Ir para o Governo é uma fonte de saúde mental e moral:
É certo que muitas escolhas estão abertas ao debate democrático, e devem ser discutidas por todos. Mas esperamos genuinamente que a oposição contribua para a solução dos grandes problemas nacionais. Também aqui tem de vigorar a regra da responsabilidade, o sentido da realidade e o compromisso nacional.
Passos, o fulano que chumbou o PEC4 porque não admitia mais austeridade
Por muito graves que sejam os nosso problemas, por maiores que sejam os desentendimentos, mesmo que a União acabe por se desmoronar entre recriminações, ressentimentos mútuos, discursos inflamados e tensões politicas, não voltaremos nunca a uma situação de guerra geral na Europa, muito menos no mundo. As guerras mundiais acabaram em Hiroshima, curiosamente nos primórdios da globalização moderna, onde as frequentes guerras regionais que é feita a história se arriscavam a evoluir para uma escala planetária com uma eficácia nunca vista. As armas nucleares são por isso, a seguir ao cão, as melhores amigas do homem, exigindo sob ameaça de aniquilação que nos entendamos uns com os outros pacificamente. Toda a gente sabe quantas pessoas já mataram, ninguém consegue saber quantas é que já salvaram da morte pelo mero facto de existirem.
O século XX deu à humanidade o poder de se destruir, e com isso ganhámos a capacidade de o evitar. Irónico, não é?
As pessoas de quem vale a pena gostar adoram o Vincent Gallo. É de longe o maior bacano da indústria dos movies. E nem sequer precisamos de lembrar a oferta dos seus serviços de gigolô, $50,000.00 por noite, ou de esperma, $1,000,000.00, em que ele se compromete a fornecer a quantidade necessária até se atingir o fim desejado, para lhe oferecer a taça e as medalhas. Sim, podes confirmar. Não, nada destas brincadeiras e nada de convencional, como chapar com a sua biografia de artista completo, desde a composição musical, passando pela performance, pela moda, por isto, por aquilo, por aqueloutro, até à representação e realização. Não, não, não. O que faz dele o rei dos bacanos no cinema é a participação como actor no primeiro filme de Teresa Villaverde, Idade Maior, em 1991.
Ora, este nosso amigo realizou uma fita em 2003 chamada The Brown Bunny. É a sua obra mais popular por causa de uma única cena onde filma Chloë Sevigny a retirar-lhe o tal esperma milionário com o recurso às extremidades dos braços e à abertura anterior do tubo digestivo (queres ver?). Foi um escândalo, claro, mas para alguns o escândalo estava no disparate daquilo, cena e filme. Outros topavam-lhe o número, a fantasia masculina por excelência: ter o seu pénis como protagonista no ecrã e alguém agarrado a ele, concentradíssimo. O que centenas de milhões fizeram, fazem e farão para consumo caseiro, Gallo tinha inventado um pretexto para exibir nos melhores festivais de cinema e salas de espectáculo. Não se tratou de erotismo nem de sexo ao serviço da narrativa, antes do cocktail da vulgaridade: exibicionismo, vaidade, narcisismo. E nada contra, esclareço.
Saltemos para 2010 e entremos no Essential Killing. O seu papel é o de um guerrilheiro afegão em fuga aos militares ocidentais algures no Leste da Europa. A meio do filme há uma cena ridiculamente filmada onde Gallo domina uma jovem mulher que está a amamentar e serve-se da mama disponível para também sacar uma refeição à borla. É algo que nem no circuito pornográfico se ousaria filmar, tanto pelo receio dos efeitos na opinião pública como por essa malta não estar completamente desprovida de tino. Pois Gallo não só alinhou como pediu que se arranjasse uma fêmea que estivesse mesmo lactante (queres ver?). Ars super omnia.
Há, pois, uma ligação incomparável na história da cinematografia entre Vincent Gallo e as mamadas. Não só as filma como se sujeita a elas com generosidade e denodo. E mais: especializou-se num tipo de personagem marcada pela derrelicção, marginalidade, abandono, solidão, desamparo, alucinada presença, cuja mais rigorosa descrição passa pelo uso do vocábulo mamado no seu significado de gíria equivalente a taralhouco, ressacado ou esquisito. Porque é tal e qual assim que ele curte apresentar-se ao público, aos jornalistas e a si próprio: todo mamado.
