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Mudança de planos

Afinal não vou à troca de livros no miradouro do Monte Agudo porque voei manhã cedo para a Madeira, onde substituirei Nuno Markl, ausente por razões familiares, numa sessão da Feira do Livro do Funchal (esta tarde a partir das 18h30, no átrio do Teatro Baltazar Dias).
Para compensar, prometo para breve mais uma Grande Oferta de Livros do BdB. E desejo que as trocas de hoje sejam produtivas.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

- Histórias de Imagens, de Robert Walser (Cotovia), por António Guerreiro
- Uma Semana no Aeroporto – Diário de Heathrow, de Alain de Botton (Dom Quixote), por José Mário Silva
- Nada a Temer, de Julian Barnes (Quetzal), por Luís M. Faria
- A Praia, de Cesare Pavese (Ulisseia), por Pedro Mexia
- Americana, de Don DeLillo (Relógio d’Água), por Ana Cristina Leonardo
- A Arte da Ressurreição, de Hernán Rivera Letelier (Alfaguara), por José Guardado Moreira
- O Som do Sôpro, de António Barahona (Poesia Incompleta), por Manuel de Freitas

Maravilhas da paternidade

04:33 a 04:40

Sem comentários

«Os festejos dos adeptos do F. C. Porto na Avenida dos Aliados provocaram alguns danos nas estruturas da Feira do Livro, pelo que o evento poderá estar comprometido, de acordo com a organização.
“Foi invadido o recinto da feira do livro, que já estava meio montado e que ia abrir para a semana. Foram praticados vários actos de destruição na feira – há equipamentos muito danificados”, disse o secretário-geral da organização do evento, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.»

A tendência continua

E-Book Sales Up 159% in Quarter, Print Falls.

Troca de livros

Não sei se se lembram, mas eu organizei em Agosto do ano passado uma Grande Oferta de Livros, num sábado de manhã, no miradouro do Monte Agudo (Penha de França, Lisboa). Agora, é com satisfação que vejo anunciada uma «troca de livros» para o próximo sábado de manhã, no miradouro do Monte Agudo (Penha de França, Lisboa). Mesmo sítio, mesmo espírito.
Sem prejuízo de uma segunda GOLBDB, lá mais para o Verão, depois de amanhã vou despachar uns bons molhos de livros para as mãos de quem os queira receber.
Apareçam.


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Jornadas de Gestão e Marketing Editorial

‘Livros & Negócios’, dia 27 de Maio, na Sala de Actos da Reitoria da Universidade de Aveiro.

A Síndrome de Estocolmo aplicada aos romances longos

O fascínio da ficção mastodôntica, analisado por Mark O’Connell no site The Millions.

Festa do Livro do Funchal

A 37.ª edição da Feira do Livro do Funchal começa amanhã. Programa completo e outras informações aqui.

‘Uma Noite com Pessoa’

«Hoje, dia 19 de Maio, o escritor brasileiro João Gilberto Noll inaugurará o ciclo “Uma Noite com Pessoa” na Casa Fernando Pessoa, tornando-se o primeiro escritor a dormir no quarto onde Pessoa viveu durante os últimos quinze anos da sua vida. A proposta da Casa Fernando Pessoa consiste em convidar escritores a dormirem no quarto de Fernando Pessoa, escrevendo depois sobre essa noite, para um livro a publicar durante o próximo ano. Os escritores Luísa Costa Gomes e Valter Hugo Mãe serão os próximos hóspedes.»

O que aí vem (Dom Quixote)

Em Junho: Tiago Veiga – Uma biografia, de Mário Cláudio; Domínio Público, de Paulo Castilho; Os Novos Espectros, de José Sasportes; No Meu Peito Não Cabem Pássaros, de Nuno Camarneiro; Lendas da Índia, de Filipe Castro Mendes; Catch-22, de Joseph Heller; A Toupeira, de John Le Carré; Os Cachorros. Os Chefes, de Mario Vargas Llosa; Relato de um Náufrago, de Gabriel García Márquez.

