Avelino Ferreira Torres queixa-se de estar a ser perseguido: é a PJ, a comunicação social e a opinião pública em geral (as excepções são os seus boys).
Depois de deixar o Marco de Canaveses em falência técnica (com elevadas taxas de abandono escolar e deficiente acesso à rede de água e esgotos, entre outros,) Ferreira Torres decidiu divorciar-se do Marco, pois passou a Amar Amarante. Pelo menos é o que ele diz. É que isto de amar é sempre um pouco complicado… Mas, vamos acreditar na sua boa fé.
Aliás, falando agora sério, o veterano autarca Ferreira Torres é um homem de muita boa fé. Ao longo de 22 anos pegado, para não dizer colado, à cadeira camarária este homem que, durante uns tempinhos chegou a ser celebridade e a aparecer de boxers na TVI, exerceu dignamente as suas funções. Sempre que achou que era preciso deu o bolso ao manifesto: não o seu; o da Câmara…
Mas querem um bom exemplo da sua exemplar actividade? Avelino vendeu, há sete anos e por 650 mil euros, o Cine-Teatro Alameda a um promotor imobiliário. Recentemente, a Câmara mostrou interesse em compra-lo novamente, mas como a vida está cara, os preços e a inflação subiram agora o seu custo é de 2 milhões de euros. Mas nada que a autarquia não possa suportar. As canalizações é que ficam mais caras… Bem, interessa saber que vendedor e comprador são a mesma pessoa e como diz o povo “amigos, amigos, negócios à parte”, o preço subiu para o triplo.
Porque é que este é um bom exemplo, pergunta o leitor? Porque a Polícia Judiciária do Poro está investigar há mais de um ano e meio e nada. E quando “nada”, conclui-se que os negócios e o exercício de funções é exemplar e transparente, certo? - Quando não há por onde se lhe pegar… O negócio foi aprovado pela maioria CDS-PP em Assembleia Municipal, com os votos contra do PS, PSD e CDU (mas como estes são a minoria…).
Contudo, e como quem ama acaba sempre por gastar um pouco mais do que previsto, reina a expectativa em Amarante. O que Avelino ainda não sabe é que Canaveses se acha traída e o vai pôr em Tribunal para exigir uma indemnização.
A PJ já está no terreno.
Quinta-feira, Junho 30, 2005
Crime Scene – 9 mm
A Colecção 9 mm do diário Público, lançada ontem no mercado ao preço de 1 euro (3,50 euros próximas edições) reúne os melhores e mais famosos detectives: Sherlock Holmes, Nero Wolfe, Roger Sheringham e Philip Trent.
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São ao todo vinte policiais. O primeiro volume é o “Estudo em Vermelho” de Arthur Conan Doyle.
Uma colecção a não perder por todos os amantes de policiais e por aqueles que, desconhecendo, os pretendem conhecer.
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“Considerada durante muito tempo um género literário menor, não obstante a sua persistente e crescente popularidade, a ficção policial entrou definitivamente no cânone dos estudos literários. Contam-se hoje por milhares, em todo o Mundo, as teses académicas dedicadas aos seus vários períodos, movimentos e autores. A Colecção 9 mm, que o PÚBLICO vai lançar no próximo dia 29, com a publicação de Um Estudo em Vermelho o romance em que Conan Doyle cria a personagem de Sherlock Holmes , dar-lhe-á a ler, ao longo de 20 semanas, algumas das mais memoráveis obras do género, desde a clássica novela de dedução da chamada idade de ouro do policial, com John Dickson Carr ou Anthony Berkeley, passando pelo estilo mais realista de autores como Dashiell Hammett ou Ross MacDonald que impuseram o modelo americano do detective privado duro, solitário e ocasionalmente sentimental , até nomes fundadores do policial moderno, como os de Patricia Highsmith ou Ruth Rendell.”
Por Luis Miguel Queirós
If God is a DJ
.
(embora seja um estilo de música que não aprecio muito, este excerto da letra não deixa de ser curioso…)
.
If God is a DJ
Life is a dance floor
Love is the rhythm
You are the music
.
If God is a DJ
Life is a dance floor
You get what you're given
It's all how you use it
.
Pink
(embora seja um estilo de música que não aprecio muito, este excerto da letra não deixa de ser curioso…)
.
If God is a DJ
Life is a dance floor
Love is the rhythm
You are the music
.
If God is a DJ
Life is a dance floor
You get what you're given
It's all how you use it
.
Pink
Quarta-feira, Junho 29, 2005
Toda a Verdade
Excerto do folheto informativo, TODA A VERDADE, dos vereadores PSD / CDS-PP sobre a “entrega a privados da água e saneamento de Vila do Conde nos próximos 40 anos”:
“Sabia que a Câmara Municipal [PS] enviou para a comunicação social um fax a dar conta da decisão final ao inicio da tarde do dia 7 de Junho quando a reunião, onde seria votado este assunto tão importante para todos os Vilacondenses, apenas se iria realizar às 16:30 horas?”
“Sabia que a Câmara Municipal [PS] enviou para a comunicação social um fax a dar conta da decisão final ao inicio da tarde do dia 7 de Junho quando a reunião, onde seria votado este assunto tão importante para todos os Vilacondenses, apenas se iria realizar às 16:30 horas?”
“O QUE É QUE LEVOU A CÂMARA MUNICIPAL A FAZER SEMELHANTE ESCOLHA?”
“ACHA QUE A CÂMARA MUNICIPAL DEFENDEU BEM OS INTERESSES DOS VILACONDENSES?”
“NÃO ACHA TUDO ISTO MUITO ESTRANHO?”
“QUEM É QUE ESTÁ A MENTIR?”
.
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Recomendam-se Esclarecimentos
Para todos aqueles que pretendem saber um pouco mais do que se passa em Vila do Conde a propósito da concessão de água e saneamento a privados (o famoso “negócio do século”), o Bom Senso recomenda O Blogue da Agua.
Unchain my Heart
Unchain my heart, baby let me be
Unchain my heart 'cause you don't care about me
You've got me sewed up like a pillow case
but you let my love go to waste so
Unchain my heart, oh please, please set me free
.
