Quinta-feira, Março 17, 2011

Federação Portuguesa pela Vida: "Aborto em Portugal é frequente, ilegal e inseguro"

Quatro anos após o referendo, “o aborto continua frequente, ilegal e inseguro”. Esta é a posição da Federação Portuguesa pela Vida, que publicou um estudo sobre os números da liberalização do aborto em Portugal. No estudo ‘Liberalização do Aborto em Portugal, 4 anos depois’, elaborado com base nos dados oficiais da Direcção Geral de Saúde, a Federação Portuguesa pela Vida (FPV) sublinha que o aborto “legal por opção” continua a aumentar em todas as faixas etárias, sobretudo entre mulheres estudantes e desempregadas. Outro dado a salientar do estudo é que 40% das mulheres que abortaram por opção em 2009 não tinham nenhum filho.

“Quatro anos depois a Federação Portuguesa pela Vida afirma que o aborto em Portugal é Frequente, Ilegal e Inseguro”, salienta um comunicado da organização.

De)crescimento populacional
O estudo da FPV começa por sublinhar que 2007 foi o primeiro ano em que o número de mortes (104 mil) em Portugal superou o de nascimentos (pouco mais de 102 mil). Este (de)crescimento populacional é também visível no ano 2009, em que pela primeira vez houve menos de 100 mil nascimentos.

Aborto legal “por opção da mulher” cresce desde 2007
Sobre os dados relativos aos abortos legais “por opção da mulher” realizados nos 3 anos que se seguiram à entrada em vigor da Lei 16/2007 (Julho de 2007), os números indicam que de Julho de 2007 a Junho de 2008 houve 15593 abortos, para no período seguinte (Julho de 2008 a Junho de 2009) o aumento ser de mais de 22% e passar para 18990 abortos. No terceiro e último período do estudo, de Julho de 2009 a Junho de 2010, o aumento é ainda mais significativo: 26%, para um total de 19591 abortos “por opção da mulher”. Desta forma, no total, desde Julho de 2007 foram realizados mais de 60 mil abortos legais “por opção da mulher”.

Aborto aumenta em todas as faixas etárias
Em 2009, a faixa etária das mulheres que fizeram mais abortos é a dos 25-29, com 4228 abortos, o que representa um aumento de 4% face a 2008. Entre as mulheres que tinham 20-24 anos houve 4145 abortos (aumento de 7% em relação a 2008), dos 30-34, 3990 (o que representa mais 3%). Contudo, o maior aumento de 2008 para 2009 (30%) ocorre na faixa etária das mulheres menores de 15 anos. A conclusão geral é que o aborto “legal por opção” aumenta em todas as faixas etárias.

Lisboa lidera abortos com maioria
Ao nível dos locais onde foram realizados mais abortos “legais por opção” em 2009, Lisboa e Vale do Tejo lidera destacado com 52% (9778 abortos), seguido do Norte do país com 20,1% (equivalente a 3812 abortos) e do Centro (2958 abortos “por opção da mulher”, ou seja, 16%). O quadro geográfico do país completa-se com o Algarve (1347, 7%), Alentejo (646, 3%), Madeira (248, 1,1%) e Açores (com 162 abortos “legais por opção”, o que representa 1%).

Estudantes e desempregadas
A condição sócio-económica terá também influência, uma vez que o número de abortos de 2008 para 2009 aumentou mais entre mulheres estudantes (+21%) e desempregadas (+14%). Estes dados representam ainda 35% dos abortos realizados “por opção da mulher” e registam as taxas de crescimento mais elevadas.
As famílias monoparentais são também um dos factores apontados no estudo da Federação Portuguesa pela Vida: a probabilidade de uma grávida abortar por opção é cinco vezes maior se não viver com o pai do bebé.Igualmente a destacar que 40% das mulheres que abortaram por opção em 2009 não tinham nenhum filho, enquanto 8% dos abortos legais “por opção da mulher” em 2009 foram realizados por mães com 3 ou mais filhos.
O estudo ‘Liberalização do Aborto em Portugal, 4 anos depois’ sublinha ainda que 21% dos abortos “legais por opção” em 2009 foram de mulheres que já tinham abortado antes.

