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domingo, 31 de Maio de 2009

O Retrato de Dorian Sócrates

Parece que Manuela Moura Guedes se tornou, segundo os blogues da órbita socialista e a ERC (está bem, outro blogue da órbita socialista), um atentado semanal à "deontologia" informativa.
A "deontologia" tem as costas largas, mas os camaradas queixam-se exactamente de quê?
O Jornal Nacional das Sextas é apenas um espelho do lodo em que o PS afundou a política portuguesa. O cabeça de lista às europeias ("um Professor Doutor de Coimbra!") envolve placidamente o maior partido adversário na "roubalheira" do BPN, o sempre estimável Dr. Lello acrescenta que ele devia ter ido mais longe na insinuação, o Primeiro-Ministro sentencia que a líder da oposição "não tem jeito para a política", o mesmo PM mente sobre as suas habilitações académicas, o Ministério da Educação mente sobre pretensos relatórios da OCDE, um magistrado e ex-governante socialista "usa indevidamente o nome" do PM para sugerir o arquivamento de um caso em que o PM é acusado de corrupção, um outro ex-governante socialista acusa os magistrados que denunciaram a pressão de delatores, a Dra. Ana Gomes tem a melhor das impressões do magistrado que "usou indevidamente o nome" do PM e portanto ele não se deve demitir, PM esse que tem um primo também com queda para usar o nome do já bastante citado (a culpa não é minha) PM, primo que uma Procuradora-Geral adjunta próxima do PS declara à televisão não esclarecer onde está para que ele não fuja, mas que se farta de dar entrevistas a toda a gente menos à TVI e promete cristãmente pedir desculpa ao primo PM no próximo Natal.
E queriam que o telejornal da Manuela Moura Guedes fosse diferente?
Entendamo-nos: aquilo é repugnante porque diz à populaça o que a populaça quer ouvir. Como o Independente no tempo do cavaquismo. Mas não me lembro de grandes queixas do PS na altura. Nem de porta-vozes da "deontologia" quando a senhora fazia o mesmo a Bush e Rumsfeld.
Eu lembro-me, não foi assim há tanto tempo - embora o vento tenha mudado. Na Atenas do velho Sócrates chamava-se a tal coisa demagogia. Na antena do novo Sócrates é campanha negra, botabaixismo ou o nunca assaz recordado "quem se mete com o PS leva".
Até o estilo é mais rasteirinho.
Cada um tem o Dorian Gray que merece.

Grazie Luís Figo!

Se me permitem

... um pequeno conselho a quem organiza estas coisas do casamento gay: tenham mais atenção ao futebol.
Nunca, em dia de final da Taça, o encontro no São Jorge abriria os telejornais.

Patriotismo


Leiam a faixa. Isto, sim, é patriotismo efectivo. Diga o que disser o cinismo auto-complacente e míope (aliado objectivo de Sócrates) que ainda vai orneando por aí, aquela faixa é, de facto, a expressão de uma inquietação cívica que não devia deixar ninguém dormir tranquilo. Esqueçam a gritaria insultuosa de Sócrates e da sua gente, esqueçam o dedinho ridículo do Chefe espetado a acusar "instrumentalizações" e a denunciar "privilégios" - ele pretende apenas distrair-nos do que realmente importa. Sócrates não nos deixa ler aquela faixa - esbraceja, grita e bate o pé, porque, no fundo, sabe que aquela inscrição está certa e é a revelação do imenso logro da sua "revolução da educação".
Aquela faixa é escrita no limiar da Escola, à beira de uma outra coisa que este governo tem precipitado nos últimos quatro anos.
Aquela faixa avisa-nos: 'Aqui acaba a Escola e começa uma outra coisa qualquer.'


[Foto de Leonor Areal - tirada daqui.]

Os descaminhos da direita


No i, Rui Ramos escreve um artigo em que recorda o que o levou "para a direita". Conclui dizendo que

"O ano passado, li um texto em que Bernard Henri-Lévy justificava as suas parcialidades políticas. Descobri, sem espanto, que as razões pelas quais ele diz que é de esquerda são precisamente as mesmas pelas quais eu digo que não sou de esquerda, ou, se preferirem, pelas quais eu estou à direita (não digo "ser de direita", porque esse é um ponto de vista da esquerda). Resumo: ele fez-se de esquerda para ser livre; eu fui para a direita pela mesma razão. Os caminhos da liberdade são muitos e misteriosos. Mas talvez só à direita se possa perceber isso."


Na verdade, desde há muito que desconfio das narrativas pessoais como demonstração da superioridade das identidades políticas. Pois sempre me pareceu que estes caminhos individuais de libertação de contextos, traumas ou dogmas, que sufocavam numa vida do "antes", rumo a um "depois" luminoso nunca podiam ser mais do que um caminho em que a identificação político-ideológica significa uma espécie de redenção pessoal. À direita, sobretudo na perspectiva conservadora dos vários conservadorismos, esta associação íntima e existencial entre, por um lado, uma disposição política e uma orientação intelectual, e, por outro lado, a construção de uma nova identidade pessoal, limpa das manchas de uma outra vida, anterior, mais ou menos consciente, é sempre perversa. Precisamente porque o conservadorismo não é uma ideologia. O conservadorismo pode ser uma introdução à liberdade, mas nunca é um caminho de libertação. Isso seria uma contradição nos próprios termos. A libertação pessoal exige outras coisas que o conservadorismo não pode dar, ou que o conservadorismo já supõe. Em certo sentido, o caminho da libertação pessoal é o contrário de "estar à direita".

sábado, 30 de Maio de 2009

Cavaco Silva e as Acções da SLN - II

O presidente Cavaco Silva deve explicar-se muito bem por um conjunto de razões bem prosaicas. Porque é o seu dever como presidente da República. Porque deve afastar quaisquer suspeitas ou dúvidas, que os seus concidadãos possam legitimamente ter, no que respeita à natureza do negócio em causa. Porque é sua obrigação tudo fazer para travar, ou até inverter, o crescente desprestígio das instituições políticas. Porque deve evitar um aproveitamento ilegítimo da notícia (o que já aconteceu) por parte do Partido Socialista. Porque deve separar as águas, mostrando claramente que não é José Sócrates (apesar de todos os sabermos).
Digo isto sublinhando que não acredito em "cabalas" embora elas, indiscutivelmente, existam.

Estimativa

Hoje, em Lisboa... vinte mil bota-abaixistas juntos a vinte mil pessimistas, mais vinte mil negativistas e... ainda vinte mil insultistas. Desmancha-prazeres que insistem em se furtar à feira das ilusões de um certo Sócrates. Teimam em mostrar que há qualquer coisa por detrás da permanente tela "socrática" - qualquer coisa que é irredutível à propaganda do governo. Ninguém melhor do que estes para o fazer. Afinal, num certo sentido, trata-se de gente treinada precisamente na distinção entre a "aparência" e a "realidade" - são muito sensíveis à manipulação daquilo que reputam importante. Muito susceptíveis a permutas entre o verdadeiro e o falso.
Sessenta mil privilegiados, claro.

Cavaco Silva e as Acções da SLN

Como é óbvio, nada mais resta a Cavaco Silva que não seja explicar muito bem a notícia da 1.ª página de hoje do Expresso. Se o não fizer... nem quero pensar nas consequências.

Da elevação do debate político


No início desta semana, escrevi isto sobre a linguagem eleitoral. Não podia saber que o melhor ainda estava por vir. Alguém deve ter ensinado a Vital Moreira que as campanhas eleitorais em Portugal se fazem gritando mais alto que o vizinho, e acusando-o de coisas ainda piores do que aquelas de que somos acusados. Só isso poderá explicar que Vital Moreira ameace não se calar e agravar os tons, enquanto identifica o BPN ao PSD – ‘o caso do "banco do PSD" não vai morrer tão cedo’ escreve ele no Causa Nossa –, um gesto tão assumidamente desonesto que só pode ser estrategicamente premeditado. Não vejo ninguém incomodado com esta estratégia, e portanto deduzo que isso não interessa nada. Transformar o 'debate' em 'combate' parece continuar a ser uma fórmula de sucesso entre os socialistas. Sobretudo porque, a uma semana das eleições, estas desonestidades não acarretam custos eleitorais, só benefícios, já que pouco tempo existe para que estas desonestas acusações se esclareçam. Na Marinha Grande aplaude-se fervorosamente. 

Ainda se lembram quando o PS apresentou Vital Moreira como o candidato que iria elevar o debate político? “Queremos elevar o debate político para níveis que o nosso país exige, a nossa democracia impõe e que o debate europeu também impõe", disse José Sócrates na apresentação do candidato. Quero acreditar que nem o Primeiro-Ministro consideraria que este é o nível que o nosso país exige, pelo que deduzo que o PS tenha desistido da ideia de ‘elevar o debate’. O que só comprova que Vital Moreira é um erro de casting tremendo, e que as estratégias ‘vale-tudo’ compensam.

À Falta de Melhor...

... aqui vão as imagens e o som do "Ritual Para Dificultades Economicas." Se a coisa funcionar que se telefone ao primeiro-ministro de Portugal.

