Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
ASAE britânica
Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
É oficioso: o Outono chegou II
Sim. Eu tenho um sonho."
É oficioso: o Outono chegou
3. Se eu mandasse no mundo, as coisas seriam bem diferentes.
Domingo, 4 de Outubro de 2009
Rio de Janeiro 2016
A América do Sul merece.
Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Paula Salgado à procura do modelo estrutural de uma proteína [UK a pensar em português]
[Quem é] Paula Salgado
[Onde nasceu] Covilhã, mas sou portuense de coração (ah, e um bocadinho coimbrã também!)
[Quando veio para o Reino Unido] Outubro de 2001
[O que faz agora] Sou investigadora Pós-doc no Imperial College London
[Onde estudou] Universidade do Porto (Bioquímica) e Oxford (PhD)
[Razão pela qual resolveu mudar]
Vim para Oxford fazer o meu doutoramento com um dos mais conceituados cientistas em Biologia Estrutural – queria aprender com os melhores! Além disso, em Portugal as perspectivas de progressão eram limitadas...
[Algo importante que tenha aprendido na ilha]
A nível profissional, além do conhecimento científico que adquiri, aprendi a valorizar o meu trabalho e as minhas capacidades. Aprendi que tratar as pessoas pelo seu título académico é desnecessário e que só causa distanciamento entre as pessoas. Aprendi que se pode fazer muito com pouco e pouco com muito - o mais importante são as boas ideias, o entusiasmo, a curiosidade científica e a vontade de querer fazer sempre mais e melhor.
A nível cultural e social, aprendi a conviver com a imensa diversidade que encontramos em qualquer local de trabalho neste país. Aprendi que, para votar, basta dizer que eu sou eu (e posso usar um lápis.) Aprendi o verdadeiro significado de “sociedade civil”, que é o de uma sociedade activa, participativa e, na sua maioria, solidária. Que a democracia verdadeira implica que quem é eleito conhece a realidade de quem elege e tem deprestar contas da forma como exerce o seu mandato directamente perante os seus eleitores. Que a justiça não precisa de demorar anos... embora às vezes falhe, seja onde for.
A nível pessoal, aprendi que os meus amigos e a minha família vão comigo para todo o lado – onde eu estiver, estão comigo. E descobri que preciso do mar, preciso muito do mar...
[Uma imagem mental da Inglaterra]
As cores de Outono – os amarelos, vermelhos, ocres, castanhos, quase negros às vezes. Os parques cheios de gente quando há uma pontinha de sol. Os inúmeros espaços verdes a cada esquina, os recantos. O verdadeiro prazer que os ingleses têm em viver no campo, longe das grandes cidades – e como isso é realmente uma opção cá, onde as infraestruturas o permitem. O pôr-do-sol às 10h30 da noite no Verão e à três da tarde no Inverno – dois lados de uma moeda que gostava que só tivesse um lado, com mais sol e luz! A diversidade e riqueza cultural e étnica de Londres, onde às vezes acontece não se ouvir falar inglês numa viagem completa de metro, à excepção dos avisos sonoros de “Mind the Gap”. Uma ida ao pub com os colegas, ao fim de um dia de trabalho. As bicicletas em todo o lado, mesmo no caos do trânsito de Londres. Os estádios de futebol cheios, seja quando joga a melhor equipa do mundo, seja o clube local. Andar de guarda-chuva na carteira, sempre – porque nunca se sabe quando o tempo muda.
[Qual é o projecto que anda a bordar]
Ando a tentar “bordar” o modelo estrutural de uma proteína. Como bióloga estrutural, dedico-me a tentar perceber e determinar a forma das moléculas fundamentais para a vida: as proteínas. Até hoje, foram determinadas e depositadas numa base de dados, de acesso livre, as estruturas de cerca de 50 000 proteínas. Ora, se pensarmos que só o ser humano tem entre 20 000 a 25 000 proteínas ,e juntarmos todos os outros organismos, desde vírus a plantas e primatas superiores, rapidamente percebemos que há ainda muito para descobrir nesta área. A estrutura das proteínas está fortemente relacionada com a sua função; portanto conhecê-la permite compreender melhor como funcionam. É também um instrumento fundamental para o desenvolvimento de medicamentos que actuem especificamente em determinadas proteínas de um agente patogénico, como, por exemplo, o caso do Tamiflu e o vírus da gripe.
Ao longos dos últimos 18 meses, tenho focado a minha atenção numa família de proteínas que está fortemente associada à patogenicidade de um fungo, Candida albicans. Ao contrário do que se possa pensar, nem todos os fungos são cogumelos e este é um dos que pode causar problemas ao ser humano. Embora cerca de 80% da população tenha este “bichinho” na flora intestinal sem ter nenhum problema de saúde, ele pode tornar-se patogénico, causando infecções nas mucosas da boca e vagina. Mais grave ainda é a capacidade que o fungo tem de migrar através do sistema sanguíneo e infectar vários órgãos, o que acontece cada vez mais em pessoas com o sistema imunitário debilitado e em ambientes hospitalares e cirúrgicos. Ora, para isso acontecer, o fungo precisa de se “colar” às células humanas - e a família de proteínas que estou a estudar é um dos principais agentes desse mecanismo .
A nossa hipótese é a seguinte: conhecer a estrutura destas proteínas em pormenor e perceber como interagem com outras proteínas à superfície das células humanas é fundamental para conseguir desenvolver novos medicamentos que matem estes fungos (antifúngicos), “desenhados” especificamente para impedir essas interacções. Isso permitiria combater mais eficazmente infecções que estão a tornar cada vez mais problemáticas, com o aparecimento de variantes do fungo com resistência aos medicamentos actualmente disponíveis.
O método que uso para determinar as estruturas é a cristalografia de raios-X. Essencialmente, é necessário obter cristais das proteínas, ou seja, uma estrutura em que as proteínas estão ordenadas numa espécie de rede. Estes cristais são “bombardeados” com um feixe muito potente de raios-X. Tal como Watson e Crick usaram este tipo de informação para determinar a estrutura do DNA, esta interacção dos raios-X com os cristais permite-nos, com a ajuda de potentes computadores, determinar um modelo da proteína que estamos a estudar.
Esta etiqueta é a minha casa



