Sexta-feira, Janeiro 20, 2012
Bendit vs Viktor Orban
Segunda-feira, Janeiro 09, 2012
Pesados cortes na ciência
Esta semana foram anunciados cortes de 39% no orçamento para 2012 da Fundação para a Ciência e a Tecnologia - instituição que tem a seu cargo a atribuição de bolsas individuais e de projetos científicos. Ao contrário do que foi anunciado estamos claramente perante um orçamento desadequado à continuidade de uma investigação de qualidade e em quantidade para responder às exigências das nossas empresas e da indústria nacional. Um orçamento tão reduzido limitar-se-á a financiar algumas ilhas que perderão a ligação aos restantes grupos de investigação perdendo-se massa crítica para concorrer a projetos internacionais e para manter a participação em instituições internacionais como o ESO, o CERN, a ESA ou o Acelerador Europeu de Sincrotrão. Desta forma, as consequências deste corte contrariam o apelo do governo a concorrer a projetos europeus para compensar a escassez de financiamento.
Os projetos europeus têm taxas de aprovação inferiores a 10%, onde primam centros de investigação dos países europeus de maior dimensão onde existem autênticas agências apenas dedicadas à redação dos extensos e herméticos formulários europeus de candidatura. Se esta é a via escolhida, então no mínimo o ministério deveria promover a criação de gabinetes dedicados à redação de projetos europeus. Com o amadorismo que reina na máquina burocrática da maior parte das nossas instituições muita investigação de qualidade ficará logo pelo caminho na altura do preenchimento do formulário.
O mais perturbador é a absoluta falta de estratégia do ministério num momento de profunda crise, momento em que a ciência poderia ser um dos principais motores para sair da crise. Enuncia-se como estratégia ministerial a promoção da excelência. Promover a excelência não é estratégia nenhuma em si, qualquer ministério da ciência sério procurará promover a excelência. Para onde vai a ciência nacional? Como a investigação realizada nas universidades poderá ser mais eficaz na sua ligação à sociedade e ao tecido empresarial? Qual a importância a dar à investigação fundamental e à inovação? Como promover a investigação nas empresas privadas? São questões que ficam sem resposta. Há uma abstração total do potencial científico do país, fica-se com a sensação que a investigação é um fardo para este governo e só não se desiste por completo de financiar a ciência porque isso teria repercussões internacionais sérias, inclusivamente no seio da comissão tripartida que nos está a emprestar dinheiro.
A governação do país vai numa direção e no meio científico cada um segue para seu lado, em passeio aleatório.
Etiquetas: ciência, política, Portugal
Segunda-feira, Novembro 14, 2011
Europeizando a Europa
Concordo com muito do que é escrito neste artigo do verde Joschka Fischer (publicado também na passada sexta no Público). Alguns extractos onde mais me revejo:
"o problema da Europa não é o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu: a criação de um governo Europeu comum."
"No início da década de 1990, quando a maioria dos estados membros da União Europeia decidiram formar uma união monetária com uma divisa comum e um banco central, a ideia de um governo central não colheu apoios. Como resultado, essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando um edifício impressionante a que faltavam alicerces sólidos que garantissem estabilidade em tempo de crise. A soberania monetária tornou-se numa causa comum; mas o poder necessário para a exercitar permaneceu nas capitais nacionais. Acreditava-se na altura que regras formais – impondo limites obrigatórios nos défices, na dívida e na inflação – seriam suficientes. Mas este alicerce de regras mostrou ser uma ilusão; os princípios precisam sempre do apoio do poder; de outro modo não poderão suportar o teste da realidade."
"A zona euro necessita de um governo, que, no actual estado de coisas, só pode consistir dos respectivos chefes de estado e de governo – um desenvolvimento que já foi iniciado. E, porque não pode haver uma união fiscal sem uma política orçamental comum, nada pode ser decidido sem os parlamentos nacionais. Isto significa que uma “Câmara Europeia”, compreendendo os líderes dos parlamentos nacionais, é indispensável."
Para o tal governo eu preferia a eleição directa através de eleições pan-europeias.
