Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

Para memória futura...

"Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos." (Cavaco Silva - 09.03.2011);

"A nosso ver, o último pacote de austeridade não iria potenciar o crescimento mas impor sacrifícios inaceitáveis aos membros mais vulneráveis da sociedade. Eram demasiados impostos e uma redução de despesa insuficiente" (Passos Coelho - 29.03.2011).

Sábado, 25 de Junho de 2011

As directas do Partido Socialista

A eleição do novo Secretário geral do PS assume especial importância pelo momento político actual e pelo resultado do partido nas últimas eleições. Não obstante, existem outros dois elementos que elevam a importância do escrutínio, o facto de tratar-se de uma sucessão a uma liderança forte, aquela que possibilitou a primeira maioria absoluta do PS e que liderou os destinos do país durante seis anos. O exame internacional há muito que deixou de ser apenas ao partido que assume o poder, hoje, o maior partido da oposição é também ele alvo da atenção da comunidade internacional. Face a estes dados, o partido socialista necessita de uma liderança forte e credível aos olhos dos portugueses e simultaneamente da comunidade internacional.

Francisco Assis e José Seguro são os únicos candidatos, o prazo para a formalização de candidaturas terminou ontem. Até ao presente momento as directas têm-se demonstrado positivas, com um vasto número de propostas de fundo, como a possibilidade de “primárias”, proposta de Francisco Assis ou a alteração à lei das Autarquias Locais preconizada por Francisco Assis. Creio que haveria espaço para um terceiro candidato, da chamada ala esquerda do partido, aquela que demonstrou maior desconforto em vários momentos da governação de José Sócrates.

Em termos regionais, o PS/Açores deverá decidir a sua posição a 29 do presente mês, isto após um minucioso trabalho efectuado por uma delegação junto dos dois candidatos. As directas assumem contornos vários para a região, na medida em que, muitas das medidas do memorando de entendimento com a “troika” terão que passar pelo crivo da ALRAA - a não ser que se suspenda a constituição. Também, as legislativas regionais de 2012 são um elemento forte para as estruturas do partido, nas quais, a máquina deverá estar oleada como sempre.

A seu tempo surgirão as análises às propostas dos candidatos.

Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

A nova Assembleia da República

Muitos têm abordado com especial profundidade o arranque da Assembleia da República saída do sufrágio do passado dia cinco.

O “caso Nobre”, não passa disso mesmo, um caso para alimentar debates e órgãos de comunicação social, órfãos de um campanha eleitoral e de insuficiência de elementos sobre os novos Ministros.

Não obstante, dou também o meu contributo sobre a matéria. Não creio que tenha sido uma derrota para o PPD/PSD, não era um desígnio do partido. Igualmente, não entendo a rejeição de Nobre como uma derrota política para Passos Coelho, uma vez que não era um objectivo, apenas a moeda de troca devida a Nobre. Já para Nobre é uma pesada derrota, insofismável no número de votos e realçada pela segunda volta. Reuniu menos votos que o número de deputados eleitos nas listas do PPD/PSD e acaba por sair por uma porta bem mais pequena do que nas presidenciais. O errático e intermitente percurso político de Nobre deixava a nu este desfecho, sem experiência parlamentar o novel deputado almejava uma Presidência que exige parlamentares de grande traquejo e sobretudo a cadeira alta de São Bento reivindica prestigio, algo nunca conseguido por Nobre.

Passos Coelho sai fragilizado apenas numa ínfima parte, na proporcional ao número de deputados do partido que lidera que não deram sequência ao seu apelo. Contudo, Passos Coelho possuiu o discernimento de apresentar um nome que teve pleno acolhimento da Assembleia da República. Assunção Esteves segue a esteira dos anteriores Presidentes da Assembleia da República, um nome de prestigio, rigor e seriedade, um rosto garante de credibilidade muito necessário ao Parlamento nos tempos que se seguem. Além disso, um FDLiana!

Notas avulsas

Relativamente ao Governo, a análise virá mais tarde. Apenas alguns apontamentos avulsos:

  • Luís Montenegro figura-se como uma má escolha. Não é o líder parlamentar que o PPD/PSD necessita neste momento e não creio que seja o nome indicado para liderar o frenesim parlamentar que se seguirá nos próximos tempos.