Domingo, 27 de Setembro de 2009
Arte contaminada pelo H1N1
O artista Luke Jerram criou uma escultura de vidro baseada na estrutura do H1N1, o vírus da Gripe A. A peça faz parte da Wellcome Collection e está exposta ao público desde a última sexta-feira.
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Cientistas sobem ao palco
Coimbra – Museu da Ciência de Coimbra (14h – 0h00)
Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Retrospectiva de Pedro Costa na Tate Modern

Domingo, 20 de Setembro de 2009
Sobre o Centro Darwin - algumas notas
O Cocoon é um enorme casulo concreto acomodado no interior de uma gigantesca caixa de vidro. A minha mãe disse que tanto a arquitectura como o propósito científico fazem pensar numa Arca de Noé, um local seguro para guardar milhares de exemplares de plantas e insectos.


Dos vários pisos do "Cocoon", é possível espreitar os cientistas a trabalhar no edifício contíguo (ambos integram o complexo do novo Centro Darwin). Acredito que esta ideia de tornar os laboratórios transparentes (que, de resto, não é totalmente nova) pode contribuir para que se diluam algumas imagens fixas que guardamos dos cientistas no imaginário colectivo. Visitamos o centro do dia em que foi aberto ao público, o que talvez explique por que é que só havia dois cientistas a trabalhar. Dentro da própria exposição, há uma parte em que os visitantes podem colocar perguntas directamente a um cientista. Atrás de uma parede de vidro, o investigador que estiver de "plantão" responde às questões através de um intercomunicador. Houve quem achasse que isto tem o seu quê de jardim zoológico para cientistas. 



Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Centro Darwin abre hoje ao público em Londres
Construído de raiz ao lado do Museu de História Natural de Londres (NHM), em South Kensington, edifcio do Darwin Centre inclui não só as magníficas colecções de insectos e plantas do NHM no interior de um gigantesco casulo de concreto branco mas também espacos de trabalho dos próprios cientistas. Quase tudo à vista do visitante.
A crtica do Times resumia assim a importancia do novo equipamento, idealizado pelo arquitecto escandinavo C.F. Møller, para a comunicacao de ciencia:
"The Darwin Centre will change public perceptions of what the Natural History Museum is. Having only ever imagined dusty and dimly lit backstage corridors of specimen boxes, we can have not only far better and more detailed access to the collections, but we will also be able to see inside some of the working laboratories or view them via camera link-ups."
Nomadic.0910 – Encontros entre Arte e Ciência
Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Chinelos zen

P.S. O relato do dia seguinte: estas Birkenstock são globalmente confortáveis mas a haste vertical que fica entre os dedos incomoda um pouco, talvez por ser muito rígida.
Domingo, 13 de Setembro de 2009
Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
O novo livro de Richard Dawkins...
...chama-se The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution. O primeiro capítulo pode ser lido on line aqui.
Os finalistas do Man Booker Prize

Acaba de ser divulgada a lista dos seis finalistas candidatos ao prestigiado Man Booker Prize:
A S Byatt, The Children's Book (Random House, Chatto and Windus)
J M Coetzee, Summertime (Random House, Harvill Secker)
Adam Foulds, The Quickening Maze (Random House, J. Cape)
Hilary Mantel, Wolf Hall (HarperCollins, Fourth Estate)
Simon Mawer, The Glass Room (Little, Brown)
Sarah Waters, The Little Stranger (Little, Brown, Virago)
Não tenho qualquer palpite sobre quem será o vitorioso. Não li a maioria dos livros. Apenas sei que o grande Coetzee era dado como um fortíssimo candidato (já ganhou dois Booker Prize, se for galardoado novamente será o único autor a arrebatar três vezes este valioso prémio) mas, segundo notícias publicadas hoje tanto no Independent como no Guardian, Hilary Mantel é agora apontada como a favorita pelo seu romance histórico Wolf Hall.
O vencedor será anunciado no próximo dia 7 de Outubro.
Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Pedro Mexia está de volta
Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
E a vítima hoje é...
... Maggie Gee! Esta senhora é autora de romances como The Ice People, The Flood e The White Family (finalista do Orange Book Prize). São estes três livros, aliás, que interssam à minha investigação. Passem por aqui mais tarde para saber a razão. Ah, e desejem-me sorte para a entrevista.Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Será que a crise fará Margaret Drabble voltar à ficção?
"The White Family"
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Entrevistando Margaret Drabble

A entrevista começa. Margaret Drabble fala-me longa e detalhadamente do seu livro The Peppered Moth, que usa este célebre exemplo de selecção natural como leitmotif do romance. Começa por responder às perguntas mas, passada meia hora, já parece que se antecipa a elas (ou fui eu que perdi completamente as rédeas da entrevista?). Conta-me como achou a metáfora do ADN mitocondrial ideal para representar os laços, tanto físicos como emocionais, entre quatro gerações de mulheres da família Cudworth-Bawtry numa localidade mineira no Norte da Inglaterra. Aos poucos foge do livro em si e fala da sua própria família (o que vai dar mais ou menos ao mesmo, The Peppered Moth é muito autobiográfico), do seu fascínio pela genética e pelo mecanismo biológico que nos faz sermos parecidos uns com os outros, herdeiros de joanetes ou narizes aduncos, fãs de doces ou salgados (será que há genes envolvidos nisso?), depressivos ou entusiastas. Em resumo: o fascínio pelos pequenos detalhes que fazem de cada ser humano "uma criatura única".
PS. Ocorre-me agora, passadas algumas dezenas de horas, que a entrevista foi rica em memórias e opiniões, quase tudo com muito interesse para a minha investigação sobre ciência e literatura. Pelo menos é a sensação que tenho agora. Mas as entrevistas nunca comportam o ritmo e o conteúdo que julgamos que estas têm no momento em que nos despedimos do entrevistado. Vamos ver o resultado após a transcrição da entrevista.
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
A segunda entrevista

