Sábado, Dezembro 30, 2006

Na sequência dos acontecimentos dos últimos dias quero só reafirmar a minha presença e esclarecer algumas coisas.

Como podem ter reparado (ou não), o primeiro testemunho do meu post anterior foi retirado, porque a autora me escreveu e pediu para que o fizesse. Assim fiz.

Em relação aos comentários que foram e estão a ser tecidos, só tenho pena que pouca gente tenha aberto os olhos, mesmo com todos os indícios. Tenho pena de viver ainda num país machista em que ainda se julgam as mulheres por alegadamente provocarem os homens. Faz lembrar o que aconteceu há uns meses no oriente, em que depois de uma mulher ter sido fatalmente violada ainda foi dito que tinha sido bem feito porque a senhora andava sem o véu e, logo, provocando os homens.
Lamento também os insultos. São gratuitos e infundados. Para além de insultuosos para mim e todas as restantes envolvidas.
Não sei se algum deles será ou não da pessoa em questão, mas se for, é grave e só prova o tipo de pessoa que ele é.

A todas as pessoas que estão connosco, obrigada. É fundamental o vosso apoio.

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Antes de mais:
Tentei entrar em contacto com todas as pessoas que me escreveram para pedir autorização para publicar parte dos seus relatos.
Os nomes são, obviamente, falsos.
Algumas pessoas não autorizaram, e eu respeitei. Outras não consegui contactar (emails desactivados e ausência de resposta). Outras ainda talvez me possa ter esquecido- não literalmente, mas porque a caixa de correio está tão cheia e confusa que posso eventualmente não ter encontrado o endereço de email, etc, e assim não ter contactado uma ou outra pessoa(s)). A quem não consegui contactar, as minhas desculpas por não o ter feito ou não o ter conseguido fazer. A quem me autorizou a identificar pelo nome verdadeiro: não o fiz, porque ou identificava todas (e a maior parte preferiu ser identificada por um nome falso) ou não identificava nenhuma- foi o que fiz. Para alguma dúvida, o meu email é público.
A todas as que aceitaram colaborar o meu muito obrigada…


Mariana:“Eu orbitei durante 7 anos à volta dele.”
“Ele tem problemas psicológicos e o sexo/ espezinhar a auto-estima é o que o faz aliviar das suas angústias.”
“Ele é uma dor de cabeça! É chato! E muito ansioso! E egocêntrico até dizer BASTA! E vazio por dentro! SUPERFICIAL e pseudo
intelectual! E por onde passa fode tudo! E não é só o corpo! Também o juízo e a sanidade mental de qualquer ser humano! E é falso e hipócrita até dizer chega!”

Raquel:“O meu primeiro encontro com ele foi uns meses antes de fazer 16. (…) Ele ligou-me para ir ao estúdio dele, isto depois de diversas cartas, telefonemas e e-mails... “
“Ele estava sentado comigo no estúdio dele, metia-me a mão na perna, mandou-me por de pé, para olhar para mim, começou a dizer que (…) eu era muito linda e essas cenas todas, para gerar aquele clima.”
“Quando eu ia a sair, ia-lhe dar dois beijos na cara, e ele disse: "não, eu vou-te levar à porta", e eu "ok, está bem", quando chegamos à porta da rua, ia novamente dar-lhe dois beijos e ele espetou-me um beijo na boca.”
“Lembrei-me de criar outro email, deixei uma mensagem no site, a felicitá-lo pelas músicas e ele mandou-me um email, que me dizia que queria saber mais coisas sobre mim, para eu lhe escrever emails... Fui-lhe mandando emails, sem falar de mim, apenas falavam de música portuguesa, nas minhas ideias sobre a música dele e essas coisas. (…) Até que ele depois disse para eu lhe deixar o numero de telemóvel, dei-lhe o meu número, e no dia a seguir um número privado ligou (já estava a calcular), primeiro perguntou se era eu, depois se eu estava sozinha e ele começou a elogiar-me e a perguntar de onde eu era (…) e convidou-me para tomar café. (…) Depois disse que eu tinha uma voz muito bonita, e que tinha adorado falar comigo e pediu para escrever um email de como me tinha sentido com aquele telefonema.”
“Já alertei uma colega minha que fax equitação onde ele às vezes está com o cavalo dele, porque ele já começou a falar com ela, (…) faz-lhe olhinhos, diz-lhe adeus…”
“Eu encontrava um refúgio nas músicas dele, e desabafava sempre com ele sobre o que sentia, mas nessa vez que fui ter com ele não percebi porque é que ele estava assim comigo. Ele sabia que eu namorava e tudo, porque eu falava do meu namorado muitas vezes e nos concertos ele via-me sempre lá com ele.”
“Os meus pais nunca souberam que estive com ele, mas sabem que ele se metia muito comigo e sempre tiveram medo (o meu pai sempre me disse que ele andava a meter-se com miúdas de não sei onde, mas eu estava cega).”
“A minha mãe uma vez atendeu um telefonema dele e ficou fula comigo, porque dizia que andava a meter conversa com velhos e eu tive de dizer que conhecia o abrunhosa e que quem tinha ligado era ele e acho que isso ainda a pôs mais fula.”
“Ele não merece as vezes que o defendi sempre que me diziam que andava metido com miúdas...”

