terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Pinto Monteiro - «Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra»



O PGR Pinto Monteiro diz, jocosamente, que tem os poderes da Rainha de Inglaterra. Não sei não... diria que tem mais os poderes do Jerry Lewis, velho especialista em sketches de comédia algo parva... ou então não sei o que pensar de um Procurador Geral da República que pouco “procura”, que passa a vida a fazer declarações, ou ridículas, ou misteriosas, ou ininteligíveis, sempre em vãos de portas. Um PGR que seria suposto dirigir com competência uma vasta organização de justiça, mas que a cada defeito ou problema com que se depara na “sua” organização... arranja sempre maneira de alijar a responsabilidade nos “outros”.

Agora, subitamente, reparou que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público «é um mero lobby de interesses pessoais que pretende actuar como um pequeno partido político». Ora aí está uma das tais declarações, esta mais de vão de escada, que o PGR deveria explicar melhor e até, quem sabe?, ter que provar nos locais adequados!

O PGR Pinto Monteiro diz, jocosamente, que tem os poderes da Rainha de Inglaterra; então porquê e para quê aceitou o cargo? Foi enganado? Anda nesta coisa da “justiça” há três dias?

Não sei se terá os mesmos poderes da Rainha de Inglaterra, mas temo que esteja a transformar-se numa figura tão anacrónica (e inútil) quanto ela. Ela a precisar, urgentemente, duma Implantação da República; ele, da implantação de... qualquer coisa... sei lá!


Adenda: Vejo, entretanto, na "Edição da Tarde" da SIC Notícias, que a vasta equipa de jornalistas da SIC, conseguiu reunir as mais variadas reacções a esta entrevista do Procurador Geral da República, cobrindo o leque partidário.

Fiquei assim a saber que, pelo Governo, o ministro da Justiça diz que não se pronuncia; pelo PS, Vitalino Canas acha a entrevista muito boa e esclarecedora; os do CDS, preferem não comentar; os do PPD-PSD exigem que Pinto Monteiro assuma as consequências do que disse... ou seja, que vá embora.

Curiosamente, a poderosa máquina jornalística da SIC, não conseguiu vislumbrar sombra de reacção por parte do PCP. A reacção de que eu, sozinho, já tinha conhecimento há horas, de que fiz link aqui no post, de uma peça do DN, mas que foi distribuída pela Lusa, portanto, distribuída a todos os jornalistas (acordados) em todo o país.

Há... mas para compensar, a SIC Notícias garantiu que o Bloco de Esquerda iria tomar uma posição, mais tarde...

PT – Uma viagem pelos mistérios do “rigoroso interesse nacional”



Ler esta prosa só uma vez, ou à pressa, pode não ser o suficiente, mas vale a pena insistir, para se fazer uma ideia do maravilhoso mundo das empresas SGPS, do capital virtual e dos capitalistas sem pátria.

Exceptuando os “totós” pequenos accionistas, que com cinco ou dez acções de um banco, cadeia de supermercados, ou outro qualquer jogo de bolsa, acham que entram para o clube dos capitalistas... como dizia, exceptuando este “totós” que não se livrarão de ser taxados sobre as mais-valias obtidas no mais recente negócio da Portugal Telecom, mais ninguém pagará um cêntimo de impostos sobre o balúrdio de dinheiro que este negócio gerou.

Atendendo a que a PT tinha comprado a sua posição na “Vivo”, ao que consta, por mil e quinhentos milhões de euros e que agora a vendeu por sete mil e quinhentos milhões, estamos a falar de uma mais-valia de seis mil milhões de euros!

É aqui que a leitura do texto publicado pelo “Diário Económico” se torna muito “educativo”. Ficamos a saber que, fruto de jogadas sobre jogadas, truques sobre truques, empresas de “direito holandês (?)”, SGPèSses para todos os gostos, multiplicação de pequenas empresas que depois funcionam como “filhas” das grandes... e sobretudo, que quando estas empresas “filhas” rendem às empresas “mães” milhões de euros de lucros, estas estão dispensadas de pagar impostos sobre esses lucros, seja aqui ou lá, ou onde raio seja. Nem a PT, nem nenhum dos seus grandes accionistas, portugueses ou estrangeiros. Nada! Nicles!

Limitar-se-ão, certamente, a agradecer ao seu mais distinto "colaborador", o autêntico “funcionário número um”, José Sócrates, o ter jogado a cartada do “rigoroso interesse nacional” que teve, afinal, como único efeito, fazer subir os lucros da coisa. Agradecerão certamente, em género e num futuro próximo, com uma das muitas cadeiras de administração (mesmo que não executiva) que estão sempre à espera dos ex governantes mais destacados ao serviço da "causa".

