Onde está o Wally?
Agora que estão aí as eleições europeias e à semelhança de outros programas (Political Compass, por exemplo), podem sempre ver junto de que partido é que as vossas posições sobre política europeia (e algumas portuguesas) se situam usando o EU Profiler. Via o sempre excelente Margens de Erro.
Lê-se e não se acredita
“As perguntas feitas aos alunos permitem-nos deduzir que é isso que pretenderão provar — que eles foram manipulados, nomeadamente pelos professores”, comentou ontem, em declarações ao PÚBLICO, Paulo Nogueira Pinto, ele próprio docente (noutra escola) e pai de uma das alunas interrogadas pelo inspector da DGE. “Como é que souberam que a ministra vinha a Fafe? Quem é que se lembrou de fazer a manifestação? Os professores deram aulas? Marcaram faltas a quem não esteve na sala? Como é que os alunos saíram da escola? Estava algum funcionário à porta?”, desfia Nogueira Pinto, exemplificando perguntas a que a sua filha, aluna do 10.º ano, teve de responder.

Apenas espero que isto, de facto, não seja aquilo que parece e que haja apenas um, lamentável mas identificável e, claro, controlável, excesso de zelo.
Bom Dia

Se há coisa que os americanos fazem bem são séries para usar como "descanso mental". Chuck é uma delas. É uma espécie de OC versão espiões, com todas as debilidades e irrealismos de argumento, com um humor apelativo cheio de referências à cultura popular e com uma excelente banda sonora, que resulta em 40 minutos de puro relaxe televisivo (indicada o ano passado como uma das 10 séries a ver pela revista "Time". Eu acrescentaria "apenas por apreciadores". Chegou agora ao fim a 2ª temporada com a inevitável reviravolta no último episódio à procura de justificar mais 22 episódios. A ver vamos.
Voltei, voltei...
... de lá. Cheguei e aterrei logo na mais recente nóia pandemediática (gripe suína) e nas declarações-sobre-um-bloco-central-que-afinal-não-foram-bem-assim da líder do PSD. Pelo caminho, dá ideia que o caso Freeport entrou em banho maria e parece que aconteceu algo de esquisito no Porto-V. Setúbal ao minuto 58. E assim de repente é tudo, já que a Cidade Luz estava, para além de muito cara, absolutamente irresistível. Talvez com excesso de franceses, mas não se pode ter tudo. E já não é nada mau ter Paris...
Então até já...

Ah, e tentem aproveitar bem o Sábado. Independentemente do que se tem passado de lá para cá, a janela que se abriu foi o melhor que nos podia ter acontecido já que o que estava antes não nos servia mas nem um pouquinho...
Eles "andem" aí
Na Têbê
A entrevista de ontem teve mais que o "tom" de José Sócrates. Teve uma mais ou menos bem sucedida tentativa de empurrar o ónus do esfriamento das relações entre São Bento e Belém para o PR, dizendo que aquilo não era nada com ele. Mais ou menos bem sucedida porque conseguiu iludir o resto das questões e tentar colar as críticas à oposição, menorizando-a face ao PR. Seja como for, na próxima já não resultará. Afinal, pode-se enganar alguns todo o tempo, todos durante algum tempo mas nunca todos durante todo o tempo.

Em termos de obras do regime, a defesa do TGV foi, no mínimo, inconsistente. Eu continuo sem perceber o retorno e o investimento e muito sinceramente, caberia ao PM defender com números e dados a sua opção e não remeter para uma página na net. Pessoalmente e em nome dos meus futuros filhos, dispenso investimentos cuja factura terá de ser paga por eles sem usufruirem de qualquer vantagem.

Registo a preocupação com o reforço do subsídio social de desemprego que deveria ser acompanhado do reforço da duração do subsídio de desemprego para os mais jovens, por exemplo. Registo também a clara assunção de que se poderão tomar novas medidas, mostrando que o Governo percebe bem que, para além de prever necessidades, tem de estar pronto para agir com grande flexibilidade.

A história de como se lidou com a crise o ano passado foi, no mínimo, estranha: afinal já se sabia tudo o que não explica um OE 2009 que necessitou logo de um rectificativo (perdão, suplementar).