Book Expo America

Começa na próxima semana.

Primeiros parágrafos

«Na ladeira, que era duma bruteza íngreme, o chão esfarelava-se em pedrinhas mínimas que rolavam debaixo dos nossos pés, obrigando-nos a jogos de equilíbrio ridículos, com apoio de mãos. Por isso, Mussa, à minha frente, voltava-se para trás, parado à nossa espera, e ria com descaro. Ele parecia um espeque negro, cravado na escorrência de areias ferrosas, a projectar uma sombra esguia, quebrada, pouco mais grossa que a da vara a que se arrimava. “É lá adiante!”, dizia, entre casquinadas agudas, e apontava para o cimo penhascoso, de alcantis avermelhados, muito erodidos, com protuberâncias que lembravam inchaços bulbosos. Perguntava-me eu se Mussa saberia o que estava a fazer e não nos prepararia um rebate falso, como havia acontecido com o amontoado de pedras na margem do ued, que se viu depois ser uma marcação de caravaneiros com menos de oito dias.»

[in O Homem do Turbante Verde e outras histórias, de Mário de Carvalho, Caminho, 2011]

Coleridge sobre Shakespeare

Aqui.

Man Booker International Prize 2011 para Philip Roth

Enquanto não chega o Nobel, um dos maiores escritores americanos vivos vai-se consolando com sucedâneos.

Aniversário

O blogue Horas Extraordinárias cumpre hoje um ano de vida. Parabéns, Maria do Rosário. Que venham muitos mais.

Elegias

Revista Relâmpago, n.º 27
Editora: Fundação Luís Miguel Nava
N.º de páginas: 201
ISBN: 977-087-39-5010-8
Ano de publicação: 2011

Num número coordenado por Carlos Mendes de Sousa, a Relâmpago oferece-nos um excelente dossier temático sobre o conceito de elegia. Além de quatro ensaios que abordam a origem helénica deste género poético (Maria de Fátima Silva), as «atitudes elegíacas» do Romantismo inglês (João Almeida Flor), a sua manifestação no espaço da língua alemã (António Sousa Ribeiro) e o impacto da «elegia e as suas perdas» na produção poética portuguesa moderna e contemporânea (Rui Lage), o essencial do dossier é composto por 20 abordagens ao tema, por 20 poetas que escreveram, nalguns casos propositadamente, uma elegia (complementada com um texto de reflexão, mais ou menos teórica).
Sem surpresa, Frederico Lourenço, fazendo jus à sua reputação de estudioso e tradutor de poesia grega, é o único autor que se mantém fiel à métrica e à cadência dactílica dos poetas helénicos, recorrendo até ao «dístico elegíaco» (um hexâmetro seguido de um pentâmetro) no segundo «andamento» do seu poema. Os restantes autores, abdicando dos espartilhos formais, quiseram antes captar uma «atmosfera» (Fernando Pinto do Amaral) ou um «estado de espírito» (Pedro Tamen), não deixando de convocar os elementos tradicionalmente associados ao género: a consciência da finitude e efemeridade das coisas, o negrume existencial, a «lírica do luto», a evocação de figuras ausentes, a melancolia, o «amor difícil», as marcas da passagem devastadora do tempo ou «esta constatação de que chegamos sempre tarde» (Luís Quintais). Também sem surpresa, o Rilke das Elegias de Duíno é o poeta mais citado; umas vezes como referência, outras como fonte de inspiração.

Avaliação: 8/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco para A. M. Pires Cabral

Atribuído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e pela Associação Portuguesa de Escritores, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, no valor de 7500 euros, distingue este ano – e muito bem – O Porco de Erimanto e outras fábulas, de A. M. Pires Cabral, livro publicado na Cotovia (a minha recensão pode ser lida aqui).
O júri, composto por Afonso Cruz, José António Gomes, Serafina Martins e Fernando Miguel Bernardes, decidiu por unanimidade e «valorizou a arquitectura dos enredos, a capacidade de jogar com a perspectiva do narrador, a diversidade dos registos linguísticos (do erudito ao mais coloquial e até ao escatológico) e o trabalho de apuro estilístico do texto».