Ficamos a pensar: então e não vai tudo preso? Puro engano!

Este é o momento de nos maravilharmos com o facto de todas estas trocas e baldrocas, todas estas trafulhices, todo a roubalheira, serem perfeitamente legais e enquadradas por uma directiva europeia conhecida exactamente por directiva “Mães e Filhas”.

Este é igualmente o momento em que eu tenho muita pena de que não se aprove e aplique uma nova directiva a que se poderia chamar, singelamente, directiva europeia “A Puta Que Os Pariu!”

(Desculpem-me o mau humor e o péssimo domínio da língua francesa)

segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

Grande ideia! Cada tiro, cada melro!



- Parece que o Ministério vai acabar com os chumbos...

- Grande ideia!!! É que para além da porcaria e da poluição, a gente andar a passear no campo e de repente começar a levar com chumbos na cabeça ou nos vidros do carro, não tem graça nenhuma...

- Ó pá... não é nada disso! É a Doutora Isabel Alçada, do Ministério da Educação!

- ???

- A sério, pá!

- Ouve lá. Mas isso, com as escolas e o ensino que temos, não é muito precipitado... leviano... vá lá... bastante estúpido?


domingo, 1 de Agosto de 2010

Maria João - Um choro feliz



Hoje, porque é dia 1 de Agosto, ofereço-me este post domingueiro, para além de o oferecer a todos os visitantes, amigas e amigos... como é costume.

A Maria João é uma enorme artista internacional, que quis a sorte, fosse portuguesa. A Maria João é uma grande cantora de jazz... e de tudo o mais que lhe der na veneta cantar. Quando, ainda muito jovem, não sabia talvez muito bem como deixar correr de si o rio de música que tinha para partilhar connosco, teve a sorte de que a sua vida se cruzasse com a de um jovem e fantástico pianista e compositor, Mário Laginha. A partir daí, floresceu!

A Maria João tem uma carreira internacional feita de actuações em todo o lado onde se faz boa música e regulares convites para participações em concertos, duetos com outros cantores, acontecimentos artísticos que, com a discrição que é um dos seus encantos, não anda por aí a “esfregar na cara” de toda a gente, em entrevistas e afins.

A Maria João é uma intérprete profunda e intensa que valoriza cada sílaba do que diz. Partilhar o palco com ela é um prazer que, como já disse, grandes da música se oferecem. É o caso do primeiro vídeo, em que canta “Caicó” (*), uma cantiga de inspiração popular composta pelo grande compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (que estamos habituados a ligar à música erudita), convidada pelo seu “músico acompanhante” Joe Zawinul (entretanto já falecido), um dos elementos da grande formação de jazz de fusão dos anos 70 e 80, “Weather Report”, por onde, para além deste teclista, passaram nomes como Wayne Shorter (sax), Airto Moreira (percussão), ou o mítico Jaco Pastorius (baixo), entre muitos outros.

A Maria João para além de intérprete de cantigas com palavras é uma virtuosa executante da arte de cantar sem palavras. Aí a Maria João está na sua praia, transfigura-se numa nascente inexplicável de sons que “por outras palavras” nos contam histórias fantásticas de aventuras, amores, desgostos, lutas, risos, choros... como é o caso da música do segundo vídeo, “Um choro feliz” composta por Laginha, música em que brincando com o “chorinho”, ou “choro” tradicional brasileiro, nos levam numa viagem alucinada de virtuosismo vocal e instrumental. Feito por ela, até parece fácil... até tentarmos reproduzir nós próprios vinte segundos que sejam daquele “discurso” e termos então a noção das horas e horas de muitos e muitos meses e anos de trabalho insano que são precisos para dar aquela forma ao talento. Aqui, é acompanhada, para além do Mário Laginha, no piano, pelo grande percussionista Helge A. Norbakken e pelo baixista brasileiro, o “avião” Yuri Daniel, que já é praticamente impossível apanhar por cá... mas que enquanto por aqui andou, desde a década de 80, fez mais por alguma da música portuguesa (tocando, por exemplo, com Rui Veloso, Dulce Pontes, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Resistência, Amélia Muge, Maria João e Mário Laginha, etc., etc.) do que o conjunto de ministros da Cultura... adiante!

Bom domingo!

