O Insurgente

Junho 30, 2011

Justiça lhe seja feita

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Bruno Alves @ 16:24

Ao contrário do que fazia José Sócrates, Pedro Passos Coelho responde às perguntas que lhe são feitas. Concorde-se ou não com o que homem diz, ao menos ele não trata as pessoas como parvas.

Sabe a pouco

Filed under: Política Fiscal — Nuno Branco @ 16:04

Esta ideia de roubar a malta em 50% só no subsidio de Natal sabe a pouco. PPC e Portas ainda têm muito de aprender antes de começar a nacionalizar uns quantos bancos e remover os 50% logo directamente de cada conta. O capital inimigo da democracia e dos povos tem que pagar a crise.

Ah desculpem, estes são de direita? Confudem-se tanto…

Começamos mal

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 15:54
 
Quando teremos, finalmente, um governo que entenda que endireitar as contas públicas não se faz pelo lado da receita???? Lamento, mas para além dos aumentos de impostos  impostos pela troika, nenhum aumento de imposto adicional deve existir. O PSD já sabia que Sócrates e Teixeira dos Santos têm uma grande elasticidade no conceito de verdade, pelo que já não pega o argumento – usado e estafado por Durão Barroso e por Sócrates – ‘afinal as contas estavam piores do que nós pensávamos’.

Por estas e por outras é que o CDS devia ter ficado de fora do governo, para não dar cobertura a estas formas estranhas de consolidação orçamental.

INE vs DGO

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 14:58

“A discrepância entre os valores do INE e da DGO não é nova – nem inesperada, já que os sistemas de contabilidade são diferentes – mas desta vez atingiu uma magnitude nunca vista. A diferença chegou aos 3,6 mil milhões de euros, um montante bem superior aos 2,3 mil milhões que se registaram nos cinco anos anteriores (em média). Uma explicação possível para este facto está no facto de o INE ter passado recentemente a incluir mais empresas no perímetro do défice, aumentando o buraco reportado e cavando uma distância ainda maior face aos números da DGO, que apenas apura o défice do sector público propriamente dito. Outra possibilidade é terem aumentado o montante de pagamentos em falta, tal como foi recorrentemente noticiado pela comunicação social nos últimos meses. Esta é uma fonte adicional de ruído porque, apesar de a DGO contabilizar como despesa apenas o dinheiro que sai de caixa, o INE toma nota de todos os compromissos assumidos, tenham sido pagos ou não.”, hoje, no Jornal de Negócios (página 8).

O texto do Negócios, citado em cima, é esclarecedor. Acrescentaria apenas um último factor, em relação ao qual vou socorrer-me do documento oficial, publicado ontem pelo INE, e que reza assim: “em contas nacionais são considerados, em cada período contabilístico, os juros corridos da dívida pública e não os juros pagos. No 1º trimestre a diferença entre juros corridos e pagos é particularmente acentuada (Contas Nacionais Trimestrais por Sector Institucional, página 3)”. Em suma, há três razões na origem da disparidade de valores: a) o perímetro da consolidação orçamental; b) os calotes do Estado e; c) os juros que ainda hão-de ser pagos este ano.

Enfim, confesso que, habitualmente, não passo cartão a este relatório do INE. Pelo contrário, analiso escrupulosamente todos os relatórios da DGO (ver aqui a minha última análise). A razão é simples: as tabelas do INE são ininteligíveis e, também incompreensivelmente, o relatório que as acompanha é pouco exaustivo. Contudo, o seu perímetro de consolidação orçamental faz mais sentido do que aquele utilizado pela DGO. É que não tenhamos dúvidas: a generalidade das empresas públicas não são autónomas, por isso, têm de ser consideradas como parte do universo “Estado” e da contabilidade pública, ponto final. O contrário é uma manigância contabilística, que roça a fraude. De igual modo, também concordo com o critério, utilizado pelo INE, de se contabilizarem os juros corridos, numa lógica de accrual, em oposição à lógica de caixa subjacente ao princípio associado à contabilização de (apenas) juros pagos.

Para o final, deixo os calotes do Estado. Ora, tivéssemos nós confiança no Estado e todas as suas despesas, incluindo as despesas assumidas mas ainda não pagas, deveriam ser contabilizadas num regime de accrual, isto é, através de uma amortização permanente entre a data de assumpção do compromisso e o seu efectivo pagamento. O mesmo se deveria passar com os encargos associados às Parceria Público Privadas. Mas, infelizmente, a Administração Pública, pela forma como tem desbarato o dinheiro dos seus contribuintes, não merece a nossa confiança. Por isso, à luz da realidade e da obrigatoriedade de se ter de rever muitos compromissos indevidamente assumidos pelo Monstro, muitos de questionável legalidade, creio que o critério da DGO acaba por ser mais ajustado. Mas seja lá como for, a prazo, a manutenção destes dois relatórios, simultaneamente divergentes e concorrentes, é que não faz mesmo sentido…

Privatização da TAP (II)

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 10:44

“O Estado prepara-se para vender a totalidade da TAP quase sem lucro. O processo de avaliação da empresa estará terminado no final de Julho e poderá rondar os mil milhões de euros. Mas as dívidas e os capitais próprios negativos anulam esse valor. Entre o que receber e essas dívidas, o saldo será quase zero para o Estado. Então porquê vender? Para salvar uma empresa que está tecnicamente falida. E segurar o aeroporto.”, hoje, na capa do Jornal de Negócios.

Já ontem aqui tinha escrito acerca da TAP. Hoje, é a imprensa que traz o tema à baila. Contudo, gostava apenas de fazer uma observação ao artigo do Negócios e que consiste no seguinte: sendo o passivo global da empresa superior a dois mil milhões de euros e os capitais próprios negativos de duzentos milhões, os mil milhões, que o Negócios hoje avança, não chegam para anular as dívidas e as insuficiências de capital. Assim, se o Estado vender a TAP, recebendo a massa e entregando a empresa tal e qual como ela está, óptimo. Mas se, pelo contrário, como prevejo que possa suceder, o Estado receber a massa no compromisso de se responsabilizar pelas dívidas e pelas insuficiências de capital, então, os contribuintes portugueses estarão, efectivamente, a pagar para vender os Transportes Aéreos de Portugal!

