
Terça-feira, Fevereiro 16, 2010
Figuras de estilo - Olavo Bilac

Segunda-feira, Fevereiro 15, 2010
Domingo, Fevereiro 14, 2010
dos livros da minha vida

caderninho
Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010
Quinta-feira, Fevereiro 11, 2010
obrigado
liberdade de expressão
imaginem
Antologia Improvável #419 - Alberto de Lacerda (7)
Infância triste mas encantada
Em casas grandes muito sombrias
Outras crianças não as havia
Os meus amigos? Dois grandes gatos
A luz o vento a água a água
Se alguém tocava velho e roufenho
O gramofone de manivela
Eu perturbava-me e a quem me via
Com lágrimas que não entendia
Havia festas de vez em quando
Eram janelas do paraíso
Lembro os adultos Como eram estranhos
Como eram estranhos e imprevistos
Como eu sentia que não sei onde
Um outro reino de festa e luz
Inteiramente me pertencia
E só de longe naquelas casas
Naquela gente que me era fria
Muito por alto se reflectia

Exílio / No Reino de Caniban III
(edição de Manuel Ferreira)
imagem
Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010
Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
Figuras de estilo - Carlos Malheiro Dias
O regime marcial a que os conquistadores sujeitaram Lisboa, acordando-a todas as madrugadas a tiro de canhão e o rufo de tambor, despertara-a da sua modorra de beata, acabara por transfigurar em praça de guerra a cidade dos lausperenes e viáticos, das procissões e das novenas. Ainda tangiam quase permanentemente os sinos da Sé, igrejas e conventos. Mas ao bimbalhar dos sinos associavam-se, como, como vozes duma sinfonia guerreira, o rufar frenético das caixas, a gritaria exasperada dos clarins, pondo remoques militares nas velhas árias religiosas dos carrilhões.

Paixão de Maria do Céu
Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010
Domingo, Fevereiro 07, 2010
dos livros da minha vida
A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Dinis (1868).
Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz (1983).A PRIMEIRA OPERAÇÃO
Dou caça aos inimigos e os extermino
E não volto sem que os tenha aniquilado
De tal forma os aniquilo e despedaço que não mais se levantam
..................................................................................................................
Gritam por socorro mas não há quem os salve
Eu os trituro como ao pó da terra.
Para Sempre, de Vergílio Ferreira (1983)Sábado, Fevereiro 06, 2010
caderninho
Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010
Antologia Improvável #418 - Bernardo de Passos (4)
Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010
figuras de estilo - Abel Botelho