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Instituições pouco fotogénicas (II)


António Costa Pinto fez uma leitura inteligente do bloqueio à eleição do Provedor: quem sai a ganhar é o Presidente da República. É um daqueles casos em que se ganha só porque os outros perderam: os portugueses estão insatisfeitos com o Parlamento, e a questão do Provedor da Justiça é talvez o caso recente mais evidente da dependência nos partidos para o funcionar das instituições. Os portugueses não estão insatisfeitos com o Parlamento apenas por causa desta questão, mas antes associam ao Parlamento muitos dos problemas que têm sido a face do país. E isso diz-nos três coisas:

- os portugueses já se aperceberam que as instituições políticas em Portugal estão partidarizadas, e que a fonte dos nossos problemas institucionais está comummente na Assembleia da República. Daí que o desagrado perante as instituições se reflicta sobre o Parlamento. Ao contrário do que devia acontecer, as instituições em Portugal não estão imunes às vontades dos partidos, o que significa que uma vez eleitos, os partidos agem sem constrangimentos reais. Por cá, as instituições são contra-maioritárias apenas formalmente, e não efectivamente.

- os portugueses sentem-se hoje pior representados no Parlamento do que sentiam. O longo período em que o PSD não convenceu como alternativa de governo, a tendência do PS para se afastar da esquerda e se colar ao centro, o vai-não-vai de Manuel Alegre, e finalmente as discussões à volta de um Bloco Central serão certamente factores explicativos, mas não estarão sozinhos.

- cada vez mais se impõe uma reforma do sistema partidário.

O aplauso


Nem vale a pena esperar do primeiro-ministro qualquer coisa remotamente parecida com uma condenação das maravilhas de oratória expelidas ontem por Vital Moreira e por Capoulas Santos. Qualquer candidato a grunho sabe que pode sempre contar com o silêncio aplaudente de Sócrates quando perder o pudor e abrir a boca. E como não? É esse o estilo que o primeiro-ministro aprecia. E tem praticado nos últimos quatro anos. Não esqueçamos que Sócrates nunca pôs na linha as suas criaturas mais desbocadas. O que é compreensível - o criador reve-se nos vagidos das suas criaturas. É humano.
E como se sabe, a tolerância (quando não o prémio) de certos "comportamentos" ou discursos, por parte daquele que devia zelar para que não acontecessem, só vai fomentar a sua reprodução. Entra-se num crescendo de insolência, mau-gosto, quando não má-criação. A deselegância compensa.
É claro que há personagens que assumem melhor esse papel do que outras. Há sempre quem não tenha estômago para certos modi loquendi ou não se reveja neles. E esses são, como é da praxe, olhados com um desprezo indignado ou tratados abaixo de cão pelos cavernícolas de serviço.
Vital Moreira já se tinha referido às manifestações de rua como manadas (metáfora que diz muito), Capoulas falou ontem da trupe do PSD. Amanhã, poderá um deles falar dessa súcia do Bloco de Esquerda, da cambada do PCP ou desse gang do CDS/PP. Este é o tipo de linguagem incendiária que pode muito bem aquecer o Verão que aí vem. E aí não teremos apenas o calor das palavras, mas também o dos actos. É que o calor da linguagem política transmite-se muitas vezes à acção. Os cavalheiros em apreço deviam lembrar-se disso.

Instituições pouco fotogénicas (I)


Cavaco Silva afirmou hoje que o bloqueio na eleição de um Provedor da Justiça atinge a credibilidade das instituições. Comentando as declarações do Presidente na TSF, António Costa Pinto defende que Cavaco Silva é aquele que sai beneficiado desde caso, pois o desagrado e a contestação dos portugueses face ao Parlamento são crescentes. Sobre isto, dois pontos (e um terceiro mais logo).

(1) o PSD fez aquilo que lhe compete. Tendo o PS uma maioria absoluta, o PSD procura contrabalançar o poder do PS e impor-se, sobretudo não permitindo que o PS decida sem o seu consentimento. O PSD, evidentemente, não está contra a proposta do PS por se tratar de Jorge Miranda, mas precisamente porque a proposta é do PS. Assim, uma decisão aceitável para o PSD seria uma em que o nome que propõe é aceite, ou uma em que um outro nome fosse escolhido por consenso entre PS e PSD (negociação prévia, e não posterior). Os partidos estão, no fundo, a jogar o seu jogo, e a jogá-lo bem. O problema não está na forma como o jogam, está simplesmente no facto de serem jogadores predominantes.

(2) o Presidente da República acha que as instituições democráticas portuguesas ficaram mal na fotografia, e que este bloqueio na eleição de um Provedor da Justiça afecta a credibilidade das nossas instituições. Acha muito bem. Contudo, peca por dizê-lo demasiado tarde e identificá-lo à eleição do Provedor da Justiça. A credibilidade das nossas instituições tem vindo a ser manchada por diversas ocasiões, repetidamente, e nada começou com a eleição do Provedor da Justiça. Entre Lopes da Mota e as pressões no caso Freeport, o próprio caso Freeport e a incapacidade da Justiça em investigar casos com altas personalidades, e um Conselheiro de Estado envolvido num caso de corrupção grave, as instituições portuguesas têm ficado mal em muitas fotografias. Permitam-me o trocadilho, mas diria até que só o ano de 2009 já constitui um volumoso álbum negro.

O chato do Provedor

Nascimento Rodrigues, com a sua frequente má-vontade (uma forma de bota-abaixismo?), chateando aqui.

Uma Certa Ideia de Europa


Encontrei num livrinho de Gadamer escrito já no final da década de 80 algumas considerações que, apesar de simples, mantêm toda a pertinência. Em particular, quando se discutem algumas versões do putativo "federalismo" europeu em construção.

«A Europa tem a experiência histórica mais rica, pois possui no espaço mais reduzido a maior diversidade e um pluralismo de tradições linguísticas, políticas, religiosas e étnicas, que tem de controlar desde há muitos séculos. A tendência actual para a unificação e a erosão de todas as diferenças não deve levar ao erro de que o enraizado pluralismo das culturas, das línguas e dos destinos históricos pode ou deve ser realmente reprimido. Numa civilização cada vez mais niveladora, a tarefa poderia antes consistir no inverso, a saber, em desenvolver a vida própria das regiões, dos agrupamentos humanos e do seu estilo de vida. A inospitalidade, com que o mundo industrial moderno ameça o ser humano, leva à demanda de uma pátria. (...)
Pergunta-se onde é que aqui têm ainda validade os ideais da humanidade esclarecida e da tolerância. Mas pode dizer-se mais alguma coisa: onde há força, há também tolerância. Tolerar o outro não significa em absoluto perder a plena consciência do seu irrenunciável ser. O que capacita para a tolerância é antes a própria força, sobretudo a força da própria certeza da existência».


Numa Europa que cada vez mais desiste de ser o que é, as tarefas que coloca a si mesma parecem ser, por um lado, ameaçadoras e, por outro, absurdas. No fundo, a posta que aqui escrevi há uns dias - "Europa para Gente Séria" - também era sobre isto.

Aceitará Ana Gomes a mão que lhe estendem?

Contra todas as expectativas, ou talvez não, o "caso BPN" poderá servir para conciliar dois socialistas desavindos há anos. Refiro-me a Ana Gomes e a José Lello. E isto porquê? Porque se a deputada Maria de Belém, na qualidade de presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, criticou as declarações de Vital Moreira sobre as (supostas) ligações de todo o PSD ao "caso BPN" e condenou a linguagem utilizada pelo "professor doutor de Coimbra" para se referir ao assunto, logo José Lello tratou de censurar a sua colega em São Bento e elogiar a argumentação e o vocabulário usados pelo cabeça de lista dos socialistas ao Parlamento Europeu. Como Ana Gomes e Vital Moreira são unha com carne, percebe-se o alcance e a intenção do aparentemente extemporâneo apoio dado por José Lello a Vital Moreira.

A COSEC e a intervenção do Estado na economia

Debate aqui e aqui sobre a nacionalização da COSEC e os limites e perigos da intervenção do Estado numa economia de mercado.

Exéquias

O Público deveria ter mais cuidado para não cansar o leitor. Hoje, José Miguel Júdice e Vasco Pulido Valente escrevem sobre Dias Loureiro. Não digo que não possa acontecer, mas dois obituários matam qualquer um.

Bonnie & Clyde


Um casal neo-zelandês pediu o equivalente a 100 mil euros ao banco e recebeu na conta vários milhões. Em vez de guardarem o talão para impressionar os amigos e esperar que o banco corrigisse o erro, transferiram uma parte do dinheiro para uma conta off-shore e voaram para parte incerta. Louvo-lhes a capacidade de reacção. O nosso tempo é o da velocidade e da tecnologia, até no negócio de roubar bancos. A velocidade só não interessa se o meliante for o administrador do banco. Nesse caso faz-lhe mais falta uma boa trituradora de papel e uma memória cheia de buracos. Não se deixem enganar pelo meio-campo do Barcelona: o tempo dos românticos acabou. Chegámos ao ponto de ter um operador de armazém de Alverca a assaltar bancos na sua hora de almoço, num exemplo original de duplo emprego. Quando a polícia o foi buscar, e apesar do potencial cinematográfico de uma perseguição entre empilhadoras e paletes, o homem não ofereceu resistência. Um desfecho tão sossegado que poderia ser usado como publicidade a um condomínio na Arruda dos Vinhos. O fascínio por Bonnie e Clyde só pode aumentar.

"Um Professor de Coimbra, meu Deus!..."