Caicó
(Teca Calazans/Heitor Villa-Lobos)

Ó, mana, deixa eu ir
ó, mana, eu vou só
ó, mana, deixa eu ir
para o sertão do Caicó

Eu vou cantando
com uma aliança no dedo
eu aqui só tenho medo
do mestre Zé Mariano

Mariazinha
botou flores na janela
pensando em vestido branco
véu e flores na capela.

* O facto de a Maria, do “O cheiro da ilha”, ter há dias divulgado a cantiga “Caicó”, na versão cantada pelo Milton Nascimento, deu-me uma grande vontade de partilhar hoje esta outra versão, que já andava por aqui há meses à espera de vez.


“Caicó” – Maria João e Joe Zawinul
(Teca Calazans/Heitor Villa-Lobos)



“Um choro feliz” – Maria João e Mário Laginha
(Mário Laginha)

sábado, 31 de Julho de 2010

Processo Freeport – É assim como que uma espécie de bola de cristal...



Afinal parece que as notícias sobre a morte do “Caso Freeport” poderão ter sido muito exageradas. Talvez o sentido “Finalmente!” de José Sócrates, nos telejornais da noite da passada terça-feira, não tenha passado de uma infeliz ilusão de ética... perdão, de óptica. O Freeport estava encerrado por ser de noite... mas assim que amanheceu, “reabriu” com aparato.

Entretanto, a inefável Dra. Cândida Almeida, Procuradora Geral Adjunta, admite reabrir o processo que o Procurador Geral da República não vê razão alguma para reabrir... e sobre as perguntas que, estranhamente, os procuradores quereriam ter feito a José Sócrates mas que alegam não terem tido tempo para fazer, evidentemente não sabe, como ninguém sabe, quais as possíveis respostas que ele daria... mas sabe que «as respostas não alterariam o sentido do despacho dos procuradores titulares do processo, Vítor Magalhães e Paes Faria».

Porra! Porque é que quando esta trapalhada começou, há quase dez anos, não foram logo perguntar tudo à Dra. Cândida Almeida? Com esta fantástica “técnica de investigação” ela teria imediatamente redigido o Despacho de Arquivamento em dez minutos... e pronto!

Eufemismos



Segundo os manuais, eufemismo é uma figura de estilo com que se disfarçam ideias desagradáveis por meio de expressões suaves. Em certas circunstâncias, um eufemismo pode mesmo ser confundido com a ironia, outra figura de estilo, que veicula um significado contrário daquele que deriva da interpretação literal do enunciado. A título de exemplo: «O Primeiro Ministro José Sócrates usou da palavra para responder à deputada dos “Verdes”, Heloísa Apolónia, com a compostura e boa educação com que sempre o faz»… ou ainda, «os jornalistas saíram da conferência de imprensa rendidos à sagacidade, rapidez de raciocínio e dimensão cultural de Cavaco Silva».

Isto dos eufemismos ocorreu-me enquanto via na televisão mais uma das transmissões do Europeu de Atletismo, em Barcelona, onde vários atletas portugueses mais uma vez demonstram, com resultados, que as fortunas que se gastam com o futebol deviam ser muito repensadas. Aí, durante a final feminina de lançamento do disco, fiquei preso ao ecrã, não tanto pelas marcas alcançadas, mas muito mais pela verdadeira festa que as restantes “adversárias” faziam aos melhores lançamentos desta e daquela. Uma, em particular, talvez pela “veterania”, era visivelmente a mais querida entre as “inimigas”, sendo que algumas festejaram a sua talvez inesperada medalha de prata como se a tivessem ganho, cobrindo-a de beijos e abraços.

Manifestações como esta, sendo embora excepções, ocorrem em várias das modalidades, em iguais festejos em que é indisfarçável o respeito e genuína admiração que alguns e algumas atletas têm entre si. É isto o verdadeiro desporto, o verdadeiro “fair play” que, felizmente, ainda se pode desfrutar aqui e ali.

Exactamente o contrário de outras situações em que a palavra desporto já não passa exactamente de um eufemismo tristemente irónico, para retratar fenómenos desagradáveis, como o caso “mafioso” da Fórmula 1, em que os patrões da italiana Ferrari ordenam ao seu piloto, Felipe Massa, que vai na frente da corrida (e na iminência de a ganhar) que abrande, para dar passagem ao outro piloto da Ferrari... que assim vence garbosamente a prova. Parece que ainda há penalização para esta prática, mas não só apareceu imediatamente quem defenda que a penalização deve deixar de existir, pois em primeiro lugar estão os interesses desportivos da equipa, como o facto parece não ter incomodado em nada o piloto, Fernando Alonso, que ganhou a corrida desta forma...

