Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens

01 Junho 2011

"Para elevar os corações"

Nicolau Saião, Expo 98

Título missiva seguinte, que se fez acompanhar pela obra acima. Ambas de Nicolau Saião.

"Apesar de estarmos em período eleitoral, altura em que a alegria, segundo fontes geralmente bem informadas, se abate sobre os cidadãos, nomeadamente lusos, temos detectado um certo ar tristonho nos transeuntes com que nos cruzamos.
Fenómeno assaz curioso e um pouco intrigante, mas que não vamos agora tentar destrinçar.
De repente, no intervalo de um trabalhote literário urgente, lembrámo-nos de que faz agora 13 anos - feliz número! - que um acontecimento fenomenal empolgou a pátria em geral e alguns felizardos em particular - e não estamos com isto a tentar sarcasmos infundados ou, ainda que fundados, de mau gosto no presente momento...
Pois sabemos como o estrangeiro, sempre gratamente espantado ante os eventos portugueses, reagiu na altura: vendo em nós, e principalmente nos promotores do feliz sucesso, pelo menos malta à altura dos homens de quinhentos, que deram mundos ao mundo para usar esta desapiedada e veraz expressão.
E apesar de algumas coisitas que na ocasião sucederam (uns dinheiritos...e tal...que foram à viola...mas até nem foi muita fruta de acordo com observadores bem colocados destas coisas alegadamente materiais) a Iniciativa correu como ginjas - passe o plebeísmo - sendo até, digamos, o princípio de um progresso nacional que já antecipava, permitam-nos o simbolismo, a onda de bem-estar em que actualmente nos encontramos (e certas gentes labutadoras principalmente).
Sempre atento, conquanto malandreco como sabemos, o nosso proverbial Almeida e Souza organizou uma pequena, ainda que grande, mostra de Arte Postal que foi recebida com a satisfação que se calcula...
Esta, plasticamente piedosa e eivada de sumo positivo, foi a contribuição do signatário.
E mais não pomos na carta..."

17 Fevereiro 2011

France-Afrique...

... e Nicolau Saião:

O livro dos viajantes 1


O livro dos viajantes 2


O livro dos viajantes 3


O livro dos viajantes 4



O livro dos viajantes 5



O livro dos viajantes 6



O livro dos viajantes 7



O livro dos viajantes 8



Para a capa de France-Afrique de Jules Morot


01 Fevereiro 2011

O terceiro post de hoje...

... refere-se a sete monstrinhos lusitanos, conhecidos de Nicolau Saião. E são de força!

Monstrinhos lusitanos 1


Monstrinhos lusitanos 2


Monstrinhos lusitanos 3


Monstrinhos lusitanos 4


Monstrinhos lusitanos 5


Monstrinhos lusitanos 6


ESPELHO

E depois de passada a porta

eis que ao seu encontro vieram

os verbos, o sol, os ventos, o calor

e alguns fantasmas misturados

na imagem e na memória que eles

de si mesmos conservavam

Na cabeça do espírito sobre a matéria

com que são feitas as realidades.


Sinais de longos anos imersos

na terra e nos seus céus já calmos

Um pescoço que se ergue lentamente

e roda e olha com seus olhos lá em cima

e volta para baixo e diz com sua boca

- comer, dormir, acercar-nos da hora

em que todos os minutos que passaram

se banham duas vezes na mesma água dum rio

que mudou de lugar


E tudo se detém

e só nos resta ouvir

os ecos do que dissemos antes dessa hora

em que já tudo foi

e será sempre

estranho e distante

in Os olhares perdidos

Dedico este bloco a todos os que de forma lúcida e sã resistem contra o cinismo e a acção vil dos monstrinhos lusitanos - que são iguais aos doutros lugares e nações.

ns

27 Janeiro 2011

Ainda na continuação da recuperação da gripe...


... faço, agora, uma referência a uma colecção, Frente&Costas, iniciada, em Outubro do ano passado, com um pequeno volume de Manuel de Almeida e Sousa.
O livro inclui, de um lado poemas visuais, feitos da combinação entre fotografias e o resultado da acção autónoma de um velho MacIntosh, conhecedor, de há muitos anos, como qualquer animal doméstico, dos caminhos de quem o conduz. Do outro, um texto teatral desconstrutor do discurso resultante do conjunto formado pelas pulsões e pela lógica, libertando a voz para uma expressão mais próxima do que poderia designar-se como música primeira a que o corpo se molda, moldando-a. A ordem da leitura do conjunto é, naturalmente, arbitrária.
Na República das Santas Bicicletas (ver o Miradouro) poderá ser encontrada mais informação.
Na badana, encontrarão um texto que me foi pedido, referente à colecção, o qual transcrevo de seguida (porque, por hoje, não consigo melhor do que isto):

«O visível surge do invisível e existe neste e por este. O invisível, por seu turno, existe no visível, alimenta-se dele. Se tudo fosse visível, não poderíamos falar em visível; se tudo fosse invisível, nada haveria que fosse algo para si.
O visível é a forma de consciência do Todo, que, por isso, não é visível nem invisível. Assim, o visível procura encontrar-se no invisível; o invisível, esse é a própria vida do visível. O Universo anima-se pelo que está para além dele.
Uma escultura vive na consciência de quem, vendo-a, a constrói pelas partes visíveis do seu todo, que lhe é invisível. A escultura existe do visível no invisível da consciência. A escultura vive em nós, que, de uns para os outros e com os outros, nos tornamos visíveis, aos poucos, do invisível de que nos formamos.
A linguagem fala pelo silêncio e do silêncio que a permite. Aponta, une, relaciona, descreve, desdobra-se e aponta para si mesma no não-dito.
As costas sugerem a frente, exigem-na; a frente faz suspeitar das costas, procurá-las. No perfil está e não está tudo, vê-se e não se vê tudo.
Esta colecção faz-se perfil na sua orientação gráfica. No resto é Frente e Costas, Frente e Costas, Frente e Costas… Como todos nós.»


