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Category: Memórias

A casa que protagoniza esta foto é uma casa de mulheres no País Dogon, Mali. Chama-se, mais propriamente, casa de menstruação por albergar as mulheres naqueles dias do mês em que são consideradas impuras; interditas, portanto, de confeccionarem comida, de fazerem tarefas domésticas e de se dedicarem à terra. Os homens estão estritamente proibidos de ver, tocar ou cheirar o sangue menstrual e nalgumas aldeias nem falam com mulheres menstruadas – acreditam que estes contactos fazem perigar a sua virilidade. Assim, as mulheres menstruadas juntam-se aqui, onde são tratadas e alimentadas pelas idosas pós-menopáusicas da comunidade, numa semana de merecido repouso.

Quando visitei a aldeia onde fica esta casa, cruzei-me com uma activista canadiana dos direitos da mulher. Horrorizada pela discriminação que tais casas representavam; pela demonização da mulher como fonte de mal; pela exclusão social espoletada por algo tão natural (visceral?) na mulher, dizia a quem passava por perto “C’est pas bien cette maison, hein? C’est pas bien pour les femmes!”… Os que por ali passavam olhavam-na com ar de quem está habituado a diatribes semelhantes e aquiesciam com a cabeça, naquele gesto de bondade que se tem para os loucos inocentes e seguiam o seu caminho num murmúrio quiçá equivalente ao nosso “pois, está bem…” Eu, talvez mais básica, pensei para comigo que bem que me teria sabido em certos meses ter sido excluída assim, para uma casa onde houvesse quem durante uma semana me tratasse a mim e aos meus filhos pequenos.

Caímos as duas, a Canadiana e eu, na mesma falácia – ela, a Canadiana, por ignorar as mercês deste tipo pontual de exclusão expressando juízos de valor de uma igualdade de cariz cultural; eu, por valorizar as mercês deste tipo pontual de exclusão ignorando os limites impostos pelo simples facto de se ser mulher. Não consegui ainda sair da ambivalência para que este tipo de discurso me remete – reconheço-lhe os matizes de imposição de uma certa arrogância cultural, mas incomoda-me o inaceitável que o cultural procura legitimar:

  • uma em cada três mulheres é espancada ou forçada a ter relações sexuais, geralmente por alguém que lhe é próximo
  • a violência é uma das principais causas de morte ou de deficiência nas mulheres entre os 15 e os 44 anos; a violação e a violência doméstica causam mais mortes neste grupo etário do que cancro, desastres, guerra e malária
  • calcula-se que 100 a 140 milhões de mulheres e meninas sofrem actualmente as consequências da mutilação genital feminina e 2 milhões de meninas correm anualmente o risco de sofrerem este tipo de mutilação (6.000 por dia)
  • este tipo de mutilação realiza-se geralmente entre a infância e os 15 anos de idade
  • em África o número de raparigas mutiladas a partir dos 10 anos de idade situa-se nos 92 milhões
  • as maioria das mulheres ainda enfrenta discriminação perante a Lei
  • todos os anos são traficadas para os Estados Unidos cerca de 50.000 mulheres e meninas para diversas formas de trabalho e exploração sexual
  • anualmente traficam-se a nível mundial 4 milhões de mulheres e meninas para os mesmos fins
  • uma em cada cinco mulheres vai ser vitima de violação ou de tentativa de violação ao longo da sua vida
  • nos Estados Unidos em cada 90 segundos é violada uma mulher
  • cerca de 70% das mulheres vitimas de assassínios foram mortas pelo seu marido/namorado/companheiro
  • 82 milhões de meninas actualmente com idades entre os 10 e os 17 anos vão ser forçadas a casarem antes dos 18 anos de idade
  • anualmente entram cerca de 1 milhão de crianças, principalmente meninas, na indústria do sexo
  • nalguns países africanos 16% dos doentes tratados em hospitais por doenças sexualmente transmitidas têm menos que cinco anos de idade

Por isto, por ter nascido e crescido num ambiente relativamente igualitário, por ter filhas e uma neta, por raramente me ter sentido discriminada por ser mulher, pelas mulheres discriminadas que conheço e porque a irritação causada pelo discurso da advocacia não nos deve cegar, aqui deixo este post.

AL


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Fotografia de Miguel Barros

Estreei-me no Ma-schamba em Novembro de 2009 com uma fotografia do meu amigo Miguel Barros, Africanista recente mas já viciado e com um texto que hoje deixo novamente aqui. Despertou-me a memória vívida de um fim de tarde mágico em Benguerua, sentada na areia ainda morna da praia à espera do dhow que nos vinha buscar. Eram assim as cores do nosso céu de então; o ar doce e manso, o mar adormecido em efeitos de seda. Deitados na proa do dhow, cruzámos a baía embalados pelo arrufo da água no casco, só quebrado pela conversa do vento com as velas. O matiz de cores foi-se esbatendo para dar lugar à luz ocre da lua que nascia. Lá à frente, a Ponta de S Sebastião, ao nosso lado deslizou Magaruque; cresciam os coqueiros que bordam Vilankulos. Tempo e espaço cristalizados num momento perfeito que nada se atrevia a perturbar. Já perto da vila começaram os tan-tans dos pescadores, a pastorearem o peixe para o redil dos baixios, onde a maré vazia os deixaria encurralados e presa fácil. Da margem, o ocasional ulular de uma mulher. Acostámos em frente à casa, numa magia de verbo sufocado e palavras supérfluas.

Cheia de saudades e repleta de nostalgia aqui deixo esta carta de amor, ridícula como se querem as cartas de amor. A mim, à minha vida, à vida minha.

AL


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Na outra encarnação do Ma-schamba fiz um post-socorro em que pedia aos leitores se haveria alguém que me elucidasse sobre a origem de uma palavra portuguesa encontrada durante uma das minhas viagens. Nesse post-socorro falava tambem de um jogo muito popular em todo o mundo. Tive imensas respostas sobre o jogo e sobre os diferentes nomes a ele atribuídos, mas a minha pergunta ficou sem resposta. Por isso aqui fica a re-edição.

Andei aqui há uns anos pelo Mali, país absolutamente mágico e de gentes afáveis e hospitaleiras. Viajei pelas suas diferentes regiões e, claro, pelo País Dogon, que parece quase um museu vivo etnográfico. Apetece-se ficar por lá, escondido do tempo. Todas as aldeias que visitei apresentavam, num local mais ou menos central, uma estrutura construída por grandes lajes sobrepostas que a elevam do chão e com uma cobertura espessa de ramos e palha assente em pilares de pedras empilhadas. Estas estruturas são o ponto fulcral das aldeias. É lá que geralmente se encontra o chefe da aldeia; é lá que os homens se reúnem para conversar, jogar, debater questões relevantes para a comunidade e aconselhar-se com os mais idosos ou com o chefe da aldeia. Há-as simples e há as pesadamente ornamentados. As mulheres têm as suas casas próprias de que falarei num outro post aqui na maschamba.

Toguna muito simples

Toguna ricamente ornamentada

É um local muito aprazível. O chão de laje, amaciado por anos de uso, é fresco e convidativo. Geralmente, uma das lajes tem as cavidades necessárias para se jogar o que na Ásia se chama mancala, tchuva em Moçambique e oril em Cabo Verde. Trata-se de um jogo que já vi jogar (e joguei) em diversas partes do mundo; umas vezes com tábua própria, outras vezes com simples covinhas feitas no chão, que vão sendo enchidas e esvaziadas de pedrinhas, conchas, sementes… As regras variam de sítio para sítio, mas o objectivo geralmente é “comer” as peças do adversário.

mancala, tschuva ou oril

A cobertura da estrutura é geralmente muito espessa e protege do sol e do calor; a ausência de paredes permite uma ventilação desimpedida; o pé direito destas estruturas é pouco mais de 1 metro. Pensei que fazia sentido, pois o tecto baixo impedia a incidência dos raios solares, proporcionando uma sombra maior. Até que um dos velhos numa aldeia me explicou educadamente que não teria sido isso que se tinha em mente. Disse-me ele não ser este um espaço para pressas, para um entra e sai desarvorado. Ter que entrar agachado e permanecer sentado lembra a quem chega que ali se fala, mas também se ouve. E com tempo! Mais ainda, sendo a estrutura um espaço de debate para questões importantes da aldeia e sendo a natureza humana aquilo que é, espera-se que durante esses debates os ânimos se exaltem. E, pessoas exaltadas tendem a levantar-se e a gesticular. Sempre que tal acontece o exaltado bate invariavelmente com a cabeça no tecto, acalmando assim de imediato os ânimos. Nada de dizer bojardas e sair porta fora, não senhor!

Agora vem a parte que mais me espantou. O nome destas estruturas é toguna ou casa-palavra. Assim, tal e qual, no mais puro português. Nome que nem sequer sofria de qualquer abastardamento da pronúncia francesa, língua oficial do Mali. Nada de cásá-pálavrá, mas sim cása-palávra com a fonética portuguesa toda no sítio devido. Intriguei-me, perguntei de onde viria tal nome e ninguém me soube dizer. Nem no Museu Nacional em Bamako consegui encontrar explicação. Já “googlei” o nome e nada! Será que algum dos leitores do maschamba me consegue esclarecer?

* texto postado originalmente em 9 de Novembro de 2009

AL


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[Hotel Polana, pelo MVF (o hotel actual está ligeiramente diferente)]

O amigo (e co-bloguista) MVF (sim, o autor da fotografia acima) está de visita e trouxe presentes (um símbolo pátrio, a boa e bela da CRF e o Geronimo Stilton), uma gentileza d’amigo. E também o saco dos jornais portugueses, esses que nós resmungamos que não prestam mas são um bocado da “pecadora terrinha”, o gasto rincão. Neles se sublinha o artigo no Público de Vasco Pulido Valente. Com o qual às vezes dá para concordar outras vezes nem para ler. Peculiar concordância desta vez. O texto (de sábado e como tal velho no blogo-calendário) teve várias republicações mas deixo aqui um excerto “Custa a compreender como qualquer pessoa com QI acima de 50 pode votar ou apoiar o Bloco de Esquerda. O Bloco foi um produto da televisão. Tinha quatro ou cinco caras bem falantes e não tinha mais nada. Era suposto ser uma aliança do radicalismo que ficava para além (ou para aquém?) do PC ou, por outras palavras, de trotskistas e de leninistas. (…) Aquelas criaturas que por ali andavam traziam por toda a bagagem ideológica e programática a sua raiva ao PC, que não os queria, e ao PS, que não precisava deles.”

Nisto, na imprensa e nos blogs, leio que o dito partido avançou uma moção de censura que, objectivamente, serve os interesses do governo. Sorrio, é óbvio que esta pústula está em remissão, o quisto sebáceo bloquista fenece (para tristeza dos funcionários públicos, repartição “academia”, que ainda não apresentaram a sua “causa pública” necessária ao CV. O pensamento, esse nunca veio nos termos de referência profissionais, dir-se-ia …). Isto chega-me enquanto me referem o interesse em ler o monográfico “A Governanta” de Joaquim Vieira, sobre a sopeira de Salazar. Resmungo eu que para monografias mais me apeteceria ler aquela que venha a traçar as ligações laborais (financeiras, corporativas) entre a elite bloquista e a socialista, as teias universitárias e não só, as redes de financiamentos, promoções e nomeações, que tanto as imbrinca. De como esse mundo inter-ligado, monografável, nos poderá vir a fazer compreender o jogo de danças discursivas, entre Coimbra e alguma Lisboa, entre-parlamento, governos e opinião mediática. Que a podridão não radica, só, na banca.

No mesmo fim-de-semana em que uma leitora de um velho texto decide invectivar-me de racista por não gostar do trambolho do fontanário piscícola no Polana vou mostrar o dito hotel (ainda um ex-libris da cidade) a patrícios que o desconheciam (e que se espantam diante da referida fonte e também do pórtico ["parece um restaurante chinês", diz um deles, decerto também racista]). Mal entramos cruzamos um patrício e eles, aterrados de Lisboa, reconhecem o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações António Mendonça (eu já nem conheço os ministros … surpreendo-me). Terá vindo dizer que Maputo será a praia de Joanesburgo?, aflijo-me. Pois a mediocridade desta gente é crescente, é assustador pensar o que andarão por aqui a fazer – ainda que suspeite que preparando a transição (profissional) para a oposição.

Talvez por isso, pelo miserável trajecto nacional, reajo, mal, ao que o jpn escreve no facebook, uma auto-elisão do seu socratismo (matizado que seja). Erro meu, pois assim violando a brisa modorrenta da “likeland” facebookiana, onde o des-gosto é des-agradável. Não continuarei a fazê-lo, e aqui faço a minha auto-crítica. Mas não só devido ao desajuste do contexto argumentativo (fb). Acima de tudo porque não é possível (não é digno, entenda-se) continuar a dialogar com quem defende e defendeu Sócrates, o governante do euro-2004 proposto em finais de XX (e também isso muito politicamente monografável) e disso construíu o poder com os resultados que sabemos. Reduzir a recusa da cumplicidade, passada e actual, com esta escória ao meu mau-feitio e à minha desonestidade (intelectual? económica?) é para além do aceitável.  Sei que a muito breve prazo muitos poucos terão sido “cavaquistas”. E que muitos desses terão empregos (ou comissões; ou consultorias) nos trópicos dos caranguejos. Mas não me fodam, sentem-se noutra mesa.

jpt


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Ripas de diário

Há uns (largos) anos passámos uns dias na Ilha e encontrámos um puto porreiro imerso no voluntariado o qual, ao fim de um ano por ali, já estava um bocado cacimbado e totalmente falido. Cá em casa lembramo-nos que com ele partilhámos algumas boas refeições, o cozinheiro da casa era óptimo e ficaram no nosso pedestal doméstico uns filetes de peixe-papagaio absolutamente inolvidáveis.Agora ele tem a idade que eu tinha na altura e também bloga, lá em Lisboa. Com simpatia escreveu sobre esta machamba, afirmando-me “mocambicanizado”. Não pude deixar de sorrir. Ainda que discordando, quanto mais passa o tempo de migrante mais me sinto português. E não por reacção contra nada, bem pelo contrário. Apenas porque me é normal (o senso comum diz “natural”, mas isso é coisa fisiológica).

E para demonstrar a diferença que quero realçar narro de seguida um episódio das memórias de Moçambique que ainda esta semana lembrei durante um lauto jantar em que estavam presentes alguns dos protagonistas. Ei-lo:

Lá pelos anos de 1998/9 veio a Maputo uma famosa jornalista portuguesa. O seu objectivo era escrever sobre o “regresso dos portugueses”, então propagandeado em Portugal e vituperado por cá. E, claro, exagerado em ambos os sítios. O objectivo foi cumprido, o artigo foi feito, resultando numa série de pequenos perfis sobre portugueses de apelidos relativamente sonantes então residentes em Maputo. Enfim, opções…

Durante a sua visita fui convidado para um jantar com a jornalista e algumas individualidades moçambicanas, jornalistas, médicos, romancistas, professores, líderes de movimentos sociais. O fito era que ouvisse ela desses “representantes” da sociedade moçambicana o que achava esta de tal regresso.

Correu mal o encontro. Esperava o anfitrião que o diálogo fosse aprazível e as conclusões positivas. Mas a presença de tão famosa jornalista, ainda para mais de tão importante jornal, foi uma espécie de Caixa de Pandora aberta. Sobre os portugueses se um dos convidados dizia “matem-nos” o outro logo gritava “esfolem-nos” e de imediato alguém urrava “queimem-nos”. Foi uma catarse e também uma provocação – tantos anos depois todos concordamos com isso. Pois aquele momento foi também entendido como uma oportunidade para reafirmar uma série de coisas a Portugal. Reafirmação porventura desnecessária, achei eu durante o jantar, ainda que algo distraído ali debaixo da mesa a cavar o buraco onde me tentava esconder.

Até que a senhora, famosa, culta, respeitadíssima, se afligiu com tanta opinião negativa. E perguntou, estupefacta, aflita, enfática: “mas não gostam de nós…?”, “depois de tudo o que fizemos por vocês!”.Não me lembro de mais nada, com esta mergulhei para o buraco e tapei-o!

Fim. E que raio tem a historieta a ver com o princípio da arenga? Qual o moral da história? Pois aqui quero dizer(-te) que não se trata de estar moçambicanizado. É apenas o tentar não pensar e dizer estas barbaridades. (Talvez outras, talvez outras). Que são tão generalizadas. E que se neste caso até se escondiam atrás da educação irrepreensível e do brilho, tal não acontece no outro amiude.

PS. Claro que o tal “regresso dos portugueses” não espelhava em nada tanta opinião negativa. O (pós)império reconstruía-se, paulatinamente.


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Madrugámos hoje para não perder tempo. Ontem comprei roupas brancas, a minha mulher já as tinha, acho-as mais apropriadas para isto. O meu sobrinho é que não veio, a mãe dele não deixou, e como não tem papas na língua disse-me logo que não quando fui lá pedir-lhe para que o rapaz nos acompanhasse, que era só o que faltava, que eu nem tinha o direito de lhe pedir isso.

Assim viemos os dois, chegámos à Baixa de manhãzinha, e começámos logo que não há tempo a perder, fomos primeiro às ongs nacionais que por aqui há, e depois subimos à Sé para falar com o senhor prior, havemos de descer a avenida para chegar à mesquita velha antes do meio-dia, e ainda temos as empresas, que são quase porta sim, porta sim. No caminho falamos com os transeuntes, e a todos dizemos ao que vimos, que lamentamos muito, que estamos arrependidos, que nem tínhamos pensado bem no assunto, enfim, que pedimos muita desculpa por os termos escravizado, e pedimos ainda mais desculpa pelo colonialismo, que até foi pior nem que seja por mais recente.

Sou mais eu que falo, a minha mulher tem estado calada, ela nem queria vir, penso que já se quer ir embora, também eu insisti muito e ela só veio para me acompanhar, acha que eu não ando bem, sente-me um bocado deprimido, ainda não percebeu se são os quarenta anos a chegar, ou o meu emprego que não corre bem, se estou cansado de estar por aqui, se calhar até acha que arranjei uma outra, mais novinha, mas está enganada, apenas ando é a matutar nestas coisas do mundo, que é bem complicado, e antes estava distraído.

É uma pena, as pessoas não estão muito avisadas, nos escritórios não nos recebem, tenho que marcar reuniões para depois, insisto e digo ao que venho e torna-se mais difícil, mas não desisto, peço desculpas às secretárias, aos contínuos, aos guardas, e depois eles até são simpáticos e trazem-nos à rua, amáveis, e chamam as pessoas que passam para nos ouvirem, mas cá fora também nem todos nos aceitam, os homens fogem dos abraços, as mulheres protestam comigo, dizem-me atrevido, os miúdos vão gozando connosco, mas é normal, são ainda inconscientes, até já está uma boa mão cheia atrás de nós, mas não percebo o que dizem, falam em ronga e changana, e eu peço muita desculpa mas ainda não aprendi as línguas daqui, é uma falta de respeito, prometo que começo amanhã, ainda hoje à tarde se não estiver muito cansado.

Encontro o Salimo, um libanês meu conhecido, mas diz-me que não acha piada nenhuma, que estou a gozar com ele, e lá continua, mal humorado, um homem de negócios, e o Akbar, um paquistanês amigo, também recusa as minhas desculpas, e diz-me para ter juízo, o Ferreira veio ter comigo, saíu do Banco quando lhe disseram que eu estava cá em baixo, e também o Bacelar que ainda aí está, ia a passar de carro, ambos a perguntarem se havia algum problema, mas não os percebo, não querem vir connosco pedir desculpas, eles que até são uns tipos óptimos, não estão sensibilizados para o assunto, deve ser isso.

A polícia pediu-me a identificação, foi uma chatice, esqueci-me dos papéis em casa, mas lá perdoaram quando lhes pedi desculpa, duplas desculpas, apesar de a princípio julgarem que estava a brincar. Foi um erro não trazer documentos mas vim sem a carteira, só depois é que poderei vir entregar dinheiro para me ressarcir da nossa brutalidade, e parte hei-de dar às ongs que são a sociedade civil, outra parte às igrejas nacionais, e aqui não ligo às diferentes crenças, todos partilham um Deus comum, não é?, só não vou dar à Igreja Universal do Reino de Deus, parece que são muito aldrabões, e a outra parte hei-de dar aos pedintes, mais aos velhos e aos aleijados, coitados. Às pessoas com quem vou falando é que não poderei vir a dar, bem que lhes peço as moradas para ir depois lhes entregar pessoalmente o dinheiro, mas não mas dizem, desconfiam de mim. Eu explico que não o posso dar de imediato, não estou muito abonado agora, mas estou à espera de uma consultoria para a U.E. e prometo que depois irei distribuir os marcos que receber, ou os dolares, não interessa. Mas nem assim...

Parece-me que ao princípio acharam estranho, mas agora já não, continuo a pedir as desculpas, há ainda tanta gente a que não pude falar, aliás cada vez há mais gente que me quer perdoar, vejam lá a quantidade de pessoas aqui em redor, e sei que estão a gostar da nossa atitude, vejo-o nos sorrisos, ouço-o nos risos, é uma pena a minha mulher ter-se ido embora, bem insisti para que ficasse mas preferiu voltar para casa com a Isabel que apareceu por aqui com a Cristina, compreendo pois estava muito comovida, até chorava, ela é muito sensível.

Eu agora vou até ali à Praça da Independência, aliás lá na Fortaleza tenho que pedir redobradas desculpas, e também hei-de ir até à estação, e peço desculpas pelos mortos da I Guerra, fico contente por outros se me estarem a juntar, chegaram os Fernandos, bons amigos, mas afinal só querem assistir, mas sempre é solidariedade, penso que as pessoas em redor também o vão sentir.

A rapaziada amiga que está por aqui acha que já pedi desculpas de mais, que já chega, convidam-me para almoçar, ou talvez uma cervejinha, mas hoje não é dia disso, ainda há tanta gente para abraçar, fico contente com esta delegação, vieram do Núcleo de Arte, ah, os amigos pintores, ainda bem que vieram, peço-vos desculpa, estão vocês a ver?, tão bem aceites foram, Mestre dê aí mais um abraço, lamento muito...Ir até ao núcleo ver as novas obras?...é pá, obrigado pelo convite, é uma honra, e é sempre um prazer, irei amanhã com todo o prazer, mas desculpem hoje prefiro ficar por aqui, na baixa, olha as meninas da feira, vou pedir desculpa, estas continuam a ser escravizadas, colonizadas, não Jaime, não estou perturbado, não me aconteceu nada, então que cara é essa meus amigos, só estou a fazer o que o meu governo fez, mandou fazer, o nosso governo somos nós, não somos?, é apenas preciso ter coração grande... Ó Ana, que é isso, não aconteceu nada aqui ao Texeira, dá cá um abraço de desculpas, mais um beijo, lamento muito, diz-me um poema.

Vejam, como a cidade é pequena, afinal todos nos encontramos, até cá está o motorista da minha mulher, o Lopes, ó Lopes vem cá, tu és um velho colono, vem também pedir desculpa, que dizes? Vieste buscar-me...? ...chamam-me? quem?, problemas que só eu posso resolver ...? nada, quem sou eu ... não resolvo nada... a sério, ó pá! ó Bacelar não me empurres, ó Fernando não me agarrem, Jaime, está quieto, ó Lopes não me leves... não há problema nenhum, só quero pedir desculpa, é pá! larguem-me, vejam o pessoal a aplaudir, eles estão comigo, não me tirem daqui, não têm direito, eu estou bem, porra vocês estão a magoar-me, só quero dizer que lamento, pedir desculpa, desculpa. Vejam, eu tenho razão, todos a acenarem, a rirem, estão-me a compreender. Ò pá, que raio de amigos fui arranjar, deixem-me...

********************

Ok, ok, estou mais calmo, vamos lá ao Rodízio, comer bem também alivia, mas é para atacar valentemente no carrinho das aguardentes, não é?? Pagas tu Fernando?, porreiro, que não trouxe a carteira, estou à espera de umas consultorias, já vos contei?? sim!? desculpem lá, repito-me, é da impaciência.

Aperitivo? um gin duplo, mas abra já um Esporão reserva para respirar, tinto claro... O qué? ... o mercado mundial? ó pá, sobre isso não é para pedir desculpas, eu cá sigo o meu Governo, o meu Estado, muito respeitinho, era o que faltava. Desculpas por isso, é pá, essas ficam para daqui a umas décadas.

Qué?...afinal não estou assim tão maluco? Mas é claro que não...também vocês, têm cada ideia!

Sim, sim, Massinga, queremos rodízio para todos, e bom apetite.

[Setembro 2001, a propósito da Conferência Internacional sobre o Racismo, Du
rban]

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É o que acontece ao viver em país iluminado não só por estas tropicais cores mas ainda por poderosos espíritos, segundo os bardos locais, ou por relapsos deuses, a acreditar no real. Pois só em tais paragens um eclipse solar determinaria dia feriado para colectiva homenagem aos astros intercalados.

Nessa véspera abandono-me na esplanada dos escritores onde me surpreendem louvores a lowrys e celines, que por aqui nunca tinha escutado. Loas logo partilhadas e que estendemos nas cervejas, que tais assuntos puxam a sede, a minha e a dos presentes literatos, desses que a voz burguesa vem resmungando de incoerentes. Pois também aqui, como por todo o lado, incoerência é vista como se falsidade fosse.

Entre bebidas havemos de evoluir, que as palavras são como as castanhas do cajú e a lógica um enigma, da celinada para as vantagens da circuncisão, apenas aparente paradoxo, que aqui se trata da banta e não tanto da judaica! É-me deliciosa a veemência com que alguns de imediato afrontam e vituperam esse prepúcio que deixaram na tenra infância. Mas logo, sábio, o mais velho desvaloriza a questão, uma bela lição sobre diferenças culturais que sigo e aplaudo, aliviado na minha dupla condição de antropólogo não circuncisado.

Assunto rematado e continuando tão díspar conversar posso enfim decifrar os meus desaires profissionais. Confessa um poeta vagabundo ter encomendado trabalho feiticeiro contra mim, apenas por despeito, di-lo agora, alguma irritabilidade minha o terá ferido. E assim impiedoso ceifou as minhas ambições, tão fracas que cederam às imprecações. De média mac mahon em média mac mahon sabê-lo-ei arrependido de tal acção, o que creio sincero pois a conta não está a meu cargo. Hoje, aliás ultimamente, vai dizendo que sou um preto branco, “este texeira”, diz já ébrio, “enganou-nos, branco preto”. O mesmo mais velho, o da mesa e das letras locais, repete a sua legítima autoridade resmungando o desinteresse destes argumentos coloridos. Vozes afirmam-no, repito-me, incoerente. Pois não é por essas que o deixarei de saudar, enrolando-nos cervejas quando fazemos calhar.

Já noite parto, algo atrasado e um pouco turvo, para um repasto português, eis uma bela patrícia que por cá se faz balzaquiana, ocasião festiva para juntar o pequeno Portugal local. Um mundo burguês que aqui vive fechado, cercado e cerceado, gente num país que nem se lhes abre nem tão pouco fazem abrir. Casais deslocados e uns poucos solitários sempre suspeitos, convívios cruzados tecendo amizades frágeis ao canibalismo crítico, esse tão próprio à clausura. Pois se é certo que de traços diferentes se faz o mundo, bem difícil se torna reencontrá-los entre nós, aqui feitos tão iguais por toda esta distância de casa. E tanto assim o é que logo em mútuos maldizeres nos cruzamos, acreditando que venha a ser todo esse fel o cimento das nossas bem necessárias e retemperadoras hierarquias, tão confundidas foram estas à passagem do Equador.

Lá chego “a mais a minha senhora”, e logo justifico a mesa bem de canto que me é destinada dando boçais pares de beijos, castos e cândidos é certo, nas faces das senhoras presentes, aquelas que se querem, e dizem, habituadas a um único e esquivo roçar. Pois por cá, como na mãe pátria, não é fino quem o diz mas sim quem é parco em beijoquices, e não estou para aqui a falar em quenturas noctívagas. E lá ficamos com os nossos à mesa, também nós ancorados nesta nossa pequena diferença. Gauchisme…incoerente?

Rezam as crónicas que a branca burguesia colonial bebia, fazemos nós os possíveis por honrar os antepassados, e nisso sim refazendo um lusófono Império. Em esplanada bem menos celiniana que a anterior, mas nem por isso menos lowriana, arrasta-se dignamente o aniversário até à madrugada. Deixam-me aí exercer a verve, corrosão liberta pelos líquidos que a cruzam, até se me toldar a língua, equivalente pouco canoro da dor de voz, eclipse sonoro pouco notado pelos presentes, uma indiferença que não deixa de me ferir.

Avançamos então até à Bagamoyo, a Rua Araújo como teimam cúmplices os boémios de todas as gerações, eu acompanhando um casal desavindo, acicatados nas garrafas havidas. Acotovelamo-nos na antecâmara de dançaria, mas logo cedemos ao ímpeto de um cabeça rapada na sua urgência do ruído frenético. Meio cavalheiro, meio maçado, mas nada prudente, oponho-lhe o braço embrulhando o protesto. Certo de que na noite todos os gatos são pardos esqueço-me minoria étnica, logo mo lembra um redondo “vai para o caralho, ó filho da puta”, lembrança que acompanha a de estar eu bem velho para violências nocturnas, se é que há idade para isso, sempre me pareceram apenas paixões frustradas.

Mas enquanto penso isso são os milhares de anos de mediterrâneo que brotam, essa cultura marialva do não virar a cara, e é ela que responde “vai tu!, tem calma e espera como os outros”. Não será o tom, é mais a minha cor que o ofende, este não é poeta vagabundo di-lo o comprido “ó branco filho da puta, eu mato-te já, já viram este branco de merda, filho da puta, eu mato este branco!”. Caramba, não tenho mesmo idade e paciência para isto, “ó pá, se tens uma arma dispara, senão vai à merda e cala-te” a ver se o homem se cala, mas ele quer mesmo é matar-me à pancada. É tudo uma breve bruma na noite, logo interrompida por um dos apinhados, as mãos nos meus ombros, com um “senhor adido”, confunde-me ele de algures, “vamos lá para dentro que isto já está muito quente”, enquanto me leva ao balcão.

Súbito está o nosso grupo festivo reordenado, nos apertos procuramos mais um copo, são anos a mais de noites para nos irritarmos com estes episódios. Mas eis que regressa o rapado, continua a querer matar-me, sempre lhe vou dizendo que lá fora será melhor, mas ele vai e vem com o refluxo da maré dançante. Entreolhamo-nos, os que ainda se olham, sinto-me velho e só, é quando me falta a paciência que o noto mais, e retiramo-nos calmamente, o orgulho de uma saída airosa couraçado com o chavão “estes gajos não valem nada”.

É já dia no Índico, eclipsada a véspera do eclipse, sozinho ao volante vou matutando. O dólar cada vez mais radioso, uma gente cada vez mais sem nada, paradoxo linguístico expressando o assombro da vida deste povo. Serei eu um dia o procurado pelos esfomeados, fartos de o serem? Ou será esse jovem cabeça rapada, celular e bmw, óculo escuro na noite, escondido do mundo daqui que trata como patrão no seu apartheid caseiro, e odiando o mundo de lá, que raro lhe chega ao Maputo, ambos tão maiores do que ele?

E lembro num cocktail, aquele procurador, óbvio rural no modo como comprova o in vino veritas, feliz pois que em casa dele “os criados tratam-me por patrão, o meu pai era criado dos colonos e era assim que os tratava, eu exijo o mesmo”.

Apago o cigarro, vou dormir para a Engels, apropriado nome para a zona da burguesia maputense. Mas à porta de casa ainda invectivo o guarda, que com alguém tenho que descarregar tudo isto, pois estou farto desta porcaria espalhada no jardim, é trabalho dele impedir que esses vagabundos da encosta venham revolver e escolher o nosso lixo.

Subo, enfim! Decerto fica ele a pensar que estes brancos, tão liberais, nem o lixo deles partilham.

Incoerentes?

Maputo, Setembro 2001


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As Cores na Véspera do Eclipse

Vai resmungando a colega, verve imparável, inapelável, a transformar a curta boleia em bíblico lamento sobre o seu país, maldizendo-lhe passado recente e destino, parece-lhe que eterno. O mundo tal e qual vai sendo arrasta-lhe o ânimo, e assim procura anoitecer-me este sol de meio-dia que ali me inunda, reflectido na baía.

Falhou-lhe o futuro, afinal, a ela e a tantos outros. Conheço-lhes a maldição, também mo aconteceu mas, modesto, disso as causas são só minhas pois curtos eram os sonhos, que arquitecto de futuros ou engenheiro de presentes nunca me imaginei.

E enquanto vai ela remoendo, justificando-se até, olho o mar recortado em acácias, por ora vermelhas, belas ainda que também depósitos do lixo sempre esquecido. E salvo-me da solidariedade exigida num mero, e até cansado, “sou estrangeiro, só cá estou porque quero”, e como me riposta apelando ainda assim a um olhar crítico sublinho-me num “ouça, sou estrangeiro, eu olho a árvore, você olha para o lixo” que se quer, e torna, definitivo.

E cada um foi ao seu almoço.


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Em cada Natal há mais natal em Maputo. Pois, em cada Natal, o tal da “paz”, “felicidade”, “amor entre os homens”, “todos os dias que um homem quiser”, “criancinhas”, “etc. e tal”, há mais gente na rua apinhada nas ruas, um trânsito voraz nas avenidas mas também nas ruas e ruelas, que os buracos destas são agora esquecidos na pressa das compras – ai, quando maputo tinha poucos carros!, que sossego -, gente até chorando os preços mas a encher o fajardo, o bazar central, que esses vi eu e os outros só acredito, o alto maé encrespado de compradores de última hora, bem como lá na baixa, e por todas essas bancas de rua, sempre o olho no cliente o olho no polícia, e lá no fundo da luthuli o fantástico ayob comercial, filas ao sol esperando vez para entrar, comprarmos as tralhas chinesas, maravilha de marketing essa baixa de preços em época de ponta, e até os prédios shoppings agora com visitantes feitos compradores, uma festa, uma festa, mesmo as iluminações de natal vão surgindo, isto está moderno, cidade fazendo-se grande.

É verdade, instalou-se o horror do consumismo, desvirtuando o que deveria ser, o que foi, o espírito natalício. E ainda mais incompreensível neste país, onde a maioria da população tem tantas dificuldades, passa por tantas privações. Um paradoxo inconsciente, amoral até.

É, é isto que se vai ouvindo, ainda há alguma consciência, e mais ainda nos intervalos das compras, entre aqueles, de cá ou não, que não passam privações, os de há muito habituados a consumir, antes do natal, no natal, depois do natal, esses que fazem do natal o tal “todos os dias que um homem quiser”. Resmungando, desgostosos, com esse povo da cidade, coitado é certo por tal o ser, e que assim se distrai, a querer-se tão burguês, gerando maus hábitos nestas cópias, hábitos talvez não para eles, talvez não sustentáveis.

Mas que fazer, esta terrível globalização a padronizar modos, a natalizar-nos, não é assim?


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Natal em Maputo

Numa das minhas últimas visitas a Maputo estive, e por várias vezes, na universidade. Ainda que distraído dei-me conta de uma nova moda no tapar da cabeça, alunos de cofió ou similares, as alunas alongando mesmo os rendilhados, alguns quasi-naperons.

Um modismo, que desvalorizava as anteriores boinas de operário, aquelas de pala à frente, sempre a fazerem lembrar o cinema francês, e que até então proletarizavam a aparência da futura intelectualidade do país, por deveres de elegância, que decerto já não era a ideologia a trazê-las até ali. Teológico, indaguei se não seria isto um signo da expansão do islamismo, cada vez mais visível, ainda que as estatísticas o não confirmem?

Lesto, um jovem assistente, desses que ainda mantêm vínculos de geração, interesse e humildade com os estudantes, logo me desenganou. Nada de religião, isto é mesmo moda, embrulhando a conclusão num sorriso: “foi o 11 de Setembro!”.


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Cofiós

Mambas 0 – Guiné-Conacry 4

O público entristecido, o Monsto Sagrado todo Só, ali sem sucessores. Súbito, do povo em lágrimas salta um jovem, voa de heroísmo, corre para as redes guineenses, arranca lesto aquela agulha que o keeper francófono ali escondera, maligna guardiã da baliza almejada (e assim pouco alvejada), no tecer de invioláveis barreiras.

Júbilo, Machava, júbilo! O feitiço desvendado, traiçoeiro apoio (falso como essas mais nórdicas e químicas drogas?), ilegalidade mágica, maldades de lá, prejuízo e dor de cá… E haviam de vê-lo, ao povo então em coro, mais gritando do que se sucessivos golos fossem. No frémito da ira, da justiça, da liberdade ao mérito. Porque ali desnudada a perfídia estrangeira, secretas malfeitorias.

Ai, estas coisas africanas, ditas ignorâncias obscuras, crendices de antanho que não conseguimos ultrapassar. Atavismos populares, laivos de criancice que teimam em não crescer.

Depois:

Mambas 3 – Guiné Conacry 4

Áfinal??


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Futebol

Lá a norte…Lá a norte as mangueiras estão já ajoujadas. Mas tarda a chuva, e disso estão temerosos os donos. Por isso apenas nós, os vindouros, as aliviamos dessas mangas de doença.


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