam nas pistas absorviam a atenção, não apenas no par de horas por que se alongavam, mas durante toda a jornada, de manhã à noite, desde logo na especulação sobre as condições dos asfaltos e das atmosferas, e na aposta sobre os vencedores; e depois, na revisão e no comentário das tácticas, das manobras, dos percalços, dos acidentes e até de algumas perdas pessoais, que lastimava sem nunca realmente desligar do espectáculo, e que talvez até desvalorizasse – como tendencialmente se desdramatizam as mortes doces. Há nomes que não vou esquecer pelo fastio que baniram das minhas tardes dominicais: Jackie Stewart, François Cévert (lindíssimo homem!), Jacky Ickx, Niki Lauda, Nelson Piquet, Gilles Villeneuve, Alain Prost, Ayrton Senna, Nigel Mansell, Michael Schumacher… No tempo dos primeiros, a vibração centrava-se ainda nos virtuosismos automobilísticos dos pilotos, demonstrados numa competição taco-a-taco, em que a tecnologia dos motores, a sofisticação dos chassis ou a velocidade dos abastecimentos – ou, em quatro palavras, a força da escuderia - não parecia interferir. No tempo dos últimos, outros nomes se foram impondo, os nomes de casas como a Ferrari, a McLaren, a Renault e a Williams, cujo sistema organizativo passou a condicionar o desfecho das corridas. Mas há um terceiro conjunto de nomes que também releva: o dos circuitos. E neste conjunto, realçaria o circuito urbano do Mónaco, onde as emoções, pela estreiteza das vias, pelo aperto das curvas, pela dificuldade das ultrapassagens e pelo ambiente geral, tão requintado, quanto cosmopolita, atingiam o ponto alto de cada campeonato. Não sei quando perdi o rasto ao «circo» da Fórmula 1. Foi, se calhar, quando a RTP2 o erradicou da sua programação… Ou quando deixei de acreditar em heróis…
Leitura do Livro do Génesis
Naqueles dias, disse o Senhor: «O clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte, o seu pecado é tão grave que Eu vou descer para verificar se o clamor que chegou até Mim corresponde inteiramente às suas obras. Se sim ou não, hei-de sabê-lo». Os homens que tinham vindo à residência de Abraão dirigiram-se então para Sodoma, enquanto o Senhor continuava junto de Abraão. Este aproximou-se e disse: «Irás destruir o justo com o pecador? Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Não perdoarás a essa cidade, por causa dos cinquenta justos que nela residem? Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti! O juiz de toda a terra não fará justiça?». O Senhor respondeu-lhe: «Se encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a toda a cidade por causa deles». Abraão insistiu: «Atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza: talvez para cinquenta justos faltem cinco. Por causa de cinco, destruirás toda a cidade?». O Senhor respondeu: «Não a destruirei se lá encontrar quarenta e cinco justos». Abraão insistiu mais uma vez: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta». O Senhor respondeu: «Não a destruirei em atenção a esses quarenta». Abraão disse ainda: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos». O Senhor respondeu: «Não farei a destruição, se lá encontrar esses trinta». Abraão insistiu novamente: «Atrevo-me ainda a falar ao meu Senhor: talvez não se encontrem lá mais de vinte justos». O Senhor respondeu: «Não destruirei a cidade em atenção a esses vinte». Abraão prosseguiu: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei ainda esta vez: talvez lá não se encontrem senão dez». O Senhor respondeu: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».
Da Bíblia Sagrada
O arrebatado levantamento em Fafe traz à memória revoltas de outros tempos, despoletadas, também elas, por «razões de fé». Agrada, numa certa perspectiva, ver que o povo não dorme – não sempre… - e que é capaz de afrontar a autoridade, quando se vê contrariado com decisões aparentemente mal explicadas. Mas desagrada (profundamente!) que, por estes dias, apenas o faça - e usando impropérios e ameaçando com uns pares de «galhetas» - com a única autoridade que, precisamente pela natureza do seu poder, não deveria ser assim afrontada. Primeiro, porque o poder da Igreja não é e não se reclama, nem nunca reclamou um poder democrático; depois, porque é um poder «enfraquecido», que não se ampara na força das armas, nem do constrangimento policial, nem sequer das «galhetas». O poder da Igreja Católica no século XXI – como, justiça se faça, o poder de outras igrejas do planeta – é um dos raros poderes conformes ao meu conceito de civilização: é um poder discreto, pacífico e pacifista; e é um poder que gere uma comunidade a que se adere ou que se abandona livremente. Mas claro que o meu conceito de civilização é o meu conceito de civilização. Segundo Eça, nos seus Ecos de Paris, «a questão toda está em definir bem o que é ser civilizado. Antigamente, pensava-se que era conceber de um modo superior uma arte, uma filosofia e uma religião. Mas, como os povos orientais têm uma religião, uma filosofia e uma arte melhores ou tão boas como as dos ocidentais, nós alterámos a definição e dizemos agora que ser civilizado é possuir muitos navios couraçados e muitos canhões Krupp. Tu não tens canhões, nem couraçados, logo és bárbaro, estás maduro para vassalo e eu vou sobre ti!»… Por outras palavras – ou ajustando a ideia ao tema do post - a Igreja não tem a força das «galhetas», logo é bárbara, está madura para vassala e lá vai «a malta» sobre ela.
Historiadores de direita e esquerda (Manuel Braga da Cruz, Vasco Pulido Valente, Fernando Rosas, António Costa Pinto, Rui Ramos, entre muitos) descreveram já pormenorizadamente a realidade da I República: um estado lastimável e pernicioso de coisas, um regime não democrático onde em nenhuma eleição votaram mais de 10 000 pessoas, conhecido por torturar padres, enviar os seus caceteiros contra opositores ou meros discordantes, gastador e perdulário, que meteu o país numa Guerra Mundial, versado no assassínio de governantes e presidentes, sem crédito interno e internacional, golpista e desordeiro, e que conduziu o país à bancarrota.
