11 Abril 2011
09 Abril 2011
Terei que guardar para amanhã...

... o que tencionava dizer hoje. Mas, em contrapartida, deixo aqui este novo desarrincanço de Nicolau Saião:
Três tristes tigres
Uma foto involuntariamente genial?
Talvez o profissional que fez esta foto a tenha feito involuntariamente, mas efectivou uma obra-prima!
Há momentos felizes, como dizia a Brassai o grande fotógrafo Atget. Senão, veja-se: plasmou para os tempos futuros, com um ricto muito deles no rosto, estas 3 personagens: Edite Estrela, com um sorrisinho alvar; Sócrates, de face baixa, perdido não se sabe em que congeminações tão sombrias como o carácter que parece ser o seu; e Almeida Santos, o pau-para-toda-a-obra, dinossauro dum PS às aranhas e o homem que há anos atrás, sem pudor, ante uma petição parlamentar que buscava responsabilizar os políticos nas suas eventuais golpadas, aconselhava os colegas a dizer Não, pois e citamos de memória, ainda se iriam arrepender de aprovarem...!
Três rostos para a História, que a História guardará como um espelho destes tristes tempos de arrivistas ...
05 Abril 2011
De um aspirante a César...

... já se estaria à espera de algo como isto, que transcrevo de seguida:
César desmente Bagão acusando-o de ser “delator" do Conselho de Estado
O recurso a um empréstimo intercalar “não foi discutido no Conselho de Estado, embora toda a gente entenda que foi certamente discutida a possibilidade ou necessidade de recurso a ajuda externa”, garantiu hoje ao PÚBLICO o presidente do governo regional dos Açores, Carlos César.
“Já que o conselheiro Bagão acusa o primeiro-ministro de mentir, quero dizer que se me tivessem feito a mesma pergunta que fizeram a José Sócrates teria respondido com verdade da mesma forma”, acrescenta o presidente do executivo açoriano, que por inerência destas funções integra o Conselho de Estado
“Já se percebeu quem foi o delator da última reunião do Conselho de Estado: o novel conselheiro Bagão Félix, que mal entrou para aquele cargo apressou-se a desonrá-lo e ainda tem o atrevimento de falar de ética e decência”, conclui.
Adenda, às 22h:
Depois de António Capucho ter confirmado o que foi dito por Bagão Félix, Almeida Santos reconfirma, por sua vez, as palavras de José Sócrates e classifica o procedimento de Bagão como "lamentável".
04 Abril 2011
Bons serviços

31 Março 2011
"Aleluia!"

Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram.
O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto.
Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do satu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal.
Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos.
Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas.
Os responsáveis por tudo isto e os seus porta-vozes já se começaram a esfalfar, a acusar desvairadamente os outros de terem criado um impasse irremediável para Portugal, a passar uma sórdida esponja de silêncio e manipulação sobre o que foi a actuação dos Governos socialistas desde 1996 e, em especial, desde 2005, a fazer esquecer que é ao PS e ao seu Governo que se devem coisas tão sugestivamente picantes como a crise, o aumento delirante dos impostos, o aperto asfixiante do cinto, a subida incomportável do custo de vida, o desemprego sem esperança, o fim da dignidade nacional.
Nessas virtuosas indignações da hipocrisia socialista, já se vê quanta gente do PS anda já por aí a desmultiplicar-se, na rádio, em blogues, um pouco por toda a parte e até aqui nos comentários aos artigos, a jogar na inversão e na distorção de todos os factos e de todos os princípios. Alguns ingénuos talvez deixem mesmo de se perguntar mas afinal que canalha é essa que se diz socialista, para sustentar o insustentável e defender o indefensável.
Já toda a gente percebeu que o país só sai desta se tiver uma verdadeira "ditadura da maioria", expressão que, como é sabido, causava calafrios democráticos ao dr. Soares. Amanhã, se nessa maioria entrasse o macabro PS que ele ajudou a fundar, tal conceito ficaria, apesar de tudo, esquecido entre as brumas da memória. E se, como é de esperar e de desejar, o PS for reduzido a cisco em eleições, não nos admiremos por assistirmos em breve à recuperação grandiloquente do chavão.
Já se percebeu que a Europa o que quer é que Portugal não faça mais ondas e volte a ser o bom aluno que os próceres socialistas escarneciam tão displicentemente. Deve recordar-se ao dr. Sampaio que, no estado de porcaria pantanosa a que isto chegou e que ele não denunciou a tempo, hélas!, afinal não há muito mais vida para além do orçamento. E mesmo a pouca que houver se vai pagar muito caro.
Eu, cá por mim, com a queda desta gente execrável, só posso exclamar: - Aleluia!
18 Março 2011
A facadinha do costume