Enfim, recorde-se a mensagem objectiva do meu texto de ontem: a TAP, ao contrário da generalidade das empresas públicas, gera fluxos de caixa operacionais positivos e fá-lo sem recurso a subsídios à exploração dignos de registo. Portanto, por favor, vendam-na como deve ser. Pois se assim não for, objectivamente, não vale a pena vendê-la.

Junho 29, 2011

Que horror!

Filed under: "Educação Fiscal",Política,Política Fiscal,Portugal — Helder Ferreira @ 22:28

Hoje pela manhã ouvi uma pessoa a falar da injustiça que é as taxas moderadoras nos Hospitais serem iguais para todos sem discriminar pelo rendimento. Falava de saúde, mas podia ser de outro serviço qualquer daqueles que o estado diz que presta de forma tendencialmente gratuita ou mesmo, mesmo, gratuita. Sei lá, podia ser da educação ou até, quem sabe da Justiça. E ouvi uma pessoa, podiam ter ouvido muitas, paletes delas, porta-contentores delas, que isto o que está na moda é o utilizador- pagador. É a vida. Esta coisa da social-democracia que a malta gosta tanto, dos impostos progressivos, da justiça social, por deus!, é muito complicada para as mentes simples dos pastores que nos desgovernam (ou querem desgovernar) e respectivos cães de guarda. Pois pagar os serviços que o estado presta de acordo com o rendimento não é?

Ora bem, tomai lá ò social-democratas encartados, no vosso sistema fiscal que paga os serviços do estado e que desconheceis, funciona assim:

1)   Salário mensal: 700€; IRS a reter: 28€; Contribuições: 77€*

Total pago ao estado anualmente: 1.470€

2)   Salário mensal: 1.500€; IRS a reter: 210€; Contribuições: 165€*

Total pago ao estado anualmente: 5.250€

3)   Salário mensal: 5.000€; IRS a reter: 1.375€; Contribuições: 550€*

Total pago ao estado anualmente: 26.950€

Ou seja, o acesso aos serviços do estado não custam o mesmo para todos e há discriminação de acordo com o rendimento, só que ela é feita no momento de pagamento desses serviços e não no momento da sua utilização. Por isso, almas penadas, ide, ide reformar a vossa social-democracia falida, mas ao menos tende o cuidado de conhecer e quiçá, perceber como é que ela funciona.

 

*Neste exemplo considerei apenas os 11% de contribuições sociais que aparece nos recibos de vencimento, se tivesse considerado o total de 34,75% muito social-democrata ficava com um nó no cérebro, fi-lo para os poupar à utilização de mais de dois neurónios, não fossem entrar em curto-circuito. Muito obrigado.

 

Fonte dos números: Direcção Geral das Contribuições e Impostos

um descalabro

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 21:33

Contrariamente ao que aqui escrevi acerca da TAP, a situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) parece ser bem distinta. De acordo com informação obtida pela agência Lusa, aqui reproduzida pelo Jornal de Negócios, os ENVC apresentam prejuízos operacionais há 22 (vinte e dois) anos! Segundo a mesma fonte, o passivo global da empresa ultrapassa já os 200 milhões de euros. Enfim, na impossibilidade de poder confirmar estes números, pois do website da empresa não constam quaisquer relatórios e contas relativos a anos anteriores, coisa inaceitável tratando-se de uma sociedade detida por capitais públicos, fui analisar o balanço consolidado da EMPORDEF – Empresa Portuguesa de Defesa SGPS que, por sua vez, controla a ENVC – e pude observar que o passivo global desta era de 750 milhões de euros em 2009, indiciando, portanto, um forte endividamento das suas participadas. Ou seja, os números citados pela Lusa e pelo Negócios não deverão andar muito longe da realidade…

Ora, da realidade dos números, interrogo-me: como é que se pode manter uma empresa destas?! É que por mais simpatia que possa ter pelos trabalhadores que estão na iminência de serem despedidos, ao abrigo do polémico programa de reestruturação que desencadeou os recentes protestos, o que é que se pode fazer com uma empresa que não apresenta qualquer lucro operacional desde 1989? Repito, e por extenso: desde mil novecentos e oitenta e nove! Resposta à pergunta anterior: fica-se entre a espada e a parede…Enfim, há que reduzir custos e aumentar receitas, uma lapalissada, mas que obviamente implica reduzir a estrutura de custos, nomeadamente com pessoal. Ou então, encontrar accionistas que, injectando dinheiro, acreditem na sustentabilidade económica e financeira actual. Mas considerando o histórico dos últimos 22 anos, dificilmente, o conseguirão. Quanto à injecção de dinheiro público, há pelo menos um contribuinte, este vosso blogger, que não aceitaria tal solução. De resto, talvez não fosse má ideia fazer uma sondagem acerca do assunto junto da opinião pública…

Assim, e a fim de conceder uma oportunidade àqueles trabalhadores e às suas respectivas famílias, eu sugeriria o seguinte: nomear uma comissão de trabalhadores, de três ou cinco pessoas, a quem a administração entregasse um cheque de quarenta ou cinquenta mil euros, a fundo perdido, para durante nove meses viajarem por esse mundo fora em busca de encomendas, cujos proveitos na venda cobrissem os custos de produção, no sentido de a três anos reequilibrarem os resultados operacionais dos ENVC. Entretanto, enquanto a comissão estivesse ausente, a empresa avançaria com metade dos despedimentos previstos no tal programa de reestruturação, na garantia de que, obtida uma carteira de encomendas, todos os restantes postos de trabalho estariam salvaguardados e que, inclusivamente, se estabeleceriam prémios de participação nos lucros futuros. Quanto aos salários dos trabalhadores em viagem, estes seriam pagos pelo sindicato, como, por exemplo, se faz na Alemanha sempre que há industrial action.

Não esqueçamos: o descalabro financeiro a que chegou a República Portuguesa tem origem em muitos destes mini descalabros como aquele a que hoje assistimos na ENVC. Um dia tinha de chegar ao fim. E esse dia é o presente. O contribuinte português não pode mais subsidiar este tipo de ineficiência. E o trabalho, como berram os sindicatos, não é simplesmente um direito; é algo que se conquista e que se justifica. Ao mesmo tempo, culpar os directores pela falta de estratégia, pela falta de encomendas, é muito fácil e muitas vezes demagógico. Pelo contrário, difícil é ir para a frente da batalha. Difícil é contribuir para o bem comum, numa justa e equitativa distribuição de esforços e sacrifícios. Difícil é fazer as coisas acontecerem.