Grande parte da minha vida
Feita de paz e sem guerra
Foi numa casa construída
Com pedras daquela serra (Mote)
Na Serra dos Candeeiros
Parava o vento do mar
Eram lentos os carreiros
Com os olhos a cantar
Traziam pedras gigantes
Para a mão dos britadores
Fazer em poucos instantes
As pedras dos construtores
Os pedreiros sujos de cal
A pegar no fio de prumo
Que traça numa vertical
Lugar do fogo e do fumo
Sem desenhos ou papéis
Nascia a planta dum lar
Quatro canas dois cordéis
São os limites dum lugar
Na Serra dos Candeeiros
O azeite era o mais puro
Os ventos tão verdadeiros
A cantar por sobre o muro
Vinha a água das cisternas
Sempre boa e sempre fria
Sem as técnicas modernas
A limpeza era uma enguia
Vinha o leite já fervido
Vinha o queijo saboroso
O dia era mais comprido
Tudo era mais vagaroso
A pedra que me defende
Do Verão e do Inverno
Não se paga nem se vende
É um valor forte e eterno
Como compreender que 60% das federações distritais do PS se digam apoiantes, quando não entusiastas, de Seguro, depois de terem estado inequivocamente ao lado de José Sócrates? Qual o seu grau de exigência?
Poderia José Sócrates introduzir determinadas reformas a nível, por exemplo, dos transportes públicos, da saúde ou do arrendamento urbano continuando líder do PS?
Que peso tem o discurso acusatório do PCP (e do agora blocozinho) na imagem pública do PS? Não se imporia uma guerra sem tréguas a esta espécie de seita, extremamente bem acolhida pela direita?
Soares lançou a moda de malhar nas lideranças europeias, declarando a sua presente mediocridade. Vindo de quem vem, fica-lhe bem. Quem viveu o sonho da construção europeia como adulto logo desde o fim da Segunda Guerra, tendo depois sido protagonista dela durante décadas, tem critérios compreensivelmente exclusivos. Mas para os netos de Soares, aqueles que nasceram nos anos 60, 70, 80 e 90, a repetição da mesma avaliação noutras bocas soa a falso e é perversa.
A verdade é a de que ninguém sabe o que fariam hoje os líderes de ontem. Tal como não sabemos o que teriam feito ontem aqueles que só hoje estão à frente dos grandes países europeus. Apenas uma banalidade pode ser convocada: os problemas económicos e políticos em 2011 não têm comparação com os problemas em 1961, 1971, 1981, 1991 e mesmo 2001. E ainda podemos juntar outra evidência, embora sempre esquecida na superfície da opinião célere: os líderes não existem isolados, antes são os representantes de sucessivos grupos a que pertencem, e que os influenciam decisivamente, pelo que acabam por ser o resultado das condições históricas em que exercem o poder. A suposta mediocridade dos dirigentes, pois, será uma necessidade do devir, não um acaso do destino.
Há uma excelente notícia para dar, porém. A de que tudo, se isto de existir correr pelo melhor, só irá piorar. Porque estes problemas actuais que deixam os europeus ansiosos, o alvoroço provocado pelas austeridades nalguns países onde se vive na abundância máxima se comparados com a maior parte do Mundo, são como uma brisa mais frescote no Paraíso. A magnitude das ameaças ecológicas, com potenciais consequências devastadoras à escala planetária tanto pelas catástrofes e desastres como pela instabilidade social e militar, fazem deste dias um remanso para ociosos e da Europa uma tebaida para nefelibatas. Nessa altura em que a própria produção alimentar global pode sofrer uma redução irreversível e fulminante, continuaremos a ter líderes medíocres, de certeza absoluta. Líderes que não se poderão comparar a tantos outros que, de forma magnífica, deixaram a História coberta de sangue e destruição, horrores e vergonhas. Mas se eles permanecerem como governantes eleitos democraticamente, então nem tudo estará perdido – ou melhor, o essencial está salvo.
