
Numa sociedade de mercado como a nossa, felizmente, existem diferenças salariais. A diferença salarial distingue funções, competências, qualificações, responsabilidades, experiências, estimula geralmente o mérito e os benefícios sociais decorrentes de determinado trabalho e organização.
Não obstante o benefício da diferenciação (livrem-nos de uma sociedade de iguais), Portugal continua a ser um dos países ocidentais onde existe uma maior diferença salarial: entre homens e mulheres ou entre quadros dirigentes e técnicos.
Segundo os dados do Relatório Anual de 2007 da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) sobre os aumentos salariais nos 27 países da União Europeia (UE), Portugal era o segundo país europeu (atrás da Eslóváquia) com maior diferença salarial entre sexos, com os homens a ganharem 25,4 por cento mais que as mulheres, contra uma média europeia de 15,9 por cento. O salário médio de um homem, em Portugal, ronda os 916 euros, enquanto o de uma mulher fixa-se nos 748 euros. Resumindo, para ganhar o mesmo que os homens, mulheres com funções idênticas têm de trabalhar pelo menos mais um mês.
Segundo as contas efectuadas em Junho de 2006, pelo Jornal de Negócios, com base nos relatórios e contas das empresas, cada administrador executivo ganhou, em média, 33 vezes mais que cada colaborador. O vencimento médio anual daqueles administradores ascendeu a 871 mil euros, enquanto o dos restantes trabalhadores receberam um ordenado médio de 27 mil euros. 1,76 Milhões de euros foi o salário anual de um administrador executivo da Semapa. O custo por trabalhador foi 8041 euros. 1,31 Milhões de euros foi o ordenado anual de um administrador executivo da Brisa. O custo por trabalhador foi 21350 euros. 1,21 Milhões de euros foi o salário anual de um administrador executivo da Portugal Telecom. O custo por trabalhador foi 20849.
As diferenças salariais em geral existem e não devem ser justificadas com uma questão de produtividade. A produtividade média portuguesa corresponde a cerca de 66% da produtividade média da UE, no entanto o salário médio português corresponde a muito menos que 66% do salário médio destes países. De acordo com dados publicados pelo Eurostat, a título de exemplo: a produtividade dos trabalhadores ingleses é 1,37 vezes superior à dos trabalhadores portugueses, mas os ingleses ganham 2,4 vezes mais; a produtividade dos trabalhadores alemães é superior em 1,4 vezes a dos portugueses, no entanto, alemães ganham mais 2,8 vezes que os portugueses.
Agora, na última semana, novos dados a confirmar esta tendência, como o exemplo de que Rui Pedro Soares, ex-administrador nomeado pelo Estado para a PT, ganhou sozinho em 2009 tanto como ganharam juntos todos os 210 trabalhadores do call center da empresa ao longo daquele ano. Ganhou à volta 4000 euros por dia, enquanto que um português que receba o salário mínimo recebe menos de 20 euros.
Exemplos populistas, eu sei que são, mas num momento em que se congelam salários, diminuem-se prestações sociais, tudo em nome de uma crise, será que remamos todos para uma sociedade mais justa e coesa?