Pinheiro Chagas chegou a advertir, olhando a I República à sua volta, que «isto vai parar direitinho às mãos dos militares.» Foi, seguindo-se uma ditadura. Fernando Rosas já identificou nesses negros dias a existência de uma «ânsia de normalidade entre a classe média», ou seja, a maioria dos Portugueses, por oposição aos golpes diários, à desordem generalizada e à falência. Uma ânsia que foi respondida: a oferta de Salazar de «viver habitualmente» teve geral acolhimento.
Acontece, no entanto, que um grupo de dinossauros maçónicos e socialistas resolveu celebrar este ano e prolongadamente o centenário da República (e distribuir entre si os cargos em comissões e eventos correlativos), de pés assentes naquilo que o mesmo Rosas chama uma «visão hagiográfica da História». Não celebram a República como mais que discutível progresso em relação à Monarquia. Não, o que eles celebram é mesmo a I República.
Eis, portanto, o que se passa, descarada, impenitente e reiteradamente, durante todo este ano, culminando a desvergonha em Outubro: um grupelho que se apropriou de vários milhões de euros dos nossos impostos celebra um regime torcionário e indigno que levou o país à bancarrota e foi causa próxima de uma ditadura. Certamente, vêem-se ao espelho.
Alguns frutos famosos da I República
As discussões pouco sérias sobre a proposta de revisão constitucional do PSD tiveram duas enormes vantagens.
A primeira, a de ver bem a descoberto o comportamento dos novos reaccionários. Os novos reaccionários, que, do alto do pedestal em que se creem, vêm arruinando o país, gritam e contorcem-se, sem pudor, de cada vez que alguém propõe estudar e mudar aquilo mesmo que nos aflige (aquilo com que os novos reaccionários nos afligem).
Os novos reaccionários rezam pelo credo do Estado Social, prometem toda a saúde para todos, educação em geral gratuita e à roda, e cobram a empresas e trabalhadores em troca de segurança na velhice. Mas, depois, geram carência, mau atendimento, descaso e filas de espera na saúde. Mas, depois, fomentam o aparecimento de hostes de ignorantes saídas de um ensino medíocre, sem qualidade nem exigência, que chumba em todos os estudos comparativos na Europa. Mas depois de nos cobrarem o que estava no contrato, quebram o contrato e, afinal, dão menos segurança ou nada. Quando surja, porém, alguma proposta séria de rever o financiamento de educação, segurança social ou saúde, quando alguém relembre o facto indesmentível de que não haverá verbas que cheguem, nem para a segurança social, nem para a educação, nem para a saúde, os novos reaccionários fincam os pés no embuste, e assanham-se, como decrépitas virgens, contra o «atraso civilizacional», a «ofensa ao estado social», o «sacrilégio» (embora laico).
Os novos reaccionários são avessos a toda a mudança. E compreende-se. Os novos reaccionários habituaram-se a viver dentro do Estado, sendo que o Estado são eles. Os novos reaccionários são muito comichosos com o Estado e a dignidade dele. É por isso que viajam em executiva, que compram mais de 900 carros de luxo no mais fundo da crise que criaram, que acreditam em cobrar-nos cada vez mais, sempre cada vez mais, e em cumprir cada vez menos do que contrataram. Para eles, a dignidade do Estado é isso. Para eles, é irrelevante que o Estado não cumpra hoje os contratos que assinou ontem; não é grave que a despesa do Estado cresça sempre, e, depois de aumentar mais uma vez os impostos e de nos levar mais dinheiro nosso, já tenha gasto até Junho muitos milhões mais do que previra em Dezembro. Um Estado não fiável e indigno não é, para eles, isso. Os novos reaccionários continuarão, portanto, a defender que as coisas permaneçam como estão, por pior que elas estejam - embora não para o seu poder, e o poder de distribuir amigos por cargos. E a proposta de revisão constitucional do PSD tem essa primeira vantagem: pôr bem em evidência o comportamento e as particularíssimas preferências dos novos reaccionários. Um povo que acreditasse nos gritos de «perigo» soltos pelos novos reaccionários teria, assim, que ser incomensuravelmente medroso e estúpido.
A segunda vantagem da proposta do PSD foi a de ver novamente em acção, com um zelo militante que as sondagens tinham atenuado, os que se querem fazer passar por jornalistas e não passam de serventes. Na RTP, na SIC e na TVi, esta semana, tivemos oportunidade de ver, à descarada, comentários, reportagens recheadas de tiques de parcialidade e impertinência, jornalismo daquele que não informa mas apenas transmite a voz do dono, que são todo um atestado de comportamento. E a segunda vantagem da proposta do PSD é esta: o PSD não tem, agora, a menor desculpa para considerar que o estado do jornalismo em Portugal é «normal» e uma dessas «coisas da vida». Se tomar estas correias de transmissão por honestas, e esta desinformação por virtuosa, não se poderá queixar do futuro.
A informação da RTP, que sofre de alma de lacaio, não é flor que se cheire. Mas o comentário desportivo - seja sobre futebol, seja sobre ciclismo - é um oásis no deserto de patetice e incompetência desse tipo de comentário. Na transmissão da Volta a França, enquanto a RTP conta com o comentário conhecedor, sóbrio e colado ao acontecimento de Marco Chagas e de um jornalista, o Eurosport recorre aos serviços de dois curiosos e um Olivier. Dizia, hoje, em antena, durante o contra-relógio decisivo, um dos curiosos ao Olivier do sotaque: «Olivier, quando limpas a boca com o guardanapo, desligas o microfone.» Que estas coisas sejam consideradas, além de normais, admissíveis e engraçadas, eis o que dá a medida de um serviço.
Jacinto Serrão, líder do PS/Madeira: "Vivemos num Estado laico, mas a sociedade não é, nem tem de ser. E este despacho [do Governo Regional da Madeira, a permitir crucifixos nas escolas da região] está ajustado à convicção religiosa da sociedade madeirense".

