Feeds:
Artigos
Comentários

Eusébio faz hoje 70 anos, quase tantos anos como o amor que dedicou ao Benfica. Mas Eusébio é muito mais que o maior futebolista português de todos os tempos.

Eusébio representa um género de desportista que além de excelente e dedicado profissional, jogava por amor à sua arte e ao seu clube do coração.

Eusébio representa um género de desportista onde o argumento do profissionalismo e a tentação do dinheiro não se sobrepunha à sua paixão clubística, algo que os tempos modernos parece ter morto.

Eusébio é um retrato de uma época em que o futebol era um desporto e não um negócio, um período em que se podia torcer por um clube, mas não se pedia para ver os seus adversários a arderem.

Por tudo isto obrigado Eusébio! Obrigado por aqueles golos que marcaste naquela noite em que eu criança e doente não consegui largar o rádio e depois a arder em febre fui conduzido ao hospital e operado de urgência com risco de vida, por ti fiquei eternamente Benfiquista como tu. Parabéns e que gozes por muitos anos alegrias Benfiquistas para partilharmos juntos.

Enquanto os Portugueses se vão indignando com as declarações infelizes do Presidente da República, mostrando como somos rápidos a aderir a uma causa inconsequente desde que espalhafatosa, o País vai subindo no risco da bancarrota, o governo insiste que não vai pedir mais ajuda ao mesmo tempo que os empresários além de colocarem dinheiro na Holanda insistem que vai ser necessário requerer mais ajuda.

Por sua vez, o FMI vai  pedindo menos austeridade numa hora, mas fica insatisfeito na outra e alguns dos seus conselheiros lamentam os nossos sacrifícios.

Sinais de grande desatino entre esta gente que nos governa e alheamento de quem é governado, mas infelizmente, de soluções para Portugal, sobretudo para fomentar o crescimento económico, pouco ou nada vejo de eficaz e consistente no meu percurso pelas notícias nos vários OCS nacionais.

No dia do primeiro aniversário da reeleição de Cavaco Silva para Presidente da República e no auge das suas infelizes declarações  sobre a cobertura com as suas reformas das suas despesas, eis que surge em vários OCS o custo estimado de cada ex-Presidente da República ao erário público: 300.000,00 €/ano.

Assumo que não sou um republicano convicto, mas também não sou  um adepto convencido das virtudes da monarquia…

Já conheço todas as argumentações de direitos adquiridos e o facto da dignidade que deve ser assegurada a quem já assumiu o mais alto cargo da nação… só que num País que não garante a dignidade a todos os seus cidadãos ou súbditos, também não reconheço que um ex-Presidente da República necessite de assegurar mordomias após o termo das suas funções para se preservar a dignidade do Estado…

Assim, para mim isto não passa de mais uma sem vergonhice pegada deste sistema republicano que paulatinamente tem destruído os valores que diz defender desde que tomou o poder há cerca de 101 anos e que misturado com políticos incompetentes e sem dignidade tem vindo a destruir a credibilidade da república e da democracia em Portugal.

Faltas de Vergonha II

A última parte do meu mais recente artigo no diário Incentivo:

FALTAS DE VERGONHA

continuação

Já não bastava a Europa ter aliciado com subsídios os nossos agricultores para abandonarem a produção e depois de Portugal ficar com os malefícios daí resultantes nesta crise e ainda ter de ouvir as lições de moral vindas da Alemanha, França e Finlândia; para agora também cadeias de hipermercados nacionais, que colocam as sedes das suas holdings na Holanda para daí tirar benefícios fiscais, importarem leite estrangeiro e o venderem abaixo do custo aos portugueses, dando mais uma machadada num dos poucos setores produtivos que, embora cada vez menos rentável, ainda é responsável por gerar riqueza em produtos consumíveis dentro deste País.

Efetivamente o que não falta neste País é descaramento e desfaçatez, pessoas sem vergonha e sem soluções para Portugal, mas que dão lições de moral enquanto pisam quem trabalha. Mas são estes últimos que se veem despojados de direitos, abandonados ou ainda lhe dificultam a possibilidade de produzir ou ter riqueza que lhes assegure, ao menos, viver com dignidade.