Sim, realmente, meu Deus...
Que insinuações miseráveis são estas?... O desespero (com a inépcia) é tanto que agora já vale tudo?...
E qual é verdadeiramente o sentido político de se dizer que um Partido é mais moral do que outro?... O que significa avaliarem-se Partidos por critérios "morais"?
O Partido x é mais honesto do que o Partido y.
Isto é misturar a política com outro tipo de coisas. E estas promiscuidades nunca deram bom resultado...
Avaliar-se Partidos por critérios morais é colocar-se num ponto de vista exterior à política. Um ponto de vista superior.
Vital Moreira, um candidato de fugir.

Os fins justificam os meios, camarada

«Devemos denunciar, condenar. É um caso de utilização da economia para efeitos puramente criminosos (...) Certamente por acaso e só por acaso todos aqueles senhores são figuras gradas do PSD» Vital Moreira, cabeça de lista do Partido Socialista, hoje à noite em Évora. Lamento que isto não indigne o próprio PS e que não sejam os próprios a dizer ao camarada que há limites na vida. Teria é de ser alguém que os conhece a fazê-lo.

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Descubra as Diferenças

Há desafios mais complicados: só não vê diferenças entre Paulo Rangel e Vital Moreira quem não quer. Que o âmbito de temas de campanha seja mais ou menos alargado segundo a estratégia de comunicação é algo que cada partido e candidato decidirá, seja porque os temas são entendidos como importantes, seja porque são mais mobilizadores e podem minorar a abstenção seja pelas conveniências que bem entenderem. Morais Sarmento já desmentiu os abusos do costume do modelo tablóide:

"É falso (...) Não digo em momento algum que ainda não percebi as diferenças (...) visavam permitir, contribuir para que pudesse sumarizar, até por causa da comunicação social, aspectos e pontos objectivos como as prioridades para a Europa e as principais diferenças em relação ao PS"

KGB na origem das lendas negras sobre Pio XII



Vídeo sobre como os serviços secretos soviéticos fabricaram acusações sobre o comportamento do Papa Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial, insinuando que teria abandonado os Judeus durante o holocausto nazi. Este artigo Moscow’s Assault on the Vatican, escrito pelo antigo espião soviético Ion Mihai Pacepa, fala da estratégia do KGB para atacar e descredibilizar a Igreja Católica por esta ser anti-comunista.

As coisas não estão bem no CDS

Estas declarações (informação via Câmara dos Comuns) de Ribeiro e Castro, denotam o clima que grassa dentro do CDS. Completamente demolidor para a actual lista liderada por Nuno Melo, especialmente para Teresa Caeiro. Repare-se nestas palavras:

A posição estratégica como terceira candidata traduz por certo a exposição desta nova modernidade pela direcção do CDS-PP. E nisso assenta a minha convicção de que Teresa Caeiro não está escondida; antes guardada para arrasar na recta final em defesa da liberalização do aborto e do casamento homossexual, temas que são frequentes nos debates no Parlamento Europeu.

Pérola (2)

Outro ilustre comentador, desta feita sem veia filosófica, mas com igual mestria científica, debita mais uma pérola: "As escolas, públicas e privadas, com melhores índices de sucesso escolar têm também maiores índices de alunos com pais divorciados."

Lapidar

"A ERC não tem autoridade moral para fazer recomendações éticas."

João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

ERC, TVI e Eleições

Depois de Marinho Pinto, e por desrespeito por (palavra de honra) "normas ético-legais", a ERC condenou o telejornal das sextas-feiras da TVI. Como é bom de ver, a decisão é politicamente neutra e ignora todos e quaisquer calendários eleitorais.

Pérola

O João Galamba teve a simpatia de citar neste lógica a la carte este meu aspernatio rationis. Na caixa de comentários do post do João, aparece alguém (assina Nuvens de Fumo) com esta pérola filosófica:

"Os divórcios não são bons nem maus, são exercícios da nossa liberdade individual."

Europa, Rangel e Vital (II)

A terceira surpresa da campanha chama-se Paulo Rangel. Se Vital personifica a classe política pós-revolucionária, Rangel simboliza uma nova geração política que emerge em Portugal trinta e cinco anos depois de Abril. Com a devida vénia ao ministro Pinho, não faço ideia se comeu muita papa maizena quando era criança. Mas sei que Rangel se tem mostrado bem preparado e combativo nos debates. Mas o que mais impressiona é o modo livre e aberto como discute política, como se viu na tertúlia com a blogosfera no café Nicola.
Para além de coragem, a escolha de Paulo Rangel como cabeça de lista do PSD, mostra que Manuela Ferreira Leite se está a rodear de uma nova geração política. Falo de Rangel como podia falar de Paulo Mota Pinto ou Sofia Galvão, que partilham com Rangel um percurso académico e profissional de sucesso. Estes exemplos são relevantes porque mostram ser possível a pessoas de mérito fora da política e do aparelho partidário, chegar a lugares de topo nos partidos. Neste caso são ambos vice-presidentes do PSD.
Os dados estão lançados. Com a campanha todos os dias nas ruas (e na televisão) qualquer cenário é possível. Tudo depende da dimensão do voto de “protesto”, e sobretudo da abstenção (feriados…), que será a grande incógnita que pode baralhar as contas eleitorais.
Uma eventual vitória do PSD nas europeias, juntamente com os sucessivos escândalos que envolvem Sócrates, o cansaço político do Governo, a crise económica, o desemprego crescente, bem como a progressiva afirmação de Manuela Ferreira Leite como líder da oposição, deixam tudo em aberto para as eleições legislativas. O empenho pessoal do Primeiro-Minsitro na campanha eleitoral contribui para transformar estas europeias na “primeira volta” das legislativas. Sem ter culpa disso, Vital Moreira pode simbolizar o princípio do fim de um ciclo político, enquanto Paulo Rangel corporiza a renovação de um novo PSD que emerge no “outono” socialista.

A grande sondagem (V) - O CDS




Declaração de interesses.
Sou militante activo do CDS, gosto do CDS e estou convencido de que é importante para Portugal um CDS forte.
Independentemente de ser crítico de muitas das opções do partido, com todos os seus defeitos o CDS é o partido que pode oferecer, atentas a sua génese e vocação, a proposta mais consistente para, assumindo uma visão claramente humanista, poder operar a mudança de que Portugal tanto precisa.

Dito isto é sempre mais díficil ser objectivo na análise dos possíveis resultados do nosso partido. Mas vamos a isso.
Paulo Portas regressou à Presidência do CDS em Abril de 2007 com o propósito de fazer o partido crescer e anunciando uma nova primavera para o CDS. Nos últimos dois anos teve condições e oportunidade de desenvolver o seu projecto político, da forma como entendeu com total liberdade e com todas as condições internas.

Uma grande vitória para o CDS será:
- O CDS ter uma votação acima dos 10%.
O CDS não atinge os 10% em eleições nacionais desde 1994, pelo que qualquer resultado de dois digitos para o CDS, mesmo que não consiga eleger o terceiro deputado, será uma grande vitória e um óptimo prenúncio para as legislativas de Setembro.
Um resultado sofrível para o CDS seria:
- A manutenção dos dois deputados.
- Uma percentagem inferior a 9% mas superior aos 7,5% das últimas legislativas.
Com este resultado o CDS mantém as posições actuais, não ganha votos, mas teria um resultado superior ao resultado das legislativas em que Paulo Portas apresentou a sua demissão.
Uma grande derrota para o CDS seria:
- Perder um deputado;
- Atingir uma percentagem de votos inferior a 7%
- Ter menos de 20% dos votos do PSD.
Seria o pior resultado de sempre do CDS em eleições europeias e o pior resultado do CDS em eleições nacionais dos últimos 18 anos . Paulo Portas perderia o seu primeiro grande teste eleitoral e teria menos de 4 meses para inverter a situação e salvar o seu projecto.

Músicas de genéricos (25)

The Third Man, Carol Reed (1949)

(Anton Karas, cítara)

Dos conceitos que legitimam (II): eurocepticismo

O eurocepticismo é um conceito relativamente novo, que nasce em resposta à cada vez maior integração europeia na CEE e finalmente na UE. Por definição, eurocepticismo significa o acto de ter dúvidas ou reticências acerca da integração europeia. Na prática, o conceito dissolveu a fronteira entre os partidos pró-europeus e os anti-europeus, uma vez que ser-se eurocéptico permite-nos criticar as posições da UE, e até questionar a existência da própria UE, embora legitimamente. 

Vale a pena ler as entrevistas de Ilda Figueiredo ao SOL e ao i. Nelas, a eurodeputada esclarece a posição do PCP face à UE, e apresenta as suas propostas. A ideia que guardamos após as leituras é que Ilda Figueiredo e o PCP não são contra a Europa, mas que não gostam desta Europa, cuja integração consideram ser capitalista, federalista e militarista; que lutam por dentro por uma Europa social, que está longe de ter existido ou de vir a existir; que têm dúvidas se tem sido bom para Portugal pertencer à UE; que defendem outras formas de cooperação entre Estados, menos integrada e com mais soberania para os Estados, e que a América Latina mostrou que estas são possíveis (a que poderá Ilda Figueiredo referir-se quando fala de modelo de cooperação de sucesso na América Latina?); que preferiam o período pré Maastricht, e mesmo assim com grandes alterações. No fundo, que acreditam que “a UE não é senão um instrumento do capitalismo, nos 27 Estados membros que a compõem”.