A PJ realizou ontem buscas a casa de Narciso Miranda, vereador da Câmara de Matosinhos e antigo presidente deste município, tendo visitado igualmente as instalações da associação Narciso Miranda – Matosinhos Sempre, a que o vereador preside desde a sua criação em Setembro de 2008, e que serviu para lançar a sua candidatura independente às autárquicas do ano seguinte.
Na caixa postal da tua idade
Deposito aos poucos a memória
Sei coisas que tu não imaginas:
A fome diária mal disfarçada
Ao longo das batatas da semana.
Os pés descalços na missa de domingo
Entre botas de quem podia mais.
A lágrima numa medalha ao sol
Num dia dez de Junho na TV.
Sei coisas que tu não imaginas:
A morte a instalar o luto
Por telefone e telegrama à porta.
A Europa num comboio nocturno
Sem fronteiras para a dor.
As prisões como navios pedidos
À procura duma chave ou da luz.
Podia ser um pedaço de pão
Hoje não se curvam já a ele
Nem o beijam em respeito à vida.
Perdem-se em buracos de som
Sapatos de ténis debaixo da terra.
E não escrevem cartas nem escrevem
O que não sabem nem procuram.
In «Leme de Luz» (edição Sol XXI Poesia – 1993)
“Já tive ocasião de dizer e tem sido muito repetido que têm sido tempos muito difíceis e não tenhamos ilusões, e os portugueses sabem bem disso, e se bem se recordam há talvez mais de dois anos que disse que Portugal se aproximava de uma situação explosiva, lamentavelmente chegámos a essa situação explosiva”, afirmou esta tarde o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.
O nome de Bairrão, foi avançado domingo à noite por Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário habitual na TVI e o convite foi confirmado pelo PÚBLICO junto de fontes da direcção do PSD e da TVI. O nome de Bairrão acabou por cair da lista de secretários de Estado ontem à tarde depois de Pedro Passos Coelho ter sido recebido em audiência pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
Portugal deve aos filhos de Itália alguns dos nossos mais amados espaços de palatização: Attilio Santini, Maria Paola Porru, Augusto Gemelli, só para referir os mais populares, mas também podemos incluir a Io Apollonni como representante desta leva imigrante que nos tem dado tanto prazer. Mas há um deles para quem a dívida de gratidão atingiu uma dimensão internacional: Michael Guerrieri. O que ele está a fazer em Nova Iorque irá valer-lhe uma condecoração qualquer num qualquer 10 de Junho.
Guerrieri já tinha inscrito o seu nome no roteiro alfacinha dos restaurantes italianos de referência com o Mezzaluna, inaugurado em 1998. Embora nunca tenha sido o meu favorito, por causa da pouca descontracção da ementa e do ambiente, a alta qualidade do que põe na mesa é indiscutível. Este triunfo não chegou para o seu espírito inventivo ficar satisfeito, longe disso. Em 2003, abriu o La Brusketta. E em 2005 criou o City Sandwich. Foi este último conceito que levou para Nova Iorque em finais de 2010, depois de um completo fiasco entre os indígenas. Resultado? Os nova-iorquinos andam maluquinhos com os sabores da morcela, do bacalhau, da alheira, da sardinha fresca, do paio, da salada de polvo e da couve-galega. Algumas críticas que têm saído são mais emocionantes para o nosso provinciano orgulho nacionalista do que medalhas olímpicas. Chegam a fazer elogios ao pão das sandes com ternura e enlevo tais como nunca fizeram, nem farão, à sua família, amigos e animais de companhia.
Qualquer empreendedor tratará bem a sua inteligência – portanto, o seu bolso – se estudar este caso a fundo. Porque estão aqui reunidos os segredos para fazer uma marca que se pode tornar global de um dia para o outro só a partir da criatividade aplicada ao património cultural português; no caso, o gastronómico. Aliás, esta marca é tão poderosa que até sobrevive imaculada a um tremendo erro de nomeação. Este City Sandwich não tem ponta por onde se lhe pegue face à experiência que o produto oferece, e seria uma sugestão trucidada em segundos em qualquer agência criativa que se preze caso aparecesse num brainstorming destinado a encontrar o nome da marca. Para contrabalançar, a ideia de dar nomes de pessoas às sandes é próxima do genial, para mais porque nascem das relações afectivas do fundador.