Em relação ao Freeport não se acrescentou grande coisa. O único registo foi em relação aos processos judiciais em que Sócrates procurou justificar a opção de processar tanta gente. Essa opção é legítima, mas como já escrevi, dispensá-la-ia por parte de um PM. Note-se também que agora entramos numa espiral em que Manuela Moura Guedes declara que vai processar o PM (ou seja, temos uma luta entre uma "licenciatura manhosa" e o "jornalismo travestido"). E isto não deixa de ser delicioso num país onde a Justiça funciona como funciona.

Ainda sobre os jornalistas, acho que Sócrates roçou a má-educação com Judite de Sousa. Todos nos lembramos como correu a última entrevista na SIC e talvez Sócrates estivesse a preparar-se para algo do género. No entanto, os jornalistas tentaram fazer o seu trabalho, não evitando, seja como for, um passeio, ou como Teresa de Sousa bem coloca, "um clássico".

No meio disto tudo, não houve tempo uma questão sobre a execução do QREN, mas houve uma pequena pérola de José Alberto de Carvalho quando comenta, a propósito das medidas já apresentadas pelo PM, qualquer coisa como isso já os Telejornais da RTP1 estavam fartos de abordar.
Quando parece que fazem de nós estúpidos
Tenho muito respeito por quem coloca no ar aviões que pesam toneladas. Principalmente por quem os aterra. Já suspeito mais das administrações das companhias aéreas. Isto a propósito do vôo 502 da TAP (muito Lost esta expressão) que, a aterrar em Copenhaga, teve umas certas peripécias. Pelos vistos o piloto resolveu aterrar manualmente para poupar combustível, mas como a coisa não correu bem, teve de abortar a aterrisagem ("borregar", portanto) e repeti-la. Ora, o que parece é que o piloto apesar de "procurar salvaguardar os interesses da companhia, mas sem acordo com a mesma" segundo o porta-voz da TAP, não cumpriu os objectivos. E não teria sido mais fácil começar exactamente por aí (correu mal e pronto, errar é humano), em vez das primeiras declarações por parte da TAP que, convenhamos, em termos de condescendência, não ficaram a dever nada ao tom de José Sócrates?
Bom Dia

Este é o meu próximo "alvo". Um filme alemão sobre uma experiência promovida por um professor que recria um sistema totalitário na sua aula e que, rapidamente, perde o controlo da situação. A premissa parece interessante e perfeitamente adequada aos tempos que vivemos.
Na Têbê...
Se o PM diz mais alguma vez "Judite" e "se me dá licença" acho que me dá uma coisinha má...
Cada um é livre de fazer as tristes figuras que quer.. (rectificado).

Nota: Afinal não é a inauguração do Largo, mas sim a inauguração das obras de qualificação de um Largo que sempre se chamou assim. Ainda assim, é uma opção passível de crítica pelo dia escolhido.

Sempre achei legítimo que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão quisesse um Museu do Estado Novo, porque assumia que seria uma coisa diferente de ser um Museu de Salazar (equipamento legítimo desde que feito com dinheiro privado). Afinal, perante a inauguração prevista em cima, para além de publicidade barata, vejo que realmente há mentalidades que por mais que tentem não conseguem perceber conceitos tão simples como Democracia e Liberdade sem ser numa perspectiva utilitarista.

O 25 de Abril também é isto: a liberdade de uns quantos tolos que apenas pode (e deve) ser criticada com palavras, ao contrário do tempo que tanto louvam. Cada um é livre de defender o que quiser, note-se bem, mas eu também sou livre de dizer que acho uma rematada idiotice que uma autarquia inaugure um largo com o nome de uma pessoa a quem o país deve uma herança bem pesada. Enfim, só falta mesmo um cantor pimba para abrilhantar a festa, mostrando um país do qual o Sr. Dr. (a quem a terra lhe pese muito para todo o sempre) teria um infinito orgulho. E isso entristece mais do que revolta.

Dignidade
A conferência contra o Racismo em Genebra é presidida pela Líbia e ia permitir ao Irão, chefiado por um regime que só por acaso defende a erradicação de um povo da face da terra, tempo de antena para a sua mensagem. Felizmente ainda houve uma restéa de dignidade quando os delegados de 23 países (que nem deviam lá ter posto os pés) se recusaram a ouvir as atoardas do Presidente Europeu. Por um breve momento, as democracias liberais perceberam que o seu papel, apesar das suas cada vez mais odiosas auto-limitações, não é contemporizar com quem insiste em negar avanços civilizacionais como a igualdade entre sexos, liberdade de expressão e dignidade da vida humana. E ainda por cima em Genebra, o triste cenário da ainda mais triste Sociedade das Nações.
Não, mas eles até hão-de acertar em alguma
Apesar de meio mundo andar preocupado com a aplicação da Lei da Paridade, o mais surpreendente exemplo de inépcia legislativa volta a ser dado pelo PS acompanhado pelo BE: proposta do Bloco e do PS impede acesso às contas bancárias das empresas sem autorização judicial. Não me passa pela cabeça que quer um, quer o outro partido errassem de propósito, mas há erros que são, no mínimo, evitáveis.
Bom Dia

