Alberto de Lacerda
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Segunda-feira, Dezembro 14, 2009
Domingo, Dezembro 13, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (11 e final)

Spider, de David Cronenberg, Canadá, 2002 («Retrospectiva David Cronenberg»). Ralph Fiennes num papel soberbo dum esquizofrénico que carrega o peso dum passado obsidiante. Outro grande filme de Cronenberg. El Sur, de Victor Erice, Espanha e França, 1983 («Cineastas raros»). O Sul é a Andaluzia, imaginada do Norte de Espanha por Estrella, a filha dum casal de opositores ao franquismo; o Sul terra dos avós, reaccionários, e duma velha paixão lá deixada. O filme participa da mesma quietação angustiosa que vimos em «Alumbramiento»* essa jóia dum cineasta raro que pudemos conhecer no Estoril.
Tetro, de Francis Ford Coppola, EUA, Itália, Espanha, Argentina, 2009 («Fora de competição»).
Não sei se «Tetro» ficará na filmografia de Coppola* como um dos seus pontos mais altos. Um grande filme é sempre um grande filme, mesmo quando o realizador se chama Francis Ford Coppola e tenha assinado «O(s) Padrinho(s)», «Apocalypse Now», «Do Fundo do Coração» ou «Drácula». O que sei, é que é um filme arrebatador -- do tema ("todas as famílias têm um segredo") à opção pelo preto-e-branco, dos actores (desde logo, Vincent Gallo e Maribel Verdú) à música e à cidade de Buenos Aires, onde a maior parte da acção decorre. De todas as novidades do festival, provavelmente aquela que mais tenho vontade de rever.
Não sei se «Tetro» ficará na filmografia de Coppola* como um dos seus pontos mais altos. Um grande filme é sempre um grande filme, mesmo quando o realizador se chama Francis Ford Coppola e tenha assinado «O(s) Padrinho(s)», «Apocalypse Now», «Do Fundo do Coração» ou «Drácula». O que sei, é que é um filme arrebatador -- do tema ("todas as famílias têm um segredo") à opção pelo preto-e-branco, dos actores (desde logo, Vincent Gallo e Maribel Verdú) à música e à cidade de Buenos Aires, onde a maior parte da acção decorre. De todas as novidades do festival, provavelmente aquela que mais tenho vontade de rever.Sábado, Dezembro 12, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (11)
Rendez-vous, de André Téchiné, França, 1985 («Homenagem Juliette Binoche»). História banalíssima da provinciana na grande cidade, à procura dum lugar ao sol nos palcos e nas telas. Fogosa, Nina vai coleccionando homens, sem disso tirar grande proveito (o traço mais curioso da personagem é mesmo uma certa candura e desprendimento). Entre o frouxo bom rapaz, o desequilibrado mau rapaz, mais atractivo e necessariamente mais atraente, até ao génio torturado que a transfigura e a deixa à beira da interpretação do papel de Julieta... Bah! Binoche*, já luminosa mas ainda matéria em bruto, para outras mãos que não as de Téchiné.
Le Roi de l'Évasion, de Alain Guiraudie, França, 2009 («Em competição»). A homossexualidade campónia, deselegante e feia -- eis o desígnio do realizador: mostrar que para além dos gay pride e das lantejoulas, continua a haver nos meios pequenos e tradicionais da velha europa um conjunto de restrições e interditos que persistem em condicionar os indivíduos. Infelizmente, o filme envereda pelo grotesco e pelo absurdo. Ficamos, inclusive, sem saber o que faz por ali a personagem interpretada pela belíssima Hafsia Herzi (quem viu o magnífico «Couscous» não a esquecerá). Não liguem ao trailer; é publicidade enganosa.The September Issue, de R. J. Cutler, EUA, 2009 (caído não se sabe donde). Preparava-me para levantar o bilhete de «Duas mulheres»*, quando sou informado que o filme fora escalado para outro dia, substituído por um misterioso «The September Issue», ausente da programação. À hora do filme, o Centro de Congressos do Estoril estava invadido pela fauna da moda. Eu, que detesto moda, torci o nariz, mas ainda me dispus a ver o misterioso número de Setembro. Um documentário cretino sobre uma cretina que parece ditar a moda do alto da Vogue, revista que dirige. Resisti dez minuto ao horror de todos os clichés: mulheres velhíssimas suportadas a cremes e engalanadas com cabelo cor de molho de carne assada, modelos escanzelados e deprimentes, larilagem exuberante, homens de negócios fingindo-se prá-frente, babando-se de avidez.
