Apenas espero que isto, de facto, não seja aquilo que parece e que haja apenas um, lamentável mas identificável e, claro, controlável, excesso de zelo.

A ministra da Saúde, Roselyne Bachelot, revelou-se preocupada, acrescentando que a excessiva preocupação com o cumprimento destas leis “está a tornar-se ridículo”.
E não se pode juntar todos os arautos do politicamente correcto e mandá-los colonizar outro planeta juntamente com todas as regras assépticas e imbecilizantes deles?
Em termos de obras do regime, a defesa do TGV foi, no mínimo, inconsistente. Eu continuo sem perceber o retorno e o investimento e muito sinceramente, caberia ao PM defender com números e dados a sua opção e não remeter para uma página na net. Pessoalmente e em nome dos meus futuros filhos, dispenso investimentos cuja factura terá de ser paga por eles sem usufruirem de qualquer vantagem.
Registo a preocupação com o reforço do subsídio social de desemprego que deveria ser acompanhado do reforço da duração do subsídio de desemprego para os mais jovens, por exemplo. Registo também a clara assunção de que se poderão tomar novas medidas, mostrando que o Governo percebe bem que, para além de prever necessidades, tem de estar pronto para agir com grande flexibilidade.
A história de como se lidou com a crise o ano passado foi, no mínimo, estranha: afinal já se sabia tudo o que não explica um OE 2009 que necessitou logo de um rectificativo (perdão, suplementar).
Em relação ao Freeport não se acrescentou grande coisa. O único registo foi em relação aos processos judiciais em que Sócrates procurou justificar a opção de processar tanta gente. Essa opção é legítima, mas como já escrevi, dispensá-la-ia por parte de um PM. Note-se também que agora entramos numa espiral em que Manuela Moura Guedes declara que vai processar o PM (ou seja, temos uma luta entre uma "licenciatura manhosa" e o "jornalismo travestido"). E isto não deixa de ser delicioso num país onde a Justiça funciona como funciona.
Ainda sobre os jornalistas, acho que Sócrates roçou a má-educação com Judite de Sousa. Todos nos lembramos como correu a última entrevista na SIC e talvez Sócrates estivesse a preparar-se para algo do género. No entanto, os jornalistas tentaram fazer o seu trabalho, não evitando, seja como for, um passeio, ou como Teresa de Sousa bem coloca, "um clássico".
No meio disto tudo, não houve tempo uma questão sobre a execução do QREN, mas houve uma pequena pérola de José Alberto de Carvalho quando comenta, a propósito das medidas já apresentadas pelo PM, qualquer coisa como isso já os Telejornais da RTP1 estavam fartos de abordar.
Nota: Afinal não é a inauguração do Largo, mas sim a inauguração das obras de qualificação de um Largo que sempre se chamou assim. Ainda assim, é uma opção passível de crítica pelo dia escolhido.
Sempre achei legítimo que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão quisesse um Museu do Estado Novo, porque assumia que seria uma coisa diferente de ser um Museu de Salazar (equipamento legítimo desde que feito com dinheiro privado). Afinal, perante a inauguração prevista em cima, para além de publicidade barata, vejo que realmente há mentalidades que por mais que tentem não conseguem perceber conceitos tão simples como Democracia e Liberdade sem ser numa perspectiva utilitarista.
O 25 de Abril também é isto: a liberdade de uns quantos tolos que apenas pode (e deve) ser criticada com palavras, ao contrário do tempo que tanto louvam. Cada um é livre de defender o que quiser, note-se bem, mas eu também sou livre de dizer que acho uma rematada idiotice que uma autarquia inaugure um largo com o nome de uma pessoa a quem o país deve uma herança bem pesada. Enfim, só falta mesmo um cantor pimba para abrilhantar a festa, mostrando um país do qual o Sr. Dr. (a quem a terra lhe pese muito para todo o sempre) teria um infinito orgulho. E isso entristece mais do que revolta.

Fixem bem este rosto. Primeiro havia pressões e graves. Tão graves que se exigia uma audiência ao PR, passando por cima do próprio PGR. Agora já não. Diz que nunca falou nisso. Mas falou. Há provas. Diz que não quer um MP que arquiva e não faz nada. Está bem abelha. Mostrou, afinal, que com ou sem pressões, acreditar na Justiça é uma profissão de fé que começa a equivaler a acreditar em Roswell. João Palma, primeiro a dizer uma coisa e depois outra. Cada classe tem os representantes que merece (sem excepções, pois claro que até na minha, e apesar de ter votado por duas vezes, há intervenções do Bastonário que me deixam perplexo). Agora o que é preocupante é ouvir fiscalistas a reconhecer que só não se vai mais longe pelos interesses da classe política. Não é que não se saiba, mas é mais uma escalada na lógica do despudor: todos sabemos e teimamos em olhar para o lado. Somos virtuosos na base mas temos que apanhar todos os benefícios do poder quando subimos. Vou ler mais sobre as alterações agora aprovadas e que, ao que parece, são inconsequentes. Tal não me espantaria. Espanta-me é que já se assuma o saque com a maior das passividades.