O PCP é um partido eurocéptico. Observando as declarações de Ilda Figueiredo, parece evidente que as dúvidas do PCP quanto à UE são realmente muito grandes. Mas qual é o limite, a reticência que faz com que se passe de eurocéptico para anti-europeu? Provavelmente o apelo ao abandono da UE, um critério sem dúvida demasiado curto. O ‘eurocepticismo’ tornou-se um conceito muito conveniente aos partidos mais extremistas, pois progressivamente legitimou a sua participação crítica, por vezes até anti-europeia, no processo político europeu. Notemos que os dois actuais partidos mais eurocépticos em Portugal são o PCP e BE (esqueçamos aqueles que não têm representação parlamentar) e que são partidos anti-europeus de origem, tendo adoptado progressivamente a retórica eurocéptica, que os legitimou a nível europeu e nacional. Na base dessa adaptação, estará certamente o pragmatismo de quem pretende o poder, razão de ser de um partido, e na compreensão de que crescer enquanto partido significaria consentir alguma perda de ideologia, trocada por legitimidade.

Ou seja, e como Ilda Figueiredo bem nos mostra, ser-se eurocéptico é estar-se contra a integração europeia, mas sendo pragmático o suficiente para o fazer com legitimidade na opinião pública. É que esse pragmatismo vale votos, que por sua vez valem assentos parlamentares e prestígio. Afinal, parece que o que distingue eurocépticos de anti-europeístas é apenas o seu pragmatismo.

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Ter jeito prà política, ter jeito prà política, ter jeito prà política (*)

'Não basta só dizer mal! Não basta só dizer mal!!... Não basta só dizer mal!!!'

Assim gritava hoje transpiradamente Sócrates em Castelo Branco. Já se sabia que o senhor primeiro-ministro nos toma a todos por imbecis, mas não imaginava que também nos tomasse por surdos.

(*)

Longe, muito longe

Em Janeiro, perguntava aqui no Cachimbo até onde é que esta equipa do Barcelona poderia chegar sem centrais de qualidade? Afinal, mesmo com centrais de segunda categoria, mesmo com uma defesa remendada, mesmo com dois jogadores titulares que a opinião generalizada considerava terem chegado ao fim das suas carreiras (Henry e Etoo) e mesmo com um plantel relativamente curto, foram longe. Foram muito longe.

Más notícias para a causa fracturante

Segundo uma sondagem da Gallup, o apoio popular ao casamento gay tem vindo a descer nos Estados Unidos. Depois de um crescimento acentuado desde a década de 90, a tendência inverteu-se a partir de 2007. Nesse ano cerca de 46 por cento dos americanos apoiava medidas legislativas neste sentido, enquanto agora esse número situa-se nos 40 por cento. Apenas 55 por cento dos democratas apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais 10 por cento que os independentes. Entre os republicanos, apenas 20 por cento se mostram favoráveis. Mas nem tudo é negativo para a causa: os jovens entre os 18/29 apoiam maioritariamente o casamento gay.

Com estes números é de prever que no próximo ciclo eleitoral este assunto seja dos mais relevantes da discussão pública (o que lamento). Os democratas podem perder algumas "batalhas" devido a este tema, especialmente nos circuitos mais conservadores. Apesar de Barack Obama ser contra o casamento gay, os democratas, especialmente da ala mais liberal, têm sido aqueles que mais têm lutado por esta modificação.

Em cheio

"Reconhecem-lhe [a José Sócrates] dons oratórios. Discordo. O senhor é tão-só um pugilista da frase previamente fabricada (para o observador atento são significativos os seus erros discursivos: diz perdão, faz rewind e carrega no forward para prosseguir sem pestanejar). O seu vício para reduzir a argumentação ao pugilato verbal é irrecuperável (...)."

Santana Castilho, "Carta aberta ao primeiro-ministro", hoje, no Público.

Duas Perguntas e uma Previsão a Propósito do "Caso BPN"

Apesar de Dias Loureiro ter anunciado que irá deixar o Conselho de Estado, vale a pena perguntar o seguinte. O BPN está para Cavaco Silva como Macau esteve para Mário Soares? Quem desempenhará o papel de Rui Mateus de Cavaco Silva e do PSD?
Caso a resposta à primeira pergunta seja "sim" e um Rui Mateus do PSD apareça por aí em forma de livro ou de outra coisa qualquer, atrevo-me a prever para Cavaco Silva um futuro politicamente longo e radioso!

Publicidade à malta da bloga


O meu amigo João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos lança o livro do seu blogue no dia 3 de Junho, pelas 18:30, na Bertrand do Chiado. Medeiros Ferreira assina o prefácio. Pacheco Pereira faz a apresentação. É de ir.

Dos conceitos que legitimam (I): democracia

Escreve o Miguel Morgado, num post abaixo, que “nestas coisas de concepções de democracia, ao que parece cada um tem a sua”. Infelizmente, tem toda a razão. O conceito ‘democracia’ foi várias vezes esvaziado do seu sentido ao longo da história política do século XX, cuja herança passou para o XXI, e a utilidade desse esvaziamento foi a de adaptar o conceito ‘democracia’ a mil e uma coisas diferentes, no sentido de as legitimar na opinião pública. Assim, a ‘democracia’ tornou-se em algo como uma ‘carta branca’ que a tudo se molda. Com resultados evidentes: vejamos o caso dos partidos de mudança de regime, como os Partidos Comunistas, antes inimigos do regime, e que hoje uniformizaram a sua mensagem política à volta do conceito de ‘democracia’. Foi, claro, uma questão de sobrevivência; a democracia vencera, e para se manter no jogo era necessário ser-se democrático. Ou pelo menos dizer-se democrático.

Uma das grandes mentes que esvaziou o conceito de ‘democracia’ foi Carl Schmitt, em Sobre o Parlamentarismo (1923) e em várias reflexões que apresentou até ao início dos anos 1930 (como ‘Strong State and Sound Economy’ de 1932). Argumentava o teólogo alemão que uma democracia pode ser militarista ou pacifista, absolutista ou liberal, centralizada ou descentralizada, progressista ou reaccionária, consoante as épocas mas sem nunca deixar de ser uma democracia. Por definição, a democracia é uma série de identidades, e a sua natureza (ou definição) diz-nos que as decisões devem ter apenas valor para quem as toma (se todos decidem, todos obedecem). É essa série de identidades que constrói a identificação entre o quantitativo (a preferência da maioria) e a lei (aquilo que é justo). Se por razões práticas, umas quantas pessoas decidem pelo povo, também poderá decidir pelo povo uma única pessoa de confiança: esta argumentação, sem deixar de ser democrática, justificaria um cesarismo anti-democrático, e está na base da crítica de Schmitt às democracias liberais, enquanto legitima o renascer do Estado alemão nos anos 1930.

A questão fundamental reside na definição dos conceitos. Existe uma enorme diferença entre aquilo que ‘democracia’ significa (i.e. relação entre quantitativo e lei) e aquilo que nós entendemos por ‘democracia’ (i.e. relação entre quantitativo e lei, com pluralismo político e liberalismo). Esta ambiguidade entre aquilo que significa e aquilo que compreendemos permite, entre outras coisas, que cada um tenha a sua própria visão sobre o que é ‘democracia’. E que alguns desses a usem como instrumento de legitimação: que um partido comunista se denomine de democrático já não choca ninguém, como se o comunismo fosse uma forma de democracia. E de acordo com o argumento de Schmitt, não haveria limites para essa associação. Por isso, aquilo que nos anos 1930 serviu para legitimar uma Europa com Estados fortes e centralizados, serve hoje igualmente para legitimar as alternativas de regime. É que, se de uma ponta à outra da escala esquerda-direita todos são democráticos, então ser-se democrático já não significa nada.

Especialistas

Ao ler esta posta do Nuno Lobo, lembrei-me das imortais palavras de Max Weber:
«...para os 'últimos homens' dessa fase da civilização, tornar-se-ão verdade as seguintes palavras: 'Especialistas sem espírito, folgazões sem coração: estes nadas pensam ter chegado a um estádio da humanidade nunca antes atingido'»

Aspernatio rationis

Ontem no i, uma reportagem indica que, nos últimos 30 anos, a taxa de divórcios triplicou em Portugal. O número é tentador e existem motivos para se pensar que a nova lei do divórcio pode conduzir a uma taxa ainda mais optimista. Para o bem de todos. Vale a pena ouvir a voz dos especialistas entrevistados.

Segundo as palavras de Adelaide Guitart, eminente especialista em Direito de Família, “as pessoas já não se casam na premissa de que é para toda a vida, mas antes de que é enquanto durar. Se não correr bem, divorciam-se e podem recomeçar de novo”. Sem dúvida. O divórcio é o melhor amigo de qualquer relação. Não a relação que termina, mas a relação que se encaminha. O divórcio permite a uma pessoa viver a vida eternamente apaixonada: a paixão da primeira relação; a paixão da segunda relação; a paixão da terceira relação; e por aí fora. Bem vistas as coisas, o melhor do casamento é a antecipação feliz do novo começo que começa a ser vislumbrado com o divórcio. As pessoas casam-se hoje em dia na premissa de que é enquanto durar e, se forem sábias, fazem com que o casamento dure pouco.