"o problema da Europa não é o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu: a criação de um governo Europeu comum."
"No início da década de 1990, quando a maioria dos estados membros da União Europeia decidiram formar uma união monetária com uma divisa comum e um banco central, a ideia de um governo central não colheu apoios. Como resultado, essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando um edifício impressionante a que faltavam alicerces sólidos que garantissem estabilidade em tempo de crise. A soberania monetária tornou-se numa causa comum; mas o poder necessário para a exercitar permaneceu nas capitais nacionais. Acreditava-se na altura que regras formais – impondo limites obrigatórios nos défices, na dívida e na inflação – seriam suficientes. Mas este alicerce de regras mostrou ser uma ilusão; os princípios precisam sempre do apoio do poder; de outro modo não poderão suportar o teste da realidade."
"A zona euro necessita de um governo, que, no actual estado de coisas, só pode consistir dos respectivos chefes de estado e de governo – um desenvolvimento que já foi iniciado. E, porque não pode haver uma união fiscal sem uma política orçamental comum, nada pode ser decidido sem os parlamentos nacionais. Isto significa que uma “Câmara Europeia”, compreendendo os líderes dos parlamentos nacionais, é indispensável."
Para o tal governo eu preferia a eleição directa através de eleições pan-europeias.
Etiquetas: política, União Europeia
Terça-feira, Novembro 08, 2011
Tudo bons rapazes

(Via Aldeia Olímpica)
Depois das reveladas amizades com a quadrilha do BPN, principalmente Oliveira e Costa, chega-se à conclusão que Cavaco tem um talento especial para escolher os seus próximos na política. Se for só ingenuidade (tese que aceito pacificamente), é uma santa ingenuidade.
Robin dos Blocos
O Bloco vai propor no debate do orçamento de Estado para 2012, um imposto sobre o património de luxo em alternativa à redução dos salários e das pensões através do corte do subsídio de natal e de férias.Os xerifes de Nottingham não vão gostar.
Etiquetas: Bloco de Esquerda, economia, justiça, política
Sexta-feira, Outubro 21, 2011
Oito deputados do Bloco apresentam mais diplomas que PS e coligação juntos
Segunda-feira, Julho 25, 2011
Entregues aos Jotinhas
É deprimente constatar que ser Jotinha é um dos principais critérios para se ser líder do PS e do PSD. É um critério que atrai incompetência. Arriscamo-nos, em tempo de crise, a ter o binómio primeiro-ministro e líder da oposição mais incompetente de sempre.
Etiquetas: política
Quarta-feira, Junho 15, 2011
É verdade, mas...
"Portugal virou, então, à direita (...) O que é duplamente irónico: porque foram as ideias liberais da direita e a sua crença num capitalismo sem regras que nos mergulharam a todos na crise; e porque são os mais pobres e mais desfavorecidos que mais vão sofrer"
Miguel Sousa Tavares do Expresso, 10 de Junho de 2011.
Sousa Tavares tem toda a razão, mas...
A banca e o sistema financeiro ficaram com a cabeça a prémio desde 2008, por isso mexeram-se e prepararam bem o terreno, enviaram cadeias de email "anónimas" acusando o estado de tudo, as televisões de direita deixaram de brincar em serviço, ofereceram ao povo as homilias do Medina Carreira, os jornais de economia (também de direita) ostracizaram todas as opiniões fora do pensamento ultraliberal, enfim um clássico da manipulação colectiva pelo sistema financeiro bem explicado no livro “The Best Way to Rob a Bank Is to Own One” de William Black, que descreve um ambiente semelhante durante a crise da banca ocorrida durante a era Reagan.
Miguel Sousa Tavares do Expresso, 10 de Junho de 2011.
Sousa Tavares tem toda a razão, mas...
A banca e o sistema financeiro ficaram com a cabeça a prémio desde 2008, por isso mexeram-se e prepararam bem o terreno, enviaram cadeias de email "anónimas" acusando o estado de tudo, as televisões de direita deixaram de brincar em serviço, ofereceram ao povo as homilias do Medina Carreira, os jornais de economia (também de direita) ostracizaram todas as opiniões fora do pensamento ultraliberal, enfim um clássico da manipulação colectiva pelo sistema financeiro bem explicado no livro “The Best Way to Rob a Bank Is to Own One” de William Black, que descreve um ambiente semelhante durante a crise da banca ocorrida durante a era Reagan.
Pelo seu lado a esquerda ajudou bem. O PS continuou a dar crédito a um líder que no caso Freeport fez o suficiente (e só entro em conta com as decisões legais que tomou enquanto ministro do ambiente) para ser expulso de qualquer partido decente de esquerda. O BE estatelou-se ao tentar imitar o PCP. E o PCP (ou CDU se contarmos com a usurpação da sigla dos Verdes) continua na sua linha estóica de inutilidade política.
Sexta-feira, Junho 03, 2011
O deputado que prestou contas
(publicado no O Figueirense de hoje, sem ligação à versão electrónica)
Em 2009, o BE elegeu pela primeira vez um deputado pelo distrito de Coimbra, o professor José Manuel Pureza. Durante os dois últimos anos o eleito bloquista prestou contas aos eleitores sobre o trabalho realizado na Assembleia da República em duas sessões (uma por ano) realizadas na Figueira e divulgadas nas páginas deste jornal. Nessas sessões, em que o deputado estava ali à distância de um aperto de mão, o eleitor que se questiona “o que é que os deputados fazem lá no Parlamento” teve a oportunidade rara de interpelar directamente um dos seus representantes distritais. Este é um conceito de responsabilização do eleito que promove a transparência, um valor essencial e prioritário para a credibilização da actividade política actual. No entanto, poucas concelhias no distrito de Coimbra correram esse risco de expor o seu eleito às questões directas dos eleitores.
Entra o bombo…
Nos antípodas desta prática está o CDS. O seu deputado por Coimbra, o médico Serpa Oliva, desde que foi eleito apenas se fez notar no concelho este fim-de-semana ao som de bombo e gaita, distribuindo com alegria inúmeras esferográficas. Mas o respeito do CDS pelos figueirenses também ficou patente na candidatura à câmara municipal, encabeçada por uma senhora muito educada e simpática mas que em pleno debate de cabeças de lista disse: “nem sabia que a Figueira estava endividada”. Eram só 80 milhões de euros em dívida. Isto mostra o nível de alheamento da política local de um partido a viver dos sketches televisivos do seu líder que ganha muitos votos à custa de atiçar pobres contra pobres. Nos países onde se atribui rendimento mínimo aos mais pobres, as taxas de mortalidade infantil são mais baixas – a dos EUA é quase o dobro da portuguesa – mas o poder do sketch televisivo anula a gravidade do assunto.
No próximo domingo a escolha dos figueirenses também vai passar por aqui, entre duas formas muito diferentes de fazer política, entre Serpa Oliva e José Manuel Pureza.
Em 2009, o BE elegeu pela primeira vez um deputado pelo distrito de Coimbra, o professor José Manuel Pureza. Durante os dois últimos anos o eleito bloquista prestou contas aos eleitores sobre o trabalho realizado na Assembleia da República em duas sessões (uma por ano) realizadas na Figueira e divulgadas nas páginas deste jornal. Nessas sessões, em que o deputado estava ali à distância de um aperto de mão, o eleitor que se questiona “o que é que os deputados fazem lá no Parlamento” teve a oportunidade rara de interpelar directamente um dos seus representantes distritais. Este é um conceito de responsabilização do eleito que promove a transparência, um valor essencial e prioritário para a credibilização da actividade política actual. No entanto, poucas concelhias no distrito de Coimbra correram esse risco de expor o seu eleito às questões directas dos eleitores.
Entra o bombo…
Nos antípodas desta prática está o CDS. O seu deputado por Coimbra, o médico Serpa Oliva, desde que foi eleito apenas se fez notar no concelho este fim-de-semana ao som de bombo e gaita, distribuindo com alegria inúmeras esferográficas. Mas o respeito do CDS pelos figueirenses também ficou patente na candidatura à câmara municipal, encabeçada por uma senhora muito educada e simpática mas que em pleno debate de cabeças de lista disse: “nem sabia que a Figueira estava endividada”. Eram só 80 milhões de euros em dívida. Isto mostra o nível de alheamento da política local de um partido a viver dos sketches televisivos do seu líder que ganha muitos votos à custa de atiçar pobres contra pobres. Nos países onde se atribui rendimento mínimo aos mais pobres, as taxas de mortalidade infantil são mais baixas – a dos EUA é quase o dobro da portuguesa – mas o poder do sketch televisivo anula a gravidade do assunto.
No próximo domingo a escolha dos figueirenses também vai passar por aqui, entre duas formas muito diferentes de fazer política, entre Serpa Oliva e José Manuel Pureza.
Etiquetas: Bloco de Esquerda, CDS, Figueira da Foz, política
Quinta-feira, Maio 19, 2011
E que tal cortar gorduras no sector privado?
Como se mostra neste esquema, todos os anos cerca de 10 mil milhões de euros gerados no sector privado resultam de fraude e de crime económico. 6 mil milhões de parcerias público privadas, privatizações e rendas várias (monopólios naturais, saúde e ensino privados, por exemplo). 5 mil milhões resultam de juros cobrados sobre a dívida pública (gráfico publicado no livro Os Donos de Portugal).O que apresentam os programas de PSD, CDS e PS para combater estes 20 mil milhões de euros de desperdício? Pouco ou nada. Pior ainda, o PSD e o CDS apresentam várias medidas deixam ainda mais caminho livre à fraude e ao crime económico. Ao proporem a redução cega de funcionários públicos e de salários nas divisões que supervisionam o sector financeiro e ao proporem a redução do número de deputados (o órgão com mais poder em democracia para lançar inquéritos aos maiores poderes do país) estarão a recriar as condições de desregulação que precederam o desastre do sector financeiro islandês e irlandês.
Quarta-feira, Maio 11, 2011
Habilidades que Paulo Portas aprendeu na Irlanda

Veja-se o gráfico do aumento da dívida pública em função do PIB apresentado por Paulo Portas no debate de segunda-feira. Agora leia-se este artigo do Jornal de Negócios onde é apresentado o mesmo indicador mas desta vez sem países escondidos. Portugal é quinto e não primeiro como no gráfico de Portas. Portas "só" escondeu quatro países, sendo o pior a Irlanda, curiosamente o país onde Paulo Portas foi aprender como é que se afunda um país com o ex-primeiro ministro Bertie Ahern. Era exactamente este tipo de habilidades que a banca irlandesa praticava nas suas contas na altura, após a desregulação implementada pelo governo.
Via Ladrões de Bicicletas
Via Ladrões de Bicicletas
Quarta-feira, Abril 20, 2011
O FMI não se transmite por via oral
Que o PCP não reúna com o FMI, parece-me lógico. O PCP vive numa esquizofrenia permanente em que se confunde a contaminação ideológica no debate político (por exemplo, o slogan "esquerda patriótica" é bem capaz de ter vírus de direita) com uma efectiva contaminação física e material. Só isto explica que em diversas manifestações não poucos militantes do PCP adoptem mímicas próprias de quem foge de doentes altamente contagiosos quando se cruzam com aderentes do BE. Se não o tivesse visto com os meus próprios olhos não acreditava. É infantil e é uma espécie de McCartismo revisitado: convives com um traidor, logo és traidor. Versão FMI: estiveste fechado numa sala com traidores, logo és traidor.
Já li e ouvi as justificações de recusa da reunião com o FMI da parte de Louçã e do BE. Acrescento apenas um elemento para reflexão: sabe-se que há técnicos do FMI a defender a reestruturação da dívida em off. Não é esta uma das soluções preconizadas pelo BE? Concordo com os argumentos utilizados na justificação, mas não vejo como podem justificar a recusa em reunir. Resta o factor simbólico do contacto físico, ou seja a higiene política levada ao extremo, à PCP. Não gosto e faço votos para que não se volte a repetir.
Já li e ouvi as justificações de recusa da reunião com o FMI da parte de Louçã e do BE. Acrescento apenas um elemento para reflexão: sabe-se que há técnicos do FMI a defender a reestruturação da dívida em off. Não é esta uma das soluções preconizadas pelo BE? Concordo com os argumentos utilizados na justificação, mas não vejo como podem justificar a recusa em reunir. Resta o factor simbólico do contacto físico, ou seja a higiene política levada ao extremo, à PCP. Não gosto e faço votos para que não se volte a repetir.
Etiquetas: Bloco de Esquerda, política
Quinta-feira, Março 24, 2011
As regras do jogo
Relembro que as regras do jogo se mantêm. A oligarquia financeira, não eleita e alguma dela criminosa, vai continuar a determinar a política interna do país, através das agências de notação, através dos juros da dívida e da manipulação de grupos económicos estratégicos com forte poder mediático (televisões e não só).
Enquanto aceitarmos estas regras, que estão longe de ser democráticas, bem nos podemos regozijar com a saída de Sócrates ou a eleição de um novo governo, o sistema financeiro continuará a engordar às custas do nosso trabalho e o resto é conversa.
Enquanto aceitarmos estas regras, que estão longe de ser democráticas, bem nos podemos regozijar com a saída de Sócrates ou a eleição de um novo governo, o sistema financeiro continuará a engordar às custas do nosso trabalho e o resto é conversa.
Etiquetas: política
Domingo, Fevereiro 27, 2011
Derrota estrondosa de Paulo Portas na Irlanda
Não sei quantas vezes Paulo Portas referiu a Irlanda como exemplo político. Quem o ouvia ficava com a sensação que tinha escrito o programa de governo em conjunto com o executivo irlandês, os impostos baixos, uma economia a caminho do estado mínimo, a atracção de capitais estrangeiros, etc. Claro que não referia que o investimento estrangeiro era essencialmente volátil, que as empresas investiam e os particulares compravam casa com o dinheiro que não tinham, apesar dos impostos baixos. Tudo isto coexistia com bolsas de pobreza chocantes financiadas quase exclusivamente pela União Europeia, porque o novo capitalista irlandês era contra os subsídios... Ironicamente, agora vive todo o país de subsídios internacionais por causa dos que eram contra os subsídios.
Paulo Portas é especialista em colar-se às vitórias dos outros (primeiro referendo do aborto, vitória de Durão Barroso nas legislativas, etc.) mas tem esta derrota coladinha à pele.
Paulo Portas é especialista em colar-se às vitórias dos outros (primeiro referendo do aborto, vitória de Durão Barroso nas legislativas, etc.) mas tem esta derrota coladinha à pele.
Sexta-feira, Janeiro 28, 2011
Cavaco deve demitir-se
A primeira decisão de Cavaco Silva como presidente da república reeleito deveria ser declarar a sua própria demissão. As novas revelações feitas sobre a sua casa de férias são demasiado graves para serem branqueadas pela sua recente eleição. Já não são apenas as ligações de amizade entre Cavaco e a maior quadrilha deste país, não são apenas os lucros de 140%, agora é aldrabice da pura e dura.
Domingo, Janeiro 23, 2011
Continuar a questionar Cavaco Silva
A vitória de Cavaco Silva é inquestionável.
Já as práticas relativas aos lucros no BPN e à permuta de casas são muito questionáveis e continuarão a ser questionadas. São assim as regras da democracia.
Já as práticas relativas aos lucros no BPN e à permuta de casas são muito questionáveis e continuarão a ser questionadas. São assim as regras da democracia.
A questão do BPN está na génese das ilegalidades financeiras que contribuíram fortemente para esta crise, que geraram desemprego e destruíram muitas vidas, não é propriamente uma questão que se oculte com a fumaça efémera do triunfalismo eleitoral. À falta de uma explicação plausível do Presidente reeleito fica cada vez mais claro que este cedeu ao lucro fácil sem medir as consequências do seu acto e que considera ideologicamente aceitável a organização actual do sistema financeiro.
Etiquetas: política
Terça-feira, Janeiro 18, 2011
Falta de Chá II
Na minha recente estadia nos EUA tive oportunidade de constatar esse discurso violento, recordo um esbracejar ameaçador de um comentador da FOX, que achava que os políticos eleitos deveriam deixar outros (leia-se banqueiros, especuladores, líderes religiosos fanáticos, etc.) governar. Recordo também a profunda violência dos discursos (discursos muito políticos) de pastores das mais de 75% de rádios religiosas que inundavam o meu rádio no estado do Tennessee.
Foto sacada algures entre Knoxville e Chattanooga, Novembro 2010.
Etiquetas: EUA, fundamentalismo, Paul Krugman, política
Sexta-feira, Dezembro 10, 2010
... Depois a Islândia virou à esquerda
Depois da sucessão de acontecimentos relatados em "Meltdown Iceland" houve eleições na Islândia que foram ganhas por uma coligação de esquerda: sociais-democratas (centro-esquerda) e aliança verde-vermelha (uma espécie de Bloco de Esquerda lá do sítio). O Rui Tavares conta o que se passou a seguir.
Etiquetas: crise, economia, Islândia, política
Segunda-feira, Outubro 18, 2010
Os mercados é que mandam
Se alguém tinha dúvidas que são as instituições financeiras que definem as linhas mais gerais da nossa governação, é esclarecedora esta congratulação da Moody's de que Portugal está a dar resposta adequada aos mercados. A partir de agora é assim. Se Portugal cortar no rendimento de inserção, no subsídio de desemprego, nos salários, nas escolas, a Moody's sobe-nos em flecha a classificação do pagamento da dívida. Se houver mais investimento público nos sectores mais importantes, as agências financeiras baixam-nos a classificação e perdemos milhares de milhões de euros a pagar juros mais altos, os comentadores das televisões pagas pela publicidade dos bancos ajudam à festa, o governo entra em pânico e cede aos mercados...
Quarta-feira, Junho 02, 2010
Porque não votarei Manuel Alegre
Não gosto daquele anti-europeísmo mal informado e desinformador de Manuel Alegre, parafraseando Mário Soares, considero que "se a esquerda não é europeia não é nada". No presente cenário de crise (financeira, ambiental e energética) é essencial um presidente que saiba ler correctamente a situação internacional, uma personalidade que não esteja enclausurada na sua capelinha, muito distraída com trocas de maldades entre colegas de partido. Duvido que Manuel Alegre tenha uma percepção clara do poder que goza hoje o sistema financeiro global sobre os estados. E tenho a certeza que Manuel Alegre não percebe a importância de organizações internacionais como a ONU no combate à pobreza, à fome, ao aquecimento global, aos conflitos étnicos e à violência sobre as mulheres. Como uma boa parte do trabalho de um presidente da república passa pela relação de Portugal com o mundo, considero Manuel Alegre muito mal preparado para esse tipo de funções, ao contrário de Fernando Nobre. Um país que tem cerca de 5 milhões de emigrantes espalhados pelo mundo não se pode dar ao luxo de ter um presidente refractário à diplomacia internacional e às instituições internacionais. Além disso, a Europa já tem suficientes figurinhas que boicotam constantemente as instituições internacionais para proteger interesses partidários mesquinhos, para proteger fundamentalismos religiosos e para minar o projecto europeu em favor da extrema-direita americana, como o presidente checo ou o primeiro-ministro britânico. Seria triste se Alegre alinhasse com semelhantes personagens.
Se estas razões não bastassem, não gosto ainda daquele republicanismo vetusto a cheirar a Primeira República, aquele discurso de Chevènement à portuguesa de cariz conservador relativamente às opções sexuais e à prostituição e de cariz patrioteiro relativamente à nossa história.
Se estas razões não bastassem, não gosto ainda daquele republicanismo vetusto a cheirar a Primeira República, aquele discurso de Chevènement à portuguesa de cariz conservador relativamente às opções sexuais e à prostituição e de cariz patrioteiro relativamente à nossa história.
Etiquetas: política, presidenciais