Ps: O cabeça de lista do PSD eleito por Viana do Castelo, Carlos Abreu Amorim, agora membro da comissão política do partido que recentemente o adoptou, lançou-se nos últimos anos afirmando-se um liberal. Tem, pois, a oportunidade de ouro para finalmente se estabelecer como tal!

Uns chamam-no ajuda, outros bullying

Filed under: União Europeia,Videos — elisabetejoaquim @ 16:44

Limites Constitucionais – Limitação orçamental à legislatura

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 14:41

Se a contabilidade criativa dos últimos anos nos ensinou foi que limitações teóricas à dívida ou ao déficit terão de ser acompanhadas de métodos ainda mais rigorosos e claros de determinar que tudo o que são responsabilidades do Estado são considerados.

Mais importante do que limitações à dívida ou ao déficit deverá ser a limitação de responsabilidades que um governo pode aceitar. Um governo, oriundo de uma maioria parlamentar com prazo não deveria ter o poder de se responsabilizar com pagamentos ou custos depois do fim da legislatura. Hoje e amanhã, com a constituição actual, um governo poderá comprometer orçamentos futuros de forma dramática. O que aconteceu com as PPP’s foi apenas uma pequena amostra do que está ao alcance de um qualquer governo. Estranho que este princípio básico não seja respeitado nem sequer discutido. Deveria ser.

Admite-se que existam medidas/contratos/legislações que tenham de ter impactos em outras legislaturas. A constituição deveria limitar estes compromissos à existência de maiorias qualificadas na AR. Implicam compromissos mais alargados, em alguns casos com impactos em gerações futuras.

Privatização da TAP

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 11:23

“Não sei como é que alguém quer comprar a TAP…”, João Duque, hoje no Diário Económico.

Ao contrário do que o Professor João Duque sugere, não estou nada certo de que a privatização da TAP, ontem anunciada no Programa de Governo, esteja condenada a ser um fiasco. Acredito, sim, que as forças de bloqueio internas tentarão torpedeá-la por todos os flancos, mas, economicamente, e até financeiramente, nas mãos de privados, poderá vir a tornar-se uma operação interessante.

Mas, primeiro, analisemos a viabilidade económica da empresa. De acordo com o relatório e contas de 2009, o último disponível ao público, o resultado líquido consolidado da TAP foi residualmente positivo, depois de um resultado líquido fortemente negativo em 2008. Dir-se-á: coisa pouca! Sim e não. Sim, porque um resultado líquido consolidado de um milhão de euros, numa instituição com a dimensão da TAP, é irrelevante. Mas, não, porque da análise dos fluxos de caixa observa-se que a transportadora gerou fluxos de caixa operacionais positivos de quase 180 milhões de euros (página 113 do R&C 2009). Ou seja, do ponto de vista operacional, 2009 foi um bom ano para os Transportes Aéreos de Portugal, o que evidencia que a nossa transportadora pode ser economicamente viável.

Segundo, de todas os segmentos de negócio da TAP, em 2009, apenas o “Handling” deu prejuízo; as restantes (aviação, manutenção e engenharia, “freeshop” e “catering”) deram um lucro operacional, em Portugal e no Brasil. Perguntar-se-á: mas a TAP não recebe subsídios do Estado? Recebe, mas em 2009 esses subsídios à exploração resultaram nuns míseros três milhões de euros, quando comparados com os duzentos milhões que o mesmo Estado espatifa nas empresas de transportes rodoviários e ferroviários (incluindo a REFER) ou comparados com os cento e vinte milhões que generosamente são concedidos à RTP. Ou seja, a transportadora nacional, sendo uma empresa pública, opera sem rede financeira directa da Administração Pública o que, apesar de outros apoios indirectos, é de salutar. Além disso, regressando à actividade corrente, há margem para melhorar a performance operacional. Desde logo, através da adopção de um programa de “hedging” do preço do “jet fuel”, que reduzisse a incerteza associada às oscilações do petróleo no mercado internacional – nota: as oscilações nos custos registados na compra de combustível foram de 350 milhões de euro em 2009 e provavelmente terão sido semelhantes em 2010, mas infelizmente em sentido contrário… – e que à data não existe na TAP.

Terceiro, na componente financeira, que é onde reside o problema maior da TAP, observa-se que, dos mais de dois mil milhões de euros de passivo, apenas pouco mais de mil milhões diz respeito ao passivo remunerado, repartindo-se este, em partes semelhantes, entre empréstimos bancários e locações financeiras (“leasings” de aviões e equipamentos). Acrescente-se ainda, relativamente aos empréstimos bancários contraídos pela TAP, uma curiosidade: 70% do total foi concedido pelo Deutsche Bank, não sendo por isso, por acaso, que se fala na Lufthansa como provável comprador final da nossa transportadora…

Em suma, intensificada a melhoria operacional registada nos últimos anos, reduzidos os fluxos de caixa relativamente às actividades de investimento e revistos os custos de financiamento, talvez – e é um enorme talvez! – se conseguisse conferir à TAP a sustentabilidade económica e financeira que, até aqui, apenas de forma avulsa tem conseguido obter. E se assim conseguisse ser, em jeito de negação da interrogação inicial do Professor João Duque, restaria a seguinte questão: deveria o Estado ter vendido uma das poucas empresas públicas com excedente de exploração?

Myths About the Great Depression and the New Deal

Filed under: Videos — AA @ 10:10

Top 3 Myths About the Great Depression and the New Deal

Economic Freedom & Quality of Life

Filed under: Videos — AA @ 10:08

Economic Freedom & Quality of Life

Decência? Qual decência? Ah! Já sei

Ando aqui há dias com esta atravessada. Esta no sentido da pergunta do Carlos Botelho, esta aqui: há aqui alguma decência que me escapa?

Neste Contrato Social em que involuntariamente me envolvi e que, diria de passagem, até aceito – que remédio? -, a prestação dos serviços do estado são pagos de acordo com a capacidade/rendimento de cada um. Já a sua distribuição é cega perante o rendimento, a condição, a classe, o que lhe queirais chamar. E bem, a redistribuição é feita nos impostos, não no acesso aos serviços e esta parte é mais ou menos pacífica, é no fundo what social-democracy is all about. Ora a decência no meio disto é que pagando nós para que o estado preste determinados serviços à população, na qual nos incluímos e pelos quais pagamos de acordo com a capacidade que temos para o fazer, mesmo que às vezes não a tenhamos, a decência diria que o estado os prestasse efectivamente. Lembrar-vos-ia que em 2010, a actividade da minha pobre empresa rendeu ao estado mais de dez vezes o lucro líquido da coisa, ou seja mais de dez vezes a parte que coube aos sócios, à empresa, que serviu para investimento, para capitaliza-la e assim. E o estado presta os tais serviços pelo quais se faz pagar principescamente?