Unchain my heart, baby let me go
Unchain my heart, 'cause you don't love me no more
Every time I call you on the phone
Some fella tells me that you're not at home so
Unchain my heart, oh please, please set me free
.
I'm under your spell like a man in a trance
But I know darn well, that I don't stand a chance so
Unchain my heart, let me go my way
Unchain my heart, you worry me night and day
Why lead me through a life of miserywhen you don't care a bag of beans for me
So unchain my heart, oh please, please set me free
.
I'm under your spell like a man in a trance
But I know darn well, that I don't stand a chance so
Unchain my heart, let me go my way
Unchain my heart, you worry me night and day
Why lead me through a life of misery
when you don't care a bag of beans for me
So unchain my heart, please, please set me free
(please set me free)
Oh won't you set me free
(please set me free)Woah, set me free
(please set me free)
Woowow, set me free little darlin
(please set me free)
Oh won't you set me free
.
Ray Charles
Terça-feira, Junho 28, 2005
Até Quando? é a Pergunta…
O Presidente da Câmara de Penacova veio a público dizer que a ponte da Ribeira de Valbom “pode ruir a qualquer momento”. O perigo é ainda maior se tomarmos em consideração que aquela travessia da EN 110 é feita diariamente por centenas de veículos, sobretudo autocarros.
Maurício Marques diz-se indignado com a Estradas de Portugal e com a Direcção de Estradas de Coimbra, devido à impassibilidade com que as suas advertências têm sido encaradas.
Lê-se no Jornal de Noticias o autarca dizer: "Já reclamei a reconstrução da travessia em 1998. Em 2001 voltei a reivindicar. Em 2003 mandei fazer uma vistoria e tirei fotografias, que enviei para as Estradas de Portugal e para a Direcção de Estradas de Coimbra. Depois disso foi feito um reforço metálico para estabilizar o tabuleiro. Mas era uma situação provisória, com o intuito de avançar com as obras no prazo de poucas semanas. O que é certo é que estamos a meio de 2005 e está tudo na mesma".
É inacreditável como todos os portugueses que pagam os seus impostos são cada vez mais tentados a fugir ao seu pagamento, já que frequentemente, para não dizer diariamente (!), casos como este vêm a público.
Como é possível que o Estado, do bolso dos portugueses, pague a uns imbecis, que outro nome não podem ter, para estarem nas Estradas de Portugal, alapados na cadeira de cigarro e café na mão, sem fazerem a ponta dum chavo? (passo a expressão popular)
Vai ser preciso cair a ponte para esses tais ‘Engenheiros’ virem dizer que o caso estava em andamento ou que por “lapso” a folha ficou ‘esquecida’ na gaveta… Deviam ser todos presos por negligência durante anos para servir de exemplo aos outros. Se calhar muitos deles estavam já a contar com a reforma e se “com a ajuda de Nossa Senhora a ponte aguentasse mais uns aninhos” não tinham de mexer uma palha.
Mas não se pense que este caso é inédito. Por qualquer razão, que agora não faz ao acaso, telefonei no mês passado para a Direcção Geral de Florestas às 8:30 (mas só começavam a ‘trabalhar’) ás nove. Ás nove e vinte voltei a telefonar e o Engenheiro ainda não tinha chegado. Ás dez não podia atender. Mais tarde, ao meio-dia, liguei novamente e já tinha saído para almoçar; foi-me dito para ligar ás 14 horas. Liguei às 14 e não tinha chegado. Quando consegui telefonar novamente, por volta das 17:15 já o tal Engenheiro tinha terminado o seu “dia de trabalho”.
Só no dia seguinte, por milagre, o encontrei a horas.
Até quando? é a pergunta…
Maurício Marques diz-se indignado com a Estradas de Portugal e com a Direcção de Estradas de Coimbra, devido à impassibilidade com que as suas advertências têm sido encaradas.
Lê-se no Jornal de Noticias o autarca dizer: "Já reclamei a reconstrução da travessia em 1998. Em 2001 voltei a reivindicar. Em 2003 mandei fazer uma vistoria e tirei fotografias, que enviei para as Estradas de Portugal e para a Direcção de Estradas de Coimbra. Depois disso foi feito um reforço metálico para estabilizar o tabuleiro. Mas era uma situação provisória, com o intuito de avançar com as obras no prazo de poucas semanas. O que é certo é que estamos a meio de 2005 e está tudo na mesma".
É inacreditável como todos os portugueses que pagam os seus impostos são cada vez mais tentados a fugir ao seu pagamento, já que frequentemente, para não dizer diariamente (!), casos como este vêm a público.
Como é possível que o Estado, do bolso dos portugueses, pague a uns imbecis, que outro nome não podem ter, para estarem nas Estradas de Portugal, alapados na cadeira de cigarro e café na mão, sem fazerem a ponta dum chavo? (passo a expressão popular)
Vai ser preciso cair a ponte para esses tais ‘Engenheiros’ virem dizer que o caso estava em andamento ou que por “lapso” a folha ficou ‘esquecida’ na gaveta… Deviam ser todos presos por negligência durante anos para servir de exemplo aos outros. Se calhar muitos deles estavam já a contar com a reforma e se “com a ajuda de Nossa Senhora a ponte aguentasse mais uns aninhos” não tinham de mexer uma palha.
Mas não se pense que este caso é inédito. Por qualquer razão, que agora não faz ao acaso, telefonei no mês passado para a Direcção Geral de Florestas às 8:30 (mas só começavam a ‘trabalhar’) ás nove. Ás nove e vinte voltei a telefonar e o Engenheiro ainda não tinha chegado. Ás dez não podia atender. Mais tarde, ao meio-dia, liguei novamente e já tinha saído para almoçar; foi-me dito para ligar ás 14 horas. Liguei às 14 e não tinha chegado. Quando consegui telefonar novamente, por volta das 17:15 já o tal Engenheiro tinha terminado o seu “dia de trabalho”.
Só no dia seguinte, por milagre, o encontrei a horas.
