
Rodrigo Adão da Fonseca
No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours. Isaiah Berlin
Registo que nos últimos dias a ideia de abandonar Portugal também passou pela cabeça de Manuel Alegre, depois de ter percebido que nem aos 70 anos um antigo adversário do dr Salazar tem direito a reforma... (José Medeiros Ferreira, Bichos Carpinteiros)
A paralisia europeia numa região do mundo que faz parte da sua esfera geopolítica vem desse anti-americanismo, em que a Europa, em grande parte por pressão de uma França pós-gaullista, se deixou enredar tornando-a irrelevante. Ver um estado que foi uma criação francesa como o Líbano hoje ser vassalo da Síria e assistir à completa impotência militar e política da França é apenas o sintoma maior da mesma impotência da União Europeia separada dos EUA.Vale a pena ler todo o post ISRAEL, A ESQUERDA E A DIREITA, AMERICANISMO, ANTI-AMERICANISMO.
José Pacheco Pereira, no Abrupto.
Independentemente das considerações sobre que o melhor sistema de Segurança Social, há uma coisa que gostava de frisar: nenhum sistema de Segurança Social garante a sustentabilidade financeira; ou melhor, só há um que garante isso - aplicar o dinheiro dos descontos em conservas e congelados para comer depois da reforma.O que o Miguel por aqui diz não deixa de ser um raciocíonio especulativo interessante; só que pressupõe, desde logo, que o envelhecimento teria de ser global, de ocorrer a uma escala planetária; ora, qualquer aforrador pode investir o seu capital numa empresa que actue numa zona do globo onde, v.g., a taxa de natalidade seja positiva, haja reposição de gerações, a mão-de-obra seja abundante e as empresas acumulem lucros; ao contrário do que se quer fazer crer em Portugal, a economia global não está "em crise"; está a nossa, mas há muitas zonas do globo a crescer a taxas, em muitos casos, de dois dígitos; pode sempre optar-se por colocar as poupanças num "congelador" que não entre em "degelo"; há um mundo de possibilidades num sistema de capitalização que não estão ao dispor dos sistemas actuais de previdência (que não podem, v.g., forçar os chineses da China a descontar para nossa Segurança Social; num sistema de capitalização, contudo, pode aproveitar-se o esforço chinês para ajudar a garantir as reformas).
(...)
Primeiro, vamos imaginar um caso extremo de envelhecimento da população: que a população activa se reduzia a... zero. Ai um sistema de repartição deixava obviamente de funcionar: não haveria ninguém para descontar para pagar as reformas; mas um sistema de capitalização também deixa de funcionar: se não há ninguém para trabalhar, as empresas também deixam de funcionar, logo não distribuem rendimentos e os fundos de pensões também não têm receitas para pagar as pensões; quanto ao velho sistema de os filhos sustentarem os pais na velhice também não funcionaria pelas razões óbvias (ou seja, a única forma de os reformados sobreviverem seria se tivessem acumulado as tais conservas e congelados).
(...)
Claro que se pode argumentar que a produtividade pode aumentar, fazendo assim que os lucros das empresas não caiam, e salvando o sistema de capitalização; mas, nesse caso, o sistema de repartição também está salvo: o aumento da produtividade, possivelmente, levará ao aumento dos salários (que se irá juntar ao aumento criado pela escassez de mão-de-obra), logo, as contribuições também não caiem.


No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours.Rodrigo Adão da Fonseca
Elefantes na água optimistas à solta
optimistas à solta elefantes na árvore
elefantes na árvore optimistas na esquadra
optimistas na esquadra elefantes no ar
elefantes no ar optimistas em casa
optimistas em casa elefantes na esposa
elefantes na esposa optimistas no fumo
optimistas no fumo elefantes na ode
elefantes na ode optimistas na raiva
optimistas na raiva elefantes no parque
elefantes no parque optimistas na filha
optimistas na filha elefantes zangados
elefantes zangados optimistas na água
optimistas na água elefantes na árvore
O homem, numa abordagem liberal, não é super, tem uma capacidade limitada; mas ele não é um ser passivo. Também não existe o "homem liberal" - ou "liberal praticante" - nem o "homem estatista" - ou "estatista praticante". Existem, sim, atitudes liberais e socialistas. Que têm subjacentes ideias. Por isso, mas do que o "quem", deve preocupar-nos o "quê".