Para além de um enorme bem individual, o divórcio é um bem social a ter em conta. Isto mesmo pode ser concluído a partir das palavras de um outro eminente especialista, Victor Cláudio. O especialista em Psicologia da Família alerta que a “a matriz social cristã tende a ver o divórcio como uma coisa má.” Errado, o divórcio não é uma coisa má. “Mas o que é a família na realidade? A pessoa casou-se cinco vezes, tem cinco famílias. O divórcio não é nenhum atentado, não ataca o tecido social, bem pelo contrário. Antigamente a sociedade estava cheia de famílias podres. E isso é muito mais grave do que as famílias se reestruturarem.” A lógica subjacente é inatacável. Quanto maior o número de divórcios, maior o número de famílias, a sociedade sai fortalecida. Ao contrário do Cristianismo, que promove uma só família, o divórcio possibilita a emergência de muitas famílias. A decadência do Cristianismo e a ascensão dos novos tempos equivale à passagem da família única, duradoura, destinada à podridão, para as famílias múltiplas, de curta duração, destinadas à maturação plena. Que sentido faz restringir a sociedade a uma família podre quando pode ter cinco famílias maduras?

Finalmente, contra todas as falsas evidências, supersticiosamente veiculadas no passado, o eminente psiquiatra Júlio Machado Vaz lembra que o divórcio também é um bem infantil supremo. “É preciso que os pais entendam e tornem claro para os filhos que a linha do triângulo que se quebra [com o divórcio] é a que os junta a eles [aos pais], enquanto a que une cada um deles com os filhos se fortalece.” A voz do especialista é sábia. Os filhos, principalmente eles, têm motivos de sobra para desejarem o divórcio dos pais. Quando o pai e mãe se amam, o amor que cada um deles tem pelo filho é um amor dividido; quando o pai e a mãe se divorciam, o amor de cada um deles pelo filho é fortalecido. E de facto, as crianças deveriam ouvir os especialistas. Em vez de ficarem tristes quando olham o seu mundo desmoronar, deveriam antes ficar sumamente felizes. De agora em diante, não há criança que não deseje o divórcio do pai e da mãe para assim poder ter o monopólio do amor de cada um deles.

Resolvido o mistério da cena final de "Lost in Translation"

O filme de Sofia Coppola termina com um último abraço de Bill Murray a Scarlett Johansson. Mas no meio daquela despedida, antes de cada um retomar o fio das suas vidas (se é que as suas vidas tinham uma regra e uma medida), Bill Murray segreda algo ao ouvido de Scarlett Johansson, e que para o espectador é absolutamente imperceptível. O sussurro levou muita gente por esse mundo fora a rever a cena com o volume da televisão no máximo, ou com o auxílio de auscultadores. O caminho era outro. Como agora vivemos na era da tecnologia, e a tecnologia tem horror ao segredo, fica aqui a solução do mistério.
P.S. Dedicado ao BM e ao NV.

Europa, Rangel e Vital (I)

Ainda a campanha mal começou e já se sente uma grande tensão no ar. Os partidos sabem que estas eleições podem ser decisivas. O PS tentou ao início desvalorizar, centrando o debate em temas (apenas) europeus. Enquanto o PSD insistia em trazer à discussão assuntos “nacionais”, invocando a relevância europeia de temas como o combate à crise, desemprego, agricultura, ou os atrasos na aplicação dos fundos comunitários.
A primeira surpresa veio das sondagens. Ninguém esperava o empate técnico entre os dois maiores partidos. Ora nas sondagens, tal como na Bolsa, mais do que as cotações diárias, interessa a tendência de fundo e, neste caso, verifica-se uma subida progressiva do PSD que deixa tudo em aberto para as eleições de 7 de Junho.
A segunda surpresa chama-se Vital Moreira. Já não é apenas a fraca prestação nos debates. Vital parece deslocado, fora de contexto. Apesar de brilhante, a sua pose professoral (estilo “lente” de Coimbra) não entusiasma ninguém. É visto à esquerda como um “traidor”, como se viu no triste episódio do 1.º de Maio. E à direita como ex-comunista da linha dura. Até mesmo os socialistas têm dificuldade de o ver como um dos “seus”.
O ex-deputado constituinte simboliza a classe política pós 25 de Abril. Já se libertou do comunismo, mas ainda não dos seus quadros mentais. Manteve a visão estatizante e uma agenda ideológica que, por vezes, parece prevalecer sobre o interesse nacional. Só assim se percebe, por exemplo, que se oponha à reeleição de Durão Barroso para a Comissão Europeia, ao contrário de outros socialistas (Zapatero, Gordon Brown e mesmo Sócrates), com o argumento da participação na cimeira dos Açores.
[continua]

A grande sondagem (IV) - A CDU





A CDU tem vindo a baixar o seu resultado eleitoral em eleições europeias constantemente desde 1989. Elegeu 4 deputados em 1989, 3 em 1994, 2 em 1999 e dois em 2004.

Nestas eleições a CDU, para além do envelhecimento do seu eleitorado tradicional, enfrenta ainda o crescimento do BE. Todavia as sondagens demonstram uma grande estabilidade nas intenções de voto na CDU e o seu eleitorado é do mais militante o que pode favorecer em situações de grande abstenção.

Uma grande vitória para a CDU seria:
- Ser o terceiro partido mais votado;
- Ter uma votação acima dos 10%;
- Eleger 3 deputados.
O crescimento da CDU mesmo com o crescimento do BE, evidenciaria as grandes dificuldades do PS conseguir atingir uma maioria absoluta.
Um resultado sofrível para a CDU seria:
- Manter os seus 2 eurodeputados e a sua percentagem nos 9%.
- Ser o quarto partido mais votado mas ficar a poucos votos do BE.
A noite eleitoral da CDU vai depender muito do resultado do BE. Uma manutenção pela CDU do seu resultado de 2004, num cenário de grande diminuição da votação do PS e de grande crescimento do BE é um rude golpe para a CDU.
Uma grande derrota para a CDU seria:
- Eleger apenas 1 deputado.
- Ser o quinto partido mais votado.
- Ter uma votação abaixo do limiar dos 8%.
A menos de quatro meses das eleições legislativas uma perda de representação europeia confirmaria a degradação constante nas votações CDU dos ultimos 20 anos em eleições europeias.


terça-feira, 26 de Maio de 2009

Quando a boca foge para a verdade...

Sonia Sotomayor, proposta por Obama para o Supremo Tribunal.
Nestas coisas de concepções de democracia, ao que parece cada um tem a sua.

Convite FLE


O Fórum para a Liberdade de Educação promove no próximo dia 8 de Junho, no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian, 9H30-13H00, mais uma conferência internacional, desta feita subordinada ao tema da liderança escolar. A intervenção de fundo será proferida por Beatriz Pont, directora do projecto de implementação de políticas educativa da Direcção de Educação da OCDE, e os comentários estarão a cargo de Miguel Ángel Sancho Gargallo, Presidente da Fundación Europea Sociedad y Educación, e Álvaro Almeida dos Santos, Presidente do Conselho de Escolas.

Beatriz Pont dirigiu recentemente um estudo internacional sobre a liderança educativa, que resultou em 2 publicações: Improving School Leadership: Policy and Practice e Improving School Leadership: Case Studies on System Leadership (OECD, 2008).

Zeca

Zeca. Zeca. Tem cinquenta anos, de certeza não menos, poucos mais terá. Ao longe, a silhueta é a mesma de há trinta anos, o corpo magro, o cabelo crescendo para cima, as mãos enfiadas fundo nos bolsos apertados das calças de ganga gastas, tão antigas como a juventude dele. Sempre viveu ali, em casa dos pais, sem ocupação conhecida, sempre ali, de um lado para o outro, de dia em dia, como um gato a esgueirar-se por portas entreabertas. O Zeca não é deste mundo. Não é de mundo nenhum. Costumava ajudar os pais na frutaria, uma barraca entre outras onde vendiam frutas e hortaliças. A mãe morreu, a frutaria fechou, o pai passa os dias à porta de casa ou sentado no carro. Uma vez discutiram, ele e o pai, o Zeca a dizer que o matava, depois silêncio, ele saiu, bateu com a porta, a vida continuou. A minha avó pede-lhe que faça algumas reparações lá em casa. Torneiras, prateleiras, gavetas que não fecham, portas que não abrem. E ele às vezes vai. Outras, não aparece. Quando aparece, faz as coisas como deve ser. A minha avó dá-lhe 5 ou 10 euros. Um prato de arroz doce. Ele agradece, todo curvado, todo gratidão, desce as escadas, volta uma hora depois, o arroz comido, o prato lavado. O Zeca teve um pombal. Lembro-me disso. Foi há muitos anos. Com umas ripas de madeira erguia-se uma garagem, com umas estacas, a vedação de uma horta. O primeiro a chegar reclamava o território e assim ficava, sem papéis, nem impostos, reconhecido por todos e por ninguém. O Zeca tinha o pombal. Um dia, o Zeca ficou sem o pombal, como outros ficaram sem as garagens e outros sem as hortas, mas permaneceu ali, nos baldios, sem nada para fazer, a descascar os dias, esse fruto que nas mãos do Zeca é só casca, uma interminável casca que se lhe enrola aos pés e que lhe vai amortalhando o corpo.

A grande sondagem (III) - O PSD


O PSD de Ferreira Leite e Rangel percebeu, e bem, que só ganhando votos ao PS pode ganhar as eleições.
Durante os últimos anos as consecutivas sondagens indicavam que o conjunto das intenções de voto de PSD e CDS não ultrapassavam os 35% e que as variações do PSD correspondiam a variações do CDS. Um bom resultado do PSD (e também do CDS) implica que se consigam retirar votos ao PS. Na última Eurosondagem, porém, tanto PSD como CDS subiram nas intenções de voto para as europeiras, e o conjunto de votos dos partidos aproximou-se dos 40%, sendo superior, em quase 5%, às intenções de voto no PS, resultado que não se via desde 2002.