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
caderninho
De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contigência substitui-a com o seu pânico. São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável. Não é a sua «falta» que falta, é o desmentido de que tu não morres. E o que logo a seguir te invade é o ridículo de qualquer razão ou interesse que te mantenha de pé. Vergílio FerreiraEscrever (edição de Helder Godinho)
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (10)
Petit Indi, de Marc Recha, Espanha e França, 2009 («Em competição). Um belo filme cheio de melancolia, conta a história de Arnau, um adolescente proletário cuja mãe está presa, sendo a libertação dela a sua causa dessa hora. Para tanto, concorre a peculiares certames de aves canoras, treinando vários pássaros, entre os quais um sobredotado pintassilgo. Ao mesmo tempo, Arnau salva uma raposa, que encontra bastante mal tratada -- atitude que terá uma consequência inesperada. Por muito que façamos o bem, nunca sabemos como seremos retribuídos.
Poltory Komnaty Ili Sentimentalnoe Putesheshtvie Na Rodinu («A Room And A Half»), de Anfrey Khrzhanovskiy, Rússia, 2009 («Em competição»). A história de São Petersburgo / Leninegrado e de alguns dos seus habitantes nos anos 50/60, cidade do poeta Joseph Brodsky, Prémio Nobel, amigo do realizador, com os constrangimentos e os sonhos duma geração do pós-guerra. Este seria o meu filme premiado, pelo recurso muito criativo à mistura de vários géneros cinematográficos, entre os quais os desenhos animados, o documentário e a animação computorizada.
Un Prophète, de Jacques Audiard*, França, 2009 («Fora de competição»). Um filmaço, para encerrar o EEF. Uma reconstituição notável do ambiente prisional, dos gangs que se defrontam dentro dos muros, das leis e das estratégias de sobrevivência, em que se conjugam a sagacidade e a sorte. Dois desempenhos notáveis do praticamente estreante Tahar Rahim e do veterano Niels Arestrup. Película europeia produzida e filmada à americana, como um avatar de Coppola ou Scorsese. Os franceses na sala, impavam.Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Segunda-feira, Dezembro 07, 2009
Antologia Improvável #411 - Cesário Verde
PROH PUDOR
Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada e langorosa.
Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.
Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...
Todas as noites ela, ó sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...

«Poesias dispersas»,
O Livro de Cesário Verde
(edição de Maria Ema Tarracha Ferreira)
Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada e langorosa.
Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.
Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...
Todas as noites ela, ó sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...

«Poesias dispersas»,
O Livro de Cesário Verde
(edição de Maria Ema Tarracha Ferreira)
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (9)
Kynodontas, de Yorgos Lanthimos, Grécia, 2009 («Em comprtição»). Venceu o Festival. Uma família, pais e três filhos adolescentes. Estes nunca saem de casa, não têm qualquer contacto com a realidade, por tal forma que esta é manipulada pelo pai, o que cria situações hilariantes. O filme ganha pelo absurdo e perde pelo caricatural. Não seria a minha escolha.Livros. Comprei dois, na banca da fnac. A saber: Notas sobre o Cinematógrafo, de Robert Bresson (Elementos Sudoeste); e As Lições do Cinema, de João Mário Grilo (Edições Colibri / FCSH da UNL).
Moon, de Duncan Jones, Reino Unido, 2009 («Em competição»). Um filme extraordinário, para mim, que nem sou grande apreciador de ficção científica, um dos melhores a concurso. O protagonista, o austronauta Sam Bell (grande desempenho de Sam Rockwell), é o único trabalhador duma estação lunar, tendo por companhia Gerty, um sagacíssimo robot para (quase) todo o serviço. Quando Sam sai em missão exterior,depara-se com um acidente na central extractiva do minério selenita de que a Terra necessita -- razão da sua presença aí. Estranho acidente: o astronauta avista nada mais nada menos do que o seu próprio cadáver. A saber: aquele que julgava ser o astronauta Sam Rockwell é, na verdade, um clone deste. O futuro é já aqui, quando todas as interrogações se levantam. Uma curiosidade: Duncan Jones é filho de David Bowie. Domingo, Dezembro 06, 2009
Sábado, Dezembro 05, 2009
ouvir um anjo
Michelle Bachelet, a extraordinária presidente do Chile nos funerais de Estado de Victor Jara -- o cantautor torturado e assassinado pelos esbirros do infame Pinochet, cinco dias depois do golpe de 11 de Setembro de 1973.