Funciona assim:

- A segurança das instalações e equipamento da minha empresa são garantidos pelo estado? Não, tenho que pagar a uma seguradora e uma empresa de segurança para que o façam;
-A segurança da mercadoria que é transportada para os meus clientes é garantida pelo estado? Não. Tenho que pagar a uma seguradora para que o faça, o estado limita-se a recolher multas por pormenores burocráticos kafkianos;
- O acesso atempado à saúde dos colaboradores da minha empresa é assegurado pelo estado? Não. Tenho que fazer seguros de saúde se quiser que tal aconteça;
-O direito aos créditos sobre o clientes relapsos ou literalmente vigaristas é assegurado pelo estado? Não. Tenho que contratar seguros de créditos caríssimos ou advogados e até hoje, nunca, repito, nunca, consegui receber dez tostões de dívidas de clientes através do sistema judicial;
-etc, etc, etc, mais um gigantesco etecetera

Ou seja, há aqui alguma decência que me escapa ou para que preciso eu do estado e porque hei-de paga-lo, exactamente?

Junho 28, 2011

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 23:25

Buried bones, do álbum curtains dos Tindersticks.

give and take

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 17:39

A medida aqui anunciada pelo novo Governo, em matéria de IVA, enquadra-se no espírito de governação que, se generalizado, granjeará a simpatia do povo. Refiro-me a um espírito de “Give and take”, isto é, uma espécie de liderança pelo exemplo, cuja inexistência tantas vezes se criticou ao anterior executivo.

Enfim, já sabemos que, em face das circunstâncias financeiras da República, o Governo de Passos Coelho terá de tomar muitas decisões impopulares. Mas, se por cada medida impopular o executivo de Passos Coelho conseguir adoptar uma outra que, não sendo necessariamente popular – não é essa a função do Governo – seja claramente percepcionada como sendo do interesse da população, as condições de governação melhorarão e disso beneficiará o País.

O sucesso dos 16 passageiros por dia

A realidade volta a desmentir Sócrates e o seu grande amigo Zapatero. Vale a pena recordar as profecias de Sócrates sobre o tema Alta Velocidade:

A crise é mais uma razão para o fazermos.

É neste momento que o país precisa de investimento, de oportunidades de emprego. Há muita gente à procura de emprego e muitas empresas à espera desta oportunidade.

A Alta Velocidade vai permitir criar “milhares” de postos de trabalho, “este é justamente o momento” para que o projecto avance, porque o país “precisa de investimento”.

Adenda: Movido por um estimável iberismo, o ministro do Fomento espanhol considera má a decisão do governo português de suspender o troço Lisboa Madrid.

como deve ser

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 17:20

“Pequenas empresas só entregam IVA quando receberem dos clientes. Governo compromete-se a criar o regime de caixa de IVA.”, no Jornal de Negócios.

Uma medida acertada, que apenas peca por não ser generalizada a todas as empresas. Mas há que começar por algum lado…

palavras ao vento

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 17:02

Em Portugal padecemos de uma doença para a qual, aparentemente, não temos cura: falamos de mais! Aliás, creio que até há estudiosos da linguística que, comparando o Inglês com o Português, estimaram a nossa utilização excessiva de palavras em cerca de 60% or so they say

Ora, o Programa do XIX Governo Constitucional da República Portuguesa, divulgado hoje, parece confirmar aquela estimativa que, porventura, até pecará por defeito. É que o documento oficial do novo executivo português tem 129 páginas…já o outro Programa de Governo, o da troika, e do qual realmente depende a sobrevivência financeira do País, tem apenas 36!

A Bomba da Social Democracia

Filed under: Comentário,Política,União Europeia — Filipe Faria @ 15:38

A Grécia tinha um ordenado mínimo de 740 euros. O ordenado médio de um funcionário público rondava os 1250 euros.

Sem uma produtividade correspondente, para pagarem estas mordomias artificiais os governos gregos contraíram uma dívida pública de cerca de 150% do PIB.

Resultado? Estão agora em guerra civil.

A social democracia foi um rastilho que ardeu lentamente e que tinha de explodir em algum momento.

Adolescência Eterna (3)

Filed under: Comentário,Educação,Nanny State Watch — André Abrantes Amaral @ 15:14

Carlos,

Percebo o teu ponto de vista, mas não foi a isso que aludi. Referia-me apenas à tendência generalizada de adiar o inadiável, ou seja, querer e não querer ao mesmo tempo. Quem, como referes, sentia o apelo do mar e desaparecia, tomava uma decisão. Ia à sua vida. Assumia as suas dificuldades. Não se tornava num peso para quem quer que fosse e, por isso mesmo, a maioria das vezes, ia embora. Como é natural não vejo mal nenhum nisso. O que o artigo do WSJ refere, são os casos em que não se decide e se vive eternamente com 20 anos. Sem uma opção que seja definitiva ou implique consequências. Uma vida sem preocupações de maior que acabam, aliás, empurradas para cima dos outros.

Ordem na mesa

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:35

El mensaje se mantuvo pertinaz durante la década de los años cincuenta, la década en que los españoles siguieron pasando hambre porque los socialistas de camisa azul seguían practicando el intervencionismo económico y los obispos habían decidido que España no podía permitirse la libertad religiosa ni siquiera a cambio del Plan Marshall. En su discurso de 31 de diciembre de 1951, Franco indicaba de manera taxativa que el haber hallado “un instrumento feliz para la realización de la evolución político-social que la hora demanda” se debía a “que nos hayamos separado de los patrones políticos estilo liberal”.