Custos, desemprego e contribuições
O estudo da Federação Portuguesa pela Vida determina os custos, sublinhando que “os mais de 60 000 abortos legais “por opção” desde 2007 custaram ao Estado perto de 100 milhões de euros”. Por outro lado, os abortos fazem também aumentar o desemprego, uma vez que “em 2011 há 422 educadoras de infância e 422 auxiliares que não tiveram emprego por causa do aborto”. Finalmente, “com os 60 000 abortos legais “por opção” perderam-se 85 milhões de euros por ano em contribuições para a Segurança Social, já a partir de 2030”.

FREQUENTE
Desde Julho de 2007 – o início da aplicação da lei que liberalizou o aborto em Portugal até às 10 semanas – e até ao final de Agosto de 2010, foram realizados 56239 abortos legais por “opção da mulher”, de acordo com os últimos dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Saúde (DGS).
ILEGAL
A persistência do aborto clandestino em Portugal é corroborada pelos últimos dados publicados pela DGS sobre complicações graves associadas a abortos fora do quadro legal que apontam para entrada nos hospitais de 23 casos de infecção / sepsis e 3 casos de perfuração do útero ou de outro órgão.Também a classe médica tem dado um sinal claro sobre a sua abordagem a esta lei, com cerca de 75% a 80% dos médicos obstetras a declararem-se objectores de consciência, de acordo com Miguel Oliveira da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, em entrevista ao Público (2010-06-27).
INSEGURO
Também no aborto legal por opção, existem complicações graves que colocam em risco a mulher, como confirmam os últimos dados publicados pela DGS, que em 2008, referem 5 registos de infecção grave / sepsis e 2 casos de perfuração do útero ou de outro órgão em abortos legais por “opção da mulher”.
UMA SOLUÇÂO IMPOSTA
A liberalização do aborto abriu espaço para a legitimação/banalização de um novo conjunto de pressões sobre as grávidas, muitas vezes da família, do pai do bebé e da sua envolvente, por exemplo, os empregadores.Muitas mulheres acabam, assim, por abortar contra a sua vontade.

(in Bio Jornal, Federação Portuguesa pela Vida)

Petição entregue na Assembleia da República

A Federação Portuguesa pela Vida requereu, numa petição entregue recentemente formalmente ao Presidente da Assembleia da República, a revisão da regulamentação da prática do aborto designadamente no sentido de reforçar planos de apoio alternativos.“Uma mulher em baixa por doença recebe 65% do ordenado. Se abortar fica de licença de maternidade e recebe 100% do ordenado. O envelhecimento da população é acentuado, persistente e um dos problemas mais graves com fortes repercussões no já depauperado sistema da Segurança Social. Não obstante, milhares de mulheres deixaram de receber algumas dezenas de euros de abono de família para os filhos que tiveram, ainda que o Estado lhes pague centenas de euros se decidirem abortar”. Segundo a Federação Portuguesa pela Vida, estas são algumas “das incongruências” que levaram à petição. Mas, segundo o FPV, há mais: “Manifesta-se, ainda, uma crescente preocupação com a reincidência do aborto. De acordo com dados da DGS, 21% dos abortos legais por opção de 2009 foram realizados por mulheres que já tinham abortado antes, sendo que 2% tinham-no feito no ano anterior. A liberalização do aborto abriu espaço para a legitimação de um novo conjunto de pressões sobre as grávidas, muitas vezes do companheiro, da família ou do patrão. Muitas mulheres acabam assim por abortar por falta de apoios e contra sua vontade”.

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2011

Ética bestial

(um magnífico artigo do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada).