Esperava melhor mas ainda assim garante muito bons momentos. E tem a Jodie Foster.
Serviço Público
Já nem sei muito bem como, mas foi graças a um outro blog, que fui dar a este serviço público para os cinéfilos (e não só). Para aqueles que se lembram vagamente de um filme (ou parte de) e gostavam de saber qual o nome para o rever, eis um site que é bem capaz de dar jeito. Boas caçadas.
Pelos vistos, o caldo entornou
Cavaco "aperta" o Governo. Sócrates responde a criticar a política do recado. Onde é que já vai a cooperação institucional? Louve-se pelo menos o início da transparência. Não se trata de cair em forças de bloqueio e situações parecidas, mas na definição clara daquilo que, em função dos poderes que cada um detém, prevêem para o país. Um sistema político ambíguo como o nosso só podia deixar que situações destas se gerassem. Sempre tendo presente que o PM tem direito a exigir transparência (desde que a ponha em prática na actuação política), assim como se espera que o PR se faça ouvir enquanto supremo magistrado.
Bom Dia


Depois de muita banhada em novas séries, eis que chega uma verdadeira pérola que, a fazer fé pelos dois primeiros episódios, promete mesmo muito. 6 pessoas trabalham numa equipa de uma empresa de catering em Los Angeles: do existencialista argumentista ao narcisista canastrão, passando por um actor falhado que decidiu voltar à vida normal, comandados por um verdadeiro imbecil com tendência para complicar o que é simples, está arrumado o elenco de "Party Down", onde, só em 2 episódios, se dinamitaram os subúrbios e os jovens Republicanos graças a um sentido de humor muito caústico. Não será para todos, mas conheço algumas pessoas que não se irão arrepender. Are we having fun yet?
Catavento
Fixem bem este rosto. Primeiro havia pressões e graves. Tão graves que se exigia uma audiência ao PR, passando por cima do próprio PGR. Agora já não. Diz que nunca falou nisso. Mas falou. Há provas. Diz que não quer um MP que arquiva e não faz nada. Está bem abelha. Mostrou, afinal, que com ou sem pressões, acreditar na Justiça é uma profissão de fé que começa a equivaler a acreditar em Roswell. João Palma, primeiro a dizer uma coisa e depois outra. Cada classe tem os representantes que merece (sem excepções, pois claro que até na minha, e apesar de ter votado por duas vezes, há intervenções do Bastonário que me deixam perplexo).
Cada um tem o sigilo que quer
Houve uma altura em que me insurgia contra o levantamento do sigilo bancário, odiando em especial a afirmação do "quem não deve não teme". O problema para mim não era esse, mas sim a postura do Estado, o primeiro a ser pouco transparente e a munir-se de todas as armas possíveis para evitar a defesa do contribuinte. No entanto, reconheço que num cenário ideal, o o levantamento do sigilo bancário, devidamente enquadrável numa lógica de evasão fiscal, seria um meio legítimo ao alcance do Estado (note-se que já há situações em que tal é possível).

Agora o que é preocupante é ouvir fiscalistas a reconhecer que só não se vai mais longe pelos interesses da classe política. Não é que não se saiba, mas é mais uma escalada na lógica do despudor: todos sabemos e teimamos em olhar para o lado. Somos virtuosos na base mas temos que apanhar todos os benefícios do poder quando subimos. Vou ler mais sobre as alterações agora aprovadas e que, ao que parece, são inconsequentes. Tal não me espantaria. Espanta-me é que já se assuma o saque com a maior das passividades.
O mundo ao contrário
Ouvir Jardim dizer que a "lei do pluralismo é nazificante e de iniciativa fascista" é sempre uma excelente maneira de começar o dia. Nem um quadro de Dali conseguia ser mais surreal.
Era fugir para bem longe...
Lei é Lei. Mas não invalida que, por vezes, seja estúpida, desumana e profundamente injusta. À atenção de um país onde a culpa morre sempre solteira.
Manifesto
É o cão do outro, os cartazes da outra, a lista dos outros. Mas na verdade são os problemas de tanta gente a começar a desabar de forma assustadora. Perante as previsões verdadeiramente preocupantes do BdP, pelo menos devia começar-se a combater as derrapagens (já nem falo nas da minha terra que, para isso, a minha outra casa é bem esclarecedora) que estão a tornar ainda mais negras as nuvens à nossa frente.