Petição contra a extinção do Ministério da Cultura

É uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores. Eis o texto:

«Os autores abaixo-assinados manifestam a sua preocupação relativamente à possibilidade de, no governo resultante do acto eleitoral de 5 de Junho, deixar de existir Ministério da Cultura, transitando as competências, responsabilidades e obrigações da tutela para uma Secretaria de Estado, como durante anos aconteceu, com todas as desvantagens daí decorrentes.
Sendo sabido que uma Secretaria de Estado não dispõe do poder de decisão e da dotação orçamental que costumam estar atribuídos a um Ministério, os autores abaixo-assinados temem que, a confirmar-se essa sombria possibilidade, as suas condições de vida e de trabalho e também de difusão a nível nacional e internacional das suas obras venham a ficar ainda mais afectadas do que neste momento já se encontram.
Foi longo e complexo o caminho que conduziu à criação de um Ministério da Cultura em Portugal, o qual, devido ao facto de os governos não costumarem atribuir à Cultura importância estratégica, nunca dispôs da dotação orçamental que os criadores merecem e os titulares da pasta consideram indispensável para levarem à prática políticas que acham adequadas e inadiáveis no quadro da vida portuguesa.
No quadro da crise que Portugal está a atravessar, poderá ter falhado tudo ou quase tudo, excepto a capacidade de os criadores e os artistas se manterem criativos e capazes de engrandecer a nossa cultura e, através dela, criarem mais riqueza, mais emprego, mais coesão nacional e mais visibilidade e prestígio para o país em termos internacionais.
Também por isso se torna inaceitável uma eventual despromoção da Cultura e dos seus criadores na estrutura orgânica do próximo governo. Os autores abaixo-assinados responsabilizarão o próximo governo pelas consequências nefastas que esse acto poderá ter, caso venha a ser considerado que os valores atribuídos à Cultura são despesa e não investimento e que uma Secretaria de Estado pode substituir com vantagem um Ministério com as suas competências específicas e irrenunciáveis.»

Quem quiser, pode assinar aqui.
Eu já assinei.

Lançamento de ‘O Amor é um Lugar Comum’


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Balanço oficial da Feira do Livro

Eis o balanço da Feira do Livro de Lisboa, que terminou ontem à noite no Parque Eduardo VII, feito em comunicado pelo seu director (Miguel Freitas da Costa, da APEL):

«O balanço é extremamente positivo. Num ano em que a crise está na ordem do dia, conseguimos ter uma Feira sempre movimentada, mesmo nos dias em que a meteorologia não foi a mais favorável. Ainda não é possível adiantar números quanto às vendas da edição deste ano, mas pensamos que o número de visitantes, em relação ao ano anterior, foi ultrapassado. A possibilidade de comprar livros a preços mais acessíveis – principalmente durante a “Hora H” –, foi certamente um dos factores-chave para este crescimento, assim como o facto de a Feira do Livro ser uma montra gigante de toda a actividade editorial portuguesa.»

O que aí vem (Bizâncio)

A Física do Futuro, de Michio Kaku; Webcedário (O livro dedicado às letrinhas, essas nossas amigas), de ABC Dário; Os Filhos da Droga, de Christiane F. (reedição).

A crítica literária no tempo da Amazon

«Top critics Morris Dickstein and Cynthia Ozick debate who are truly the book critics today (hint: Amazon reviewers) and what this means for reviewing.»