Nas suas Memórias do Tempo de Vésperas, o prof. Adriano Moreira conta que era da praxe dos finalistas de Direito uma visita ao Jardim Zoológico, a cuja direcção então presidia o prof. Emídio da Silva. Com picardia universitária, o representante do curso cumprimentava-o nos seguintes termos: "Estando no Jardim Zoológico, não podíamos deixar de visitar o senhor professor!". O mestre, imperturbável, respondia com amável hospitalidade: "Estão em vossa casa!".
A propósito de animais, o The New York Times recentemente noticiou terem sido detectados comportamentos "homossexuais" em 450 espécies zoológicas, entre as quais cita as moscas de esterco e alguns primatas. Muito embora tais atitudes sejam, também no reino animal, absolutamente invulgares, porque a regra é o acasalamento entre machos e fêmeas, não faltou quem quisesse transpor essa excepção para a sexualidade humana, concluindo a "naturalidade" dos comportamentos homossexuais.
A referência a uma eventual "homossexualidade" animal não é inocente, porque indicia uma oculta intenção: a de humanizar os comportamentos animais ou, melhor dizendo, animalizar a sexualidade humana. Assim, a principal referência seria agora a etiologia animal, convertida em padrão do que é genuinamente natural e, por isso, normal, ou seja, norma social e ética universal. Porque o que é natural é bom.
É antiga a ambiguidade neste âmbito. Quando o Bambi chora de dor, o Dumbo é um exemplo de lealdade na amizade e o rei da selva é trespassado pelas setas de Cupido, não é apenas o mundo irracional que é antropomorfizado, mas a condição humana que é reduzida à mera dimensão animal. O que é humanamente natural já não é o racional e social, mas o que é mais imediato e mais instintivo, o que é primário e espontâneo.
Mas, afinal, o que é natural?! Num ser irracional, o instinto é normal, mas não assim na criatura racional. É natural que um cão satisfaça publicamente as suas necessidades fisiológicas, mas já não seria natural que o seu dono procedesse do mesmo modo. É por isso que não é notícia que um cão morda um homem, mas sim o contrário. Natural, no homem, não é apenas nem principalmente o que é inato, mas o que é de acordo com a sua natureza, ou seja, racional. É natural ganir ou ladrar, mas não para um ser humano, para quem não seriam normais tais irracionalidades. Mesmo quando o homem, dada a sua condição corpórea ou "animal", é acometido por alguma irreprimível reacção orgânica, como espirrar, bocejar, ou transpirar, procura racionalizar e socializar essas manifestações físicas, pois uma atitude de total desinibição seria inconveniente e irracional e, portanto, anormal.
A ética não é meramente descritiva do que são as pulsões inatas do indivíduo, mas a racionalização das suas tendências imediatas em ordem ao bem comum: é próprio do ser humano viver de uma forma inteligente a sua atracção sexual, pelo que não faz sentido procurar, no reino animal, referências que possam pautar o comportamento humano. Legitimar o que é instintivo e animal, à conta de que é natural, é renunciar à dignidade da criatura racional e rebaixar o homem à sua condição animal, abdicando do que lhe é próprio e específico, ou seja, a sua dimensão intelectual e espiritual.
Todos os seres humanos, quaisquer que sejam as suas tendências ou opções, merecem todo o respeito devido à sua dignidade, mas isso não implica a legitimação de todos os seus actos. Um documentário sobre bisontes rematava com a seguinte "moral": o homem tem muito a aprender com estes animais! Não me senti minimamente aludido, não sei se por não me seduzirem as manadas. Mas há quem ache consoladora a analogia entre certos comportamentos humanos e as práticas sexuais de algumas moscas e macacos que, segundo a referida fonte, têm, por via de excepção, relacionamentos íntimos com animais do seu mesmo género. Convenhamos que, se esse é o paradigma da sua moralidade, essa ética é mesmo... bestial.

Sábado, Fevereiro 12, 2011

Um (pouco) admirável mundo novo... ou as (novas) aventuras na República Portuguesa!

(Este depoimento vivo de João Titta Maurício é aqui publicado sem autorização do autor, a quem pedimos desculpa por isso; mas confiamos em que não se importará. Vale pelo seu valor intrínseco.)

