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11 Agosto 2008

Será...


... Brasil aqui? Ou será o Brasil apenas um imenso Portugal?

21 Julho 2008

Na sequência do post anterior


(na bomba está escrito "direitos das gentes")

A propósito do que escrevi no post anterior, escreve por sua vez Mário Crespo, no Jornal de Notícias (sublinhados meus):

Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.
"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

Acrescento eu: a irresponsabilidade e o oportunismo geradores da situação social presentemente vivida e que utiliza os dinheiros públicos para procurar disfarçá-los e atenuá-los no imediato, assegura a sua permanência na política, sobretudo na política autárquica, através dos votos daqueles a quem subsidia. O que serviu no período cavaquista num campo, serve agora noutro.
No meio da hipocrisia sufocante que envolve o que respeita à emigração em Portugal, o repugnante termo "tolerância" faz as vezes de escudo ornamentado e ornamental dos discursos oficiais e de bandeira contestatária dos idiotas bem-intencionados do costume, enquanto o ex-primeiro-ministro e actual Presidente da República, torna dela apóstolas as forças de segurança. Ainda por cima, aquelas forças de segurança que são desencorajadas de disparar durante as perseguições, nem que seja sobre os pneus!
Não sei se já referi isto anteriormente: aqui há uns anos, uma escola secundária sueca organizou um encontro em que participaram duas escolas portuguesas e uma espanhola. Esse encontro destinava-se a troca de experiências e metodologias, no sentido de resolver problemas decorrentes da emigração. A escola situava-se numa zona industrial e, por isso, tinha uma grande percentagem de alunos de origem estrangeira e havia turmas com oito (!) nacionalidades. O que, todavia, ainda acrescenta interesse a tudo isto, é que o que despoletou a necessidade do encontro por parte dos suecos foi o facto de, numa fábrica qualquer, ter havido um operário estrangeiro que agrediu um sueco com uma chave de parafusos - o que foi por eles considerado com um grau alarmante de violência...!
Por isso, se um mínimo de lucidez não acabar por prevalecer, pede-se ao sr. engº. Sócrates e à sra. Ministra da Educação, que tanto gostam de falar dos países nórdicos e de os dar como exemplo, de, pelo menos, adoptarem o modo e os recursos (baratos, que os nórdicos não dão nada a ninguém, apesar da propaganda) com que neles se integram os emigrantes. É que acarretaria muito menos custos para o país e seria muito mais eficaz. Garante quem lá esteve. Só que teriam que prescindir de oferecer computadores à juventude desvalida e das cerimónias oficiais anunciadoras de bons serviços à Pátria, com ou sem figurantes. Mas enfim, todos temos que fazer sacrifícios e os governantes não podem ser excepção...