Charters de chineses a promover Paulo Futre, na Feira do Livro

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Lídia Jorge, Mário de Carvalho e Mia Couto (em debate, na Feira do Livro)

A partir das 17h30, na Praça Azul. Moderação de Luís Ricardo Duarte.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

- O Homem do Turbante Verde e Outras Histórias, de Mário de Carvalho (Caminho), por Pedro Mexia
- O Revisor, de Ricardo Menéndez Salmón (Porto Editora), por Vítor Quelhas
- Nos Bastidores da Wikileaks, de Daniel Domscheit-Berg (Casa das Letras), por Micael Pereira
- Na Sombra do Poder, de Pedro Feytor Pinto (Dom Quixote), por José Pedro Castanheira
- Francis Bacon – Lógica da Sensação, de Gilles Deleuze (Orfeu Negro), por António Guerreiro
- Revista Relâmpago, n.º 27, “Elegias” (Fundação Luís Miguel Nava), por José Mário Silva

Um poema inédito de Manuel António Pina (hoje, no ‘Público’)

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Primeiros parágrafos

«No final de Novembro de 1974, um amigo ligou-me de Paris a dizer-me que Lotte Eisner estava gravemente doente e que provavelmente morreria. Eu disse que não podia ser, não agora, o cinema alemão ainda não a podia dispensar, não podíamos permitir que ela morresse. Peguei num casaco, numa bússola e num saco de desporto contendo o estritamente necessário. As minhas botas eram novas e robustas, confiava nelas. Segui pelo caminho mais directo até Paris, com a firme convicção de que ela viveria se eu fosse ter com ela a pé. Queria, além disso, estar a sós comigo mesmo.
O que escrevi pelo caminho não foi pensado para leitores. Agora, quase quatro anos volvidos, senti uma estranha comoção ao segurar novamente no pequeno caderninho, e o desejo de mostrar o texto a outras pessoas, a desconhecidos, impôs-se ao pudor em abrir a porta ao olhar de estranhos. Omiti apenas algumas passagens demasiado privadas.»

[in Caminhar no Gelo, de Werner Herzog, trad. de Isabel Castro Silva, Tinta da China, 2011]

Prémio Camões 2011 para Manuel António Pina

Reunido na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, o júri do Prémio Camões, o mais importante da língua portuguesa, decidiu por unanimidade e em menos de meia hora. Vale a pena registar os nomes dos responsáveis por tão excelente escolha: Edla Van Steen e Antonio Carlos Secchin (Brasil), Rosa Maria Martelo e Abel Barros Baptista (Portugal), Ana Paula Ribeiro Tavares (Angola) e Inocência Mata (São Tomé e Príncipe). Depois de em 2010 ter distinguido Ferreira Gullar, talvez o maior poeta brasileiro vivo, o Camões para Manuel António Pina parece-me absolutamente justo, ao reconhecer a importância e o valor que quem escreveu alguns dos melhores livros de poesia, crónica e literatura infantil das últimas décadas, em Portugal.

Um discurso memorável de David Foster Wallace, revisited

Antigos alunos do Kenyon College, que escutaram em primeira mão o agora mítico discurso This is Water, proferido por David Foster Wallace a 21 de Maio de 2005, relembram o modo como o texto foi recebido pelos seus primeiros ouvintes.

‘Nós e os Clássicos’

Começou por ser uma comunidade de leitores na livraria Almedina do Saldanha. Agora transformou-se num programa de televisão sobre livros intemporais, na SIC Notícias. Autora e apresentadora: Filipa Melo. Slogan: «Livros excepcionais por leitores excepcionais». O alinhamento para as próximas semanas e os vídeos de algumas das emissões estão disponíveis no blogue do programa.

Dois fragmentos de Maria Gabriela Llansol

«A luz de ler na luz», aqui.