Liliana:“As palavras e os gestos são sempre os mesmos... Não é nada que eu já não estivesse à espera, até desconfiava, mas só vendo ou lendo é que a malta acredita... Pois, é verdade, eu sou uma das "miúdas" dele”
“Recordo-me da primeira vez que me falou de exclusividade, eu desatei-me a rir e disse-lhe que ele devia estar a delirar de certeza.... No início ele ainda falava num futuro a dois... Como é que ele podia achar tudo isso só de me ver algumas vezes?“
“É claro que ele diz o quanto eu sou bonita, que tem vontade de viajar comigo, entre outras coisas que tu já deves estar farta de ouvir (puro blá, blá, blá).”
“Quando fui ter com ele, desconfiava da conduta dele...(aliás, ele não é a única figura pública que se aproveita da posição em que está....certo?) (…) Já tinha ouvido falar de muita coisa, sabes que sou do porto e a Indústria é a Indústria...Mas também te dou outros nomes de figuras publicas.”
“Os encontros, sempre em casa dele. (…) Uma média de 3 vezes por semana.”

Luísa (um testemunho escrito por esta mesma pessoa está nos comentários ao último post- antes deste)
“Gostava poder ter tido algum papel expiatório, para que mais nenhuma rapariga de 22 anos fosse consecutivamente maltratada como eu fui. Que mais nenhuma fosse violada, espancada e deixada no chão frio, à beira de uma piscina, a meio da madrugada que parecia não ter fim, a chorar.”
“Olhei-me ao espelho e não me consegui reconhecer. Parecia ter sido brutalmente abusada por uns 5 homens.”
“As auréolas negras que os emolduravam denunciavam as noites em que me fiz passar por troféu do “senhor” sempre como leal servidora, guiada pelo seu braço, a deambular pelas ruas do Porto (e eu nem sequer sou do Porto).”
“O “senhor” percebeu que eu até sabia demais e que não me podia deixar ir assim. (…) Estava-se no processo de lançamento do álbum “momento”. E não podia escapar informação cá para fora. Inclusive uma música que, segundo ele, foi escrita para mim. Foi então que começou a chantagem psicológica, a humilhação e perseguição constante. (…)
Houve ainda vários encontros no Tivoli (hotel em que fica hospedado quando vem a Lisboa) de forma a ele ter a sensação de que eu não falaria.”


Beatriz:
“Ele veio dar um concerto à minha terra e estava eu e
outra amiga cheias de vontade de dançar. Se calhar até dançámos de uma forma bastante exibicionista, ele ficou logo de olho em nós até porque estávamos relativamente perto, mas até ai tudo bem até porque fiquei feliz por ele estar a olhar para mim- uma reacção normal de qualquer rapariga penso eu...”
“Durante o concerto ele cantava para mim, baixando-se, pondo-se de cócoras e mandou-me um beijo e apontou na minha direcção (…) e a
seguir olhou na minha direcção e lambeu o lábio superior e quando o concerto acabou acenou-me. (…) À saída do recinto ia ele de carro, tocou no vidro para me chamar e mandou-me um beijo e voltou a lamber-se.”
“Ainda bem que não o fiz [dar-lhe o número de telemóvel]”