19 Julho 2008

Do crime de alguns e do castigo de todos


Foi durante o reinado cavaquista que a emigração clandestina disparou para níveis nunca vistos em Portugal. A "remodelação e o progresso do país" exigiam o aumento da mão-de-obra não qualificada, contratável a qualquer preço, alojável em quaisquer condições e descartável a qualquer momento, sem cuidar da sua "reciclagem". E toda a gente, incluindo o sr. Professor, estupidamente, criminosamente, ignorou ou fingiu ignorar as consequências explosivas da "conveniente" permissividade quanto à sua entrada ilegal no país.
Como dizia um representante da comunidade cigana da Quinta da Fonte, não são os elementos mais velhos da comunidade negra, ordeiros e pacatos, mas os mais novos, organizados em gangs, que constituem a origem do problema registado. Não há nada de estranho nisto.
Aqui há uns anos, na que era, segundo as estatísticas da UE, a "escola mais africana da Europa", uma das duas escolas secundárias da Damaia, os pais dos alunos procuravam apoio junto do Conselho Executivo da mesma, alarmados (para não dizer, em pânico!) pelo facto de os seus filhos, que ficavam sozinhos enquanto eles se encontravam a trabalhar, aparecerem com armas em casa, recusando-se a dizer quem lhas havia fornecido. A estrutura hierárquica familiar própria da família africana, equivalente à da antiga estrutura portuguesa, em que os avós substituíam os pais na ausência destes e mantinham um ascendente flexível de sabedoria disciplinadora, desaparecera nas novas condições. E os putos estavam entregues a si próprios, à mercê de todo o tipo de influências e solicitações, ainda sem a capacidade de discernimento nem a maturidade necessária para fazerem escolhas conscientes.
E quem são esses putos? Cidadãos portugueses, que vêem em Afonso Henriques o fundador de um povo predestinado?
A população vinda província, de Trás-os-Montes ao Alentejo, para trabalhar nas grandes cidades tende a concentrar-se na mesma região onde já se encontram familiares ou conhecidos, que possam constituir pontos de apoio no dia a dia. É assim que se formam bairros inteiros localizados de gente provenientes da mesma região e as crianças que frequentam as escolas entram nelas, naturalmente, já com uma primeira perspectiva do mundo e pontos de orientação dados pela família. Essa perspectiva é, obviamente, a que os pais herdaram da aldeia: desde os cuidados a ter aos exemplos de verdadeira sabedoria, do que é importante ou dispensável. E os professores têm que ter em conta que o que lhes é ensinado apenas é absorvido à medida desses horizontes e que aquilo que é a linguagem clara dos conceitos e das metáforas do conhecimento para um puto da grande cidade, é linguagem abstrusa e indecifrável para um outro que, mesmo vivendo fisicamente nela desde sempre, vive mentalmente sobretudo na terra dos avós. Ou melhor: no cômputo geral, não vive em lado nenhum, porque é tudo uma enorme confusão de parâmetros contraditórios. Portanto, em primeiro lugar, antes de estruturar qualquer aprendizagem, ele terá que destruir e reconstruir estruturas paramétricas. E isso demora anos, por vezes muitos anos, até para os que são bastante dotados de si mesmos.
Sei do que falo. A minha família, em sentido lato, começou a emigrar para a cidade desde o tempo dos meus avós e tive oportunidade de ver o processo de mais de uma geração e de diferentes famílias dela conhecidas.
Essa é a situação da "segunda geração africana". Mas a que se acrescenta algo de muito mais decisvo. É que enquanto o avô ou o pai branco ainda dá a referência Viriato, Afonso Henriques ou Nun'Alvares, o pai ou mesmo o avô preto, não lhe fornece qualquer referência, a não ser a da terra de onde veio, onde antigamente mandavam os que mandam aqui e que agora é independente porque houve uns tipos admiráveis que se revoltaram. Mas, de qualquer maneira, a terra deles é pobre e não foi para a frente e agora são eles que têm que vir para cá viver. A "terra", não o "país", porque para haver um país tem que haver uma estrutura da memória que o identifique e gente determinada em fixar-se no seu território, desenvolvendo-o. Como é que se pode falar do "seu" país, se não se pode falar dele em termos de um passado próspero ou glorioso ou, quando seria suposto que todos se empenhassem na sua formação, a quase totalidade dos seus cidadãos só não sai de lá porque não consegue ou não pode?
Os que pertencem a essa "segunda geração" são assim, por condição económica, cultural e política, cidadãos de "segunda agravada". Existe, porém, um terceiro factor que eleva ao cubo tudo isto. É que eles são tanto "de segunda", que até são diferentes: são pretos. Quando um judeu tirava o barrete com que era publicamente obrigado a identificar-se, tornava-se apenas em mais um homem, cuja cultura constituía a base da cultura onde se integrara; podia invocar os seus antepassados como os mais veneráveis dos mais veneráveis por aqueles em cujo país se encontrava - e todos sabemos o que sucedeu. Mas os pretos...? É o ferrete da Natureza. Revolte-se o escravo ancestral. O mais fácil e o que causa mais estragos em toda esta merda desta confusão é ser bandido, como aqueles blacks dos filmes americanos. Sobretudo (suponho agora eu) se houver uns tipos porreiros a financiar as armas a troco de comparticipação nos lucros. Vamos ser um estado independente dentro do Estado. E "eles" têm que pagar imposto.
A tudo isto, o Ministério da Educação responde com a menor exigência e, portanto, diminuindo ainda mais as possibilidades de qualquer tipo de integração. Quanto ao sr. Presidente, certamente já um pouco falho de memória sobre aquilo que permitiu e abençoou por omissão enquanto primeiro-ministro, vi-o hoje na televisão afirmar, a propósito dos incidentes em Loures, que Portugal não pode ser um país de ghettos, que isso é estranho à nossa tradição de integração e de diálogo intercultural e atribuiu às forças da ordem (leram bem: às forças da ordem!) essa missão.
Para que conste!
(Escrevi isto de rajada e não vou rever. Por isso, desculpem qualquer coisinha)
NOTA: A "segunda geração de africanos" evitava matricular-se na escola a que me referi por ser... a "escola dos pretos"! E não por falta de qualidade da dita, já que a frequentava gente que é hoje docente no ensino universitário.