Neste artigo, o terceiro e último de uma série destinada a meter Pío Moa na ordem, César Vida explica que o franquismo de liberal nada tinha, ao mesmo tempo que mostra, aos teimosos, que o regime do caudilho também não era totalitário. Tentou sê-lo, talvez, mas não conseguiu. Mas o que é certo é que Franco no tenía la menor intención –todo lo contrario– de que España se encaminara hacia una democracia después de su muerte. Por isso, cuidadinho com o discurso sorrateiro de alguns salvadores da pátria, que apostam num regime anti-democrático porque a democracia, dizem, não está culturalmente inscrita nos povos ibéricos. Por detrás da falácia do bem-comum e de uma peculiar visão da ditadura da maioria (alegar que um povo não está maioritariamente preparado para a democracia é cair no mesmo equívoco dos “democratas” que vêem a democracia como um fim em si) esconde-se o desejo de uma tirania personalizada, iluminada e paternalista. O pior é que, com o que se está passar actualmente na Europa, estes socialistas de camisa azul têm o caminho aberto para impor o seu modelo anti-liberal. E os indignaditos do Rossio e das Puertas del Sol, parecendo que não, dão uma ajuda. Afinal, de camisa azul ou vermelha, é tudo farinha do mesmo saco.

Franco partía de una cosmovisión –nefasta para la Historia de España– que arrancaba del pensamiento reaccionario católico del s. XIX al que se habían sumado elementos del fascismo de la Falange. Se trataba de una visión que idealizaba el mundo rural, que odiaba la democracia liberal, que veía un peligroso enemigo en el capitalismo y que creía en un Estado poderosamente interventor y confesional que, limitando considerablemente las libertades individuales, mantuviera a la nación en una especie de Arcadia feliz. No era el único en creerlo. Personajes tan diversos como Vázquez de Mella y el general Mola o Chesterton y Tolkien abogaban por visiones muy semejantes. El problema es que una cosa es describir el idílico mundo de los hobbits en la Comarca y otra, muy diferente, el intentar modernizar una nación.

Leitura recomendada

Filed under: Política — ruicarmo @ 12:08

What we need to realize is that the modern welfare state is a temporary aberration, historically, economically, and morally. It was a brief historical holiday from the basic principle that wealth is earned through work. It was a system that could not work because it tried to defy the laws of nature. We need to grasp that basic lesson now, and proceed deliberately and quickly with the task of dismantling the welfare state and rebuilding our economies on the secure footing of individualism and capitalism.

Cenários

Filed under: Ambiente,Energia,Internacional,Médio Oriente,Política,Saúde — ruicarmo @ 12:01

Bem animados nas relações internacionais.

à revelia

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 10:13

“Segundo o i, Passos Coelho terá vetado o nome do administrador da TVI pelo facto de a sua escolha para o Governo ter sido anunciada em primeira mão e em directo por Marcelo Rebelo de Sousa no comentário de domingo na estação de Queluz.”, hoje, no Jornal de Negócios.

Também me parece que sim…amor com amor se paga.

blackout

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 09:42

Lendo o Diário Económico de hoje…

“Espero sinceramente que Álvaro Santos Pereira se revele mais hábil e competente a gerir as pastas que lhe estão confiadas, da Economia e do Emprego, do que estabelecer relação com a opinião pública. A sua presença na Feira do Artesanato, que acompanhei pela Televisão, foi um bom exemplo (…) o informalismo de que quis dar mostras, sustentado pelos hábitos canadianos e pela descontracção das mangas de camisa, resultou francamente mal, bem como a pretensa familiaridade com os jornalistas. A descontracção colada com cuspo desapareceu logo que lhe dispararam questões concretas sobre governação, em particular, sobre privatizações e emprego, esquivando-se em tiques e argumentos típicos dos políticos tradicionais”, José Eduardo Moniz (página 4).

“Álvaro Santos Pereira tem sido o ministro mais mediático do novo Governo. Não deve ser, deve resguardar-se para outro momento, quando for necessário ser mediático, e evitar as frases e afirmações soltas, como as que já fez, porque elas podem, e vão, voltar-se contra si”, António Costa (contracapa).

Como aqui escrevi há apenas dois dias, o Álvaro Santos Pereira é um indivíduo preparadíssimo e que pode ser uma lufada de ar fresco na governação do País. Mas é crucial que se revele “a good fit”, coisa que, nestes poucos dias que leva como ministro, não tem sido, como a revista de imprensa bem comprova. Portanto, é altura de ser inteligente…e esperto. Assim, caro Sr. Professor, se me permite, gostaria de lhe deixar uma sugestão: entre já em “blackout”. E, já agora, permita-me acrescentar: como regra, evite a imprensa se nada de concreto tiver para dizer.

Vidovdan

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 00:59

28 de Junho

 

Junho 27, 2011

Felizmente as ditaduras de esquerda não existem

Dois milhões de mortos depois, alguns dos responsáveis Khmers vermelhos enfrentam a justiça com um atraso de mais de três décadas.  China, URSS, RDA, Bulgária, Roménia, Bulgária, Checoslováquia, Jugoslávia (…) ficaram isentos. A parte dos vermelhos refere-se ao tradicional apoio dos cambojanos ao Arsenal FC.

Cheque e preconceito

Filed under: Blogosfera,Educação,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 20:17

Este post da Ana Cássia Rebelo, a.k.a Ana de Amsterdam, está cheio de equívocos. Em primeiro lugar, a segregação social não dá qualquer garantia de sucesso. Mesmo aceitando a tese de que alguns pais colocam os filhos em escolas privadas por razões de segregação social (imagino que seja uma minoria, mas é um factor impossível de medir), tal factor de decisão em nada assegura o sucesso. Parece estar subjacente a esta tese o assumir que a integração social é prejudicial aos resultados escolares. Isto é levar ainda mais longe a tese, já por si debatível, de que o meio tem mais peso no sucesso escolar do que o ensino em si. Além disso a autora parece estar a confundir escolas privadas com escolas confessionais. O seu preconceito contra estas estende-se assim a outras, de forma que me parece inadequada. (Isto independentemente dos juízos de intenções que ela parece fazer relativamente aos pais que colocam os seus filhos nestas escolas, que são impossíveis de provar sem omnisciência.)

Em segundo lugar, a crítica que faz ao cheque ensino é apenas uma versão fulanizada de uma crítica muito corrente, especialmente à esquerda, mas não só.  A ideia de que a introdução do cheque ensino não cria realmente oportunidades de acesso às melhores escolas privadas, pois os “ricos” encontrarão outras formas de colocar os filhos em escolas melhores ou exclusivas. Esta crítica assenta em dois pressupostos: (i) que as escolas privadas são para ricos e (ii) que a qualidade de ensino é um bem escasso.