Esta vara de cobardes anónimos, que nunca perdoou ao ‘Sol’ ter mostrado aos portugueses as abjectas conversas dos boys socialistas contra a comunicação social não enfeudada ao ‘chefe máximo', continua, todos os dias, a atacar quem se opõe ou simplesmente não pertence à máfia situacionista.
Nunca imaginei que o Governo do meu País pudesse recorrer a métodos de propaganda e desinformação tão miseráveis como os usados por aqueles acocorados escribas anónimos.
Mas uma coisa é certa: José Sócrates não deixará de ser recordado pelos desprezíveis serviços do antro abrantino. É que nenhum outro primeiro-ministro permitiria colaboradores de tal jaez.
Stacey Kent com What a Wonderful World.
O povo num assomo de consumismo numa feira em Boticas
Devo ressalvar que nada me obsta que as grandes superfícies comerciais passem a abrir ao Domingo. Não concordo com o proteccionismo ao comércio de proximidade que tem e teve ao longo do tempo todas as oportunidades para se adaptar. Se assim fosse, também se criavam barreiras para o comércio electrónico (de que sou fã) que prolifera de mansinho, 24,00hs por dia 365 dias por ano: do pão quente ao leite do dia, aos discos, livros e medicamentos, quase tudo podemos comprar com grande economia através do computador em lojas virtuais. Por exemplo, veja-se aqui como criar e comprar a sua camisa exactamente à sua medida. Quanto à questão religiosa que alguma Igreja levanta, considero irrelevante: sempre existiram feiras e mercados ao Domingo a atrair comunidades e famílias “ao consumo”. Se um cristão falta à missa para ir ao hipermercado o problema é outro, bem mais difícil de resolver.
De resto achei muita graça ao comentário da nossa Luísa Correia ao post do Duarte recordando-nos como a polémica se repete, e como encontramo-la no princípio do século XX relativamente aos Grandes Armazéns que então nasciam. Curioso é que, sabendo nós que o republicanismo em Portugal foi um movimento essencialmente burguês, foram personagens como Teófilo Braga, talvez sob os auspícios de outro eminente republicano, Francisco de Almeida Grandella, que em 1904 se opunha categoricamente e levantou a voz contra a instituição do descanso semanal dos trabalhadores, uma reivindicação popular na Europa desde o final do Séc. XIX: o descanço dominical, isto é, a morte de toda a actividade intellectual e fabril de um paiz, é o tédio ou a ruína. É o suicídio social para a gente fina que se diverte. Um domingo de Londres é, para os habitantes de Londres, o peor e o mais negro e húmido dos seus nevoeiros.
Monica Bellucci
Ó Rui Pedro, depois de teres borregado com a TVI, vê lá agora se consegues controlar o 'Sol'. É que aquilo é um jornal travestido (sem ofensa prós amigos), é uma verdadadeira caça ao homem, pá!
Os hipers poderão abrir ao domingo. Até que enfim, cada comerciante tem liberdade para estabelecer o seu horário semanal. O PSD de Cavaco não teve coragem, o PS de Guterres também não e até perdeu Daniel Bessa por causa disso, creio que o PSD de Durão/Santana nem tocou no assunto. O PS de Sócrates do primeiro mandato ignorou-o igualmente. O que se terá passado? Cá para mim foi a necessidade urgente de criar empregos.
No meio das grandes mudanças que têm abalado a minha vida profissional perspectivam-se umas almejadas férias já a partir de Sábado.
Por duas semanas será tempo de me importar com as marés, com a temperatura do mar, passar pelas brasas, ler romances e muitos jornais, brincar com os miúdos, passear com a minha Senhora. Tudo isto até que num fim de tarde de calor, de dentro duma piscina cavada na areia em maré vazia, a realidade se me exiba clarividente. Depois, que venha o Mundo que a vida pega-se de caras.
PS.: Aqui voltarei sem hora ou compromisso, por gosto e prazer como (quase) sempre foi.
O Professor António Reis Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e eminente socialista foi o escolhido para dar chancela “científica” à mini-série de ficção histórica da RTP a emitir em Outubro por ocasião do centenário da implantação da República. A afinal o centenário é um tacho e a república um banquete entre amigos. Uma bestialidade que mete nojo.
Quando entrei no mundo do trabalho, o meu Pai, nascido na segunda década do século passado e formado, portanto, na «longa noite», explicou-me que os meus descontos – cujo destino me pareceu, desde logo, um tanto suspeito - iriam compor as reformas de alguns velhinhos. Já há muito o ouvia sustentar essa tese, mas só confrontada com a realidade amarga de impostos e taxas «intelectualizei» o princípio. Não tardou, porém, que começasse a reparar no afã com que os meus colegas – os da minha geração e os da seguinte, uns e outros formados à luz do sol radioso que em 74 rompeu as trevas da «longa noite» - faziam contas a quanto lhes faltava para se aposentarem e aos montantes que lhes eram mensalmente sonegados pelo Estado, mantendo um controlo rigoroso do seu actual «deve» e do seu futuro «haver». Eu, que ainda trabalhava com entusiasmo e remetia tais matérias para aprofundamento numa terceira idade, fiquei surpreendida com esta atitude contabilística, que julguei denunciar um cansaço profissional precoce. E que, por outro lado, me afirmava uma nova tese sobre os descontos: a de que eram, afinal, uma poupança e um seguro próprios, distanciados das preocupações solidárias de que me falara o meu Pai. Mas é assim que vejo agir e pensar toda a gente, de todos os quadrantes políticos, desde há trinta anos. Vem talvez daí a minha incompreensão do que seja, precisamente, um Estado social… ou o nosso Estado Social. E às vezes dou por mim a pensar se, em certas coisas, não se pensaria melhor na «longa noite»…
Pedro Mexia anuncia a sua saída da Cinemateca
«And Left-wing people are always sad because they mind dreadfully about their causes, and the causes are always going so badly». (Nancy Mitford, The Pursuit of Love).