A gente estuda tanto tempo e, depois, quando chega o momento da pesquisa de campo, não sabemos se as borboletas dentro do estômago batem asas de alegria ou ansiedade.
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Hoje à noite: ver o documentário "Cell"
Este é o primeiro de três episódios. No último, que vai ao ar dia 26 de Agosto, teremos oportunidade de ver e ouvir a astrobióloga portuguesa Zita Martins, do Imperial College. A não perder.
Domingo, 9 de Agosto de 2009
Agora só vou à British Library com ele

Acabaram-se os apontamentos a lápis na British Library (não são permitidas canetas).
Acabaram-se as dores nas costas (pesa pouco mais de um quilo).
Acabaram-se as ideias repentinas escritas em guardanapos (tenho dúvidas).
Sábado, 8 de Agosto de 2009
Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
Jornalistas Portugueses no Twitter
O Bordado Inglês está em 13º lugar - ainda bem que não acreditamos que os números trazem má sorte.
PS. Atenção para nomes de peso no jornalismo de ciência: Vasco Matos Trigo e António Granado.
Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
O cúmulo da síntese
Bruno Figueiredo ajuda empresas a criar aplicações fáceis de usar [UK a pensar em português]

[Quem é] Bruno Figueiredo
[Idade] 33 anos
[Onde nasceu] Lisboa
[Quando veio para o Reino Unido] Fevereiro de 2006
[O que faz agora] Trabalho como Consultor Independente de Usabilidade
[Onde estudou] Universidade Técnica de Lisboa (Arquitectura)
[Razão pela qual resolveu mudar]
Vim acompanhar a minha esposa que se encontra a acabar a tese de doutoramento em Arquitectura na Universidade de Cambridge.
[Algo importante que tenha aprendido na ilha]
Que Portugal não está assim tão atrasado como pensamos. Que é preciso acreditarmos que somos bons, mesmo que isso não corresponda inteiramente à realidade. Que Portugal afinal trata muito mal as pessoas com mais qualificações.
[Uma imagem mental da Inglaterra]
As ruas cheias de gente ao fim-de-semana. Os grandes parques verdes. A quantidade enorme de pássaros e insectos que há nesta ilha. O tempo húmido permanente. O deprimente mês de Fevereiro em que nunca se vê o sol. O facto de no Inverno ser noite já às 15h30 e de no Verão o dia nascer às 4h00. As lojas que começam a fechar às 16h30. Os camiões de recolha do lixo que empestam as ruas nas horas de ponta. O facto de ninguém parar para almoçar.
A grande vontade de fazer coisas e as inúmeras iniciativas que se criam para mobilizar a população. A cultura (geralmente) gratuita. A diversidade cultural que agrega pessoas do mundo inteiro. A responsabilização que existe em todo o lado, principalmente nos cargos públicos. A quantidade enorme de pessoas a ler livros e jornais em todo o lado. Os exorbitantes preços dos transportes públicos. Os comboios de Londres para Cambridge com pessoas sentadas no chão a trabalhar nos portáteis. As empresas consideradas pequenas que têm mais de 300 colaboradores. O excelente serviço de saúde pública. O bom humor inglês.
Um povo geralmente cínico, um pouco xenófobo e obcecado por bebidas alcoólicas. A cultura de fachada, em que se dá a sensação de se ser muito mais eficiente do que o que se é.
[Qual é o projecto que anda a bordar]
Abri uma empresa em Inglaterra (o que é surpreendentemente fácil comparado com Portugal – são literalmente 10 minutos a preencher formulários na Internet) e presto serviços de consultoria em usabilidade em agências criativas e produtoras de software. No fundo, ajudo-as a desenvolver sites e aplicações informáticas de forma a que sejam mais fáceis de usar e que não criem problemas aos utilizadores finais. Os projectos em que estou envolvido normalmente direccionam-se a grandes multinacionais nas áreas das telecomunicações.
No futuro, planeio capitalizar a rica experiência que adquiri aqui e empregá-la na empresa que ainda tenho em Portugal.
Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
Notícias velhas
Qualquer dia dizem que este blogue se chama bordado inglês precisamente por causa do cheiro à naftalina.


