Abaciente
Irei falar de tudo e do nada. Histórias e estórias. Coisas pensantes e desconcertantes.
domingo, 8 de Agosto de 2010
Velhos e Bons Costumes ( Tempos de Crise)
Velhos e Bons Costumes
Acredito que o mundo não voltará a ser o que era antes desta crise.
O abalo provocado é bom pretexto para experimentar novas oportunidades, já que os factos demonstram que não era bom o caminho que vínhamos seguindo.
No que respeita a Portugal, parece-me que estamos no tempo de fazer algumas pequenas coisas: há que alterar a mentalidade duma geração que ,ao contrário de avós e pais, cresceu no convívio com o consumismo e com as facilidades. Alguns de nós, os mais velhos, talvez para esquecer as muitas dificuldades passadas, caímos no “pecado” de facilitar excessivamente a vida desta nova geração.
Ao abrigo das facilidades, mas também irresponsabilidade, o lema tem sido: consumir, consumir, sem pensar em poupar.
A crise veio expor esta realidade e está a provocar situações verdadeiramente dramáticas, particularmente para quem não arranja ou perdeu o emprego.
Em muitas destas situações o único recurso ainda são os pais. E quando eles não puderem?
Talvez seja pois altura certa para alterar hábitos e adoptar comportamentos mais conformes à realidade. Boa ideia seria retomar alguns bons costumes do nossos antepassados, particularmente no que diz respeito à poupança e ao aproveitamento.
Naturalmente ninguém defende que se regresse aos miseráveis tempos da guerra e aos difíceis anos seguintes. No entanto, não deitar para o lixo muito que pode e deve ser recuperado, fazer melhor aproveitamento das terras agricultáveis e muitas outras pequenas coisas que fomos abandonando, serão actos importantes para enfrentar a crise.
Faz todo o sentido recuperar as quase esquecidas profissões do sapateiro, costureiras e muitas outras: não é mais tempo de usar e deitar fora.
O abalo provocado é bom pretexto para experimentar novas oportunidades, já que os factos demonstram que não era bom o caminho que vínhamos seguindo.
No que respeita a Portugal, parece-me que estamos no tempo de fazer algumas pequenas coisas: há que alterar a mentalidade duma geração que ,ao contrário de avós e pais, cresceu no convívio com o consumismo e com as facilidades. Alguns de nós, os mais velhos, talvez para esquecer as muitas dificuldades passadas, caímos no “pecado” de facilitar excessivamente a vida desta nova geração.
Ao abrigo das facilidades, mas também irresponsabilidade, o lema tem sido: consumir, consumir, sem pensar em poupar.
A crise veio expor esta realidade e está a provocar situações verdadeiramente dramáticas, particularmente para quem não arranja ou perdeu o emprego.
Em muitas destas situações o único recurso ainda são os pais. E quando eles não puderem?
Talvez seja pois altura certa para alterar hábitos e adoptar comportamentos mais conformes à realidade. Boa ideia seria retomar alguns bons costumes do nossos antepassados, particularmente no que diz respeito à poupança e ao aproveitamento.
Naturalmente ninguém defende que se regresse aos miseráveis tempos da guerra e aos difíceis anos seguintes. No entanto, não deitar para o lixo muito que pode e deve ser recuperado, fazer melhor aproveitamento das terras agricultáveis e muitas outras pequenas coisas que fomos abandonando, serão actos importantes para enfrentar a crise.
Faz todo o sentido recuperar as quase esquecidas profissões do sapateiro, costureiras e muitas outras: não é mais tempo de usar e deitar fora.
A.R.
17.09.09
Bernard Jeffrey McCollough, conhecido como Bernie Mac, morreu a 9 de Agosto de 2008
Bernard Jeffrey McCollough, conhecido como Bernie Mac, (Chicago, 5 de outubro de 1957 — Chicago, 9 de agosto de 2008) foi um ator e comediante norte-americano.
Mac iniciou a sua carreira como comediante de palco em Chicago. Ele ganhou o Miller Lite Comedy Search em 1990 e a sua popularidade como comediante começou a crescer. Ele abriu os programas de Dionne Warwick, Redd Foxx e Natalie Cole e fez vários especiais de comédia da HBO, que aumentaram a sua popularidade ainda mais.