16 Março 2011
Somos solidários...

"É também por isto que eu vos digo: enquanto eu for vivo, tudo farei para correr com essa canalha como nefastos predadores. O PS não é um partido político - é uma associação de malfeitores".
23 Janeiro 2011
Os Padrinhos

06 Janeiro 2011
Já foi eleito...

19 Outubro 2010
Os meninos de Goebbels

“Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito” – Goebbels
O nosso Primeiro-ministro e a sua máquina de corporativos bebeu os ensinamentos da propaganda em Goebbels. Cedo perceberam que a sua comunicação deveria ter como ponto de partida um profundo conhecimento do indivíduo e das massas de molde a conseguir uma boa manipulação de ambas.
Eles conhecem bem os desejos do português médio e as suas necessidades. Depois perceberam que hoje os media são cada vez menos livres na medida e proporção da sua dependência empresarial do mercado publicitário. No país do respeitinho e no qual empresas como a PT (TMN/Sapo/PT), a EDP, a Galp ou CGD , só para citar alguns exemplos, são gigantes publicitários à nossa medida e grandeza, tudo se torna mais simples e eficaz. Acresce uma equipa de assessores e consultores bons e disponíveis para o papel depetit Maquiavel de serviço.
A forma como desde o início e sobretudo desde 2008, o Primeiro-ministro fantasiou os números, baralhou e voltou a dar, mentiu e omitiu sem qualquer pudor não poderia resultar se não existisse uma máquina bem montada e melhor oleada. Foi assim que modelou os seus meios ao serviço da sua vontade e do seu desejo de manutenção do poder.
Curiosamente, é na direita que este projecto comunicacional encontrou alguns dos seus mais silenciosos e dedicados seguidores, cuja Banca e boa parte das grandes empresas são disso bom exemplo. A última embaixada dos bancários (não confundir com Banqueiros) à sede do PSD para pressionar Passos Coelho a aprovar o Orçamento de Estado para 2011 ficará nos anais da história como a cereja no topo do bolo dos corporativos.
Hoje, reconheço, não foi só Passos Coelho e a sua equipa que foram ingénuos. Fomos todos. Ninguém queria acreditar ser possível, em pleno séc. XXI, um grupo conseguir manipular desta forma tão eficaz a comunicação. Neste mundo repleto de informação, com milhões de membros nas redes sociais, com a independência e até uma certa libertinagem na blogosfera, seria impensável um projecto desta envergadura e alcance ter sucesso.
Agora a máquina está concentrada num só tema: a necessidade imperiosa de aprovar o orçamento, seja ele mau, péssimo ou trágico. Não importa, apenas interessa aprovar para manter o poder. Mesmo asfixiando a classe média, esganando os pobres e protegendo os mais ricos dos ricos (sinónimo de donos dos bancos, grandes empresas das parcerias público-privadas e detentores directa e indirectamente dos instrumentos de poder comunicacional).
E quem mais defende e se bate pela aprovação do OE2011 por parte do PSD? O PS e o seu eleitorado? Não. Um certo PSD. Estranho? Não, compreensível. Uns por pertenceram ao grupo dos dedicados e silenciosos seguidores. Outros por meros interesses político-estratégicos pessoais de curto/médio-prazo. Alguns por acreditarem, piamente, que é a melhor forma de derrotar o homem daqui a uns meses.
Sinceramente, não sei se me espante mais com o calculismo dos primeiros, com o egoísmo dos segundos ou com a ingenuidade dos terceiros. Num país sério e decente o orçamento seria chumbado, o FMI chamado e os executores da morte deste país metidos na cadeia.
Infelizmente, não será assim, para mal dos nossos pecados…
18 Outubro 2010
Uma magistral parelha de coices