Se Guerrieri montar uma rede que cubra as principais cidades norte-americanas, de repente irá abrir-se um mercado gigantesco para inúmeros produtos tradicionais portugueses. Para além daqueles que serão consumidos directamente nas suas lojas, o interesse comercial por outras variantes e alternativas irá crescer com a fama e o hábito de consumir Portuguese. E se a marca sair da América para outras paragens, então, e mesmo contando com as falsificações e produções locais, este minúsculo rectângulo não terá braços suficientes para tanta procura do very tipical.
Há anos que sonho com a internacionalização do croquete e do pastel de bacalhau. Graças a este ítalo-luso-americano, deixou de ser impossível.
Festival Com ´ Paço – Maestro fora, dia santo no palco
Logo que o maestro Délio Gonçalves saltou do palco do Rossio, depois de ouvidas as últimas palmas para a marcha escrita pelo compositor Fernando Ramos em especial para este Festival de Bandas Filarmónicas, marcha executada ao mesmo tempo pelos jovens elementos da Banda resultante do Workshop do INATEL de Oeiras e pelos elementos das seis Bandas presentes no Rossio, algo de inesperado aconteceu. Um jovem trompetista de uma das Filarmónicas, resolveu iniciar um tema que todos os outros no palco «agarraram» de imediato. Trata-se de uma composição em compasso bem africano, dedicada à criança com um nome impronunciável que é filha de Yannick Djaló e Luciana Abreu. Os mesmos músicos que antes tinham tocado com brilhantismo peças muito diversas (a opereta Marinarella, o musical Miss Saigon, o clássico New York, New York, o Stike up the Band de Gershwin, o Everest de Jacob de Haan e Os Índios da Meia Praia de José Afonso) alinharam com entusiasmo juvenil na proposta do jovem trompetista, saída no meio do escuro do Rossio e perto de um sem-abrigo que não deixou uma das Filarmónicas fechar o círculo até ao palco no decurso da execução múltipla da bonita e alegre marcha «Com ´ Paço» de Fernando Ramos.
O maestro Délio Gonçalves já não estava no palco a dirigir os seus jovens músicos do Workshop do INATEL de Oeiras mas não deve ter deixado de reparar que um dos mais entusiastas no palco era o premiado Tiago Martins, que no saxofone alto ou no saxofone tenor, tinha mostrado no concerto que o improviso é parte integrante da música bem como da alegria convocada e reunida que a música deve ser sempre.
Calma, dir-me-ão, o anúncio da morte do BE é muito exagerado. Talvez. E a verdade é que vão estar 8 deputados na Assembleia, com um mandato para quatro anos, os quais, além do tradicional protesto, vão ter de seguir uma estratégia. Adianto já que a mesma me parece bem simples: por cada intervenção que o bloco fará contra as medidas do governo PSD/CDS, fará uma intervenção e meia a lembrar ao mundo o quão ligado está o PS ao acordo da Troika, ao ponto de ter sido o responsável pela sua assinatura. Nada de novo nesta frente, portanto. Pelo menos com estes deputados, formatados pela actual Mesa. Desejo-lhes felicidades democráticas no exercício de tão repetitiva e vã função!
Entretanto, lá fora, e nos bastidores, o processo histórico continua, e particularmente activo sobre o agrupamento. Tão activo que Louçã corre o risco de chegar à famosa Mesa e não encontrar por lá ninguém. Ou então, a concretizar-se o desejo de Miguel Portas, encontrar uns jovens com menos de 30 anos a dizerem que terão todo o prazer em coordená-lo a partir de agora.
Entra agora aqui o tema do nosso eurodeputado que se transferiu para o grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, depois de romper a união de facto com o partido português pelo qual fora eleito, deduz-se que por se terem esvaído os 50% de afinidades que a ele o ligavam, sempre um bom argumento para ruptura conjugal.