Ora, face à realidade social portuguesa, não é difícil entender que a grande maioria das famílias que recorre ao ensino privado é de classe média. As razões que as levam a fazer esta opção poderão ser muitas, incluindo a segregação social, mas também passando por segurança, por horários alargados, pela localização, pela estabilidade do corpo docente, pela responsabilidade acrescida da escola ter de responder por tudo por forma a não perder os alunos, que são a sua fonte de receitas, etc. É provável que uma minoria de escolas altamente exclusiva surja para famílias realmente ricas, mas isso não é razão para descartar a vantagem que todas as restantes famílias terão ao adquirir o direito de escolha.

A qualidade de ensino não é um bem escasso. O facto de uma escola ser boa não diminui a qualidade de outra. Isso até poderia acontecer se houvesse falta de professores, o que patentemente não é o caso. Assim sendo, a disciplina introduzida pela liberdade de escolha e pela transparência de preços deverá resultar numa melhoria generalizada da qualidade de ensino. O objectivo do cheque ensino não é o de permitir a todos colocarem os seus filhos nas escolas que estão no “top 10″ do ranking. Isso seria fisicamente impossível, como é óbvio.

Este é um exemplo clássico da grande diferença que existe entre liberais clássicos e os (pseudo) liberais à americana. Os primeiros querem melhorar um sistema mau, afastando-se das práticas que o fazem mau (inflexibilidade, ausência de direito de escolha, falta de transparência nos custos). Os segundos querem caminhar no sentido de um sistema utópico que visualizam como objectivo num futuro (sempre num futuro nunca alcançado), para tal persistindo numa óptica centralista que lhes permite “dirigir” facilmente na direcção que lhes parece (eventualmente) conduzir a ele. Mesmo que entretanto o sistema seja péssimo.

30 de Junho, em Aveiro – A governação local em Portugal: pistas para uma reforma

Filed under: Agenda,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

Uma oportuna iniciativa do PS de Aveiro, com o Filipe Teles como orador principal: A governação local em Portugal: pistas para uma reforma.

O Secretariado da Comissão Política Concelhia do PS de Aveiro vai realizar, dia 30 de Junho, quinta-feira, pelas 21h e 30 na sua sede a décima nona iniciativa das Quintas da Política.

As Quintas da Política pretendem ser um espaço de discussão de temas da actualidade política, económica, cultural e social entre militantes e simpatizantes do Partido Socialista de Aveiro.

Esta décima nona iniciativa terá como tema principal “A governação local em Portugal: pistas para uma reforma” e será animada por Filipe Teles, Doutorado em Ciência Política, Professor no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (Universidade de Aveiro).

Destaque na Lista de Secretários de Estado

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 17:53

A um dia da nomeação oficial dos secretários de Estado ficamos a saber a lista completa.

Sem conhecer as ideias do novo Secretário de Estado Obras Públicas, Transportes e Comunicações,  Sérgio Silva Monteiro, saliento que a vinda de alguém com experiência consolidada em Banca de Investimento é coerente com a noção que esta secretaria de Estado deve ser antes de mais um autentico ministério da re-estruturação e alienação de património.

A lista actualizada, roubada de aqui:

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Luís Marques Guedes (já anunciado)

Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro - Carlos Moedas (já anunciado)

Secretário de Estado da Cultura - Francisco José Viegas (já anunciado)

Secretário de Estado do Orçamento - Luís Filipe Morais Sarmento (já anunciado)

Secretário de Estado da Administração Pública - Hélder Rosalino

Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - Luís Brites Pereira

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas - 
José Cesário

Subsecretária de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - Vânia Dias da Silva

Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional - Paulo Braga Lino

Secretário de Estado da Administração Interna - 
Filipe Lobo D’Ávila

Secretário de Estado da Administração Interna - Bernardo Bairrão

Secretário de Estado da Administração Patrimonial e Equipamentos do Ministério da Justiça -Fernando Santo

Secretário de Estado Administração Local e Reforma Administrativa - Paulo Simões Júlio

Secretário de Estado do Desporto e Juventude - Alexandre Miguel Mestre

Secretário de Estado Adjunto e da Imigração - 
Feliciano Barreiras Duarte

Secretário de Estado Emprego - Pedro Miguel Silva Martins

Secretário de Estado Empreendorismo, Competitividade e Inovação - Carlos Nunes Oliveira

Secretário de Estado Obras Públicas, Transportes e Comunicações - 
Sérgio Silva Monteiro

Secretário de Estado da Energia - Henrique Gomes

Secretária de Estado do Turismo - Cecília Meireles

Secretário de Estado da Agricultura - Diogo Santiago Albuquerque

Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural - Daniel Campelo

Secretário de Estado do Mar - Manuel Pinto de Abreu

Secretário de Estado Ambiente e Ordenamento do Território - Pedro Afonso de Paulo

Secretário Adjunto e da Saúde - Fernando Leal da Costa

Secretário de Estado da Saúde - Manuel Teixeira

Secretário de Estado do Ensino Superior - João Filipe Rodrigues Queiró

Secretário de Estado da Ciência - Maria Leonor Parreira

Secretário de Estado Ensino e Administração Escolar - João Casanova de Almeida

Secretário de Estado Ensino Básico e Secundário - Isabel Maria Santos Silva

Secretário de Estado dos Assuntos Europeus -
 Miguel Morais Leitão

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares - Teresa Morais

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - Paulo Núncio

Secretário de Estado da Economia - António Almeida Henriques

Secretário de Estado da Segurança Social - Marco António Costa

Secretário de Estado do Tesouro - Maria Luís Albuquerque

Adolescência eterna (2)

Filed under: Comentário — Carlos M. Fernandes @ 15:09

Desde hacía miles de años, antes incluso de que las cóncavas naves zarparan rumbo a Troya, hubo hombres con arrugas en torno a la boca y lluviosos corazones de noviembre – aquellos cuya naturaleza los decide tarde o temprano a mirar con interés el agujero negro de una pistola – para quienes el mar significó una solución y siempre adivinaron cuándo era hora de largarse.