Começou a atuar em papéis menores, mas a sua grande estreia foi como Pastor Clever no filme de Ice Cube em 1995: Friday. Após esse papel, Bernie Mac trabalhou também noutros filmes, incluindo Booty Call, How to Be a Player, Life e What's the Worst That Could Happen?. Bernie Mac foi também um dos poucos actores negros capaz de quebrar o género tradicional de "comédia negra", tendo papéis no remake de Ocean's Eleven e tornando-se o novo Bosley para a sequência do filme As Panteras, Charlie's Angels: Full Throttle.
Em 1997 Mac continuou com as suas raízes como comediante de palco, excursionando os Estados Unidos como um dos Reis da Comédia, junto com Steve Harvey, Cedric the Entertainer e D.L. Hughley. O programa foi posteriormente filmado por Spike Lee para o filme The Original Kings of Comedy.
Em 2001, a FOX deu a Mac a sua própria sitcom chamada The Bernie Mac Show. O programa, baseado na sua própria vida, em que ele se vê de repente como guardião das três filhas da irmã, foi um grande sucesso em parte porque ele permitiu a Mac manter-se fiel as suas raízes de comediante de palco, quebrando aquarta parede para comunicar os seus pensamentos à plateia. No programa de Mac também são estrelas as três meninas que fazem as filhas da irmã. São elas: Vanessa, Jordan e Bryana. Bernie faz uma versão ficcional de si mesmo no programa, junto com uma jovem bela esposa chamada Wanda. Muita da graça do programa acontece com a habitual frustação de Mac com o seu sobrinho Jordan (Jeremy Suarez) e sua sobrinha Vanessa (Camille Winbush).
Em 2004 Mac teve seu primeiro papel principal com um jogador de baseball aposentado no filme Mr. 3000.
Em fevereiro de 2005 Mac anunciou que tinha sarcoidose, uma doença auto-imune que causa inflamação dos tecidos macios do corpo, frequentemente nos pulmões. No anúncio, ele disse que tem sofrido da doença desde 1983.
Herbert José de Souza (Betinho), morreu a 9 de Agosto de 1997
Herbert José de Souza (Betinho)
(Sociólogo brasileiro)
3/11/1935, Bocaiúva (MG)
9/8/1977, Rio de Janeiro (RJ)
(Sociólogo brasileiro)
3/11/1935, Bocaiúva (MG)
9/8/1977, Rio de Janeiro (RJ)
Herbert José de Souza foi o terceiro filho de uma família de oito irmãos, entre os quais o cartunista Henfil e o músico Chico Mário.
Sua infância foi marcada por fatos incomuns. Já nos primeiros dias de vida, teve hemofilia, uma doença no sangue que impede a coagulação.
Passou oito anos morando numa penitenciária, onde seu pai trabalhava.
Herbert de Souza começou a sua militância política na Juventude Católica, em Belo Horizonte. Estudou na Universidade de Minas Gerais e formou-se em sociologia em 1962. Trabalhou depois no Ministério da Educação e Cultura e na Superintendência de Reforma Agrária.
Depois do golpe militar de 1964, Betinho engajou-se na resistência contra a ditadura. Passou sete meses no Uruguai e depois, de volta ao Brasil, foi trabalhar como operário na cidade paulista de Mauá.
Em 1971, Herbert de Souza partiu para o exílio. Morou em diversos países. No Chile, deu aulas na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais e assessorou o presidente Salvador Allende, deposto em 1973 pelo general Augusto Pinochet. Escapando da ditadura chilena, Betinho exilou-se no Canadá e depois no México. Fez doutorado e foi professor na Universidade Autônoma do México.
Com a anistia política, em 1979, Herbert José de Souza retornou ao Brasil. Tornou-se um dos símbolos da resistência política. Dois anos depois, fundou o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).
Herbert de Souza foi um dos primeiros intelectuais a advogar em favor das organizações não-governamentais, que não dependem do estado nem da iniciativa privada. Foi também um dos fundadores da campanha nacional pela reforma agrária.
Em 1990, o movimento Terra e Democracia, que Betinho liderava, reuniu no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas para lutar pela democratização da terra.
Herbert de Souza teve confirmado o diagnóstico de sua contaminação pelo HIV, o vírus causador da Aids, em 1985, contraído numa de suas inúmeras transfusões de sangue no tratamento da hemofilia.
No ano seguinte, fundou a ABIA, uma associação para lutar pelos direitos das pessoas portadoras do HIV ou dos doentes com Aids. Betinho dirigiu essa organização por onze anos.