Até quando? é a pergunta…
Antes o Marco de Canaveses, Agora Vila do Conde
Que o concelho de Vila do Conde estava uma lástima, principalmente, ao nível do acesso ao saneamento básico, rede de esgotos e águia potável, já todos os vilacondenses sabiam. Agora, não deixa de nos deixar a todos atónicos os dados do Instituto Nacional de Estatística (divulgados pela CDU – Vila do Conde na sua Folha Informativa):
- a rede de abastecimento de água serve apenas 70% da população de Vila do Conde, valor “bastante elevado” face aos míseros 10% dos vilacondenses que são abrangidos por uma estação de tratamento de esgotos;
- o sistema de drenagem de águas residuais atinge 60% da população;
- o índice de poder de compra per capita é de 75,59 (este valor é dos mais baixos do Grande Porto, sendo a média nacional é de 100);
- o número de médicos por 1000 habitantes varia entre os 2 e os 3 (sendo o 2º valor mais baixo do Grande Porto).
O PS e o Presidente da Câmara de Vila do Conde deviam ter vergonha de, após 30 anos, deixar esta Herança aos habitantes de Vila do Conde. Digo eu. Mas enfim…
- a rede de abastecimento de água serve apenas 70% da população de Vila do Conde, valor “bastante elevado” face aos míseros 10% dos vilacondenses que são abrangidos por uma estação de tratamento de esgotos;
- o sistema de drenagem de águas residuais atinge 60% da população;
- o índice de poder de compra per capita é de 75,59 (este valor é dos mais baixos do Grande Porto, sendo a média nacional é de 100);
- o número de médicos por 1000 habitantes varia entre os 2 e os 3 (sendo o 2º valor mais baixo do Grande Porto).
O PS e o Presidente da Câmara de Vila do Conde deviam ter vergonha de, após 30 anos, deixar esta Herança aos habitantes de Vila do Conde. Digo eu. Mas enfim…
Quinta-feira, Junho 23, 2005
Bucólica
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que fez a trança à filha.
Miguel Torga
De grandes serras paradas
À espera de movimento
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que fez a trança à filha.
Miguel Torga
Fuga aos Impostos
O tema da fuga aos impostos têm sido muito falado nos últimos tempos, muito devido à intenção do então primeiro-ministro Durão Barroso em por cobro a delitos desta natureza. Agora, este também é um dos tais “objectivos” de José Sócrates.
À parte a fuga aos impostos das empresas ou de particulares, em relação à qual nós, maioria dos portugueses, nada podemos fazer, mas sim apenas as entidades fiscalizadoras, todos podemos contribuir de certa forma para diminuir uma outra fuga aos impostos, que nos pode parecer menos relevante, mas que devido à sua dimensão acaba por não ser.
Falo dos impostos que pagamos quando compramos algum bem, por exemplo, e que, como não nos dão recibo, não é devidamente “transferido” para o Estado.
A maioria de nós não pede recebidos quando vai ao Multibanco carregar o telemóvel, não pede recibos de refeições, quando compra pneus, limpa vidros, gasolina, quando vai ao barbeiro ou ao cabeleireiro ou esteticista, quando compra livros, CD’s, aparelhagens, perfumes, cremes, vernizes, fatos, sapatos, malas, carteiras, um café ou um bolo! É uma lista gigantesca.
Note o leitor que emprego o verbo “pedir” e não o “receber”. Porquê? Porque quando pagamos qualquer serviço ou compramos um qualquer bem, se quisermos recibo, temos mesmo que o pedir porque, caso contrário não nos é dado - o que era suposto acontecer. Quando compramos um produto estamos a pagar o IVA que corresponde a “uma parte” destinada ao Estado. Ora, quando qualquer empresa nos vende um produto e não nos passa recibo é quase como se não o tivesse vendido e, por conseguinte, não tem que declarar para pagamento de impostos esse mesmo produto.
Sai assim, disto tudo, o Estado prejudicado o que, por outras palavras, quer dizer: saímos todos prejudicados.
E depois ainda somos obrigados a responder à pergunta “Quer recibo?” e a levar com uma cara de enjoo se dizemos que sim.
Por isso quando ouvirem: “Posso passar-lhe o recibo, mas olhe que não vai dar para descontar em nada…” podem responder: “Não faz mal; assim pagamos todos o que por lei temos que pagar e evita-se a fuga aos impostos…”
À parte a fuga aos impostos das empresas ou de particulares, em relação à qual nós, maioria dos portugueses, nada podemos fazer, mas sim apenas as entidades fiscalizadoras, todos podemos contribuir de certa forma para diminuir uma outra fuga aos impostos, que nos pode parecer menos relevante, mas que devido à sua dimensão acaba por não ser.
Falo dos impostos que pagamos quando compramos algum bem, por exemplo, e que, como não nos dão recibo, não é devidamente “transferido” para o Estado.
A maioria de nós não pede recebidos quando vai ao Multibanco carregar o telemóvel, não pede recibos de refeições, quando compra pneus, limpa vidros, gasolina, quando vai ao barbeiro ou ao cabeleireiro ou esteticista, quando compra livros, CD’s, aparelhagens, perfumes, cremes, vernizes, fatos, sapatos, malas, carteiras, um café ou um bolo! É uma lista gigantesca.
Note o leitor que emprego o verbo “pedir” e não o “receber”. Porquê? Porque quando pagamos qualquer serviço ou compramos um qualquer bem, se quisermos recibo, temos mesmo que o pedir porque, caso contrário não nos é dado - o que era suposto acontecer. Quando compramos um produto estamos a pagar o IVA que corresponde a “uma parte” destinada ao Estado. Ora, quando qualquer empresa nos vende um produto e não nos passa recibo é quase como se não o tivesse vendido e, por conseguinte, não tem que declarar para pagamento de impostos esse mesmo produto.
Sai assim, disto tudo, o Estado prejudicado o que, por outras palavras, quer dizer: saímos todos prejudicados.
E depois ainda somos obrigados a responder à pergunta “Quer recibo?” e a levar com uma cara de enjoo se dizemos que sim.
Por isso quando ouvirem: “Posso passar-lhe o recibo, mas olhe que não vai dar para descontar em nada…” podem responder: “Não faz mal; assim pagamos todos o que por lei temos que pagar e evita-se a fuga aos impostos…”
Terça-feira, Junho 21, 2005
Já Alexandre Herculano dizia...
"Quanto mais complexo for o mecanismo da sociedade, mais necessário será que os cidadãos estejam habilitados para apreciar as condições da existência social. Para isto reputais o melhor método, a centralização que coloca a vida política na capital, que anula a espontâniedade, a iniciativa das localidades e a independência dos indivíduos, segundo vós próprios dizeis, aceitando uma frase de Tocqueville.