Olhando para trás, e para o lado, percebe-se que seria sempre difícil escapar à presente crise. Não somos ilha e, mesmo que fossemos, estaríamos sempre bem pior, mas tivémos hipóteses desde meados da década de 80 para evitar que, em caso de dificuldades, entrássemos em terrenos tão perigosos.
Podíamos ter qualificado as pessoas a sério, criado um tecido empresarial a sério, permitido um crescimento do Estado em utilidade social e não aparelhística, podíamos ter traçado planos de desenvolvimento do país assente não na espuma dos dias e nas modas caras, mas em objectivos de desenvolvimento (que linhas ferroviárias, que auto-estradas, que modelo de desenvolvimento para as cidades, para a costa, etc), podíamos ter criado uma Justiça que funcionasse, podíamos ter evitado que surgisse uma sociedade que prefere morrer de fome a andar com roupas baratas... Podíamos ter feito tanta coisa que, em momento de crise fosse capaz de aguentar a quebra e a queda, menorizando os problemas que já se sentem.
Mas o problema é que acreditamos nas previsões e trabalhamos (mal) depois dos resultados apresentados. Não planeamos (veja-se os motoristas ciclicamente retidos em Vilar Formoso porque se esquecem que lá é feriado) e reagimos, a mais das vezes, mal a quem tem sucesso. Confundimos exuberância com saber fazer e achamos que as discussões se ganham com insultos e décibeis. Reduzimos tudo a cores e clubes e oscilamos entre o contrariar tudo só para não ter que concordar ou o juntarmo-nos à maioria só para evitar chatices. No fundo, o que devíamos ter feito quando era tempo não fizemos. O que poderíamos fazer agora não o faremos. Desejamos apenas que volte tudo ao normal (ao de antes) para continuarmos a cometer os mesmos erros.
E isto porque não há líderes. Não falo do ocasional chico-esperto ou do alienado que chega lá bem à frente, que é apenas uma versão refinada dos nossos defeitos, mas sem outra virtude que não o saber mexer-se bem. Nem muito menos do providencial homem salvador, encarnação desse mito nacional que é Salazar, que no fundo sintetiza bem que, para nós, não é a nossa liberdade que acaba onde começa a dos outros, mas sim liberdade é poder fazer com que os outros não nos chateiem.
Faltam líderes na nossa sociedade, nos seus mais variados aspectos, gente que saiba que só rodeando-se dos melhores é que poderá fazer mais, gente que não confunda determinação com arrogância, gente que consiga destrinçar entre político, pessoal e profissional, gente que saiba definir objectivos, traçar planos. Gente que vá além de diagnósticos (como este) e que esteja disposta a mudar o estado de coisas, mesmo que de início, se bata muitas vezes contra a parede. Gente que saiba que dificilmente se pode agradar a todos, em especial quando se discute a melhoria das condições de vida e a gestão de dinheiros públicos. Gente que saiba que tem que dizer a verdade e que, caso falhe, ser responsabilizada por isso mesmo. Gente que saiba que não há insubstituíveis. Gente que queira fazer a diferença.
Enquanto continuarmos à espera de outros que façam aquilo que nós temos o dever de fazer, bem nos podemos queixar à vontade que nada muda. Só nos cabe a nós. E num ano como estes muito mais. Afinal, é uma pergunta simples: de que lado é que queremos ficar na História? Daqueles que fizeram ou daqueles que apenas se deixaram ir?
Por isso, mesmo durante o maior fulgor do caso Freeport entendi que o Público se limitava a informar, mesmo que pudesse, em alguns situações, haver um menor rigor formal (um título acerca do chefe do Eurojust salta-me à memória), não adoptando, nem por sombras, a tese das campanhas negras e outras rematadas cretinices. No entanto, há coisas que, essas sim, numa imprensa credível, respeitável e respeitada tornam-se difíceis de engolir. E hoje, a "notícia" com chamada de primeira página sobre a transformação de uma música dos Xutos em música de protesto surpreendeu-me pela negativa. Não é que não se possa escrever sobre isso. Não é que o Público não possa entender que há relevância, mas enquanto notícia (reprodução de factos) não encontro nada de relevante nessa assunção. Enquadrar essa possibilidade numa reportagem/notícia sobre perigos de contestação social parece-me uma opção, enquanto leitor, completamente óbvia e legítima. Mas a opção de dar um grande destaque parece-me excessiva e desproporcionada.