A doença atingiu também sua família: no período de um ano, Betinho perdeu dois irmãos vítimas da Aids. A maneira de lidar com a doença foi falar sobre ela. Herbert de Souza iniciou uma grande campanha nos meios de comunicação para esclarecer as pessoas sobre a doença.
Em 1992, Betinho liderou o movimento pela Ética na Política, que culminou com o impeachment do então presidente Fernando Collor, em setembro do mesmo ano. Esse movimento plantou os alicerces do movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. A partir da participação de Betinho, o problema da fome e da miséria tornou-se visível e concreto para todos os brasileiros.
Herbert de Souza abriu várias frentes de trabalho, principalmente no seu relacionamento com a mídia. Em 1993, foi considerado "homem de idéias do ano", pelo Jornal do Brasil.
Depois de muito lutar contra a doença, Betinho faleceu em 1977, aos 61 anos, em sua casa, no bairro do Botafogo.
Sua infância foi marcada por fatos incomuns. Já nos primeiros dias de vida, teve hemofilia, uma doença no sangue que impede a coagulação.
Passou oito anos morando numa penitenciária, onde seu pai trabalhava.
Herbert de Souza começou a sua militância política na Juventude Católica, em Belo Horizonte. Estudou na Universidade de Minas Gerais e formou-se em sociologia em 1962. Trabalhou depois no Ministério da Educação e Cultura e na Superintendência de Reforma Agrária.
Depois do golpe militar de 1964, Betinho engajou-se na resistência contra a ditadura. Passou sete meses no Uruguai e depois, de volta ao Brasil, foi trabalhar como operário na cidade paulista de Mauá.
Em 1971, Herbert de Souza partiu para o exílio. Morou em diversos países. No Chile, deu aulas na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais e assessorou o presidente Salvador Allende, deposto em 1973 pelo general Augusto Pinochet. Escapando da ditadura chilena, Betinho exilou-se no Canadá e depois no México. Fez doutorado e foi professor na Universidade Autônoma do México.
Com a anistia política, em 1979, Herbert José de Souza retornou ao Brasil. Tornou-se um dos símbolos da resistência política. Dois anos depois, fundou o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).
Herbert de Souza foi um dos primeiros intelectuais a advogar em favor das organizações não-governamentais, que não dependem do estado nem da iniciativa privada. Foi também um dos fundadores da campanha nacional pela reforma agrária.
Em 1990, o movimento Terra e Democracia, que Betinho liderava, reuniu no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas para lutar pela democratização da terra.
Herbert de Souza teve confirmado o diagnóstico de sua contaminação pelo HIV, o vírus causador da Aids, em 1985, contraído numa de suas inúmeras transfusões de sangue no tratamento da hemofilia.
No ano seguinte, fundou a ABIA, uma associação para lutar pelos direitos das pessoas portadoras do HIV ou dos doentes com Aids. Betinho dirigiu essa organização por onze anos.
A doença atingiu também sua família: no período de um ano, Betinho perdeu dois irmãos vítimas da Aids. A maneira de lidar com a doença foi falar sobre ela. Herbert de Souza iniciou uma grande campanha nos meios de comunicação para esclarecer as pessoas sobre a doença.
Em 1992, Betinho liderou o movimento pela Ética na Política, que culminou com o impeachment do então presidente Fernando Collor, em setembro do mesmo ano. Esse movimento plantou os alicerces do movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. A partir da participação de Betinho, o problema da fome e da miséria tornou-se visível e concreto para todos os brasileiros.
Herbert de Souza abriu várias frentes de trabalho, principalmente no seu relacionamento com a mídia. Em 1993, foi considerado "homem de idéias do ano", pelo Jornal do Brasil.
Depois de muito lutar contra a doença, Betinho faleceu em 1977, aos 61 anos, em sua casa, no bairro do Botafogo.
A 9 de Agosto de 1962, morreu Herman Hesse
Herman Hesse
Escritor alemão naturalizado suíço (2/7/1877-9/8/1962). Sua obra, símbolo de rebeldia, tem muita popularidade entre os jovens dos anos 60. Nascido em Calw, Württenberg, estuda no seminário de Maulbronn, mas não se submete à disciplina da instituição.