Maria João:
“O comportamento padronizado, os mesmos gestos, os mesmos actos, as mesmas palavras, o mesmo sítio, a mesma hora (Indústria, 3 da manhã).”
“Eu tenho 20 anos, e tudo isto se passou não há muito tempo no Indústria. (…) Umas carícias, muitos elogios ao ouvido, uma data de coisas que tu sabes. (…) Não lhe dei o meu email, descobriu-o, não sei como. Assustei-me.”
“O comportamento é doentio e, na minha opinião, pouco aceitável
para uma pessoa que já tem idade para ter juízo. (…) Hesitei em contar o que se tinha passado a alguns amigos e amigas. Surpreendentemente nem todos ficaram admirados com a minha história, já tinham ouvido falar do caso, tinham uma prima, uma amiga que já tinha "andado" com ele. Se eu já estava um pouco chocada com o facto de ele sequer me ter abordado, mais chocada fiquei com o facto de começar a perceber que a prática é corrente.”
“Fico a pensar como se deu ao trabalho de o fazer [ter conseguido o email] com uma miúda, porque sim, em relação a ele sou, somos, miúdas.”
“Também eu ia num grupo de amigas, sendo que ele apenas se dirigiu a mim directamente (nem entendo bem porquê porque, não querendo parecer uma falsa modesta, tenho amigas que se podem considerar de uma beleza muito mais "bonita" que a minha. Talvez por parecer a mais novinha, porque pareço.”

Catarina:
“Um comentário à parte: uma pessoa que comentou ter estado com ele, disse que falaram sobre poesia e blá blá blá, que ele era muito
respeitador. Pois parece-me que é evidente que não fazia o tipo dele porque ele não tem nada de respeitador e se não a seduziu foi porque ela não lhe interessou.”
“Eu ia jurar que há já uns quase dois anos ele se tinha deixado disso, mas...”
“Tinha um grande fascínio intelectual por ele e como uma grande parte das adolescentes alimentei um sentimento de idolatria (que só agora reconheço) que me servia de refúgio ao dia-a-dia. Parece-me que é esse o impacto que ele tem sobre a maioria.”
“No fundo ele não é nada disso [do que imaginamos] e, embora deva ser
punido, não creio haver maior punição do que ser quem ele é. (…) Ele é um ser humano muito problemático porque tenta acreditar que é feliz, que pode tudo e que está acima de todos quando na realidade é uma fraude. Presenciei o desgraçado que ele é...E vazio.”
“Um dia tornou-se realidade e como faz com todas as raparigas e mulheres tornou-me descartável.”
“Apercebi-me (vi com os meus olhos) da técnica cíclica e grosseira como atrai rapariguitas de 16 em diante (algumas supostamente teriam menos, mas hoje em dia é tão difícil detectá-lo!!!) e substitui a anterior como um relâmpago. Estamos perante uma pessoa maquiavélica, que desde o primeiro instante já sabe o fim da curta-metragem.”
“Ele tem um filho e é tão narcísico que nem consegue perceber que os
boomerangs vão e voltam. Não desejo mal algum ao filho, mas os filhos dos outros também podem ser os dele.”
“Às vezes tenho vontade de desistir quando o vejo aos beijos e abraços
com Sr. ex - presidente Sampaio, que lhe tece tantos elogios e sem saber ainda legitima o comportamento repreensível desta besta.”

Clara:“Eu própria já o confrontei com algumas das suas vítimas e ele chega a negar conhecê-las descaradamente. Não sei se o Sr. sofre de alguma amnésia, mas a mim parece-me que o que ele sofre é de um distúrbio psicológico bastante grave, o que não o desculpa dos actos dele.”
“Como é que ele pode achar seja o que for de uma rapariga em dois segundos de conversa? Porra até me mete nojo...tanta treta! Óbvio que a suposta "eleita" só pode entrar em êxtase depois de tantos elogios e vindos de quem vêm. E nessas circunstâncias acho que a idade e experiência da vítima pesará pouco, porque o momento só pode levá-la a cair na ilusão.”
“Temos de ver que é muito mais simples manipular uma rapariga de 16 anos do que propriamente uma mulher. E, depois (…) as pitas sempre têm um corpinho mais aliciante do que uma mulher mais velha.”
“Todas as vítimas se encontram em partes diferentes de Portugal (o que ainda facilita mais o Abrunhosa a manter a sua podridão escondida).”
“Os mails e sms que ele envia são uma grande prova…”
“Ele dizia-me que não andava com mais ninguém e aí eu escrevi -lhe a fingir que era outra e dei-lhe o número de uma amiga e ele ligou-lhe. Aí ela marcou um encontro e apareci eu.”
“Conheço 1 pessoa que passou pela casa dele no Porto, outra que foi a um hotel em Lisboa e uma outra no Estoril.”
“Hotéis aqui por baixo é um Pestana em Lisboa e outro no estoril chamado Estoril Sol.”
“Existem pessoas às quais ele deixa de responder pura e simplesmente porque se farta.”