Yo no canto por cantar / ni por tener buena voz/ canto porque la guitarra / tiene sentido y razon
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
figuras de estilo - Oliveira Martins
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (8)
The Girlfriend Experience, de Steven Soderbergh, EUA, 2009 («Fora de competição»). Já vi melhor Soderbergh -- desde logo o inicial «Sexo, Mentiras e Vídeo». Outra vez a história batida da prostituta de luxo com uma relação estável, mas não imune às provações que a profissão acarreta à vida do casal. Filmado com mestria, com ritmo narrativo, música a ajudar. O grande interesse do filme estava todavia em Sasha Grey*.
Grey, Sasha -- «a rapariga mais badalhoca do mundo», segundo a Rolling Stone. Uma actriz porno da nova geração (tem 21 anos), que faz em «The Girlfriend Experience»* o papel angelical duma prostituta de luxo bem casadinha. Sem ser impressionante, desembrulhou-se convenientemente. Ela esteve no Centro de Congressos do Estoril, e impressionou-me o discurso bem articulado e as ideias assentes sobre o que quer para si. Nada que eu estivesse à espera que pudesse sair das bandas do Vale de São Fernando. Por alguma razão Soderbergh foi ter com ela.agradecia
Se me derem uma alternativa à decisão tomada por Obama de enviar mais tropas para o Afeganistão, para tentar sair de lá o mais rápido possível, agradeço.
Quarta-feira, Dezembro 02, 2009
caderninho
Quão insignificante e limitado é o intelecto humano normal, e quão pouca lucidez existe na consciência humana, é algo que pode ser avaliado pelo facto de, apesar da brevidade efémera da vida humana, da incerteza da nossa existência e dos inúmeros enigmas que nos pressionam por todos os lados, nem toda a gente se dedica contínua e incessantemente a filosofar, coisa que apenas as mais raras excepções fazem. Os restantes vivem a sua vida neste sonho, de uma forma não muito diferente da dos animais, dos quais, no final, apenas se distinguem pela sua capacidade de viver alguns anos mais. Se alguma vez chegaram a sentir alguma necessidade metafísica, as diversas religiões ocupam-se dela, de cima e antecipadamente.; e estas, sejam elas quais forem, bastam-lhes. Arthur Schopenhauer«Aforismos», de Parerga e Paralipomena (tradução de Alexandra Tavares)
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (7)
Fast Company, de David Cronenberg, Canadá, 1979 («David Cronenberg Retrospectiva»). Se eu não soubesse, e me dissessem que o filme era do Cronenberg, eu iria ali e já voltaria... O mundo louco e perigoso das corridas de dragsters, uns carros insanos que eu tinha na minha colecção da Matchbox + miúdas boazudas, estão a ver? Mas fascínio pelas máquinas e pelo insólito d(n)elas, está lá.
Flickan, de Fredrik Edfeldt, Suécia, 2009 («Em competição»). Uma rapariga (flickan) de dez anos é deixada nas mãos de uma tia tonta e irresponsável porque os paizinhos vão ajudar em África, na cooperação. A tonta da tia pisga-se com um namorado e a miúda fica entregue a si própria, uma casa vazia no campo, mas vizinhança não hostil. É um filme melancólico, de grande intensidade poética. A pequena actriz é luminosa, duma beleza de retábulo flamengo. A música e a fotografia são esplêndidas. Por mim, era um dos que podia ter ganho a competição; obteve uma menção especial do júri.
Felicia Inaiante de Toate, de Melissa De Raaf e Razvan Radulescu, Roménia, Bélgica, França, Croácia, 2009 («Em competição»). «Felícia, antes de tudo». Antes de mais, uma actriz fantástica: Ozana Oancea no papel da filha solícita e responsável, a viver na Holanda, no período de férias anuais de visita à família, que cria dependência dela -- mais emocional que material -- sufocando-a com as suas exigências. Insuperável está a mãe, autêntico pain-in-the-ass, interpretada brilhantemente por Ileana Cernat. Recebeu o «Prémio Cineuropa».Domingo, Novembro 29, 2009
Antologia Improvável #410 - Antero Abreu
UMA CANÇÃO DA PRIMAVERA
Nesta flor sem fruto que aspiramos
Eu vejo coisas que ninguém descobre:
Descubro o grão, o caule, os ramos,
E até o sulfato de cobre.
E ainda vejo o que ninguém mais vê:
Vejo a flor a desenhar-se em fruto.
E quer ela o dê, quer não dê,
É esse o fim por que luto.
Coimbra, 24.XI.949
No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)
Nesta flor sem fruto que aspiramos
Eu vejo coisas que ninguém descobre:
Descubro o grão, o caule, os ramos,
E até o sulfato de cobre.