Semanada
E enquanto uns peregrinavam em direcção à Buenos Aires o ministro das Finanças reunia os jornalistas para lhes dar a conhecer um orçamento apresentado como se fosse a palavra do senhor, algo decidido por uma entidade divina que deve ser aceite por todos sob pena de os portugueses irem de TGV para o inferno do FMI. A palavra orçamental é de tal forma inquestionável que até fazia sentido que em vez de uma pen o ministro das Finanças tivesse entregue a Jaime Gama um contentor cheio de tábuas de eucalipto com a lei do senhor inscrita a fogo. Para completar o cenário litúrgico o ministro das Finanças ainda respondeu a uma jornalista fazendo votos de pobreza, afirmando-se disponível para abdicar de todas as riquezas assumindo o estatuto de franciscano. Eufóricos ficaram os seus acólitos, os directores financeiros, amigos que nomeou com o estatuto de directores-gerais em todos os ministérios para assegurar que a sua palavra era ouvida pelo governo.
Depois de se ter remetido ao isolamento de eremita Manuel Alegre reapareceu para denunciar que quando Cavaco Silva diz “venham a mim as crianças” não passa tudo de uma encenação, os meninos são arrebanhados nas escolas e levados ao falso santo com bandeirinhas de Portugal. Cavaco não se incomodou muito com o reaparecimento de Alegre e continuou a pregar a concórdia partidária, nada dizendo se volta a concorrer ao altar do poder ou se prefere continuar a marinar os candidatos a santos.
Enfim, uma semana em que os portugueses ficaram a saber que o ministro das Finanças tem princípios austeros mas que a miséria franciscana ficou reservada para os outros. Uma semana em que o portugueses ficaram a saber que essa miséria franciscano vai muito para além dos bens materiais, já está presente na cultura política, com candidatos presidenciais a disputar criancinhas e líderes políticos e governamentais a receberem banqueiros como se os votos dos cidadãos fossem mero lixo.
*
Demita-se senhor ministro das Finanças
Teixeira dos Santos deve estar muito grato aos mercados, graças aos malditos especuladores pode tentar iludir os portugueses fazendo-lhes crer que governou exemplarmente as finanças públicas durante seis anos e agora se não fosse ele a apresentar o “orçamento mais importante dos últimos 25 anos” os portugueses veriam o seu país entregue aos cuidados paliativos do FMI. Portanto, Teixeira dos Santos não é responsável, transformou-se em salvador, um salvador a que quem estiver interessado em deixar o orçamento pode telefonar-lhe das 0 às 24h.
A culpa não é dos que pedem dinheiro, que não controlam as despesas e são obrigados a empenhar-se cada vez mais, a culpa é dos que emprestam o dinheiro e não deviam cuidar dos seus interesses emprestando-o a um país que caminha para a bancarrota. Foi culpa dos mercados o descontrolo intencional da despesa durante 2009? Não me parece.
Se um país está à beira da bancarrota e o ministro das Finanças está no cargo não se pode aceitar que em vez de ser avaliado ainda se arme em fanfarrão e venha dizer que fez uma grande coisa e deve ser tratado com a reverência merecida a um herói. Se eu roubar um papo-seco no Pingo Doce ou no Lidl corro um sério risco de ir a julgamento e um ministro que conduz as finanças públicas a um ponto em que se tira uma parte substancial do rendimento dos portugueses ainda tem a distinta lata de falar de cima para baixo?
Os portugueses estão a pagar a ineficácia da máquina fiscal gerida pelo ministro, estão a pagar o excesso de despesa que os famosos controladores financeiros deveriam ter controlado, estão a pagar a despesa resultante das decisões do ministro das Finanças em relação ao BPN. É verdade que também pagamos os submarinos do Portas mas as finanças estão demasiado no fundo para que tudo se explique com submergíveis. Há um senhor que deve ser julgado antes de qualquer outro, é Teixeira dos Santos, ministro das Finanças. É verdade que os especuladores fizeram com que os juros da dívida subissem, é verdade que a actuação de Pedro Passos Coelho, mas antes de condenar um e julgar o outro é Teixeira dos Santos que deve ir a julgamento e em democracia esse julgamento.
Teixeira dos Santos falhou todas as previsões, nomeou chefias inúteis só para empregar amigos como controladores financeiros, deu sinais errados aos portugueses dizendo-lhes que a despesa estava sob controlo, mentiu sistematicamente sobre a real situação financeira do país. Teixeira dos Santos é o responsável pela uma das situações financeiras mais difíceis do país desde o princípio do século vinte, mas não teve que enfrentar qualquer revolução ou guerra, governou as contas em democracia, com Portugal na EU e com maioria absoluta durante mais de quatro anos, não tem desculpas.
Nas democracias os cortes salariais ou nos direitos dos cidadãos são decididos por consenso e em resultado do debate parlamentar, são conseguidos com contrapartidas negociais para os que são penalizados, são feitos com objectivos de progresso. Não é normal que em democracia um ministro decida a quem tirar 15% do rendimento sem que a vítima se possa pronunciar e em consequência da sua própria incompetência.
Se eu fosse ministro das Finanças e fizesse o que Teixeira dos Santos fez ao país e aos portugueses pediria humildemente desculpa aos meus concidadãos pelos prejuízo que a minha incompetência lhes provocou e apresentaria o pedido de demissão.
No Forum do PÚBLICO...