.
Nós supomos, ao contrário, que há-de haver eternemente interesses individuais, interesses locais e interesses gerais distintos uns dos outros, mas não forçosamente repugnantes, e que o verdadeiro sistema será o que os conciliar; nós supomos que é melhor que os cidadãos se habituem a gerir os seus negócios e os das localidades para se afazerem à vida pública, em vez de os conservar numa tutela infantil.
.
Vós (progressistas/esquerda) credes que há homens, grupos, partidos, ou o que quer que seja, que tem a missão de dar o impulso ao progresso, visto que sois centralistas; nós não cremos que o progresso social possa vir senão do livre movimento dos cidadãos na esfera da actividade legítima.
.
Credes na civilização imposta; nós não cremos senão na civilização proposta.
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Vós credes nos Colberts, Arandas e Pombais e, permiti-nos a frase, na civilização de estufa; nós não cremos senão na que resulta dos edforços colectivos dos membros de qualquer sociedade."
.Alexandre Herculano
8.6.1853
Sexta-feira, Junho 17, 2005
O Percurso Diário
Eu vou por este sol além
E ele é quotidiano até ao fim
Como se até hoje ninguém
Tivesse no sol e fora do sol também
Morrido a morte por mim
Ruy Belo
E ele é quotidiano até ao fim
Como se até hoje ninguém
Tivesse no sol e fora do sol também
Morrido a morte por mim
Ruy Belo
Ai Que Saudades, Sr. Eng. …!
Na revista Pública de domingo passado (12.06.05) constava um artigo de 13 páginas, entre texto e imagens, intitulado: “Marco de Canaveses – A Herança de Avelino Ferreira Torres”.
O artigo fazia um retrato dos 22 anos em que Avelino Ferreira Torres, a “celebridade” que chegou mesmo a ter uma “quinta”: 52 mil habitantes; 8,3% de taxa de abandono escolar; 52,5% de taxa de saída da escola; 76% das pessoas não têm acesso à rede de água; 82% não tem acesso à rede de esgotos, etc. “Marco de Canaveses: O Betão e a Fossa”, lia-se algures.
Achei uma iniciativa bastante interessante. Já agora, porque não prolongar a experiência do Marco e vir dar uma espreitadela, quem sabe, a Vila do Conde ou a Matosinhos? Se se mostram maus exemplos há pois que mostrar os bons.
Mário de Almeida, ao longo de tantos anos colado à cadeira da câmara, tem obra feita. Obra não; têm uma empreitada feita!
Vila do Conde é uma cidade excepção: todas as freguesias do Concelho têm acesso à rede de água e esgotos… o nível de ensino é bastante satisfatório… a qualidade de vida, ao nível do município, é bastante boa… as juntas de freguesia não se queixam de faltas de verbas – mesmo quando são do PSD, vejam só!... a criminalidade é quase inexistente… “jobs for the boys”, o que é isso? Profissionalismo acima de tudo… temos agora um Parque da Cidade… uma praça nova… uma marginal nova… os vilacondenses têm tudo.
É uma pena, de facto, que o Eng. Mário de Almeida deixe a cidade. Se não for desta, nas próximas eleições, será na próxima por causa da limitação dos mandatos… As saudades que os vilacondenses vão sentir do Sr. Eng. …
O artigo fazia um retrato dos 22 anos em que Avelino Ferreira Torres, a “celebridade” que chegou mesmo a ter uma “quinta”: 52 mil habitantes; 8,3% de taxa de abandono escolar; 52,5% de taxa de saída da escola; 76% das pessoas não têm acesso à rede de água; 82% não tem acesso à rede de esgotos, etc. “Marco de Canaveses: O Betão e a Fossa”, lia-se algures.
Achei uma iniciativa bastante interessante. Já agora, porque não prolongar a experiência do Marco e vir dar uma espreitadela, quem sabe, a Vila do Conde ou a Matosinhos? Se se mostram maus exemplos há pois que mostrar os bons.
Mário de Almeida, ao longo de tantos anos colado à cadeira da câmara, tem obra feita. Obra não; têm uma empreitada feita!
Vila do Conde é uma cidade excepção: todas as freguesias do Concelho têm acesso à rede de água e esgotos… o nível de ensino é bastante satisfatório… a qualidade de vida, ao nível do município, é bastante boa… as juntas de freguesia não se queixam de faltas de verbas – mesmo quando são do PSD, vejam só!... a criminalidade é quase inexistente… “jobs for the boys”, o que é isso? Profissionalismo acima de tudo… temos agora um Parque da Cidade… uma praça nova… uma marginal nova… os vilacondenses têm tudo.
É uma pena, de facto, que o Eng. Mário de Almeida deixe a cidade. Se não for desta, nas próximas eleições, será na próxima por causa da limitação dos mandatos… As saudades que os vilacondenses vão sentir do Sr. Eng. …
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Comunicação Social e Cunhal
Nunca, como durante esta semana, o nome "Comunicação Social" fez tanto sentido. Nem o Avante!, o PCP e o Carvalhas juntos conseguiriam fazer tanta propaganda à injusta e deshumana ideologia comunista, da qual a palavra "social" é o ex-libris. Palavra de que se apropriaram sem qualquer direito. À morte de Álvaro Cunhal foi dada uma atenção desproporcional ao que "deu" ao país durante a sua vida.
.
Acerca de Cunhal pouco se pode dizer, como acontece com qualquer dirigente comunista com mais ou menos convicções. A sua "luta" apenas serviu para atrasar mais o desenvolvimento da liberdade, da democracia e da economia do país. A sua "primeira morte" deu-se em 1989, com o fim da União Soviética. Desde esse momento foi desaparecendo da vida política e pública, sem no entanto nunca desistir das suas ideias ou, pelo menos, de tentar adaptá-las (seja lá o que isso for) às novas circunstâncias. Por essa razão, dizem que foi "coerente". Ora, ser coerente quando se pertence a um movimento radical é a coisa mais simples que há: não há necessidade de ouvir diferentes opiniões, de mudar o rumo quando algo não acontece como previsto, de "dar o braço a torcer" sempre que se justifique, ou seja, de aprender durante toda a vida. No caso de Cunhal e outras camaradas só se aprende uma vez. O resto da vida é "gasto" na tentativa de descobrir novas formas de aplicar o que foi aprendido e de tentar convencer (na maioria das vezes "à força") pessoas suficientes que cheguem para obrigar os restantes a aceitarem as suas ideias.