Não será por aqui que deixarei de comprar o Público mas acho que este foi um passo em falso. Dar a conhecer que existem videos no You Tube é uma coisa. Daí esticar para duas páginas parece-me uma opção jornalística sem pés nem cabeça. Opções que, em vez de afirmarem uma imagem de rigor, transparência e exigência, acabam por criar ruído que só beneficia aqueles que tanto gostam de invocar campanhas negras. É pena.
Já eu gostava de ter um Ministro de Economia que, no mínimo, não coleccionasse gaffes. Infelizmente, a vida é assim. Até quando?
O problema é que continua o clima de suspeição e reduzi-lo a um Freeport, por muito grave que pareça, é pouco. Veja-se o julgamento de Isaltino Morais, onde este, sem pingo de vergonha, assume os crimes que já prescreveram, admite agora a história da conta bancária e, quase de certeza, que será reeleito. Em Braga, onde um condenado por corrupção é nomeado para uma empresa municipal, parte de uma autarquia em que há mais do que suspeitas (e investigações devidamente arquivadas) sobre o enriquecimento de alguns dos seus homens-fortes. Veja-se Felgueiras, Marco de Canaveses, veja-se um País Real onde se avolumam as suspeitas sem qualquer punição, nem judicial, nem eleitoral.
Entendo, no entanto que um processo "Mãos Limpas" seria contraproducente, essencialmente pelo facto da corrupção, no seu sentido mais vulgar, não ser ainda endémica. No entanto há sinais de alarme que merecem ser considerados, principalmente quanto aos actores principais da Justiça. Alguém acredita no actual PGR? Na actual directora do SIADAP? Alguém acha que os magistrados poderão desempenhar o seu papel de forma independente, sem estarem sujeitos a intromissões, para não falar em pressões? Alguém acredita, e isto acaba por ser o mais grave, que a classe política se pode regenerar ou que a comunicação social, sem ligar a agendas de outros, pode investigar e relatar factos? Estão lançadas as bases para uma gigantesca confusão e, infelizmente, já que a sociedade civil assobia para o lado, a última pessoa que poderia dizer alguma coisa, o inquilino de Belém, também assobia. Mas quando nem para ímpôr a saída de Dias Loureiro do CE ele se ouve, para quê esperar uma posição?
Não considero que seja tarde para dar a volta a isto, mas tem que se reformar a Justiça, evitando crimes "estúpidos" (quem é que se lembrou da "corrupção para acto lícito"?) e dando efectivos poderes de investigação, sem interferências (veja-se a notícia de hoje sobre o caso Dias Loureiro, a SLN e a conexão com o amigo do Líbano). Sem Justiça não há Estado de Direito. É um raciocínio simples, antigo e que deu provas, ao longo dos tempos, de funcionar bem. Não estando Portugal à beira do abismo, mas caminhando alegremente para lá, ainda há mais que espaço para dar a volta.

Por outro lado, não deixa de ser grave que o PGR e a directora do SIADAP demonstrem, sem qualquer problema, que estão completamente às aranhas com o caso, mas descansados quanto a assacarem-lhes responsabilidades. E isto já para não falar no inquilino do Palácio de Belém que se mantêm esfíngico perante uma situação que já extravasou por completo para o plano político e do funcionamento das instituições.
Note-se que, independentemente de isto ser uma "cabala" ou um situação de "onde há fumo há fogo", um processo deste tipo deveria estar sujeito a regras processuais e não a situações que desafiam a lógica e, convenientemente, permitem leituras ambíguas. Se José Sócrates não fez nada e foi envolvido, por mera conveniência política ou de qualquer outro tipo nesta situação, tem direito a exercer a sua acção governativa sem este tipo de ruído. Se José Sócrates fez parte desta situação, havendo indícios disso mesmo, investigue-se e produza-se a competente acusação, doa a quem doer. Evite-se é este perfeito degradar das instituições democráticas que só dá azo a institucionalizarem-se situações menos claras e de legalidade duvidosa. A Bem da Nação, pois claro.

Este filme ganhou o grande prémio do Júri de Sundance em 2008 e é um excelente exemplo da vitalidade do cinema indie do Estados Unidos. É claro que trabalhar a partir de livros de Chuck Palahniuk (Clube de Combate) facilita muito, mas mesmo assim não é qualquer um que consegue filmar uma história tão alternativa de uma forma tão apelativa. Destaque ainda para Sam Rockwell, escolha "melhor é impossível".