A menos que queira permanecer além-Pirinéus e fazer carreira política como apátrida num partido verde continental, o seu regresso a Portugal, dentro de dias (se ceder às pressões) ou daqui a dois anos, fá-lo-á pensar certamente, ganho que está um genuíno gosto pela política, no partido ou movimento que o poderá acolher para poder prosseguir a militância. Inscrever-se no PCP para militar nos chamados “Verdes”, dando o braço a Eloísa? O preço parece demasiado elevado (refiro-me à inscrição, já que Eloísa é jeitosa) para tanta independência. E que teria Eloísa em comum com Cohn Bendit?
Então aonde militar, e com saúde?
Não me preocupa, obviamente, o futuro do eurodeputado recém-amigado. É lá com ele. É mero pretexto para a reflexão sobre a viabilidade de um novo partido ecologista sobre os eventuais escombros do BE.
Um pouco de contexto, pois. Em matéria de verdura, e de verdura ameaçada, existem seguramente em Portugal focos preocupantes de poluição, como cimenteiras, celuloses, suiniculturas e outros, porém não tão graves como os que estiveram na origem dos movimentos ecologistas que foram surgindo há décadas na Europa central, altamente industrializada e com centrais nucleares, ou nos países nórdicos, atravessados pelo círculo polar árctico, que os torna hipersensíveis às mudanças climáticas, ou ansiosos e excitados com elas, suspeitamos. Há ainda outra fonte de onde brotaram tais movimentos. Morto o comunismo e, pelo odor fétido libertado pelo cadáver, os seus derivados – o marxismo-leninismo, o trotskismo, o maoismo, etc. -, mas havendo sempre entusiastas do alternativo e do “fora do sistema”, os movimentos ecologistas, transformados entretanto em partidos, constituíram um bom substituto das causas perdidas, capaz de manter aceso o espírito de luta e constestação ao capitalismo, agora pela via da rejeição da poluição. Alguns acalmaram-se e já vestem fato, às vezes ocupando as cadeiras do poder.
Talvez por não nos faltar natureza vicejante e praias deslumbrantes e limpas, inclusivamente nos arredores das maiores cidades, os Verdes do PCP, como ramo, são um pouco atrofiados e, como causa, um pouco envergonhados, tendo içado o cartaz e a bandeira, mas não largando as calças do avô…
Regressando ao Rui Tavares, potencial activista “verde”. O seu ex-BE, um bloco não tanto de esquerda, mas antes de cimento, decorado de estrelas luminosas mas cadentes e perfumado de erva, mas um bloco – duro, fechado, inflexível e errante, e ultimamente, por força quiçá do erro original, das circunstâncias e da história, sujeito a fortes pressões contraditórias, perdeu o brilho, o “glamour” e, mais do que isso, ameaça abrir fendas irreparáveis ou mirrar pela força da erosão. Não se vislumbra saída.
Poderá o (ainda) eurodeputado e outros criar um novo partido, dando-lhe um qualquer tom de verde? Fará sentido em Portugal? Não soará a imitação, a tardio, a sucursal, para já não falar em sobreposição? Em que poderá transformar-se o BE? Em coisa nenhuma? Pulveriza-se e os dois ímanes mais próximos, PS e PCP, captam devidamente as partículas?
A coisa é mais séria do que parece, sobretudo para os seus elementos, porque aquelas pessoas existem e têm arranjado emprego (e família) sentando o traseiro na Assembleia e no delírio de acabarem com o PS. Mas a coisa também é séria, porque, a existir alguma força partidária naquele espaço, o que não é de todo obrigatório, seria útil ao grande partido do centro-esquerda poder contar com um potencial parceiro de coligação não agarrado a radicalismos serôdios. Construirá esta gente alguma coisa – verde, amarelo ou azul celeste – sem Louçã? Contra Louçã?
Cleópatra chamou aos seus filhos gémeos (de Marco António) Alexandre Hélio (Sol, em grego) e Cleópatra Selénia (Lua). Alexandre – em homenagem a Alexandre da Macedónia, do qual se considerava descendente. E Cleópatra, porque em toda a dinastia ptolemaica os nomes das mulheres distribuíam-se por quatro variantes, uma das quais esta. Apesar de ser rainha do Egipto, as divindades gregas, romanas e egípcias eram aceites com alguma facilidade, pelo menos a nível superior da pirâmide social. O livro é fascinante. O inglês magnífico. Ganhou o prémio Pulitzer deste ano.
Cleópatra e todos os outros protagonistas – Júlio César, Marco António, Octávio, generais vários – viveram nos anos imediatamente anteriores ao nosso ano zero (um), embora, evidentemente, nem suspeitassem o que isso fosse. Foram, portanto, contemporâneos de Herodes (e da temível sogra), amplamente descrito no livro – o que remete para a temática ali mais abaixo de J. Cristo pedreiro, que já devia andar por ali.
Mas o que interessa também é a história dos países do Mediterrâneo naquela altura, o império romano e o preço de o manter/alargar, as longas ausências de Roma, a inconcebível violência de tudo aquilo, a beleza de Alexandria…
Os marxistas, ao lado do povo e do estado social desde o início:
In 1908, when Asquith became prime minister, there were almost no models of state welfare anywhere on earth. The exception was Bismarck’s Prussia, which to the dismay of German Social Democrats had instituted compulsory health insurance in 1883. That created a sudden panic on the left. Karl Marx had died weeks before, so the socialist leader August Bebel consulted his friend Friedrich Engels, who insisted that socialists should vote against it, as they did. The first welfare state on earth was created against socialist opposition.
(Via Sullivan)
Oposição essa que continua até hoje, sob um manto de mentiras socialmente aceites e nunca contestadas, sabe-se lá porquê. Daí a insistência em modelos insustentáveis a longo prazo e a recusa de negociações razoáveis, o ódio mal escondido à ascensão social e ao empreendedorismo, a maledicência quanto à melhoria das condições de vida da esmagadora maioria dos portugueses, o abanar de rabo demasiado óbvio quando referem a “fome” e “miséria” que atingirá a “classe trabalhadora”, o desprezo que transparece pelas instituições e rituais democráticos. A ideia não é, nem nunca foi, ajudar os cidadãos e melhorar a sociedade. A ideia é, e sempre foi, o colapso da ordem estabelecida de modo a instaurar uma nova, onde pudessem ter o poder sem oposição. Incluindo a luta contra o Estado Novo, onde derrubar uma ditadura fascista que lhes era hostil tinha como objectivo apenas a instauração de uma ditadura comunista. Isto é anti-comunismo primário? É, sim senhor. Algumas coisas devem ser primárias, e começa a ser altura de deixar de ter vergonha de apontar o dedo a um rei tão obviamente nu. Não porque corramos algum risco, pobres coitados, as pessoas não são estúpidas e o triste destino dos estados comunistas está bem vivo na memória. Mas está na altura de perceber que no museu vivo do comunismo que se transformou o PCP, algumas armas em exposição, como os sindicatos que representam tanta classe média, tantos cidadãos, são demasiado valiosas para serem deixados nas mãos de lunáticos em fantasias totalitárias. Estamos numa daquelas alturas em que as placas tectónicas se mexem debaixo dos nossos pés, e onde o padrão de vida que os nossos bisavós, avós e pais conquistaram vai mudar. Vai mudar na Europa, e vai mudar por cá. Essa é a inevitabilidade da crise mundial. E até agora, a direita, as ideias de “livre-mercado” desregulamentado, do “cada-um-por-si”, do predomínio das instituições financeiras sobre o resto da economia, levam vantagem. Não os levo a mal por isso, são forças necessárias e é natural que defendam os seus interesses. Mas há que repor equilíbrios de poder entre os vários componentes da sociedade, e é vital que a classe média esteja representada em força, para controlar as inevitáveis tentações predatórias e os excessos. Eu não quero nacionalizar os bancos, a energia, os transportes, as grandes empresas, como a chamada “esquerda genuína”. Mas não os quero demasiado poderosos e arrogantes, gordos que nem uns porcos, “demasiado grandes para falhar”, impondo as suas condições sobre todos os outros. Quero-os saudáveis e ágeis, como parte essencial da economia de mercado que são, como parte de uma máquina cujo objectivo é a melhoria contínua das condições de vida de todos, sem excepção, e que permita a cada um realizar o seu pleno potencial. Isto é para mim o que significa esquerda, é o que significa estado social, aquele que é preciso melhorar e defender. E não são os comunistas que o vão fazer, esses não estão interessados. Somos nós.