A dor da imobilidade a ser desfeita

Liberdade
Autor: Jonathan Franzen
Título original: Freedom
Tradução: Maria João Freire de Andrade
Editora: Dom Quixote
N.º de páginas: 684
ISBN: 978-972-20-4525-4
Ano de publicação: 2011

A principal singularidade dos Berglund — a família dentro e em torno da qual se desenvolvem as principais linhas narrativas deste romance — é não terem singularidade nenhuma. Eles vivem num bairro de classe média aburguesada, algures no Minnesota, onde prestam culto à boa vizinhança. Antiga basquetebolista, Patty assume-se como «abelha afável», a «bem-humorada carregadora do pólen sociocultural», ostensivamente decidida a representar o papel da mãe perfeita e dona de casa exemplar. Quanto a Walter, o marido, funcionário da 3M que se transferiu para a Conservação da Natureza, rapaz do campo com gostos sofisticados (Stravinsky, teatro experimental, bandas musicais alternativas) mas igualmente capaz de soldar uma junta de cobre, vai exercendo a simpatia como um mantra. Para compor o retrato, dois filhos: Jessica, a rapariga responsável; e Joey, o rebelde em potência (sendo que a rebeldia máxima, numa casa que vota nos democratas, passa por adoptar os valores republicanos).
Atrás desta fachada de respeitabilidade pública, as coisas são mais complexas. Há tensões, dramas, choques geracionais, erros que se acumulam e repetem. No bairro murmura-se que «sempre houve algo de estranho com os Berglunds», como se não houvesse sempre algo de estranho com toda a gente, como se a suposta normalidade não fosse uma convenção social. O que Franzen nos revela é o que os vizinhos intrometidos, capazes de julgar apenas pelo que vêem de fora, desconhecem: a mecânica interna da família, as muitas camadas de experiências humanas sobrepostas que moldaram a sua natureza e explicam o colapso iminente. À medida que os anos passam, o casamento treme nas fundações, ameaçado pelo fantasma de um triângulo amoroso mal resolvido, em que o terceiro vértice é Richard Katz, o melhor amigo de Walter desde os tempos da faculdade, músico egocêntrico e mulherengo que regressa à dureza do trabalho manual, construindo terraços panorâmicos para os ricaços de Nova Iorque, depois de ter alcançado inesperadamente a fama.
Num dos relatos autobiográficos de Patty, erguido em torno do «grande vazio da sua vida» e da lenta queda nos abismos depressivos da autocomiseração, ela descreve uma visita fugaz à universidade da filha. Ao olhar para um dos edifícios, depara com a seguinte inscrição numa pedra: «Usai bem a vossa liberdade». É este o problema central que aflige, consciente ou inconscientemente, a maioria das personagens do livro. Não tanto como ganhar a liberdade, mas o que fazer dela. Uma questão que atravessa os vários planos narrativos que Franzen consegue, sem atritos, encaixar uns nos outros, tornando fluido o contínuo vai-vem entre a esfera individual e a visão mais abrangente de um país, os EUA, confrontado com encruzilhadas históricas, económicas, políticas, ecológicas, etc.
Franzen é especialmente eficaz no desenho das personagens e no modo como nos mergulha nos seus conflitos interiores, na sua psicologia. O que tantas vezes falta noutros romances contemporâneos, há aqui de sobra — isto é, a espessura emocional que torna verosímeis e palpáveis as figuras saídas da imaginação do escritor. Quanto ao estilo, digamos que mantém as qualidades evidenciadas em Correcções (o romance anterior, de 2001, que fazia para a última década do século XX o que este faz para a primeira do século XXI), oferecendo-nos parágrafos e frases de fino recorte em quase todas as páginas. Exemplo: «Há uma tristeza perigosa nos primeiros sons do trabalho matinal de alguém; como se a imobilidade sentisse dor por estar a ser desfeita.» Não sendo o «romance do século», como decretou um crítico do The Guardian, este é ainda assim um livro poderosíssimo sobre isto de estarmos vivos em tempos conturbados, com todas as contradições imagináveis, mas também com a resiliência que nos permite sobreviver — apesar de tudo mais facilmente do que a mariquita-azul (a pequena ave ameaçada que Walter se propõe salvar).
Depois de ler Guerra e Paz, onde encontra espelhados alguns dos seus dilemas, Patty confessa-se «alterada» pelo romance de Tolstói. Salvaguardadas as devidas distâncias, duvido que haja leitores que não se sintam igualmente «alterados» depois de lerem Liberdade. É esse o poder maior da literatura.