Abandonando os estudos, vai para a Suíça e afasta-se dos pais, missionários protestantes que queriam fazê-lo seguir o mesmo caminho. Trabalha como livreiro na Basiléia e, em 1902, escreve o livro de poesiasGedichte. Dois anos depois publica o primeiro romance, Peter Camenzind, sucesso de crítica e público. Redige Gertrud (1910), romance em que expõe sua incapacidade de adaptação às convenções.
Levando uma vida solitária à beira do Lago Constança, naturaliza-se suíço em 1923. Envolve-se em atividades contra o militarismo alemão e manifesta simpatia pelo dadaísmo.
Com base em sua militância pacifista, lança Demian (1919), sob o pseudônimo de Sinclair. Depois viaja para a Índia e escreveSiddharta (1922). Outras publicações suas são O Lobo da Estepe(1927), Narciso e Goldmund (1930) e O Jogo das Contas de Vidro(1943), considerado sua obra-prima. Em 1946 recebe o Prêmio Nobel de Literatura. Morre em Montagnola, na Suíça.
Soutine
Chaim Soutine, morreu a 9 de Agosto de 1943
Filho de Salomão e Sarah Sutin, Chaim nasceu em 1893, em Smilovitchi, próximo a Minsk, que, à época, era parte do Império czarista. Um dos tantos shtetls da Lituânia onde a população era predominantemente judia, Smilovitchi era um lugar pobre e sombrio. Um artista russo o descreveu como sendo "uma aglomeração aleatória de casas de madeira, as melhores com paredes pintadas, cortinas brancas e vasos de flores nas janelas; as piores eram cabanas que pareciam prestes a desabar".
Chaim era o décimo filho de uma família de onze crianças. Seus pais, judeus ortodoxos, eram dos mais pobres do vilarejo. As dificuldades faziam parte de seu cotidiano, assim como do de milhares de judeus, sob o pesado jugo czarista. A miséria na qual cresceu Soutine marcará sua vida e personalidade para sempre.
Seu pai era um homem severo, fervorosamente religioso, profundo conhecedor do Talmud. Chaim cresceu cercado de uma rica vida judaica, na qual a observância das leis e das tradições, além do estudo, eram obrigações do cotidiano.
O sonho do pai, um simples cerzidor de roupas, era que o filho se tornasse alfaiate. Mas, nada disto interessava a Chaim, que, desde cedo, sentia intensa necessidade de pintar, o que era inaceitável em uma comunidade onde qualquer reprodução da forma humana constituía grave transgressão.
Apesar de ser sistemática e severamente desencorajado pelo pai e pelos irmãos, que dele caçoavam e o puniam, Soutine começa a desenhar muito cedo, em suas escapadas, sozinho, para os bosques, de onde só voltava quando a fome apertava. Seu primeiro retrato, feito a giz, foi de seu professor, na escola. Aos 7 anos, os pais o puniram severamente por ele ter pegado, sem permissão, algumas moedas para comprar lápis de cor e satisfazer sua sempre presente necessidade de se expessar através das formas e cores.
Vivia fugindo de casa para não ser punido e seu desejo era partir, de vez, de Smilovitchi. A oportunidade apareceu quando tinha por volta de 13 anos. Ao ser fisicamente agredido, após dar a um velho judeu um desenho que fizera dele, sua mãe se queixou ao rabino. Este determinou que os agressores lhe pagassem uma indenização de 25 rublos. Esse dinheiro permitiu que o rapaz deixasse para sempre o shtetl. Do local de seu nascimento e de sua infância, Soutine levará consigo lembranças obsessivas de muito sofrimento, pobreza e fome.
Inicialmente, assenta-se em Minsk, na casa da irmã casada, para se tornar aprendiz de alfaiate. Mas, inscreve-se no único curso de arte da cidade. Tornou-se amigo de outro aluno, Michel Kikoine, e os dois se tornam inseparáveis. Quando este último decide continuar seus estudos em Vilna, importante centro artístico e núcleo cultural judaico, Soutine o acompanha. Ambos são aceitos na Academia de Belas Artes da cidade. Sobre Soutine, Kikoine dizia: "Era um dos mais brilhantes alunos da academia", acrescentando, no entanto, "mas a temática de seus esboços tinha sempre um toque de mórbida tristeza...".
Era o inicio da década de 1910. Os dois jovens viviam modestamente em um quarto alugado, junto com outros estudantes, na casa de um casal. Conseguem emprego com um fotógrafo, retocando seus trabalhos. Mas sonham em um dia ir para Paris, Cidade-Luz, centro da vanguarda artística. Em Vilna, Soutine conhece, através da sinagoga, o Dr. Rafelkess, médico judeu que seria o primeiro a lhe dar o vital apoio financeiro e emocional, de que tanto necessitava. É Rafelkess quem, um ano após a partida de Kikoine para Paris, financia a ida de Soutine para a capital do mundo artístico.