Ou então o caso deste infeliz, aí em cima na fotografia que ilustrava uma notícia, há uns dias, em que para mostrar serviço a quem lhe paga achou normal afirmar publicamente o seu sportinguismo, proclamando-se como antibenfiquista... e continuar a chamar-se director desportivo.

Para que fique claro, acrescento que só a minha total falta de alinhamento com qualquer clube de futebol e até com o próprio fenómeno do futebol, de que não consumo mais do que esporádicos resumos, me permite a ousadia de dar esta “canelada” num director de um grande clube, ainda por cima sendo, segundo a legenda da fotografia, um “ministro” com mão de ferro, senhor de 50 fatos e um Lamborghini amarelo... mas que, pelos vistos, ainda não encontrou uma loja em que se venda recheio decente... nem para os fatos, nem para o carro.

sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Armando Vara – Armando-nos em trouxas...


("Face Oculta" - O arguido Armando Vara saindo do DIAP de Aveiro - Foto (fragmento) de Ana Jesus Ribeiro)

Segundo leio no Público electrónico, Armando Vara irá ocupar um lugar no empresa Camargo Corrêa, grupo empresarial brasileiro que se tornou o maior accionista da CIMPOR. Isto, pouco tempo depois de se ter demitido do BCP por força do processo “Face Oculta”. Ao que parece, Armando Vara vai ter um papel de destaque nas relações da cimenteira com os mercados de Angola e Moçambique.

Aconteça o que acontecer e contra ventos e marés... a verdade é que estes grandes grupos económicos e os capitalistas que os detêm, parecem não poder passar sem a verdadeiramente ofuscante competência profissional de Armando Vara, gravada a letras de ouro (e muitas notas de 500 Euros) na sua monumental obra feita.

Atendendo a que nada do que está para trás foi até agora minimamente esclarecido... este universal reconhecimento deve ser mais um daqueles casos em que, segundo José Sócrates, “A verdade vem sempre ao de cima!”

Essa é que é essa!

TVI, Jornal de Sexta - É talvez a ventania...



... mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho. Então o que terá afinal feito cair o Jornal de Sexta e Manuela Moura Guedes?



Assinale-se ainda o facto de a ERC voltar a condenar a decisão da administração da TVI de, à revelia da direcção de informação do canal, suspender o noticiário conduzido por Manuela Moura Guedes. Pronto… está bem… mas para isso não seria necessário muito. Bastaria conhecer a Lei, no que respeita à comunicação social.

Paralelamente, a ERC concluiu que a Administração da TVI foi «significativamente influenciada pelos Administradores da Media Capital, especialmente os que aí representavam o grupo Prisa» na decisão de suspender o Jornal Nacional de Sexta da TVI. Porém, não dá como demonstrado que essa decisão «tenha sido determinada por interferências do poder político». Pronto, pronto, pronto… está bem!!!

Não sei o que é que este ramalhete de “descobertas” da ERC prova ou deixa de provar, sobre o encerramento do incómodo Jornal de Sexta da TVI e do papel de Sócrates e do Governo do PS nesse “Cala a boca!”… mas, decididamente, deixa-me bastante desconfiado de que alguma coisa não vai lá muito bem nos “cérebros” da ERC.

quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Caso Freeport – Falta de tempo... falta de tempo... falta de vergonha...



Afinal, o problema é que a investigação estava cheia de coelhos da Alice no País da Maravilhas, sempre com falta de tempo, sempre com muita falta de tempo.

Afinal, o «finalmente!» de José Sócrates, parece mais um «Vamos mas é acabar com esta brincadeira, que já estou farto!»

Afinal, os procuradores tinham muitas coisas para “procurar” ao Sócrates ex ministro do Ambiente e ao seu secretário Rui Gonçalves... mas alguém lhes cortou as vazas, as pernas... e o tempo.

Afinal, não se trata de eu ser, ou não, muito pessimista. Afinal eles estão mesmo a gozar connosco!

Quanto tempo mais é que este infeliz terá cara para se manter no lugar de Primeiro Ministro?

PT – Golden Share e comédia governamental




Chega ao fim um espectáculo digno de saltimbancos de rua com mania que são actores, levado à cena pelo Governo de Sócrates. Principalmente, por terem a pretensão ridícula de que conseguiram enganar alguém com este sketch da “defesa dos interesses estratégicos”, ao mesmo tempo que se preparam para alienar interesses muito mais estratégicos para o país do que era esta participação da Portugal Telecom na brasileira Vivo, como sejam a GALP, a EDP, a REN, os CTT, a TAP, etc.