Amanhã
(retrato por Columbano)
Terça-feira, Fevereiro 02, 2010
Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010
Domingo, Janeiro 31, 2010
dos livros da minha vida
Levantado do Chão, de José Saramago (1980) O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e, apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas no ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou o seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos.
[Da 4.ª edição, Editorial Caminho, Lisboa, 1983. Foi o meu primeiro contacto com os romance de Saramago, continuado por alguns anos, depois interrompido e agora retomado, espero. Deu-mo o meu pai, em Novembro de 1983.]
A SERPENTE CEGAMarço de 1916
Mazina, Kuangar, Naulila... Nomes que soam como bofetadas.
depois hesita-se, dispute-se, combate-se. Já a face arrefece. Alguns querem mesmo oferecer a outra. mais um passo: requisitam-se os navios... E a hora grande bateu: estala a declaração da Alemanha.
Na Câmara a sala, de pé, desde as carteiras até às galerias, ao formigueiro humano, delira e aclama com uma só boca: Viva a República! Viva a guerra!
Lobinho
A C., do Marcas d'Água, certificou-me com o Prémio Lobinho -- que traz consigo um questionário inacreditável de extenso. Deveria indicar cinco blogues, mas indicarei todos os da barra lateral. Obrigado C.a) Tens medo de quê? De quase tudo
b) Tens algum "guilty pleasure"? Avonde.
c) Farias alguma "loucura" por amor/amizade? Já fiz.
d) Qual o teu maior sonho? Acordar bem disposto.
e) Nos momentos de tristeza, abatimento, isolas-te ou preferes colo? Prefiro sentar-me ao colo de mim próprio.
f) Entre uma pessoa extrovertida e outra introvertida, qual seria a escolha abstracta? A que tivesse sentido de humor.
g) Sentes que te sentes bem na vida, ou há insatisfações para além do desejável? Sinto-me burguesmente bem.
h) Consideras-te mais crítico ou mais ponderado? (mesmo sabendo que há críticas ponderadas). Felizmente crítico; o que, é verdade, não exclui ponderação.
i) Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente ou... (define o que te julgas no geral). Impaciente e impulsivo, qualidades morigeradas pela idade. Filmes só no cinema.
j) Consegues desejar mal a alguém e eventualmente concretizar? (Responder com sinceridade). Claro que consigo! No momento do agravo, é claro. Mas sou rápido a secundarizar, felizmente.
k) Conténs-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...). Never.
l)Qual o lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia? Orgulho-me de não me achar teimoso.
m) Casamentos homossexuais e/ou direito à adopção? A adopção é um tema importantíssimo; o chamado casamento homossexual é uma patetice sobre a qual nem me dou ao trabalho de pensar dois minutos.
n) O que te faz continuar com o blogue? Divirto-me imenso.
o) O número de visitas ou de comentários influencia o teu blogue? Eu acho que não devia, mas é possível...
p) Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria ela? Tal e qual como a descobri: o fascínio das vozes novas.
q) Devia haver encontros de bloguistas? Caso sim em que moldes e caso não porquê? Talvez por afinidades temáticas e vizinhanças...
r) Sabes brincar contigo mesmo e rir com quem brinca contigo? (Não vale responder com ironias).Espero que sim.
s) Já agora, qual ou quais os teus principais defeitos? Todos.
t) E em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso? Todos.
u) Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias? Nunca usei telemóvel, nem sei mexer nisso. A televisão, desde que passou a ter mais de dois canais, nunca mais foi a mesma. Olha, escolhia o computador!...
v) Elogias ou guardas para ti? Elogiar o mérito é uma das minhas maiores satisfações. Até me acho pródigo nisso.
w) Tens a humildade suficiente para pedir desculpa sem ser indirectamente? Sou pouco humilde.
x) Consideras-te, grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática? Nada pragmática.
y) Perdoas com facilidade? Tento. É uma questão de bem-estar.
z) Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa? Sair de casa e deixar a chave lá dentro.
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
bliar
Blair, palhaço triste, continuou hoje a aldrabar diante da comissão que averigua as condições em que o Reino Unido se deixou envolver no Iraque.Quinta-feira, Janeiro 28, 2010
Quarta-feira, Janeiro 27, 2010
História e ponto de vista
Europa, segundo VMG
E, portanto, Europa é liberdade e pensamento livre, ou não é Europa.
4 kg
escrever
JornaL
Terça-feira, Janeiro 26, 2010
Antologia Improvável #417 - Amélia Veiga
Das entranhas da terra
irrompe um vento alucinado
que varre... varre... varre
as folhas secas do mundo...
Vento que geme e uiva fundo
e fere como punhais
o coração dos mortais...
Vento horrível e cruel
que espezinha e enrodilha
e dá guerra sem quartel...
E ora rasteja em gemidos,
ora se eleva em furores
e uiva como um trovão,
mas em todos os sentidos
é VENTO DE LIBERDADE
que o pobre mundo assombrado
pretende reter na mão...
Poemas / No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)
Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
caracteres móveis - Nietzsche
Domingo, Janeiro 24, 2010
dos livros da minha vida
O Egipto (1869/1926), de Eça de QueirósCádis
Antes da cheia grande
A Farsa, de Raul Brandão (1903)-- Ai que ma levam!, ai que ma levam!
Uma nuvem desce da serra: arrastam-se os rolos pelas encostas pedregosas e depois as baforadas espessas abafam de todo a vila. E noite, cerração compacta, névoa e granito formam um todo homogéneo para construírem um imenso e esfarrapado burgo de pedra e sonho. Pastas sobre pastas de nuvens álgidas, que a noite transforma em crepes, amontoam-se na escuridão. O granito revê água. E sob a chuva ininterrupta, sob as cordas incessantes, a vila, envolta na treva glacial, parece lavada em lágrimas...
-- Ai que ma levam!
[Das «Obras Completas de Raul Brandão», no Círculo de Leitores, Lisboa, 1990. Comecei pelo teatro de Brandão: O Gebo e a Sombra, O Avejão, O Doido e a Morte; os "romances" de Brandão são únicos, e única é a sua voz. (Compreio-o em Agosto de 1998]
obrigado, vizinha :|
Sexta-feira, Janeiro 22, 2010
caderninho
Quinta-feira, Janeiro 21, 2010
JornaL
Quarta-feira, Janeiro 20, 2010
Antologia Improvável #416 - Nunes Claro
Busquei, na vida mísera e vulgar,
Vejo um deserto morto, a cada canto,
Em cada esquina, um sonho a agonizar!
De tudo, em breve, se desfez o encanto,
Entre ruínas, junto ao pó do ar;
-- Ó Terra, para que m'enganas tanto,
E me deixaste, ó Sol, assim falhar?
Parti do lar, já vinha imenso o dia,
Pensando que o Amor me pertencia,
E, à tarde, o grande Sol seria meu;
Pouco fiz afinal, pobre e sozinho,
-- Fins uns versos, que ficam no caminho,
Dei um beijo qualquer, que se perdeu!

A Cinza das Horas
(retrato por Eduardo Malta)
Terça-feira, Janeiro 19, 2010
figuras de estilo - José Régio

Confissão dum Homem Religioso
imagem
Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
Domingo, Janeiro 17, 2010
dos livros da minha vida
i-o em Julho de 1990.]




































































