Olhando para trás, e para o lado, percebe-se que seria sempre difícil escapar à presente crise. Não somos ilha e, mesmo que fossemos, estaríamos sempre bem pior, mas tivémos hipóteses desde meados da década de 80 para evitar que, em caso de dificuldades, entrássemos em terrenos tão perigosos.

Podíamos ter qualificado as pessoas a sério, criado um tecido empresarial a sério, permitido um crescimento do Estado em utilidade social e não aparelhística, podíamos ter traçado planos de desenvolvimento do país assente não na espuma dos dias e nas modas caras, mas em objectivos de desenvolvimento (que linhas ferroviárias, que auto-estradas, que modelo de desenvolvimento para as cidades, para a costa, etc), podíamos ter criado uma Justiça que funcionasse, podíamos ter evitado que surgisse uma sociedade que prefere morrer de fome a andar com roupas baratas... Podíamos ter feito tanta coisa que, em momento de crise fosse capaz de aguentar a quebra e a queda, menorizando os problemas que já se sentem.

Mas o problema é que acreditamos nas previsões e trabalhamos (mal) depois dos resultados apresentados. Não planeamos (veja-se os motoristas ciclicamente retidos em Vilar Formoso porque se esquecem que lá é feriado) e reagimos, a mais das vezes, mal a quem tem sucesso. Confundimos exuberância com saber fazer e achamos que as discussões se ganham com insultos e décibeis. Reduzimos tudo a cores e clubes e oscilamos entre o contrariar tudo só para não ter que concordar ou o juntarmo-nos à maioria só para evitar chatices. No fundo, o que devíamos ter feito quando era tempo não fizemos. O que poderíamos fazer agora não o faremos. Desejamos apenas que volte tudo ao normal (ao de antes) para continuarmos a cometer os mesmos erros.

E isto porque não há líderes. Não falo do ocasional chico-esperto ou do alienado que chega lá bem à frente, que é apenas uma versão refinada dos nossos defeitos, mas sem outra virtude que não o saber mexer-se bem. Nem muito menos do providencial homem salvador, encarnação desse mito nacional que é Salazar, que no fundo sintetiza bem que, para nós, não é a nossa liberdade que acaba onde começa a dos outros, mas sim liberdade é poder fazer com que os outros não nos chateiem.

Faltam líderes na nossa sociedade, nos seus mais variados aspectos, gente que saiba que só rodeando-se dos melhores é que poderá fazer mais, gente que não confunda determinação com arrogância, gente que consiga destrinçar entre político, pessoal e profissional, gente que saiba definir objectivos, traçar planos. Gente que vá além de diagnósticos (como este) e que esteja disposta a mudar o estado de coisas, mesmo que de início, se bata muitas vezes contra a parede. Gente que saiba que dificilmente se pode agradar a todos, em especial quando se discute a melhoria das condições de vida e a gestão de dinheiros públicos. Gente que saiba que tem que dizer a verdade e que, caso falhe, ser responsabilizada por isso mesmo. Gente que saiba que não há insubstituíveis. Gente que queira fazer a diferença.

Enquanto continuarmos à espera de outros que façam aquilo que nós temos o dever de fazer, bem nos podemos queixar à vontade que nada muda. Só nos cabe a nós. E num ano como estes muito mais. Afinal, é uma pergunta simples: de que lado é que queremos ficar na História? Daqueles que fizeram ou daqueles que apenas se deixaram ir?
Passo em falso
Lembro-me do Público desde o número 0. Comecei a devorá-lo pouco tempo mais tarde, mas é um jornal que, faça chuva ou sol, fosse em tempos de faculdade ou em férias, tornou-se parte da minha tralha, independentemente de aspectos gráficos mais ou menos felizes. Não tendo vivido, nem cronologicamente nem geograficamente a referência "Washington Post", assumia que é sempre necessário que a Imprensa cumpra o seu papel informando, através do relato de factos. E nesse aspecto, principalmente na recta final do cavaquismo, um jornal independente, rigoroso e sério como o Público, complementado com uma rádio exigente (TSF) e uma televisão não governamentalizada (SIC), tracei o meu quadro de referências informativas nacionais que, tirando no caso da SIC, ainda hoje se vão mantendo.