  • Maria de Belém, uma escolha interina e de qualidade. Num momento político em que todos referem a necessidade de consensos, o PS internamente chegou a acordo e garante assim estabilidade no grupo parlamentar – para aqueles que ansiavam um período conturbado como se registou durante vários anos no PPD/PSD é um grande revés.

  • O Bloco de Esquerda ao tentar escapar de uma séria reflexão interna, afunda-se cada vez mais. Miguel Portas e Daniel Oliveira seriam boas escolhas para uma nova vida no bloco.

  • Passos Coelho resolveu bem a questão do líder da Assembleia da República, mas cometeu um pecado colossal ao vir à posteriori defender Nobre com a argumentação que utilizou. Dado que, a argumentação pró-Nobre é tudo aquilo que Assunção Esteves não é, sendo igualmente um ataque a todos os anteriores líderes da Assembleia da República.

Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

Um Casamento e Três Funerais

A partir do dia 11 de Julho, volto novamente a este espaço, até lá... tenho uma casamento à porta...

Noutras noticias bem menos importantes, primeira sessão plenária marcada, novo governo, e os magistrados vão começar a ter que fazer uma prova oral de conhecimentos à entrada de cada tribunal.

Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Onda Cultural Fontinhas

Programa.

Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Eu falo verdade, tu falas verdade, eles falam verdade... Ups

Aquilo que mais comove o cidadão comum é a capacidade de um partido político e os seus dirigentes se revelarem e há quem não espere muito por fazer isso acontecer. Paula Teixeira da Cruz, vice-presidente da comissão política nacional do PSD é um caso disso.

"Temos uma situação como não vivemos há um século", disse-o Paula Teixeira da Cruz, no dia 6 de Junho, à porta da sede do PSD, em Lisboa. Ora, se o lema da campanha das legislativas foi uma espécie de rodízio entre "é preciso falar verdade", "acabar com a incompetência", e por aí fora, como é possível que só no dia seguinte às eleições se reconheça que havia por aí a maior crise do século?!

Muito simples, tudo se resume a uma máxima: antes das eleições, tudo o que é mau é culpa de Sócrates, após eleições, tudo o que é mau é culpa da crise e do Sócrates.

Eis a ementa de verdade que nos habituará a todos nos próximos tempos.

Onda Cultural Vila das Lajes

Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Deputados e petição popular contra tourada incluída no programa do Dia dos Açores

Alguns deputados da Assembleia Legislativa regional contestam a inclusão de uma tourada no programa do Dia dos Açores, a comemorar a 13 de Junho.

O argumento é que “o Estado está a subverter o seu papel, promovendo e instigando a violência e a discriminação e a fomentar a discórdia e a desunião, entre os açorianos, quando opta por esbanjar dinheiro público num espetáculo que cada vez mais pessoas contestam”.

Como Praiense, Terceirense e Açoriano, sinto-me insultado (com vários graus de irritação), pelos os senhores deputados que estão a armar esta barraca.

O dia da Região visa celebrar as gentes e costumes das nossas 9 ilhas, sendo um desses costumes, com quase 400 anos de história, a tourada à corda típica da ilha Terceira. Neste caso os senhores Deputados e gentes afins que estão contra a tourada no areal da Praia da Vitória, deviam assumir primeiro uma posição muito clara…

… são contra os costumes terceirenses? são contra o povo desta ilha celebrar a sua história centenária? E já agora, vão comer ao almoço de sopas que decorrerá durante as celebrações? É que essa carne que irá ser servida provem de atos de verdadeira barbárie contra bovinos e suínos… esses bichos não merecem a vossa atenção?

O “Dia dos Açores” já correu meio mundo e até o Corvo, mas nunca antes na 2ª maior ilha da região. Antecipando um levantamento popular na Terceira contra o dia da pombinha, o Governo Regional decidiu em toda a sua benevolência, celebrar junto dos terceirenses em geral e dos praienses em particular, este feriado regional…

Eles não perceberam...

As eleições legislativas foram há poucos dias atrás e parece que a direita e o verdadeiro chefe da coligação não perceberam aquilo que está verdadeiramente por trás do resultado do veredicto do povo.

Digo isto referindo-me à recente informação de que no próximo dia 10 de Junho, o chefe da coligação de direita, que acumula de quando em vez as funções de Presidente da República, Cavaco Silva, irá condecorar Manuela Ferreira Leite.