Uma grande vitória para o PSD seria:
- Ser o partido mais votado
- Eleger mais deputados que o PS
- Ter mais de 35% dos votos.
Com uma vitória eleitoral do PSD em Junho, Manuela Ferreira Leite poderá catalizar uma altenativa ganhadora à direita do PS. Pode ser desenhado um programa comum das várias forças políticas não socialistas e tudo pode acontecer.
Um resultado sofrível para o PSD seria:
- Perder as eleições mas por uma margem inferior a 2%.
- Eleger os mesmos deputados que o PS.
- Eleger mais deputados do que em 2004.
Com este resultado o fantasma do bloco central irá pairar até Outubro.
Uma grande derrota para o PSD seria:
- Eleger 7 deputados (menos 2 que o PS).
- Não atingir a barreira dos 30%
- Ficar a mais de 6% do PS.
Será um dos piores resultados do PSD e será o regresso da instabilidade interna dentro do PSD.
O partido não terá hipoteses de ganhar as eleições legislativas e apenas ficará em aberto se a oposição consegue ou não retirar a maioria absoluta ao PS.
Manuela Ferreira Leite dificilmente continuaria como presidente do PSD após as eleições legislativas.

Do dever patriótico de não acirrar ódios contra o governo da nação

Trata-se do manifesto de um cidadão indignado.
Comovente.
O opróbrio causador do cívico grito, porque sufoca de raiva amorosa qualquer patriota digno desse nome, vem de um certo Barreto - criatura infrene na maledicência daqueles que, na solidão do Serviço aos outros e na sombra da modéstia que governa, trabalham incansáveis por ti, por mim, pela comunidade toda e ainda têm de arrostar com o veneno cuspido por tal gente "desvairada" no seu "ressentimento narcísico" e que só é capaz de produzir uma "bosta disfuncional", "desonesta", "grosseira", "chocante" e "nojenta" - que "não deve ser esquecida nem perdoada". (Temos de compreender que o patriotismo autêntico das gentes simples apresenta por vezes estes paroxismos de sinceridade contra os que renegam o torrão pátrio e mordem mesmo a mão caridosa que os alimenta e dirige.)
Esse tal Barreto, mestre em "retóricas maníacas e pérfidas", que não respeita nada nem ninguém, atrevendo-se a "abandalhar" um egrégio documento educativo emanado do governo vigilante da nação, pretende somente, como "incendiário emocional" que é, aproveitar aos sabotadores "corporativamente mais bélicos" e apanhar os incautos ("cognitivamente mais frágeis") na sua malha de estéril malícia, não tentando nunca, como lhe imporiam os imperativos do amor pátrio, "levar as partes ao diálogo, ao entendimento, ao compromisso", mas só busca a dissensão entre os Portugueses e o seu governo (chefiado este com mão firme e olhar decidido por aquele que nos aponta um rápido carril até à saída do túnel) - só persegue, enfim, o nefando Barreto, a desavença entre irmãos, não cuidando de os unir num abraço de costas voltadas para o bota-abaixismo e para o pessimismo ('...que não cria postos de trabalho' - aforismo 32 do senhor primeiro-ministro). São estas as doenças que afectam a vontade dos povos, inoculadas no insulto pelos vende-pátrias nunca assaz malhados, como é o caso desse Barreto.
Só um "decadente publicista", ao serviço sabe-se lá de que forças negras e ocultas, se dedicaria a aplicar "golpes baixos", numa palavra, a insultar "essa honrada e corajosa portuguesa de nome Maria de Lurdes Rodrigues" - e dizemo-lo com unção!
É um exemplo de indignação cívica que te convido então a ler, ó leitor reverente e agradecido. Ei-lo!

A Campanha Eleitoral II

Antes das eleições legislativas, os portugueses vão eleger os deputados para o Parlamento Europeu. Uma vitória do PSD poderá ser o início de uma verdadeira mudança para Portugal. E se em termos estratégicos para as legislativas, essa conquista seria estimulante para o PSD, também para a defesa dos interesses nacionais no Parlamento Europeu seria o mais vantajoso.

Senão repare-se nas listas, por exemplo: de um lado, Vital Moreira, provavelmente o candidato mais inapto que o país já assistiu, as candidatas fantasmas Ana Gomes e Elisa Ferreira, ou o renegado deste governo, Correia de Campos, só para citar alguns candidatos. No PSD temos uma lista liderada por Paulo Rangel, que é já um nome incontornável do futuro da política portuguesa, Carlos Coelho, considerado um dos melhores deputados portugueses em Bruxelas, Maria Graça Carvalho, que desempenhou um excelente trabalho como assessora principal do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, para os assuntos da energia e ensino (e antiga Ministra do Ensino Superior em Portugal), ou Mário David, bastante experiente a nível internacional, com cargos relevantes no PPE e na IDC. Isto apenas para citar os quatro primeiros da lista do PSD. Não há na lista do PSD candidatos contrariados, candidatos renegados, ou candidatos com prémios carreira. E essa é uma grande diferença, que terá consequências no trabalho a desenvolver nos próximos cinco anos no Parlamento Europeu.

Ambos os partidos são europeístas, apesar dos dislates de Vital Moreira, que tem acusado o PSD dos epítetos mais ridículos. Interessa estar atento ao discurso miserabilista de Vital Moreira, que não esquecendo o seu passado no PCP, continua com um argumentário dominado por esses chavões tão em voga na extrema-esquerda europeia, como o “neoliberalismo”, “capitalismo selvagem”, “conservador”, “reaccionário” ou “nacionalista”. Porque da retórica dos candidatos também podemos retirar conclusões sobre a sua acção futura, essa é mais uma razão para não votar PS a 7 de Junho.

Por fim, uma razão de interesse nacional. Cerca de 73 por cento dos portugueses deseja que Durão Barroso continue à frente da Comissão Europeia, com 79 por cento a considerar essa continuidade positiva para Portugal (sondagem do Expresso publicada a 9 de Maio). A melhor forma de contribuir para esse facto é votar no PSD (ou no CDS, que tem uma posição idêntica), que ao contrário dos socialistas, não tem duas caras nesta questão.

Também publicado no Papa Myzena

O insulto, a calúnia, o ataque pessoal, o bota-abaixismo

Podem ver aqui insultos ao senhor primeiro-ministro perpetrados em plena luz do dia.
[Algumas imagens podem ferir a sensibilidade de pessoas insensíveis.]

A campanha eleitoral I

Começou ontem oficialmente a campanha eleitoral para as europeias, a primeira de três que vamos ter este ano em Portugal. Os portugueses vão poder escolher, livremente e sem constrangimentos, os seus representantes no Parlamento Europeu, nas autarquias e na Assembleia da República. Em democracia o voto é soberano, e como tal, é nas eleições que as pessoas decidem politicamente o rumo do país (e não na rua ou em manifestações, como alguns gostariam).

Sabendo que isto é um cliché, arrisco a dizer que estas são as eleições mais importantes para Portugal dos últimos 20 anos. Não tenhamos dúvidas que as eleições legislativas serão fundamentais para determinar que país vai ser Portugal no futuro. E aí, a opção que os portugueses vão enfrentar é clara: manter no poder o Partido Socialista, que nos governa desde 1995, com o interregno dos anos 2002-2005; ou eleger uma nova alternativa, liderada pelo PSD e por Manuela Ferreira Leite.

O estado calamitoso que o nosso país atravessa, que já se arrasta desde o pântano criado pelos governos de António Guterres (o tal que o saudoso Sousa Franco um dia considerou o pior governo desde os tempos de D. Maria II), não é de agora. A crise internacional apenas serviu para tornar mais evidente o frágil nível de desenvolvimento que Portugal tem sofrido desde o inicio da década, e que nenhum governo conseguiu alterar. Este governo tem responsabilidades acrescidas, pois teve todas as condições necessárias para alterar o rumo, e apenas manteve em estado comatoso do país, até este ser violentamente atingido pela crise ano passado, quase sem que o governo tivesse dado conta, apesar dos avisos da oposição.

Se os portugueses consideram que o rumo definido por José Sócrates é o correcto para o país, então devem voltar a eleger o PS. Se, pelo contrário, pensarem que é possível fazer melhor e que Portugal não está condenado a este miserabilismo estatal que o PS nos tem oferecido, então devem escolher outro caminho.

Também publicado no Papa Myzena

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Razões para desesperar

Acabo de ouvir Laborinho Lúcio na televisão a dizer que encontra razões para "sustentar" o seu "optimismo crítico" relativamente ao futuro do País. E as suas meditadas razões são o prémio em Cannes atribuído a um jovem português talentoso, o "ideal" (não estou a gozar) do EURO 2004, as manifestações em favor de Timor-Leste nos tempos de Guterres e uma manifestação recente de 100 000 professores que lutavam pelos seus direitos, "independentemente de terem ou não razão" (juro que não estou a gozar). Estranhei que Laborinho Lúcio não tivesse mencionado o pastel de nata, esta nossa Primavera manhosa ou José Rodrigues dos Santos.
Percebem agora por que é que há razões para desesperar?