Soutine chega a Paris no ano de 1913, instalando-se na "La Ruche", em Montparnasse, onde viviam inúmeros artistas vindos da Rússia e da Europa Oriental. Sem perder tempo, inscreve-se na Escola de Belas Artes e no atelier de Fernand Cormon, um dos mais famosos professores de arte, na época. À noite, freqüenta as aulas de desenho da Academia Russa. E, como tantos outros, fica fascinado pelo Museu do Louvre, que passa a visitar constantemente, admirando e estudando a pintura dos Velhos Mestres, particularmente Rembrandt, Van Gogh, Cézanne e Courbet. Sua vida se torna mais difícil quando recebe a notícia da morte de Rafelkess e da suspensão imediata do auxílio financeiro que este lhe enviava. Sem recursos, novamente, começa a trabalhar à noite, para sobreviver, como carregador na estação de Montparnasse - ou em qualquer outro emprego que arranjasse, dividindo, assim, seu tempo entre o trabalho, as aulas e a pintura. O uso parcimonioso da cor e pigmento nas naturezas mortas que pinta no período refletem a desesperada pobreza em que vivia. No quadro "Natureza Morta com Arenques" (circa 1916), três esquálidos peixes, que jazem inertes no prato, exprimem mais do que qualquer palavra a sua depauperada situação. Extremante tímido e introvertido, a vida de Soutine era de solidão e ansiedade, apesar de fazer parte do Círculo de Montparnasse, o grupo dos artistas judeus, todos imigrantes, que viviam em Paris. Eles faziam parte da famosa "Escola de Paris", denominação que não definia um grupo coeso, unido por determinada escolha artística. Englobava, sim, os artistas estrangeiros, muitos deles judeus, que viviam e trabalhavam em Paris, desde a primeira década do século 20. Entre eles, além de Soutine, contavam-se Marc Chagall, Amedeo Modigliani, Mané-Katz, entre outros. Em agosto de 1914, a Alemanha declara guerra à França; era o início da 1ª Guerra Mundial. Soutine se alista voluntariamente nas brigadas de trabalho, para cavar trincheiras, mas foi dispensado por causa de sua saúde frágil. Foi nesta época que se mudou para a Cité Falguière, um complexo para artistas onde Jacques Lipchitz, Oscar Miestchaninoff e Amedeo Modigliani tinham seus estúdios. Lipchitz o apresentou a este último, que se torna não apenas seu amigo, mas também seu mentor. E Modigliani, por sua vez, apresenta-o a seu amigo e marchand, Leopold Zborowski, que toma Soutine sob sua tutela. Em 1918, Soutine pinta um auto-retrato, revelando a forte tendência expressionista de seus óleos. As cores são mais ricas e as pinceladas já mostram uma agitação que se tornaria o "selo" de todos os seus trabalhos posteriores. Para fugir ao bombardeio alemão de Paris, em 1918, Modigliani, Zborowski e Soutine fogem para Nice. Pouco depois, o marchand convence seu novo protegido a se instalar por algum tempo em Céret, uma pequena cidade a poucos quilômetros da fronteira espanhola com os Pirineus. A paisagem selvagem da região o atrai, com suas rochas e profundos despenhadeiros tortuosos. No fim de janeiro de 1920, soube da morte de Modigliani, o que muito o abala Soutine ficou na região até 1922, período durante o qual pintou cerca de 200 paisagens. É em Céret que o artista se descobre a si próprio; é lá que atinge sua maioridade artística. Suas obras, com imagens quase apocalípticas, em fortes pinceladas, situam-se entre as mais surpreendentes em toda a arte moderna. De intensidade rara, permanecem como as pinturas mais provocativas e desafiantes de toda a sua produção - apesar de que, em momento posterior de sua vida, ele tenha tentado extirpar as paisagens de Céret do corpo de seu trabalho. Apesar da intensa produção artística, os anos que passou em Céret foram muito difíceis. Sem recursos e sofrendo intensamente de úlcera estomacal, vivia isolado em si mesmo. Dono de uma personalidade instável, seu estado de espírito oscilava constantemente entre o desespero e a alegria, entre a falta de estímulo e a exultação. Obcecado por cores e formas, com freqüência deprimido e insatisfeito, Soutine chegava a destruir suas telas em