É irrelevante que a Constituição da República Portuguesa se mantenha "socialista": o estado social e as prerrogativas assistencialistas ao contrário do que apregoam as virgens ofendidas, depende exclusivamente realidade que como se sabe é uma coisa tramada. O resto é o nosso triste fado e eu preciso é dumas férias.

36 anos depois do 25 de Abril, só alguém arredado da realidade – ou com interesse em manter o status quo –, não percebe que o modelo constitucional português carece de urgente revisão.
No que ao texto preambular da Constituição concerne – porque vale a pena começar pelo princípio – insistir no chavão do PREC, de que o povo português decidiu “abrir caminho para uma sociedade socialista”, não é só um anacronismo digno do jurássico. É, verdadeiramente, uma asserção ilegítima, porque anti-democrática, já que há muito o nosso povo mandou a sociedade socialista às urtigas.
No plano político temos um sistema de governo dito semi-presidencialista, mas em que o chefe do Estado quase inexiste (para mais em situação de maiorias absolutas) até ao exacto momento em que usa a bomba atómica, ou seja, em que dissolve o parlamento.
Segundo a Constituição, se apenas é permitido ao Presidente “demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas”, o mesmo já pode, livre e irrestritamente, dissolver a Assembleia da República.
Paradoxalmente, a utilização deste poder arbitrário terá, no entanto, como consequência, por termo à acção do executivo antes deste terminar o seu mandato, ainda que o mesmo se apoie numa maioria parlamentar...
No que aos direitos económicos e sociais respeita, o actual modelo constitucional, herdado de 1976, funciona, objectivamente, como um travão à modernização e à aposta na competitividade do País, bem como à própria sustentabilidade dos sistemas de saúde, segurança social e educação.
Sei bem que a cultura imobilista da esquerda não aceita a modernização das relações laborais nem uma maior responsabilização dos cidadãos no acesso à saúde e à educação.
Mas impedir alguma flexibilização no emprego é ignorar os movimentos de deslocalização que, desde há uns anos, vão cada vez mais fechando empresas e lançando milhares de trabalhadores no desemprego, desse modo também empobrecendo o País.
E é um erro pensar que o emprego é para a vida, independentemente das capacidades e qualidades dos trabalhadores, de um lado, e da própria necessidade de se assegurar a competitividade das empresas, do outro.
Na Saúde, pretender que um cidadão que ganha 2 mil euros por mês pague a mesma taxa moderadora do que outro que apenas aufere metade, não é só uma injustiça relativa. Significa, também, uma subversão da própria lógica das taxas moderadoras, pois que, obviamente, um pagamento igualitário não modera de igual modo o acesso dos cidadãos ao serviço nacional de saúde.
Já na Educação, negar a possibilidade das famílias poderem escolher progressivamente a escola pública que os seus filhos devem frequentar, relegando essa tão importante decisão para a burocracia sovietizante do Ministério da Educação, é insistir numa lógica de rebanho acéfalo, em que as pessoas são desresponsabilizadas e reduzidas a meros números.
Em suma, podemos continuar de olhos fechados, ignorar a realidade e resistir a adaptarmos o País aos novos tempos que já começaram.
Podemos recusar a reforma do Estado social e fingir que tudo está bem.
O resultado, caros leitores, será, porém, cruel.
É que não há dinheiro que pague as crescentes despesas sociais, o desperdício galopante que mina a administração pública e a voracidade do Estado socialista que asfixia a liberdade individual e compromete o enriquecimento nacional.
O PSD vai apresentar um projecto de revisão constitucional.
Heresia! Heresia! clama a esquerda serôdia, rasgando as vestes e, finalmente, encontrando na Constituição a sua Bíblia Sagrada.
Por mim, sei bem que a referida iniciativa é controversa, merecerá críticas e poderá, até, afastar eleitores.
Mas o País está farto de pegas de cernelha, em que os candidatos a primeiro-ministro escondem a realidade e mentem despudoradamente aos eleitores, fazendo-lhes promessas que, sabem bem, não poderão depois cumprir. O actual governo é um eloquente exemplo do que se afirma.
Por isso, é preciso, cada vez mais, falar claro aos Portugueses.
É necessário modernizar a Constituição, adaptando-a às novas realidades, preparando o País para uma nova cultura de trabalho, de exigência, de responsabilidade, de dever.
É preciso mais Liberdade.
A subsidiodependência, a letargia, a cultura da mediocridade e o encosto no Estado têm de ceder ao empreendedorismo, ao esforço individual, à vontade de vencer. Só com um paradigma de excelência e de aposta no melhor de cada um se poderá apoiar os verdadeiros desfavorecidos da sociedade.
Quem o não perceber está a hipotecar o seu futuro e, o que é bem mais grave, o das novas gerações.
Sempre me questionei sobre o interesse da luta pela paridade no trabalho, na política e até aqui, no nosso Corta-fitas. E questionava porque a paridade implica um esforço acrescido para o meu sexo, já tão causticado no rescaldo da batalha da emancipação social e económica. Mas eis que Mrs. Allonby me dá a mais convincente das razões:
«Man, poor, awkward, reliable, necessary man belongs to a sex that has been rational for millions and millions of years. He can’t help himself. It is in his race. The History of Woman is very different. We have always been picturesque protests against the mere existence of common sense. We saw its dangers from the first». (Oscar Wilde, A Woman of No Importance).
Em face do que a pergunta que resta é: por onde começo?
Assisti ontem na SIC notícias a um curto mas interessante debate sobre as recentes propostas de revisão constitucional de Pedro Passos Coelho entre o Pedro Lomba e o Daniel Oliveira, que ufano perorava sentado em cima das conquistas constitucionais de Abril que veiculam a governança a um modelo marcadamente ideológico e datado. Daniel Oliveira no seu intimo acredita que discussão é uma veleidade: a constituição de Esquerda é um direito adquirido, um guião imutável, cristalizado. Com ele apenas partilho a convicção das qualidades dum regime parlamentar, não o indígena, mas o fundado num colégio mais exigente e até mais representativo dos seus eleitores, e em que o Chefe de Estado, não obrigatoriamente um presidente da república, se resguarde num papel simbólico e último reduto de arbitragem. De resto eu reconheço o mérito à nova direcção do PSD em trazer à ribalta um tema tão decisivo quanto fracturante, que ao contrário dos da Esquerda se situa bem acima do baixo-ventre.