26 Janeiro 2011

Hoje, enquanto recupero de uma gripe...

... deixo aqui os restantes 17 vitrais (num total de 33 - quem tem olhos, veja, quem tem ouvidos, ouça) de Nicolau Saião, sem desta vez, porém, os ter ordenado à medida da narrativa bíblica e dos Evangelhos.


Jacob e o Anjo


Via Sacra


Tentações de Santo Antão


São Jorge e o dragão


São Cristóvão


Ressurreição de Lázaro


Pietá


O massacre dos inocentes


O Juízo Final


Jesus entre os doutores


Ecce Homo


E o Espírito do Senhor pairava sobre as águas


E haverá novos Céus e nova Terra


Babel


A terra prometida


A fuga para o Egipto


A água da Vida

21 Janeiro 2011

Penso que fica clara a razão pela qual tantas vezes aqui dou voz a...

Manuel Almeida e Sousa, Nicolau Saião

... Nicolau Saião:

«Disse com justeza e inteligência não sei que Papa recente (creio que foi o grande Albino Luciani, homem de bem e santo homem) ou um outro príncipe da Igreja (não tenho a certeza de qual deles foi, realmente) que a ICAR, por mau entendimento de que se penitenciava, se afastara excessivamente dos artistas contemporâneos, o que levava igualmente a um distanciamento da parte deles.

Creio que é verdade. E não me congratulo com isso. Antes pelo contrário.

Usando frequentemente de intolerância, com sobranceria simoníaca, não percebendo manifestamente que, no artista (ser humano que tem, por sua peculiaridade, de lutar contra os demónios da criação), a iconoclastia e a aparente negação da Fé pode ser o mais alto sinal, nele, de Deus (que decerto não se enfurece pelas suas buscas e resultados alcançados, por vezes mediante um esforço terrível), os burocratas da hierarquia fuzilam com o olhar gente pacífica e cujas obras nada têm de satânico.

Mas a incapacidade de ver de certa gente, e a sua arrogância (que é sinal claro do demo que os manipula) tem dado o bonito resultado que hoje bem conhecemos.

Veja-se o que se passou durante tantos anos com Matisse, tido por ateu relapso e provocador quase até à velhice. E só por causa da inteligência, tolerância e entendimento são dum digno sacerdote, que soube vencer o negrume de alguns antístenes pouco cristãos, a extraordinária Capela de Vence pôde ser iluminada pelo genial pintor (sofria ele já nessa altura de dolorosas artroses, pelo que alguns trechos foram feitos em papel recortado).

É uma obra maravilhosa. Creio que Deus, como artista que é de certezinha, passa de vez em quando por lá, ao visitar este cantinho da galáxia. E um sorriso bom lhe deve perpassar no rosto sagrado.

Quando tinha os meus quarenta anos, tendo ido um dia a Póvoa e Meadas e entrando na igreja de lá, de moderna traça e de amorável feitura e seduzido pela religiosidade que ali se entrosava em nós duma maneira singular (sentia-se, ou senti, se assim o digo, o céu e a terra misturados, irmanados, como o senti também numa floresta do Canadá ou nas planícies ardentes do Calaári, ou até numa vulgar rua ou estância), um desejo se apoderou do meu pensamento: efectuar, ir efectuando pelos tempos - quando me sentisse mais religado - obras com que um dia iluminaria uma capela (dia que evidentemente nunca chegará, pois para a intolerância e a incompreensão (a soberba?) dos Católicos portugueses de topo eu não passo dum ateu (que nunca fui, alguns confrades sabem porquê) dum maldito porque não vou aos templos bater no peito em conjunto com sepulcros caiados.

De modo que, sem qualquer pretensiosismo nem acinte - antes com uma certa mágoa, que os de recto coração a meu ver entenderão -, vocês (se me permitem!) irão ser a minha capela.

Os vossos olhos serão as paredes dessa Capela que nunca os meus traços e as minhas formas poderão iluminar. Em vocês, caros confrades, coloco as minhas pobres obras mortais (estas dezasseis) - mas feitas com toda a comoção de uma pessoa que anda por este Mundo e sempre buscou que fossem de inteira e alegre fruição, pese às mágoas que a todos nos circundam.»




Génesis


O Paraíso terrestre


Adão e Eva


A árvore da Vida


Satan


A expulsão do Paraíso


Moisés


Anunciação


As bodas de Canaã


O sermão da montanha


O Filho do Homem


Páscoa



Crucificação


Os Apóstolos


Evangelhos



E paz na terra aos homens de boa vontade