Por isso, mesmo durante o maior fulgor do caso Freeport entendi que o Público se limitava a informar, mesmo que pudesse, em alguns situações, haver um menor rigor formal (um título acerca do chefe do Eurojust salta-me à memória), não adoptando, nem por sombras, a tese das campanhas negras e outras rematadas cretinices. No entanto, há coisas que, essas sim, numa imprensa credível, respeitável e respeitada tornam-se difíceis de engolir. E hoje, a "notícia" com chamada de primeira página sobre a transformação de uma música dos Xutos em música de protesto surpreendeu-me pela negativa. Não é que não se possa escrever sobre isso. Não é que o Público não possa entender que há relevância, mas enquanto notícia (reprodução de factos) não encontro nada de relevante nessa assunção. Enquadrar essa possibilidade numa reportagem/notícia sobre perigos de contestação social parece-me uma opção, enquanto leitor, completamente óbvia e legítima. Mas a opção de dar um grande destaque parece-me excessiva e desproporcionada.

Não será por aqui que deixarei de comprar o Público mas acho que este foi um passo em falso. Dar a conhecer que existem videos no You Tube é uma coisa. Daí esticar para duas páginas parece-me uma opção jornalística sem pés nem cabeça. Opções que, em vez de afirmarem uma imagem de rigor, transparência e exigência, acabam por criar ruído que só beneficia aqueles que tanto gostam de invocar campanhas negras. É pena.
Bom Dia

No caminho para o final da 5ª Temporada (faltam 4 episódios, um dos quais duplo), o ritmo daquela que estava a ser a mais inesperada temporadas de todas abrandou, qual último fôlego antes do esforço final. Que, pela expectativa que se está a gerar, é bom que seja qualquer coisa de excepcional.
Mas não há quem o cale?
Berlusconi pede aos sobreviventes que encarem a situação como "um fim-de-semana no parque de campismo". Não peço super-homens em lugares de decisão política, mas pelo menos Homens. Alimárias como Berlusconi mostram apenas a degradação da actividade política. É que já nem defendo voltar a tempos idos (onde nada garantia a responsabilidade e a elevação de quem exercia os cargos), mas pelo menos estava na altura de exigir capacidade, visão, determinação, educação, urbanidade, bom senso e imensa responsabilidade. Tudo menos criaturas colocadas no poder por uma população que nem a si aplica os critérios que depois quer exigir aos outros. Itália merecia bem melhor.
Era uma vez um país
Manuel Pinho, garantiu esta terça-feira que «gostava muito de não ser ministro da Economia num país com tantas dificuldades, mas a vida é assim». (referência via mais da tola)

Já eu gostava de ter um Ministro de Economia que, no mínimo, não coleccionasse gaffes. Infelizmente, a vida é assim. Até quando?
Bom Dia

Alexander Payne é um contador de histórias de eleição (lá está). E esta é para mim a sua melhor história: uma caustica sátira ao mundo da política e das eleições filmado com cenário numa escola secundária norte-americana. Isto a propósito de 2009 ser o ano que é (ou vai ser...).
4 anos depois
E já lá vão 4 anos na blogosfera, pelo menos oficialmente. Altos e baixos (talvez mais destes do que daqueles) com o cinema e a política sempre presentes. Por vezes há duvidas para onde levar este blog e se sequer vale a pena continuar a insistir, mas não deixa de ser um bom escape para muitas das agruras e apontamentos da vida. Por isso, e não planeando um fim de rumo tão próximo, após 4 anos, idade de semi-veterania na blogosfera, cá há-de continuar o Homem do Leme.
É melhor Barroso manter-se longe
Eu, pessoalmente, teria vergonha na cara. Mas o Presidente da Comissão Europa não tem vergonha de ter um site de "candidatura" em que o português não é utilizado. Quem me dera que fosse mesmo um rosto do passado.
Idade das Trevas
No meio da tragédia italiana, há uma estória que é particularmente incomodativa: houve um sismólogo que, cientificamente, previu a catástrofe e que foi obrigado a calar-se porque andava a "espalhar o pânico". A ignorância, o conformismo, a desconfiança, a ditadura das maiorias e os comportamentos irracionais, não ouvindo aqueles que fundamentam as suas ideias/teorias nunca serviram para melhorar as condições de vida de uma qualquer população, mas sim e apenas, para as piorar. A Ciência teve ontem uma das suas vitórias mais amargas e desnecessárias. Sempre graças à ignorância dos homens.
Álbum