Avaliação: 8,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Book Country

«Looking to support and develop writers of genre fiction, Penguin is launching a public beta of Book Country, a free online writing community and publishing services venture. In development for more than a year, Book Country offers writers a place to upload new works and receive feedback and criticism from a community of writers and readers; a place for agents and editors to look for new talent; and eventually the venture will offer a suite of self-publishing services that will offer e-book and print publication for a fee.»
O projecto foi pensado para certos géneros específicos, como a Ficção Científica, o Fantástico, o thriller, etc. A referida versão beta do site pode ser explorada e utilizada, aqui.

Ecos da ‘Leitura Furiosa’

Ontem à tarde, os textos da Leitura Furiosa 2011, tanto os escritos em Lisboa como os escritos no Porto e em Amiens, foram lidos na Casa da Achada por um grupo de actores, de que fizeram parte Antonino Solmer, Diogo Dória, Elisabete Piecho, Inês Nogueira, Joana Craveiro, Maria Gil e outros.
Apesar da captação de som imperfeita, aqui vos deixo o momento em que Dois Círculos foi lido a cinco vozes:

Logo depois, o Pedro Rodrigues e a Diana Dionísio (também conhecidos como Pedro e Diana) aproveitaram duas frases do texto («À volta, cinco homens com marcas no corpo e na memória: rugas, cicatrizes, tatuagens, histórias de rasteiras que a vida prega»; «Sempre fiz tudo ao contrário») para comporem e cantarem uma bela canção, com acompanhamento de tambor e concertina:

O que aí vem (Presença)

C, de Tom McCarthy; Julia Felix – Frescos de Pompeia, de Lívia Borges; Little Brother – O Futuro já Começou, de Cory Doctorow; O Mistério do Jogo das Paciências, de Jostein Gaarder; A Ameaça, de Ken Follett; Nos Meandros da Lei, de Michael Connelly.

Nem só de filmes se faz a carreira de Ethan Coen

De vez em quando, o realizador que é uma das metades da dupla «irmãos Coen» também publica poesia. Em 2009, estreou-se com The Drunken Driver Has the Right of Way. Em 2012, reincidirá com The Day the World Ends.

‘Leitura Furiosa’ (quando a ilustração de um texto é uma pequena escultura)

A partir de Os dois círculos, o artista Zé d’Almeida criou uma ilustração 3D. Ou seja, aquilo a que se costuma chamar uma escultura, neste caso em barro, com arames:

Um poema novo de Vasco Graça Moura

ELEGIA BREVE À POESIA

fugitivo passar pela retina,
no virar de uma esquina ou de um silêncio,
a tua ausência é este ensombramento,

porém que a despedida seja breve
e que voltes com um relâmpago, um
desvendar-se do mundo entrecortando

dobras desamparadas do real.
e eu pergunto: que vozes do crepúsculo
se apagavam então? talvez o vento

agitasse tristezas na folhagem,
e esse fosse o frémito dos seus
melancólicos sinais rumurejando,

ou talvez fosse a cama de um hospital
e o branco desolado das paredes
e a mudez de estranhos aparelhos,

ou talvez fosse o próprio esquecimento
de que irias voltar, ou resvalar
numa lenta passagem de tercetos.

[in Revista Relâmpago n.º 27, com data de Outubro de 2010, mas distribuída agora]

Tentações e sustos na Feira do Livro

Tentações:


(Pavilhão da Relógio d’Água)


(Pavilhão da Antígona)


(Pavilhão da Teorema)


(Pavilhão da Gradiva)

Sustos:


(Pavilhão da Babel)

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges