
01 Junho 2011
"Para elevar os corações"

29 Março 2011
17 Fevereiro 2011
01 Fevereiro 2011
O terceiro post de hoje...


ESPELHO
E depois de passada a porta
eis que ao seu encontro vieram
os verbos, o sol, os ventos, o calor
e alguns fantasmas misturados
na imagem e na memória que eles
de si mesmos conservavam
Na cabeça do espírito sobre a matéria
com que são feitas as realidades.
Sinais de longos anos imersos
na terra e nos seus céus já calmos
Um pescoço que se ergue lentamente
e roda e olha com seus olhos lá em cima
e volta para baixo e diz com sua boca
- comer, dormir, acercar-nos da hora
em que todos os minutos que passaram
se banham duas vezes na mesma água dum rio
que mudou de lugar
E tudo se detém
e só nos resta ouvir
os ecos do que dissemos antes dessa hora
em que já tudo foi
e será sempre
estranho e distante
in Os olhares perdidos
27 Janeiro 2011
Ainda na continuação da recuperação da gripe...

26 Janeiro 2011
Hoje, enquanto recupero de uma gripe...

21 Janeiro 2011
Penso que fica clara a razão pela qual tantas vezes aqui dou voz a...

«Disse com justeza e inteligência não sei que Papa recente (creio que foi o grande Albino Luciani, homem de bem e santo homem) ou um outro príncipe da Igreja (não tenho a certeza de qual deles foi, realmente) que a ICAR, por mau entendimento de que se penitenciava, se afastara excessivamente dos artistas contemporâneos, o que levava igualmente a um distanciamento da parte deles.
Creio que é verdade. E não me congratulo com isso. Antes pelo contrário.
Usando frequentemente de intolerância, com sobranceria simoníaca, não percebendo manifestamente que, no artista (ser humano que tem, por sua peculiaridade, de lutar contra os demónios da criação), a iconoclastia e a aparente negação da Fé pode ser o mais alto sinal, nele, de Deus (que decerto não se enfurece pelas suas buscas e resultados alcançados, por vezes mediante um esforço terrível), os burocratas da hierarquia fuzilam com o olhar gente pacífica e cujas obras nada têm de satânico.
Mas a incapacidade de ver de certa gente, e a sua arrogância (que é sinal claro do demo que os manipula) tem dado o bonito resultado que hoje bem conhecemos.
Veja-se o que se passou durante tantos anos com Matisse, tido por ateu relapso e provocador quase até à velhice. E só por causa da inteligência, tolerância e entendimento são dum digno sacerdote, que soube vencer o negrume de alguns antístenes pouco cristãos, a extraordinária Capela de Vence pôde ser iluminada pelo genial pintor (sofria ele já nessa altura de dolorosas artroses, pelo que alguns trechos foram feitos em papel recortado).
É uma obra maravilhosa. Creio que Deus, como artista que é de certezinha, passa de vez em quando por lá, ao visitar este cantinho da galáxia. E um sorriso bom lhe deve perpassar no rosto sagrado.
Quando tinha os meus quarenta anos, tendo ido um dia a Póvoa e Meadas e entrando na igreja de lá, de moderna traça e de amorável feitura e seduzido pela religiosidade que ali se entrosava em nós duma maneira singular (sentia-se, ou senti, se assim o digo, o céu e a terra misturados, irmanados, como o senti também numa floresta do Canadá ou nas planícies ardentes do Calaári, ou até numa vulgar rua ou estância), um desejo se apoderou do meu pensamento: efectuar, ir efectuando pelos tempos - quando me sentisse mais religado - obras com que um dia iluminaria uma capela (dia que evidentemente nunca chegará, pois para a intolerância e a incompreensão (a soberba?) dos Católicos portugueses de topo eu não passo dum ateu (que nunca fui, alguns confrades sabem porquê) dum maldito porque não vou aos templos bater no peito em conjunto com sepulcros caiados.
De modo que, sem qualquer pretensiosismo nem acinte - antes com uma certa mágoa, que os de recto coração a meu ver entenderão -, vocês (se me permitem!) irão ser a minha capela.
Os vossos olhos serão as paredes dessa Capela que nunca os meus traços e as minhas formas poderão iluminar. Em vocês, caros confrades, coloco as minhas pobres obras mortais (estas dezasseis) - mas feitas com toda a comoção de uma pessoa que anda por este Mundo e sempre buscou que fossem de inteira e alegre fruição, pese às mágoas que a todos nos circundam.»









