seus surtos de angústia. Sua carreira ganha nova dimensão em 1922, quando Dr. Albert Barnes, rico colecionador americano, de Filadélfia, interessou-se por sua obra e compra várias de suas telas. Barnes fizera fortuna com a venda de Argyrol, um medicamento para a cura de infecções oculares, e estava em Paris atrás de obras para aumentar seu acervo de impressionistas e pós-impressionistas, que já contava com mais de 100 Rénoirs e 50 Cézannes. Assim que viu o quadro "O Mestre-pasteleiro" na galeria do marchand Paul Guillaume, comprou-o, num relance, manifestando interesse em adquirir mais telas do mesmo pintor. Guillaume logo o coloca em contato com Zborowski, em cujo apartamento havia inúmeros trabalhos da fase de Céret. O americano compra, de uma só leva, 60 telas, assegurando, assim, o sucesso e a situação financeira de Soutine. Em Paris, este passa a integrar o seleto rol dos artistas sérios. Seu nome começa a pipocar nas colunas dos críticos de arte, que opinam sobre suas obras, fazendo com que suas telas sejam procuradas pelos colecionadores. Era o ano de 1923. Sem conseguir pintar, Soutine decide ir a Cagnes-sur-Mer, onde permanece até 1925. Retornando a Paris, instala-se perto do Parc Montsouris. Sua situação financeira melhorara e ele já vive confortavelmente, veste-se bem e aperfeiçoa o francês e sua bagagem cultural, apaixonando-se pela música de Bach. Em 1927 realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Bing, mas se recusa a visitar a galeria, apesar do grande sucesso da exposição. Os quadros de Soutine estão presentes nas coleções de prestígio. No mesmo ano se torna amigo de Elie Faure, médico, historiador e crítico de arte. Enquanto o tratava dos problemas estomacais, Faure escreveu importante monografia sobre o pintor, além de vários artigos onde afirma que a arte de Soutine reflete a "trágica visão judaica". Nesta época, Soutine conhece o casal Marcellin e Madeleine Castaing, que se tornariam bons amigos e protetores. Quando, cinco anos mais tarde, Zborowski falece, o casal passa a ser seu marchand. O retrato que fez de Madeleine Castaing, em 1927, é uma de suas mais belas telas. À medida que cresce sua fama, Soutine, o peintre?maudit, pintor maldito como era conhecido, se transforma. Fotografias de 1930 o mostram vestindo ternos esmerados; tinham ficado para trás as roupas surradas. Ao adquirir dinheiro e respeito, seus quadros também refletem as mudanças ocorridas em sua vida. Nas paisagens varridas pelo vento, há crianças que riem. Embora continuasse a buscar no passado inspiração para suas telas, as cores são menos intensas e seu pincel - que outrora tinha uma intensidade febril - se torna mais suave e contido. Talvez suas estadas em estâncias termais, os fins de semana na propriedade rural do casal Castaing e a água termal de Vichy, que tomava regularmente, finalmente lhe tenham proporcionado alívio, ainda que temporário, da angústia e raiva que devoravam seu interior. Em 1935, vinte de suas telas são expostas, pela primeira vez, nos Estados Unidos, em uma galeria de Chicago, e, no ano seguinte, em Nova York. Em 1937, participa da Exposição de Arte Independente, no Petit Palais, em Paris. No mesmo ano, Soutine conhece Gerda Groth, uma judia alemã que havia fugido da Alemanha nazista. A jovem, a quem chama de "Mademoiselle Garde", vai cuidar dele durante 3 anos. Em 1940, eclode a 2ª. Guerra Mundial. Em maio, Gerda é presa, junto com outros cidadãos alemães, e levada para um Campo de Internamento, nos Pirineus. Ela sobrevive à guerra, mas não mais reverá Soutine com vida. Em novembro daquele mesmo ano, Soutine conhece Marie-Bérthe Aurenche, ex-esposa de Max Ernst, pintor surrealista. Durante a ocupação nazista na França, ela se encarrega de cuidar do pintor. Além de judeu, estrangeiro, ficar em Paris se torna cada vez mais perigoso para Soutine. Amigos de Mme. Aurenche o ajudam a sair da cidade e o mandam para Richelieu, onde o prefeito lhe fornece documentos de identidade falsos. Encontra um lugar no vilarejo de Champigny-sur-Veuldre, onde