
Ouvi hoje Camilo Lourenço, a fazer o seguinte raciocínio:
"O Estado Português vai conseguir vender todas as obrigações do tesouro que colocou no mercado porque os investidores sabem que o risco de falência é muito reduzido."
Teve razão neste ponto. Todas as obrigações forem vendidas, na verdade a procura até foi 3,2 vezes a oferta. Porquê? Porque, de facto, não há risco de falência do país, e como as taxas de juro da divida publica portuguesa se situam nos 6,716%, torna-se um óptimo negócio!
Há dois anos atrás, os juros das mesmas obrigações, com a mesma maturidade e, sejamos honestos e realistas, com o mesmo risco de falência, estava nos 4%. É ou não uma boa compra?
Mas não tem razão em tudo o resto.
Um dos maiores problemas que Portugal enfrenta neste momento não se prende com a fraca competitividade, com os seus níveis de crescimento (e não estou a retirar importância a este factor) e muito menos com os
elevados salários. O nosso maior problema neste momento é o preço ao qual estamos a pagar os empréstimos que pedimos, em relação ao qual não temos qualquer tipo de controlo.
Deixar a
avaliação do nosso suposto risco de falência a quem ganha com a sua subida é suicida, e irracional. Da mesma forma, deixar quem compra a nossa dívida decidir e a avaliar as nossas políticas fiscais e económicas é anti-democrático.