Terça-feira, Junho 14, 2005
150 Mil Postos de Trabalho
Durante a campanha eleitoral, José Sócrates prometeu que, uma vez no governo, iria criar 150 000 postos de trabalho.
Tenhamos calma que o senhor Eng. está a "trabalhar"!
Depois de Fernando Gomes na Galp, Nuno Cardoso nas Águas de Portugal, Luķs Nazaré nos CTT e António Vitorino na RTP, já só faltam 149 996...
.
A N I M E M - S E, já faltou mais!
.
(recebido via e-mail)
Tenhamos calma que o senhor Eng. está a "trabalhar"!
Depois de Fernando Gomes na Galp, Nuno Cardoso nas Águas de Portugal, Luķs Nazaré nos CTT e António Vitorino na RTP, já só faltam 149 996...
.
A N I M E M - S E, já faltou mais!
.
(recebido via e-mail)
Sábado, Junho 11, 2005
Espectáculo Triste
"O ataque do PS aos ‘privilégios’ dos políticos (uma ‘extraordinária revolução’, de acordo com Silva Pereira) continua a demagogia do costume. Claro que nenhum ministro, e especialmente o ministro das finanças, enquanto o for, pode tocar num tostão extra, venha ele de onde vier. Só que o fim das pensões vitalícias, do subsídio de integração e o compromisso do ‘terço’ que se fabricou para salvar a face ao dr. Cunha e ao dr. Lino, são pura propaganda. O ‘terço’ é uma habilidade ilógica e patética. A pensão vitalícia e subsídio de integração reconhecem a realidade de S. Bento arruínam a vida profissional de qualquer pessoa e, além disso, de que um antigo primeiro-ministro ou presidente da República ainda representa um país. A ‘extraordinária revolução’ de Sócrates pune a melhor parte da ‘classe política’ e favorece a pior. E para nada. Não tarda um mês, recomeça a cegarrega sobre a má qualidade dos políticos. Vamos caindo sempre."
.
Vasco Pulido Valente
in Público 11.06.05
[Senhora, Partem Tam Tristes]
Senhora, partem tam tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros olhos por ninguém.
Tam tristes, tão saudosos,
Tam doentes de partida,
Tam cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’ esperança bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.
João Roiz de Castel-Branco
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros olhos por ninguém.
Tam tristes, tão saudosos,
Tam doentes de partida,
Tam cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’ esperança bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.
João Roiz de Castel-Branco
O Flagelo das Labaredas
Esta semana foi apenas o início do ‘inferno’ que se avizinha: os fogos, distribuídos por todo o país, foram, senão mesmo o tema principal, um dos temais mais falados.
Vemos agora que, apesar de todos os esforços feitos (principalmente) no tempo do Governo de Durão Barroso, os meios disponíveis para se poder reagir a um incêndio são escassos. António Costa regozijou-se nas semanas após ter tomado posse, embora nada, ou mesmo pouco, tivesse feito no que concerne a esses meios.
Por outro lado, acontece em Portugal, infelizmente com bastante frequência, fazer-se uma lei que, à partida, se sabe ser inexequível.
Os proprietários de terrenos onde o risco de incêndio é elevado (todos aqueles em que, para além de pinheiros ou eucaliptos, etc.,, o mato é abundante) devem proceder à sua limpeza, i.e., mandar cortar o mato e todas as árvores secas – propícias a incendiar com facilidade.
O que se verifica é que proceder a tal limpeza envolve custos bastante elevados; é um trabalho bastante árduo para o qual existem cada vez menos pessoas disponíveis. Apesar de já existirem máquinas próprias para tal efeito, o seu custo, para terrenos de área “média/grande”, chega mesmo a atingir mais de mil contos (embora o Pai Estado pague uma parte). Consequentemente, as pessoas são levadas, já que muitas delas não têm disponibilidade financeira para suportar tal gasto, a “arriscar”, deixando tudo na mesma.
Resultado: incêndios que destroem hectares de terrenos; casas destruídas pelas chamas, algumas mortes mesmo. Aí as pessoas põem as “mãos à cabeça”.
Há alguma solução? Temos duas opções (embora algo discutíveis): primeira, destacar, sob vigilância, os presos para efectuar tal trabalho. Não se trata de discriminação; trata-se, isso sim, de fazer com que façam algo de útil para Portugal, em vez de viverem à sombra do Pai Estado, com comida, cama e roupa lavada. Se é certo que o 25 de Abril trouxe direitos, também é de esperar que hajam deveres. E um dever dos presos poderá ser mesmo esse. É claro que as pessoas não deixariam de pagar ao Estado por tal serviço (embora que, admitamos isso, fosse a um preço mais razoável), o que contribuiria, não só para pagar aqueles que exerceriam vigilância, como para ‘abater’ custos inerentes à “prisão” (o uso da pulseira electrónica é, claro está, indispensável).
Segunda, destacar muitos dos que estão no fundo de desemprego, a ganhar sem nada fazer (para além dos famosos “biscates”), para tal serviço. Assim estariam a fazer algo de útil. Ou, porque não mesmo prestar auxilio aos bombeiros em incêndios?
Fala-se muito de prevenção (que é ‘zero’ em Portugal), mas comprar um telemóvel topo de gama é mais importante que evitar um incêndio que pode destruir-nos a casa.
É bom pensarmos seriamente na “relatividade” das coisas.
Vemos agora que, apesar de todos os esforços feitos (principalmente) no tempo do Governo de Durão Barroso, os meios disponíveis para se poder reagir a um incêndio são escassos. António Costa regozijou-se nas semanas após ter tomado posse, embora nada, ou mesmo pouco, tivesse feito no que concerne a esses meios.
Por outro lado, acontece em Portugal, infelizmente com bastante frequência, fazer-se uma lei que, à partida, se sabe ser inexequível.