Poceljt, Bósnia-Herzegovina
Ao ataque
"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina." Foi com esta frase que João Miguel Tavares começou um texto sobre José Sócrates. E depois Sócrates apresentou queixa-crime contra João Miguel Tavares. Leiam o texto e tirem as vossas conclusões. A minha é simples, e para a fundamentar chamo à colação uma citação usada aqui no Tribunal de Pombal para uma situação parecida: já Harry Truman dizia que "quem não aguenta o calor não deve trabalhar na cozinha". Quem não se sente...? Pois claro, mas esta reacção é completamente desproporcionada e longe de ser uma defesa da honra, arrisca-se a ter a leitura exactamente contrária. Quem semeia ventos colhe tempestades.
Porca miséria?
Até em Itália houve uma operação "Mãos Limpas". Sabemos bem que colocou Berlusconi no poder, sabemos que permitiu devaneios justicialistas, mas foi um sinal de que se podia, e devia agir. As consequências poderão não ter sido óptimas, mas sempre se ficou melhor do que estava (a fazer fé no que se vai lendo). No caso português, apelar a um processo "Mãos Limpas" pode parecer extemporâneo, até porque tal equivaleria a assumir uma degradação da actividade política para além do irreversível e, conhecendo bem este país, daria azo a uma multiplicação de homens e mulheres providenciais eivados de super-poderes judiciais que, fazendo as delícias da comunicação social (permanentemente a não acertar no registo que devem ter), dariam azo a aumentar a confusão, em vez de relatar factos.

O problema é que continua o clima de suspeição e reduzi-lo a um Freeport, por muito grave que pareça, é pouco. Veja-se o julgamento de Isaltino Morais, onde este, sem pingo de vergonha, assume os crimes que já prescreveram, admite agora a história da conta bancária e, quase de certeza, que será reeleito. Em Braga, onde um condenado por corrupção é nomeado para uma empresa municipal, parte de uma autarquia em que há mais do que suspeitas (e investigações devidamente arquivadas) sobre o enriquecimento de alguns dos seus homens-fortes. Veja-se Felgueiras, Marco de Canaveses, veja-se um País Real onde se avolumam as suspeitas sem qualquer punição, nem judicial, nem eleitoral.

Entendo, no entanto que um processo "Mãos Limpas" seria contraproducente, essencialmente pelo facto da corrupção, no seu sentido mais vulgar, não ser ainda endémica. No entanto há sinais de alarme que merecem ser considerados, principalmente quanto aos actores principais da Justiça. Alguém acredita no actual PGR? Na actual directora do SIADAP? Alguém acha que os magistrados poderão desempenhar o seu papel de forma independente, sem estarem sujeitos a intromissões, para não falar em pressões? Alguém acredita, e isto acaba por ser o mais grave, que a classe política se pode regenerar ou que a comunicação social, sem ligar a agendas de outros, pode investigar e relatar factos? Estão lançadas as bases para uma gigantesca confusão e, infelizmente, já que a sociedade civil assobia para o lado, a última pessoa que poderia dizer alguma coisa, o inquilino de Belém, também assobia. Mas quando nem para ímpôr a saída de Dias Loureiro do CE ele se ouve, para quê esperar uma posição?

Não considero que seja tarde para dar a volta a isto, mas tem que se reformar a Justiça, evitando crimes "estúpidos" (quem é que se lembrou da "corrupção para acto lícito"?) e dando efectivos poderes de investigação, sem interferências (veja-se a notícia de hoje sobre o caso Dias Loureiro, a SLN e a conexão com o amigo do Líbano). Sem Justiça não há Estado de Direito. É um raciocínio simples, antigo e que deu provas, ao longo dos tempos, de funcionar bem. Não estando Portugal à beira do abismo, mas caminhando alegremente para lá, ainda há mais que espaço para dar a volta.
Bom Dia