Arturo Pérez-Reverte, La Carta Esférica

E quais serão as causas? Talvez o desaparecimento de uma clara divisão entre o mundo dos homens e o mundo das mulheres. Hoje, um homem já não tem espaço para a solidão, nem para os tais “jogos”, que sempre existiram, mas que ficavam ali, entre paredes, no mundo dos homens. Quando se pede aos homens que assumam papéis nos quais não se sentem confortáveis (aulas de parto e assistir aos partos são algumas das modas idiotas das últimas décadas), é normal que adiem o compromisso. Quando existe uma pressão social no sentido de domar as famílias e conduzi-las pelos bons caminhos progressistas (agora as crianças devem estar sempre com os pais, agora as crianças não podem ser castigadas, agora as crianças são tratadas como jovens adultos e não como…crianças!), é normal que um homem não se deixe levar tão facilmente para esse inferno. A natureza humana não muda. Os tempos sim. E não se esqueçam que, se é verdade que o “pai forte e presente” é uma figura do nosso passado e da nossa cultura, também houve (e há) aqueles que sentiam o apelo do mar e “desapareciam” durante meses. E foram esses que conquistaram o mundo.

Esperam-se reacções dos acampados que destroem propriedades agrícolas

Filed under: Ambiente,Política,Religião,Saúde — ruicarmo @ 12:25

«La agricultura orgánica no es mejor, es un capricho de ricos».

Fundo rejeitado

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 12:14

“Um ano depois de ter entrado em vigor a reforma laboral espanhola, o governo desistiu de avançar com umas medidas mais importantes do pacote legislativo: a criação de um fundo que financie os despedimentos”, hoje, no Jornal de Negócios (contracapa).

A suspensão daquela medida, que também está preconizada no nosso programa com a troika, é uma vitória da sensatez que, espero, possa ser reproduzida em Portugal. Como comentei, en su dia, no Portugal Contemporâneo, não faz sentido obrigar todas as empresas a responder solidariamente pelas perdas de algumas, obrigando à comparticipação comum dos despedimentos, pois, ao fazê-lo, representaria a perversão das regras da concorrência. Além disso, também não entendo – e esta é uma crítica directa aos técnicos da troika – por que é que, por um lado, se sugere a criação de um fundo comum que subsidie os despedimentos, encarecendo o custo associado ao factor trabalho, se, por outro lado, se pretende, reduzindo a Taxa Social Única, embaratecer o custo associado ao mesmo factor trabalho?! É mind twisting

As alterações a fazer à lei laboral são muito simples e resumem-se ao seguinte: a) reduzir o coeficiente indemnizatório pago pelas empresas aos trabalhadores, a fim de que os despedimentos, quando necessários na actividade corrente das empresas, sejam economicamente viáveis sem se tornarem predatórios de uma salvaguarda razoável dos interesses das pessoas despedidas e; b) flexibilizar os despedimentos individuais, a exemplo do que sucede no resto do mundo. Mas, enfim, tanta conversa para nada, já que também neste domínio não há que inventar a roda: olhe-se para a Alemanha e copie-se, sim copie-se, o que por lá se faz! Assunto encerrado. Next issue please

Grandes Questões

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 12:02

primavera-verão

Tenho uma pergunta para as pessoas que dominam as subtilezas da política primavera-verão de 2011: como escolher entre duas alfaces idênticas quando uma é “biológica” mas importada e a outra é “nacional” mas está cheia de químicos? Estava aqui a pensar o que é que havia de vestir com os “automóveis montados em Portugal para não virem importados do estrangeiro” que ontem o Prof. Marcelo aconselhou o governo a começar usar mas não tenho solução para este dilema.

A Adolescência Eterna

Filed under: Comentário,Educação,Nanny State Watch — André Abrantes Amaral @ 11:51

Também publicado aqui.

Winslow Homer, Girl on a Garden Seat, 1878.

Há anos que ouvimos falar do crescente número de mulheres nas universidades que concluem com sucesso os respectivos cursos. São elas quem tiram as melhores notas e mostram vontade de chegar mais longe, ainda arranjando tempo e força para ter filhos, educá-los e sacrificar com isso o seu trabalho. Este artigo já há várias semanas publicado no WSJ, alerta para a discrepância cada vez mais visível entre homens e mulheres. Se tivermos atenção ao que se passa à nossa volta, veremos rapazes, homens, que parecem não querer assumir compromissos, mas viver para sempre os seus vinte anos. Miúdos eternos com as suas namoradas, algumas vezes mulheres demasiado prontas, e à espera. Conversas permanentes sobre jogos, filmes que víamos quando tínhamos 10 anos e pior que tudo isso, uma recusa inata em se conhecerem e melhorarem. Pré-adultos, homens que se portam como miúdos, deixando sozinhas mulheres que se iludem, fazendo tudo por eles.

Muitos trabalham, mas fazem-no de uma forma individualista e não gregária. O artigo refere a extrema diversidade de profissões existente actualmente, permitindo sonhar com uma carreira que conduza a existência humana à sua plenitude. A realização no trabalho já não é trazer dinheiro para casa para alimentar a família e dar-lhe conforto, bem estar e protecção. Nem sequer é lutar pelo prazer de se fazer o que se gosta, independentemente do que os outros pensem. É uma realização pessoal baseada no reconhecimento dos demais que não permite outra solução que não seja o sucesso, sendo este a ostentação máxima, sem risco, nem mácula. Prestígio sem sofrimento, nem desilusão.

A ideia do pai forte e presente, apesar de tantas vezes fora a trabalhar, perdeu-se. Bem vistas as coisas, da imagem do deus da mitologia nórdica, pronto a sofrer, a perder e a morrer com dignidade, à do jovem de agora, que quer viver satisfeito e eternamente realizado, vai uma grande distância marcada por mudanças profundas. Foi Scott Peck quem iniciou o seu livro “The Road Less Traveled” com a afirmação Life is difficult.  A vida é difícil. This is the great truth, one of the greatest truths—it is a great truth because once we see this truth, we transcend it. Quem quer transcender esta verdade quando a ilusão sabe tão bem? Quem está disposto a passar pelas provações e chegar ao lado de lá, quando o divertimento está à mão de semear? Quem quer fazer o dito caminho menos percorrido?

Outro aspecto importante do artigo refere a incapacidade dos rapazes de hoje cumprirem o seu papel de homens. De protectores, corajosos, estóicos e até fiéis, valores hoje tido por ridículos. Ultrapassados. Não deixa de ser interessante como isto se relaciona com o que foi dito sobre a geração parva (ou à rasca) que se rodeia daqueles que nela se revêem, para que nunca a contrariem. Queixa-se, mas pouco mais faz que isso, numa atitude lamentosa na qual parece apreciar o que lhe basta. Os seus membros estão numa fase da vida que não querem ver acabada e, não podendo adiar o inadiável que é a velhice e a morte, fazem-no, ao menos, afastando a responsabilidade que é o assumir que tudo tem um fim.