A Telefónica espanhola venceu por esmagamento, sem ter necessitado sequer de ameaçar com uma OPA hostil. Os especuladores (com Ricardo Salgado, que entretanto não se tinha calado mais desde que o negócio tinha sido interrompido) triunfalmente à cabeça, levaram a sua avante. Agora temos que aturar Zeinal Bava e derivados a tentarem convencer-nos de que ficar, por troca, com um pedacinho da OI é muito bom. Mais ou menos como se dissessem: «Sim, é verdade que vendemos os 10% que tínhamos na Mercedes, na Alemanha, mas em compensação, comprámos 50 pistas de carrinhos de choque que estão espalhadas em vários parques de diversão, desde a Baviera até Rostock».

Faz muito bem quem, para além de denunciar a comédia e o logro, defende que, depois deste fiasco, o mínimo que se exige é que parte desta fortuna seja utilizada para investir aqui e para a PT pagar o que deve... isto, claro, com o que sobrar dos prémios chorudos que os génios responsáveis por este negócio já devem ter reservado para si próprios.

Adenda: Só para lembrar que nada disto pode acontecer em empresas com interesse estratégico para a economia, se o Estado, comportando-se responsavelmente e não como tendeiro de feira, se mantém no controlo dessas empresas, pelo menos numa posição maioritária.

quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Justiça - Zarolha, lenta e “posta a jeito”



A famosa “mão invisível” que segundo Cavaco Silva coordena tudo o que se passa na nossa sociedade, parece apostada em provar, sabe-se lá para servir que interesses, que não existe Justiça... pelo menos, uma Justiça em que se possa acreditar.

Para além dos extraordinários desfechos de outros casos e processos famosos com que a nossa Justiça nos tem brindado, mais uma vez, o “Processo Casa Pia” volta a tropeçar. Os senhores magistrados descobriram agora, depois de mais de cinco anos e vários anúncios de conclusão, que não será afinal possível transcrever todo o acórdão até ao dia 5 de Agosto, a última data que havia sido anunciada para a leitura das sentenças. Desta vez a coisa fica adiada para o dia 3 de Setembro, exactamente a partir das 9:30. Adorei a exactidão do anúncio! Claro que, como sou um pessimista e desconfiado sem remédio, aposto que só vão começar lá para as 9:45!!!

Agora a sério, esta gente que tem arrastado o processo, magistrados, investigadores, advogados especialistas em incidentes, etc., etc., não terão vergonha deste trabalho miserável? Não terão um pingo de consideração pelas vítimas deste caso, bem como dos prováveis agressores, vítimas ou não, agressores ou não... os quais, seja qual for o conteúdo das sentenças, lidas ao fim de todo este tempo e depois de tais tropeços, já não terão qualquer sensação de que se fez justiça?

Uma “Justiça” assim, abre caminho para o sentimento de impunidade que faz multiplicar a criminalidade e para a vingança... que não poucas vezes se traveste de única justiça tangível.

Freeport - José Sócrates completamente ilibado. Ainda bem... do mal o menos!



Ontem José Sócrates decidiu abrilhantar o nosso jantar. Não foi muito bonito de se ver. Por mais que o Primeiro Ministro começasse com um «finalmente!», afirmando o seu grande contentamento, aquilo pareceu sempre um contentamento descontente, um alívio desconfortável, uma triste alegria... e mais uma meia dúzia destas combinações de palavras aparentemente antagónicas, que fui ali buscar à gaveta dos “oxímoros interessantes para usar um destes dias”.

Não pode ser bom para o ego de ninguém, no caso perfeitamente possível (e desejável) de se estar completa e absolutamente inocente num processo, obter uma “completa ilibação” que chega pelas mãos de uma investigação em que a verdade foi sempre uma miragem, em que a transparência foi um luxo inatingível, em que elementos de (possível) prova foram recusados por razões que, legalmente, podem ser escorreitas, mas que acabaram quase sempre por parecer perigosamente convenientes. É triste ser ilibado por investigadores que, durante a maior parte dos muitos anos que durou a investigação, não investigaram nada... e que depois de voltarem afanosamente a investigar, perante um caso em que um monstro de betão foi construído numa zona protegida, que só foi “desprotegida” na medida exacta que permitisse a sua construção; uma investigação que viu passar de um lado para o outro o “cheiro” a milhões de euros que os promotores do empreendimento, pelos vistos, pagaram, para “facilitar” o andamento da coisa; uma investigação que teve debaixo do nariz gravações que, a serem aceites, levariam a investigação por outros caminhos; uma investigação que, perante as suspeitas de corrupção, de financiamento ilícito de partidos, luvas aqui e acolá, pressões sobre magistrados... chegou a esta indigente acusação de um vago ilícito fiscal e uma mais que duvidosa extorsão, que nunca poderão explicar por onde é que se esfumaram os milhões que os ingleses pagaram. Uma acusação a dois infelizes (Smith & Pedro) que só os deuses sabem o que é que ganham em arcar sozinhos com a fava... se estiverem para aí virados...

De qualquer modo, a involuntária participação de José Sócrates nesta novela parece ter chegado ao fim. Como disse no título, ainda bem!!!

Passamos muito bem sem a vergonha de ter um Primeiro Ministro corrupto. Bem nos bastam as outras extraordinárias “qualidades” com que ele nos brinda diariamente, há anos!

terça-feira, 27 de Julho de 2010

Coração independente - Joana Vasconcelos e Sócrates...



Joana Vasconcelos é uma artista plástica absolutamente na moda. Joana não deixa ninguém indiferente à sua criatividade e à subversão dos materiais do dia a dia que usa para as suas peças, tais como garrafas de plástico, tampões, ou como nesta peça intitulada “Coração Independente”, talheres de plástico. Longe de mim, ter a pretensão de poder classificar ou rotular a obra de Joana Vasconcelos, uma criadora que deixará a sua marca nesta década.

Quem também está a marcar esta década é o “artista de plástico” José Sócrates Pinto de Sousa, o qual – e aqui apenas por decoro – também não vou classificar ou rotular.

Qual é então a grande diferença entre as obras de Joana Vasconcelos e Sócrates? Simples. Se virmos bem, as obras de Joana sempre servem para alguma coisa... e em caso de absoluta emergência e necessidade, podem ser recicladas.

Bispo auxiliar de Lisboa, Sr. Carlos Azevedo – Falar verdade a mentir



Nos últimos dias todos fomos interpelados pelas palavras do Sr. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, palavras amplamente espalhadas e promovidas pelos mais diversos órgãos de comunicação.

Vistas de longe, são belas declarações, carregadas de apelos ao ser humano bom que é suposto existir em todos nós, cheias de críticas ao consumismo cego, ao capitalismo desregulado e selvagem, aos obscenos ordenados de alguns, ao vergonhoso fosso das diferenças sociais.

Por várias razões, muitos dos apelos do Sr. Azevedo, nomeadamente o demagógico pedido para que os políticos (sempre o velado ataque aos políticos!) dessem 20 por cento dos seus ordenados para um fundo de caridadezinha (gerido pela Igreja, certamente...), não tiveram grande aceitação. Houve até quem recusasse este tipo de “proposta”, pelas razões certas.

Vistas de perto, mesmo dando o benefício da dúvida à boa intenção de uma ou outra, lá aparecem os “defeitos”, embora se me parta o coração por ter que “corrigir” a hierarquia da Igreja Católica, carregada de pessoas cheias de cursos superiores e, em muitos casos, ungidas e inspiradas pelo Espírito Santo (e mesmo outros bancos...).

Aqui ficam dois reparos, só a título de exemplo:

1. Diz o Sr. bispo Carlos Azevedo que «a crise é tão grave» que Governo e oposição, patrões e sindicatos devem superar os conflitos «uns com os outros», porque isso «só provoca mais vítimas».

Reparo: É mentira Sr. Azevedo! O senhor sabe muito bem que nas situações de crise não é a carneirada que resolve problemas, mas sim a definição clara das ideias divergentes e de quais as melhores soluções.
É mentira, senhor Azevedo! O senhor sabe muito bem que se não existisse entre patrões e trabalhadores aquilo a que o senhor chama “conflitos”, mas que outros, e muito bem, chamam “luta de classes”, o cenário negro das injustiças, desigualdades e da exploração, seria hoje muitíssimo pior, não só em Portugal, como no resto do mundo.

2. O Sr. Azevedo joga a sempre mediática cartada da obscenidade da ostentação de alguns, perante as evidentes carências de muitos.

Reparo: É demagogia, Sr. Azevedo! É demagogia pura, vinda de uma Igreja que, salvo honrosas, raras e individuais excepções, sempre esteve do lado dos poderosos. Soa muito mal, vindo de gente cujo “patrão” na Terra vive as vinte e quatro horas de cada um dos seus dias como uma ilha de hipocrisia, rodeado, não de água, mas de ouro, por todos os lados, enquanto vai debitando frases piedosas.