11 Outubro 2010
O azar e a necessidade
Um texto de Nicolau Saião, que recebi hoje de manhãzinha:
As televisões, no seu espaço noticioso, hoje abriram com uma local de enorme importância: "Se o Orçamento não for aprovado, determinando a queda do governo, Cavaco nomeará Jaime Gama para formar o novo executivo".
Notícia significativa e que, independentemente do valor que se possa atribuir a Gama, é um raio de luz no corredor cinzento em que os próceres governativos, liderados por esse inenarrável José Sócrates com a sua entourage de áulicos e apparatchikis, mergulharam o País.
Sócrates, simulador compulsivo com ponta de megalomania governamental, é hoje uma presença nefasta que urge afastar do convívio com o Poder. Ficará na História como um émulo de Vasco Gonçalves pelo destrambelhamento governativo que levou a Nação a um caos, como um irmão espiritual de Cunhal pela demagogia, a untuosidade e o tripúdio sobre os cidadãos de menor poder económico e pela hostilização a que submeteu as classes profissionais como, por exemplo evidente, os professores, servido pela prepotência dura de Lurdes Rodrigues ou a suave e hipócrita de Isabel Alçada.
Como referiu num título célebre Budd Schulberg, "O que faz/fazia correr Sócrates?". Incapacidade de ver e sentir que arrastava com ele Portugal para o monturo? Ou receio de que, abandonando o Poder, muitas e variadas "coisas" lhe iriam cair em cima, com responsabilização assustadora?
Não o sabemos - nem o curamos de saber. A necessidade uniu-se ao azar, como se costuma dizer: azar por ele ter tido ensejo de ser o "chefe da banda" durante demasiado tempo. Necessidade, imperiosa, de não o deixarmos doravante tocar mais música...!
ns
29 Setembro 2010
Notícias dos construtores do Universo

