Como se diz nas Américas… a merda está prestes a ir de encontro à ventoinha na zona euro.
E o que me motivou a fazer uma asserção tão fecal? Muito simples, as taxas de crescimento das economias da zona euro. A Alemanha e a sua colega falicamente comprometida, a França, ambas ultrapassaram confortavelmente as mais optimistas previsões de crescimento.
A periferia europeia, no entanto, está em muitos maus lençóis. Portugal, Grécia e Irlanda estão a atravessar recessões brutais. Esta recessão e as medidas de austeridade que a acompanham, está a provocar uma revolta social sem precedentes, agravada pelo facto de a percepção pública ser de que a austeridade é a mando de Bruxelas para a protecção dos bancos e não dos cidadãos.
A disparidade no crescimento entre os diversos países da zona euro, só veio piorar a situação. A política monetária de um país deve (idealmente) reflectir as condições económicas do mesmo. Quando o crescimento é forte e o risco de inflação é alto, sobe-se as taxas de juro de modo a tentar controlar as coisas. Quando o crescimento é fraco, e avizinha-se uma recessão, mantêm-se taxas de juro baixas e evitam-se medidas socioeconómicas austeras.
O problema é que temos os países “fortes” do centro/norte a ir na direcção oposta à periferia do sul da Europa. Levando a que a política monetária comum da zona euro, se torne num emaranhado de contradições.
Não faz sentido termos a Alemanha e Portugal a partilhar as mesmas taxas de juro… é ridículo. Se a Alemanha continuar a crescer a este ritmo, as pressões inflacionárias sobre o seu mercado irão levar certamente a que o Banco Central Europeu promova um aumento das taxas de juro de modo a proteger o seu “cavalo de batalha económico”. Do outro lado da barricada economia, temos Portugal, Grécia e Irlanda a tremerem com a perspectiva de um aumento dos juros e consequentemente um descalabro económico ainda maior.
A solução a curto prazo, poderá passar pela reestruturação da divida pública dos países em crise. Contudo, basta referir a palavra “reestruturação” em Bruxelas, para ver que a ideia não tem pernas para andar junto dos colossos europeus.
Mas porquê essa reticência em sequer discutir a viabilidade da ideia? Por parte da Alemanha e da França, a resposta é simples… os respectivos bancos detêm boa parte da divida portuguesa, grega e irlandesa.
Ou seja, é a crise “subprime” outra vez, mas agora a um nível nacional. Portugal, Grécia e Irlanda acabaram de perder o emprego, não conseguem pagar aos bancos (alemães, franceses) a mensalidade das respectivas casas, e os bancos estão de mãos atadas a uma enorme bomba de produtos tóxicos, a qual não podem deixar explodir de modo algum.
Não estamos perante um benevolente pacote de ajuda a Portugal, mas sim uma ajuda encoberta ao sistema bancário.