Que desconsolo
No outro dia estava a falar com um primo meu que vive nos EUA, e estávamos a conversar acerca da actual situação de Portugal. Falei-lhe da crise económica, da crise política, da crise governativa, da crise social, da crise educativa, da crise de segurança, enfim de todo o triste panorama nacional.
E a reacção dele foi de espanto. Como é que num pequeno País como Portugal era possível manter os anteriores privilégios da função pública? Como era possível a esses funcionários ganhar tanto e produzir tão pouco? Como é que é possível que um pequeno país como o nosso que vive das suas poucas exportações, possa importar mais do que exporta? Como é que este país pode sobreviver se não procurar adoptar recursos de energia alternativos, sabendo que o petróleo irá ficar cada vez mais caro? Como é possível os professores fazerem greve em plena época de exames? Como é possível que 500 indivíduos entrem pela praia de Carcavelos adentro, assaltem os banhistas e não sejam presos? Como é possível que um país que deveria procurar fazer do Turismo uma força, envie todos os estrangeiros para o Algarve? Não haverá mais nada para ver? Como é que é possível os polícias ameaçarem uma “greve às multas”? Vão deixar de existir contra ordenações?
E ele tem razão. Nunca conseguiremos sair desta crise se não nos mexermos nesse sentido. Nós estamos habituados a que o Estado resolva as coisas por nós, que nos dê subsídios e nos sustente. Pois o tempo das vacas gordas acabou. Goste-se ou não do governo (não sou um grande defensor do mesmo), goste-se ou não das medidas (não percebo a subida do IVA. Ok, percebo mas não aceito) o facto é que alguma coisa tem de ser feita.
O País atravessa uma grave crise, mas parece haver sectores da sociedade que a ignoram, que não lha dão o devido valor. Continuam a criticar o governo mas de forma completamente destrutiva. Tenho o máximo de respeito pelos trabalhadores da função pública, mas sinceramente eles estão a protestar o quê? Era justo que um trabalhador do sector privado só se pudesse reformar aos 62, e na função pública essa idade podia descer até aos 52? Eram justas todas as regalias dos trabalhadores da função pública? Eles por acaso estão no desemprego, como os milhares de trabalhadores da Indústria Têxtil aqui no Minho? Não recebem eles os seus ordenados (fruto dos impostos) a tempo e horas? Poderão argumentar acerca dos fracos aumentos. É um facto, mas o salário é certo, está lá todos os meses. Aos restantes trabalhadores isso não acontece.
Depois há a figura do líder sindical, que faz tudo menos zelar pelo interesse dos trabalhadores. Com manifestações como a que vimos nos últimos dias ninguém ganhou: o governo, porque ficou com as orelhas quentes; os trabalhadores que não trabalharam e por isso não irão receber esse dia; e o país que ficou mais um dia parado!! Será que as pessoas não percebem que há alturas em que se deve colocar o interesse nacional acima do resto?
Não nos esqueçamos dos professores, que tiveram a brilhante ideia de fazer uma greve (A pedir o quê? Mais benefícios? Mais tempo de férias?) em plena época de exames. Não terão eles percebido que quem saiu prejudicado foram os alunos. O primeiro ministro não se deve ter importado muito com o assunto, os filhos dele não andam no Secundário. Demonstra uma falta de bom senso atroz.
Resta a única classe com razões para protestar: os polícias. Reconheço que têm de facto fracos meios de trabalho e já mereciam maiores recompensas e modernização do equipamento, para não falar num bom aumento salarial e no seguro para as famílias. Porém quando recorrem ao insulto perdem toda a razão, e desejar a morte ao ministro não lhes fica nada bem.
Sou obrigado a concluir que neste nosso cantinho à beira mar plantado há medo de trabalhar. Só pode ser isso. O País está na cauda da Europa (em vias de ser apanhado pelos países de Leste) e a função pública vem protestar, vem reclamar direitos que julgava ter. Não consigo perceber.
Eu tenho a sorte de conhecer a realidade laboral dos Estados Unidos da América. E posso afirmar que lá as pessoas trabalham e não protestam, pois confiam no seu trabalho, e não têm medo do trabalho. Há uma ética de trabalho. Há portugueses lá que trabalham mais de catorze horas por dia, e não vêm para a Rua pedir a cabeça do ministro. Podem-me dizer: “É uma realidade diferente.” E eu concordo. Estamos a falar do país mais rico do Mundo, que se calhar não precisava de investir o que investe na produção, mas fá-lo; fá-lo pois quer ser cada vez mais rico, há espírito de sacrifício e empreendimento. Há vontade de trabalhar. Aqui não vejo isso. O que vejo é cada um querer fazer menos e ganhar mais.
Pois não pode ser. Temos de acordar e perceber que esses tempo já lá foram, e temos de criar uma onda de trabalho, de produção no país para ajudá-lo a sair desta crise maldita que nos afecta a TODOS. E posso não saber muito de economia, mas posso garantir que não é com greves disparatadas que vamos resolver os problemas de Portugal.