28 Setembro 2010
Auxiliar de memória
Ontem à noite, estendi-me frente à televisão e por ali fiquei a ruminar o que ia ouvendo. A partir de certa altura, dada a habitual falta de interesse da programação dos diversos canais quanto a filmes e séries (estava a dar televisão em todos, como diria o Quino pela boca da Mafaldinha), lá fui parar, contrariado, aos habituais canais de informação e aos generalistas. E acabei por me fixar, primeiro na SICNotícias, depois, na RTP1. No Jornal das 9 e no Prós e Contras.
Pousei no Jornal das 9 na altura em que falava já Henrique Neto, velho e digno membro do Partido Socialista. Que não tem por hábito mandar recados por ninguém. E que referia o facto, impensável no Portugal de há duas décadas atrás, face ao nível político e intelectual dos dirigentes de então, de vermos um secretário-geral da OCDE em Lisboa a dizer-nos o que havemos de fazer. E que, prosseguindo, lembrava a intervenção que tivera no congresso do seu partido, ao tempo de Guterres, no qual, contrariando as sonoras proclamações triunfalistas de que a economia ia de vento em popa, afirmara, no meio das sorrisos depreciativos de quem o alcunhava de “derrotista” e de “velho do Restelo”, que, pelo contrário, ela se encontrava em declínio, pelos mesmos motivos que hoje servem para justificar a crise.
E que disse mais: que as suas intervenções estavam registadas para quem as quisesse ler, só que ninguém as lia nem estava interessado em lê-las. E que, quando isso acontecia, eram, em geral, convenientemente deturpadas. E que ao país não será nada fácil encontrar uma saída para o actual estado de coisas. Porquê? Porque a quem está no poder não interessa mudar seja o que for. E quem está no poder? Os boys do PS, para cujo perigo que constituíam Guterres alertava o próprio partido (ingenuidade ou puro desespero?, pergunto eu), dominando a máquina do Estado, emperrando-a, sempre que necessário, para manter o seu estatuto social e económico. Disse-o. Desassombrada e tristemente.
Uma hora e tal depois, eis que aterro no programa da Fátima Campos Ferreira. Desta vez, no momento em que ela punha uma questão ao Professor Jacinto Nunes, ex-ministro de um governo da iniciativa de Ramalho Eanes (em 1977 ou 78, nem eu nem ele nos lembrávamos já) e ex-governador do Banco de Portugal. Jacinto Nunes, que foi sempre um exemplo de competência, seriedade e isenção. E de dignidade. E que respondeu à pergunta da moderadora, sobre se a actual crise política poderia ser atenuada com um governo da iniciativa de Cavaco Silva da seguinte maneira: seria completamente desaconselhável um tal recurso, pois que nenhum partido apoiaria esse governo, já que todos eles se preocupam somente com o seu lugar, influência e poder na política portuguesa, a exemplo do que sucedera àquele de que fizera parte e aos restantes promovidos por Eanes.
E que disse, também ele, mais: disse que os diferentes grupos políticos de hoje se caracterizam pela grosseria, pela má-educação e pela falta de horizontes culturais e cívicos, pela estreiteza de vistas, pela agressividade mútua. Não o disse exactamente por estas palavras, mas aquelas com o que o exprimiu estavam carregadas deste mesmo sentido e nelas ressoavam a tristeza, a amargura e a indignação. Ressoavam discretamente, porque o Professor Jacinto Nunes só deixa transparecer a sua educação, mesmo quando a desilusão lhe amarfanha a alma.
E, finalmente, quando hoje se pôde ouvir, na comunicação social, a senhora ministra da Educação, dizer, com a mais completa impunidade, que considerava o caso do aluno que entrou com vinte valores no Ensino Superior, bem como outros casos semelhantes, “absolutamente normal”, fiquei a pensar que se abrira mais um alçapão, e que aquilo que se julgara ser o fundo, afinal ainda não o era. Para, logo de seguida, sentir que um segundo se abrira, ouvindo-a proclamar a maior fraude de que tenho conhecimento ao nível do ensino, um verdadeiro crime de lesa-pátria designado por Novas Oportunidades, como sendo um “ensino de qualidade”. E, aí, já não pensei em mais nada.
Escrevi isto. Só para eu próprio ter perante mim, sem dó nem piedade, o Portugal em que nos tornámos. Para que a minha memória não esqueça.
14 Maio 2010
O dilema

13 Maio 2010
O deputado de uma República de grande craveira

03 Dezembro 2009
Exemplar!!!


