
Vou só ali num pé a Moscovo e volto noutro. Digam ao camarada Jerónimo que lhe trago uma Matrioska e umas fotografias de telemóvel para ele se aperceber que até aquele mundo mudou. Quanto ao meu voto estejam descansados: a não ser que o túmulo de Lenine tenha uma maldição, está definido faz tempo e não pende para os lados do morto..
E como ontem era domingo e nem estava bom tempo nem nada, lá me fui enfiar noutra blogconf. Desta vez com Pedro Passos Coelho na vez de candidato a PM a responder às perguntas (in)cómodas da rapaziada da blogosfera. Isto é sempre assim: somos uns rebeldes na blogosfera, mas uns anjinhos no frente-a-frente.
Acredito que José Sócrates ainda esteja a resolver os problemas técnicos da última que, se bem se lembram, acabou por não passar em directo. Esta, pelo que ouvi dizer, passou, o que era já de si um argumento aproveitável por PPC para atirar à cara do opositor, mas talvez não o tenha feito com medo que Catroga classificasse o assunto como "menor". Mas vamos ao que interessa e ao que me deixou intrigado na resposta que recebi:
O PSD pretende que um mesmo ministro - sem fusão de ministérios - tenha sob sua tutela directa as pastas da Agricultura, Pescas, Ordenamento e Ambiente. E um dos argumentos usados foi que assuntos conflituantes - o exemplo do Ambiente vs Agricultura não foi mal dado, pois de facto existe e é muitas vezes um grande entrave para qualquer das partes - poderiam passar assim a ser resolvidos por uma só pessoa.
Ora vamos ao erros que encontro nesta lógica:
1) Com um Ministro a acumular funções, sem que exista uma fusão em concreto, pouco ou nada se poupa, pois o grosso da despesa continua a existir. Assim, sobrecarregou-se uma pessoa, um gabinete, mas em termos de ministérios tudo se manteve. Lá se foi o argumento da poupança.
2) Com um mesmo Ministro a gerir assuntos que entrem em conflito teremos sempre uma parte prejudicada, pois no Conselho de Ministros há espaço para a negociação e um Ministro pode encontrar o seu contrapoder. Mas se a decisão lhe cabe exclusivamente a si, isso não acontecerá e temo que saia, tendencialmente, um sector beneficiado, nem que seja por empatia, em detrimento de outro.
3) Qualquer um dos sectores tem especificidades únicas. Se nunca entendi porque raio se colocam as "Pescas" no Ministério de Agricultura não seria agora que entenderia que fossem agrupadas neste cluster ministerial junto com o ambiente e ordenamento do território. Alguém ficará esquecido.
4) Um Ministro da agricultura tem a seu cargo complicadas negociações a nível europeu e deverá acautelar as respectivas execuções. No momento em que se prova o atraso que o PRODER leva e o que isso tem custado ao tecido agrícola, sobrecarregar um Ministro não me parece a decisão mais acertada.
5) Por último e o ponto que interessa só a Sócrates: quem tomará conta das ventoinhas que fazem tão bem ao ambiente?
Obrigado ao Afonso pelo convite e ao Cachimbo de Magritte, Portugal dos Pequeninos, Adeus Lenine, Albergue Espanhol, O Diplomata, Miss Pearls e Corta-fitas pela companhia.
O PSD ressuscitou um morto político para tentar compensar a vantagem que Portas tirou do debate frente a Passos Coelho. Fernando Nogueira apareceu assim, sem ninguém saber muito bem donde e sem que consequências lhe possam ser imputadas, apenas para dar o recado a Portas de que "deverá baixar a bola!".
Quem está morto, não é atacado e ainda que o seja, dificilmente morre mais. Fantasmagoricamente desaparecerá como apareceu, agora que o serviço foi prestado.
"A direita será sempre a direita: a do interesse e da mentira!" Ferro Rodrigues dixit e pareceu-me estar a falar a sério...ou pelo menos a tentar.

Hoje à noite vou estar aqui a analisar o debate Passos | Portas. Apareçam.
Esta é a primeira Motion Graphics 100% Portuguesa sobre política. Espero que gostem. Vejam. Partilhem. Agitem, pois o momento merece!
PS - anda uma pessoa a trabalhar dois meses num vídeo para vir Catroga dizer "pintelhos" em directo na TV e abafar tudo num segundo. Mundo injusto!
PS II - será que vamos ter um pêlo púbico como capa de jornal?
Vai-se a ver e um destes dias ainda nos diz que sempre quis governar com o FMI. Um vídeo da Rua Direita

Não é que ambicione passar fome ou andar roto pelas ruas. Não quero sequer chegar a meio do mês contando os dias que faltam para o final e as moedas de cêntimo que me restam na carteira, mas a verdade é que era isso que José Sócrates merecia que me acontecesse. Pela forma como ele pensa que gere o meu dinheiro, pela forma como ele pensa que o usa e que dele abusa. Pela forma como o sente seu a ponto de, sem vergonha, o demonstrar nesta frase:
Senti-me roubado e expropriado no debate. Órfão de sistema e de Estado - eu que tanto o desprezo - quando percebi que acima dele, se sentia uma pessoa, a ponto de achar que o meu dinheiro, que o nosso dinheiro, lhe pertencia. Dele para pôr e dispor, ignorando o suor que a mim me custara amealhá-lo. Ignorando os sacrifícios que tive de fazer ou o que tive de aturar para o juntar. Dele para sonhar, mandar e pagar.
Só por isto Sócrates merecia que eu não tivesse mais para lhe dar e que se cumprisse a máxima de Margaret Tatcher:
"O Socialismo dura até que se acabe o dinheiro dos outros"
De facto, podemos todos dizer que estamos no bom caminho para alcançar tal objectivo. Pena que seja esta a forma que estamos a escolher para lhe impor um fim.

Hoje às 21h vou estar aqui em directo a twitócomentar o debate entre Paulo Portas e Jerónimo de Sousa. O primeiro de muitos e importantes debates. Apareça. É só seguir o link e ir até ao site da TVI24.
Enquanto não recorríamos à ajuda externa - que hoje já sabemos ter vindo tardiamente - andámos entretidos em leilões sucessivos de dívida pública a ponto do PM deixar de vender Magalhães para passar a vender títulos mundo fora. De balão em balãozinho de oxigénio fomos protelando o resgate, mesmo que o oxigénio estivesse a preços insustentáveis. Entretanto os interessados - viemos a saber - foram quase sempre os mesmos. Apesar das deslocações às Arábias e das vindas dos senhores do Sol posto, a dívida acabou por ser comprada, sobretudo pelos da casa: a banca portuguesa. E a história terminou onde já sabemos, quando estes disseram "Basta!".
Só que agora temos mais dados. E comparando os juros de hoje - 3,25% nos 3 primeiros anos e 4,25% a partir do quarto ano - com os juros de então, ficamos a saber que este atraso no pedido de ajuda, não só obrigou a um remédio mais severo, como se mostrou a solução mais dispendiosa. A teimosia de Sócrates - Teixeira dos Santos, por si, talvez até tivesse atirado a toalha aos 7%, como disse - representa, assim, sacrifícios acrescidos e financeiramente a opção mais dolorosa.
Obrigado, Senhor Primeiro-Ministro!
No 5 para a meia noite vejo que há uma bolinha no canto superior direito enquanto fala José Sócrates. Faz sentido..

Sócrates mandou cancelar todos os Outdoors. Desta vez vai ter de prometer verdades.
Do que pude ver do memo da troika - na diagonal pois vim experimentar as urgências de um hospital antes que tudo mude - fiquei com a nítida noção que não é um PEC IV mas que ainda que fosse, seria sempre areia a mais para a camioneta socialista refém de tantos interesses.
No PEC IV não falavam numa reforma administrativa do país e agora fala-se. No PEC IV não falavam em privatizações de empresas públicas e agora fala-se. No PEC IV não se falava em impostos e agora fala-se. Não se falava na uniformização do IVA. Não se falava em muito do que agora se fala pois o PEC era mais um remendo e não a cura!
Mas mesmo que se falasse, reitero o que sempre disse: o maior problema reside na execução. E como sabemos o défice do PS nesse aspecto é superior ao nacional!
E agora se não se importam vou tirar ali um raio-x..
- Hoje para almoçar não temos arroz de pato, nem bacalhau à brás, nem costeletas do cachaço.
- Então tem o quê?
- Não há espaço para perguntas. Obrigado.
Se fosse consigo saía do restaurante, nunca mais lá voltava e pura e simplesmente mandava o empregado bugiar ou aguardava serenamente, uma e outra vez, que o servissem?
A mulher de Passos Coelho tem mais personalidade que Teixeira dos Santos. Sempre nos desejou boa páscoa..
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web