Os meus 2 filhos mais novos nasceram neste período pós-Lei da liberalização do aborto. E isso permitiu-me descobrir um quadro legal e comportamental que tem tanto de novo quanto de repugnante.
Descobri que quando uma mulher de 36 anos fica grávida e se dirige ao Centro de Saúde, a primeira pergunta que lhe fazem é «vem cá para o tirar?»!?! Não creio que esse seja um comportamento obrigatório ou legalmente exigido. Mas é, no mínimo, sintomático e paradoxal - e a existência da tal lei do aborto não deve ser indiferente na génese este "clima" - que um médico se sinta "moral" e deontologicamente autorizado a sugerir um aborto!
A que acresceu a sugestão final: «então, "prontos", querem ter este... mas depois do parto venham cá para tratarmos da "laqueção das Trompas»!?! (voltarei a este tema, a esta sugestão "médica" que consiste na indução de uma situação clínica anómala e não saudável do funcionamento do sistema reprodutivo de uma mulher saudável...).
Depois, novo sinal dos tempos, na consulta inicial de ginecologia, após a identificação pessoal da grávida, na fase do historial clínico, quando informámos da notícia de 2 partos anteriores, a (chocante) pergunta: «e este 3º, é do mesmo pai dos outros»?!? Será assim tão socialmente herético que um casal esteja casado (na época) há 15 anos e que, aos 40 e 36, desejem ter mais filhos?
Depois a descoberta de que a maioria dos conhecidos e Amigos nos passavam a tomar por uma de duas opções: ou heróis ou loucos (a primeira, uma expressão quase sempre bondosa mas que muitos, por delicadeza ou simpatia, usavam com uma entoação a lembrar a segunda; e esta segunda, também por delicadeza ou simpatia, substituía outra(s) que, de facto, eram aquela(s) que tinham em mente: loucos, irresponsáveis, ou pior...). Aprendi, assim, que - se tinha dúvidas -, para a maioria da sociedade, a parentalidade não é uma bênção ou um desígnio natural de um casal, mas uma fatalidade a que só não se foge quando não se pode e que, quanto muito, apenas consiste na prestação ao nível de "serviços mínimos", cumpridos ao estilo de "greve de zelo"... pois ser pai é um "custo-investimento" de alto-risco que, ainda por cima, se torna, para o casal, num "anti-teaser", num "empata-fadas" e numa incomodativa realidade que torna quase impossível o tão imensamente importante e imprescindível sonho da quinzena a dois nas Caraíbas...
Porém, mais coisas me foram desvendadas.
Por exemplo, (e, apesar de tudo, foi recentemente alterado... não que o antes ou o depois representem boas soluções, mas só uma delas é sistemicamente coerente) descobri que se uma mulher quer abortar... porque "o corpo lhe pertence" (dispenso-me de contestar a evidente falácia)..., mesmo se casada, a decisão é dela e só dela. Sendo que o outro "co-autor" passa à condição de um impotente (salvo seja!) "verbo de encher" (literalmente). Já se a mulher casada quisesse, por sua iniciativa e vontade, requerer a tal "laqueação das Trompas", não o poderia fazer sem autorização do marido...! A solução recente, assenta na coerência do sistema: a vontade do marido é dispensada.
Depois percebi que, para acomodar outros exotismos "familiares", de "marido" fui despromovido para o mínimo denominador comum de "pessoa significativa". Ou seja, eu e a minha mulher optámos pelo casamento mas, para o Estado (dos hospitais), tal compromisso e vontade não só não tem relevância como sofre de um desprezo para permitir a inclusão das outras exóticas "vontades". Não lhe (ao Estado) pareceu justo e razoável criar uma figura equivalente à de "cônjuge". Não! Era necessário e imprescindível diminuir o casamento...
Mas mais.Quando na quarta-feira, aproveitando uma facilidade "Simplex" disponibilizada no edifício do hospital, fui registar o meu filho mais novo, perguntei à minha mulher pelo documento que atestasse o nascimento, pois não compreendia como podia proceder ao registo sem esse documento. O contrário prestar-se-ia a fraudes. E a outra alternativa (que o funcionário do registo pudesse informaticamente aceder aos dados clínicos pessoais à guarda do hospital) era inconstitucional. Mas ela insistiu que a informação prestada era de que, para o registar, bastava que um dos pais se apresentasse na posse dos documentos de identificação de ambos. Incrédulo... oh, quanta ignorância a minha!... dirigi-me ao tal posto de atendimento e quando, como interrogação, exponho as minhas dúvidas sobre os documentos necessários para o registo, a funcionária confirma a informação prestada. Indaga pela identificação dela e pela data do parto, "saca" de uma pasta de argolas que... para meu espanto... verifico conter um print-out - em princípio disponibilizado pelo hospital - onde constavam os nomes e dados de todos os partos! Ou seja: se, constucional e legalmente, é proibido o cruzamento electrónico de dados... então distribuem-se os mesmos dados em papel e o funcionário fá-lo à moda artesanal!
Os mais recentes são igualmente assustadores e reveladores do estado de degradação civilizacional a que chegámos.
Está a futura mãe sujeita aos cuidados médicos de preparação para o parto, começando a sentir incómodos e dores que - apesar de anteciparem um alegre momento - são causa de alguma perturbação psicológica e muito desconforto físico, quando irrompe pela porta do quarto - no meu caso, sem se identificarem ou informarem do propósito - uma "menina" (creio que Assistente Social) e que entende por bem sujeitar ambos os pais a um inquérito cuja relevância estatística - admito - pode ser imensa, mas cujo momento da realização não podia ser mais estúpido e inoportuno. Além de que, afim de completar dados que não foram prestados pela parturiente ou marido, a "menina" - como se estivesse a praticar o mais natural dos actos - abre o dossier com o historial médico da gravidez que, uma vez mais, lhe foi disponibilizado e possibilitado pelos representantes do Estado (dos hospitais), permitindo o acesso de dados médicos pessoais - que, por natureza, são de acesso restrito.
Tudo em nome dessa "indústria" da falácia, da demagogia e do desperdício de recursos da Comunidade e que responde pelo nome de "Assistentes Sociais"...Finalmente, um dos naturais anseios dos novos pais é, obviamente, o momento em que, para atestar a qualidade da condição de saúde da mãe e do filho, são estes, pela "alta médica", autorizados a deixar a maternidade. Mas se esta é a situação "normal", diferente é o entendimento do Estado (dos hospitais) quando... oh suprema infâmia!... a criança que nasceu é o 4º filho. Nesse caso, tudo se modifica. Como se um caso de estranha e perturbadora "doença social" se tratasse, é a mãe informada de que não lhe será - a ela e à criança - permitido sair e regressar a casa sem que, previamente, se haja sujeitado a uma obrigatória "entrevista" com um(a) Assistente Social! Objectivos declarados de tal "entrevista"? Verificar as condições dos pais! Sim, porque tal "aberrante anormalidade" de ter 4 filhos é, no mínimo, motivo para atenta vigilância por parte do Estado (dos hospitais e assuntos adjacentes). Que perguntas são feitas? Habilitações, profissão, rendimentos dos pais e características da habitação morada de família. Fabuloso!!! Só gostava de saber qual o propósito da recolha de tais informações. Presumo - porque a minha imaginação não alcança mais... - que seja um de três: - será para, verificada a inexistência de condições materiais, em nome da Comunidade e como estímulo à natalidade, as proporcionar a essa família?- será para, verificada a inexistência de condições materiais, em nome de uma peculiar interpretação dos Direitos da Criança, retirar o bebé a essa "irresponsável" e "criticável" família?- ou será uma forma superior de voyeurismo social, com objectivos "urbi et orbi" de admoestação-aviso para que tal, tão inaceitável quanto condenável, "ousadia", não se repita?Um dia, retrospectivamente olhando para este nosso tempo presente, de nós dir-se-à "como foi possível terem ido tão longe, e como foi possível que tenham os homens aceitado viver com tais excessos de tirania?".Porque quando os cidadãos são abusivamente controlados e a Liberdade, a esfera individual de privacidade e os Direitos Fundamentais são assim ofendidos e postergados pelos poderes públicos... é mesmo de tirania que devemos falar!