Parece-me que a direita não percebeu, não percebeu mesmo, as lições que o povo transmitiu nas urnas e vai disto, dois dias após o plebiscito, havendo que elogiar o timming em primeiro lugar, decide transmitir ao povo que a Ministra das Finanças que deixou o país com um défice superior ao que encontrou, que fez um negócio ruinoso da cessão de créditos fiscais do Estado português e uma das co-responsáveis pelo maior aumento de desemprego no nosso país será condecorada.

A direita continua a pensar que o país é seu, que tudo lhe calhou por herança, desde o Estado à verdade, pois só a direita hoje se acha titular do mérito de falar verdade aos portugueses. Mas o Estado português é mais do que da direita e da esquerda. O Estado português devia estar ao serviço de todos e para todos. Com maus exemplos destes duvido que esteja, porque no fundo é impossível dissociar-se esta questão dos laços de amizade que ligam a ex-Ministra do PSD ao líder da coligação de direita.

Portugal é muito mais do que uma coutada do actual Presidente e dos seus amigos. As condecorações honoríficas portuguesas são mais do que uma entrega de bacalhaus, devem ser merecidas e dignas de exemplo. Esta, na minha opinião, não é, da mesma maneira que se fosse a Teixeira dos Santos ou a Sócrates também não seria, a melhor maneira de honrar as ordens honoríficas portuguesas. No momento presente, ainda não há muito que permita fazer um julgamento justo e sério, honesto, isento e credível da obra que tanto Sócrates, Teixeira dos Santos, Manuela Ferreira Leite e outros dirigentes políticos promoveram no exercício dos seus cargos.

Portugal é muito mais que fazer viagens de negócio à Turquia passando pela Capadócia e que deixar crises políticas evoluírem ao ponto de obrigar o país a ter que ir a votos numa altura tão complexa e difícil como a que vivemos. Também aqui, um dia, será a História a julgar, Cavaco Silva, e espero que não seja com uma medalha de bom comportamento.

Paulo do Caldeirão dá outro Trambolhão?

O presidente do PPM/Açores, Paulo Estêvão, também líder nacional do partido, admitiu hoje os "péssimos" resultados eleitorais obtidos na região nas legislativas de domingo, admitindo abandonar a liderança se a situação se repetir nas regionais de 2012.

Acredito que deve ter feito uma confusão brava ao galispo ter visto as galinhas a fugir da sua muito pequena capoeira.

O poleiro da Assembleia regional é demasiado bom para que esta ave rara dê o salto antes do tempo, mas os números das legislativas devem o ter posto com a crista arrebitada em antecipação a um mau resultado nas regionais. Resta saber a quem ele irá arrastar a asa… à esposa no Corvo? ou ao Palácio da Conceição em S. Miguel?

Um conselho ao Sr. Paulo… Galo que fora de horas canta, faca na garganta…

Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Marcelo diz que negociações PSD/CDS-PP vão ser "fáceis e rápidas"

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta segunda-feira que vão ser “fáceis e rápidas” as negociações PSD/CDS-PP para formar um governo de coligação, mas anteviu vida difícil para o próximo líder socialista.

Algumas notas rápidas sobre este comentário de Marcelo Rebelo.

1. Já começou a surgir a cabeça enrugada do “monstro” Marcelo. Condicionamento será talvez um termo demasiado forte para descrever as inevitáveis “bocas” que o professor irá lançar diariamente na direção de S. Bento, mas de qualquer modo são isso mesmo… Passos terá tudo menos paz de espírito, especialmente vindo do seu próprio campo.

2. Portas estás feliz da vida, o rapaz conseguiu um excelente resultado eleitoral, mas acima de tudo, uma pressão imensurável vinda de todos os campos para que o novo governo seja formado quanto antes. Tal facto só benéfica o CDS-PP, não dá muito tempo ou margem ao PSD para negociar com calma as pastas de governo… se isto fosse a Grécia e as multidões estivessem aos portões… Portas seria primeiro ministro.

Estatísticas

Durante a campanha eleitoral – 22 de Maio a 3 de Junho – este espaço recebeu um total de 1952 visitas únicas, numa média de 150,1 por dia. No mesmo período, foram registadas 3421 entradas, uma média de 263,1 por dia.

Obrigado a todos os que por cá passaram.

Legislativas 2011 - Análise

Passadas algumas horas do conhecer dos resultados, já é possível fazer uma primeira análise mais a frio das eleições do passado Domingo.

A vitória do PSD é clara, teve mais votos e mais mandatos que o segundo partido mais votado. Não há margem para grandes dúvidas quanto a isso. Mas, não deixa de ser curioso o facto de após 6 anos de governação socialista, o resultado alcançado por Pedro Passos Coelho ser inferior ao que Durão Barroso obteve após o consulado de António Guterres, que ao contrário de José Sócrates, saiu do cargo de primeiro-ministro sem passar pelo desgaste de governação e pessoal que este último sofreu, essencialmente, após escândalos como o da licenciatura, o reavivar do processo freeport sempre em época eleitoral e entretanto arquivado em Inglaterra, e o caso TVI. A bem da verdade, Guterres não enfrentou classes mais ligadas ao PS, nomeadamente, no sector da educação e da função pública, não tomou medidas de austeridade, nem passou por metade do escrutínio público, por vezes insidioso e insultuoso, com que José Sócrates foi obrigado a viver nos últimos seis anos.

Um pormenor, também importante da noite eleitoral, foi o discurso de derrota de Sócrates. Seguramente foi o discurso da noite, com a calma, humildade e ponderação que pode ter surpreendido muitos. Nas entrelinhas fica um registo, também de si muito curioso, o discurso de Sócrates, sendo de derrota, conseguiu ser mais elevado e mais respeitoso que o de Cavaco Silva na noite das últimas presidenciais. Sócrates perdeu, é certo e claríssimo, saiu pela porta pequena, mas uma coisa penso que é certa, o resultado das suas opções políticas só poderá ser julgado dentro de alguns anos, pois essa é a lógica natural das coisas, nada se pode aferir e os seus impactos num tão curto espaço temporal, da mesma forma que a situação a que o país se encontra também não foi da exclusiva responsabilidade de Sócrates, pois constitui um arrastar de diversos problemas de vários anos e de inúmeras más opções políticas dos vários partidos do arco governativo.

Quanto a Pedro Passos Coelho, ganhou, não posso dizer se tanto pelo seu mérito ou mais por demérito do principal adversário. Sobre o que vai fazer, pouco posso ajuizar, porque no fundo a ideia com que fiquei da campanha de Passos, que para muitos passou por não ser plástica, como tantos acusaram Sócrates de o ser, centrou-se naquilo que os estudos sociológicos apontavam como sendo os pontos fracos do seu adversário - a credibilidade, a competência, a responsabilidade ou falta delas - deixando para segundo plano as ideias e os objectivos, o que digamos, em abono da verdade, é muito mais conveniente do que assumir propostas claras, porque assim, evitam-se confrontos como aqueles que Sócrates sofreu sobre os 150 mil postos de trabalho a criar.

Com a campanha que o PSD fez, pouco ou nada lhe poderá ser assacado, porque no fundo, poucos sabem quais são as suas metas concretas, em vez disso, sabem certamente muitos lugares comuns, como querer colocar Portugal melhor ou outras expressões, com forte significado emotivo, mas pouco, muito pouco esclarecedoras. Ainda sobre Passos Coelho, pouco ou nada se disse na comunicação social sobre o seu passado. Resta-me esperar que não seja durante o seu mandato que se mine a sua credibilidade baseada em escândalos da sua vida pessoal antes de exercer o cargo de primeiro-ministro, tal situação, seria penosa e extremamente gravosa para o país considerando o actual estado de coisas.

Uma nota ainda para o pior episódio da noite eleitoral: as questões colocadas a Sócrates sobre uma eventual aceleração de processos judiciais e o viver frenético e desregrado da cobertura jornalística neste país. As perguntas a Sócrates revelam o que de pior se instalou em Portugal, a cultura do ódio, do conflito, da insinuação e do insulto, tudo a coberto de uma pertença liberdade à expressão que não é mais do que o início de julgamentos na praça pública, onde como se sabe, faltam as garantias dos visados e as protecções que num Estado de Direito democrático deve ter lugar. Já a cobertura jornalística sem regras, num atropelo constante dos simples cidadãos de passagem, revela que hoje em dia vale tudo para obter uma boa imagem ou uma citação. É péssimo quando se vê o jornalismo chegar a este ponto, quase a parecer-se com o capitalismo selvagem, neste caso, um jornalismo sôfrego e selvagem.