“Disse que já não confiava em mim e que as cenas tinham de ficar por ali. (…) Foi muito baixo nível com as palavras. Tipo mesmo a dizer grandes asneiradas, mas isso já é normal.”


Angélica:
“Eu ia ter com ele ao Tivoli Lisboa. É esse hotel que ele fica e que convida as meninas para lá irem... (…) Mandei-lhe um email um dia sem qualquer intenção nem tão pouco estava à espera de resposta, mas respondeu e começámos a falar por email: Dei-lhe o telemóvel ele ligava-me quase todas as semanas. (…) Até que me convidou para ir ter com ele ao Tivoli à noite. Eu fui, e não me perguntes como ele, envolveu-me de tal forma que caí logo no jogo dele, nunca me tinha acontecido, porque eu sou responsável e para além disso tenho um filho e sou divorciada.” (…) Comecei a ir ter com ele sempre que cá vinha. (…) “Andei com ele durante 6meses. (…) Sentia me extremamente bem com ele até saber no irc que ele fazia isso a todas. (…) Ele tinha feito com que eu me apaixonasse mesmo, o que ao princípio era uma brincadeira ficou sério, pelo menos para mim. Fui mais uma no meio de muitas.”
“Desde o momento que vi o blog não me sai da cabeça a probabilidade de ele ter alguma doença venérea... Sim porque ele não tem por hábito usar nada...”
“Depois deixou de escrever, de ligar, ou seja desapareceu completamente...”
“Soube hoje… Graças a deus também não tenho nada. Fico bem mais descansada uma vez que já se passou 1ano…
Bem, querida, eu espero que todas tenham a mesma sorte que nós e não tenham contraído nada... Nunca pensei passar por um desespero tão grande…”

Domingo, Janeiro 08, 2006

Quando isto se passou eu tinha 16 e o Pedro 39.

Neste momento ele tem 45 e sei, já recebi alguns emails a relatar, que continua a ter o mesmo de tipo de comportamentos. Quem vive no Porto e frequenta o Industria também sabe disso. Já é conhecido da casa pelo seu comportamento.

Nem nas aulas de equitação as adolescentes deste país podem estar livre de perigo.

Eu sei que ele tem um filho, com 13 anos, à volta disso. Não tem namorada, tem muitos casos. Algumas delas ele consegue convencer que são namoradas e diz-lhes que são a única mulher da vida dele e que mudou/está a mudar/vai mudar o seu comportamento. Promete fidelidade e diz que se quer tornar numa pessoa diferente. Consegue convencer a maior parte delas.

Quando elas o apanham desculpa-se no facto de ser uma pessoa muito sofrida. Que já passou por muito, que já sofreu muito, que lutou muito para estar onde está, etc. Elas acabam por perdoá-lo e volta tudo ao início. Até elas se cansarem ou não.

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

É curioso como ando a receber ameaças, emails insultuosos, comentários agressivos, etc.

A última chegou-me através de um email, alegadamente da polícia judiciária... Se a minha conta de correio não fosse tão boa, tinha caído na trama e lá se ia esta fonte de divulgação da verdade para o lixo...

Passo a transcrever o que me foi enviado, com o endereço da polícia judiciária no remetente:
"Vimos, por este meio, pedir que retire imediatamente o conteúdo de todo o blogue, sob pena de ser acusada de crime de difamação, previsto no artigo 180º do Código Penal português."

E depois o comentário extra:
"IP nr.81.84.72.156, sent you this email using www.Fake-Mailer.com This email is fake."

Boa tentativa. Quase caí.

Até breve,
Leonor

Domingo, Dezembro 25, 2005

Continuamos com o mesmo objectivo.
Não pensem que desisti ou que arranjei alguma coisa mais importante para fazer.
Pretendo recuperar a minha dignidade de alguma forma, servindo para isso alertar e denunciar: as duas palavras-chave da missão.