(grande máxima recebida por mail)

Usando o pretexto de uma entrevista que o Presidente da República concedeu nos jardins do Palácio de Belém, o 'chefe máximo' fez o abrantes comparar Cavaco a Richard Nixon.
Percebe-se a ideia da tropa fandanga da Gomes Teixeira: atirar lama contra o chefe do Estado, tentando equipará-lo a um Presidente norte-americano que mentiu ao seu povo e esteve envolvido num caso de espionagem eleitoral.
O único problema da coisa é que qualquer cidadão sabe que não há em Portugal político que economize mais na verdade do que o ‘chefe máximo’ himself (foram os impostos que não subiam e subiram, os 150 mil empregos que se transformaram em mais 200 mil desempregados, os défices que começaram nos 2,2% do PIB, em Outubro de 2008, e passaram para 9,4%, em Março passado, os cheques-bebé carecas, e por aí fora…).
E não é igualmente segredo que, por muito que jure o contrário, “No dia 24 de Junho, às 15h00, o primeiro-ministro e o Governo tinham, naquela data, conhecimento que a PT estava a negociar a compra da Media Capital”. E que o objectivo da golpadazeca era calar a TVI, o que, de resto, veio a suceder.
Mas numa coisa o abrantes tem razão: se Cavaco cometesse um décimo das patifarias do licenciado ao Domingo, resignava ao seu cargo, à semelhança do que Nixon fez.
Já Sócrates sabe que nada é se perder o poder. Vai, portanto, agarrar-se ao governo mesmo que isso signifique, devido à sua total incapacidade reformista, uma ainda maior degradação da situação política, económica e social do País.
Nem aí terá a dignidade que Nixon revelou ao sair de cena.
Boutades como a da referida pérola abrantina mais não conseguem do que fazer José Sócrates parecer um aprendiz do pérfido Tullius Detritus, o tal que se entretinha a semear a discórdia por onde passava...
Nasci em Lisboa, nunca me afastei de Lisboa por períodos superiores a um mês e, no entanto, só muito recentemente comecei a descobrir Lisboa, primeiro, com o único objectivo de preencher, caminhando, uns tempos mortos, mas logo ganhando o gosto de «flanar», de vaguear sem sentido pela cidade, num curso feito ao jeito de Fradique Mendes, de «curvas vadias e delirantes».
No emaranhado novelo urbano encontrei, no entanto, um pequeno «segmento de recta» mágico, que, partindo de S. Vicente de Fora, termina no belíssimo jardim de Santa Clara, todo reclinado sobre o Tejo.
É um «segmento» estranhamente sereno, até nos dias de Feira da Ladra, quase como se ainda permanecesse, como no passado, «fora» do perímetro alfacinha - confirmando, na sua doce e imperturbável, tranquilidade, a tese de alguns de que as cidades tendem a crescer e, se calhar, a desassossegar-se para poente, seguindo o rasto diurno do Sol.
Não é, assim, difícil imaginá-lo – ao meu «segmento» - no despovoamento de há nove séculos, quando os cruzados «colonenses e flamengos» aí estabeleceram o seu posto de vigia à velha Lisboa moura e moçárabe, então recolhida de susto ao Castelo, e aí instalaram o cemitério dos seus mortos na reconquista (do mesmo modo que os cruzados bretões e normandos se posicionaram e enterraram os seus mártires na colina oposta de S. Francisco, em homenagem aos quais se construiu a primitiva igreja desse nome – Mártires -, transferida, depois do terramoto, para a Rua Garrett).
É no meu «segmento» e, sobretudo, no seu extremo nascente, no quiosque do jardim, que às vezes, por esta canícula estival, me entretenho, ao fim da tarde, a prolongar abstractamente o seu traço na direcção do rio e a mergulhar o olhar na planura espelhada, luminosa e refrescante do Mar da Palha.
Há um primeiro-ministro que todos declaram já morto politicamente. Há um candidato que todos dizem ser certo que vai ganhar. Ninguém percebe o que ele diz ou quer, para além das banalidades da menor “presença do Estado” na Economia, mas todos o acham simpático e os jornalistas e comentadores (e, diz-se, também o “tecido empresarial”…) já o vão tratando com o respeitinho que dedicamos a quem pode vir a mandar. E tem a seu favor o maior “dado” de análise de todos os que se dedicam a comentar a política nacional: está à frente nas sondagens. Por isso, deve ter razão, o caminho que escolheu é o melhor, os seus adversários não interessam.
Enquanto o PSD se deleita com a “vitória” nas sondagens e com o “sentido de Estado” que os impediu de derrubar o Governo quando era possível, os mesmos analistas garantem que, eleições, eleições, só daqui por um ano e olhe lá. Seremos governados por mortos-vivos, o estado do País pode agravar-se a cada semana, mas que ninguém pense que há hipótese de mudar antes de Junho de 2011, mercê do virtuoso sistema de eleição presidencial que criámos. Entretanto, graves dirigentes sociais-democratas “reflectem” sobre se o Presidente deve ter mais poderes, mais um ano de mandato e outros assuntos vitais para resolver “a maior crise da nossa democracia…”. Os jornalistas, como é óbvio, não só não estranham como alimentam esta proveitosa discussão da qual depende o futuro da Pátria.
Daqui um ano, tudo se resolverá. Está tudo previsto. Todos sabem em que estado estará o País no próximo ano, o que irão pensar os portugueses na altura, o que o recém-eleito presidente irá fazer, como os socialistas irão reagir…E também se não for exactamente assim, espera-se mais um pouco, outro ano se for necessário. Adia-se o tal futuro que era "agora". Ir para eleições e correr o risco de perder é que nunca. Nisso, o País vem em segundo lugar. Sá Carneiro não era bem dessa opinião e via a política como um risco, não adiava as soluções em que acreditava? Bem, citar o fundador é só em certas ocasiões, aniversários, congressos, etc. "Agora", há muito mais juizinho.