Metendo, por último, uma colherada nos resultados açorianos, há que dizer algumas coisas que talvez o fervor e a euforia da noite de ontem não permitiram o necessário discernimento. Carlos César não sai depenado da noite eleitoral de ontem e pensar que daí se retiram conclusões sobre resultados eleitorais futuros só o faz quem, no fundo, bem lá no fundo, sabe o quanto penoso e espinhoso é o seu caminho. À excepção das eleições europeias, todas as outras são demasiado personalizadas. Nas legislativas escolhe-se o candidato a primeiro-ministro e secundariza-se, e mal, a escolha dos deputados enquanto representantes do povo. Nas autárquicas tudo é personalizado na figura do presidente da Câmara. Nas presidenciais a música toca da mesma maneira e as legislativas regionais não são excepção a esse jogo de escolha entre uma ou outra pessoa.

O PS nos Açores perdeu as legislativas nacionais de 2002, mas venceu todas as eleições regionais que se seguiram, mesmo contra uma coligação de direita. Cada acto eleitoral é uma busca de legitimidade própria para cada acto em si mesmo, não tem transferências nem leva somatórios de peças para puzzles futuros, porque de outro modo, haveria que tomar conclusões sobre o facto de a líder regional do PSD Açores ter sido cabeça-de-lista do círculo de São Miguel nas regionais de 2008 contra o actual presidente do Governo, Carlos César, e este ter ficado à sua frente com mais de metade dos votos. Aliás, parece incrível, a volatilidade de discurso no que toca à líder do PSD dos Açores, quando perde as autárquicas veste apenas o fato de presidente eleita da Câmara de Ponta Delgada, quando vence legislativas nacionais, veste o papel de líder do partido por inteiro. Se essa é a noção de mudança, de caras novas e de alternativa que reveste a candidatura do PSD, confesso, que me parece uma liderança de meio-tempo, ora hoje se é líder, ora amanhã não é porque não convém mesmo nada aparecer na fotografia.

Ainda sobre o resultado eleitoral do PS, os últimos estudos de opinião realizados apontavam algumas curiosidades: a primeira, que o eleitorado socialista, uma parte dele, dizia que se iria abster, a segunda, que a perda de votos do BE, seria, em grande parte para abstenção. O nível de abstenção nos Açores e no país e estes dados são mais uma ajuda para demonstrar o quanto falível é a retirada de conclusões sobre resultados de uma eleição legislativa nacional para uma eleição regional, ainda para mais, sabendo-se que só terá lugar em finais de 2012.

5 de Junho - pré-análise

Os sinceros parabéns aos vencedores. Ao PSD nacional, ao PSD regional e a todos os candidatos eleitos.

Pedro Passos Coelho venceu e o PPD/PSD finalmente poderá estabilizar-se internamente. Não obstante, o PPD/PSD depois de seis anos de oposição vence com uma maioria relativa.

Paulo Portas consegue atingir vários objectivos: o melhor resultado em 28 anos e obriga o PPD/PSD a negociar com o CDS/PP.

No Partido Socialista, abre-se um novo ciclo político que deverá ser ultrapassado com dignidade e serenidade pelos militantes socialistas. José Sócrates abandona a liderança e a história o julgará. José Sócrates fez o melhor discurso que um candidato derrotado já fez na história da democracia portuguesa

O PCP tem uma vitória marginal, aumenta em um deputado e consolida uma posição perto de meio milhão de votos em duas eleições consecutivas – apesar de descer ligeiramente. Já o Bloco de Esquerda, alheio à derrota – talvez por ser a primeira – vai obrigatoriamente passar por um processo interno, que sendo inédito poderá ser doloroso. Para a esquerda radical, aquela que escusou-se a ser responsável e a estar ao lado do maior partido de esquerda em Portugal é também uma derrota. 74,8% dos eleitores votaram nos partidos que assinaram o acordo com a “troika”. Talvez, o trilho a ser percorrido pelos partidos de esquerda deve ser o de aproximação ao PS e de moderação no discurso.

Nos Açores…

A derrota é dura. O PS assume a derrota como de todos os militantes e da minha parte, como agente activo nesta campanha também a assumo e guardarei para reflexão. O PS perde 14.600 votos…

O CDS/PP, mesmo não elegendo Artur Lima, consegue o seu melhor resultado de sempre em termos percentuais e o segundo em número de votos. Um bom resultado, apesar das elevadas expectativas. Artur Lima arriscou, jogou todo o seu prestígio e consegue um bom resultado.

O PPD/PSD consegue eleger os três candidatos que se candidataram em 2009. Uma estranha mudança explicada em muito pelo arrasto conseguido a nível nacional. De resto, há claras semelhanças entre os resultados nacionais e regionais, como no caso do BE e PCP, ou ainda, do número de votos brancos ou do resultado do PAN.

Algumas notas avulsas:
  • Na região, a abstenção continua a crescer, desta feita mais três pontos percentuais.
  • O número de votos em branco duplicou na região como a nível nacional. Face ao elevado de número de partidos a concorrer, demonstra claramente que os partidos correspondem cada vez menos às expectativas dos eleitores que querem participar na construção futura do país - e que acabam por votar em branco.
  • O número de votos nos pequenos partidos aumenta consideravelmente na região e a nível nacional. Uma surpresa, o PAN. Ainda nos pequenos partidos, outro derrotado da noite, Paulo Estêvão, pior resultado do PPM a nível regional e nacional relativamente a 2009.
  • Nos pólos atenção ao PNR e ao PCTP/MRPP, com mais - mais 7.000 votos e 10.000 votos respectivamente.

O PS entra agora em reflexão, um exercício que deve ser sério e objectivo. Igualmente, toda a esquerda deve entrar em reflexão. Por agora é tudo, a seu tempo mais posts.

Domingo, 5 de Junho de 2011

Rescaldado

As eleições legislativas nacionais… que lições podemos tirar do resultado nas urnas? Quais as barreiras que se apresentam ao futuro governo? A mudança a qualquer preço valeu a pena?

A comunicação social dá a si própria a liberdade de se autonomear “especialistas eleitorais”, debatendo as complexidades do sistema eleitoral num sem número de cenários. No entanto a realidade para o comum dos portugueses é bem mais simples, divide-se tudo entre a direita e a esquerda, tal passo de lógica torna mais fácil a conversa de café pós-eleitoral.

Assim sendo, temos de um lado a nova aliança para a democracia fiscalmente responsável, ou seja ou PSD e CDS-PP, do outro lado o proletariado sem voz da oposição minoritária, ou seja o PS, CDU e BE…

Não tenham dúvidas camaradas pelintras, que estamos a entrar no olho da tempestade, o período de acalmia antes do furacão da crise atingir terra novamente. Assistimos ao característico período de elação e euforia entre os vencedores, enquanto os perdedores se refugiam num natural sentimento de pessimismo persecutório.

Enquanto os porcos capitalistas se congratulam com o hino nacional e os discursos estranhamento “sincronizados”, a caça às bruxas já começou a tomar forma no ceio do PS. Como militante socialista confirmo oficiosamente que o nosso ciclo à frente da governação do país chegou ao fim. A estratégia de “Vitória ou Morte!” que pautou a campanha de Sócrates, não resultou, o tiro saiu pela culatra, o coelho não saiu da cartola, o pássaro escapou da mão e levou os amigos todos consigo... bem, percebem a ideia.

Como comentador apartidário (eu sei, não se riam), é interessante observar esta nova dinâmica na política nacional, esta coligação de interesses, ideologias, e personalidades que é a nova Aliança Democrática entre o PSD e o CDS. A mudança, à direita, que temos vindo a observar no país, é uma tendência que tem ganho, nos últimos ciclos eleitorais, embalagem na Europa democrática, industrializada.

A direita tradicional do PSD, assente nos valores de mercado e no sector empresarial nacional, e a direita nacionalista, populista, religiosa do CDS, tradicionalmente tudo menos aliados, estes dois partidos vêm-se agora de mãos dadas na governação do país.

Nota editorial: O camarada João esqueceu-se que ambos os partidos já tiveram à relativamente pouco tempo uma experiência governativa em conjunto.

Nota irritada do camarada João: E correu tão bem na altura não foi? Mas pronto, 12% de peso relativo na coligação era uma coisa, 19% são outra completamente diferente. 7% dão mais uma pasta?

Enfim, e não me alongando neste post que claramente não está a levar a lado nenhum. Parabéns à aliança fiscalmente responsável, parabéns ao PSD, ao CDS-PP, que a fé depositada em vós pela maioria, não abstencionista, dos portugueses seja bem depositada nas vossas mãos “manicuradas”.

Vote!

Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Contas

Por cá, nos Açores, votar BE ou CDU é ajudar a direita a eleger. Tão simples, o BE e a CDU nunca conseguirão eleger.

De resto, basta ver os números das eleições anteriores.Aquilo que Joaquim Ponte fez  como deputado desde o final da década de noventa. Mota Amaral é um caso à parte, é candidato desde 1969, ano em que o homem foi à lua. É candidato à mais tempo do que o tempo que durou o consulado de...Oliveira Salazar. O único que se mantém da ala liberal... PSD/Açores não é mudança.

O CDS/PP basta garantir os votos que conseguiu em 2009, rezar para a abstenção subir e elege.

Reflexo de um pensamento complexo

Hoje é dia de pré-reflexão, de antecipação a um dia onde o monstro da campanha esteja limitado a murmurar de dentro do armário do quarto de cama.

A serenidade com que cada um de nós enfrenta o dia-a-dia é frequentemente o resultado de um balanço entre o que cada um nós acredita e procura atingir, e as crenças e motivações dos demais. A discussão sobre se o copo está meio vazio ou meio cheio só pode nos levar até certo ponto…

É necessário um momento para parar, reflectir sobre aquele domingo, 25 de Abril de 1976, quando o povo português emergiu em longas filas para tomar o seu primeiro gosto pela liberdade. Nunca antes lhes tinha sido dado o poder de escolher o seu próprio futuro.

Hoje em dia, estamos mimados pelo conforto de uma democracia estabelecida, mas ainda a tentar sair debaixo do tecto da casa que Salazar construiu...

…daí ser, cada vez mais, necessário reflectir sobre o acto que estamos prestes a tomar, sobre a importância do momento que estamos prestes a viver, onde iremos fazer história, participando no renascer cíclico da nossa democracia.

A Madeira é um Jardim!

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira aprovou uma resolução no sentido de ser dado um contributo aos representantes do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira para a Redução do Défice Público, ou seja, a troika.

Ora vejamos… "Pretende a Região Autónoma da Madeira contribuir, tanto quanto for possível, para a resolução dos graves problemas da República Portuguesa."

Até aqui tudo bem. Compreendo a boa fé da Assembleia de uma Região que deve tudo e mais alguma, em contribuir para a resolução dos graves problemas do nosso País.

Continuando com a leitura desta resolução, fiquei estupefacto com os graves problemas que a Assembleia de Jardim apresentou.

"Duas das muitas instituições desnecessárias e despesistas são a Comissão Nacional de Eleições e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social."

As razões apresentadas roçam o ridículo, no caso da ERC foi dito que uma " (…) instituição cuja composição também tem origem partidária, a sua actividade onerosa está desprovida de idoneidade". Realmente um governo que tem tutela sobre o Jornal da Madeira, nomeadamente a Secretaria Regional dos Recursos Humanos, como pode dizer isto? Daqui retiro a ideia que todos os artigos do colunista Alberto João Jardim e dos seus compadres não são idóneos, tal como, o resto das páginas daquele jornal vendido a 0,10€ e que qualquer um de nós pode obter gratuitamente.

Já quanto à CNE, além de esta ter composição partidária, como esta interfere nos processos eleitorais, a ALRAM prefere que "sejam os tribunais a apreciar os eventuais ilícitos eleitorais". Numa Região em que até os mortos votam e cuja acção da CNE costuma ser barrada, pelos capangas do regime, devia ser bonito termos actos eleitorais sem a presença desta comissão eleitoral.

Foi também defendido que a CNE funciona desnecessariamente ao longo de todos os anos, mesmo quando há eleições", devo recordar que, praticamente, desde de 1995 temos tido todos os anos actos eleitorais.

Depois de ter lido estes tesouros deprimentes, fiquei a pensar porque é que o PPD/PSD não sugeriu, aos representantes da Troika, a extinção da Fundação Social Democrata da Madeira, considerando que neste momento esta Fundação só serve para apoiar os estudantes laranjas com bolsas de estudo pagas por todos nós...

Rui Ataíde