E ainda vejo o que ninguém mais vê:
Vejo a flor a desenhar-se em fruto.
E quer ela o dê, quer não dê,
É esse o fim por que luto.
Coimbra, 24.XI.949
No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (6)
Estoril - Sucede que é a minha terra. Só não nasci lá, porque no meu tempo as mães já pariam nas maternidades. É o meu Estoril e já é outro. Sou agarrado ao tempo. Vivi dos melhores e dos piores anos da minha vida por baixo dumas telhas que espreitam a fotografia. E a vista ainda era melhor: baía de Cascais e casario do Monte Estoril. Privilégios.Quinta-feira, Novembro 26, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (5)
Duas Mulheres, de João Mário Grilo, Portugal, 2009 («Em competição»). Não percebo porque raio se faz um filme para contar uma história banalíssima, cheia de lugares-comuns. Não há paciência para o banqueiro beato e sem escrúpulos, a mulher mal casada e mal comida, a call girl prostituta porque gosta de ganhar num dia o que não ganharia num mês se fosse caixa de supermercado. Lamento, mas é tudo muito fraquinho. Salva-se os belos planos do Tejo e Lisboa, o pequeno papel de Nicolau Breyner* e a música de Wagner Tiso.
Eastern Promises, de David Cronenberg*, Canadá, EUA e Reino Unido, 2007 («Retrospectiva David Cronenberg») O que João Mário Grilo quis mostrar em «Duas Mulheres»* («o sentido predador das pessoas», pág. 37 do Catálogo), conseguiu-o plenamente Cronenberg neste filme. O meio é o da máfia russa, o cenário, Londres; Viggo Mortensen faz um papel do outro mundo como homem de mão do chefe mafioso, embora seja agente infiltrado, necessariamente dúbio. Nunca se sabe qual a sua verdadeira fidelidade, e o filme, no final, deixa-nos nessa suspensão. Um filmaço.
Eastern Plays, de Kamen Kalev, Bulgária e Suécia, 2009 («Em competição»). Um filme dum certo mal-estar balcânico e pós-comunista, as tensões étnicas entre búlgaros e turcos, uma perspectiva apesar de tudo esperançosa na possibilidade de comunhão, para além das divisões e das crises económicas, políticas e sociais de conjuntura. Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Terça-feira, Novembro 24, 2009
figuras de estilo - Francisco d'Orey
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (5)
Cornish, Abbie - Uma revelação, para mim, em «Bright Star»*. Do melhor que vi este ano. Comparável, só duas Kate Winslet em outros tantos filmes... Abbie Cornish impregna-se de Fanny Brawne, de quem se sabe pouco. Ou será o contrário?
Crash, de David Cronenberg, Canadá / Reino Unido, 1996 («Retrospectiva David Cronenberg»). Só agora vi este filme espantoso. O fetiche que passa os limites, levado às últimas consequências, mostra o pessimismo ontológico de Cronenberg: somos capazes de tudo, se deixarmos os instintos à solta. Isto é, do pior. Eu, pessimista que sou, tento consolar-me pensando que é possível uma perspectiva alternativa: seremos (alguns de nós) também capazes do melhor -- nalguns casos, daquilo que, bem ou mal se designa por "santidade"...
Cronenberg, David - Por detrás deste ar de serial killer, oculta-se o mais simpático dos homens. Pelo menos foi o que me pareceu, ao longe e míope, no auditório do Centro de Congressos do Estoril. (Tenho pena de não ter tomado nota de algumas das suas intervenções para postar aqui, mas não me ocorreu na altura -- e também não quero arriscar a citar de memória).É curioso: antes desta retrospectiva que lhe foi consagrada, eu tinha a noção de ter visto mais filmes seus do que efectivamente sucedera até aí. Afinal, só conhecia «The Fly» e «A History of Violence» -- superlativos, qualquer um. Aproveitei para me pôr em dia com «Fast Company»*, «Crash»*, «Eastern Promisses»* e «The Spider»*.
Domingo, Novembro 22, 2009
caderninho
Sábado, Novembro 21, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (4)

Candy Mountain, de Robert Frank e Rudy Wurlitzer, EUA, 1988 («CinemART»). Um ciclo dedicado ao suíço-americano Robert Frank, cuja filmografia desconheço. «Candy Mountain» será talvez o menos representativo do realizador, a fazer fé no Catálogo, que o apresenta como «uma incursão do[s] realizador[es] no cinema mais narrativo.» Trata-se, com efeito, de um road movie que conta a história de um músico medíocre lançado na senda de Elmore Silk, um mítico construtor de instrumentos de sonoridade inigualável, uma espécie de Stradivarius da guitarra eléctrica. Refira-se a aparição, em pequenos papéis, de Joe Strummer, Tom Waits e Dr. John.