viveu com Marie-Bérthe em relativa segurança. Apesar da tensão à sua volta, Soutine continuou pintando com a mesma concentração de antes. Decide não fugir da França através da rede clandestina, organizada por Varian Fry, em Marselha, naquele verão. (Ver Morashá Edição 35). No entanto, o medo de ser encontrado e preso pelos nazistas o atormentava permanentemente. A ansiedade, velha característica de sua personalidade, torna-se cada vez maior e mais presente em seu trabalho. Seus temas favoritos eram retratos, paisagens tempestuosas e árvores selvagens. A tensão agrava sua úlcera e os ataques de dor eram cada vez mais freqüentes. No verão de 1943, os médicos locais aconselharam Marie-Bérthe a levá-lo a um hospital, em Paris. No dia 7 de agosto chegam na capital e Soutine, com uma úlcera perfurada, é operado às pressas. Sobrevive à operação, mas falece dois dias mais tarde. |
Samuel Ferguson, morreu a 9 de Agosto de 1886
Samuel Ferguson (10 de Março de 1810 – 9 de Agosto de 1886) foi um poeta irlandês, advogado e antiquário. É considerado por muitos como o mais importante poeta anglo-irlandês do século XIX, devido ao seu interesse pela mitologia irlandesa e pelos primórdios da história da Irlanda. É visto como um dos percursores de W. B. Yeatse dos outros poetas do Crepúsculo celta.
Ferguson nasceu na High Street, Belfast numa família que se mudou da Escócia para o Ulster, durante o século XVII. O seu pai levava uma vida de perdulário. A sua mãe era uma pessoa muito sociável e amante da literatura: desde cedo que lia obras de Shakespeare, Walter Scott, Keats, Shelley, entre outros autores ingleses para os seus seis filhos.
Ferguson mudou várias vezes de morada, incluindo Glenwhirry, onde, segundo as suas palavras, estabeleceu uma relação de amor com a natureza que viria a dar forma ao seu trabalho posterior. Foi educado na Academia de Belfast e no Instituto Académico de Belfast. Mudou-se, depois, para Dublin, onde estudaria direito no Trinity College, onde tiraria o seu Bacharelato de Artes (BA) em 1826 e o grau académico de Mestre (MA), em 1832.
Já que o seu pai tinha gasto grande parte do espólio da família, Ferguson viu-se obrigado a suportar as suas próprias despesas enquanto estudava. Para isso, dedicou-se à escrita, tendo começado a publicar regularmente na Blackwood's Magazine, apenas com 21. Começou a sua actividade de advogado em 1838, mas continuou a escrever e a publicar, tanto na Blackwood's como na recentemente formada Dublin University Magazine.
Ferguson fixou-se em Dublin, onde praticaria a advocacia. Em 1846 fez um périplo pelos Museus, Bibliotecas e sítios arqueológicos, mantendo relações fortes com o meio académico irlandês. Casou-se em 1848, na altura em que defendia o jovem poeta irlandês Richard Dalton Williams.
Além da poesia, ferguson contribui com vários artigos sobre temas irlandeses em jornais de antiquários. Em 1863, viajou até à Bretanha, Irlanda, Galess, Inglaterra e Escócia para estudar megálitos e outros sítios arqueológicos. Estes estudos foram de importância decisiva para o seu trabalho maior sobre antiguidades, Ogham Inscriptions in Ireland, Wales and Scotland (Inscrições Ogham na Irlanda, Gales e Escócia), que foi publicado postumamente em 1887.
A colectânea dos seus poemas, Lays of the Western Gael foi publicada em 1865, e recebeu, em resultado dela, um Doutoramento honoris causa concedido pelo Trinity College. Dois anos depois, Ferguson abandonou os tribunais para aceitar o cargo de Deputado Conservador dos registos Públicos na Irlanda. Em recompensa pelos serviços prestados, recebeu a ordem de cavaleiro (Sir) em 1878.
O principal trabalho de Ferguson, o longo poema Conal, foi publicado em 1872. Um terceiro volume, Poems, foi editado em 1880. Em 1882 foi eleito Presidente da Academia real Irlandesa, uma organização dedicada ao avanço da ciência, literatura e estudos de antiguidades. Faleceu em Howth, perto da cidade de Dublin, e foi sepultado em Dunegore, Condado de Antrim.
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