...em qualquer circunstância: a Rainha Sofia visita o balneário da Selecção espanhola após a final. Tirado daqui.
Depois de 6 meses pessoalmente muito duros, e ainda que levando trabalho académico comigo, lá vou eu tentar ter férias a partir de amanhã. Tentar, digo. Vamos ver se não há mais surpresas como as que têm acontecido nas últimas semanas. Boas férias a quem as tenha também. E muitos cortes.

"Espanha, Espanha, Espanha!" (José Sócrates, 2005).
A "unidade histórica e cultural ibérica é uma realidade que persegue tanto o Governo espanhol como o português" (Mário Lino, enquanto ministro de Sócrates, 2006).
"A 'união ibérica' é muito importante na Europa" (Helena André, actual ministra de Sócrates, 2010).
Peter Gabriel - Father, Son
Por uns minutos não apanhámos o registo da visita “dois milhões” que aconteceu no Corta-fitas ao fim de 54 meses e 14.744 posts e 86.381 comentários. Um número bonito, sem dúvida motivo de celebração para todos aqueles que um dia fundaram, colaboraram ou frequentaram esta casa.

Antítese: "Eu, presidente do Conselho de Administração da PT, não propus, não informei, não dei conhecimento a nenhum membro do Governo, nem pessoalmente, nem por escrito, nem por telefone, de qualquer iniciativa da PT em direcção à Media Capital" (Henrique Granadeiro, Lusa, 25.6.2009);
Síntese: Governo manifesta "total confiança e apoio" à administração da PT.
Evangelho segundo São Lucas 10, 38-42
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Da Bíblia Sagrada

Parece que no debate do estado da Nação pouca importância foi dada à Justiça. 4 segundos, segundo O Expresso de amanhã.
Não me surpreende: o Supremo Tribunal de Justiça e a Procuradoria Geral da República estão em boas mãos.
Que o diga um impoluto ex-administrador do BCP, aliás muito apreciador de robalos, o qual, sobre uma certa golpadazeca do 'chefe máximo', disse que “Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo” e que "Se precisarem que o Millenium financie, é só dizer"...
Thanks Spain for getting the World Cup for Portugal. It turns out that according to the Tordesilhas Treaty signed in 7th of June of 1494, everything conquered by Spain east of 46 degree meridian, is indeed property of Portugal. So, could you please fedex the Cup now to Portugal?

Soraia Chaves
O deputado socialista Defensor de Moura decidiu entrar na corrida para Presidente da República.
Todos os contributos para correr com o Sócrates são bem vindos.
Ontem no programa Quadratura do Círculo, pela primeira vez António Costa assumiu um tom crítico quanto à actuação do governo do qual não vislumbra qualquer projecto, como quem está de saída e limitado à gestão contabilística da crise. Foi um original assomo de realismo que não deixa de constituir mais um claro sinal de ruptura depois das declarações de ontem de Pedro Adão e Silva ao jornal i. Eu também não imagino qual seja um projecto socialista, sem gastar o dinheiro dos outros à tripa forra, daí o impasse. De resto suspeito que, pelo espectáculo de ontem em S. Bento, chegámos a um atoleiro e que resta-nos assistir impotentes a um contínuo espectáculo de malabarismos políticos inconsequentes. Ou não?
O abrantes de serviço resolveu fazer um post sobre o BCP na era Jardim Gonçalves. Percebo que o curto período do salto à Vara lhe esteja vedado.
Mas o que importa é que o abrantes remete para uma notícia que dá conta de que "O Banco de Portugal condenou seis ex-administradores do BCP no âmbito do processo de contra-ordenação sobre prestação de informação falsa relativa a mais de 17 sociedades sedeadas em paraísos fiscais."
Acontece que a mesma notícia acrescenta, logo a seguir, que Paulo Teixeira Pinto não foi condenado pelo Banco de Portugal, o qual considerou que não ficou provado que este tivesse conhecimento das matérias em causa.
Porquê, então, ilustrar o referido post com uma fotografia onde Teixeira Pinto surge ao lado de Jardim Gonçalves?
Não será isso também um 'ataque pessoal'?
Ou só há cabalas quando está em causa o 'chefe máximo'?
Este filme estreou ontem em Portugal com o feliz título "Dia e Noite".
Não há nada que a Espanha não queira. Quer a VIVO, pode querer a PT, quer dominar. Mas agora, mais do que tudo, pretende ficar com o famoso polvo alemão Paul - o polvo adivinho sensação do último campeonato. Na verdade, o aquário de Madrid requereu a transferência do polvo Paul para a capital espanhola, depois do conhecido animal ter adivinhado o resultado da final do Campeonato do Mundo de 2010. Para sua grande decepção, ainda não obteve resposta oficial do Sea World de Oberhausen, na Alemanha, onde o polvo reside. Mas a verdade é que a disputa espanhola pelo polvo já começou, havendo uma associação da Galiza interessada em levar 'Paul' para a ‘Festa do Polvo’ que se realiza no próximo mês de Agosto, enquanto a Associação espanhola de Defesa dos Animais propôs a mudança do polvo adivinho para Madrid, conforme noticia o Correio da Manhã.
Ouvir o Primeiro-Ministro repetir à exaustão que a pobreza diminuiu de 2005 para 2010 revela bem a falta de vergonha e de sentido da realidade em que o governo mergulhou.
Só para usar os números do INE, no primeiro trimestre de 2005 havia 412,6 mil desempregados em Portugal (7,5%), número que subiu para 592,2 mil (10,6%) no primeiro trimestre deste ano, sendo actualmente já superior aos 600 mil.
E Sócrates tem o descaramento de sustentar que hoje existe menos pobreza do que há 5 anos.

Se, em vez de perder ao sprint por "meia roda", o bielorusso Vasili Kiryenka tivesse ganho por outro tanto ao "nosso" Sérgio Paulinho na etapa de ontem da Volta à França em bicicleta, duvido que as reacções dos media do seu país fossem tão ridículas quanto em Portugal. Os telejornais (salvo o da SIC) abriram com esta "proeza" do desporto nacional, os jornais generalistas de referência dão-lhe hoje manchete, caso do Público que estampa uma fotografia do ciclista em toda a largura da primeira página. Sérgio Paulinho, que obviamente não tem culpa nenhuma deste estardalhaço mediático nacionalista, ganhou uma etapa, e apenas uma, das muitas que há na prova e, que eu saiba (e não sei quase nada de ciclismo), os que o antecederam e os que os irão suceder não entraram propriamente para a "história" do ciclismo dos seus respectivos países. Sintomaticamente, é muito difícil, para não dizer impossível, encontrar nas notícias o lugar de Paulinho na classificação geral, mas aposto que, infelizmente, ele não tem quaisquer hipóteses de vencer a Volta à França. Mas também o que é que isso interessa? Como se vê nestes momentos, assim como em muitos outros, nós não somos lá muito exigentes.
...faz lembrar aqueles meninos que deixam de jogar à bola quando começam a perder. A realidade não os deixa governar como eles querem, a realidade não os deixa fazer a "beleza moral" das suas políticas sociais. Henrique Raposo
A notícia chega-nos pelo DN e pela pena de Miguel Ferreira. "Não tenho palavras para descrever o que fiz, mas posso dizer que não foi vingança, apenas senti que era a única saída para a miséria que tem sido a minha vida, por causa desta igreja."
Eleutério Cortes descreve assim o momento em que, aos comandos de uma empilhadora, entrou nas instalações de Faro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), só parando quando a GNR lhe apontou uma arma à cabeça. O altar do pastor ficou intacto, mas ao longo da grande sala dezenas de cadeiras foram destruídas à passagem da máquina.
O empreiteiro da construção civil, de 42 anos, afirma que numa altura de desespero financeiro foi convencido a frequentar a IURD por uma "conhecida". Num instante terá ficado rendido às promessas de Deus que lhe chegavam através do pastor e outros daquele Centro de Ajuda Espiritual. "Eles garantem que Deus retribui a triplicar todo o dinheiro que nós oferecermos à Igreja e comprovam isso com vídeos enganadores", desabafou ao DN. E lembra a última oferta que fez e, por pouco, não concretizou: "Eu ia vender a casa onde moro com as minhas filhas e a minha mulher, ela é que não me deixou, mas ainda me desfiz de um camião no valor de 30 mil euros, uma Ford Transit de 14 mil euros, um cavalo de 30 mil euros, peças em ouro avaliadas em cinco mil euros, material de construção e algum dinheiro."
Feitas as contas, Eleutério diz ter "perdido" um total de 104 mil euros, sente-se enganado, não consegue arranjar explicação para o que fez ao longo de praticamente seis anos, desde 2004, altura em que participou activamente em "A Campanha de Israel". Depois disso terá ficado sem nada. "Sem dinheiro até para comer, vivi quatro anos de caridade, sem conseguir fazer nada", recordou, explicando que mantém uma empresa, que trabalha com betão armado, para tentar pagar aos credores.
Na terça-feira, quando saiu do trabalho, farto das suas próprias lamentações, o empreiteiro terá jurado a si mesmo que "aquela igreja não ia enganar mais ninguém". Em tom baixo e visivelmente amargurado, recordou o que lhe passou pela cabeça naquele fim de tarde: "Já chega de enganar tantas pessoas, é hoje que vou rebentar aquela porcaria." Duas horas antes da oração das 20.00, resolveu pedir uma empilhadora emprestada e entrou porta adentro. "Não fui mais longe porque um militar da GNR me apontou uma pistola à cabeça."
Depois disso foi levado para as instalações da PSP de Faro e de lá só saiu à 01.00, já na qualidade de arguido, para ir às urgências do Hospital de Faro. Ontem foi presente ao tribunal, tendo ficado a aguardar julgamento em liberdade.
A IURD garante que vai exigir responsabilidades "civis e criminais" ao homem por "acto de vandalismo" e garante não conhecer o alegado fiel revoltado, conclui o DN.
Também ninguém esperava que esta confirmasse que o conhecia...
O relativismo ético traduzido neste post é revelador da pobreza que vagueia na cabeça de muito boa gente da nossa praça.
Admirar um pedófilo e violador confesso, um pervertido que usava e abusava de escravas sexuais menores para consumar as suas escabrosas fantasias dignas de vómito, que escreveu obras que constituem a mais acabada abjecção, é algo, para mim, verdadeiramente surrealista.
Não sou moralista, mas que gozo intelectual se pode ter em ler A Filosofia na Alcova, onde um casal de irmãos e um amigo libertino raptam e pervertem uma menina, fazendo-a matar, empalada, a própria mãe?
Que deleite intelectual se pode conhecer em ler Os 120 Dias de Sodoma, onde devassos abusam de crianças raptadas, num clima de violência, em que se pratica coprofagia, são infligidas mutilações e mesmo cometidos assassinatos gratuitos e revoltantes, para satisfação apenas do mais abjecto sadismo sexual?
Que prazer intelectual se pode experimentar em ler que uma mulher é fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa?
O mal deve ser meu, se não aprecio um psicopata como Sade e não admiro a sua repugnante obra literária.
Devo, pois, ser um analfabeto literário.
Mas antes isso do que querer passar por modernaço e elogiar um degenerado, que teve o seu nome para sempre emprestado ao sofrimento alheio.
Os rumores sobre a insolvência do BCP, há tempos tomado de assalto, estão sob investigação e o Banco de Portugal, perguntado, não desmente nem se pronuncia.
Hoje a Moody`s baixou o rating do BCP dois níveis.
É tudo fumaça, não é? Não há fogo, pois não?