As reformas de Cavaco Silva

Apesar de Cavaco Silva não ter dotes oratórios, pensa  o que diz e tende a não falar muito, pois abusa dos silêncios e escasseia em declarações. Por isto tudo, parece-me estranha a sequência de declarações de Cavaco Silva efetuadas ontem sobre o montante das suas reformas e cobertura das suas despesas.

Na verdade, o mesmo tem cuidado em não referir o total de todas as suas reformas, mas sabe que isso é do conhecimento público, diz que descontou cerca de 40 anos, insiste numa reforma de 1300€ e de outra dá os dados o seu posicionamento de carreira para calcularem o montante, esclarece que não recebe o vencimento de Presidente da República e estraga o ramalhete dizendo que a sua reforma quase não dá para as suas despesas, que se vale das poupanças da sua vida.  Confuso! Mas o que pretende Cavaco Silva?

Dizer que as despesas totais dos descontos que teve para obter uma reforma de 1300€ quase não cobrem o investimento? Passar a mensagem que não acumula pensões com vencimento ao contário de Catroga e outros políticos? Incentivar à poupança? Chamar à atenção sobre si e esvaziar o ataque sobre o acordo da Concertação Social? ou abrir um nova frente de questões e chegar a um ponto que ainda não percebemos?

Hoje em Guimarães poderão ser dados novo sinais se esta polémica foi um acidente premeditado ou um deslize infeliz… é que neste último caso foi mesmo uma declaração muito infeliz…

Faltas de Vergonha I

Excerto da primeira parte do meu último artigo publicado no diário “Incentivo” esta semana:

FALTAS DE VERGONHA

A falta de vergonha ou descaramento não tem partido, nem é exclusivo de políticos, mas é sempre um desrespeito ao próximo e resulta do aproveitamento de situações por alguns em benefício próprio ou de um grupo.

Sou daqueles a quem cortaram no vencimento e os subsídios de férias e de natal e não reclamo. Tenho-me disponibilizado (já desde o tempo de Sócrates) para com sacrifício contribuir de modo a Portugal ultrapassar as dificuldades em que se meteu e até tenho a consciência tranquila por há muitos anos denunciar o grave erro de gestão que era a corrida ao endividamento de tudo o que era público neste País, dizendo que tal comprometia o futuro, tal como agora se veio a comprovar.

Há outros com vencimentos iguais ou melhores que protestam com os sacrifícios impostos e merecem o meu respeito, pois eles lá sabem as dificuldades ou vícios que têm e a sua disponibilidade em colaborar nesta tarefa.

Agora não tolero que o Estado possa cortar unilateralmente vencimentos aos seus funcionários e impedir de terem tarefas remuneradas em férias ou fora de horas sem penalizações e depois argumentar com direitos adquiridos a quem fica com reformas douradas de muitos milhares de euros e ainda acumula muitos mais milhares para desempenhar funções em empresas privatizadas que cresceram à custa de monopólios públicos como é o caso da EDP.

Se há direitos adquiridos para uns… há para todos ou então não há para ninguém!

Se um reformado descontou ao abrigo de critérios para benefícios futuros, também um funcionário público esforçou-se e sujeitou-se a condicionantes tendo em conta regras para ascender na carreira e melhorar no seu vencimento. Por isso não me sinto minimamente com menos direitos, que me têm sido tirados em nome da crise, do que qualquer alta personalidade pública muito competente.

continua

Ainda a propósito deste artigo a reconhecer que presentemente os Açores importavam quase tudo o que consomem… e depois de ver alguns anúncios de inaugurações de obras públicas em curso nos Açores ou ocorridos recentemente surgiu-me uma questão.

Alguém se lembra de qual foi o último grande investimento nos Açores numa unidade industrial geradora de produtos transacionáveis e em que ano isso ocorreu?

Os resultados deste estudo são altamente preocupantes, embora ainda 56% considere a democracia o melhor sistema, já 44% de uma forma ou outra não assumem esse problema e a crise sabe-se que não atingiu o seu auge.