Uma sugestão ao novo governo…

Filed under: Economia,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 11:23

…sobre como rentabilizar os investimentos no aeroporto de Beja e zona turística do Alqueva. Não é preciso fazer nada, apenas devolver uma pequena liberdade, nem que seja restricta territorialmente. Afinal, um país que subsidia o aborto, pode muito bem viver com a imoralidade das slots machines, ou não?

IMI: reavaliação dos imóveis

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 11:17

“Sem a ajuda de peritos e avaliadores privados, o Fisco não tem condições para, no final de 2012, ter concluídas as reavaliações dos 5,4 milhões de imóveis urbanos – de um total de 7,9 milhões – que ainda não pagam impostos de acordo com os valores de mercado por não terem sido reavaliados à luz das novas regras em vigor desde 2003 (…) O memorando de políticas económicas e financeiras, assinado com o FMI, prevê, além da reavaliação dos valores patrimoniais, a partir do segundo semestre de 2011, aumentos das taxas a partir de 2012, que ajudarão a compensar a redução do IMT.”, hoje, no Jornal de Negócios (páginas 26 e 27).

Ora, se eu estivesse no Governo e, sobretudo, estando sujeito ao programa de Governo da troika, esta seria das primeiras medidas a implementar. Seria fácil, seria barato e daria milhões! Porém, fá-lo-ia com um conjunto de caveats…

Primeiro, ao contrário do que a notícia sugere, eu não sub contrataria todo o processo de avaliação; apenas sub contrataria, a peritos avaliadores, a notários ou a outros, a parte documental do processo, isto é, a obtenção das plantas e dos registos notariais, para determinar a volumetria dos activos e a identificação dos respectivos proprietários. Quanto à avaliação em si, não haveria que inventar a roda: as avaliações teriam por base os preços do metro quadrado, publicados, todos os meses, pelo Instituto Nacional de Estatística e que, por sua vez, se baseiam nas avaliações bancárias que presidem à concessão de crédito hipotecário. Estes dados, para além dos valores por região e por tipologia, poderiam ser afinados introduzindo o poder de compra concelhio (também disponível), e forneceriam o preço de construção em cada local, que constituiria a base tributável, eliminando toda a subjectividade associada a considerações de natureza comercial ou outros conflitos de interesses.

Segundo, na primeira vaga de avaliações incluiria exclusivamente os imóveis do Estado, que, citando de memória o último livro do novo ministro da Economia, detém mais de dez mil imóveis (as Administrações Públicas dão-se ainda ao luxo de arrendar outros mil…). Só depois de avaliado todo o património imobiliário público, e só depois de me certificar de que também o Estado estivesse a pagar os respectivos impostos, é que passaria à segunda vaga de peritagens, as quais abrangeriam os tais 5,4 milhões de imóveis urbanos não avaliados e ainda os mais de 11 milhões de imóveis rústicos que a notícia do Negócios também refere e que o memorando trata por igual.

Terceiro e último ponto, eu introduziria cláusulas de “lease back” ou “call option” como contrapartida do não pagamento do imposto devido, em alternativa às multas ou, pior ainda, em alternativa às penhoras desmesuradas. Assim, e assumindo uma arbitragem independente – o artigo do Negócios indica que o contribuinte, no caso de uma reclamação contra o Fisco, também tem direito a indicar um perito e a remeter o caso para uma Comissão Arbitral Municipal (o IMI reverte a favor dos Municípios) –, realizada em tempo útil (à atenção da senhora ministra da Justiça), que resultasse desfavorável ao devedor do imposto, este ficaria, numa situação de “lease back”, com a obrigação de venda do imóvel pelo seu valor de avaliação patrimonial, arrendando de seguida o espaço ao novo proprietário (o Município) a uma taxa normal de mercado (historicamente, 5% sobre o valor do activo) durante um período de tempo findo o qual a propriedade do activo lhe seria devolvida. Ou, então, numa segunda possibilidade, isto é, numa “call option”, o credor ficaria com o direito de adquirir o imóvel pela mesma avaliação patrimonial que tivesse estado na origem do imposto mal parado. Atente-se que, estas regras seriam válidas e aplicáveis aos privados e ao próprio Estado.

Portanto, deste modo, conseguir-se-iam atingir vários objectivos, nomeadamente: a) criação de emprego – ainda que boa parte fosse apenas temporário – associado ao processo de rastreio e registo; b) uniformização e harmonização da cobrança fiscal em sede de IMI, sem, com isso, se recorrer a tácticas de extorsão por parte da Administração Fiscal; c) apresentação, e efectiva confirmação, do Estado como primeira pessoa de bem neste País, incentivando a própria Administração Pública a vender parte do seu património imobiliário e; d) dinamização das transacções imobiliárias, quer no arrendamento quer na venda – em qualquer uma das soluções o Estado não ficaria a perder –, que, posteriormente, seriam ainda mais alavancadas através da redução prevista no IMT…Enfim, parece fácil, parece barato e parece dar milhões!

boa ideia

Filed under: Diversos — ricardoarroja @ 11:11

“Os notários podem ser uma das chaves parar cumprir o acordo com a troika no que respeito ao sistema judicial. O memorando assinado com os representantes do Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu impõe um curto prazo de dois anos para acabar com os quase dois milhões de processos pendentes nos tribunais e os cartórios notariais podem vir a tomar conta de processos como a execução de dívidas, o despejo por falta de pagamento de rendas e a arbitragem fiscal. Isto para além dos inventários e partilhas, uma competência que já há dois anos lhes está atribuída por lei mas que ainda não se concretizou (…) ‘Estamos preparados, organizados e dispostos a assumir essas funções’, diz o Bastonário da Ordem dos Notários. Alex Himmel salienta, por outro lado, que os cartórios notariais constituem uma rede nacional que está instalada em todos os concelhos, com meios e pessoal altamente qualificados e onde não há pendências.”, hoje, no Público (página 2).

Esta ideia tem pés para andar, desde que os notários sejam pagos por processo despachado.

Junho 26, 2011

O alcatrão da pista de Beja é igualmente muito bom II

 Alguns exemplos da amigo Zapatero. Nem só do sucesso do aeroporto de Beja vive o investimento público.

O estatuto editorial do Expresso

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:30

Sem discordar da análise da Helena Matos, acho no entanto muito saudável que o Expresso assuma publicamente aquilo que é.

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