Soares manifestou-se muito satisfeito com a eleição de Assunção Esteves para o cargo, classificando-a como “uma mulher extraordinária” e “muito grande constitucionalista”.
“É estimada por todos e foi aplaudida por toda a Assembleia da República, o que é qualquer coisa de grande, além de ser a primeira mulher que vai ser presidente da AR”, referiu.
Vejo passar um avião cada minuto
Por cima da bandeira desfraldada
No limite mais à direita e absoluto
Rectângulo da cidade na esplanada
São Roque é a mais alta perspectiva
Uma igreja concebida para a batalha
De quem pela sua fé daria a sua vida
Na guerra onde se reza e se trabalha
À esquerda o pórtico da Margueira
Estaleiro onde se acolhem os navios
Tão doentes da viagem e da canseira
Na doca onde os cascos estão vazios
Da vida que atravessou os oceanos
Quando o combustível era a lentidão
Num instante passam cinquenta anos
O tempo de hoje é o tempo do avião
Prejudice Linked to Women’s Menstrual Cycle
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Psychologists Find Link Between Ovulation and Women’s Ability to Identify Heterosexual Men
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Husband’s Employment Status Threatens Marriage, but Wife’s Does Not, Study Finds
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‘Coming Out’ Makes People Happier, But Mainly In Supportive Settings
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Fastest Sea-Level Rise in 2,000 Years Linked to Increasing Global Temperatures
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‘My Dishwasher Is Trying to Kill Me’: New Research Finds Harmful Fungal Pathogens Living in Dishwasher Seals
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The Myth of the ‘Queen Bee’: Work and Sexism
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Exposure to Parental Stress Increases Pollution-Related Lung Damage in Children
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An Explanation of How Advertising Music Affects Brand Perception
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Men quicker to say ‘I love you’ than ladies
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Beauty and the Beasts: The Sight of a Pretty Woman Can Make Men Crave War

Hadewijch_Bruno Dumont
O cristianismo não-cristão, aquele que ainda não chegou a Roma, sequer à diáspora, e se mantém originariamente judaico, é uma religião como nunca se viu antes ou depois. Encontra-se preservado na sua integridade nos diferentes Evangelhos, tanto nos canónicos como nos apócrifos, e tem uma perene manifestação esotérica, artística e política ao longo dos séculos no Ocidente. Consiste numa proposta de transformação cognitiva onde os conflitos existenciais, universalmente inevitáveis seja qual for a classe social e a cultura a que se pertença, são colocados sob a esfera de autonomia do sujeito; embora diferentemente das escolas filosóficas gregas, as quais desenvolveram mediações discursivas adequadas a factores étnicos e históricos distintos daqueles em que Jesus se movia.
Cada um, por si, com os seus recursos intelectuais e volitivos, numa relação directa consigo próprio, pode dar sentido ao enigma em que se constitui a realidade na sua indomável complexidade, desafios e ameaças. Não é outro o anúncio de fé, a boa nova. E poderá fazê-lo com tão maior facilidade quão maior for a sua pobreza – entenda-se, a sua capacidade de crescimento, a sua curiosidade. Daí ser tão difícil aos ricos entrarem no Reino de Deus – isto é, abandonarem o materialismo, o cinismo, e recuperarem a juventude, nascerem de novo. A radicalidade do cristianismo evangélico, nisso se distinguindo das restantes teorizações religiosas, mostra que a própria prática religiosa, com os seu códigos rituais, com a sua moral, é impeditiva de uma vida espiritual. Jesus, nesta linha interpretativa, não era judeu nem cristão. Era um poeta e um guerreiro, um ser humano livre.
O cristianismo não-cristão é da família das tradições sapienciais onde se cultiva o paradoxo. Compreender esta super-lógica permite aceitar uma característica principal pela qual os conhecereis, esses que se inspiram naquele original pedreiro nazareno sendo ateus, agnósticos ou deístas de qualquer outra narrativa mítica: eles celebram a ideia de que só nos salvamos quando salvamos alguém.
Este filme ilustra essa esperança com uma libertinagem perfeitamente cristã, a qual encherá de alegria o cinéfilo paciente, virtuoso.








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