Oscar Wilde? Ah,o escritor gay

É inevitável; acontece a todos mais cedo ou mais tarde: vai-se à procura de um livro do Oscar Wilde numa livraria e em vez de estar arrumado pelo que está escrito dentro do livro (que os incautos poderiam pensar ser o mais relevante), não, é exibido segundo a orientação sexual do autor. Desta vez o surpreendido foi o Henrique Raposo. Ao Duarte Calvão e a mim foi há mais tempo.

A linguagem eleitoral

Passei os últimos dias em ‘info-exclusão’, sem acesso a televisão, jornais ou internet. No regresso, hoje de manhã, descubro que Vital Moreira chamou o PSD de ‘oportunista’ e de ‘neoliberal’, que Marinho Pinto se comportou como um selvagem perante as câmaras de televisão, que Ana Gomes qualificou Santana Lopes de ‘parolo’ e de ‘provinciano’, e que José Sócrates montou uma operação propagandística com Zapatero, durante a qual insinuou que Manuela Ferreira Leite era 'retrógrada' e não tinha 'jeito para a política'. Parece que o início oficial das campanhas para as europeias aqueceu os ânimos, i.e. fez baixar um pouco mais o nível a que se discutem propostas eleitorais.
O insulto fácil tornou-se mais do que uma característica infeliz da personalidade de alguns, para se tornar na linguagem privilegiada para ‘falar’ política com o povo. O que diz muito sobre os nossos líderes políticos, a visão que estes têm sobre o povo que representam, mas também sobre nós próprios: um produto só se vende se houver quem o compre.

A grande sondagem (II) - O PS


A pouco mais de 100 dias das eleições legislativas qualquer resultado para o PS que não seja a vitória, acabará definitivamente com o sonho de uma segunda maioria absoluta. Uma grande vitória para o PS seria:
- Eleger 10 Deputados;
- Ficar a mais de 5% do PSD;
- Atingir a barreira dos 40%.
Com este resultado o PS ficaria lançado para uma segunda maioria absoluta e teria fortes possibilidades de a conseguir.
Um resultado sofrível para o PS seria:
- Ganhar as eleições mas por escassa vantagem;
- Eleger 9 deputados;
- Ter mais de 35% dos votos e menos de 38%.
Com este resultado o PS será o grande favorito para as eleições legislativas e dificilmente deixará de as ganhar. Todavia a maioria absoluta será muito difícil de conseguir.
Uma grande derrota para o PS seria:
- Ter menos votos que o PSD;
- Não atingir a barreira dos 35%;
- Eleger apenas 8 eurodeputados (tem actualmente 12).
Se o PS não ganhar as eleições os portugueses deixarão de acreditar, sequer, numa maioria absoluta do PS e pode nascer uma alternativa à direita do PS.

domingo, 24 de Maio de 2009

Cachimbos de lá


Dirck Hals, Cavalheiros a fumar e a jogar gamão, 1627

Posta restante

"There is no doubt that saying "send a message to Brown" will guarantee the largest Tory victory. But the absence of a clear and positive pro-Tory message is still the biggest danger in the Cameron project."
Fraser Nelson, "This is a constitutional crisis", in The Spectator, 16/5/09

Ana Gomes em Grande Forma.

A Propósito da Ida de Sócrates a Valencia

Estrellita Castro interpreta "Suspiros de España"

Quiso Dios, con su poder
fundir cuatro rayitos de sol
y hacer con ellos una mujer.

Y al cumplir su voluntad
en un jardín de España nací
como la flor en el rosal.

Tierra gloriosa de mi querer
tierra bendita de perfume y pasión
España en toda flor a tus pies
suspira un corazón.

Ay de mi pena mortal
porqué me alejo España de ti
porqué me arrancan de mi rosal.

Quiero yo volver a ser
la luz de aquel rayito de sol
hecho mujer
por voluntad de Dios.

Ay, madre mía
ay, quién pudiera
ser luz del día
y al rayar la amanecida
sobre España renacer.

Mis pensamientos
han revestido
el firmamento
de besos míos
y sobre España
como gotas de rocío
[ los ] dejo caer.

En mi corazón
España te miro
y el eco llevará de mi canción
a España en un suspiro.


Cervicais dos Felinos

Esta frase do Filipe não capta bem as possibilidades do fenómeno. Por exemplo, há quem fale abertamente da perfeição da sua linha cervical, mas fá-lo devido ao facto fugidio de nunca ter sido exposta a qualquer tipo de peso. Mas há também quem tenha a cervical direita depois de aguentar pesos e embates. Simpatizo com estes últimos, são os verdadeiramente confiáveis e é com eles que gosto de saltar para a trincheira.

Mário Soares e o Bloco Central

A propósito das recentes declarações de Mário Soares a favor do seu bloco central (1983-1985) e contra um bloco central que se poderia, ou poderá, fazer lá para Outubro-Novembro deste ano, convém recordar uma coisa. Soares só defendeu, com tudo o que podia e enquanto pôde, o bloco central "original" por causa das suas ambições presidenciais. Salvar o país da bancarrota era então um pretexto para constituir um amplo bloco social e político que lhe desse os votos de que necessitava para concretizar aquela que sempre foi a ambição política de uma vida: ser presidente da República! Como se sabe, a eleição de Cavaco Silva como presidente do PSD no célebre Congresso da Figueira da Foz quase transformou num enorme pesadelo o sonho de uma vida.

Sounds of silence

Estas coisas lamentáveis já se passaram há praticamente uma semana (passam-se, quando se tornam públicas) e, até agora, não se ouviu sequer, nem da ministra Lurdes Rodrigues, nem do secretário Pedreira, nem da Gauleiterin da DREN, uma palavrinha sobre as gravações feitas. Não me refiro ao conteúdo das gravações. Refiro-me às gravações enquanto tais.
Convinha que nós, que já somos crescidinhos, passássemos para lá da indignação tão völkisch que para aí vai e atentássemos no que é realmente grave nesta história. Sim, o realmente grave aqui não são as inconveniências dificilmente desculpáveis, os deslizes, o que parece ser uma ameaça patética. O realmente grave é as gravações terem sido efectuadas. Dito mais claramente: o acto da gravação é pior do que o que se ouve nela.
Independentemente da perspectiva legal, é moralmente mais degradante a multidão açulada poder ouvir aquelas coisas, do que o é serem elas mesmas ditas ali. Pessoalmente, ao ter podido ouvir o pouco que suportei, senti-me mais "degradado" do que a dona da voz que ouvi.
Foi-nos oferecida numa bandeja a possibilidade de desfrutarmos de uma vítima.
É escusado virem com o "argumento" emocional de 'se a sua filha ouvisse aquilo na aula, etc' ou o outro de 'sem aquele método, nunca se resolveria nada, etc'. O primeiro já está previsto e assumido no que digo e o segundo nem sequer é verdadeiro: os mecanismos decentes existem - dão mais trabalho do que a trapacice cobarde, mas existem. Não vale tudo - ainda se lembram? As pessoas que aplaudem o método nem se apercebem que apenas vêem a sua eficácia - e nada mais. Já mandaram às malvas tudo o resto.
Que educação estão dando aos filhos aqueles pais que os industriam na preparação meticulosa de uma armadilha, depois friamente lançada, até com isco, a um ser visivelmente fragilizado e, suspeito, bem intencionado, que já não devia estar ali?... Há sempre uma certa volúpia do mal nestas coisas - e ela torna-se muito mais forte e aceitável quando é alimentada pela cumplicidade dos nossos modelos morais.

E porquê o silêncio dos responsáveis, que refiro no começo do post, sobre a justeza ou não do método (já de si ilegal)? Por um lado, são personagens desprovidas de sensibilidade (neste sentido, uma forma de inteligência...) para este género de problemas. Nem se aperceberão das seriíssimas repercussões "simbólicas" do deixar passar incólume uma transgressão destas. É, pura e simplesmente, algo que não alcançam. Por outro lado, poderão ter, sim, uma visão rasteiramente instrumental do episódio e vê-lo como mais uma oportunidade de menorizar a autoridade dos professores (vergando-lhes a espinha, ou qualquer imagem do género que apreciam), degradar-lhes a imagem aos olhos do público, fragilizá-los e torná-los, assim, (ainda) mais vulneráveis e, logo, mais dependentes da sua discricionaridade administrativa e da sua leviandade política e "simbólica". Só neste sentido, portanto, parece haver, nas personagens em apreço, uma certa apercepção de significados possíveis deste tipo de problemas. Mas esse olhar (politicamente rudimentar, míope) preocupa-se somente, repito, com a instrumentalização destes fenómenos para fins próximos, encontra-lhes apenas significados imediatos que persegue sem horizonte.

sábado, 23 de Maio de 2009

A falha mental

Uma pequena anedota reveladora, ontem, na António Arroio. Iam os três ministros, o Primeiro, Lurdes Rodrigues e Teixeira dos Santos, a iniciarem mais um número, em passo tranquilo, na descontracção que só a antecipação da impunidade permite, na segurança de mais uma encenação inversora da realidade (e mal sabiam os pobres que, daí a pouco, seriam foragidos à sorrelfa pelas traseiras, acossados pela mesma realidade que se esforçam por recalcar - e nem imagino a fúria beiçuda do Chefe, por lhe terem estragado o número...), quando o das Finanças olhou e apontou para cima, para uma qualquer fissura ou racha, e soltou-se nesta felicidade de humor: 'É uma falha tectónica. Porque é no tecto!'
O tecto de uma escola. Pública. [noutra ocasião, a ministra tinha troçado da escassez de cadeiras e do estado obsceno do Salão Nobre da Escola de Música do Conservatório.] Vale a pena fazer algum comentário?...
É assim, esta gente.