Comédia engraçada e sem pretensões que cumpre o seu propósito com nível: divertir. Dois colegas de trabalho, representantes de uma bebida energética, têm de cumprir serviço comunitário passando algum tempo com dois miúdos problemáticos. Como é óbvio, primeiro estranham-se, depois dão-se bem, depois asneiram, depois acaba tudo em grande, ao som dos KISS. Não será para todos, mas quem apreciar o estilo não se queixará.
Os fins não justificam todos os meios
Apesar de não concordar com o Acordo Ortográfico e de me sentir tentado a assinar todo e qualquer abaixo-assinado, há que fazer alguns reparos a algumas das discussões: facto e pacto continuarão a escrever-se como se escrevem hoje, isto porque segundo o Acordo Ortográfico o “c” que surge nas sequências interiores “cç”, “cc” e “ct” elimina-se quando não é pronunciado mesmo nas pronúncias cultas da língua. No caso concreto daquelas duas palavras o "c" pronuncia-se, sendo certo que não conheço nenhum português que diga "pato" quando se refere a um "pacto social" ou que troque um "facto" numa discussão por um mero "fato". Questionar sim, mas com os argumentos correctos ou, segundo o Acordo, corretos. Pessoalmente continuarei a usar "correcto".
A Bem da Nação
É impressão minha ou a história da reunião entre PGR, Presidente do Eurojust e os magistrados do processo Freeport está muito, mas mesmo muito mal contada? Bem anda Jorge Coelho (nunca pensei escrever isto) ao dizer que este processo está a corroer claramente o actual regime. No entanto, entendamo-nos: que isso nunca sirva de pretexto para arquivamentos "a bem da Nação".

Por outro lado, não deixa de ser grave que o PGR e a directora do SIADAP demonstrem, sem qualquer problema, que estão completamente às aranhas com o caso, mas descansados quanto a assacarem-lhes responsabilidades. E isto já para não falar no inquilino do Palácio de Belém que se mantêm esfíngico perante uma situação que já extravasou por completo para o plano político e do funcionamento das instituições.

Note-se que, independentemente de isto ser uma "cabala" ou um situação de "onde há fumo há fogo", um processo deste tipo deveria estar sujeito a regras processuais e não a situações que desafiam a lógica e, convenientemente, permitem leituras ambíguas. Se José Sócrates não fez nada e foi envolvido, por mera conveniência política ou de qualquer outro tipo nesta situação, tem direito a exercer a sua acção governativa sem este tipo de ruído. Se José Sócrates fez parte desta situação, havendo indícios disso mesmo, investigue-se e produza-se a competente acusação, doa a quem doer. Evite-se é este perfeito degradar das instituições democráticas que só dá azo a institucionalizarem-se situações menos claras e de legalidade duvidosa. A Bem da Nação, pois claro.
Bom Dia

No mínimo parece ser um filme estranho. Victor é viciado em sexo, trabalha num parque de diversões temático e tem um part-time a simular que está a morrer por asfixia, de modo a sacar algum dinheiro a incautos. No meio desta vida peculiar, vai encontrando tempo para visitar a sua mãe (grande interpretação de Angelica Huston) doente mental. E é numa destas visitas que fica a saber um segredo sobre o seu passado e vê a sua estruturada vida a entrar num turbilhão.

Este filme ganhou o grande prémio do Júri de Sundance em 2008 e é um excelente exemplo da vitalidade do cinema indie do Estados Unidos. É claro que trabalhar a partir de livros de Chuck Palahniuk (Clube de Combate) facilita muito, mas mesmo assim não é qualquer um que consegue filmar uma história tão alternativa de uma forma tão apelativa. Destaque ainda para Sam Rockwell, escolha "melhor é impossível".
Portugalgate
Lamento mas isto está mesmo podre. Neste momento, o Freeport é um caso incontornável, corrosivo e extraordinariamente perigoso devido às suas implicações. Já percebemos todos as limitações da nossa Justiça, já percebemos as jogadas que presidem à aprovação de algumas leis e estamos totalmente cientes das teias de interesses montados. Num outro país, já se teria feito tudo para esclarecer o envolvimento ou não do Primeiro-Ministro (e, admita-se, este teria feito mais que invocar campanhas negras). Em Portugal preparamo-nos para um arquivamento cirúrgico à volta de uma technicality que, em bom rigor, mancha todos mas que é mais coerente com a maneira de agir portuguesa: vergonha não é o acto em si, mas sim ser apanhado a fazer o acto, por isso desde que se consiga esconder e fugir está-se bem.