À laia de conclusão: Imagine o Sr. Carlos Azevedo quão fantástico seria se, em vez de pedir os donativos de meia dúzia de políticos, a Igreja Católica resolvesse experimentar essa coisa exótica com que aqui na Terra se financiam tantos programas de caracter social, como o Serviço Nacional de Saúde, Pensões, Ensino Público, Cultura, etc., etc., etc... e que se chama pagar impostos!!!

Isso é que era... mas presumo que o senhor não se lembrou disso.

segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Sócrates & Passos – A media luz, Adios muchachos, Volver, Cambalache, El dia que me quieras...



Embora sejam, obviamente, para levar a sério, os ruidosos projectos de viragem à direita proclamados por Pedro Passos Coelho no seu projecto de Revisão Constitucional, ainda não resultaram em nada, a não ser terem possibilitado as hipócritas juras de esquerda e preocupações sociais do seu ex colega de JSD, José Sócrates.

A gritaria ofendida de Sócrates perante os ousados avanços neoliberais do seu parceiro de dança, lembra-me a dançarina que, depois de uma volta mais apertada, protestou afogueada e visivelmente “ofendida”:

- Tens meia hora para desencostar isso daí... senão...

Ramos Horta – Como fazer inimigos em apenas 160 caracteres



Tal como outros ingénuos, andei durante algum tempo convencido de que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) se tratava de uma comunidade de países de língua portuguesa. É no que dá chegar a conclusões precipitadas! Afinal, na vida real, pode não ser assim. Ao que parece, sempre que há negócios no horizonte e, sobretudo, se esses negócios cheirarem a petróleo, gás natural, etc., as siglas... ganham muita elasticidade.

Dentro deste espírito elástico, Ramos Horta, o mui viajado Presidente de Timor Leste, acha mesmo que países como a Austrália e a Indonésia, deviam entrar para a CPLP. Não porque tenha favores pessoais e políticos a pagar àqueles dois países, não senhor!!!, é porque faz imenso sentido, como toda a gente pode ver...

Seria ocioso ficar para aqui a listar as razões que me fazem não gostar de Ramos Horta, desde o tempo em que ele se pavoneava por todo o mundo, alertando para a causa de Timor (o que foi um trabalho positivo) ao mesmo tempo que “alertava” para a sua enorme vontade de chegar às Nações Unidas... o que não se deu. Confesso que por várias vezes me senti algo solitário neste “desgostar” em relação a Ramos Horta, mas isso está definitivamente ultrapassado. Ele próprio se encarregou de me arranjar uns milhões de “compañeros” falantes da língua de Cervantes (assim eles lessem isto...), quando para defender a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, produziu esta fantástica (e fluente) frase:


Pode não ser uma frase com grande profundidade, mas revela uma profunda… sei lá… agora não me ocorre…

domingo, 25 de Julho de 2010

Grau a grau enche a galinha o papo!



Hoje passou-se por aqui um belo dia. Não há nada melhor para refrescar as ideias do que ver o mercúrio subir acima dos 40 graus.
Claro que para quem gosta de experimentar pela primeira vez estrelar ovos em cima do capot do carro... é muito divertido.

Aguaviva – Porque faz bem ouvir...



A minha proposta musical de hoje é um mergulho no passado, mais exactamente, ao princípio dos anos setenta do Século XX. Qualquer tentativa de alindar esta proposta com grandes “testemunhos” e adjectivos seria inútil. Primeiro, porque a maioria de vós tem estas músicas na memória, tanto quanto eu. Segundo, porque os poetas são Rafael Alberti e Blas de Otero… e não há nada que eu possa acrescentar a isso. Terceiro, porque quem canta é o grupo “Aguaviva”, que foi (digo eu…) o melhor grupo musical de Espanha… até onde eu me lembro.

Fiquem com estas duas grandes canções, em que as palavras originais dos poetas sofreram ligeiras adaptações, para melhor se casarem com as melodias... e se tiverem a minha idade, regressem aos nossos vinte e poucos anos.

Bom domingo!


En el principio (Me queda la palabra)
(Blas de Otero)

Si he perdido la vida, el tiempo, todo
lo que tiré, como un anillo, al agua,
si he perdido la voz en la maleza,
me queda la palabra.
Si he sufrido la sed, el hambre, todo
lo que era mío y resultó ser nada,
si he segado las sombras en silencio,
me queda la palabra.
Si abrí los labios para ver el rostro
puro y terrible de mi patria,
si abrí los labios hasta desgarrármelos,
me queda la palabra.


Balada para los poetas Andaluces de hoy
(Rafael Alberti)
¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?

¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?

¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?

con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?

con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.

Miran, y cuando miran parece que están solos.

Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?

¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?

¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?

¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?

¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.

Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.

Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.

encerrado. su canto asciende a más profundo

cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.


“Me queda la palabra (En el principio)” – Aguaviva
(Blas de Otero/Aguaviva)



“Poetas andaluces de ahora” – Aguaviva
(Rafael Alberti/Aguaviva)

sábado, 24 de Julho de 2010

Salazar – Fantasma pendular



De tempos a tempos, qualquer coisa na conjuntura política ou social do nosso país, convence os fascistas, saudosistas do fascismo... e os seus sucedâneos, de que está na altura de fazer mais uma campanha de “lavagem” e promoção de António de Oliveira Salazar, o bandalho que governou Portugal durante 48 anos do século passado, até pouco antes do 25 de Abril, quando os seus seguidores foram apeados pacificamente... e infelizmente, sem arcarem com as consequências dos seus crimes.

Esta semana, pelos vistos, é mais uma dessas alturas. A revista “Sábado” dedica-lhe a capa e desencantou mais umas minudências sobre o criminoso ditador (que não li). Ao mesmo tempo, as televisões têm repetido como papagaios uma notícia vinda da “Bloomberg”, apenas aqui e ali se vislumbrando um lampejo de sentido crítico... talvez um vago rebate de consciência.

Resumindo, a “Bloomberg” decretou que Salazar foi um grande investidor, quiçá o melhor que Portugal já teve. Isto, basicamente, por ter acumulado enormes quantidades do ouro, por troca com conservas e, principalmente, volfrâmio. Alguns dos papagueadores da notícia até especificam qual a época a que se refere esta fúria amealhadora de Salazar... mas desgraçadamente, esquecem-se de que todo esse ouro não alterou em nada a cinzenta e pesada miséria do país. Esqucem-se igualmente de dizer que a maior parte desse ouro foi arrebanhado durante a 2ª Guerra Mundial e veio das mãos sujas de sangue dos nazis, que o roubaram aos judeus, sendo que o mais macabro é saber-se que muito do ouro não saiu de cofres de bancos, antes foi proveniente de anéis, cordões, pulseiras, relógios, etc., até mesmo dos dentes, retirados aos milhões de vítimas, homens, mulheres e crianças, que Hitler enviou para os campos de extermínio.

Claro que por detrás de uma organização está sempre alguém e a “Bloomberg”, organização inteiramente dedicada à religião do dinheiro, com canal de televisão próprio e “missas” todo o dia, não é excepção. Quem está então no topo desta “Bloomberg”? O fundador, Michael Bloomberg, um escroque estadunidense que para além desta “missão” ao serviço do “deus capital”, decidiu igualmente ser político. Para isso, ele que tinha toda a vida andado pelas águas do Partido Democrata, “tornou-se republicano” e foi por esse partido que “adquiriu” o lugar de Mayor da cidade de Nova Iorque. Já por três veses. De todas as vezes investiu nisso várias dezenas de milhões de dólares da sua fortuna pessoal (a oitava dos EUA) tal o grande interesse em ocupar o lugar, função que vai equilibrando com a avalanche de escândalos e processos por assédio sexual a assalariadas (e assalariados).

E perguntam vocês, “ó Samuel, e o que é que este Michael Bloomberg tem de especial para lhe dedicares tanta atenção, já que está visto ser uma pouca de merda igual a tantas outras?”

Simples. O elogio de Salazar, parceiro de negócios de Hitler e agora “promovido a grande investidor” é particularmente asqueroso por vir de uma organização e de um homem neto de imigrantes que, nos idos de 1900 foram para os EUA fazer pela vida.

Ah... esquecia-me... eram judeus!

sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Isabel Alçada, escola fechada! *





Como o “Cravo de Abril” demontra neste texto, os nobres e patrióticos objectivos do Governo de Sócrates quanto ao ensino, a saber (entre outras coisas), poupar uns cobres e transformar milhares de crianças numa espécie de excursionistas forçados e sonolentos, percorrendo todos os meses milhares de quilómetros de caminhos que ligam as suas pequenas terras às localidades onde serão empilhados em grandes escolas superlotadas... vão de vento em popa. De 500 escolas para destruir, passámos a 701!


Ocorrem-me três comentários:

1. De Sócrates e do seu historial académico, não seria de esperar um grande apego ao ensino.

2. De Isabel Alçada, pelos vistos, é melhor não esperar coisa nenhuma.

3. Enquanto quase todos os países fazem por ter um nível de ensino elevado, nós contentamo-nos em ter um ensino... “alçado”.


* Novo ditado popular