Competição - Vi dez dos 12 filmes a concurso. De fora, infelizmente, ficaram a co-produção franco-belga «La Famille Wolberg», de Axelle Ropert, e o romeno «Politist Adjectiv», de Corneliu Porumboiu.
Coppola, Francis Ford - Um grande mestre de extrema afabilidade para um público que enchia o auditório do Centro de Congressos do Estoril para o ver e ouvir. Confiante no futuro do cinema, visionou como um dos futuros possíveis deste uma espécie de arte performativa, em que o realizador exibe o seu filme em cada sessão, que nunca será exactamente igual. Como um concerto dos Rolling Stones: uma estrutura comum e pequenas variações de espectáculo para espectáculo.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Antologia Improvável #409 - Rui de Noronha
NO CAIS
Há vibrações metálicas chispando
Nas sossegadas águas da baía.
Gaivotas brancas vão e vêm, bicando
Os peixes numa louca gritaria.
Escurece. Do largo vão chegando
As velas com a farta pescaria.
As bóias põem no mar um choro brando
De luzes a cantar em romaria.
E entretanto no cais as lidas crescem.
Arcos voltaicos súbito amanhecem,
A alumiar guindastes e traineiras...
E ouve-se então, mais forte, mais vibrante,
Os pretos a cantar, noite adiante,
Por entre a bulha e o pó das carvoeiras...

Sonetos / No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
Há vibrações metálicas chispando
Nas sossegadas águas da baía.
Gaivotas brancas vão e vêm, bicando
Os peixes numa louca gritaria.
Escurece. Do largo vão chegando
As velas com a farta pescaria.
As bóias põem no mar um choro brando
De luzes a cantar em romaria.
E entretanto no cais as lidas crescem.
Arcos voltaicos súbito amanhecem,
A alumiar guindastes e traineiras...
E ouve-se então, mais forte, mais vibrante,
Os pretos a cantar, noite adiante,
Por entre a bulha e o pó das carvoeiras...

Sonetos / No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (3)
Breyner, Nicolau - Um pequeno papel em «Duas Mulheres»*, de João Mário Grilo; um grande actor de cinema.Bright Star, de Jane Campion, Reino Unido, Austrália, França, 2009 («Fora de competição»). Um filme belíssimo da realizadora de «O Piano», a propósito da paixão de John Keats, um dos grandes poetas românticos ingleses, e Fanny Brawne. Reconstituição de época magnífica, como só os britânicos; dois actores fantásticos: Ben Whishaw e Abbie Cornish*. Academismo, dirão alguns. Oh, duvido!...
Byrne, David -- Quando, há trinta anos, eu comprava More Songs About Buildings And Food e Fear Of Music, dos Talking Heads, estava longe de imaginar que um dia viria a estar no cinema com o David Byrne, no Estoril, a ouvi-lo gargalhar. E ele gargalhou muito, em especial no filme que viria a ganhar a competição*. Eu também me ri, mas já não achei tanta piada ao veredicto do júri.Quarta-feira, Novembro 18, 2009
figuras de estilo - Teolinda Gersão
Terça-feira, Novembro 17, 2009
O meu Estoril Film Festival '09 -- de A a T (2)
Autarcas - António Capucho tornou-o possível. Eterna gratidão. Mas não esqueço que o Centro de Congressos do Estoril foi obra de José Luís Judas. Sem este equipamento estaríamos confinados ao Casino, com demasiado néon para o meu gosto.
Beaux Gosses (Les), de Riad Sattouf, França, 2009 («Em competição»). Um filme divertidíssimo sobre os desvarios da adolescência. É mesmo assim: só pensamos naquilo, aos 14 anos... Surpreendente a fluência narrativa para uma primeira obra dum autor de BD. Ou, bem vistas as coisas, talvez não...Binoche, Juliette - É uma estrela europeia com projecção planetária. O Festival homenageou-a, justamente. É uma grande actriz e uma mulher radiosa. A sua exposição, «Portraits In-Eyes», é interessantíssima. Trata-se de [auto-]retratos seus enquanto personagem, acompanhados cada um do realizador do filme respectivo, e dum texto que lhes é endereçado. A homenagem compreendia um ciclo. Vi dois filmes: «Rendez-vous»* e «Les Amants du Pont-Neuf»*.
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
caderninho
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