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2011

Aborto legal já custou 100 milhões de euros

A Federação Portuguesa pela Vida fez as contas e concluiu que os 60 mil abortos feitos em Portugal por "livre opção da mulher", desde 2007, tenham custado cerca de cem milhões de euros.
Nestas contas, incluem-se os 400 euros em média que são o custo por aborto mas também os custos sociais associados, como o subsídio de maternidade, que pode ser gozado até 30 dias e é pago na totalidade (sim senhor, quem decide abortar à custa do contribuinte ainda goza de subsídio de maternidade, por inteiro, como se ficasse em casa a dar de mamar a uma criança...)

Lei do Aborto: 5.000 assinaturas recolhidas em petição contra

Pelo menos 5.000 assinaturas foram recolhidas numa petição que será entregue esta quarta-feira ao presidente da Assembleia da República com o objectivo de alterar a regulamentação da lei do aborto, em vigor há quatro anos.
Iniciativa da Federação Portuguesa pela Vida (FPV), esta petição dá pelo nome de "Vemos, ouvimos e lemos - não podemos ignorar" e contesta a actual lei do aborto. "Volvidos quatro anos, assistimos a uma realidade dramática que deixa mulheres e homens cada vez mais sós e abandonados à sua sorte", lê-se no texto que convida à subscrição.
O documento, que será entregue a Jaime Gama na próxima quarta feira, peticiona à Assembleia da República que "reconheça o flagelo do aborto que, de Norte a Sul, varre o País desde há quatro anos, destruindo crianças, mulheres, famílias, e a economia, gerando desemprego e depressão".
Os autores do documento defendem ainda "medidas legislativas" no sentido de "rever, para já, a regulamentação da prática do aborto, por forma a saber se o consentimento foi realmente informado e a garantir planos de apoio alternativos ao aborto".