Os proprietários de terrenos onde o risco de incêndio é elevado (todos aqueles em que, para além de pinheiros ou eucaliptos, etc.,, o mato é abundante) devem proceder à sua limpeza, i.e., mandar cortar o mato e todas as árvores secas – propícias a incendiar com facilidade.
O que se verifica é que proceder a tal limpeza envolve custos bastante elevados; é um trabalho bastante árduo para o qual existem cada vez menos pessoas disponíveis. Apesar de já existirem máquinas próprias para tal efeito, o seu custo, para terrenos de área “média/grande”, chega mesmo a atingir mais de mil contos (embora o Pai Estado pague uma parte). Consequentemente, as pessoas são levadas, já que muitas delas não têm disponibilidade financeira para suportar tal gasto, a “arriscar”, deixando tudo na mesma.
Resultado: incêndios que destroem hectares de terrenos; casas destruídas pelas chamas, algumas mortes mesmo. Aí as pessoas põem as “mãos à cabeça”.
Há alguma solução? Temos duas opções (embora algo discutíveis): primeira, destacar, sob vigilância, os presos para efectuar tal trabalho. Não se trata de discriminação; trata-se, isso sim, de fazer com que façam algo de útil para Portugal, em vez de viverem à sombra do Pai Estado, com comida, cama e roupa lavada. Se é certo que o 25 de Abril trouxe direitos, também é de esperar que hajam deveres. E um dever dos presos poderá ser mesmo esse. É claro que as pessoas não deixariam de pagar ao Estado por tal serviço (embora que, admitamos isso, fosse a um preço mais razoável), o que contribuiria, não só para pagar aqueles que exerceriam vigilância, como para ‘abater’ custos inerentes à “prisão” (o uso da pulseira electrónica é, claro está, indispensável).
Segunda, destacar muitos dos que estão no fundo de desemprego, a ganhar sem nada fazer (para além dos famosos “biscates”), para tal serviço. Assim estariam a fazer algo de útil. Ou, porque não mesmo prestar auxilio aos bombeiros em incêndios?
Fala-se muito de prevenção (que é ‘zero’ em Portugal), mas comprar um telemóvel topo de gama é mais importante que evitar um incêndio que pode destruir-nos a casa.
É bom pensarmos seriamente na “relatividade” das coisas.
Quinta-feira, Junho 09, 2005
Uma Lei para "Agradar aos Desagradados"
Ontem aprovou-se uma lei que em nada beneficiará o país, no entanto, nos telejornais (com mais relevo na TVI, claro...) a notícia desta medida foi anunciada como sendo de uma importância fulcral e tendo uma enorme carga de justiça social. Esta lei serviu apenas para equilibrar a balança social entre os socialistas.
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A eliminação da acumulação de salários e reformas por parte dos políticos não vai reduzir o déficit nem, a meu ver, levar os funcionários públicos a acatarem as regalias que perderam e que terão de perder. Esta lei serve apenas para acalmar a mentalidade limitada e invejosa típica da nossa sociedade.
Enquanto via no noticiário um ministro socialista a dizer que não estava totalmente de acordo com as medidas do Governo, visto que irá perder direitos adquiridos há muitos anos, imaginava já, pessoas sentadas no sofá ou à mesa da cozinha a comentarem "Pois, agora dói-te! Pensavas que já o tinhas no bolso!" ou qualquer outra coisa do género. É verdade que muitos deputados não merecem as regalias que têm, nem fizeram nada que lhes desse o mérito para estarem no parlamento. Todavia, reduzir os salários ou diminuir as regalias não irá resolver o assunto, apenas vai levar a que menos notáveis queiram aproximar-se da política quando têm empregos/reformas que lhes dão a si e à sua família uma qualidade de vida muitíssimo melhor. Tenho muitas dúvidas que o "interesse nacional" chegue para aliciar os hipotéticos candidatos a ministros/deputados. Um cargo desta importância (porque a tem, quer se queira, quer não) deve ser bem pago, ou por outras palavras, deve ser pago proporcionalmente às responsabilidades que induz. Uma medida muito mais eficaz seria a redução do número de deputados no parlamento. Em menor número mas em maior qualidade, e o seu custo seria muito menor.
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Sendo assim, esta lei nada trará de positivo para o futuro. Aliás, daqui a uns meses já ninguém se lembrará dela e já estarão outra vez a atacar os deputados pelas mesmas razões...
Continuamos com políticas fracas, populistas e tipicamente de cariz comunista (embora este aspecto seja poucas vezes realçado mas faça parte da cultura portuguesa actual - o "rico" ou "remediado" é moralmente inferior ao "pobre" ou "desgraçado" - mas isto é assunto para desenvolver mais tarde neste blogue).
As Políticas Sociais - in "O Insurgente"
"O Estado liberal deve ter políticas sociais. Existe em Portugal uma grande lacuna na discussão das chamadas políticas públicas. Todas elas se enquadram na ideia de Estado social, um Estado que sustenta as despesas e conduz todas as políticas sociais.
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No nosso país nunca um político (qualquer que seja a sua filiação partidária) foi capaz de furar o vício que é este conceito partindo-se sempre do pressuposto que, em contraponto com o Estado social, estaria um Estado liberal sem qualquer política social. A ideia enraizada, na intelectualidade portuguesa, é que esse Estado liberal daria lugar à anarquia social. Nada mais errado.
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Um Estado liberal tem políticas sociais, mas não orientadas directamente por ele. Um Estado liberal paga, mas não exige em troca, a condução dessas mesmas políticas. Um Estado liberal financia os alunos, mas não exige ser dono das escolas. Paga doentes, mas não quer ser dono de hospitais, promove o direito à segurança social, mas não a administra.
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Um caso paradigmático é a educação. O Estado liberal cuida do ensino, mas não a controla. Paga a educação, mas não a dirige. Fiscaliza-a, mas não a determina, nem planeia. O Estado liberal não compra a educação dos filhos das famílias mais desfavorecidas, partindo do preconceito que estas não têm capacidade de decidir o que é melhor para os seus filhos."
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André Abrantes Amaral
in O Insurgente
Terça-feira, Junho 07, 2005
O Beijo
Ainda toda quente da roupa tirada
Fechas os olhos e moves-te
Como se move um canto que nasce
Vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
Ultrapassas sem te perder
As fronteiras do teu corpo
Passaste por cimo do tempo
Eis-te uma nova mulher
Revelada até ao infinito.