A cada dia que passa fico mais aterrorizada com a dimensão desta situação.

SEI QUE ME LÊS
Porque raio é que não optas por bonecas insufláveis? Dar-te-iam muito menos trabalho e correrias muitos menos riscos... em todos os sentidos...
Como ficarias se a tua mãe te dissesse que foi vítima dum como tu?
Ias achar que a culpa foi dela ou ias ter vontade de torturar o tipo muito lenta e sadicamente?

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Encontros de 3º grau... (1ª parte, os bastidores dos espéctaculos)

Vai um grupo de jovens assistir a um concerto do senhor. Muito divertidas, contam passar uma noite diferente e assistir a um espectáculo. Como ainda chegaram cedo, por acaso conseguiram ficar bastante à frente, quem sabe até na primeira fila.
Começa o concerto.
Todas elas sabem as letras de cor. Afinal, os seus singles são reconhecidos por toda a gente. Mesmo para quem não gosta dele ou das músicas dele, basta ouvirem os primeiros acordes de um dos top singles para começarem logo a vomitar a letra que está gravada no inconsciente (como a música pimba: ninguém compra, ninguém ouve, mas toda a gente sabe de cor).
De repente, uma delas repara "ele olhou para mim...". (...Passados uns momentos)"ele olhou para mim outra vez... será impressão minha? Ó Rita, vê lá se ele não parece estar a olhar para mim?" "deve ser impressão tua" "pois deve". (... Mais uns momentos) a rita diz "olha! Agora olhou mesmo para ti" "pois foi, já há bocado me pareceu que estava a olhar para mim". (...) "ele está definitivamente a olhar para ti, e não pára sempre que tem oportunidade..." "eu sei... olha, outra vez" (... Agora uma balada romântica) "meu deus, ele parece estar a cantar para ti" "pois, já me sinto incomodada, não pára de olhar..." (alguma referência na música a fazer amor) "ele está a apontar para mim..." "pois está... ele fixou-te mesmo"
(Surge um discurso falso sobre amor a introduzir alguma canção) "e estão aqui hoje mulheres lindas..." "ele disse a olhar para ti, apaixonou-se (risos)" "eu vou querer o número de telemóvel de uma destas lindas mulheres..." "outra vez eu... será que não há mais público para olhar?" "e agora uma música que fala dos prazeres da vida, como passear à beira-mar, ler um bom livro ou fazer amor com alguém muito especial" "meu deus, ele está fixado" (...) Já na recta final do concerto, há aquela parte em que desce do palco e vem cumprimentar o público a meio de uma canção. Passa pela nossa amiga. Agarra-lhe a mão e segreda-lhe ao ouvido. "o que foi que ele disse?" "espera, ainda estou a tremer... ele disse para eu no fim do concerto ir aos bastidores..." "a sério? que máximo! que sorte! é claro que vais!" "mas para quê?" "sei lá, para lhe pedir um autógrafo, por exemplo! e para tirarmos fotos com ele" "sim, tudo bem, mas porquê eu?" "pá, porque ele viu que tu eras linda e apaixonou-se por ti! Sei lá, vais e logo descobres" "estou a tremer..." "pudera! não é para menos... ter um gajo como o abrunhosa a dar a entender que nos quer conhecer... ó amiga, força aí!" (... Mais umas canções, mais uns olhares depois)"acabou... espera agradecimentos" "a camara municipal/junta de freguesia/ associação x/y/z quer agradecer aos Bandemónio terem cá vindo. assim, temos uma pequena lembrança para o senhor pedro abrunhosa. "que ramo bonito" Ele agradece o ramo, faz uma vénia para o público, tira uma flôr do ramo e atira para o fundo, lado esquerdo do público, tira outra flôr do ramo e atira para o fundo, lado direito do público, tira outra flôr do ramo e atira para onde? Bingo! "para mim? que linda!" "fogo, tens direito a flôr e tudo? directamente para ti, fez questão de apontar antes de te atirar a flôr..." "e agora?" "agora vais ter com ele. nós vamos contigo" "ok. e vocês entram comigo, ouviram?" "sim, claro, também queremos autógrafo e foto!"
Uma fila. Guarda-costas com o dobro do tamanho das nossas amigas. O bastidor, um pré-fabricado para a banda toda+manager e outro só para ele.
"Fila!? Não sabia que isto era tão concorrido..." "olha só aquela família de avecs com os avós, pais e netos... parece que vão em peregrinação para fátima... (risos)" "espero é que não queiram autógrafos individuais senão nunca mais saímos daqui... e eu disse à minha mãe que à 1.30 estava em casa" "tem calma, afinal, foi ele que te chamou, podes sempre justificar-te com a tua mãe, ela não ia querer que dissesses não ao pedro abrunhosa... (risos)" "estou toda a tremer... estou bem? não estou com ar cansado?" "estás óptima, linda como sempre.. Ooooops! já somos nós!!!"
Ele abre a porta e vê o grupo e diz, apontando para a nossa amiga, "vocês entram primeiro, depois quero falar com ela sozinha"
"bem, até já, somos nós primeiro..." entram, autógrafos, saem.
"és tu, força! nós esperamos por ti"
Ela entra.
"Então, tudo bem? Queres autógrafo?" "(a medo)sim..." "como é que te chamas?" "x" "tens um nome muito bonito x, aliás, tu és linda... não consegui tirar os olhos de cima de ti durante o espectáculo" "(a medo)eu sei, eu reparei (levanta a flor que trazia na mão)" "gostaste da flôr? Não foi nada..." "é bonita, obrigada" "sim, mas tu és ainda mais" "(tímida)obrigada" "tens email? Escreve-me aí o teu email e o número de telemóvel também. És de cá, moras aqui?" "sim" "interessante. costumas ir ao porto muitas vezes? temos de trocar correspondência" "nem por isso, muito raramente" "e a lisboa?" "a mesma coisa" "gostei muito de te conhecer, a sério, és linda, muito interessante. prometes que me escreves?" "prometo" "mas escreve mesmo, ok? eu respondo sempre" "sim, eu escrevo" "fala-me deste concerto e do que sentiste, fala-me de ti, da tua vida, do que quiseres" "ok" "e entretanto fico com o teu telemóvel também, pode ser que venha cá um dia destes fazer-te uma visita... gostavas?" "sim, gostava" "vai lá x, e vê se me escreves mesmo, quero conhecer-te melhor" dirigem-se um para o outro para se despedirem com dois beijos, mas, surpresa, ele beija-a na boca... Ela fica nervosa e sem reacção e sai, sem olhar para trás. Durante momentos fica na dúvida se conta às amigas ou não o que lá se passou. Opta por contar muito pouco e só conta a versão verdadeira a uma ou outra amigas mais especiais, e já uns dias depois. Está estabelecido o primeiro contacto (ou 2º, ou 3º, dependendo da história).


Isto é uma das terminações possíveis para a história. Há outras versões, sem flôr, sem amigas, abordagens mais directas, encontros de bastidor mais escaldantes ou menos. Às vezes ele aproveita para tocar nela e "tirar-lhe as medidas" com as mãos. Outras fica-se pelo beijo. Outras pela insinuação.

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

A minha ideia, com este blog, não é punir, mas alertar. Só quero acima de tudo prevenir. Se puder ajudar uma pessoa que seja a não cair no que eu caí, para mim já é uma vitória.

Sei que a maior parte das pessoas não compreende, nota-se isso nos comentários. Mas não é para esses que falo. Esses, talvez um dia, quando uma filha ou um filho, ou uma sobrinha ou um sobrinho, ou uma neta ou um neto passarem pela mesma coisa percebam onde toca e onde dói.

A quem já seja tarde demais para alertar, volto a pedir, colaborem. Não se deixem inutilizar pelas vozes que não levam a sério, que não sabem o que é.

Passar à frente? Por mais que eu tenha já passado muito à frente há coisas que vão ficar aqui dentro a incomodar para sempre.

Sim, a polícia judiciária sabe. Não comecei o blog para criar justiça popular. Aliás, nem dava. Tomás Taveira não é um dos mais bem sucedidos arquitectos a nível nacional(até se calhar por isso, já que lá fora ninguém o conhece)? Não é ele autor de estádios de futebol e cenários de estúdios de televisão? Não tem uma coluna de opinião num dos jornais de maior tiragem do país? E toda a gente sabe o que ele fez e quem ele é...