Para o Ano o Trunfo é Vitalis (Actualizado)!

Há pelo menos um mês que era mais do que previsível a descida do Belenenses à II Divisão das competições de futebol profissional. Apesar do fracasso desportivo consumado esta noite com a derrota no estádio da Luz, penso que nas duas ou três últimas semanas melhorou a situação clube e da SAD. Puseram-se a jogar jovens e promissores jogadores oriundos dos juniores, com os quais, aliás, foram feitos, ou estão a ser feitos, novos contratos. Ganhou-se um treinador, Rui Jorge, que poderá ser uma boa aposta para a próxima época e, sobretudo, o Belenenses tem, após mais de um ano de marasmo directivo, uma liderança honesta, que conhece os problemas do clube e possui uma estratégia para os enfrentar e tentar resolver. Se o êxito financeiro e desportivo sairão desta melhoria substancial que já se vive e sente, é coisa que só se saberá daqui por alguns meses. Ainda assim, e apesar da tristeza da descida, não vejo o futuro negro. Vejo-o azul, como o passado de um fantástico clube de futebol. O melhor de Portugal. O maior do mundo.
Adenda: Através do Belém Livre, cheguei ao Fúria Azul Alentejo que faz ligação para este recente texto brasileiro (no www.trivela.com). Narrativa concisa e com cuidado analítico sobre a história do Belenenses e a crise desportiva e financeira que conhece desde meados da década de 1950.
Imagem: Caricatura de Sebastião Lucas da Fonseca (Matateu).

Só com quem?

Os discursos de Sócrates tendem a ser um conjunto desinteressante de chavões sem adesão à história e à realidade, mas mesmo com uma espécie de efeito de anestesia que vem da habituação, não deixa de impressionar as palavras vazias que recriam uma espécie de imaginário de terror de uma qualquer juventude partidária no seu pior estereótipo. Disse Sócrates em Valência que queria uma "Europa mais forte, que só se faz com os socialistas". Está dito, está dito, ou com eles ou vamos todos fraquejar. E porquê? Ora olhando para a história da UE há um conjunto de personagens históricas não socialistas que são autênticos pilares da chamada "construção europeia", como Jean Monnet ou Robert Schuman, portanto não é pelo passado. Olhando para o presente e para alguns dos principais dossiers como o Euro, a continuação do aprofundamento do mercado único nos serviços ou o alargamento a Leste não se percebe de que exclusiva visão socialista fala Sócrates. Fala de nada, portanto, mas fala. Isto tem um nome.

Músicas de Genéricos (24)



Le Mepris - Georges Delerue

Arriverdeci, Signor Maldini

Amanhã, despedimo-nos do maior defesa de todos os tempos.

sexta-feira, 22 de Maio de 2009

O desperdício vocal na António Arroio

A Escola António Arroio sempre foi uma escola "especial". Com uma ecologia muito característica. (E. g. a Alameda das Ganzas.) É daquelas escolas com uma noção muito forte da sua individualidade - durante décadas, não se sentia como apenas mais uma entre outras. E justamente. Ora, estas "consciências de si" são sempre acompanhadas de uma grande susceptibilidade.
É claro que chamar "fascista" a Sócrates é, tecnicamente, uma parvoíce. Nem merece a pena gastar mais do que uma linha a "condenar" isso. Não só por ser, tecnicamente, uma acusação demasiado ridícula para ser considerada, mas também porque os lamentos demasiadamente prolongados sobre a coisa só vêm favorecer o próprio Sócrates.
Temos um primeiro-ministro que, permanentemente, nos antepõe cenários, biombos que escondem a realidade e no recinto dos quais ele faz os seus números. Esses biombos de propaganda nunca podem ser retirados, porque, se levanto um, há logo outro por detrás do primeiro que o substitui. O que aqueles rapazes e aquelas raparigas hoje fizeram foi empurrar os biombos com estrépito. (Sócrates, na impunidade do costume, julgava ele, arengava sobre, imagine-se, a "criatividade", quando o tumulto começou lá fora.) Isto permite saber, dá a ver, que existe uma realidade por detrás do cenário, que a realidade não acaba onde acaba o discurso de Sócrates.
Com o cenário destruído, Sócrates desaparece, deixa de ser. É uma máscara que não esconde um rosto, mas sim a ausência de rosto. E lá foi ele - acossado, depois de encurralado.
(Andava por lá um rapaz brandindo, como um guerreiro, uma guitarra com a palavra 'fascista' inscrita. Será uma coincidência, ou ele saberá do Woody Guthrie, em cuja guitarra se podia ler 'This machine kills fascists'?)
Se fossemos perguntar àqueles alunos o que entendem por 'governante fascista', diriam talvez que é um sujeito autoritário, arrogante, que despreza as oposições, que destrata os adversários, que estimula (ou, pelo menos, tolera) comportamentos persecutórios dos serviçais, com uma permanente propaganda imagética, que se fixa num ou noutro fetiche de monomania dessa propaganda (o Magalhães), etc. Provavelmente, de um modo mais ou menos confuso, será numa personagem assim que pensam - não em criaturas fardadas, percorrendo avenidas em passo-de-ganso, entretidas a fuzilar opositores e a enviar inocentes ("culpados objectivos") para campos de concentração.
Que querem?... Há quarenta anos estas cenas seriam impensáveis - mas há quarenta anos (e há trinta...), os alunos sabiam quem era Marx, Hitler tinha sido derrotado só vinte anos antes e havia dois blocos no mundo... Aqueles alunos (e espero não ser injusto ao dizer isto) passam por uma espécie de "revolta" para com um horizonte indefinido (ainda que povoado por obstáculos bem reais, concretos), uma "revolta" sem objecto ideológico determinado.
No entanto, à sua indeterminação ideológica também não corresponde, diante de si, uma determinação ideologicamente consistente. Diante de si têm apenas o rosto de Sócrates. Tudo se passa como se aquele rosto encarnasse apenas uma vontade. Uma vontade que se esgota a si mesma. Não há ali um qualquer construto "ideológico" ou "programático" que fornecesse, de um modo que não fosse meramente atemático, um quadro em cujos limites aquela vontade se exercesse. Não. A vontade (a faculdade infinita, para Descartes) está "ideologicamente" solta, como que infinitamente solta, para se exercer neste ou naquele sentido de uma forma indeterminada. E quando aparece algo que poderia ser interpretado como um esteio ideológico (as famosas "questões fracturantes"), isso, na verdade, não passa, para Sócrates, de um mero adereço instrumental, de um adorno que visa disfarçar o vazio.
Por isso, a Sócrates, não se pode chamar 'fascista'. Porque não se lhe pode chamar nada. Ideologicamente, ele nada é.

Mudança toponímica

Será que, de hoje em diante, a Alameda das Ganzas passará a chamar-se Alameda das Zangas?...

Bloco central

Mario Soares aceitou participar na cerimónia de encerramento do "Curso de Formação de Autarcas 2009", uma iniciativa organizada pela Distrital de Lisboa e a Comissão Concelhia de Cascais do PSD.
Em pleno período de campanha eleitoral é obra. Os temas então não podiam ser mais apropriados. "Pactos nas autarquias" e Ideologia no poder local".
Paulitamente o que era o fantasma do bloco central vai-se transformando para muitos no sonho do bloco central.

Segurança Social: Quem manda?

«O actual ministro do Trabalho, Vieira da Silva, teve o mérito de conseguir reequilibrar a situação orçamental da Segurança Social, mostrando que os défices resultavam de uma gestão deficiente do sistema, ao mesmo tempo que assegurou a sustentabilidade de longo prazo, mantendo os princípios de solidariedade geracional e social. E sobretudo traçou uma linha clara entre o que são as despesas financiadas pelas contribuições sociais (desemprego e pensões, por exemplo) e as que devem ser suportadas pelo Orçamento do Estado (pensões mínimas, RSI, CSI, etc.).»
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Foram estas as palavras de Manuel Esteves, editor de economia do Diário Económico. Eu compreendo que se queira saudar o trabalho de um ministro que se destaca dos seus pares por boas razões. Mas quando o elogio se converte em apologia normalmente temos problemas. Uma coisa é dizer que, cortando benefícios, aumentando contribuições, eliminando responsabilidades do sistema, o ministro conseguiu estender a vida da Segurança Social. De resto, algo de semelhante tem ocorrido em vários países da Europa.
Mas outra coisa bem diferente é dizer que "assegurou a sua sustentabilidade de longo prazo". Infelizmente, Manuel Esteves estava tão preocupado em vilipendiar os inimigos dos belos princípios da solidariedade, e em apresentar Vieira da Silva como uma espécie de redentor do nosso desespero futuro, que se esqueceu do mais óbvio. O que manda na "sustentabilidade de longo prazo" não é a superior "gestão do sistema", nem sequer o encolher paliativo dos benefícios ou o esticar paliativo das contribuições. O que manda - e exerce o seu mando sem grandes considerações pelos bons sentimentos - é o ritmo de crescimento da produtividade dos factores produtivos na economia e a demografia. Bastaria a Manuel Esteves passar os olhos pelas projecções do crescimento da produtividade e pelas tendências demográficas do nosso país para perceber que estamos muito longe da salvação. Produtividade e Demografia não vão a votos, não fazem promessas, nem escrevem nos jornais. No fundo, é como dizia o outro cavalheiro: é a vida. Literalmente, a vida.