Paul Éluard
Fechas os olhos e moves-te
Como se move um canto que nasce
Vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
Ultrapassas sem te perder
As fronteiras do teu corpo
Passaste por cimo do tempo
Eis-te uma nova mulher
Revelada até ao infinito.
Paul Éluard
Domingo, Junho 05, 2005
Talvez Para Uma Próxima
Depois de dias de algum ‘mistério’, o ministro Manuel Pinho revela-nos o porquê da surpreendente escolha de Fernando Gomes para a Galp, em entrevista ao Jornal de Notícias de Sábado:
“Ele esteve dois mandatos à frente da segunda maior Câmara do país, que tem um orçamento de 150 milhões de euros e não é qualquer pessoa que consegue gerir uma instituição desta dimensão.”
Pronto, e já não restam dúvidas.
Imagino que não tivesse sido nada fácil escolher alguém para ocupar o cargo de administrador na Galp… Tínhamos o Rui Rio… o Nuno Cardoso (perdão, esse já ia para as Águas de Portugal…) …o Santana Lopes e o… João Soares (que geriram a maior Câmara do país) … enfim, um rol de pretensos administradores de uma empresa com a dimensão da Galp.
Li a entrevista a Manuel Pinho na expectativa de que ele falasse de competência. Mas nada. Certamente, é porque não há nada a dizer sobre isso…
“Ele esteve dois mandatos à frente da segunda maior Câmara do país, que tem um orçamento de 150 milhões de euros e não é qualquer pessoa que consegue gerir uma instituição desta dimensão.”
Pronto, e já não restam dúvidas.
Imagino que não tivesse sido nada fácil escolher alguém para ocupar o cargo de administrador na Galp… Tínhamos o Rui Rio… o Nuno Cardoso (perdão, esse já ia para as Águas de Portugal…) …o Santana Lopes e o… João Soares (que geriram a maior Câmara do país) … enfim, um rol de pretensos administradores de uma empresa com a dimensão da Galp.
Li a entrevista a Manuel Pinho na expectativa de que ele falasse de competência. Mas nada. Certamente, é porque não há nada a dizer sobre isso…
Recomenda-se: Quibus verbis hoc latine dicitur? (I)
Recomendo a leitura de “Quibus verbis hoc latine dicitur? (I)” [Como se diz isto em latim?] da jornalista e directora da revista ‘Atlântico’ (que O Bom Senso recomenda, também, vivamente), que foi ontem publicado no jornal Público.
Numa linguagem bastante peculiar, com um estilo bastante característico, Helena Matos fala-nos de acontecimentos recentes (as declarações de Nivo Vieira em relação à [hipotética] discriminação de Portugal a Guiné; a nomeação de Gomes para a Galp; o vencimento de Campos e Cunha; o “sim” e “não” à constituição europeia) recorrendo ao “nominativo”, “dativo” e “ablativo” do latim:
“A cada dia me parece mais evidente que as declinações do latim revelam um profundo acerto político”.
A não perder para a semana a continuação com o “vocativo”, “acusativo” e “genitivo”.
Numa linguagem bastante peculiar, com um estilo bastante característico, Helena Matos fala-nos de acontecimentos recentes (as declarações de Nivo Vieira em relação à [hipotética] discriminação de Portugal a Guiné; a nomeação de Gomes para a Galp; o vencimento de Campos e Cunha; o “sim” e “não” à constituição europeia) recorrendo ao “nominativo”, “dativo” e “ablativo” do latim:
“A cada dia me parece mais evidente que as declinações do latim revelam um profundo acerto político”.
A não perder para a semana a continuação com o “vocativo”, “acusativo” e “genitivo”.
Sexta-feira, Junho 03, 2005
As "Direitadas" de Sócrates
Este Governo está a trazer algo de novo à nossa vida política e social. Nunca, nos últimos anos, um governo socialista tinha recebido, por exemplo, ameaças como esta do sindicato da polícia: “faremos a maior manifestação de sempre em Portugal!".
O que se está a passar é que este primeiro-ministro quer aplicar medidas racionais para resolver os problemas mas ao mesmo tempo vê-se condicionado pela pressão exercida pelos outros ministros e deputados socialistas. O resultado é o lançamento de medidas incompletas ou deficientes. Ou seja, o Governo é criticado por não defender os interesses sociais em virtude dessas políticas mas, ao mesmo tempo, essas políticas não são suficientemente fortes para atingirem os seus objectivos (que neste momento já são muito diferentes dos prometidos na campanha eleitoral e muito parecidos com os do anterior Governo - nada de inovador).
Note-se também que sempre que Sócrates aparece a anunciar medidas que os sindicatos e algumas pessoas consideram ir contra os "interesses sociais", ele insiste repetidamente em dizer que essas medidas têm como objectivo "assegurar os interesses sociais no futuro". Isto é curioso mas, no entanto, faz todo sentido. O que Sócrates quer dizer (e estou de acordo com ele neste aspecto) é que os "interesses sociais" são os da população portuguesa em geral e não apenas os dos trabalhadores públicos ou dos desempregados (que normalmente vêm os Governo socialistas como a sua única salvação). Sócrates opta por aquilo que faz mais sentido e é mais importante para o nosso país – fazer com que todos sejam tratados da mesma forma e preparar a economia para o futuro. O problema são as medidas escolhidas para o fazer. Onde está a reforma mais importante e a mais difícil de fazer, a da educação?
Nem só a esquerda defende os “interesses sociais”. Esse é o objectivo de qualquer partido que queria desenvolver o país. Só que uns optam por dar subsídios sem regra, por controlar e burocratizar a iniciativa própria de cada cidadão ou por insistir na ideia de que todos têm que ter (cegamente) a mesma qualidade de vida. Outros preferem uma via que fomenta a iniciativa, dinamiza a economia (e portanto aumenta a riqueza geral) e beneficia o talento e o mérito, para que cada um tenha a possibilidade de desfrutar de uma qualidade de vida proporcional ao seu esforço e contribuição para a riqueza da sociedade.