Este pobre homem ralhou, hoje, perante uma plateia de empresários, com o Banco de Portugal, o qual acaba de divulgar dados negativos sobre a economia portuguesa que desagradaram ao optimismo sem base deste pobre homem. O pobre homem insistiu no poder regenerador da boa disposição e na crença de que da soma de trapalhadas resultam grandes destinos.
Este pobre homem pagou 240 000 euros para ter uma entrevista de página num suplemento pago do Financial Times de hoje. Os pobres homens que assessoram este pobre homem explicaram, perguntados pela Sic, que o artiguinho não foi pago, quem pagaram foram empresas. As pobres empresas em causa são públicas, e a Caixa Geral de Depósitos está entre elas.
Este pobre homem anunciou, hoje, perante parlamentares do país que tem uma dívida externa acumulada de 240% do PIB, que a 3ª travessia do Tejo em Lisboa será feita.

Foto: João Carlos Santos
Existem coisas que os olhos não vêem. Daí não se deduz inexistência ou mentira.
Falta Graça (Deus).
Quem vê, crê! Apossou Deus. Ou Deus apossou-se.
Os que acreditam assumem melhor condição humana?
Não se sabe. Sente-se em muitos a humildade e reconhecimento de impotências
e imperfeições, mas noutros visiona-se soberba e mostra de força.
Deus, na sua omnisciência, entendeu deixar os homens em livre arbítrio.
O Bem é Deus.
Ver ou Crer, in Rogério Fernandes Ferreira, Encruzilhadas, 2002
O ISCTE-IUL através do Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas vai organizar mais uma edição do MESTRADO EM CIÊNCIA POLÍTICA (2010-2011).
O Mestrado em Ciência Política visa a formação avançada em Ciência Política, assentando numa base pluridisciplinar e na simbiose entre teoria e investigação empírica, sendo que o corpo docente conta com a colaboração de professores estrangeiros de renome, fazendo também parte do programa a realização de um Ciclo de Conferências Internacionais.Os alunos podem, por seu turno, candidatar-se a frequentar um semestre numa universidade estrangeira (com financiamento ao abrigo do Programa Erasmus).Os alunos têm ainda a possibilidade de realizar estágios com vista a desenvolver a dissertação de mestrado. Para tal foram firmados protocolos com diversas entidades, como pex: a Assembleia da República, a Comissão Nacional de Eleições, a DGAI - Ministério da Administração Interna, as Confederações Sindicais (CGTP e UGT), a GLOBAL NOTÍCIAS (holding detentora da TSF, JN, DN, etc.), ou a Comissão Europeia em Portugal. Os alunos podem também desenvolver a investigação em articulação com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE-IUL), centro avaliado pela FCT com classificação de “Excelente”.
Os destinatários são os licenciados na área das Ciências Sociais e Humanas, ou outras áreas científicas com interesse em desenvolver investigação e/ou actividade profissional na área dos estudos políticos (pex. profissionais da administração pública; membros das instituições políticas nacionais e comunitárias; dirigentes políticos; jornalistas; profissionais de organização não governamentais ou de inter-governamentais). As candidaturas decorrem de 3 de Maio a 13 de Julho de 2010 (1ª fase) e 16 de Agosto a 13 de Setembro de 2010 (2ª fase) e as inscrições de 26 de Julho a 6 de Agosto de 2010 (1ª fase) e 13 a 17 de Setembro (2ª fase). Como propina, a possibilidade de pagar os 2.000 euros em 4 prestações sendo que este curso é pós-laboral e conta com um total de 30 vagas.
Condições de acesso: licenciatura ou experiência profissional relevante.
Contactos: Secretariado do Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas, Ala Autónoma, 3.º piso, sala 336 ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa Av.ª das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal Telefones: +351 217 903 016 Fax: +351 217 903 017 E-mail: secretariado.ds@iscte.pt

Faz hoje 221 anos que Donatien Alphonse François – mais conhecido por Marquês de Sade – saiu da Bastilha, onde estava enjaulado por fazer a apologia da revolução, mas também do incesto, do roubo e da libertinagem como regras naturais.
Para além de fracturante (se vivesse hoje entre nós, por certo seria do Bloco de Esquerda), o autor da "Filosofia na Alcova", foi ainda um bom exemplo de humanidade. Não dizia ele "Ainda um Esforço Franceses! Já matastes o vosso rei! Falta matar o vosso Deus!"?
(texto revisto, originalmente publicado aqui)
Tudo o que se passa hoje em Portugal pode resumir-se num profundo desrespeito pela propriedade alheia (em particular, pela propriedade impalpável, de vaga expressão numérica, chamada dinheiro); e porque a gente anónima depende da sua propriedade - que traduz, em regra, o sacrifício de uma vida - resume-se, em última análise, num profundo desrespeito pelas pessoas. No Portugal socialista, ou no Estado Social português, desrespeitam-se profunda e revoltantemente as pessoas comuns, e com uma desfaçatez que só o descontrolo da ganância, a obsessão de alguns em reforçar ilimitadamente a propriedade própria, podem explicar. As consequências são conhecidas e os processos triviais: perante a finitude dos bens, o modo de reforçar ilimitadamente a propriedade própria faz-se atacando e depauperando a alheia, num acto apodado de roubo em qualquer parte do mundo, mesmo se a tal desfaçatez de «alguns» requinta a terminologia e lhe aplica uns epítetos branqueadores, como imposto ou taxa, ou, numa visão rasgada, «racionalização» de benefícios sociais em prol da manutenção de subsídios à cultura ou a promissoras (mas só promissoras) fundações, adjudicação de grandes obras públicas, «actualização» de frotas automóveis, etc., etc., etc. Mas nenhum nome altera a essência das coisas. No Portugal socialista, dito Estado Social, a ladroagem anda, realmente, à solta, e não é nas areias do Tamariz. E porque sinto que o cerco aperta num crescendo de voracidade, não sei se não acautele a minha pequeníssima propriedade no segredo da tábua oca do meu parquet.
"Não há país que tenha feito mais reformas que Portugal nos últimos cinco anos" (José Só Sei Que Nada Sei)
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