15% dos inquirido chegam a considerar que em determinadas circunstâncias um governo autoritário pode ser um sistema preferível… abrindo caminho assim a um suporte de eventuais extremismos partidários.

Ironicamente, no passado foi a crise da Alemanha face às exigências económicas e justiceiras das maiores potências democráticas da Europa que levaram os germânicos ao nazismo, hoje, é a crise nos países periféricos perante as acusações justiceiras da líder alemã que está pondo em risco a democracia dos pequenos Estados que cercam o velho mundo.

Maus presságios para o futuro da democracia no Continente e Estado berço deste modelo político de governar os povos.

Independentemente de assumir que aceito perder algum poder de compra para Portugal ultrapassar a crise, o facto de existirem dúvidas de constitucionalidade sobre o corte de subsídio de férias e natal, apesar de não me parecer muito diferente daquilo que o PS de Sócrates impôs inicialmente em 2011 no abatimento do meu vencimento, não me choca que deputados do PS levem este ano ao Tribunal Constitucional aquilo que não levaram em 2011.

Afinal, sempre defendi que os deputados podem unir-se em torno de partidos mas que estes não deveriam estar amarrados a uma disciplina partidária que os obrigava sempre a votar em bloco… por isso, se na sua qualidade de eleitos estes socialistas têm este poder e o querem exercer, mais não fazem que a sua obrigação. Mas é um revolta dentro do PS de Seguro.

Certo que os juízes também devem ter os seus cortes amarrados à proposta que agora vão analisar e também este grupo pode vencer ou não no TC e se em caso de vitória o perigo de bancarrota do País herança do PS aumentar e concretizar-se, pode ser pior a emenda que o soneto…. mas é apenas mais um risco que Portugal enfrenta.

Agora se estão tão preocupados com o cumprimento da Constituição, quero ver quantos destes socialistas irão votar favoravelmente a Proposta de Lei 118 da colega de bancada Gabriela Canavilhas que me torna à priori culpado e obrigado a pagar pelo crime de efetuar cópias ilegais só pelo fato de comprar uma pen, um cd, um leitor de mp3 ou outro equipamento que armazene dados digitais… é que para alguns a presunção de inocência já não é um princípio assegurado constitucionalmente em Portugal.

Sobre esta proposta fica aqui o meu protesto pela destruição do princípio da presunção de inocência subjacente à mesma… sob a forma de concordância com o teor desta mensagem.

Ainda não tive tempo de ler o suficiente do acordo alcançado ontem no Conselho de Concertação Social para ter uma opinião definitiva global sobre o mesmo, mas considero bom para a imagem de Portugal haver entendimento entre as partes.

Apesar de tudo, já deu para perceber que não foi um acordo onde os trabalhadores têm algo a ganhar diretamente, a bolsa de horas mais não é do que permitir umas horas extraordinárias na época de maior produção a custo zero, compensando-as com horas de folga em períodos de baixa necessidade de mão-de-obra, no final é flexibilizar o horário do trabalho no interesse da empresa sem grandes custos para esta, em detrimento do trabalhador.

A deliberação da empresa decretar férias nas pontes e a redução dos feriados é outra forma de aumentar a flexibilidade do horário de trabalho e baixar o custo deste em prol do interesse da empresa e em detrimento da vontade do trabalhador.

A redução das indemnizações por despedimento mais não é do que aumentar a instabilidade e a segurança do posto de trabalho em prol do interesse da empresa e em detrimento da vontade do trabalhador.

À partida tudo parece jogar contra a vontade do trabalhador, talvez daí o rosto deprimido do Secretário Geral da UGT. Conheço casos onde a flexibilidade laboral é muito elevada e isso gerou sinergias económicas que fizeram crescer as empresas e gerar mais emprego real do que a rigidez dos postos de trabalho… se isto acontecer, o balanço para os operários pode ser positivo… resta esperar para ver a longo prazo quem tem razão. A curto prazo muitos criticarão este acordo, sem esperar pelos seus frutos… mas a verdade é que há muito que o modelo em vigor em Portugal também não tem dado bons resultados. Eu espero para ver.

Mensagens Antigas »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 322 other followers