16 Julho 2008

Os gloriosos herdeiros de Monthy Python


Dias atrás, no noticiário de um canal de televisão, incluiram a seguinte notícia:
Quatro tipos resolveram assaltar uma estância já não me lembro de quê. Três ficaram dentro da carrinha, à espera do outro, que entrou para abrir caminho. O proprietário, homem aí pelos sessenta, que mora ao lado, ouvindo barulho, desconfiou, pegou na caçadeira e, dando com o assaltante de costas, intimou-o a sair. Porém, ao vê-lo virar-se, numa atitude agressiva e empunhando um pé-de-cabra, receando pela segurança da criança (neto?) que o acompanhara, alvejou-o nas pernas. O assaltante, ferido, conseguiu fugir, mas acabou por ser apanhado, juntamente com os amigalhaços, pela GNR, tendo sido assistido no hospital.
Este seria uma história de happy end à americana, com a inevitável piada final dos protagonistas e risos dos mesmos a condizer, não fora os juristas portugueses, vanguardistas eméritos e dos quatro costados, decidirem dar uma amostra da real dimensão da sua criatividade invertendo os dados do episódio, subvertendo-o na sua essência e mostrando assim que outros valores mais altos se alevantam na lei da nossa grei para além de Dada, dos irmãos Marx e dos Monthy Python, alcandorando-nos às alturas de vero primeiríssimo farol da contemporaneidade e até da aventura da Humanidade. Connosco, é assim mesmo, não fazemos por menos, porque tudo vale a pena se o esprito não é minorca.
Oh! golpe de génio inigualável e altíssimo do legislador! Oh! visão incomparável e sublime do problema da culpa e do perdão na perspectiva do burlesco pós-moderno! Com um golpe súbito e decisivo de uma trivela do espírito, eis que a arma do vil agressor é confiscada para compensação devida à desgraçada e inocente vítima assaltante. Confisque-se a caçadeira e obrigue-se quem a usou a apresentar-se duas vezes por semana no quartel do exército de anjos que garantem a segurança do local por excelência do remanso da Europa, assim decreta a Lei, no texto sagrado fixado pelo génio da lâmpada civilizacional! Pois quê!? Como poderá admitir-se que um sinistro cidadão, apoiado por uma maquiavélica criança, possa defender-se impunemente de um pobre meliante?!
Hollywood arrepela os cabelos, ao ver o seu império comprometido pela falta de visão dos produtores cinematográficos depreciadores de tal filão do grotesco! Os juristas portugueses ameaçam seriamente as coroas de Cristiano Ronaldo e de José Mourinho, não na futeboleira arte mas na do non-sense. Em conjunto com as determinações já conhecidas, como as de abater os cães que molestem assaltantes ou agressores, e de os polícias terem que pagar as balas e os danos ocorridos nas viaturas que conduzam, para além de lhes serem descontados os dias em que tenham que comparecer em tribunal para testemunharem, o português é convidado a não resistir sob qualquer pretexto e de chamar as forças policiais para o defenderem, mesmo que só depois de morto!
Gostaria de contribuir somente com uma sugestão para a eterna glória lusa: a de que todo aquele que o não faça após o falecimento, venha a ser sujeito à medida de residência fixa e veja o seu caixão confiscado. Que é para ver se aprendem a trabalhar por um país moderno, justo e solidário!
Tenho dito!