Sou forçado a concordar com o meu primo quando ele disse: “Dude, não te preocupes. Ao menos tens o futebol.” É, valha-nos o nosso joguinho e o meu Benfica.
E a reacção dele foi de espanto. Como é que num pequeno País como Portugal era possível manter os anteriores privilégios da função pública? Como era possível a esses funcionários ganhar tanto e produzir tão pouco? Como é que é possível que um pequeno país como o nosso que vive das suas poucas exportações, possa importar mais do que exporta? Como é que este país pode sobreviver se não procurar adoptar recursos de energia alternativos, sabendo que o petróleo irá ficar cada vez mais caro? Como é possível os professores fazerem greve em plena época de exames? Como é possível que 500 indivíduos entrem pela praia de Carcavelos adentro, assaltem os banhistas e não sejam presos? Como é possível que um país que deveria procurar fazer do Turismo uma força, envie todos os estrangeiros para o Algarve? Não haverá mais nada para ver? Como é que é possível os polícias ameaçarem uma “greve às multas”? Vão deixar de existir contra ordenações?
E ele tem razão. Nunca conseguiremos sair desta crise se não nos mexermos nesse sentido. Nós estamos habituados a que o Estado resolva as coisas por nós, que nos dê subsídios e nos sustente. Pois o tempo das vacas gordas acabou. Goste-se ou não do governo (não sou um grande defensor do mesmo), goste-se ou não das medidas (não percebo a subida do IVA. Ok, percebo mas não aceito) o facto é que alguma coisa tem de ser feita.
O País atravessa uma grave crise, mas parece haver sectores da sociedade que a ignoram, que não lha dão o devido valor. Continuam a criticar o governo mas de forma completamente destrutiva. Tenho o máximo de respeito pelos trabalhadores da função pública, mas sinceramente eles estão a protestar o quê? Era justo que um trabalhador do sector privado só se pudesse reformar aos 62, e na função pública essa idade podia descer até aos 52? Eram justas todas as regalias dos trabalhadores da função pública? Eles por acaso estão no desemprego, como os milhares de trabalhadores da Indústria Têxtil aqui no Minho? Não recebem eles os seus ordenados (fruto dos impostos) a tempo e horas? Poderão argumentar acerca dos fracos aumentos. É um facto, mas o salário é certo, está lá todos os meses. Aos restantes trabalhadores isso não acontece.
Depois há a figura do líder sindical, que faz tudo menos zelar pelo interesse dos trabalhadores. Com manifestações como a que vimos nos últimos dias ninguém ganhou: o governo, porque ficou com as orelhas quentes; os trabalhadores que não trabalharam e por isso não irão receber esse dia; e o país que ficou mais um dia parado!! Será que as pessoas não percebem que há alturas em que se deve colocar o interesse nacional acima do resto?
Não nos esqueçamos dos professores, que tiveram a brilhante ideia de fazer uma greve (A pedir o quê? Mais benefícios? Mais tempo de férias?) em plena época de exames. Não terão eles percebido que quem saiu prejudicado foram os alunos. O primeiro ministro não se deve ter importado muito com o assunto, os filhos dele não andam no Secundário. Demonstra uma falta de bom senso atroz.
Resta a única classe com razões para protestar: os polícias. Reconheço que têm de facto fracos meios de trabalho e já mereciam maiores recompensas e modernização do equipamento, para não falar num bom aumento salarial e no seguro para as famílias. Porém quando recorrem ao insulto perdem toda a razão, e desejar a morte ao ministro não lhes fica nada bem.
Sou obrigado a concluir que neste nosso cantinho à beira mar plantado há medo de trabalhar. Só pode ser isso. O País está na cauda da Europa (em vias de ser apanhado pelos países de Leste) e a função pública vem protestar, vem reclamar direitos que julgava ter. Não consigo perceber.
Eu tenho a sorte de conhecer a realidade laboral dos Estados Unidos da América. E posso afirmar que lá as pessoas trabalham e não protestam, pois confiam no seu trabalho, e não têm medo do trabalho. Há uma ética de trabalho. Há portugueses lá que trabalham mais de catorze horas por dia, e não vêm para a Rua pedir a cabeça do ministro. Podem-me dizer: “É uma realidade diferente.” E eu concordo. Estamos a falar do país mais rico do Mundo, que se calhar não precisava de investir o que investe na produção, mas fá-lo; fá-lo pois quer ser cada vez mais rico, há espírito de sacrifício e empreendimento. Há vontade de trabalhar. Aqui não vejo isso. O que vejo é cada um querer fazer menos e ganhar mais.
Pois não pode ser. Temos de acordar e perceber que esses tempo já lá foram, e temos de criar uma onda de trabalho, de produção no país para ajudá-lo a sair desta crise maldita que nos afecta a TODOS. E posso não saber muito de economia, mas posso garantir que não é com greves disparatadas que vamos resolver os problemas de Portugal.
Sou forçado a concordar com o meu primo quando ele disse: “Dude, não te preocupes. Ao menos tens o futebol.” É, valha-nos o nosso joguinho e o meu Benfica.