O que se está a passar é que este primeiro-ministro quer aplicar medidas racionais para resolver os problemas mas ao mesmo tempo vê-se condicionado pela pressão exercida pelos outros ministros e deputados socialistas. O resultado é o lançamento de medidas incompletas ou deficientes. Ou seja, o Governo é criticado por não defender os interesses sociais em virtude dessas políticas mas, ao mesmo tempo, essas políticas não são suficientemente fortes para atingirem os seus objectivos (que neste momento já são muito diferentes dos prometidos na campanha eleitoral e muito parecidos com os do anterior Governo - nada de inovador).
Note-se também que sempre que Sócrates aparece a anunciar medidas que os sindicatos e algumas pessoas consideram ir contra os "interesses sociais", ele insiste repetidamente em dizer que essas medidas têm como objectivo "assegurar os interesses sociais no futuro". Isto é curioso mas, no entanto, faz todo sentido. O que Sócrates quer dizer (e estou de acordo com ele neste aspecto) é que os "interesses sociais" são os da população portuguesa em geral e não apenas os dos trabalhadores públicos ou dos desempregados (que normalmente vêm os Governo socialistas como a sua única salvação). Sócrates opta por aquilo que faz mais sentido e é mais importante para o nosso país – fazer com que todos sejam tratados da mesma forma e preparar a economia para o futuro. O problema são as medidas escolhidas para o fazer. Onde está a reforma mais importante e a mais difícil de fazer, a da educação?
Nem só a esquerda defende os “interesses sociais”. Esse é o objectivo de qualquer partido que queria desenvolver o país. Só que uns optam por dar subsídios sem regra, por controlar e burocratizar a iniciativa própria de cada cidadão ou por insistir na ideia de que todos têm que ter (cegamente) a mesma qualidade de vida. Outros preferem uma via que fomenta a iniciativa, dinamiza a economia (e portanto aumenta a riqueza geral) e beneficia o talento e o mérito, para que cada um tenha a possibilidade de desfrutar de uma qualidade de vida proporcional ao seu esforço e contribuição para a riqueza da sociedade.
Quinta-feira, Junho 02, 2005
Pacto de Regime
Vi hoje na Sic-N uma exposição, realizada por um jornalista especializado em Economia, sobre as recentes contas do Ministro das Finanças no que concerne ao crescimento da economia, Importações/Exportações, Inflação, etc., bem como de algumas promessas feitas pelo PS em campanha, umas agora ‘desmentidas’, outras cada vez mais ‘utópicas’.
É, de facto, extraordinário como os partidos têm de prometer o que sabem não poder dar à população, se formarem Governo, pois disso depende a sua eleição. Porquê? Porque os portugueses, em geral, não parecem conseguir discernir o que são apenas promessas de campanha daquilo que será mesmo para cumprir. Diria mesmo, que a maioria dos portugueses só olham “para o umbigo”, pondo de lado o estado em que Portugal se encontra.
Para evitar situações como estas do Governo Socialista, de afirmar categoricamente em campanha não aumentar os impostos e aumenta-los depois, de afirmar criar 150 mil novos postos de trabalho, e não vir a conseguir concretizar tal “objectivo” (como Sócrates lhe chamava) resta-nos uma solução: um Pacto de Regime.
Um Pacto de Regime implicaria um acordo mútuo entre os dois maiores partidos políticos: o PSD e o PS.
Ora, isto só não aconteceu porque o PS se renegou a fazer a tal. Mesmo depois da iniciativa pública tomada por Marques Mendes. Resultado: ganha as eleições aquele que prometer mais - o que enganar mais a população, no fundo.
Não parecem restar dúvidas de que o PS ganhou estas eleições muito à custa das tais promessas. Em Portugal, alguém (se fosse possível uma candidatura como independente ao cargo de primeiro-ministro), que prometesse aumentar os salários para o dobro e diminuir a idade de reforma, arriscava-se, seriamente, a ganhar as eleições…
Depois “os políticos são todos iguais”, “só lhes interessa o voto” “não querem saber do povo depois de estarem no ‘poder’”… E assim, quem no fundo acaba por sair prejudicado, embora possa não parecer, é a população portuguesa. Mais um problema de mentalidade…
É, de facto, extraordinário como os partidos têm de prometer o que sabem não poder dar à população, se formarem Governo, pois disso depende a sua eleição. Porquê? Porque os portugueses, em geral, não parecem conseguir discernir o que são apenas promessas de campanha daquilo que será mesmo para cumprir. Diria mesmo, que a maioria dos portugueses só olham “para o umbigo”, pondo de lado o estado em que Portugal se encontra.
Para evitar situações como estas do Governo Socialista, de afirmar categoricamente em campanha não aumentar os impostos e aumenta-los depois, de afirmar criar 150 mil novos postos de trabalho, e não vir a conseguir concretizar tal “objectivo” (como Sócrates lhe chamava) resta-nos uma solução: um Pacto de Regime.
Um Pacto de Regime implicaria um acordo mútuo entre os dois maiores partidos políticos: o PSD e o PS.
Ora, isto só não aconteceu porque o PS se renegou a fazer a tal. Mesmo depois da iniciativa pública tomada por Marques Mendes. Resultado: ganha as eleições aquele que prometer mais - o que enganar mais a população, no fundo.
Não parecem restar dúvidas de que o PS ganhou estas eleições muito à custa das tais promessas. Em Portugal, alguém (se fosse possível uma candidatura como independente ao cargo de primeiro-ministro), que prometesse aumentar os salários para o dobro e diminuir a idade de reforma, arriscava-se, seriamente, a ganhar as eleições…
Depois “os políticos são todos iguais”, “só lhes interessa o voto” “não querem saber do povo depois de estarem no ‘poder’”… E assim, quem no fundo acaba por sair prejudicado, embora possa não parecer, é a população portuguesa. Mais um problema de mentalidade…
Alba
Como se não houvera
Bosque mais secreto,
Como se as nascentes
Fossem só ardor,
Como se o teu corpo
Fora a vida toda,
O desejo hesita
Em ser espada ou flor.
Eugénio de Andrade
Bosque mais secreto,
Como se as nascentes
Fossem só ardor,
Como se o teu corpo
Fora a vida toda,
O desejo hesita
Em ser espada ou flor.
Eugénio de Andrade
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