A força das ideias está precisamente na capacidade que têm de fazer alinhar os esforços individuais; um indivíduo - ou um conjunto de indivíduos - com ideias claras é capaz de antecipar a mudança e inovar. Significa isto ser um agente activo do processo social. Um indivíduo - ou um grupo de indivíduos - poderão não ser a alanvanca da mudança. Mas podem antecipá-la e influenciá-la.
O grande desafio, hoje, por isso, está precisamente em saber eleger uma agenda liberal, em saber separar a teoria da prática; não submetendo a teoria à prática, nem vice-versa. Conhecer bem os conceitos centrais do liberalismo é um pressuposto essencial para, nos dias de hoje, poder perceber o mundo complexo em que vivemos; ajuda a trilhar caminhos, a "liberalizar". Todos os dias o mundo muda. É bom ter ideias - que nos ajudem a fazer as escolhas, acompanhando a mudança - no sentido que se julgue mais correcto.
É esta a força - e o interesse prático - das ideias. Ajudar a encontrar as respostas num mundo complexo, marcado pela mudança.
Caro Paulo Gorjão: Julgo que o JPP no seu artigo não pretendeu, no limite espacial de uma coluna, desenhar de raiz um novo ideário liberal para o PSD. Por isso dificilmente poderias encontrar aqui, de uma forma expressa, as respostas às questões que colocas (penso que caem fora do âmbito).
Eu li a coluna de JPP como uma crítica ao unanimismo e ao adormecimento que se tem gerado em redor de José Sócrates, no elogio vago à sua "intransigência", "coragem" e "ambição" no sentido de "salvar" o Estado Social, vírus que já contagiou várias figuras da primeira linha do PSD. Marques Mendes, por seu lado, não faz uma verdadeira oposição, como eu apontei, v.g., aqui, por não conseguir sair daquilo que é o discurso e a linha do Governo e dos ditames da pequena política. JPP acena com a recordação do "pântano" guterrista, um lago de águas calmas mas lamacentas que atolaram o país no lodo.
No fundo, questiona JPP, não só se não é possível fazer mais, como se não será necessário e urgente fazer diferente.
Pergunto eu:
Entre várias outras interrogações que se impõem. Uma oposição que se preze deve não só questionar como procurar as respostas: tal traduz-se num exercício extenso, que obriga, no mundo complexo em que vivemos, a um trabalho sério e apurado, que não se esgota nem reduz aos limites estritos de uma coluna de opinião.
O liberalismo, como bem dizes, não é, de facto, uniforme (embora seja duvidoso, por isso mesmo, que possa ser classificado de doutrina), desmultiplicando-se, na verdade, em várias correntes: elas têm, contudo, um leito comum (como um rio, que desagua sempre no mar). Em Portugal existe já uma significativa reflexão em redor daquilo que são as grandes correntes do liberalismo; não tem, contudo, havido quem de uma forma coerente e sistemática paute a sua atitude política concreta a partir de um prisma liberal (o que não é necessariamente a mesma coisa). As políticas públicas deveriam atender ao país em concreto; as soluções estão condicionadas pelos recursos existentes, pela cultura do povo, pelas condições da economia global, pela viabilidade das medidas tomadas. O que se quer são decisores que saibam, a partir de uma abordagem liberal, fazer novas opções. JPP lançou o repto. Uma oposição, um programa de governo, constroem-se, não nascem por geração espontânea a partir de uma cartilha ideológica; é uma oposição construtiva, a partir de bases claras – que não ande a reboque do imediatismo mediático e das lógicas eleitoralistas – que tem faltado. Uma oposição de matriz liberal serviria esse propósito. Cabe contudo aos partidos e aos políticos – na ausência de think tanks e de um jornalismo de opinião com capacidade de afirmação – esse papel. Que não tem sido assumido.
Um abraço,
Rodrigo Adão da Fonseca