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2011

4 Anos depois

Completam-se os quatro anos do Referendo ao Aborto. Foram 4 anos de confirmação de uma decisão errada cujas causas, um dia, se hão-de apurar. Porém, não podemos baixar os braços e, por isso, a defesa da vida tem de se fazer em todas as circunstâncias e em todos os momentos.
A visibilidade dessa luta pela vida é um imperativo civilizacional.
Está a correr uma Petição on-line com a seguinte identidade: “Vemos, ouvimos e lemos - Não podemos ignorar” em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5620 que será entregue no próximo dia 9 de Fevereiro, ao Presidente da Assembleia da República. É hora de mostrar, através de nós e dos nossos amigos, quão urgente é salvar mães, crianças e famílias deste flagelo que é o aborto.
Por isso pedimos a todos um esforço adicional para, nos próximos três dias, subscrevermos (em força e com todo o empenho) essa Petição.

P´la Direcção da Federação Portuguesa Pela Vida

Isilda Pegado
(Presidente)

Terça-feira, Janeiro 18, 2011

Domingo em Paris: grande marcha pela vida

Quinta-feira, Outubro 14, 2010

El negocio de la muerte

Decía Julián Marías, el más adelantado discípulo de Ortega, que la aceptación social del aborto era la circunstancia más grave del pasado fin de siglo; pero, en realidad, no ha sido nunca una aceptación voluntaria y fruto de la evolución natural de las costumbres, sino una imposición ideológica, diseñada y propagada con las más eficaces técnicas de ingeniería social, totalmente ajena al debate científico, es decir, el último triunfo de las secretarías de agitación y propaganda. Nadie quiere recordar que su implantación legal, lograda gracias a un complicado edificio de sofismas y por una exhibición impúdica de la sentimentalidad, está repleta de mentiras, como por ejemplo la sentencia que lo hizo posible en Estados Unidos, la famosa Roe versus Wade, que introdujo un debate moral sobre la violación de una mujer que de hecho –tal y como luego ha repetido mil veces la protagonista–, nunca se había producido, que sólo fue un truco más utilizado por una minoría que quería poner en marcha una industria rentabilísima.
Pero si sus antecedentes son sobrecogedores, –una mezcla de falsedades, restos de ideologías totalitarias y presiones económicas–, ahora el drama del aborto se convierte en un asunto frívolo en boca de la incalificable ministra Aído, capaz de afirmar que la realidad de la vida del no nacido corresponde a posiciones morales y religiosas, ignorando que es una contrastable evidencia científica. Pero es que Aído no es ministra de Sanidad, ni de Ciencia, ni tiene preparación para ello, ni falta que le hace para su labor sectaria. Por eso los derechos de los embriones los decide –o los cercena– una señorita obediente sólo a ideologías caducas, que enarbola como bandera de libertad femenina una práctica que, en su vertiente menos dramática, supone un menoscabo –siempre– de la salud de la mujer.
Resulta esclarecedor que los empeñados en considerar el aborto como un derecho exijan la mayoría de edad para acceder a documentales que muestran la tragedia tal cual es, al mismo tiempo que facilitan a las niñas de dieciséis años la capacidad de destrozarse la vida, evitando incluso el apoyo y el consejo paterno. En realidad, la multinacional abortista –que dentro de poco se reunirá en Sevilla– no teme que perjudiquen su negocio las objeciones morales ni religiosas de las que hablaba neciamente Aído, sino el hecho de que las mujeres que se encuentran en una situación dramática puedan acceder a una información veraz sobre el aborto, ese terrible callejón sin salida que ellos –económicamente implicados– pretenden mostrarles como una solución.
Y es que existe unanimidad médica a la hora de concluir que el aborto es malo para la mujer, y no es casualidad ni religión ni un nostálgico apego al juramento hipocrático lo que hace que la inmensa mayoría de los médicos se declaren objetores de conciencia, negándose a participar en la carnicería. Restado el componente publicitario –que vende el aborto como una solución indolora e inocua– y la propaganda ideológica, ¿quién querría someterse a una intervención quirúrgica a la que se niega la inmensa mayoría de los especialistas? De conocerse toda la verdad, es indudable que ese sangriento negocio quebraría.
La defensa de la vida del no nacido es la mejor causa que puede abrazarse en este principio de siglo, porque la testarudez de las realidades científicas se acabarán imponiendo, de igual forma que la humanidad acabó contemplando como un horror inaceptable la esclavitud o la tortura, después de milenios en los que convivió e hizo negocio con esos crímenes.
(Editorial, www.gaceta.es)

Domingo, Agosto 01, 2010

A saúde mental dos portugueses

(Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21)

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra